… mas fica aqui a identidade de ‘Pinóquio‘, por um dos envolvidos no projecto Freeport.
Maio 22, 2012
Já percebi!
Hoje é, sem dúvida, um grande dia: percebi finalmente a razão – e que avassaladora esta é – de tanto se dizer que temos um governo liberal que segue uma política também ela impenitentemente liberal ou até mesmo ultra-liberal. Como porventura haja mais quem me tenha acompanhado nesta perplexidade de teimar em não ver liberalismo num governo apelidado de liberal, eu vou partilhar convosco o meu processo de raciocínio que me guiou até à iluminação.
Ora já havia eu reparado há uns anos que a gente de esquerda não precisava de seguir qualquer política que melhorasse o nível de vida da população (em especial da população mais pobre) para ser considerada de esquerda. De facto, inúmeras vezes (ou, melhor, todas as vezes) decidiram-se por políticas que provocavam a curto, médio ou longo prazo mais pobreza (a situação actual de bancarrota é um exemplo de entre muitos). A gente de esquerda não necessita de resultados eficazes na melhoria do nível de vida ou na diminuição da pobreza para ser gente inegavelmente de esquerda. Na realidade, a gente de esquerda só precisa de dizer que se preocupa com os pobres (essa categoria abstracta com a qual nunca se cruzaram se não nos livros de Manuel da Fonseca ou de Dickens), com a redistribuição de riqueza, com as prestações sociais, praticar uma diatribe ou duas contra os ricos ou os bancos para ser apelidada de esquerda. De seguida pode aumentar a carga fiscal, o que leva a contracções que levam à falência empresas e fazem explodir o desemprego e a pobreza, que não faz mal: a profissão de fé já havia sido feita. Carlos Magno – o senhor que agora vai decidir sobre o caso Relvas-Público – resumiu muito bem isto num comentário televisivo ao debate entre Sócrates e Pedro Santana Lopes (cito de memória): comentou o senhor que durante a apresentação de ideias dos dois candidatos não se percebia quem era o candidato da esquerda (i.e., o bom candidato), até que Sócrates disse algo como ‘alguém de esquerda nunca deixa de olhar para a pobreza’ e aí Magno decidiu-se a entregar o prémio ‘ser de esquerda’ a Sócrates; em suma, pelas políticas propostas, Magno não percebia o esquerdismo, mas não fazia mal, o que interessam as políticas?, o importante fora a profissão de fé das palavras de Sócrates. O que contam não são os actos, mas as intenções (declaradas).
Com a ajuda deste post do André, percebi que, afinal, para a direita liberal se passa algo simétrico. Um governo pode aumentar a apropriação pelo estado de recursos das empresas e de particulares (vulgo, aumento de impostos), pode patrocinar regimes fiscais totalitários (um exemplo, e nem é necessário relembrar as pretensões de Teixeira da Cruz com o enriquecimento ilícito), pode aumentar a despesa pública, pode criar leis higienistas que condicionem os comportamentos dos fumadores dentro dos seus carros, pode reduzir a liberdade contratual dos agentes económicos, pode tudo, que, novamente, as políticas efectivas não interessam. Desde que o governo diga que quer diminuir os impostos, que quer privatizar isto e mais aquilo, pode à vontade aumentar impostos e não privatizar nada, que será sempre um governo liberal. O que conta não são os actos, mas as intenções (declaradas).
Além de estar agradecido a Pinto Monteiro e a Cândida Almeida, hoje Sócrates também está agradecido a Miguel Relvas pelo desvio das atenções
Se não fôssemos um país de faz de conta, os indícios que persistem em existir de que José Sócrates enquanto ministro do ambiente recebeu subornos para licenciar o Freeport teriam sido investigados a fundo para que se verificasse a sua veracidade ou falsidade.
Maio 11, 2012
Agradecem-se esclarecimentos
Nuns dias em que socialistas (uns assumidos, outros nem tanto) falam da necessidade de ‘políticas de crescimento’ – sendo ‘políticas de crescimento’, para esta gente, sinónimo de ‘pôr o estado a gastar dinheiro para promover crescimento económico’ – eu gostava que me esclarecessem, se não der muito trabalho, como se pagarão as tais ‘políticas de crescimento’. Dizem-me que nem Hollande descobriu a galinha dos ovos de ouro, pelo que onde se vai buscar o dinheiro? Emite-se dívida pública? Duvido que seja por aqui; os ditos socialistas ainda esperarão mais uns seis meses para propor que o país se endivide mais, com os juros altos nos mercados, o FMI e assim ainda presentes na memória das pessoas. Como não dá para poupar em lado nenhum do estado – este governo vai para um ano e ainda não fez qualquer redução estrutural da despesa pública e está-se mesmo a ver que a tal racionalização dos milhentos institutos públicos, a fazer-se, não será mais do que cosmética – então a solução que estes socialistas pretendem é aumentar a carga fiscal para dar ao estado fundos para gastar em ‘políticas de crescimento’, não é? (Não vou perder tempo aqui discutindo o sucesso retumbante das ‘políticas de crescimento’ que os governo patrocinaram até aqui.)
Seria bom, então, que os proponentes de ‘políticas de crescimento’ fossem cândidos – e corajosos! – e reconhecessem que pretendem empobrecer ainda mais as populações e contrair ainda mais a conjuntura económica para, depois, porem o estado a fazer ‘crescer’ a economia. A bem da clareza e da honestidade intelectual.
