O Insurgente

Abril 30, 2008

No bom caminho (2)

Arquivado como: Economia, Media, Portugal — BZ @ 12:38 pm

Depois da CBS News, a OPEP informa os mais distraídos (Jornal de Negócios):

O presidente da OPEP, Chakib Khelil, acredita que o preço do petróleo pode chegar aos 200 dólares por barril. Khelil culpou a queda do dólar – que torna outros activos, incluindo o petróleo, mais atractivos – pela subida do preço da matéria-prima.

Até a própria ANAREC começa a fazer as contas em euros. Finalmente! Só falta reconhecer que o euro também é uma moeda fiduciária.

Leituras complementares:

No bom caminho

Arquivado como: Comentário, Economia, Internacional — BZ @ 12:23 am

Ontem, critiquei uma reportagem da CBS News por não identificar a principal causa da subida do preço do petróleo.

Hoje, também na CBS News:

This week, the oil market is also expected to closely watch the outcome of the U.S. Federal Reserve’s policy meeting on Tuesday and Wednesday.

The central bank’s policymakers will meet to decide whether to lower interest rates again and to issue an updated assessment of the U.S. economy and financial system. Most investors believe the Fed will lower rates by another quarter percentage point - and that it will also suggest it may temporarily halt its round of recent cuts.

“There are a lot of expectations that the Fed will make an announcement that they will take a pause in interest rate cuts,” Shum said. “If that’s the case, then the U.S. dollar may bottom out and that could cause some pullback in oil pricing.”

Many analysts believe the weakness of the dollar is a bigger factor than supply and demand because the soft dollar draws investors worried about inflation into commodities such as oil and gold. It also makes commodities less expensive for buyers operating in other currencies.

Agora só falta ver isto publicado em português. Fora da blogosfera!

Abril 28, 2008

Fast Draw: oil prices

Arquivado como: Comentário, Economia, Internacional, Videos — BZ @ 6:45 pm

Na CBS News, uma explicação para a evolução dos preços do barril de petróleo:

Atribuem parte da responsabilidade aos especuladores mas esquecem-se sempre do principal responsável: o FED.

Tal como é explicado no video, um especulador compra petróleo para o vender mais tarde a um preço superior. Ora, se - como também dizem no video - não existe procura que justifique tal aumento do preço, então o especulador está a apostar não no futuro crescimento da procura mas, sim, na continuada desvalorização do dólar em relação a activos reais (petróleo, ouro, prata, trigo, etc). Aposta ganha se o FED continuar a “emitir liquidez”

Shanghai Express

Arquivado como: Comentário, Economia, Internacional — BZ @ 3:47 pm

Não pude deixar de (sor)rir quando, em Setembro de 2007, li o seguinte post do “ladrão de bicicletas” Nuno Teles [NT]:

No presente período de sobressalto nos mercados financeiros, a China afirma-se como um garante da estabilidade da economia internacional. Não é só o seu continuado crescimento recorde que garante a sanidade mental dos investidores globais. Graças a uma regulação muito apertada dos mercados financeiros, pelo menos dois mecanismos mantêm a China fora da recente instabilidade e tranquilizam os mercados financeiros internacionais [câmbio fixo e barreiras à entrada de capital estrangeiro] (…) A “grande muralha” da regulação financeira mostrou-se, mais uma vez, eficaz.

NT teve, na altura, alguma dificuldade em compreender as consequências da política monetária chinesa. Espero que hoje em dia esteja um pouco mais esclarecido. Senão, sugiro que comece por analisar o seguinte gráfico comparativo (Shanghai Composite vs Dow Jones):

Neste, podemos verificar que a instabilidade na bolsa chinesa foi consideravelmente superior à ocorrida na bolsa americana.

Uma das maiores causas da valorização do Shanghai Composite nos últimos anos? Inflação. Ao manter o câmbio fixo com o dólar, o banco central chinês não só - como afirmou NT - manteve as “exportações competitivas” como, também, importou a inflação criada pelo FED, canalizada para o mercado bolsista.

Nota: semelhante fenómeno ocorreu nas bolsas americanas durante a segunda metade dos anos 90 do século passado (leitura recomendada: “Does ABCT help explain the dot-com boom and bust?” - pdf).

Abril 26, 2008

Liberdade?

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — BZ @ 2:30 am

Portugal comemorou ontem, 25 de Abril, o 34º aniversário da queda do Estado Novo. A este feriado nacional deu-se o nome de “Dia da Liberdade”.

É verdade que em 1974 os portugueses iniciaram a conquista de liberdades anteriormente limitadas ou inexistentes, como a liberdade de expressão (apesar das ameaças em “enviar” os partidos de direita para o Campo Pequeno) e a liberdade de voto (a partir de 1975). Mas com as nacionalizações de sectores de actividade ditos estratégicos (incluindo na comunicação social) e, principalmente, com o crescimento do Estado Social, cada português continua a perder, pouco a pouco, a liberdade de escolher o seu próprio destino.

Não posso, por isso, deixar de concordar com a seguinte frase do Filipe Moura (e apenas esta!):

[A] meu ver o 25 de Abril deveria chamar-se não Dia da Liberdade, mas Dia da Democracia.

(mais…)

Abril 24, 2008

Moeda: Natureza vs Homem

Arquivado como: Economia — BZ @ 6:48 pm

Outrora, reconhecia-se os perigos da emissão de papel-moeda:

Gold and silver are the emissions of nature: paper is the emission of art. The value of gold and silver is ascertained by the quantity which nature has made in the earth. We cannot make that quantity more or less than it is, and therefore the value being dependent upon the quantity, depends not on man. Man has no share in making gold or silver; all that his labors and ingenuity can accomplish is, to collect it from the mine, refine it for use and give it an impression, or stamp it into coin.

(…)

But when an assembly undertakes to issue paper as money, the whole system of safety and certainty is overturned, and property set afloat. Paper notes given and taken between individuals as a promise of payment is one thing, but paper issued by an assembly as money is another thing. It is like putting an apparition in the place of a man; it vanishes with looking at it, and nothing remains but the air.

Nota: Thomas Paine escreveu este texto em 1786.

