O Insurgente

Maio 11, 2008

A miopia do medo

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — raf1973 @ 8:30 pm

À apologia do medo, seguem-se as visões proteccionistas e paroquiais. Nas últimas 48 horas, somos bombardeados com a solução miraculosa: uma hortinha por cada português. Essa é a fórmula esquerdista de evitar a especulação. Seria mais simples, diria, acabar com a subisdiodependência, abrir os mercados à concorrência, libertar a oferta, sempre condicionada pelos planeadores políticos; mas isto, leio, “é neo-liberalismo”. E a miopia e os socialismos é que, parece, matam a fome dos pobres…

Maio 9, 2008

Textos que gostava de ter escrito

Arquivado como: Política, Portugal, Teoria — raf1973 @ 1:01 am

Maio 8, 2008

Curioso (II) …

Arquivado como: Economia, Justiça, Política, Portugal — raf1973 @ 7:10 pm

Separa os investimentos pessoais dos da Fundação?
Não há diferença nenhuma.

Mas a fundação tem benefícios fiscais?
(…) Os investimentos feitos na Fundação são irreversíveis. Se eu e o meu filho morrêssemos e não houvesse continuidade revertia tudo para o Estado.

Mas tem uma certa relutância em mostrar as contas da Fundação?
Não faço é a publicação. Mas as autoridades têm acesso. Não vou gastar dinheiro (…) a publicar as contas da Fundação. (…)

Onde é se pode ver as contas da Fundação?
As autoridades é que sabem. Onde é, não sei bem.

E pode dar-nos as contas?
Mas porque é que vos hei-de dar as contas? Não é uma companhia pública. Só tenho deveres para com as autoridades. Não vou dar informação do que faço ou não faço a ninguém.

E eu que pensava que um património doado a uma Fundação ganhava autonomia em relação ao doador, para sempre (pelos vistos, “não há diferença nenhuma“), que é obrigatório o depósito das contas, para qualquer sociedade ou entidade, e não apenas para as empresas cotadas, que as contas deveriam ser de acesso livre a qualquer interessado. Eu também julgava que os estatutos da Fundação Berardo eram públicos, e de acesso livre - pensava eu, que era de lei. Mas se o arauto da transparência, o Sr. Joe “Hello” Berardo diz que “não dá as contas, nem tem de dar“, de uma Fundação com benefícios fiscais, e ninguém em Portugal se indigna com isso, então, quem sou eu para falar de leis…

Curioso…

Arquivado como: Economia, Justiça, Política, Portugal — raf1973 @ 6:40 pm

A dada fase, na entrevista que deu ao semanário Expresso, à pergunta “Costuma investir através de offshores?“, responde Joe Berardo:

Em Portugal não. Temos suficientes veículos, a Metalgest, a Fundação e outras empresas. As “off- shores” em Portugal não são necessários

Eu gostava de saber como é que uma Fundação é um “veículo” para fazer investimentos…

Maio 7, 2008

Abutres e Profetas do Apocalipse

Arquivado como: Ambiente, Comentário, Internacional, Política — raf1973 @ 10:44 pm

Al Gore Calls Myanmar Cyclone a ‘Consequence’ of Global Warming:Former vice president tells NPR’s ‘Fresh Air’ cyclone is example of ‘consequences that scientists have long predicted might be associated with continued global warming.

O que é que se faz a um gajo destes?

Nota: Hoje, ao almoço, o Carlos Pinto, perante o meu desabafo, comentava, “não te preocupes, que pouco faltará para que alguém apareça a culpar o aquecimento global pela tragédia“; eu e o Helder, rimos às gargalhadas. Não pensávamos que a estupidez chegasse a tanto. Ainda não se socorreram as vítimas, há tanto para resolver, e já temos o profeta da desgraça a ditar sentenças. Afinal, esqueci-me que é da natureza dos abutres, sobreviver comendo carne humana, quando os corpos ainda estão quentes.

Contra a indiferença (actualizado)

Arquivado como: Comentário, Internacional, Media — raf1973 @ 12:53 pm

O que se está a passar em Myanmar, antiga Birmânia, deveria merecer a nossa total indignação, e não a nossa aparente indiferença. Já morreram ou desapareceram, pelo menos, 60 mil pessoas, e a Junta Militar continua a recusar ou a dificultar, na prática, a ajuda internacional, motivada pelo sentimento egoista de manutenção de um dos regimes mais opressivos que o nosso mundo hoje (des)conhece.

Espanta-me, também, o silêncio geral; não de ninguém em especial, mas não nos devia fazer pensar a forma como conseguimos olhar passivamente para todo este drama, ao longo dos últimos dias? Compare-se com o ruído que houve a propóstito do Katrina e, se calhar, percebemos que a Ocidente ainda estamos manietados por enormes complexos de superioridade, que aos nossos olhos as vidas asiáticas ainda valem pouco, que continuamos a ser um país pequenino, que vive fechado no seu quintal, que, eventualmente, a população de Nova Orleães serviu, sobretudo, para que alguns aproveitassem a ocasião para destilar o seu rancor anti-Bush, misturado com a preocupação demonstrada com as pessoas em sofrimento. Não sei. São apenas interrogações.

Eu não posso fazer grande coisa. Como a maioria de nós. Mas, pelo menos, há que não perder a capacidade de nos indignarmos. De não olharmos com indiferença, passivamente, para tão grande sofrimento, piorado por quem joga as vidas de um povo inteiro nos tabuleiros e nos calculismos do Poder.

Nota: Afinal, há quem tenha falado na blogosfera sobre o ciclone da Birmânia.

Actualização: O cenário começa a ganhar proporções impressionantes: ciclone pode ter feito mais de cem mil mortos.

Maio 5, 2008

Crises…

Arquivado como: Comentário, Economia, Internacional, Media, Política, Portugal — raf1973 @ 9:04 am
  1. Vivemos hoje em Portugal sob o síndrome do fim do mundo. A cada minuto somos bombardeados com notícias que nos apontam o caminho do abismo, sobre nós paira um denso manto, um clima de constante pavor. A apologia do medo é o driver mediático por excelência, o afrodisíaco de um certo mundo ocidental, o seguro de vida das classes políticas acomodadas e preguiçosas: para quê procurar as verdadeiras razões daquilo que se passa, se conseguimos reconduzir a realidade a duas ou três explicações simplistas, que mantêm as massas petrificadas e sem reacção?
  2. Depois do pânico ambiental, da escalada do preço do petróleo, nas últimas semanas, descobrimos que está aí à nossa porta uma crise alimentar mundial.
  3. Mas, afinal, o que se passa? De repente, há menos comida?
  4. É verdade que a maior incerteza pontual em que vivemos tem ajudado à especulação, e a instabilidade nos mercados financeiros tradicionais também conduziu à transferência de alguns investimentos para as commodities. A grande razão para a subida de alguns géneros é, porém, de explicação simples: assenta na regra mais básica da economia, aumentou a procura, a um ritmo menor que o crescimento da oferta, logo, têm subido os preços. Há mais gente a consumir nos países emergentes, com consequências nos preços: temos, por isso, uma pobreza agravada em algumas zonas do globo, dada a diminuição da pobreza noutras zonas.
  5. E temos, também, novos pobres, no cantinho onde vivemos. As subidas dos preços do petróleo e dos géneros alimentares representam uma ameaça ao nosso modo de vida? Sim, claro, porque a escalada dos preços significa que há hoje outros players na economia mundial, que concorrem - também - com a Europa e com os EUA pelos recursos, que estão dispostos a pagar mais do que aquilo que nós gostaríamos - ou conseguimos - suportar…
  6. Na nossa hipocrisia, sempre nos sentimos bem com a pobreza do resto do mundo, fechados nas nossas fronteiras super-protegidas, sonhando e vivendo as nossas Utopias, aliviando as consciências com a nossa acção “solidária”. A globalização, ao contrário do que é cantado pelas esquerdas mais ou menos anticapitalistas, não tem tornado os ricos cada vez mais ricos, representando antes o grito do Ipiranga das economias emergentes, que já não se relacionam com a Europa e os EUA de mão estendida, que não estão já disponíveis para financiar passivamente a Utopia com as mais-valias das suas riquezas e da sua força de produção. Querem o seu quinhão, estão a regateá-lo todos os dias, no jogo económico global.
  7. Em dois terços do Globo, lendo jornais, ouvindo as notícias, falando com as classes médias emergentes, não se nota que o planeta viva qualquer “crise”.
  8. O mundo, no seu todo, não está em “crise”. Nunca o PIB mundial foi tão elevado, nunca se criou tanta riqueza. O planeta está é, a cada dia que passa, em grande mudança, mais exigente. Podemos continuar a tentar encontrar bodes expiatórios para as dificuldades, paralisados pelo medo. Ou perceber que não há forma de fugir às novas exigências e, com mais coragem e inteligência, sermos agentes ainda mais activos no jogo da concorrência. O problema é que, ganhar na globalização, dá muito trabalho, implica sacrifícios acrescidos, uma maior apetência pelo risco. Mas será que preferimos ser os novos pobres deste planeta cada vez mais rico?

