Liberdade na Torre de Babel

MEPIsto é grave. E triste. Em vários planos e por várias razões.

Ver um homem, já com alguma idade, a dizer aquele chorrilho de disparates, é triste. Tratando-se de um deputado europeu, é grave.

Mas, enfim, o ridículo fica com ele e, diga-se de passagem, o fórum em que ele falou, não é muito relevante para a maioria dos europeus. E essa irrelevância, não sendo muito grave agrava a tristeza que vai caindo aos poucos sobre o projecto europeu.

Os eleitores europeus e os eurodeputados que (alegadamente) os representam agitaram-se incomodados perante as declarações e terão (assim espero…) respondido à letra ao seu colega. Óptimo, é para isso que serve um Parlamento. Mesmo que seja triste que só ouçamos falar deste Parlamento neste tipo de ocasiões…

Mas, para além destas reacções, o presidente do Parlamento Europeu também achou por bem lançar a sua acha para a fogueira. E não foi de modas: condenou o dito eurodeputado impondo-lhe “sanções inéditas”.

E é aqui que isto fica grave. E sério.

Qual foi, afinal, o objecto das sanções? Corrupção? Abuso de poder? Tráfico de influências? Aproveitamento indevido das imensas mordomias que assistem aos deputados europeus? Não, nenhuma das anteriores. O objecto da sanção foi, afinal de contas, puro delito de opinião.

Limitar a liberdade de expressão a alguém que foi legítima e democraticamente eleito para um parlamento é absolutamente injustificável. Fazê-lo em nome da liberdade é… perigoso.

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Compreender Fátima

Rui Ramos. “Fátima é como um elefante na sala”

Há todas as questões de um regime que desde 1910 funciona como a ocupação de um estado pelo Partido Republicano Português. Um partido em guerra não apenas contra aqueles que não são republicanos, mas também em guerra contra muitos que são republicanos, mas que não se reconhecem nesse partido, dirigido por Afonso Costa. O Partido Republicano Português, conhecido também como Partido Democrático, ocupa o poder de uma maneira violenta e agressiva para com as oposições. E depois um conflito que é aberto também pelo Partido Republicano e que o partido se recusa nessa época a atenuar com a Igreja Católica.

1910 e 1911 são também o começo de uma guerra ideológica contra a Igreja Católica, que é o projecto que Afonso Costa assume: acabar com o catolicismo em Portugal em duas ou três gerações. Em 1911 temos a chamada “separação”, mas de facto é uma integração violenta da Igreja no Estado porque aquilo que visa é tornar o clero dependente do Estado e eliminar a influência da hierarquia e da relação com o Vaticano, destruir a Igreja e reduzi-la a um conjunto de padres, funcionários do Estado. Em 1917, quase todos os bispos estavam proibidos pelo governo de estarem em suas dioceses.

Populismo(s) e democracia

A era do populismo. Por João Tiago Gaspar.

Por paradoxal que pareça, o populismo é simultaneamente entusiasta e inimigo da democracia. É democrático ao defender intransigentemente a regra da maioria. E é visceralmente contra a democracia (liberal) ao rejeitar todos os freios e contrapesos do estado de direito democrático, que contempla instituições independentes que garantem a protecção dos direitos fundamentais, como a liberdade de expressão e a protecção das minorias. Para um populista é portanto inaceitável que a vontade do povo (puro), da maioria, seja limitada. Daí que o populismo redunde frequentemente em democracias iliberais.

Os políticos populistas subscrevem a crítica de Rousseau ao governo representativo, entendendo-o como uma forma aristocrática de poder. Existe por isso uma certa afinidade entre o populismo e a democracia directa. A política é vista como a aplicação da vontade geral. Esta, por ser infalível e absoluta, implica a marginalização de todos aqueles que não pertencem ao povo, legitimando ataques autoritários e iliberais a todos os que alegadamente ameacem a sua homogeneidade.

A ideia de Universidade

Liberdade e a ideia de Universidade. Por João Carlos Espada.

