A importância do discernimento face ao descalabro moral e humano

Uma das passagens da Exortação Apostólica Amoris laetitia, do Papa Francisco, citada pelo Cardeal-Patriarca D. Manuel Clemente na sua Nota para a receção do capítulo VIII da exortação apostólica ‘Amoris Laetitia’, cuja leitura atenta e integral vivamente aconselho:

«Como cristãos, não podemos renunciar a propor o matrimónio, para não contradizer a sensibilidade atual, para estar na moda, ou por sentimentos de inferioridade face ao descalabro moral e humano; estaríamos a privar o mundo dos valores que podemos e devemos oferecer» (AL, 35).

Anúncios

Bitcoin USD price chart (2 years)

Bitcoin USD price chart (1 month)

Bishop Marcelo Sorondo and China

Don’t look to China for an example of Catholic social teaching. Por Philip Booth.

Bishop Marcelo Sorondo is Chancellor of the Pontifical Academy of Social Sciences, so we should sit up and take notice when he says: “Right now, those who are best implementing the social doctrine of the Church are the Chinese”.

It has to be said that this is a puzzling remark. It is especially puzzling in that he argued that one of the attractions of the Chinese approach is that the economy does not dominate politics – unlike in the US. But, the Bishop himself elevates economic matters over other aspects of the social and political order which are surely far more important.

Europe’s submission to Islam: Houellebecq is the new Orwell

Um excelente paralelo entre 1984, de George Orwell, e Submission, do Michel Houellcebecq, que retrata uma França submergida ao Islão. Do escritor João Cerqueira, para ler aqui.

The novel Submission by Michel Houellebecq was criticized, and its author threatened, even before it was published. No price was put on the French writer’s head, as it had been with Salman Rushdie, but the fury of the Islamic community was enough for Houellebecq to cancel the presentation of the book and hide. Why? Does it offend Muhammad or ridicule believers? Distort the Islamic religion? Contains falsehoods? No. Submission shows just how France would be if an Islamic party, the Muslim Brotherhood, won elections. And the result would be that the lay, republican and democratic values of the West would be gradually replaced by Islamic law. France would begin to look like Saudi Arabia. Mandatory teaching of Islam for children, proscription of non-Islamic teachers, imposition of clothing standards for women, lawful polygamy, etc. That is, a regression and a nightmare for those who believe in freedom and human rights.

Trumpices

Lawmakers Who Didn’t Clap Were ‘Treasonous’.

Por sinal, Trump não é o primeiro grande presidente a exibir um carinho especial por palminhas e mãos no ar: Donald Trump’s Very Soviet Fixation on Applause.

 

So You’re Saying… 2 pequenas entrevistas interessantes

Já todos viram a entrevista de Cathy Newman a Jordan Peterson.
Aqui fica uma psicóloga a falar sobre a entrevista de uma forma inovadora:

Outra reação interessante é esta do próprio Jordan Peterson que responde apenas a 2 pontos: como responder com força apropriada e como seria se Cathy fosse um homem:

Tenho literalmente dezenas de memes guardadas no iPhone, mas estou a pensar não os publicar, pois são muito fáceis de encontrar. Se quiserem um artigo com uma seleção, peçam nos comentários.

So You're Saying

O crónico mau pagador

“O primeiro passo para acabarmos com os pagamentos em atraso consiste na adopção de bons procedimentos orçamentais. O segundo dotar o Estado de um tableau de bord em sintonia com os tempos modernos.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre a má ética de pagamentos do Estado português.

Joana Marques Vidal: o alvo a abater

Afinal a culpa é do Ministério Público. Não dos corruptos. Por José Manuel Fernandes.

Em Portugal não há corruptos. Há vítimas do Ministério Público e das violações do segredo de Justiça. Seria patético se não fosse trágico e sinal de que há um alvo a abater: a PGR Joana Marques Vidal.

