O Insurgente

Maio 25, 2012

PPP’s

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 00:38

Posso estar enganado, mas as PPP’s já subscritas teriam sempre de ser alteradas por acordo, e não por força de lei. Pelo que não vejo onde é que isto interfere com as negociações. Mas, reforço, esta é uma mera interpretação minha, pode não ter nenhum fundamento.

Maio 23, 2012

Quando os senadores da pátria dizem mal, é porque se calhar o trabalho está a ser bem feito

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 23:59

Pedro Ferraz da Costa (PFC), que há mais de vinte anos se dedica a intermediar as relações entre empresários e poder político, não gosta da actual geração de governantes, que considera nascida das Jotas, e que pelos vistos apenas está habituada “a intermediar, uns de uma forma mais séria, outros de uma forma menos séria, os grandes negócios do país“. Eu, que quando leio notícias sem nexo procuro ler as entrelinhas, fico com a sensação que PFC nestas coisas da intermediação não gosta da concorrência dos mais novos.

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PFC não morre de amores por políticos que militaram nas Jotas, mas não gosta sobretudo de Ministros jovens, com sólida formação académica, uma ausência total de passado político, e que não dão ouvidos aos porta-vozes da intermediação. PFC está “decepcionado” com a Ministra da Agricultura – uma das mais jovens doutoradas em Portugal na área do Direito - e particularmente do Ministro da Economia – doutorado em Economia, e com uma sólida carreia académica em Inglaterra e no Canadá. Numa entrevista onde transparece um certo cansaço, PFC dá-nos nota, num registo de elevação que cumpre registar, que não está à espera que “(…) o ministro da Economia seja capaz de explicar seja o que for. Ele não tem essa capacidade. Boa parte das coisas que diz transformam-se rapidamente num motivo de chacota (…)”. PFC, lobista profissional – no bom sentido, claro – há mais de vinte anos, não percebe aquilo que Álvaro Santos Pereira, professor, académico e escritor com obra publicada, transmite de uma forma bastante perceptível. Eu, pelo menos, percebo com bastante facilidade o que Álvaro Santos Pereira diz e escreve. Sempre achei que a chacota é a arma dos brutos, à falta melhores argumentos. Mas deve ser problema meu, que esperava um pouco mais de substância nas críticas lançadas por quem representa o Fórum para a Competitividade, e tenho simpatia por um Ministro que não age para agradar aos senadores da pátria, e que demonstra um enorme desprendimento no exercício da sua função.

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Este governo tem menos de um ano; não deixa de ser curiosa a reacção daqueles que sempre conviveram bem, durante décadas, com um sistema de rendas que empobreceu o país, sempre que se avizinha o lançamento de reformas que os mesmos criticam por tardarem. Em vinte anos, PFC nunca se indignou com as opções erradas que o sistema político construiu, e que agora exige que se reforme aceleradamente. Ficamos à espera de perceber quem lhe encomendou tão pobre sermão.

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O AAA considera que os cortes apresentados no sector eléctrico são modestos. Eu não acho. São sempre 1.800 milhões. É pouco face às responsabilidades existentes? Sim. Agora, eu sou dos que acha que o caminho faz-se caminhando. Corte aqui, corte ali. Como numa cirurgia. O importante é que se mantenha o rumo. Os rendistas neste país estão protegidos por uma teia jurídica e contratual complexa, que não se rasga, descose-se. Descoser sem rasgar dá muito mais trabalho.

Maio 16, 2012

Newspeak, ou a lógica dos contrários (versão 3D, para direitistas míopes)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 17:29

Ora então, se eu bem percebo, quem assuma que cada um pode fazer os seus filmes, em total liberdade de conteúdos, desde que os pague, é “economicista“, e provavelmente defende, à luz de certa esquerda, “um homem [mais] escravizado“. Assim, podemos inferir que para os promotores do esquerda.net, os que defendem liberdade e responsabilidade são inimigos da liberdade e adeptos da ditadura do mainstream. Não sei, pensando nisto, diria que há aqui uma contradição qualquer, algo não bate certo. O exercício da liberdade, pelos vistos, não está em permitir que cada um filme o que quer, assumindo as consequências dos seus actos: para certa esquerda, esta concepção liberal da liberdade é um ataque à própria liberdade. Pergunto: que raio de liberdade é esta, que transfere a responsabilidade para a comunidade, forçando-a a financiar os sonhos de uma minoria, à custa do esforço de todos, incluindo dos mais fracos da sociedade?

Já quem defende na rua, com megafones, que o povo pague os seus filmes à força, mesmo os pobres que não têm muitas vezes recursos para a sua cesta básica, esses, são artistas desprendidos do vil metal, gente sem medo, com arrojo, promotora de riqueza emocional e intelectual. O facto de ninguém capturar essa riqueza (assumindo que ela existe e é criada), porque esses filmes depois não são vistos nem interiorizados por quase ninguém, é um pormenor irrelevante. Assim, os que querem obrigar o povo a pagar os seus filmes, é gente que combate “as novas formas de escravatura” (não sei porquê, há aqui uma contradição qualquer, diria), e que não liga naaaaaddaaaaaa ao dinheiro, essa coisa suja, que lhes deve ser dado discretamente, e sem o incómodo do confronto com os números.

Como diria Ayn Rand, a semântica para a esquerda é auto-explicativa, é, porque sim. As sombras irradiam luz própria, e a noite ilumina o dia; não faz sentido? É porque és um ignorante, um economicista obcecado pela realidade, incapaz de perceber que as manhãs anunciam as trevas e a escuridão! Aceita o que te dizem, mesmo que não percebas porquê, e verás a luz! O preto é branco e o branco é preto! O branco será branco, e o preto, preto se, ao bom estilo orwelliano, esbatermos as diferenças, condensando a noção de cor no simplismo do brancopreto. Para quê pensar, quando podes duplipensar? Para quê escolheres os filmes, quando podes apoiar o cinema à força dos impostos na esfera da oferta pública, promovendo o que é “português”? Variedade, diferença, arbítrio, nas mãos dos consumidores? Nunca! Entregares o poder da escolha aos consumidores é assumires a ditadura do mainstream. Defenderes a escolha é defenderes a escravatura! Esquece tudo o que o lugar-comum te levou a pensar: a liberdade não é imanente a cada um de nós, ela é-te dada pela esquerda caviar, que te educa com os seus filmes, que pagas para não ver. A esquerda dá-te a possibilidade de ascenderes à expressão máxima do exercício forçado da liberdade, em que mergulhas na magia de pagar para depois te recusares a ver!

Faz sentido? Claaarrrooooo. Vasco Granja regressa, com os teus desenhos animados do Leste, impostos à força na RTP2, quando não havia televisão privada, que a juventude anda a perder-se nas mãos do capitalismo neoliberal e da ditadura da escolha individual!

“Put your money where your mouth is”

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 01:05

Um destes dias, vinha eu do Chiado para casa, em frente à AR, ao início da noite, lá estavam meia dúzia de manifestantes a protestar a propósito de mais qualquer coisa. Isto está a ficar chic, pensei, agora há manifs after hours, ajuntamentos no Parlamento à noite, o Bairro desceu a S. Bento. Pelo que percebo deste post do Daniel Oliveira, os que lá estavam protestavam porque o Governo cortou a 100% os subsídios ao cinema. Do que percebo também deste texto, achar razoável que num país que vive da caridade alheia não haja subsídios para apoiar filmes que pouca gente vê, é “dar de si uma imagem de alarvidade ignorante”.

Eu, alarve ignorante, me confesso: gosto de cinema, de literatura, de arte contemporânea, de música, gosto de viver rodeado de quadros, esculturas, livros, revistas. Desde que me lembro que encontro nas artes e nas letras um espaço de refúgio, muito meu.

Não me interpretem mal, não considero uma pessoa culta, nem aspiro a semelhante “estatuto”. Sinto-me bem na pele de alarve ignorante. Quando muitos me empurravam para uma vida dedicada às letras, fugi à minha vocação e optei por ser gestor, trabalhei em bancos, durante anos fiz carreira na fiscalidade e nos mercados de capitais, gosto do capital. A literatura, o cinema, a arte, a música, são gostos que cultivo – e, horror, sacrilégio, CONSUMO – para minha satisfação pessoal.

Sim, sou na classificação do Daniel Oliveira, um alarve ignorante, ou qualquer coisa do género, porque pura e simplesmente acho que não faz sentido apoiar cinema ou cultura (que não a conservação do património e da memória histórica) com dinheiros públicos. Diria que basta a bilheteira. Se o filme for bom, tem público. Não consigo sair deste raciocínio básico.

