O Insurgente

Janeiro 25, 2012

Quando acaba a mama?

Filed under: Economia,Política Fiscal,Portugal — BZ @ 12:11

Ricardo Arroja, no Diário Económico:

Em Portugal, a despesa pública representa oitenta mil milhões de euros, ou seja, 47% do PIB, em média cerca de oito mil euros a cada português.

Daqueles oitenta mil milhões de despesa, quase metade é originada nos chamados Serviços e Fundos Autónomos. (…) Note-se que, aqui, não me refiro aos gastos do Governo nem dos seus ministérios; refiro-me “apenas” aos institutos, às agências, às comissões, às entidades, às direcções, aos centros, às fundações, às administrações, aos serviços e fundos autónomos que, com estas ou outras designações, fazem parte do chamado Serviço Público.

Imaginem agora como estaria a economia portuguesa se, este ano, não confiscassem a cada português, em média, 4 mil euros… 16 mil euros para um casal com dois filhos!

Janeiro 23, 2012

Momento Kodak

Filed under: Economia — BZ @ 12:24

A Kodak, empresa fundada em 1889 e que durante décadas dominou o mercado do filme fotográfico, entrou em processo de insolvência (Chapter 11). O mercado da fotografia mudou para o digital e o core-business da Kodak tornou-se obsoleto. E não foi algo que aconteceu inesperadamente! Da revista The Economist:

Larry Matteson, a former Kodak executive who now teaches at the University of Rochester’s Simon School of Business, recalls writing a report in 1979 detailing, fairly accurately, how different parts of the market would switch from film to digital, starting with government reconnaissance, then professional photography and finally the mass market, all by 2010. He was only a few years out.

Mas uma coisa é prever com relativa precisão a evolução do mercado, outra é a forma como se reage. A Kodak recusou admitir que estaria, a médio prazo, falida. A melhor solução teria sido distribuir os dividendos de um ainda mercado lucrativo para, depois, os accionistas reinvestirem noutras empresas (“creative destruction”). Tanto a Kodak como a rival Fujifilm não o fizeram. Decidiram reestruturar, mas com diferentes resultados, consequência de diferentes atitudes:

“Kodak acted like a stereotypical change-resistant Japanese firm, while Fujifilm acted like a flexible American one.”

Esta história faz-me recordar a falência do Estado Social. Não foi difícil de prever (o modelo de “negócio” nunca foi grande coisa!) mas é triste ver que os governantes estão a seguir a “opção Kodak”. Ficam mal na fotografia…

Janeiro 19, 2012

(des)concertação social

Filed under: Economia,Justiça — BZ @ 22:58

O recente acordo de concertação social sobre o mercado do trabalho centra-se agora em trocas de acusações entre centrais sindicais. Nada mais errado! Na minha opinião devíamos, sim, todos discutir sobre a legalidade de haver algumas entidades com o poder para pré-determinar as condições contratuais entre trabalhador e empregador (e que mudam quase todos os anos).

Se eu, como trabalhador, pretender negociar um contrato em que abdico do recebimento de indemnização caso a empresa decida romper a nossa relação laboral, porque razão deve haver uma entidade estatal que limita a minha liberdade?

Reductio ad Hitlerum

Filed under: Blogosfera,Política,Portugal — BZ @ 22:07

Via Miguel Noronha, Bruno Carvalho no 5Dias (meu destaque):

É justo que João Proença seja visto como kapo, que eram os presos que policiavam os campos de concentração ao serviço dos nazis e que recebiam todo o tipo de privilégios consoante a brutalidade usada.

Reductio ad Hitlerum; Godwin’s Law

Romney ganhou? (2)

Filed under: Eleições EUA 2012,Videos — BZ @ 11:55

Janeiro 14, 2012

José Gomes Ferreira é jornalista?

Filed under: Economia,Internacional,Media — BZ @ 00:32

Na ficha técnica da SIC podemos constatar que José Gomes Ferreira tem, neste órgão de comunicação social, o cargo de “Subdirector de informação”. Mas será ele jornalista ou comentador de assuntos económicos? Um jornalista limita-se aos factos, algo que faltou em abundância na sua última teoria da conspiração sobre o downgrade do rating de várias dívidas soberanas, incluindo a francesa (video).

O referido “comentador” afirma que a última semana nos mercados financeiros foi boa (deve ter-se esquecido do empenho do Banco Central Europeu no mercado secundário de dívidas soberanas da zona euro!) e isso prova que o downgrade só pode ser atribuível a um ataque deliberado ao euro (pois… não é a primeira vez que o diz).

Mas esta semana dos mercados financeiros não foi assim tão optimista como ele quis descrever. Basta uma vista de olhos pela cotação do Credit Default Swap da dívida francesa para perceber que o risco esperado pelos investidores ainda está no dobro do valor verificado no ano passado (210, 85 vs 108,63).

Talvez também lhe tivesse sido útil considerar que as classificações das agências de rating não se alteram todos e dias e que, sobretudo, aquelas reflectem expectativas futuras das agências sobre a capacidade de determinado Estado pagar as suas dívidas. Não se pode, portanto, restringir a análise apenas à última semana. A Standard & Poor’s não o fez (meus destaques):

WHAT HAS PROMPTED THE DOWNGRADES?
Today’s rating actions are primarily driven by our assessment that the policy initiatives that have been taken by European policymakers in recent weeks may be insufficient to fully address ongoing systemic stresses in the eurozone. In our view, these stresses include: (1) tightening credit conditions, (2) an increase in risk premiums for a widening group of eurozone issuers, (3) a simultaneous attempt to delever by governments and households, (4) weakening economic growth prospects, and (5) an open and prolonged dispute among European policymakers over the proper approach to address challenges.

