O Insurgente

Fevereiro 10, 2012

As datas, as datas

Filed under: Media — Maria João Marques @ 14:15

A Sábado – que, refira-se, é dos poucos jornais/revistas que compro regularmente – há uns tempos fez um trabalho divertido sobre a (falta de) cultura geral de universitários. Por isso, talvez fosse bom que os seus jornalistas não fizessem confusões básicas como, por exemplo, esta entre Segunda Guerra Mundial e Grande Guerra ou Primeira Guerra Mundial. Um regimento que ficou soterrado em 1918 não pode ser de «de soldados da infantaria de um regimento alemão, que exerceu serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial» (com as várias mudanças de regime na Alemanha de entre guerras, e as consequentes alterações militares, nem se podem desculpar com a continuidade dos regimentos de uma guerra para outra). E qualquer pessoa com um mínimo de cultura geral sabe de cor as datas das guerras mundiais, ou não?

P.S.- O lapso, entretanto, foi corrigido.

Janeiro 27, 2012

Profissão? Sindicalista

Filed under: Economia,Política,Portugal — Maria João Marques @ 12:15

Hoje de manhã na SICN, durante uns directos para o congresso da CGTP, a repórter em conversa com um dos delegados ao congresso perguntou-lhe a profissão; a resposta: sou sindicalista da área metalúrgica. Seria interessante sabermos quantos dos delegados ao congresso da CGTP e quantos dos quadros dirigentes da CGTP têm como profissão o sindicalismo. Daria talvez para entender quão afastadas aquelas pessoas estão das empresas e até da função pública e quanto da sua actividade tem apenas como objectivo preservar o seu poder e o seu modo de vida.

Outro dos delegados que se ouviu na SICN dizia que Arménio Carlos, o senhor que se segue, conseguirá conter as opiniões radicais que sempre se fazem ouvir. No momento pensei que o radicalismo referido seria de grupos da esquerda proponentes de sequestros de patrões ou acções semelhantes, mas após ler este artigo, questiono-me se para o senhor ouvido os radicais (talvez de extrema-direita, tal o ambiente anacrónico) não seriam os elementos um tudo-nada mais moderados da CGTP.

Em todo o caso, parece que a CGTP, que já era com Carvalho da Silva uma das organizações mais reaccionárias e imobilistas do país, vai endurecer sob Arménio Carlos. O que pode revelar-se bom: o comunismo, quando se torna mais transparente, não costuma ser apetecível.

Janeiro 25, 2012

Uma esperança

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 14:55

Com este lamentável caso da RDP, talvez a esquerda – aquela para quem um pm gritar telefonicamente com os jornalistas é sinal de boa relação, os assessores do pm que ditam notícias futuras a jornalistas só estão a fazer o seu trabalho, e quando um pm insulta um jornalista audivelmente num restaurante muito frequentado ficam incomodados se tal se noticia porque foi uma conversa privada do pm, e …, e… – perceba que é melhor privatizar a comunicação social pública do que tê-la instrumentalizada por um governo à direita do PS. É que há instrumentalizações e instrumentalizações.

Janeiro 20, 2012

Socráticos atacam de novo

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 12:46

Neste envio para o tribunal constitucional do OE 2012 por uma associação nada fortuita de deputados do BE com os socráticos indefectíveis do PS, há duas questões que me parecem muito graves. A primeira é simples e evidente: a pandilha socrática do PS continua na sua senda para destruir o que consegue do país.

A segunda é de outra natureza e prende-se com a absoluta incapacidade de aqueles, ou alguns daqueles, deputados desempenharem o cargo que ocupam. Tenho lido e ouvido António Barreto afirmar que os socialistas, apesar de não o reconhecerem publicamente, em surdina sabem o que fizeram ao país. Ora eu desconfio, e lendo por exemplo esta entrevista a Isabel Moreira - do grupo referido no parágrafo acima – fico com a certeza que este espírito crítico e esta clarividência (mesmo se baixinho) referida por Barreto é inexistente. Vejamos: além da admiração desmedida por Sócrates, a senhora considera que este ‘herdou um défice descomunal de uma direita que o criou sem crise internacional’ e que Sócrates  ’Em dois anos reduziu esse défice para valores à volta de 3 por cento’.

E aqui é necessário pararmos e, antes de levantarmos as mãos à cabeça com tanta incredulidade, dar umas lições a Isabel Moreira, que demonstra uma abissal ignorância sobre orçamentos anteriores e défices que a tornam incapaz de participar em qualquer votação sobre contas públicas. É que o ‘défice descomunal’ que Sócrates herdou foi, como todos sabem, uma construção teórica de Constâncio para dar legitimidade às políticas despesistas mascaradas de ajustamento orçamental do governo Sócrates. Esse défice descomunal que refere Moreira não existiu.

E mais, e isto é algo que temos de repetir até à exaustão para desmistificar as ideias falsas que são transmitidas, ou por ignorância ou com má intenção, sobre os méritos orçamentais de Sócrates. Sócrates não reduziu défices coisa nenhuma: Sócrates extorquiu dinheiro aos portugueses em quantidades crescentes que lhe permitiram aumentar a despesa pública em termos absolutos todos os anos mesmo depois de descontada a inflação. Em suma: os contribuintes reduziram o défice; José Sócrates foi um perdulário irresponsável que gastou até o que os contribuintes não tinham.

E a quem não percebe estas realidades não se deve dizer que não deve enviar o OE para o tribunal constitucional, deve-se aconselhar a faltar em todas as votações referentes ao orçamento, uma vez que manifestamente não entende aquilo que estão a votar. Ou, melhor ainda e dada a importância dos dinheiros públicos em qualquer legislação, a renunciar ao cargo.

