PAN quer proibir caça ao pokemon

025Pikachu_XY_anime_3Segundo o dirigente do PAN, “A caça ao pokemon ensina as crianças desde cedo que capturar animais para uso recreativo é uma actividade aceitável e nós não podemos promover isso”.

Isto podia ser verdade, mas não é. Não se conhece ainda qualquer reacção do PAN à caça ao Pokemon, mas certamente não tardará. Mas no campo dos políticos lunáticos, há outras declarações ainda mais incríveis que são mesmo verdadeiras. Numa altura em que a economia portuguesa trava a fundo, em que há destruição de emprego e investimentos adiados; numa altura em que já nem Centeno acredita que o país atingirá sequer metade do crescimento económico que ele prometia ainda há apenas 6 meses, António Costa vem dizer que é tudo mentira, que os números estão errados e que está tudo a correr às mil maravilhas.

Em meados do ano passado, existia uma forte incerteza em relação às eleições e ao que saíria delas. Muitos investimentos foram atrasados e empregos ficaram por criar na expectativa do que aconteceria no período pós-eleitoral. Esta incerteza é má para a economia, mas quando ela desaparece, seria de esperar que a economia recuperasse. Não foi isso que aconteceu. E não foi isso que aconteceu precisamente porque aquilo que os investidores e empresários receavam que sucedesse, acabou por suceder: o país acabou com um governo inimigo do crescimento económico e da iniciativa privada. As razões que levaram os investidores a atrasarem a criação de emprego, concretizaram-se, não tendo havido a reversão que se esperaria com o retorno à estabilidade política. Todos os números reais que vão saindo, contam essa mesma história. Que o PS se agarre a inquéritos de intenções não concretizadas e com um péssimo histórico a prever crescimento só demonstra a ausência de dados sólidos que contem outra história que não o declínio económico do país.

Facadas Multiculturais

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Uma mulher e as três filhas, dos 8 aos 14 anos, foram esfaqueadas num resort francês por um sujeito que entendeu estarem com pouca roupa. Tenho três teorias. A primeira é a de que o sujeito – sendo que eu não caio nessa vagabundagem da direita radical que se percipita sempre nestes casos – temendo que a senhora e as crias se constipassem, foi buscar uma faca para cortar uns panos e tropeçou, acidentalmente, com a faca nas mãos. A minha segunda teoria é que, mãe e filhas, talvez se apresentassem, de facto, numa indumentária tão moralmente reprovável que culminou no enlouquecimento do pobre homem, chocado com tamanha leviandade. Ora a minha terceira – e mais provável – teoria conclui que desta vez a coisa foi, certamente, obra dos perigosos Judeus Ortodoxos. Esses, os Cristãos Radicais, os Budistas Fundamentalistas e os Ateus Militantes andam a deixar a Europa a ferro e fogo.

Ainda assim, deixo o alerta para que desta ocorrência não se tirem conclusões desmedidas que propaguem o ódio e coloquem em cheque o nosso paraíso multicultural. Ou não é verdade que estes pequenos e insignificantes mal entendidos – facadas, machadas, atropelamentos e bombas – são um ínfimo preço a pagar pela solidariedade entre povos irmãos e os escritos do Prof. Boaventura ? E, na verdade, o que são umas facadas amigáveis quando recebemos, por outro lado, o fraterno abraço dos valores do outro ? Excepto, claro se o leitor for homossexual, mulher, ateu ou, entre um vasto leque de exemplos, um vil comedor de porco.

 

Julho de 2016, nos Alpes

Man ‘knifes French woman and her three daughters’ in Alps resort

A French woman and her three young daughters were severely injured when they were stabbed at a holiday resort on Tuesday by a Moroccan-born man who reportedly shouted that they were too scantily dressed.

Leitura complementar: A Europa como Israel.

