O próximo primeiro-ministro

CostaSondagem da Eurosondagem para o Expresso e a SIC relativa ao mês de Dezembro:

  • PS:         37,5%
  • PSD:      25,2%
  • CDU:      10,1%
  • CDS/PP:  7,3%
  • BE:           3,3%
  • PDR:        2,2%
  • Livre:        1,7%

 

Esperemos pelo programa eleitoral. Claro que o programa de Governo será, depois das eleições, à semelhança do programa do PSD/CDS, muito diferente.

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Derrame de Leite na TAP

MFLeiteManuela Ferreira Leite, no seu habitual comentário na TVI24 (video 0:40″), afirma que a “privatização da TAP avança na base da ignorância”, referindo-se à notícia sobre a alternativa da ajuda do Estado à empresa aérea não estar totalmente excluída pela União Europeia:

A comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, disse esta quinta-feira que a capitalização de uma companhia aérea pelo Estado é sempre uma matéria «delicada», mas que há «possibilidades», ao ser questionada sobre a TAP.

Sendo assim, a Sra. Leite diz estar “em total desacordo com a privatização da TAP” porque o Governo defendeu esta opção sempre no pressuposto de não ser possível recorrer a aumento de capital pelo Estado. Conclui-se que prefere a opção socialista do controlo estatal. Pelo contrário, o Governo de Passos Coelho prefere a privatização porque 1. até gostaria de meter dinheiro na TAP mas não fez o necessário trabalho de casa (incompetência) ou 2. acredita que essa injecção de capital iria apenas adiar o problema – meu ponto 7. no post anterior -, não querendo explicar porque seria melhor a gestão privada (desonestidade).

IPO na TAP

António Costa afirmou ontem que uma solução para a TAP poderá passar por um aumento de capital em bolsa, ou seja, uma IPO (Initial Public Offering; em português Oferta Pública de Venda) em que o Estado continue como maior accionista. Ao contrário do insurgente João Cortez não acho que seja uma proposta “disparatada”. Até o actual Governo já equacionou esta alternativa, muitos meses antes do líder do PS (meu destaque):

O Governo pediu aos assessores que estão a apoiar o Estado na privatização da TAP para reavaliarem o cenário de aumento de capital da transportadora aérea através da dispersão em bolsa. Apesar de o modelo não ser consensual, o executivo quer testar todos as possibilidades antes de tomar uma decisão definitiva sobre a venda da companhia. O pedido foi feito em Janeiro, ao mesmo tempo que foi solicitada uma actualização financeira do valor da empresa, com base nos resultados de 2013.

A privatização parcial da TAP tem, na minha opinião, as seguintes vantagens [+] e desvantagens [-]:

  1. aparentemente, das notícias acima referenciadas, pode recolher maior consenso político [+];
  2. maior transparência no processo, dado poder-se eliminar a selecção política do vencedor de concurso público [+];
  3. valor real da empresa mais fiel, se operação de venda for realizada através de leilão [+]
  4. acrescida probabilidade do valor por acção obtido ser menor que em privatização total, visto o continuado controlo estatal da empresa reduzir as perspectivas de eficiente (e imprescindível) reestruturação [-];
  5. melhor informação do mercado relativamente ao impacto financeiro das inúmeras greves na TAP [+];
  6. o montante angariado pode não ser suficiente para fazer face à enorme dívida acumulada e necessidade de reestruturação [-];
  7. continuada desvalorização do valor da empresa provocada pela vontade do Estado “pôr o interesse público acima de tudo o resto” [António Costa dixit], tendo, também, como expectável consequência a redução do potencial valor a obter de posterior privatização [-].

No fim, a TAP talvez tenha de recorrer a diferente IPO: Instituto Português de Oncologia… :/

Mais taxinhas

TVI24: “Taxas aeroportuárias aumentam a partir de hoje”

As taxas aeroportuárias cobradas às companhias aéreas aumentam esta segunda-feira 7,56% no aeroporto de Lisboa e 1,50% no aeroporto do Porto, decorrente de um crescimento do tráfego acima do previsto, de acordo com a ANA – Aeroportos de Portugal.

(…)

«Tendo em conta os montantes de desvios de receita regulada a recuperar, considera-se justificado a recuperação dos défices estimados, procedendo ao reajustamento das taxas reguladas no aeroporto de Lisboa e do Porto no mês de dezembro de 2014», adiantava [em Agosto] o presidente Jorge Ponce de Leão.

