O Insurgente

Maio 10, 2012

A questão que se impõe

Filed under: socialismo,União Europeia — Nuno Branco @ 09:14

Ainda sobre este artigo do WSJ e de esta pequena parte:

Alexis Tsipras, has suggested hiring 150,000 more people in the civil service as a way of reducing Greek unemployment.

A questão que se impõe é obviamente “quanto é que pagam?”. Presumo que não estejam a pensar oferecer ordenados mixurucas de 500 ou 600 euros que a classe trabalhadora não anda virada para esmolas, por esse preço naqueles lados mais vale apostar numa carreira em partir montras. Portanto, cheguem-se à frente com os números que eu ando desejoso de adicionar uma experiência internacional ao meu CV.

Maio 9, 2012

Sobre o buraco que a esquerda cava para os outros

Filed under: Política,Portugal,socialismo,União Europeia — Nuno Branco @ 11:32

 Parece que houve algumas subtilezas no meu artigo anterior que passaram desapercebidas. Por exemplo, quando digo que Sócrates falou verdade ao afirmar que “a dívida não se paga, rola-se” não estou a defender que esta é a situação desejável. O que ele disse é verdade no sistema monetário em que estamos mas se alguma coisa podemos aprender com os últimos anos é que o sistema não funciona tão bem quanto os políticos esperavam. É que ao restringir (e bem) o papel do banco central não o deixando monetizar directamente a dívida do Estado (apesar de obviamente já terem encontrado subterfugios para o fazer mais discretamente) o socialismo chega ao problema bem conhecido de acabar-se o dinheiro dos outros. E foi o que aconteceu a Sócrates, não por ele ser particularmente mau a finanças (que o era) mas porque teve antes dele 30 anos de socialismo a gastar o dinheiro dos outros. Azar pessoal o dele que quando lá chegou já pouco havia.

(mais…)

Maio 8, 2012

O buraco que a “direita” cavou para si

Filed under: Economia,Política,Política Monetária,Portugal,União Europeia — Nuno Branco @ 14:37

Como alguns repararam nos últimos tempo o meu número de postas reduziu significativamente. Uma das principais razões que contribuiu para esse facto foi eu estar constantemente a repetir-me, achei que depois de tanto tempo a dizer a mesma coisa não haveria muito a ganhar com continuar a dizê-lo. Ora um dos temas recorrentes nos meus artigos de há 2 ou 3 anos atrás era precisamente a impossibilidade de países como Portugal ou Grécia (ou Espanha, ou Itália, ou …) pagarem as suas dívidas. Isto, para mim, não é um ponto de vista é um facto da vida inerente ao sistema monetário que impera pelo mundo inteiro. Como bem dizia Sócrates sobre este assunto (ironicamente, prontamente crucificado pela “direita” na  única vez em que falou verdade): as dívidas (soberanas) não se pagam, rolam-se.

(mais…)

Maio 4, 2012

Observações do observatório

Filed under: Portugal — Nuno Branco @ 10:45

Com base neste artigo acerca das margens dos distribuidores:

1) O “tom” do artigo parece apontar que “fazer dinheiro” continua a ser um dos pecados mortais em Portugal. O bom português é assalariado e as empresas são todas geridas por gente sem escrupulos que parece que querem lucros os malandros. Honrosas excepções obviamente para as empresas que têm prejuízo e que sobrevivem através de subsídios, essas obviamente são empresas que estão dispostas a continuar apenas a pensar no bem social dos trabalhadores.

2) Os contribuintes andam a pagar para que este observatório exista e nos faça revelações bombásticas sobre o dinheiro dos outros. Bem sei que os portugueses às vezes sofrem de um certo “voyerismo” mas será que nesta altura de crise não seria preferível poupar uns trocos e acabar com aquilo?

3) Eu conheço um tipo que mora ao lado do trabalho e que vende a mão de obra dele bastante cara. O malandro tem uma margem superior a 95% o que é uma vergonha nacional. Existe algum observatório para denunciar esta calamidade antes que o tipo comece com dumping (parece que resolveu um problema depois do horário de expediente e não cobrou) no mercado de trabalho?

Abril 30, 2012

New speak circa 2012

Filed under: Política,Portugal — Nuno Branco @ 12:18

O Ministério da paz trata dos assuntos de guerra.

O Ministério da produção define a racionalização dos bens.

O Ministério da verdade lida com a propaganda.

E o fundo “criado para assegurar o pagamento de pensões quando o sistema entrar em défice” recebe “luz verde [...] para investir na banca independente do risco”

Abril 24, 2012

Frase do dia

Filed under: Portugal — Nuno Branco @ 18:00

“[É] o Estado que faz a burguesia em Portugal [...] uma relação de grande promiscuidade com o poder do Estado e sempre sob sua protecção, uma característica que atravessa os vários regimes”. - Jorge Costa, dirigente do BE.