A liberdade de expressão não depende do número de pessoas que querem proibir uma opinião, nem de quantas a subscrevem. A missão da Universidade não deriva da opinião ou de modas passageiras dos alunos

Leitura complementar: Inaceitável: Direcção da FCSH cancela conferência de Jaime Nogueira Pinto (4).

Francisco Veloso no Imperial College London

Uma perda importante para a Universidade Católica mas também (mais) um significativo reconhecimento internacional de como a UCP, em várias áreas, difere para melhor do triste panorama do ensino superior em Portugal: Francisco Veloso troca Católica por Imperial College em Londres

Francisco Veloso vai deixar a direção da Católica-Lisbon para liderar a Business School do Imperial College London, uma das mais prestigiadas universidades e escolas de gestão do mundo, a partir do próximo dia 1 de Agosto. O académico português, com 47 anos, deixa a universidade portuguesa ao fim de cinco anos como ‘dean’ (diretor) da Católica Lisbon School of Business and Economic, anunciou o vice-diretor, Guilherme Almeida e Brito, num comunicado enviado aos antigos alunos da instituição.

A seleção de Francisco Veloso “decorre, em larga medida, da trajetória de sucesso que a Católica-Lisbon tem evidenciado ao longo destes anos”, explicam no mesmo comunicado. “O compromisso com a excelência académica, a visão global, a aposta na investigação e um foco crescente na inovação e empreendedorismo, têm vindo a afirmar a nossa escola a nível internacional”, reforçam, o que justificou que a escola atingisse “a 23ª posição no ranking das Top European Business Schools do Financial Times, a melhor de sempre para uma faculdade nacional.”

António Costa, retratos de um não-aficionado

Nacionalizado ao 

O fascismo passará

O triunfo da vontade, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

Há dois ou três anos, os ataques à liberdade de expressão ainda implicavam considerável logística: reunir uma quadrilha, enviar a quadrilha a eventos alheios à moral vigente, fazer a quadrilha cantar a “Grândola” até calar o orador/blasfemo em questão. Agora, os ventos que sopram favorecem uma espécie de Simplex da censura e o processo simplificou-se imenso: basta pedir.

Já toda a gente sabe que a direcção da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova cancelou uma conferência de Jaime Nogueira Pinto por exigência da associação de estudantes. Não importa que a conferência tenha sido organizada por uma entidade, a Nova Portugalidade, que pelos vistos venera ditadores de Salazar a Chávez. Nem importa que a associação de estudantes, cheiinha de meninos do BE, apenas venere alguns dos ditadores inventariados e abomine os restantes. Importa que a proibição tenha vingado, e que um espaço teoricamente plural seja sequestrado por semi-analfabetos com pulsões totalitárias. A designação do estabelecimento já não prometia nada de especial (nas “ciências sociais” cabe justamente tudo o que não é científico). Os acontecimentos referidos demonstram o estado do ensino e as esperanças suscitadas pela “geração mais bem preparada de sempre”. (…)

Apesar das advertências constitucionais, Portugal tolera e promove o fascismo com vasta irresponsabilidade. O à-vontade do deputado Miguel Tiago é um exemplo. Outros exemplos não faltam. Os fascistas promovem palestras anti-semitas sem arriscar o cancelamento por direcções zelosas. Os fascistas organizam festas em louvor de despotismos sortidos sem risco de verem os trabalhos sabotados com cantorias ou bastonadas. Os fascistas passeiam os respectivos símbolos na rua sem inspirarem um reles insulto ou uma sova das antigas. Os fascistas concorrem a eleições com programas criminosos e a bênção dos “media”. Os fascistas desfilam nos “media” e infestam as “redes sociais”. Os fascistas infiltram os sindicatos e as “causas”. Os fascistas ocupam uma percentagem significativa do Parlamento, onde subscrevem os genocídios de Estaline. Os fascistas influenciam decisivamente o governo. (…)

