Hoje, no DE:
Não faz sentido discutir a viabilidade da educação pública sem perceber que a realidade nos obriga a reduzir a despesa para lá daquilo que já foi conseguido. Portugal apresenta por sistema défices: estamos a empobrecer porque não conseguimos suportar o sistema público de que dispomos. É possível sem mudar o paradigma constitucional em vigor tornar o Estado mais eficiente? Embora defenda um modelo de sociedade distinto considero ser perfeitamente possível sem diluição do corpo essencial das funções do Estado calibrá-lo para que este responda de uma forma mais eficiente àquilo que são as expectativas dos cidadãos no quadro dos recursos disponíveis.
Gastar menos e melhor é quase um chavão mas sem esta quadratura do círculo dificilmente sairemos da actual rota do empobrecimento.
O perfil da despesa do Estado prova que este está demasiado centrado em si e muito pouco focado no cidadão. O “serviço público” (o leque de serviços prestados aos cidadãos pelo Estado) é caro, quer porque consome uma percentagem muito significativa do PIB, quer porque por cada euro cobrado em impostos se devolve muito pouco à sociedade e aos cidadãos. Assim, além de diminuir a despesa (dimensão quantitativa) há que libertá-la do próprio Estado (dimensão qualitativa). Colocar o Estado ao serviço do cidadão significa quando se fala em educação discutir-se menos “professores” e mais “alunos”. É necessário libertar a despesa do Estado do peso das corporações: a sua justificação são os cidadãos, a quem serve, e não o Estado em si.
Portugal tem de calibrar o seu Estado para que este sobreviva gastando muito melhor entre 10 a 15% menos (dependendo do clima). As empresas e as famílias há muito que fizeram ajustamentos bastante superiores. Só um eleitorado distraído permite que o Estado se furte a um emagrecimento que, perdoem-me, é numericamente banal. O grande desafio é qualitativo, na forma como se gasta, mas nós nem na dimensão quantitativa acertamos. Mas diga-se, temos o que merecemos, pois só um país baralhado faz enormes sacrifícios para depois aceitar que a solução dos problemas passa por ignorar aquilo que é óbvio:
Quem gasta tudo o que tem
Gasta o que não pode
Quem gasta o que não tem
Um dia é certo que se … lixa!
Gastar menos e melhor é quase um chavão mas sem esta quadratura do círculo dificilmente sairemos da actual rota do empobrecimento.