Felizmente o BE tem a solução para isto: aumentar o poder do Estado.

Abril 19, 2012

Gaspar, o modesto

Filed under: Economia,Política Fiscal,Portugal — Nuno Branco @ 09:49

 O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, disse na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, que Portugal oferece “uma lição de moral” a todos aqueles que defendem o aumento da despesa pública para estimular a economia. Foram as “políticas fiscais expansionistas” do anterior governo socialista de José Sócrates que conduziram o país a um défice orçamental “insustentável” que desencadeou uma crise e o pedido de ajuda financeira a entidades internacionais.

E disse muito bem, infelizmente a sua modéstia não lhe permitiu falar da contribuição do actual governo e limitou-se ao anterior. É que Portugal também é uma “lição de moral” para quem acha que uma crise de dívida se resolve com aumento de impostos em vez de cortar na despesa a sério.

Abril 17, 2012

Wesley Mouch

Filed under: Economia,Internacional,Videos — Nuno Branco @ 14:33

Chamo a atenção para o período entre os 16 e 75 segundos do video acima onde o roubo teve direito a ovação de pé. Qualquer semelhança com a ficção não é pura coincidência.

Ainda se lembram do processo?

Filed under: Economia,União Europeia — Nuno Branco @ 14:24

Aparentemente, e já com grande atraso, a Espanha será o próximo dominó a cair já em poucos meses senão mesmo semanas. Como é que eu sei? Porque o primeiro passo do processo já foi tomado por Jean-Claude Juncker ao afirmar que a Espanha não precisa de ajuda externa.

Para os que ficaram confusos relembro aqui e aqui o processo de pedido de ajuda externa:

Passo 1: Alguém de Bruxelas dizer que está tudo bem

Passo 2: Figura de estado de <inserir nome de país falido> afirmar que pedido de ajuda externa é absurdo.

Passo 3: Alguém do FMI dizer como está confiante que <inserir nome de país falido> saberá ultrapassar os problemas sozinho.

Passo 4: Nova figura de estado de <inserir nome de país falido> é ainda mais veemente na forma como recusa a ajuda externa.

Passo 5: A Troika entra em cena.

Depois claro vem o segundo baile mas esse é só em Bruxelas. Lembram-se do segundo baile certo? É aquele em que os eurocratas nos garantem que se pusermos mais não sei quantos milhões num fundo qualquer desta vez é que vai funcionar mesmo e o arco-iris vai voltar a brilhar. Temo que com Espanha vão precisar de adicionar uns quantos zeros…

Janeiro 13, 2012

Desabafo

Filed under: Comentário — Nuno Branco @ 14:38

Li a resposta do deputado Michael Seufert e compreendo perfeitamente a posição. No entanto, não consigo deixar de pensar que em Portugal será porventura muito mais prejudicial obedecer à constituição do que a uma qualquer organização secreta que tenha aventais por farda…

Janeiro 9, 2012

Soares dos Santos não pode ganhar

Filed under: Política Fiscal,Portugal,Teoria — Nuno Branco @ 16:44

Devido à campanha que tem vindo a ser feita contra a Jerónimo Martins e à deslocação para a Holanda esta viu-se obrigada a emitir um comunicado aos seus clientes para esclarecer a situação legal e fiscal em que se encontra. Infelizmente nesta batalha de esclarecimento do público a Jerónimo Martins não pode ganhar, e a culpa nem será dos media que distorcem aquilo que o grupo quer comunicar. A culpa é dos próprios que aceitam a premissa daqueles que os atacam: de que pagar impostos é algo supostamente nobre. A premissa de que sermos saqueados do produto do nosso trabalho é o equivalente a solidariedade.  No fundo a premissa de que aquilo que Soares dos Santos produziu não é dele até que o seu trabalho receba a benção do Estado.

 

É pena porque tenho admiração por aquilo que Soares dos Santos conseguiu construir e acho que deveria defender o que é seu com mais vigor. É pena porque aceitado a premissa como válida não tentará certamente fazer com que os impostos sejam pagos noutro qualquer país com melhores vantagens fiscais. É pena porque sem o fazer o Estado assegura que continuará a ter receita fiscal do grupo. É pena porque se os contribuintes não fugirem para outras paragens o Estado não terá qualquer motivo para reduzir a carga fiscal.

Se não tivesse aceito a premissa como válida podíamos ter ganho todos. Assim é impossível ganhar o argumento, é como jogar poker com um baralho viciado.

