all your [money] are belong to us

Face ao plano B (A?) do Syriza – agora revelado por Varoufakis – os gregos que levantaram os euros nos bancos (incluindo a mãe da ex-vice ministra das Finanças) fizeram bem em perceber que o dinheiro lá depositado não é realmente sua propriedade.

“visitar Cuba antes que Fidel Castro morra”

Bryan Jones @flickr.com (edited)

Bryan Jones @flickr.com (edited)

Não sei se são das pessoas com quem convivo, mas ouço com frequência a expressão citada no título deste post. É daquelas frases em que, geralmente, o interlocutor (a grande maioria é socialista; sim, tenho amigos socialistas!) nem sequer percebe estar a transmitir uma das maiores criticas ao socialismo.

Cuba está parada no tempo. E turistas apreciam esta característica pobreza resultante do regime comunista de Fidel Castro. Porém, até o mais acérrimo socialista tem noção (mesmo que inconsciente) que apenas um sistema capitalista de troca livre e voluntária pode mudar aquele país.

A ver se há luz ao fundo do túnel: “EUA e Cuba reabrem hoje embaixadas”

Podemos OXI?

Últimas sondagens em Espanha, Celeste-Tel / Invymark / Metroscopia (comparada com resultados eleitorais de 2011):

  • PP: 30,7% / 27,7% / 23,0% (44,6%)
  • PSOE: 27,4% / 23,3% / 22,5% (28,8%)
  • Podemos: 13,3% / 21,9% / 21,5% (0%)
  • Ciudadanos 10,2% / 11,5/ 15% (0%)

Adenda: incluí mais duas sondagens de outras fontes. A pergunta no título do post mantém-se.

A “linha” do programa de governo do PS

Na Grécia, Syriza foi eleito com a promessa de não cortar pensões. Quase seis meses depois apresenta ao Eurogrupo proposta que engloba a redução de pensões.

diabo_AntonioCostaEm Portugal, já em época de pré-campanha, ontem numa entrevista televisiva: António Costa: “Não haverá cortes nas pensões”

25 de Janeiro de 2015, António Costa: Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha”

Varoufakis previu o volte-face de Tsipras?

Antes do referendo na Grécia Yanis Varoufakis afirmou que se demitia caso o Sim (“NAI”) vencesse. No entanto, apesar da maioria dos votos gregos ter sido para o Não (“OXI”), o então ministro das Finanças apresentou a sua demissão. Talvez já soubesse que afinal OXI = NAI.

roujo @flickr.com

roujo @flickr.com

OXI = NAI?

Mas afinal as propostas que Tsipras aconselhou gregos a recusar em referendo já são agora para implementar? Esta tragédia grega dava um filme indiano.

A Grécia enviou na quinta-feira à noite uma nova proposta à troika onde estão elencadas todas as medidas que Atenas se compromete a aplicar em troca de um terceiro resgate, no valor de 53,5 mil milhões de euros. (…)

Em muitos pontos esta proposta cruza as “linhas vermelhas” definidas por Alexis Tsipras – como na área das pensões e dos impostos – e aproxima-se bastante do plano europeu recusado no referendo de domingo passado.

Jake Davis @flickr.com (edited)

Jake Davis @flickr.com (edited)

A liberdade de expressão em filme

Filme passado dentro de um taxi não é, à partida, nada de extraordinário. Mas quando se trata da obra de realizador iraniano proibido de exercer a sua profissão, a criatividade deste é vista de outra forma. “Taxi”, de Jafar Panahi, Vencedor do Urso de Ouro 2015, estreia hoje em algumas salas de cinema portuguesas. A ver.

O próximo primeiro-ministro (2)

Segundo sondagem da Intercampus para a TVI/Público/TSF o PS está à frente nas intenções de voCostato, apesar de sem maioria absoluta.

Para os inquiridos António Costa tem, em comparação com Passos Coelho, mais qualidades para ser primeiro-ministro: é mais dialogante, capaz de liderar, trabalhador, capaz de ter um discurso de verdade, de confiança, competente, conhecedor dos problemas dos portugueses, sério, honesto, simpático e, principalmente, sensível socialmente.