Continue reading “Joana Marques Vidal: o alvo a abater”

Trumpices

Quero dar os parabéns ao Presidente Trump pelos sucessivos recordes – alcançados graças a ele, fica feito o sublinhado, – do Dow Jones Industrial Average.

Leitura recomendada: The stock market’s swoon demands a new narrative.

A Paixão dos Esquerdas pelos coitadinhos

Este vídeo explica-o muito bem:

A esquerda vê estes como os grupos privilegiados:

  1. Brancos
  2. Homens
  3. Heterossexuais
  4. Ricos
  5. Nativos
  6. Cristãos

Calha o azar de eu pertencer a todos estes grupos, pelo menos em termos relativos (no 4).

Assim, os grupos promovidos são, obviamente:

  1. Minoritários (apenas 93% da população mundial…)
  2. Mulheres (sobretudo FemiNazis ou Femi-Not-Sees)
  3. Não-binários, ou pelo menos homossexuais
  4. “Intelectuais”, na definição do PCP
  5. Imigrantes (desde que de países mais pobres)
  6. Árabes

Se cumprirem vários dos critérios, podem dizer os disparates de Linda Sarsour, e nunca terão problemas. Podem até violar menores. Se pertencerem aos 1os grupos, sejam mais rigorosos que Jordan Peterson ou serão logo… como é… sexistas, racistas e homofóbicos.

Bem, mas há coerência entre estes grupos? Claro que não. Mas são todos vítimas, por isso todos merecem “apoio”. Desde que na interseccionalidade deram prioridade a grupos de vítimas e não de privilegiados, como os judeus. E se a esquerda triunfar? Vamos assistir de bancada a Árabes assassinarem gays e outras “aberrações” para a Sharia. Mas pelo menos não terá sido um grupo de privilegiados a fazê-lo. Tudo menos isso. Ufa!

Relação Esquerda – Narcisismo

Tammy Bruce faz aqui um ponto muito interessante, ainda antes da era Obama:

Em bebé alguns de nós obtém validação dos que os rodeiam. Os restantes  não têm e têm de a criar, sobrevalorizado-se. Para estes, muito do que se passa no mundo passa-se por causa deles. Se não se passar devido a eles, isso é visto por esses narcisistas como um ataque à sua identidade. Isso justifica o velho adágio: “se uma pessoa de direita não concorda com uma prática, não a faz; se um esquerda não concorda com uma prática, procura que o estado a proíba”.

Muita coisa faz agora sentido, no modo infantil como muitos esquerdas esganiçados tentam impor a sua visão. Pobres criaturas.

Partido Democrata enterra-se

The Night the Democratic Party Committed Political Suicide

That’s why I report the Democratic Party committed political suicide on Tuesday night. Their response to Trump’s speech was out of bounds. It wasn’t normal. It was hateful. It was bizarre. Actually, in a word, it was “foreign.” The Democratic Party is now a foreign party in their own country. They no longer have any understanding of what people born in America think or feel.

It’s perfectly fine to be respectfully opposed to the politics of one party or president. That’s acceptable. That’s as American as apple pie. But that’s not what happened on Tuesday night.

Democrats were outed as the party that is rooting for America’s failure. Rooting against a booming economy. Rooting for misery, instead of prosperity. Rooting against job creation. Rooting against a booming stock market. Rooting against employee bonuses. Angry about the lowest black unemployment ever. Angry about the lowest Hispanic unemployment ever. Angry at the lowest female unemployment in 18 years.

nancy-pelosi-SOTU

Partido Democrata prefere um país em ruínas, em que todos dependam do Estado e das suas empresas rentistas – quem fornece muletas gosta de pernas partidas, nem que tenham de as partir eles mesmos. E se falha depois faz esta cara. Tamanho ódio… Triste.

Aconselho também a análise de Anthony Brian Logan, um negro republicano.

 

 

Grid Girls comentam decisão da F1

Furiosas, grid girls se manifestam contra decisão “ridícula” da Fórmula 1

Grid girl

Uma decisão ridícula, a vários níveis.