The outcomes from the EU summit on Dec. 9, 2011, and subsequent statements from policymakers lead us to believe that the agreement reached has not produced a breakthrough of sufficient size and scope to fully address the eurozone’s financial problems. In our opinion, the political agreement does not supply sufficient additional resources or operational flexibility to bolster European rescue operations, or extend enough support for those eurozone sovereigns subjected to heightened market pressures.

We also believe that the agreement is predicated on only a partial recognition of the source of the crisis: that the current financial turmoil stems primarily from fiscal profligacy at the periphery of the eurozone. In our view, however, the financial problems facing the eurozone are as much a consequence of rising external imbalances and divergences in competitiveness between the EMU’s core and the so-called “periphery”. As such, we believe that a reform process based on a pillar of fiscal austerity alone risks becoming self-defeating, as domestic demand falls in line with consumers’ rising concerns about job security and disposable incomes, eroding national tax revenues.

Accordingly, in line with our published sovereign criteria, we have adjusted downward our political scores (one of the five key factors in our criteria) for those eurozone sovereigns we had previously scored in our two highest categories. This reflects our view that the effectiveness, stability, and predictability of European policymaking and political institutions have not  been as strong as we believe are called for by the severity of a broadening and deepening financial crisis in the eurozone.

In addition to our assessment of the policy response to the crisis, downgrades in some countries have also been triggered by external risks. In our view, it is increasingly likely that refinancing costs for certain countries may remain elevated, that credit availability and economic growth may further decelerate, and that pressure on financing conditions may persist. Accordingly, for those sovereigns we consider most at risk of an economic downturn and deteriorating funding conditions, for example due to their large cross-border financing needs, we have adjusted our external score downward.

Uma declaração que ficou fora do comentário de José Gomes Ferreira. Preferiu “informar” o público sobre teorias que não pode provar…

Janeiro 13, 2012

Vacas loucas na ASAE

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Portugal — BZ @ 13:00

Público:

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica [ASAE] já apreendeu 240 mil litros de leite, desde que pôs em em marcha, na quinta-feira, uma operação de fiscalização nas grandes superfícies comerciais, para averiguar denúncias dos produtores sobre a prática de dumping (venda abaixo do preço de custo pago aos produtores).

Algumas considerações:

  1. Para se averiguar a referida denúncia não era necessário apreender leite. A qualidade do produto não está em causa. Os hipermercados envolvidos já têm, por isso, razões para processar o Estado.
  2. O desconto praticado pelo Continente não é sobre o leite apreendido (o cliente paga a totalidade) mas, sim, sobre quaisquer outros produtos que o cliente decida adquirir em posteriores datas.
  3. Os distribuidores não são vendedores de leite. Este tipo de promoções têm como objectivo incentivar os consumidores a, já que estão na loja, comprar outros produtos (“cross-selling”).
  4. Estas são práticas promocionais comuns no mercado. Tratando-se de “marcas brancas” outro objectivo será levar o consumidor à experimentação do leite comercializado com a marca do distribuidor. Por vezes, produtores também oferecem produtos com semelhante objectivo e não lhe chamam “dumping”.
  5. A Lactogal tem gasto bastante em publicidade para convencer consumidores à compra do seu leite. Agora, como as promoções das “marcas brancas” aparentemente estão a ter melhores resultados (não deve ser leite da Lactogal…), fizeram queixa na ASAE. Maus perdedores! Se pudessem voltar atrás, provavelmente teriam usado grande parte desse orçamento para oferecer leite. É que, por exemplo, a oferta de 240 mil litros custaria-lhes apenas 72 mil euros. Quanto é que gastaram em publicidade??!

Janeiro 4, 2012

Álvaro, agora és banqueiro?

Filed under: Economia,Política,Portugal — BZ @ 19:31

Álvaro Santos Pereira (“Álvaro”!!!) está mal aproveitado no Ministério da Economia! Já foi professor universitário e autor de vários livros. Agora, além de ministro, também sabe gerir instituições financeiras de crédito. Uma pessoa assim tão versátil teria certamente muitos pretendentes no sector privado.

Continuando no Governo, o Álvaro não poderá delegar a responsabilidade de avaliação das empresas que vão receber o crédito bonificado. É que os seus subordinados têm comprovada dificuldade nesta matéria… Basta ter em atenção este simples exemplo (meus destaques):

Os trabalhadores de um hotel em Portalegre stão a suspender os contratos de trabalho por falta de pagamento de salários e de subsídios de férias e Natal, revelou um dirigente sindical.

(…)

Com um investimento total de oito milhões de euros, que incluiu uma comparticipação estatal de dois milhões de euros, o “Congress Hotel and SPA Turismo São Mamede” estava integrado, na altura da inauguração [Junho de 2009], num conjunto de quinze projectos turísticos regionais, com apoios da tutela de 7,4 milhões de euros.

Romney ganhou?

Filed under: Eleições EUA 2012 — BZ @ 12:22

Resultados das primárias no Iowa:

  • Mitt Romney, 7 delegados
  • Rick Santorum, 7 delegados
  • Ron Paul, 7 delegados
  • Newt Gingrich, 2 delegados
  • Rick Perry, 2 delegados

Janeiro 1, 2012

Apocalipse em 2012

Filed under: Diversos — BZ @ 16:38

1. Super-catástrofe natural, conforme teorias baseadas em calendários maias.

2. Falência mundial dos modelos de Estado Social.

Qual acham ser o mais provável de acontecer?

