O Insurgente

Novembro 13, 2011

E quando menos se espera, temos direito a gerontofilia

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 23:51

Confesso que sinto alguns remorsos por, aparentemente, ter abalado a fé do João José Cardoso nos “estudos” do economista da CGTP Eugénio Rosa, a propósito das diferenças salariais entre a função pública e o sector privado. Sinto remorsos especialmente porque agora vejo que, ao fazê-lo, o empurrei para os braços da Manuela Ferreira Leite, também conhecida nas hostes esquerdistas pelo epíteto carinhoso “a velha”. Ver a erecção colectiva que as palavras da senhora provocaram no socialismo pátrio é algo embaraçoso, até para uma pessoa como eu, que é relativamente tolerante para com estilos de vida, digamos, alternativos.

De resto, confesso que, como já estou algo cansado de repisar os mesmos argumentos, desta vez vou apenas sugerir a leitura de um texto perfeitamente razoável que o José Manuel Fernandes publicou este fim de semana no Público, sobre esta mesma questão. Isto enquanto espero que a esquerda recupere deste pequeno AVC e volte à programação habitual.

Outubro 19, 2011

Lembrar 2009

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 21:28

“Os funcionários públicos que estão agora muito zangados são os mesmos que ficaram muito felizes com o aumento populista de 2,9% (2009)? São os mesmos ou são diferentes? São os mesmos que sorriram com esse aumento enquanto o resto da sociedade já estava em aperto, quando o resto da sociedade já aceitava cortes – a sério – nos salários? São os mesmos ou são diferentes?”

Henrique Raposo

Outubro 18, 2011

Sobre os “estudos” salariais do economista Eugénio Rosa

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 12:04

A esquerda resolveu responder ao (agora) mediático estudo do Banco de Portugal em que aparentemente o Primeiro Ministro se baseou para dizer que os funcionários públicos ganhariam mais 10% a 15% do que os funcionários do sector privado com dois “estudos” de um economista da CGTP e da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, intitulados ”A Mentira Como Instrumento de Manipulação da Opinião Pública (2009)” e “Ataque às Funções Sociais do Estado e Aos Trabalhadores da Função Pública (2011)”. Gostaria de fazer alguns comentários, não exaustivos, a esses “estudos”:

  1. Parece-me algo falacioso dizer, como dizem os sindicatos e o seu economista amestrado, que estes estudos são errados porque “a maioria dos funcionários da administração pública tinha mais habilitações”. Que parte de “verifica-se que a disparidade salarial bruta entre os dois sectores apresentada na última secção é largamente explicada pelas diferenças nas características da mão-de-obra. Este facto não é surpreendente, tendo em conta a magnitude dessas mesmas diferenças. No entanto, controlando para este factor observa-se um prémio, indicando que os salários são mais elevados no sector público, para os mesmos atributos. Este resultado está em linha com as conclusões de Portugal e Centeno (2001). Adicionalmente, o prémio aumentou ao longo do período 1996-2005. Em termos do salário mensal, este passou de quase 10 por cento em 1996 para 15 por cento ou um pouco mais no final da década que se seguiu. Os resultados baseados nos salários horários são coerentes com estes valores, sendo que neste caso o maior diferencial bruto é acomodado essencialmente por um prémio mais elevado. Com os salários definidos desta forma, os valores do prémio aumentam aproximadamente em 10 p.p. em cada um dos anos, situando-se este em cerca de 25 por cento em 2005″ (p. 68) é que não percebem?
  2. Ou seja, à crítica “não se podem comparar valores médios” os autores do estudo do Banco de Portugal respondem, vejam bem, não comparando valores médios.
  3. Mas o economista da CGTP também tem respostas para esta resposta, no seu “estudo” de 2009. Como a econometria é uma coisa que não lhe assiste, ele prefere, por exemplo, recorrer a médias ponderadas (p.2-3) para “explicar” os efeitos das diferenças de qualificações entre público e privado. Como o resultado a que chega lhe agrada, isso é o suficiente para acusar o estudo do Banco de Portugal de ser “erróneo, sob o ponto de vista técnico”. Presumo que neste caso erróneo não queira dizer “contrário à verdade” mas sim “um método diferente do método erróneo que eu usei e que não serve para provar que estes números são preconceituosos”.
  4. Nesse mesmo “estudo” de 2009, depois de destruir o estudo do Banco de Portugal com todo este rigor científico, o economista da CGTP ainda teve tempo de acusar os autores do estudo de falta de transparência, sacando depois de um estudo secreto da Cap Gemini de 2006 (um estudo tão secreto que o economista da CGTP e os sindicatos reconhecem não o terem lido) para “provar”, por exemplo, que os trabalhadores da Administração Pública que estão na categoria profissional “Grupo Técnico” ganhavam menos 188% do que no sector privado (p.1 e p. 4). Ou seja, não chegava ao Estado ter escravos no “Grupo Técnico”. Os escravos do “Grupo Técnico”, não se percebe bem como, pagavam para serem escravos quase o mesmo que os seus colegas do sector privado levavam para casa. Nada que faça grande confusão ao economista da CGTP.
  5. Mas o economista da CGTP não se ficou por aqui. Depois de expor a mentira como instrumento de manipulação de opinião pública no seu “estudo” de 2009, no “estudo” de 2011, fez umas contas e chegou à conclusão que entre 2000 e 2011 o poder de compra no sector público desceu entre 8% e 15,5% enquanto no privado subiu 8%, logo, prova-se que o tal prémio, mesmo que tivesse existido, já teria desaparecido. Certo? Errado.
  6. Ao fazer as contas desta forma, comparando variações médias do poder de compra no sector público e no sector privado, sem “ter em conta as diferenças de habilitações”, o economista da CGTP está ele próprio a cair na esparrela que pensava ter descoberto no estudo do Banco de Portugal. Pelos vistos devíamos reformular a sua crítica do ponto 1 para “não se podem comparar valores médios, excepto quando nos dá jeito”.
  7. Mas se quiserem também podemos ignorar esta aparente incongruência argumentativa do economista da CGTP e comparar os ditos valores médios. O problema é que, se o fizermos, vamos ter de rever os valores dos prémios no sector público num sentido que talvez não agrade ao economista da CGTP, correndo o risco de tornar a análise “errónea”. Se compararmos remunerações médias, ignorando as tais diferenças nas características dos funcionários que só são relevantes em anos bissextos, então o valor dos prémios na função pública não vão de “10% a 15%” mas sim de 73% a 91% (Quadro A1, p. 83, do estudo do Banco de Portugal). Vou deixar o economista da CGTP fazer as contas para ver se a descida do poder de compra que ele detectou chega para anular estas diferenças.

Eu percebo que as pessoas que acham “justo” que o Estado tire dinheiro aos que ganham mais apenas porque estes ganham mais agora tenham alguma dificuldade em não acharem “justo” que o Primeiro Ministro diga que o Estado vai tirar dinheiro aos funcionários públicos porque estes ganham mais do que os funcionários do sector privado. Mais, aceito perfeitamente que estas contas não sejam pacíficas, que haja aqui diversos outros factores a considerar e que deviam ser feitos mais estudos sobre o tema mas, caramba, não conseguem melhor do que desencantar um economista da CGTP? Isto só pode ser um plano desenvolvido pela legião de “empregados” e “intelectuais” do Comité Central do PCP.

