Sobre Carlos Guimarães Pinto

Economista, consultor de gestão e comentador de coisas.

O orçamento e a justiça Social

the_abyss_of_inequality_3075151Se o leitor for solteiro e ganhar mil euros por mês, com este orçamento de estado receberá mais 5€ por mês. Mas não vá já gastar tudo de uma vez porque se fizer 40kms por dia de automóvel, acabará por pagar esses 5€ no aumento dos impostos sobre o combustível. Se tiver a sorte de trabalhar no sector público ficará na mesma situação, mas trabalhará apenas 35 horas por semana a partir de Julho.

Se tiver o azar de ganhar 650€, fica exactamente igual. Não ganha nada. Mas se conduzir automóvel pagará o imposto adicional como todas as outras pessoas. Ou seja, as medidas do orçamento de estado deixaram-no pior do que estava.

Por outro lado, pode confortá-lo saber que quem tiver uma pensão de 6 mil euros ficou a ganhar cerca de 200€ por mês com este orçamento de estado, quase um terço do seu salário. Ou, melhor ainda, quem tiver uma pensão de 10 mil euros terá um aumento de rendimento de mais de mil euros. Só o aumento dessa minoria de pensionistas corresponde ao dobro do seu salário. Se quiser conhecer os privilegiados, basta ligar a televisão e ver os comentadores grisalhos que festejam o fim da austeridade.

Já se for dos sortudos que é solteiro e ganha 2 mil euros por mês (brutos), então com este orçamento ficou a ganhar 22€ por mês (Se for funcionário público isto sobe para os 40€ e ainda trabalha menos horas pelo que poderá receber mais em horas-extra). A parte do sortudo no princípio deste parágrafo é para o facto de ser solteiro. Porque, se com o mesmo salário ainda tiver mulher/marido e 2 filhos para sustentar, então este orçamento devolve-lhe menos de 2€ por mês, facilmento engolidos pelos impostos adicionais de meio tanque de combustível por mês para dar uns passeios ao Domingo.

Mas a sorte em não ser casado não se esgota nos salários de 2 mil euros. Se for um executivo com salário bruto de 4 mil euros por mês (cerca de 2500€ líquidos), então ficará a ganhar 22€ por mês. Mas não diga mal da sua sorte porque se ganhasse o mesmo mas tivesse que sustentar mulher e dois filhos este orçamento de Estado obrigá-lo-ia a pagar mais IRS. Ninguém o mandou casar-se e ter filhos.

Justiça social é isto, em que um só pensionista milionário vê o seu rendimento aumentar tanto com este orçamento como 500 famílias da classe média. Pense nisso quando vir o PS, o BE e o PCP a levantarem-se alegremente para aprovar este Orçamento de Estado.

As contas do patriotismo

Imaginemos que podíamos voltar a 2005. Voltar a fazer os orçamentos de 2005-09 e negociá-los com Bruxelas. Quem é que seria mais patriótico: aqueles que tentassem a todo o custo ter um défice maior ou aqueles que defendessem um défice mais baixo ou mesmo um superavite nesses anos. Quem é que estaria a “defender os interesses do seu país”? Seriam aqueles que insistissem em metas flexíveis ou aqueles que fossem rígidos no corte de despesa e equilíbrio das contas públicas?

É incrível que, ainda hoje depois de tudo o que aconteceu, ainda predomine a narrativa de que quem consegue que o país se endivide mais, quem consegue hipotecar mais o futuro, é quem defende o país nas instâncias internacionais. Quantas lições mais precisamos de levar?

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E no final a teimosia de António Costa deu como fruto seis administradores e um presidente do Conselho de Administração. Uns “lugarzinhos” para distribuir e uma vitória de Pirro. Tudo para que pudesse dizer que o Estado ficou com 50% da capacidade de votar num órgão que não manda nada. Qualquer decisão estratégica terá de ser aprovada por maioria qualificada, ou seja, todos os acionistas têm de estar de acordo. E claro, a gestão executiva será sempre privada.