Abril 17, 2008

Petróleo dourado (2)

Arquivado como: Economia — BZ @ 4:41 pm

Via LRC, um interessante artigo do American Geological Institute (pdf):

The steep increase in the price of crude oil in the United States remains a headline issue, along with the falling US dollar. The drop in the dollar has caused concern in oil-producing countries which use it as the economic basis for the commodity, and often their currency. The chart below shows the spot market price of crude oil per barrel (BBL) in US dollars and in euros from 2001 to today. The price of oil has grown faster relative to the dollar than to the euro. Yet, a portion of the rise in oil prices is due to the fall of the value of the dollar. The graph also shows the number of barrels of crude oil per cost of an ounce of gold, demonstrating the parallel growth in commodity pricing.

Um gráfico muito semelhante ao publicado em anterior post insurgente! ;)

Abril 16, 2008

Dívidas transgeracionais

Arquivado como: Comentário, Diversos, Economia — BZ @ 8:52 am

João Pereira Coutinho, no semanário Expresso:

Quando o assunto é a escravatura, alguém aponta o dedo para o Ocidente. Depois de séculos de vilanias no tráfico de seres humanos, não deve o Ocidente rico “indemnizar” os descendentes dos descendentes de escravos?

Sazonalmente, a conversa regressa. O meu espanto regressa também. Primeiro, porque a ideia de que a culpa passa de geração em geração determinaria, no limite, que todos os povos acabariam necessariamente por pedir contas ao antigo senhorio, um recuo demencial que só terminaria no Paleolítico. Mas sobretudo porque a originalidade do Ocidente não esteve na escravatura; esteve, pelo contrário, na forma determinada como a aboliu. Porque o negócio continua por outras bandas.

(…)

Em África, milhares de seres humanos são capturados anualmente em cenários de guerra e separados de famílias ou comunidades para uma vida de servidão.

E milhões são traficados nas Américas ou na Ásia, sobretudo na Índia, onde 10 milhões (no fundo, a população portuguesa) continuam a pagar “dívidas” transgeracionais em pedreiras e campos de cultivo.

Sim, porque as “dívidas” existem.

E até existem de geração em geração. Mas as patrulhas insistem em olhar para os credores errados.

Bom… tendo em conta as dívidas transgeracionais da Segurança Social, do Serviço Nacional de Saúde e de défices passados (acumulados no valor da Dívida Pública), podemos dizer que em Portugal a escravatura ainda não foi totalmente abolida.

PS: dois anos atrás perguntei se, “moralmente, pode um socialista condenar a comercialização de [empréstimos bancários com responsabilidade ilimitada]?”

Foi Mahatma Gandhi um anarquista?

Arquivado como: Diversos, Política — BZ @ 8:21 am

No PeacePower (via Ação Humana), cita-se Mahatma Gandhi.

Sobre o Estado:

“The State represents violence in a concentrated and organized form. The individual has a soul, but as the State is a soulless machine, it can never be weaned from violence to which it owes its very existence. (…) While apparently doing good by minimizing exploitation, [the State] does the greatest harm to mankind.”

Sobre a democracia parlamentar (inglesa) e maioritária (americana):

“If India copies England, it is my firm conviction that she will be ruined. Parliaments are merely emblems of slavery.”
“It is a superstition and an ungodly thing to believe that an act of a majority binds a minority.”

Sobre a soberania do indivíduo:

“Power resides in the people, they can use it at any time.”
“In such a state (of affairs), everyone is his own rulers. He rules himself in such a manner that he is never a hindrance to his neighbor.”

Abril 15, 2008

Peak oil?

Arquivado como: Economia, Internacional — BZ @ 1:14 pm

SIC:

Foi na Bacia de Santos, em plena plataforma continental, num local chamado Pão de Açúcar, que a brasileira Petrobras protagonizou a descoberta daquela que será, assim que confirmada, a maior descoberta mundial de petróleo das últimas três décadas.

<ironia>Mas se o Brasil é um dos países que mais aposta nos biocombustíveis, porque então continuar a procurar por petróleo? É que esta descoberta pode prolongar o prazo do peak oil…</ironia>

Abril 12, 2008

Erros de grandeza

Arquivado como: Diversos, Portugal — BZ @ 6:25 pm

Um mês atrás, escrevi os seguinte:

[A] partir de hoje deixo de usar o termo “mil milhões”, passando a publicar com a designação mais internacional (”bilião”).

Hoje, sobre recente relatório do Fundo Monetário Internacional (IHT: “Credit crisis could cost nearly $1 trillion, IMF predicts”), leio o seguinte no Expresso ($), o maior semanário português:

Esta semana, no relatório sobre estabilidade financeira, o FMI avançou com uma nova estimativa para as perdas relacionadas com o «subprime» de quase mil milhões de dólares (cerca de 600 milhões de euros).

Eu teria referido o valor como “um trilião” mas quem, como o Expresso, usa outra terminologia a tradução correcta de “trillion” seria “bilião”, termo que se confunde com “billion” (este, sim, os “mil milhões”).

Abril 8, 2008

Janela Indiscreta

Arquivado como: Colunas, Comentário, Economia, Janela Indiscreta — BZ @ 2:00 am

Lendo os comentários ao aqui recomendado post blasfemo intitulado “Subprime II” percebi que ainda existe grande dificuldade em entender a inflação como um fenómeno monetário.

Um facto que deveria ser, para muitos, evidente: a inflação é consequência da emissão de moeda pelos bancos centrais.

Esta é a razão porque no Zimbabwe aquela taxa já ultrapassou cem mil porcento (100.000%) e porque o Banco Central Europeu [BCE] não pode reduzir as suas taxas de referência para “estimular” o crescimento económico sem que tal medida resulte no aumento da taxa de inflação – que já se encontra acima dos 2%, limite definido pelos países-fundadores daquela instituição.

(mais…)

Abril 1, 2008

Ambientalismo digital necessita de reboot

Arquivado como: Ambiente, Religião — BZ @ 2:03 am

Do recente artigo recomendado em anterior post de AAAlves retiramos o seguinte excerto (meus destaques):

Duffy: “Can you tell us about NASA’s Aqua satellite, because I understand some of the data we’re now getting is quite important in our understanding of how climate works?”

Marohasy: “That’s right. The satellite was only launched in 2002 and it enabled the collection of data, not just on temperature but also on cloud formation and water vapour. What all the climate models suggest is that, when you’ve got warming from additional carbon dioxide, this will result in increased water vapour, so you’re going to get a positive feedback. That’s what the models have been indicating. What this great data from the NASA Aqua satellite … (is) actually showing is just the opposite, that with a little bit of warming, weather processes are compensating, so they’re actually limiting the greenhouse effect and you’re getting a negative rather than a positive feedback.”

