Syriza: a vacina com muitos efeitos secundários

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No ano passado estive de férias na Grécia. Com grande pena minha falhei as grandes e violentas manifestações da praça Syntagma, mas apanhei lá um desfile de orgulho gay, colorido e divertido, de que deixo aqui uma fotografia. Estive em Atenas (não muito tempo) e, como não sofro daquela aflição de tantos portugueses enfadados de só poder ir de férias para locais para onde tenham transporte aéreo sem escalas, alugámos um carro e fomos para uma praia a quatro horas de distância de Atenas.

A Grécia tem muito de parecido com Portugal. Os restaurantes e os hóteis, mesmo com crise e com resgate internacional, estavam com frequência abundante de gregos. As roupas e os carros não são assim tão diferentes dos nossos. Há, como se mostra acima, paradas LGBT. As aldeias perdidas longe de Atenas tinham as mesmas casas por pintar e muros só de cimento das aldeias perdidas longe de Lisboa, com as senhoras de idade vestidas de preto. E Atenas deve ter um presidente de câmara parecido com Costa, também às voltas com a recolha de lixo na capital, que acaba tornando os montes de lixo numa das features da cidade (fotografia abaixo, para verem como é igual).

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Mas também havia diferenças. Mais (ainda mais) casas com sinais de estarem à venda. Mais lojas fechadas (e bombas de gasolina e cafés) pelo meio de Atenas e pelas tais aldeias perdidas do que se vê por cá. A auto-estrada tinha com frequência trajetos em desuso ao lado, não de estradas nacionais substituídas pela auto-estrada mas de troços de auto-estrada substituídos por novos troços de auto-estrada – dando ideia do escrupuloso dinheiro dos contribuintes e dos credores que havia sido feito. Enfim, a nuvem da crise era mais opressora do que se notava em Portugal.

No meio disto tudo, o Syriza vai provavelmente hoje ganhar as eleições. E ou se hollandiza – e mostra em definitivo que o paleio da esquerda radical só serve mesmo para enganar os tolos – ou provocará o fim do financiamento à Grécia com a consequente calamidade económica, com ordenados e pensões e demais compromissos do estado grego por pagar. Claro que a vitória do Syriza pode ser a vacina que os europeus precisam para se relembrarem dos efeitos económicos das políticas da extrema-esquerda, e tirar as veleidades dos partidos de esquerda dos outros países, mas eu não sou cínica a ponto de desejar esta clarificação sacrificando um país e os gregos que não votam no Syriza.

Por cá é divertido sobretudo ver como não só no partido-irmão do Syriza, o BE, há entusiasmo por esta esperada vitória. O PS costista está carregado de gente com olhos arregalados de satisfação. O que diz muito do que é atualmente o PS – e como não percebem o país (Portugal, mesmo) nem o mundo.

Ana Cristina Leonardo bem podia aprender a ler

Graças aos tags dos comentários que o António Parente me fez num post da Ana Cristina Leonardo no fb dei com esta maravilhosa caixa de comentários sobre o meu texto de hoje no Observador, cheia de gente encantadora que, apesar de não saber ler, mais que compensa a falha em tonitruantes manifestações de superioridade esquerdista e pacifista e insultos.

Ora bem, no meu texto, eu refiro ‘A Segunda Guerra Mundial tem alguns paralelos curiosos com o presente e os perigos do extremismo islâmico (e não apenas do terrorismo). Os nazis eram um grupo de loucos dispostos a tudo, com um tipo particular de fé ateia que não está muito longe da intransigência fundamentalista islâmica‘. Comparo, portanto, o nazismo com o extremismo islâmico. Ora a boa gente do parágrafo acima fez equivaler ‘extremismo islâmico’ ao ISIS (sabe-se lá por que devaneios) e dedicam-se com fúria a demonstrar como a situação do ISIS é diferente da da Alemanha da década de 30. E eu, claro, sou uma ignorante por não saber que o ISIS e a Alemanha de 1939 são coisas diferentes. Isto, claro, apesar de eu ter referido extremismo islâmico – presente (e quanto) no Irão, na Arábia Saudita, na Síria e em sei lá quantos mais lugares – e nunca ter feito qualquer equiparação entre ISIS e Alemanha. Gente maravilhosamente perspicaz, portanto.

No meu texto avanço depois para comparar 3 (três) pontos específicos dos ‘alguns’ paralelismos que tinha apontado – que, como toda a gente percebe, é equivalente a escrever ‘a situação do ISIS é igual, sem tirar nem por, ponto por ponto, à da Europa em 1939′ -: drones, moderados e apaziguamento de Obama. A conclusão do texto é:

‘Não que eu recuse de todo o apaziguamento. Por razões diferentes dos seus autores, com a sua incapacidade de perceber que do lado oposto estão loucos que não medem sucesso e falhanço pelo número de pessoas vivas e pela qualidade de vida das populações, como nós costumamos. Mas porque cada vez mais me convenço que uma guerra é tão maléfica como uma paz podre. A decisão por uma ou por outra não obedece a leis gerais mas a circunstâncias concretas.

Pelo menos aprenda-se com a Segunda Guerra Mundial que o apaziguamento é uma opção pela paz podre e não pela paz.’

Pessoas pensantes poderiam chegar à conclusão que a paz podre foi o que trouxe a primavera árabe e os resultantes governos islâmicos, foi o que fez nascer a al qaeda, foi o que fez florescer as ditaduras laicas mas sangrentas e apoiantes do terrorismo destronadas com a primavera árabe, e foi e é o que mantém situações dramáticas de supressão de direitos humanos de metade da população da zona – as mulheres – e de violência sobre elas. Uma paz podre não é inócua; é perigosa e mortífera. Mas, mesmo assim, eu digo claramente que não prefiro a guerra a isso.

O que, perante isto, entende esta gente iletrada – perdão, esclarecida – que eu defendo? O evidente. Nas palavras de Ana Cristina Leonardo: ‘que o melhor era ir lá com uns tanques e depois fazer uma conferência em Potsdam para dividir o petróleo.’ Cinco minutos de palmas, sff.

Estas maravilhosas interpretações das minhas palavras – ou, na verdade, o que os macaquinhos na cabeça e os preconceitos da Ana Cristina Leonardo & friends os levam a interpretar das minhas palavras, e nem faz mal se for o contrário do que eu escrevo – estão no meio de outras considerações deliciosas. Uma senhora que não vislumbro quem seja diz que tem uma questão pessoalíssima comigo. Um tal de João José Cardoso diz que eu, por só ter referido livros britânicos, acho que a Segunda Guerra Mundial foi apenas britânica e que tudo revolveu à volta do Canal da Mancha. Ora bem, pessoas do mundo, ficam a saber, da parte do tal João José Cardoso: perante assuntos complexos que envolvam muitos países, línguas, culturas, datas, whatever, ai de quem se interessar mais por um ponto específico desse assunto. Ou leem sobre a totalidade ou NADA. Eu, presentemente, também tenho a casa a abarrotar de livros e papers sobre maoísmo. Ficam a saber – porque são obedientes e usam o fantástico método João José Cardoso -, assim, que para mim TODO o comunismo em qualquer país se resume ao maoísmo e que TODA a história da China, tanto quanto eu sei, existe apenas entre 1949 e 1976. Bravo pela estratosfericamente inteligente conclusão.

