Descubra as diferenças

Ciara Whooley é uma adolescente de 17 anos que constituiu a sua própria empresa – Irish Baubles – com apenas 16 anos. Com a produção centrada na Ásia por razões óbvias, Ciara tem hoje mercado para além fronteiras e exporta activamente para o Reino Unido, EUA e África do Sul sempre com os olhos postos em expandir a sua rede de distribuidores. Por terras celtas aparentemente não houve ataques de “varicela”, não só ninguém pareceu preocupado em difamá-la pela miséria a que sujeita os seus parceiros asiáticos como ainda por cima parece que lhe tecem rasgados elogios à forma como conseguiu trazer o seu produto ao mercado a um preço acessível e montar um plano de negócio arrojado independentemente da sua idade.

Por aqui esta iniciativa rendeu-lhe já variados prémios (honoríficos e monetários) e agora, graças ao Martim, podemos saber o que aconteceria a esta jovem empreendedora se tivesse o azar de nascer em Portugal. Prémios de empreendedorismo não seriam certamente, com um bocado de azar a única coisa a que podia aspirar era sair-lhe uma pseudo-intelectual na rifa a explicar-lhe como é mau dar emprego a pessoas que não ganham o que outro tipo qualquer que não tem nada a ver para o caso acha que deviam ganhar.

E a verdade é que sendo fácil personalizar em Raquel Varela o problema, olhando para o eco que é dado às suas palavras e ao esforço dedicado a destruir a imagem do Martim por essas redes fora,  ela é apenas mais um sintoma de uma sociedade portuguesa em avançado estado de decomposição. Uma sociedade aparentemente composta de gente que não entende o que é criação de valor numa cadeia produtiva mesmo que o dito valor lhes entre pelos olhos dentro. Não admira que não percebam o porquê dos (relativamente) baixos salários em Portugal e se tornem devotos seguidores de quem disser o que eles quiserem ouvir.

Não vou ser optimista ao ponto de dizer que na ilha não há “varicelas”. Infelizmente parasitas a viver do sistema encontram-se por todo o lado, mas ao menos nos países civilizados têm a decência de não morder a mão que os alimenta (em vez de serem convidados, com o dinheiro dos contribuintes, para perpetuarem as ideias que colocaram Portugal de rastos) e isto faz toda a diferença para se poder dar um “pontapé na crise”. Já que não fazem pelo menos saiam de cima.

Ao Martim os meus parabéns pela vontade de fazer. Ser novo ajuda a não estar contaminado pelas ideias dominantes do país que habita e a levar os projectos para a frente. De qualquer forma  recomendaria que acabasse a escola e se fizesse à estrada, se não emigrar depressa Portugal dá cabo dele e da sua vontade de fazer o que quer que seja.

Portugal não tem emenda

Acompanhei a manifestação de ontem ao longe, pelos jornais, blogs e redes sociais (sendo que não surpreendentemente os jornais foram os menos informativos do que se ia passando) e embora perceba a tentação de se denunciar a aldrabice que foram os números apontados pelo Bloco de Esquerda não sei até que ponto terá relevância (a maior parte já sabe que eles são aldrabões, quem não sabe vai continuar a não querer saber).

O mais relevante, na minha óptica, é que mais uma vez tivemos uma demonstração de que o país não tem emenda. Podemos falar de maiorias silenciosas? Claro que podemos (e devemos) mas também não podemos esquecer que as minorias ruidosas têm grande influência junto da classe governante (só a título de exemplo houve uma maioria silenciosa que não queria saber da liberalização do aborto para nada, nem sequer teve paciência para ir votar no referendo mas feitas as contas essa maioria silenciosa está agora a pagar os abortos que se fazem no SNS). O problema do país não é sequer aqueles cem mil (vá, arrendondado para cima) que se manifestaram ontem a favor de terem tudo o que sempre tiveram e não quererem pagar a conta. O problema do país é precisamente a maioria silenciosa que não abre a boca. A que come e cala estes anos perdidos de PSD/CDS onde pouco mais se fez que gerir a bancarrota perdendo-se oportunidades atrás de oportunidades para resolver os problemas essenciais do país.

Portugal não tem emenda porque não se vê meia duzia de gatos pingados à porta do parlamento a pedir diminuição da despesa pública. A classe política, gostem ou não, vai atrás das minorias ruidosas e pouco barulho se faz sobre o que interessa. Um pequeno exemplo: Era difícil mobilizar umas quantas pessoas para gritarem que queriam a RTP privatizada e deixar de pagar taxa audiovisual? Pelos vistos era e na falta de contraponto ruidoso o governo de tendência natural socialista lá continua a sustentar o elefante branco à conta do contribuinte.