Abril 26, 2012
José Sócrates deve todos os dias dar graças a Deus (ou à energia universal, ou assim) pela dupla Cândida Almeida e Pinto Monteiro
«Testemunha do caso Freeport diz que Sócrates sugeriu arquitectos. [...]
Nicholhas Lamb, que falava através de videoconferência para o Tribunal do Barreiro como testemunha do processo Freeport, disse que José Sócrates alegou que a Freeport tinha os “arquitectos errados” [Promontório] e que “apoiavam o partido errado”.
Segundo o director de operações da Benoy, que ocupou o cargo entre 1999 e 2002, tudo se passou numa reunião realizada em Janeiro de 2002, já depois do chumbo do processo Freeport, com o então ministro do Ambiente José Sócrates.
“Não estive presente na reunião, mas segundo o que o sr. Rawnsley me disse, que foi quem esteve na reunião [director executivo do Freeport na altura e que já admitira em tribunal ter-se reunido com José Sócrates], o ministro disse que tinham os arquitectos errados”, acrescentou.
“O que o ministro disse foi que o problema não era a Benoy, mas a equipa de arquitectos. Eram os arquitectos errados e apoiavam o partido errado”, frisou.
Acrescentou ainda que José Sócrates terá dito que, com a equipa de arquitectos de Capinha Lopes, teriam “muito mais hipóteses de o projecto ser aprovado”.
Nicholas Lamb disse ainda em tribunal que o que estava em causa no estudo de impacto ambiental realizado pela Promontório “não era a capacidade técnica nem de recursos humanos”. [...]
E quando questionado pelo tribunal se a Capinha Lopes tinha mais experiência do que a Promontório naquele tipo de trabalhos, Nicholas Lamb disse perentoriamente que “não”.
“Não, a Promontório tinha muita experiência, a Capinha Lopes não tinha essa experiência”, afirmou.»
(A Promontório, refira-se, fez projectos em muitos centros comerciais para, por exemplo, a SONAE ou a Mundincenter).
Abril 12, 2012
‘a dado momento do processo de licenciamento da obra receberam informação de que tinham sido pedidos dois milhões de euros para que o projecto obtivesse luz verde’
Os indícios de um suborno ou de pedido de um suborno para a aprovação do Freeport pelo ministério do Ambiente de Sócrates teimam em persistir. Mas não faz mal: o DCIAP e o ministério público sempre fizeram por ignorá-los, não fossem investigar e descobrir alguma coisa que desagradasse ao poder político do momento.
Abril 11, 2012
E uma pergunta importante a propósito da segurança alimentar em Portugal:
se é fundamental pôr as empresas comerciais de produtos alimentares a contribuir para a segurança alimentar – ou vem o apocalipse – então os produtos agroalimentares de origem portuguesa que se vendem agora e até à entrada em vigor da taxa não são seguros e fiáveis? Agradecia resposta do governo, para saber se é conveniente começar a escolher alimentos importados lá para casa.
É conveniente recordar os pergaminhos anteriores deste governo que agora inventa mais um imposto sobre empresas comerciais de produtos alimentares
‘Em menos de um ano, o Governo mexeu em todos os impostos. E criou novos’. É, sem dúvida, liberalismo. E não deixa de ter piada que poucos dias depois de Passos Coelho se ter comprometido com redução da despesa em vez do aumento da carga fiscal para novos ajustamentos, uma ministra do seu governo venha com ideia, como dizer no léxico socialista?, criativa. Ou uma festa. Estava PPC só a reinar, ou a ver se estávamos com atenção, não?
Mais notícias do governo mui liberal (II)
A dimensão dos recursos que o Estado retira às empresas e às famílias é o grande problema do país, que pagamos agora com a tal da austeridade mas que também pagamos há mais de uma década com estagnação económica. Claro que temos outros problemas estruturais graves que dissuadem o investimento (o tal que sem o qual não há crescimento sustentável), desde uma legislação laboral que parece ter sido criada pelos pacientes de um manicómio (e que este governo não parece ter vontade de trazer para a área da sanidade, por muitos passos pequenos que se tenham dado, e todos na direcção certa) a uma (In)justiça que faz por proteger toda a espécie de criminosos, desde os simples caloteiros aos corruptos de alto nível, passando por toda a gama de ladrões. Mas a apropriação em larga escala de recursos privados pelo estado é, sem dúvida, o principal contributo impeditivo do consumo, investimento e poupança.
Donde: um governo que queira de forma séria sanear a economia (e não apenas sanear as contas públicas) tem de reduzir de forma estrutural – e não apenas em conjunturas desfavoráveis – a despesa pública, de forma a que se possam baixar os impostos e mais taxinhas e contribuições espertalhonas que os governos vão criando. Ora sendo a dotação orçamental para os ordenados dos funcionários públicos a principal despesa pública, esta não poderá deixar de ser reduzida, ou via diminuição significativa de funcionários públicos ou via diminuição de ordenados. Neste cenário não deixa de ser patética a polémica da reposição dos subsídios de Natal e de férias aos funcionários públicos que, não havendo de facto redução significativa de funcionários públicos, se devia tornar permanente a bem da sustentabilidade das contas públicas e da saúde da economia. Mas já se percebeu: a tempo das próximas eleições, os subsídios aos funcionários públicos serão repostos.