Janeiro 18, 2012

Socialismo: I´ve got you under my skin

Filed under: Cultura,Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 12:41

Nesta lei anti-pirataria, o que me impressiona é como todos os partidos presentes na AR de imediato aderem a uma qualquer proposta alucinada, de proveniência que deveria merecer todas as cautelas (a ex-ministra Gabriela Canavilhas), desde que essa proposta vise extorquir dinheiro – como bem lhe chama o Nuno Gouveia - aos consumidores para o transferir para essa categoria etérea que são os artistas que, como toda a gente refinada sabe, têm direito a serem sustentados pelos outros, incluindo os outros que não suportam as suas produções artísticas (lembram-se das casas com renda de saldos da Câmara Municipal de Lisboa?). Como é possível que haja adesão imediata a uma proposta absurda como esta?

E ainda me impressiono com mais: todos os grupos parlamentares – compostos por esses seres impolutos e altruístas e inteiramente devotados ao bem-comum, por oposição aos mortais menores que apenas tratam das suas ‘vidinhas’ (recordemos as intoleráveis palavras de Assunção Esteves) - não se coíbem de tratar todos os portugueses como potenciais delinquentes, ao assumir que quem vai comprar um meio de guardar informação o vai usar para copiar ficheiros que deveriam pagar direitos de autor. Não haverá nenhuma protecção constitucional contra isto?

Bem, tomemos o sucedido como um devaneio juvenil e esperemos que a maioria parlamentar ganhe juízo e chumbe uma proposta que nem merecia o tempo que se gastou a discuti-la.

Dezembro 20, 2011

A Causa Real tem aqui um filão de membros

Filed under: Internacional — Maria João Marques @ 12:24

Olhando para o apreço que o PCP mostra pelo regime norte-coreano (que, recorde-se, não têm a certeza que não seja uma democracia) temos de concluir que aqueles comunistas empedernidos são uns valentes defensores dos regimes sucessórios mais vulgarmente conhecidos por monarquias.

Dezembro 12, 2011

A pergunta que se coloca: por que razão absurda a actual coligação ainda não despediu o director da ASAE?! Já estão uns meses atrasados.

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Portugal — Maria João Marques @ 16:12

No mundo idealizado a régua e esquadro pelas mentes totalitárias que criaram e sustentam a ASAE, claro que as pessoas não podem dançar num bar. Em boa verdade, deveria haver em cada bar um agente da ASAE verificando se algum cliente tem a ousadia de abanar em excesso os quadris ao ritmo da música, mexer os pés mais do que num leve e discreto bater ritmado de pés ou mover a cabeça para além do que facilita a conversa com os seus companheiros. Toda a gente se lembra dos bares da Expo 92 de Sevilha ou a Expo 98 em Lisboa, onde havia um bares onde selvagens – de facto esses bares tinham alguma coisa a ver com animais presentes nos antípodas – dançavam em cima das mesas, mas isso foi antes do advento da civilização que chegou à Península Ibérica com a dupla Sócrates e Zapatero.

Faz, assim, todo o sentido, que o propritário de um bar onde as pessoas teimam em dançar e onde os empregagados do bar não os despejam na rua devido a esses comportamentos indignos seja preso vez atrás de vez. Em boa verdade, só a veleidade de abrir um restaurante/bar num país onde o iluminado António Nunes afirmava que metade dos restaurantes já existentes devia fechar faz Olivier merecer as masmorras.

Mas é de gente como António Nunes que o país precisa. Gente cujo o sonho é fechar metade dos restaurantes do país. Gente que se orgulha pela aplicação de multas de quatro mil euros a uma loja pelo facto – que não causou transtorno a ninguém nem fez perder dinheiro a ninguém, mas que interessa isso? o que é importante é cumprir escrupulosamente uma lei, mesmo que seja estúpida e inútil – de não ter os preços dos produtos visíveis numa montra. Gente, desta vez como Sá Fernades que atormenta as populações para os lados de Lisboa, que se aborrece se um restaurante no Campo Pequeno tem demasiado sucesso com a sua esplanada e as protecções contra o vento que coloca e manda retirar as tais protecções contra o vento, levando ao encerramento do restaurante por fúria do proprietário; é que, diz Sá Fernandes, as esplanadas não estão legais – porque há um imbróglio legal que não se consegue resolver.

No momento de crise económica que atravessamos, é o momento para darmos valor a gente como Sá Fernandes e António Nunes, que têm a coragem de perseguir quem ainda investe, quem ainda resiste à crise, quem ainda cria alguma riqueza. O facto destas pessoas sem vergonha de caminho darem emprego a outras e ainda pagarem uns impostos (realidades boas, ao invés da desvergonha de, por exemplo, ter lucros) não deve fazer esquecer o desígnio último de adequar, à força se necessário e espalhando pobreza se tiver que ser, a realidade ao tal mundo desenhado a regra e esquadro.

Dezembro 2, 2011

Afinal o dilúvio foi adiado

Filed under: Ambiente — Maria João Marques @ 16:05

«This week’s Spectator cover star Nils-Axel Mörner brings some good news to a world otherwise mired in misery: sea levels are not rising dangerously – and haven’t been for at least 300 years. To many readers this may come as a surprise. After all, are not rising sea levels – caused, we are given to understand, by melting glaciers and shrinking polar ice – one of the main planks of the IPCC’s argument that we need to act now to ‘combat climate change’?

But where the IPCC’s sea level figures are based on computer ‘projections’, questionable measurements and arbitrary adjustments, Mörner’s are based on extensive field observations. His most recent trip to Goa in India last month – just like his previous expeditions to Bangladesh and the Maldives – has only served to confirm his long-held view that reports of the world’s imminent inundation have been greatly exaggerated for ends that have more to do with political activism than science.» Spectator.