Nestes tempos tristes, acho que acharia graça a que os democratas que sobram por aí aplicassem aos fascistas o tratamento que os fascistas prescrevem. Não teria preço assistir à interrupção das gémeas Mortágua através de uma cantata de Bach, ou à troca da t-shirt do “Che” por uma estadia em campo de reeducação. Mas também não teria grande utilidade. Por dois motivos. O primeiro prende-se com o número: duvido que a maioria dos portugueses preze a liberdade a ponto de valer a pena defendê-la. O segundo prende-se com o método: é fundamental não descer ao nível dessa gente. A bem da higiene, às vezes no sentido comum do termo, há que manter a distância. Por mim, procuro aumentá-la a cada dia. Se os fascistas desejam assim tanto o país, os fascistas que fiquem com ele. É, de certo modo, o fim do país? Não é o fim do mundo. (…)

LSE ranked top university in the UK and second in the world for social sciences

LSE ranked second in the world for social sciences

For the fifth year running LSE has been rated as the top university in the UK and second in the world for social science and management subjects.

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As mulheres e as quotas

Ainda que com dois dias de atraso, não quero deixar de recomendar este artigo da minha colega da Universidade Católica Portuguesa, Catarina Santos Botelho: Dia internacional da mulher: tributo ou condescendência?

Precisarão as mulheres, nos Estados de Direito contemporâneos, de medidas de discriminação positiva, tais como “quotas”? Contribuirão essas medidas construtivamente para a perspetivação das mulheres como seres dotados de igual dignidade e de idênticas capacidades físicas, intelectuais, e psicológicas? Será que manifestações coletivas de empoderamento feminino (vulgo, “girl power”) não irão precisamente surtir um efeito contrário ao pretendido, destacando as mulheres pela negativa, perpetuando estereótipos de uma visão sobrecarregada de sexualidade, da mulher-objeto, de instrumentalização de uma suposta fragilidade e inferioridade femininas, numa lógica de vitimização ou num discurso de “coitadinhas”?

A novidade Macron

Sem querer estar a fazer o elogio de Emmanuel Macron, que se pode revelar mais um fiasco à francesa, é preciso que se entenda como é que este homem, que foi secretário-geral adjunto de Hollande, ministro da economia de Valls, conseguiu destronar um presidente, afastar um primeiro-ministro e estar tão perto de se tornar o próximo presidente da França. O meu artigo de hoje no Jornal Económico.

A novidade Macron

Em Novembro, neste espaço, tive oportunidade de referir a importância da candidatura de Emmanuel Macron à presidência da França, mencionando que uma boa prestação deste candidato seria crucial para todos. Macron apresentou há dias as suas políticas com um corte na despesa pública de 60 mil milhões de euros, acompanhado de um investimento público próximo dos 50 mil milhões. O que tira de um lado, põe do outro.

A grande alteração que Macron preconiza, e quem leia o seu livro “Révolution” facilmente o compreende, é uma outra forma de colocar os problemas e, inevitavelmente, de os resolver. O líder do movimento En Marche quer melhores políticas sociais, melhor educação pública e apoio aos desempregados. Sucede que estas medidas que o colocam à esquerda prevê Macron levá-las à prática com mais descentralização, dando maior autonomia aos municípios e às escolas, e permitindo que a legislação laboral se cinja aos direitos essenciais, passando as empresas a regular as relações contratuais com os seus empregados.

Para Macron a divisão já não se faz entre trabalhadores e patrões, mas entre um país que quer avançar e outro que estagnou. Para superar o impasse propõe não regulamentar ou controlar, mas permitir que as pessoas possam encontrar as soluções apropriadas ao seu caso concreto e não serem punidas por isso. Esta é a mudança que Macron preconiza e qualquer semelhança com a esquerda portuguesa é ilusória. Com a sua nova perspectiva laboral, Macron quer um Estado que não privilegie os funcionários públicos e os que trabalham nas grandes empresas em detrimento dos que estão nas médias e pequenas empresas, cuja realidade é, a maioria das vezes, desconhecida por quem está na política.

É percebendo o que Macron quer para a França que compreendemos como é que ele vai enfrentar Marine Le Pen na segunda volta. Ao contrário dos outros candidatos, Macron não  diaboliza quem vota na Frente Nacional (FN). Para ele, o eleitorado da FN são os franceses esquecidos pela elite política. Agricultores, empregados de fábricas e de escritórios, de pequenas e médias empresas, pessoas que costumam votar à esquerda ou à direita, mas que desistiram de esperar por quem não tem soluções para os seus problemas e se vêem empurradas, mais pela emoção que pela razão, para o colo da extrema-direita.