Vou ali levantar dinheiro ao banco e já volto.

O humor alemão é tramado

Pessoal, vamos lá esclarecer uma coisa: nos dois últimos dias algumas pessoas tentaram chamar-me a atenção para o que acreditam ser uma imagem falsificada:

varoufakis_finger

A imagem é verdadeira e foi retirada de uma conferência em que Yanis Varoufakis participou a 15 de Maio de 2013, em Zagreb, mais de ano e meio antes de ser nomeado ministro das Finanças da Grécia. No video, o dedo aparece ao minuto 40:31 e, à sua maneira, faz todo o sentido. Relembro que ele ainda não exercia qualquer cargo político.

A polémica sobre o gesto só surgiu no final do mês de Fevereiro deste ano, em que um programa de humor alemão emitiu o video intitulado “V for Varoufakis” e onde aquele excerto da conferência foi incluído.

Quando confrontado por jornalistas alemães numa entrevista televisiva, Varoufakis negou o gesto e disse que se tratava de uma montagem. Um mês depois o mesmo programa de humor fez novo video (tem legendas em inglês). Desta vez, a brincadeira foi pegar no video original da conferência, apagar o dedo, depois dizerem que fizeram montagem e lamentando o caso. Mas a falsidade era, afinal, o pedido de desculpas. Inúmeros órgãos da comunicação social de todo mundo não perceberam a piada e reportaram o video como uma admissão de culpa. Para cúmulo do ridículo, até Varoufakis partilhou o video na sua conta do Twitter.

Dragão vermelho perdeu a chama?

Creative Commons | Dylan Pech @flickr.com

Dylan Pech @flickr.com

Oito anos atrás escrevi o seguinte sobre o milagre económico chinês:

A maioria dos eleitores não consegue identificar as políticas monetárias dos Bancos Centrais como tentativas socialistas de gerir a economia. As consequências dessas intervenções serão, portanto, atribuídas ao capitalismo e não ao socialismo.

Já mais recentemente (em 2012) o André Abrantes Amaral avisou:

Os comunistas em Pequim têm um medo de morte de perder o poder. Por isso, além de incitarem o sentimento nacionalista, tudo controlam, ignorando as correcções que, em qualquer sociedade onde o estado pouco intervenha, são feitas através de um diálogo diário e silencioso, entre consumidores e produtores. Como reconhecer o erro é, naquele regime doentio, meio caminho andado para ser posto em causa, o partido comunista chinês joga tudo por tudo numa fuga para a frente. O tal passo em frente em direcção ao precipício. Não há falências, porque é mais fácil ignorar as regras de contabilidade. Mais fácil, mas mais doloroso. Para a China e para nós.

Hoje, enquanto estamos distraídos com a Grécia, no Observador leio: “Com todos os olhos postos em Atenas, a bolsa chinesa derrapa 30%”

 

A estagiária Mariana Mortágua

O Observador entrevistou a deputada bloquista Mariana Mortágua sobre o tema “Há estágios a mais em Portugal” (video)?

Destaco a seguinte resposta:

“A contínua criação de estágios para renovar este sistema é a prova que o sistema não funciona. (…) Por que que uma empresa tem de ter vinte estagiários ao longo de dez anos não substitui vinte estagiários rotativos pagos a €600 ao longo de dez anos por vinte pessoas com contratos permanentes, se são essas as necessidades da empresa?”

Começa bem (o sistema de estágios é disfuncional) mas a pergunta/afirmação no final está incorrecta. É que, a haver contrato permanente, seria uma pessoa contratada e não os vinte estagiários rotativos.

