O Insurgente

Março 24, 2009

Uma petição contra o protecionismo para o G-20

Filed under: Economia,Política — Pedro Sette-Câmara @ 15:52
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A liberdade econômica (que está relacionada às outras liberdades) tem dois inimigos mortais: o governo e as grandes corporações, que freqüentemente se juntam para prejudicar os consumidores (também conhecidos como cidadãos), obrigando-os a pagar mais por produtos piores. Isso é feito sob uma miríade de desculpas pomposas, do nacionalismo à proteção de empregos. Você pode ficar feliz por achar que “ajuda seu país”, enquanto um empresário do seu país fica felicíssimo por ter a competição artificialmente prejudicada e um político igualmente feliz por receber algo para criar essa legislação. Todos perdem, exceto a pequena elite que pode comprar aqueles produtos importados mesmo mais caros.

Para combater esse câncer social e político que é o protecionismo, a Atlas Global Initiative preparou uma petição para ser divulgada na imprensa mundial às vésperas do próximo encontro do G-20 em Londres. Eu mesmo traduzi o texto da petição, que também está disponível em inglês. Leia no idioma de sua preferência e, se você for economista, por favor assine. O objetivo é coletar 1000 assinaturas.

Janeiro 24, 2009

Slumdog Millionaire

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 01:06

Slumdog Millionaire é o Bambi indiano.

Aliás, na melhor tradição de Central do Brasil, que já era uma espécie de Bambi iraniano*.

*Segundo as palavras de um grande roteirista brasileiro, Leopoldo Serran. Quando lhe perguntei por que Bambi, ele respondeu imediatamente: “Ora, matam a mãe do viadinho logo no começo do filme!”

PS para desabafo: tenho antipatia por Danny Boyle desde que ele usou uma de minhas canções favoritas, “Spinning Away”, de Brian Eno e John Cale (do disco Wrong Way Up), numa ridícula versão de alguma banda whatever em The Beach.

Dezembro 4, 2008

Vicky Cristina Barcelona

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 16:12
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Como entreouvido em Copacabana, “está diferente esse filme novo do Almodóvar!”

Novembro 7, 2008

Governar é construir pontes?

Filed under: Diversos — Pedro Sette-Câmara @ 14:13

Ponte fescenina

Mas tudo bem, talvez tenha sido a iniciativa privada.

Agosto 28, 2008

Antológico

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 02:35

A torcida pela China, no Coisas de idiota:

Não sei como eles combinaram, mas todos os idiotas que vêem o quadro de medalhas da Olimpíada fazem questão de comentar, bem alto e forçando uma gargalhada, o quanto estão radiantes com a vantagem da China sobre os Estados Unidos e como a derrota dos americanos, esmagadora, contundente, humilhante, é o presságio inequívoco de um amanhã livre da opressão imperialista yankee. Também não faço idéia de como essa gente conseguiu ser tão oprimida, e justamente por americanos. Quando tiveram a oportunidade? Na época da escola, americaninhos mais velhos roubavam deles o dinheiro do lanche? Nas últimas eleições municipais, candidatos americanos fizeram promessas redentoras mas, depois de eleitos graças ao nosso voto e à nossa boa fé, encheram de parentes corruptos todas as subprefeituras da cidade? Ou será que o ressentimento contra os EUA tem a ver com o Golpe de 64, resultado de sombrias articulações entre os generais Antônio Carlos Muricy (nascido em Bridgeport, Connecticut) e Olympio Mourão Filho (Springfield, Massachusetts), o capitão Carlos Alberto Brilhante Ulstra (Bloomington, Minnesota), o cardeal conservador Jaime Câmara (Fresno, Califórnia) e os governadores de New Jersey, Magalhães Pinto, e de Nebraska, Carlos Lacerda, todos secundados pela a infame Marcha da Família com Deus pela Liberdade, na qual 500 mil estadunidenses branquelos e sardentos demonstraram sua disposição de – ignorando a vontade soberana do povo brasileiro – derrubar o governo democraticamente estabelecido de João Goulart?

Ainda bem que esses abusos cometidos pelos americanos estão sendo vingados agora, e com juros, pelos campeões olímpicos chineses. Mal posso esperar pelo dia de plena prosperidade e paz em que a nação mais poderosa do planeta será uma ditadura cujo passatempo é promover execuções sumárias e cujo exército supera em número de homens a população inteira do hemisfério ocidental, mesmo contando só os generais.

Agosto 11, 2008

Reflexão zen do dia

Filed under: Economia — Pedro Sette-Câmara @ 19:53

A cada vez que eu compro um tênis Nike, salvo uma criança da fome.

Julho 17, 2008

Mais um tabu

Filed under: Comentário,Diversos — Pedro Sette-Câmara @ 17:05

Faz poucos minutos que saí da dentista. Enquanto ela me atendia, só conseguia pensar numa coisa: nossa sociedade discrimina os dentistas manetas. Então é a ausência de mãos que há de impedir um profissional dos dentes de realizar sua vocação? Não queremos que todos os membros da nossa sociedade tenham vidas plenas? Seria uma vergonha, um acinte se não pudesse ser assim – ao menos no nível em que chegamos. As pessoas que se recusassem a ir a dentistas manetas poderiam ser multadas ou mesmo presas por discriminação.

Julho 13, 2008

Pujança cultural brasileira

Filed under: Brasil,Cultura,Videos — Pedro Sette-Câmara @ 21:39

Notas ao vídeo:

1. Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil que criou a cidade de Brasília, também tirou uma famosa foto em um Fusca (Beetle) preto na inauguração da primeira fábrica brasileira da Volkswagen.

2. No Brasil, a expressão “capô de Fusca” equivale à expressão inglesa camel toe.

3. Juscelino Kubitschek casou-se com Sarah.

4. “Sarado”, no Rio de Janeiro, é alguém em boa forma física.