Leitura complementar: As diferenças de remuneração entre público e privado e os cortes salariais

Outubro 13, 2011

Enfim…

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 12:43
“O senhor Manuel Vilas Boas, “especialista  em assuntos religiosos”  da TSF e SIC-N, ontem, à SIC-N:  O Vaticano criticou o comunismo, mas não criticou o nazismo e o americanismo.
Sim, leram bem: o americanismo é como o nazismo.”

Filipe Nunes Vicente

Outubro 12, 2011

O “Paulinho do Alcatrão” e a justiça

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 10:31

“Porém, importa perceber uma coisa: se a governação como um todo não pode ser investigada, um ato de governação em concreto pode ser investigado (ex.: Freeport). E, depois de ver esta reportagem da TVI , a minha pergunta é só uma: no meio desta embrulhada de estradas e estradinhas, o Ministério Público não encontra nada de estranho? De um dia para o outro, concessões rodoviárias, que custavam nicles ao tesouro público, passaram a custar 600 milhões. Quem saiu beneficiado? Uma empresa do universo Mota-Engil, essa entidade omnipresente. De um momento para o outro, o governo do eng. Sócrates e do dr. Paulo Campos mudou a lei para beneficiar objectivamente uma construtora em total prejuízo do nosso dinheiro público. Perante este facto objectivo (repito: objectivo), o Ministério Público não pode actuar, não pode perguntar, não pode indagar, não pode levantar o rabo da cadeira?”

O resto do texto do Henrique Raposo no Expresso está aqui.

Leitura complementar:600 milhões? 700 milhões? Para o Paulo Campos são trocos…

Outubro 11, 2011

Talvez ainda haja esperança para a UE

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Tomás Belchior @ 15:38

A 5 – 7 minutos do fim do mundo, falar da produção legislativa europeia que prossegue como se não estivéssemos a 5 – 7 minutos do fim do mundo pode parecer ridículo mas, é precisamente em momentos de desespero que pequenos gestos podem fazer renascer a esperança.

Atentem nas palavras da Vice-Presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding, a propósito de uma proposta que a Comissão apresentou hoje com o objectivo de facilitar transacções entre países da UE, um território fértil para a famigerada “harmonização”:

“Look I have seen, because I took up from my predecessor the consumer rights directive which proposed maximum harmonisation, and it didn’t work, it simply didn’t work.”

We have gone through the limits of the ‘full harmonisation’ [approach] we must try to do it in a different way.

“I believe it is an interesting way of going ahead and trying it out and it may be a new way that we can learn to be more efficient in the rules of the internal market.”

“What do we have to lose? What’s the worst that can happen? That no-one thinks it is worthwhile, and that no-one utilises it. So what’s the risk in trying?”

Qual é novidade que a senhora está a anunciar? A novidade é que, pela primeira vez, a Comissão vai fazer uma proposta de regulação do mercado único que não implica a imposição de regras aos Estados Membros mas que vai, isso sim, entrar em concorrência com as legislações nacionais. Ou seja, se esta proposta for adoptada, vamos passar a ter um regime contratual europeu opcional a funcionar em paralelo com 27 regimes contratuais nacionais, e não um regime contratual europeu obrigatório e, na prática, zero regimes contratuais nacionais.

Porque é que isto é importante? Porque este mecanismo pode ser uma forma de contornar os problemas institucionais inerentes ao facto de sermos governados por pessoas que não são, nem podem ser, omniscientes mas que têm grandes incentivos para se comportarem como tal. Dito de outra forma, o facto da proposta ser opcional faz com que esta seja mais robusta: permitirá que a regulação a ser adoptada no mercado único seja o produto de um processo de selecção descentralizado e gradual, decorrente das preferências dos agentes que esta regula e não apenas de um processo negocial levado a cabo nos corredores do poder em Bruxelas.

Empresas e consumidores europeus vão poder encontrar um equilíbrio entre os benefícios da concorrência entre Estados-Membros, os custos de transacção inerentes à existência de 27 regimes contratuais diferentes e um regime comum com regras de “protecção dos consumidores” que, nalguns casos, vão implicar mais custos para as empresas e eventualmente preços mais altos para os próprios consumidores, mas que podem ser compensados pela eliminação de grande parte desses custos de transacção e pela integração dos vários mercados nacionais. Qualquer semelhança entre isto e o funcionamento habitual da União é pura coincidência.

Para quem considera que um dos principais problemas da União Europeia é o facto de em Bruxelas se terem deixado de preocupar com criação e liberalização do mercado europeu que estavam na sua génese, para passarem a embarcar em projectos políticos utópicos e francamente contra-producentes, isto são boas notícias.

É claro que ao fazer a proposta no âmbito de um projecto político utópico intitulado Agenda 2020, enquanto a UE continuar a ter ideias peregrinas como a de tentar evitar que crianças com menos de 8 anos encham balões, e à beira do potencial colapso do euro, a Comissão corre o risco de transformar esta ideia em algo saído de um filme de zombies mas, a cavalo dado não se olha o dente, ou o caminho faz-se caminhando, ou mais vale tarde do que nunca.

Enfim, algo nessa linha.

Por falar no Paulo Campos…

Filed under: Internacional,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 12:51

Timochenko condenada a sete anos de prisão por abuso de poder

O processo diz respeito à assinatura de acordos de gás com a Rússia, em 2009, no qual a ex-primeira-ministra é acusada de ter excedido as suas competências firmando um compromisso que os críticos de Timochenko dizem ser muito desfavorável para a Ucrânia, onerando o país com preços “exorbitantes” e pondo mesmo em risco os “interesses nacionais”.

Eu não sei se a senhora está ou não a ser alvo, como alega, de uma perseguição política. Sei é que aparentemente há algumas diferenças entre a justiça ucraniana e a justiça portuguesa.

600 milhões? 700 milhões? Para o Paulo Campos são trocos…

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 11:49

Estradas Portugal: «erro de cálculo» custa milhões

Empresa pública foi prejudicada em 600 milhões de euros. Quem ganha é o grupo privado Ascendi

A entidade reguladora do sector rodoviário denunciou ao Governo que a Estradas de Portugal foi prejudicada em quase 600 milhões de euros, numa negociação com o grupo Ascendi, relativo às concessões Norte e Grande Lisboa.

O caso remonta a Novembro de 2010 quando o Instituto Nacional de Infra-estruturas Rodoviárias informou o então secretário de estado das Obras Públicas, Paulo Campos, de negociações potencialmente ruinosas para o Estado com o grupo Ascendi, dominado pela Mota-Engil e pelo BES.

[...]

Contas feitas, a EP obteve um prejuízo de 597 milhões de euros, a preços actuais em estradas que antes não custavam 1 cêntimo ao erário público.”

E mais uma:

“Relatório: Entidade reguladora critica anterior Governo, de José Sócrates
Scut vão custar mais 700 milhões

E este tipo continua a dar a cara pelo PS na Comissão de Obras Públicas em vez de estar, sei lá, na prisão?

Setembro 29, 2011

E se de repente um sindicato lhe oferecer uma notícia em bouquet isso é…

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 11:15

Jornalismo de referência.

