Sobre João Cortez

Libertário no Espírito e Tradição da Escola Austríaca

Viva A Desigualdade (Não À Nivelação Por Baixo)

O Coeficiente de Gini (que mede a desigualdade na distribução do rendimento) é muitas vezes referido pela esquerda como um indicador do progresso do país, como por exemplo aqui, Francisco Louçã a afirmar que Portugal é “um país mais desigual que o Egipto” – isto mesmo considerando que o PIB per capita em Portugal é mais do dobro do que no Egipto (fonte).

O Coeficiente de Gini é um valor que varia entre zero caso em que a distribuição do rendimento é igual para toda a população (uma situação de “perfeita igualdade”) e o valor de um, caso em que todo o rendimento está concentrado em apenas um indivíduo .

Neste post eu quero contestar duas afirmações muitas vezes apresentadas como dados adquiridos e que fazem parte do léxico do “politicamente correcto”:

  1. A desigualdade na distribuição de rendimento é um bom indicador para medir o progresso do país e as injustiças sociais.
  2. A igualdade na ditribuição de rendimento é possível, desejável e saudável.

Num pequeno à parte, é curioso que a esquerda só se foque na desigualdade no que diz respeito ao rendimento. Poderia igualmente insurgir-se contra a desigualdade na beleza (sugerindo que pessoas mais bonitas façam cirurgias plásticas para ficarem mais feias);  contra a desigualdade de inteligência (sugerindo que as pessoas mais inteligentes tenham menos horas de aulas e menos acesso a livros); ou contra a desigualdade de talento (sugerindo por exemplo que o Cristiano Ronaldo jogue com um saco de pedras nas costas).

Avançando e constatando o óbvio: a riqueza para ser distribuida, primeiro tem que ser produzida. Se alguém por via do seu trabalho, engenho, risco e até sorte produz mais riqueza o que é que há de injusto? No mercado, as pessoas votam com euros – e as relações comerciais (compra e venda; contratos de trabalho; etc.) só se estabelecem se de livre vontade para mútuo benefício de ambas as partes. Ilustrando com um exemplo: se o Manuel ficar em casa o dia todo a ver “A Casa Dos Segredos” (* suspiros *) e se o José tiver dois empregos, qual é a injustiça neste caso na distribuição do rendimento? A economia não é um jogo de soma zero, e o facto de alguém ficar mais rico não implica que alguém fique mais pobre.

Mais, o Estado Social, aplica coercivamente dois mecanismos redistributivos em que ambos têm como efeito a redução do valor do Coeficiente de Gini: taxas de IRS progressivas (aqui não há igualdade) e prestações sociais.

No gráfico abaixo, pode-se ver o valor do coeficiente de Gini para Portugal em relação a outros países da OCDE, já depois de aplicados os mecanismos de distribuição referidos acima (fonte). Em 2011, Portugal apresentava um valor de para o coeficiente de 0,34 contra uma média de 0,32 nos países da OCDE.

GiniOECD

Muito mais importante que o Coeficiente de Gini como indicador de progresso são o PIB per Capita e o poder de compra das fatia da população mais pobre. Respondendo ao Francisco Louçã: é preferível ser pobre em Portugal ou no Egipto? Este ponto é colocado de forma eloquente pela Margaret Thatcher no video incluído no final deste post. Aparentemente, os socialistas ficam mais satisfeitos se os ricos forem menos ricos e os pobres mais pobres desde que haja menos diferença de rendimento entre eles.

Expondo ainda mais ao ridículo o uso e abuso do Coeficiente de Gini numa ideia já abordada neste post e respectivos comentários. Se o Bill Gates viesse amanhã viver para Portugal, o Coeficiente de Gini iria aumentar – quem em Portugal iria ficar prejudicado ou pior nesse caso?