Dezembro 25, 2011

“Uma ordem económica que acentue o bem comum”

Filed under: Portugal,Religião — BZ @ 15:25

Mensagem de Natal do cardeal-patriarca de Lisboa (video disponível na RádioRenascença) [meus destaques]:

Um dos frutos do presente sofrimento coletivo pode ser levar a sociedade a abrir-se a uma nova etapa da civilização, que dê maior prioridade à pessoa, uma ordem económica que acentue o bem comum, vença os individualismos, as desigualdades chocantes, todas as formas de materialismo; que aprenda a dar prioridade aos valores do espírito e não apenas ao dinheiro.

(…)

Que a nossa aflição, o nosso grito de equidade e de justiça, não nos impeça de procurar sempre, nas novas circunstâncias, a paz, isto é, a harmonia social que permita e favoreça mais a cooperação do que o confronto. Esta busca da paz pode ser atitude decisiva para vencermos a crise.

Caro cardeal-patriarca, a “ordem económica” que melhor acentua “o bem comum”, favorecendo “mais a cooperação do que o confronto” é precisamente aquela que promove a decisão individual e, na minha opinião, a mais cristã: uma economia de mercado livre!

Novembro 17, 2011

Compra-se medula óssea

Filed under: Saúde — BZ @ 11:52

Por esta altura muitos dos leitores já conhecem o caso da grave doença do filho do futebolista Carlos Martins, que sofre de aplasia medular e necessita urgentemente de um transplante de medula óssea. Os pais do Gustavo já criaram uma página no Facebook para mobilizar e organizar os dadores interessados (em apenas um dia já tem mais de metade dos fãs da página da Associação Portuguesa Contra a Leucemia).

A mediatização deste caso ajudará, certamente, a aumentar o número de dadores de medula óssea. E não se trata apenas de beneficiar o filho de Carlos Martins. Muitos outros doentes podem ser salvos através desta campanha. Mas é suficiente? Será que os já mais de 75 mil “apoiantes” na página do Facebook são (ou vão passar a ser) dadores? Clicar num botão “gosto”/”like” é fácil. Infelizmente duvido que, para muitos, a solidariedade na rede social passe à verdadeira acção.

Este é, também, um problema económico (não confundam com “financeiro”). Ou seja, qualquer indivíduo age apenas quando espera obter lucro. Mesmo que esse lucro seja exclusivamente “psicológico”, o que acontece em acções de voluntariado ou de consumo (exemplo: não se espera obter da compra de um bilhete de cinema lucro financeiro mas, sim, lucro psicológico = económico). Acontece é que este “lucro” varia entre cada indivíduo.

Julgo que, para muitos, o benefício em ajudar alguém desconhecido com a doação de medula óssea é inferior aos custos inerentes (como custos de deslocação, perda de tempo livre ou de trabalho, lutar contra aversão a agulhas, etc). Por outras palavras, não esperam “lucrar” com esta acção e, consequentemente, nunca vão doar. No caso do filho de Carlos Martins a ligação emocional poderá ser maior (logo, maior será o benefício psicológico obtido) mas, mesmo assim, não é suficiente para alguns levantarem o rabo da frente da televisão ou computador. A solução passa, portanto, pelo mercado!

Para se aumentar os benefícios de uma doação é, então, necessário que exista compensação monetária complementar (simbólica, ou não, os “preços” de mercado decidiriam). Para Carlos Martins é relativamente mais fácil pagar por um considerável incentivo financeiro. Mas podem existir soluções alternativas para os mais pobres: uma Fundação que distribuiria anualmente, pelos dadores de medula, os donativos angariados junto de todos nós.

Nota: independentemente da vossa opinião sobre o post acima, faço aqui apelo à doação de medula óssea. Mais informações no site da Associação Portuguesa Contra a Leucemia.

PS: Hoje é dia do terceiro aniversário de Gustavo Martins. E até já sabem qual seria o melhor presente ;)

Novembro 13, 2011

Dilma Rousseff vs José Mourinho

Filed under: Brasil,Desporto — BZ @ 21:53

No Marca (via LvMI):

El Santos no estaba en condiciones económicas de igualar el sueldo que el [Real] Madrid ofrecía a Neymar, pero Dilma Rousseff ha hecho de intermediario entre el club paulista y el Banco do Brasil para que el presidente del Santos obtuviera un crédito de casi 40 millones de euros. Así las cosas, Neymar percibirá 7,2 millones de euros al año. Un 15% menos de lo que le ofrecía el Real Madrid, pero una cifra neta casi idéntica tras los impuestos brasileños, donde la tasa a pagar es del 27,5%.

Perdeu a Dilma (fica o Brasil com o “gallo”). Ganha Mourinho. ;)

Pequenas golpadas

Filed under: Comentário,Internacional,Política,Portugal — BZ @ 12:55

Hoje, na edição impressa do jornal Público (meus destaques):

A economia [grega] está organizada de tal forma que o pagamento de impostos não é uma opção. As pessoas simplesmente não têm dinheiro para isso, portanto não se sentem obrigadas. O Estado também tem a noção de que elas não podem pagar, e não insiste. Não tem meios para as obrigar, nem autoridade moral. Primeiro porque não consegue cobrar aos mais ricos. Depois porque tem estado envolvido em tantos escândalos de corrupção, que ninguém confia.

