Sobre João Cortez

Libertário no Espírito e Tradição da Escola Austríaca

Da Série “Doutorados De Harvard Que Não Sabem Fazer Contas” (II)

Como se a credibilidade e a competência de Mário Centeno não andassem já pelas ruas da amargura, eis que a UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) veio hoje revelar que os números do OE não batem certo com novas medidas de austeridade apresentadas por Centeno e que as despesas com pessoal aumentam sem explicação.

UTAO_ContasAusteridade

UTAO_DespesasPessoal

Já agora, fica o esclarecimento para os ilustres deputados do PS, BE, PCP e Verdes (a.k.a. a geringonça) que vão votar um orçamento contraccionista – não confundir com contorcionista. (fonte)

contraccionista

António Costa A Sabotar O Seu Próprio Orçamento

No passado Sábado, António Costa aconselhou os cidadãos portugueses da seguinte forma de maneira a pagarem menos impostos: “deixem de fumar, andem mais de transportes públicos e usem menos crédito“.

Tais conselhos tornaram-se virais tendo já dado origem a uma hashtag no twitter #conselhosdocosta a uma página no facebook tendo contribuído também para a criatividade e expressão artística dos portugueses (exemplo, exemplo, exemplo, exemplo, exemplo, exemplo e exemplo).

O Jornal de Negócios fez as contas ao que aconteceria se de facto os cidadãos portugueses seguissem os conselhos de António Costa e chegou à conclusão de que o défice em 2016 ficaria nos 3,5% bem acima do objectivo de 2,2%, e que obrigaria o governo a aplicar medidas de austeridade adicionais e a arriscar-se a continuar sujeito ao procedimento de défices excessivos.

António Costa a sabotar António Costa. E esta, hein?

antoniocosta

Da Série “Doutorados De Harvard Que Não Sabem Fazer Contas”

A Comissão Europeia descobriu que no orçamento do estado de 2016 as receitas e os cortes na despesa estão inflacionados em 155 milhões de euros (fonte). Sendo assim, Mário Centeno terá que encontrar medidas para compensar este valor. Aguardemos pois por mais um aumento de impostos para ajudar “a virar a página da austeridade”.

ContasCenteno

Estas São As Minhas Contas E As Minhas Convicções – Se Não Gostam, Tenho Outras

A tabela abaixo mostra as sucessivas contas e previsões macro-económicas do ministro das finanças Grouxo Marxista Mário Centeno desde Abril de 2015 (fonte, fonte, fonte, fonte e fonte). Mário Centeno tem se revelado um verdadeiro economista-contorcionista: se não se gostarem das contas deles, bem… ele tem outras.

PrevisoesCenteno

Centenomics

Da Série “Não Vamos Aumentar Os Impostos”

Corria o longínquo dia 15 de Dezembro de 2015 quando o secretário de estado dos assuntos fiscais, Fernando Rocha Andrade, garantia no parlamento que o orçamento do estado para 2016 não traria aumentos de impostos escondidos. Fernando Rocha Andrade afirmou ainda que as medidas fiscais relativas ao Orçamento do Estado 2016 seriam apenas aquelas que estão indicadas no programa de Governo. (fonte)

AumentoDeImpostos

Um Orçamento Sem Credibilidade

No dia em que o governo liderado por António Costa se prepara para aprovar em Conselho de Ministros o Orçamento de Estado para 2016, são conhecidas as previsões da Comissão Europeia e do FMI. Os valores apresentados são bem diferentes e contrastam com os valores do crescimento do PIB 2,1% e do défice de 2,6% que constavam do esboço do orçamento de estado para 2016. Lá terá Mário Centeno que martelar ajustar novamente o seu Excel.

Bruxelas

FMI

Galamba

O Tal Sinal De Mudança Que Dá Força Para Seguir A Mesma Linha

O Syriza deve se ter esquecido de implementar a austeridade boa (aquela que é implementada pela esquerda) e ainda não deve ter tido acesso ao Excel de Mário Centeno, caso contrário o cenário abaixo nunca teria acontecido.

syriza

syriza

Um Crescimento Decrescente

A previsão para o crescimento do PIB em 2016 começou no plano macro-económico inicial  do Partido Socialista apresentado em Abril de 2015 em 2,4% e manteve-se em 2,4% quando esse plano foi revisto em Agosto de 2015. O esboço do Orçamento de Estado para 2016 apresentado em Janeiro de 2016 referia um crescimento do PIB conservador de 2,1% – quando todas as restantes instituições previam um valor entre 1,5% e 1,7%. Hoje, Mário Centeno veio revelar afinal que martelou ajustou o seu Excel maravilha para 1,9% (aqui já não se percebe se no modelo Excel maravilha, o crescimento do PIB é um input, um output ou simplesmente uma constante).

E qual será a explicação que o trio Centeno/Galamba/Costa terá para explicar este crescimento decrescente. Será que é o multiplicador que tem vindo a perder força?

Fotografia Não Adulterada Da Apresentação do Cenário Macroeconómico do PS

O Insurgente obteve e publica aqui em primeira mão, a imagem original – não aquela que foi tratada com Photoshop e divulgada pela comunicação social – da apresentação do cenário macro-económico por parte do Partido Socialista.