Este João José, que é uma pessoa certamente desempoeirada das ideias, também me chama ‘beata’. Ficam também a saber que qualquer pessoa que num estado laico tenha a falta de vergonha de se afirmar como católica é uma ‘beata’. Está ao lado dos imbecis passistas que usaram o mesmo argumento comigo, e dos invertebrados que dantes me associavam à Opus Dei e ao uso de cilícios. Não se preocupem, não vou cair no preconceito oposto e aconselhá-lo a tomar banho, pentear o cabelo, por um perfume, deixar de lado a t-shirt com o Che Guevarra e, enfim, abandonar o ar de rato de biblioteca que tanto esquerdista tem.

E ao estonteante senhor que afirma ‘esta Sarah Palin ilustra bem a diferença entre ser culta e debitar cultura a metro para o parecer…’, queria descansá-lo. Nunca na vida pretendi ser culta, era o que faltava. Até porque se sabe bem que as pessoas de direita nunca são cultas. Por muito conhecimento que adquiram, são sempre assim uns patos-bravos da cultura, de cada vez que se lhe referem é só exibicionismo e ostentação, aquilo não nos sai naturalmente como à boa gente de esquerda que se vê que bebeu cultura desde pequeninos. E na verdade nem sabemos bem, tal como o novo-rico desadaptado, o que é Cultura com C grande. Em vez de citar Chomsky, Zizek e outros autores que as pessoas cultas referem, falo em Churchill e Martin Gilbert. Vê-se à légua que o meu verniz cultural é muito fininho. Mas, lá está, como sou mansa e humilde de coração, queria aqui garantir que não pretendo dar-me ares de pessoa culta, nem pensar, e que olho com ar enlevado para a posição cultural muito mais elevada de Ana Cristina Leonardo e de este Humberto Baião.

Termino dizendo-me muito feliz com as gargalhadas que provoquei. Podia aqui agora citar o pai da Lizzie Bennet no Pride and Prejudice sobre rirmo-nos dos outros e os outros rirem-se de nós, que tem piada e era bastante apropriado, mas já me dei ares suficientes por hoje e é altura de não roubar protagonismo à gente verdadeiramente culta do país. E tempo de agradecer a experiência sociológica que o António Parente me ofereceu, que ver estas pessoas – que se calhar até votam – ajuda a explicar o estado do país. O problema nem é que sejam de esquerda ou profundamente preconceituosas. O problema, repetindo-me, é que não sabem ler.

o governo liberal, parte 3658ª

Este Moreira da Silva é uma estirpe letal de um virús estupidificante com que por algum grande azar Portugal se contaminou.

Vejam bem onde chegámos: as empresas de grande distribuição planearam as suas compras de consumíveis para os seus negócios sem pedir autorização ou sem dar cavaco às políticas imbecis do ministro do ambiente.

E agora, aparentemente em nome da proteção ambiental que a fiscalidade verde pretende trazer, milhões de sacos de plástico já produzidos vão ficam a envelhecer num qualquer armazém porque já não podem ser usados. O ambiente que se lixe – bem como os recursos que foram gastos a produzir e, eventualmente, a destruir estes sacos de plástico não usados – o que interessa é a taxinha daquele ser vivo de espécie indeterminada que preside ao ministério do ambiente.

Um atentado à portuguesa

Sim, temos de tirar os esqueletos do armário e exorcizar fantasmas daquela coisa podre que Mário Soares chama democracia. Para podermos, de facto, ter uma democracia.

‘E de facto, tudo o que é revelado no Correio da Manhã, mais o que consta há muito tempo, configura não só um padrão de actuação, mas uma filosofia: a de alguém para quem o essencial da política não é persuadir os cidadãos e debater com os adversários, como nas democracias, mas acumular meios de controle, manipulação e impunidade, como nas ditaduras.

Perante tudo isto, não basta tratar o Correio da Manhã como um jornal “sensacionalista”, e confundir estas notícias com as revelações sobre o fim do namoro do Ronaldo, de que não se fala nos salões bem-pensantes. Também não basta dizer que há uma investigação judicial a decorrer, e que não se pode tomar conhecimento do que transpira na imprensa. O regime tem a obrigação de esclarecer se o que corre sobre alguém que liderou um dos maiores partidos portugueses e governou este país durante seis anos – e que, no que é politicamente relevante, vai muito para além da chamada “Operação Marquês” — é ou não é verdade.

Se for verdade, teremos de reconhecer que a democracia portuguesa enfrentou uma verdadeira conspiração a partir do poder, e que só a crise financeira de 2010-2011, ao arruinar o socratismo, poupou o regime ao domínio de uma facção sem escrúpulos e à confrontação política que fatalmente resultaria desse domínio. Desde há 40 anos, ensinaram-nos a reconhecer um golpe de Estado: o parlamento fechado com tanques à porta, e um general de óculos escuros, na televisão, a anunciar a proibição dos partidos e a censura à imprensa. Ninguém nos preparou para outra hipótese: a degradação por dentro do próprio regime, através de combinações entre os oligarcas para diminuir de facto a liberdade e a transparência da vida pública.’

Rui Ramos, num texto a ler completo aqui.

documentário mais ou menos perdido sobre a descoberta pelos aliados dos campos de concentração

Um complemento certamente horrendo mas útil ao Shoah de Claude Lanzmann.

‘Singer’s documentary opens with footage from German Concentration Camps: Factual Survey of the British 11th Armoured Division liberating the Bergen-Belsen concentration camp in Northern Germany on April 15, 1945. There, the Allied troops discovered a strange sight.

“Neat and tidy orchards. Well-stocked farms lined the wayside. And the British soldier did not fail to admire the place, and its inhabitants—at least, until he began to feel a smell,” says a narrator in voiceover.

The British soldiers found tens of thousands of emaciated prisoners inside the camp, many of which were on the brink of death by starvation. The camera lingers on piles of naked, skeletal corpses stacked several bodies high, as well as line after line of dead children. A total of 30,000 corpses were witnessed by Allied troops, according to the film. Singer managed to track down several British soldiers who were there, and some break down in tears recalling the horrors. […]

So, Hitchcock served as a “director’s advisor,” supervising the way the footage was edited. He demanded that the documentary emphasized long shoots and frequent pans, so that people wouldn’t question its authenticity. He was also blown away by the stark contrast between the quotidian (the lives of Germans living near the camps) and the ghastly (the nightmare within), and requested that the film use maps to highlight their proximity, driving home the message that these German citizens knew exactly what was going on.

“Hitchcock himself is reputed to have been very nauseated by the footage,” says Singer. “He saw it in the cutting room and then didn’t want to watch it again.”

Bernstein’s time, however, soon ran out. According to a June 1945 memo from the Psychological Warfare Film department, Bernstein, lost in an artistic quagmire, was relieved of his duties. “Here he was trying to make a propaganda film, and he ended up making a great documentary,” says Singer. “And that’s not really what the government wanted.”

The Americans then installed acclaimed Double Indemnity filmmaker Billy Wilder as supervising director, and used some of Bernstein’s footage to create a short propaganda film entitled Death Mills. Whereas Bernstein’s film was artistic and captured the full breadth of suffering, Wilder’s version is described as a “hectoring short film” that “merely accused the Germans of committing these crimes.” Still, to the Americans’ credit, the film premiered in Germany.