Com alguma frequência, vejo prateleiras cheias de livros por ler, gente que compra e passeia a cultura da livraria para a prateleira. Nada que considere grave, cada um gasta o dinheiro da maneira que entende. Faz-me porém confusão que se obrigue gente pobre, como é o povo português, a ter de pagar por uma cultura que nunca vai consumir. À força dos impostos. Faz sentido obrigar o povo a comprar filmes que não quer ver? Que concepção de democracia subjaz a semelhante forma de fazer política?

Se todos os manifestantes que estavam à porta do Parlamento assistissem aos filmes que exigem ver apoiados, se a esquerda fosse à bilheteira, não faltaria público nem receitas para suportar um próspero cinema português. O problema é que nem a esquerda supostamente culta tem paciência para ver muito do que se produz em Portugal. Na hora da verdade, fica tudo agarrado à SIC e à TVI.

O Daniel de Oliveira recomenda-nos um apanhado de cinema português, onde nos brinda entre outras com cenas do Aniki Bobó e do João César Monteiro, como que a educar-nos. Eu cá também faço a minha selecção. Não tem a beleza inocente das crianças do Estado Novo (a admiração que a esquerda tem por imagens de um povo ordeiro), nem a pretensa graciosidade de um solitário a brincar com uma bola (podiam ser pêlos públicos pagos pelo erário púbico, digo, público, mas do que eu vi, a selecção ficou-se pela bola).

É uma música dos Jet, é um bocado alarve (sonoridades de direitistas). Mas tem o seu quê. Que tal? “Put your money where your mouth is”? Olhem que resolvia muitos problemas ao cinema português. E o povo, pagador de impostos, agradece.

Maio 3, 2012

Hoje, como ontem, Portugal continua a ser o paraíso dos inimigos da liberdade

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 00:05

A esquerda caviar, e a direita patusca, andam muito incomodadas com a recente campanha do Pingo Doce. Lê-se que os consumidores são “mortos-vivos”, que rastejam esfomeados atrás de uma promoção, como quem come as migalhas do capitalismo. Há ainda os que confundem “promoção” com “caridade”: o papão do Pingo Doce “não dá nada a ninguém”, “só pensa no seu interesse”. Ui, onde já se viu, um empresário que luta pelo seu interesse? “E esse povinho, que horror, a atacar as prateleiras”.

À esquerda e à direita, ouvimos e lemos frases de lamentação: “Ai, o povo, o povo, quem deixou o povo sair da gaiola? Onde já se viu, deixarem o povo à solta, em liberdade?”.

Eu, que percebo pouco dessas coisas de direita e esquerda, por mais que me esforce não consigo ver indignidade em alguém aproveitar umas horas do seu feriado para comprar produtos com 50% de desconto, pagando o preço com o fruto do seu trabalho, que isto de viver do trabalho custa bastante, e dá sempre jeito poupar uns trocos. Por mais voltas que dê, não percebo qual o problema das pessoas procurarem simplesmente poupar. Também não sei porque é que o Pingo Doce deve ser censurado, por servir o seu interesse, servindo os seus clientes. Dando-lhes uma opção. Cada um luta pelos seus interesses, diria, é assim que crescem as economias saudáveis: em liberdade, porque só foi ao Pingo Doce quem quis.

O grande problema é que há quem conviva mal com a liberdade dos outros, destes fazerem as suas escolhas. Que se saiba, ninguém foi ao Pingo Doce obrigado. Indigno é forçar as pessoas a condicionarem as suas escolhas e a organização das suas vidas, fechando administrativamente supermercados, limitando preços, regulando tudo e um par de botas.

Falou-se muito de dignidade. Os mesmos que enchem a boca com dignidade, são os mesmos que promovem a solidariedade, a dependência, e a limitação da liberdade, por mão do Estatismo. São os mesmos que com as suas ideias promovem a ineficiência económica, a dependência dos mais fracos, e uma sociedade sem direito à diferença e à escolha.

A esquerda gosta do “Povo”, sim, mas da ideia abstracta de uma massa que eles querem moldar à sua imagem, um “povo” insípido, ordeiro, que segue os ditames da elite cultural dominante. O “Homem Novo”, um ser reumático e com mais de cem anos, continua aí, de bengala, a impedir que a sociedade evolua. A esquerda adora um certo tipo de liberdade, a liberdade positiva, ironicamente uma liberdade condicionada, que tem como limites aqueles que eles próprios prescrevem, em leis que matam a escolha. O mesmo se passa com boa parte da direita, que gosta de um povo patusco, ordeiro, subserviente, da esmola e da migalha, que não luta por si e pelos seus interesses. Unidos numa aliança contra a liberdade, a direita patusca e conservadora e a esquerda dogmática continuam a projectar sociedades desenhadas a régua e esquadro, sonhando confortáveis, porque não deixam de se alimentar da sociedade em que vivem, que capturaram, e que ao mesmo tempo tanto criticam; estes inimigos da liberdade, à direita e à esquerda, são os responsáveis pelo atraso endémico do país.

Venham mais promoções, violações do 1.º de Maio, e possibilidades de escolha. Porque é na escolha que reside a liberdade. Não uma liberdade qualquer, mas a que interessa, porque serve directamente aqueles que a exercem.

Março 22, 2012

JPP, versão vintage

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 16:28
  1. O actual governo mais não tem feito do que levar à prática boa parte das ideias que JPP defendeu, sobretudo a partir de 2003, em geral isolado e atacado no partido a que pertence. Durante anos, os textos e as ideias de JPP estiveram muito próximas de um pensamento moderadamente libertário, e foi ele um dos que, nos blogues e no espaço mediático que justamente criou em seu redor, mais fez, com grande lucidez e coragem, para que hoje haja uma maior apetência por uma libertação da sociedade portuguesa daquilo que é a herança pesada do socialismo.
  2. Para quem se habituou a ler no Público textos ideologicamente lúcidos assinados por JPP, não deixa de ser triste chocar com esta desgraça, um JPP em versão vintage, que recupera, ao bom estilo de Negri (cf. aqui), as dialécticas marxistas, um mundo dividido em dois, colocando de um lado os papões sem rosto dos “interesses” e das “elites” maléficas, e do outro, a massa dos oprimidos, projectando uma tirania que afasta o “povo”, por medo dos poderosos que, escondidos, supostamente controlam o país. O discurso de JPP só não se sobrepõe integralmente ao de Negri, porquanto falta a JPP o apelo à insurreição, à violência e às ruas (cf. aqui), optando antes por um desabafo mais tímido, de que supostamente o PSD estará hoje a ignorar as suas origens históricas e aquilo que ele considera ser a sua génese.
  3. A realidade está porém muito afastada da ficção jornalística que JPP nos descreve no seu artigo no Público. Como bem repetiu Friedman, para quem o quis ouvir, as dificuldades encontradas quando se combate o socialismo reinante radicam no que o autor apelida de Tirania do Status Quo, ou seja, na inércia e resistência que se consolidou em muitas sociedades civis no mundo ocidental e sobretudo no universo estatal, que limitam a mudança de paradigmas. Para Friedman, as crises – actuais ou percebidas – são grandes oportunidades para promover aceleradamente as mudanças efectivas. As crises têm um lado ambivalente, são períodos duríssimos, mas por outro lado abrem espaço para a inversão deste Caminho para a Servidão para onde lenta e alegremente estávamos a ser conduzidos. Saibamos perceber que “o que antes era considerado politicamente impossível se torn[ou] politicamente inevitável”(mais…)

Fevereiro 14, 2012

“The Iron Woman”, ou como falsear a memória histórica

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 14:15

Socialists cry “Power to the People”, and raise the clenched fist as they say it. We all know what they really mean—power over people, power to the State.

M.T.

Fui um destes dias ver o filme, “The Iron Woman”, e mais valia ter ficado em casa. De facto, pergunto-me o que leva certas luminárias a sentirem-se no direito de insultar a memória de uma das personalidades mais brilhantes do século XX, ao ponto de a humilharem com um enredo miserável, uma pseudo intelectualidade que envergonha os seus autores, mas também qualquer assistência com um sentido mínimo de pudor. O filme desrespeita o que de mais privado permanece na existência humana, gira até ao vómito em redor de quase tudo aquilo que não nos interessa, fazendo do público, não espectadores, mas voyeurs.