Duffy: “The climate is actually, in one way anyway, more robust than was assumed in the climate models?”

Marohasy: “That’s right … These findings actually aren’t being disputed by the meteorological community. They’re having trouble digesting the findings, they’re acknowledging the findings, they’re acknowledging that the data from NASA’s Aqua satellite is not how the models predict, and I think they’re about to recognise that the models really do need to be overhauled and that when they are overhauled they will probably show greatly reduced future warming projected as a consequence of carbon dioxide.”

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Março 31, 2008

Resposta insurgente

Arquivado como: Comentário, Economia, Teoria — BZ @ 7:20 pm

Começo por responder à pergunta insurgente com uma pergunta:

X comprou apartamento por 150 mil euros. Que valor atribuiu X à sua nova casa?

(mais…)

Março 26, 2008

Re: O preço do petróleo

Arquivado como: Economia — BZ @ 1:23 am

No blog Raio-X chegou-se à seguinte conclusão:

- Em 2000, um barril de petróleo custava 63USD, ou seja, 70.00EUR (1.00Eur=0.90USD).
- Em 2008, um barril de petróleo custa 98USD, ou seja, 70.00EUR (1.00Eur=1.40USD).

Gostava que me indicassem onde está a subida do preço do petróleo.

Cada um que pense por si, mas eu acho que estamos a ser roubados pelos políticos, pelas petrolíferas e até pela associação de padeiros!

Correcção: no ano 2000, o barril de petróleo brent (a referência para Portugal) nunca chegou aos 63 dólares; a média desse ano foi 28,52 dólares (fonte).

Sugiro, por isso, ao Raio-X a leitura do meu anterior post intitulado “Petróleo dourado” (tal como o gráfico nele incluído).

Março 24, 2008

Casamento de conveniência

Arquivado como: Política, Portugal — BZ @ 4:35 pm

Público:

A Direcção-Geral de Impostos (DGCI) está a enviar cartas a contribuintes recém-casados pedindo que estes respondam, ao abrigo do dever de colaboração com a administração fiscal e no prazo de 15 dias, a um vasto conjunto de informações relacionadas com a realização do seu casamento. Caso não o façam dentro do período temporal estabelecido, são ameaçados com a instauração de um processo de contra-ordenação fiscal punível com uma coima que varia entre os 100 e os 2500 euros.

E agora declaro-vos marido e mulher… e fiscais das finanças!!!

Pergunta insurgente

Arquivado como: Comentário, Economia, Livros, Teoria, Videos — BZ @ 3:41 pm

No final do post da Ordem Livre recomendado pelo AAAlves é sugerido o video duma palestra do economista Robert Frank, autor do livro “The Economic Naturalist: In Search of Explanations for Everyday Enigmas”:

Aos 11m30s é abordado o tema de Custo-Benefício através do seguinte exemplo:

  1. Estão prestes a comprar um relógio-alarme por $20 quando vos informam que outra loja mais distante os vende por $10. Em que loja é que o compram?
  2. Estão prestes a comprar um computador por $2.510 quando vos informam que a outra loja mais distante vende o mesmo produto por $2.500. Onde compram o computador?

90% dos alunos de Robert Frank escolhem comprar o relógio-alarme na loja mais distante mas, destes, apenas uma pequena percentagem opta por deslocar-se à mesma loja para adquirir o computador.

Conclusão do economista: se o consumidor for racional ambas as decisões finais têm de ser idênticas, visto os custos e benefício ($10) serem idênticos. Ou seja, se uma pessoa decidir pela compra do relógio-alarme na outra loja também deveria tomar a mesma decisão em relação à compra do computador.

Não concordo com tal conclusão! Mas ainda não vou explicar porquê. Gostava, entretanto, de saber quais teriam sido as vossas opções. Comentários em baixo.

Março 14, 2008

Ouro acima dos mil dólares!

Arquivado como: Diversos, Economia — BZ @ 2:44 pm

A cotação está acima das 1.000 notas daquela moeda que continua a perder valor….

Cotação ouro (spot New York)

Vamos ver se no fecho da sessão o “austríaco” CN vence a competição!

Março 13, 2008

Ouro insurgente (3)

Arquivado como: Diversos, Economia — BZ @ 12:31 pm

Hoje a cotação do ouro está próxima dos 1.000 dólares:

Cotação Ouro (NY Spot)

Se no final do dia fechar acima deste valor temos vencedor!

Março 12, 2008

Petróleo dourado

Arquivado como: Economia — BZ @ 2:05 am

Entre Janeiro de 1999 e Fevereiro de 2008, a média mensal da cotação do barril de petróleo (Brent) subiu 755% - de 11,11 dólares aumentou até aos 94,99 dólares. Se, contudo, fizermos as contas em euros (afinal é a moeda que usamos para pagar o combustível) o crescimento foi “apenas” de 572%. Tradução: o dólar desvalorizou-se em relação ao euro.

Tanto o dólar como o euro são moedas fiduciárias, dado que já lá vai muito tempo desde que o ouro serviu como reserva de valor das moedas. Mas há quem ainda considera este metal precioso uma importante opção de investimento, especialmente para fazer face às políticas inflacionistas dos bancos centrais.

Ora, se tanto a Reserva Federal Americana como o Banco Central Europeu inflacionam, respectivamente, o dólar e o euro, achei que seria curioso conhecer a evolução do preço do barril de petróleo, em onças de ouro! Como podem constatar no gráfico abaixo, o referido preço aumentou 166%.

Evolução do preço do crude (Brent)

PS: acho que vou ser eu a ganhar a t-shirt

Adenda: valores corrigidos (ver comentário 1)

Março 10, 2008

Ouro insurgente (2)

Arquivado como: Diversos — BZ @ 2:42 pm

Com a mudança do blog, durante uns dias não foi possível o acesso aos meus anteriores posts.

Mas, dada a evolução da cotação do ouro, os leitores ainda vão a tempo de ganhar uma t-shirt!

PS: quem falhou a previsão pode modificar agora o seu palpite.