Mais notícias do governo mui liberal
Tradução: para se ajudar as explorações agrícolas, tramam-se as empresas de comércio alimentar incluindo, ao contrário do que se quer fazer crer, as PME de distribuição. Não que isto não esteja na tradição dos governos PSD-CDS: o ministro da Economia de Durão Barroso também criou uma licença para lojas com mais de 500m² para ajudar o comércio tradicional (em que, nos casos em que não se ajudou a si próprio, obviamente não teve ajuda que lhe valesse).
Perante esta notícia, espero que o Ministro da Economia se imponha para evitar (ainda) mais falências de empresas comerciais. É que o Governo deve-se ter esquecido, mas os tempos não estão fáceis, a procura interna anda moribunda e não é a melhor altura para aumentar custos a empresas quando muitas delas já estarão no fio da navalha. Isto, claro, se não quiserem ajudar ao crescimento do desemprego. Se quiserem, é irem aprovando medidas destas.
Março 30, 2012
Dos cortes na despesa
Eu sei que a blogosfera deve ser imediatista, mas não posso deixar de comentar, ainda que atrasada, o bom sinal que são as declarações do PM na sua última entrevista, referindo que, a haver necessidade de correcções para a meta do deficit de 4,5%, estas seriam feitas do lado da despesa e não do lado da receita com novos aumentos de impostos. Sinais destes são especialmente importantes depois do actual ministro das finanças ter revelado que vê com bons olhos a política financeira do seu antecessor. E que é, portanto, necessário que alguém no governo lhe trave os ímpetos de publicano – o que, pelos vistos, sucede. Ainda assim, e a propósito de cortes na despesa, onde está a prometida reorganização/extinção dos incontáveis institutos públicos?
Março 24, 2012
A ‘competência técnica’ de Teixeira dos Santos e os péssimos sinais de Vítor Gaspar
Acompanho o Nuno na perplexidade sobre a ‘competência técnica’ de Teixeira dos Santos – ‘competência técnica’ presumo que agora se aplique a todos os que sabem somar e subtrair e ainda se lembram da tabuada – mas não posso deixar de referir o péssimo sinal que é Teixeira dos Santos ter obtido a aprovação de Vítor Gaspar, a acreditar no que contam as notícias, tendo sido rejeitado sobretudo por Paulo Portas e por parte do PSD – que acredito ser a esmagadora maioria (contudo deixa-me boquiaberta o facto de haver quem, no PSD, aceitava a nomeação).
A concordância de Vítor Gaspar significa, como todos percebem, uma avaliação positiva da actuação de Teixeira dos Santos enquanto ministro das finanças e não apenas (apesar de também) inépcia política. Ora como esta actuação se pautou por aumentos de impostos e crescimento da despesa pública e como a actuação de Vítor Gaspar se tem concretizado em aumentos de impostos e, afinal (e não interessa nada a desculpa da RTP; no antigamente de Teixeira dos Santos a despesa pública também subia por isto e por aquilo) com crescimento da despesa pública, como medidas concretas para a diminuição da despesa pública como a extinção ou fusão dos milhentos institutos públicos (só um exemplo) continuam por concretizar (Manuela Ferreira Leite, que fez uma primeira tentativa neste campo com alguns resultados, demorou bem menos tempo), só podemos concluir que a política financeira de Vítor Gaspar, e, em consequência, a do governo, é e pretende ser uma continuidade da política de Teixeira dos Santos. O que, parecendo que não, explica muito dos maus indicadores económicos depois das eleições do ano passado.
Começa a ser tempo de assumir que Vítor Gaspar foi uma má escolha para as Finanças.
Março 23, 2012
Teixeira dos Santos vai ser recompensado – e bem recompensado – por ter arruinado o país
E não, o título não é ironia. Teixeira dos Santos foi, quase desde o início dos governo de José Sócrates, o responsável pelas finanças públicas. Teixeira dos Santos concretizou uma política financeira assente em crescimentos reais da despesa pública em todos os anos, num aumento absurdo da extorsão fiscal para pagar o despesismo do governo de que fazia parte, promoveu um crescimento insustentável da dívida externa (andava abaixo dos 70% do PIB quando Teixeira dos Santos chegou ao governo e chegava a perto de 100% quando de lá saiu), durante o ano de 2009 e até à realização de eleições mentiu deliberadamente aos portugueses sobre a realidade das contas públicas relativas a esse ano, cujo défice garantia ser de 5,9% e chegaria, afinal, a mais de 9%, pelo meio de tudo isto fez orçamentos (o de 2009, desde logo) que toda a gente percebia serem irrealizáveis, inventou a expressão ‘orçamento suplementar’ e ‘orçamento redistributivo’ para os orçamentos rectificativos que foi obrigado pela já dura realidade a elaborar, e muito, muito mais. Em suma, Teixeira dos Santos foi, juntamente com José Sócrates, o responsável pela falência do país.
E o que vai suceder agora a um senhor que tão relevantes serviços prestou ao país? Pois vai ser recomendado pelo banco público, cuja administração segue as indicações do actual governo, para ser o administrador da CGD na PT.
