No Aventar, João José Cardoso faz a seguinte contra-proposta, gráfico incluído, ao post do CGP (meu destaque):
(…) eu encerrava o Ministério dos Juros da Dívida. Poupança: 7164,4 milhões. A bem dizer, cruzando com os dados deste gráfico, a coisa ficava quase toda entre fronteiras. O BCP, o BPI e o BES* iam à vida? que chatice, problema deles. É o mercado, estúpidos.

1. Infelizmente o João José Cardoso não é lá muito bom a matemática. Se tivesse feito simples conta de somar, notaria que os valores de 2010 apresentados no “seu” gráfico totalizam apenas 37.596 milhões de euros. Segundo último boletim mensal do Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (pdf) a Dívida Directa do Estado português ascendia, em 31 de Agosto de 2012, a 188.021 milhões de euros. Ora, é relativamente a este (crescente) montante – e não ao apresentado no gráfico – que corresponde, no Orçamento de Estado para 2013, a previsão de pagamento de “Juros e outros encargos” no valor de 7.276 milhões de euros. Sendo assim, é algo negligente dizer que “a coisa ficava quase toda entre fronteiras”.
2. Para o João José Cardoso a falência do Estado português “é o mercado, estúpidos”. Tem apenas parte da razão! No mercado livre cabe apenas aos credores as consequências da má avaliação sobre a capacidade dos devedores pagarem as suas dívidas. O problema é que, no actual sistema financeiro baseado numa fraude avalizada pelo Estado (v.g. fractional reserve banking), quanto maior o risco de incumprimento do Estado, maior a probabilidade de falência da banca e, consequentemente, maior o perigo para toda a economia (devido à necessidade do Estado “garantir” os depósitos bancários de clientes que nunca decidiram “investir” em dívida pública portuguesa). Por isso, caro João José Cardoso, o Estado negar o pagamento da dívida é problema não só da banca, é também nosso!
3. [ADENDA] Nos comentários abaixo, João José Cardoso explica que apenas sugeriu negar pagamento dos juros. Isso continuaria a traduzir-se num efectivo default… mas fica aqui a pergunta: partindo dessa decisão, onde arranjaria o Estado novos credores para pagar os 21 mil milhões de euros da dívida com fim de maturidade só nos próximos 14 meses? (página 3 do Boletim Mensal acima referido)