“We must show it to as many Germans as possible,” Wilder says in a 1988 interview.’

No The Daily Beast.

neste momento só consigo dizer: António Costa é doido varrido. e muito perigoso.

Li este post da Helena Matos e fiquei perto de desenvolver uma doença cardiovascular à conta da irritação que me assaltou.

Conheço muito razoavelmente a zona do Martim Moniz e da Rua do Benformoso. De 2001 até finais de 2008 vivi mais acima na encosta para a Graça. Quando queria apanhar o metro, a estação mais perto era no Martim Moniz, tendo eu de descer algumas ruas muito íngremes e maltratadas – o último presidente da CML que ligou alguma coisa aos problemas concretos daquela zona foi Pedro Santana Lopes.

O Martim Moniz teve – estou certa – as intervenções mais desastrosas depois do 25 de abril por uma câmara municipal. Acho que ainda no tempo de Abecassis licenciou-se o horrendo Centro Comercial da Mouraria, que seria candidato a edifício mais feio de Portugal se não tivesse como sério concorrente o centro comercial do lado oposto da praça, penso que chamado Centro Comercial Martim Moniz, salvo erro já do tempo de João Soares. O que é de certeza do tempo de João Soares foi a intervenção na placa central da praça, que alia de uma forma magistral fealdade e presunção. Visto de cima, do miradouro da Senhora do Monte, faz uns desenhos (uma estrela) e é tolerável. Mas ao nível da praça são apenas pedras e desníveis sem sentido e muito feios. Obra de um arquiteto que não entende que o efeito no papel pode não ser o mesmo ao nível dos olhos das pessoas.

Com tudo isto poderia pensar-se que a CML tivesse feito um voto de abstenção de intervenção na praça durante umas quatro décadas e deixasse a praça regenerar-se lentamente de tanto atentado estético. Mas não.

Nos últmos anos aquela zona tem-se tornado um centro de lojas chinesas, mas não só. O Centro Comercial da Mouraria tem uma míriade de lojas, empresários e trabalhadores que vendem produtos, e são os próprios, de diversas proveniências asiáticas. Compram-se as coisas mais improváveis lá. Uma amiga que faz aneis encontrou no CCM (e em mais nenhum sítio) uns expositores acrílicos para os aneis. Num jantar de celebração do Ano Novo Chinês em 2012 em que estive, com americanos, vietnamitas e alguns portugueses interessados nos orientes, verificou-se que toda a gente conhecia o supermercado chinês Hua Ta Li no Martim Moniz e o CCM era sítio onde se ia com alguma frequência. O semanário que se publica em Portugal em mandarim tem os escritórios na Rua da Mouraria. Além de chineses há paquistaneses, bangladeshis, indianos, etc., aparentemente tudo a conviver sem problemas.

Também acho bem que se requalifique a zona. Podia-se começar por organizar uma reunião com os proprietários dos vários edifícios à volta do Martim Moniz e acordar trabalhos nas fachadas que as tornem esteticamente suportáveis. Podia-se dar incentivos – ou mesmo subsídios, que viver numa cidade bonita é uma externalidade (e não, para os maluquinhos: não tenho, nem tenho na empresa, nem tenho na família nenhum prédio que precise de obras na fachada e que se queira transferir esse custo para os contribuintes), ou isenções de IMI, ou… – para requalificação das fachadas dos prédios da zona, que muitas estão lastimáveis.

O que não vejo que se aceite é que Costa queira enxotar uns imigrantes para beneficiar outros e, menos ainda, que deva andar a determinar onde são os lugares de culto islâmicos. Os socialistas que esbracejam com qualquer aproximação entre estado e religião católica acham isto bem, presumo?

Mas enfim, trata-se de Costa. A criatura tem tanta ‘visão estratégica’ que não consegue resolver um único problema concreto dos lisboetas. Nem dá pela sua existência. O trânsito é infernal também à conta das imbecilidades que Costa criou. Nos dias de chuva e dos inevitáveis acidentes é incapaz de dirigir polícias para agilizar o trânsito nos pontos problemáticos. (Hoje na Av. de Ceuta quem ia para Alcântara não conseguia passar nos semáforos onde se virava para a ponte, porque o trânsito da ponte, com o acidente, estava ingovernável. E claro que enviar polícia para restabelecer a circulação num sentido de uma via fulcral de Lisboa nunca ocorreria a Costa, que só se interessa pela fluidez automobilística quando está a apanhar multas por excesso de velocidade na A2.) Os automobilistas de Lisboa têm de ser punidos, segundo a doutrina Costa. Como se vê na proibição de carros anteriores a 2000 em certas zonas de Lisboa. Quem não tem dinheiro para comprar carros recentes não tem vícios, não é? Ou vá trabalhar para os subúrbios, que a esquerda portuguesa não aprecia suburbanos em demasia.

Votem nesta criatura, votem.

do senhor ‘as caricaturas de Maomé foram uma ofensa’

Não é uma ilustração ao meu texto no Observador, mas podia bem ser. Foi a resposta da Revista Atlântico à posição do governo português è primeira publicação das caricaturas no jornal dinamarquês. A Lucy Pepper é a autora.

freitas bomba

Ser Charlie na Arábia Saudita e na Câmara de Lisboa

O meu texto de ontem no Observador.

‘Não sei se é a realidade se são as direções dos jornais europeus, mas alguma coisa está a dar argumentos às boas almas esclarecidas (que, aqui, é sinónimo de ateias prosélitas) que ensaiam novamente uma equivalência entre todas as malvadas religiões que, como se sabe, só provocam caos e mortandade. Tal como fizeram depois do 11 de Setembro. Ora vejam.

Um jornal judaico ultra-ortodoxo apagou as três líderes europeias do sexo feminino da fotografia da manifestação de Paris do último domingo. Parece que o corpo feminino não é modesto (que bom, diria eu, mas os senhores ultra-ortodoxos não concordam) e deve por isso ser tapado. Como as três senhoras estavam bastante agasalhadas, que estava frio, presumo que as caras femininas também não sejam modestas.

Na Arábia Saudita alcançou-se uma importante conclusão teológica: os bonecos de neve são anti-islâmicos. Incitam, por alguma razão misteriosa, à luxúria e ao eroticismo. (Talvez seja o facto de tanta mulher totalmente tapada levar até a entusiasmos com as formas arredondadas dos bonecos de neve, ou quiçá um eventual prazer sensorial enquanto se molda a neve com as mãos. Penso que é melhor não inquirirmos mais.) E as vozes dos que se convencionou chamar muçulmanos moderados (são os que não apregoam os benefícios de matar infiéis, incluindo os ultra-reacionários) já se fizeram ouvir com nova ofensa à conta da primeira capa do Charlie Hebdo depois do atentado. Sem perceberem que, a ser provocação, é muito pálida depois da gigantesca provocação que é um ato terrorista com mortes. Regressando à Arábia Saudita, país com tão simpático regime, o blogger contestatário Raif Badawi já recebeu as primeiras 50 chicotadas (públicas) e iniciou a pena de dez anos de prisão por ‘insultos ao islão’.

Perante isto, o que se fez do lado da Igreja Católica por estes dias? Bem pior.’

O resto está aqui.

