Onde está o polígrafo? A dormir nesta história do deputado Ascenso Simões.


Só neste país é que um deputado não se demite ou é demitido quando numa semana numa rede social (twitter): oferece pancada a cidadãos, chama nomes a outros, tece comentários machistas e insulta outros políticos E os jornalistas nada, porque é deputado do PS. Quem duvida disto não sabe em que país vive.

Também é muito giro notar, para além do silêncio da imprensa, que o pessoal de esquerda sempre muito ativo nas redes sociais esteve (e está) calado e não condenou estas atitudes. Se não fosse um deputado socialista onde é que isto já ia. Coerência faz muita falta.

Depois, ainda ontem de noite, o deputado Ascenso Simões alegadamente numa nova conta disse que a outra era uma conta “falsa”. Uma conta falsa citada em notícias, citada e seguida por contas oficiais do PS e de figuras socialistas, linkada em sites oficias do PS, com fotos no parlamento, fotos em eventos do PS e com fotos de documentos. A conta era “falsa”, mas tinha isto tudo e só agora é que o sr. deputado socialista se apercebeu da existência desta conta falsa? Não somos todos burros. Alguém cai nisto? Como tudo isto foi desmontado em menos de uma hora, depois até a nova conta que tinha sido entretanto criada veio dizer que também era falsa.

Para além de tudo isso, desde ontem de noite que circula por aí o número de telemóvel do sr. deputado, o qual dá match com o número associado à conta “falsa”. Que pelos vistos de falsa nada tem.

Acho que está na hora do Jornal Polígrafo fazer o que supostamente lhe “compete”. Ou desta vez não é útil? Aliás diria mesmo que o Polígrafo tem essa obrigação visto que há uma verificação do Polígrafo de há uns tempos com base em informação da conta “falsa” e, por isso, se o Polígrafo não disser nada e assumir que a conta era mesmo falsa então está a dizer que o próprio Polígrafo publicou uma notícia e uma verificação … falsa.

Está na hora do Polígrafo se mexer. E está na hora do sr. deputado socialista se demitir e do PS lhe retirar confiança política.

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O regresso do intervencionismo estatal

No dilema entre segurança e liberdade é necessário manter uma certa desconfiança em relação ao exercício do poder por parte do governo e mais ainda na ausência de travões constitucionais. 

Artigo do Ricardo Arroja, no Eco. A ler.


Numa altura em que a resposta governamental ao COVID-19 tem vindo a ser enquadrada no contexto de uma economia de guerra, a provocação de Mises ganha renovada actualidade e deveria conduzir-nos a uma reflexão que o turbilhão das últimas semanas tem negligenciado: o dilema “segurança vs. liberdade”.

É do liberalismo clássico que o dever de garantir a segurança dos cidadãos consiste numa função de soberania. Da segurança militar à económica, a forma de o Estado proteger os cidadãos, que conferem à acção do Estado a sua legitimidade existencial, tem evoluído.

Sobre isto, Hayek (em “O Caminho da Servidão”) destaca [que] “não há incompatibilidade entre o Estado oferecer maior segurança auxiliando na organização do sistema de previdência social e a preservação da liberdade individual. À mesma categoria pertence também o aumento da segurança proporcionado pelo Estado na forma de assistência às vítimas de catástrofes naturais, como terramotos, inundações, etc. Sempre que a acção pública é capaz de mitigar desastres dos quais o indivíduo não se pode defender e contra cujas consequências não pode precaver-se, tal acção deve, indubitavelmente, ser empreendida”. Hayek chama-lhe “segurança limitada”, afirmando que “a mesma é indispensável à preservação da liberdade, porque a maioria dos homens só aceita de bom grado o risco implícito à liberdade se este não for excessivo”.

Todavia, o momento actual não se resume à dita segurança limitada; contempla também, na crítica (reprovadora) de Hayek, a “segurança dos quartéis”.

A suspensão da democracia foi o primeiro passo. O segundo reside na militarização da economia, na qual o Estado “requisita” e toma controlo dos meios de produção. Não é uma tese delirante. É aquela que resulta da concessão de poderes ilimitados ao governo, que se diz temporária, que se diz necessária, que se diz assente na sensatez do Presidente da República e do Primeiro-Ministro, mas que não deixa de ser uma revogação dos limites constitucionais que regulam a ordem democrática.

António Costa de 23 de Março vs António Costa de 24 de Março

Menos de 24 horas separam as duas afirmações de António Costa. A primeira foi feita ontem em entrevista à TVI e a segunda foi efectuada hoje no parlamento.

