Esquerdas de Ponta – Bugchasing

Há uma grande discriminação nas sociedades ocidentais contra os portadores de doenças. É uma discriminação e é importante resolveres-te-la. Poderíamos por exemplo tentar integrar os portadores de HIV/SIDA no nosso meio e ter relações normais com eles, pois o vírus só é transmissível por via sexual. Seríamos assim Bons Samaritanos.

Mas isso já não é hedgy o suficiente. O chique agora é ser Bug Chaser.

Sim, o objectivo é tentar fazer sexo com o maior número possível de pessoas infectadas com o vírus HIV com o objectivo de contrair a doença.
Já sabem que não estou a brincar, por isso aqui ficam alguns links onde podem ler mais sobre o tema (tudo em inglês):sida_2

E sim, eu sei que o fenómeno é antigo, mas só agora é que começa a haver uma comunidade significativa de praticantes, fruto de uma narrativa SJW de integração.
Para que não vos falte nada, aqui ficam exemplos da ligação deste fenómeno aos SJW:

Nota: Não confundir com bareback sex, prática em que não há intenção, logo é só desejo carnal e não há o desejo de integração implícito no bugchasing. Nem confundir com gift-giving, que neste contexto é o oposto (um HIV+ que oferece sexo desprotegido a quem quiser, publicitando o facto e usando-o como “isco”). Outros termos semelhantes.

Portanto, já sabem: Virtue signalling é algo que não conhece limites!

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Prescrição de cultos diversos

Fátima, um assunto que não me diz respeito, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) 1. Após incensar Rui Moreira durante quatro anos, bastaram algumas horas – e uma humilhação merecida – para que o PS invertesse o discurso e passasse a considerar o autarca um perigoso antidemocrata, cuja acção maligna reduzirá o Porto a cinzas. É sabido que a política é propícia à conveniência, à mentira e à falta de vergonha na cara. Mas isto é espectacular.

2. O presidente Marcelo confessa-se “apaixonado pelo Papa”. Sua Excelência, a acreditar em notícias soltas, também parece apaixonado pelos portugueses com sucesso, pelos portugueses sem abrigo, pelas imortais vitórias na bola, por Guterres, pelas feiras de enchidos, pelos falecidos comunistas Baptista-Bastos e Fidel Castro, pelo recém-nascido Macron, pela nova administração da CGD, pela comunidade islâmica indígena, pelas esposas de Cavaco e Sampaio, pelo Benfica, por Cabo Verde e Senegal, pelo espírito ecuménico da pátria, pelos bombeiros, pelo Teatro Aberto e, claro, pelo governo.

O governo, ainda que de modo mais comedido, mostra-se igualmente apaixonado por Marcelo, por Guterres, pela “aposta” na ciência, pelos parceiros de extrema-esquerda, pelos senhores da banca, pelas Águas do Ribatejo, pela função pública, pelo Benfica e por qualquer indivíduo ou instituição que não lhe cause maçadas. Os “media”, genericamente, estão apaixonados pelo Papa, por Marcelo, pelo governo, por tudo o que seja informação “positiva” e pelos portugueses. Os portugueses estão apaixonados pelo Papa, por Marcelo, pelo governo, por Guterres, pelo Benfica, por Cristiano Ronaldo, pelo intérprete de uma cantiga na Eurovisão, pela fisga de Joana Vasconcelos, pela “maior operação de segurança de sempre” e pelo que calha.

Quase todos, em suma, estão apaixonados por quase todos. Há imenso amor no ar. Comparado com isto, o mito de que a orquestra do Titanic tocava uma valsa em tom menor durante o naufrágio é brincadeira de crianças. Nós somos gente crescida, que cantará o fado e dançará o vira mesmo depois de o país afundar. O que é que os portugueses andam a tomar? Juízo não é, com certeza.

Esquerdas de Ponta

Para o leitor que baseie o seu conhecimento do mundo naquilo que vê na televisão, sobretudo da portuguesa, imagino que algumas notícias que venham do exterior pareçam extremas, ou até impossíveis. Certamente serão “Fake News”!

Stepping Stones on LakePara aqueles de nós que “vivem na internet”, o que se passa cá são apenas pequenos passos num caminho que vai muito mais longe. Conhecendo o lago de possibilidades e as pedras até lá, aquela pedra ao fundo não parece impossível, mas apenas um estado mais avançado que Portugal poderá atingir.

Como exemplos passados, já publiquei a aprovação de uma Associação de Pedófilos, ou a proposta de instaurar Abortos Pós-Natal. Ou ainda os Trash Vegans. Ou o artigo de hoje, sobre o limite do virtue signalling: o BugChasing.

