Sobre João Cortez

Libertário no Espírito e Tradição da Escola Austríaca

Uma Tragédia Grega

Em dia de eleições na Grécia, vale a pena relembrar o programa do Syriza, o mais certo vencedor das eleições:

  • Perdão substancial da dívida pública grega de modo a que se torne sustentável.
  • Sujeitar o pagamento da restante parte da dívida ao crescimento económico.
  • Inclusão de um período de carência no pagamento da dívida para obter fundos para o crescimento.
  • Exclusão do investimento público das restrições do pacto de estabilidade e crescimento – o António Costa, vem tarde.
  • Um novo “New Deal” Europeu, financiado pelo Banco Europeu de Investimento.
  • Um programa de Quantitative Easing do Banco Central Europeu em que este compre dívida directa aos estados (já depois do perdão da dívida) – volta José Seguro, que estás perdoado
  • Aumentar o investimento público em pelo menos 4 mil milhões de euros.
  • Reverter gradualmente todas as injustiças do memorando de entendimento.
  • Repor gradualmente os salários e as pensões de modo a estimular o consumo e a procura.

O programa do Syriza conta ainda com as seguintes medidas:

  • Electricidade gratuita para 300.000 lares abaixo da linha da pobreza e até 300 kWh por mês por por famíla.
  • Subsídios de refeição para 300.000 famílias sem rendimento.
  • Programa de garantia de habitação com o objectivo inicial de cobrir 30.000 apartamentos (entre 30 e 70 m^2) subsidiando a renda em 3€ / m^2.
  • Restituição do subsídio de natal como o 13º mês a pensionsistas cuja pensão seja inferior a 700€.
  • Cuidados médicos e farmacêuticos gratuitos para desempregados sem seguro de saúde.
  • Cartão de transportes públicos especial para os desempregados de longa duração e para quem se encontra abaixo do limite da pobreza.
  • Eliminação do imposto especial sobre combustíveis para aquecimento e sobre o gasóleo automóvel.
  • Cessar os processos de dívidas ao estado durante 12 meses para quem não tem rendimento.
  • Abolir o imposto unificado sobre a propriedade (ENFIA) e introduzir um imposto sobre grandes propriedades.
  • Suspender por tempo indeterminado todos os despejos por parte dos bancos para residências avaliadas até 300.000€.
  • Criação de um banco público de fomento com capital de mil milhões de euros – o Pires de Lima é um visionário.
  • Aumento do salário mínimo para 751€ – o António Costa é demasiado modesto.
  • Recuperação da protecção dos direitos trabalhadores perdidos através do memorando de entendimento com a troika.
  • Recuperação dos acordos colectivos de trabalho.
  • Abolição de todas as regras que permitam o lay-off massivos e injustificados.
  • Programa de criação de 300.000 empregos – o José Sócrates foi pouco ambicioso.
  • Re-estabelecimento da ERT (estação de radio e televisão pública).

Boa Sorte lá com isso, Tsipras!

TSIPRAS PIDE MAYORÍA ABSOLUTA PARA LAS ELECCIONES DEL DOMINGO EN GRECIA

A Deflação Maligna e Os Unicórnios

DMarioDraghiepois do anúncio do Mario Draghi de compra por parte do BCE de activos no valor de cerca de um bilião de euros, parece existir já muita gente a esfregar as mãos com as perspectivas de aumentar o endividamento de forma mais fácil.

Os papagaios keynesianos que repetem até à exaustão que a deflação é maligna e deve ser combatida a todo o custo devem estar de facto satisfeitos. Até a respeitada Bloomberg publica esta aberração: Why Falling Prices Are Actually a Really Bad Thing (embora os comentários dos leitores desse artigo me façam recuperar alguma esperança na humanidade). Em Portugal também são inúmeros os comentadores que partilham da leitura da deflação como algo maligno que é preciso ser combatido fervorosamente (por exemplo aqui e aqui), e cito: “O objetivo do BCE é garantir um nível mínimo de inflação, que é indispensável para não asfixiar o crescimento e dar espaço ao aparecimento de novas tecnologias (mais caras). Um cenário de deflação (inflação negativa prolongada no tempo) é muito difícil de inverter porque se autoalimenta: o consumo é adiado a aguardar por preços mais baixos, o investimento cai porque a procura está estagnada, as empresas não vendem e vão à falência, aumenta o desemprego e a procura continua a cair.”