O que se pode dizer de um país e de um governo que recompensam assim quem arruinou o país? Será que o actual governo não percebe que com esta vergonha está a validar a política do recomendado e aquilo que ele fez ao país? Lamento, mas o facto de Teixeira dos Santos ter, no fim, traído Sócrates e precipitado a intervenção do FMI não o absolve de ter provocado a necessidade dessa intervenção do FMI. Esperemos que o governo dê ordens imediatas à CGD para escolher alguém para a PT que não tenha no curriculum a falência de um país.
Março 22, 2012
Alguém me explica com que documentos foi feita a anterior investigação à licenciatura de José Sócrates?
Se OS documentos sobre a licenciatura de José Sócrates foram agora entregues ao Ministério Público, e se antes disso estiveram em poder de Rui Verde, podem Cândida Almeida e o PGR Pinto Monteiro esclarecer com que documentos – se alguns – foi realizada a investigação efectuada (e concluída e arquivada) à licenciatura de Sócrates? Basearam-se em meras fotocópias? Procurou-se aceder aos originais? Ou a investigação resumiu-se a abrir informaticamente o processo, a folhearem displicentemente umas folhas enquanto tomavam café e a redigirem, da forma como já sabiam que o fariam antes de iniciar a dita investigação, o arquivamento do processo?
E o poder político no meio disto tudo? Eu sei que pode parecer aproveitamento político da parte da actual maioria e do Presidente da República, mas este assunto é demasiado grave para cálculos de imagem. Também sei que da ministra da Justiça nada se deve esperar. Mas era conveniente pelo menos a AR investigar em que condições são feitas as investigações do MP aos políticos em exercício, se há de facto investigações ou se são apenas papas e bolos para enganarem os tolos. Porque se a investigação à licenciatura de Sócrates foi a pantominice que aparenta, há que punir exemplarmente os responsáveis por tal fantochada. Num momento em que o governo pretende ter exigência igual para um comum cidadão eleitor e um primeiro-ministro no que toca à justificação dos seus gastos, em que praticamente legaliza o pequeno furto, em que rasga os direitos dos cidadãos perante a administração fiscal e em que até quer prender quem poupa uns trocos no IRS, é conveniente os eleitos perceberem que é bom mostrar ao mundo que as investigações judiciais aos políticos não são apenas sombras chinesas.
Março 21, 2012
A esquizofrenia deste ministério da (In)Justiça
Ontem, de cada vez que passava por uma banca de jornais era assombrada pela frase da capa do DN: Mentir no IRS vai passar a dar prisão. Por momentos chamei mentalmente uns nomes desagradáveis a Vítor Gaspar por mais uma dose de totalitarismo fiscal mas percebi posteriormente que a iniciativa era – sem surpresa – do Ministério de Paula Teixeira da Cruz. Está-se mesmo a ver, só um exemplo, que uma pessoa que se engana e soma numa factura de farmácia produtos com taxa de IVA que não dão para descontar no IRS merece mesmo ir parar a um estabelecimento prisional, não está? Pois.
Enfim, como a esta ministra nunca ocorreria fazer um coisa bem mais útil ao país – num outro exemplo: criminalizar informações falsas dos detentores de cargos políticos sobre as contas públicas nacionais (e seria uma pena a lei não ter efeitos retroactivos para podermos pedir contas a Sócrates e Teixeira dos Santos sobre o propagandeado durante a campanha eleitoral défice orçamental de 5,9%, que acabou por ser mais perto de 9,5%) – o que eu sugiro é que opte pela racionalidade dos números que apresenta para defender que um furto numa empresa que, obrigatoriamente pelo seu tipo de negócio, tem produtos acessíveis ao público seja um crime privado. (Pelos vistos já se abandonou a insultuosa argumentação de que quem vende produtos que estão acessíveis ao público tem de tratar da sua própria segurança, como se não pagassem impostos (as empresas e os proprietários das empresas) para que o estado desempenhe precisamente a função fulcral de defender todos os cidadãos. E a acusação particular será apenas nos casos em que se consegue reaver o bem roubado – ou seja, a medida não vai ter grande efeito prático nem trazer grande poupança de custos.)
Se a ministra quer vender o direito de todos os cidadãos à Justiça por um prato de lentilhas (500 a 700€), porque não basta para o estado que quem seja apanhado a mentir na declaração de IRS pague apenas o valor do imposto que deixou de pagar graças à mentira? Se a ministra vir bem as coisas, sustentar na prisão alguém que por ter mentido poupou uns quinhentos euros de IRS também é capaz de deixar o estado a perder dinheiro. Ou será que há valores que para a ministra não têm preço? E que outros valores – como a segurança das empresas comerciais – são, afinal, desprezíveis?
A (In)Justiça em Portugal é uma nódoa que não deixará o país enriquecer se não for reformada e este governo tinha tanto a a oportunidade como a obrigação de pegar no problema e agir para a sua resolução. Mas Passos Coelho lá teve que pagar o favor por sempre o ter apoiado e nomeou Paula Teixeira da Cruz para esta pasta essencial. Aconselha-se, assim, já que não se pode evitar o desastre, os ataques aos mais básicos direitos dos cidadãos e o totalitarismo da ministra, que se lhe diga que fique quietinha no seu ministério até às próximas eleições, que não procure mediatismos, visto que no caso de PTC o que de melhor se pode esperar é que nada faça. Antes o sistema judicial como está do que pior. Com certos governantes a melhor sorte das populações é aqueles optarem (voluntariamente ou por sugestão superior) pela inacção.