Nunca houve uma minoria ruidosa contra o TGV, contra o aeroporto, contra os benefícios sociais… e aqui estamos. Não são cem mil pessoas naturalmente frustradas e facilmente instrumentalizáveis pela extrema-esquerda que são o problema da nação, afinal “tudo o que é necessário para que o mal ganhe é que gente boa nada faça”.

Mas sejamos sinceros, se a maioria silenciosa ainda não se levantou do sofá também não é agora que o vai fazer. E enquanto o tempo passa a frustração dos portugueses só vai aumentar, se o governo abdicou de fazer o necessário enquanto estava em período de graça não há razões parar crer que as coisas vão melhorar e reduzir as incertezas de quem vive em Portugal. A situação só pode piorar. À maioria silenciosa só lhe cabe ser cada vez menos maioritária à medida que o bom senso a leva a fazer as malas e saírem para sítios mais livres das influências do ruído das minorias.

E Portugal, assim, transforma-se numa balança que só tem peso de um lado a caminho do futuro que no fundo merece ter. Um dia a Troika há-de mesmo ir lixar-se e os portugueses que ficarem poderão finalmente banhar-se na total falência do país, ou nas palavras de Francisco:

- Señor D’Anconia, what do you think it will happen to this world?
- Nothing more and nothing less than what it deserves.

Ein Volk, ein Reich, eine Steuer

O Miguel já abordou o tema mas vale a pena voltar a pegar nele porque com esta amostra de ditadorzecos nacionais que os (not so) mass media insistem em dar voz convém ser o mais frontal e esclarecedor possível não vá alguém (além dos jornais) levar a peça a sério. E portanto vamos ser sérios, quem acha que o problema de Depardieu não são os altos impostos franceses mas o facto de na Bélgica serem mais baixos não vai parar obrigando a Bélgica a aumentar os seus impostos. Não vai parar porque não pode. E não pode porque a urticária e comichão que sofre quando vê um rico a fugir com o seu dinheiro para a Bélgica vai ser tão grande ou maior quando vir um rico a fugir com o seu dinheiro para a Suíça (os malandros também falam francês ainda por cima)  ou para o Liechtenstein. Isto não tem nada que ver com o espaço comunitário, quem gosta de roubar não respeita fronteiras.

Aliás o que estes ditadorzecos de trazer por casa não gostam mesmo nada é do dinheiro dos outros. E depois escudam-se em palavras muito bonitas, como “democracia” para legitimar o roubo. Porque para esta gente a democracia está lá é para isso mesmo, para que uma multidão enraivecida possa violar as liberdades de qualquer minoria, particularmente quando falamos de uma minority of one – essas bestas conhecidas como indivíduos. Deve ser por isso que a esquerda passa a vida a defender políticas que trazem apenas pobreza, parece que se vivermos todos bem é mais difícil manipular as massas para, de forma democrática claro, espoliar quem o ditadorzeco quiser. Que mais, pergunto eu, pode um indivíduo fazer nestas condições senão fugir para além fronteiras?

Ein Volk, ein Reich, eine Steuer. É esta a visão de certa gente para a Europa. E quando o dinheiro dos outros decidir sair da Europa a receita destes iluminados vai ser a mesma de outros como eles ao longo do tempo: ou fazem um muro para que não possam sair, ou espancam-nos e expropriam antes que eles se lembrem de ir embora. E a nossa imprensa acha por bem valorizar este tipo de opinião, depois queixam-se que ninguém está interessado em pagar para ler lixo.

PS: No outro lado do espectro podemos ver o que acontece quando em vez de hegemonia fiscal temos concorrência fiscal. O Reino Unido pode ter acordado tarde mas parece querer compensar o tempo perdido na competição com a Irlanda. Pode ser que estas ideias de hegemonia fiscal na UE sejam o passo definitivo para o RU sair, pelo menos alguma coisa de bom vinha ao mundo.

Circo todos os dias

Todo este artigo é uma comédia

Temos deputados da maioria que votam uma coisa e o seu contrário. A extrema esquerda a defender que num negócio entre estudante e empregador quem tem de bancar o pagode é obviamente o contribuinte e um conjunto de ex-governantes que concordando com o PCP acabaram de facto por largar grande parte da conta no contribuinte… alemão. Em suma, um país de chupistas… falido como merece.

Os jovens que vão fazer mas é fazer um estágio para o estrangeiro que não merecem esta sorte. Aliás mesmo que quisessem parece que é ilegal fazer o estágio sem custos. Agradeçam ao Pai Estado.