O Carlos Guimarães Pinto já aqui fez uma boa análise sobre a deflação assim como Rui Santos aqui, mas neste post gostava de realçar alguns pontos:

  • A inflação e o índice de preços no consumidor são coisas diferentes. A inflação é por definição o aumento da massa monetária. Havendo mais euros em circulação para os mesmos bens e serviços, os euros valerão necessariamente menos. Pode-se imprimir toda a moeda que se quiser, mas é impossível imprimir riqueza. Aliás, se a criação de moeda gerasse riqueza, o Zimbabwe seria o país mais rico do mundo. A emissão de moeda é pura e simplesmente um processo de transferência de riqueza, penalizando aforradores e beneficiários de rendimentos fixos (por exemplo: salários e pensões) em favor dos devedores e as instituições financeiras que recebem o dinheiro “fresco” antes do resto da população. E quem são os maiores devedores do planeta? Precisamente os estados através dos seus governos (José Sócrates: hello?).
  • Numa economia normal, a redução do nível geral de preços é um processo normal que resulta dos aumentos de produtividade que por sua vez resultam quer dos progressos tecnológicos quer de investimentos em bens de capital. Embora o nível de preços geral tenda a baixar, mesmo com a massa monetária constante, os preços de bens e serviços individuais estão sujeitos a variações na oferta e procura relacionados com factores demográficos, alterações nas preferências dos consumidores assim como da abundância ou escassez na disponibilidade de matérias primas (por exemplo por razões relacionadas com o clima ou pela descoberta de novas fontes de produção). Resumidamente, mesmo num cenário de redução geral do nível de preços, existirão alguns preços a aumentar e outros a baixar.
  • Não se pode adiar o consumo indefinidamente. As pessoas precisam de comer, de se vestir, de se deslocar. E mesmo a redução do preço em determinado momento do tempo não significa que irá ocorrer uma redução constante e permanente do mesmo. Existe um factor de incerteza e de risco em que mesmo num cenário de redução de preços geral, o preço do bem ou serviço específico aumente. Além disso, quando se consume é para usufruir desse consumo. Entre consumir no presente ou consumir no futuro, é preferível consumir no futuro. Ao se adiar a compra na expectativa de uma redução de preço, está se a abdicar do usufruto desse consumo pelo mesmo período. Por exemplo, se eu adiar a compra de um automóvel por um ano, vou abdicar do usufruto do automóvel durante esse ano, e ainda me arrisco a que o automóvel aumente de preço no final de um ano (por exemplo devido a um aumento do preço do alumínio, ou devido a um aumento de impostos – por exemplo, “impostos verdes”.
  • A lei da oferta e da procura, e realço a palavra “lei”, implica que a um preço menor, a procura será maior. O melhor exemplo tem a ver com a tecnologia onde se verificam as maiores reduções de preços: desde computadores, telemóveis, máquinas fotográficas digitais, dispositivos de armazenamento de memória e televisões LED. Se no início estes bens eram praticamente inacessíveis ao cidadão comum, hoje são acessíveis a quase todos. A procura “explodiu” e os consumidores não adiam indefinidamente o consumo na expectativa de uma redução do preço.
  • Além do ponto anterior, uma redução generalizada dos preços resulta num aumento do poder de compra por parte dos consumidores que potencia mais consumo. Como se verificou recentemente com a queda do preço dos combustíveis, os consumidores ficam com mais rendimento disponível que podem utilizar para efectuar consumos adicionais que de outra forma não seriam capazes de realizar.
  • De onde vem o valor mágico de 2% como objectivo para a inflação? Se 2% é bom, porque é que 3% não é melhor? Ou 4% ou 5%?