Atentem, por exemplo, na qualidade jornalística deste parágrafo de uma “notícia” intitulada “Acabar com o envio dos mapas de horários de trabalho à ACT é um “erro”:

“A inspectora Maria Armanda Carvalho questiona-se sobre essa “figura da autorização automática” e como funciona. Ninguém analisará os pedidos? E se o seu conteúdo não for rigoroso ou aceitável? Não haverá o risco de reduzir requisitos legais a meras formalidades? Haverá ainda uma portaria a determinar esse procedimento? Que sistema informático irá dar essa “autorização automática”? Dúvidas ainda sem resposta.”

Dúvidas ainda sem resposta? Que tal o senhor jornalista do Público ir à procura das respostas antes de fazer copy/paste do que Sindicato dos Inspectores de Trabalho lhe deu? A ACT não quis comentar e a história acaba aí? Mas afinal o senhor jornalista do Público é pago para quê?

Permitam-me um bocadinho de “fundamentalismo demagógico” a propósito da RTP (Parte II)

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 01:13

O Manuel Castelo-Branco respondeu ao meu post em relação à RTP dizendo que está de acordo quanto ao meu diagnóstico mas não quanto à minha solução, resumidamente, porque a minha solução não garante a “sustentabilidade” do mercado. O problema é que isto não é verdade. A minha solução, tirar o Estado da comunicação social rapidamente e em força, garante a sustentabilidade do mercado. O que não garante é a sustentabilidade do mercado que temos actualmente. Mas isso é positivo, não negativo.

Vamos por partes.

Quando os operadores privados dizem que “não há espaço” para um novo canal comercial o que estão a dizer é que talvez não haja espaço para eles próprios. Depois de terem conseguido que a partir de 2003 fossem os contribuintes a oferecer-lhes publicidade, limitando a que a RTP pode exibir a metade do que a lei lhes permite a eles exibir, agora estão compreensivelmente preocupados que o festim acabe. É claro que, já que preferem dedicar-se ao lobbying em vez de tentarem produzir conteúdos que os consumidores queiram comprar, podiam convencer o governo a mandar uma boa parte da Lei da Televisão e do Código da Publicidade para o lixo mas percebo que seja mais fácil e proveitoso tentar manter as coisas como estão. Ou seja, como disse no meu post, já se sabe que a RTP é óptima para os Governos, para os operadores privados e para os trabalhadores da RTP. O que ainda ninguém conseguiu explicar é a única parte verdadeiramente relevante desta questão e a única parte com que o Governo se devia preocupar: em que medida é que a RTP é boa para os portugueses em geral.

Mas presumo que seja aí que entra a outra metade do argumento do Manuel Castelo-Branco, a de que a existência da RTP subsidiada pelos contribuintes garante (ou, pelo menos, não acaba com) a viabilidade financeira de múltiplos jornais e rádios por esse país fora e, como isso é bom para a democracia, os contribuintes devem a continuar a subsidiar a RTP.

Mesmo sem entrarmos na imoralidade (sim, imoralidade) destas transferências, esta análise está errada em dois aspectos. O primeiro, é formal. O que nós estamos aqui a debater é se é bom ou mau para o mercado privatizar/acabar com a RTP. Não estamos a debater se é bom ou mau para a democracia a existência de jornais, rádios e canais de televisão. O que nós estamos a debater é precisamente se o facto de “entre 2009 e 2012 o mercado publicitário cairá entre 25% e 30%” e as eventuais consequências no mercado publicitário da privatização da RTP implicam uma “redução do nº de players do mercado, a redução da concorrência e menor liberdade de escolha”. Enquanto esta relação não for provada, não vale agitar a bandeira da qualidade da democracia.

O segundo aspecto errado na análise é precisamente a ligação entre o que o Manuel Castelo-Branco diz que vai acontecer ao mercado publicitário e o que isso implica para as empresas de comunicação social.

Dizer que se o mercado ficar “sem espaço” isso acaba com o mercado não faz sentido. Assumindo que o Dr. Balsemão quer continuar a ter dinheiro, se o mercado ficar “sem espaço”, vai ter de tornar a Impresa mais eficiente, mais rentável, mais inovadora, mais produtiva, etc. É aliás o que tem acontecido desde que o mercado ficou “sem espaço” por causa da internet e isso transformou o sector da comunicação social num dos mais inovadores da economia, precisamente porque gerou uma procura desenfreada por modelos de negócios que tornassem viáveis jornais, rádios, etc. Uma procura que até levou alguns iluminados a falar em booms iminentes no sector da comunicação (com uma ajuda da tal desregulação). Uma procura que não levou a uma redução do nº de players do mercado, a uma redução da concorrência e a uma menor liberdade de escolha, mas sim ao inverso. Resumindo, eu gostava sinceramente que o Dr. Balsemão transmitisse aos seus colegas a mensagem que o país já lhe transmitiu a ele há anos: talvez não fosse má ideia concentrarem-se nos negócios e esquecerem a política. Ficávamos todos a ganhar.

Dizer que se o mercado ficar “sem espaço” isso acaba com o mercado é uma espécie de aplicação pro-business (e não pro-market) da lógica que a esquerda usa em relação à fiscalidade. Quando a esquerda acha que o Estado precisa de dinheiro, olha para as declarações de impostos dos portugueses e desenha um esquema para ir buscar o dinheiro necessário ao bolso dos contribuintes sem sequer lhe passar pela cabeça que talvez isso altere os incentivos que os portugueses têm para produzir riqueza. O facto de não conseguirmos saber o que vai acontecer no futuro não prova que o futuro não existe, apenas prova que somos ignorantes. E a ignorância não é propriamente a base ideal para uma qualquer política pública.

Finalmente, dizer que se o mercado ficar “sem espaço” isso acaba com o mercado é admitir que o mercado só sobrevive se os contribuintes continuarem a financiar indefinidamente e de forma abitrária empresas privadas. Isto parece-me um óptimo motivo para acabar com esse “mercado” ou com essas empresas. Pintar, como faz o Manuel Castelo-Branco, o fim dessas transferências como uma espécie de “imposto sobre os ricos ou uma taxa tobin sobre os media” é inaceitável. Parafraseando a Thatcher, o dinheiro, esse dinheiro, não é dos ricos ou dos media e sobretudo não é do Governo para que este o distribua. É dos contribuintes.

Opções políticas onde benefícios intangíveis para a sociedade têm como contrapartida vantagens muito concretas e palpáveis para grupos perfeitamente identificados são algo a que estamos tristemente habituados. Acabar com estes cozinhados ou, pelo menos, discuti-los abertamente, é que vai melhorar a democracia.

Leitura complementar: Permitam-me um bocadinho de “fundamentalismo demagógico” a propósito da RTP, “When it’s darkest men see the stars

Setembro 27, 2011

Permitam-me um bocadinho de “fundamentalismo demagógico” a propósito da RTP

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 12:47

Até estou disposto a admitir que a RTP não é só um esquema para oferecer empregos bem remunerados a uns milhares de pessoas. Mas uma coisa é certa: a RTP não é um grupo de comunicação social. É um braço político do(s) Governo(s) e é como braço político do(s) Governo(s) que tem de ser avaliada. É por isso que me faz alguma confusão ver o Manuel Castelo-Branco falar em “racionalizar” a RTP sem sequer aflorar essa questão.