Medidas anunciadas pelo governo espanhol não chegam

Espanha. Multa zero mas 1.300 milhões em fundos europeus cortados

Jornal “El Español” avança que o “castigo” da Comissão Europeia será uma multa zero mas 1.300 milhões de euros em fundos comunitários congelados. Medidas anunciadas pelo governo não chegam.

Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais – IEP-UCP

Apresentação Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

Está em curso a 1ª fase de candidaturas à melhor Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais em Portugal – a do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

O concurso aos cursos da UCP é local, pelo que a opção “Universidade Católica Portuguesa” não está incluída no concurso nacional, devendo a candidatura ser feita directamente junto da UCP.

Bill Kristol sobre Trump

Bill Kristol entrevistado por José Manuel Fernandes: “Nunca imaginei ver a América transformada numa espécie de Argentina”

Trump pode ganhar as eleições?
Sempre achei que não, mas começo a ter dúvidas. O que se passou com as reacções ao que se passou em Nice é bem ilustrativo do que pode vir a ser a campanha. Hillary reagiu como se fosse uma espécie de sub-secretária-geral da NATO, dizendo umas banalidades sobre a necessidade maior cooperação na partilha de informações. Um desastre. Já Trump encontrou o tom certo, com emoção mas sem exageros.
Por outro lado, se alguma coisa aprendi com a eleição de 1992, a que Bush pai perdeu, é que se as pessoas querem mesmo a mudança, então estão prontas a racionlizar o voto em alguém que tão problemático e tão cheio de defeitos como Trump. Sobretudo se a sua única alternativa for alguém completamente identificado com o status quo de quem não gostam. Ora se há coisa que é certa é que, neste momento, dois terços do eleitorado diz que quer mudanças, diz que não não gostam do status quo na economia, que não gosta do status quo na frente internacional.
Mas se estes factores jogam contra Hillary Clinton, a verdade é que, em última análise, estas eleições vão ser realmente umas eleições em torno de Trump e do que ele significa, um referendo a Trump. Essa é que é a verdade: estas serão umas eleições em que mais do que nunca se vota contra qualquer coisa, não a favor de alguém.

Martins for Congress (NY 3rd Congressional District)

Considerando que o incumbente Steve Israel não se recandidata e também o eleitorado do distrito eleitoral em causa, Jack Martins tem possibilidades reais de ser eleito, o que seria uma excelente notícia: Jack Martins quer ser o novo congressista luso-americano em Washington

Jack Martins for Congress

O SNS e a diabetes tipo 1

Declaração de interesses. Por Luís Aguiar-Conraria.

Fui percebendo as batalhas que temos pela frente. Por exemplo, terei de esperar alguns anos para receber do Sistema Nacional de Saúde a bomba que facilitará as tomas de insulina, pelo que mais vale comprá-la eu. Já conheci crianças que tiveram de esperar 6 e 7 anos pela sua bomba. Também percebi que o facto de ter uma doente crónica na família em nada altera os limites com despesas de saúde no IRS; pelas minhas primeiras contas, o plafond do IRS para despesas com a saúde esgota-se com os consumíveis que gastarei em dois meses. E por aí fora. Na verdade, a minha filha tem sorte de viver numa família que, com alguns sacrifícios, lhe dará acesso à melhor tecnologia disponível, o que é importante para minimizar as sequelas de longo prazo da diabetes, como lesões oculares ou renais.

Mas não consigo não me revoltar com os milhares de crianças a quem não é dado todo o apoio de que carecem. Quando no futuro falar sobre os apoios dados, ou falta deles, a doentes crónicos em geral, ou a diabéticos em particular, os meus leitores já sabem. Falo com a autoridade de quem convive de perto com o assunto. Mas também falo como parte interessada. Fica assim feita a minha declaração de interesses para artigos futuros.