Abril 28, 2008

Os “jovens”, a “política”, e a “Revolução de Abril”: ACOORRRDEEEEM!

Arquivado como: Comentário, Educação, Política, Portugal — raf1973 @ 1:08 pm

Parece que os “jovens” - essa categoria esotérica - não sabem nada de “política”, nem querem saber do 25 de Abril. Não “vivem Abril”. Não saem à rua a cantar músicas do “Zeca”, todos vestidinhos com t-shirts da Comissão Nacional da Luta Contra a SIDA, ou de campanhas do tipo “Todos Diferentes, Todos Iguais”, de Cartão Jovem e cravo na mão. Crime “lesa majestade”, dos políticos, porque se os políticos se preocupassem, os “jovens”, que são uns gajos acéfalos, iam “amar” o 25 de Abril, e a política, foi isso que me pareceu ouvir da boca do Visconde de Boliqueime quando decidiu puxar as orelhas aos “políticos”, culpando-os por este distanciamento. Os “jovens”, esses, não têm opinião própria, se estivessem “informados” e os políticos estivessem “próximos da população”, iam amar o Parlamento, e o Presidente, e essas coisas.

O puxão de orelhas até que faz algum sentido - faz sempre sentido puxar orelhas aos políticos (na linha da máxima, “puxa as orelhas a um político, mesmo que não saibas a razão: ele sabe, e merece“) - mas será que o problema dos jovens é de “informação”? Será que uma larga maioria dos “jovens” não sentirão desprezo por uma revolução que fabricou uma Constituição miserável, que ainda sonha com a utopia socialista, mesmo depois de terem caído todos os muros? Que estão distantes de um regime que lhes oferece uma legislação laboral rígida, que os deixa fora do mercado de trabalho, e os empurra para a emigração? Será que não detestam a “Geração de Abril”, que suga recursos para pagar as suas reformas, conscientes que, quando chegar a sua vez, a Segurança Social vai estar falida? Que torra milhões e milhões em megalomanias, tipo obras públicas de necessidade duvidosa, para manter a economia viva, embora “ligada à máquina”, mas com uma viabilidade apenas de curto prazo?

Parece que os “jovens” não querem saber da política; mas, tanto quanto se vê, a classe política tão-pouco quer nada com eles; a geração de “Abril”, que politicamente não se sacrifica, para permitir que o país seja um pouco melhor para as gerações futuras, que só pensa no seu umbigo, merece bem o desprezo dos “jovens”; este Portugal, de facto não abre grandes perspectivas, nem tem lá muito interesse: quem já levou com o Cavaquismo, o Guterrismo, o Barrosismo e o Santanismo, e vive agora em pleno Pinto de Sousismo, em versão socrática, se não quer saber da política, e prefere fazer outras coisas, é porque tem lucidez … ou, num exercício de masoquismo, ainda devíamos cantar, em pleno feriado, logo de manhã, “Grândolas, Vilas Morenas”, de rabo para o ar, virados para Meca?

Talvez ninguém se tenha lembrado, mas o 25 de Abril não diz nada aos “jovens”, porque a sua mensagem - blasfémia! - imagine-se, faliu. O regime que lhe seguiu, também. Caiu a ditadura? Certamente. Obrigadinho, “camaradas” e “pás” (e, já agora, obrigadinho, russos, “amaricanos”, sul-africanos, cubanos e suecos, pela ajudinha). Diria, porém, que a “geração de Abril”, por esse grande contributo histórico, já se fez cobrar o suficiente. A dívida já deve estar saldada, não já? Não terá já chegado a hora de acabar com os agradecimentos, e deixarem para os outros um bocadinho do país? Acordem! senhores políticos, vivam no presente, pensem o futuro, abram os olhinhos, e larguem esses modelos, tipo, “Viver Abril”, que em quase todo o mundo civilizado estão bem enterrados, no fundo da gaveta.

Abril 18, 2008

Onde fica o princípio da subsidiariedade?

Arquivado como: Comentário, Teoria — raf1973 @ 3:07 pm

Na Câmara dos Comuns, defende-se que a existência de um espaço para a filantropia representa um falhanço para o Estado; há também quem ache que quando a filantropia se substitui ao Estado, pode conduzir ao adormecimento deste. Ou quem escreva que a filantropia visa apenas fragilizar os movimentos sociais que lutam por uma maior igualdade social.

Ambos os posts partem de uma premissa, do ponto de vista liberal, desadequada: que cabe ao Estado suprir primariamente todos os estados de necessidade, sejam eles quais forem. Defende-se que se esses estados de necessidade não existissem, então nunca haveria espaço para a filantropia.

Esta é uma concepção materialista, que ignora uma das características essenciais da natureza humana: a sua constante capacidade para querer ir mais além, para lá do seu estado actual. Os estados de necessidade são inerentes à natureza humana. Ora, a concepção, própria dos socialismos, de um modelo de sociedade onde o “colectivo” é capaz de se organizar numa comunidade auto-suficiente, suprindo de uma forma orgânica as necessidades individuais, conduz à diluição da pessoa, à sua redução a uma dimensão materialista, e ao esvaziamento paulatino da sua vontade de ir mais além.

É, ainda, uma concepção amoral, pois desvaloriza o mérito e o carácter voluntário da filantropia, em favor de soluções do tipo “orgânicas”. Na verdade, qual o mérito moral que subjaz a uma dada prestação social, que é suportada coercivamente por um terceiro? O mérito moral só existe quando estamos perante actos voluntários de indivíduos concretos. Limita, também, a responsabilidade, o imperativo moral que todos temos de prover para o bem do próximo: nas soluções do tipo estatal, a responsabilidade do cidadão limita-se ao pagamento de impostos (onde quantas vezes espera, mais, receber, e menos, contribuir para o bem-comum); assim, pagando impostos, o cidadão liberta-se aparentemente da responsabilidade de assistência aos outros que originariamente, no plano moral, lhe compete.

Há nos posts da Câmara dos Comuns uma inversão daquilo que é a subsidiariedade: o Estado já não existe para chegar onde a sociedade civil falha; mas uma colocação do Estado como agente primário, relegando a filantropia - e, portanto, o papel dos cidadãos e da sociedade civil - para um plano secundário.

Abril 16, 2008

Acordo Ortográfico (II)?

Arquivado como: Brasil, Cultura, Política, Portugal — raf1973 @ 4:53 pm

Dizem que o Acordo Ortográfico é importante porque o português do Brasil está a “ganhar vantagem”, parece até que vai ser adoptado como língua oficial na ONU. So what? Agora, por causa destas coisas, faz-se um acordo, vamos passar a viver diariamente num ambiente de novela da Globo? Não, obrigado. Há soluções mais simples e adequadas para este problema. Por exemplo, que tal acabar com a ONU?