A RTP tem uma única missão, arranjar votos, e duas formas de cumprir essa missão: indirectamente, através do “serviço público” (que muita gente defende mas que pouca gente vê) e do condicionamento do sector da comunicação social e, directamente, através de propaganda mais ou menos explícita. “Racionalizar a RTP” significa melhorar o rácio euro/voto do dinheiro que os contribuintes portugueses metem na empresa. Não significa, ao contrário do que o Manuel Castelo-Branco diz, combater o desperdício, arranjar estruturas mais produtivas ou definir estratégias empresariais racionais. Isso é o que os privados fazem. Isso é o que só os privados podem fazer. Logo, se é para avançar nesse sentido, mais vale passar-lhes a bola o mais rapidamente possível.

O problema é que, se a RTP cumprir a sua missão como empresa pública, funciona como uma espécie de subsídio à acção governativa. Um subsídio que os contribuintes são obrigados a pagar pelos governos cuja acção subsidiam. Não me parece uma situação particularmente higiénica. Como se isto não bastasse, ainda resta saber se os contribuintes ganham alguma coisa com esse subsídio, ou seja, se ao subsidiarem essa acção governativa subsidiam a qualidade da acção governativa ou apenas a sua quantidade (e, pelos vistos, o resultado líquido dos concorrentes da RTP).

Enquanto a RTP for pública, são estas as contas que têm de ser feitas. A RTP é mal gerida porque é pública e não é “racionalizável” enquanto se mantiver pública. Eu percebo que eventualmente não se possa falar desta questão abertamente mas talvez o facto de não se poder falar disto acabe por ser o melhor argumento para se tirar de uma vez por todas o Estado da comunicação social.

Setembro 22, 2011

Mobilidade Especial

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 13:57

“Segundo um despacho ontem publicado em Diário da República, “foi concedida licença sem remuneração de longa duração” ao “técnico superior engenheiro José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, com início a 21 de Junho de 2011″. O despacho foi assinado pelo próprio presidente da autarquia, Carlos Pinto, no dia 14 de Julho de 2011.

Contactado pelo CM, o presidente da Câmara da Covilhã recusou avançar pormenores sobre o que acertou com José Sócrates, nomeadamente se o ex–primeiro-ministro pondera, de facto, voltar um dia a integrar os quadros da autarquia. “Tenho muito respeito por ele, não vou tornar público”, afirmou Carlos Pinto.”

Um direito adquirido é um direito adquirido é um direito adquirido.

Setembro 20, 2011

Na mouche

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 10:38

“As autoras do Jugular estão estarrecidas com a dívida madeirense. Parece que os benefícios do investimento público não se verificam nas regiões autónomas.”

Luís M. Jorge

Setembro 19, 2011

Boas frases

Filed under: Política,Teoria — Tomás Belchior @ 16:11

“Many voters seem to think that government has the power to protect them from the consequences of their sins. Then they get angry and cynical when it turns out that it can’t.”

Da última coluna do David Brooks intitulada “The Planning Fallacy“.

Setembro 14, 2011

Debater o SNS

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 01:59

“Estive a ver parte de um debate na SicN sobre o SNS, com o paizinho dele, Manuela Arcanjo e Arlindo Cunha: faltam médicos de família, a administração privada é um horror, o lucro também, agora é que vai ser – racionalizar tudo o que foi irracionalizado.

Visão liberal destas coisas, nicles. Liberais não há – só estatistas, com mais ou menos corte e mais ou menos poupança. Ou, se há, a SIC não os convida: não foram ministros.”

José Meireles Graça no Senatus

Setembro 12, 2011

Um conferência oportuna

Filed under: Agenda,Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 11:47

Conferência: Os limites do sacrifício fiscal em IRS | 15 de Setembro

Terá lugar no próximo dia 15 de Setembro, 5ª Feira, às 18:00  a  conferência sobre “Os limites do sacrifício fiscal em IRS”.

Oradores:
Prof. João César das Neves
Dr. Manuel Faustino

Moderador:
Dr. João Taborda da Gama

A entrada é livre. Para participar, é apenas necessário confirmar a presença enviando um e-mail para catolicaevents@fd.lisboa.ucp.pt.

Setembro 8, 2011

Não querem “cortes cegos”?

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 11:59

O “corte cego” anda na praça pública. Deve ser o primeiro caso na história em que um governo que supostamente não corta na despesa é acusado de fazer cortes cegos em tudo quanto é sítio. Talvez isto seja apenas uma espécie de indignação preventiva. Não sei. O que eu sei é que, contra os “cortes cegos” tenho seis letras para oferecer: SIADAP – Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública.

O SIADAP supostamente serviria para fazer uma avaliação “não ideológica” dos serviços, dirigentes e trabalhadores da administração pública. Ou seja, uma avaliação onde, não se questionando a lógica da existência de um determinado serviço, seria analisado o desempenho desse mesmo serviço e dos seus trabalhadores, por muito absurda que a sua missão fosse. Eu não sei bem como é que isto se faz mas parece que “em sede de concertação social” tudo é possível.

O que é certo é que este processo começou em 2008 e três anos depois não serviu para nada. Porquê? Porque não separou bons serviços de maus serviços. Porque não separou bons dirigentes de maus dirigentes. Porque não separou maus funcionários públicos de bons funcionários públicos. É só para isto que serve um sistema de avaliação de desempenho. Não é para identificar “oportunidades de formação”, nem descobrir que funcionários é que têm um desempenho “relevante”. É para saber quem merece ser premiado e que tem de ser posto na rua.

Em Abril deste ano ficámos a saber que 92% dos funcionários da administração central tinham visto a seu desempenho de 2009 (?) avaliado. Não ficámos a conhecer o resultado global dessa avaliação, nem o que se passou na administração local e regional. Na internet só se encontram uns relatórios de avaliação soltos onde, curiosamente, há algumas pessoas “excelentes” e “relevantes”, muitas “adequadas”, mas nenhuma “inadequada”. Suponho que alguém considere que isto serve como informação sistematizada que nos permite saber com que grau de eficiência é que os diferentes serviços e funcionários do Estado andam a desperdiçar o nosso dinheiro. Mas não serve. Só serve mesmo para atirar areia para os olhos de toda a gente.

Eu bem sei que a ideia de que os 650.000 funcionários públicos são uma massa indistinta de pessoas sem vontade própria dá imenso jeito aos sindicatos quando têm de se sentar à mesa para tentar converter votos em dinheiro do Orçamento de Estado. Mas se querem os funcionários públicos todos no mesmo saco, depois não podem é vir reclamar a dizer que os cortes são cegos.

Ou se abre o saco, o que implica uma perda de poder dos sindicatos mas também cortes selectivos e eventualmente menos injustos, ou o saco fica fechado e levam todos por igual. É tramado.

Setembro 7, 2011

Como destruir o sector da construção

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 18:52

Fiquei a saber pelo Público que o Governo vai facilitar o acesso aos alvarás de construção, reduzindo as exigências financeiras a que as construtoras estão sujeitas para que o Estado as deixe construir. Apesar de curta (e previsivelmente tardia para muitas das empresas que pretende “ajudar”) é uma boa medida. Mas o que é realmente interessante nesta notícia é o retrato das consequências da “ajuda” que o Estado deu a estas empresas através da regulação.