Bem, como os legacy media gostam de vos dar isto em pequenas doses crescentes para que o povo não se aperceba do lento deslizar da sua opinião, eu planeio criar uma série de posts chamada “Esquerdas de Ponta“. Para ver os restantes artigos desta série, criada hoje, basta clicar no tag (de novo: “Esquerdas de Ponta“) e verão quão longe certas pessoas vão na sua loucura ideológica.

Have fun…

Dia 18, no IEP-UCP

No próximo dia 18, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa: Seminário “Relançar o crescimento em Portugal: Reforma 2+2+2”.

Mary Poppins em São Bento

Faz manchete o publico que no dia da tolerância de ponto papal dos funcionários públicos , houve uma nova estrela no firmamento das nannys : um PM que teve poder de encaixe numa crítica jornalística de JMT e a transformou numa manobra de propaganda eleitoral a que 4 crianças e o Público acederam. 

Podia-se ser simpático e não fazer publiciďade, mas não era a mesma coisa. Qual seria então o propósito da simpatia, António Costa?

Para as pessoas que pensam que a Igreja era a melhor amiga do capitalismo até chegar o mauzão encarnado do Francisco

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Como anda por aí gente muito desmemoriada – e, pelo que leio nas tedes sociais, afogados em fel e azedume de cada vez que lhes referem o Papa Francisco – venho aqui fazer serviço público lembrando algumas coisas dos antecessores de Francisco. Porque há quem, de tantas proclamações de amor a Bento XVI, pareça os socráticos queixando-se da agressividade do processo de ajustamento e fazendo por esquecer a situação herdada pela coligação que a resolveu.

João Paulo II. O senhor que mais parecia papa de uma religião mariana, em vez de uma religião cristã. Que se fartou de escrever contra o capitalismo selvagem. Ah, e que lá por ter trabalhado para desmantelar o comunismo soviético na Europa não hesitou em ser um grande fator de reabilitação de Fidel Castro, que recebeu um muito cordial João Paulo II em Cuba (espero não provocar desmaios em ninguém). E muito bem, que não cabe à Igreja boicotar regimes políticos; há católicos em Cuba e de um Papa espera-se que procure dar conforto espiritual aos crentes, que os guie, não que dê lições de ciência política ou de economia.

E Bento XVI? Bem, não disse tanto mal do capitalismo (um bocadinho menos) porque dizia pouco de quase tudo (preferia estar no meio dos seus livros). Atenção, eu gosto de Bento XVI. Aprecia de discussões intelectuais, tem sentido estético apurado, partilha comigo o gosto por sapatos Prada, e claramente esforçava-se por desfazer a sua imagem de rottweiler de João Paulo II. Gosto de Bento XVI sobretudo porque teve a coragem e a dignidade de reconhecer que era escancaradamente desadequado para a função para que foi eleito. Odiava a evangelização – que é, desde Jesus e São Paulo, uma vocação inalianável da tal Igreja universal – e era com evidente sacrifício e timidez que viajava e contactava com as multidões. Foi incapaz – não com cumplicidade ou maldade, mas com negligência – de lidar com os escandândalos dos padres abusadores sexuais. Reconhecidamente não conseguiu parar as máfias do Vaticano. A Igreja estava a tornar-se um ambiente onde a bufaria era um modo de vida,  bem como as vinganças e os ressentimentos pessoais. Acima de tudo, queria tornar a Igreja um grupinho pequeno e manejável, sem caridade ou misericórdia, de gente muito intelectualizada e cumpridora de intermináveis regras que a diferenciasse da populaça entregue aos instintos. Em vez de opção preferencial pelos pobres, havia a obsessão com a moral sexual.

Lamento, mas quem quiser fazer parte de uma coisa destas deve fundar um grupo de gnósticos. A Igreja nunca foi isto e nunca será. Quanto aos ateus e agnósticos adoradores de Bento XVI e que se sentem agredidos por Francisco, acho-os mesmo ridículos. Parecem a Câncio e derivados a botar julgamento em realidades que não compreendem.

Estoril Political Forum 2017 – “Defending the Western Tradition of Liberty Under Law”

XXV International Annual Meeting in Political Studies | Estoril Political Forum 2017 “Defending the Western Tradition of Liberty Under Law”
June 26-28, 2017

In 2017, the Estoril Political Forum, which evolved from the International Meeting in Political Studies launched in the Arrábida Convent in 1993, will celebrate its 25th anniversary. This year will also mark the 20th anniversary of the Catholic University’s Institute for Political Studies, whose founding in 1996/97 was inspired by the Arrábida meetings.
The title of this year’s meeting, “Defending the Western Tradition of Liberty Under Law” expresses the commitment that has animated both the Forum and the Institute since their inception. As always, the meeting will bring together a broad range of political perspectives. It will seek to address new challenges while recalling the old lessons bequeathed to us by the “Western Tradition of Liberty Under Law.”