Acordo ortográfico?

Arquivado como: Brasil, Comentário, Cultura, Política, Portugal — raf1973 @ 4:46 pm

Não, obrigado. Não vejo qual a vantagem de forçar mudanças na nossa ortografia, desta forma artificial. A língua é uma realidade dinâmica, certamente, não se quer que pare no tempo, também, agora, “progressismos linguísticos”, para que a irmandade lusa seja uma só, dispenso. Trabalho com países das mais diversas lusofonias, sem qualquer dificuldade de comunicação e compreensão, e agrada-me até a riqueza que cada variante apresenta. Fazer tábua rasa do português de Portugal, língua que está bem, e impor uma base comum, artificial, parece-me coisa de sovietes.

Abril 5, 2008

Campeões!

Arquivado como: Desporto, Portugal — raf1973 @ 11:16 pm

CAMPEÕES, CAMPEÕES, NÓS SOMOS CAMPEÕES...

f. na RTP 2

Arquivado como: Media, Política, Portugal — raf1973 @ 7:22 pm

Não percebo o que leva Agostinho Branquinho a comentar com tanto empenho a escolha da f. para um programa sobre bairros sociais que, parece, vai passar na RTP2. O PSD deveria posicionar-se na discussão de coisas um bocadinho mais importantes. Um programa na RTP 2 não tem importância nenhuma. Ainda por cima, a razão apresentada por Branquinho para justificar a sua intervenção é do mais esfarrapado que existe. Até eu, que não conheço a comunicação social por dentro, sei que é prática habitual as produtoras escolherem os apresentadores; aliás, nenhum quadro da RTP trabalharia de graça para uma produtora externa. Cheira a intriga que tresanda. Por mais simpatia pessoal que tenha por Menezes, este tipo de PSD não leva o meu voto.

Abril 3, 2008

O Rei vai nu?

Arquivado como: Comentário, Diversos — raf1973 @ 11:56 am

O rei passeia pelo campo tudo nu só de coroa; ao menos podia ter feito a barba

Às vezes, acho que o rei vai nu. Quando começo a ficar com algumas certezas, o gajo encarrega-se, sei lá com que artes, de despir mais uma peça de roupa…

Março 31, 2008

“Estatuto do aluno”

Arquivado como: Diversos — raf1973 @ 7:06 pm

Não conhecia o Estatuto do Aluno. Decidi, por isso, ir ver o diploma em pormenor. Para início de conversa, tenho de confidenciar aos leitores do Insurgente que estou “deveras” preocupado: faço parte de uma geração que cresceu na “comunidade educativa” sem esta peça fundamental do nosso ordenamento jurídico, sem a tutela desta lei. Como conseguimos todos sobreviver? 

Falando mais a sério, depois de ler o diploma concluo que não vale a pena comentar as minudências do EA. Limito-me a questionar, antes, a sua própria existência, enquanto “Lei da Assembleia da República”.

Assim, e para mim, depois de o ler, concluo que o EA sintetiza, nos seus 60 artigos, escritos num português do mais fino recorte jurídico (com direito a Recurso Hierárquico, normas revogadas, e tudo a que um cidadão tem “direito” na sua relação com a Administração), o pior do nosso Estado: a crença do legislador e dos burocratas no carácter redentor da lei, na mão iluminada que, por via legislativa e administrativa, tudo prevê, tudo resolve, tudo reconcilia. Pouco importa ao legislador, nas suas exegeses, que os destinatários principais sejam, nos termos do n.º 1 do artigo 3.º, alunos dos ensinos básico e secundário, e os seus principais aplicadores, professores, pessoal não docente, pais, na sua maioria pessoas que não têm nem capacidades nem paciência para semelhante exercício masturbatório. O EA é, de facto, a punheta legislativa por excelência, um dos mais belos exemplares do estatismo progressista, no seu estado mais puro, alienado da realidade, produto de uma Administração que, fechada entre quatro paredes, comanda a sociedade com “directrizes” redondas e vazias, que reconciliam o burocrata com o (seu) mundo (ideal), algo próximo do País dos Rodinhas.

Leiam, que vale a pena. Ajuda a perceber muita coisa. 

Março 29, 2008

Suas piratinhas, a portarem-se mal na sala de aula, ai, ai, ai, ai…

Arquivado como: Diversos — raf1973 @ 5:17 pm

Março 28, 2008

“A nebulosa reaccionária”

Arquivado como: Comentário, Diversos, Educação, Política, Portugal — raf1973 @ 9:56 pm

Afinal, depois de ler o MVA, chego à conclusão que deve estar tudo bem. Na avaliação da violência nas escolas o que temos é uma amplificação, uma extrapolação de “tendências a partir de casos não representativos”, feita a partir do “grau zero de raciocínio”. A “família”, essa, não está em crise, quem o diz está a “atirar poeira para os olhos”, não percebendo este belo processo social, esta mutação para uma “imensa diversidade de situações familiares”. Vale a pena ler o texto todo, mas só se souberem falar a novilíngua…

Descida do IVA

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — raf1973 @ 6:21 pm

Se a subida do IVA tem efeitos imediatos no aumento dos preços, porque os agentes económicos são obrigados a repercuti-los nos consumidores, a menos que estejam a suportar a diferença, o mesmo não ocorre aquando da descida, pois haverá uma tendência para que os agentes capturem o montante que resulta do diferencial de taxas. Esta captura é inevitável - por mais que o governo alegue que “vai fiscalizar”, numa tentativa de não perder o benefício mediático da medida - mas é também de “pouca dura”.

A descida do IVA é ainda assim positiva - eu aplaudo qualquer descida de impostos - mesmo que só seja sentida no bolso dos consumidores a prazo.

Fica provado, porém, que o PS de Sócrates é pressionável, uma espécie de guterrismo com tiques autoritários: a mostra de fragilidade começou com o Ministro da Saúde, continua agora nos impostos.

Ficamos à espera das cenas dos próximos episódios.

Março 27, 2008

Aulas de Economia desde a Escola Primária

Arquivado como: Economia, Educação, Portugal — raf1973 @ 11:34 pm

A fim de evitar a iliteracia económica, e tendo em atenção que Portugal, neste campo, demonstra ter uma das maiores taxas de analfabetismo do mundo, ignorando-se com orgulho alguns dos conceitos mais básicos do funcionamento dos mercados, proponho que o Ministério da Educação inclua no seu programa de ensino aulas de economia.

Já agora, podiam também fazer um curso para adultos, ao abrigo do programa “Novas Oportunidades”, com entrega de diplomas no final, pelo Ministro da Pasta.

Janeiro 29, 2008

Abriu a época da caça ao voto

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — raf1973 @ 6:05 pm

Ainda ontem jurava que Sócrates ia segurar Correia de Campos, por achar que o nosso PM recompensaria quem teve a coragem de promover reformas. Enganei-me redondamente. A pressão foi forte demais, e cai o melhor ministro deste Governo, responsável, desde o tempo de Guterres, por uma linha de acção na Saúde que tem dado bons resultados.

A saída de Correia de Campos mostra que, afinal, Sócrates está mais fraco do que aquilo que por vezes transparece, e disponível para fazer as cedências necessárias para garantir a sua eleição, em 2009.

Aliás, as escolhas de Sócrates - e sem pôr em causa a qualidade da nova Ministra, que não conheço, do novo Ministro da Cultura ou do novo SEAF, de quem tenho, ambos, boa opinião - representam um piscar de olhos a uma certa ala do PS, provavelmente convidando à pacificação interna, rumo a 2009.

****

Fica aqui o meu apreço público ao Professor Correia de Campos.

Janeiro 8, 2008

Leitura obrigatória

Arquivado como: Nanny State Watch, Política, Portugal — raf1973 @ 5:51 pm

“O seu a seu dono”, por AMN, no A Arte da Fuga.