Em troca ainda vai ter de ajudar a fazer a reestruturação financeira da empresa e colocar mais 30 milhões se quiser ficar com menos de 20% dos direitos económicos da companhia.(…)
A TAP pode ter sido transformada numa espécie de PPP. Uma gestão privada com o risco, ou pelo menos metade dele, do lado do Estado. Será que o Bloco de Esquerda e o PCP já perceberam isso?

(João Vieira Pereira, no Expresso)

Uns milhões de Euros dos contribuintes a troco de lugarzitos na administração. Os contribuintes até nem ficaram mal. A mando do PS já pagaram bastante mais por muito menos.

Prioridades

A eliminação da CES, que beneficia apenas as pensões acima de 4 mil euros não pode ser adiada. A devolução dos salários da função pública acima de 1500€ também não. A primeira coisa a ser adiada será a descida da TSU para quem ganha menos de 600€. Lá se vão menos uns iogurtes.

Afinal, quem é que mentiu a Bruxelas?

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João Galamba diz na sua página de Facebook (algo que Jerónimo de Sousa, António Costa e o representante do PS no Expresso já repetiram) que o governo anterior andou a “enganar Bruxelas”, dizendo que cortes temporários eram definitivos, porque se fossem temporários não poderiam contar para o défice estrutural.
Mas voltemos 5 anos atrás, quando o PS preparou o Orçamento de Estado para o fatídico ano de 2011. Nesse orçamento, o PS apresentou a Bruxelas uma descida de 4,1 pontos percentuais no défice estrutural como podem ver em baixo.
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Como é que o PS conseguiria baixar o défice estrutural neste valor? Qual a medida que, segundo o governo da altura, mais iria contribuir para a queda do défice estrutural? Adivinharam: o corte extraordinário de salários na função pública (aliás, o único ainda em vigor). Vejamos o que dizia o orçamento de estado para 2011 em relação a estes cortes:

Uma medida como a da redução remuneratória só é adoptada quando estão em causa condições excepcionais e extremamente adversas para a manutenção e sustentabilidade do Estado Social. Não se pretende instituir qualquer tipo de padrão ou retrocesso social, mas sim assegurar a assumpção das responsabilidades e dos compromissos do Estado português, quer internamente, continuando a prestar um serviço público de qualidade, quer internacionalmente, desde logo na esfera da União Europeia, no quadro do Pacto de Estabilidade e Crescimento.
(…)
Neste âmbito, o esforço de assegurar a sustentabilidade, (…), sobre os trabalhadores abrangidos pela medida da redução remuneratória, que se traduzirá na diminuição de 5% da massa salarial global do sector Estado.

Ou seja, se alguém tivesse, de facto, mentido a Bruxelas teria sido, em primeiro lugar, o PS. Ou, nas palavras mil vezes repetidas na imprensa, ou o PS enganou Bruxelas ou enganou os portugueses. Convinha olhar para a história antes de aldrabar os portugueses com narrativas manhosas deste tipo.

A trapalhada do IVA da restauração

Afinal de contas, o IVA da restauração não vai baixar como prometido. Baixa para a comida, mas não para a bebida. Para batidos, é possível que baixe só metade. Confusos? É muito simples: fica aqui uma ilustração:

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IVA2

Funcionários públicos “não aguentam o ritmo alucinante de trabalho que têm”

Os funcionários públicos, que viram há pouco tempo a sua carga horária semanal reduzida de 40 para 35 horas (enquanto os trabalhadores do privado continuam nas 40 horas), estão a planear uma greve. O motivo da greve? A lei demorará muito a entrar em vigor (90 dias no máximo). A explicação dada pela representante do sindicato dos funcionários públicos, e membro do PCP, é digna de ficar gravada na história. Vale a pena ouvir até ao fim.