Confrontar os impunes

O meu artigo no Jornal Económico.

Confrontar os impunes

É sabido que, tanto Marine Le Pen como Catarina Martins, pretendem que França e Portugal saiam do euro. A líder do Bloco de Esquerda chegou a dizer, em Março, no final da reunião da Mesa Nacional do BE, que “é urgente preparar o país para o cenário de saída do euro ou mesmo do fim do euro”.

Nesse dia foi mais longe. Chegou a declarar que Portugal “tem de ter capacidade de defender a capacidade produtiva da sua economia, o seu emprego e o seu Estado Social”, apontando como prioritária a “reestruturação da dívida soberana, o investimento público, e o controlo público da banca e dos sectores estratégicos da economia”. Não, não era Marine Le Pen; era mesmo Catarina Martins. A líder do BE é da extrema-esquerda portuguesa que, na economia e nas políticas sociais, defende o mesmo que a extrema-direita francesa.

Ao mesmo tempo que diz o que diz sobre o euro e a reestruturação da dívida, o BE fecha com o PS um relatório sobre a dívida pública que propõe mais ou menos o mesmo que PSD e CDS advogaram no decorrer da anterior legislatura. O que era uma submissão à Alemanha, é agora perfeitamente aceitável. Alguns jornais registam a diferença, mas ninguém, jornalista ou político, confronta Catarina Martins com a verdade que é a mentira do BE.

Há anos que o BE mente aos portugueses, tal como a Frente Nacional faz aos franceses. Mas se em França, Marine Le Pen é confrontada com as suas incoerências, em Portugal nada se passa. Por cá, a impunidade ideológica grassa. É essa impunidade que permite à extrema-esquerda dizer as maiores atrocidades e de seguida fazer o oposto como se nada fosse.

Desde Novembro de 2015 que vivemos num pântano silencioso. É o regresso do pântano de que Guterres fugiu, exilando-se numa instituição humanitária. O silêncio que pactua com o que está errado, porque é conveniente; por ser inconveniente desafiar as prioridades estabelecidas pelas elites que subsistem num país manso, silencioso, pacato e ordeiro.

O silêncio tem ainda outra consequência nefasta: apaga a verdade. Tal como no Estado Novo sobre o futuro do império, também agora a maioria crê no que lhe mostram e não se questiona. Quando não se pergunta, não se pensa. A Alemanha ganha com o euro porque sim e não porque fez reformas que nós recusámos. Não foi a austeridade, ou melhor, um mais sério controlo dos gastos do Estado que reduziu o desemprego, mas este Governo apoiado pelo PCP e pelo BE.

A maioria acredita porque quer, embora saiba que não é verdade. Quando a verdade não existe, o país vive uma realidade alternativa criada pelos que governam em prol das consciências dos que se deixam ir. Este silêncio só termina quando cada um de nós, em consciência, o recusar e exigir melhor.

Um dia na vida de um funcionário público

O dia começou como sempre. Acordou cedo para garantir que às 8 os filhos estão à porta de casa para entrar no autocarro que os leva ao colégio Nossa Senhora da Conceição. Entregues os filhos, olhou para a previsão do tempo e concluiu: “Não vai dar para ir à praia hoje. Grande azar”. De qualquer forma, não pode desperdiçar o dia. Vai aproveitar para ir à consulta que anda há tanto tempo a adiar. Pega no número da ADSE e telefona para a clínica privada Nossa Senhora do Rosário a ver se ainda consegue marcar consulta para hoje. A telefonista diz que não há problema “Hoje estamos a ter imensas consultas”, diz a recepcionista, “os médicos aproveitaram a tolerância de ponto no público e podem dar mais consultas no privado. Já ontem com a greve foi assim. Estamos a despachar muitas consultas. Apareça às 11.”. “Fantástico”, pensou, “Assim ainda despacho isto antes do almoço e pode ser que à tarde o tempo fique melhor.
Antes de ir para a clínica, passa pelo café do costume, onde se surpreende ao ver o Zé Manco a servir à mesa. “Então não era hoje que ia ser operado?”, “Não”, responde o Zé, “a operação foi adiada. Diz que o médico teve folga para ir ver o papa. Agora só lá para Julho, se o médico não for de férias”. “Que chatice! Olhe, as melhoras!”. Acaba de beber o café e põe-se a caminho da clínica.

À porta da clínica privada Nossa Senhora do Rosário uma fotografia do Papa e uma enorme azáfama na recepção. Aparentemente, uma das recepcionistas faltou: meteu um dia de férias para tomar conta dos filhos, cuja escola pública fechou hoje devido à tolerância de ponto. “Inventam tudo para não trabalhar, é o que é”. Ao fim de 20 minutos, lá conseguiu dizer ao que vinha e foi logo reencaminhada para o médico.