(…) Acontece que me limito a concordar nessa conclusão apenas porque o Pedro Magalhães deixou de parte os argumentos que são, na minha opinião, decisivos e que oferecem o suporte suficiente para demonstrar a repressão escancarada na letra da lei. É que, ao contrário do que parecem indicar os argumentos seleccionados pelo Pedro Magalhães, a oposição liberal a esta lei não procura fazer vingar o direito positivo de alguém fumar em determinado sítio em prejuízo dos direitos positivos dos demais a um ambiente sadio.

Trata-se, isso sim, de fazer respeitar o direito de propriedade dos donos dos restaurantes e dos espaços fechados, afirmando que é a eles que cabe definir, para além do estilo de serviços, do preço a praticar ou da decoração a adornar, se o seu restaurante deve ou não aceitar (não-) fumadores e em que circunstâncias (…).

Ora seja bem-vindo, Monsieur de la Palisse

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — raf1973 @ 5:23 pm

Hoje pela matina publiquei um post comentando o que o Miguel Abrantes havia escrito, pela defesa da intervenção do Estado no “acompanhamento dos Bancos”.

O PML tinha já feito critica semelhante, ao que o senhor da Câmara Corporativa responde:

Caro Pedro, as entidades reguladoras não fazem parte do Estado?

I rest my case. Pelos vistos, o Miguel Abrantes estava a defender, em abstracto, a supervisão do Banco de Portugal e da CMVM sobre a actividade bancária e mercados financeiros. Ora, se é assim, não poderia estar mais de acordo…

Ola, que tal?

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — raf1973 @ 9:02 am

Desde 1998 que me desloco semanalmente a Lisboa. Cheguei a assentar arraiais por duas vezes na mouraria, mas nunca deixei de viver no Porto. Há alturas do ano - como esta - em que desço à capital mais do que uma vez. Cada dia que passa, é mais dificil a viagem. A TAP já conseguiu, com a sua fraca qualidade de serviço, atrasos, “burrocracias”, e desprezo pelos clientes - que pagam 260 euros por um trajecto de 300 km (a mais alta tarifa do mundo) - destruir a ponte aérea Porto-Lisboa, à qual só recorro em desespero de causa: porque prezo a minha sanidade mental, e também porque da última vez quase pratiquei um acto punivel criminalmente contra um pobre funcionário da Groundforce (e, com franqueza, não quero acabar atrás das grades). Como evito andar de carro, por razões ecológicas (não quero aquecer o planeta), e porque entrar em Lisboa de manhã é quase impossível, sobra o razoável serviço da CP. Mesmo assim, são quase três horas para cada lado, apenas minimizadas pela possibilidade de navegar e “blogar”. O Porto está cada vez mais periférico. Demoro hoje mais tempo a chegar a Lisboa do que em 1998.

É mais rápido, hoje, ir do Porto a Madrid. Aceito empregos em Madrid.

Cogito, ego sum

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — raf1973 @ 8:36 am

Escreve JPP, no Abrupto:

só tenho uma coisa a sugerir: vale mais falar em público, dizer o que se pensa, deixar-se de fontes anónimas, deixar-se de recados, dar entrevistas com o rosto todo, assinar com o nome, fazer o esforço de discutir, escrever artigos, explicar alternativas políticas, criticar com C grande no espaço público, para todos verem tudo, saberem quem e porquê e assim estabelecer-se um contínuo entre os debates intra-partidários e o debate público sobre Portugal e os portugueses. Sempre é mais saudável do que andar a conspirar para depois colocar nos jornais, o que não é boa política e é péssima conspiração.

Subscrevo cada palavra deste post. Seria muito positivo que as oposições partidárias fizessem o debate em nome próprio, e às claras. Debate de ideias, e não apenas lutas fraticidas, em que só ganham corpo as disputas pessoais, os “nomes”, os pequenos ódios do passado, egos que escondem complexos freudianos, muita vaidade, e uma ausência significativa do que deveria ser a política.

Dizem que é a cause do Bem Comum

Arquivado como: Comentário, Economia, Justiça, Política, Portugal, Teoria — raf1973 @ 8:01 am

Os bancos gerem o dinheiro dos outros. Por isso os seus administradores - e não só, acrescento eu - estão sujeitos a regras mais apertadas. Só que, ao contrário do que é convicção do Miguel Abrantes, não é ao Estado que compete “acompanhar a situação”, sobretudo quando o Estado, ele próprio, é o maior player do mercado bancário, como accionista único da Caixa Geral de Depósitos. É aos reguladores que cabe zelar pelo bom funcionamento do mercado, e aos tribunais, quando as matérias envolvam ilícitos criminais e litígios civis. A boa regulação vive numa saudável equidistância face aos principais agentes do mercado, incluindo o Estado.

Os bancos gerem o dinheiro dos outros. O Estado, só não gere o dinheiro dos outros, porque tendo o monopólio da lei, se encarregou de legislar que os recursos que sonega aos cidadãos e às empresas são, após a cobrança, “seus”. Dizem que é porque o Estado promove o “Bem Comum”. Como o Estado, porém, é dirigido por pessoas bem concretas, pessoas que têm, também, os seus interesses particulares, sonhos e ilusões, há quem defenda que uma ideia de “governo limitado” é tão importante em democracia como a “separação de poderes”. Precisamente para evitar aquilo que tem acontecido na “novela BCP” - uma utilização do poder do Estado para concretizar os sonhos e ilusões de alguns, que tendo feito todo um percurso bem longe da banca, no fim da vida descobriram que, afinal, queriam ser banqueiros. Precisamente para impedir que haja condicionamento accionista, ou imposição de soluções que não encontravam, antes, o acolhimento geral.

Depois da “mão invisível” da CGD ter sido usada para derrotar a OPA da Sonae sobre a PT, temos agora “o braço e o punho” do Estado a condicionar decisivamente o futuro do BCP.

Já agora, como é que se controla este tipo de actuação do Estado? E a quem cabe essa função?

Janeiro 3, 2008

Haverá mérito moral nos actos involuntários?

Arquivado como: Comentário — raf1973 @ 1:35 pm

A Ana Matos Pires, no 5 dias, depois de fazer a ressalva inicial que não questiona “a importância das instituições do tipo do Banco Alimentar (BA) contra a Fome e muito menos (…) a escolha de Isabel Jonet como Figura Nacional de 2007“, arranca para uma sátira da caridade que nem o Maomé se lembrou de dedicar ao toucinho (ainda que do ponto de vista formal a crítica assuma a leveza romântica das músicas do Barata Moura).
(mais…)

Dezembro 20, 2007

Quem conta um conto, acrescenta um ponto

Arquivado como: Blogosfera, Comentário, Política, Religião — raf1973 @ 3:56 pm

No domingo, ao fim da manhã, a Rititi perguntava-me se eu sabia de sites onde pudesse encontrar padres giros. Eu respondi-lhe que, infelizmente, não a podia ajudar, pois apesar de conhecer algumas pessoas nesse ramo de actividade, não tinha fotos deles a rezar. Na sua intensa investigação, a Rititi descobriu o calendário romano, capaz de agradar a meninas de várias crenças e orientações religiosas, e alguns meninos também.

As fotos fizeram escola, e não é que as encontro hoje no Arrastão? Na boa, que é sempre positivo quando representantes da Santa Madre Igreja marcam presença num local de culto da blogosfera portuguesa, ainda por cima num blogue de tão larga audiência. Mas, lendo o que lá se escreveu, cheguei à conclusão que o DO anda distraído. Na verdade, uma das mais difíceis literacias na era da internet é saber separar aquilo que é verdade do que não é. Ora, o Daniel, sendo bom rapaz, anda um bocadinho para o crédulo (admito que ambas as características andem de mão dada). Depois desta semana o DO ter lido num blogue de uns tipos que se apelidam Ladrões de Bicicletas (muito literato o nome) que não há relação entre a fixação de um salário mínimo e o desemprego, quando aquele é fixado acima do patamar de produtividade de algumas actividades - e ter acreditado - ainda o vemos a achar - num post, há que dizê-lo com toda a frontalidade, homofóbico, pois só o dedica às meninas (ai, se fosse o AAA a escrever “Meninas, é só para ver e não tocar”, caia o Carmo e a Trindade) - que o calendário dos meninos penteadinhos de sotaina é uma publicação oficial do Vaticano. Por este andar, da próxima vez que a Playboy publicar umas fotos com umas enfermeiras semi-despidas, ainda vamos ver o DO a felicitar o Correia de Campos e a dizer: “Este é o Ministério da Saúde de que eu gosto”. No que, diga-se de passagem, terei de concordar.