Março 5, 2008

Show me the money

Arquivado como: Economia, Portugal — BZ @ 11:46 am

Segundo o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, entre Dezembro de 1999 e Dezembro de 2008 o Estado aumentou a dívida de cada português em cerca 5 mil euros e, só no ano passado, cobrou-lhe 472 euros para fazer face a “Encargos da Dívida” (assumindo uma taxa de juro de 4%, cada português, desde o início do ano de 2000, “contribuiu” para esta rubrica cerca de 2.800 euros).

Como devedor forçado tenho, no entanto, uma dúvida: que “investimentos” públicos criadores de riqueza foram realizados pelo Estado português nos últimos 7 anos? Euro2004???

Março 3, 2008

Ouro insurgente

Arquivado como: Diversos, Economia — BZ @ 5:19 pm

Devido à política monetária da Reserva Federal Americana, o dólar continua a perder valor. O barril de petróleo ultrapassou os 100 dólares, o euro os 1,50 dólares e o ouro aproxima-se dos 1.000 dólares.

Assim, repete-se iniciativa insurgente semelhante à das eleições presidenciais francesas.

Adivinhem - nos comentários abaixo - o dia em que a cotação do ouro ultrapassar os 1.000 dólares.

Metodologia para encontrar o vencedor:

  1. Endereço de email válido (sistema de comentários não o divulga);
  2. Menor diferença, em dias, para o dia do evento;
  3. Primazia a previsões anteriores ao evento, quando em concorrência com previsões para dias posteriores;
  4. Cotação tem de manter-se acima dos 1.000 dólares no fecho da sessão de Nova Iorque;
  5. Em caso de igualdade, a estimativa mais antiga.

Prémio para o vencedor: uma t-shirt!

Nota: cada participante pode alterar as suas estimativas quantas vezes quiser (apenas a última conta).

Adenda: inseri o link para o gráfico da evolução da cotação do ouro.

Sobreendividamento das famílias

Arquivado como: Economia, Portugal — BZ @ 4:08 pm

No boletim do mês de Fevereiro do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (pdf) podemos verificar que os “Encargos da Dívida” ascenderam, em 2007, a 4,7 biliões de euros, mais 7,3% que no ano anterior. Para uma família de quatro o valor pago via impostos é, em média, cerca de 1.888 euros.

Socialistas defenderão que défices - e consequentes acréscimos da Dívida Pública - são pagos, no futuro, com salários mais altos, resultantes dos investimentos públicos entretanto efectuados. Ou seja, os quase dois mil euros de impostos foram pagos por famílias portuguesas mais ricas…

Sendo assim, dado que nos últimos 8 anos a Dívida Pública cresceu 79% para 112 biliões de euros (pdf), é expectável que, nos próximos anos, Portugal consiga alcançar semelhante acréscimo de riqueza???

Nota: a partir de hoje deixo de usar o termo “mil milhões”, passando a publicar com a designação mais internacional (”bilião”).

Fevereiro 15, 2008

The american dream

Arquivado como: Cultura, Economia, Internacional, Livros, Videos — BZ @ 12:55 pm

Scratch Beginnings

Christian Science Monitor (via LRC):

[Adam] Shepard’s descent into poverty in the summer of 2006 was no accident. Shortly after graduating from Merrimack College in North Andover, Mass., he intentionally left his parents’ home to test the vivacity of the American Dream. His goal: to have a furnished apartment, a car, and $2,500 in savings within a year.

To make his quest even more challenging, he decided not to use any of his previous contacts or mention his education.

During his first 70 days in Charleston, Shepard lived in a shelter and received food stamps. He also made new friends, finding work as a day laborer, which led to a steady job with a moving company.

Ten months into the experiment, he decided to quit after learning of an illness in his family. But by then he had moved into an apartment, bought a pickup truck, and had saved close to $5,000.

The effort, he says, was inspired after reading “Nickel and Dimed,” in which author Barbara Ehrenreich takes on a series of low-paying jobs. Unlike Ms. Ehrenreich, who chronicled the difficulty of advancing beyond the ranks of the working poor, Shepard found he was able to successfully climb out of his self-imposed poverty.

“Scratch Beginnings: Me, $25, and the Search for the American Dream”

[youtube]yC88zQsVByk[/youtube]

Fevereiro 14, 2008

Fim aos cursos de Economia

Arquivado como: Economia, Política, Teoria — BZ @ 1:52 pm

Thomas Sowell:

(…) if you have a favorite candidate, you should be warned that there is nothing like studying economics to make you disillusioned — if not disgusted — with your political hero.

If all the economic fallacies promoted by politicians were taken out of their speeches, many of those speeches would be cut in half, at least.

[obrigado à insurgente Elise pelo link]

Fevereiro 7, 2008

Romney, Clinton e Obama

Arquivado como: Internacional, Política — BZ @ 5:32 pm

Why the GOP lost

Arquivado como: Cartoons, Internacional, Política — BZ @ 5:05 pm

Como complemento ao post do AAAlves:

McCain vs GOP

[no IBD Editorials, via insurgente AA]

PS: GOP = Grand Old Party

Fevereiro 6, 2008

A tradição já não é o que era

Arquivado como: Internacional, Política, Sondagens, Videos — BZ @ 3:58 pm

O título acima foi retirado de antigo slogan da publicidade ao whisky J&B e reflecte o erro de julgamento quando se interpretam acontecimentos actuais maioritariamente através da análise de semelhantes acontecimentos passados:

[youtube]vF0PtutFOGQ[/youtube]

Ora, no início do ano, o Pedro Magalhães escreveu o seguinte:

No Insurgente, duvida-se que na Super Duper Tuesday, o dia 5 de Fevereiro de 2008, se fique a saber o nome dos candidatos dos partidos Democrata e Republicano.

Não há dúvida que é possível que permaneça alguma incerteza depois desse dia. (…) Matematicamente, é claro que é possível que os nomeados só se conheçam na última primária, a 3 de Junho.

Mas é, claro, altamente improvável. Na era “moderna” das primárias (e na era “pós-moderna” das Super Tuesdays, que começou em 1988), houve apenas um caso onde uma candidatura (de um partido onde o incumbent não seja o candidato) não ficou decidida na Super Tuesday. (…) Ao contrário das primeiras Super Tuesdays, o menu de estados é muito diverso, e vai desde o Arkansas à Califórnia. Eu ficaria muito, mas mesmo muito, surpreendido se tudo não ficasse decidido aí.

Informação passada é relevante à análise mas, quando se lhe dá demasiada importância, ela pode induzir em erro. Esta Super Tuesday teve, afinal, diferentes candidatos, eleitores e conjunturas políticas.