A tarde continuou com mau tempo, pelo que aproveitou para ir às compras, ao mecânico e aos Correios. Chegou ao fim do dia e comentou com um amigo o quão útil aquela tolerância de ponto tinha sido. “Deu para meter muitas coisas em dia. Pena as finanças estarem fechadas. Podiam manter as finanças abertas nestes dias para podermos arranjar as nossas coisas.”. À noite em frente à TV, muda de canal freneticamente: “Só se fala no Papa, no Papa, no Papa… Nem parece que estamos num país laico. Uma vergonha!”.

As estações de Cristas

Já sabíamos que há jovens empreendedores em Lisboa a vender louro prensado fazendo-se passar por marijuana. Ontem, ficámos a saber que o inverso também acontece. Não sei exactamente com o que é que Cristas temperou a comida ao almoço, mas espero que prendam o seu merceeiro rapidamente (embora aceite que possa ter sido uma grande superfície a vingar-se da taxa Cristas). Pese embora não seja uma ideia original (já em 2009 António Costa e Ana Paula Vitorino andavam a prometer mais 30 estações), entretanto aconteceu uma crise económica, os portugueses sofreram com a austeridade resultante dessa forma de pensar que ainda vigorava em 2009, e a maioria dos políticos deveria ter aprendido a lição. Que Cristas, alguém que esteve no governo que sofreu na pele os problemas de ter que aplicar essa austeridade, não perceba, é um enorme problema.

Mas há um outro problema maior, que tem escapado à maioria dos analistas. Cristas é candidata à Câmara Municipal de Lisboa, mas no parlamento é deputada por Leiria. E foi no parlamento, onde é deputada por Leiria, que Cristas foi fazer campanha para a Câmara de Lisboa. Não basta o plano ser absurdo, é também um desrespeito para com os seus eleitores de Leiria, utilizar o cargo para defender os interesses (?) dos Lisboetas. A não ser que a ideia das 20 estações seja ligar Lisboa a Leiria.

Há certas excitações que convém temperar. Com o louro certo, claro.

Não querer saber é lixado

Constança Cunha e Sá disse ontem na TVI 24 que os indicadores económicos mostram que as coisas correm bem ao governo: há crescimento, há criação de emprego (a maior criação de emprego da Europa, em Março), o défice é o mais baixo da democracia e etc. Há apenas um pormenor que Constança Cunha e Sá esqueceu: é que a dívida pública continua a crescer.

Apesar do que se passou nos últimos anos muitos comentadores ainda não compreenderam que, se com crescimento económico e criação de emprego, a dívida sobe é porque o país não está mais rico, mas mais pobre.

A demagogia não tem ideologia

Em 2010 o governo de então apresentou um plano de expansão do metro de Lisboa. Passava para o dobro das estações. Viu-se. Agora, no CDS, que estiveram no governo anterior e deveriam saber melhor que ninguém a situação real do país, querem contruir 20 estações de metro. Eu também queria. Seria óptimo. O problema é pagar. Ou melhor: o problema é que o benefício das ditas estações não compensam os sacrifícios que teremos de fazer para as pagar. Mas se calhar sou eu que estou enganado e até compensam. Se calhar há quem consiga uns votos, uns cargos ou, se nem isso, fique bem na fotografia. Depois? Depois, logo se vê que ninguém se lembra.

Malditos geógrafos, que ignoram o seu corpo

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Mais preocupada com corpos de terceiros, esta investigadora ignora como o seu corpo pode influenciar a sua investigação científica

Há poucos dias inaugurei uma coluna onde partilhei convosco alguns dos artigos «científicos» que andam a ser produzidos com o meu e com o vosso dinheiro, e cujo contributo societal é tão relevante quanto admirar um piaçaba 6 horas a fio. O primeiro desses artigos «científicos» visava mostrar como é que um determinado tipo de esquilos era vítima de racismo e discriminação.

Hoje, tenho o prazer de partilhar convosco um artigo que procura demonstrar que os geógrafos ignoram os seus corpos, a sua sexualidade e o seu erotismo, escondendo até, imagine-se, os seus desejos sexuais do resto da comunidade científica, e como isto tudo influencia a carreira de investigação. A investigadora partilha até, num digno exercício de reflexividade, a sua experiência como mulher-investigadora desejada, quiçá proveito da sua voluptuosidade, e como isso influenciou a sua carreira científica. Finalmente, o artigo tem uma secção dedicada a clubes de swing, sem dúvida um pilar fundamental de investigação científica rigorosa.

Uma vez mais, é bom saber que o nosso dinheiro está a ser bem aplicado.

Fonte: De Craene, Valerie (2017). “Fucking geographers! Or the epistemological consequences of neglecting the lusty researcher’s body”. Journal of Gender, Place & Culture.