Hoje em dia, se me vem a pergunta “em que os brasileiros são imbatíveis?”, devo responder: na esculhambação e na irreverência. A qual pode ser boa para desmistificar o que merece ser desmistificado, como as gentes da política. Por isso é que sinto ganas de fazer um vídeo assim sobre Evita Perón. Aquilo é uma espécie de sebastianismo argentino.

Mais engraçado que isto é uma resposta que antecipo: quem não gosta do ceticismo e da irreverência voltados à política normalmente gosta deles voltados à religião. Ora, cada coisa em seu lugar.

Respeito a Deus, e funk no Juscelino.

Maio 19, 2008

Quando é com o dinheiro dos outros…

Filed under: Brasil,Cultura,Portugal — Pedro Sette-Câmara @ 16:57

Eternamente interessado no acordo ortográfico (ao qual me oponho por razões diversas), li ontem hoje uma notícia mui interessante no UOL, da qual destaco um trecho:

O ministro brasileiro disse que quer marcar duas reuniões com a sua homóloga portuguesa, Maria de Lurdes Rodrigues, uma em Lisboa e outra em Brasília, para acertar o cronograma de implantação das medidas estabelecidas no acordo ortográfico.

Não tem e-mail no Ministério? Eles não usam Skype? Ou será que, como o acordo ortográfico ainda não saiu, é preciso que os dois burocratas vejam-se em pessoa a fim de diminuir as ambigüidades? Vai haver interpretação simultânea para este par de línguas tão mutuamente estranhas?

Abril 15, 2008

Anedota do Fórum da Liberdade

Filed under: Internacional,Política — Pedro Sette-Câmara @ 14:48

Há exatamente uma semana, durante o segundo dia do Fórum da Liberdade, houve um painel sobre o livre comércio com Tom Palmer, diretor do Centro de Promoção dos Direitos Humanos do Cato Institute (do qual faz parte o projeto em que trabalho, OrdemLivre.org), Ciro Gomes, político brasileiro, e Paulo Guedes, financista e articulista do jornal O Globo.

Vocês podem ler a cobertura oficial do painel no blog do Fórum da Liberdade, mas houve nele um momento que não foi registrado ali, e que merece ser passado adiante. Como Ciro Gomes falasse contra o livre comércio, Tom Palmer lhe disse: “Presumo que o Sr. seja um homem muito mais rico do que a média dos brasileiros. O Sr. deveria envergonhar-se. O Sr. não quer que os brasileiros mais pobres tenham acesso aos mesmos produtos que o Sr. tem.”

E eu gostaria que todos os políticos do mundo que apreciam barreiras tarifárias, favorecendo um pequeno grupo de empresários às custas da massa de consumidores, pudessem ouvir as mesmas coisas.

You should be ashamed of yourselves.

Março 15, 2008

Monopólio branco do humor?

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 20:20

Stuff White People Like.

Muitos textos do blog são muito engraçados, mas sabemos que só é possível zombar assim dos brancos… Hoje o racismo só é socialmente aceitável em uma via.

Março 2, 2008

Por que Chávez quer briga

Filed under: Internacional — Pedro Sette-Câmara @ 19:47

Chávez faz caquinha e quer criar guerra para mudar o foco de atenção do povo.

Chávez manda fechar embaixada em Bogotá e mobiliza tropas na fronteira

Caracas, 2 mar (EFE).- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou hoje o fechamento da embaixada da Venezuela na Colômbia e a mobilização de “10 batalhões” militares na fronteira entre os dois países.

Chávez reagiu assim às circunstâncias do “covarde assassinato” do porta-voz internacional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), “Raúl Reyes”.

E isso já tinha sido previsto por Mary O’Grady no Wall Street Journal. (Não achei o artigo nos arquivos, mas achei esta reprodução)

Fevereiro 29, 2008

Contratação internacional

Filed under: Blogosfera,Brasil — Pedro Sette-Câmara @ 14:56

Caríssimos: venho por meio desta anunciar a contratação internacional de Bruno Garschagen, jornalista brasileiro, com textos publicados na Atlântico, hoje radicado em Lisboa para cursar o mestrado no Instituto de Estudos Políticos da UCP.

Bruno já foi crítico de teatro, já trabalhou em redações e seu melhor amigo é, como dizia Vinícius de Moraes, o cachorro engarrafado: o uísque. E contam-me por e-mail (pois eu estou cá no Rio de Janeiro) que teve um certo papel no planejamento (e não “planeamento”, que não sou português) da nossa okupação…

Bem vindo, meu caro!

Fevereiro 12, 2008

A volta dos Gulags à Rússia

Filed under: Internacional,Política,Videos — Pedro Sette-Câmara @ 13:16

Segundo Bret Stephens, no Wall Street Journal de hoje:

Not surprisingly, suicide attempts at these colonies are common. One convict, named Mishchikin, sought to commit suicide by swallowing “a wire and nails tied together crosswise.” As punishment, he was denied medical assistance for 12 days. Another convict, named Fargiyev, was held in handcuffs for 52 days after stabbing himself; he never fully recovered motor function in his hands.

Even the smallest of prisoner infractions can be met with savage reprisals. In one case, authorities noticed the smell of cigarette smoke in a so-called “penalty isolator” cell where seven convicts were being held. “A fire engine was called in. . . . The entire cell, including the convicts and their personal things, was flooded with cold water.” The convicts were left in wet clothes in 50 degree Fahrenheit temperatures for a week.

As a legal matter, the torture colonies don’t even exist, and Mr. Ponomarev doubts there has ever been an explicit directive from Mr. Putin ordering the kind of treatment they mete. Rather, for the most part the standards of punishment are determined at the whim of colony commandants, often in areas where the traditions of the Gulag never went away.

E vale a pena visitar o blog de Robert Amsterdam.

Janeiro 6, 2008

The Boss likes immigrants

Filed under: Videos — Pedro Sette-Câmara @ 01:18

Ron Paul não gosta de imigrantes. Mas Bruce Springsteen gosta. E eu também.