Freitas do Amaral, sócrates e as caricaturas de Maomé

Não vou trazer para aqui as palavras ignóbeis de Ana Gomes, porque já foram tratadas. E não tenho pingo de paciência para a gente alarve que acha que a culpa do terrorismo islâmico é das suas vítimas, já falei disso no fb, o Bruno também já postou, por hoje já chega. Mas como há quem tanto se indigne porque o comunicado do MNE não referiu a liberdade de expressão – condenando evidentemente o atentado -, e como muita dessa indignação vem do sítio do costume, convém lembrar qual foi a reação de Freitas do Amaral, MNE de Sócrates, aquando da violência gerada pela publicação das caricaturas de Maomé em 2005 num jornal dinamarquês. (E que veio mais tarde a cair em cima também do Charlie Hebdo.)

Freitas do Amaral considerou que ‘o essencial’ não era condenar as ameaças e as manifestações violentas que ocorreram pelo mundo muçulmano e aqui e ali na Europa. Para Freitas do Amaral, o mais importante foi condenar o abuso da liberdade de expressão que ofendeu o Islão. E sócrates – a criatura que por estes dias pretende passar-se por mártir da supressão da liberdade de expressão – concordou oficialmente com o seu MNE. (De resto toda a esquerda se mostrou confortável com a posição do então governo.)

Freitas do Amaral e sócrates foram dois políticos que, a seu tempo, se colocaram do lado dos agressores terroristas contra as vítimas deste. E isto é algo que nunca ninguém deve esquecer.

Acrescento: o Pedro Morgado chamou-me a atenção para esta notícia, que mostra que o BE também teve um comportamento decente nesta história, que o PCP (dando-lhe dignidade de corredor) também esbracejou e que Alegre se fez ouvir no bom sentido (mais ou menos). Em suma, nem toda a esquerda aceitou de forma impávida esta reação ignominiosa.

Os países têm os ex-presidentes que merecem

Faz por estes dias 10 anos que estava em Miami. Vivia-se o rescaldo do tsunami do Índico e as notícias estavam cheias disso. A ajuda internacional americana tinha dois rostos, que se juntaram e dispuseram a trabalhar juntos para socorrer as populações afetadas: Bill Clinton e George Bush (o pai). Vi-os em vários programas televisivos e impressionou-me a cumplicidade, o respeito, o apreço e até a amizade entre aqueles dois homens que as ideias políticas dividiam e que haviam disputado eleições amargas. Não havia azedume, não deixavam recados insinuados, não espetavam farpas; simplesmente consideravam-se iguais e trabalhavam juntos em algo que evidentemente era mais importante do que divergências políticas. O respeito que eu tenho por ambos veio sobretudo desses dias. São dois homens grandes acima de querelas partidárias.

Isto é nos Estados Unidos. Por cá os ex-presidentes são criaturas tão pequenas e imersas nas tricas partidárias que só nos fazem sentir vergonha pelas figuras alheias. Ramalho Eanes é o único que se porta decentemente como convém a um ex-PR. Sampaio é a nulidade política que sempre foi. E Soares – que confessa à enlevada Clara Ferreira Alves ser um cidadão ‘especial’ – não pára de se embaraçar (isto se conhecesse o conceito) nem de mostrar que se julga acima das responsabilidades exigidas ao comum cidadão – quando deveria ser ainda mais escrupuloso no seu cumprimento – ou proprietário das instituições. Publicamente e sem qualquer vergonha condiciona uma investigação criminal – como fez na primeira visita a sócrates – e agora vem exigir (quem é Soares?!) ao PR que se pronuncie sobre uma investigação judicial em curso. Que tanta gente se babe com Soares só revela como estamos mais perto de Cuba do que do Estados Unidos.

Não temos culpa que Raquel Varela não tenha tido educação em pequena

Há pessoas que se não têm a sorte de receber educação e formação em casa, deviam tentar suprir essa falta através de aprendizagens avulsas com a vida. A literatura é um meio fabuloso, para isso como para tantas outras coisas.

Lembram-se daquela cena de Emma, de Jane Austen, em que no piquenique Emma – a filha do mais rico proprietário de terras da zona, rica, bonita, inteligente e educada – ridiculariza Miss Bates, a solteirona ridícula e pobre? E de como Mr Knightley de seguida descompõe Emma por ela, da sua situação privilegiada e sendo uma espécie de trend-setter rural, ter abusado publicamente de uma mulher que já nada tem se não o respeito das pessoas da aldeira? Bom, isto é mais ou menos algo precioso que sempre me foi transmitido pelo meus pais – para além, bem entendido, de me ensinarem a avaliar as pessoas pelo que são, não por bens materiais que possuam, por estatuto social, por cargo profissional (há muito imbecil que chega longe) ou, até, por graus académicos que obtenham (que, como se vê por Raquel Varela, um phd não é certificado de ausência de estupidez). Que era inaceitável de alguma forma maltratar alguém por não ter tido as vantagens de que eu felizmente dispunha.

Raquel Varela não teve a sorte que eu tive de ter este bom pedaço de formação, mas certamente que nos seus anos de vida poderia já tê-lo aprendido, de forma a não fazer as figuras indecorosas que faz ao gozar com a mãe de Cristiano Ronaldo. É certo que é uma tendência que se apercebe nesta esquerda malcriada (desculpem lá, mas chamar esquerda caviar a esta gente é abastardar o conceito de esquerda caviar; é, quando muito, esquerda presunçosa) o facto de aproveitarem a sua proximidade com o poder político ou uma perceção (às vezes errada) de que estão a lidar com maltrapilhos, sem poder económico e mediático e social que lhes permita uma eficaz resposta, para abusarem das outras pessoas. Isto foi visível também, por exemplo, na tentativa (que fez boomerang) de Raquel Varela humilhar na tv em horário nobre um miúdo empreendedor. Mas alguém devia explicar a Raquel Varela que verdadeira falta de gosto são as coisas indecorosas que escreve, que dão muito mais vómitos que o facto de a mãe de Ronaldo ver a Casa dos Segredos.

Enfim, é ler a Isabel Santiago Henriques sobre o que Raquel Varela escreveu, que fica tudo dito. E perceber que por muitos livros que Raquel Varela tenha lido, peças de teatro que tenha assistido, boa música que tenha ouvido – bem, nada disso lhe aproveitou para a tornar uma pessoa decente.

Votar à esquerda, dormir à direita

Do meu texto de hoje no Observador, que o André aqui já referiu, deixo o primeiro parágrafo. Com incursão à polémica que o Carlos já aqui contou.

‘Nas primeiras décadas do século XX associava-se uma expressão aos políticos socialistas britânicos que vinham de famílias da classe alta: vote labour, sleep tory. Irredutíveis defensores da socialização dos meios de produção (era assim o socialismo antes do colapso da União Soviética, é bom lembrar, que agora há muito socialista saudoso dessa pureza ideológica), viviam em consonância com os seus ideais: habitavam nos bairros chiques de Londres ou nas suas casas ancestrais no campo, frequentavam socialmente apenas os seus pares da pirâmide social, cumpriam todos os rituais upper-class e – daí a expressão – para o adultério escolhiam as senhoras casadas da mesma classe social.’