P.S. O dito calendário é uma iniciativa de um tipo italiano que vende souvenirs no Vaticano, chamado Piero Pazzi, como facilmente podem ver, aqui, não é, obviamente, nenhuma publicação oficial do Vaticano.

P.S.2. O DO reconheceu que afinal tinha sido crédulo, confiando numa notícia de um site chamado “mixbrasil”, com o qual justifica a sua confusão. Mudou o post. Fica a lição sobre as literacias necessárias para navegar na net e o cuidado que importa ter na filtragem do que se lê.

Dezembro 9, 2007

Humor britânico

Arquivado como: Cartoons, Diversos, Videos — raf1973 @ 11:05 pm

Na Bomba Inteligente: “Além de haver insultos e insultos“, “Não esqueçamos que há vómitos e vómitos“. Imperdível, para quem gosta de ver as polémicas com algum sentido de humor.

Já agora, parece que o senhor João Pinto e Castro não percebeu nada do que se passou.

Dezembro 3, 2007

Estamos bem entregues

Arquivado como: Blogosfera, Comentário, Política, Portugal — raf1973 @ 12:29 am

Decidi abandonar a Atlântico porque não confundo pluralismo e diferença com má educação e perseguições pessoais. A motivação foi a mesma que me levou a deixar em tempos o Blasfémias. Se o ambiente descamba, se instala uma paz podre, e a má educação ganha terreno, eu estou fora. Sem grandes dramas, que eu sou um mero átomo, sem importância, não faço cá falta nenhuma.

O espaço liberal está bem entregue, na blogosfera lusa pupulam grandes personalidades, alguns deles intérpretes do exemplo de Churchill (aqui e aqui) e que me fizeram ver que eu e todos os pobres meninos educadinhos não passamos de sósias de Von Ribbentrops ou de Adolfs Eichmans. Declino da minha parte as comparações, já que sou um mero cidadão, acordo de manhã para ir para o emprego, tenho interesses banais e uma vidinha feliz, não tenho um desígnio; quando morrer, serei recordado quanto muito pela placa duma rua que já tinha o meu nome antes de eu ter nascido. Esses aí, os Vons-não-sei-o-quê e o Adolf-qualquer-treta foram homens que fizeram parte da História. Como qualquer um de vós, caro CAA, caro TM, a quem o futuro certamente sorri, já que parece que bebem dessa impertinência política do grande Churchill, e por isso podem, sem problema, fazer tábua rasa das regras do normal funcionamento de uma sociedade civilizada.

Nessa vossa grande caminhada progressista, para começar, têm a oportunidade de criar uma grande plataforma de diálogo com esse fenómeno da resolução dos problemas sociais e da democracia (e quem sabe, da meteorologia) que é o Daniel Oliveira, capaz de debater e solucionar “as grandes clivagens entre a direita e a esquerda (o futuro do Estado Providência, o papel do Estado na sociedade e na economia, os limites do mercado e por aí adiante)” quiçá o próprio aquecimento global do planeta, enquanto a Fernanda Câncio vos beija os pés (ainda por cima com miminhos em inglês, que é muito mais fino, que a esquerda e a direita iluminada que vai resolver tudo a todos não se perde na linguagem do povão).

Bem hajam, e não pestanejem nessa vossa cruzada.

Dezembro 1, 2007

Grupo de Baile

Arquivado como: Blogosfera, Diversos, Política, Portugal — raf1973 @ 2:02 am

No Blue Lounge, há um pequeno post dedicado à inefável f., que aqui e aqui deixou transparecer um particular apreço pelo “beija-pé”. Utilizando técnicas de marketing relacional (tipo Amazon), antecipo que aprecie também o perfume Patchouli.

Novembro 30, 2007

Desde que não seja eu a pagar…

Arquivado como: Comentário, Economia, Nanny State Watch, Portugal — raf1973 @ 2:25 pm

Parece que a Câmara de Lisboa quer contrair um empréstimo para cobrir dívidas de curto prazo, qualquer coisa menor como 500 milhões de euros. Isto a dividir pela população residente da cidade, calha a cada um aí entre 800 e 1.000 euros por cabeça.

“PHONE-IX”! A malta de Lisboa a “torrar” não é meiga!

Novembro 27, 2007

O liberalismo enquanto expressão de “óbiquidade”

Arquivado como: Comentário — raf1973 @ 6:21 pm

Pode ler-se hoje no Blasfémias:

Fazer bebés é uma tarefa eminentemente liberal. Pertence às pessoas, está no domínio exclusivo das suas livres escolhas – o Estado deve sair dessa equação. A ingerência pública só dá maus resultados, como se vê. Se os portugueses têm menos filhos (isto é, contribuintezinhos) é porque são asfixiados com impostos directos, indirectos, laterais, verticais e oblíquos (…). Para que nasçam mais bebés a sociedade tem de se libertar do Estado.

Acho que ninguém duvida que eu simpatizo com as ideias liberais. Agora, nem eu na minha inflexível ortodoxia algum dia me lembraria de dizer que “fazer bébés é uma tarefa eminentemente liberal”, ou que “para que nasçam mais bebés a sociedade tem de se libertar do Estado”. Ao ler este texto, lembrei-me dos tempos do Estado Novo, onde o país viveu uma profunda crise de natalidade.

A natalidade depende, certamente, de motivações económicas, mas está condicionada sobretudo por razões culturais e de estilo de vida. Os portugueses optam por ter menos filhos, e o seu estilo de vida - muitas vezes, infelizmente, imposto, com horários de trabalho irreais, falta de uma efectiva rede de apoio ao exercício da paternidade/maternidade, casas cada vez mais diminutas - tem esse efeito perverso.

Meninos e meninas: antes de avançar para a mui interessante arte da reprodução não se esqueçam de ler uma passagem - ainda que pequenina e à pressa - do livro do Sr. Hayek ou da Señorita Rand. Eles estão em toda a parte. Amén.

Novembro 14, 2007

Thank you my friend

Arquivado como: Comentário — raf1973 @ 12:32 am

Poucas coisas me alegram mais do que chegar à recepção do prédio onde moro, e ouvir do porteiro que tenho aquele livro de que desesperadamente precisava. Os amigos insurgentes fazem-me destas partidas com alguma frequência! Hoje, recebi mais um. Que vale ouro, porque a Amazon não o colocava cá a tempo; ainda por cima, oferecido por um randiano quimicamente puro, daqueles que não sofrem da doença dos “mas” e tal e não-sei-a-coisa. Obrigado, amigo!

Novembro 13, 2007

Sobre o sucesso do Abrupto

Arquivado como: Blogosfera, Comentário — raf1973 @ 11:29 am

Concordo com o que o André escreve, e acrescento. JPP tem de facto uma personalidade bem vincada, e está longe de ser - ainda bem - uma pessoa consensual. Num país onde são poucos os que falam claro, em que as pessoas fogem de se expor, preferem emitir as suas opiniões nos salões, em conversas telefónicas ou nas costas dos visados, em que não se faz política, mas pequena política e gestão de interesses menores, concorde-se ou não, com a pessoa, com o estilo e com as opiniões, o Abrupto e JPP são uma lufada de ar fresco. Terá regularmente as minhas visitas, e os justos links.