Junho 30, 2011

Sabe a pouco (2)

Filed under: Comentário,Política Fiscal — Nuno Branco @ 20:43
MF Grego a arder

A fotografia do lado esquerdo mostra o ministério das finanças grego a arder, evento que ocorreu ontem durante o dia. Um acontecimento que anseio que chegue a Portugal brevemente porque quando o paciente não tem cura há que saber desligar a máquina, ou como aqui escrevi antes, a 3ª República tem de ser abatida… em legítima defesa.

 
A medida hoje anunciada pelo Governo é um fiasco em toda a linha, para um primeiro ministro que fez toda a sua campanha a cantar sobre o emagrecimento do Estado a primeira grande medida que tem a apresentar é aumentar o saque aos portugueses em 800 milhões de euros que ele aparentemente não consegue cortar do lado da despesa conforme prometeu. Discordando do Bruno e concordando com a Maria João o que é senão tratar os portugueses como parvos esta história de “ai isto está muito pior do que pensávamos” ?
 
Os parvos têm de se chatear, a sério, e resolver este problema de uma vez por todas. Se não o fizerem correm o grave risco de os mamões do costume resolverem o problema por eles. A escolha não tarda… convém tomá-la enquanto ainda têm alguma coisa que valha a pena ser roubada.

Sabe a pouco

Filed under: Política Fiscal — Nuno Branco @ 16:04

Esta ideia de roubar a malta em 50% só no subsidio de Natal sabe a pouco. PPC e Portas ainda têm muito de aprender antes de começar a nacionalizar uns quantos bancos e remover os 50% logo directamente de cada conta. O capital inimigo da democracia e dos povos tem que pagar a crise.

Ah desculpem, estes são de direita? Confudem-se tanto…

Junho 7, 2011

Eu, abstencionista, me confesso

Filed under: Comentário,Política — Nuno Branco @ 12:20

 Passei a maior parte deste Domingo a ser insultado por aqueles que se auto-intitulam de “figuras da nação”. Basicamente aqueles tipos que vivem do aparelho partidário e da máquina do Estado como líderes de partidos políticos com assento parlamentar, os que não o são mas gostavam de ser e aqueles que já o foram e contam com as reformas que lhes pago por meia dúzia de anos de trabalho. Sendo que os insultos não foram grande coisa e dentro do habitual (apático, mau cidadão, incapaz de tomar decisões, viver na sombra dos meus co-cidadãos, etc.) estas figuras precaveram-se logo a culpar a meteorologia por qualquer tipo que não querendo ser uma ovelha ranhosa insistisse em não comparecer nas mesas de voto. Desta vez a culpa foi do sol e da praia mas decerto que se as eleições fossem hoje a culpa seria do mau tempo e da chuva,  qualquer coisa lhes serve para não terem de pensar no problema.

 Falo por mim, não votei porque nenhuma daquelas peças que estavam inscritas para estas eleições mereciam o meu voto. Estive aliás bem perto da mesa de voto já que acompanhei a cara metade ao local de voto mas simplesmente não havia ninguém em quem votar e dar-me ao trabalho de anular o voto quando não tenho eu, nem o país, qualquer beneficio com isso parece-me apenas um desperdício de 5 minutos da minha vida. E essas “figuras da nação” podem pensar o que lhes bem apetecer a verdade é que existem milhares de pessoas que não estão sequer dispostas a dar-vos 5 minutos do seu tempo, nenhum merece.

 Quando as escolhas são apenas de votar na esquerda ou na extrema-esquerda. Quando ainda por cima  a extrema-esquerda parece revelar mais bom senso sobre  assuntos importantes que a restante esquerda parlamentar eu não posso ter outra opção que não seja ficar em casa, recuso-me a legitimar a solução governativa (esperada) que saiu das eleições e muito menos iria legitimar a triste oposição que calhou a este governo. Não sei dos restantes milhares de portugueses que optaram por não votar quantos pensam como eu mas sei que não sou o único e sei que são cada vez mais – do grande número de abstencionistas que conheço pessoalmente a grande maioria não se identifica com a esquerda ou extrema-esquerda. Apenas mais um sinal da morte (lenta) anunciada da 3ª República, os políticos que continuem a justificar a sua legitimidade através da meteorologia, mas não metam palavras na boca dos 41% que conscientemente disseram “nenhum de vocês vale uns minutos do meu tempo”.

Maio 6, 2011

Jerónimo vence debate

Filed under: Política,Portugal — Nuno Branco @ 21:50

Apesar do esforço notável de Paulo Portas nos mais variados pontos (com destaque para os camponeses e pensionistas) há que reconhecer que Jerónimo de Sousa mostou-se, no geral, ainda mais socialista que o seu adversário. Os meus parabéns, esteve renhido.