O realizador apresenta-se obcecado, até a náusea, com os últimos momentos da vida de M.T., em particular com os traços de demência, alienação e alcoolismo que a terão atormentado após a morte do marido. M.T. é ainda retratada como uma mulher “teimosa”, com uma tendência marcada para o uso da força, seja contra os sindicatos, seja contra a população em geral, seja contra os argentinos no célebre conflito da guerra das Malvinas. Como se a “teimosia”, por si só – que a aproximaria de personagens repugnantes como Estaline ou Che Guevara – ou a demência no fim da vida, fossem os principais legados que a mulher de ferro deixou para registo da História.

M.T. marcou o século XX, sim, na sua participação na reforma da economia britânica, no modo como lidou com questões de soberania nas Maldivas e com o IRA, mas também na gestão, em conjunto com americanos e alemães, do fim do comunismo que conduziu à Queda do Muro de Berlim. As relações com Reagan, Gorbachev, Khol, Hayek, os seus discursos reformistas, a promoção da prosperidade e a paz, bem como a consolidação dos pilares de uma libra forte – que os Trabalhistas conseguiram destruir nos últimos anos – ou são ignoradas ou ficam reduzidas a passagens insignificantes.

Um filme a evitar. Em qualquer caso, previsível. O que se podia esperar de uma produção financiada com dinheiros públicos?

Rodrigo Adão da Fonseca

Outubro 18, 2011

Ajoelhe, e reze, faxavor, mas longe daqui

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 12:30

A democracia tem, entre outras, uma vantagem: há liberdade de expressão. Em democracia, o JPC pode escrever com ar cátedro disparates como este aqui, e ainda ficar a achar-se, qual narciso, um génio da economia. O facto de vivermos em democracia permite-me que eu, em alternativa, o convide a transferir-se para França, para se dedicar ao estudo da filosofia, pois claramente economia não é o seu mundo. Já agora, aproveite, e continue a dedicar-se às rezas, na religião que praticou durante os longos anos de Socratismo, estou certo que há por Paris quem aprecie a forma como V. Exa se ajoelha. Nós por cá, tudo o que permita que V. Exa. fique com a boca calada, vemos com bons olhos, embora com algum nojo, é certo.

Setembro 12, 2011

A Riqueza das Nações

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 22:34

Diariamente, somos bombardeados com a ideia que o mundo vive numa desigualdade crescente, em que “os ricos são cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres”. Olhando para a evidência numérica, concluímos porém que o fosso que existe entre os mais ricos e os mais pobres não se faz à custa do empobrecimento geral, mas do facto dos países mais ricos crescerem a ritmos superiores do que os mais pobres. O mundo, nos últimos duzentos anos, aumentou exponencialmente a sua capacidade produtiva, e nos últimos trinta anos, em particular, foi capaz de projectar um crescimento da riqueza à escala global. Assim, o que é correcto dizer-se é que “os ricos estão cada vez mais ricos, num quadro global em que os pobres estão também menos pobres”. Hoje há mais gente do que nunca a sair para lá do limiar de pobreza.

Faz portanto mais sentido que nos preocupemos em analisar, não tanto as causas da pobreza, mas sim o que é que torna as economias prósperas e ricas.

O que faz dum português, dum mexicano, ou dum nigeriano, pouco produtivo no seu pais de origem, um trabalhador de excelência quando opta por emigrar para uma economia mais desenvolvida? Desde logo, algo contribui: nos países ricos, a relação entre esforço e recompensa, a ideia de “productivity and fairness”, está mais enraizada e apresenta-se de uma forma mais efectiva. Se uma economia não é capaz de recompensar adequadamente o esforço, dificilmente será apta a criar riqueza. Só uma economia que é capaz de promover a meritocracia, tornando as regras do seu funcionamento num jogo de soma positiva, pode aspirar a ser próspera.

Do mesmo modo, é fundamental que as regras do jogo sejam claras, e endógenas, ou seja, que os cidadãos, os elementos produtivos da comunidade, sejam autónomos, tenham a capacidade de sonhar, “I want to do”, e o consigam concretizar. Sociedades burocráticas que limitam o empreendedorismo, instituições que promovem a corrupção, sociedades que tornam atractiva a inércia, dificilmente criam um ambiente que liberta o crescimento e a riqueza.

A pobreza está muito mais ligada à falta de transparência, de regras e instituições endógenas, de organizações fortes, de um sistema claro de recompensas e castigos, do que propriamente à ausência de políticas forçadas de distribuição de rendimentos como forma de resolução das desigualdades. A solução para a criação de riqueza não passa, assim, por “distribuição de sacrifícios”, imposição de impostos, ou limitação da meritocracia, mas sim pela exigência de regras de jogo claras, de incentivos correctos, e da promoção de mecanismos de recompensa que correspondam ao esforço desenvolvido por cada um dos agentes.

Uma economia cresce se for capaz de libertar as suas melhores energias, de explorar a fibra dos seus cidadãos, tornando-os mais resilientes, autónomos e criativos. Fora deste quadro de valores, vamos definhar nas mãos dos credores.

Julho 2, 2011

O cantinho do telespectador (XXI)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 15:31

Há uma indignação significativa e compreensível com a decisão do governo de lançar mão de um imposto extraordinário para cobrir o défice do Estado para este ano de 2011.

Portugal está mergulhado numa crise da qual é impossível sairmos ilesos. Aliás, o risco de insolvência é real e pode verificar-se a qualquer momento. Muitos anos de má governação tiveram o seu clímax no consulado liderado por José Sócrates e sua entourage, um conjunto de irresponsáveis que endividaram as contas públicas até um ponto que se pode considerar de não retorno.

Estamos a ser espoliados? Estamos. Vamos viver nos próximos dois anos num clima de tirania fiscal? Vamos. O que aí vem é péssimo? Sim. Há anos que por aqui sabemos quais são as etapas do socialismo, do Caminho para a Servidão.

Em qualquer caso, de nada nos vale ficarmos tão chocados nesta fase por alguém nos cortar uma árvore, quando a floresta está toda a arder.

A única réstia esperança que resta é que consigamos salvar parte da mata, e renascer das cinzas. Tal depende da capacidade que tenhamos, no curto prazo, de mostrar que queremos mesmo mudar de vida, e pedir a todos os Santinhos que, em virtude de um movimento politico que nos transcende, consigamos ver aliviado o peso de uma dívida que não temos capacidade para pagar nos moldes em que ela hoje se nos apresenta, sem empobrecermos radicalmente.

O programa do Governo é ambicioso no plano da correcção do caminho para a servidão em que nos encontramos, e há sinais por parte da maioria PSD/PP – bem expressos nos objectivos assumidos, e no perfil da generalidade das pessoas escolhidas – de que, pelo menos no campo das intenções, quer-se credibilizar o país diminuindo o peso do Estado, dos impostos, do perfil da regulação, e do aumento da concorrência, indo mais além do que o que foi exigido pela Troika. É crucial, no curto prazo, até ao final de 2011 e durante o ano de 2012, que o programa do governo se concretize em boa escala; e rezemos para que mesmo assim chegue para evitar o pior; caso contrário, o que aí vem vai ser feio, muito feio. Não haja ilusões em relação a isso.

O cantinho do telespectador (XX)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 14:39

Uma recomendação aos serviços de IT da Universidade de Paris: ensinem o vosso aluno portugais a usar um disco externo, a Dropbox ou o iCloud; de contrário arriscam-se a ter no fim do ano lectivo um mega-apagão nos servidores.

O cantinho do telespectador (XIX)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 14:38

Nas últimas semanas, tenho andado algo afastado das lides nacionais, razão pela qual não tive oportunidade de comentar, quer o desenlace das eleições, quer algumas das iniciativas que se lhe seguiram.

Em qualquer caso, não posso deixar de partilhar convosco que não me espanta que José Sócrates, seguindo as pisadas do seu homónimo, tenha optado por ir para Paris aprender filosofia. Dá-me a sensação que, não tendo conseguido vencer o Passos, e com as Portas da governação fechadas, com esta decisão o nosso grande ex-líder mata vários coelhos de uma cajadada só: vai aprender, até à exaustão, o “eu só sei que nada sei” – conceito particularmente útil para enfrentar juízes e processos judiciais, caso se confirmem os auspícios da jornalista da RR - e passa a poder ir e vir no mesmo dia à Suiça, Luxemburgo ou Liechtenstein para levantar a bolsa de estudo que lhe foi deixada, segundo a mãe, pelo avô que nos anos 40 se dedicava ao negócio do volfrâmio.