Visualização complementarInflation Propaganda Exposed (o vídeo abaixo)

Deve Ser Isto O Neoliberalismo

O regime legal que obriga à comercialização de combustível simples entra em vigor dentro de 90 dias. […] A versão final da lei, como lembrou o Jornal de Notícias, generalizou a obrigatoriedade da oferta a todos os postos de combustível, enquanto na versão inicial se cingia a postos com quatro bombas de abastecimento, o que afectava a oferta fora dos grandes centros urbanos.” (fonte)

Pode o estado forçar uma empresa a vender algo que ela não quer? Em vez de se intrometer na gestão de empresas privadas, porque é que o estado não promove antes os combustíveis low tax uma vez que os impostos representam mais de metade do preço?

As Virtudes Do Socialismo

No capitalismo, a comida espera pelas pessoas; no socialismo, as pessoas esperam pela comida.

O vídeo abaixo mostra filas intermináveis nos acessos aos supermercados na Venezuela que se encontram sob protecção militar. No final da espera, os clientes ainda têm de se deparar com a séria possibilidade de que os artigos que desejam comprar estejam esgotados.

Leitura complementarVenezuela’s food distribution under military protection

Importa-se de Repetir?

Pires de Lima, na sequência do acordo conseguido com os sindicatos que impede despedimentos colectivos durante 30 meses, afirmou que “depois deste acordo a TAP vale mais e provavelmente terá mais interessados a fazer propostas vinculativas” e também que “a TAP saiu muito mais forte depois deste acordo“.

Segundo a lógica do Ministro da Economia – que pelas suas recentes declarações custa a crer que algum dia tenha sido gestor – para uma empresa aumentar a sua valorização e o seu potencial basta anunciar que não vai fazer despedimentos durante vários anos (independentemente das condições de mercado ou em das necessidades de ajustes laborais). Já agora, porque não proibir despedimentos na TAP durante 10 anos? Pela mesma lógica, a TAP ainda valeria mais e teria ainda mais compradores interessados.

Leitura complementar: Existirá Comprador Para a TAP?

Existirá Comprador Para a TAP?

logo_tap_ptO governo parece conseguir sempre encontrar mais formas de reduzir o valor da TAP (uma empresa tecnicamente falida e com grande necessidades de injecção de capital) e de reduzir o interesse dos investidores privados. De acordo com o jornal Público, o governo parece ter agora acordado com nove dos seus sindicatos que não poderão haver despedimentos enquanto o estado for accionista; que os trabalhadores terão assento num orgão que decidirá sobre decisões de impacto relevante na vida e futuro da companhia; que haverá limites ao outsourcing; e mais uma série de outras condições. O incumprimento destas regras dará lugar à anulação do contrato de venda sem qualquer indemnização.

A juntar a tudo isto, existe ainda a incerteza associada com as eleições legislativas que decorrerão este ano, com o PS a afirmar várias vezes que é contra o controlo da TAP inteiramente por privados.

Cada vez mais partilho da opinião do André Azevedo Alves, em que o Governo faria bem em ponderar a falência da TAP.

Sobre a Liberdade De Expressão

Nestes dias a liberdade de expressão assim como a sua defesa encontra-se em voga. No entanto, mesmo no mundo ocidental, e apesar das repetidas citações de Voltaire (“Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lá“), a liberdade de expressão está longe de ser plena.