Novembro 28, 2011

Pronto, socialistas do país – incluindo vários do PSD – estão felizes: conseguiram atenuar a poupança com a despesa pública e, em vez disso, subir mais uns impostos – e subir impostos sobre o malvado capital!

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 14:41

O PSD e CDS defendem um aumento de 4,5 pontos percentuais para a taxa de imposto sobre juros, dividendos e mais-valias, até 25%. Esta medida visa compensar o aumento implícito da despesa na proposta que hoje a maioria anunciou, também no Parlamento, que prevê que os cortes de subsídios só se apliquem nos salários acima de 600 euros e que a perda dos dois subsídios só ocorra para os pensionistas e funcionários públicos que recebam mais de 1.100 euros.

Novembro 25, 2011

Uma resposta do Duarte Marques e da Ana Margarida Craveiro às mais recentes tolices da cruz permanente de quem lê jornais ou ouve rádio: Mário Soares

Filed under: Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 16:33

“Na nossa opinião o vosso manifesto chega bastante atrasado. Por isso, perguntamos hoje onde estavam V. Exas nos últimos anos, quando o endividamento aumentava apesar de a nossa economia estar estagnada. Onde estavam quando  o nosso país se assumia como o campeão da desigualdade e último classificado na mobilidade social? Onde estavam quando o crescimento económico de Portugal estagnou, mas os investimentos megalómanos não paravam de aumentar? Onde estavam quando se assinaram contratos ruinosos que endividaram  as gerações futuras dos próximos 50 anos? Onde estavam quando a nossa dívida  líquida externa se tornou a maior do mundo inteiro?”, no ABC do PPM.

34 mil milhões – párem tudo!

Filed under: Economia,Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 15:25

Antes que os jornalistas e comentadores comecem a ficar (ou, mais correctamente, antes que fiquem ainda mais) excitados com o montante de juros que se vai pagar à UE e ao FMI – quanto aos políticos do BE e do PCP, they´re round the bend e nada mais se pode fazer – talvez fosse recordar a jornalistas e comentadores uns tantos factos: 1) o dinheiro que se vai pagar em juros não podia ser gasto em absolutamente mais nada (escolas públicas ou mais uma autoestradazita, tanto faz), já que sem o dinheiro do empréstimo que dá origem aos juros já teríamos o estado encerrado sem pagar ordenados aos que nele trabalham; 2) se não pagássemos juros à UE e ao FMI, teríamos sempre que os pagar a quem nos compra os títulos da dívida pública, e talvez ainda se consigam recordar (não foi há muito tempo) que os juros que aceitávamos pagar nos leilões de dívida eram consideravelmente superiores a 4% e 5%; 3) quem negociou o empréstimo foi o PS, não o actual governo; 4) tanto PCP como BE sempre foram defensores de políticas orçamentais desregradas, nunca se revelaram preocupados com o nível de endividamento, defendem políticas que exponenciariam esse endividamento, pelo que talvez confrontá-los com o seu gosto com a emissão de dívida pública e respectivo pagamento de juros não fosse descabido num jornalista.

Novembro 11, 2011

Quanto a ser uma óptima companhia para uma festa é que tenho as minhas dúvidas; os egos insuflados nem em festas são boa companhia

Filed under: Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 16:35

«Esta citação de Mário Soares é um retrato mais ou menos perfeito da táctica de Soares: ele que com a sua falta de preparação e sobretudo muita leviandade foi um dos responsáveis por aquilo que após o 25 de Abril sucedeu em Timor ( e também em Moçambique e Angola)  vem agora apresentar-se como um paladino da luta pelos direitos dos timorenses. Mas não só. Mário Soares continua a não perdoar a Cavaco que este seja PR e por isso quando diz que não quer citar nomes quer na verdade chegar a Cavaco. Mas agora com a arca de Pandora dos anos 70 aberta e com o fim do anátema do reaccionarismo que caía sobre todo aquele que questionasse a “descolonização exemplar” se se começam a citar nomes o de Soares virá inevitavelmente à baila. E não por boas razões. Em primeiro lugar porque teve nesse processo uma das mais medíocres prestações de um político português desde a fundação da nacionalidade – o que espanta não é o que Soares fez mas sim precisamente o que ele não foi capaz de fazer – e sobretudo porque o Soares “animal político” revela-se com uma animal tenaz na hora de se salvar a si mesmo e de uma irresponsabilidade total quando se trata dos outros. »

Helena Matos

Eu sei que Mário Soares é o portador do mandato celeste para muita gente por cá, mas é outro caso em que não entendo o interesse pelas palavras que profere. O senhor pode ter tido o seu papel há trintae tal  anos, mas desde que me recordo – e já me recordo de meados da década de oitenta – o senhor só teve prestações lastimáveis, cujo interesse último foram reforçar o seu ego e a sua vaidade. O que tem escrito e dito nos últimos anos é confrangedoramente medíocre. É deixar o senhor fazer figuras tristes só no seio da família, meus caros senhores dos media.

Insulto da estação pública às vítimas das FP-25

Filed under: Media,Portugal — Maria João Marques @ 14:10

Está muita gente chocada com as declarações de Otelo Saraiva de Carvalho. Não entendo por que razão. De um indivíduo que colaborou no fim de uma ditadura não por amor à democracia ou à liberdade mas por apego à violência (que, como se verifica, não se esbateu com a idade) e a outro tipo de ditadura, e que depois disso liderou uma organização terrorista que matou gente inocente (incluindo um bebé), o que se pode esperar? De uma criatura deste calibre apelos ao ódio e à violência não chocam.