Comecemos pelo contexto. Em Portugal o sector da construção é regulado pelo INCI que tem como principal missão criar barreiras à entradaqualificar as empresas do sector da construção e do imobiliário, para as quais o acesso e exercício da sua actividade seja regulado”. Essa “qualificação” é concretizada recorrendo a alvarás de construção distribuídos de acordo com critérios (“idoneidade, capacidade técnica e capacidade económica e financeira”) que, só para variar, apenas garantem três coisas:

  1. Que as empresas de construção perdem tempo a martelar números e quadros de pessoal para os poderem obter;
  2. Que as empresas que não têm estrutura (leia-se dinheiro para desperdiçar) para martelar números e quadros de pessoal não podem competir com as empresas que desperdiçam dinheiro a fazê-lo;
  3. Que tanto umas como as outras andam a perder tempo e dinheiro com a lidar com o INCI em vez de se concentrarem nos seus clientes.

Tendo em consideração este contexto, é fácil perceber porque razão faz sentido “aliviar” este esforço de “qualificação” do INCI. É pena é que o INCI, na figura do seu presidente, e os representantes da indústria da construção não consigam ou não queiram perceber o alcance das suas próprias declarações.

A certa altura, o dito presidente do INCI diz que tendo em conta a crise “era pois necessário criar às empresas que actuam no sector da construção condições que lhes permitissem manter-se em actividade”. Ou seja, o presidente do INCI reconhece que os seus alvarás destroem emprego mas que aparentemente isso é irrelevante sem ser em tempos de crise. Esclarecedor. Talvez a destruição de emprego em tempos de bonança afinal sirva para que, em tempos de crise, alguém possa dizer que está a fazer algo para ajudar. Onde é que eu já ouvi algo parecido com isto?

Mais à frente, a notícia diz-nos que os “patrões da indústria da construção” querem que as reduções das indemnizações por despedimento que constam do acordo com a troika sejam também aplicadas aos contratos de trabalho antigos porque isso “permitiria salvar algumas empresas e alguns postos de trabalho, em vez de a empresa ficar insolvente e irem todos para o desemprego”. Estas declarações dos patrões também tornam evidente que nunca lhes passou pela cabeça que manter quadros durante tempo suficiente para que estes tenham direito a indemnizações supostamente catastróficas é uma das consequências directas da redução de concorrência que os alvarás lhes compram e da demonstração de “capacidade técnica” que estes exigem.

Enfim, como se costuma dizer, se não queres acordar com pulgas…

Setembro 6, 2011

Um pequeno ponto quanto a impostos sobre fast food

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 11:21

O facto de haver (ou de poder passar a haver) uma ligação entre o que comemos e os impostos que pagamos significa que temos um problema no nosso sistema fiscal, ou no nosso Estado Social, não na comida que comemos.

Setembro 5, 2011

Notícia: Sem transferências sociais, funcionários públicos ganhariam menos 38%

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 19:53

Há várias justificações para a moda Outono-Inverno de ir atrás dos ricos. Há quem diga que o que os ricos ganham é imoral em si mesmo. Há quem diga que o que é imoral é a diferença entre o que o ricos ganham e o que o resto da população ganha. Há ainda quem diga que o que é imoral é não cobrarmos impostos como os outros países. Nessa linha de raciocínio, também eu gostava de opinar sobre a imoralidade do que os outros ganham e se possível convencer alguém a usar o Estado para lhes tirar dinheiro. Em nome da justiça social claro.

Em 2009, um estudo do Banco de Portugal analisou a diferença entre os salários na função pública e os salários no sector privado. O estudo chegou a várias conclusões interessantes:

  1. O salário médio total na função pública era 73% superior ao do sector privado;
  2. O salário médio horário era 91% superior ao do sector privado;
  3. Quando comparadas funções equivalentes, o prémio salarial total relativamente ao sector privado era de 15%;
  4. Quando comparadas funções equivalentes, o prémio salarial horário relativamente ao sector privado era de 25%;
  5. O prémio salarial relativamente ao sector privado reduzia-se à medida que os funcionários públicos subiam na carreira.

Ou seja, os funcionários públicos, especialmente os que têm poucas qualificações e/ou estão em início de carreira, ganham mais e trabalham menos tempo.

Além destas diferenças, os funcionários públicos têm ainda acesso a benefícios generosos relação ao sector privado (ex: ADSE). E, como se isto não bastasse, até ver, não podem ser despedidos, logo, são poupados à “redução de poder de compra” de pelo menos 35% a que outros 675.000 portugueses que estão no desemprego não escaparam. Isto para não falarmos do facto de, não podendo ser despedidos, além de não se preocuparem com a perda instantânea de 35% do salário, também não precisam de se preocupar com o desaparecimento inevitável dos tais prémios salariais quando tivessem de arranjar um emprego no sector privado. Um pacote interessante, diria eu.

Para tornarmos a coisa mais interessante, podemos tentar estimar quanto valem esses benefícios e essa protecção. Tanto quanto o Google me informou, não há grandes estudos feitos sobre a matéria mas recentemente o Andrew Biggs andou a olhar para a coisa nos Estados Unidos e estimou que o efeito combinado dos prémios salariais (14%), do valor dos benefícios adicionais (63%) e do valor da segurança no emprego (17%) representariam um prémio global de 61% relativamente ao sector privado. Isto nos Estados Unidos, o país da OCDE com o mais baixo índice de protecção no emprego.

Porque é que isto é importante?

Isto é importante porque estas diferenças representam o valor que os funcionários públicos e os seus sindicatos conseguem extrair ao Orçamento de Estado apenas pelo facto de se sentarem à mesa, em sede de concertação social. Um sítio onde ninguém tem grandes incentivos para não torrar o dinheiro dos contribuintes. Os políticos, que apesar de tudo ainda têm de se sujeitar a eleições, quanto muito têm incentivos para disfarçar que o estão a fazer.

Ou seja, estes números representam a diferença entre as condições laborais minimamente concorrenciais que a maior parte de nós enfrenta no mercado laboral aberto, e as condições que os funcionários públicos enfrentam por estarem protegidos constitucionalmente dessa mesma concorrência.

Isto é importante porque estas diferenças ilustram bem que, ao contrário que muita gente pensa, pagar impostos não é ser solidário. Pagar impostos é assegurar que o nosso dinheiro é redistribuído de acordo com critérios políticos, critérios políticos esses que, pelos vistos, implicam uma transferência injustificada e desproporcional desse dinheiro para o bolso de 650.000 funcionários públicos, apenas por estes serem funcionários públicos. Pagar impostos é assegurar que essa transferência injustificada e desproporcional é feita de forma coerciva. Há quem diga que isto é moralmente equivalente a prestar uma ajuda voluntária a quem realmente precisa. Eu tenderia a dizer que isto é moralmente equivalente a um assalto à mão armada.

Isto é importante porque estes números permitem fazer umas contas simples e polvilhar o ajustamento orçamental que se avizinha com uma verdadeira “ética social”. Já que aparentemente é inconstitucional despedir funcionários públicos mas não é inconstitucional obrigar os portugueses a pagar os impostos que forem precisos para pagar os salários desses mesmos funcionários públicos, temos de recorrer a outros expedientes para simular os efeitos da concorrência laboral a que as pessoas que vivem no mundo real têm de se sujeitar.

O que eu sugiro é que o Governo anuncie que daqui a 6 meses todos os funcionários públicos verão os seus salários cortados, não em 38% como nas contas do Andrew Biggs, mas nuns modestos 13% (o equivalente apenas ao prémio salarial do estudo do Banco de Portugal). Até essa data, quem quisesse ir embora, poderia ir embora, com tempo suficiente para arranjar um emprego melhor. Se o Governo não quiser “desnatar” ainda mais a função pública pode anunciar que o corte será inversamente proporcional. Os funcionários com poucas qualificações, com mais concorrência no mercado laboral e com prémios salariais comparativamente superiores, teriam direito a um corte superior a 13%. Os funcionários mais qualificados, com menos concorrência no mercado laboral e com prémios salariais comparativamente inferiores, teriam direito a um corte inferior a 13%.