O Orçamento de Estado 2013 na Irlanda (2)

“Fine Gael being the party we are would have preferred less on tax and Labour being the party they are would have preferred less on spending cuts,”

Ou como numa coligação onde um dos membros é abertamente socialista se consegue cortar mais na despesa do que em certas coligacões compostas apenas por perigosos neo-liberais

É para fazer agora o ar de surpreendido?

Hoje é o dia de fazer de conta que estamos surpreendidos pelo CDS ser socialista? A sério, ainda não tinha dado para ver pelos ministros do CDS? Ainda havia quem não tivesse percebido depois das ridículas “tentativas” dos ministérios do CDS baixarem a despesa? Já nos esquecemos que não é a primeira vez que o CDS é responsável por um aumento de impostos nesta legislatura? Ou estamos só a fazer de conta que no sistema eleitoral português nos surpreende o facto de os deputados respeitarem mais a liderança partidária do que os eleitores?

E amanhã vamos fazer de conta que estamos surpreendidos com os números da abstenção ou simplesmente com o facto de ninguém mexer uma palha quando os cortes chegarem a meia duzia de malucos que decidem fazer um golpe de estado?

Sobre os milagrosos 10% de IRC que vão transformar a economia portuguesa

Quando primeiro apareceu esta ideia de baixar o IRC para 10% foi anunciado como uma “taxa irlandesa” – provavelmente por  tipos que da Irlanda nem a página da Wikipedia conhecem visto que a única semelhança com a ilha verde é mesmo o número 10.

Em Portugal obviamente nunca poderia ser feita uma coisa tão simples como baixar impostos, não… isso qualquer um podia fazer. Um bom socialista tem que encher a proposta de lei com “ifs and what ifs” até conseguir transformar uma boa ideia numa aberração legislativa abaixo de inútil para que esta possa vir a causar mais problemas que soluções. A ideia deve ser depois fazer nova legislação para resolver os novos problemas dando a ideia que o Estado é uma coisa de gente muito ocupada e inteligente.

Mas voltando ao dito anuncio, começaram por dizer que os 10% eram só para investidores estrangeiros. Alguém lhes deve ter explicado que os investidores portugueses também são filhos de gente e avançaram então agora para a nova ideia que os 10% vão ser apenas para “novos” investidores. Os que cá estão podem fechar as portas que o Estado acha que não valem um corno. E o problema é só este, se  isto por acaso funcionasse (que não vai ser o caso mas já lá vamos) uma nova empresa que consegue roubar clientes à concorrência apenas porque dispões de um beneficio fiscal não é nenhum exercício de destruição criativa. Isto é a manápula gigante do Estado a interferir no livre mercado arriscando-se a levar à falência empresas que até poderiam estar melhor posicionadas para satisfazer as necessidades dos consumidores do que estas novas que entram com novo IRC. Ficamos pior.

O segundo ponto, e talvez o mais importante, é a forma socialista como este governo vê a economia. Como se o Estado tivesse ao seu dispôr uma máquina complexa e bastasse baixar uma alavanca chamada “IRC” para de repente o investimento começar a surgir do nada. Obviamente uma carga fiscal mais baixa é importante para atrair investimento, mas a principal diferença entre a Irlanda e Portugal é que na ilha é normal o IRC ser baixo. Em Portugal vai ser uma excepção. Quando a troika chegou à Irlanda vinham com ideias de subir o IRC para pagar a conta, o governo local bateu o pé, houve reuniões e reuniões mas o IRC ficou inalterado. E a diferença, mais do que o número que vem na taxa, que é  importante para quem está a investir é esta: de um lado está um país que lutou com a troika para manter o IRC baixo, do outro está um país que vai abrir um regime de excepção que provavelmente acabará assim que mudar o governo ou até antes disso se a troika mandar um espirro ou o próprio governo falhar as suas metas do défice. Quando alguém pensa em investir uns milhões em novos escritórios ou fábricas, qual é o país que escolhem? É que os impostos não são uma alavanca que se sobe e desce conforme queremos que as marionetes contribuintes façam aquilo que o Estado pretende. Os impostos não são apenas uma taxa, a estabilidade da política fiscal é tão importante quanto o número. E mais uma vez, de um lado temos um país que cortou na despesa para evitar subir os impostos e no outro temos um país que a cada oportunidade sobe mais impostos porque é incapaz de cortar na despesa.

Por fim, imaginando só por um instante que a alavanca mágica do ministério das finanças funcionava, quem é que estes novos investidores iam cá colocar a tomar conta das suas sucursais? É que com escalões de IRS do calibre que há em Portugal as competências há muito que começaram a passar a fronteira (e continuam a passar). Mais uma vez, na ilha as taxas de IRS foram apenas mexidas uma única vez desde 2008 e continua a atrair talento europeu para trabalhar e liderar as empresas aqui instaladas.