Outro aspecto que não é capturado no Coeficiente de Gini é a chamada “mobilidade social”. A grande maior parte das pessoas deseja melhorar a sua condição; e a sua motivação e incentivo para o fazer será tanto maior quanto forem a possibilidade e o potencial de ganho que o indivíduo percepcione. Numa sociedade em que todos recebam por igual independentemente do mérito, o incentivo para o empreendedorismo e para a actividade económica em geral será praticamente nulo – como na antiga União Soviética, em que o Coeficiente de Gini deveria ter um valor muito próximo de zero

About these ads

As Limitações da Economia Como Ciência (Ou Quão Pouco Sabemos)

Este post é uma adaptação livre deste artigo no Zero Hedge.

Friedrich Hayek fez um discurso memorável na cerimónia de aceitação do prémio de ciências económicas em memória de Alfred Nobel de 1974 intitulado “A Pretensão do Conhecimento”. Neste discurso, Hayek explica porque é que os métodos científicos e modelos matemáticos das ciências exactas – em particular da física – não podem ser extrapolados para a economia e para os mercados porque estes são constituídos por milhões de agentes económicos individuais cujo o comportamento como ser humano único que cada agente é, é individual, complexo e imprevisível.

Richard Feyman (prémio Nobel da Física), numa entrevista à BBC coloca a mesma ideia relativamente às ciências sociais: “Because of the success of science, there is a kind of a pseudo-science. Social science is an example of a science which is not a science. They follow the forms. You gather data, you do so and so and so forth, but they don’t get any laws, they haven’t found out anything. They haven’t got anywhere – yet. Maybe someday they will, but it’s not very well developed.”

Recuperando a expressão da economia como “the dismal science”, o que é supreendente, é que apesar de todos os fracassos de teorias, modelos e previsões económicas, e em pleno século XXI muitos académicos, políticos, comentadores, jornalistas e economistas (* sigh *) continuam em reduzir a economia a um conjunto de modelos matemáticos e a repetir – como papagaios até ao infinito – uma série de “verdades absolutas” sobre a economia.

Então, e em especial para os muitos Keynes/Samuelsons/Krugmans/Galambas deste mundo, são aqui apresentados uma série de “truísmos” que dominam o pensamento económico ocidental vigente, para reflectirem até que ponto é que devem ser apresentados como dados adquiridos:

  • A poupança é má; e o consumo é bom para a economia.
  • O crédito (isto é, o endividamento) é bom e necessário para a economia.
  • Os estados não têm que ser geridos como empresas. Podem acumular prejuízos ano após ano e acumular volumes astronómicos de dívida.
  • Os estados gastam o dinheiro (retirado de forma coerciva aos seus cidadãos) de forma mais eficiente, mais útil e mais inteligente do que os próprios cidadãos.
    O interesse dos governantes está alinhado com o interesse dos seus cidadãos.
    Os políticos gastam o dinheiro dos contribuintes com tanto cuidado como gastam o seu próprio dinheiro.
  • Os estados devem intervir em alturas de crise para compensar uma redução da “procura agregada” (* suspiros *).
  • A despesa pública tem um efeito multiplicador positivo na economia (* suspiros, suspiros *).
  • O estado deve intervir no mercado e deve criar mecanismos de regulação porque o mercado, deixado a si próprio, tem muitas ineficiências e deficiências. O mercado, que representa milhões de agentes económicos individuais pode ser correctamente e eficientemente corrigido através das decisões de um punhado de burocratas fechados num escritório.
  • A regulação e supervisão central é legítima, eficiente é eficaz.
  • Os interesses dos reguladores estão alinhados com os interesses da população.
    É legítimo para o estado obrigar os cidadãos a pagarem por algo que não querem, se o estado achar que é bom para os seus cidadãos.
  • Os cidadãos precisam de ser protegidos deles próprios. Os cidadãos não conseguem ser responsáveis e por exemplo, poupar para a sua própria reforma.
  • O valor ideal permanente para a inflação é de 2% (nem 0,1% a mais, nem 0,1% a menos). A deflação é muito má para economia porque as pessoas adiam as compras e reduzem o consumo.
  • A inflação resulta da aceleração da economia e/ou da ganância dos empresários
  • A emissão de moeda apenas pode ser feita e regulada pelos estados através dos seus bancos centrais.
  • O sistema bancário de reservas fracionárias não é fraudulento, é estável e permite o aumento do crédito disponível para economia.
  • A emissão de moeda aumenta a riqueza; ou é um instrumento para crises – e não é pura e apenas um mecanismo de transferência sub-reptícia de riqueza.
  • Os bancos centrais – um punhado de burocratas fechados num escritório – consegue determinar o valor ideal da taxa de juro que se aplica a milhões de agentes económicos individuais. A taxa de juro não dever reflectir uma taxa de equilíbrio entre a procura de crédito e a oferta de crédito.
  • Os bancos centrais conseguem eliminar os ciclos económicos e promover prosperidade, crescimento, emprego, etc.
  • O planeamento central funciona – um bando de burocratas de gravata fechados num gabinete – conseguem incorporar e processar informação de milhões de agentes económicos individuais – de forma melhor do que os próprios indivíduos.
  • Taxar a produção e a criação de riqueza é producente.
  • O coeficiente de Gini é um indicador válido para medir o nível de bem-estar e as injustiças sociais; ao invés de medir o poder de compra dos percentis de rendimentos mais baixos.
  • O aumento do número de milionários ou o aumento da venda de bens de luxo, sobretudo em épocas de crise, é mau.
  • É legítimo e producente tirar a quem produz para dar a quem não produz. Retirar rendimento produzido de forma coerciva é uma forma legítima de “solidariedade”.
  • Não se devem vender empresas que dão lucro.
  • Não se devem vender empresas em altura de crise porque estão “sub-valorizadas”.
  • O estado deve ter empresas onde já existem empresas privadas (e.g.: banca, aviação) porque as empresas privadas não oferecem um serviço tão bom, praticam preços maiores; exploram os clientes.
  • Ainda que o estado tenha que oferecer saúde e educação gratuita (* suspiros *) à sua população, a melhor maneira de o fazer é gerir todos os recursos humanos e materiais ligados a esses sectores, e não por exemplo, pagar um vale/cheque por igual a todos os cidadãos por esses serviços prestados por entidades privadas
  • Alguém dizer que determinado projecto, empresa ou sector é “estratégico” implica que o projecto, ou empresa ou sector é “estratégico” e deve ser defendido a todo o custo. Nota: geralmente quem é o diz é alguém com interesse directo no projecto, na empresa ou no sector.
  • O interesse dos sindicatos está alinhado com o interesse dos desempregados. Os sindicatos defendem os interesses dos desempregados.
  • O interesse dos sindicatos da função pública está alinhado com o interesse dos utentes e cidadãos.
  • Os salários não representam um preço. Por exemplo, decretar por via legal um aumento do salário mínimo, não se traduz numa redução da procura por parte dos empregadores.
  • Se o governo não intervisse nos bancos (e por exemplo, não tivesse nacionalizado o BPN), seria o “caos”.
  • Fiscalidade “verde” é uma forma legítima de aumentar impostos.
  • Os problemas demográficos podem ser resolvidos através de políticas fiscais.

EconomicIgnorance

Call For Liberty

É já no próximo Sábado a II Conferência do Liberalismo Classico na Universidade Católica do Porto Call For Liberty. A inscrição é livre e pode ser realizada em mises.org.pt.

CallForLiberty

E Agora, Costa?

  • France tries to appease EU with ‘new’ budget Crisis-hit France, which has come under fire from the European Union for breaking the bloc’s spending rules, announced “new measures” and “clarifications” to its budget Monday to reduce its deficit by €3.6 billion ($4.6 billion).
  • Italy bows to EU pressure over budget – Italy said on Monday it was pledging “additional measures” to reduce its structural budget deficit by 0.3 percent of GDP in 2015, after it was warned by the European Commission it risked breaching EU fiscal rules.

Costa

Importa-Se De Repetir?

Hillary Clinton disse durante o seu discurso na Sexta-Feira passada em Boston: “Don’t let anybody tell you that it’s corporations and businesses that create jobs. You know that old theory, trickle-down economics. That has been tried, that has failed. It has failed rather spectacularly. One of the things my husband says when people say, ‘What did you bring to Washington?’ He says, ‘I brought arithmetic.’”