Um primeiro-ministro do CDS

1935486_10205638048765662_4588638628608411649_nO CDS pode, nos próximos 10 anos, eleger um primeiro-ministro. Esta afirmação pode parecer ridícula num país em que PS e PSD andam há mais de 30 anos a eleger alternadamente primeiros-ministros e numa altura em que a última sondagem dá menos intenções de voto ao CDS do que a Tino de Rans. Mas, também por isso, é a melhor altura para fazer esta reflexão.

A estratégia do CDS de Portas foi clara e tinha duas vertentes. A primeira era escolher um segmento alvo para cada campanha (os pensionistas, os contribuintes, os agricultores…). A segunda vertente era ter um discurso ao centro, semelhante ao de PS e PSD, capturando os votos dos descontentes com aqueles partidos. Esta estratégia teve o condão de impedir que o PSD voltasse a conquistar uma maioria absoluta (já lá vão 25 anos desde a última), levando o CDS ao governo duas vezes. A presença do CDS no governo por duas vezes reforçou esses quadros tanto pela prática de governação como pela capacidade de atrair novos talentos. Hoje o CDS é, para todos os efeitos, um partido de governo. Mas o peso do CDS no eleitorado não se alterou substancialmente. Hoje o CDS tem, mais ou menos, o mesmo peso eleitoral que em 1985. Isto acontece porque a estratégia seguida tem limitações óbvias.

Entretanto, o panorama político português alterou-se substancialmente nos últimos anos. A primeira grande alteração foi a forma como António Costa chegou ao poder, acabando com uma tradição de décadas em que o partido mais votado escolhia o primeiro-ministro. Quebrada a tradição, não é de esperar que se um dia PSD e CDS estiverem numa situação simétrica irão abdicar de assumir o poder. Num sistema partidário em que o partido que elege o primeiro-ministro não é necessariamente o que tem mais deputados, mas o maior partido de uma coligação com 50% dos deputados bastará, como Portas defendeu em tempos, que o CDS tenha 25,5% dos deputados para escolher um primeiro-ministro. Se os habituais 50% de deputados pareciam um patamar inalcançável, 25,5%, sendo complicado, não é impossível.

Mas será mesmo possível atingir os 25,5%? Isto leva-nos à segunda grande alteração no panorama político português: a transformação do eleitorado. A bancarrota de 2011 e a queda ruidosa de José Sócrates alteraram o posicionamento de muitos eleitores em relação ao estado, criando um novo segmento eleitoral à direita. Existe hoje um segmento muito maior de pessoas que desconfiam do estado e da capacidade dos políticos em melhorar a sua qualidade de vida (não estou aqui a falar de liberais, que continuam a ser poucos, apenas de pessoas menos estatistas). Estas pessoas não são uma maioria, mas são um segmento razoável. Agradar a este segmento, levará, necessariamente, a perder votos à esquerda. Levaria o CDS a perder a aura de partido simpático tido por alguns eleitores de centro-esquerda como segunda opção, mas também permitiria que o CDS fosse a 1ª escolha de mais eleitores. Ser a escolha firme de 20% do eleitorado pode ser mais valioso do que ser a 2ª escolha de 70%.

Um partido que aspire a ter 25,5% dos deputados (qualquer coisa como 22% dos votos) não precisa de ser admirado ou ter a simpatia de todo o eleitorado. O CDS não precisa, como até agora, de ser a 2ª escolha dos eleitores que habitualmente votam no PSD e no PS. Terá que trabalhar, isso sim, para ser a primeira escolha de 22% dos eleitores, mesmo que isso implique ser a última escolha de 60% deles. Por essa Europa fora não faltam exemplos de partidos (de todos os quadrantes ideológicos) que obtiveram votações a rondar os 30% com um posicionamento que os deixa distantes a maioria do eleitorado. Muitos destes partidos tinham há uma década intenções de voto inferiores a 10% e hoje estão em condições de liderar um governo. O CDS pode-se tornar mais um exemplo. Haja coragem para isso.

