A Presunção do Conhecimento

Um sábio conhece os limites do seu conhecimento; já para um ignorante, o seu conhecimento não tem limites.

Depois de Mário Centeno em 2015 ter previsto a criação de emprego à unidade (!!!) com quatro anos de antecedência (o plano macro-económico do PS em 2015 previa a criação de 466 empregos em 2019 como resultado das políticas de promoção do papel da lusofonia), temos agora António Costa Silva que sozinho, em dois dias, definiu um plano para Portugal para 10 anos! (fonte)

Sem surpresa, a mesma pessoa que em 2018 afirmou que “não valia a pena investir em Portugal” (fonte) chega à conclusão que o que Portugal precisa é de “mais estado na economia” (* suspiros *).

Este planeamento central a esquadro top-down tem funcionado muito bem para Portugal que tem sido sistematicamente ultrapassado por outros países que partiram de uma base muito mais pobre: Eslovénia, Chipre, Estónia, Lituânia e Eslováquia (fonte).

Até dá quase para ter saudades da União Soviética, em que os planos quinquenais tinham a duração, passe a redundância, de apenas cinco anos.

O que este país precisa é de mais liberalismo e de menos socialismo. Acredito e confio bem mais em dez milhões de pessoas a definirem os seus próprios destinos e a fazerem as suas próprias escolhas do que em qualquer plano saído da poltrona de um gabinete ministerial.

Sic transit…

Entretanto passou despercebido este momento do governo. Os ATLs e as famílias, na Sexta-Feira, estavam preparados para poder arrancar na Segunda-Feira a operação normal. Já depois do fecho de expediente, o governo anuncia que não, só dia 15. E nesse dia 15, só os ATLs fora dos estabelecimentos escolares, uma distinção nunca antes feita na comunicação do governo e sem qualquer sentido, os restantes (nos estabelecimentos escolares) esperam até ao final do ano lectivo.

A decisão, avançou o primeiro-ministro, decorre de uma necessidade de preparar a organização dos espaços onde se desenvolvem estas actividades.” – esta declaração do primeiro-ministro é um disparate. Haveria certamente espaços que precisariam de mais tempo e espaços que já se tinham organizado. Como já se tinham organizado as famílias para ter um pouco mais de normalidade e os seus filhos nos ATL – ou não, numa escolha livre.

O que aconteceu foi muito simples, e é por isso que houve o adiamento e por isso que houve a separação entre ATLs em escolas e ATLs fora das escolas: a FENPROF não quer que as escolas abram e ameaçou o governo de uma barragem na comunicação social sobre uma suposta impreparação das escolas para abrir, culpando o governo sobre vidas supostamente colocadas em risco. E quem paga a factura desta loucura? Os pais, as famílias e o país que continua bloqueado enquanto tivermos o AVANTE para abrir mas as escolas fechadas. E foi isto, assim na Sexta-Feira e pela calada. E pouco mais de cinco linhas na imprensa.

Doutor Mário Centeno, o Ronaldo das Finanças, Falha o Penalty de Baliza Aberta

Vejamos o que noticiou ontem o Frankfurter Allgemeine sobre o Doutor Mário Centeno, Ronaldo das Finanças, e que segundo a notícia deixará de ser presidente do Eurogrupo em Julho – tradução cortesia do Google Translate e com destaques meus:

Os Português [Mário Centeno] não se vai recanditatar [a presidente do Eurogrupo] . Três nomes já estão em discussão para lhe sucederem. Em Bruxelas, recentemente houve insatisfação com a gestão de Centeno.

[…]

Crescente Descontentamento

Claramente, vários ministros das finanças do euro estavam cada vez mais insatisfeitos com a gestão de Mário Centeno. O português estava sempre mal preparado e, ao contrário do seu antecessor, era incapaz de liderar discussões e encontrar compromissos na disputa sobre aspectos factuais, segundo diplomatas da EU. O exemplo mais recente é a videoconferência do Eurogrupo na noite de 8 de abril, na qual os ministros discutiram infrutiferamente sobre o pacote de ajuda ao Corona Virus durante 16 horas. Os participantes descrevem a reunião virtual como um “pesadelo”.

Como é possível tanta ingradião com o sábio Mário Centeno que conseguiu prever em 2015 a criação de 466 empregos em 2019 como resultado das políticas de promoção do papel da lusofonia; e que garante que o pandemia do Covid 19 “não vai aumentar dívida pública do país(fonte)?

✈️ TAP e a história do dinheiro dos contribuintes a voar

O meu artigo hoje sobre a TAP aqui.

Uma coisa relevante que não disse no artigo: A grande maioria dos países do mundo não tem uma companhia aérea controlada pelo Estado. Aqui não deveria ser diferente. Não temos de salvar a empresa outra vez e ver várias centenas de milhões de impostos a voar.

E espero que a gestão da TAP já esteja a preparar um plano para trocar dívida dos credores por equity, porque isto não pode ser só andar a pedir dinheiro dos contribuintes.

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é img_0128.jpg

A Deus o que é de Deus

Na nossa memória colectiva não faltam exemplos, mesmo que remetendo-nos somente aos tempos mais próximos, do papel importante que a Igreja Católica desempenhou em momentos cruciais da Humanidade, quer como guia espiritual dos seus fiéis e baluarte Ético, quer por ter arregaçado as mangas e desempenhado em momentos chave as tarefas importantes que se impunham.