O que me choca é uma questão prévia às palavras desta pessoa. O que me choca é que esta criatura, apesar de indultada e amnistiada em decisões vergonhosas de Mário Soares e da esquerda parlamentar, haja sido promovida e aumentada pelos governos sócrates e ainda tenha meios de comunicação social que o entrevistam – o mesmo é dizer que têm curiosidade em conhecer (e pressupõem que o público a partilha) as opiniões de um membro de uma organização que matou gente inocente. Pior: foi a televisão pública, usando o dinheiro dos contribuintes, incluindo dos familiares dos que morreram, que entrevistou a criatura. O que, de resto, parece ser um hábito nas estações públicas. O que me choca, enfim, é vivermos numa sociedade que premeia e promove otelos, bem como os insultos repetidos e orgulhosos à memória das vítimas.

Correcção: a entrevista não foi feita inicialmente pela RTP mas pela Lusa. O que vai dar ao mesmo.

Novembro 3, 2011

Incendiários de todo o mundo, uni-vos

Filed under: Economia,Internacional,Política Monetária,União Europeia — Maria João Marques @ 14:58

Evidentemente que os gregos devem poder decidir o seu próprio destino e, no caso, decidir se a austeridade será feita de uma forma apesar de tudo mais suave ao longo de muitos anos (e aceitam as imposições da UE) ou se preferem uma quebra abrupta seguida de um período de crescimento que proporcionará, também durante muitos anos, um nível de vida muito abaixo do actual e até do que trará a austeridade patrocinada pela UE (saem do Euro, portanto). Os gregos decidem o que querem sobre o seu destino; se assim o entenderem, podem até tentar abolir de todo a moeda e basear a sua economia na troca directa. E eu até entendo que os gregos se queiram livrar de um primeiro-ministro como Papandreus, sentimento que eu, de resto, partilhava há bem poucos meses quando tínhamos também um incendiário a liderar o nosso governo (lembram-se da quantidade de vezes que Sócrates ameaçou demitir-se?).

No entanto, tal como de um indivíduo que deliberadamente falha a sua parte num contrato onde livremente entrou não se pode dizer que esteja a exercer a sua liberdade, mas sim que tem falta de carácter e de respeito pela palavra dada, também de um país (ou de um pm) que numa semana assina livremente um acordo com os seus aliados (políticos, económicos,…) e na semana seguinte anuncia que afinal não sabe se o acordo é para cumprir, que logo se vê como calha o referendo, não se pode dizer que seja um exercício de soberania, antes sim um ‘acto de deslealdade’, um acto de má-fé, um acto de um jogador desesperado e sem escrúpulos que não teme ameaçar fazer colapsar os restantes membros da UE – sobre os quais os gregos já não têm nada que decidir – para evitar perecer politicamente (às mãos dos militares, da oposição, do PASOK, tanto se me dá). Sendo que, provavelmente e porque o jogo não vingou e a UE marcou bem que não seria refém da chantagem grega, de facto perecerá.

A falta de vergonha de Papandreus (acompanhado por uma percentagem indefinida de ministros) deveria dar uma lição àqueles que durante meses clamaram pela culpa dos mercados e dos especuladores nestas crises das dívidas soberanas. Talvez (mas duvido) consigam perceber que as dívidas públicas pagam (ou prometem pagar) juros insustentáveis porque o pagamento dos juros e dos títulos da dívida está nas mãos de gente irresponsável e leviana e pouco confiável como Papandreus.

Uma nota final. Por cá, tal como na Grécia, há quem tudo faça para gerar contestação nas ruas e lançar a confusão política: PCP, BE e franjas do PS. Convém não esquecermos que, fora países conquistados, o comunismo impôs-se apenas em épocas de caos. E se pensam que as ambições de poder (totalitário) do PCP e do BE são idiossincrasias destes partidos que não há necessidade de levar a sério, aconselham-se umas leituras ao Avante e ao site do BE para se avaliar o grau de alienação que ainda persiste por aqueles lados. Assim, eu não sou propensa a dar conselhos, mas estamos no fio da navalha e recomendo a quem seja mais moderado que não se entusiasme com o fim do euro, pelo menos agora, mesmo que venha guerra e pestilência, só porque o euro foi, de facto, uma construção anti-democrática de iluminados que se deveriam ter dedicado, para bem dos europeus, a cultivar abóboras (e para consumo restrito das suas famílias).

Outubro 19, 2011

O mundo ao contrário

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 21:47

Um ex-ministro de Guterres propõe um corte no IRC. Um ex-ministro de uma coligação PSD-CDS propõe o aumento do IVA (ainda mais?!!!) para bens de luxo.

Se nós tivéssemos para inovar e produzir a imaginação que os nossos governantes e eleitos possuem para inventar aumentos de impostos, seríamos o país mais rico do mundo.

Outubro 13, 2011

É preciso paciência, muita paciência…

Filed under: Media,Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 22:40

Na TVI24 Constança Cunha e Sá reclamava pelo corte dos subsídios de férias e de Natal também no sector privado. Pedro Santos Guerreiro lá lhe explicou que ‘cortar’ os subsídios de Natal e de férias dos privados seria um aumento da receita, enquanto que cortar os subsídios de Natal e de férias dos funcionários públicos é uma diminuição da despesa, precisamente aquilo que toda a gente tem exigido que se faça. E sejamos claros: enquanto não se enfrentar a questão do número estratosférico de funcionários públicos que o país tem, bem como avaliar a pertinência de serviços e institutos a que muitos estão afectos (que, tantas vezes, são ou redundantes ou mesmo parasitários da economia e, sempre, perdulários), reduzir o rendimento de todos é a opção que resta.