Essa foi a música popular que conheci em 2007 (ainda que seja de 2006) de que mais gostei. Enjoy: o verdadeiro rock irlandês vem de New Jersey.

Cá embaixo, no “ver mais”, a letra da música.

(mais…)

Janeiro 3, 2008

O não-fumante fuma em protesto

Filed under: Videos — Pedro Sette-Câmara @ 18:07

Drew Carey, para a Reason.tv.

Dezembro 21, 2007

0,1% de eficiência

Filed under: Brasil,Economia,Política — Pedro Sette-Câmara @ 19:41

Conta Erik Figueiredo:

Ontem participei de uma banca de monografia onde a aluna analisou o programa “Jovem Empreendedor”. Sua principal conclusão foi: o programa, que em quatro anos atendeu 10 mil jovens, conseguiu formar apenas 215 empreendedores. Desses 215, uma dezena conseguiu levar o negócio adiante. Logo, ineficiência plena. E mais, tudo à custa de mais de meio milhão de Reais. Um membro da banca questionou: “não se prenda a essa análise fria dos dados, tente ver como o programa contribuiu para a felicidade dos 9 mil e poucos que não se tornaram empreendedores. Será que as vidas deles não melhoraram? Faça uma análise qualitativa.”

Na minha fala, entre outras coisas, retruquei: Felicidade dos jovens com mais de meio milhão de Reais dos cofres públicos?

Via De Gustibus Non Est Disputandum.

Dezembro 13, 2007

Ordem Livre

Filed under: Blogosfera — Pedro Sette-Câmara @ 17:49

Está no ar OrdemLivre.org. É um projeto do Centro de Promoção dos Direitos Humanos do Cato Institute. Além do site, temos também um blog, no qual também vou começar a postar assim que os parafusos estiverem mais apertados.

Nossos planos são ambiciosos e já começamos, francamente, muito bem. Já temos uma entrevista em áudio com Carlos Alberto Sardenberg, um vídeo legendado com Drew Carey discutindo soluções de mercado para os engarrafamentos de Los Angeles, artigos e ensaios e, mais importante, uma biblioteca gratuita com clássicos do liberalismo. Eu sei que você sempre sonhou em dar de presente para todos os seus amigos um exemplar do raro As seis lições, de von Mises, o melhor livro de “economia para leigos” que existe. Pois vá lá. Ainda tem mais.

Estatistas, tremei!

OrdemLivre.org

Outubro 18, 2007

Projeto de site: Revolução Russa

Filed under: Educação,Política — Pedro Sette-Câmara @ 12:37

Caros leitores: há alguns dias tive uma idéia para marcar os 90 anos da Revolução Russa: um site a seu respeito. Espero que o site venha a ser uma criação coletiva, ainda que eu confesse não abdicar de um certo centralismo democrático.

Este é o texto que escrevi para dar a partida no projeto – o único a ser publicado até agora.

Um truísmo do nosso tempo diz que a História é sempre escrita pelos vencedores. Se é assim, é preciso admitir que em alguma esfera a revolução russa foi vitoriosa: até hoje os morticínios em massa realizados por Lênin e Stálin são vistos como acidentes de percurso ou traições da perversidade humana, e não como ações deliberadas que faziam parte de um plano totalitário.

O comunismo exige ser discutido sempre em dois níveis, um das idéias e outro das práticas, como se um não tivesse nada a ver com o outro. Sim, é verdade que a revolução russa não aconteceu segundo o plano de Marx. Ela não foi o desenvolvimento natural de uma sociedade altamente industrializada, mas o plano de uma vanguarda armada dentro de um país que mal tinha saído do feudalismo. Mas o III Reich de Hitler também não durou 1000 anos; alguém consideraria, só por isso, que a idéia ainda é digna de crédito? A idéia de que o “verdadeiro nazismo” – aliás, nacional socialismo – ainda não foi praticado e portanto merece atenção e respeito deveria ser bem aceita? É claro que não. O mesmo deveria valer para o comunismo.

O objetivo deste site é reunir documentos – sobretudo traduções e transcrições de livros – que mostrem que o mal tremendo causado pela revolução russa não foi um acidente de percurso mas, assim como no nacional-socialismo alemão, parte essencial do plano.

Qualquer pessoa pode contribuir inserindo textos. Escreva para mim pedindo um login e uma senha e mostrando algum material, e/ou entre na lista de discussão dos participantes do site. Estão recusados de antemão textos que sejam meras condenações do comunismo e da revolução e não acrescentem informações. Não se trata de falar mal e depois falar mal de novo, nem de tentar convencer pela retórica, e sim de deixar os fatos falarem – não se preocupe, eles nunca foram tão eloqüentes.

Portanto, biografias dos revolucionários, dados sobre massacres, explicações de políticas, tudo isso é bem vindo, e tudo, absolutamente tudo, deve estar embasado por referência bibliográfica – daí que o ideal seja transcrever e traduzir.

Mesmo que você não pretenda contribuir, volte ao site para vê-lo crescer.

Os horrores da t-shirt vermelha

Filed under: Internacional,Política — Pedro Sette-Câmara @ 03:22

Eu ia traduzir “t-shirt” por “camiseta”, mas acho que em Portugal o significado de “camiseta” é outro…

O fato é que Robert Crampton viu uma t-shirt com as caras de Lênin, Stálin, Mao e Fidel e disse o que deveria ser dito:

If someone wore a T-shirt celebrating Hitler, Mussolini, Franco and, say, Somoza, or Pinochet, they would, one hopes and trusts, before long receive a firm instruction to desist or face the consequences. I can see no reason why anyone parading this equally gruesome quartet should be treated any less robustly, and at least with all that detail on the shirt, they might realise why.

Outubro 14, 2007

Heterodoxia recreativa dominical

Filed under: Videos — Pedro Sette-Câmara @ 16:04

Sua vida nunca mais será a mesma depois de Alizée.

Outubro 10, 2007

The hills are alive with the sound of machine guns

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 01:21

Cuidado: não leia bebendo nem comendo nada, você pode engasgar!