PS: Diria que o debate teve dois momentos altos. O primeiro quando Jerónimo de Sousa explicou aos portugueses que a SS só poderia ir à falência comprando dívida portuguesa se o país não tivesse futuro, deu literalmente 2 minutos de gargalhadas cá em casa. O segundo ponto foi quando a pergunta “diga-me em que país funcionou o comunismo” de Paulo Portas ficou sem resposta.

Maio 5, 2011

Impostos ao longo do tempo

Filed under: Política Fiscal — Nuno Branco @ 12:37

A Sábado tem aqui um pedaço de História bastante engraçado sobre alguns impostos que foram lançados ao longo do tempo e outros que caíram no esquecimento (muitas histórias ouvi do meu pai sobre andar com uma telha atrás para acender o cigarro). De todos os impostos mencionados o meu preferido acabou por ser mesmo este que se segue:

Quando ficou sem ideias para lançar impostos, o Rei D. Filipe III, decidiu tributar as maçarocas (linho fiado): as fiadeiras do Porto correram à pedrada o encarregado da cobrança do novo imposto que só conseguiu escapar com vida porque fugiu para o convento de S. Domingos

Outros tempos…

 E quando o mesmo Rei aumentou os impostos sobre a carne, as bebidas alcoólicas, o vinagre e o azeite, em 1637, teve nova revolta. Em Évora o povo governou a cidade durante quatro meses, em Portalegre soltaram-se os presos das cadeias e no Porto queimaram-se os livros de registos dos impostos em praça pública.

Maio 4, 2011

E agora a realidade…

Filed under: Economia,Política Fiscal,Portugal — Nuno Branco @ 15:34

Para quem ainda não viu o memo ele pode ser encontrado na íntegra aqui. De qualquer das formas fica o que era expectável deste acordo “muito bom para os portugueses”:

1.19. Reduction of corporate tax deductions and special regimes

1.20. Reduction of personal income tax benefits and deductions,

1.21. Apply personal income taxes to all types of cash social transfers and ensure convergence of personal income tax deductions applied to pensions and labour income

1.22. Changes in property taxation to raise revenue by at least EUR 250 million

1.23. Raise VAT revenues to achieve a yield of at least EUR 410 million for a full year

1.24 Increase excise taxes to raise at least EUR 250 million in 2012. In particular by:
i. raising car sales tax and cutting car tax exemptions;
ii. raising taxes on tobacco products;
iii. indexing excise taxes to core inflation;
iv. introducing electricity excise taxes

E convém não esquecer as palavras de Eduardo Catroga. É que este acordo apenas é maravilho porque o PSD participou nele.

E isto são apenas as medidas para o primeiro ano… depois há mais.

Maio 3, 2011

Esclarecedor

Filed under: Política,Portugal — Nuno Branco @ 22:31

O Primeiro Ministro já informou a nação de qual foi o acordo que não fez com o FMI, é maravilhoso. Presumo que a realidade seja apenas apresentada pela oposição (esses pessimistas que só se focam nas coisas más que acontecem ao país) nos dias que se seguem.

Presumo também que PPC deva ter começado agora a deliberar se vai colocar o IVA a 25 ou a 27 por cento que isto não há milagres que paguem todas as coisas boas que o PS não negociou com o FMI. Resta depois saber a reacção do CDS para que este simplório possa decidir se vai ou não passear no 5 de Junho mas a julgar pela forma como tanto CDS e PSD se meteram nas televisões a dizer “este acordo é uma maravilha apenas porque nós participámos nas discussões” nada de bom parece esperar a nação no futuro próximo.

Depois fazem-se de virgens ofendidas quado ouvem falar de “consensos” e de “governos de união nacional”. Mandem-se ao mar, a água deve estar boa no país em que vocês vivem.

Maio 2, 2011

E agora Obama?

Filed under: Internacional,Política — Nuno Branco @ 10:06

Já se pode trazer os miúdos para casa e poupar uns biliõezitos no défice?

Abril 30, 2011

Continua assim que vais longe

Filed under: Política,Portugal — Nuno Branco @ 21:04

Passos Coelho andou a fazer contas, devem ser das boas porque garante que isto vai tudo ao sítio certo sem despedir ninguém e sem cortar salários. Maravilha. Ninguém o viu com nenhuma pressa para saber que contas fez para evitar subir impostos. A razão é simples, porque essas contas ele não fez.

Ainda não foi eleito e já me está a chegar a mostarda ao nariz.

Abril 26, 2011

Pobres especuladores

Filed under: Economia — Nuno Branco @ 17:53

Já não bastava levarem na corneta quando os preços sobem, agora também levam na corneta quando os preços descem.

Mas não há maneira de fechar essa coisa dos mercados e anunciar os preços por decreto?