Comecemos por alguns exemplos simples e concretos em Portugal:

  1. “Atualmente, o artigo 332º do Código Penal pune com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias «quem publicamente, por palavras, gestos ou divulgação de escrito, ou por outro meio de comunicação com o público, ultrajar a República, a bandeira ou o hino nacionais, as armas ou emblemas da soberania portuguesa»; no caso de símbolos regionais, a pena é de prisão até um ano ou multa até 120 dias.” (fonte)
  2. Quem injuriar ou difamar o Presidente da República, ou quem constitucionalmente o substituir é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.Se a injúria ou a difamação forem feitas por meio de palavras proferidas publicamente, de publicação de escrito ou de desenho, ou por qualquer meio técnico de comunicação com o público, o agente é punido com pena de prisão de 6 meses a 3 anos ou com pena de multa não inferior a 60 dias.” (fonte)
  3. Quem, dirigindo-se a terceiro, imputar a outra pessoa, mesmo sob a forma de suspeita, um facto, ou formular sobre ela um juízo, ofensivos da sua honra ou consideração, ou reproduzir uma tal imputação ou juízo, é punido com pena de prisão até 6 meses ou com pena de multa até 240 dias.” (fonte) – assim como toda restante parte desse código penal relativo a difamação, injúrias e calúnias.

No Reino Unido, a polícia pode processar qualquer pessoa que nas redes sociais utilize “comunicações que sejam grosseiramente ofensivas, indecentes, obscenas ou falsas“. Sobre este ponto, o director do ministério pública clarifica que “These are cases that can give rise to complex issues, but to avoid the potential chilling effect that might arise from high numbers of prosecutions in cases in which a communication might be considered grossly offensive, we must recognise the fundamental right to freedom of expression and only proceed with prosecution when a communication is more than offensive, shocking or disturbing, even if distasteful or painful to those subjected to it.” – o que quer que seja que isso signifique. O facto é que no Reino Unido já foram presas pessoas por conteúdos que colocaram no facebook.

A cereja em cima do bolo vem de França, que depois dos ataques da semana passada “contra os valores democráticos e liberdade de expressão”, foram já alvo de inquéritos 54 pessoas por ameaças ou apologia do terrorismo tendo cinco pessoas já sido condenadas.Conta a notícia do Público ainda que “a justiça francesa está usar o seu arsenal legislativo para punir com mão pesada quem, após os ataques da semana passada em Paris, proferiu ameaças, declarações racistas ou palavras entendidas como apologistas do terrorismo.” A ministra da justiça Christiane Taubira afirmou que “estes factos representam um grave ataque aos valores do respeito e da tolerância, fundamentais à nossa sociedade democrática”. Tal terá levado o jornal Le Monde a colocar a questão: “Porque é que Dieudonné [humorista polémico perseguido pela justiça francesa] é atacado, ao passo que o Charlie Hebdo pode fazer primeiras páginas sobre religião?”

A liberdade de expressão plena poderá ser um tema complexo (uma análise interessante pode ser encontrada no artigo “A Rainha das Liberdades“), mas a minha posição pessoal é bem próxima da que defende o Rowan Atkinson (o famoso “Mr. Bean”) no vídeo abaixo.

A Encenação Também É Charlie

A foto oficial dos chefes de estado a liderar uma manifestação no passado Domingo em Paris captura um momento bonito.MarchaOficialPor razões de segurança, seria muito difícil permitir que tantos chefes de estado caminhassem pelas ruas de Paris no meio dos restantes cidadãos. De qualquer maneira, não há razão para nos tentarem fazer de parvos com esta encenação.MarchaReal

Entretanto Na Grécia (III)

GreeceFalhou hoje a terceira e última tentativa de eleição do presidente grego, tendo este obtido apenas 164 votos de 180 necessários. Sendo assim, a Grécia vai a eleições gerais em Janeiro ou Fevereiro de 2015 com o Syriza à frente nas sondagens de intenção de voto. Em reacção, o Athens Stock Exchange General Index está com uma queda superior a 10%.

Entretanto Na Grécia (II)

DepGreeceois hoje ter falhado a segunda tentativa de eleição presidencial (168 votos a favor contra 200 necessários), resta mais uma derradeira tentativa agendada para o dia 29 de Dezembro (em que o número de votos necessários é reduzido para 180). Assim, torna-se cada vez mais provável o cenário de eleições gerais antecipadas em Janeiro ou Fevereiro de 2015, continuando o Syriza a liderar nas sondagens de intenção de voto.