Talvez para a próxima que se queira anunciar os 10% como uma “taxa irlandesa” convenha saber que a Irlanda não é apenas IRC. Entrem num avião da Ryanair que está barato, venham falar com os empresários locais e descobrir porque é que a Irlanda é o 6º melhor país do mundo para fazer negócios. Não é apenas uma taxa, é todo um ambiente.

Quando quiserem começar a trabalhar nisso aí em Portugal avisem. Até lá deixem de fingir que estão a baixar os impostos cada vez que os sobem.

Opções (II)

Era uma vez dois países intervencionados pelo FMI.

Um andou a brincar ao 13º e 14º quarto mês com os funcionários públicos. O outro despediu-os.

Um andou a perseguir “o grande capital”. O outro manteve a taxa de IRC nos 10% e criou agora isenção de IRC para start-ups.

Um passa a vida a recorrer a receitas extraordinárias para esconder o défice. O outro decidiu aumentar as propinas escolares.

Um anunciou o maior aumento de impostos de que há memória para 2013. O outro em 2013 decidiu cortar os abonos de família e baixar subsídios a doentes, deficientes e idosos.

Um está num buraco sem fundo, o outro lá vai conseguindo ver a luz ao fundo do túnel. Segundo o FMI a Irlanda é o único país intervencionado que não está em recessão. São coisas que não acontecem por acaso, são fruto das opções politicas que se tomam e os portugueses deviam pensar profundamente que opções querem tomar para o futuro porque Pai Natal não há em lado nenhum.

Opções

Como alguns dos leitores já sabem sou mais um daqueles que recentemente optou por “votar com os pés” e ir dar uma volta para um qualquer local onde não fizessem questão de me roubar tanto. Por razões profissionais, e pela politica fiscal praticada para com as empresas (more on that later), acabei por vir parar à Irlanda um país que por enquanto me tem surpreendido pela positiva a vários níveis.

Uma das coisas que me surpreendeu foi precisamente ter de contratar um serviço de recolha de lixo. Essas coisas dos contentores do povo por aqui não existem e depois de falar com vários colegas sobre as experiências que eles tinham acabei finalmente hoje por contratar uma empresa para me fazer a recolha do lixo. Tinha quatro por onde escolher aqui na minha área cada uma com varias opções no que toca a tarifários dependendo obviamente do volume de lixo que pretendo produzir e despachar. Lá escolhi a empresa que mais se adequa às minhas necessidades e à minha carteira, com internet foi coisa para demorar uns 20 minutos porque também não há pressa.

Em Portugal dizem os iluminados que se não for o Estado a recolher o lixo é o caos e o país ficaria transformado numa lixeira a ceu aberto. Por aqui ainda não encontrei o tipico lixo (de simples sacos porque o contentor estava cheio aos colchões de cama envelhecidos) espalhado pelo passeio a que já estava habituado.

Ou seja, evita-se o lixo e os impostos o que é bastante bom. Já evitar os iluminados não tem preço.

Ainda os estados de alma

O Estado do país, é sabido, vai de mal a pior e o estado de alma dos portugueses teve uma grande viragem com as medidas anunciadas por Passos Coelho na última sexta que foram ampliadas ontem com a intervenção do Ministro das Finanças. Desde o anúncio do Primeiro Ministro a ferramenta que mais tenho usado para acompanhar o espirito dos portugueses tem sido mesmo o facebook, consigo ter acesso ao que pensam os amigos, os amigos dos amigos, os colegas, os conhecidos e até aqueles que longe do meu circulo se dedicam a escrever nas páginas públicas dos actuais membros do governo e o sentimento, genericamente falando, vai de mal a pior.

Usando a tal rede social tenho visto um pouco de tudo, desde o insulto ligeiro (que até será merecido vista a forma como os governantes nos insultam a inteligência todos os dias) aos apelos à violência passando por ameaças veladas de revolução ou até o simples activismo de sofá com frases como “Portugal está de luto”… o que tem a sua verdade. Pelo menos o sonho socialista morreu.

E o meu próprio estado de alma? É um misto de tristeza com um de justiça cumprida, afinal de contas o país não tem nada mais do que aquilo que merece.

Eu vejo os protestos contra a TSU mas vejo muito poucos a queixar-se que ela subiu para 36%. Só vejo choramingas a queixarem-se da repartição mais igual que há agora entre empregado e empregador e eu, meus amigos, tenho pouca paciência para isto. Eu não vi esta gente preocupada com a TSU quando “o grande capital” andava a pagar 23,75% de TSU do bolso deles asfixiando as empresas que lutaram para construir para encher os bolsos do Estado. Mais, vi alguns destes que agora reclamam os 18% de descontos a pedir (com sucesso) uma taxa especial para os ricos que a classe política teve o mau gosto de chamar “taxa de solidariedade”. Temos um país que, a pedido dos portugueses, tem uma taxa de IRS de 46%… e os meninos queixam-se de uma TSU de 18% ? Cry me a river. Diz o povo que “ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão” e por esse prisma a pena de PPC deve ser mais leve do que muitos julgam.