E, inacreditavelmente, continuam a não entender

Filed under: Economia,Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 21:45

Nestas alturas de anúncios de novas medidas de austeridade, há sempre um sururu na comunicação social sobre a necessidade de se ‘investir no crescimento económico’. Ainda não entenderam que foi tanto investimento no crescimento económico – à mistura com o investimento no crescimento da Mota-Engil, da JP Sá Couto e outras – que escaqueirou a economia e nos fez, nos últimos dez anos, termos estado estagnados ou em recessão. Eu imaginava que com tão brilhantes resultados já se tivesse conseguido avaliar a bondade do ‘investimento no crescimento económico’. Contudo estava enganada.

Zorrinho, himself

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 21:34

Ouvi há pouco o senhor Zorrinho comentar a proposta de OE para 2012. Dizia – e não se riu nem corou de vergonha – que depois dos efeitos da situação internacional, as medidas deste governo têm sido muito nocivas para o país.

José Sócrates não existiu. E a vergonha na cara nos socialistas também não e promete continuar a não existir.

Outubro 7, 2011

Um socialista passista para a ERC

Filed under: Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 14:25

Carlos Magno representa o pior da comunicação social portuguesa: moralista; de discurso redondo e vazio a fingir que é inteligente; defensor de todos os clichés socializantes apresentando-se como pensador original; enamorado ostensivo, a seu tempo, do guterrismo, socratismo e, agora, passismo; debitando sentenças do seu pedestal sobre um mundo que evidentemente já não entende; promotor de todas as políticas que nos atolaram em dívida e em pobreza e inimigo daquelas que nos tentaram afastar desse pathos. Ora Carlos Magno foi convidado pessoalmente por Passos Coelho para presidente da ERC. Carlos Magno é, de facto, a escolha ideal para esse monstro proto-totalitário que é a ERC. E a escolha ideal do passismo. Que, não se esqueçam, é ultraliberal.

Outubro 4, 2011

Este senhor foi eleito pela CGTP?

Filed under: Portugal,Saúde — Maria João Marques @ 09:48

Raras vezes se lê uma proposta tão imbecil sobre as relações entre empregados e empregadores, um campo onde abundam propostas imbecis. Mas o bastonário da ordem dos médicos esmerou-se: considera que para justificar uma falta por doença um trabalhador deve apenas necessitar de informar ter estado doente. Presumo que por uma questão de protecção da privacidade nem se obrigasse o trabalhador a revelar que tipo de doença. Não se está mesmo a ver que esta justificação seria utilizada com a máxima parcimónia e apenas nos casos de efectiva doença? É que o senhor bastonário considera muito eficaz responsabilizar os trabalhadores e se a penalização por mau uso da justificação for grande, há desincentivo ao seu abuso. Fica por esclarecer como se provaria o abuso: o empregador enviaria um esquadrão de médicos a casa do empregado para lhe arrombar a porta e verificar se o empregado está de facto doente? E os empregados que vale a pena responsabilizar são, por exemplo, os empregados das grandes cadeias de distribuição, sendo o roubo interno nesta organizações a maior parcela dos roubos ocorridos? Mas não se preocupem: com esta proposta incentiva-se a aldrabice laboral, promove-se a falta de assiduidade, criam-se novos constrangimentos para as empresas (num contexto que já contém um ou outro), mas seria tudo feito para tirar pressão aos médicos do SNS. O que, afinal, é ou não O grande desígnio nacional?

Setembro 30, 2011

Será esta a génese do nosso gosto masoquista por pagar impostos, e quanto mais os aumentarem mais gostamos do governo?

Filed under: Política Fiscal,Saúde — Maria João Marques @ 12:33

«Portugal é o país da Europa com maior taxa de depressão e o segundo maior do mundo, mas estima-se que um terço das pessoas com perturbações mentais graves não esteja tratada.

Segundo os dados revelados à Lusa pelo coordenador português da Aliança Europeia Contra a Depressão, o psiquiatra Ricardo Gusmão, os Estados Unidos é o único país que fica à frente de Portugal em taxa de depressão e perturbações mentais no geral.

«Parece que a conhecida melancolia portuguesa tem uma tradução psiquiátrica», reconhece Ricardo Gusmão.»

Nos Estados Unidos o tipo de doença do cérebro é certamente diferente e menos maligna, já que o amor aos impostos é bastante menos pronunciado.

Setembro 17, 2011

O passo seguinte: sermos multados se numa operação stop não apresentarmos os recibos de todos os objectos que viajam no carro e nos ocupantes do carro. E talvez criar uma base de dados com os gostos sartoriais e musicais de cada um, para averiguar futuras inconsistências suspeitas.

Filed under: Justiça,Portugal — Maria João Marques @ 17:17

«O que diz a Focus? Que em veículos particulares mandados parar em operações-stop da GNR, neste caso na A1, os seus ocupantes não foram só sujeitos aos habituais testes de alcoolemia, mas interrogados sobre que CD tinham no carro, tendo o leitor de CD sido sujeito a uma “busca”. Depois disso, as suas roupas foram identicamente sujeitas a “busca” para se saber quais as marcas e qual a origem, onde tinham sido compradas. Uma agente feminina estava presente para realizar idêntica busca nas roupas das senhoras. Uma peça de roupa comprada na Feira de Espinho e com marca suspeita levou à identificação de quem a usava. O objectivo destas “buscas” era, como se compreende, identificar artigos contrafeitos, CD copiados e roupas de marcas falsas. Os identificados, numa prática que a GNR confirma ser habitual, não eram feirantes, nem comerciantes de loja aberta, que pudessem estar a cometer qualquer crime fiscal, eram cidadãos comuns, podia ter sido qualquer um de nós.»

Pacheco Pereira, via Helena Matos, que de resto tem razão no título: as nossas forças de segurança não se dão a tanto trabalho à procura de bens roubados; nestes casos o trabalho a que se dão, e até o fazem rapidamente, é arquivar as queixas e informar disso os queixosos.