Joaquim Armindo debulha-se sobre Che Guevara:

Em cada flor do mato viu uma amiga e em cada noite de luar abraçou a humanidade. Quando em Portugal as forças da mordaça, de Salazar ou Caetano, nos impediam de cantar, de beijar a liberdade, a força do Che era suficiente para não nos deixar desesperados; foi nele que vimos nascer uma nova humanidade proclamando a justiça e a paz, e nem a sua morte fez com que o nosso caminhar fosse coarctado. Nessa longa noite de uma guerra colonial, em que se proibia o amor e em que era perseguido nas avenidas, ruas e vielas das nossa cidades um simples beijo a uma flor, lá das montanhas da luta onde estava Che Guevara vinham os acordes das melodias que nos faziam chorar de raiva e lutar. Lutar como em Maio de 1968 em França, por uma nova ordem internacional. E isso foi muito bonito!

Outubro 9, 2007

Obrigado, Bolívia

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 02:18

No Che

Eu tenho a minha. E vou usá-la hoje, o dia inteiro.

Outubro 8, 2007

87% dos brasileiros acham o aborto “moralmente errado”

Filed under: Brasil,Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 20:36

Ao menos foi isso que disse a Folha de São Paulo de ontem.

(mais…)

Setembro 21, 2007

Rowan Williams: chega de bispos gays

Filed under: Religião — Pedro Sette-Câmara @ 01:39

Nesta quarta, no Guardian:

Rowan Williams, the Archbishop of Canterbury, will demand concessions from the bishops of the US Episcopal Church tomorrow at a crisis meeting aimed at staving off the most damaging split in the churchs modern history, over the issue of homosexuality.

They will be asked to give guarantees that they will not allow the election of any more openly gay bishops or authorise public blessing services for same-sex couples and will create a structure for separate episcopal oversight for conservative congregations who disagree with the churchs liberal leadership.

“Churchs”? E depois tem um “doesnt”. Qual é o problema do Guardian com o apóstrofo?

Depois a matéria fala de como Rowan Williams tirou três meses para trabalhar em seu livro sobre Dostoiévski. Tenho dificuldades para comentar este fato em particular. E também a notícia dos “bispos” gays.

Lula oferece Brasil para encontro entre FARC e Chávez

Filed under: Brasil — Pedro Sette-Câmara @ 01:14

Às 9h da manhã desta quinta (horário do Rio de Janeiro), o alcaide carioca, em seu boletim diário, citava uma notícia publicada no mesmo dia no El Tiempo, da Colômbia:

Considerar a Brasil como sede para reunión con las Farc le propondrá Lula a Chávez

El presidente brasileño planteará la propuesta hoy, durante un encuentro con el venezolano y su homólogo ecuatoriano, Rafael Correa.

El anuncio fue hecho por el vocero oficial Marcelo Baumbach, que entregó detalles de la reunión entre los mandatarios, que se realizará en la norteña ciudad de Manaos (Brasil).

Baumbach reveló que su gobierno “ya ofreció la posibilidad de un encuentro entre las Farc y Chávez en territorio brasileño. El presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoya ese esfuerzo de mediación del presidente Chávez y confía en el presidente Chávez como mediador de ese conflicto”.

Dez horas depois, o site de O Globo retomava a mesma notícia:

A manchete do principal jornal colombiano, o El Tiempo, também falava sobre o possível encontro de Chávez com o líder das Farc em solo brasileiro. Ainda não há confirmação se a sugestão foi aceita pelo venezuelano.

A notícia já provoca polêmica no Brasil. Em entrevista ao GLOBO ONLINE, o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia,classificou a oferta de Lula como repugnante.

- Quinze dias depois da entrega de 11 corpos de parlamentares assassinados pelas FARC, seria um escárnio com os compromissos com os direitos humanos – criticou o prefeito.

Perguntado se Lula Lula estaria expondo o Brasil sediando um encontro, Maia disse:

- Certamente. Tanto pelo narco-financiamento das Farc, como por manterem centenas de cidadãos seqüestrados incluindo parlamentares, quanto pelo assassinato de vários deles, agora demonstrado – completou o prefeito.

O líder máximo da guerrilha, Pedro Antonio Marín, conhecido pelos pseudônimos de Manuel Marulanda e Tirofijo, aceitaria um encontro com Chávez em território colombiano. Mas Uribe é contrário à idéia e exige que a reunião se realize no exterior.

O governante venezuelano se reunirá com o porta-voz das Farc, Raúl Reyes, no dia 8 de outubro, provavelmente em Caracas, segundo a senadora colombiana Piedad Córdoba.

Em Manaus, Lula, Chávez e Correa discutem projetos de integração regional no setor energético, a criação do Banco do Sul e a adesão da Venezuela ao Mercosul, que enfrenta oposição no Congresso.

Setembro 6, 2007

O estupro verossímil que nunca aconteceu

Filed under: Cultura,Internacional,Política — Pedro Sette-Câmara @ 12:53

Em Durham, na Carolina do Norte, os jogadores do time de lacrosse da Duke University deram uma festa e contrataram duas strippers. Por acaso, elas eram negras. Uma tinha problemas com álcool, além de ser bipolar. Chegou tarde, trabalhou só por quatro minutos, desmaiou. Levada para a delegacia, o promotor literalmente decide que ela foi estuprada e a convence a dar este depoimento. Os jogadores ganham fama de estupradores, são suspensos, e o reitor da universidade decide acabar com o time. Mais de um ano depois, acontece o certo: o promotor perde o emprego, o equivalente americano da carteirinha da OAB (isto é, a licença para advogar) e passa um dia na cadeia. Os jogadores processam Duke.

Acompanhei a história na New Criterion e hoje o Opinion Journal publicou um belo resumo.