Um Retrato Económico Da União Europeia

Dados revelados esta semana pelo Eurostat, ainda que relativos a 2013, permitem nos comparar os diversos países da União Europeia sob diferentes indicadores. Em particular neste post, são analisados os critérios do Tratado de Maastricht referentes ao valor do défice (que deverá ser inferior a 3% do PIB); e à dívida (que deverá ser inferior a 60% do PIB); ainda que só se apliquem aos estados membros da zona euro.

A tabela resumida – referente a 2013 – é apresentado abaixo. A verde estão os países que cumprem os dois critérios referidos acima (onze países); a amarelo os países que cumprem apenas um dos critérios (oito países); e a vermelho os países que não cumprem nenhum dos critérios (nove países onde se inclui Portugal).

Eurostat_Data

A seguir, são desdobrados os indicadores em gráficos para ser mais fácil compreender as diferenças e posicionamento dos diferentes países – dados referentes a 2013. As linhas paralelas a preto nos gráficos da Dívida (% PIB) e do Défice (% PIB) representam os limites do Tratado de Maastricht.

Eurostat_Divida

Eurostat_Defice

Eurostat_PIB_Normalizado

Eurostat_VariacaoDoPIB
Eurostat_Receita

Eurostat_Despesa

O Orçamento de Estado de 2015 em Imagens

Neste post, ilustra-se o orçamento de estado para 2015 em imagens complementado com algumas notas. A primeira imagem e a primeira tabela representam o orçamento na Óptica da Contabilidade Nacional.

Orcamento2015

Orcamento2015_Tabela

Algumas notas:

  • Os juros da dívida representam mais de 10% do orçamento de estado. Sem a despesa associada com os juros, existiria um superávit de 4.026 M€.
  • As prestações sociais representam um valor cerca de 1,65 vezes maior do que o valor das contribuições sociais.
  • Em conjunto, as prestações sociais e as despesas com pessoal representam 64% da despesa do estado.
  • Prevê-se que o défice seja reduzido em quase 42% para 4.860 M€.
  • A consolidação orçamental é feita essencialmente através de um aumento da receita em cerca de 2,9% que por sua vez ainda tem de compensar um aumento da despesa de 1,0%.

No gráfico e tabela abaixo, pode-se observar as despesas por sector.

Orcamento2015_Sectorial_Grafico

Orcamento2015_Sectorial

Algumas notas:

  • Os quatro sectores: Solidariedade, Emprego e Segurança Social; Saúde; Gestão da Dívida Pública; e Ensino Básico e Secundário e Administração Escolar representam 71,5% da despesa por sectores.
  • Em termos relativos, os maiores aumentos percentuais verificam-se no sector do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia (+231,1%); Gestão da Dívida Pública (+5,0%); e Orgãos de Soberania (+3,5%). As maiores reduções verificam-se no sector da Economia (-37,9%); Agricultura e Mar (-15,5%); e Finanças e Administração Pública (-11,4%).

Melhor Do Que Um Sketch Dos Monty Python

O professor que tinha ficado colocado em 75 escolas, desta vez arrebatou 95 horários. (fonte)

Leitura complementar:

“Tirar aos pobres para dar aos ricos”

RobinHoodUma das críticas que os partidos mais à esquerda têm feito ao orçamento de estado é que “tira aos pobres para dar aos ricos”. Isto porque, a taxa de IRC baixa de 23% para 21%. De notar que à taxa de IRC há que adicionar a derrama municipal (até 1,5%) e uma taxa extra para grandes lucros que vai desde os 3% (para lucros superiores a 1,5M€) até 7% (para lucros acima de 35 M€) podendo no valor limite atingir 31,5% (fonte).

Este valor contrasta com uma media aritmética de taxa imposto da União Europeia a 27 de 23% em 2014 (fonte).

É importante referir ainda que em Portugal quando há lugar a distribuição de dividendos pelos accionistas, é aplicada uma taxa liberatória de 28% – tratando-se na prática efectiva de dupla tributação.

Concretizando, uma grande empresa que tenha lucros de 100 Milhões euros e os distribua inteiramente pelos seus accionistas pagará de IRC 31,5 Milhões de euros, mais 19,18 Milhões de euros (68,5 x 28%) relativos à distribuição dividendos. Este valor totalizará 50,68 Milhões de euros (o equivalente a 50,68% dos lucros).