Estamos a falar de um país que elegeu o penultimo Primeiro Ministro com base num programa de governo que prometia o TGV entre outras loucuras financeiras. Isto não é brincadeira nem é passado longinquo. Isto aconteceu em Portugal apenas há 3 anos. Um país completamente alheado da realidade que o rodeava e por vontade própria, estas coisas não aconteceram sozinhas nem sem aviso prévio. Não há espelhos em casa dos portugueses? Mas nessa altura quem pagava a conta era os ricos, portanto estava tudo bem. Passam a vida a gritar contra “o grande capital” e agora admiram-se que não há capital para investir no país? Que as empresas fecham em vez de abrir? E querem resolver isso como? Com uma manif anti-troika? Mas anda tudo bêbado? Acham que sem a troika o dinheiro cai do céu?

Anda um clueless na televisão a dizer que estas medidas são a favor do capital (que vai levar com outros impostos e vai perder clientes) sem a mínima noção do que está a dizer e há um português que se lembra de abrir uma página de apoio para elevar este odio às empresas, de que o país precisa como de pão para a boca, a Primeiro Ministro? Estamos a falar da mesma pessoa que praticamente gozava o Medina Carreira quando este o avisava que o país estava falido. Perdeu tudo a cabeça?

Não, eu não consigo ter pena pena de Portugal. Fico triste por ver estes episódios mas pena não consigo ter. Um dia perguntaram a Francisco D’Anconia o que aconteceria ao mundo se continuasse na mesma trajectória de sempre e ele respondeu “Nada mais nem nada menos do que aquilo que o mundo merece”. E é esse o meu estado de alma, fiquem com o vosso que este país não tem emenda.

Afinal está explicado

Para quem não acreditava que as mexidas na TSU iam ser neutras:

Ao nível do IRC, serão introduzidas alterações para aumentar a base de incidência

Neutras para as empresas… está explicado o mistério. Agora falta explicar o que era aquela coisa de as empresas terem mais dinheiro para renegociação salarial.

A moralidade do Capitalismo

Quanto mais perto estamos do fundo mais fácil é perceber que o nosso principal problema não é económico mas moral. Foi a rejeição da moralidade (do que é correcto fazer e porquê) que nos conduziu à situação actual. O recente roubo anunciado por Passos Coelho é apenas mais um degrau descido no caminho nem diria para a imoralidade mas para a amoralidade. Na Grécia as coisas vão já mais avançadas como podemos ver nesta sondagem que coloca Comunistas e Nazistas, passe o pleonasmo, com 42% do total dos votos mostrando a velocidade com que a decadência moral está a atingir a Europa.

Se queremos recuperar a nossa prosperidade temos antes que tudo de recuperar os nossos valores. Porque o Capitalismo não é apenas o melhor sistema económico, é também o correcto.

Por falar em respeito ao tribunal constitucional

Just saying… recorrer à autoridade pública parece-me fora de questão.

PS: O artigo por si só até nem está mau, mas tendo em conta todo o contexto em que está inserido, ou seja a constituição da república socialista portuguesa, e se contarmos todos os direitos que nos são devidos pelo documento é de estranhar ainda não andarmos todos à chapada. Por exemplo se a saúde é um direito e quando vamos ao hospital nos metem numa lista de espera parece-me constitucionalmente viável espetar um banano no burocrata que gere a lista até ele nos colocar no topo da mesma para termos acesso à saúde constitucionalmente garantida.

Demasiado rebuscado? Talvez, mas é assim que o socialismo nos vira uns contra os outros. E ainda há tipos que dizem mal do comércio livre, cada um sabe de si mas eu gosto mais de dinheiro do que de pancada.

Desobediência civil

O assunto foi mencionado ontem mas vale a pena trazer de novo para a página principal. Ultrapassar esta medida do governo é possível, de forma legal (por enquanto) e não violenta e estará nas mãos de cada um de nós de avaliar os prós e os contras das soluções mencionadas e informar as entidades patronais das opções disponíveis não só para aumentar o rendimento líquido dos colaboradores mas mais importante que isso reduzir o saque fiscal que querem impor aos portugueses.