Entretanto Na Grécia

GreeceParece cada vais mais provável o cenário de eleições gerais antecipadas na Grécia já em Janeiro de 2015. Uma sondagem recente indica as seguintes intenções de voto: Syriza – 28%, Nova Democracia – 21,9% e Pasok – 5,1%. Não deixaria de ser um case study interessante uma vitória do Syriza.

Editores Espanhois Querem O Regresso Do Google News

Mais uma situação caricata, mas previsível na terra de nuestros hermanos.

Poucos dias depois da Google anunciar que iria descontinuar o seu serviço de agregação de notícias em Espanha, devido à chamada Google Tax que obrigaria a Google a pagar por todo e qualquer excerto de outro site de notícias – algo que a Associação de Editores de Diários Espanhóis (AEDE) qualificou como “o passo mais importante dado por um governo em Espanha para proteger a imprensa“, os mesmos editores vêm agora pedir (* suspiros *) a intervenção do governo para obrigar a Google News a ficar invocando que o seu encerramento “irá sem dúvida afectar negativamente os cidadãos e as empresas espanholas“.

Leitura complementar: German publishers opt in to Google News, despite lobbying for opt-out law

TAP Privatizada No Segundo Semestre De 2001

A TAP vai ser privatizada no segundo semestre de 2001, garantiu Jorge Coelho (*), ministro do Equipamento Social, ao Jornal de Negócios.

Depois da ruptura do acordo com o SairGroup, empresa mãe da Swissair, Jorge Coelho afirma que a privatização da transportadora aérea nacional «avançará ainda no segundo semestre deste ano, se possível, logo depois do Verão. Segundo o ministro, o Governo vai agora proceder à escolha dos bancos que vão ficar responsáveis pelas novas avaliações da companhia, que nos últimos estudos ascendia a 300 milhões de euros (60 milhões de contos). O Jornal de Negócios refere que Jorge Coelho vai reunir na próxima segunda feira com a comissária europeia dos transportes, Loyola del Palacio, para discutir uma nova recapitalização da TAP.”

(*) – grande malandro neoliberal

Via Blasfémias.

Sobre A Privatização Da TAP

tapA minha recomendação aos trabalhadores afectos aos 12 sindicatos da TAP que decidiram fazer greve entre o dia 27 e o dia 30 de Dezembro invocando a razão de que são “contra a privatização” , é que formem um consórcio e apresentem uma proposta de compra da empresa.

Em alternativa, e sendo o contrato laboral em Portugal rígido do lado dos empregadores mas flexível do lado dos empregados, os trabalhadores têm sempre a possibilidade de procurarem a qualquer altura um emprego mais atractivo noutra empresa.

Sobre as declarações populistas de António Costa que diz que é “perigoso” privatizar a TAP porque o “interesse público deve estar acima de tudo”, o António Costa bem que podia começar por definir o que é o “interesse público”. É que com esse chavão que significa tudo e nada, provavelmente conseguiria justificar a nacionalização de quase todas as empresas.

O António Costa tem ainda uma tirada bem disparatada (que quase me faz ter saudades do Seguro) quando sugere outra alternativa para injectar capital na TAP quando afirmou que  “há alternativas à privatização” (por exemplo, “através de um aumento de capital em bolsa”, isto porque:

  1. A TAP não está cotada em bolsa
  2. Um aumento de capital em bolsa representa uma privatização, ainda que parcial

Dito isto, acho que o António Costa seria a melhor pessoa para encabeçar o consórcio referido acima. Fico a aguardar a proposta de compra da TAP vinda do Largo do Rato.