Março 20, 2012
E uma investigaçãozita pelo ministério público?
Perante esta exiguidade de indícios - pelo menos duas pessoas afirmam em tribunal que tiveram conhecimento de que Sócrates recebeu um pagamento pelo licenciamento do Freeport - ainda bem que o MP teve gente tão bem comportada que nunca ousou investigar o pm em exercício, apesar dos indícios de crime teimarem em existir. Foi como no caso do pagamento da siza da casa de José Sócrates na Rua Castilho: os únicos dois compradores que estavam isentos do pagamento de siza compraram as suas casas por valores muito acima dos declarados por aqueles que não estavam isentos de siza. O que, claro, é só uma coincidência. Por acaso o fisco é assim que detecta prováveis casos de fuga ao actual IMT: vê no mesmo prédio se casas semelhantes tiveram valores de venda muito díspares e investiga os proprietários dos que têm valores mais baixos. Mas isso é para a gente comum, para os pm, que deveriam ter um escrutínio mais apertado também pelo MP, há o respeitinho, o vergar da coluna, o mandar às urtigas o dever profissional.
Algo me diz que se os acusados no caso Freeport decidirem implicar Sócrates, teremos brevemente uma mudança do auto-exílio em Paris por um auto-exílio na Venezuela ou país semelhante.
Março 19, 2012
Março 7, 2012
Para um ministro da Economia, o trabalho que urge não é fazer, é desfazer
Álvaro Santos Pereira estava condenado a ser maltratado por jornalistas e comentadores e também pela classe política do burgo. O que por cá se aprecia é um ministro que tire dinheiro às famílias e às empresas lucrativas para o distribuir por investimentos públicos mal amanhados – sempre projectos-charneira que vão tirar um país ou, pelo menos, uma região do atraso económico e que terminam quase sempre às moscas rodeados de populações em empobrecimento – e pelas empresas inacapazes que só sobrevivem com subsídios estatais ou pelas empresas das clientelas empresariais dos partidos políticos. Como para isto, felizmente, não há dinheiro, Álvaro Santos Pereira é e continuará a ser considerado um erro de casting.
Assim, e dado que a popularidade comunicacional é, pela conjuntura, inalcançável, a minha sugestão para Álvaro Santos Pereira é que aproveite e preste um serviço fulcral ao país, que os políticos, jornalistas e comentadores nunca reconhecerão: desfaça tanto quanto conseguir as milhentas legislações e regulamentações imbecis que só servem para atrapalhar a vida das empresas e para administração central e local extorquirem umas taxas a quem quer produzir e criar riqueza. Porque carga de água uma autarquia pode exigir que publicidade colocada no interior de uma loja, no espaço privado, tenha necessidade de licença? Porque diabo é necessária tanta papelada para legalizar um mero letreiro de uma loja? A quem é que lembrou exigir que, por exemplo, uma loja de roupa que seja alterada para um restaurante ou para um supermercado necessite de autorização do condomínio para ser autorizada pela câmara? E porque há-de haver tanta burocracia nas licenças de um supermercado ou restaurante? Não bastava uma fiscalização final a ver se tudo estava conforme à segurança e à higiene? Porque é necessário alvará para uma agência de viagens num mundo onde tudo se compra pela internet, incluindo viagens de avião e estadias em hoteis? Porque demoram séculos as licenças para a abertura de um hotel? Porque se persegue quem valoriza o espaço público com uma esplanada? Porque diabo uma empresa não há-de poder vender um produto abaixo de custo? Porque há períodos de saldos definidos legalmente? Porque não pode uma empresa usar a palavra ‘promoção’ sem ser dentro de regras estritas? Porque ainda não se extinguiu a ASAE e se criou uma agência moderada que trabalhe de facto para a segurança dos consumidores em vez de para a perseguição inquisitória das empresas e para o mediatismo do seu director? Porque pode a ACT chegar a uma empresa para fazer uma inspecção e pedir papelada que nada tem a ver com os recursos humanos?
Os exemplos de regulamentos que não servem para nada e só atrapalham são infindáveis. Se o ministro da Economia se dedicasse a trabalhar com as associações patronais na eliminação destes empecilhos e eliminasse metade do total, Álvaro Santos Pereira mereceria ter ruas com o seu nome em todas as cidades do país. Já se quiser ‘fazer obra’ no sentido habitual do termo, mais vale que regresse ao Canadá.
Fevereiro 23, 2012
Dica aos jornalistas que escrevem sobre a indignação com a queima acidental do Corão no Afeganistão
Se se derem ao trabalho de investigar, ainda descobrem que em Lisboa ocorreu uma queima do Corão, há poucas décadas, organizada pela comunidade muçulmana, da quase totalidade de uma tradução do Corão para português, que parece que era heresia. Ou bem que um Corão pode ser queimado por toda a gente ou bem que não pode ser queimado por ninguém.