Abril 21, 2011

Ingrato

Filed under: Política,Portugal — Nuno Branco @ 09:47

Não houve ministro que se tenha rebolado mais na lama por José Sócrates. Nunca ninguém disse tanto uma coisa e o seu contrário apenas para agradar a seu chefe. Nunca um ministro demonstrou ter tão pouca espinha dorsal ao serviço do seu líder. Tudo isto sem que, uma vez que fosse, ficasse tentado a ser homenzinho e a apresentar a demissão.

Isto que José Sócrates lhe faz só demonstra ingratidão. Muito feio.

Sondagens

Filed under: Comentário,Sondagens — Nuno Branco @ 09:41

Esta sondagem pode parecer estranha à primeira vista, eu sei que a mim me pareceu mas quanto mais penso nela mais sentido ela faz. A chave para compreendermos esta sondagem estará na elevada percentagem de indecisos: 36% mas já lá vamos.

Para colocar o meu raciocinio em perspectiva cito um outro estudo que a Marktest publicou ontem:

No entanto, o dado mais surpreendente é revelado quando os inquiridos apontam para os partidos que gostariam de ver a governar Portugal – “Se houver um Governo de coligação por que partidos deverá ser constituído?”. O PSD alcança 58% de respostas positivas, seguido pelo CDS que acolhe 39%. O partido de Paulo Portas fica mesmo à frente do Partido Socialista de José Sócrates que só obteve o aval de 37% dos inquiridos pela Marktest. Bem longe de qualquer solução governativa estão o Bloco de Esquerda de Francisco Louçã (13%) e o PCP de Jerónimo de Sousa (13%), os dois únicos partidos com assento parlamentar que recusaram reunir com a ‘troika’ do FMI, BCE e Comissão que se encontra em Portugal.

Existe ainda um terceiro estudo sobre a popularidade dos líderes partidários e principais figuras da nação do qual destaco: Cavaco desce 25 pontos, Passos Coelho desce 24 pontos, Sócrates continua em terreno bastante negativo e Paulo Portas é o líder partidário com melhor reputação junto dos portugueses.

Ora, juntando os três estudos encontro duas explicações para o resultado da sondagem: A primeira é que os entrevistados pela Marktest sofrem das mais estranhas perturbações mentais. A segunda, e mais provável, é que aqueles 36% de indecisos não são uns indecisos quaisquer e que a sua distribuição não deve ser feita pelos restantes partidos. A larga maioria daqueles indecisos simplesmente ainda não sabe se vota PSD ou CDS, os restantes partidos nem lhes passam pela cabeça.

Infelizmente esta sondagem até favorece o PSD pois grande parte desses indecisos, com medo que o PS ganhe, ficará inclinado para votar em PPC. Quando a mediocridade compensa não se espere que o PSD faça melhor do que até aqui tem feito.

Abril 20, 2011

Não vão por aí

Filed under: Economia,Política,Portugal — Nuno Branco @ 09:55

O consumo de combustiveis caiu 17% segundo o DE. As razões são fáceis de compreender: por um lado temos os bancos centrais com politicas que impulsionam o preço das matérias primas, por outro temos o Estado que, com a sua carga fiscal, consegue mais do que duplicar o preço dos combustiveis.

Que fique pois o aviso ao FMI e ao próximo governo: Os portugueses já estão a ser chupados até ao tutano pelas politicas fiscais implementadas pelo governo de José Sócrates, não existe capacidade para pagar mais impostos. Não vão por aí. Ignorem qualquer receita que achem que vão conseguir sacar à malta porque não vão e concentrem-se em cortar na despesa.

Abril 19, 2011

Falência à Portuguesa

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — Nuno Branco @ 21:34

A tolerância de ponto agora anunciada é apenas mais um pormenor a adicionar à lista que já vai longa. Desde a inauguração de obras públicas a novos investimentos continua o país a andar como se nada de estranho se passasse. Falidos? Pois claro, mas nesta terra o problema se calhar resolve-se mais depressa com psiquiatras do que com economistas. O FMI não tem disso?

Abril 18, 2011

Parabéns

Filed under: Diversos — Nuno Branco @ 20:01

Porque saber fazer dinheiro é uma virtude:

THANK YOU. After an incredible opening weekend, it would appear it’s time to expand. In only 300 theaters, Atlas Shrugged made 1.67 million dollars averaging $5,590 – 3rd only to Rio and Scream 4 in averages. Atlas Shrugged Movie = Free Market Working. Spread the word. This is our moment. Here we come.

Abril 15, 2011

15 de Abril

Filed under: Videos — Nuno Branco @ 14:34

Dia de pagar impostos, dia de estrear Atlas Shrugged.

Go Frisco!