Ainda assim, a empresa detida pelos franceses da Vinci esclarece que este aumento é «apenas uma recuperação parcial» do desvio, correspondente a 46% do desvio apurado em Lisboa e 26% no Porto.

Sem estas “receitas reguladas” o Estado teria recebido mais pela privatização da ANA e, apesar das taxas aeroportuárias terem podido crescer muito mais depressa, seriam mais transparentes. Por outro lado, sem o monopólio dos aeroportos portugueses, o valor total recebido da privatização separada de cada aeroporto seria certamente menor, contudo com o maior benefício de acrescida concorrência. Governo neoliberal? Talvez sim. Este “neo” é, afinal, um encapotar de capitalismo clientelista (“crony capitalism”) em vestes de aparente discurso liberal.

Ao menos o socialista António Costa é mais directo que o socialista Passos Coelho nas suas intenções de nos lixar com taxas e taxinhas…

Corrupção e branqueamento de capitais

Ao que parece a defesa de Sócrates – a acreditar na fidedigna fuga de informação – será baseada na dificuldade da Procuradoria provar crimes de corrupção. Mas mesmo que isso aconteça, o ex-primeiro ministro estará politicamente condenado (e por arrasto o partido que conhecia os indícios), dado que a conclusão empírica mais óbvia será que a proveniência da sua fortuna é da prática de corrupção.

XX(X) Congresso do PS (3)

Citando Harry Potter:

“We do not speak his name”
“He who must not be named did great things. Terrible yes, but great.”

Terceira dúvida: será que no Congresso se vai enaltecer os “grandes feitos” dos governos socialistas liderados por Sócrates, sem sequer o nomearem?

“Aviso” a António Costa

Económico: “França vai cortar 20 mil milhões na Segurança Social”

França, a braços com a necessidade de reduzir drasticamente o seu défice orçamental, vai ter de cortar a despesa pública em 50 mil milhões de euros. Como? (…)

Os cortes resultarão de “poupanças no Estado de 19 mil milhões de euros, 20 mil milhões de na Segurança Social e 11 mil milhões nas colectividades locais”, precisou o responsável pela pasta das Finanças [Michel Sapin]

Justiça à Sócrates

Do blasfemo João Miranda (meu destaque):

A última alteração ao código de processo penal foi em 2010 e tem a assinatura do Primeiro Ministro José Sócrates Pinto de Sousa. Não consigo imaginar nada mais justo do que um homem ser processado pelas regras que ele próprio considerou justas para os outros.

Reflexões de comunistas saudosistas

jeronimo_sousa

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, no Económico (em entrevista à Lusa): “Mundo está pior” após a queda do muro de Berlim

 

Leituras complementares:

Sócrates, culpado até prova em contrário

sampaio

Segundo Jorge Sampaio, em 2005, então Presidente da República:

O Presidente da República, Jorge Sampaio, esclareceu hoje que a inversão do ónus da prova deveria ser aplicada a “medidas de natureza fiscal e de natureza penal que devem ser introduzidas no combate à corrupção”. (…)

No entender do Presidente, “a moralidade mais elementar e o sentimento de justiça continuarão gravemente diminuídos” enquanto “for possível exibir altos padrões de vida, luxos, e até reprováveis desperdícios, e, ao mesmo tempo, apresentar declarações fiscais de indigência”.

Sócrates, Vistos, Justiça e Política

Nos últimos dias tenho ouvido de comentadores e, principalmente, de políticos que, em relação à detenção de José Sócrates por suspeita de branqueamento de capitais, se deve separar este caso de justiça da política. Tretas!!!

Este acontecimento judicial está ligado à política por inseparável “cordão umbilical”. José Sócrates é – caso alguém se tenha esquecido – político profissional, ou seja, toda a sua carreira foi desenvolvida por via do exercício de vários cargos políticos. Logo, quando o mesmo é detido para averiguações criminais por ter despesas inadequadas aos rendimentos anteriormente declarados, a conclusão mais óbvia é que, a existir enriquecimento ilícito, a sua proveniência será da prática de corrupção (que, como explicam os economistas insurgentes, é bastante mais difícil de investigar). Aliás, (re)lembro que Al Capone nunca foi condenado por homicídio, tráfico ou associação criminosa, mas sim por evasão fiscal.