Agosto 20, 2007

O impetuoso Pio XI

Filed under: Religião — Pedro Sette-Câmara @ 21:03

Trecho de um livro de Carlos Veloso de Melo citado pela Espectadora:

Ao saber da educação que as crianças recebiam nas escolas durante o governo Mussolini, onde o Estado havia recebido o direito de “formar a juventude italiana” através do lema “livro e mosquetão, o perfeito fascista”, Pio XI disse ao embaixador da Itália, Cesare Maria de Vecchi: “Diga a Mussolini que seus métodos me desgostam”. O diplomata replica que ele ‘estaria passando da conta’. O impetuoso Pio XI então acrescenta: “Então diga-lhe que me faz vomitar, que me causa náuseas.”

Agosto 9, 2007

Odeio quando esquerdistas têm razão

Filed under: Internacional — Pedro Sette-Câmara @ 02:54

Ainda bem que não a tem com freqüência.

Mas um texto de 6 de agosto do New York Times sobre a aquisição do Wall Street Journal por Rubert Murdoch levanta uma questão interessante.

A página de opinião do WSJ sempre foi independente e sempre foi claramente liberal (mas não liberal no sentido americano). Sempre atacou, por exemplo, o governo chinês. Mas Rupert Murdoch sempre soube, digamos, adaptar-se às tiranias. E no contrato de compra do WSJ, os editores incluíram uma cláusula que não permite a Murdoch interferir minimamente na página de opinião, sob o risco de enfrentar um processo.

Então, como é que é? O WSJ agora vai continuar defendendo a liberdade e a propriedade, mas vai processar seu dono se este tentar utilizar o jornal da maneira que bem entender?

Claro que se pode dizer que Murdoch assinou o contrato porque quis. Certamente ninguém o coagiu. Mas é muito estranho ver um liberal incluindo este tipo de cláusula…

Agosto 2, 2007

Entrevista com o secretário do Papa

Filed under: Religião — Pedro Sette-Câmara @ 14:29

Mons. Gaenswein à direita

O secretário do Papa, Monsenhor Gaenswein, à direita do leitor

A entrevista em inglês está no Closed Cafeteria, mas você também pode ler o original alemão. Peter Seewald é o mesmo jornalista que fez a longa entrevista com o então Cardeal Ratzinger que constitui O sal da terra.

Selecionei um trecho a respeito de religião, mas há muitas observações sobre o dia-a-dia do Vaticano.

Peter Seewald: O filósofo francês René Girard, membro da Academia Francesa, prevê um Renascimento Cristão que será decisivo. Segundo ele, estamos “às vésperas de uma revolução em nossa cultura”. Esta mudança supostamente fará o Renascimento do século XV empalidecer na comparação.

Monsenhor Gaenswein: o elemento religioso têm recebido uma atenção inédita em anos. Após uma fase de indiferentismo, as pessoas mais uma vez estão preocupadas com a religião, com questões de fé. Vejo que sobretudo jovens que têm tudo ou poderiam ter tudo percebem: é possível fazer qualquer coisa, até mesmo destruir o mundo – mas não se pode ganhar a alma quando falta o essencial. A Igreja Católica possui tesouros que não ninguém mais pode oferecer. Maiores e mais duradouros que todas as ofertas políticas de “salvação”. Mas isto não acontece automaticamente. A fé vem de ser ouvida, e, como diz São Paulo, tem de ser proclamada.

Agosto 1, 2007

Estou comovido

Filed under: Brasil,Política — Pedro Sette-Câmara @ 04:17

Trabalho como tradutor e intérprete no Rio de Janeiro. Já fiz interpretação simultânea para acordos da Aeronáutica, e foi numa destas reuniões que descobri que o governo brasileiro fixava o valor mínimo das passagens para o exterior. Portanto, em vez termos os capitalistas internacionais malvados com olhinhos brilhando com cifrões, temos os capitalistas internacionais fazendo o possível para ficar perto do preço mínimo estabelecido pelo governo brasileiro. Enquanto isso, o Robin Hood botocudo institucional distribui a minha renda para um empresário brasileiro poder competir com um estrangeiro.

Por isso quase chorei ao ler em O Globo na noite desta terça:

A Agência Nacional de Aviação (Anac) vai alterar regras que hoje impõem às companhias aéreas brasileiras e estrangeiras preço mínimo para viagens internacionais com origem no Brasil. Boa parte dos destinos no exterior terá a tarifa liberada. Atualmente, por força dos acordos bilaterais e de uma política de reserva de mercado para empresas nacionais, existem patamares para o valor das passagens e um desconto máximo que pode ser aplicado sobre eles, que varia entre 20% e 45%. As rotas que não forem contempladas com a derrubada total das restrições terão o desconto elevado. Em ambos os casos, o efeito será uma queda dos custos para o consumidor.

Só não digo que agora é que eu vou emigrar para Portugal porque me parece que em termos de opressão estatal a metrópole ainda está à frente da colônia…

“Distribuição de renda” é ruim, sim

Filed under: Brasil,Política — Pedro Sette-Câmara @ 04:04

Cesar Maia, eterno alcaide carioca, que publica um “ex-blog” (o qual, apesar dos diversos erros de pontuação, tem coisas interessantes), colocou no site do Democratas (o antigo Partido da Frente Liberal, tão liberal quanto Mussolini) um artigo sobre a último mapeamento ideológico do Brasil.

A conclusão apresentada não é muito surpreendente. O que interessa mais é um detalhe. Vejam o que diz o alcaide:

Uma informação relevante: o eleitor não entende direito o que é distribuição de renda. Parece pensar que se trata de tirar dinheiro dele, pois 32,6% acham negativo. Corrijam, pois, a comunicação.

Distribuir significa dar a várias pessoas. Alguém tem que prover o que é dado. Ou você dá, ou você recebe. No meio disso fica o governo, que nomeia a si mesmo para a tarefa e, naturalmente, cobra uma polpuda comissão. Se o eleitor pensa que vão tirar dinheiro dele, está certíssimo: quem tem garantia de receber é o eleito, não o eleitor. Os liberais é que têm que melhorar sua comunicação, e fazer com que os 77,4% restantes percebam também que Robin Hood já tem castelos na França…

Julho 26, 2007

Antonio Fernando Borges chega à web

Filed under: Brasil,Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 16:11

O autor dos melhores romances brasileiros dos últimos tempos, Brás, Quincas & Cia e Memorial de Buenos Aires, finalmente tem um lar na web.