Talvez ela quisesse dizer o seguinte: Por que, entre vinte empresas, têm de haver, ao longo de dez anos, vinte estagiários em rotatividade, quando cada empresa podia contratar uma pessoa por dez anos? A principal resposta (que provavelmente Mortágua não quer ouvir) é que a lei do trabalho beneficia a adesão das empresas ao sistema de estágios. Além desta lei não permitir contratos temporários por dez anos, os custos económico-financeiros da acumulação de anos de vínculo laboral a uma empresa são, do ponto de vista de gestão de recursos humanos, para trabalhadores de baixa produtividade, obstáculos à contratação a termo indefinido. Claro que existem, também, certas profissões com baixo valor acrescentado da experiência adquirida no trabalho e com uma natureza repetitiva das tarefas que incentivam à rotatividade dos trabalhadores. Mas essas são, julgo, uma minoria.

No início do referido video Mariana Mortágua dá a entender que a solução deve passar pela proibição das empresas contratarem, para determinada função, mais do que um estagiário. Ou seja, tendo em conta que é difícil (principalmente com jovens) avaliar, a priori, o mérito de qualquer estagiário/trabalhador, a deputada defende um comissário político em cada empresa para “ajudar” na gestão dos recursos humanos???

A jovem bloquista também criticou, levemente, o financiamento estatal dos estágios, que incentiva ao continuado acesso à rotatividade de estagiários. Apesar deste ser um mecanismo de redução encapotada do salário mínimo nacional, acredito que Mariana Mortágua dificilmente defenderá a abolição desta barreira à entrada no mercado de trabalho, especialmente para pessoas com baixa produtividade. Nunca o dirá directamente, mas provavelmente a ideia de comissários políticos e/ou nacionalização das empresas estará bem acima na sua lista de opções políticas.

OXI: dos gregos para…

… cipriotas, checos, eslovenos, eslovacos, lituanos, estonianos, portugueses, polacos, húngaros, letões, croatas, romenos e búlgaros:

varoufakis_finger(cidadãos de países da União Europeia com PIB per capita/paridade de poder compra equivalente ou mais baixo que a Grécia)

 

bitDracma

Hoje, com a provável decisão do Banco Central Europeu em não alargar o ELA (Emergency Liquidity Assistance) à banca grega, será cada vez maior a dificuldade da população helénica em aceder aos seus euros depositados. Consequentemente, uma saída da Zona Euro não necessita de ser “oficializada” pelo Eurogrupo. Basta não haver euros durante algum tempo para o governo de Tsipras ser forçado a emitir uma nova moeda.

Perante a impossibilidade de emitir, a curto prazo, notas e moedas de outra denominação, fala-se já da emissão de IOUs (títulos de dívida) negociáveis, como ponto intermédio para o “novo dracma”.

Eu tenho cenário ainda mais obscuro:  nacionalização da banca, emissão de uma moeda electrónica (o bitDracma) e proibição de todos estabelecimentos comerciais aceitarem euros. A acontecer, este cenário teria como consequência um “incentivo” para os gregos depositarem os euros que levantaram neste anterior semestre (se o combate ao mercado negro de euros for eficaz), a obrigação daqueles usarem apenas cartões electrónicos para pagamentos e, com o controlo estatal do sistema bancário, acesso mais facilitado ao real rendimento dos contribuintes (para ajudar a máquina fiscal). Além de, claro, o governo do Syriza desvalorizar facilmente a moeda, implementando assim uma austeridade politicamente correcta.

As crises são sempre aproveitadas, por socialistas de todos os partidos, para aumentar o poder do Estado.

Vice-presidente do PSD investigado por tráfico de influências

Marco António Costa está a ser investigado na sequência da denúncia de alegados crimes de tráfico de influências durante os mandatos na Câmara de Gaia. Não se trata de uma acusação formada e o próprio já retaliou com um processo de difamação.

Mas todos os gestores públicos têm de estar cientes que existem, a priori, indícios de tráfico de influência cada vez que tomam uma decisão de gasto do dinheiro dos contribuintes, quer seja em ajuste directo ou concurso público. As escolhas que fazem podem facilmente ser enviesadas por pressões/troca de favores. Veja-se o exemplo de alguns concursos públicos de contratação de pessoal em que os requisitos estão claramente afinados a perfil de candidato muito muito (muito!) restrito.