António Costa de 23 de Março (fonte):

António Costa de 24 de Março (fonte):

Felizmente, temos tido um presidente da república à altura que nos garantiu que “nesta guerra ninguém mente nem vai mentir“. Ficamos pois assim mais sossegados.

Esta crise resulta de uma falha de Estado, e não de Mercado

O governo nesta fase deveria procurar não acicatar os ânimos, para poder recolher a base de apoio alargado necessária para rapidamente encontrarmos uma saída para o pandemónio em que caímos por causa da pandemia do novo coronavírus. Como escrevi na semana passada, em artigo publicado no Observador, em conjunto com o André Azevedo Alves, o regresso à normalidade terá necessariamente de ocorrer antes da pandemia estar erradicada, pelo que é fundamental que haja boa comunicação, sobriedade, e capacidade de liderança.

Ora, durante o debate parlamentar, António Costa não resistiu à pequena picardia de sinalizar como iliberal, no contexto desta crise, a procura de respostas por parte do Estado para o problema económico resultante das medidas draconianas de isolamento e restrição à circulação e à liberdade económica que foram decretadas como resposta à pandemia do novo Coronavírus.

As afirmações do senhor primeiro ministro – que alinham com as de muitos que à esquerda ainda não perceberam as raízes desta crise – convidam-me a recordar que esta crise em nada se deve a uma falta de resposta da economia, que estava a funcionar sem problemas, sendo antes politicamente motivada, sobretudo por decisões de governantes europeus e norte-americanos a quem cabe assegurar a Saúde Pública, prevenir a resposta a pandemias, combater as fake news, e manter a normalidade. Vale a pena lembrar que outras economias de mercado – como a Coreia do Sul, ou o Japão, vítimas da pandemia várias semanas antes do que nós, na Europa, e na América do Norte – foram capazes de encontrar soluções de resposta bastante mais equilibradas, e causadoras de bastante menos prejuízos e restrições do que as que temos vindo a sofrer.

Esta crise resulta de uma falha de Estado, e não de Mercado.

Temos estado todos pacientes e bastante unidos, a arcar com os prejuízos de decisões que terão o seu tempo certo para serem analisadas e avaliadas. Mas atenção, não há nada de iliberal em o Estado incluir nas medidas de resposta à crise soluções para as empresas que estão simplesmente impedidas de laborar, por decisão estatal cujos méritos todos temos aceitado nesta fase não questionar ou discutir. Grande parte da irresponsabilidade política desta crise nem sequer se deve, por esta vez, à nossa governação, podendo ser endereçada a outros países com bastantes mais responsabilidades globais, e de quem se exigia mais. Portugal tem por isso ainda mais razões para se manter coeso, e sem entrar em divisões artificiais.

Portugal precisa de lideranças sóbrias para sobreviver, não à pandemia, mas ao pandemónio que entretanto se montou à volta deste vírus. Haverá um tempo de balanço, para em serenidade avaliarmos o que falhou. Até lá, temos de tentar em conjunto, todos, salvar o máximo e minimizar os danos, no que seja possível. Tal passa por o Estado organizar o mais depressa possível a resposta hospitalar, os centros de rastreio que necessita, e os planos de contingência para os diversos cenários, para poder voltar a libertar a sociedade, que permanece aprisionada, com prejuízos inevitáveis que, sejamos realistas, dificilmente o Estado conseguirá cobrir. O que se pede ao senhor primeiro ministro é que, além de liderar, devolva em civismo aquilo que tem sido o apoio de todos na resolução de um problema que os poderes políticos criaram, e que todos estamos a ter de suportar.

A mentira dos testes explicada

Governo garante que a capacidade de fazer testes está a ser aumentada, mas fonte da DGS diz que há uma “discrepância entre um discurso político e a realidade”: “Portugal tem poucos testes”

Muito boa peça sobre a situação dos testes. Dividida em 5 partes:

  1. Quantos testes estão a ser feitos? Não se sabe. Pelo menos, 13.674
  2. Há testes suficientes? “Portugal tem poucos testes e é evidente que devia estar a fazer mais”, diz fonte da DGS
  3. Afinal, qual é a capacidade diária? 4 mil, 9 mil ou 30 mil?
  4. O que está a faltar? Kits, dinheiro ou recursos humanos?
  5. Portugal perde no ranking onde a Islândia e Coreia do Sul são exemplos (mas com espinhos)