Junho 20, 2011

O cantinho do telespectador (XVIII)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 23:50

No Prós & Prós, versão pós-jugular, pós-socrática, de repente descobrimos que Portugal até pode ser empreendedor. Um gajo porreiro de Braga, Miguel Gonçalves, pura e simplesmente derrubou todos os Muros de Berlim da comichosa socialista RTP: tratou o pessoal todo por tu, e disse ao país, olhos nos olhos, que não há emprego para quem não cria valor. E que quem nem sequer sabe qual é o seu “produto” – , ou seja, quem não tem uma missão para si próprio, nem sabe para que é que serve – nunca na vida vai poder sair do sofá. E que a vida custa, e só lá se chega com muita vontade e persistência. À Isabel Vaz caiu-lhe o queixo, tipo, estamos mesmo em Portugal? o Adalberto quase – mas ficou pelo quase – desapertava o botão de cima da camisa e amarrotava-se um bocadito, e o Carvalho da Silva acho que teve de tomar uma pastilha para lhe baixar o ritmo cardíaco. Um grande momento de televisão, que aqui o cantinho não podia deixar de destacar!

PS: Se os gajos da empresa que quer utilizar a energia do movimento e das ondas, forem capazes de aproveitar toda a vivacidade do Miguel Gonçalves, ficam ricos num instante.

PS2: Se a Fátima Campos Ferreira tratasse o people por tu, não cometia a gaffe de chamar “doutora” à Isabel Vaz, que por acaso até é Engenheira.

O cantinho do telespectador (XVII)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 22:32

Nunca percebi esta ideia do “preso por ter cão e preso por não ter”. Uma opinadora profissional, de cabelo curto e com uns óculos que lhe dão de facto um ar credível, na SIC-N, desenvolve uma teoria contra os “independentes” e ministros “técnicos”, apelando aos “políticos com P grande”. Está assustada também com os lobis, e o medo da contestação do status quo contra um ministro que percebe de economia, com vasta obra publicada. Aqui do meu sofá, diria que é bom ter num governo e na vida pública tanto políticos experimentados como pessoas com perfis mais técnicos. Haja verdadeiras ideias, um bom programa de governo e uma correcta coordenação, não vejo como cidadão onde está o problema de ter gente – imagine-se – capaz num governo. Cá para mim, a senhora do cabelo curto está com medo que lhe faltem “políticos” com “P” grande…

Junho 3, 2011

O cantinho do telespectador (XVI)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 20:17

Peço ao professor Azeredo Lopes o favor de pegar no cronómetro e medir os tempos despendidos pela comunicação social e o alinhamento durante os vários telejornais neste último dia de campanha.

Cantinho do telespectador (XV)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 20:14

Pôr a Anabela Neves a acompanhar a comitiva do PSD é o mesmo que pôr o Luis Filipe Vieira a arbitrar um Benfica-Porto.

Junho 2, 2011

Pela morte política dos “Neros” do PS, os homens que incendiaram o país

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 15:28

O líder do PSD regressa ao tema do ‘só havia dinheiro até ao final de Maio’, que, para alguns, é prova de qualquer coisa terrível sobre este governo. Ora, o ‘não haver dinheiro’, anunciado por Teixeira dos Santos, resultou, apenas e só, de que, a partir do momento em que o PEC IV foi chumbado, Portugal ficou de fora dos mercados de divida. É só isto. Qualquer país que tenha necessidades de financiamento líquidas fica ‘sem dinheiro para assegurar as funções básicas’ se lhe acontecer o mesmo. Sem que isto nos permita fazer qualquer juízo (negativo ou positivo) sobre o comportamento desse mesmo governo.

(João Galamba, Jugular)

João,

O PECIV apresentava medidas que não tinham como objectivo financiar a economia no curtíssimo prazo. Por isso, É MENTIRA que haja uma relação entre o chumbo do PECIV e a ausência de liquidez em Maio, e tu sabes isso tão bem quanto eu. O financiamento encerrou porque pura e simplesmente era insustentável continuar a pedir dinheiro a taxas superiores a 7%, sem uma clarificação política e um acordo que substituísse, nas dívidas a vencer entre Abril e Junho, os credores privados pelo FMI e a União Europeia. O governo, como é evidente, perdeu o braço-de-ferro com os credores, e não teve outro remédio que não capitular. O chumbo do PECIV é mais uma vez o bode expiatório usado por José Sócrates, incapaz, como sempre, de se responsabilizar pelos seus actos e decisões. A culpa é sempre dos outros.

O que é particularmente grave na conduta deste governo é a tentativa de nos convencer a todos que a situação esteve sempre sob controle, ao mesmo tempo que se procurava, sucessivamente, empurrar os problemas com a barriga, longe do escrutínio dos cidadãos. Esta atitude custou ao país milhares de milhões de euros. Desde Janeiro de 2010 que a situação é grave – a escalada dos juros da dívida começou nessa fase. Recordo-me de, em Fevereiro de 2010, em plena negociação do Orçamento do Estado, estarem em cima da mesa medidas bem próximas daquelas que agora o FMI exige, e que o PS entendeu “não serem necessárias”. Recordo-me de como a liderança parlamentar do PSD foi pressionada a viabilizar um Orçamento, com o qual pouco concordava, “a bem do país, e da necessidade de assegurar o financiamento externo”. Passaram 16 meses sobre o início da crise do financiamento, 16 meses, e a chantagem permanece a mesma? PECIV? Ganhem juízo…

O governo andou um ano a chantagear tudo e todos, numa tentativa de manter um status quo que qualquer pessoa que tivesse feito as contas – e todos tínhamos os mesmos números – percebia que era insustentável prosseguir o caminho traçado.

Ana,

Experimenta não pagar aos militares – como esteve quase a acontecer – e depois vês se a democracia não está em causa.

Meus caros,

Não vos quero convencer de nada, porque vocês partilham da mesma mitomania de José Sócrates, mas a festa chegou ao fim. É um Requiem bem triste, o que vai tocar no domingo, que obriga o país a ter de renascer das cinzas.

Junho 1, 2011

O cantinho do telespectador (XIV)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 16:15

A vantagem de se viver em democracia é que os eleitores podem escolher em liberdade, isto é, em função do seu próprio arbítrio. A qualidade da democracia depende em qualquer caso, e em boa medida, da exigência que os eleitores colocam na suas escolhas. Ora, esta coisa da escolha mostra-nos caminhos que a própria razão lógica desconhece. Há quem vote porque acha as miúdas do Bloco as mais giras, ou porque o Jerónimo parece o bom pater familias; há quem goste sobretudo dos fatinhos da moda do Sócrates, do capachinho com madeixas pintadas do Portas, ou do ar negligé de Passos Coelho. Tenho-me apercebido que as motivações do eleitores estão alinhadas com o espírito dos tempos, em que na hora de escolher todos apresentamos razões muito nossas, à boa moda portuguesa, cada cabeça, cada sentença. Já vi de tudo, mas reconheço que há ainda quem me consiga surpreender; pergunto-me, na verdade, que razões freudianas poderão explicar que alguém habitualmente informado como o FNV declare o seu voto na CDU, justificando tal escolha, e cito, pelo facto de estarem “(…) aptos a defender quem eu [leia-se, ele] entendo que vai necessitar de ser defendido (…)”, ao ponto de sentir  “(…) um prazer malandro [em] votar  num partido comunista existindo um amplo  leque de alternativas (…)”. O FNV faz-me lembrar um amigo meu que, desencantado com as mulheres, na nossa adolescência, e acho que convencido que nos chocava, fazia questão de papar sempre a mais feia e mais gorda que lhe aparecesse, explicando que o que o motivava era algo do estilo, “elas também têm direito à vida“, e “são muito mais carinhosas“, fosse lá o que isto fosse. Assim seja. Espero é que não haja muitas pessoas à direita a seguir estes belos raciocínios do FNV, ou arriscamo-nos a ter de viver nesse espaço maravilhoso que o FNV considera ser agora o “(…) mundo real, o de hoje,  dos comunas (…) de respeito, solidariedade e honestidade (…)”. Esse meu amigo, de tanto andar a brincar às mulheres feias, um dia distraiu-se, e saiu-lhe um travesti: ora, o mal da democracia é que as escolhas de muitos não lixam só o próprio, acabam por se transformar nas escolhas de todos; eu não tenho nada contra mulheres feias, gordas, ou travestis, nisto sou muito “cada um sabe de si e Deus de todos“, desde que não me obriguem a ter de dar o corpo ao manifesto. Por isso, pessoal, é favor não exagerarem na criatividade eleitoral, ok? Um pouco de pragmatismo, faxavor!