Acções prejudiciais aos “donos” do dinheiro pelas pessoas que o gerem não é um fenómeno desconhecido. Em Economia é habitualmente designado por Teoria da Agência. A distante separação entre contribuinte e gestor público é, aliás, uma importante razão para, como o Hélder explicou, a gestão pública ser menos eficiente que a privada (a principal justificação é a falta do incentivo lucro).

Mecanismos burocráticos como os concursos públicos são uma tentativa para eliminar a arbitrariedade das decisões do gestor público. Dão uma aparente imagem de transparência mas o processo pode, com maior ou menor dificuldade, ser manipulado.

Sendo assim, Marco António Costa, como gestor público, tem de perceber que o sentimento de suspeita começou no dia que aceitou o cargo. Não estou a afirmar que é culpado. O apuramento de responsabilidades é competência das autoridades. Só que, não tendo eu a exigência de imparcialidade dos agentes judiciais, para mim ele é culpado até prova em contrário. Tal como qualquer outro dirigente estatal.

Selfies políticas

Já notaram que selfies em frente ao espelho são uma deturpação da realidade? Se é alguém que conhecemos bem, a estranheza é – mesmo que subconsciente – quase imediata. Noutras, são pequenos indícios que nos dizem que algo não está correcto: um sinal ou tatuagem do lado errado, penteado invertido, relógio no pulso contrário, palavras numa t-shirt ou letreiro ilegíveis, etc.

O erro é que, perante o espelho, não estamos a fazer um auto-retrato (selfie) mas, sim, a fotografar o reflexo de uma imagem. Trata-se da percepção de nós mesmos na superfície reflectora e não como outros (ou o espelho!) nos vêem. Esta representação invertida pode facilmente escapar ao autor, dado o hábito de nos vermos todos os dias ao espelho. Esta é a razão porque quando alguém no smartphone quer “tirar uma selfie” usando a câmara frontal, os fabricantes fizeram com que a imagem no ecrã simule um espelho. Apesar de, depois, a fotografia sair correcta (ex: as pessoas que estão à nossa direita no ecrã aparecem, na versão fotográfica final, à esquerda). É assim que a nossa mente se acostumou a ver o “eu”.

partidos_selfie_espelhoNa política regista-se semelhantes características psicológicas. Por vezes os partidos estão tão habituados a “ver-se ao espelho” que nem percebem que a imagem que temos deles não é exactamente a que pensam estar a transmitir. E, na maioria dos casos, até críticas racionais à “fotografia” que apresentam, tem como resposta primária a descrença e/ou argumentação ilógica. O diálogo torna-se, assim, impossível.

Para ultrapassar este impasse primeiro temos todos de admitir que podemos cair num “túnel de visão” política, tornando-nos cegos ao que diferentes opiniões políticas apresentam. Pois… mais fácil de dizer que fazer.

Ora, a poucos meses das eleições legislativas, para que se consiga obter resultados promissores da discussão política que vamos ter, é necessário que o confronto seja centrado nos factos e na argumentação lógica de ideias e não em estados de alma ou apelo a emoções. Gostava que assim fosse. Mas sei que o faz ganhar eleições é mais o coração que a razão.

 

PS: Eu próprio tenho um “espelho” liberal que recusa, a priori, todo tipo de proposta socialista (i.e. em maior ou menor grau, repudio TODOS os partidos políticos). Para contrariar o meu claro enviesamento desafiei-me a inicialmente aceitar a benéfica intervenção do Estado. Traduzindo, vou colocar-me nos sapatos de um comunista! Só depois usarei o raciocínio lógico para me “descalçar” ;)

Uns sms são mais importantes que outros

Para o Expresso online interessa dar, aos visitantes, grande destaque ao facto do irrevogável ter-se demitido por sms em 2013 (que, por eufemismo, foi “formalizado” por carta). Sobre o sms-ataque de António Costa à liberdade do jornalista João Vieira Pereira… nada.

Ricardo Costa ainda é director do Expresso?

Em título sim, continua a ser o principal responsável daquele semanário. Moralmente, penso que não. Isto ainda a propósito do surpreendente sms que António Costa enviou ao director-adjunto, João Vieira Pereira [JVP].