“Há uma espécie de acordo tácito”, explica Nicolas Zerganos, jornalista que passou sete anos a investigar um escândalo de corrupção envolvendo políticos. “Todos roubam, e ninguém se acusa. Os agentes do Estado envolvem-se em grandes golpadas para ganharem milhões. E, para obterem a complacência do cidadão comum, permitem-lhe fazer também as suas pequenas golpadas.”

Dois comentários.

Primeiro, a questão da moralidade. Mesmo que os decisores políticos não recebam qualquer compensação monetária (na maioria das vezes fazem-no pelo retorno eleitoral), sempre que o Estado escolhe beneficiar uns em detrimento de outros, está a ser amoral.

Segundo, em Portugal tal como na Grécia, a resolução para a situação deficitária do Orçamento de Estado tem de passar (exclusivamente) por cortes na despesa pública. Os seus cidadãos já não suportam mais opressão fiscal, independentemente do maior ou menor grau de amoralidade dos governantes!

Leituras complementares: “Ressurgimento de uma velha «profissão»” e “Missionários do comércio livre”

Novembro 10, 2011

Falência da RTP

Filed under: Media,Portugal — BZ @ 03:21

A Rádio e Televisão de Portugal (RTP) é uma instituição sem valor! Considerem o que oferece aos consumidores, o respectivo custo para os contribuintes (no próximo ano, 591 milhões de euros) e as alternativas – exponencialmente mais baratas – disponíveis no mercado.

Fala-se agora da privatização de um dos canais mas nenhum empresário pagaria, no seu perfeito juízo, sequer 1 euro por aquela estrutura (des)organizacional. Apenas as licenças de emissão têm valor.

A insolvência da RTP é, portanto, a única verdadeira solução para acabar com este sorvedouro das finanças públicas. E os custos desta operação? Façamos uns simples cálculos com base no artigo do Correio da Manhã e no Relatório e Contas de 2010 (pdf).

  • Indemnização compensatória para próximo ano: 91,6 milhões de euros.
  • Contribuição audiovisual (incluída na factura da electricidade): 155 milhões de euros.
  • Empregados: 2.412 (dos quais 2.241 com contrato de trabalho sem termo).
  • Gastos totais com remunerações: 78,3 milhões de euros (salário médio mensal = 2.318,86 euros).

Assumindo que, em média, cada empregado já trabalha na RTP há 20 anos e que, em caso de insolvência, receberia indemnização de 2 meses por cada ano de trabalho (mínimo exigido por lei é 1 mês), o custo total para os contribuintes seria de 223,7 milhões de euros. Ora o custo com a indemnização compensatória e contribuição audiovisual será de 246,1 milhões de euros. Isto só no próximo ano.

Claro que os contribuintes ainda teriam de, por mais uns anos, continuar a pagar a dívida da RTP, à qual o Estado deu o seu aval. Mesmo assim, a poupança futura é evidente!

Muitos acusariam o Governo de enviar para o desemprego mais de 2 mil trabalhadores. Esquecendo por momentos que, no cenário acima, cada trabalhador receberia, em média, 92.755 euros de indemnização, uma parte seria contratada pelas empresas privadas que comprassem as licenças de emissão da RTP. Os restantes teriam infelizmente de procurar novas profissões, dado que o mercado estaria a assinalar que, afinal, na actual função, não acrescentam qualquer valor.

Porém, o ponto importante para defensores da manutenção da RTP é a perda do “serviço público”, um conceito de muito difusa definição. Concordo, por exemplo, com o Carlos Guimarães Pinto quando disse que a TVTuga tem, por uma ínfima parte do custo, um papel muito mais importante na divulgação da língua portuguesa do que a RTP internacional”. Este é um tema que merece post próprio, mas por que raio deve a escolha de alguns “intelectuais” sobrepor-se às escolhas de cada um de nós? Porque são eles mais merecedores de segurar o meu “controlo remoto”?

Chegamos finalmente à questão levantada pelos privados que já actuam no mercado (SIC e TVI): não há suficientes receitas publicitárias para o mercado incluir novos concorrentes. E nós com isso? Cabe a quem quiser entrar no mercado fazer os necessários cálculos financeiros sobre a viabilidade dos seus projectos. Também, a SIC e/ou TVI só perderá receita se a nova concorrência fornecer aos telespectadores melhor programação! Ou seja, o que seria, sob qualquer perspectiva, bom para milhões de consumidores não é aceitável para alguns barões dos media. Pois…

Novembro 8, 2011

O que faria um keynesiano?

Filed under: Economia,Teoria — BZ @ 01:00

Público: “Crise na construção ameaça levar desemprego para os 20%”

Um keynesiano defenderá a intervenção estatal neste sector, numa linha de pensamento semelhante à seguinte:

“As medidas anti-cíclicas numa economia em recessão aproveitam o facto do desemprego ser alto e a capacidade industrial estar [subaproveitada] para repor a economia mais perto [do] seu potencial.”

Sem, no entanto, perguntar-se se existe mesmo esse potencial…

É que a alta taxa de desemprego não é indicativo de “capacidade industrial subaproveitada” mas, pelo contrário, aponta para uma má alocação de recursos. Considerem um simples exemplo: quando, muitas décadas atrás, o desemprego cresceu nas profissões ligadas à construção de carros-de-bois, qualquer defesa de “medidas anti-cíclicas” neste sector não seriam levadas a sério!