Novembro 8, 2007

O Público errou

Arquivado como: Comentário, Economia, Internacional, Media, Política, Portugal — raf1973 @ 1:38 pm

No seu editorial, JMF afirma que, e cita-se, “o BIC, banco detido, entre outros, por Américo Amorim e pela filha de José Eduardo dos Santos, acaba de obter autorização para iniciar a sua actividade em Angola”. Convinha esclarecer que o BIC é já o segundo maior banco privado a actuar em Angola, e que abriu portas quase há três anos. A autorização em questão é do Banco de Portugal, mas para uma filial que o BIC pretende abrir no nosso país.

Por decoro, não recomendo a leitura da crónica mesmo ao lado do editorial, mas se quiserem, vão lá e espreitem, está mesmo do melhor.

Outubro 17, 2007

Informação, conhecimento e processo de mercado (3)

Arquivado como: Comentário, Economia, Teoria — raf1973 @ 10:15 pm

Concordo com o conteúdo do que o AAA escreve aqui, ao que gostaria de acrescentar alguns comentários.

Desde logo, as preferências dos investidores são subjectivas, daí que a forma como filtram a informação seja distinta. As percepções sobre o risco do investimento, o próprio retorno esperado e o timing da sua capitalização (que pode ser de curto, médio e longo prazo) levam a que um mesmo facto possa ter efeitos difusos numa cotação. Os mercados são por isso o melhor meio para balancear (não gosto da expressão “equilibrar”) todas estas expectativas e projecções, tantas vezes de sentido inverso, de forma espontânea (só por isso há gente disposta a comprar e a vender, a vários preços, perante um facto novo; numa sessão de bolsa, e pese embora seja apresentada uma cotação, formam-se milhares de combinações de preço). Para um investidor de longo prazo, as crises na governação de uma empresa podem conduzir a uma apreciação negativa, e a uma desvalorização aos seus olhos da acção, ao mesmo tempo que o enfraquecimento do management pode, em sentido inverso, ser um incentivo para os especuladores, que acreditem que isso, v.g., reforça a probabilidade de takeover.

Acresce que nem sempre a informação é conhecida por todos os agentes ao mesmo momento. Embora haja um enorme esforço no sentido de eliminar este gap , impondo regras de transparência e divulgação da informação tida como essencial, há sempre um grau de assimetria, maior ou menor, que torna incerta qualquer projecção. A própria forma como os factos são apresentados, e o momento escolhido para a sua divulgação - mesmo notícias aparentemente espontâneas, são lançadas para arena pública selectivamente - tornam os mercados imperfeitos.

A maturidade de um mercado vê-se, não apenas pela rentabilidade das empresas, mas também pela qualidade da informação disponível, pela transparência das regras e processos, pela resposta dada pelos supervisores quando são chamados a intervir em situações mais sensíveis, pela celeridade e bom juízo dos tribunais, e pela capacidade que os intervenientes têm de filtrar e enquadrar aquilo que vai ocorrendo.

Mais: se há tendência que funciona nos mercados, é a que se estabelece entre (A) os processos de transparência, qualidade da informação e boa governação, e a (B) exigência de um retorno adicional face ao risco. Assim, quanto maior for (A), tendencialmente menor será (B). Mas mesmo esta correlação, desejável para a maioria, pode ser perversa para certo tipo de investidores, pois os mercados maduros, muitas vezes, afastam os especuladores, já que a incerteza beneficia as oscilações nas cotações, tão do agrado dos “jogadores”.

Nos mercados, não basta conhecer as “receitas”, sendo essencial saber “ler os sinais”. O bom gestor não é só o que processa os dados patrocinados pelo real, e da realidade retira ilações, mas o que é capaz de fazer o seu caminho num contexto de assimetria de informação e incerteza.

Para quando um Nobel para Kirzner?

Outubro 13, 2007

Nobel da Economia

Arquivado como: Comentário, Economia — raf1973 @ 8:35 pm

Nesta semana, que tanto se fala de Fátima, faço uma promessa: se Kirzner ganhar o prémio nobel, eu começo em Janeiro a escrever a tese. Infelizmente, acho que o mais provável é ir de férias, já que não corro grandes riscos de ter de a cumprir.

Este ano seria mais do que justo premiar Kirzner, sobretudo depois da crise do sub-prime nos EUA, que deu origem a uma onda de pânico, que deixou bem visível que nos mercados se vive sempre num contexto de assimetria de informação.

Outubro 11, 2007

Lições básicas sobre o mercado explicada aos mercado-analfabetos

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — raf1973 @ 9:40 am


Tão liberais que eles são, mas quando vêem um valor de mercado, em vez de o acarinhar, só porque não gostam, atacam. Eles são contra o mercado. Eles querem escolher o que as pessoas vêem e ouvem e vestem. Eles querem dizer ao povo o que é melhor para o povo. Eles são paternalistas. Eles querem a ditadura do politicamente correcto. Eles são… são… são socialistas!

No mercado, o empreendedor quer que o seu produto venda mais do que o do vizinho. Não estou a ver o dono da Pepsi a aderir à Coca-cola, só porque a bebida do Pai Natal vende a rodos. Tentar convencer o consumidor das virtudes do meu produto, e dos defeitos do do vizinho do lado, não é ser socialista, é viver em concorrência.

Criticar Che Guevara e promover as ideias liberais não é querer impor ao povo a ditadura do politicamente correcto, antes pelo contrário, é promover o debate democrático e combater um certo unanimismo causado pela mitificação da figura. Ditadura do politicamente correcto é fechar televisões e jornais, como acontece na Venezuela, um dos países exportadores de petróleo mais democráticos do planeta (numa lista de onde constam a Noruega, a Islândia, o Canadá, o México, os EUA, o Brasil …) ou separar apoiantes de manifestantes, como acontece numa república das bananas, algures por aí…

Outubro 9, 2007

Keep it simple: e não será apenas porque, em rigor, o homem era um facínora?

Arquivado como: Comentário, Internacional, Política, Portugal — raf1973 @ 10:02 pm

O Daniel Oliveira monta toda uma teoria para explicar as razões obscuras que estarão a motivar a acção concertada de uns quantos para desmistificar o ícone Che. Tanta teoria para ocultar algo que muitos ignoram, e que alguns - que conhecem os factos - preferem evitar: não será apenas porque o homem, em rigor, era um facínora?

Claro que tanta teoria ajuda a perceber algumas coisas; desde logo, que importa defender o ícone Che, abstraindo do próprio, dada a carga simbólica que carrega, pela alavanca ideológica que representa, e que tem ajudado alguns líderes a vencer as eleições na América Latina. Diria que este tipo de leitura é populista, representa uma forma de fazer a política baseado na crença, solução que torna as democracias pouco consistentes e vulneráveis, mas não o vou fazer, porque todos sabemos que Chavez ou Morales são uns grandes democratas, que tudo têm feito para aumentar a liberdade nos países que governam (e não vou ser eu a desmentir uma verdade insofismável como a consolidação da democracia nos países da América do Sul que têm enveredado pelo socialismo).

PS: Adorei ver no domingo o Daniel Oliveira, na SIC Notícias, a propósito da intervenção de Soares a favor da GALP, a defender o realismo e uma política externa orientada para os interesses económicos. Nada de que discorde: é bom de vez em quando ter pontos de encontro, embora certamente chegando lá por caminhos diferentes.

Setembro 29, 2007

YES!

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — raf1973 @ 1:13 am

Yes! Yes! Yes!

Há algum tempo que uma vitória eleitoral não me dava tanto gozo. A mim, e ao laboratório que vende o Rennie.

A hora é de Menezes. Desejo-lhe as maiores felicidades, e que saiba aproveitar bem a sua oportunidade.

Setembro 5, 2007

Inteligência relacional? Ou será o Yahoo amigo do ambiente?