Lembro perfeitamente daquele fim de 2002, início de 2003, quando iniciava o primeiro mandato de Lula, e Brás, Quincas & Cia captou perfeitamente meu estado de espírito…

Um dos melhores momentos do blog recém-nascido:

Já faz tempo que as crianças e os jovens são mais e mais atraídos pelas promessas fáceis de uma cidadania feita só de direitos e exigências, para serem supostamente atendidas por um mundo inteiro posto a seus pés. Rigores escolares são afrouxados, a autoridade familiar é destronada em nome da supremacia do grupo – e do conjunto hierarquizado de valores morais, sociais e artísticos que constituíam a Ordem indispensável, sobrou o quê? Só estilhaços.

* * *

Os maus frutos dessa seara daninha começam a se multiplicar por todos os lados: são bailarinos pobres da Rocinha, batedores de lata miseráveis de Vigário Geral, ou grafiteiros carentes do Pelourinho – todos absurdamente convencidos, por juízes da infância e por milionárias ONGs internacionais, de que seu trabalho vale tanto quanto o de Balanchine, Beethoven e Leonardo da Vinci. Debruçar-se sobre o estudo da verdadeira Arte para afinal aprender? Nem pensar! Trabalhar, para o auto-sustento ou para auxílio da família? É crime!, ou pelo menos assim prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Vamos privatizar os aeroportos brasileiros

Filed under: Brasil,Política — Pedro Sette-Câmara @ 15:35

Diogo Costa faz a melhor análise da crise aérea brasileira. Só é preciso acrescentar uma pergunta: se os aeroportos brasileiros fossem privados, demoraria tanto assim encontrar o culpado por um acidente como este último da TAM?

Os controladores de vôo, a economia, o overbooking, os militares e até o aquecimento global já foram culpados pela crise do setor aéreo, que produziu, esta semana, uma das manchetes mais lúgubres da nossa História. As agências do governo são rápidas em apontar bodes expiatórios, mas de uma lentidão arcaica para buscar soluções. É ingenuidade continuar esperando que o problema seja resolvido por quem não tem incentivos para encontrar respostas.

Os setores público e privado reagem contrariamente a crises. No início do ano, enquanto havia uma perda de 50% nas vendas de pacotes turísticos, a Infraero teve seu orçamento aumentado em praticamente R$ 1 bilhão. Agora, enquanto as ações da TAM despencam no mercado, a Infraero poderá novamente recorrer ao governo federal para mais investimentos. Como supor que as soluções venham de uma estatal que, além de não poder ir à falência, ainda lucra com o problema?

Essa estrutura de incentivos contrária ao bom senso é a grande vilã da crise aérea. É ela que promove congestionamentos desesperadores e uma ineficiência operacional que já assassinou quase 350 vítimas. O esforço das autoridades e dos burocratas tem resultados parvos. Suas propostas tentam tornar os vôos menos freqüentes com passagens mais caras. Se o problema é que os consumidores não estão sendo servidos, diminuir a oferta dos serviços não resolve. A empresa aérea vê o congestionamento nos aeroportos e quer colocar os passageiros no avião. O governo vê o mesmo problema e quer mandá-los embora, ou melhor, garantir que não saiam de casa. Com a diminuição do número de vôos o risco do cancelamento futuro é substituído pela certeza estatal do cancelamento prévio. Se a crise não pode ser resolvida, pensa o governo brasileiro, que seja institucionalizada. A punição cai sobre as próprias vítimas: passageiros, hotéis, agentes de viagens, etc.

Quando aumenta o número de compradores, as lojas não penduram cartazes pedindo que os fregueses parem de comprar. Elas trazem é mais produtos, abrem novas filiais. Só o setor público exige que seus consumidores consumam menos, que usem menos água, menos eletricidade e menos aviões. Não nos deparamos com intimidações ou punições sobre o consumo no mercado porque, nele, um aumento na demanda corresponde a um aumento no lucro.

PT e PSDB, partidos iguais

Filed under: Brasil,Política — Pedro Sette-Câmara @ 15:26

Joel Pinheiro é quem avisa, e eu acrescento o que já digo desde o tempo da última eleição presidencial: a diferença entre o PSDB e o PT não é de substância, mas de grau.

No entanto, parece, nos debates acalorados, haver grandes divergências entre PT e PSDB. Se não é quanto a visão geral, deve ser quanto às propostas individuais. Será? Lembremo-nos de um fato antigo: a eleição de 2006.

Lula, do PT, defendia melhorar os serviços assistenciais do país, mas sem perder de vista a eficiência econômica; afinal de contas, o empresário precisa de um bom ambiente para investir; a estrutura fiscal precisa ser repensada, é preciso desonerar o setor produtivo e cortar gastos desnecessários do governo, dar incentivo ao crédito, fazer reforma trabalhista, lutar por bons acordos comerciais internacionais. Já Alckmin, do PSDB… concordava plenamente. Toda proposta petista tinha sua equivalente tucana.

Mas agora lembro-me das privatizações que FHC promoveu. Sim! É isso: o PSDB se diferencia do PT por defender a privatização das estatais. Essa acusação foi levantada durante a campanha, e Geraldo Alckmin foi rápido em desmenti-la. Até tirou foto vestindo, literalmente, a camisa das estatais.

E a submissão ao FMI e outros órgãos financeiros internacionais, bem como a política monetária conservadora? Decerto, isso é marca do PSDB; o PT tem outra proposta quanto a essas questões. Ledo engano. O governo PT, em matéria de política monetária, foi tão conservador quando o do PSDB. Ironicamente, é o PSDB quem, hoje em dia, acusa o governo petista de “submissão exemplar ao FMI” e “pagamento de R$ 145 bi de juros” (aqui).