Liberal quando dá espaço a que os franceses resolvam os seus problemas, de esquerda quando mantém as políticas sociais, Macron mostra um novo discurso a esse eleitorado desiludido. Mas há riscos. Um vem da sua inexperiência, o que o torna uma incógnita. Outro quando, em Maio, Hamon e Mélenchon decidirem quem apoiam na segunda volta. É que tanto um como o outro estão mais próximos de Le Pen que de Macron.

In Defense of the Lecture

Um artigo com várias interpretações disparatadas sobre “neoliberalismo” mas também com vários bons argumentos sobre a importância dos formatos tradicionais de ensino: In Defense of the Lecture. Por Miya Tokumitsu.

The best lectures draw on careful preparation as well as spontaneous revelation. While speaking to students and gauging their reactions, lecturers come to new conclusions, incorporate them into the lecture, and refine their argument. Lectures impart facts, but they also model argumentation, all the while responding to their audience’s nonverbal cues. Far from being one-sided, lectures are a social occasion.

The regular timing of lectures contributes to their sociality, establishing a course’s rhythm. The weekly lecture, or pair of lectures, draws students together at the same time and place, providing a set of ideas to digest while reading supplementary material and breaking into smaller discussion sections. Classrooms are communities, and typically lectures are the only occasion for the entire group to convene physically. Remove the impetus to gather — either by insinuating that recorded lectures are just as effective or by making the lecture optional — and the benefits of community disappear.

Sinais de perigo

Porque os sinais de perigo são cada vez em maior número. O meu artigo no ‘i’.

Sinais de perigo

Quando o país discutia o triângulo das Bermudas que é a CGD, a esquerda inventou uma polémica sobre algo já conhecido há meses e desviou as atenções para as offshores. Se o neoliberalismo é chavão dos que fogem para denegrir quem debate, os paraísos fiscais são o novo filão para, com ignorância e demagogia, mudar de assunto.

Sobre as offshores, a esquerda não explica por que razão é que a CGD tem uma sucursal nas ilhas Caimão (https://www.cgd.pt/English/Contacts/International-Network/Pages/Cayman-Islands.aspx); que, se sai dinheiro para offshores, também entra dinheiro vindo de offshores; e que estas são importantes nos negócios internacionais, o que talvez leve a que o banco público, que a esquerda – e boa parte da direita – tanto preza, tenha a dita sucursal num paraíso fiscal.

A informação é poder. E estar informado é estar protegido. Protegidos contra a má-fé, a mentira, a demagogia e o populismo. Não esqueçamos que foi aproveitando-se da falta de conhecimento sobre as questões mais importantes que ideologias totalitárias, como o nazismo e o comunismo, imperaram. Fomentando o ódio que nasce da ignorância.

A demagogia dos partidos extremistas portugueses, de que este PS – que ainda não tirou as ilações da sua derrota eleitoral – se aproveita, é preocupante. E quando as offshores cumpriram o seu papel de desviar as atenções, eis que surge o ataque ao Conselho de Finanças Públicas por não subscrever a narrativa dominante. No meio de tantos perigos, estar alerta tornou-se um dever.

Paideia – To look forward, one must look back

Um magnífico artigo publicado no prestigiado City Journal por Miguel Monjardino, meu colega no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa e investigador no CIEP: A Republic in the Atlantic.

On a beautiful day in fall 2004, I walked up a mountain on Terceira Island in the Azores with six students. They were 15-year-olds, all enrolled in public high schools in the Azorean city of Angra do Heroísmo. I was 42. We talked about the Republic of Letters, a voluntary weekend program of readings and conversations that I was designing to prepare high school students for life in a university. At least, that was how I originally conceived of it. I was thinking conventionally: for most parents, academics, and politicians in Portugal, education is about skills, and jobs are the ultimate prize of a good education. As early as tenth grade, students must specialize in a particular field; grades and jobs are paramount.