(Note-se que as mercadorias já estão obrigadas a circular nos carros comerciais acompanhadas de guia de transporte, guia de remessa ou factura.)

Setembro 7, 2011

Conversa de socialista

Filed under: Brasil,Economia,Internacional,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 22:11

Hoje ouvi no rádio que o ex-presidente Lula da Silva, um dos gurus da nossa comunicação social, afirmou que deve haver mais comércio entre o Brasil e Portugal. Descontando o cliché das visitas oficiais ou para-oficiais, alguém considerou estas palavras de Lula merecedoras de ondas radiofónicas, porventura por demonstrarem as boas intenções e/ou a visão estratégica (com a finíssima subtileza do cliché) do guru socialista.

Ora eu, parte de uma empresa que compra ao Brasil, que este ano começou a vender ao Brasil e que planeia no próximo ano criar uma empresa no país do Senhor Lula, quero dizer ao Senhor Lula e aos jornalistas que tão acriticamente o ouvem e reproduzem, para que numa próxima vez possam contextualizar as palavras do senhor com a sua prática: 1) A melhor forma de aumentar o comércio entre Portugal e Brasil é o estado brasileiro e o estado português saírem da frente das empresas dos dois países. 2) Ajudaria muito ao aumento do dito comércio se o senhor Lula e a senhora que lhe sucedeu não aplicassem impostos sobre impostos às importações que, em alguns casos, leva a que os produtos (os portugueses também) saiam da alfandega brasileira acrescidos de uma carga fiscal de mais de 90% do preço CIF. 3) Que as empresas de importação no Brasil precisam de certificação para poderem importar, com critérios tão inteligentes como os do nosso INCI que o Tomás aqui descreve. 4) Que se a carga fiscal, no Brasil do senhor Lula e da senhora Dilma, não fosse tão astronómica para as importações, os pobres brasileiros (ainda numerosos) poderiam beneficiar dos preços mais baixos que a produção na China, Índia e afins torna possíveis.

Setembro 4, 2011

Porque da outra vez não se deu suficientemente cabo da economia

Filed under: Política,Portugal — Maria João Marques @ 20:03

Louçã diz que é preciso “novo 25 de Abril na economia”

Agosto 25, 2011

Não sei quem me agonia mais

Filed under: Nanny State Watch,Política Fiscal — Maria João Marques @ 17:48

Se esta gente que, sob capa da preocupação pelo próximo, advoga que lhes seja retirada uma maior porção do seu rendimento pelo estado, sabendo como sabem que os estados sempre lhes irão pagaros irão proteger da concorrência, sempre lhes darão acesso fácil aos governantes de forma a deixarem-se influenciar pelos seus interesses totalmente, claro, altruístas ou a destruir os empecilhos burocráticos e legislativos com que os pequenos sem os ouvidos dos governantes têm de se haver.

Ou se os tolinhos que tanto apreciam o gesto do parágrafo acima, sem perceberem que quanto mais os estados retirarem a qualquer cidadão mais legitimados se sentem para tirarem aos restantes, incluindo aos ditos  tolinhos. E que também não percebem que a voracidade do estado pelos recursos criados pelos indivíduos – como a caso português mostra à saciedade e também com partidos que até se dizem de centro-direita – se não é travada pelos próprios indivíduos, não pára, engole-os.

Que nostalgia dos tempos em que quem era ‘rico’ e considerava a sua obrigação natural ajudar os que menos tinham, agia de facto para ajudar quem menos tinha – antes pagavam os estudos aos rapazes de famílias pobres da aldeia e ofereciam o enxoval às raparigas que casavam,…; agora podem perfeitamente criar bolsas de estudos para atribuir a estudantes de baixos rendimentos, financiar instituições que acolhem crianças sem família e por aí adiante. Dantes faziam e nem lhes ocorreria referir estes gastos que tinham. Agora pedem para o estado lhes aumentar os impostos; sempre dá boa publicidade entre os tolinhos e lhes garante deferência em negócios futuros.

Agosto 19, 2011

Senhora Ministra, contagie, e depressa, se faz favor, os seus colegas de governo com o vírus privatizador

Filed under: Nanny State Watch,Política,Portugal — Maria João Marques @ 15:33

O fim da Parque Expo são boas notícias mas não podem deixar de ser apenas o início. Porque ao fim de mês e meio de governo não deixa de ser alarmante a falta de notícias sobre a muito prometida mas ainda por concretizar redução brutal na despesa pública.

Agosto 10, 2011

Leitura recomendada a todos os que estão muito (ou mesmo só um poucochinho) espantados porque a esquerda gosta de puros e simples criminosos

Filed under: Blogosfera — Maria João Marques @ 18:39

Agosto 8, 2011

Um comentador a que urge dar a reforma

Filed under: Media,Portugal — Maria João Marques @ 15:42

O Nuno tem razão em tudo o que diz. Miguel Sousa Tavares, romancista falhado e comentador alucinado a acompanhar uma sobranceria moral e intelectual fundamentada em sabe-se lá o quê da mente iludida do senhor, é uma das pessoas que retrata da melhor forma a mediocridade, quando não falta de seriedade militante, da maioria da nossa comunicação social. Como eu sou amiga de expressar a minha opinião através da forma como gasto o meu dinheiro, desde que o senhor Tavares começou a escrever no Expresso uma página inteira (mas mesmo que fossem duas linhas) que eu não compro o semanário. E a SICN só é vista quando o dito comentador não ensombra o cenário.