A suspeita da prática de corrupção de um ex-governante (mesmo que seja só indirectamente “provada” pela condenação por branqueamento de capitais) é, que eu saiba, assunto de Política. Tal como tem sido a prisão dos responsáveis pelos vistos “gold”.

Assim como se deve discutir a responsabilidade dos actuais governantes PSD/CDS pela falta de transparência e escassez de checks & balances no caso dos vistos “gold” também convém tentar perceber como os governantes do PS, liderados por Sócrates, não detectaram/evitaram eventuais práticas de favorecimento político por parte do então primeiro-ministro, com especial atenção para António Costa, Ministro da Administração Interna entre 2005 e 2007. A haver uma acusação criminal a José Sócrates, o PS (e o seu actual secretário-geral) serão certamente, por muitos portugueses, politicamente implicados.

Os casos dos vistos “gold” na semana passada e agora o de Sócrates têm uma relevância política acima do horizonte dos partidos políticos da governância e, até, de todos os restantes partidos parlamentares. Em maior ou menor grau, a ideologia socialista da classe política deveria levar-nos a considerar/discutir os perigos da forte inter-relação entre o peso do Estado e a probabilidade de ocorrerem casos de corrupção.

Se a maioria dos eleitores portugueses decidem retirar liberdade de escolha a milhões de compatriotas delegando o poder de decisão a alguns “eleitos”, temos de reconhecer que haverá sempre quem queira beneficiar de uma relação privilegiada com a classe política governante (e qualquer que seja o partido no poder!; veja-se o exemplo das “democracias” comunistas em que uns privilegiados camaradas vivem muito acima da pobreza generalizada). Em termos políticos, pelo menos para mim, os acontecimentos recentes apontam naturalmente para a seguinte evidência: uma sociedade mais liberal será indubitavelmente menos corrupta.

Eleições legislativas em 2016?

Ontem, no debate da TVI para as primárias do PS que decidem o candidato a primeiro-ministro nas legislativas de 2015, o actual secretário-geral, António José Seguro, disse o seguinte (video do excerto):

Eu posso garantir aos portugueses que não aumentarei a carga fiscal. Já disse isso e volto a repeti-lo. (…) Digo que não aumentarei o IRS, o IRC, não aumentarei o IVA. (…) Não aumentarei a carga fiscal, nem surpreenderei os portugueses, como os últimos quatro primeiros-ministros [Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates e Pedro Passos Coelho], que quando chegam ao Governo dizem “ahh, afinal isto está diferente e vamos ter de aumentar a carga fiscal”. EU NÃO FAREI ISSO. E assumirei hoje aqui que me demitirei se não houver outra alternativa. Nós temos de honrar a palavra e é isso que temos de trazer também para a vida pública e para a política.

Como (in)Seguro não terá coragem de reduzir despesa pública no Orçamento de Estado de 2016 e enfrentar (com a necessária ajuda do PSD/CDS) os interesses instalados (um deles o Tribunal Constitucional) só lhe restará ter de honrar a palavra e demitir-se. Eleições em 2016.

Costa, neste caso, é mais “honesto”: «Devemos ainda aguardar com seriedade». Portanto, como também não corta na despesa… mais impostos.

Incompatibilidades aeronáuticas

Ryanair_cabinHoje foi notícia que os resultados da TAP para o primeiro semestre do corrente ano foram de 84 milhões de euros… de prejuízo. Cerca de um mês atrás a Ryanair apresentou os resultados para o primeiro trimestre fiscal (Abril a Julho): 197 milhões de euros… de lucro.

Também foi hoje notícia (visto na SIC mas, que eu saiba, ainda não replicado na imprensa escrita) que o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, viajou para Bruxelas na Ryanair, não para aliviar um bocadinho de nada a carga fiscal dos contribuintes mas por “incompatibilidade de horários com vôo da TAP” (Mário Pinto obrigado pelo comentário).

Primárias PS: moção política de (in)Seguro

António José Seguro apresentou agora a sua moção política para as primárias do Partido Socialista, que vão escolher o candidato a primeiro-ministro nas legislativas. A sua aposta continua a ser, não o corte nas despesas mas, sim, o crescimento da economia. Convém, por isso, recordar os cálculos de Medina Carreira. A realidade é tramada…

Nacionalização do BES

A confirmar-se a opção de separar o BES em dois bancos: um “bom” (financiado por um Fundo de Resolução, com acesso a empréstimo da troika), outro “mau” (activos com alto risco de incumprimento – “tóxicos” -, para os actuais accionistas).