Fevereiro 10, 2012
As datas, as datas
A Sábado – que, refira-se, é dos poucos jornais/revistas que compro regularmente – há uns tempos fez um trabalho divertido sobre a (falta de) cultura geral de universitários. Por isso, talvez fosse bom que os seus jornalistas não fizessem confusões básicas como, por exemplo, esta entre Segunda Guerra Mundial e Grande Guerra ou Primeira Guerra Mundial. Um regimento que ficou soterrado em 1918 não pode ser de «de soldados da infantaria de um regimento alemão, que exerceu serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial» (com as várias mudanças de regime na Alemanha de entre guerras, e as consequentes alterações militares, nem se podem desculpar com a continuidade dos regimentos de uma guerra para outra). E qualquer pessoa com um mínimo de cultura geral sabe de cor as datas das guerras mundiais, ou não?
P.S.- O lapso, entretanto, foi corrigido.
Janeiro 27, 2012
Profissão? Sindicalista
Hoje de manhã na SICN, durante uns directos para o congresso da CGTP, a repórter em conversa com um dos delegados ao congresso perguntou-lhe a profissão; a resposta: sou sindicalista da área metalúrgica. Seria interessante sabermos quantos dos delegados ao congresso da CGTP e quantos dos quadros dirigentes da CGTP têm como profissão o sindicalismo. Daria talvez para entender quão afastadas aquelas pessoas estão das empresas e até da função pública e quanto da sua actividade tem apenas como objectivo preservar o seu poder e o seu modo de vida.
Outro dos delegados que se ouviu na SICN dizia que Arménio Carlos, o senhor que se segue, conseguirá conter as opiniões radicais que sempre se fazem ouvir. No momento pensei que o radicalismo referido seria de grupos da esquerda proponentes de sequestros de patrões ou acções semelhantes, mas após ler este artigo, questiono-me se para o senhor ouvido os radicais (talvez de extrema-direita, tal o ambiente anacrónico) não seriam os elementos um tudo-nada mais moderados da CGTP.
Em todo o caso, parece que a CGTP, que já era com Carvalho da Silva uma das organizações mais reaccionárias e imobilistas do país, vai endurecer sob Arménio Carlos. O que pode revelar-se bom: o comunismo, quando se torna mais transparente, não costuma ser apetecível.
Janeiro 25, 2012
Uma esperança
Com este lamentável caso da RDP, talvez a esquerda – aquela para quem um pm gritar telefonicamente com os jornalistas é sinal de boa relação, os assessores do pm que ditam notícias futuras a jornalistas só estão a fazer o seu trabalho, e quando um pm insulta um jornalista audivelmente num restaurante muito frequentado ficam incomodados se tal se noticia porque foi uma conversa privada do pm, e …, e… – perceba que é melhor privatizar a comunicação social pública do que tê-la instrumentalizada por um governo à direita do PS. É que há instrumentalizações e instrumentalizações.
Janeiro 20, 2012
Socráticos atacam de novo
Neste envio para o tribunal constitucional do OE 2012 por uma associação nada fortuita de deputados do BE com os socráticos indefectíveis do PS, há duas questões que me parecem muito graves. A primeira é simples e evidente: a pandilha socrática do PS continua na sua senda para destruir o que consegue do país.
A segunda é de outra natureza e prende-se com a absoluta incapacidade de aqueles, ou alguns daqueles, deputados desempenharem o cargo que ocupam. Tenho lido e ouvido António Barreto afirmar que os socialistas, apesar de não o reconhecerem publicamente, em surdina sabem o que fizeram ao país. Ora eu desconfio, e lendo por exemplo esta entrevista a Isabel Moreira - do grupo referido no parágrafo acima – fico com a certeza que este espírito crítico e esta clarividência (mesmo se baixinho) referida por Barreto é inexistente. Vejamos: além da admiração desmedida por Sócrates, a senhora considera que este ‘herdou um défice descomunal de uma direita que o criou sem crise internacional’ e que Sócrates ’Em dois anos reduziu esse défice para valores à volta de 3 por cento’.
E aqui é necessário pararmos e, antes de levantarmos as mãos à cabeça com tanta incredulidade, dar umas lições a Isabel Moreira, que demonstra uma abissal ignorância sobre orçamentos anteriores e défices que a tornam incapaz de participar em qualquer votação sobre contas públicas. É que o ‘défice descomunal’ que Sócrates herdou foi, como todos sabem, uma construção teórica de Constâncio para dar legitimidade às políticas despesistas mascaradas de ajustamento orçamental do governo Sócrates. Esse défice descomunal que refere Moreira não existiu.
E mais, e isto é algo que temos de repetir até à exaustão para desmistificar as ideias falsas que são transmitidas, ou por ignorância ou com má intenção, sobre os méritos orçamentais de Sócrates. Sócrates não reduziu défices coisa nenhuma: Sócrates extorquiu dinheiro aos portugueses em quantidades crescentes que lhe permitiram aumentar a despesa pública em termos absolutos todos os anos mesmo depois de descontada a inflação. Em suma: os contribuintes reduziram o défice; José Sócrates foi um perdulário irresponsável que gastou até o que os contribuintes não tinham.
E a quem não percebe estas realidades não se deve dizer que não deve enviar o OE para o tribunal constitucional, deve-se aconselhar a faltar em todas as votações referentes ao orçamento, uma vez que manifestamente não entende aquilo que estão a votar. Ou, melhor ainda e dada a importância dos dinheiros públicos em qualquer legislação, a renunciar ao cargo.