Um povo de especuladores

Filed under: Economia,Portugal — Nuno Branco @ 10:19

Portugueses recusam-se a emprestar dinheiro ao Estado. Aguardo ansiosamente pela denuncia do Governo deste comportamento “irracional”. Se calhar é tão irracional que devia ser probido… pensem lá nisso que eu gosto de ver até onde vai a vossa lógica.

Abril 14, 2011

Falidos

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — Nuno Branco @ 09:44

Para além da PSP parece que também a GNR, SEF e Forças Armadas entraram em acordo com o MAI para que não pagassem os descontos da segurança social e retenções de IRS, a razão é obviamente a falta de dinheiro. Segundo ouvi na TSF obviamente se nada acontecer nos próximos meses não haverá sequer dinheiro para ordenados. Num cenário destes arranjar 800 tipos não deve ser difícil.

Segundo o artigo a situação não é nova:

A GNR já tinha reconhecido uma situação semelhante no passado mês de Fevereiro com os descontos para a Caixa Geral de Aposentações e para a Segurança Social dos militares.

Ora Fevereiro é mais ou menos a altura em que a oposição chumbou o PEC… erm não isso foi depois. Em Fevereiro a única coisa que me lembro assim de repente é de ouvir o Governo a dizer maravilhas da execução orçamental mas devo estar a fazer confusão.

Entretanto, lá por fora parece compreender-se melhor a situação portuguesa que cá dentro:

A maior parte dos finlandeses entendem que Portugal está numa situação de bancarrota

Abril 13, 2011

Sobre a culpa e os tiros no pé

Filed under: Comentário,Política,Portugal — Nuno Branco @ 19:23

Estamos a menos de dois meses das eleições e ver as notícias da noite é um espectáculo degradante da atribuição de culpas a voar de e para todo o lado. A culpa é do PS que duplicou a dívida, a culpa é do PSD que chumbou o PEC, a culpa é de Sócrates que não negoceia, a culpa é da oposição que não é responsável, a culpa é da Alemanha que não empresta, a culpa é dos bancos que emprestaram, etc, etc, etc.

A culpa é de todos, os gráficos não mentem, desde o inicio da 3ª República o país deslumrbou-se com o dinheiro dos outros e foi um ver se te avias de regalias para toda a gente. O ponto de não retorno, aquela altura em que viesse quem viesse não haveria volta a dar, foi (para mim) algures durante o reinado de Guterres mas por essa altura o país andava demasiado embriagado com o crédito fácil para se preocupar com ressacas. Foi uma altura pródiga em casas novas, em empréstimos que duravam uma vida inteira. Uma altura em que Cascais deixou de ser fino e não se fazia a coisa por menos que umas praias em Barbados ou, se fossemos pobrezinhos, uma semaninha na Riviera Maya. Uma altura de expos, de pontes, de modernização… enfim, uma altura de gastar dinheiro que este chovia dos bancos.

Eventualmente os bancos tiveram que se conter um pouco e Portugal virou um pântano. Habituado à vida simples de governar com dinheiro fácil e com uma população embriagada Guterres foi fazer contas para outras paragens. Veio um primeiro-ministro que olhou para o abismo e contou o que viu a um país que estava a ressacar (Medina Carreira, talvez imune, começava por esta altura a deixar os seus avisos) e sem cabeça para analisar números. O resultado foi termos um primeiro-ministro a ser gozado na comunicação social e no país por dizer uma simples verdade: o país estava de tanga. Durante o seu olhar para o abismo provavelmente também se apercebeu que o ponto de não retorno já tinha sido ultrapassado e até eu, que tenho Durão Barroso abaixo de carapau na minha consideração não o levo a mal por ter fugido. Olhar o monstro nos olhos mete medo a qualquer um que compreenda o que vê.

Sampaio aproveitou a confusão originada pela fuga de Barroso para trazer os seus amigos de volta a São Bento. Não se sabe se não viram o monstro ou se simplesmente não compreenderam a natureza do animal, o que se sabe é que trataram a ressaca de crédito como eu tratava as minhas ressacas de juventude: com cerveja pela manhã. Aquele sabor a papel desaparecia rapidamente, até à manhã seguinte.

Foram obras públicas, foram subsidios, foram ventoinhas gigantes, foram enfim… rosas. Rosas estas que enquanto faziam esta trapalhada atiravam à direita com submarinos e estádios de futebol, como quem diz, se tu gastaste porque não posso gastar eu? Se vamos distribuir culpas teremos que todos tirar umas férias que isto não é coisa que se resolva com umas horas de conversa, inclusive a culpa daqueles senhores do lado esquerdo que clamam que nunca lá estiveram (no poleiro entenda-se) e portanto não só a culpa não pode ser deles como merecem ocupar o poleiro desta vez. Porque está deste lado também uma grande parte da culpa, sobre a capa da irresponsabilidade originada por não terem de governar estes senhores são os vendedores de sonhos. Com eles acaba a fome e a miséria. Toda a gente tem uma moradia e um ordenado valente para gastar, trabalhar é opcional. Só não dizem de onde vem o dinheiro todo para sustentar estes sonhos e quem governa depois que explique porque é que a realidade é diferente.