O irmão de António Costa afirmou na sua conta do Twitter que a resposta de JVP, no seu habitual artigo de opinião (suplemento Economia, página 3), “foi tudo decidido em equipa”. Portanto, decidiram que o sms-ataque foi ao autor e não ao jornalista. E isso não merecia grande destaque…

Julgo, porém, que o Ricardo Costa tenha lido o artigo de JVP antes de ser publicado (já agora, se não compraram o jornal, aconselho que procurem na snack-bar ou pastelaria local e leiam-no). Pequeno excerto (meus destaques):

” (…) assumi o ónus de revelar uma situação que considero um ataque inadmissível à minha liberdade profissional.

(…)

Enquanto jornalista, editor e diretor de jornais escrevi centenas de notícias e outras tantas crónicas. Nunca fui atacado ou me senti tão condicionado por alguém com responsabilidades políticas ou públicas. Nem à esquerda nem à direita.”

Não vejo aqui qualquer posição colectiva do Expresso (“nós”) mas sim uma resposta individual (“eu”). Na minha opinião, perante a leitura de tais palavras, Ricardo Costa teria a obrigação ética e moral de mudar imediatamente a linha editorial da publicação do passado dia 1 de Maio, de forma a não deixar isolado um seu colaborador. Uma resposta forte teria assegurado a todos os colegas jornalistas que não haveria qualquer tolerância a ataques à sua liberdade de expressão e de imprensa, mesmo com potenciais custos familiares. Não o fazendo enviou um claro sinal sobre as suas prioridades.

Quando António Costa foi eleito secretário-geral do Partido Socialista, Ricardo Costa colocou o seu cargo no Expresso à disposição, por possíveis conflitos de interesses. A administração achou que ele conseguiria separar o pessoal do profissional e recusou a oferta. Hoje confirmo que errou naquela decisão.

Ficam, assim, algumas dúvidas: Teria António Costa enviado o sms se o seu irmão não estivesse à frente do Expresso? A resposta do semanário seria diferente caso o remetente do sms fosse outro qualquer político? Qual será a futura linha editorial respeitante a notícias sobre Partido Socialista? Pensa Ricardo Costa que mantém a autoridade para exercer o cargo que ocupa?

Autocensura?

AntonioCostaBluePencils3

É curioso que jornalistas tão ávidos de notícias quentes não tenham pegado no caso do óbvio ataque à liberdade de opinião do director-adjunto do Expresso (Ricardo Costa, director daquele semanário, por razão familiar, tem mantido o silêncio). Notáveis excepções são os artigos online do Observador, jornal i e Correio da Manhã.

Claro que a decisão sobre o que publicar é opção editorial de cada entidade. Talvez pensem realmente não ser do interesse público ou sejam mais tolerantes por políticos com quem partilham ideologias. Ainda pior (especialmente hoje, Dia Internacional da Liberdade de Imprensa), pode ser que tenham receio de futuras represálias, caso Costa seja nomeado primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas.

Felizmente, nesta era digital, a informação já não consegue ser facilmente “esquecida” numa qualquer gaveta da redacção.

Costa é o Sócrates 2.0?

[via Observador] No passado dia 25 de Abril, João Vieira Pereira [JVP], director-adjunto do Expresso, escreveu naquele semanário um artigo de opinião sobre as propostas económicas apresentadas pelo PS (intitulado “Perigosos desvios do PS à direita”), de qual, julgo, a parte mais dura é a seguinte:

A grande mais-valia do estudo é que centra o debate político em políticas económicas, de onde nunca deveria ter saído. Só que ao estilo PS. (…) Uma espécie de “vai andando que eu já lá vou ter”. A política do tubo de ensaio. Cheia de falta de coragem e reveladora da ausência de pensamento político consistente.