E, sobre a visão comunista da beleza feminina na China maoísta, para quem tiver curiosidade, este paper (dá para ler gratuitamente) dá umas pistas interessantes. E mais uma coisa. Não sei se concordo com a expressão ‘esquerda chique’ que se tem assciado ao objeto do meu texto. Para mim, esquerda chique era a Nancy Mitford apoiando o PS francês vestida de Dior – o que é uns patamares acima, por todas as razões (incluindo o talento para a escrita), de Isabel Moreira e Raquel Varela.

convite mal intencionado à conta do ordenado do motorista de sócrates

Sabem aquela boa gente adoradora de sócrates que passa a vida a clamar contra as empresas que pagam o salário mínimo e contra os patrões que pagam absurdamente pouco aos seus funcionários? Pois eu gostava de saber o que pensa esta boa gente do facto de o motorista de sócrates ganhar só 600€ por mês. É um ordenado baixo para um motorista, uma empregada doméstica a tempo inteiro ganha mais do que isto, enfim, é muito pouco dinheiro, a vida está cara, quem consegue viver com umas centenas de euros por mês?

Convido, assim, a boa gente que a boa gente que admira sócrates e se escandaliza contra os baixos ordenados do país a comentar o facto de uma pessoa – socialista e pleno de consciência social e sempre pronto a dar prestações sociais (desde que pagas com o dinheiro dos outros, evidentemente) – pagar um ordenado ão baixo ao seu motorista. Sendo que essa pessoa, conforme se noticia, era bastante perdulário quando se tratava de si próprio e comprava fatos de gosto questionável mas caros, viagens, vida desafogada em Paris, carros vistosos (e também caros) e por aí adiante. Será que a boa gente que se escandaliza com salário mínimo não se escandaliza com este magro ordenado que o seu ídolo paga aos seus serviçais? Não veem nenhuma contradição entre este pobre ordenado e a justiça social que está sempre nas suas bocas – e na de sócrates? Ou já estão na fase de assumir publicamente que a justiça social é mesmo só para o dinheiro dos outros e não para o seu?

Bom, certamente que a ausência de comentários sobre o assunto se deve ao agudo sentimento de traição que estão a viver, porque quem passa a vida a insultar empresários que pagam salários baixos não deixará passar este flagrante caso de exploração do fator trabalho.

Tenho tido pouco tempo, muito trabalho, não tenho acompanhado devidamente o processo sócrates – que, como se sabe, o tempo escasso é para se gastar nas coisas importantes, que as insignificantes vão ficando para as calendas (ou para nunca). Mas já que falo deste caso, deixem-me fazer uns pequenos comentários sobre o advogado João Araújo, que tanto tem encantado o país – o que não espanta, que o país gosta de pavões. Um. Se sócrates tem necessidade de tentar passar a mensagem de que este é um caso político, desconfiamos que esta estratégia nasce da fragilidade da sua defesa quanto aos factos por que é investigado. E de quem tanto se queixa de desinformação, é João Araújo – que nos primeiros dias de detenção de sócrates dizia não ser certo que fosse o advogado de sócrates porque não tinha ainda procuração – o mesmo que as notícias dizem ter-se reunido com sócrates antes da detenção e tentado negociar que os depoimentos fossem feitos em liberdade? Se sim, podia pelo menos lançar-nos poeira para os olhos com maior subtileza e inteligência.

Heim, o Bloco a portar-se bem

Muito bem o BE nestas duas iniciativas legislativas que foram ontem aprovadas. Não percebo duas coisas.

1. Por que razão as notícias nos títulos escolheram sempre dar a primazia a aspetos jurídicos (ser crime público ou não) em vez de ao que é mais importante: que a violação tenha deixado de ser crime apenas quando algum grau de violência física tivesse sido usado (sancionando-se, assim, violações em que se recorresse a ameaças ou quando a mulher estivesse embriegada ou drogada de mais ou em que não se usasse muita violência) para passar a ser crime sempre que a mulher não dá o seu consentimento.

2. Por que diabo todos os partidos exceto BE e Verdes se abstiveram? Entendo as objeções que alguns possam ter à questão do crime público, mas na questão do consentimento não vejo como possa haver dúvidas. Só posso entender que não tenham querido associar-se a um projeto do BE. Mas tal como foi indecoroso o uso do PS das tragédias de dezenas de mulheres para benefícios eleitorais, também me custa que prevaleçam politiquices sobre a necessidade de melhorar a legislação nos casos de violência sexual sobre mulheres (ou sobre quaisquer outros grupos demográficos ou sociológicos, for that matter).

Um presente de Natal de The Daily Beast para os fãs de Hitchcock (eu, por exemplo)

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‘Ingrid Bergman was among the hosts of the dinner, and she did a fine job of it, direct and sincere in her admiration for Hitchcock. At the end of the ceremony applauding him, Bergman walked to his table to embrace Hitchcock. With help, he got to his feet, and when she hugged him he lifted his arms slightly as if to return the hug. He was not a man given to casual affectionate display; the moment was charged with emotion.

“She’s been in love with me for 30 years, you know. Mad for me all her life,” he’d announced to me one afternoon earlier on. And he repeated it from time to time, drunk and sober. “Hitch,” I said as gently as I could, “why are you telling me this? You know, I was a journalist for some years … you do know that, don’t you?” […]

Today, with the memories of Ingrid Bergman so vivid in his mind, it seems clear that he’s been thinking about her a great deal. When they were working together, 35 years ago, she was in her prime and one of the most beautiful women in the world. She was a celebrated bohemian, considered a scandalous woman. It’s not unrealistic to think they might have had a love affair if he had wanted it or known how to ask. And perhaps they did–but I doubt it. Now in his old age, Hitchcock develops crushes on young women, gives them money, and asks them to do God knows what. It may be that some hagiographer yet to come will find the stained sheets of fact and memory amid his papers. To make great films, that’s one thing; to make yourself happy, that’s quite another.’

O texto é longo mas vale todo imenso a pena. Até se aprende como, afinal, um perfil com uma grande protuberância na zona do estômago pode ser uma mais-valia. (A fotografia é um presente meu.)

Atualização: Os fãs de Hitchcock que leem o Insurgente são exigentes com os presentes que se lhes dão por aqui. Houve já quem reclamasse por estar Grace Kelly na fotografia em vez de Ingrid Bergman. Ora bem, a fotografia, como é por de mais evidente a quem me conhece, foi escolhida por estar lá James Stewart – que, helas, não contracenou com Bergman em filmes hitchcockianos. Mas como sou uma boa alma, aqui vai uma fotografia de Ingrid Bergman (e Cary Grant, que mania de achar que o que interessa ao mulherio não conta) para ilustrar o texto.

notorious

Querida progressividade

O meu texto de dia 10 de dezembro, no Diário Económico, sobre a reforma do IRS e os desastres do PS com o coeficiente conjugal.

‘O Governo provavelmente fez bem em recuar na cláusula de salvaguarda, amedrontado, entre outras razões, com as dificuldades informáticas que adviriam se a mantivesse. O Governo não tem tido uma relação fácil com as fórmulas de cálculo. E se está disposto a arriscar atrasar o já lento tempo da justiça, deixar inúmeros alunos durante quase um trimestre inteiro sem aulas e desorganizar a vida de milhares de professores e das suas famílias, evidentemente que no que toca à recolha de impostos (a verdadeira função do estado para este Governo), venham todas as cautelas.