The Land Of The Free And The Home Of The Brave

Vale a pena ler o relatório do senado sobre as estratégias de detenção e de interrogatórios da CIA. Também é recomendada a leitura das oito maiores mentiras da CIA sobre tortura, a saber:

  1. Não existem locais de detenção.
  2. Menos de 100 pessoas se encontram detidas pela CIA
  3. A CIA não grava os interrogatórios em vídeo
  4. O programa foi aprovado pelos líderes do congresso
  5. Apenas os melhores especialistas são utilizados nos interrogatórios
  6. Não é utilizada a fome como técnica de interrogatório
  7. A privação do sono é suspensa antes de provocar danos físicos
  8. Os interrogatórios serviram para travar conspirações em curso

Num assunto relacionado, convém recordar que se estimam que tenham morrido cerca de 3200 pessoas em ataques de drones entre e 2013, tendo a grande maior parte dos ataques ocorrido durante a presidência do prémio nobel da paz, Barack Obama. Estas vítimas incluem crianças e civis; e apenas uma parte muito pequena (cerca de 1,6%) são consideradas alvos “high-profile”.

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Mais Trilião, Menos Trilião

A divida pública americana ultrapassou no final do mês de Novembro o valor de 18 triliões de dólares ($18,000,000,000,000). Só durante a presidência de Barack Obama, a dívida pública americana já aumentou em cerca 8 triliões de dólares.

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Uma Sugestão Para A Resolução Do Impasse

Poderá ter passado despercebido a muitos, mas este fim de semana existiu um um congresso do Bloco de Esquerda que registou um empate entre a lista de João Semedo & Catarina Martins e a lista de Pedro Filipe Soares. Com este impasse, a definição da liderança do partido ficou adiada para o próximo fim de semana.

Fica aqui a sugestão: depois de uma liderança bicéfala, porque não uma liderança tricéfala?

cerberus

Entretanto Na Catalunha

Os resultados finais estão do referendo sobre a independência da Catalunha do passado dia 9 de Novembro podem ser encontrados aqui. Dos 2.305.290 eleitores, 92% votaram no sim à primeira pergunta “Deve a Catalunha tornar-se um estado?”; e destes, 88% votaram favoravelmente à segunda questão “Deve este estado tornar-se independente?”.

Aguardam-se com alguma curiosidade os próximos passos neste processo.
Cataluna

Tudo O Que Quer Saber Sobre A Escola Austríaca

Mais uma excelente iniciativa do Instituto Ludwig von Mises Portugal que se disponibiliza aqui para clarificar todas as dúvidas relativamente à Escola Austríaca.AustrianEconomists

Uma Mão Cheia De Nada

Se esta (versão resumida aqui) é a “grande alternativa” do António Costa que ainda dá pelo pomposo nome de “Agenda para a década” (* suspiros *), o país está bem tramado. Quase como o reflexo do secretário geral do PS, o programa apresenta-se com um grafismo interessante, mas sem substância.

Em primeiro lugar, como todos os programas eleitorais portugueses, com tanta prosa não passa de uma carta de intenções, cheia de vacuidades, baboseiras e lugares comuns, utilizando expressões vagas não vinculativas como “promover”, “valorizar”, “reforçar”, “incentivar”, “apoiar”, “fomentar”. Não existem nenhuns valores semi-específicos  (tipo aumentar 5% ou 1 M€) nem nenhuma data apresentadas – tanto quanto sei, pode ficar para as calendas gregas.

A este propósito, o memorando de entendimento da troika, é um grande exemplo a seguir pelos partidos políticos para apresentarem programas. Muito específico com acções concretas, datas e números.

Em segundo lugar – em dezenas ou centenas de acções-chave, a grande maior parte delas irrelevante para o debate político – não se percebe a estratégia de fundo, designadamente que alternativa é que existe a esta “austeridade”. Como é que o António Costa pretende equilibrar as contas públicas – o que significa em termos de contas públicas “defender uma leitura inteligenteda disciplina orçamental“?  Poderia ao menos ter a mesma honestidade do João Galamba que “afirmou preferir aumentar os impostos do que cortar na despesa“.

Em terceiro lugar, um programa deve reflectir decisões difíceis – não se pode agradar a todos. Um programa implica trade-offs – implica apostar em algumas àreas em detrimento de outras. Não há almoços grátis, nem fundos infindáveis como o programa parece querer transparecer.