Julho 22, 2011

das boas notícias

Filed under: Economia,Política,Portugal — Maria João Marques @ 12:50

Estou em crer que Álvaro Santos Pereira nos trará boa parte das melhores notícias deste governo. Começou bem, afirmando que a política económica deste governo será um corte com a política socialista (de partido e de facto) que consistia em distorcer a economia para favorecer sectores ou empresas (ou interesses) que o governo entendia promover, usando para tal os impostos de sectores e empresas que pretendia desincentivar. E o incómodo (difuso) que o ministro tem gerado na nossa comunicação social – a precisar de uma reforma geracional semelhante à que foi levada a cabo no governo, como revela o medo do ‘experimentalismo’ deste governo expresso por tantos, sabendo-se como se sabe que manter o status quo deu tão bom resultado no país - mostra bem que está no caminho certo.

Desde logo, a redução significativa da TSU é uma muito boa notícia, a ser aplicada a todas as PME, não fazendo discriminação entre exportadoras e não-exportadoras, até porque ninguém garante que uma expressa que não exporta hoje não exportará amanhã e convém não criar distorções que impeçam empresas que vendem no mercado português de se internacionalizarem. O aumento do preço dos transportes é outra boa notícia. Já na questão da legislação laboral, estou com alguma dúvidas. Fiquei com a ideia que havia vingado a proposta do CDS de permitir novos contratos de trabalho para trabalhadores que estavam no último contrato, de forma a evitar o seu despedimento por empresas que num cenário incerto não queiram assumir o vínculo perpétuo de mais um trabalhador efectivo. Não entendo por que voltou a discussão daquela ideia aberrante do contrato único de trabalho. E se é necessário reduzir as indemnizações em caso de despedimento, a constituição do tal fundo (uma ideia estapafúrdia do desgoverno sócrates) é bom que seja abandonada e felizmente não avança já. Por outro lado, é fulcral que a alteração das leis laborais não seja deixada nas mãos de juristas e académicos – os primeiros tendem a criar procedimentos que tornem os advogados como parte essencial da relação laboral (na minha experiência, todo e qualquer mudança de qualquer pequenino pormenor tem de ficar escrito, sendo redigido pelos advogados) e não entendem que as PME ou não têm recursos para pagar nesta escala a advogados ou, se têm, seriam mais produtivas se usassem esses recursos noutras áreas. É necessário desburocratizar a legislação laboral para que as empresas não percam tempo a preencher quadrozinhos e fichas, e informar este e aquele e ir carimbar este mapa e o outro, há que dar uma ensaboadela aos mal-encarados funcionários da ACT, há que perceber que nem sempre o trabalhador deve ter tratamento preferencial - na relação, por exemplo, entre uma empresa com dez trabalhadores e um trabalhador sindicalizado, é o último que é a parte forte -, há que acabar com a vergonha de um contrato de trabalho a termo ser considerado sem termo sempre que o trabalhador o conteste (depois de o assinar e concordar com as suas condições), há que assumir a liberdade negocial e dar primazia aos contratos de trabalho entre as partes face à legislação laboral geral, enfim, há muito que fazer além de reduzir indemnizações.

Julho 19, 2011

Se faz favor, quando é que vem a parte do liberalismo?

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 23:38

Eu estou entusiasmadíssima por, finalmente, termos um governo liberal e que vai governar de forma diferente e vai fazer mudanças e reformar o Estado e essas coisas todas.

É certo que a primeira coisa que fez não foi lá muito diferente dos dois ciclos governativos anteriores: aumentar impostos, desta vez substituindo aumento do IVA por saque ao subsídio de Natal. Mas, claro, foi só porque o governo foi obrigado (não havia nenhuma, nenhuma outra opção) devido às más contas do governo anterior (o que pensando bem também foi a desculpa de Durão e Sócrates).

E é certo que ainda não pararam as notícias de aumentos de impostos. Quem comprar algo de mais de 100.000€ (se for uma casa de 102.000€ é, como se sabe, um casarão) vai ser taxado se não explicar direitinho de onde lhe veio o dinheiro - sim, porque nisto de impostos parece que o ónus da prova já está invertido; não, não é o fisco ou o ministério público que têm a obrigação de provar que o dinheiro foi adquirido de forma ilícita e também fica por explicar se é um tribunal que decide se um contribuinte justifica bem de onde lhe veio o dinheiro ou se isso vai ser um poder discricionário do fisco com a garantia de que o contribuinte poderá reclamar – depois, claro está, de a administração fiscal lhe ir à conta bancária buscar o imposto que decidiu que tem direito. Isto a mim parece-me totalitarismo fiscal, mas não, não cedo perante a tentação e repito o mantra ‘o governo é liberal, o governo é liberal’ até, finalmente ver a luz.

Continua sendo certo que além de impostos o governo – com a ajuda dispensável do PR – se prepara para aumentar as taxas moderadoras no SNS, esperando assim espantar ainda mais utentes para as seguradoras de saúde, tudo porque não consegue poupar noutro lado para transferir recursos financeiros para pagar as despesas de saúde que, previsivelmente com o envelhecimento da população, aumentarão mesmo com boa gestão. Isto à primeira vista dá a entender que este governo, tal como os anteriores, resolve todos os problemas transferindo coercivamente recursos individuais para a posse do Estado, o que é a antítese do liberalismo, mas depois o mantra acima mencionado ajuda a recentrar-me.

É ainda certo que as medidas enfaticamente anunciadas para o lado da receita não foram acompanhadas de nada parecido do lado da despesa. Tirando a poupança no ar condicionado de Assunção Cristas, as luzes e os computadores desligados à noite no ministério de Álvaro Santos Pereira e os cartões de crédito e carros de serviço ao fim-de-semana que tiraram aos ministros – tudo coisas obrigatórias neste período mas, enfim, peanuts - nada se vê de relevante na diminuição da despesa. A reorganização do mapa municipal novecentista, essencial, já foi – muuuuito corajosamente – recusada.