Não só a roupa não é “escassa”, como não é “provocativa”: se isto é que é provocante, por favor juntem-se aos evangélicos mais radicais da década de 90 que ajudaram a eleger W na década seguinte (2000 e 2004) e que estas feministas tanto criticavam.

Além disso, a Rebecca e as colegas faziam isto de livre vontade. Onde está o Girl Power? Então agora as mulheres são tão incapazes de tomarem as suas decisões que têm de ser outras a tomar as decisões por elas.

E claro, o Wage Gap. Se querem que o grupo de todas as mulheres ganhe mais que o grupo de todos os homens, não ajuda acabar com empregos pagos acima da média, empurrando assim estas mulheres para empregos que paguem menos. Além de claro, retirar um emprego em que as colocava nos media e lhes dava acesso a outras carreiras (por exemplo, pilotar elas mesmas, como o exemplo no artigo).

Congrats women, you have just played yourselves…

Compreender o putinismo LXXXII

Fotografia de Alexander Nikolayev/AFP/Getty Images

Pobre santa mãe Rússia.

Putin: From Oligarch to Kleptocrat, por Ruth May no The New York Review of Books.

 

Um juiz devia ser um eremita

Tenho uns quantos amigos que são juízes, contados assim de cor quatro, colegas de faculdade, que se não sabem deviam saber o quanto os admiro pela profissão que escolheram. A minha crónica hoje no i.

Um juiz devia ser um eremita

A semana foi marcada pela notícia de que Rui Rangel está a ser investigado pela alegada prática de quatro crimes de tráfico de influências. Não vou aqui tirar conclusões até porque, como jurista, conheço bem a delicadeza de qualquer processo judicial. Mas há um ponto que gostaria de referir e que é da máxima importância.

Sempre entendi, e muitos consideram que exagero nesta matéria, que um juiz deve quase ser como que um eremita. Não significa isto que se isole do mundo e perca o contacto com a realidade. Apenas que, por ter escolhido julgar os comportamentos dos outros, deve ter o cuidado de se envolver o menos possível em negócios, na política e, naturalmente, no mundo do futebol.

Ser juiz é das profissões mais importantes que se pode escolher. A responsabilidade é extrema porque sempre que um juiz decide, e por muito trivial que seja a questão, é o próprio Estado de direito que está em causa. Errar, que é humano, é um risco com repercussões extremas quanto mais não seja para a pessoa que é vítima desse erro. É por este motivo que sempre admirei quem decide seguir uma vida como aquela a que a magistratura obriga.

Sendo profissão tão exigente, a começar desde logo pela imparcialidade, um juiz não deve distrair-se com questões externas que moldem, tolham essa mesma imparcialidade. Pode ser uma perspetiva que alguns considerem antiquada, mas que é preferível à incerteza, à desconfiança que surge quando notícias como a da investigação de um juiz podem causar nos cidadãos.

 

“Together in the United Nations – Perspectives for 2018-19”

“Together in the United Nations – Perspectives for 2018-19”
Uma iniciativa do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa em associação com a Embaixada da Polónia em Portugal
8 Fevereiro | 14.00-17.00
Universidade Católica Portuguesa | Auditório Pe. José Bacelar Oliveira (Antigo A1)

Isonomia e liberdade

“A ideia de termos tribunais especiais do Estado a julgar o próprio Estado é a antítese da ideia de igualdade perante a lei. A balança não poderia estar mais desequilibrada.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Da tradição de liberdade à administração pública em Portugal.

A guerra da diversidade

A guerra da diversidade está apenas a começar. Por Rui Ramos.

A conversa sobre os Óscares de Hollywood é um sinal: em nome da “diversidade”, está-se a reduzir os indivíduos a grupos de ressentimento, e a tornar estes grupos incompatíveis entre si.