Arquivado como: Ambiente — raf1973 @ 12:05 am

Caros camaradas Insurgentes,

Não sei como nem porquê - eh, eh, eh - as mensagens no fórum com o título Gualter fala de nós no seu novo blogue foram todas elas consideradas ‘SPAM’ na minha conta de e.mail. Quid iuris, pá? Alto filtro, o do Yahoo, que detecta mensagens transgénicas…

Agosto 24, 2007

O activismo em rede dos grupos radicais

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — raf1973 @ 12:45 am

O Bloco de Esquerda anda esquizofrénico. Ontem, Louçã, na SIC-N, condenou a ‘ceifa’ levada a cabo pelo Grupo Verde Eufémia, dando nota que o seu partido não dá cobertura a quem actua de ‘cara tapada’. Ainda assim, e durante meia hora, Louçã não deixou de apresentar, subtilmente, argumentos que no fundo conduzem aos supostos fundamentos utilizados ao longo da semana pelos eco-terroristas. Os grupos radicais de extrema-esquerda actuam de uma forma bem organizada e, como bem refere JPP no Abrupto, para as acções ditas de desobediência civil utilizam estruturas informais, que não são responsabilizáveis. Curiosamente, o Bloco de Esquerda demarca-se da acção do Grupo Verde Eufémia, mas dá, no blogue Blocomotiva um enorme destaque à ocupação no aeroporto de Heathrow. Lendo também o conteúdo do link Kit do Activista, podemos aprender imenso sobre activismo e media, como o exemplo do Guerrilheiro Luther Blisset, ‘pseudónimo colectivo (usado por activistas de vários continentes), para realizar determinadas acções no quadro, da guerrilha mediática’. Explica-se ainda aos jovens que ‘a câmara tornou-se uma ferramenta que se deve levar para uma manifestação’, pois impedem, entre outras funções importantes, ‘abusos policiais’ (que o diga o Comandante Bengala, da GNR de Armação de Pêra, tão preocupado que estava em aparecer bem na televisão). Se virem com atenção, poderão verificar que os video-activistas são apresentados no Blocomotiva de cara tapada. O Bloco bem que pode dizer que reprova a intervenção do verde-eufémia, mas quem ler o Blocomotiva até aprende facilmente a programar acções do mesmo estilo. Fica-se com a sensação que o recuo do Bloco, que começou na simpatia de Miguel Portas e anda agora na censura de crocodilo de Louçã, se inspira nos pressupostos da ‘guerilha mediática’

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Agosto 9, 2007

Barcardi com Lima (II)

Arquivado como: Diversos — raf1973 @ 2:31 am

Estou confuso. Nem me imaginava um jovem cordato e prazenteiro, nem consigo conceber o 5 dias como um blogue jovem e inocente. Também não me via, até hoje, como personagem central de um policial ao bom estilo do Francisco José Viegas, só que num registo proto-soviético, passando por Cuba, e vestindo a pele de um cereal killer saído do kolkoz (ou kolkhoz, ou lá como chamavam às herdades vítimas da reforma agrária dos sovietes), a desvendar os mistérios da origem do Bacardi.

Embora o AF considere que o Cinco Dias é um blogue de centro esquerda moderno, europeu e atlântico, tenho de reconhecer que este post me deixou deveras assustado: desde logo, porque me arremessa argumentos de uns gajos muito esquisitos, uns tais de Djirivitch, Karanine e Bergutchev; e porque, perante a minha recusa em aderir ao 5 Dias, começa-se desde já a tentar traçar o meu ‘perfil psicológico’, fazendo da minha pobre figura um ‘caso’, uma ‘charada embrulhada num mistério escondido dentro de um enigma’, isto segundo os ‘melhores psicopatologistas’ lá do burgo. Já para não falar no facto de subtilmente se avisar que tenho o agente Xatoo a pisar-me os calos.

Amigos, colegas, camaradas, não se incomodem, estou muito bem aqui nos Algarves, não tenho grande vontade em ser assistido pelos vossos cientistas, nem pretendo ser reeducado. Sinto-me feliz no trauliteiro Insurgente, na companhia do facínora AAA, de quem discordo com frequência (embora menos vezes do que as que concordo), mas num ambiente onde as divergências não acarretam qualquer tratamento psíquico. O verão nos Gulags não é coisa que me atraia. Nesta vida, só quero mesmo beber uns copos. Se não puder ser Bacardi, para não ofender o Fidel e o aprazível Che, que seja então uma vodka. Russa ou finlandesa, tanto faz. Mas com laranja, de preferência… Só peço encarecidamente que não me utilizem como cobaia numa qualquer experiência científica no campo da psicopatologia.

Agradecido,
RAF

Agosto 7, 2007

Gin & Tonic? Gosto, mas ando mais numa de Bacardi & Lima

Arquivado como: Diversos — raf1973 @ 7:17 pm

O António Figueira, num momento de grande generosidade e abertura democrática, talvez inspirado por uma dose mal medida de Gin & Tonic (cheira-me que carregou no gin e poupou na água tónica), admite divulgar textos meus no Cinco Dias, desde que eu publique aqui no Insurgente, no blogue da Atlântico e onde me der na real gana um texto com o seguinte teor:

O Cinco Dias - em que pretendo colaborar, para beber uns gins com a malta - é um blogue de centro esquerda moderno, europeu e atlântico, cuja promoção da agenda LGBT é acompanhada de medidas de protecção da família tradicional (nomeadamente das famílias mais numerosas, de cuja associação pseudo-representativa eu aqui mesmo me desligo e denuncio, pelo reaccionarismo da sua agenda), e cuja sapiência, bonomia e liberalidade eu muito prezo e prezarei, até ao fim dos meus dias, eu vá para o Inferno se assim não for.

Embora goste de gin - bebida que curiosamente inspirou as minhas duas últimas borracheiras - e até ache que a malta do Cinco Dias deve ser uma companhia fixe para os copos, escrever aqui não faz parte dos meus planos, até porque o espaço de que disponho nos blogues actualmente tem-se revelado mais do que suficiente. Em qualquer caso, agradeço a bonomia de um tal de António Figueira, ainda que a liberalidade que demonstra ao exigir um pedido de desculpas como este esteja mais próxima de uma ideia de centralismo democrático do que propriamente da concepção de liberdade, plural, que inspira os blogues nos quais escrevo (e escrevi), onde ninguém me exigiu previamente que rastejasse, razão já de si suficiente para não me submeter a semelhante sessão de sado-masoquismo.

Agora, julgo que podemos assentar num certo consenso: o Xatoo é mesmo maluco.

P.S.: O Insurgente é um blogue plural, onde cada um é responsável por aquilo que escreve. Isto aqui não é um kolkoz. É pena que tal não seja compreendido pelo António Figueira, que neste post onde sou citado, ‘me cola’ a um texto, da autoria do AAA, que eu não subscrevo.

Agosto 1, 2007

Lixaram-se, parte II (ou o regresso à idade da inocência)

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — raf1973 @ 11:22 pm

Lisboa vai voltar a ser menina e moça, um enorme Chapitô: bairros populares cheios de jovens a reflectir sobre a economia mundial e os malefícios da globalização, enquanto os restantes atiram mocas ao ar. Cães selvagens a viverem em harmonia com o ser homem. Bicicletas em cada esquina, milhares de biclas, num número que deixaria arrepiado o senhor Mao Tse-Tung. Estacionamentos em abundância para trabants, smarts e citroens dois cavalos. Jardins, muitos jardins! Chocolate, muito chocolate! Um Rivoli em cada colina! Fontanários, réplicas alfacinhas do Manneken Piss mas com a estátua do La Feria! Pierrots a brincar às mimicas enquanto ajudam as velhinhas a levar as compras a casa. Lisboa, és linda, qual Alice no Pais das Maravilhas!