Assim vai a gestão política da CGD…

Caixa Geral de Depósitos: Administração da CGD esteve seis meses “sem qualquer orientação” do governo

O conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) queixou-se em junho de não receber “qualquer orientação” e “qualquer explicação” por parte do governo nos seis meses até então, depois de numa reunião com Mário Centeno em dezembro ter sido manifestada “preocupação” e apresentado um plano de capitalização alternativo para o banco público, sem envolver a injeção de mais dinheiros públicos. Um plano que, escreve a TSF, que teve acesso à carta de demissão, ficou na gaveta.

as 35 horas só chegam a alguns (poucos)

“The reduction to a 35-hour working week in the public sector came into effect on the 1st of July. This measure affects less than 60% of all civil servants, and has a direct impact only on professions whose working time is arranged in continuous shifts, representing less than 15% of all public sector workers”, no relatório “Fiscal policy commitments and macroeconomic scenarios” (p. 3), anexo à carta enviada pelo ministro das Finanças a Bruxelas, ontem 18/07 divulgada.

bonificação do ISP não chega a todos

“A maioria das empresas com veículos de mercadorias não terão direito ao benefício fiscal que veio compensar o aumento do imposto sobre os combustíveis (ISP). Ao contrário do que indicava o pedido de autorização legislativa inscrito no Orçamento do Estado para 2016 e daquilo que o ministro das Finanças chegou a adiantar na altura, só as empresas que tenham como actividade profissional o transporte de mercadorias para terceiros é que estarão abrangidas. As empresas que tenham veículos de transporte de mercadorias para a sua própria actividade ficam de fora. Em causa está uma alteração ao artigo 70º do Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF) criada no OE e na qual se prevê a possibilidade de as empresas com contabilidade organizada deduzirem no seu IRS ou IRC o equivalente a 120% dos custos que incorrem com combustíveis. (…) Contudo, o decreto-lei publicado na passada sexta-feira, 15 de Julho, em Diário da República dá um passo atrás e apenas concede esta majoração aos ‘veículos afectos ao transporte rodoviário de mercadorias público ou por conta de outrem, com peso bruto igual ou superior a 3,5 t’. Para se perceber melhor a distinção entre uma redacção e outra, pense-se numa panificadora que tem uma carrinha para, todos os dias, fazer a distribuição de pão pelos diversos clientes. Na versão do pedido de autorização legislativa, e segundo as indicações do ministro das Finanças em Fevereiro, esta empresa tinha direito ao benefício fiscal (desde que dispusesse de contabilidade organizada). Na redacção final da norma, não tem.”, na edição de hoje 19/07 do Jornal de Negócios (p. 22).

Entretanto na Alemanha e arredores (2)

Jovem que usou machado em comboio tinha bandeira do Estado Islâmico

Estado Islâmico reivindica ataque em comboio na Alemanha

Sanções e Caixa no Económico TV

Hoje às 12 horas vou estar no Económico TV com as sanções e a Caixa Geral de Depósitos em cima da mesa.

Entretanto na Alemanha e arredores

Um jovem refugiado afegão enquanto grita Allahu Akbar,  ataca e fere pelo menos duas dezenas de passageiros de um comboio em Wuerzburg. No Reino Unido, a BBC noticía que a polícia alemã matou o pobre atacante.

bbc
Imagem nacionalizada ao Romeu Monteiro.

Mais tarde, a BBC emenda o título para um informativo Germany axe attack: Assault on train in Wuerzburg

O atentado terrorista em Nice visto por et’s revolucionários

arnaldo

Persononificados no PCTP/MRPP, pela facção Arnaldo Matos, o eterno educador do proletariado português.

(…) Há um ano que os factos têm sobejamente demonstrado a absoluta incapacidade das forças armadas e policiais da França para impedir o sucesso dos franceses nos actos de guerra que têm estado a praticar em França.

Existe em França uma guerra civil larvar, de franceses contra franceses, promovida por elementos do povo francês contra o imperialismo e os imperialistas da França.