Já foi várias vezes referido neste blog (por exemplo, muito bem aqui) que o IRC não é pago pelas empresas. As empresas são entidades abstractas que representam um conjunto de pessoas. Quem paga o IRC são sempre pessoas: accionistas, trabalhadores e clientes.

Gostava de saber se os partidos mais à esquerda (que defendem que se tire cada vez mais aos ricos para dar aos pobres – e aqui não vêm nenhum problema ético ou moral) concordam pelo menos com as deduções abaixo:

  1. São as empresas que criam ou mantêm empregos produtivos; e são as empresas que criam riqueza e valor.
  2. O investimento é necessário para se criarem e expandirem empresas.
  3. A perspectiva de lucro é o incentivo ao empreendedor para cobrir o risco do seu investimento.
  4. Quanto maior for a taxa de IRC, menor o incentivo ao investimento e ao mesmo tempo mais atractivos se tornam outros países com taxas de IRC menores. Como consequência o nível de investimento será menor e o de desinvestimento (por exemplo por liquidação ou relocalização) será maior.
  5. Quanto menor for o investimento e quanto maior for o desinvestimento menor será a riqueza e o valor produzido. Como consequência também, o número de empregos criados e mantidos será menor

Se os partidos mais à esquerda concordam com estas deduções, gostaria de saber em que medida é que realmente defendem os pobres, os trabalhadores e o crescimento económico ao defenderem que se mantenha ou aumente a taxa de IRC.

Já agora, na minha opinião, o IRC devia ser pura e simplesmente extinto.

Uma Razão Para Ficar Em Casa Em Dia de Eleições

[Eleições] Europeias renderam mais de três milhões aos partidos. 

A coligação PSD/CDS, o PS, a CDU, o Bloco e o MPT repartiram entre si um total de 3.094.829 euros, de acordo com informação prestada ao PÚBLICO pelo gabinete do secretário-geral da Assembleia da República.”

Questão: para quando um imposto sobre estas subvenções? Este imposto até poderá ser verde – pense-se na quantidade de àrvores que são precisas abater para produzir os boletins de voto e o dióxido de carbono que é produzido na deslocação dos eleitores às secções de voto.

Call For Liberty

Muito recomendável, a 2ª Conferência do Liberalismo Clássico organizado pelo Instituto Ludwig von Mises Portugal a realizar no próximo dia 1 de Novembro às 14h00 na Universidade Católica do Porto.

O evento conta com a participação de Carlos Novais, Carlos Albuquerque, Mário Amorim Lopes, José Manuel Moreira, Guilherme Marques da Fonseca, André Azevedo Alves, Ricardo Miguel Valente, José Bento da Silva, Juan Ramon Rallo (director do Instituto Juan de Mariana) e Daniel Lacalle (Vice-Presidente Sénior da firma de investimentos PIMCO, autor do best seller “Nós, Os Mercados” e ainda comentador da CNBC).

Os temas a serem abordados no evento incluem: uma crítica ao intervencionismo estatal; a emergência do Bitcoin; Finanças públicas; Ética; Liberalização das Drogas; e, um “passeio pelos Mercados financeiros.

A entrada é livre e a inscrição pode ser realizada em: www.mises.org.pt

CallForLiberty

Os Combustíveis Sociais

Segundo contas da TVI, para o ano, num litro de gasolina que custe 1,523 € o estado arrecadará 91 cêntimos em impostos (cerca de 60% do preço) e num litro de gasóleo que custe 1,278 €, o estado recolherá 64 cêntimos (cerca de 50% do preço).CombustiveisSegundo o orçamento de estado, o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) gerará uma receita de 2.310,5 milhões de euros que se traduz num aumento de 207 milhões de euros em relação a 2014, representando um aumento de cerca 9%.

Deve Ser Isto O [Neo]Liberalismo

Carga fiscal atingirá novo máximo histórico em 2015.