Totos

Índice de Liberdade Económica de 2016

Já está disponível o 2016 Index Of Economic Freedom da The Heritation Foundation que analisa 178 países de acordo com um índice de Liberdade Económica constituído por quatro factores:

  1. Estado de Direito – direitos de propriedade, corrupçao
  2. Limites do Estado – liberdade fiscal, despesa pública
  3. Eficiência Regulatória – liberdade comercial, liberdade laboral, liberdade monetária
  4. Mercados Abertos – liberdade de comércio, liberdade de investimento, liberdade financeira

Em 2016, Portugal encontra-se na posição 64 ex aequo com El Salvador entre 178 países analisados com 65,1 pontos. Portugal mantem a posição 64 que detinha na lista de 2015, tendo no entanto baixado duas décimas em relação ao valor do índice que era de 65,3. Em relação à região Europa, Portugal encontra-se na posição número 30 entre 44 países analisados.

EconomicFreedomIndexCountries

Nas imagens abaixo são fornecidos detalhes adicionais sobre o valor do índice para Portugal. De salientar que nos sub-factores que compõem o valor do índice, os piores indicadores dizem respeito à liberdade fiscal (posição 167 entre 178 países analisados), à despesa pública (posição 166 entre 178 países analisados) e à liberdade laboral (posição 160 entre 178 países analisados).

PortugalData2

Dezanove Triliões de Dólares

A dívida pública americana acaba de ultrapassar os 19 triliões de dólares (triliões americanos, isto é: 19.000.000.000.000). Quando Obama tomou posse em 2008 a dívida pública era de cerca 10 triliões de dólares. Falta saber se quando o segundo mandato de Barack Obama terminar, se a dívida pública america fica abaxo dos 20 triliões ou se Obama consegue de facto duplicar a dívida pública durante a sua presidência. As próximas gerações que paguem a conta.

USNationaDebt

Ver US Debt Clock.

Que Se Lixe O Mérito

Segundo o Diário de Notícias, o governo prepara-se para avançar com legislação que obrigará as empresas cotadas em bolsa (até 2020) e as empresas do estado (até 2018) a ter um terço de mulheres nos conselhos de administração.

O estado, aplicando a sua visão socialista, parte do princípio de que 1) as empresas previlegiam o género em detrimento do mérito; e 2) que cabe ao estado forçar a correção desse preconceito impondo quotas de género. Eu contesto estes dois princípios porque 1) as empresas que privilegiam o género (ou outra característica) em detrimento do mérito num mercado global perdem competitividade; e 2) o estado, que não é um bom exemplo de gestão, não tem nada que se intrometer na gestão das empresas privadas.

Além disso, o género é neste caso um factor arbitrário – o estado poderia igualmente passar legislação de discriminação positiva para pessoas com base em critérios físicos, étnicos, raciais, de orientação sexual ou religiosos.

Para as mulheres, este género de leis – não de igualdade de acesso, mas de favorecimento – são um insulto, uma vez que pressupõe que pelo seu mérito as mulheres não conseguem chegar aos conselhos de administração; e com a nova lei em vigor, uma vez chegando aos conselhos de administração, nunca se saberá se uma mulher lá está por mérito próprio ou simplesmente para preencher quotas.

EmpresasObrigadasMulheresGestao

Orçamento De Estado Para 2016 – Recordar É Viver

Longe vai o tempo, quando em Abril de 2015, Mário Centeno, João Galamba e António Costa apresentavam sorridentes e com orgulho o seu cenário macro-económico.

ApresentacaoCenarioMacroEconomico

O Insurgente desde bem cedo que sempre questionou as contas de Mário Centeno – ver aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, e mais recentemente aqui aqui.

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Uma Carta Ainda Sem Resposta

Enquanto o governo de António Costa não responde à “tecnicalidade” (a correcção dos erros do Excel do Mário Centeno leva o seu tempo), a Comissão Europeia parece não compreender as explicações dos “alhos e bugalhos” – talvez seja um problema de tradução. Assim, sugiro que em vez de responder à carta com outra carta, que o governo da geringonça envie o deputado João Galamba para convencer a Comissão Europeia com a sua eloquência. Em alternativa, podem sempre enviar a Catarina Martins para explicar a Bruxelas quem ganhou as eleições. Tenho a certeza que seria muito mais produtivo.

CartaBruxelas

BruxelasOrçamento

Galamba

O PS Está Certo E O Resto do Mundo Está Errado

De um lado está o PS a defender o orçamento Excel maravilha do Mário Centeno. Do outro lado está o FMI, o BCE a OCDE, BdP, Conselho de Finanças, a Moody’s, a Fitch, a Standard & Poor’s, a Comissão Europeia e a UTAO.

Ao se focar na retórica em vez da matemática, o PS com o seu argumento dos “alhos e bugalhos” e o com o seu discurso da “mera tecnicalidade” não parece estar a ser bem sucedido na sua tentativa de ganhar credibilidade e de passar uma imagem de [mínima] competência.