Claro que a cláusula de salvaguarda só era necessária porque aumenta o IRS de algumas famílias. Mas ao fim de tantos aumentos de impostos – deste governo e anteriores – já estamos anestesiados em demasia para continuarmos a protestar. Esta reforma do IRS não se recomenda. Não há significativa simplificação e continua a ver a classe média como se composta por nababos. Mas por causa de uma das poucas medidas boas que o Governo propôs – o coeficiente familiar – o PS lá entendeu rasgar as vestes. E mostrar o extremismo que por estes dias o assola. O coeficiente conjugal existente permite dividir por dois o rendimento de um casal.

Se um dos casados não trabalhar – mesmo sendo saudável e podendo – o Estado atende ao facto de o único gerador de rendimentos do casal ganhar para duas pessoas em vez de apenas para si. Mas o mesmo Estado que dá benefícios fiscais a um adulto casado que até pode não trabalhar por opção, deve arrancar os cabelos – como o PS por estes dias – se para cálculo de IRS atender ao facto dos um ou dois geradores de rendimento familiar o gerarem também para os filhos. Isto diz-nos muito sobre a política fiscal que o PS seguirá. Não terminarão a sobretaxa do IRS para todos os escalões, visto que, pela nova argumentação do PS, abandonar uma sobretaxa igual para todos implica regressividade fiscal. Acaso queiram reduzir IRS, não tirarão, por exemplo, 1% à taxa de cada escalão – para o PS isso é regressivo. Donde: se reduzirem o IRS, irão aumentar a progressividade do imposto – e tratar a classe média ainda mais como nababos, agora ao quadrado.
Estamos avisados.’

ladies affairs

Pus eu como cover photo no facebook uma fotografia da série Yes, Prime Minister (é sempre conveniente revisitarmos Jim Hacker, Sir Humphrey Appleby e Bernard Wolley) e logo a seguir vejo que a Carla Quevedo tinha colocado Emmeline Pankhurst como cover. E, por associações evidentes, lembrei-me daquela reunião dos secretários permanentes dos ministros que se mostram muito favoráveis ao princípio da inclusão de mais mulheres em cargos políticos desde que não no seu ministério concreto. No fundo, favoráveis a procedimentos que levassem a que, como diz Sir Humphrey, se escolha sempre ‘the best man for the job, regardless of sex’. Muitos destes clichés já estão datados, mas olhando para os minsitérios que o PS atribui às suas ministras, desconfia-se que mantém muitos dos preconceitos de Appleby e Cia.

Procuras

Recomendadíssimo – para todos os que andam à procura daquela centelha que teima em estar em falta (e para os que não andam) – este vídeo do jesuíta Nuno Tovar de Lemos, entrevistado pela Laurinda Alves. Que centelha? O amor de Deus, evidentemente. Quem nunca teve a experiência do amor de Deus, absoluto e avassalador está em grande perda e não sabe. Que o amor de Deus não é sovina nem distante nem oferecido a contragosto. Não se confunde com aqueles (des)afetos que maltratam (através das circunstâncias da vida, das outras pessoas e até do estado e suas repartições, que eu no ponto atual considero um digno servidor de Satã) e nos deixam à espera interminavelmente, abadonados mesmo quando dizemos repetidamente que precisamos de companhia e que o abandono é uma tortura, sem saber se seremos alguma vez resgatados (quiçá para Deus nos moldar p caráter, testar a nossa fé ou dar-nos a lição de como somos insignificantes); e que quando estamos moídos, magoados e ressentidos nos atira uma migalhinha muito difusa e pouco concreta, esperando que, como afinal se trata de Deus, caiamos de joelhos agradecendo tão clemente graça e tamanha bondade. Pelo contrário. Faz-nos saber-nos acompanhados, queridos, valorizados, amados em todos os momentos. Um chuveiro de amor e mimos – mesmo quando as circunstâncias da vida, os outros (e o estado) não páram de nos infernizar a vida.

Amamentar em público, ou os púdicos pré-renascentistas

O meu texto de hoje no Observador.

‘Estão familiarizados com a polémica da última semana no Reino Unido? Eu conto.

Uma senhora amamentava a sua filha de três meses enquanto almoçava no restaurante do hotel de luxo Claridge´s. Um empregado veio pedir-lhe para se cobrir, e à bebé, com um pano, explicando ser essa a política do hotel para a amamentação. A mãe queixou-se no twitter, as redes sociais ficaram malucas (ou mais malucas do que o costume), o líder do UKIP declarou que as mães não deviam entregar-se à ‘amamentação ostensiva’, o primeiro-ministro Cameron veio discordar (bem como a secretária de Estado com pelouro da igualdade) e lembrar que a amamentação é um processo natural e que as mulheres o devem poder fazer em público. Os teclados já produziram inúmeras notícias e colunas de opinião e no último capítulo (até agora) dezenas de mães amamentaram em frente ao Claridge´s em protesto.’

O resto está aqui.

O direito à fantasia: dos bonecos animados à política

Parte do meu texto de hoje no Observador.

‘Acho muito bem que haja bonecas que concorram com a Barbie (e as princesas Disney e as outras todas), mas confesso que tirando uma atualização da história do patinho feio que se torna cisne deslumbrante – agora em versão tratamento dermatológico miraculoso – duvido que a nova boneca tenha sucesso só pela posse de borbulhas na testa ou pela exibição de celulite.

E tenho pouca paciência, reconheço, para as conclusões catastrofistas que se tiram para a auto-estima das raparigas das características físicas de bonecas com que brincam ou de desenhos animados que veem na impressionável infância. No ano passado, a propósito do filme Reino do Gelo, caracteres abundantes foram escritos porque os pulsos de uma das personagens eram mais pequenos do que os seus olhos, como se um ataque ao corpo feminino se tratasse. E houve petição com dezenas de milhares de mães assinantes em fúria quando a Disney transformou a princesa Mérida do filme Indomável, uma maria-rapaz em fuga dos estereótipos da adolescente medieval e do marido que lhe queriam impingir, estreitando-lhe a cintura, aumentando o tamanho dos olhos e do decote do vestido, subindo-lhe as maçãs do rosto e – o crime mais grave de todos – amansando-lhe os caracóis.

Ora eu, feliz possuidora de pujantes caracóis naturais, até simpatizei com a indignação pela retirada à Mérida dos seus adorados arco e flecha usados no filme, mas tive dificuldade em entender tanta fúria à conta do cabelo. Gosto do ar despenteado e desorganizado dos meus caracóis, no entanto não dispenso um bom produto para os modelar, para que fiquem formados mas não rígidos nem colados. Muito certamente não fiquei ofendida por terem domado um bocadinho os caracóis da Mérida. Afinal, por que razão veria um desenho da Disney como autoridade a deliberar sobre o meu penteado?’