Não faltam exemplos quer na pandemia da gripe espanhola, ou na participação no esforço de guerra no apoio a doentes nas duas Grandes Guerras do século XX. E é essa memória que faz com que a Igreja Católica surja como uma das principais vítimas da presente pandemia. Para confrontar com essas memórias temos muito pouco, quer ao nível interno quer ao nível internacional mais alto da organização, o que poderá ter contribuído para o alheamento dos seus fiéis e para uma imagem pública de irrelevância.

Onde está a Igreja Católica?

Destas várias semanas de pandemia sobram para exemplo as imagens do um Papa Francisco em exibição sozinho em pleno Domingo de Páscoa, com ar meio perdido e de quem não sabe muito bem o que há-de dizer. Sobram a postura dócil e complacente de uma organização que viu impor-se-lhe e aos seus fiéis a proibição dos seus principais ritos: missas, celebrações pascais, casamentos e principalmente funerais foram proscritos do seu cerimonial religioso e participação sem uma qualquer reacção ou questionamento, sem qualquer mostra de indignação ou de dúvida e confronto em relação às decisões tomadas.

Enquanto isso, depois de ver canceladas na vigência do Estado de Emergência as cerimónias públicas pascais, faz-se representar ao mais alto nível pelo Cardeal Patriarca e líder da Conferência Episcopal Portuguesa nas pitorescas cerimónias passadas do 25 de Abril. Assiste tranquilamente, e obedece submissamente à proibição da participação de peregrinos nas cerimónias do 13 de Maio, sem criticar a inconstitucionalidade e ilegitimidade de o governo impedir ajuntamentos populares fora de uma proclamação de Estado de Emergência, enquanto assiste em silêncio a outras peregrinações – tuteladas ao mais alto nível – no dia primeiro de Maio.

Enquanto isso, coloca dioceses em lay off, por “falta de receitas”, estendendo-o aos próprios elementos do clero.

O que sobra da imagem pública da Igreja Católica deste período de pandemia? Da parte que se refere ao que ela própria acha em relação ao que está a suceder e aos seus contornos, da mensagem Ética que quer transmitir aos seus fiéis em relação aos valores em confronto e colocados em cima da mesa por esta questão? Um rotundo e estrondoso vazio.

O que sobra então? Uma organização com uma imagem pública depauperada, remetida de forma auto-infligida ao papel de uma mera IPSS dócil, bem comportada e complacente.

Ética a Nicómaco

Manifestação 1 de Maio 2020

Na sua obra, “Ética a Nicómaco“, Aristóteles mostra-nos como o caráter é resultado de nossos atos, “o nosso caráter é o resultado da nossa conduta“, escreve-se. A virtude está ao nosso alcance, do mesmo modo que o vício. E se está ao nosso alcance, agir, existem situações em que o imperativo ético passa para por não-agir, quando as circunstâncias nos dizem que a nossa obrigação é simplesmente, não actuar, por exemplo se de uma dada ação resultar um resultado vil. No plano político e cívico, aquilo que temos assistido com as comemorações do 25 de Abril e, hoje, do 1 de Maio, mostram como alguns responsáveis políticos, que se consideram guardiães da ética republicana, usando o ascendente que têm sobre gente que há muito deixou de pensar, pervertem o regime, uns, na sua pulsão para a ação, outros, simplesmente na sua cobardia, que seguramente Aristoteles classificaria de vil.

Fui a favor do confinamento em Março, por considerar que tal se afigurava necessário e proporcional para travar a pandemia e organizar os serviços de saúde. Logo nessa altura comecei a alertar para o bloqueio que o medo estaria a criar nas pessoas, sendo por isso necessário começar a organizar os mecanismos de confiança para, na medida do possível, voltamos à normalidade.

Desde Março inúmeras liberdades foram suspensas. Liberdades de circulação, liberdades económicas, a possibilidade de trabalhar e garantir o sustento para os seus. Liberdades religiosas, tão essenciais para muitos como as necessidades materiais. O Estado tem exigido muito de todos, ao ponto de não permitir sequer que as pessoas se despeçam das que lhe são próximas, limitando significativamente os funerais, uma restrição de uma enorme violência para os que nestes tempos viram os seus partir. Tenho concordado e subscrito as dificuldades que o governo de Portugal enfrenta na gestão de uma crise com poucos meios, com uma população amedrontada, e onde existem inúmeras incertezas. Procuro dar o meu contributo (aqui, aqui, e aqui) na criação de uma opinião que ajude os portugueses a libertar-se do medo, e a organizar um regresso a uma realidade que vai ser de uma dureza nunca vivida por várias gerações de portugueses.

Dito tudo isto, não posso deixar de me entristecer com esta ação do 1 de Maio, que a par das celebrações do 25 de Abril, exibem um regime que está caduco e aprisionado. Os sindicatos em Portugal com estas ações mostram que não são solidários com o país e que no seu autismo tudo farão para nos arrastar nas suas caricaturas e decadência. Só líderes políticos eticamente maus, ou fracos, aceitam na sua magistratura este estado de coisas.