Mas estes pensamentos são obras do tentador, porque o governo é muito liberal, e tem a cabeça e o coração nos sítios certos, quando aumenta impostos pretende tornar o estado mais pequeno e mais sustentável. Isto é tudo por culpa do sócrates. Os coitadinhos que lá estão agora não têm mesmo outras opções.

Mistério da fé.

Junho 30, 2011

Coisas que o meu olfato sugere que vamos ‘aprender’ nos próximos tempos com a blogosfera liberal e de direita em geral

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 23:05

Um aumento de impostos feito pelo PS é socialismo puro e duro; um aumento de impostos feito pelo PSD é liberalismo do mais puro e cristalino.

Um aumento de impostos pelo PS aumenta o peso do Estado na economia; um aumento de impostos pelo PSD é o bom caminho para o emagrecimento do estado, tal como prometido em campanha.

Um aumento de impostos por um governo socialista é recessivo; um aumento de impostos proposto pelo PSD é a medida acertada, responsável e mesmo, mesmo o que um país estagnado há dez anos (por acaso sintoma da incontinência despesista de governos sucessivos, paga recorrendo sempre a aumentos de receita) necessita.

Um aumento de impostos socialista retira liberdade aos indivíduos; um aumento de impostos social-democrata é, no fundo, uma libertação das famílias e empresas, afinal toda a gente sabe que o PPC é favorável ao cheque-ensino, que de resto será muito necessário quando nem as famílias de classe média-alta, de tão taxadas, conseguirem pôr os filhos no colégio sem apoio estatal.

Como diziam os gauleses, só falta mesmo o céu cair-nos em cima da cabeça.

(O link acima está, aparentemente, maluco; para quem não o conseguir abrir, ia dar ao post abaixo do CGP ‘É difícil ser liberal em Portugal’.)

Começamos mal

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 15:54
 
Quando teremos, finalmente, um governo que entenda que endireitar as contas públicas não se faz pelo lado da receita???? Lamento, mas para além dos aumentos de impostos exigidos pela troika, nenhum aumento de imposto adicional deve existir. O PSD já sabia que Sócrates e Teixeira dos Santos têm uma grande elasticidade no conceito de verdade, pelo que já não pega o argumento – usado e estafado por Durão Barroso e por Sócrates – ‘afinal as contas estavam piores do que nós pensávamos’.

Por estas e por outras é que o CDS devia ter ficado de fora do governo, para não dar cobertura a estas formas estranhas de consolidação orçamental.

Junho 16, 2011

Estranho conceito de dinheiro. Ou de tostões.

Filed under: Cultura,Política,Portugal — Maria João Marques @ 16:05

«Pilar del Rio garantiu à Lusa que a Fundação Saramago  não recebeu “nem um tostão do Estado” e assim continuará. Gostava de acreditar, mas ela própria se desmente na entrevista.»

Vai-se a ver e a propensão para a esquerda gastar o dinheiro dos contribuintes (ao qual chama dinheiros públicos ou tostões do Estado) é nada mais do que uma incapacidade de perceber o que é o dinheiro. Parece que além das notinhas e das moedinhas em que podemos tocar nada é dinheiro.

Junho 6, 2011

Mitos

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 00:22

Pela primeira vez um primeiro-ministro eleito perdeu umas eleições legislativas em que de novo se candidatou.

Indícios

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 00:19

O CDS teve as suas melhores votações nos meios urbanos e nas secções dos eleitores mais jovens.

Junho 5, 2011

Já se vêem vantagens

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 23:40

O inglês técnico de PPC é bastante melhor do que o inglês técnico de sócrates.

E a maioria sociológica de esquerda?

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 23:13

É certo que PSD defende sobre si próprio com assertividade (pelo menos) que não é de direita, mas os seus eleitores fiéis serão, de facto, de direita e vai buscar (a espaços) o eleitorado de centro que tanto vota à esquerda como à direita. Em todo o caso, nos tempos de Cavaco Silva, PSD e CDS somados tinham cerca de 56% dos votos. Esta noite, e com um líder do PSD que não entusiasmou, PSD e CDS somados (e com proporções totalmente diferentes), têm mais de 50% dos votos. Cavaco Silva, no seu tempo, era visto (erradamente) como um reaccionário; PPC é visto (erradamente) como um liberal. Lamento, mas é conveniente informar os jornalistas e comentadores políticos – esses sim em maioria absoluta de esquerda – que os eleitores tanto votam à esquerda como à direita e que talvez devam deixar de apresentar o país como um espelho seu.

Pensando já no futuro

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 22:14

O PSD teve uma boa vitória (os upsides e os downsides ficam para depois). Há algumas directrizes simples que, parecendo que não, serão importantes para a governabilidade do país: i) é conveniente que Passos Coelho seja impedido de cantar em frente a câmaras de televisão e telemóveis avulsos nos próximos quatro anos; ii) ao senhor presidente da câmara municipal de Caldas da Rainha, que começou logo a noite profetizando uma maioria absoluta do PSD e referindo a descida de votação do provável parceiro de coligação do PSD, deve ser explicado o significado da expressão ‘o silêncio é de ouro’.

Diziam que não eram os outros partidos a escolher o líder do PS

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 21:25

e tinham razão. Quem escolheu o líder que não querem no PS foram os eleitores.

Notas do discurso de derrota: 1)Sócrates reconhece que afinal terá feito alguns erros. 2) Até ao fim Sócrates está mal. Impunha-se que, tal como Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes fizeram, honrasse o mandato de deputado à AR que os eleitores que continuam iludidos lhe confiaram.

Hip-hip Hurrah

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 21:08

José Sócrates demite-se esta noite do cargo de secretário-geral do PS

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