(Imagem involuntariamente cedida por Pedro Pestana Bastos)

Esconder os sintomas para agravar a doença

result-of-only-taking-naps-for-the-past-week-sd-21477605Portugal tem um sério problema de produtividade que se reflecte em salários baixos e desemprego. O problema resolve-se atraindo mais investimento, tornando a vida mais fácil às empresas e flexibilizando o mercado laboral. O PS prepara-se para, em vez disso, aumentar o salário mínimo nacional, para fingir que as pessoas produzem mais do que efectivamente produzem, aumentando o desemprego sem resolver o problema de base.

Os alunos de famílias carenciadas têm mau aproveitamento escolar e por isso mais chumbos. Isto é resultado, em primeiro lugar, da pouca importância que os seus pais dão à escola. Mas também é resultado de uma escola pública em que não existem incentivos a melhorar o desempenho de alunos, e da incapacidade dos pais em escolherem a escola para os seus filhos, condenando-os ao gueto onde têm o azar de viver. O PS quer “resolver” o problema diminuindo o número de chumbos e acabando com os exames. Os alunos poderão passar para um nível superior de exigência sem terem adquirido as bases do ano anterior. Continuarão burros, mas ninguém saberá.

Sufoca-se o paciente para que não tussa à espera que a pneumonia passe.

Grandioso passatempo Insurgente – Resultados

Apurados todos os votos, chegou a altura de dar a conhecer o verdadeiro vencedor da noite de ontem: o leitor com a previsão mais acertada dos resultados finais. O grande vencedor é o leitor Bruno Miguel! Pode-nos enviar a morada para o e-mail do blog (correioinsurgente@gmail.com) para poder receber o seu prémio. Menção honrosa para os leitores André Garcia (2º) e Pedro Mendes (3º)

Mais uma vez, os leitores do Insurgente mostraram uma capacidade de previsão acima da média, apesar de alguns resultados terem sido verdadeiramente inesperados. Por pontos:

Os leitores acertaram na votação exacta de Marcelo Rebelo de Sousa, incluindo a casa decimal: 52,0%. Nenhuma sondagem, incluindo as sondagens à boca das urnas, conseguiu este nível de precisão.

– Ao contrário das casas de sondagens que desvalorizaram a candidatura de Tino de Rans (a Eurosondagem deu-lhe 0,4% na última sondagem), os leitores acertaram em cheio no 6º candidato mais votado.

– A votação de Maria de Belém surpreendeu muitas pessoas, incluindo os nossos leitores. Apesar de terem previsto uma votação mais próxima dos resultados finais do que as sondagens disponíveis quando o concurso começou, as últimas sondagens (disponibilizadas já com o concurso a decorrer) aproximaram-se mais da votação de Maria de Belém do que a previsão dos leitores.

Assim, a sabedoria colectiva dos leitores do Insurgente revelou-se, mais uma vez, como um método muito eficaz de previsão de resultados eleitorais. Obrigado a todos!

Tino e o Livre

Tino de Rans teve 4 vezes mais votos do que o Livre nas legislativas (sim, o partido de Ana Drago e Rui Tavares). Se fosse numas legislativas, o partido de Tino teria elegido 2 deputados no Porto e 1 em Lisboa.

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O Partido Socialista teve uma grande derrota

Mas o Socialismo voltou a ganhar. A retórica socialista foi dominante na campanha e os eleitores de direita demonstraram, mais uma vez, estar abertos a votar no socialista menor. Não estou optimista (não com Marcelo, que será um bom presidente, mas com o que esta vitória implicará para o espectro partidário português).

Guerra interna do PS dá vitória a Marcelo

Se os resultados das sondagens se confirmarem, a queda de MAria de Belém nos últimos dias garantiu a aeleição à primeira de Maria de Belém. A guerra interna dentro do PS deu a vitória a Marcelo e reduziu a votação nos seus dois candidatos a algo entre 25-30%.