Janeiro 29, 2008

A remodelação que não ia acontecer (2)

Arquivado como: Política, Portugal — BZ @ 4:20 pm

A pediatra Ana Jorge, nova Ministra da Saúde, poderá ter uma solução para o encerramento de serviços de urgência: música nas ambulâncias!!!

Oportunidade para o Sr. Optimista

Arquivado como: Economia, Internacional — BZ @ 3:48 pm

O primeiro-ministro José Sócrates continua com o seu discurso de optimismo sobre a evolução da economia mundial.

Fica aqui a sugestão para os que partilham de tal opinião: invistam!

Recessão Americana em 2008

Escolher fumar…. sem ter de comprar cigarro!

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — BZ @ 12:48 pm

No programa da semana passada do “Prós e Contras” da RTP, dedicado ao tema da Lei do Tabaco (pdf), o advogado-bloquista José Sá Fernandes apresentou, para minha surpresa, muito interessante argumentação. Diz o Artigo 3º da referida lei (meu destaque):

O disposto no presente capítulo visa estabelecer limitações ao consumo de tabaco em recintos fechados destinados a utilização colectiva de forma a garantir a protecção da exposição involuntária ao fumo do tabaco.

Deste modo, se determinado estabelecimento comercial colocar dístico em que informa sobre a permissão de fumar, a exposição ao fumo do tabaco é voluntária. Por outras palavras, nestes locais os clientes não fumadores optam por fumar.

Janeiro 18, 2008

Vítor Constâncio no Parlamento

Arquivado como: Economia, Portugal — BZ @ 3:10 pm

A audição do Governador do Banco de Portugal na Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República vai começar dentro de momentos.

No Diário Económico, “Dez dúvidas a que Vítor Constâncio tem de responder”:

  1. Por que razão não foram detectadas as irregularidades de início?
  2. As operações [em off-shores] eram ou não ilegais quando foram feitas?
  3. Quando soube o Banco de Portugal do caso, o que fez e por que razão não penalizou de imediato o BCP?
  4. Qual é o verdadeiro âmbito das investigações?
  5. Por que razão a instituição não actuou [quando em Outubro de 2006 recebeu do BPI a denúncia de alegadas irregularidades]?
  6. Quando recebeu o Banco de Portugal os documentos que provam as irregularidades e quando começou a actuar?
  7. Qual a base para a intervenção sobre os accionistas do BCP e porque surgiu a poucas semanas da assembleia geral?
  8. Quando prevê Constâncio ter conclusões para apresentar?
  9. Se a situação [de crédito concedido a accionistas] era ilegal porque não houve uma actuação penalizadora imediata?
  10. O modelo de supervisão bancária em Portugal é adequado, deve mudar, ou são necessários mais meios?

Janeiro 16, 2008

Produtividade cubana aumenta

Arquivado como: Internacional, Política — BZ @ 5:09 pm

Lusoponte e risco político

Arquivado como: Economia, Portugal — BZ @ 4:39 pm

Excelente - e esclarecedor - o post do blasfemo jcd intitulado “A Lusoponte, O Concedente e os Outros”:

Uma das grandes dificuldades associadas à montagem financeira deste tipo de projectos é a cobertura de risco. Estamos perante um Project Finance – não há risco adicional para os accionistas para lá do Capital Social realizado. Se a Lusoponte não pagasse ao BEI, seriam os bancos comerciais a fazê-lo – CGD à cabeça. As condições do sindicato financeiro, como é óbvio, impunham que todo e qualquer risco fosse identificado e para cada tipo de risco estivesse prevista uma cobertura adequada. Para muitas categorias de risco, as seguradoras servem. Para outras categorias, não. Por exemplo, para o risco político. Os governos, atacados pelo vírus do populismo, pretendem muitas vezes alterar aquilo com que se comprometeram, os partidos de poder mudam, os políticos fazem promessas fáceis porque são pagas com o dinheiro dos outros.

Uma Ota encapotada

Arquivado como: Economia, Portugal — BZ @ 4:11 pm

Artigo do blasfemo João Miranda, no Diário de Notícias.

O prazer da leitura

Arquivado como: Cultura, Livros — BZ @ 3:34 pm

Guardian elege a Livraria Lello como uma das dez mais bonitas do mundo. [via Blasfémias e Bibliotecário de Babel]

Dores de parto

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — BZ @ 2:56 pm

Correio da Manhã:

A cidade de Chaves vai dispor em 2009 de um novo hospital privado no concelho. O bloco de partos local foi encerrado [há] menos de um mês e estima-se que a nova unidade hospitalar disponibilize serviços de maternidade e urgências 24h por dia.

Será que o Estado vai devolver aos cidadãos de Chaves os impostos de forma a que lhes seja permitido escolher o melhor serviço de saúde? Público… ou privado!

Miopia jornalística

Arquivado como: Internacional, Media, Política, Videos — BZ @ 2:11 pm

Vejam a reportagem na SIC sobre as eleições americanas (4m16s) e depois continuem a ler o post.

Barack Obama, o “presidente da internet”??? O jornalista Luís Costa Ribas não sabe usar o motor de pesquisa do Youtube ou tem dificuldades em manter a imparcialidade… No que respeita a videos publicados na internet, Ron Paul ganha claramente a Obama!

PS: até no Meetup, Ron Paul tem 25 vezes mais membros que Obama.

Janeiro 15, 2008

Martin Luther King, Jr.

Arquivado como: Internacional, Justiça, Política — BZ @ 11:05 am

Nascido a 15 de Janeiro de 1929, Martin Luther King, Jr., durante a luta pelos direitos civis da comunidade afro-americana, seguiu os ensinamentos de Ghandi sobre desobediência civil (inspirados pela obra de Henry David Thoreau).

Aqui fica o video do famoso discurso de King “I Have a Dream” (17m27s):

[youtube]PbUtL_0vAJk[/youtube]

Texto integral:

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Janeiro 14, 2008

Febre do ouro

Arquivado como: Economia, Internacional — BZ @ 4:37 pm

SIC:

O ouro atingiu hoje no London Bullion Market um novo recorde absoluto, nos 911,10 dólares, após ter fechado nas transacções asiáticas pela primeira vez acima dos 900 dólares por onça, em Hong Kong, chegando aos 905,05 dólares.

Os outros metais preciosos, platina e prata, seguiram a mesma tendência.