Combatendo a tirania do status quo

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 14:29

Adolfo, meu caro amigo,

Enfim… eu não estou entusiasmado com o liberalismo de PPC, desde logo porque poucas coisas me entusiasmam em política, acho que o caminho é longo e faz-se, não com sentimentos de euforia, mas com persistência e boa preparação dos que se assumem como liberais (para que depois não andemos por aí a dizer asneiras). Reconheço que me tem agradado a forma de estar de PPC, que não mede o seu discurso em função de conveniências, nem foge às questões. Também me dá algum conforto apoiar um candidato que demonstrou nas oportunidades que tive de o ouvir em ambiente sereno estar por dentro daquilo que são os problemas reais do país e da forma mais adequada de os enfrentar. Mas também te digo que não é a liderança de um homem mais ou menos providencial, seja PPC ou outro, que determina a minha colaboração com o PSD ou com qualquer outro partido. O PSD tem feito um caminho sinuoso mas também interessante na opção consistente por algumas soluções liberais, não tanto por adesão a um liberalismo coerente, mas por ser um partido que, sociologicamente, se enraíza no interclacismo, nas classes médias e na iniciativa privada, na ideia de proximidade e na valorização da sociedade civil – o que não retira que a social-democracia continue a ser a matriz fundamental do partido, marcando o essencial do seu discurso político. Também te digo que se há pessoa que não desvaloriza o bom desempenho do CDS-PP sou eu, que acho que, pela V. parte, estão a fazer uma boa renovação, limitados porém pelas tensões próprias que resultam do facto do CDS-PP ser, na sua matriz original, um partido conservador e democrata-cristão.

O meu ponto, em qualquer caso, por estes dias, e com os textos que escrevi, não é o de “atacar” gratuitamente o CDS-PP. Tenho antes procurado desmistificar algum deslumbramento que houve nas hostes mais liberais, pelo facto do CDS-PP ter conseguido, durante quinze dias, praticar um discurso razoavelmente coerente, algo que me pareceu um fogacho, como o tempo confirmou.

No final, o importante é que saibamos fazer o nosso caminho, nas universidades, nos media, nos partidos onde participemos, até nas nossas vidas profissionais, sem perder a noção que vivemos numa sociedade esquizofrénica, onde as boas ideias não se afirmam num estado puro, mas poderão, apesar de tudo, afirmar algumas tendências culturais, o que já de si é bastante positivo.

Basicamente, o que é necessário fazer, sem entusiasmos esporádicos, é dar corpo aquilo que Friedman – cito-o sem querer provocar ninguém por aqui :) , é sabido que não morro eu próprio de amores pelo seu pensamento económico – tão bem enunciou, e que eu resumi num curto post publicado no Blue Lounge a propósito de uma intervenção que fiz no IEP, a convite do Bruno e da Ordem Livre:

(…) É num ambiente de crescimento do peso do Estado na Economia, longe do mainstream intervencionista, que Friedman desenvolve a sua actividade profissional e – podemos assumi-lo – política (…) Para Friedman, o combate ao mainstream socialista, a afirmação do primado da liberdade e das opções políticas de uma sociedade não Utópica não se faz contrariando a sedução de um futuro sem esforço, mas “mantendo as opções em aberto até que as circunstâncias tornem a mudança necessária”. As dificuldades encontradas quando se combate o socialismo reinante deve-se ao que o autor apelida de “Tirania do Status Quo”, à inércia que existe na sociedade civil e sobretudo no universo estatal, que limita a mudança de paradigmas. Só as crises – actuais ou percebidas – são aptas a produzir mudanças efectivas. Para Friedman, não há decisões sem ideias, e portanto ele preocupou-se, sobretudo, em estar disponível para o debate, de forma a que, na ocorrência da crise, as suas ideias pairassem por aí, estivessem suficientemente maduras e acessíveis para ajudar a construir pontos de inversão ou viragem: amadurecer ideias, estar disponível, “até que o que antes era considerado politicamente impossível se torne politicamente inevitável” (…)

Maio 30, 2011

O cantinho do telespectador (XIII)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 16:30

O João Miranda, com o brilhantismo que se lhe conhece, resume com enorme felicidade aquilo que penso sobre a forma de manipular a campanha e os famosos “ditos” de PPC. Obrigatório ler, “Passos Coelho dá mais um tiro no pé“:

Passos Coelho (início da manhã): — “está um dia bonitito”
No blog dos abrantes: “Passos Coelho faz sarcasmo com o clima do país”
Fernanda Câncio no Twitter: “Este ataque do Passos ao turismo nacional é mais um tiro no pé. Daqui a pouco está a desmentir-se”
João Galamba no Twitter: “Vejam este link. Os inquéritos aos turistas estrangeiros mostram que eles gostam do nosso clima. PPC não sabe do que fala”
Fernanda Câncio: “@joaogalamba PPC mostra mais uma vez que não está preparado para governar.”
Reporter na campanha de Passos Coelho: “Acusam-no de prejudicar o turismo, como comenta?”
Passos Coelho: “Nunca foi minha intenção atacar o turismo. A verdade é que hoje de manhã o dia bonitito, mas de facto já vi dias melhores”
Fernanda Câncio: “Vejam este link. Já se desmentiu. Novo record. Menos de 2 horas”
José Sócrates: “Estou chocado com o ataque do PSD ao turismo nacional”
Post num blog de direita: “Assim não vamos lá. Passos Coelho não pára de dar tiros no pé”
Post por simpatizante do CDS: “O CDS criou o ministério do turismo. Respeitamos o turismo, ao contrário de Passos Coelho”

(JM, no Blafémias)

O cantinho do telespectador (XII)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 16:27

Lá que o Daniel Oliveira queira apelar ao voto no José Manuel Pureza, é um problema dele; agora, que fale nos candidatos do PSD como se fossem uns números – ” o segundo, o terceiro ou o quarto das listas do PSD” – é já um bocado de nabice. Prefiro mil vezes mais ter no Parlamento o Pedro Saraiva, a Nilza de Sena ou o Nuno Encarnação, que o José Manuel Pureza. O três candidatos que refiro acrescentam, são pessoas altamente capazes, e dão 10 a 0 a qualquer candidato do Bloco. Essa mania bloquista que são os melhores do mundo, desrespeitando os adversários, é uma das razões pelas quais se arriscam a apanhar uma coça das grandes no próximo dia 4. Já ninguém percepciona a tal excelência balofa, que só os próprios umbigos do Bloco vêem.

O cantinho do telespectador (XI)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 15:53

Depois de um período de auto-deslumbramento que me pareceu um bocado excessivo – e que tive oportunidade de o manifestar – o CDS-PP está a passar um daqueles momentos normais de non-sense e disparate na tentativa de não ver as suas aspirações naturais diminuídas. Só que a falta de jeito vem à tona, e o tal mito do CDS-PP ultra-competente começa a dissipar-se. Depois de Paulo Portas, não fosse haver dúvidas, ter insistido na ideia peregrina de que o CDS-PP está à esquerda do PSD em matérias sociaisacho que desta vez nem a criatividade do Adolfo os salva do disparate - agora é Pedro Mota Soares que quer aplicar a Lei da Rolha a Marcelo Rebelo de Sousa, esquecendo pormaiores, como os que, e muito bem, o Manuel Pinheiro refere, no Cachimbo.

Destaco ainda um pensamento profundo do líder do CDS-PP, que peço que seja transcrito em acta – que provavelmente me vão dizer uma vez mais, lá para os lados do Rua Direita, ter sido novamente “uma má frase a revelar uma boa política – em que Portas afirma, de cravo na lapela, e cito, que “o CDS tem compromisso social e o PSD é mais liberal”. Concordo com Paulo Portas, pena que contrarie a convicção enraizada, wishful thinking, de alguns, que acreditam que o CDS-PP pode ser o melhor refúgio para os liberais em Portugal.

A vida está difícil.

Maio 28, 2011

O cantinho do telespectador (X)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 19:30

Como vimos nos vídeos abaixo, quem tenta manifestar o seu desagrado a José Sócrates, apanha. Gosto de ver que no PSD, pelo contrário, aceita-se sem violência os mensageiros do PS. E reforço o que PPC disse à dita senhora, “espero que o seu curso (das Novas Oportunidades) lhe sirva para alguma coisa”.