Em resumo, António Costa parece não querer se comprometer com nada, manter as ambiguidades e as palavras vãs; e cavalgar a onda de insatisfação e fadiga da “austeridade” existente. Vamos ver quão bem se sairá.

AgendaDecada

Não Existe Tal Coisa Como “Dinheiro Público”, Apenas Existe Dinheiro Dos Contribuintes

Margaret Thacher num discurso sempre actual (por exemplo ainda hoje saiu a notícia de que a CES defende mais investimento público):

Um dos grandes debates do nosso tempo é quanto do vosso dinheiro deve ser gasto pelo estado, e quanto deve ser gasto pela vossa família. Recordemos esta verdade fundamental: o estado não tem outra fonte de dinheiro que não seja o dinheiro que as pessoas ganham por elas próprias. Se o estado deseja gastar mais, só o consegue fazer mais pedindo as vossas poupanças emprestadas ou por aumentar os impostos que vos cobra. É inútil pensar que outra pessoa irá pagar – essa “outra pessoa” és tu. Não existe tal coisa como “dinheiro público”; existe apenas dinheiro dos contribuintes.

[…] A protecção do dinheiro dos contribuintes e a protecção dos serviços públicos – estas são as nossas grandes tarefas, e as suas exigências têm que ser reconciliadas. Quão agradável seria, quão popular seria dizer “gaste-se mais nisto, gaste-se mais naquilo”. Todos temos as nossas causas favoritas – eu sei que eu tenho. Mas alguém tem que fazer com que as contas batam certo. Todas as empresas têm que o fazer, todas as famílias têm que o fazer, e todos os governos têm que o fazer; e este governo irá fazê-lo.”

Desmantelemos o Populismo Através da Tecnologia

Excelente discurso da guatemalteca Gloria Alvarez intitulado Desmantelemos o Populismo Através da Tecnologia contra o populismo; e pela defesa do uso da razão e dos direitos naturais. A transcrição em Português (do Brasil) pode ser encontrada aqui.

A Venezuela Dá Razão A Milton Friedman

Depois da escassez de àgua não obstante os grandes recursos hídricos, eis que agora, a Venezuela – o país com as maiores reservas de petróleo do mundo –  se vê forçada a importar… petróleo!

O socialismo tem destas coisas fantásticas – mas muito provavelmente a culpa será atribuída aos mercados, ao capitalismo ou até ao neo-liberalismo.

The-Sahara-Desert

Não Sabem Fazer Outra Coisa

Vezes sem conta sem resultados, mas como não se sabe fazer outra coisa, a CMVM volta a proibir vendas a descoberto de acções da PT.

O mecanismo de short-selling é bom e saudável para os mercados! De forma sucinta e eloquente: “Short selling plays an important role in capital markets for a variety of reasons, including more efficient price discovery, mitigating price bubbles, increasing market liquidity, facilitating hedging and other risk management activities.”

De realçar, que para alguém vender curto, alguém tem que comprar longo.

A “Ganância” das Gasolineiras (O Estado É Um Benfeitor)

Do comunicado da Apetro, conclui-se que entre Dezembro de 2003 e Outubro de 2014, a fiscalidade sobre a gasolina aumentou 31,6% e no gasóleo 47,6% enquanto que a inflacção no mesmo período aumentou “apenas” 21,4%.

Ainda de salientar, que num litro de gasolina que custa actualmente 1,501€, os impostos representam 57,8% do preço. Com o aumento previsto pela “fiscalidade verde”, o preço passará para 1,559€, representando os impostos 58,3% deste valor.

No que diz respeito ao gasóleo, num litro de gasóleo que custa hoje 1,274€, os impostos representam 47,7%. Com o aumento previsto pela “fiscalidade verde”, o preço passará para 1,323€, representando os impostos 49,1% deste valor.

Gasolina

Gasoleo

Podemos… Ser Levados A Sério?