Lixaram-se…

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — raf1973 @ 11:16 pm

Parece que os alfacinhas vão ser comidos de cebolada e ter de gramar o Sá Fernandes durante dois anos. Uma vez que as ideias do homem aparentemente seguem o modelo de N.Y., para o ano cheira-me que o Arraial Pride vai ser no Tunnel, digo, no Túnel do Marquês…

Julho 15, 2007

Pátio das Cantigas

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — raf1973 @ 8:43 pm

De passagem pela cosmopolita Lisboa, apercebo-me que hoje houve eleições. Intercalares. Aparentemente, a edilidade da capital está num estado de ingovernabilidade jamais visto, a campanha foi dominada por uma cacofonia democrática digna de um reality show – doze candidatos, alguns dos quais saídos do baú – e, para reforçar, o people bazou todo, a abstenção bateu todos os recordes.

O Zé e o Bloco tardam em arrancar, não servindo nem para muleta do António Costa, ficando atrás do PCP e de Helena Roseta.
(mais…)

Julho 9, 2007

Sendo assim, se fosse mouro, botaba no Costa

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — raf1973 @ 4:49 pm

Eu, como cidadão e eleitor, sou mais sensível a uns argumentos do que outros. Agora, depois de ler esta notícia, se fosse resenseado em terra de mouros, já tinha tomado uma decisão: botaba no Costa. Grande homem!

Julho 8, 2007

Antes a Estátua, que se assobiassem o Sócrates ainda vinha por aí abaixo aquela senhora bonita da DREN distribuir no pessoal…

Arquivado como: Comentário, Cultura, Internacional, Política, Portugal — raf1973 @ 6:11 pm

Assobiaram a Estátua da Liberdade? Bateram palmas ao Kofi? Fixe. E ainda foram para casa ver o Malato a ensinar o people a recolher o lixo? Todos juntos, todos juuuntos, espero que tenham ficado mais aliviados; e que depois de encherem a alma com os foguetes e com as palminhas aos novos deuses, tenham aproveitado e visto o Live Earth e as suas musiquinhas d’iropito.

E assobiem, assobiem, enquanto podem, e o que podem, e sonhem, sonhem, que sempre ajuda a dar alento às utopias. Lixado vai ser na segunda-feira…

Junho 11, 2007

Sobre os valores da Europa para o futuro

Arquivado como: Comentário, Cultura, Diversos — raf1973 @ 11:53 pm

Num mundo de novo multipolar e difuso, onde emergem sociedades que não seguem o padrão cultural ocidental, pergunto-me se faz mais sentido promover os valores de uma Europa de matriz judaico-cristã ou os da sua irmã de base laica e republicana. Qual delas é capaz de fazer pontes que amenizem as tensões latentes num quadro geopolítico complexo?

Maio 21, 2007

Ser ou não ser, mas é preciso parecer (nem que seja só um poucochinho)

Arquivado como: Comentário, Diversos, Política — raf1973 @ 6:40 pm

O PPM procura de alguma forma amenizar o impacto negativo da intervenção algo infeliz de Pires de Lima no Congresso.

Não sei o que é o liberalismo ‘puro’ e ‘impuro’, distinção com que frequentemente se pretendem justificar soluções que nada têm de liberais. E com isto não nego que o liberalismo não é uma doutrina fechada: é antes uma corrente aberta, plurifacetada, sempre em construção, como aliás o descrevi aqui:

(…) o Liberalismo não é uma ideologia, mas uma espécie de escatologia política aberta, uma corrente de pensamento que acomoda várias tendências e abordagens, com uma tradição plurisecular e multicultural; ao contrário do marxismo, o liberalismo não é uma doutrina de paternidade conhecida, sendo antes ‘filho’ e ‘neto’ de vários pensadores, expresso numa conceptualização ampla e até difusa.

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Porque Maio é o mês de todas as mães

Arquivado como: Diversos — raf1973 @ 10:59 am

Mãe, obrigado por não ter nascido lampião!

CAMPEÕES!

Maio 19, 2007

Concordo…

Arquivado como: Política, Portugal — raf1973 @ 10:35 pm

com o Daniel Oliveira, é necessário que as televisões e jornais não ocupem muito tempo com os partidos com baixa expressão nas urnas. Que tal começarmos pelo Bloco?

Bem, vou jantar (mas aqui em Matosinhos, nada de Guernicas por hoje).

Maio 14, 2007

Está a ficar bonito, está sim

Arquivado como: Diversos — raf1973 @ 5:54 pm

Maio 11, 2007

Pagadores de Promessas:)

Arquivado como: Diversos — raf1973 @ 11:24 am

OTA: Mário Lino quer cumprir promessa à sua empregada doméstica
in Inimigo Público, de 11 de Maio de 2007

Maio 10, 2007

E agora, um post à Pedro Arroja

Arquivado como: Diversos — raf1973 @ 3:57 pm

A propósito deste post, escreve o leitor João Noronha:

E já agora quero protestar contra o facto de ser obrigatório preencher os boletins de voto com uma cruz - símbolo cristão por excelência.

De facto, deve ser uma opressão para muitos ter de manifestar a sua vontade por aposição de uma cruz!

Devia levar uma daquelas com o pacifista Che Guevara?

Arquivado como: Diversos — raf1973 @ 10:44 am

Escreve o José Medeiros Ferreira nos Bichos Carpinteiros:

Cada povo com seu uso, cada porca com seu fuso. Mas faz impressão ver um líder a quem atribuiram o Prémio Nobel da Paz ir votar, na sua própria eleição, com uma t-shirt estampada com o Sagrado Coração de Jesus. Não deve haver muitas fora de Timor.

Maio 9, 2007

E ainda dizem que não há bons candidatos

Arquivado como: Diversos — raf1973 @ 4:07 pm

Parece que o PSD anda com dificuldades em encontrar um candidato à CML. O Pedro Correia aponta uma solução que me parece bastante credível, alguém bem na linha do Insurgente. Duvido que Luis Filipe Meneses consiga aparesentar alternativa melhor. Olé!

Para lá da esquerda e da direita

Arquivado como: Diversos — raf1973 @ 12:00 pm

Mitterrand dizia, ao contrário da opinião geral, que a França não é um país de esquerda. A França é um país conservador, cuja administração é arrogante e onde o temperamento fundamental é pouco conciliador.
Rui Tavares, no 5 Dias

Se não é dificil associar a arrogância e o culto do estatismo a uma certa direita, diria que as características descritas pelo Rui Tavares, citando Miterrand, podem encontrar-se também no comportamento actual da esquerda. Há na esquerda hoje um sector particularmente conservador, no sentido em que resiste à minima mudança, que discute as questões políticas e da actualidade sem serenidade, partindo imediatamente para os rótulos, chavões, e acusações de ordem moral (a partir da grelha dominante, ‘politicamente correcta’), que se exprime em manifestações, muitas vezes acompanhadas de uma dose significativa de violência urbana. Num mundo plural e incerto, as dicotomias são cada vez mais numerosas e amplas, para lá das estáticas ‘esquerda’ e ‘direita’; mas, se as quisermos ‘arrumar’ (de uma forma simplista, é certo), diria que temos, de um lado, os que apresentam uma certa flexibilidade (pelo menos mental) para acompanhar as alterações aceleradas impostas pelo metabolismo do globo, e os que persistem em defender estruturas rígidas (que começam a ceder nos seus alicerces), os que insistem em resistir às mudanças, muitas vezes furtando-se à realidade e rejeitando o debate político substantivo. O conservadorismo, o imobilismo e o estatismo estão enraizados no nosso tecido social, à direita e à esquerda. Tendo contudo em atenção que as mudanças necessárias associadas à globalização (que tem aumentado a distribuição da riqueza em termos mundiais; ao contrário do que se aventa, é nos países em vias de desenvolvimento que se concentram os focos mais dinâmicos das globalização) apontam para a destruição de muito do que é o património da esquerda nas sociedades mais ricas (previdência, funcionalismo público, segurança no emprego e no desemprego), é neste quadrante ideológico que se têm situado as maiores resistências, é aqui que se tem consolidado um novo tipo de conservadorismo.

Maio 8, 2007

O erro de Fukuyama: remake

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