A primeira medida seria pedir uma redução do vencimento base bruto à entidade empregadora, como contra-partida negociar vencimentos variaveis atribuídos em ajudas de deslocação ou despesas de representação (we’re all salesmen now!). Apesar de estes rendimentos estarem sujeitos a pagamento de IRS estão isentos de SS e portanto passam ao lado das medidas ontem anunciadas. Poderá ser possível em alguns casos até levar mais para casa líquidos do que anteriormente.

Se anda frequentemente de carro em alternativa ao mencionado acima poderá tentar negociar um cartão GALP Frota ou similar. Mais uma vez pagamentos neste cartão estarão isentos de SS.

Outro subterfugio que muitos portugueses já conhecem é o cartão À la card. Este permite que a entidade empregadora aumente a quantia relacionada com os subsídios de almoço com um menor agravamento fiscal. Tem o inconveniente que o cartão só pode ser usado em restaurantes e supermercados.

Sim, é uma chatice mas fica mais dinheiro no nosso bolso e menos no do Estado.  É uma boa causa para nos chatearmos, fora isto resta só votar com os pés e procurar melhores paragens.

Não é mau, é péssimo!

Discordando de AAA:

1) Ao optar por aumentar os custos totais da SS para os portugueses o governo decidiu alienar toda a população. Se era certo que, viesse o que viesse, a esquerda iria sempre ficar descontente haveria certamente sectores da população (eu incluído) que até aceitariam uma medida destas se no global o peso do Estado fosse reduzido. Mantendo tudo igual ao que foi proposto mas com uma contribuição do empregador de 16% em vez dos 18% a carga geral da SS baixaria para os 34% em vez dos 34,75%. Era muito pouco mas era um sinal positivo, o facto de o governo não querer ou não conseguir fazer uma redução de 0,75% é grave. Mostra incompetência não só orçamental mas também política.

2) O governo na sua preocupação constante pelos mais desfavorecidos (a classe média que pague a crise porque ricos já não moram cá) parece querer que pessoas que não pagam IRS passem a receber IRS. Isto não é mau, é catastrófico. Foi aberta uma caixa de Pandora que só será fechada com a completa falência do Estado português. Se o CDS vai nisto imaginem o que fará com base neste principio uma coligação à esquerda.

3) Se a medida é particularmente positiva para as empresas em apuros e que necessitavam urgentemente de conseguir baixar salários por outro lado é particularmente negativa para as empresas de sectores específicos onde os colaboradores têm bons salários e boa posição negocial. Aqui corre-se o risco de ver a medida em todo o seu esplendor, tomando o exemplo de um colaborador que esteja a auferir 2000€ brutos (o que equivale a 1380€ líquidos) para que o que leva para casa se mantanha os custos do empregador subirão quase 10% o que não é propriamente pouco. Com um aumento destes o poder negocial do colaborador poderá não querer dizer nada e sem dúvida que teremos mais um incentivo à emigração com a perca fiscal que isso implica (além de que, sem estes colaboradores pode não fazer sentido a empresa original continuar a trabalhar e portanto aumentar o desemprego). Com ou sem curva de Laffer mais uma vez vamos assistir a um aumento de impostos que retorna menos receitas. O que fazia falta era realmente liberalizar o mercado de trabalho e não o chico-espertismo apresentado.

4) A nível de despesa continuamos na mesma. Não se resolveu nada nem se mostrou vontade de resolver. Só por isso o país está condenado.

Anedotas (2)

O líder parlamentar do CDS entende que o anúncio feito esta sexta-feira por Passos Coelho não pode ser considerado um aumento de impostos.

Vocês querem ver que Passos Coelho anunciou o opt-out da Segurança Social e eu não dei por nada? Alguém tem o video?

Anedotas

1) O Primeiro Ministro anuncia que conseguiu evitar um aumento generalizado dos impostos ao mesmo tempo avisa que vai haver um aumento generalizado dos descontos para a SS para 36%

2) Antes de nos impingir aumentos nos descontos obrigatórios para o Estado faz questão de nos lembrar que os portugueses são um povo livre.

Livre de emigrar só pode. Vá gozar com o Totta.

Claro que é preciso mais impostos (2)

Boa. 5 milhões de corte. Já só faltam 1995 milhões para compensar o corte de subsídios. – João Miranda

E é este o estado de espírito também da classe governante. “São 5 milhões, são trocos. Nem vale a pena pensar mais nisso.” Pois são 5 milhões mas podiam ser 5 euros, um governo eleito numa plataforma de corte de despesa não pode andar a pedir sacrificios constantes aos portugueses enquanto manda notas de 5 para o lixo e a única desculpa que tem para apresentar é que não são notas de 500.