Os investidores procuram o ouro, que desempenha o seu tradicional papel de valor refúgio num contexto de receios de recessão nos Estados Unidos e de turbulências no mercado do petróleo.

A onça de ouro (28,35 gramas) já passara sexta-feira em Nova Iorque a fasquia dos 900 dólares, após o discurso do presidente da Fed (Reserva federal norte-americana), Ben Bernanke, deixando antecipar novas baixas das taxas de juro nos Estados Unidos.

O valor da onça de ouro já está 25,7% acima da previsão da Merrill Lynch para 2010 porque esta instituição não antecipou, em Julho de 2005, a elevada desvalorização do dólar provocada pelas políticas monetárias do Fed.

Janeiro 9, 2008

Primárias no New Hampshire: o mercado reage

Arquivado como: Internacional, Política — BZ @ 3:26 am

Com 62% das precincts apuradas, Hillary Clinton continua a liderar Barack Obama em New Hampshire. O mercado está a reflectir tais resultados:

Intrade Clinton

Intrade Obama

Parece, portanto, que Obama está a perder momentum

Primárias no New Hampshire

Arquivado como: Internacional, Política — BZ @ 1:09 am

Podem seguir os resultados no site da CNN.

Janeiro 8, 2008

Lei “tamanho único”

Arquivado como: Comentário, Nanny State Watch, Política, Portugal — BZ @ 1:48 am

O restaurante X tinha, até final de 2007, uma distribuição de clientes fumadores/não fumadores de 80%/20% e o restaurante Y uma distribuição de 25%/75%. Ambos têm 200 metros quadrados de área comercial.

Com a nova Lei do Tabaco, os estabelecimentos comerciais com mais de 100 metros quadrados podem alocar zonas para fumadores até 30% da área total, desde que sejam instalados eficazes sistemas de extracção de ar. Que restaurante aumentou o risco de falência?

Campanha eleitoral já começou

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — BZ @ 1:30 am

Correio da Manhã, no Dia dos Reis(!): “Sócrates diz que 2008 vai ser melhor para os portugueses”

Para ser mais preciso, as campanhas partidárias “começam” no primeiro dia da legislatura de qualquer Governo. Um político de sucesso entende que a percepção da maioria dos eleitores não é racional ou factual mas, sim, emocional. Gerir as expectativas do eleitorado é, por isso, essencial.

Sondagens e mercados

Arquivado como: Comentário, Internacional, Política, Sondagens — BZ @ 12:26 am

O Pedro Magalhães apresenta-nos um interessante post com dois gráficos: o primeiro com o desenvolvimento das sondagens dos candidatos democratas no New Hampshire e o segundo com a evolução do preço do contrato de futuro da nomeação pelo partido Democrata de Barack Obama.

Sondagens são “fotografias” das opiniões dos inquiridos em determinado momento. Contratos de futuros são “bolas de cristal” que reflectem as expectativas dos investidores sobre a confirmação de determinado acontecimento. Ambos transmitem informação mas os futuros fazem-no de forma contínua.

Deste modo, é possível verificar que foi a vitória no Iowa que alterou as percepções do mercado sobre a elegibilidade de Obama (até então Clinton liderava com larga margem).

Do lado do partido Republicano constata-se que a vitória de Huckabee permitiu-lhe criar, no mercado, expectativas equivalentes aos candidatos McCain e Giuliani. Para Mitt Romney, o segundo classificado no referido Caucus, as probabilidades reduziram-se drasticamente

Resumindo, o mercado dá, neste momento, clara vantagem à nomeação do democrata Obama enquanto que a nomeação republicana ainda permanece indecisa entre três candidatos.

Janeiro 4, 2008

Iowa caucus

Arquivado como: Internacional, Política — BZ @ 1:58 am

Podem seguir a evolução dos resultados do Iowa caucus na CNN.

Re: Uma boa notícia

Arquivado como: Comentário, Media, Política, Portugal — BZ @ 1:29 am

Quando ouvi a decisão do Governo em relação à autorização de um novo canal generalista de televisão em sinal aberto tive a mesma reacção do André: uma boa notícia!

Infelizmente, depois do entusiasmo inicial, há que ser pragmático e analisar com cuidado a medida anunciada.

A decisão sobre o novo canal vem na sequência da atribuição de licenças de emissão em alta definição (digitais) aos quatro canais existentes (RTP1 e RTP2, SIC e TVI), além das actuais licenças em sinal analógico - que serão extintas até 2012. Resumindo, o espectro televisivo permite, pelo menos, a emissão de 9 canais em sinal aberto (4 analógicos e 5 digitais) mas o Governo decidiu que apenas quatro operadores podem “competir”, sendo que um deles é estatal e possuirá quatro licenças: duas analógicas e duas digitais.

Mas porque motivo são burocratas a decidir quais e quantas empresas podem operar no mercado televisivo e não os consumidores? Se, por exemplo, telespectadores preferirem ter maior diversidade de programas (mais escolha) em vez de telenovelas em alta definição porque razão não podem eles escolher operadores que oferecem tais produtos?

Dezembro 27, 2007

Cisnes negros

Arquivado como: Economia, Internacional, Livros, Política, Teoria — BZ @ 6:04 pm

Via Portugal for Ron Paul, o Saxo Bank’s Outrageous Predictions 2008:

If you’ve read Saxo Bank’s yearly Outlooks over the last few years, you’ll know we don’t hold back in our annual attempt to predict the black swan sightings in global markets for the coming year. Remember though, these predictions are made more in an attempt to provoke thought than at accuracy! Below is a shortened version for you to vote on, with the long version available HERE.

1) Ron Paul elected as President of the United States in 2008

Even though a Republican, Ron Paul - with his libertarian, anti-war platform - is about 3 standard deviations away from George Bush Jr and therefore actually stands a chance in the Presidentials. A general market slowdown, stock market turmoil should increase the odds of a Ron Paul nomination due to his honesty on the budget, current account deficits and the USD crisis.

O termo “cisne negro” (black swan) tem origem no livro de Nassim Nicholas Taleb, intitulado The Black Swan: The Impact of the Highly Improbable:

Black Swan

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Dezembro 26, 2007

Feliz Natal senhor(a) contribuinte

Arquivado como: Comentário, Economia, Portugal — BZ @ 5:11 pm

Segundo o último Boletim Mensal (pdf) do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, este Natal o Estado português presenteou-nos, mais uma vez, com o aumento da Dívida Pública (4,6%). Cada português já deve cerca de 11.200 euros, 44.800 para uma família de quatro.