Exclusivo Insurgente: primeira grande projecção dos resultados eleitorais

Nas últimas eleições presidenciais, os leitores do Insurgente acertavam no resultado final quase até à última décima, batendo todas as casas de sondagens.

Fica aqui a previsão final dos resultados segundo os nossos leitores, a fonte mais fiável de todo o país:

Marcelo Rebelo de Sousa: 52.0%
Sampaio da Nóvoa: 18.0%
Maria de Belém: 11.8%
Marisa Matias: 6.0%
Edgar Silva: 5.0%

Segundo os nossos leitores, Marcelo vence confortavelmente à 1ª volta e tanto MArisa Matias como Edgar Silva receberão a subvenção pública. A maioria dos leitores também previu que Tino de Rans será o 6º classificado com 2.8%, seguido de perto por Paulo Morais.

Nota técnica: Previsão baseada na média aritmética de 52 previsões de leitores. Amostra representativa de pessoas com QI acima de 130. Não há margem de erro. Os leitores do Insurgente são infalíveis, embora a realidade se possa equivocar umas décimas para cima ou para baixo

Marcelo elogia Orçamento de Estado, e espera que o PSD o aprove se PCP e BE se recusarem a fazê-lo

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O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa considerou hoje o esboço do Orçamento de Estado (OE) para 2016 “uma base de trabalho razoável”, não vendo razão para que se diga que “é irrealista”.(…) “O mais natural é que seja na base dos acordos parlamentares que apoiam o Governo. Espero que isso seja possível. Se não for possível, espero que haja então uma predisposição da oposição, no todo ou em parte, para que o orçamento possa passar”, acrescentou.

(Diário Económico)

Grandioso passatempo Insurgente – Presidenciais 2016

Continua aberto à participação o Grandioso Passatempo Insurgente Presidenciais 2016. O prémio desta vez será o livro do Insurgente Ricardo Arroja: “As contas politicamente incorrectas da economia portuguesa. Podem deixar a vossa previsão aqui.
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Aldrabice colossal

Já está disponível o primeiro orçamento de estado da era Centeno. Na página 32 podemos ver a comparação entre as previsões de crescimento do PIB de Centeno vs o das instituições internacionais. Centeno prevê um crescimento económico 20-30% maior do que as organizações internacionais que seguem a economia portuguesa. Screen Shot 2016-01-22 at 3.49.09 PM

Desastre anunciado

lemmings-copyarchingoffacliffO PS moderado acabou. A campanha infeliz de Maria de Belém prepara-se para dar uma enorme derrota à ala segurista, já antes diminuída pela habilidade de Costa. No Domingo, com uma derrota da sua candidata, a ala moderada do PS desaparecerá. A tentação de PSD e CDS de ocupar o espaço da esquerda moderada (principalmente se a estratégia de Marcelo se provar vencedora) será grande.
A União Europeia é a zona politicamente mais à esquerda no mundo desenvolvido. Dentro da União Europeia, Portugal é dos que tem um espectro político mais à esquerda. O nosso espectro partidário está à esquerda da zona mais socialista do mundo desenvolvido. E prepara-se para ficar pior.
Muitos ficaram satisfeitos por, pelo menos, haver Marcelo nesta campanha. Ao ponto de não se preocuparem por Marcelo ter feito toda a campanha com os argumentos e as bandeiras que faliram o país. Se a estratégia de Marcelo se revelar um sucesso eleitoral, se se provar que à direita não há votos a perder, daqui a 10 anos nem um Marcelo haverá para escolher. Serão só Sampaios da Nóvoa. Nessa altura, não faltará quem vote no Sampaio da Nóvoa menos à esquerda que lhe oferecerem. É o mal menor, dirão. E assim sucessivamente, até ao colapso definitivo.