O PT, no poder, é igual ao que foi o PSDB, que agora faz as exatas mesmas acusações que eram feitas pelo PT. As brigas recaem sempre na conduta dos políticos de cada partido. Não há debate de propostas; há troca de acusações de desonestidade e falta de espírito democrático.

Julho 11, 2007

Os meus cinco livros

Filed under: Cultura,Livros — Pedro Sette-Câmara @ 02:53

Pediu-me o André que dissesse os cinco livros que li ou estou lendo. Lá vão, com gosto:


Tarde
Tarde, de Paulo Henriques Britto; o lançamento do poeta-professor-tradutor brasileiro, que consegue meter a fala cotidiana carioca na mais rigorosa métrica, e que vai se firmando cada vez mais como “o materialista tranqüilo”, como já o chamei. Se você busca a total ausência de transcendência, pode vir. Católico que sou, não é o meu caso, mas aprecio suas ironias e seu trabalho com a linguagem. E como geralmente não gosto de poemas voltados para si mesmos, nem da linguagem acadêmica, acho muita graça nas ironias de Britto contra a teoria literária. São piadas internas, talvez. Mas eu, que vivo no ambiente das faculdades de letras, consigo entendê-las perfeitamente…

MiddlemarchMiddlemarch, de George Eliot, o livro que Virginia Woolf disse ser “um dos poucos romances ingleses escritos para adultos”. Jane Austen é ótima, mas é fácil ficar cansado de seu tom de conversinha entre mulheres. George Eliot é para todos, e, francamente, parece a pessoa mais inteligente e observadora do universo. Também há duas razões para amar os romances ingleses antigos e sobretudo este: casas que têm nomes (“Lowick”, “Stone Court”) e personagens de imensa beleza moral. Enquanto livrinhos escatológicos pretendem falar do que é “humano”, eu prefiro dizer: humana é Dorothea Brooke, a protagonista de Middlemarch.

A imitação do amanhecerPor conta da morte recente de meu amigo, o poeta Bruno Tolentino, seu último livro, A imitação do amanhecer, também não sai de perto de mim. Sinto remorsos por ter dito em conversas que o livro era obscuro demais, quando eu é que estava numa fase preguiçosa. Aqui um trechinho desta maravilha:

Tua luz, tradutora, é estranha, contamina.
É muito grave, Alexandria, o que ela faz:
oriental, ela ilumina este Ocidente
que acredita no ser que coloca no instante,
mas faz dos dois, do acorrentado e da corrente,
elo por elo a confissão itinerante
que apelida de História: tua luz vai à frente,
atrás as sombras dessa marcha escravizante.

Seleta de prosaMinha leitura de antes de dormir tem sido a Seleta de Prosa de Manuel Bandeira, um dos grandes poetas da nossa língua, que nestes ensaios demonstra uma virtude que, ao menos no ramo da crítica literária, parece quase exclusivamente anglo-saxônica: o bom senso, o common sense. Assim como Auden, Bandeira também exerceu a crítica premido pelas circunstâncias, isto é, para ganhar dinheiro. A razão de estes seus ensaios, como “Apresentação da poesia brasileira”, “A versificação em língua portuguesa”, “Itinerário de Pasárgada” e outros não serem lidos e estudados nas Faculdades de Letras brasileiras é inteiramente misteriosa, já que o poeta Bandeira continua perfeitamente amado. Mas o mais bonito é ver como Bandeira, além de ter bom senso, não tem um dos mais incômodos defeitos dos críticos lusófonos: a afetação de superioridade, o desejo de sempre desfazer um pouco daquilo de que se está falando, o ar blasé que só esconde insegurança e impotência.

Without TitlePor fim, preparando-me para o lançamento próximo de A Treatise of Civil Power, volto com muito gosto ao último volume de poemas de Geoffrey Hill, Without Title. A série “Pindarics” é, para mim, o ponto alto do livro. A primeira estrofe do poema 21 (p. 55):

After the prize-giving the valedictions;
after the phone call a brief sense
of what happiness would be like; after
the forgiveness a struggle to forgive.
Some discourse is expansive, but some
composed of opposing blocks. Again
the award ceremony as paradigm
for the expected. She gives herself
to the right man. Their painless composure.

Eu poderia ficar por aqui como o Miguel, mas queria perguntar ao Bruno Garschagen quais são os dele.

Julho 7, 2007

A “volta” da missa “tridentina”

Filed under: Religião — Pedro Sette-Câmara @ 03:02

Já é sábado em Lisboa, e aqui no Rio de Janeiro a sexta-feira vai terminando. Ao meio-dia próximo será publicado oficialmente o motu proprio “Summorum Pontificum”, que muita gente, como eu, aguardou com anseio, pois é o documento que pretenderá levar a uma celebração mais ampla do missal romano estabelecido por São Pio V durante o Concílio de Trento (daí o adjetivo “tridentino”), e que teve sua última edição promulgada pelo Papa João XXIII em 1962. No início do ano litúrgico de 1970, isto é, ao fim do ano civil de 1969, o missal dito “de Paulo VI” começou a ser utilizado e, ainda que os “ritos antigos” nunca tenham sido efetivamente proibidos, sua celebração passou a depender de uma permissão, raramente concedida, do bispo local.

Os filotradicionalistas – este é o nome que inventei para designar a gente como eu, amiga dos velhos ritos mas firme com o Vaticano – e os vaticanistas mais espertos já sabiam que a eleição de Joseph Ratzinger traria de volta a questão da missa. Vejam o que ele diz em O sal da terra (Rio de Janeiro: Imago, 1997):

A meu ver, devia-se deixar seguir o rito antigo com muito mais generosidade àqueles que o desejam. Não se compreende o que nele possa ser perigoso ou inaceitável. Uma comunidade põe-se a si mesma em xeque quando declara como estritamente proibido o que até então tinha tido como o mais sagrado e o mais elevado, e quando considera, por assim dizer, impróprio o desejo desse elemento. Pois em que se poderá acreditar ainda do que ela diz? Não voltará a proibir amanhã o que hoje prescreve?