Neste post, são apresentadas algumas ideias peregrinas do programa do Podemos que está à frente nas sondagens de intenção de voto em Espanha:

  • Reducción de la jornada laboral a 35 horas semanales y de la edad de
    jubilación a 60 años, como mecanismos para redistribuir equitativamente el
    trabajo y la riqueza, favoreciendo la conciliación familiar. Prohibición de los
    despidos en empresas con benefcios.
  • Recuperación del control público en los sectores estratégicos de la economía:
    telecomunicaciones, energía, alimentación, transporte, sanitario, farmacéutico y educativo, mediante la adquisición pública de una parte de los mismos, que
    garantice una participación mayoritaria pública en sus consejos de
    administración y/o creación de empresas estatales que suministren estos
    servicios de forma universal.
  • Derecho a una renta básica para todos y cada uno de los ciudadanos por el
    mero hecho de serlo y, como mínimo, del valor correspondiente al umbral de la
    pobreza con el fn de posibilitar un nivel de vida digno. La renta básica no
    reemplaza al Estado de bienestar, sino que trata de adaptarlo a la nueva
    realidad socio-económica.
  • Moratoria de la deuda hipotecaria sobre primeras viviendas de las familias con difcultades para afrontar el pago de los préstamos, y cancelación inmediata de la misma en los casos en que haya prácticas fraudulentas o conprobada mala fe por parte de las entidades fnancieras.[…]Paralización inmediata de todos los desahucios de primeras viviendas y de locales de pequeños empresarios. 
  • Derogación del Tratado de Lisboa con el fin de que los servicios públicos no
    estén sometidos al principio de competencia ni puedan ser mercantilizados,
    del mismo modo que todos aquellos que han construído la Europa neoliberal y
    antidemocrática;
  • Fin del uso de los Memorándums de Entendimiento. Establecimiento de
    criterios de democratización, transparencia y rendición de cuentas para todos
    los procesos de toma de macro-decisiones en el ámbito de las políticas
    económicas.

Pablo Iglesias, head of leftist group "Podemos", or "We Can", delivers a speech during the presentation of the party in Madrid

A PT Perto De Si

Poderia ser um sketch dos Gato Fedorento (pun intended) mas não é.

PTPertoDeSiPor um lado temos o PS (o mesmo partido que inviabilizou a OPA da Sonae e que forçou um acordo com a Oi) a defender que  “o Governo tem, no mínimo, de acompanhar o processo e salvaguardar os interesses estratégicos de Portugal“. O “interesse estratégico/nacional” é como o ás de trunfo para justificar o que não se quer ou não se sabe justificar. O facto da Altice (ou outra empresa) comprar a PT que já é uma empresa 100% privada e que concorre com outras empresas em Portugal que oferecem serviços iguais, em que é pode lesar o “interesse estratégico/nacional”?

Temos tambem o Bloco de Esquerda e o PCP a defender a nacionalização da PT para impedir a “destruição e o desmantelamento da empresa” – apenas têm que arranjar 7 mil milhões de euros ou pelo menos 3,5 mil milhões para comprar mais de 50%.

Por sua vez, temos os mesmos trabalhadores que aplaudiram e rejubilaram com o fim da OPA da Sonae (tratando Henrique Granadeiro e Joe Berardo como heróis) através do STPT (Sindicato dos Trabalhadores da Portugal Telecom) a apelarem ao governo que “evite com uma acção adequada e atempada a possível compra da PT Portugal por este fundo de investimento“. Este sindicato defende ainda que para “recompor o grupo PT em Portugal a empresa deve procurar parceiros de projectos industriais de telecomunicações que dêem crescimento e desenvolvimento tecnológico à economia e ao país” – porventura, uma sugestão que se aborde a Sonae?

A minha sugestão é que os deputados do PS, militantes do PCP e do BE, trabalhadores da PT e simpatizantes do “interesse estratégico/nacional” façam uma vaquinha e se cheguem à frente com uma proposta de compra da PT; ou então que se juntem e tentem sensibilizar o merceeiro do Porto.