E não se pode fazer nada porque o país está cheio de vacas sagradas. Não se pode cortar no ministério da cultura porque um país falido tem o dever de subsidiar salas de teatro vazias. Não se pode cortar o RSI porque vem o caos (como é que nós conseguiamos viver sem o RSI antes de Guterres?!?). Não se pode cortar no ensino superior porque os estudantes têm o direito a perder 4 anos em cursos de desemprego. Não se pode cortar na administração interna porque depois ninguém protege os governantes dos estabefes que os portugueses lhes querem dar.

Realmente o João Miranda tem razão… se este governo é incapaz de cortar no que quer que seja para que é que nos vamos chatear com mais 5 milhões? Os parvos que trabalhem para pagar a conta.

PS: Qual é a estratégia do PSD para as próximas eleições? É pedir uma maioria de 2/3 e explicar aos portugueses que estavam cheios de vontade de cortar em tudo mas o TC foi mauzinho e  não deixou? É capaz de não correr bem.

Cenas…

Eu sei que isto não tem nada a ver com o que se passa em Portugal actualmente, mas por obra do destino dei com isto e achei que poderíamos iniciar em Portugal uma discussão sobre o tema:

Civil disobedience is the active, professed refusal to obey certain laws, demands, and commands of a government, or of an occupying international power. Civil disobedience is commonly, though not always, defined as being nonviolent resistance. It is one form of civil resistance.

Eu sei que os caros leitores são pessoas ocupadas, mas depois de saírem dos empregos, lá para as 19h15, podíamos começar a falar nisto.

Sobre a Grécia

1) Desemprego recorde de 24.4% na Grécia

2) Policias contra policias em manifestações gregas

Obviamente existe um mau estar nas forças de segurança grega por estas estarem a controlar os próprios colegas de trabalho, uma situação que aliás não será estranha aos portugueses. Acontece que por lá a situação pode muito depressa ficar fora de controlo, não será descabido que se o descontentamento continuar a subir entre as forças policiais que tenha de ser mesmo as forças militares (para já isentas dos cortes) a terem que fornecer segurança. Daí a um golpe militar na Grécia com o desenrolar dos acontecimentos não será preciso grande imaginação.

A questão que se coloca é pois até onde é que a UE vai deixar isto escalar até permitirem que a Grécia entre em default, saia do Euro e arrume a casa? É que há certas coisas que depois de feitas não voltam atrás.

Os meus 0.02€

Perdoem-me qualquer falta de bagagem para me estar a meter aqui nesta discussão mas não consigo deixar de partilhar a minha visão pragmática sobre o assunto (e até um pouco de advogado do diabo).

1)       A Europa é um continente com uma ampla e rica história. Serão inúmeros os episódios em que os povos europeus entraram em contacto com os outros, seja através desde o comércio mediterrânico, às incursões militares por todo o globo um pouco passando pelas descobertas desde o Novo Mundo à Asia e claro não deixando passar as recorrentes vagas migratórias com origem na Europa. Tem portanto a Europa uma longa tradição de contacto com outras culturas, esta tradição é tão longa que eu interrogo-me se não fará parte da própria cultura europeia a integração e assimilação que faz das restantes culturas com que entra em contacto.

2)      A forma como cumprimentamos alguém mostra de facto uma relação de poder e por isso trazer para aqui casos de como as coisas se passam na esfera privada terão se calhar uma relevância menor ao que é sugerido. Se um empresário português quer fazer um negócio com um chinês é natural que se desloque à China e que respeite os costumes de lá se quiser que o negócio chegue bom porto, é até provável que o chinês tenha 300 potenciais parceiros ocidentais que possa escolher e que se possa dar ao luxo de os escolher através de critérios como a forma que alguém segura na chávena de chá, já o ocidental não se pode dar a esse luxo e é portanto normal que se preocupe com os detalhes da chávena. Mas certamente se encontrarão casos em que será o ocidental que está em posição de superioridade negocial e que se vê outras culturas a tentarem agradar à nossa na perspectiva de conduzir os negócios de forma favorável.

3)      No caso concreto dos jogos olímpicos trata-se de uma festa internacional em que se está a fazer uma tempestade num copo de água e a fazer comparações desproporcionadas (e.g. referir apedrejamentos públicos). Que eu saiba não foi violada nem ameaçada a integridade física ou propriedade privada de ninguém neste episódio. E como não faço questão de ver homens a beijarem-se quando o Dubai organizar uns olímpicos até agradeço a forma como o episódio foi conduzido com bom senso de ambas as partes.