O cantinho do telespectador (IX)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 19:17

O Partido Socialista de José Sócrates, nos últimos anos, passa a vida a encher a boca apresentando-se como o arauto da defesa do Estado Social e dos coitadinhos, ao mesmo tempo que acusa o PSD de ser o papão, o partido que tem uma agenda escondida para empurrar os portugueses para a ignorância e para a doença, para a “supressão de direitos”, na educação, na saúde, na previdência e no emprego.

Este PS, que se apresenta sempre tão limpinho e tão cheio de moralismo, não tem receio de se entregar às manobras de propaganda mais sofisticadas, mas também, as mais indignas, que a nossa democracia já conheceu.

Este é o PS de um José Sócrates que entregou computadores Magalhães a alunos de uma Escola de Ponte de Lima, e que depois dos jornalistas saírem do cenário do teatro os retirou, deixando as pobres crianças a chorar. Este é o PS que manipula os sentimentos de adultos que frequentaram as Novas Oportunidades, para os convocar para um comício onde o líder do PS é capaz de verter lágrima de crocodilo para não ter de responder por um programa que custou aos portugueses 3 mil milhões de euros, com o único objectivo de aplicar um “fast food educativo” (Carrilho dixit) e angariar simpatias e votos. Este é o PS que perante uma frase de bom-senso de Passos Coelho – que faz sentido avaliar o que tem sido a aplicação da Lei do Aborto até hoje – desata a fazer ruído tentando acusar os seus adversários de obscurantistas, como se este tema não merecesse da parte do poder político e dos cidadãos uma sistemática avaliação. Este é o PS que depois de uma das suas personagens menores ter tido uma frase infeliz – acusando Passos Coelho de ser “um africanista de Massamá” – em vez de assumir o erro, monta todo um comício onde, explorando a miséria e a necessidade de emigrantes e gente que vive em situação precária, nos procura convencer do seu “amor pela diversidade”.

Este PS é uma vergonha, não respeita nada nem ninguém, não há limites à sua ambição, manipula, manipula, se necessário explorando os mais fracos, e a sua dignidade. O PS de José Sócrates não tem elevação para se afirmar como o defensor do Estado Social, nem que seja porque pura e simplesmente não respeita, sequer, a dignidade daqueles que diz querer proteger.

Basta de falsidade, de manipulação. Está na hora dos portugueses mostrarem a esta gente que temos ainda um pingo de vergonha e amor-próprio, e que não somos um bando de estúpidos nas mãos da mais decadente e moralmente corrupta máquina partidária que o país produziu no pós 25 de Abril.

O cantinho do telespectador (VIII)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 18:50

Realmente, esta malta do PS são tudo bons rapazes. Na linha do meu post anterior, desta vez que se meteu com o PS, e levou, foi um jornalista. É bonito ver o “ar democrático” espelhado no rosto destes simpatizantes socialistas. Mais uma destas, e cheira-me que me levanto do sofá, e vou a um comício de José Sócrates. Alguém me acompanha?

O cantinho do telespectador (VII)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 18:41

São recorrentes os actos de violência praticados pela máquina de campanha do PS, sempre encarados como actos “de menor importância”, e sem que a imprensa se preocupe em divulgá-los com a extensão que mereciam. Sob a ideia de que é aceitável que “quem se mete com o PS, leva”, só falta dizerem-nos que o problema é de quem ainda procura, sem sucesso, manifestar a sua indignação.

Este tipo de comportamentos são indignos, e ocorrem sempre na mesma caravana. Porque será?

Maio 21, 2011

O cantinho do telespectador (VII)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 19:58

As iniciativas do Vader do Fraque são o que de melhorzinho esta campanha eleitoral nos tem oferecido. A entrega da factura do aeroporto de Beja, então, foi fabulosa. Vale a pena ver.

O cantinho do telespectador (VI)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 01:33

Devo estar a ter um pesadelo! Ligo a televisão e vejo um gajo a mijar contra uma parede, com umas cuecas de gaja. Depois, um outro a tentar pôr um Mimo a falar. A certa altura, alguém diz, “o Mimo apanhou um escaldão“, e a Luciana Abreu comenta, “e eu a pensar que os Mimos eram como o meu chocolatinho, não apanhavam escaldões“. Entretanto, esclarece que o “chocolatinho” é o Djaló (como é que o Sporting algum dia há-de ser campeão, com as mulheres dos jogadores a desmoralizarem assim em público as vedetas?). Ouve-se alguém a dizer, frase perdida, “apanhaste um escaldão no tomate?”, pergunta que ficou sem resposta porque uma voz omnipresente dita a sentença: “como não conseguiram pôr o Mimo a falar, de castigo vão ter de ouvir o Roberto Leal a cantar uma versão acústica do Arrebita“.

O nome do programa não é “Twiglight Zone”, mas “O Último a Sair”. E passa na RTP1. Ou seja, toda esta javardice é patrocinada com os meus impostos. No último OGE, consta que receberam tipo 300 milhões. “Serviço Público“, brama a Esquerda. “Fascistas, querem acabar com a Cultura!“, gritam outros. Depois, não espanta que seja necessário pedir ajuda ao FMI. A deitar dinheiro assim pela janela, é caso para dizer, “O último a sair, apague a luz“.

PS: Dizem os “experts” que o “Último a Sair” é uma sátira aos “reality shows“, onde o produtor, Bruno Nogueira, usa de um “humor inteligente“, que tem cativado audiências face aos programas da concorrência do mesmo estilo. Admito que sim, realmente tudo aquilo tem a sua graça, mas privatizem então a RTP. Desculpem-me, mas o nosso dinheiro não deve servir para este tipo de experiências sociológicas.

PS2. Tirem o Batatinha dali. Há crianças que correm o risco de ficar traumatizadas. Com o andar da carruagem, ainda vamos ver o Diácono Remédios em fio dental…

PS3: O Partido Socialista bem que podia meter uma cunha para que o próximo elemento da casa fosse o Strauss-Kahn. Sempre podiam alegar que o homem estava em prisão domiciliária, e havia de ser curioso – isto sim, uma verdadeira experiência sociológica radical – ver se o kamikaze DSK aguentava um mês sem violar a Luciana Abreu ou o Roberto Leal. Se conseguisse, ficava provado que afinal foi mesmo vítima de uma cabala. Cheira-me, porém, que ao fim de dois dias, nem se safava o Roberto Leal, nem a Luciana Abreu, nem sequer o Mimo e o Batatinha.

Maio 20, 2011

O cantinho do telespectador (V)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 22:18

João Marcelino considera que Passos Coelho fez o seu melhor debate de sempre, e que por isso “não perdeu com José Sócrates”. Custa assim tanto dizer que ganhou? Esta mania de usarem eufemismos…

O cantinho do telespectador (IV)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 22:17

Emídio Rangel sentiu o debate confuso, não percebeu muito bem o que lá se passou, viu-o muito “macroeconómico”. Chegou a acha-lo tortuoso. Percebo. Se eu estivesse na pelo do Emídio Rangel, em certos momentos também ficava com vontade de desligar a televisão.

O cantinho do telespectador (III)

Filed under: Diversos,Videos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 12:25

Aqui do meu sofá, dei por mim a pensar…

Camarada Sócrates, ninguém duvida que V. Exa. deu o seu melhor, e ninguém esquece que houve uma crise internacional. A crise internacional é como o sol, Sr. Eng.º, quando nasce, é para todos. Só que a maioria dos países safou-se, nós caímos no buraco, estatelados como poucos. Era difícil fazer pior. O problema, mesmo, é que o seu melhor foi muito mau, a forma como reagiu à crise enterrou-nos definitivamente. Esse é o ponto: V. Exa. é incompetente, não percebeu nada da crise, achou que ela se resolvia atirando dinheiro para a Economia, acriticamente. O senhor Eng.º não estranhou que os defensores mais entusiastas das soluções despesistas tenham sido historiadores de esquerda e aspirantes a economistas, e o people que queria os seus cheques? Há, pois é! Ora, os ditos investimentos que o Sr. Eng.º patrocinou, não deram lugar a nenhum crescimento económico; ficámos mas é tesos, sem dinheiro, cheios de dívidas, e com um desemprego crescente. Está a ver, o senhor até se esforçou, mas isto é como plantar tomates no deserto, por mais que se esforce, aquilo não cresce; e quando já se estava mesmo a ver que os tomates não iam crescer, o Sr. Eng.º teimou em pedir ajuda, ficou à espera quiçá de um milagre, enquanto nos ia dizendo que a coisa estava quase, quase, a florescer; e agora, vai-nos dizer que a culpa não é sua, é de estar lá areia, e não terra, e que o senhor até encheu aquilo de água, ó homem, quem lhe mandou ter tentado plantar tomates no deserto?“.