Pois hoje vem o resultado. Nos EUA, Rocco Palmo, que alega não estar submetido ao embargo do Vaticano para a publicação do documento, já publicou alguns trechos e fez seus comentários. No mesmo trecho de O sal da terra, o então cardeal Ratzinger observava que o latim já não é mais tão difundido e talvez não fosse mais tão adequado para a celebração litúrgica. Por isso, segundo Rocco Palmo, o documento deste sábado manterá o Novus Ordo como rito principal, enquanto vai reabrindo espaço para a forma de 1962. As paróquias poderão ter uma missa nesta forma por domingo ou festa, por exemplo, e os sacramentos em suas formas antigas também poderão ser utilizados.

Esperemos hoje a publicação oficial, e, naturalmente, celebremos com muita Erdinger e Spaten Optimator.

Junho 27, 2007

Bruno Tolentino +, 12.11.1940 – 27.06.2007

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 14:48

O falecimento ocorreu no hospital Emílio Ribas, em SP.

Da A imitação do amanhecer:

Provavelmente porque o ser se intranqüiliza
de já não ser o que ia sendo; intensamente,
porque as fogueiras de um martírio impenitente
são seus triunfos, seus troféus cheios de cinza;
e finalmente porque tudo o que agoniza
quer promulgar, solenizar o impermanente,
o coração, naquele fundo ambivalente
da coisa humana, momentâneo como a brisa,
mas persuadido de que as músicas da mente
hão de reter do ser algo mais que uma soma,
o coração vive das sombras de um aroma.
Só muito raramente esse iludido sente
a força de acordar antes que a luz cadente
o deixe louco como à mosca na redoma.

Junho 26, 2007

Bem no alvo

Filed under: Comentário,Política — Pedro Sette-Câmara @ 00:35

A conspiração de iniqüidades:

Todo o uso estratégico do homossexualismo como arma revolucionária baseia-se na idéia de primeiro nivelar como igualmente respeitáveis a fé religiosa e um simples desejo de determinado tipo de prazeres sexuais, depois sobrepor este àquela e por fim esmagar por completo os direitos da consciência religiosa. Ao responder com uma apologia da heterossexualidade, os adversários do gayzismo se submetem passivamente ao engodo nivelador, transformando a discussão inteira em confronto de orientações sexuais e dando assim ao adversário a vitória no primeiro round . O heterossexualismo, enquanto tal, não é moralmente superior ao homossexualismo. A quase totalidade das condutas heterossexuais numa sociedade permissiva é francamente imoral. O espertalhão que traça a mulher do vizinho é heterossexual. O professor que abusa de suas alunas é heterossexual. O patrão que intimida a empregada para levá-la para a cama à força é heterossexual. O sedutor que promete casamento e foge depois do orgasmo é heterossexual. E é heterossexual, por definição, o estuprador de mulheres. Consideraremos todas essas condutas mais toleráveis que a de dois garotos que se trancam num banheiro de escola para trocar carícias gays ? Teremos perdido totalmente o senso das proporções? O que se deve defender contra a propaganda gay não é o heterossexualismo em si, mas sim a superioridade intrínseca da devoção religiosa em comparação a qualquer conduta sexual que seja. Rebaixar a um mero confronto de orientações sexuais uma questão infinitamente mais alta, infinitamente mais decisiva para o destino da humanidade, é cair numa armadilha sórdida, preparada com requintes de maquiavelismo por engenheiros comportamentais que contavam com essa reação das vítimas para mais facilmente as poder qualificar como preconceituosas, machistas e, por definição, culpadas de “homofobia”.

Faço apenas a ressalva à questão de o heterossexualismo não poder ser considerado “em si” moralmente superior ao homossexualismo. Como o próprio Olavo já escreveu em algum outro lugar, o heterossexualismo é uma questão de vida ou morte, de perpetuação da espécie, e o homossexualismo, bem, não pode ambicionar tanto. Portanto, sob o prisma da moralidade, podemos admitir que a grande maioria das condutas heterossexuais é realmente imoral, mas justamente “em si” é que ele não é imoral.

A propósito, para clarificar as mentes filistéias: desconsiderando o ambiente cultural atual, e considerando apenas as propostas em si, sou inteiramente a favor de alguma espécie de parceria civil entre homossexuais que permita que gozem de direitos. Por outro lado, vejo com maus olhos até o poder estatal para celebrar casamentos heterossexuais; preferia que isto ficasse na esfera religiosa. Também jamais me passou pela cabeça a idéia de criminalizar qualquer prática sexual consentida realizada em privado por adultos. O fato de eu ter uma determinada opinião sobre a moralidade de um ato, e de defender meu direito de expressá-la, não me leva a defender a criminalização ou mesmo a penalização dele. O que Olavo expressa em seu artigo, com o que concordo, é que o próprio movimento gay está sendo utilizado para fins que não têm tanto a ver com a realização de seus objetivos nominais, mas com o aumento da opressão da população em geral por burocratas iluminados.

Junho 25, 2007

Uma lição de trevas

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 05:38

O maior poeta vivo da nossa língua está no hospital, possivelmente à beira da morte. Rezemos.

In Passim
Bruno Tolentino, O mundo como idéia

Tudo vai-se acabando, tudo passa
do que é ao que era; é tudo mais
ou menos uns vestígios de fumaça
no espaço do que deixas para trás.

E tudo o que deixaste ou deixarás
de manso ou de repente, sem que faça
diferença nenhuma no fugaz,
é assim como a garoa na vidraça:

intimações de lágrima delida.
Não valeu chorar nada. Nem te atrevas
a lamentar à porta da saída,

pois pouco importa a vida como a levas,
que ela te leva a ti, de despedida
em despedida, a uma lição de trevas.

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