Essa guerra civil vai crescer cada vez mais e vai mundializar-se. Hollande e os maoistas franceses chamam-lhe terrorismo. Mas a verdade é que essa guerra é cada vez mais a guerra que os maoistas do Partido Comunista de França (m-l-m) se recusam a reconhecer como a guerra do povo contra a guerra imperialista, guerra imperialista esta que o imperialismo francês levou e leva a cabo em África e no Médio Oriente, e que, quer queiram os maoistas da França quer não queiram, está a chegar a França, ao covil dos imperialistas.

Há em França dois milhões de imigrantes portugueses e seus descendentes. Mais cedo ou mais tarde, de um lado ou do outro, esses dois milhões de portugueses vão estar envolvidos na guerra imperialista, como carne para canhão dos imperialistas franceses, ou na guerra do povo contra a guerra dos imperialistas.

De que lado é que estarão então os maoistas do Partido Comunista de França (marxista-leninista-maoista)? Em Portugal, os seus amiguinhos liquidacionistas já estão do lado do imperialismo francês e das polícias secretas portuguesas… Pobre canalha!

Mohamed Lahouaiej Bouhlel

Nice. Os três dias de preparação detalhada do atentado

Mohamed Lahouaiej Bouhlel, autor do atentado com um camião na cidade francesa de Nice, preparou o ataque de forma extremamente minuciosa durante os três dias anteriores. Fez o percurso várias vezes durante dois dias com o camião alugado, a 11 de julho, em Nice, enviou selfies suas naquela noite, além do SMS momentos antes do atentado a pedir mais armas. Bouhlel frequentava sites de encontros, procurando o envolvimento com homens e mulheres.

O Estado Islâmico chamou-lhe “soldado do Islão”, apesar de entretanto já ter sido conhecido que Bouhlel bebia álcool, comia porco e consumia drogas.

Aprender com Israel

Com alguns dias de atraso, aqui fica o link para o meu artigo semanal Observador: A Europa como Israel.

Como sempre aconteceu no passado, as comunidades que perdem a crença em si próprias são, a prazo, incapazes de se defenderem e auto­preservarem. Também aí a Europa tem muito a aprender com Israel.

A “descentralização”

Imagem retirada dehttp://24.sapo.pt/article/lusa-sapo-pt_2016_07_16_2145902743_antonio-costa-defende-que-o-conhecimento-e--a-base--do-futuro-do-pais
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No passado fim-de-semana, o Primeiro-Ministro António Costa foi a Caminha inaugurar uma biblioteca e dizer a quem o quis ouvir (pouca gente) que “a pedra angular da reforma do Estado é a descentralização”, já que “porque quem está próximo está em melhores condições do que quem está longe para perceber quais são as prioridades certas para fazer o investimento certo”, é “por isso da maior importância” dar “às freguesias e aos municípios mais competências e mais meios para poderem desenvolver os seus territórios”. Como de costume, Costa não se distingue pela particular originalidade do que diz. Desde a fundação do regime democrático que se tornou quase obrigatório para os agentes políticos tecer os maiores louvores ao “poder local” e exaltar as infindáveis virtudes da “descentralização”, supostamente uma das maiores “conquistas de Abril”. Quase não há um político que não sinta a necessidade de explicar à Pátria como a “proximidade” das autarquias aos cidadãos lhes permite “responder” às suas “reais necessidades” de uma forma bem mais eficaz do que “Lisboa” alguma vez o poderá fazer, e os praticantes do ofício que não reproduzem esta ladainha são apenas os que não deixaram para trás o relativo anonimato, e por isso não têm quem lhes ponha um microfone à frente ou lhes empreste umas linhas num jornal. Mas, para desgraça de todos nós, a “descentralização” que se preza e se pede é invariavelmente a descentralização de poder, nunca a de responsabilidade.