Maio 19, 2011

O complexo social do CDS-PP

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 15:02

O Adolfo, no Rua Direita, estrutura uma resposta hábil e inteligente, como não poderia deixar de o ser, à questão que coloquei sobre a afirmação de Paulo Portas de que o seu partido estaria “à esquerda do psd nas questões sociais”.

O ponto, porém, é que esta não é apenas uma frase infeliz. O cds-pp, apesar do esforço de pessoas como o Adolfo, é na sua essência um partido de base conservadora, e que tem demonstrado sempre uma grande dificuldade em abandonar um certo complexo de esquerda, nas questões sociais, e intervencionista, de base nacionalista, em matérias económicas e de segurança. Basta ver a proposta disparatada que Paulo Portas apresentou ontem em Castelo Branco, na sua visita à Dielmar, de conceder créditos fiscais às empresas, na exacta medida em que aumentem as exportações.

Longe de mim entrar em grandes polémicas com o cds-pp, partido com que simpatizo. Apenas serviu este post para chamar à terra todos os que, recentemente, e no campo liberal, se têm deslumbrado com o cds, como se esta fosse a força que representa sem telhados de vidro o espaço do centro-direita, esquecendo rapidamente como é que Paulo Portas ascendeu no partido, promovendo um discurso conservador, estatista e nacionalista. O cds-pp, pese embora tenha algumas pessoas que procuram dar-lhe um pendor mais liberal, é na sua essência um partido de matriz socialista, que na hora da verdade exerce o Poder bastante mais à esquerda do psd. Com essa frase, Paulo Portas não se limitou a piscar o olho ao centro-esquerda, quer também agradar a uma fatia significativa do seu eleitorado, que exige que o cds-pp reafirme políticas sociais amplas e interventivas.

Se formos frios na análise, e compararmos os programas eleitorais das duas últimas eleições dos 3 principais partidos democráticos – ps, cds-pp, e psd – facilmente concluímos que o que vai mais longe, e de uma forma mais coerente, na liberalização da nossa economia e da nossa sociedade, é o do psd. Não por aderir claramente a um programa estruturado fundamentalmente liberal, mas porque a sua base social, burguesa, das classes médias, exige que este seja o partido político que mais confia nas pessoas e na sociedade civil.

Não me deslumbro com o meu psd, recheado de esquizofrenias ideológicas: longe de mim vir aqui fazer a apologia do psd como arauto do liberalismo em Portugal. Aposto no psd porque, no fim de contas, e nas suas limitações, acaba sempre por ser o partido com maior sentido de responsabilidade no exercício do Poder. O que me surpreende é que, gente instruída no campo liberal, se entusiasme tanto com um partido como o cds-pp, ao ponto de lhe verem virtudes que, claramente, não tem, e dificilmente terá num futuro próximo, de defesa incondicional da liberdade individual e do anti-estatismo. Daí estes meus dois textos. Compreendo a adesão ao cds-pp, tenho alguma dificuldade em assistir a rasgos de entusiasmo e fervor. Enfim…

Clarificado este ponto, reafirmo que nestas eleições o mais importante é que, entre PSD e CDS, seja possível obter uma ampla maioria que não só afaste de vez José Sócrates como reduza o peso da esquerda radical, em particular do Bloco de Esquerda. Não há nada mais importante neste momento do que correr com os dois maiores demagogos políticos que a nossa história democrática conheceu – Sócrates e Louçã.

O cantinho do telespectador (II)

Filed under: Media,Política,Portugal,Videos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 13:44

Ontem, enterrado no sofá de minha casa, dei por mim a assistir a esta reportagem, onde o candidato pelo PS, “de voz embargada e com uma lágrima no canto do olho”, se “emociona” com o discurso de um militante socialista que obteve o famoso diploma das Novas Oportunidades. O mais extraordinário é que Sócrates consegue chorar num contexto totalmente fabricado e artificial, onde como o próprio jornalista realça, as diversas intervenções seguiam o ritmo de um guião. Não vai ser fácil – porque José Sócrates tem uma performance semelhante aos “zés sempre em pé” dos parques de diversões, quando parece que está no chão levanta-se, hirto e firme – mas, se perder as eleições, o nosso menino da lágrima tem carreira assegurada em Bolliwood.

Maio 17, 2011

CDS à esquerda do PSD nas questões sociais?

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 22:23

Estive ausente do país por uma temporada, e hoje quando revia os meus emails antigos encontrei um que me conduziu a uma frase de Paulo Portas, onde este afirmava, numa visita a uma Escola de Almeirim, e cito, que o seu partido “está à esquerda do PSD em questões sociais”.

Pergunto-me porque razão o link da pesquisa do google, daqui, conduz aqui, a uma página do Portal do CDS que nos diz “file not found”.

Já agora, há algum engano na minha caixa de email ou Paulo Portas disse mesmo isso? E pergunto se os meus amigos do CDS-PP ficam confortáveis e entusiasmados com um líder que consegue posicionar-se à esquerda do PSD em matéria de questões sociais?

O cantinho do telespectador

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 21:46

Helena Garrido diz na SIC Notícias que “defender a redução do Estado é uma opção intelectualizada que não diz nada às pessoas”. Realmente, quando chegamos ao ponto de alguém poder dizer isso com ar cátedro, sem que os interlocutores tenham um ataque de riso, bem que merecemos a bancarrota.

O Luis Delgado insiste nas “narrativas”. Esta palavra, como alguém dizia, devia ser proibida. Qualquer dia a palavra “narrativa” vai ganhar uma carga “autoexplicativa” maior que o campeão do vazio, juntar a tudo e todos o rótulo “social”.

Um gajo que nunca vi – tem cara de “Abrantes” – diz que PPC foi para o debate sem se preparar, para depois dizer que o problema do debate não foi falta de preparação. Fiquei baralhado. Agora fala que Louçã “tirou coelhos da cartola”. Vale tudo…

Maio 16, 2011

Sobre o momento de euforia do CDS-PP

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 13:22

O Rua Direita é um excelente blogue, onde escrevem vários Insurgentes e muitos – e bons – amigos. Tal não significa, porém, que concorde com tudo o que lá se escreve.

O CDS-PP tem vindo a fazer um excelente trabalho de renovação, e surge com uma equipa interessante, na senda do que já havia ocorrido nas eleições anteriores. Poucas pessoas fora do CDS-PP apreciam tanto o que aí se tem feito como eu.

Recomendo, porém, que se arrefeça um pouco a euforia, porque a história demonstra que o caminho é duro e cheio de vicissitudes e dificuldades.

  1. Desde logo, há quem ainda não tenha percebido, ou faça um esforço enorme para ignorar – e este post é sintomático – que Paulo Portas representa, para uma fatia significativa do eleitorado, e na relação com o PSD e PS, um handicap significativo para o CDS-PP. Se as razões são “justas” ou “injustas”, é discussão que tem pano para mangas. Em qualquer caso, as boas performances de Paulo Portas, para muitos, são irrelevantes: mesmo que ele faça um “duplo mortal encarpado”, nota 10, boa parte do eleitorado de direita tem-lhe uma resistência absoluta, e ponto final. Paulo Portas separa objectivamente muita gente do CDS-PP. É um líder carismático, que desperta amores mas também imensos ódios e resistências. Ignorar este dado objectivo, é partir para a contenda com uma visão distorcida da realidade. Até que ponto Paulo Portas e o CDS-PP estão a conseguir ultrapassar estas limitações, é o que veremos no dia 5 de Junho, na hora do voto.
  2. Discordo ainda da interpretação que o Francisco Mendes da Silva faz dos cenários pós-eleitorais, e das encruzilhadas que se colocam ao PS, PSD e CDS-PP em termos de coligação. O futuro governo nascerá não dos afectos dos líderes, mas da aritmética dos votos. Realpolitik, serão razões de ordem prática e de mero pragmatismo que irão impor a futura solução governativa, num jogo onde há múltiplos participantes, muito para lá dos vários partidos e da própria Presidência. A nossa Constituição abre múltiplas possibilidades. O que se tem dito e escrito cria ruído, mas acabará por ser letra mora, a força da realidade, da pressão que existe hoje sobre os agentes políticos, das mais diversas proveniências, e dos resultados eleitorais, será bem mais forte na imposição da solução a seguir. Não vou dizer se gosto ou não da forma como as coisas estão a desenrolar-se, mas não adianta, mais uma vez, ignorar que o nosso “ecosistema” actual é demasiado complexo, com grande parte do poder concentrado muito para lá dos actores políticos e dos partidos.
  3. Finalmente, chamo a atenção para a tendência centrífuga que o nosso sistema político e eleitoral apresenta neste tipo de eleições, e que beneficia historicamente os partidos do centro. O CDS e o Bloco de Esquerda têm de trabalhar o triplo para conseguirem bons scores nas urnas.