Aqui chegados, aos noticiários que mencionei no início, o país continua à procura dos culpados que estão em todo o lado e em lado nenhum como se de repente dizer “este tipo é culpado porque fez Y e não devia ter feito” desfizesse o erro. Uma hora por dia a ouvir acusações é demais, deixem-me ouvir pelo menos dois minutos de soluções. Ironia das ironias, até entre as acusações de que “o outro vai cortar mais do que eu” eu ainda não ouvi muito bem mas onde é que se vai cortar. O Estado tem o grosso das suas despesas em saúde, educação e prestações sociais. Nenhum partido me diz como vai afectar estas três parcelas, parecem estar todos embasbacados a olhar para os senhores do FMI à espera que lhes digam como vão ser cortadas sem que, obviamente, não se deixe de jogar o jogo do “mas ele concordou com o FMI primeiro do que eu” que decerto ocupará bastante tempo de antena.

As pseudo-soluções que por aí andam, e agora falo à direita porque sonhos e irresponsabilidade não são soluções, continuam a seguir a receita falhada de MFL. Privatizar, vender património e aumentar impostos. Sou obviamente a favor das primeiras duas mas sem uma estratégia a seguir de que nos serve vender tudo ao desbarato? E quando esse dinheiro acabar o que fazer a seguir? O país não suporta mais “pensos rápidos”. Numa empresa quando alguém faz uma asneira a prioridade é descobrir como se minimizam os estragos dessa asneira, ver quem teve a culpa e definir formas para que não volte a acontecer vem no fim, no Estado como sempre faz-se tudo ao contrário.

O mundo realmente mudou, não em 8 dias mas mudou nos últimos 40 anos e precisamos de partidos e líderes políticos capazes de abraçar essa mudança. Acabem com as “lavouras”, os “bancos de fomento”, os “nobres” e sobretudo com os “coitadinhos”. Acabem com os tiros nos pés. É preciso ignorar o PS, o discurso da culpa e começar a apresentar soluções reais aos portugueses para que estes também saibam com o que contar. Os vendedores de sonhos que fiquem a falar sozinhos, o país está a sair da ressaca e está pronto para ouvir uma mensagem séria.

Se querem o meu voto têm que trabalhar por ele, não basta serem menos maus que José Sócrates.

Cá vos espero (3)

Filed under: Economia,Portugal,União Europeia — Nuno Branco @ 17:22

Depois do famoso “Espanha não é Portugal” que podemos considerar como o primeiro passo na admissão da bancarrota os nossos vizinhos passam à segunda fase: pedir esmolas aos chineses.

Perto de 10 mil milhões sempre dá para qualquer coisa. Daqui a uns meses passaremos aos passos seguintes que envolverá uma queda do Governo e a óbvia culpabilização da oposição maléfica (não foi possível ainda determinar por método cientifico se “oposição” está mais acima ou abaixo na escala de “malvadez” do que os “especuladores”, aguarda-se a qualquer momento uma resposta definitiva). Ainda assim aqui ao lado sempre há qualquer coisa que nós não temos: um mínimo de vergonha. Não resolve mas ajuda.

Abril 12, 2011

Oposição usa máquina do tempo para chumbar PEC

Filed under: Política,Portugal — Nuno Branco @ 18:56

A informação está aqui na caixa de comentários mas penso que vale a pena o destaque (clickar na imagem para aumentar, informação retirada do WHOIS service do joker).

Ao que parece a campanha de José Sócrates estava a ser preparada, pelo menos, desde 24 de Fevereiro de 2011. Vocês querem ver que afinal o PEC IV foi só uma desculpa?

Mais uma surpresa inimaginável

Filed under: Economia,Política,Portugal — Nuno Branco @ 17:39

FMI diz que previsão de défice por parte do Governo é uma treta:

No relatório “Fiscal Monitor”, que acaba de ser divulgado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que Portugal tenha, este ano, um défice superior em um ponto percentual ao previsto pelo Governo: 5,6 por cento do PIB, em vez de 4,6.

Quem canta seus males espanta…

Filed under: Videos — Nuno Branco @ 14:36
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Abril 11, 2011

No you didn’t

Filed under: Economia,Internacional — Nuno Branco @ 15:06

Parece que em terras de sua majestade o resultado do referendo islandês, este sábado, não foi bem recebido, razão pela qual ponderam levar o caso para os tribunais europeus:

We had an obligation to people in this country who’d saved with those banks. We have an obligation now to get that money back and we will continue to pursue that until we do.