Tertúlia “As pessoas não são números”

Tertúlia do IMP e do Tempos Livres, no Grémio Literário, sobre o contraste entre a Escola Austríaca, com o seu foco na acção humana, com as outras escolas de economia, com o seu foco em modelos estatísticos e matemáticos. Falará o Ricardo Dias de Sousa, com apresentação do Carlos Novais.

Um super-herói português

Um infindável conjunto de “bota-abaixistas” e “velhos do Restelo” insistem em negar a realidade, recusando-se a reconhecer os imensos méritos do Governo liderado pelo excelso António Costa e interminável valor dos seus ministros, bem como os extraordinários feitos que todos têm alcançado e alcançarão. Veja-se, por exemplo, o Ministro Vieira da Silva, que para além de ter colocado a filha no governo apesar da inépcia que qualquer um que tenha tido o azar de a ouvir ou ler não poderá evitar nela descortinar, não só já conseguiu a sustentabilidade da Segurança Social “para os próximos 50 anos” nos tempos de José Sócrates (aquele abraço), como aparentemente se prepara para o fazer novamente, quando nem sequer metade desse tempo passou. Gente desta não se encontra em todo o lado.

A usurpação político-partidária

“São muito bem-vindas as candidaturas políticas independentes e é precisamente no poder local que melhor podemos contrariar a partidocracia que sequestrou a nossa vida política.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre a polémica Moreira vs PS: os partidos, a política e a administração pública.

Le Pen, nacionalismo e “globalismo”

Celebrando a derrota de Le Pen… com interrogações europeístas. Por João Carlos Espada.

A primeira grande globalização da era moderna foi iniciada por um Estado-nação — e receio ter de recordar que era já nessa altura bastante antigo e se chamava Portugal. Em seguida, inúmeros estados-nação da Europa seguiram o caminho da globalização — incluindo a Espanha, a Holanda, a Inglaterra e a França, para citar apenas alguns. Depois da derrota da ilusão pós-nacional de Napoleão e depois do Congresso de Viena, em 1815, a Europa e o mundo experimentaram um período sem precedentes de comércio livre baseado em estados descentralizados — que só foi ultrapassado depois da queda do império soviético, em 1989.

Por outras palavras, não vejo qualquer razão empiricamente testável para dizer que o sentimento nacional se opõe necessariamente ao comércio livre e à globalização. Mas há razões para temer essa infeliz dicotomia entre “nacionalismo versus globalismo”: se as pessoas que sentem um legítimo orgulho nacional continuarem a ser confrontadas com essa dicotomia enganadora, podem acabar por escolher o protecionismo — pensando que estão a optar pelo sentimento nacional.

A morte anunciada do Partido Socialista em França

Ex-primeiro-ministro Manuel Valls é candidato por Macron

“Este Partido Socialista está morto. Faz parte do passado. Temos de o superar”, afirmou Manuel Valls, que confirma que será candidato em junho pelo movimento de Macron.

Os esquilos estão sujeitos a discriminação e racismo

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Evidência de um esquilo burguês em processo de acumulação de capital.

Depois do fantástico — sendo que aqui fantástico denota mesmo o sentido estrito — artigo onde o «investigador» propõe que olhemos para os icebergs numa perspectiva feminista; depois de eu próprio ter tido um resumo que se propunha a demonstrar que a calçada portuguesa é machista aceite numa conferência de feminismo pós-colonialista, eis que dei finalmente conta de um qualquer imperativo categórico que me impele a partilhar convosco trabalhos de igual monta.

Assim, estreio n’O Insurgente uma coluna onde disseminarei artigos auto-proclamados «científicos», passe a ignomínia, das gentes que investigam no lastro deixado pela escola de Frankfurt. Estreio-me com When ‘Angelino’ squirrels don’t eat nuts: a feminist posthumanist politics of consumption across southern California, uma análise necessária à forma como os esquilos estão sujeitos ao racismo e discriminação generalizada dos media pela forma como se alimentam.

Abstract
Eastern fox squirrels (Sciurus niger), reddish-brown tree squirrels native to the eastern and southeastern United States, were introduced to and now thrive in suburban/urban California. As a result, many residents in the greater Los Angeles region are grappling with living amongst tree squirrels, particularly because the state’s native western gray squirrel (Sciurus griseus) is less tolerant of human beings and, as a result, has historically been absent from most sections of the greater Los Angeles area. ‘Easties,’ as they are colloquially referred to in the popular press, are willing to feed on trash and have an ‘appetite for everything.’ Given that the shift in tree squirrel demographics is a relatively recent phenomenon, this case presents a unique opportunity to question and re-theorize the ontological given of ‘otherness’ that manifests, in part, through a politics whereby animal food choices ‘[come] to stand in for both compliance and resistance to the dominant forces in [human] culture’. I, therefore, juxtapose feminist posthumanist theories and feminist food studies scholarship to demonstrate how eastern fox squirrels are subjected to gendered, racialized, and speciesist thinking in the popular news media as a result of their feeding/eating practices, their unique and unfixed spatial arrangements in the greater Los Angeles region, and the western, modernist human frame through which humans interpret these actions. I conclude by drawing out the implications of this research for the fields of animal geography and feminist geography.