Quanto é que um corte de 13% nas despesas com pessoal representa? Representa aproximadamente 1,43% do PIB, cerca de 2.300 milhões de euros ou quase 3 vezes o que o Estado prevê arrecadar este ano com o imposto extraordinário.

Que tal? Liberté, égalité, fraternité, não é?

Leitura complementar: Riscar o que não interessa

Adenda: Corrigi umas contas depois de o Miguel Madeira me ter apontado um erro básico.

Quem diria…

Filed under: Internacional,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 10:30

No meio de tanta incerteza, é reconfortante ver que às vezes o mundo ainda funciona como devia funcionar. Atentem:

Câmara Corporativa: “Na Saúde os cortes vão ser pagos não com sacrifícios mas com mortes.”

Ladrões de Bicicletas: “o que decorre da «racionalização de recursos e controlo da despesa» na saúde senão uma degradação das condições humanas e materiais inerentes à prestação de cuidados, susceptível de colocar em risco respostas atempadas e a própria vida dos cidadãos?”

Sarah Palin: “The America I know and love is not one in which my parents or my baby with Down Syndrome will have to stand in front of Obama’s “death panel” so his bureaucrats can decide, based on a subjective judgment of their “level of productivity in society,” whether they are worthy of health care.”

Ver a esquerda popular e democrática, a esquerda democrática em anos de eleições e a “extrema direita” americana unidas na luta por uma causa comum é enternecedor. Mas como interpretar esta confluência? Será que têm todos razão ou será que isto apenas prova que a retórica idiota não tem ideologia?

Setembro 2, 2011

Para quê?

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política — Tomás Belchior @ 12:10

(Via Dan Mitchell)

Eu cá acho que o governo está a fazer muito bem

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 10:59

Em menos de três meses o Governo arranjou maneira de pôr toda a gente, da esquerda à direita, a gritar desesperadamente por cortes na despesa. Quando (se?) aparecerem as tais medidas que vão representar um ajustamento orçamental de 7% do PIB até 2015, com uma redução de despesa primária de 9% já em 2012 (e no seguimento da redução de despesa de 4,8% até Julho deste ano), suponho que nem a uma manifzinha para animar as hostes vamos ter direito.

Agosto 31, 2011

Documento de Estratégia Orçamental 2011 – 2015

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 16:35

Pode ser lido aqui.

Bom proveito.

Agosto 29, 2011

Um apelo simples

Filed under: Economia,Internacional,Política — Tomás Belchior @ 14:59

Americans Should Be Able to Sell Stuff Without a Permit

“The normal mindset among U.S. officials is that prior permission should be required to sell legal goods to a willing buyer. Kids selling lemonade on the street are shut down. A Missouri man has been fined $90,000 for selling rabbits (he made about $200). In Illinois, an artisan ice cream maker is being shut down for lack of a dairy permit. Manuel Winn was arrested, handcuffed, and booked for selling magazines door-to-door without a permit. A Maryland mother of three was arrested for selling $2 phone cards without a license. Lots of municipalities are going after food trucks. A group of Louisiana monks had to go to court to win the right to sell simple wooden caskets to consumers.

[...]

The default should be that free citizens can engage in commerce with one another, sans any prior restraint by federal, state, or local governments. It’s time to deregulate.”

Liderança vs. Posicionamento

Filed under: Política,Portugal,União Europeia — Tomás Belchior @ 12:51

Permitam-me uma pequena digressão.

Ontem estava a rever uns episódios do West Wing e a certa altura, no episódio “War at Home” da Série 2, há uma cena em que o Josh Lyman está a discutir números de uma sondagem que tinha feito para saber se o facto do Presidente ter proposto legislação para dificultar o acesso a armas de fogo iria prejudicar as hipóteses de reeleição de cinco congressistas democratas.

A sondagem tinha revelado que, a nível nacional, a ideia agradava aos eleitores mas que naqueles cinco círculos eleitorais, círculos onde uma nova vitória democrata estaria em dúvida, as pessoas não gostavam de ter de esperar uns dias para comprar armas. Face a estes números, a conclusão do Josh Lyman foi de que iam ter de moderar o discurso em torno daquela proposta para não prejudicarem a campanha de reeleição dos tais cinco congressistas. Isto porque “os números não mentem”.

A sondageira (técnica de sondagens? como é que se traduz pollster?) disse-lhe que, ao contrário do que ele achava, os números mentem e que aqueles números em particular não diziam necessariamente que os eleitores estavam contra a proposta. Podiam simplesmente dizer que os eleitores não conheciam a proposta e os seus méritos. Logo, em vez de camuflarem as suas posições em relação às armas de fogo, o que os democratas deviam fazer era dar-lhes mais tempo de antena.

Para rematar, a sondageira disse-lhe que governar ao sabor da opinião pública fazia lembrar uma citação atribuída ao Alexandre Ledru-Rollin que diz qualquer coisa como “Ali vai o meu povo. Tenho de o seguir pois sou o seu líder.”

Mesmo descontando os ecos da superioridade moral das “liberal elites”, pareceu-me um trecho televisivo adequado aos tempos que correm.

Uma bela resposta a um post miserável

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 11:44

resposta a luís naves, do Rui a.

Agosto 26, 2011

Ainda sobre estas ideias peregrinas que andam a circular

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 10:47

Tirar recursos aos Ricos para o Estado destruir ainda mais de Luís Paixão Martins

Agosto 25, 2011

Notícias incómodas sobre um certo “pensamento mágico” (edição irlandesa)

Filed under: Economia,Internacional,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 13:10

No auge do socratismo, os socialistas e demais adeptos do endividamento público ilimitado, andavam todos contentes com os défices que os irlandeses iam ter de pagar para salvar os seus bancos. Diziam-nos “vocês queria ser como a Irlanda não era? Queriam défices de 32% não era? Ainda bem que nós não fomos na vossa conversa e não passámos dos 10%”. Anunciavam ao mundo que eles é que percebiam da poda porque éramos os campeões do crescimento. Vendiam-nos a ideia de que estava tudo controlado porque a despesa estava a crescer menos. Lembram-se? Pois.

Entretanto o que é que aconteceu na Irlanda? Aqueles malucos fizeram um ajustamento orçamental equivalente a 13% (!) do PIB, quando a Merkl e o Sarkozy os tentaram obrigar a “harmonizar” os regimes de tributação sobre os lucros os irlandeses mandaram-nos à fava porque preferiam ter crescimento do que esmolas e, lo and behold, crescer foi precisamente o que eles fizeram no primeiro trimestre do ano.

Isto quer dizer que a questão está arrumada? Não. Quer dizer que pelos vistos “as lições da Irlanda” só interessam quando confirmam teorias que nos são úteis. Quer dizer que os nossos amigos que continuam a defender as receitas socráticas (e derivados) que nos trouxeram até à situação em que nos encontramos, em vez de andarem à procura do que chamam “pensamento mágico económico” em indicadores de confiança, deviam olhar para o gráfico do que tem acontecido às taxas de juro das obrigações irlandesas a 10 anos:

Ou seja, é uma pena que Portugal não seja a Irlanda porque, como resumiu o Manuel Pinheiro aqui há uns tempos, a verdadeira lição irlandesa é que “os irlandeses entraram nesta crise muitíssimo mais ricos que os portugueses. Vão sair dela muito mais ricos que os portugueses. Pelo meio continuarão muito mais ricos que os portugueses. E depois dela continuarão a enriquecer muito mais que os portugueses”.