But soon, I realized that I was wrong about what the Republic of Letters should be—especially as I reflected on a seminar that I had recently attended on Aeschylus’s play Agamemnon. The seminar, conducted by Anthony O’Hear at the Institute for Political Studies at the Catholic University of Portugal in Lisbon, had a huge impact on me, and I became convinced that my new program should not be about preparing students for university but preparing them for the challenges of living. Souls were more important than grades, skills, and academic degrees. Such a project, I felt, should intimately involve the ancient Greeks and classical notions of a liberal education.

Inaceitável: Direcção da FCSH cancela conferência de Jaime Nogueira Pinto (5)

Cancelamento de conferência é “acto de censura grave” e “abjecto”

Na opinião de João Taborda da Gama, comentador diário no programa Carla Rocha – Manhã da Renascença, ao lado de Francisco Assis, trata-se de um “acto abjecto”, decorrente de uma “tentativa de pensamento único, que tem mais de único do que de pensamento”. (…) Taborda da Gama anseia por “ver qual vai ser a posição oficial da reitoria da Universidade Nova” e espera “que rapidamente seja reposta a justiça e a universidade faça jus ao seu nome e à sua essência”.

Aos 15 anos era federalista, agora já não acredita

“Foi assim que Jean-Claude Juncker, qual vencido da vida, se assumiu há dias sobre o futuro federalista da União Europeia.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre o livro branco da Comissão Europeia quanto ao futuro da UE.

Inaceitável: Direcção da FCSH cancela conferência de Jaime Nogueira Pinto (4)

Reproduzo de seguida comentário de João Vila-Chã (a partir de um seu post de hoje no Facebook), a propósito da decisão da Direcção da FCSH de cancelar uma conferência de Jaime Nogueira Pinto:

Jaime Nogueira Pinto é um nome conhecido e, presumo, está entre os melhores analistas políticos que há em Portugal. O facto de uma RGA da Universidade Nova ter determinado o boicote à sua presença como conferencista, sendo ele professor, nos espaços da Universidade, quanto a mim, denota apenas duas coisas: 1. que em Portugal ainda há demasiados imaturos a preencher as vagas da Universidade; 2. que em Portugal ainda há pessoas que de tanto falarem em democracia e nos seus valores, incluindo a liberdade de pensamento e de expressão, ainda não fazem, mesmo sendo universitários, a menor ideia do que isso seja. Não conheço os detalhes, mas não importa; o que me interessa é, de momento, apenas dizer o que sei, que é isto: uma Universidade onde não se pode discutir o que quer que seja, em paz e em liberdade, desde que o que haja para discutir seja abordado com seriedade e um mínimo de rigor e em consonância com o princípio do diálogo e da busca da verdade, é uma Universidade que desfaz parte do seu próprio nome. Não tenho nada a ver com a UNL, mas em tempos passados à mesma dei o meu pequeníssimo contributo; não estou em Portugal, mas sinto como próxima a afronta de, seja o que for que se se tenha passado, pelas notícias, ficar a saber que uma pessoa com qualificações para o fazer é formalmente impedida de proferir uma conferência sobre «Democracia e Populismo» em resposta a um convite que lhe foi feito por um grupo de estudantes. As Universidades têm o direito, e o dever, de fazerem as suas escolhas; mas não deixa de ser preocupante ficar a saber que uma Universidade como a de Lisboa ainda consegue ser um local em que estudantes reunidos em RGA e sob ameaças de violência e caos impõem a quem quer que seja dentro da Universidade a sua ignorância, o seu rancor, a sua incapacidade de dialogar e conversar de forma livre e civilizada. Um mau momento, portanto, este de que hoje se fala em Portugal.

A FCSH-UNL e o aperto do domínio da extrema-esquerda sobre o sistema universitário português

Um aspecto chave para o qual o artigo chama a atenção a propósito da decisão da Direcção da FCSH de cancelar uma conferência de Jaime Nogueira Pinto é o controlo e captura dos recursos e instituições públicas por parte da extrema-esquerda: Não foram as ameaças. Foi o medo. Por Helena Matos.

Qual o poder da tribo ululante que impediu a conferência de Jaime Nogueira Pinto na hora de se decidirem avaliações, projectos de investigação e contratações?