Publicado na revista Gender, Place & Culture — A Journal of Feminist Geography (Taylor & Francis), e certamente merecedor de todo e qualquer financiamento público que lhe tenha sido atribuído.

F. A. Hayek and intellectual humility

F.A.Hayek, Free-Market Think Tanks, And Intellectual Entrepreneurs. Por Alejandro Chafuen.

I still recall the first time I heard F.A. Hayek (1899-1992) deliver a major lecture: it was in 1981 at the main hall in the classic building of the old Argentine Stock Exchange. During his presentation, he defended unemployment insurance, especially for those in risky occupations. I was so “radical” at the time after having studied all the books of Ludwig von Mises, Hayek’s mentor and colleague. Hayek’s statement shocked me. I handed in a card with my question and to my surprise, the moderator read it out loud. I’d written, “Ludwig von Mises wrote that in a free and unhampered market occupations with higher risks for unemployment already get a premium in salary, wouldn’t that invalidate the reason you stated?” I was even more surprised when Hayek answered, “as usual, my master was right.” Throughout my life, I’ve had the privilege of meeting many important intellectuals. Intellectual humility is seldom one of their traits. Hayek was different. I decided to learn from his example and began focusing on reading every one of Hayek’s work available to me.

Macron em 2016, no jornal i

A minha crónica no ‘i’ de 5 de Maio de 2016.

O jogo político francês

Tenho um gosto muito especial em acompanhar a política francesa apesar desta suscitar pouco interesse em Portugal. O que é pena. Não só porque o nosso sistema político é relativamente próximo do francês mas também porque a própria cultura política é semelhante. Principalmente à esquerda.

Na semana passada tiveram lugar violentos confrontos contra a lei El Khomri que flexibiliza a lei do trabalho com vista a facilitar a contratação de trabalhadores. A ministra do Trabalho, Myriam El Khomri, tem tentado, a par com o ministro da Economia, Emmanuel Macron, fazer a ponte entre a ideologia de esquerda e criação de emprego.

A esquerda francesa encontra-se numa verdadeira encruzilhada. Um verdadeiro labirinto  cuja principal vítima tem sido o próprio François Hollande. Este tem tentado juntar as pontas cada vez mais distantes que fracturam o PSF e garantir condições que lhe permitam a reeleição em 2017. Além disso, tem tentado utilizar as novas estrelas do PSF, esperando que estas também se extingam perante a realidade económica. Foi assim com Montebourg, Hamon, Peillon, que se afastaram, e também com Valls e o fenómeno que é Emmanuel Macron.

Mas até para um presidente francês a habilidade política tem limites. É que Macron, criou em Abril o movimento “En marche”, que muitos vêem como uma plataforma para a sua candidatura presidencial. As últimas sondagens são prometedoras e o futuro nos dirá se o verdadeiro legado de Hollande não será alguém capaz de virar o jogo contra ele.

A França é a frente de batalha

Já me perguntaram por que razão ligo tanto à França se sou mais anglófilo que francófilo, o que se deve, e muito, à minha instrução primária. A explicação é simples: além da geração dos nossos pais e avós ser (e ter sido) mais próxima da França que nós, o que sempre nos influencia, há outro aspecto que não se pode descurar e que muitos esquecem.

Aquilo a que estamos a assistir é uma guerra ideológica cuja frente de batalha é a França. As ideias até podem ser (e nem sempre são) de origem anglo-saxónica, mas é nas cidades e nos campos franceses que as batalhas se travam. De uma forma forçada podemos comparar o que se passa com o que aconteceu na segunda guerra mundial quando os soldados eram maioritariamente ingleses e norte-americanos (e nem sempre foram), mas recuperar a França era crucial. O que sucedeu ontem foi precisamente isso: uma pequena batalha que foi ganha. Outras virão. Todos os dias durante os próximos cinco anos serão cruciais porque se Macron não for bem-sucedido os extremos (sejam de direita ou de esquerda) regressam e não se contentarão com segundo lugar.

Analisar a França com base em preconceitos, porque é atrasada, porque são convencidos, e porque isto e aquilo, como se nós Portugueses estivéssemos na vanguarda da discussão política, é um erro que esquece que a França, quer se queira quer não, é o centro da Europa.