Todo aqui.

revisitando a famosa e infame lei da cópia privada

Como infelizmente o PS não tem o monopólio das ideias ilógicas, convém relembrar a lei da cópia privada. Na semana passada estive no debate na Faculdade de Ciências da UL sobre a proposta de Barreto Xavier e – porque ainda não é tarde - deixo aqui a sugestão da Maria João Nogueira para alertar os deputados para o disparate monumental e injusto que é esta taxa. Não só nos obrigará a pagar uma taxa por dispositivos onde vamos guardar conteúdos que nós produzimos como criará uma classe que irá prosperar verdadeiramente à conta do trabalho alheio: como referiu o Michael Seufert na sua intervenção, os autores portugueses não necessitarão mais de produzir algo que o público queira consumir, basta-lhes aguardar que as empresas criem dispositivos com cada vez maior capacidade de memória para receberem cada vez mais dinheiro.

a coisa mais nojenta que já se fez na política portuguesa

Com os almoços infantis cá de casa, só com os zunzuns do facebook e do twitter me apercebi que a meio do discurso de Costa este interrompeu para que Maria do Céu Guerra viesse elencar nomes de mulheres mortas em crimes de violência doméstica. O Vítor Cunha já escreveu sobre isto, bem como o Bruno Alves. Mas já que isto se trata de violência de género – que existe, sim, e não devemos achar, qual Miguel Macedo em pelo menos duas ocasiões, que estes crimes são uma inevitabilidade e até, para minorar as estatísticas de criminalidade violenta, justificar que uma porção se trata de violência doméstica – deixem-me dar a minha opinião feminina.

O que acabou de acontecer no congresso do PS foi a coisa mais nojenta que me lembro da política nacional. Fazer política com a desgraça e morte alheia é o mais baixo a que um ser humano pode descer. Esta gentinha que agora tomou o PS – simultaneamente, e paradoxalmente, amoral e moralista – qualquer dia é capaz, para chamar a atenção para os crimes sexuais (que também existem e merecem atenção), de elencar os nomes das mulheres e crianças violadas.

Como diz o José Meireles Graça, não há meio da esquerda aprender que os fins não justificam os meios.

silêncios ensurdecedores

Ontem passei o dia e a noite sem qualquer informação do ajuntamento de socialistas – ainda que tenha passado à noite à porta da FIL e, com as prioridades trocadas que tenho, não tenha querido ir espreitar o que por lá se passava – mas pelo que vejo hoje nas notícias, além de uma radicalização à esquerda, pouco mais de interessante se passou do que uma gestão do silêncio sobre o elefante/fantasma/he-who-must-not-be-named.

Foi um silêncio cheio de alusões, de sugestões, de dizer sem dizer, de insinuar de modo a não ficar comprometido com nada do que insinuou. E estes jogos, reconheça-se, às vezes até têm piada. Permite que se avalie quem está em sintonia, quem percebe o que dizemos de forma não explícita, quem nos lê bem.

Têm um inconveniente: não podem durar para sempre. As pessoas cansam-se de enigmas e às tantas tem que se dizer claramente ao que se vem. E as respostas também podem ser dadas usando-se o silêncio, que fica assim ensurdecedor e a resposta mais cristalina e reveladora que se pode ter. António Costa não respondeu se ia visitar sócrates a Évora, de forma a criar ambiguidade, mas escolheu socráticos para o seu secretariado. Como dizia Paul Simon no início do vídeo, não haverá fireworks para quem esperava um PS purgado dessa substância tóxica que é o socratismo. Mesmo em silêncio, a resposta está dada. (Em boa verdade, a resposta já vinha sendo dada há alguns meses, pelos gestos que efetivamente contavam e que foram todos no sentido da presente resposta.)

Confirma-se a cabala da Justiça contra sócrates e contra o PS

Os acontecimentos de hoje não permitem outra interpretação do que a reclamada pelos defensores da criatura socrática. Como fica evidente, há umas semanas foram presas pessoas ligadas ao governo PSD-CDS à conta do caso dos vistos gold. E hoje foi condenado Duarte Lima – que, como bem nota o Vítor Cunha, também se diz inocente, o que, como é óbvio, arruma logo a questão sobre a culpabilidade do senhor, impossibilitando-a. Estas prisões e estas condenações de gente ligada ao PSD e ao CDS não foram mais do que formas de os procuradores e juízes lançarem poeira e fazerem crer que investigam e condenam sem olhar a origens políticas e distraírem o país do facto de pretenderem unicamente estragar a vida a esse cidadão cumpridor e ‘primeiro-ministro exemplar’ que é sócrates e prejudicar eleitoralmente o PS. Fica feita a denúncia.

(A propósito destas coisas dos protestos de inocência, tenho-me recordado de A Redenção de Shawshank, onde a personagem do Morgan Freeman às tantas diz aos outros reclusos que a personagem do Tim Robbins era inocente. Os outros respondem-lhe que ali são todos inocentes, tendo depois Freeman que clarificar que Robbins era um inocente dos verdadeiros. Era mais ou menos esta visão que eu tinha dos protestos de inocência de muitas pessoas. Mas felizmente – e tenho de humildemente agradecer esta lição – os defensores de sócrates deram a investigação por terminada mal a criatura enviou aquela carta de bravata descabida reclamando inocência e eu aprendi que todos os que se dizem inocentes estão de facto inocentes. Fica também aqui a lição, que certamente será importante para um ou dois leitores do blog que andavam, como eu, desviados desta sabedoria.)

Peço desculpa, mas foi a queda de um ‘oportunista’ COM ‘ideologia’

Anda por todo o lado esta capa do Liberation, but I beg to differ. sócrates podia ser um oportunista, mas tinha ideologia e estava inteiramente dentro do socialismo. De resto estou cada vez mais convencida que certos tipos de personalidade não só se adequam mais como florescem se dentro de regimes socialistas ou socializantes. A sede de controlo de tudo de sócrates – todos os cantos recônditos do estado, a comunicação social, a investigação judicial, as grandes empresas, os bancos, e um muito tentacular etc. – é muito semelhante à que encontramos nos mais variados ditadores comunistas. E não é necessário dizer que o papel central e condicionador e (sempre que o semi-déspota do momento entender) controlador do estado numa economia e numa sociedade não pode estar mais dentro da cartilha ideológica socialista, pois não? Também o comportamento narcísico, ressentido e vingativo de sócrates faz lembrar (em estado ainda não sublimado pelo poder absoluto) o dos complacentes Mao e Stalin.

Sobre Sócrates vale a pena ler o Paulo Tunhas no Observador e Vasco Pulido Valente no Público. Porque para mim o mais irritante disto na criatura – além, claro, das consequências monetárias que as suas políticas tiveram na minha vida – é termos de andar a perder tempo com alguém como sócrates. E diz tudo da pequenez do país – e dos jornalistas – que tantos continuem a admirar o estilo ostensivo e postiço do ex-pm.

Ensinem isto nas escolas, sff

O João Miguel Tavares escreve no Público um pequeno texto que toda a gente devia ler, muitos para ver se finalmente ganham juízo e aprendem que não existe democracia sem um feroz escrutínio à atividade dos políticos – e, já agora, dos juízes e magistrados. E a ver se páram com o disparate dos perigos do fim do regime, da democracia, da Via Látea, porque certamente não é quando as instituições do regime, até agora entorpecidas, estão finalmente a funcionar que se deve por em causa o regime.

‘Mas parece que neste respeitoso Portugal insistir em fazer perguntas óbvias passa por má educação. Perguntava-se uma vez e Sócrates não respondia. Perguntava-se duas vezes e Sócrates não respondia. E quando se perguntava a terceira vez já se estava a criticar o jornal por insistir na pergunta em vez de se criticar Sócrates por recusar a resposta.