Por outras palavras, só existe “potencial” se houver procura no mercado que ainda não está a ser servida. A acontecer, certamente que, mais cedo ou mais tarde, haverá empresas privadas a fornecer esses potenciais consumidores. Ora, no sector da construção, tal como em muitos outros sectores, a procura foi, durante as últimas décadas, artificialmente empolada pelo Estado português (inúmeros “investimentos” públicos) e pelo Banco Central Europeu (baixas taxas de juro). Agora, não havendo suficiente procura neste sector, os recursos alocados a este (trabalhadores e empresas) terão de reconverter-se a novos mercados, processo que levará algum tempo. Este é, afinal, o propósito de uma recessão.

No artigo acima, o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, Reis Campos, “alerta” para que projectos de reabilitação urbana têm de arrancar brevemente para evitar o crescimento do desemprego no sector. Claro que a cada vez menor procura por imóveis não é facto que lhe interessa referir…

Novembro 5, 2011

Lembrem-se

Filed under: Videos — BZ @ 19:00

Missionários do comércio livre

Filed under: Economia — BZ @ 18:53

Como complemento a meu anterior post “Ressurgimento de uma velha «profissão»”, recomendo as seguintes leituras:

 

Novembro 3, 2011

Ressurgimento de uma velha “profissão”

Filed under: Comentário,Economia — BZ @ 23:03

Em Portugal, durante a vigência do Estado Novo, muitos habitantes junto à fronteira com Espanha arriscaram a sua liberdade (e até a vida), não em nome de uma luta ideológica contra a ditadura, mas sim para providenciar à restante população produtos que, de outro modo, eram demasiado caros de adquirir ou até inexistentes no mercado “oficial”.

Hoje, ao recordar essa época, julgo que a maioria dos portugueses olha para esses homens e mulheres contrabandistas com alguma admiração. Recusar pagar impostos a um Estado antidemocrático foi, portanto, um acto heróico!

Ora, mesmo em democracia, a eficácia de qualquer sistema tributário depende sempre da garantia de opressão dos eleitos sobre quem potencialmente recusa o confisco. A isto, alguns caracterizariam, de certa forma, como “consentimento tácito inerente às democracias”. Mas esse consentimento tem limites, dependendo do grau de condescendência de cada um. ;)

Da Grécia ouvem-se relatos de (ainda) maior fuga aos impostos. Para resolver a situação orçamental deficitária do Estado, os gregos estão a dizer, por via dos seus actos, que a solução do aumento da carga fiscal será uma medida de austeridade contraproducente.

Os portugueses terão idêntica reacção!  O Governo de Pedro Passos Coelho receia que tal aconteça e ameaça multar os consumidores que não peçam factura. A eficácia desta medida está, penso, condenada ao fracasso. Só a acção “contrabandista” de alguns heróicos portugueses poderá garantir a sobrevivência financeira de muitos dos seus concidadãos, especialmente nas aldeias mais pobres junto à fronteira espanhola.

Um aviso ao Governo: concentrem-se em reduzir a despesa pública, pois quanto maiores os impostos mais “contrabando” vão incentivar. Chamar-lhe-ão economia paralela, mercado negro, evasão fiscal, etc. Eu classifico-o como um mercado de sobrevivência. É que há limites e, para muitos portugueses, eles já há muito foram ultrapassados…

Ineptocracy

Filed under: Política,Teoria — BZ @ 20:34

Definição:

“A system of government where the least capable to lead are elected by the least capable of producing, and where the members of society least likely to sustain themselves or succeed, are rewarded with goods and services paid for by the confiscated wealth of a diminishing number of producers.”

Ouvido na CNBC, retirado do The Online Slang Dictionary.

Outubro 23, 2011

Défice resolvido [pelo Público]!!!

Filed under: Comentário,Media — BZ @ 12:37

Hoje, na página 10 do suplemento Pública (secção “números”), da edição impressa do jornal Público:

72

mil milhões e 200 mil euros é quanto o Estado português prevê arrecadar com os cortes anunciados no Orçamento de Estado para 2012.

Evidente erro de palmatória. Outro! É difícil compreender a dimensão dos números quando se usa escalas longas…

 

Mestre “indignado”

Filed under: Comentário,Educação — BZ @ 12:24

Na edição impressa do jornal Público (€), artigo de opinião do “gato fedorento” Zé Diogo Quintela:

A manifestação de 15 de Outubro, para mim, vai ficar marcada por um cartaz em que estava escrito “Oh, Pedro, explica-me o orçamento de estado como se eu tivesse um mestrado… ah, espera, eu tenho um!” (…)

(…) Não é pelo que sabe que está mais habilitado em receber explicações do primeiro-ministro. É pelo que é. Um Mestre, poça!

Em Portugal, alguém com formação universitária tem mais direitos do que um mero detentor da escolaridade mínima.

Recomendo leitura na íntegra.

Outubro 17, 2011

“Indignada”???

Filed under: Comentário,Política Fiscal — BZ @ 12:14

José Manuel Fernandes comenta as declarações ao jornal Público de uma ex-médica “indignada”…

Leitura recomendada a “revolucionários”

Filed under: Comentário,Política,Portugal — BZ @ 11:38

No cinco dias, Francisco Furtado percebeu que as escolhas feitas via processo democrático (ainda em Junho passado houve eleições!) não agradam a todos. Mas em vez de defender um Estado com mínima interferência nas nossas vidas (os liberais!), o “revolucionário” Francisco Furtado tenciona sobrepor as suas preferências à dos eleitores (meus destaques):

Os inimigos do povo, os arrogantes fariseus e as nossas elites ignorantes bem podem espernear, daqui prá frente a resistência popular só irá crescer (em média, a tendência, claro que haverá períodos de acalmia e algum retrocesso, mas a tendência de fundo será de crescimento), aliás até já há alguns “arrependidos”. A existência de luta e resistência por si só não será garantia de que se irá derrubar o governo ou anular as medidas no imediato, mas pelo menos significa que se vai a jogo. Este protesto prova que há o potencial, de se travar uma luta com potencial de vitória.