Num recente Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses, de acordo com os relatos, os autarcas portugueses reuniram-se em Tróia para se queixarem incessantemente do “ataque” que segundo eles tem sido feito “à autonomia do poder local”, o “menos apoiado financeiramente” pelo Estado na União Europeia. E claro, aprovaram uma resolução pedindo “um processo de descentralização de competências com a carácter universal, que garanta a todos condições de igualdade, que transfira competências para os municípios mas que simultaneamente, lhe propicie os meios necessários e suficientes ao exercício desses poderes”. Traduzindo para português, os autarcas pediram ao Governo mais poderes sem a correspondente responsabilidade: querem que o Governo lhes atribua mais formas de fazer propaganda junto dos munícipes e de alimentar as suas clientelas que, ao mesmo tempo, os isentem dos custos inerentes a essas práticas.

O “poder local” sofre de um pecado original: o de ser em grande medida financiado pelo Orçamento Geral do Estado. O mecanismo é perverso, não apenas por, como se queixam os autarcas, fragilizar em tempos de vacas magras a capacidade das autarquias para desempenharem eficazmente as suas funções, mas acima de tudo por, em qualquer altura, criar um ambiente de desresponsabilização política dos autarcas que dá origem a uma série de fenómenos pouco saudáveis.

Sendo a política partidária o que é, qualquer aspirante a Presidente de uma Câmara tem, primeiro, de criar uma série de cumplicidades com uma mais ou menos vasta (mas nunca dispensável) rede de interesses clientelares, dentro das máquinas partidárias ou ao lado delas, sem as quais não pode sequer ser escolhido para candidato ao cargo. Depois, dependerá delas na campanha eleitoral, de cujas actividades elas próprias em grande medida dependem para obter os seus rendimentos. E se por acaso conseguir fazer com que a maioria dos votantes no seu concelho o escolham, quando se sentar na Presidência da autarquia, terá de manter essas mesmas clientelas minimamente satisfeitas e seguras, para que elas não procurem uma alternativa melhor.

Claro que, se agradar suficientemente ao “povo”, o autarca poderá até dispensar o partido que lá o colocou. O que não falta, na gloriosa história do poder local, são exemplos de quem saiu do partido pelo qual originalmente ascendeu a Presidente da Câmara sem com isso ter perdido o lugar. Mas para agradar suficientemente ao “povo”, o autarca terá forçosamente de “mostrar obra feita”. Seja através de obras-públicas, seja através da realização de festas, seja pela distribuição de empregos nas empresas municipais, seja por outros meios, a “obra” traduz-se quase sempre na distribuição mais ou menos directa de recursos dos cofres da autarquia para os bolsos dos eleitores (ou parte deles), criando uma outra rede de cumplicidades e clientelismo (mais ou menos legal, conforme o caso) com o autarca no centro.

Como parte significativa do dinheiro que sai dos cofres autárquicos para o bolso dos munícipes saiu antes dos cofres do Terreiro do Paço, os custos dessas políticas (e, consequentemente, a responsabilidade por elas) são disseminados por todo o país: como as políticas dos autarcas são financiadas mais pelo Orçamento de Estado do que pelos impostos municipais, o custo inerente a essas políticas é pago pelos contribuintes de todo o país, fazendo-se sentir em menor grau nos eleitores desse autarca. O eleitorado atribui ao autarca local as melhorias de condições de vida por eles conseguida, e ao governo central as culpas pelo mau estado de tudo o resto, e acima de tudo, a raiva contra a elevada carga fiscal que, sem se aperceberem, é necessária para financiar a tal “obra feita” do herói local. Perante este quadro, não é difícil perceber como a situação financeira do país chegou ao que chegou, e pior, que haja tão pouca confiança nos governantes em circunstâncias que, pela gravidade do momento, exigiriam que ela fosse bem maior para que fosse possível realizar as difíceis reformas de que o país necessita.