“Em 2015, de acordo com a proposta de Orçamento do Estado entregue esta quarta-feira pelo Governo no Parlamento, [a carga fiscal] irá cifrar-se em 37% do PIB, isto é, 66.818 milhões de euros.

Este valor representa uma subida face aos 36,6% do PIB estimados para 2014. Em relação ao presente ano, a receita fiscal e contributiva projectada pelo Governo para o próximo ano aumentou 2565 milhões de euros.

Os 37% representam também, caso se venham a confirmar na execução orçamental do próximo ano, um novo máximo histórico em Portugal. Olhando para a série estatística disponibilizada pela Comissão Europeia desde 1977, este será o valor mais alto da carga fiscal já registado. Em 1977 era de 23%.”.

O gráfico abaixo representa a evolução da carga fiscal no país desde 1995, com ênfase no período do governo mais [neo] liberal de sempre em Portugal (dados do INE complementados com os da notícia acima).

EvolucaoCargaFiscal

Quem Fala Pelos Contribuintes?

Em véspera de apresentação do orçamento de estado, têm tempo de antena amplo na comunicação social, os grupos de interesse organizados do costume – regra muito geral, receptores líquidos do orçamento de estado – que se insurgem contra toda e qualquer perda de benefícios e/ou “direitos adquiridos”. Benefícios e “direitos adquiridos” esses que são financiados pelos contribuintes líquidos para o orçamento de estado, que são bastante mais numerosos, mas também por isso, mais diluídos, mais anónimos, menos organizados, menos visíveis e sem voz.

Quem representa, quem fala e quem defende o interesse dos contribuintes?

DoNotSteal

Liberty Calling

A não perder, a 2ª Conferência de Liberalismo Clássico “Call For Liberty” no próximo dia 1 de Novembro às 13h30 na Universidade Católica do Porto organizado pelo Instituto Ludwig von Mises Portugal.

O evento conta com a participação de Carlos Novais, Carlos Albuquerque, Mário Amorim Lopes, José Manuel Moreira, Guilherme Marques da Fonseca, André Azevedo Alves, Ricardo Miguel Valente, José Bento da Silva, Juan Ramon Rallo e Daniel Lacalle.

Os temas a serem abordados no evento, incluem: uma crítica ao intervencionismo estatal; a emergência do Bitcoin; Finanças públicas; Ética; Liberalização das Drogas; e, um “passeio pelos Mercados financeiros.”

A entrada é gratuita e a inscrição pode ser efectuada aqui.

CallForLiberty

Momento WTF Do Dia

Os próximos responsáveis máximos da CMVM, do ISP e da ERSE serão mulheres. Foi uma das marcas que a secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais, deixou na lei para o próximo governo cumprir“. (fonte).

A sério? A mesma pessoa que afirma que “a nossa cultura empresarial é profundamente retrógrada” acha “progressista” colocar na lei que os próximos responsáveis da CMVM, ISP e ERSE têm que ser mulheres???

Economic Freedom of the World 2014

O Fraser Institute acaba de lançar o relatório anual de liberdade económica de 2014 utilizando para a sua análise, dados relativos a 2012. O ranking global considera cinco factores: 1) Peso do Estado; 2) Sistema Judicial e Direitos de Propriedade; 3) Sound Money; 4) Liberdade de Comércio Internacional; e 5) Regulação. Portugal, com um valor de 7,37 no índice, encontra-se na posição número 43 entre 152 países analisados tendo subido um lugar relativamente ao mesmo estudo conduzido em 2013. Hong-Kong, Singapura, Nova Zelândia e Suiça mantêm-se nos primeiros quatro lugares.