A Esquerda parlamentar e  sobretudo os sindicatos desempenharão um papel destacado. Mas não tenha a mínima dúvida que por si só serão incapazes de produzir uma vitória.

Talvez a estes “indignados revolucionários” ajude ler Fernando Pessoa (via Samuel de Paiva Pires) [meus destaques]:

“O Preconceito Revolucionário”:

O estado mental do homem que crê na eficácia social directa das revoluções é exactamente o mesmo do do homem que crê na realidade dos milagres. A crença na eficácia das revoluções pressupõe a crença na intervenção antinatural da vontade humana no curso natural das coisas sociais. Não é mais absurdo supor que determinado taumaturgo inverte, por o uso de qualidades inanalisáveis, as leis físicas e naturais [?], do que supor que um grupo de homens nascido no mesmo meio que outro grupo, educado da mesma maneira, sofrendo as mesmas influências, e com hereditariedade social idêntica, pode, substituindo-se a esse outro grupo e por o simples facto de ter ideias diferentes, agir diferentemente na vida social. Isto é tão simples!

O estado social permanece o mesmo agravado com a anarquia que resulta da substituição violenta de uma situação administrativa por outra. Os antigos detentores do poder, por imorais e corruptos que fossem, tinham, ao menos, pelo uso do poder, certa noção inevitável de como usá-lo, conheciam, pelo menos, como administrar. Os recém-vindos, iguais moralmente a eles por serem produto do mesmo meio, levam para o poder a falta de prática do poder; são fatalmente piores — intelectualmente piores. Assim, os governos revolucionários, sendo tão imorais como os governos anteriores, são intelectualmente mais incompetentes. (…)

 

Outubro 16, 2011

“Indignados” chumbaram a matemática

Filed under: Comentário,Economia,Política Fiscal — BZ @ 22:48

Nunca fiz grande caso do facto dos alunos portugueses terem insucesso na disciplina de matemática. Afinal a maioria de nós não necessita saber aplicar senos e co-senos para efectivamente executar o trabalho do dia-a-dia. Mas, não saber contas de soma e subtracção já considero um preocupante fenómeno de extrema ignorância.

Ouvir “indignados” explicarem as razões porque estão contra as medidas de austeridade tem sido, para mim, um acto de profundo pesar pela falta da mais básica educação matemática daqueles.

Vamos então tentar aqui fornecer alguns conceitos (simplificados) sobre como funciona a política fiscal de qualquer Estado.

  • o Estado cobrou 91 de impostos no ano X.
  • no ano X, o Estado gastou 96 em salários de funcionários públicos, subsídios, “investimentos”, etc.
  • Saldo orçamental é a diferença entre receitas de impostos e despesas: 91 – 96 = -5
  • quando o saldo orçamental é negativo este designa-se de défice (superavit se for positivo!).
  • para poder pagar esse excesso de despesa (défice), o Estado tem de recorrer ao crédito, ou seja, o que se designa como dívida pública (5).
  • os credores emprestam dinheiro ao Estado porque têm confiança que, no futuro, essa dívida será paga.
  • no ano X+1, o Estado cobrou 95 de impostos mas teve despesas de 105; logo o saldo neste ano foi de 95 – 105 = -10 (défice)
  • assim, no ano X+1 a dívida pública aumentou para 15 = 5 (ano X) + 10 (ano X+1)
  • se, durante vários anos (ou até mesmo décadas), o Estado acumular défices, a dívida pública continuará a crescer para níveis eventualmente insuportáveis.
  • quando os credores começam a ter dúvidas sobre a capacidade do Estado pagar a dívida, aqueles passam a exigir cada vez maiores taxas de juro.
  • maiores taxas de juro tornam o recurso ao crédito menos atractivo para o Estado.
  • o Estado, para reduzir acesso ao crédito, tem de diminuir o défice, através do aumento dos impostos e/ou redução das despesas.
  • se no ano X+2 as receitas subirem de 95 para 100 e as despesas descerem de 105 para 100, o saldo orçamental é nulo (100 – 100 = 0), ou seja, não há necessidade de pedir empréstimos para pagar o excesso de despesa (o tal “défice”) e o valor da dívida mantém-se.
  • quando um cidadão se “indigna” com o aumento dos impostos e, ao mesmo tempo, com o corte nas despesas, está a mostrar pouco discernimento matemático.
  • um cidadão responsável (que faça as contas!) pode discordar dos governantes sobre quais impostos aumentar ou quais despesas reduzir, mas, face à difícil situação financeira do Estado, nunca do objectivo de eliminar o défice orçamental.
  • cidadãos “indignados” mas irresponsavelmente ignorantes de medidas alternativas de austeridade a implementar nunca conseguirão resolver o problema de dívida do Estado.

Se alguém não percebeu o exercício acima… as minhas desculpas! Não consigo ser mais sucinto. :(

Obrigado por fumar (4)

Filed under: Economia,Media,Videos — BZ @ 20:48

Não, não se trata das declarações irónicas (mas verdadeiras!) do bastonário da Ordem dos Médicos…

Também não estou a referir-me ao filme produzido em 2005 (trailer).