A isto, António Costa, líder do Partido Socialista, decidiu enviar o seguinte SMS ao jornalista:

Senhor João Vieira Pereira. Saberá que, em tempos, o jornalismo foi uma profissão de gente séria, informada, que informava, culta, que comentava. Hoje, a coberto da confusão entre liberdade de opinar e a imunidade de insultar, essa profissão respeitável é degradada por desqualificados, incapazes de terem uma opinião e discutirem as dos outros, que têm de recorrer ao insulto reles e cobarde para preencher as colunas que lhes estão reservadas. Quem se julga para se arrogar a legitimidade de julgar o carácter de quem nem conhece? Como não vale a pena processá-lo, envio-lhe este SMS para que não tenha a ilusão que lhe admito julgamentos de carácter, nem tenha dúvidas sobre o que penso a seu respeito.
António Costa

diabo_AntonioCosta

JVP tornou público o referido SMS e responde hoje no semanário Expresso: “É a liberdade, António Costa”

Este e o recente caso da proposta de novas regras para a cobertura jornalística das campanhas eleitorais, bem como a relação conflituosa que Sócrates tinha com a comunicação social que dele discordava é claro indício do quanto os políticos respeitam a liberdade de imprensa.

Nota: foto do fogo retirada do flickr (broombesoom).

Promoção 1º de Maio (2012)

Três anos atrás foi assim:

Boas leituras :)

Promoção 1º de Maio

Pingo Doce e Continente voltam às promoções no 1.º Maio. Sindicato apela à greve

Greve? Devia ser um dia de celebração! Afinal é a satisfação dos clientes que possibilita a manutenção das empresas no mercado e, consequentemente, os posto de trabalhado de milhares de portugueses. Veja-se o exemplo da TAP…

[Adenda] Leitura complementar: Doce promoção

Macacos não vêem noticiários

Um grupo americano de defesa de animais apresentou um requerimento nos tribunais para macacos em cativeiro serem tratados segundo as leis disponíveis aos humanos (i.e. habeas corpus).  Na compreensão das leis acho que estes animais ainda não chegaram ao patamar do Planeta dos Macacos. Mas à apreciação de dados estatísticos eles já vão à frente de muitos humanos :)

Não queremos que os nossos filhos tenham melhor vida?

Paulo_Trigo_PereiraConfesso que quando li as palavras de Paulo Trigo Pereira [PTP] de imediato me veio em mente o seguinte: “será que ele tem filhos?”

Não sou de me meter na vida privada de outros mas o próprio “responde” publicamente… no Público:

As duas filhas que ajudei a criar, Mariana e Catarina, e a minha mulher, Guida, fazem parte da minha identidade.

Sendo assim, e caso PTP leia este post, talvez me possa responder à seguinte pergunta: porque deve o seu consumo no presente ser mais importante que o consumo futuro das suas filhas?

Sem comentários

Chapendra @flickr.com

Chapendra @flickr.com

O projecto de lei elaborado pelos partidos PSD, CDS e PS sobre as novas regras para a cobertura jornalística das campanhas eleitorais contempla grave limitação da liberdade de expressão (meu destaque):

No artigo destinado às “publicações de caráter jornalístico”, o projeto de lei é muito detalhado, diferenciando as publicações noticiosas das publicações de opinião e dizendo que a opinião não pode ter mais espaço do que a notícia.

Portanto, se um político diz “sem comentários” a qualquer assunto, os órgãos de comunicação social estariam proibidos de convidar alguém para comentar o silêncio da criatura…

José Gomes Ferreira diz que Segurança Social é privada?!

No video inserido no post do Miguel Noronha, o jornalista José Gomes Ferreira diz (a partir do minuto 6:58) [meus destaques]:

“O Governo, esta maioria, vem dizer que também quer baixar a TSU dos patrões para a Segurança Social. Eu vou dizer uma coisa que é pessoal. Acho que devíamos impedir o PS e a maioria de brincar com a Segurança Social dos portugueses. Aquele dinheiro é nosso, não é do Estado. Nós descontámos para as nossas pensões futuras e para ajudar os actuais reformados/pensionistas. Aquele dinheiro é nosso, o Estado gere-o por definição. A lei atribui-lhe a gestão. Não deviam brincar com esta bolsa de riqueza que o país tem.”

Se assim é, então e mudar a lei para atribuir a gestão a cada um de nós?