Já que estamos a falar no assunto, também podiam ler a resposta do Alberto Alesina ao artigo da Economist que tanto os excitou e que acaba da seguinte forma:

“We already know that one conclusion is in line with many of the previous papers– namely, that spending cuts are better than tax increases to reduce a budget deficit.”

Eu sei que pedir a estes senhores que tivessem juízo (ou mesmo vergonha na cara) é pedir demais. Mas talvez não lhes custasse muito começar a olhar para outros sítios que não para o próprio umbigo.

Agosto 24, 2011

Quando for grande não quero ser rico

Filed under: Economia,Internacional,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 18:22

Há quem tenha ficado sensibilizado com esta história dos ricos franceses (e talvez dos ricos portugueses) virem a público oferecer-se para pagar mais impostos. Pessoalmente, deu-me a volta ao estômago. E não só pelas razões que o Tiago apontou, e muito bem, aqui e aqui.

Fiquei enjoado não por duvidar da sinceridade destes senhores. Nem por ver que estes 16 milionários, ao exprimirem a vontade de “ajudar” o Estado francês, estão a perpetuar os problemas que “obrigam” o Estado francês a tapar buracos com o seu próprio dinheiro. Nem sequer foi o facto deste gesto ser mais uma prova de que as grandes empresas e os grandes empresários vivem em concubinato com o poder político.

O que me enjoou foi a cobardia. O que me enjoou foi ver estes tipos cederem à chantagem que se tornou o esprit de corps da democracia e que diz que os ricos, por serem ricos, devem pagar mais impostos, sob pena de serem vítimas do “descontentamento” popular. O que me enjoou foi ver que estes tipos estão a dar razão aos políticos que se têm esforçado por evitar que a generalidade da população pague o preço das suas opções políticas, recorrendo a instrumentos como a progressividade fiscal e a emissão de dívida. O que me enjoou foi ver estes tipos, por um punhado de euros, a deixar que os políticos continuem a usar a inveja da população como fundamento moral para assegurar que uma parte significativa dessa mesma população nunca vai ganhar mais, para poder pagar mais.

No fundo que me enjoou foi ver que estes tipos, por serem ricos, acham que se podem dar ao luxo de vender não só a nossa liberdade como também a nossa dignidade.

Este tipo é que é o Messias económico da esquerda?

Filed under: Economia,Internacional,Política — Tomás Belchior @ 12:51

People on twitter might be joking, but in all seriousness, we would see a bigger boost in spending and hence economic growth if the earthquake had done more damage.

Paul Krugman, Prémio Nobel de Economia, a propósito do sismo que atingiu ontem a Virginia.

Podem ver o que está a passar no twitter procurando por #KrugmanStimulus mas para ficarem com uma ideia da coisa, deixo-vos este exemplo:

“A single murder creates jobs for police, detectives, funeral directors, etc. I’m just saying. #KrugmanStimulus

Leitura complementar: Paul Krugman, Slavoj Žižek e a invasão dos extraterrestres keynesianos

Update: Parece que afinal não foi o Krugman que o disse mas um tipo que se fez passar pelo Krugman e que adaptou livremente algo que o Krugman verdadeiro disse múltiplas vezes.

Afinal como é que se escreve Khadafi?

Filed under: Cultura,Internacional — Tomás Belchior @ 12:28

Espantosamente, responder a essa pergunta é ainda mais complicado do que pensam.

A chave está neste gráfico (podem consultar todas as combinações possíveis aqui):

(Via PRI e Monkey Cage)

Agosto 23, 2011

Para acabar de vez com a conversa dos limites ao endividamento: um guia para cépticos

Filed under: Economia,Internacional,Política,Portugal,Teoria,União Europeia — Tomás Belchior @ 16:05

Como esta questão de inscrever limites ao endividamento na Constituição está aos poucos a infiltrar-se na ordem do dia, lembrei-me de fazer um pequeno guia sobre a questão. Achei desnecessário relembrar as razões dos que defendem (como eu) que seria benéfica a existência desses limites e preferi concentrar-me nas críticas dos que acham que a ideia é absurda.

Sendo assim, compilei a minha visão de leigo (sim, isto é para abrir a porta a que constitucionalistas me venham falar na “degradação da norma constitucional” ou coisa que o valha) sobre a matéria neste post.

Se o conseguirem ler até ao fim ficarão a saber que, com limites constitucionais ao endividamento, não ficamos sem maneira de responder a emergências, não perdemos soberania, não vamos deixar de conseguir fazer reformas importantes e que não é verdade que os limites ao endividamento não funcionem. Também ficarão a saber que é irrelevante para a discussão que a Constituição já tenha tralha a mais, que os limites ao endividamento possam ser considerados ideológicos, que o Plano de Estabilidade e Crescimento (a versão europeia) não funcione, ou até que estes limites façam parte de um plano neo-nazi para controlar a Europa.

Ou seja, ficarão a saber how I learned to stop worrying and love the bomb.

Se me tiver escapado qualquer coisa, digam. Afinal de contas isto não é uma tese de mestrado. É apenas um post muito comprido.

 

(mais…)

Agosto 19, 2011

Há vida para além das Novas Oportunidades

Filed under: Educação,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 10:37

Em teoria, o Programa Novas Oportunidades teria como objectivos, por um lado, transformar competências informais em competências formais que pudessem ser usadas para melhorar a empregabilidade das pessoas que frequentassem o programa e, por outro, facilitar o acesso a essas competências para quem não as tivesse obtido pelas vias tradicionais. É claro que, tratando-se de mais um daqueles programas muito bonitos no papel mas impossíveis de concretizar pelo Estado, acabou sobretudo a facilitar tudo e mais alguma coisa desde que os números batessem certo no final. Ou seja, algo entre o desperdício de recursos e a fraude.

O que é certo é que o programa parece estar, espera-se, moribundo. Mas isso não resolve o problema dos milhares de pessoas com poucas qualificações que não conseguem encontrar um emprego. Especialmente considerando que, num país minado por direitos e garantias, empresas moribundas não dão lugar a novas empresas e onde a maior parte das pessoas acha que estar desempregado e a viver ao sabor de eleições e Orçamentos de Estado em vez de empregado, a ganhar menos (se for necessário) do que o salário mínimo é um “avanço civilizacional”.

Felizmente, talvez haja esperança. Tanto para algum desemprego de longa duração/estrutural como para os problemas de falta de qualificações. Como não poderia deixar de ser, são soluções que implicam retirar poder ao Estado. Mas, por outro lado, dependem de uma acção decisiva do Estado, o que não deixa de ser um cenário potencialmente apetecível para candidatos a salvadores da pátria.

E quais são essas soluções? Basicamente tirar o Estado dos sectores onde ele está mais presente, seja como regulador, prestador ou financiador. Ou seja, tirar o Estado da educação e da saúde (sobre esta ideia vale a pena ler isto, e isto, e já agora isto). Porquê? Porque isso cria oportunidades. Oportunidades para o aparecimento de novas empresas que limpem algum do mexilhão incrustado no casco da economia portuguesa. Oportunidades para que novas ideias sobre como levar a educação (e saúde) a quem realmente precisa dela possam vingar.