Lulices

Duas ou três coisas sobre sexo e Hollywood, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) E aquilo do sr. Lula? Alguém acredita que um socialista possa ter delapidado em diversos milhões o povo que tanto adora? Alguém acredita que um ex-sindicalista possa ser um rematado ladrão? Alguém acredita que o homem que cruzou o oceano para apresentar uma obra de José Sócrates possa estar no centro de um dos maiores esquemas de corrupção que o mundo conheceu? Eu não acredito. Para mim, é golpe.

A dádiva da dívida

Maria de Fátima Bonifácio e Rui Ramos sobre a dádiva da dívida. Hoje às 19h30 no Grémio Literário, em Lisboa.
[ilustração: Helder Ferreira]

#MeToo e os limites para o cinismo

Hoje no i.

#MeToo e os limites para o cinismo

Samantha Geimer tinha 13 anos quando foi violada por Roman Polanski. Foi em 1977. Quarenta anos antes do movimento #MeToo, que nas redes sociais tem revelado casos de abusos sexuais em que as vítimas são mulheres. Ora, Samantha Geimer surpreendeu tudo e todos quando, na quinta-feira passada, explicou ao “Le Monde” porque defendeu a carta aberta de Catherine Deneuve, publicada naquele mesmo jornal, às mulheres (e homens) vítimas de abusos por parte de homens.

Nessa carta, Deneuve criticava a caça às bruxas em que se tornou o movimento #MeToo, com acusações muitas vezes sem provas, e no qual se equiparam casos de violação a meros flirts ou outros comportamentos que não tornam necessariamente uma mulher (ou um homem) uma vítima pois, nas situações referidas pelas pretensas vítimas, houve a possibilidade de dizer não.

Samantha Geimer alerta ainda que o #MeToo está a tornar as mulheres vítimas e não pessoas fortes, capazes de se defenderem, que é a única forma de conseguirem viver em igualdade com os homens. O que Geimer também diz é que, ao equiparar a gravidade de diferentes tipos de abusos sexuais, muitas das acusações do #MeToo são ofensivas para as mulheres que sofreram verdadeiros abusos sexuais. Na verdade, uma mulher que foi violada não se encontra na mesma situação da que ouviu um piropo ou da que, por livre vontade, se sujeitou a algo para conseguir um papel num filme ou subir na carreira.

Até porque se houve (e há) mulheres que se sujeitaram a tal por falta de alternativa, também houve (e há) quem utilizasse tal estratagema para vingar na profissão. Não cabe aqui fazer juízos de valor – as situações são todas diferentes -, mas é legítimo que se pergunte quantas pessoas (mulheres, mas também homens) para quem uma noite com alguém não foi inoportuna e hoje estão na primeira fila das vítimas? Como não se sentirão as mulheres que sofreram verdadeiros abusos sexuais vendo o seu sofrimento ser equiparado com comportamentos que as ferem na sua dignidade não só de mulheres, mas de pessoas?

Porque o que está em causa no #MeToo é, além da meritória oportunidade de se pôr um ponto final na forma abusiva como alguns homens tratam as mulheres, não só uma caça às bruxas, um apelo ao conservadorismo mais sombrio, mas também uma falta de respeito pelas mulheres que sofreram nas mãos de homens. Umas sofreram; outras, em seu nome, ficam com os louros fazendo-se de vítimas. O que Deneuve e Geimer nos vêm dizer é que há limites para o cinismo.

Twitter is suppressing life-affirming speech

Petition to Twitter

Twitter’s stated mission is to “give everyone the power to create and share ideas and information, instantly, without barriers,” while also claiming that “fighting against censorship and for free expression is ingrained in the company’s DNA.”

Yet, Twitter is suppressing life-affirming speech and advertising, calling such ads “offensive” and “inflammatory.”

While Twitter has reversed its decision to ban U.S. Representative Marsha Blackburn’s pro-life advertising, it has yet to lift its ban on similar advertising by national pro-life organization Live Action.

I implore you to live up to the stated values of your company and the spirit of the First Amendment with consistency and remove all bans on opinions affirming life and human dignity, a belief that is held by millions of Americans and Twitter users.