O Governo (e alguns comentadores…) não o querem admitir mas tal plano – mais uma vez, a confirmar-se – traduz-se, na realidade, em nacionalização do banco. Dizem que os contribuintes não entram com dinheiro nas contas do novo banco. No entanto, é fácil perceber que aqueles estão a assumir o risco de falência do referido banco “bom”, caso a anterior gestão do BES tenha deixado nas mãos do Fundo (público) um banco sem possibilidade de futura recuperação financeira.

“Impulso reformista”

No discurso de apresentação da sua candidatura, António Costa disse:

O PS deve orgulhar-se da visão estratégia que enunciou no governo liderado por António Guterres e do impulso reformista com que sob a liderança de José Sócrates assumiu o governo em 2005.

Visões e impulsos que nos levaram à falência! Se António Costa diz que “o PS deve orgulhar-se” do legado de Sócrates então deve estar à espera que os eleitores sejam masoquistas. Acredito que alguns sejam. Mas suficientes para lhe dar a maioria no Parlamento já tenho as minhas dúvidas.

Tank men (os homens do tanque)

Ocorrido um dia após o Massacre da Praça de Tian’anmen estas imagens tornar-se-iam icónicas:

Ainda hoje todas as atenções centram-se no homem que desafiou a marcha dos tanques. É, afinal, um símbolo da luta – desigual – entre estudantes desarmados e a tirania de um Estado opressor, fortemente armado.

Mas outros devem ser igualmente homenageados. Entre eles, os militares do primeiro tanque. Foi a sua humanidade que os impediu de atropelar o autor daquele protesto solitário.

E ainda estes (fonte: Wikipedia):

Infelizmente foram poucos. A liberdade prospera quando a imoralidade dos governantes não consegue quebrar a compaixão dos seus subordinados.

O legado de José Sócrates

Sobre os resultados das eleições europeias, passada uma semana, não posso deixar de ficar algo admirado por ver muitos a atribuírem o principal fundamento da fraca votação no Partido Socialista à inaptidão do seu líder, TóZéro António José Seguro. É, afinal, isso que os apoiantes do pretenso candidato António Costa querem fazer crer.

Mas o que os resultados das autárquicas de 2013 já tinham, de certa forma, mostrado é que existe significativo descontentamento do eleitorado em relação aos partidos da governação (PS, PSD e CDS/PP). E do qual os outros partidos não conseguem beneficiar.

Em épocas de crise os votos de protesto contra o(s) partido(s) no poder são, geralmente, canalizados para o maior partido na oposição (o de âmbito governativo). Nas duas últimas eleições tal não tem acontecido. Nas autárquicas e europeias esses “votos” foram para os “independentes”, votos nulos/brancos e abstenção. O descontentamento é, portanto, generalizado a toda a classe política.

Durante este fim-de-semana, ouvi comentários que, se António Costa for eleito secretário-geral do PS, as probabilidades do partido obter maioria absoluta nas próximas legislativas aumentam exponencialmente. Até pode acontecer, mas mais por demérito do governo PSD/CDS do que por mérito das capacidades políticas do actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Passo a explicar a minha previsão.

Acredito que o eleitorado português está cada vez mais ciente do passado. Acredito que um número crescente de portugueses vêem os políticos pelo que realmente são: aspirantes a clientelas da usurpação pública de rendimentos privados. Acredito que muitos olham para o legado de José Sócrates (falência de um país) não apenas como o falhanço de um indivíduo mas de todo o partido que o apoiou.

Relembro que, no mês anterior à demissão como primeiro-ministro, Sócrates tinha, no XVII Congresso do partido, sido reeleito secretário-geral por 93,3% dos militantes presentes. Sócrates entretanto saiu de cena(!) mas as bases permanecem. E é isso que assusta muito do eleitorado. Principalmente quando as propostas políticas para resolução da crise são as mesmas ilusões de sempre. António Costa, ex-ministro de José Sócrates é apenas mais um de tantos daqueles militantes! Chega a um ponto que os portugueses não querem mais continuar a ser enganados.

PS: para terem alguma credibilidade os militantes do PS teriam de eleger Rómulo Machado…

… com Luís Campos e Cunha como Ministro das Finanças.