Está à frente do Ministério das Finanças a gerir as contas nacionais um grupo de “iluminados” a quem eu não confiava a gestão do meu condomínio. Infelizmente a realidade não se altera por decreto – estamos feitos.

Surpresa: Bruxelas não aceita Orçamento do Estado 2016

Inesperadamente, Bruxelas parece não aceitar o orçamento do estado de 2016 (fonte). Aqueles malvados neoliberais da União Europeia não são sensíveis ao efeito multiplicador do Centeno (“cada euro de estímulo retorna quatro“) nem ao argumento eloquente e sofisticado dos “alhos e bugalhos” do João Galamba. Como é que não conseguem perceber que o PS está certo e o resto do mundo está errado? Porque é que insistem em não deixar o Costa e a sua Geringonça “virarem a página da austeridade”?

Orçamento2016

Na Grécia, O Virar da Página da Austeridade Foi Assim

Vale a pena comparar as previsões macro-económicas para a Grécia antes e depois do Syriza tomar posse e “virar a página da austerdade”. A imagem foi retirada daqui.

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Vamos ver que resultados é que o Governo da Frente de Esquerda consegue em Portugal. É que infelizmente, o Excel maravilha do Mário Centeno, por mais multiplicadores que multiplique, ainda não tem o poder de conseguir moldar a realidade.

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Déjà Vu

Aparentemente, o resto do mundo está errado (FMI, BCE, OCDE, BdP, Conselho de Finanças e a Moody’s), e o Excel de Mário Centeno está certo.

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Uma das características do socialismo é nunca aprender com os erros do passado – a teoria socialista só não funciona na prática sempre devido a factores exógenos – daí que não será de admirar quando um dia se vir a imagem abaixo nas televisões.

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Syriza: Um Ano A Virar A Página Da Austeridade

Faz hoje precisamente um ano que a Grécia descobriu a alternativa à austeridade… que consiste em mais austeridade e mais troika.

syriza

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Leitura Complementar: Sondagens na Grécia: Nova Democracia ultrapassa Syriza

Deve Ser Isto O Virar Da Página Da Austeridade

Começa a ficar claro o que signfica para o governo da Frente da Esquerda “virar a página da austeridade“:

  • Impostos sobre combustíveis poderão subir até 5 cêntimos (fonte)
  • Aumenta o imposto sobre o tabaco (fonte)
  • Aumenta o imposto de selo (fonte)
  • Governo projecta mais 390 milhões de euros com impostos sobre o capital (fonte)

Afinal sempre existia outro caminho ao contrário do que afirmavam os malvados neoliberais.

Esboço do Orçamento de Estado de 2016

Já está disponível o Esboço do Orçamento de Estado de 2016. O documento merece ser lido, especialmente o parecer do Conselho das Finanças Públicas.

EsbocoOrçamentoEstado2016

As conclusões do Conselho das Finanças Públicas são então as seguintes:

ParecerConselhoDeFinanças

O Excel de Mário Centeno em Primeira Mão

O Insurgente – sempre na linha da frente – teve acesso em primeira mão ao Excel do esboço do orçamento de estado de 2016 do Mário Centeno. Este Excel é tão mais valioso porque inclui ainda as notas do autor.

Orçamento2016

A Geringonça em Risco?

Geringonça

A aprovação do orçamento de estado para 2016 para ser o primeiro teste a sério para a estabilidade, duração e credibilidade da geringonça, noticiando o Observador que:

“O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou que o acordo que possibilitou o Governo liderado por António Costa poderá estar em causa se o Governo ceder às exigências da ‘troika’ na liquidação dos direitos dos trabalhadores.”

Um Voto De Confiança Dos Mercados Na Frente De Esquerda

Claramente, os mercados – esses malvados neoliberais que tanto são criticados mas de quem o estado Português depende fortemente para cobrir as suas necessidades de financiamento – estão a conspirar contra o sucesso do governo da Frente de Esquerda (fonte):

“O risco da dívida pública Portuguesa, medido pela diferença entre os juros de Portugal e os da Alemanha, está em máximos de seis meses. Uma das maiores gestoras de ativos está pessimista para o país”.

“Os juros de Portugal estão a subir, alargando o spread de risco em relação à Alemanha. Este indicador de risco crucial está acima dos 220 pontos base, que compara com os 120 pontos de Espanha e os 102 de Itália. E os 57 pontos da Irlanda”.

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Felizmente temos o Mário Centeno com o seu Excel maravilha para não nos termos de preocupar com nada disto.

As Opções de António Costa e de Mário Centeno no Caso Banif

Sobre a decisão que o António Costa e Mário Centeno tomaram em relação ao Banif e que pode custar aos contribuintes (esse poço inesgotável de financiamento) cerca de 2500 milhões de euros, noticia o jornal Expresso na sua edição de hoje que Mário Ceneno não seguiu as recomendações do BCE não chamando os obrigacionistas séniores a contribuir para a salvação do banco, tendo assim aumentado a factura para o contribuinte em 1000 milhões de euros.

Ao menos, o PS pode-se vangloriar de ter resolvido o problema de forma célere, claro está, à custa do contribuinte. Porreiro, pá.

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