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O PCP está uma geringonça

Alguém no PCP tem que colocar ordem na casa estalinista. Corre-se o risco de pensar que a Associação 25 de Abril que  ofereceu as suas  instalações para lá se realizar a conferência de Jaime Nogueira Pinto seja tida como falsa e ao serviço de uma democracia suicida.

A moção da AEFCSH que levou a Direcção da FCSH a impedir conferência de Jaime Nogueira Pinto


(via Facebook de Pedro Pestana Bastos)

A evolução dos truques de imprensa

 Foto: JOSE LUIS ROCA

Aqui, mesmo ao lado, pode-se.

(…)  Asumo que todas las profesiones tienen sus dificultades, pero escribir sobre Podemos te exige ser un héroe cada día”, afirma un periodista. “Evidentemente que está en juego la libertad de prensa, pero eso conlleva una erosión en lo personal terrible, porque estás afrontando un bullying y unas amenazas y un acoso terribles a diario”, sigue en referencia a las conversaciones que mantiene con los dirigentes del partido o a la mención explícita que se hace de su medio en los tuits de las caras visibles de la formación. “A largo plazo lo que están intentando hacer es deslegitimar al periodismo para que cualquier crítica sobre ellos sea ilegítima”. (…)

¿La consecuencia? “A veces no tuiteo las informaciones que sé que pueden generar una mayor contestación de los seguidores del partido hacia mí”, reconoce un periodista como resumen de las presiones que sufre en Twitter. “Y cuando has vivido 15 como esas, a la siguiente te piensas si merece la pena hacer el tema”, completa otro.

Inmediatamente después de la publicación de los tuits, los informadores son objeto de insultos en Internet por parte de usuarios de redes sociales que habitualmente tuitean contenidos de Podemos, o de bulos que propagan falsedades sobre su trayectoria profesional y personal. Incluso estos periodistas han llegado a ver mensajes con emoticonos que aparecen con una pistola.

Leitura complementar: Comunicado de APM ante el acoso de Podemos a periodistas.

Inaceitável: Direcção da FCSH cancela conferência de Jaime Nogueira Pinto (3)

Cancelamento de conferência é “acto de censura grave” e “abjecto”

“Isto é um acto de censura. Acho gravíssimo, não apenas a posição da associação de estudantes – mas, enfim, aí ainda poderemos ter em conta a sua juventude – mas que a direcção da faculdade tome uma posição desta natureza”, começa por criticar Francisco Assis. “Realmente, é um acto de censura e é ainda mais grave porque se passa no interior de uma universidade”, sublinha, considerando “absolutamente inadmissível” e “não enquadrável num Estado de Direito democrático, como é o caso de Portugal”.

Uma visão eslovaca sobre os desafios que se colocam à UE

Dia 13 de Março no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, que continua a ser um espaço ímpar de liberdade, reflexão e debate pluralista em Portugal.

No meio desta harmonia universal…

Tudo há-de correr bem, até acabar mal. Por Rui Ramos.

No meio desta harmonia universal, é preciso má vontade para lembrar que o défice foi obtido com medidas extraordinárias e temporárias, e com base na maior despesa pública e na maior carga fiscal de todos os tempos. Que a economia cresceu menos do que em 2015, e cerca de metade da economia de Espanha, aqui ao lado. Que a dívida continua a aumentar e que sem o BCE ninguém a compraria, a não ser a juros impossíveis.

Continue reading “No meio desta harmonia universal…”

Inaceitável: Direcção da FCSH cancela conferência de Jaime Nogueira Pinto (2)

FCSH cancela conferência de Jaime Nogueira Pinto

“Tinha sido convidado por um grupo cultural de jovens patriotas, de uma organização chamada Nova Portugalidade, para ir fazer uma conferência. Mas parece que numa Reunião-Geral de Alunos, a Assembleia Geral, que é maoista ou do Bloco de Esquerda, nem sei bem, fez um grande protesto a dizer que a conferência era uma coisa fascista, reacionária e colonialista. Parece que a contestação subiu de tom e a Associação de Estudantes exigiu à direção da faculdade, que já tinha cedido um espaço, para cancelar a conferência”, explica o escritor e politólogo ao Observador.