A social democracia de Rio. Um liberalismo de Estado

“Rui Rio é o novo líder do PSD e o que nos propõe é o Estado de bem-estar (“welfare state”), polvilhado com uns ares de modernidade do século XXI.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Liberalismo à portuguesa.

Best Pro-Life Video Ever?

Best Pro-Life Video Ever? Astonishing MRI Scan Shows 20-Week-Old Baby In Utero

Watching an unborn baby move around in the womb can be a life-changing experience.

Ultrasound and MRI scans now are providing this new window into the womb, giving society a glimpse of the humanity of the unborn child and abortion-minded mothers a chance to see what an abortion would destroy.

An astonishing new video circulating around the internet shows an MRI of a 20-week unborn baby. The video shows amazing details of the unborn baby’s movements as she turns her head, kicks, wiggles around and repositions herself in the cramped space. Looking closely, people also can see the baby’s heartbeat.

“resistência identitária”

Sugiro o seguinte exercício: substituir “negro” por “branco” nesta narrativa e imaginar quais seriam as reacções…

“Uma ferramenta de resistência identitária” chamada Djidiu

Ao longo de um ano, vários afrodescendentes reuniram-se em Lisboa para dizer poesia e partilhar a experiência de ser negro. A associação Afrolis edita agora algumas dessas vozes em formato de livro. O lançamento é esta terça-feira, no Museu do Aljube.

Os argumentos esmagadores dos criadores de Pallywood

Fonte: Dry Bones.

Trump becomes first sitting President to directly address March for Life

Hundreds of thousands of pro-lifers backed by Trump march for life in D.C.
President Trump to Pro-Life Marchers: U.S. Abortion Law ‘Has to Change’
Trump becomes first sitting president to directly address anti-abortion rally

President Trump Addresses March for Life Participants and Pro-Life Leaders

Grémio Literário: 26 de Janeiro, 19.30

Há séculos que andamos com a dívida às costas; uma dádiva para alguns, que para nós pesa um bocado.

Dia 26 de Janeiro, às 19.30, no Grémio Literário, Maria de Fátima Bonifácio e Rui Ramos falam-nos dos efeitos avassaladores da dívida pública ao longo dos séculos, na economia, na política e, acima de tudo, na vida das pessoas.

A não perder.

[ilustração: Helder Ferreira]

Tamos fecundados

O péssimo selvagem, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Muitos acharão que, sendo o dr. Costa um indivíduo que usurpa as eleições para alcançar o poder, abre o poder a forças totalitárias, derruba a austeridade através do generoso aumento dos impostos, nacionaliza subtilmente o que se mexe e o que não se mexe também, regulamenta os comportamentos e não tarda a respiração, compra parcelas da sociedade mediante benesses e a devastação do resto, controla os “media” que consegue controlar e censura o que não controla, subtrai à ralé para resgatar compinchas e “elites” e despreza com estranho descaramento tragédias inéditas, o pormenor dos atentados lexicais é só um pormenor, um anexo, um pechisbeque minúsculo e até divertido. Não é. Sem o analfabetismo, acumulado em militância partidária de décadas, seria improvável que alguém cometesse as proezas acima descritas. A espectacular ignorância da criatura é essencial para compreender a criatura e as respectivas acções.

A História, claro, prova que a sabedoria não garante a virtude. Porém, não faltam histórias sobre a facilidade com que a boçalidade extrema propicia a malvadez, e assegura calamidades proporcionais à influência do boçal. O mito do “bom selvagem” é exactamente um mito. Por definição, o selvagem – incluindo aquele a quem se vestiu um fatinho e largou no Rossio às gargalhadas – é manhoso, cruel e incapaz de experimentar empatia. O selvagem torce a realidade até esta se encaixar nos seus pobres delírios. O selvagem confunde delírios com princípios e convicções com apetites. O selvagem é mau. O selvagem é péssimo. Reduzido ao primitivismo, o ser humano dedica-se a uma actividade exclusiva: a sobrevivência, à custa de tudo e de todos. (…)