Uma boa história

Uma história de capitalismo a vários níveis. De perseverança, de fazermos algo por nós próprios, de aforrar, de investir, de trabalhar, de tomar decisões difíceis e responsabilizarmo-nos por elas… enfim, de tomar o touro pelos cornos. E para lá disto tudo a importância do modelo que permitiu catapultar a LEGO para o sucesso: deixar de tratar os clientes como simples imbecis e dar-lhes as ferramentas para construírem os seus próprios brinquedos alimentando a sua criatividade apostando no que as pessoas têm de melhor. Se fosse um estatista provavelmente ainda hoje teríamos todos que brincar com os patos de madeira para que aqueles que conseguem fazer coisas brilhantes com LEGO não estigmatizassem as crianças de menor imaginação.

Via A arte da fuga.

Segurança Social… o que é isso?

 Entre as variadas críticas que o meu recente texto (inserido na parceria DE / Insurgente) a mais comum parece ter sido o facto de eu ter inserido o subsídio de desemprego como qualquer normal subsídio. A raiz desta crítica parece originar no facto de as pessoas considerarem que a Segurança Social é uma espécie de sistema de poupança gerido pelo Estado, onde cada cidadão terá algo semelhante a uma conta corrente para onde desconta e à qual acede quando necessita (e.g. desemprego, doença ou reforma) e que portanto, quando recorre ao dito subsídio de desemprego não está a fazer mais do que a utilizar o dinheiro que previamente descontou. Esta teoria presumivelmente virá do facto que certos pagamentos feitos pela segurança social (como desemprego e reforma) estão indexados, de uma forma ou outra, aos descontos efectuados durante um determinado período de tempo. É uma teoria interessante e a Segurança Social nem seria tão má se fosse isto que acontecesse (pelo menos o risco de ruína da SS seria largamente reduzido) mas a teoria não vai de encontro aos factos.

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Curva de Laffer – ponto M

O sucessivo aumento da carga fiscal promovido pelos ultra-hiper-neo-liberais que actualmente ocupam o Governo aliado a uma evolução da receita fiscal desapontante trouxeram para o debate a curva de Laffer (explicada aqui). Na altura em que o André colocou estes videos julgava eu que tinha percebido os pontos principais na curva de Laffer ilustrados nos gráficos apresentados nesse video. Acontece que, pouco depois de ter visto esta apresentação, o ultra-hiper-neo-liberal Pedro Passos Coelho por se ver incapaz de reduzir a despesa do Estado ameaçou criar um imposto adicional sobre 2/14 do rendimento anual dos portugueses.

Compreendi então nessa altura que o ponto C na curva de Laffer apresentada (onde o imposto equivale a 100% do que se produz) é irrelevante uma vez que algures entre os pontos B (equivalente à maximização da receita fiscal) e C existe o ponto M. Não conhecem o ponto M? Bom… o ponto M é aquele ponto da curva de Laffer em que os súbditos da nação, fartos da roubalheira, decidem dizer “basta” e mandar o Estado à M(****). Quando se chega a este ponto (o M) os dados históricos apontam para uma descida acentuada na produtividade do sector privado que é no entanto compensada por um aumento significativo da criatividade dos contribuintes que, de um momento para o outro, decidem adicionar às manifestações adereços como alcatrão, penas e até uma guilhotina ou outra. Uma característica muito importante das manifestações pós ponto M é que os contribuintes fazem questão que esteja sempre presente pelo menos um membro do Governo para que eles possam exprimir toda a sua criatividade.

Sem dúvida os próximos tempos parecem ser de extrema importância para os economistas que terão por esta europa fora recheada de governos ultra-hiper-mega-neo-liberais oportunidades distintas para verem as políticas socialistas neo-liberais a originarem [pontos] M por todo o lado.

Coisas que não têm nada a ver com a situação actual

Andava eu a procurar um artigo na internet quando me deparei com esta citação de The German in America (1851):

”The German emigrant comes into a country free from the despotism, privileged orders and monopolies, intolerable taxes, and constraints in matters of belief and conscience. Everyone can travel and settle wherever he pleases. No passport is demanded, no police mingles in his affairs or hinders his movements […] nor are there nobility, privileged orders, or standing armies to weaken the physical and moral power of the people, nor are there swarms of public functionaries to devour in idleness credit for. “

O que mudou nestes 150 anos? Deste lado do Atlãntico nada. Do outro? Tudo.

A questão que se impõe

Ainda sobre este artigo do WSJ e de esta pequena parte:

Alexis Tsipras, has suggested hiring 150,000 more people in the civil service as a way of reducing Greek unemployment.

A questão que se impõe é obviamente “quanto é que pagam?”. Presumo que não estejam a pensar oferecer ordenados mixurucas de 500 ou 600 euros que a classe trabalhadora não anda virada para esmolas, por esse preço naqueles lados mais vale apostar numa carreira em partir montras. Portanto, cheguem-se à frente com os números que eu ando desejoso de adicionar uma experiência internacional ao meu CV.