Querem exemplos de modelos alternativos às Novas Oportunidades que podem realmente funcionar?

Então passem os olhos pelo site da KNEXT, uma empresa dedicada à transformação de conhecimentos informais em créditos que podem ser usados para completar cursos superiores, ou pelo projecto “Badges” da Mozilla (sim, os tipos do Firefox) e da Peer 2 Peer University que pretende criar uma espécie de sistema de crachás que permitam sinalizar a futuros empregadores que competências realmente possuímos, ou pelo site da UnCollege, um projecto de um miúdo financiado pelo Peter Thiel (sim, um dos tipos que fundou a Paypal) que pretende que as pessoas tenham acesso a tudo o que a universidade lhes pode dar sem gastarem um tostão.

Todos estes projectos têm a vantagem de só terem financiamento privado, o que significa que só sobreviverão se funcionarem e, se não funcionarem, os seus prejuízos não vão aparecer “repercutidos” na factura da electricidade de ninguém.

Talvez fosse bom que alguns dos professores que vão ser “não contratados” começassem a exigir mais liberdade e abertura no sector educativo e a pensar em formas de ganhar dinheiro com o que sabem eles próprios fazer, em vez de andarem a dar dinheiro ao Mário Nogueira e aos seus sindicalistas amestrados para que estes depois nos possam enterrar a todos.

Agosto 17, 2011

Podemos sempre contar com a extrema-esquerda (edição limites constitucionais ao endividamento)

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 19:41

Face à perspectiva de termos o endividamento público limitado constitucionalmente, a reacção da extrema-esquerda voltou a não desiludir. O Bloco diz que, como se não bastasse a ideia ser “um preceito liberal que é contra as necessidades dos países”, com limites ao endividamento deixamos de poder responder a catástrofes naturais (será que isto inclui o aquecimento global?). Já o PCP é menos contido e diz basicamente que o mundo vai acabar se a medida for aprovada.

Reparem, não estamos a falar de acabar com a possibilidade do Estado se endividar. Estamos a falar de acabar com (ou dificultar) a possibilidade de o Estado se endividar indiscriminadamente. Ou seja, ficámos a saber que de acordo com os preceitos ideológicos da extrema-esquerda portuguesa é imperioso que o Estado tenha uma capacidade de endividamento ilimitada.

Aparentemente, não lhes faz confusão nenhuma andar há meses a gritar que a dívida acumulada do Estado é insustentável e depois ser contra um mecanismo constitucional para limitar essa acumulação de dívida. Eu sei que estes senhores não estão propriamente preocupados com a acumulação de dívida, apenas com o seu pagamento, mas diria que este temor reverencial que a esquerda tem em relação à Constituição é um dos grandes argumentos a favor destes limites.

Agosto 16, 2011

Cegos e surdos mas nunca mudos

Filed under: Economia,Internacional,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 17:41

O Hugo Mendes descobriu, depois de ter lido um editorial do New York Times, que ninguém fala de reformas estruturais nos Estados Unidos. Eu, que ao contrário do Hugo Mendes não sou um espectador atento da política americana, sugiro que este faça uma pesquisa online por “entitlement reform” para ficar com uma ideia das reformas estruturais que, apesar de “ninguém” as ter “advogado”, nunca andaram muito longe da discussão pública americana nos últimos anos. Talvez por não serem discussões sobre como defender direitos, liberdades e garantias não contem para esse campeonato de quem anda a ser mais prejudicado pela conspiração global para assegurar que os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres. Não sei.

De qualquer maneira, pensava que isto de fazer comparações internacionais era mais delicado do que tirar uns números de um editorial do NY Times e dizer barbaridades. Afinal de contas, ainda sou do tempo em que se usava aquela treta de que a “flexisegurança” não se podia aplicar cá porque não vivíamos num país nórdico para matar qualquer discussão sobre reformas das lei laborais. Um tempo anterior ao aparecimento por estas bandas de um nórdico qualquer a obrigar-nos a flexibilizar as nossas lei laborais.

Mas podemos ir por essa via de meter os Estados Unidos e Portugal no mesmo saco e ver que, por exemplo, no Index of Economic Freedom da Heritage Foundation nós estamos no 69º lugar, precisamente com o mesmo nível de liberdade económica do que a Albânia, e os Estados Unidos estão em 9º lugar. Será que isto quer dizer que os EUA não precisam de reformas estruturais ou apenas que há extrapolações abusivas para todos os gostos? Em alternativa, para usarmos o mesmo tipo de raciocínio que o Hugo Mendes usou, num cenário mais de acordo com as suas preferências ideológicas, será que podemos dizer que na Espanha zapaterista, os 21% de desemprego (sem contarmos com as pessoas que têm empregos em part-time ou que deixaram de procurar emprego que o NY Times usou para calcular a taxa “real” de desemprego americana) provam que afinal é muito fácil despedir por aquelas bandas e que “os mercados” deviam era ler mais editoriais do NY Times?

Enfim, so much to do and so little time…

Agosto 9, 2011

Motins de Londres: O capitalismo ao serviço do povo

Filed under: Economia,Internacional — Tomás Belchior @ 19:32

In London riots, BlackBerry Messenger gets starring role

Vantagens do Estado de Direito

Filed under: Internacional,Política — Tomás Belchior @ 10:39

Não precisamos de nos preocupar com encerramentos de centros de diversão e outras “injustiças” antes de prendermos criminosos.

Agosto 4, 2011

O mito do bom antropólogo

Filed under: Cultura,Política — Tomás Belchior @ 11:27

Excerto de uma entrevista do Carlos Vaz Marques com a antropóloga Joana Roque de Pinho, que viveu dois anos entre os Maasai, no Quénia:

Carlos Vaz Marques: Houve alguma coisa que a transtornasse, apesar dessa objectividade e dessa necessidade de não julgar o comportamento de uma cultura, de uma sociedade?

Joana Roque de Pinho: Sim, houve coisas que aí já julgava.

Carlos Vaz Marques: Nomeadamente?

Joana Roque de Pinho: A corrupção. A corrupção que é uma característica muito queniana, a todos os níveis, económicos e políticos [...] e aí houve episódios que me revoltaram.

Carlos Vaz Marques: Mais do que a excisão? Mais do que o chicotear de mulheres?

Joana Roque de Pinho: Sim. Sim porque, lá está o meu idealismo, eu vejo um bocado essa corrupção e o desvio de dinheiros [...], vejo um bocado como uma consequência da introdução da economia de mercado e portanto esses Maasai já não são tão puros. [...] De facto revoltava-me mais.”

Já não sei quem é que disse que um antropólogo é alguém que respeita os valores de todas as culturas menos os da sua. Realmente é difícil perceber quem é que é o selvagem no meio de tudo isto.

Agosto 3, 2011

Para quem tem nojo do lucro dos bancos…

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 11:29

Dá gosto ver o PCP e o BE a ensinar gestão bancária ao país, à boleia da nacionalização do BPN. A patuscada que seria se pudéssemos nacionalizar o resto da banca. Estamos a perder uma grande oportunidade de vermos os bancos portugueses administrados por pessoas verdadeiramente “competentes e independentes”.

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