Janeiro 18, 2012
Socialismo: I´ve got you under my skin
Nesta lei anti-pirataria, o que me impressiona é como todos os partidos presentes na AR de imediato aderem a uma qualquer proposta alucinada, de proveniência que deveria merecer todas as cautelas (a ex-ministra Gabriela Canavilhas), desde que essa proposta vise extorquir dinheiro – como bem lhe chama o Nuno Gouveia - aos consumidores para o transferir para essa categoria etérea que são os artistas que, como toda a gente refinada sabe, têm direito a serem sustentados pelos outros, incluindo os outros que não suportam as suas produções artísticas (lembram-se das casas com renda de saldos da Câmara Municipal de Lisboa?). Como é possível que haja adesão imediata a uma proposta absurda como esta?
E ainda me impressiono com mais: todos os grupos parlamentares – compostos por esses seres impolutos e altruístas e inteiramente devotados ao bem-comum, por oposição aos mortais menores que apenas tratam das suas ‘vidinhas’ (recordemos as intoleráveis palavras de Assunção Esteves) - não se coíbem de tratar todos os portugueses como potenciais delinquentes, ao assumir que quem vai comprar um meio de guardar informação o vai usar para copiar ficheiros que deveriam pagar direitos de autor. Não haverá nenhuma protecção constitucional contra isto?
Bem, tomemos o sucedido como um devaneio juvenil e esperemos que a maioria parlamentar ganhe juízo e chumbe uma proposta que nem merecia o tempo que se gastou a discuti-la.
Dezembro 20, 2011
A Causa Real tem aqui um filão de membros
Olhando para o apreço que o PCP mostra pelo regime norte-coreano (que, recorde-se, não têm a certeza que não seja uma democracia) temos de concluir que aqueles comunistas empedernidos são uns valentes defensores dos regimes sucessórios mais vulgarmente conhecidos por monarquias.
Dezembro 12, 2011
A pergunta que se coloca: por que razão absurda a actual coligação ainda não despediu o director da ASAE?! Já estão uns meses atrasados.
No mundo idealizado a régua e esquadro pelas mentes totalitárias que criaram e sustentam a ASAE, claro que as pessoas não podem dançar num bar. Em boa verdade, deveria haver em cada bar um agente da ASAE verificando se algum cliente tem a ousadia de abanar em excesso os quadris ao ritmo da música, mexer os pés mais do que num leve e discreto bater ritmado de pés ou mover a cabeça para além do que facilita a conversa com os seus companheiros. Toda a gente se lembra dos bares da Expo 92 de Sevilha ou a Expo 98 em Lisboa, onde havia um bares onde selvagens – de facto esses bares tinham alguma coisa a ver com animais presentes nos antípodas – dançavam em cima das mesas, mas isso foi antes do advento da civilização que chegou à Península Ibérica com a dupla Sócrates e Zapatero.
Faz, assim, todo o sentido, que o propritário de um bar onde as pessoas teimam em dançar e onde os empregagados do bar não os despejam na rua devido a esses comportamentos indignos seja preso vez atrás de vez. Em boa verdade, só a veleidade de abrir um restaurante/bar num país onde o iluminado António Nunes afirmava que metade dos restaurantes já existentes devia fechar faz Olivier merecer as masmorras.
Mas é de gente como António Nunes que o país precisa. Gente cujo o sonho é fechar metade dos restaurantes do país. Gente que se orgulha pela aplicação de multas de quatro mil euros a uma loja pelo facto – que não causou transtorno a ninguém nem fez perder dinheiro a ninguém, mas que interessa isso? o que é importante é cumprir escrupulosamente uma lei, mesmo que seja estúpida e inútil – de não ter os preços dos produtos visíveis numa montra. Gente, desta vez como Sá Fernades que atormenta as populações para os lados de Lisboa, que se aborrece se um restaurante no Campo Pequeno tem demasiado sucesso com a sua esplanada e as protecções contra o vento que coloca e manda retirar as tais protecções contra o vento, levando ao encerramento do restaurante por fúria do proprietário; é que, diz Sá Fernandes, as esplanadas não estão legais – porque há um imbróglio legal que não se consegue resolver.
No momento de crise económica que atravessamos, é o momento para darmos valor a gente como Sá Fernandes e António Nunes, que têm a coragem de perseguir quem ainda investe, quem ainda resiste à crise, quem ainda cria alguma riqueza. O facto destas pessoas sem vergonha de caminho darem emprego a outras e ainda pagarem uns impostos (realidades boas, ao invés da desvergonha de, por exemplo, ter lucros) não deve fazer esquecer o desígnio último de adequar, à força se necessário e espalhando pobreza se tiver que ser, a realidade ao tal mundo desenhado a regra e esquadro.
Dezembro 2, 2011
Afinal o dilúvio foi adiado
«This week’s Spectator cover star Nils-Axel Mörner brings some good news to a world otherwise mired in misery: sea levels are not rising dangerously – and haven’t been for at least 300 years. To many readers this may come as a surprise. After all, are not rising sea levels – caused, we are given to understand, by melting glaciers and shrinking polar ice – one of the main planks of the IPCC’s argument that we need to act now to ‘combat climate change’?
But where the IPCC’s sea level figures are based on computer ‘projections’, questionable measurements and arbitrary adjustments, Mörner’s are based on extensive field observations. His most recent trip to Goa in India last month – just like his previous expeditions to Bangladesh and the Maldives – has only served to confirm his long-held view that reports of the world’s imminent inundation have been greatly exaggerated for ends that have more to do with political activism than science.» Spectator.