Grandioso Passatempo Insurgente – Presidenciais 2016

crystal-ballJá é uma tradição eleitoral portuguesa: o grandioso passatempo Insurgente. Convidam-se então os leitores a tentar acertar no resultado das presidenciais. Para isso, apenas precisam de deixar na caixa de comentários a vossa previsão para Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa, Maria de Belém, Marisa Matias, Edgar Silva (por esta ordem, mesmo que achem que a ordem de resultados será outra, para facilitar a tarefa ao estagiário que tem que processar isto), e ainda aquele que considerarem que será o melhor colocado dos outros 5. Ganha quem ficar mais próximo do resultado final. Em caso de empate ganhará quem acertar no 6º classificado ou o primeiro a colocar a sua previsão na caixa de comentários. Podem usar qualquer método de previsão ao vosso alcance: sondagens, horóscopo dos candidatos, cartas da Maya, búzios, borras de café ou, se forem mesmo muito crentes, o excel do Centeno. Como exemplo, fica aqui a minha aposta:

Marcelo Rebelo de Sousa: 54,1%
Sampaio da Nóvoa: 15,4%
Maria de Belém: 14,2%
Marisa Matias: 4,5%
Edgar Silva: 5,1%
Tino de Rans: 2,2%

Podem deixar a vossa previsão até Sábado à noite.

O que está em causa nestas Presidenciais?

Marcelo já ganhou estas eleições. Mesmo que não o faça à primeira volta, uma segunda volta mobilizará mais o eleitorado à direita e desmobilizará o eleitorado à esquerda (a ala moderada do PS prefere Marcelo a Nóvoa, e a ala geringonça da esquerda não quer ver Maria em Belém). Dito isto, há muitas outras questões pendentes:

Irá a campanha de Marcelo ser premiada com uma vitória à 1ª volta? Ou seja, a estratégia de ignorar o eleitorado de direita e ir atrás do eleitorado de esquerda terá os efeitos desejados?

Irá a ala mais moderada do PS (representada por Maria de Belém) vencer a ala mais extremista nas urnas (representada por Sampaio da Nóvoa)?

Irão o BE e o PCP sofrer um buraco nas suas contas por não receberem a subvenção estatal para esta campanha (precisam de chegar aos 5% dos votos expressos)?

Portanto, para ajudar os indecisos, fica aqui um esquema de decisão com o que está realmente em causa nesta primeira volta:

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A traição às crianças pobres

Se um demónio me perguntasse qual a melhor forma de promover a ‘desigualdade’ na educação, na sociedade e até na economia, a minha resposta seria simples: acabar com os exames nas escolas; alimentar entre os mais pobres a ‘ilusão’ da ‘aprendizagem’; e deixar que os mais ricos, em casa ou nos colégios privados, pudessem fazer as suas carreiras.

Por João Pereira Coutinho. Ler mais aqui.

As crianças cujos pais se dedicam mais ou que têm a sorte de poder pagar colégios privados, continuarão a ter exigência no ensino. Os outros, mais pobres ou com pais com menos capacidade para os acompanhar, terão as gargalhadas do ensino público. O sentido de humor far-lhes-à falta quando estiverem a apanhar fruta em Inglaterra ou na fila para o RSI.

Eurosondagem: Marcelo esmaga na segunda volta

Parece que o receio daqueles que querem premiar a deriva socialista de Marcelo com uma vitória retumbante à 1ª volta não se concretiza. Aconteça o que acontecer na 1ª volta, Marcelo ganha confortavelmente na 2ª. Segundo a Eurosondagem, Marcelo teria 26 pontos de vantagem sobre Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém numa hipotética segunda volta.

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(nota: o verdadeiro valor de Maria de Belém é 36 pontos. A notícia da SIC tem um gralha)

Estas eleições estão decididas. O que não está decidido ainda é a mensagem que os eleitores de direita irão passar ao futuro presidente e aos partidos de “direita”. Se derem uma vitória retumbante a Marcelo na primeira volta, estarão a passar a mensagem de que o seu voto é garantido e que por isso os partidos devem transformar-se para conquistar o voto dos socialistas (tal como Marcelo fez). Ou seja, que o espectro partidário português se deve encostar ainda mais para a esquerda.