Portugal esclavagista

algemas_escravosDurante séculos Portugal foi o principal promotor das migrações (forçadas) de escravos do continente africano para o americano. Hoje, ao Estado português não lhe basta “escravizar” o próprio povo mas também, desde o governo de José Sócrates, ajuda a fazê-lo a outros. Na RTP (inclui video):

Os médicos cubanos chamados a trabalhar em Portugal recebem um terço daquilo que é pago a qualquer clínico português que exerça as mesmas funções no Serviço Nacional de Saúde. Mas cada um custa quatro mil euros mensais ao Estado português, 80% do dinheiro segue diretamente para o regime de Havana.

 

Talvez para socialistas, de todos os tipos/partidos, a imoralidade da subjugação do seu semelhante à vontade do Estado seja um conceito fácil de aceitar quando se fala de “bem comum”. O facto de, séculos atrás, uma grande maioria da população achar normal o tratamento de seres humanos como mercadoria não tornou tal prática menos condenável. Assim como, nos dia de hoje, não podemos olhar para o lado quando uma maioria decide (por via democrática!) autoescravizar-se, arrastando consigo quem dela discorda e anseia pela liberdade que, ao contrário de qualquer tipo de escravatura (total ou em part-time), deve ser absoluta.

Gémeos siameses

“Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português.”
(Pedro Passos Coelho, 2 de Maio de 2011, via JLP)

“Comigo não haverá despedimentos na função pública nem aumento de impostos”
(António José Seguro, 6 de Maio de 2014)

Tendo em conta que as promessas dos restantes partidos políticos fazem-me estremecer ainda mais do que a destes “manipuladores da verdade”, o futuro do Estado português e, consequentemente, dos portugueses é muito sombrio…

Portas_Seguro_Coelho

O dia seguinte ao 25 de Abril

No dia 25 de Abril de 1974 derrubou-se o Estado Novo que veio a permitir, dois anos depois (1976), a liberdade dos portugueses elegerem os seus governantes. Em 1975, a eleita Assembleia Constituinte teve como único objectivo a discussão e aprovação da Constituição da República Portuguesa. Entre 1974 e 1976 seis governos provisórios tiveram a cabo a gestão do Estado, sob a alçada do PREC e do Conselho da Revolução.

O rumo ideológico do Estado português dimanou, deste modo, de uma estranha mistura das crenças políticas dos eleitores e daqueles que foram entretanto “gerindo” o país…

Hoje, quarenta anos depois, há quem defenda uma nova revolução, não devido à inexistência de democracia mas porque as políticas tomadas pelo actual governo (eleito!) não lhes agrada. Ao falarem de revolução querem impor, à força, o seu próprio modelo de governo, muito à semelhança da Revolução de 28 de Maio de 1926, que veio eventualmente a colocar no poder António de Oliveira Salazar.

Hoje, 26 de Abril de 2014, uma nova “revolução” é, sim, necessária. Não pela força das armas mas pelo poder das ideias. Não em campos de batalha mas na mente dos portugueses. Não pelo socialismo ou fascismo mas pela liberdade. Não pela opressão light de uma maioria democrática mas pela liberdade individual. É, afinal, essa a essência de uma justa revolução: combater qualquer tipo de opressão, ditatorial… ou democrática. Espero que o número de “revolucionários” continue a crescer. Até lá, vejo-vos por aqui.

O “problema” dos capitães de Abril (2)

Pela sua relevância, decidi promover a post este comentário de FGCosta:

Vi há pouco Mario Soares a cantar o hino com Otelo, vi uma série de indivíduos todos mais ou menos adeptos de sistemas políticos repressivos assumirem-se como donos da verdade a dizer que a liberdade e democracia são corporizadas apenas por aquilo que eles defendem, ignorando que isso sempre foi uma escolha minoritária dos portugueses. Vi uma comunicação social, no dia em que se alegadamente se celebra a liberdade, fazer reportagens militantes.
Vi uma série de apelos ao ódio, vi ódio, vi fanatismo, vi ingenuidade, vi ignorância, vi política baixa. Vi, com a digna exceção de Eanes, apenas discursos formatados pela conveniência político-ideológica de cada um.
Um 25 de Abril como os outros, portanto. Curiosamente o único dia do ano em que, em nome da liberdade e democracia, os valores e escolhas de uma maioria dos portugueses são formalmente insultados. Um dia que celebra valores que deveriam unir, mas que é o clímax do divisionismo entre portugueses. O único dia do ano em que sinto falta de liberdade, em que só há democracia e só é democrata quem estiver de um lado, o único dia em que me sinto marginalizado como português.
Pegando nos slogans do dia, falta fazer o 25 de Abril do 25 de Abril.