Foi, sim, o que pensei quando li na edição de hoje do jornal Público (pág. 19, meu destaque.):

Portugal tem dois milhões de fumadores. O imposto sobre o tabaco rendeu ao Estado 1350 mil milhões de euros em 2010.

Ora, como a Dívida portuguesa é de “apenas” 170 mil milhões de euros (pdf) a solução para a crise das finanças públicas parece estar mesmo nos fumadores… ;)

Ok, foi erro do jornalista, aliás bastante frequente. Continuo, por isso, a defender que Portugal devia seguir o exemplo do Reino Unido em 1974 para evitar estes “erros de palmatória”. Quem sabe, um dia!

Outubro 9, 2011

A “maioria absoluta” de AJJardim

Filed under: Política,Portugal — BZ @ 21:38

Votantes inscritos: 256.483
Votantes no PSD: 71.556 (27,9% dos votantes inscritos)

Votantes brancos+nulos: 3.900 (mais do que os votos nos partidos dos animais, da terra ou dos bloquistas)

[ADENDA] Votantes no PS: 16.945 (menos 3.456 votos que nas eleições legislativas do passado dia 5 de Junho)

Nota final: animais e terra têm agora representação na assembleia regional, com um deputado cada…

Outubro 8, 2011

Instituição de (des)interesse público

Filed under: Saúde — BZ @ 12:54

No Expresso , interesses corporativos (meu destaque):

Os nove médicos costa-riquenhos que chegaram a Portugal há quatro meses continuam sem poder exercer medicina por razões “apenas burocráticas”, por falta do “documento de reciprocidade”, disse à Lusa fonte oficial do Ministério da Saúde.

A mesma fonte explicou que “a Ordem dos Médicos exige a entrega de um documento de reciprocidade”, que a Costa Rica nunca chegou a enviar para Portugal. O documento, explicou, permite que os médicos da Costa Rica possam exercer a profissão em Portugal e os médicos portugueses possam exercer na Costa Rica.

“Mas não há médicos portugueses na Costa Rica nem haverá nos próximos tempos”, afirmou ainda fonte oficial da tutela.

Mesmo que existissem médicos com vontade de emigrar para a Costa Rica, isso seria justificação para a Ordem dos Médicos tomar como reféns os pacientes portugueses? O maior culpado até nem é Ordem que pretende minimizar a concorrência. A culpa deve recair é sobre quem lhe concedeu tal poder.

Setembro 30, 2011

“Desvio” de fundos na Câmara Municipal de Oeiras

Filed under: Blogosfera,Comentário,Cultura — BZ @ 14:50

Jornal Público (versão papel):

Câmara de Oeiras gastou 1,5 milhões numa escultura
A Câmara de Oeiras entregou a Pedro Cabrita Reis, por 1,25 milhões de euros (mais IVA), a concepção e a execução de um “monumento escultórico comemorativo dos 250 anos do município”. A decisão está a ser muito contestada na blogosfera e um sindicato fala em esbanjamento.
O contrato com aquele artista plástico foi, segundo o Portal dos Contratos Públicos, celebrado em Abril de 2010. Mas o assunto ressurgiu agora na internet, já que a inauguração do dito monumento estava agendada para as 20h de ontem.

Esta indignação tem, pelo menos, quase um ano de atraso (ver segundo ponto). ;)

Leituras complementares: posts no Oeiras mais atrás e Oeiras Local

Setembro 18, 2011

Cumplicidades

Filed under: Política,Portugal,Videos — BZ @ 14:41

António José Seguro, sobre a fraude nas contas da Madeira (Público):

Seguro assegurou ainda que teria um comportamento caso se tratasse de um candidato socialista: “Se ele [Alberto João Jardim] fosse candidato do PS, naturalmente que lhe teria retirado a confiança política.”

Está tudo explicado! Isto afinal quer dizer que, no Congresso do PS do passado mês de Abril (antes das eleições!), Seguro apresentou-se sob o pseudónimo de “Rómulo Machado”:

Julho 12, 2011

Amigos da “onça”

Filed under: Economia,Portugal,Videos — BZ @ 15:04

Durante os últimos meses tivemos o Bloco de Esquerda (até concordei com eles!) e Partido Comunista (tão recente como 2 de Julho) a exigir a renegociação da dívida, porque ambos acreditam que não há forma do Estado português cumprir dos seus compromissos financeiros sem uma opção (encapotada) de default.

A Moody’s concordou finalmente com a avaliação destes partidos ao baixar o rating da dívida portuguesa. E, no entanto, leio o seguinte:

Com “amigos” destes…

Julho 7, 2011

CDS vs Moody’s

Filed under: Economia,Portugal — BZ @ 00:34

Não, não vou falar sobre o partido político!

O assunto deste post centra-se no Credit Default Swap (CDS) da dívida portuguesa (ver no Bloomberg a evolução dos CDS sobre as obrigações a 5 anos), um “seguro” que os credores podem comprar para prevenir o risco do Estado português não pagar as suas dívidas (default).