Liberalização: um PREC em França?

formacao-da-espinha-dorsal-1Após esta noite eleitoral, parecem ter saído 3 partidos a prepararem-se para repartir o parlamento daqui a pouco mais de um mês: Em Marcha (que vai engolir parte significativa do PSF), Republicanos e Frente Nacional.
Resulta deste novo desenho que dos três principais partidos, a Esquerda no poder vai ser pró-UE, pró-Liberalização, pré-desregulação e pró-Elites… enquanto que a extrema-direita será pró-saída do Euro, pró-regulamentação e tarifas e pró-Rust Belt. Não é por acaso que Le Pen cativou na 2ª volta muitos votos de Mélenchon.
A confirmar-se, esta transição será uma verdadeira revolução no mainstream político, que poderá obrigar os legacy media (imprensa e televisão) a redefinirem ou os seus valores ou o seu alinhamento político.
Querem ver trapezistas sem espinha dorsal? Peguem em pipocas.

Quando ganha o Media Darling tudo é diferente…

Não ligo muito à França e portanto as eleições presidenciais naquele país passaram-me um pouco ao lado, mas há algumas lições a reter sobre os media internacionais:

  1. Como o Media Darling era homem e a opositora era mulher, nesta eleições não houve nem Sexismo nem Misoginia, ao contrário das eleições americanas, em que estes foram graves problemas que obviamente decidiram a eleição;
  2. Nas eleições americanas, houve intervenção externa (nunca provada), nas eleições europeias, os parceiros europeus não costumam apoiar, nestas eleições houve apoios quer americanos quer europeus. Sem qualquer reação claro.
  3. Ganhou um banqueiro, logo da banca de investimento, tanto diabolizada pelos membros da legacy media (imprensa e televisão). Macron, Make Banking Great Again!
  4. Os legacy media agem cada vez mais em bloco. Um fenómeno cada vez mais dominante quer na França, quer na América, quer em Portugal – onde reina a paz social perante as maiores asneiras por parte do PS. O 4º poder é cada vez mais organizado: quem os beneficiar tem um apoio maior do que o imaginado por Emídio Rangel; quem se opuser…
  5. Como os legacy media os protegem, os Media Darling sentem-se seguros e invulneráveis. Resultado: cada vez serão mais frequentemente vítimas de Leaks na WikiLeaks.

Os media sempre foram inclinados, mas estão cada vez mais inclinados. A política é uma derivada da cultura e esta evolução da cultura dos media é bastante preocupante.

Desta vez podemos fazer o perfil sociológico dos eleitores?

Ouvi há pouco na RTP3 um jornalista francês dizer qualquer coisa como ‘em França, para estas eleições, diz-me quanto ganhas e onde vives e digo-te como votas’. Quem ganhava mais de 3000€, votava Macron, quem ganhava menos de 1500€, votava Le Pen, quem tinha o secundário ou menos escolhia também Le Pen e por aí adiante. O Observador tem aqui mais umas pistas para os eleitotes de cada candidato.

Estão, claro, todos errados em insistirem nisto. Como se sabe, desde a vitória de Trump e do Brexit, é um grande pecado dizer quem vota nos isolacionismos, nos protecionismos e nos candidatos de tendências autoritárias. Quem referia que grupos eleitorais votavam nestes vencedores era uma pessoa ressabiada, que não percebia os grandes movimentos da história, na verdade que não aceitava os resultados das eleições (quase como ir buscar tanques para participar em golpes contra os resultados eleitorais). Claro que não se podia dizer que os eleitores de Trump eram maioritariamente rurais, nunca tinham saído dos States, menos escolarizados e que o único grupo de mulheres que votou em Trump foram as mulheres brancas sem frequência universitária. Afirmar que os broncos votaram num claríssimo bronco laranja (e a sua prestação presidencial inicial não deixa dúvidas sobre a sua magnitude de bronco) era não ter percebido NADA (como se fosse difícil perceber por que ganhou Trump). De igual modo, é crime de lesa qualquer coisa referir quem votou Leave no ano passado no UK. Nada de dizer que foram os eleitores mais velhos a imporem uma decisão que vai sobretudo afetar os mais novos, que não queriam sair. Ou os blue collar. Não pode ser. Temos todos de fingir que são os que frequentam em abundância a Metropolitan Opera e o Carnegie Hall e o moderníssimo Royal National Theatre que votaram Trump e Leave.

Espero que agora, como foi uma mulher, se possa dizer que os simplórios (e não faltarão epítetos) é que votaram na gaja extremista. Pelo menos para isso as eleições francesas devem ter servido: já voltámos a poder fazer análise sociológica eleitoral.