É por isso que uma boa medida para simultaneamente melhorar o modo de funcionamento do poder local e, a longo prazo, o sistema político como um todo, seria a de retirar às autarquias todo o financiamento proveniente do Orçamento de Estado, e, ao mesmo tempo, baixar o IRS na exacta medida em que a despesa do Estado seria reduzida por essa alteração. Em vez de se alimentarem dos recursos do Orçamento do Estado, as autarquias teriam de passar a depender do que conseguissem cobrar de impostos aos seus munícipes: hoje em dia, oferecem-lhes “pavilhões”, rotundas e “obras” das mais variadas, enquanto “Lisboa”, essa entidade malévola, lhes rouba o dinheiro através dos impostos; se tiver de ser a autarquia a financiar as suas próprias megalomanias, talvez elas não seduzam tanto os eleitores locais de forma tão irresponsável e com consequências que vão bem além das fronteiras do concelho. Se esta medida fosse introduzida, as autarquias que usam as obras públicas como instrumento de propaganda terão mais dificuldade em fazê-lo, por terem de ser elas a financiarem-se a elas próprias, em vez de dependerem do Orçamento de “Lisboa”. Tal como terão mais dificuldade em financiar os empregos dos “amigos” nas empresas municipais. É claro que o Estado central também recorre a estes “meios”, mas apesar de tudo, tem de ter mais cuidado, pois como é ele que cobra os impostos que o financiam, sabe que não pode elevar muito (mais ainda) a carga fiscal, sob pena de sofrer eleitoralmente.

Se acompanhada por uma proporcional redução da carga fiscal imposta pelo Estado, a eliminação do financiamento central das autarquias teria não só a enorme vantagem de aliviar o pesado fardo que os portugueses têm sido forçados a carregar nos últimos anos, como também a não menosprezável vantagem de dificultar a sobrevivência de uma série de mecanismos que minam a vida partidária e, consequentemente, a saúde do sistema político e da nossa democracia. Por razões óbvias (a enorme dependência do partido em relação aos seus núcleos de poder autárquico), PSD e PS (e PCP) terão pouco interesse em aprovar uma reforma deste género. Mas talvez fosse bom que os outros partidos e todos nós fizéssemos com que isso fosse um problema do PSD, do PS e do PCP, em vez do problema de todos nós que é o sistema actual.

Mais Austeridade Depois De Virada A Página Da Austeridade

Aparentemente, a austeridade é daqueles livros que por mais páginas que se virem, se fica sempre na mesma. De qualquer maneira, como é apresentada pela geringonça será apresentada como “austeridade boa“. Imagem abaixo retirada daqui.

austeridade

Spin City

costa juncker
Expresso, 16/07/2016
Grosso modo é uma expressão com grande latitude, aparentemente, é que na (primeira) carta que Costa enviou a Juncker, o primeiro-ministro não evoca, como o Expresso escreve, que o défice de 2015 possa ter ficado em 2,8% do PIB, excluindo intervenções na banca. A defesa dessa argumentação poderia ter levado a que Portugal nunca tivesse que enfrentar a Comissão num processo de sanções. Quem argumentou assim foram Assunção Cristas e Maria Luís Albuquerque repetidas vezes, o que levou o primeiro-ministro a tristes declarações sobre patriotismo.

Mas parece, que enfim, o governo lá reagiu. No Expresso. Uma ou duas semanas tarde demais.

Leitura dominical

Quem não chora não é patriota, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…)Vale a pena ouvir as platitudes genéricas e às vezes perigosas que os estadistas, nacionais e internacionais, produzem após cada chacina do terrorismo islâmico? Vale a pena simpatizar com os ingénuos que declaram em francês ser o que calha e fazem um “gosto” às propostas de vigílias e compreensão e harmonia universal? Vale a pena discutir com os canalhas que arranjam sempre “causas” e “justificações” e “motivações” e “contextos” para a mera vontade de matar? Vale a pena tolerar a lengalenga sobre um islão tão moderado que só se dá por ele na hora de lamentar as vítimas e nunca na hora de evitá-las? Vale a pena alguma coisa? Só isto: perceber que estamos a perder voluntariamente uma guerra travada no curto prazo pela violência e no longo prazo pela demografia. Em qualquer dos casos, trata-se de sangue, e o nosso, pelos vistos, vale pouco.