Comparando cotações de CDS com os ratings atribuídos pela Moody’s:

  • 29 de Outubro de 2009: CDS 54,86 | Moody’s Aa2 (negative outlook)
  • 5 de Abril de 2o10: CDS 146,94
  • 27 de Abril de 2010: CDS 382,08
  • 5 de Maio de 2010: CDS 421,25 | Moody’s Aa2 (possible downgrade, on review)
  • 24 de Junho de 2010: CDS 328,56
  • 13 de Julho de 2010: CDS 276,43 | Moody’s A1 (downgrade, stable outlook)
  • 11 de Março de 2011: CDS 513,34
  • 15 de Março de 2011: CDS 505,52 | Moody’s A3 (downgrade, negative outlook)
  • 4 de Abril de 2011: CDS 580,17
  • 5 de Abril de 2011: CDS 585,585 | Moody’s Baa1 (downgrade, under review down)
  • 27 de Junho de 2o11: CDS 841,535
  • 5 de Julho de 2011: CDS 770,695 | Moody’s Ba2 (downgrade, negative outlook)

Podemos acima verificar que o rating da Moody’s anda meio a “reboque” do valor dos CDS transaccionados no mercado. Por outras palavras, o receio de Portugal entrar em incumprimento tem crescido independentemente do rating atribuído pela Moody’s (veja-se o caso do último downgrade a 5 de Julho quando o CDS já tinha atingido o seu máximo dias antes).

Junho 18, 2011

Programa de governo insurgente: RTP

Filed under: Media — BZ @ 03:30

O papel da RTP (Rádio e Televisão de Portugal) é competir – de forma desonesta – com empresas privadas, que fornecem programação semelhante a muito mais baixo custo (i.e. contribuintes não pagam pelos programas dos canais de televisão e rádios privados).

E para aqueles programas que alguns afirmam ser de “serviço público”, ficaria consideravelmente mais barato publica-los no Youtube (gratuito) que transmiti-los para uma muito reduzida audiência (cuja maioria, aliás, tem acesso à internet).

A privatização da RTP pouparia à carteira dos contribuintes, só em 2o10, 234 milhões de euros.

Programa de governo insurgente: Finanças

Filed under: Política Fiscal,Portugal — BZ @ 02:54

1. Face ao acordo com a “troika”, o Estado português tenderá a, progressivamente, reduzir os benefícios fiscais e deduções à colecta. Mas, então porquê manter uma pesada máquina fiscal? Esta é a melhor oportunidade para simplificar a cobrança de impostos através da implementação de uma taxa única de IRS, com a consequente redução de pessoal no ministério das Finanças.

2. A despesa pública necessita de ser controlada. E radicalmente reduzida. O melhor “controlador” é… o contribuinte! O ministério das Finanças deve publicar todas (mas TODAS, incluindo compromissos futuros) as despesas de organismos públicos. Não apenas os ajustes directos, onde já se podem descobrir alguns abusos.

3. Há uma declarada necessidade do Estado voltar, o mais rapidamente possível, à emissão de dívida pública nos mercados financeiros. Antes de 2013, o Governo poderia envolver os aforradores particulares nessa operação, até agora reservada a entidades institucionais.

4. A gestão de tesouraria é de extremamente importância para a maioria das empresas. Principalmente quando as margens são cada vez mais diminutas. É, por isso, essencial que o Estado pague atempadamente as suas dívidas e permita o pagamento do IVA quando efectivamente cobrado.

errare humanum est

Filed under: Política,Portugal — BZ @ 01:36

De tão usual, o título acima em latim não necessitaria tradução (mas aqui vai: “errar é humano”).

E ninguém nega tal evidência! No entanto, sempre que é nomeado um ou vários governantes discute-se o mérito e a capacidades destes conseguirem, ou não, “gerir” o país. Sem terem em consideração que, por melhor que sejam, os governantes certamente vão errar.

Mas se todos nós erramos, o erro político é certamente mais doloroso. Isso deve-se ao peso mórbido do Estado. Logo, as melhores medidas que o novo Governo português pode tomar são as que excluem a classe política de qualquer decisão.

Tomates podres

Filed under: Comentário,Portugal — BZ @ 01:11

SIC (com video):

Milhares de condutores estão indignados com a decisão da Câmara de Lisboa de cortar o trânsito na Avenida da Liberdade. Foi encerrada para um mega-piquenique organizado por um hipermercado e o trânsito ficou ainda mais caótico. A Câmara diz que a iniciativa é um incentivo à produção nacional, mas o Automóvel Clube de Portugal acha que se trata de uma falta de respeito.

Sempre pensei que estradas eram para automóveis circularem. Afinal estou errado! É usual autarcas usurparem a via pública para benefício político (v.g. Estrada Marginal em Oeiras ou Avenida Boavista no Porto).

E até não era nada difícil à cadeia de distribuição alimentar Continente encontrar outro local para plantar os seus tomates, etc. Bastava deslocar-se uma centena de metros para norte da Av. da Liberdade!

Junho 6, 2011

Agricultura biológica…

Filed under: Diversos — BZ @ 14:28

Será que, desta vez, as autoridades alemãs finalmente encontraram a causa do surto de e.coli?

The Lower Saxony state agriculture minister, Gert Lindemann, told a news conference that investigators had traced the rare strain to a farm in the Uelzen district.

The sprouts are believed to have come from the organic Gärtenhof farm in the village of Steddorf, near the small town of Bienenbüttel in Lower Saxony.

Até faz sentido, se usaram estrume para fertilizar a horta.

Próximo líder do PS?

Filed under: Política,Portugal — BZ @ 13:58

Sondagem insurgente no Facebook: António José Seguro.

Próximo ministro das Finanças? (2)

Filed under: Legislativas 2011,Política,Portugal — BZ @ 13:55

Na sondagem insurgente no Facebook Medina Carreira é, actualmente, o favorito!

A “maioria”

Filed under: Legislativas 2011 — BZ @ 00:19

Votaram nos partidos que vão formar governo (PSD + CDS) cerca de 28% dos portugueses…

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