“There is a legal process going on and we will carry on through these processes. There is a very substantial amount of money involved – billions of pounds.”

Não não tinham. Não tinham nenhuma obrigação perante pessoas que depositam o seu dinheiro num qualquer banco à procura de maior rentabilidade. Não tinham nenhuma obrigação de nacionalizar bancos, não tinham nenhuma obrigação de brincar aos papás e às mamãs com a população que é maior e vacinada.

E os islandeses também não têm nenhuma obrigação de sustentar os vossos vicios paternalistas.  Deal with it.

Gasolina, ISP, IVA e Governo

Filed under: Economia,Política,Portugal — Nuno Branco @ 11:04

Ao fim de 4 anos a culparem os especuladores, a GALP, a autoridade da concorrência e outros intervenientes que não lembra ao diabo finalmente parece que a classe política começa a olhar para a carga fiscal sobre a gasolina como um problema.  Será que ainda há esperança? Claro que  não, ao contrário do que o título do jornal indica.

A recomendação foi hoje publicada em Diário da República e sugere que o Governo “promova uma avaliação, por uma entidade independente, sobre a formação dos preços dos combustíveis em Portugal que permita retirar conclusões concretas sobre se existe ou não um clima verdadeiramente concorrencial no sector”.

O diploma recomenda ainda que o Executivo “se disponha a rever toda a política fiscal que incide sobre o preço dos combustíveis em Portugal” e que “estude a possibilidade de traduzir o recente aumento da receita fiscal proveniente da subida do preço dos combustíveis em medidas de apoio de carácter fiscal aos consumidores”.

Pode-se ver portanto que não desistiram ainda de culpar os outros e mesmo quando se fala em impostos a ideia não é baixá-los mas sim fazer uma redistribuição à posteriori. Se não for pobrezinho e/ou camionista escusa de ficar à espera que a coisa melhore.

Só para relembrar, com a gasolina 95 a 1.60€ por litro, 0,89€ vão directamente para o Estado.

Abril 7, 2011

Cá vos espero (2)

Filed under: Economia,Portugal,União Europeia — Nuno Branco @ 22:15

6300 milhões é o que se espera que Espanha enterre em Portugal, isto claro se o peditório nacional for de “apenas” 75 mil milhões, número que provavelmente será revisto em alta para perto dos 100 mil milhões.

Mas o que realmente me faria feliz era ouvir da boca de Zapatero que os espanhois não se devem preocupar, é que ainda vão ganhar muito dinheiro com o empréstimo que vão fazer a Portugal. Enquanto isso não acontece vou ter que ir comendo a pipoquinha ao sabor das palavras dos subalternos, you guessed it: “A Espanha não é Portugal”. Para ser justo, é um pouco diferente… é uma mistura de socialismo português com um buraco bancário irlandês.

Preemptive strike

Filed under: Política,Portugal — Nuno Branco @ 17:20

Parece que os sindicatos da FP “sacaram um Bush“. Ainda não sabem o que lhes vai acontecer nem que Governo vai ser formado para administrar a receita mas sabem que são contra.

Além de serem genericamente contra num dia normal são ainda mais veemente contra às sextas-feiras.

Abril 6, 2011

Reacções

Filed under: Economia,Internacional,Portugal — Nuno Branco @ 22:18

Agora que o grande líder já me esclareceu que não é mais necessário odiar estrangeiros com dinheiro passo a citar alguns deles (aqui na integra):

“In some ways it is a positive — I think Portugal was in denial.- David Dietze

“[T]hink they need short-term financial help but also a high probability that Portugal has to restructure their debt. – David Leduc

“It’s somewhat puzzling this lack of euro reaction to Portugal admitting it needs aid. I guess the market is viewing this news as a foregone conclusion. This is a big financial step for Portugal and it’s obvious that Portugal cannot finance itself. – Vassili Serebriakov

Following weeks and months of lies that Portugal does not need a bailout, that is is not Ireland, Greece, Algeria, Tunisia, Egypt, Middle Earth, Uranus, etc, the country finally realized it is bankrupt- Zero Hedge

Eu só acho é que esta estrangeirada tem que ver mais RTP ou passar a ler o JN. Parece que eles acham que isto já vem de trás, ninguém lhes disse que o PEC IV foi só agora?

Cá vos espero

Filed under: Economia,União Europeia — Nuno Branco @ 21:27

Hermanos, vejo que já estão vestidos a rigor. As pipocas estão comigo, aguardo a vossa presença para vermos o fim do filme.

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