E não pensem os mais ingénuos que esta dívida apenas será paga pelas gerações futuras que - dizem os socialistas - beneficiarão dos investimentos públicos entretanto efectuados. Em 2007 o Estado pagou, até Outubro, quase 4,5 mil milhões de euros em “Encargos da Dívida”. Cerca de 447,65 euros por cada português (1.791 euros para uma família de quatro). E ainda faltavam dois meses para o final do ano…

A experiência conta!

Arquivado como: Comentário, Educação, Portugal — BZ @ 3:56 pm

Facto: os portugueses têm, comparando com os restantes povos da União Europeia, habilitações literárias baixas. Este é um indicador que envergonha o Estado português mas que necessita de vários anos (e gerações) para ser resolvido. Ou… talvez não!

Sendo a emissão avulsa de diplomas uma demasiada evidente manipulação das estatísticas, o Governo de José Sócrates optou por dissimular a mesma com o programa “Novas Oportunidades”. Neste, através do “reconhecimento das competências adquiridas ao longo da vida”, adultos podem - sem muito esforço - elevar o seu nível de escolaridade. Mas o quase oferecido certificado não foi suficiente incentivo e o Governo, com a “colaboração”* dos operadores de comunicações móveis (Optimus, TMN, e Vodafone), disponibilizou a venda, a baixo preço, de computadores portáteis (150 euros + 12 meses de fidelização ao operador).

Isto a propósito do que, no Natal, uns familiares me contaram à mesa de jantar! Ora, no interior do país, a adesão a este programa é, aparentemente, um sucesso. Pessoas de várias aldeias juntam-se e organizam boleias para conseguirem inscrever-se e frequentar os necessários cursos. Queixam-se, contudo, do atraso na entrega do computador. É que a grande maioria é reformada e planeava oferece-lo no Natal aos netos…

*Os operadores móveis estão obrigados a contribuir para programas de desenvolvimento da “sociedade de informação” como contrapartida da atribuição das licenças UMTS (terceira geração).

Dezembro 20, 2007

Razão vs Emoção (6)

Arquivado como: Comentário, Diversos, Economia, Política, Portugal, Teoria — BZ @ 3:57 pm

Socialistas costumam designar os liberais como sendo demasiado “economicistas”. Mas se a ciência económica pretende estudar as escolhas resultantes da acção humana que mal há nessa denominação?

Bom, o problema é que quando liberais tentam explicar as consequências financeiras de decisões políticas são logo acusados de não ligarem à componente social da questão. Nada mais errado, visto haver sempre consequências sociais da alocação política (logo, involuntária) de fundos.

Costumo dizer que socialistas olham para o que está à vista, economistas tentam vislumbrar o que deixa de ser visto (o custo de oportunidade).

Contudo, as consequências do aumento do salário mínimo não são invisíveis! Foi o que tentei demonstrar com o post intitulado “Directores financeiros usam calculadoras!”. É que conheço pelo menos um director financeiro que - desde a divulgação do objectivo de subir o salário mínimo para 500 euros até 2011 - começou a fazer os cálculos sobre o ano de fecho da fábrica onde trabalha. Ele sabe que os possíveis ganhos de produtividade não cobrem o acréscimo nos custos salariais. Já iniciou, por isso, o envio de CVs…

Razão vs Emoção (5)

Arquivado como: Economia, Política, Teoria — BZ @ 3:02 pm

Os “ladrões de bicicletas” João Rodrigues e Nuno Teles leram o meu anterior post e - como podem verificar pelos posts linkados - continuam a defender a existência (e aumento) do salário mínimo. Alguns excertos:

o crescimento da produtividade ultrapassou em 50% o crescimento do salário real mais outros benefícios auferidos pelos trabalhadores (por exemplo, com prémios de seguro de saúde). O meu ponto mantém-se portanto. Bz não apresenta nenhum argumento que justifique esta divergência (como poderia ser de outra forma?).

Pensei que o João Rodrigues conseguisse fazer o raciocínio sozinho mas vejo que o insurgente Migas já lhe deu uma ajuda (último parágrafo!).

Continuando com o “ladrão” Rodrigues:

Se complicarmos um pouco [o modelo teórico] e considerarmos que as empresas têm algum grau de discricionariedade na fixação dos seus preços e processos de produção, salários mais altos podem ser ajustados através de diferentes mecanismos que não afectam o nível de emprego: melhores técnicas de produção, melhores técnicas de vendas, aumento dos preços, redistribuição da massa salarial na empresa em benefício dos trabalhadores mais mal pagos, etc.

Ênfase no “podem”… Fazer experiências com a vida dos outros é uma característica muito socialista! Talvez o Nuno Teles possa arranjar tempo para ler o post do Luís Aguiar-Conraria intitulado “Serviço Público”.

E finalizando com o “ladrão” Teles:

Por exemplo, na Florida, o salário mínimo horário foi aumentado dos 5.15$ dólares federais para 6.15$. Um aumento de quase 20%. O número de trabalhadores beneficiado pela fixação do salário mínimo passou de 310 000 para 850 000. Os custos associados aumentaram de 140 milhões de dólares para 410 milhões. E, no entanto, mesmo nos sectores mais dependentes de mão-de-obra não qualificada, como a hotelaria, tal aumento traduziu-se num custo de 1% do seu volume de negócios. Eloquente, não?

Vamos supor que apenas 1% dos 850.000 trabalhadores afectados perderam o emprego devido à subida dos custos salariais. Alguém lhes perguntou se preferem o desemprego a um salário baixo?

Dezembro 19, 2007

Razão vs Emoção (4)

Arquivado como: Economia, Política, Teoria — BZ @ 5:56 pm

Para comentar sobre o salário mínimo, Daniel Oliveira usou - à falta de melhor! - os argumentos do João Rodrigues, co-autor do “Ladrões de Bicicletas” (meus destaques):

Este é um assunto que divide a «comunidade» e que, mesmo dentro da teoria económica dominante, é altamente disputado. Por exemplo, os prémios Nobel Kenneth Arrow, Lawrence Klein, Paul Samuelson, Robert Solow e Joseph Stiglitz, juntaram-se, em 2006, a mais de 650 economistas académicos na defesa de um aumento do desvalorizado salário mínimo norte-americano, considerando que seria um bom instrumento de combate à pobreza e à desigualdade e que poderia contribuir para reequilibrar as relações laborais. Depois temos, entre outros, o famoso estudo empírico de David Card e Alan Krueger mostrando que o salário mínimo não provoca necessariamente desemprego.