Maio 5, 2011

O FMI e a metadona europeia

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 17:51

(via página do Facebook do PSD/Porto)

Pois, os números não enganam. José Sócrates é uma espécie de toxicodependente, viciado em dívida, que vem agora gabar-se – depois de ter “torrado” o património da família, deixando-a na penúria por muitos anos – que fez um bom acordo com o dealer, que lhe permite aguentar as dívidas, no curto prazo, e ainda lhe emprestou mais uns trocos para continuar a consumir, desde que intercale com metadona. Porreiro, pá!

Maio 3, 2011

Sobre o verdadeiro sentido da liberdade de escolha

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 12:33

O PSD, desde os tempos de Manuela Ferreira Leite, que tem colocado a liberdade de escolha dos cidadãos no centro do seu debate político, em particular na Educação e na Saúde. De tal forma o PSD tem dado prioridade ao tema que José Sócrates optou por atacar o PSD como sendo o “inimigo da escola pública”.

José Sócrates é incoerente, na medida em que se apresenta como o arauto da defesa da Escola Pública, não para os seus filhos, mas para os filhos dos outros. A liberdade de escolha, como o nome bem indica, significa – imagine-se! – liberdade para escolher. É isso que Pedro Passos Coelho defende. Ele optou por colocar as suas filhas no ensino público. Mas não quer fazer disso uma imposição. A sua posição é inatacável.

Vejo que pelo 31 da Armada há quem não perceba que liberdade de escolha é isso – optar entre o público e o privado, para elevar a qualidade geral do ensino, em prol de todos os cidadãos, em especial, dos mais pobres – e não uma mera forma de “sacar” ao Estado uma comparticipação nas propinas do colégio dos putos. Na Suécia, onde a liberdade de escolha tem já um lastro de 19 anos, a adopção deste tipo de políticas conduziu, sobretudo, ao fortalecimento da escola pública, e ao aparecimento de soluções de ensino que não encaixam propriamente nas dicotomias “público” e “privado”(resultam de parcerias locais entre pais, empresas e autarquias). Sem deixar de possibilitar soluções para que a opção pelo ensino privado não seja economicamente penalizada, por meras razões ideológicas.

Neste tipo de discussões fica claro algo que sempre me pareceu evidente – que o software de muita gente à direita (que se concentram sobretudo à volta do CDS) não é liberal, não entende o que é a liberdade, mas tem uma visão distorcida sobre a essência do privado e da sua relação com o Estado e os dinheiros públicos. Não é distinta daquela que encontramos no PCP ou nos sindicatos, visa apenas defender benefícios de classe.

Nota adicional: É óbvio que certas opções privadas de quem anda na vida pública são relevantes no plano político. E isso não conflitua com o direito à dignidade e à privacidade. A ideia de que devemos seguir cegamente o “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço” tem vindo a matar o prestígio dos políticos e fere a sua dignidade. Há opções que não relevam, outras que têm de poder ser escrutinadas. Pede-se a quem quer liderar o país um mínimo sentido de coerência. O mesmo que se exige aos cidadãos, na defesa das suas ideias. Ou não?

Abril 22, 2011

A culpa não pode morrer solteira

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 21:07

É sabido que o sentido do meu voto é sempre no PSD e nos seus candidatos, com uma única excepção, na última eleição Presidencial. Percebo porém – embora considere que é um erro deixar cair nesta fase a única alternativa decente de que dispomos – todos aqueles que olham hoje para o partido laranja com algum desencanto, em virtude de certas decisões incompreensíveis nas escolhas e omissões na lista de deputados, e de algumas posições menos claras (mas também para já pouco importantes) quanto ao caminho a seguir. A escolha de Fernando Nobre como cabeça-de-lista por Lisboa, tem a sua gravidade, não apenas porque promove alguém cujas ideias políticas estão nos antípodas daquilo que o PSD deveria assumir, como determina a exclusão de António Capucho de um lugar que lhe deveria (numa lógica puramente “PSD”) pertencer, em particular num eventual apoio à Presidência da Assembleia da República. Não deixa ainda assim de ser uma decisão isolada. Não nutrindo actualmente de nenhuma simpatia pessoal pelo candidato, não vejo com a gravidade política que tem sido apresentada a escolha de Carlos Abreu Amorim, que sempre se situou à Direita, para as listas de Viana; reconheço-lhe capacidade intelectual e espírito combativo suficientes para assumir a responsabilidade que lhe está a ser acometida. Aceito também que gostaria de ver em lugares elegíveis alguns candidatos que foram excluídos, mas enquanto o sistema eleitoral for este, e as listas tiverem tão dependentes de estruturas locais, pouco mais se pode fazer.

Dito isto, fico estupefacto pela forma como tanta gente tem concentrado as suas energias no escrutínio de erros menores do PSD, sobretudo quando comparados com aqueles que nos conduziram até aqui, hoje, pela mão do Partido Socialista e do seu líder, José Sócrates.

Na verdade, se há questão que se coloca, antes de qualquer uma, nesta eleição, é se o PS deve ou não ser fortemente penalizado pela forma como geriu o país até à situação de profunda crise em que nos encontramos, não apenas no plano das decisões políticas, mas também da (falta de) seriedade com exerceu o seu mandato político. E, neste plano, não me suscitam dúvidas que esta eleição, como diria Popper, serve sobretudo para expulsar um dos governos mais incompetentes, irresponsáveis e manipuladores da realidade de que há memória em Portugal. A próxima campanha eleitoral deve colocar o PS no centro do debate, para que possamos fazer uma avaliação informada sobre a sua acção governativa nos últimos anos.

Depois, sim, deveremos perceber – todos aqueles que optem por considerar que o PS deve ser penalizado nesta eleição – quem é o Partido que merece um voto de confiança, aquele que se apresenta melhor preparado para governar, num tempo difícil e onde será necessária firmeza, clareza de ideias, e capacidade de formar largos consensos na sociedade portuguesa.

O que me parece estranho é que a discussão e o debate assente no jogo que o PS privilegia: desviar os holofotes e as críticas para o PSD, tentando fugir entre os pingos da chuva. E o resultado disso está à vista, e não poderia ser pior para um sistema político tão fragilizado quanto o nosso: querem mesmo permitir que os eleitores dêem uma nova oportunidade a este PS, que é competente, sim, mas só naquilo que corrói a Democracia, na arte de dissimular e fugir às responsabilidades?

Abril 8, 2011

Das desculpas de mau pagador

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 00:55

Nenhuma das medidas incluídas no chamado PECIV tinham efeito no curto prazo. Acresce que já há mais de seis meses que Portugal deveria ter pedido ajuda externa, face à escalada de juros em que temos incorrido nos empréstimos contraídos pela República desde o verão, e dado o vencimento de inúmeros empréstimos que é necessário reembolsar.

Logo, não se percebe – ou percebe-se, num quadro de mera reverência ao chefe e total demissão intelectual – como é que o João Galamba é capaz de escrever uma coisa destas. Digo-o sem qualquer reserva, e com a frontalidade de sempre: não só o chumbo do PECIV é irrelevante na decisão de pedir ajuda por parte do Governo, como só a teimosia de um homem orgulhoso e apenas focado no seu pequeno mundo e nos seus míseros interesses nos empurrou para este abismo desgovernado, adiando há meses o inadiável: que Portugal precisa de uma intervenção urgente.

O PS teve TODAS as condições, desde a sua reeleição, para governar. O PSD viabilizou 3 PEC’s,e 2 Orçamentos de Estado; o PS, nem assim,  foi capaz, neste período, de segurar o barco. O PS tomou as medidas que quis, mesmo quando muitos altertaram que o caminho era o errado.

É triste ver que (parte) do PS e o seu líder, na hora do fracasso, são incapazes sequer de assumir as suas responsabilidades. E lamento ver gente inteligente, como o João Galamba, a fazer de acólitos de semelhante desvario.

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