O “problema” dos capitães de Abril

Por esta hora deve estar a iniciar-se a comemoração “alternativa” dos quarenta anos do Revolução dos Cravos, organizada pela Associação 25 de Abril, em resposta à negação deste órgão não-eleito discursar no Parlamento. Diz o seu presidente, Vasco Lourenço, que «Só à volta dos valores de Abril é possível ultrapassar e reverter esta crise em que estamos envolvidos».

SalgueiroMaiaO principal homenageado nesta data é, julgo, o “capitão de Abril” que mais jus fez a tais valores: Salgueiro Maia. Para este militar o único objectivo no dia 25 de Abril de 1974 foi derrubar um regime opressivo e não – como era intuito de outros “capitães” – impor aos portugueses um modelo alternativo de governo.

A Associação 25 de Abril não gosta do rumo que o Estado tomou? Eu certamente – apesar de por diferentes razões – também não! Mas querer impor uma pauta ideológica diferente da tomada pela maioria dos eleitores torna-os quase tão opressivos quanto o regime que, quatro décadas atrás, pretenderam eliminar. Por outras palavras, o problema deles é quererem ter um papel na gestão do país que os eleitores claramente não lhes atribuíram.

Salgueiro Maia limitou a sua intervenção à verdadeira missão de um militar: defesa da liberdade dos cidadãos. Depois da Revolução dos Cravos regressou ao quartel e deixou aos eleitores (e seus representantes) a decisão sobre a forma de governação do Estado. Os restantes “capitães de Abril” teriam feito bem emular tal comportamento.

Para finalizar cito as palavras de Salgueiro Maia aos seus colegas de armas da Escola Prática de Cavalaria, na madrugada de 25 de Abril de 1974:

Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!

“Há vários tipos de receitas”

“Dívida é receita não efectiva, logo o Orçamento [de Estado] está equilibrado” dixit Paulo Trigo Pereira no Prós & Contras. E pronto, inventa-se uma nova classificação de modo a evitar inconstitucionalidades

Prós & Contras: reestruturação da dívida?

A necessidade (ou não…) da reestruturação da dívida vai ser o tema de hoje no programa da RTP. Confesso que estou curioso para saber quem vai ser o primeiro a manifestar ignorância sobre o “perdão” da dívida alemã em 1953. :/

Manifesto de ignorância

Quando se fala da reestruturação de dívida (grega ou portuguesa) começa a ser habitual alguém argumentar com o perdão da dívida alemã nos anos 50 do século passado. Surpreendeu-me, no entanto, ler o mesmo raciocínio no designado “manifesto dos 70″:

De agora até 2017 o reembolso da dívida [portuguesa] de médio e longo prazo atingirá cerca de 48 mil milhões de euros. Alongamentos da mesma ordem de grandeza relativa têm respeitáveis antecedentes históricos, um dos quais ocorreu em benefício da própria Alemanha. Pelo Acordo de Londres sobre a Dívida Externa Alemã, de 27 de Fevereiro de 1953, a dívida externa alemã anterior à II Guerra Mundial foi perdoada em 46% e a posterior à II Guerra em 51,2%. Do remanescente, 17% ficaram a juro zero e 38% a juro de 2.5%  Os juros devidos desde 1934 foram igualmente perdoados. Foi também acordado um período de carência de 5 anos e limitadas as responsabilidades anuais futuras ao máximo de 5% das exportações no mesmo ano.  O último pagamento só foi feito depois da reunificação alemã, cerca de 5 décadas depois do Acordo de Londres. O princípio expresso do Acordo  era assegurar a prosperidade futura do povo alemão, em nome do interesse comum. Reputados historiadores económicos alemães são claros em considerar que este excepcional arranjo é a verdadeira origem do milagre económico da Alemanha.

Tal como em muitos outros acontecimentos, é importante sabermos qual o contexto histórico em que ocorreu este Acordo. Na era da informação é, pois, lamentável que ainda se assista a uma considerável preguiça em, pelo menos de forma genérica, conhecer os factos recolhidos na enciclopédia online Wikipedia. Abaixo fica um resumo:

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