Nem agora, após José Sócrates ter sido detido para interrogatório, essa sede de generalização parece saciada. Ele é preso e avançam de imediato as profecias apocalípticas: é o fim do regime que se aproxima; é a política, como um todo, que é atingida. Não, senhores, não. O regime tem imensas falhas e a política infindáveis problemas, mas Passos Coelho tem toda a razão quando afirma que nem toda a gente é igual. E José Sócrates, graças a Deus, não é igual a ninguém. Ele é o special one da indistinção entre verdade e mentira, pela simples razão de que nunca viu diferença entre uma e outra. A sua detenção não é o fim do regime. Pelo contrário: foi durante o seu consulado que o regime esteve quase morto. O que está agora a acontecer é o oposto disso: é o regime a funcionar outra vez.

E a funcionar apesar de todas aqueles que, confundindo mais uma vez as prioridades, estão muito preocupados com a detenção de Sócrates ao sair de um avião ou por a SIC ter filmado um carro a ir-se embora do aeroporto. Ai, meu Deus, que os jornalistas foram informados! Eu, de facto, preferia que os jornalistas não tivessem sido informados. Mas preferia muito mais que José Sócrates não tivesse sido – e a verdade é que ele foi escandalosamente informado e protegido pela justiça durante anos a fio. Num país onde quase não há busca sensível que seja feita sem que os visados estejam prevenidos, eu diria que há fugas de informação bem mais perniciosas do que aquelas que beneficiam a comunicação social. Andaram dez anos a fazer-nos passar por parvos. Se calhar já chega.’

Está completo aqui.

prevenção anti-totalitária

animal farm

Esta foi a minha introdução ao Animal Farm, a Orwell, aos totalitarismos, à corrupção do poder, à treta do igualitarismo (que acaba sempre no ‘todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que outros’). Vi o filme vezes sem conta em criança numa cassete de vídeo, sem perceber evidentemente todas as metáforas e analogias que continha.

(A minha segunda introdução a Orwell foi com o 1984, livro que o meu irmão mais velho leu em 1984 e que eu folheei e li páginas avulsas, entusiasmada por haver um livro com o título daquele ano. Percebendo ainda menos a mensagem de Orwell do que com o filme O Triunfo dos Porcos.)

Ainda há pouco tempo, em resposta às intermináveis perguntas das minhas crianças sobre os filmes, os brinquedos, as aulas e, enfim, TUDO da minha infância, lhes falei do filme (que é bom endoutrinar o anti-comunismo desde pequeninos) e lhes contei o que queria dizer. A criança mais nova claro que me ignorou e a mais velha fez-me saber, mais uma vez, que não gosta de conversas sobre política. Mas agora que foi relançado o filme, terão mais dificuldade em escapar ao dvd do que ao youtube.

(E eu, aparentemente, sou um bocadinho produto da CIA.)

sócrates, o político que muitos portugueses merecem

Muito bom texto do Vítor Cunha sobre o assunto do momento. Mas não é só o PS que precisa de se livrar de sócrates. E relembro que mesmo sem esta prisão já era politicamente suicidária a ressurreição política de sócrates apadrinhada por Costa – e é mais uma prova da inépcia política de Costa, o tal que não pára de se vangloriar de ter ‘visão estratégica’. Viu-se.

Mas, como disse, não é só o PS que tem de olhar para o que andou a fazer. São os jornalistas que durante anos andaram a fingir que – não havendo acusações nem, menos ainda, condenações – era politicamente aceitável um pm com aquela licenciatura, com as casinhas beirãs com projetos assinados de cruz, com as escutas do caso Face Oculta eliminadas de forma estranha e um quilométrico etc. Foi a direção da RTP que teve o despudor de oferecer, com dinheiros dos contribuintes, tempo de antena a uma criatura que conduziu o país a um resgate financeiro internacional e a seguir foi viver para Paris com o seu estilo ostensivo de pato-bravo.

Ah, e a ida para Paris. O que se diria de um empresário que paga os salários atrasados aos seus funcionários e embolsa o dinheiro da parte da TSU descontada aos trabalhadores, desculpando-se com falta de pagamento dos clientes, dificuldades de tesouraria, escassez de encomendas, whatever, mas continua a exibir perante esses trabalhadores (a quem não paga) a sua vida dispendiosa, mesmo que financiada com recursos próprios? Eu diria que tal empresário gozava com a desgraça alheia – desgraça de que, de resto, tem culpas. Mas que se diz de sócrates? Nada, evidentemente, que dizer alguma coisa do exílio de luxo da criatura é apenas ‘inveja’, ‘ressentimento contra quem tem pais ricos’, blablabla.

A Helena Matos também tem razão. Porque a persona sócrates não foi só criada pelo próprio. Foi criada com a conivência de muitos. E mesmo sem qualquer acusação ou sentença judicial é moralmente indefensável.

Não tem implicações políticas? Gargalhada.

Os comentadores enamorados por josé sócrates, que António Costa herdou, bem se esforçam para não contaminar o PS com o caso sócrates.

Vamos lá ver: mesmo que nada se prove – que os tais 20 millhões foram acumulados por sócrates e vindos de onde ou que, existindo os 20 milhões, eram do seu amigo e nada tinham a ver com sócrates – resta sempre o facto político. A prisão? Não. Que sócrates criou (enquanto Costa fazia parte do governo) regimes especiais de transferência de capitais para Portugal (fiscalmente muito apelativos e extinguindo implicações criminais) que os seus grandes amigos correram a aproveitar. Isto na possibilidade mais benigna.

Também será interessante de saber como o António-Costa-da-esquerda-da-esquerda-do-PS justificará um imposto de 5% sobre milhões de euros (decidido pelos governos de que fez parte) quando não se compromete com redução fiscal para famílias de classe média. Tanto mais que a entrada de dinheiro do país, só por si, não interessa a ninguém e não é ‘investimento produtivo’ – pelo menos é o que têm dito a propósito dos vistos gold.

António Costa existe mesmo?

O meu texto de hoje no Observador.

‘Venho aqui confessar: não vislumbro o que pretende António Costa com a estratégia política que tem seguido e os temas em que tem martelado.

As eleições antecipadas em 2015. Mesmo depois do Presidente da República ter dito que as eleições serão na data prevista, o PS lá teve de reincidir no tema a propósito da demissão de Miguel Macedo. E antes de o PR ter dado a opinião sobre o assunto, toda a gente que costuma usar os neurónios sabia que Cavaco nunca iria antecipar as eleições. Porque considera – e muito bem – que a data das eleições não tem de andar a reboque das conveniências eleitorais do PS e porque deu em 2013 oportunidade ao PS de haver eleições antecipadas. O PS recusou e claro que Cavaco terá todo o gosto em oferecer ao PS aquilo que o próprio partido escolheu.

Era evidente que Costa perderia esta batalha da antecipação das eleições. (E se para a direção do PS não era evidente, aconselho que se demitam em bloco e se retirem para uma vida de contemplação num mosteiro nepalês.) Para que a escolheu, então? Para ter assunto, já que claramente não faz ideia – ou faz e não quer contar – de como resolverá os urgentes problemas do país, os de financiamento do estado? Mas ao político que se apresenta como conseguindo por Merkel no lugar de germânica causadora de duas guerras mundiais que deve desculpas e compensações ao mundo, será que esta imagem de bulldozer que arrasa todos no interesse de Portugal é beneficiada com o facto de nem o Presidente conseguir convencer?’

O resto aqui.