Tentativa de golpe de estado na Turquia (2)

Se o golpe for bem sucedido, ninguém sabe muito bem o que se seguirá (sendo que uma guerra civil é uma possibilidade que parece ser realista). Se fracassar (como o apoio de governos como o americano e o alemão ao “governo democraticamente eleito” de Erdogan parece indicar), é bem provável que a Turquia escorregue ainda mais para o autoritarismo islamista.

Tentativa de golpe de estado na Turquia

A caminhada da Turquia para o autoritarismo e o caos ao longo dos últimos anos deve muito à União Europeia e ao seu comportamento similar a uma “tease” adolescente no processo de adesão do país à “Europa”. Ao passar das décadas a prometer a adesão, para a recusar (ainda por cima numa altura em que países longe de cumprirem os critérios de democratização e funcionamento da justiça necessários para a adesão foram aceites independentemente desses seus graves problemas) porque Sarkozy achava que ter um país muçulmano na UE seria um obstáculo à “união cada vez mais próxima”, descredibilizou por completo a “cenoura” com que se procurava aliciar a Turquia a normalizar-se. O “Erdoganismo” nasce (também) daqui, e o erro tem custado – e vai continuar a nos custar – caro.

Outra imagem

#CratoBem

As vestes rasgadas por causa do financiamento do Ensino Superior? Podem ser cosidas e vestidas novamente.

Governo chega a acordo e não sobe financiamento do ensino superior

Pelo menos até ao final da legislatura não será aumentado o financiamento. Acordo, que será assinado este sábado, entre a tutela e instituições permite estabilizar orçamentos das universidades e dos politécnicos durante três anos.

Essencialmente o que isto quer dizer é que, apesar de todas as críticas, anúncios de apocalipse e levantamentos da esquerda parlamentar, o governo anterior estava a tratar de atingir o nível óptimo de financiamento do Ensino Superior. O ministro actual colhe os frutos. #CratoBem

Brasil é Portugal?

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A deposição de Dilma recuperou alguma da confiança na estabilidade política do Brasil, o que se repercutiu na evolução nas obrigações contra um default do país. Já Portugal perdeu a confiança na estabilidade política com a tomada de posse e subsequentes reversões da Geringonça, tendo a percepção da probabilidade de default do país aumentado significativamente (50%).

Mas a culpa será do Brexit. E das sanções. E do inserir-argumento-espúrio.

 

Fonte: Zerohedge.

Esta Europa pode acabar em Nice

Rui Ramos no Observador

Foi assim, explorando a impotência do Estado russo perante o terrorismo checheno, que Vladimir Putin edificou a sua autocracia. Mas não se evita o autoritarismo securitário denunciando simplesmente o autoritarismo securitário. Evita-se, lidando com as dificuldades. Àqueles que, muito justamente, receiam por esta Europa em que nascemos e temos vivido, é preciso dizer: é muito mais provável que o fim comece com atentados como o de Nice, se ficarem sem resposta efectiva, do que nas negociações dos acordos comerciais do Brexit.

Sobre o terrorismo islâmico

Uma democracia liberal sofre uma vaga de violentos atentados: carros bomba, atiradores, atropelamentos em massa. Os perpretores, bárbaros terroristas islâmicos, acusam o país de estar a violar o seu território, entre outras justificativas, incluindo as metafísicas. Os Pablos Iglésias e os Boaventuras desta vida concluem que não Podemos pagar aos terroristas com a mesma moeda – activistas, desculpem-me. Entre os comentadores da praça a palavra de ordem é diálogo. Entretanto, os media do Ocidente apressam-se a apontar o racismo e a xenofobia inerente ao país em questão.
Sim, estou a falar de Israel.