Dois entendimentos de “democracia”

Dois conceitos de “democracia”. Por João Carlos Espada.

Uma vigorosa manifestação de pluralismo veio da “mãe de todos os Parlamentos”, em Londres. A Câmara dos Lordes, curiosamente não eleita, aprovou por larga maioria (358 contra 256) uma emenda à resolução dos Comuns sobre a saída da UE. Os Lordes solicitam que o Reino Unido declare unilateralmente que os 3 milhões de europeus residentes poderão continuar nas Ilhas Britânicas, independentemente do que a UE decida fazer aos 900 mil britânicos residentes no continente. Isto contraria a posição do Governo de Theresa May, que tem feito depender o futuro estatuto dos europeus residentes da posição que a UE vier a adoptar relativamente aos britânicos residentes no continente.

A decisão da Câmara dos Lordes foi naturalmente criticada por vários defensores do Governo da sra. May. Mas, que eu tenha visto, nenhum se lembrou de atacar os Lordes por “traírem o povo ou a democracia”. Essa bizarra acusação coube, como seria de esperar, ao sr. Farage, ex-líder do UKIP que aliás nunca conseguiu ser eleito para o Parlamento britânico. Ele disse que os Lordes tinham votado contra o resultado do referendo de Junho. Obviamente, ele está equivocado: o referendo de Junho votou pela restauração da soberania do Parlamento britânico. No âmbito dessa soberania constitucional, os Lordes votaram uma emenda à decisão dos Comuns. Por outras palavras, o pluralismo constitucional do Parlamento britânico está a funcionar.

O socialismo a dar novos rumos ao progresso

Foto: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

O chavismo reina há quase duas décadas na Venezuela, um dos países que conta com uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Com o sistema económico colapsado, o Presidente Nicolás Maduro, de quando em vez, reconhece que “há problemas económicos”, cuja culpa é dos imperialistas do costume que invejam o revolucionário estado venezuelano. De frente perante a dura realidade que criou, o governo socialista venezuelano aposta sempre no aprofundamento das soluções progressistas que tão bons resultados tem dado. Também na área da saúde, o modelo socialista é trágico exemplar.

Venezuelan plumber Marcos Heredia scoured 20 pharmacies in one day but could not find crucial medicines to stop his epileptic 8-year-old from convulsions that caused irreparable brain damage late last year.

The once giggly and alert boy, also called Marcos, could no longer sit on his own and began to shut off from the outside world.

“I called people in the cities of San Cristobal, Valencia, Puerto La Cruz, Barquisimeto, and no one could find the medicine,” Heredia, 43, said in the family’s bare living room in a windy slum overlooking an international airport in the coastal state of Vargas.

“You can’t find the medicines, and the government doesn’t want to accept that.”

Heredia ended up traveling 860 km (540 miles) by bus to the Colombian border to pick up medicine a cousin had bought him in the neighboring country. He was back at work the next day.

Venezuela’s brutal recession is worsening shortages of medicines from painkillers to chemotherapy drugs. (…)

Um péssimo serviço à academia

Hoje, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa cancelou uma palestra cujo principal orador era Jaime Nogueira Pinto. Versaria sobre populismo, Trump e Le Pen. Não sei sobre o que falaria mais, e com esta atitude pidesca dificilmente saberemos, mas isso também não é relevante. O que merece relevo, e muita preocupação, é a atitude persecutória de um conjunto de alunos, que ameaçou praticar actos de violência caso a Faculdade não cancelasse o evento — que lamentavelmente cancelou. A Universidade é a plataforma por excelência do pluralismo e da discussão com enlevo. Quando os debates não são travados e trovados no contexto digno de uma academia, prontamente extravasam para as ruas sob formas violentas, e são catalisados pelos tais populistas que importa combater. A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas prestou um péssimo serviço à Universidade Nova e à academia, demonstrando que as ameaças e os diktats de meia dúzia de palermas, que agem sob o pretexto de «combater posições colonialistas e xenófobas» e se comportam que nem fascistas, os tais que querem combater, resultam. Este tipo de comportamento intimidatório é típico de, lá está, regimes ditatoriais.