Facto: os portugueses têm, comparando com os restantes povos da União Europeia, habilitações literárias baixas. Este é um indicador que envergonha o Estado português mas que necessita de vários anos (e gerações) para ser resolvido. Ou… talvez não!
Sendo a emissão avulsa de diplomas uma demasiada evidente manipulação das estatísticas, o Governo de José Sócrates optou por dissimular a mesma com o programa “Novas Oportunidades”. Neste, através do “reconhecimento das competências adquiridas ao longo da vida”, adultos podem - sem muito esforço - elevar o seu nível de escolaridade. Mas o quase oferecido certificado não foi suficiente incentivo e o Governo, com a “colaboração”* dos operadores de comunicações móveis (Optimus, TMN, e Vodafone), disponibilizou a venda, a baixo preço, de computadores portáteis (150 euros + 12 meses de fidelização ao operador).
Isto a propósito do que, no Natal, uns familiares me contaram à mesa de jantar! Ora, no interior do país, a adesão a este programa é, aparentemente, um sucesso. Pessoas de várias aldeias juntam-se e organizam boleias para conseguirem inscrever-se e frequentar os necessários cursos. Queixam-se, contudo, do atraso na entrega do computador. É que a grande maioria é reformada e planeava oferece-lo no Natal aos netos…
*Os operadores móveis estão obrigados a contribuir para programas de desenvolvimento da “sociedade de informação” como contrapartida da atribuição das licenças UMTS (terceira geração).