O novo senhor da França

Algumas notas sobre as eleições francesas (as presidenciais e as legislativas de Junho):

Estas eleições presidenciais francesas ditaram o fim dos partidos criados por Charles de Gaulle e François Mitterrand.

Tal qual aqueles dois ex-presidentes, Emmanuel Macron pretende governar a França com uma nova maioria política. Vencidas as presidenciais, Macron precisa agora de ganhar as legislativas. Para tal, o novo partido do novo presidente, que há meses que está no terreno a escolher candidatos a deputados, começou a aceitar o apoio dos últimos ilustres que restam das forças partidárias que compunham a antiga maioria. Manuel Valls já se mostrou disponível e Macron já respondeu que será bem vindo, caso abandone o PS.

Macron quer dominar. Assim, quem se quiser juntar a ele tem de deixar o passado.

A estratégia é mais fácil com o PS porque o partido socialista acabou. Dividido entre os centristas, como Valls, e os mais radicais, como Hamon e Montebourg, o PS francês auto-liquidou-se. Restam apenas os despojos que, ou vão para o campo de Macron, ou restarão num pequeno partido, sem rumo e sem sentido.

Quanto aos Republicanos, à dita direita gaullista, a questão é mais complicada. É que há duas direitas dentro desta família política: uma, que podemos apelidar de social-liberal – é liberal nos costumes e não tão liberal na economia – e outra conservadora-liberal – é conservadora nos costumes, mais que a FN, e liberal na economia, mais que Macron. A primeira votou maioriatariamente Juppé e a segunda Fillon. Houve uma facção que votou Sarkozy, mas essa fê-lo, não pelo seu projecto político, que não existia, mas pela pessoa, Sarkozy, que entretanto deixou a política activa.

Emmnauel Macron vai querer dividir esta direita até às legislativas. Para isso, está a tentar convencer os juppeístas para que se juntem a ele, transferindo-se para o seu movimento, ou simplesmente aceitando o seu projecto. Esta facção social-liberal dos Republicanos é mais próxima de Macron e, por isso, sente menos dificuldade em aderir ao novo projecto político que esta noite ganhou o Eliseu. Para esta direita é muito importante que ser parte integrante no sucesso de Macron sob pena de a FN conquistar o poder em 2022.

Já a facção conservadora-liberal, que se revê menos em Macron, é mais resistente. Socorrendo-se dela, e tentando colar os cacos, François Baroin aposta tudo nas legislativas. Este ex-ministro da economia de Sarkozy pretende ser primeiro-ministro, não porque Macron o deseja, mas porque, os eleitores o impuseram ao novo presidente. Até Junho vamos assistir à luta pela sobrevivência da maioria que de Gaulle criou com a V República.

Irá conseguir? Quem olhe para o que se passou no último ano não arrisca previsões, embora possa ter um pressentimento. Vamos ver.

Nada de sol

Stefan Zweig – Adeus, Europa. Por Lucia Serrano Pereira.

O filme também nos mostra uma Petrópolis luminosa até o fim, e nisto faz contraste com o relato do que foram os últimos tempos do escritor e de sua mulher, que na Casa Stefan Zweig sim, tivemos possibilidade de ouvir e de sentir a densidade, nos relatos ali encontrados. Ao contrário de uma Petrópolis ensolarada os últimos meses foram sombrios, chuva constante, frio e neblina, Lotte em sofrimento persistente com uma tosse ininterrupta, a asma não dando trégua, esses são os relatos das cartas. Sozinhos, a falta de seus livros, que ele sentia muito, a dificuldade da língua, a casa sem recursos, e a sombra da guerra em andamento, ainda havendo o temor constante de que se expandisse e os alcançasse. Nada de sol.

França: Le Pen a uma crise económica de ganhar presidência

Se hoje é quase garantido que Marine Le Pen não vencerá as eleições presidenciais em França, o maior receio naquele país deve ser não o resultado de hoje mas a crescente popularidade dos candidatos​ extremistas. E bastará uma crise económica para eleitorados, desiludidos com o falhanço de socialismos moderados e centralistas (de esquerda e direita), moverem-se para os extremos do espectro partidário.

Até pode acontecer algo semelhante à Grécia ou Portugal (em que partidos de extrema-esquerda, quando no Governo, tornaram-se mais pragmáticos). No entanto, há sempre a possibilidade  de candidatos extremistas implementarem o prometido durante a campanha​ eleitoral. 

Durante tempos de dificuldades económicas é evidente o aumento dos “crentes” em soluções ainda mais estatistas e utópicas. Vamos ver como correm próximos 5 anos. Le Pen (ou qualquer outro candidato da Frente Nacional) aguardam a oportunidade. Para o evitar, a aposta deve passar por desmarcarar todas as consequências dos vários socialismos, desde os moderados (de governação) até aos extremos (de esquerda ou direita).