Porque 5 de 35 prémios Nobel e 650 dos 20.000 economistas americanos desejam fazer experiências com as vidas dos trabalhadores menos qualificados, isso é razão suficiente para existir (e aumentar) o salário mínimo?

Mas o referido “ladrão de bicicletas” sugere, também, a leitura de artigo em que é publicado o seguinte gráfico:

Produtividade vs Salarios

No entanto, quem consultar os dados que lhe deram origem (pdf - 5,3 MB; págs. 338 e 340), poderá perceber o logro dos autores:

  1. A evolução do salário médio refere-se a trabalhadores fabris e o crescimento da produtividade a todos os sectores de actividade, excluindo a agricultura (logo, não são comparáveis);
  2. Entre 1972 e 2004 o número de trabalhadores no sector secundário reduziu-se em 1,86% (Tabela B-46; pág. 336);
  3. No mesmo período o número total de trabalhadores aumentou 78,16% (de 73,8 milhões para 131,5 milhões);
  4. Consequentemente, entre 1972 e 2004 a percentagem de trabalhadores do sector secundário em relação ao total diminuiu de 30,2% para 16,6%;
  5. Como resultado da abertura da economia americana ao exterior nas décadas de 80 e 90, o sector secundário foi o que mais sofreu com a concorrência estrangeira, ao contrário de todos os outros trabalhadores dos restantes sectores de actividade que beneficiaram da globalização (proporcionalmente maior; ver ponto 4.);
  6. Entre 1972 e 2004 os salários dos trabalhadores fabris diminuiram 8,45% (Tabela B-47; pág. 33 8) mas, por outro lado, beneficiaram da redução das medidas proteccionistas com a possibilidade de aquisição de produtos estrangeiros mais baratos;
  7. O gráfico apresentado pelo “ladrão de bicicletas” João Rodrigues deveria ter sido o seguinte (Tabela B-49; pág. 340)

Produtividade vs Salarios (2)

(clicar na imagem para aumentar)

Vida imita a arte?

Arquivado como: Comentário, Justiça, Media, Portugal — BZ @ 2:32 am

Desde o passado Domingo órgãos de comunicação social e classe política parecem satisfeitos com as detenções na cidade do Porto, mesmo sem haver ainda qualquer conclusão do processo…

Mostrar que algo está a ser feito é, aparentemente, preferível a uma investigação eficaz. Isto a propósito dum post do insurgente Bruno Alves, no seu Desesperada Esperança!

Razão vs Emoção (2)

Arquivado como: Comentário, Economia, Portugal — BZ @ 2:16 am

Quem defende a existência do Salário Mínimo Nacional (SMN) deveria usar o que Poirot designa de “pequenas células cinzentas” de modo a perceber porque, então, o Governo não aumenta imediatamente o SMN para, por exemplo, mil euros.

Razão vs Emoção

Arquivado como: Economia, Portugal — BZ @ 1:28 am

A Juventude Popular apresentou argumentos contra a existência do Salário Mínimo Nacional e o Daniel Oliveira discordou sem qualquer contra-argumento (links via Blasfémias).

Suponho que socialistas não necessitam de argumentar. Têm do seu lado a irracionalidade emocional dos eleitores…

Leitura complementar: “Directores financeiros usam calculadoras!”

Adenda: Vital Moreira atemoriza os leitores com os perigos da liberdade contratual; custa-lhe perceber que a subida dos salários e/ou redução do horário de trabalho são consequência de ganhos de produtividade e não do “Direito do Trabalho”…

The Cost Of Bush: $32 Trillion

Arquivado como: Economia, Internacional — BZ @ 12:43 am

Declarações de David M. Walker, no The Daily Dish de Andrew Sullivan:

“The federal government’s fiscal exposures totaled approximately $53 trillion as of September 30, 2007, up more than $2 trillion from September 30, 2006, and an increase of more than $32 trillion from about $20 trillion as of September 30, 2000,” Walker said. “This translates into a current burden of about $175,000 per American or approximately $455,000 per American household.”

É lamentável que em Portugal não se realizem semelhantes cálculos. Qual será - além da Dívida Pública acumulada (pdf) - o custo de Cavaco, Guterres, Durão Barroso e Sócrates?

Dezembro 18, 2007

Tratado de Lisboa: estratégias políticas

Arquivado como: Política, Portugal, União Europeia — BZ @ 1:46 am

Que seria escrito em todo o mundo se o Governo de Lisboa não conseguisse ratificar o “seu” Tratado? Por motivos de manutenção da imagem externa do Estado português, o primeiro-ministro José Sócrates não pode arriscar o chumbo do Tratado de Lisboa em referendo - por menores que sejam as probabalidades de tal acontecer.

Esta é, portanto, a oportunidade para os partidos mais eurocépticos pressionarem pela realização de um referendo. Defendem o direito de decisão dos portugueses sem correrem o risco de derrota eleitoral. Com o bónus de poderem usar o Compromisso de Governo do Partido Socialista (via Blasfémias):

No curto prazo, a prioridade do novo Governo será a de assegurar a ratificação do Tratado Constitucional. O PS entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado, na sequência de uma revisão constitucional que permita formular aos portugueses uma questão clara, precisa e inequívoca.

“Voltar a Acreditar”, era então o slogan do PS…

PS: além da perda de credibilidade na União Europeia, Sócrates também deverá ter receios constituicionais.

Dezembro 14, 2007

Manigâncias (2)

Arquivado como: Economia, Portugal — BZ @ 4:53 pm

Dezembro 13, 2007

Crescimento económico?

Arquivado como: Economia, Internacional — BZ @ 6:46 pm

Via LRC, FSK’s Guide to Reality:

The commonly published GDP statistics say that GDP is increasing, after adjusting for inflation.

Adjusting for inflation using the CPI is wrong. The CPI understates the true inflation rate. In a previous post, I showed the median household income is DECREASING if you correct for inflation using money supply expansion instead of the CPI.

(…)

GDP was $5484.4 billion in 1990 and $13194.7 in 2006, for a GDP growth rate of 140.6