EconomicFreedomRanking

Em relação aos cinco factores para Portugal que compõem o índice, os valores e posições são os seguintes:

  1. Peso do Estado: 5,76 – de longe, o pior indicador, e que corresponde à 87ª posição global
  2. Sistema Judicial e Direitos de Propriedade: 7,26, que corresponde à 32ª posição global
  3. Sound Money: 9,72 – o melhor indicador, que corresponde à 5ª melhor posição global, mas que resulta do facto de Portugal pertencer à Zona Euro.
  4. Liberdade de Comércio Internacional: 7,80, que corresponde à 33ª posição global
  5. Regulação: 6,92 que corresponde à 62ª posição global

Continuar a ler

A Exposição De Bustos Que A Esquerda Preferiria

Sobre a “polémica” relacionada com a exposição de bustos de presidentes nos corredores da Assembleia da república – um tema absolutamente estratégico e fracturante para o país – creio que os partidos mais à esquerda (sempre altamente moralistas) prefeririam uma exposição com os bustos de Mao Tsé-Tung, Josef Stalin, Pol Pot e Kim Il-Sung, que em conjunto são responsáveis pela morte de cerca de 100 milhões de pessoas – clicar na imagem para ampliar.

WhichDictactorsKilledTheMostPeople

Nota: Imagem retirada daqui com base em dados daqui e com a seguinte adenda:”There is a mistake in this infographic. Turkey as a country exists since 1923, before that region the infographic refers to was known as an Ottoman Empire. Also, İsmail Enver Pasha wasn’t a dictator, he was a general in Ottoman army and a leader of the 1908 Young Turk Revolution”

Dois Apontamentos Rápidos Sobre A Discussão Do Salário Mínimo

Dois apontamentos rápidos sobre a discussão do salário mínimo:

1. Argumento de que o salário mínimo deve servir para proporcionar uma vida minimamente condigna a.k.a. “to each according to his need“. As palavras podem ser muito bonitas, mas não pagam salários. Os empregos não existem para proporcionar vidas condignas, mas sim para criarem valor. Se o valor do trabalho produzido for inferior ao valor do salário, esse emprego deixará de existir (ou então nunca chegará a ser criado sequer). A ser consequente com este argumento, quem o defende, deverá exigir uma fórmula para o salário mínimo para cada trabalhador que entre em conta com o rendimento e dimensão do agregado familiar (trabalhadores com maior número de filhos devem ter um salário mínimo superior) e com o custo de vida associado à sua localização (trabalhadores da Grande Lisboa e do Grande Porto deverão ter um salário mínimo superior a trabalhadores da Guarda, Portalegre ou Bragança).

2. Talk is cheap. A grande maioria dos políticos e comentadores [profissionais] que defende o aumento do salário mínimo não se tem de preocupar em pagar salários no final do mês – a grande maioria nunca criou sequer um emprego que seja. Quem defende o aumento do salário mínimo não se propõe contribuir voluntariamente com o seu próprio dinheiro para um fundo nacional para distribuir pelos trabalhadores com salários mais baixos, num verdadeiro espírito de solidariedade. Antes, estes políticos e comentadores [profissionais] não assumem risco e custo nenhum para eles próprios, e querem vincular coercivamente e unilateralmente todos os empregadores a um aumento dos custos do trabalho. Em relação aos casos dos empresários que defendem um aumento do salário mínimo (geralmente de grandes empresas ou de rent-seekers): o que os impede de aumentar os salários nas suas próprias empresas?

António Ou António?

Prestando serviço público, O Insurgente apresenta aqui um cheat sheet para os militantes e simpatizantes do PS que se encontrem indecisos nas eleições primárias entre o António Costa e o António José Seguro.

AntonioEAntonio

Continuar a ler

Hollandolandia

No livro “Thanks for the Moment da ex-primeira dama Valerie Trierweiller, esta revela que afinal François Hollande detesta os pobres

He likes to come across as a man who doesn’t like the rich,” she writes, according to excerpts published today by the daily Le Monde. “In reality, the president doesn’t like the poor. This the man of the Left, calls them in private ‘the toothless,’ very proud of his brand of humor.”

Scotland Independence Referendum

Longe vão os tempos de William Wallace… Faltando menos de vinte dias para o referendo na Escócia sobre a sua independência que será realizdo no dia 18 de Setembro, o SIM parece ir ganhando algum momentum depois dos debates entre Alex Salmond (SIM) e Alistair Darling (NÃO). O NÃO ainda vai mantendo a liderança, mas eu mantenho a esperança na vitória do SIM.

ScotlandReferendumLeitura complementarSpain and Belgium ‘would veto an independent Scotland’s EU membership’.