Novembro 28, 2011
Novembro 25, 2011
Uma resposta do Duarte Marques e da Ana Margarida Craveiro às mais recentes tolices da cruz permanente de quem lê jornais ou ouve rádio: Mário Soares
“Na nossa opinião o vosso manifesto chega bastante atrasado. Por isso, perguntamos hoje onde estavam V. Exas nos últimos anos, quando o endividamento aumentava apesar de a nossa economia estar estagnada. Onde estavam quando o nosso país se assumia como o campeão da desigualdade e último classificado na mobilidade social? Onde estavam quando o crescimento económico de Portugal estagnou, mas os investimentos megalómanos não paravam de aumentar? Onde estavam quando se assinaram contratos ruinosos que endividaram as gerações futuras dos próximos 50 anos? Onde estavam quando a nossa dívida líquida externa se tornou a maior do mundo inteiro?”, no ABC do PPM.
34 mil milhões – párem tudo!
Antes que os jornalistas e comentadores comecem a ficar (ou, mais correctamente, antes que fiquem ainda mais) excitados com o montante de juros que se vai pagar à UE e ao FMI – quanto aos políticos do BE e do PCP, they´re round the bend e nada mais se pode fazer – talvez fosse recordar a jornalistas e comentadores uns tantos factos: 1) o dinheiro que se vai pagar em juros não podia ser gasto em absolutamente mais nada (escolas públicas ou mais uma autoestradazita, tanto faz), já que sem o dinheiro do empréstimo que dá origem aos juros já teríamos o estado encerrado sem pagar ordenados aos que nele trabalham; 2) se não pagássemos juros à UE e ao FMI, teríamos sempre que os pagar a quem nos compra os títulos da dívida pública, e talvez ainda se consigam recordar (não foi há muito tempo) que os juros que aceitávamos pagar nos leilões de dívida eram consideravelmente superiores a 4% e 5%; 3) quem negociou o empréstimo foi o PS, não o actual governo; 4) tanto PCP como BE sempre foram defensores de políticas orçamentais desregradas, nunca se revelaram preocupados com o nível de endividamento, defendem políticas que exponenciariam esse endividamento, pelo que talvez confrontá-los com o seu gosto com a emissão de dívida pública e respectivo pagamento de juros não fosse descabido num jornalista.
Novembro 11, 2011
Quanto a ser uma óptima companhia para uma festa é que tenho as minhas dúvidas; os egos insuflados nem em festas são boa companhia
«Esta citação de Mário Soares é um retrato mais ou menos perfeito da táctica de Soares: ele que com a sua falta de preparação e sobretudo muita leviandade foi um dos responsáveis por aquilo que após o 25 de Abril sucedeu em Timor ( e também em Moçambique e Angola) vem agora apresentar-se como um paladino da luta pelos direitos dos timorenses. Mas não só. Mário Soares continua a não perdoar a Cavaco que este seja PR e por isso quando diz que não quer citar nomes quer na verdade chegar a Cavaco. Mas agora com a arca de Pandora dos anos 70 aberta e com o fim do anátema do reaccionarismo que caía sobre todo aquele que questionasse a “descolonização exemplar” se se começam a citar nomes o de Soares virá inevitavelmente à baila. E não por boas razões. Em primeiro lugar porque teve nesse processo uma das mais medíocres prestações de um político português desde a fundação da nacionalidade – o que espanta não é o que Soares fez mas sim precisamente o que ele não foi capaz de fazer – e sobretudo porque o Soares “animal político” revela-se com uma animal tenaz na hora de se salvar a si mesmo e de uma irresponsabilidade total quando se trata dos outros. »
Eu sei que Mário Soares é o portador do mandato celeste para muita gente por cá, mas é outro caso em que não entendo o interesse pelas palavras que profere. O senhor pode ter tido o seu papel há trintae tal anos, mas desde que me recordo – e já me recordo de meados da década de oitenta – o senhor só teve prestações lastimáveis, cujo interesse último foram reforçar o seu ego e a sua vaidade. O que tem escrito e dito nos últimos anos é confrangedoramente medíocre. É deixar o senhor fazer figuras tristes só no seio da família, meus caros senhores dos media.
Insulto da estação pública às vítimas das FP-25
Está muita gente chocada com as declarações de Otelo Saraiva de Carvalho. Não entendo por que razão. De um indivíduo que colaborou no fim de uma ditadura não por amor à democracia ou à liberdade mas por apego à violência (que, como se verifica, não se esbateu com a idade) e a outro tipo de ditadura, e que depois disso liderou uma organização terrorista que matou gente inocente (incluindo um bebé), o que se pode esperar? De uma criatura deste calibre apelos ao ódio e à violência não chocam.
O que me choca é uma questão prévia às palavras desta pessoa. O que me choca é que esta criatura, apesar de indultada e amnistiada em decisões vergonhosas de Mário Soares e da esquerda parlamentar, haja sido promovida e aumentada pelos governos sócrates e ainda tenha meios de comunicação social que o entrevistam – o mesmo é dizer que têm curiosidade em conhecer (e pressupõem que o público a partilha) as opiniões de um membro de uma organização que matou gente inocente. Pior: foi a televisão pública, usando o dinheiro dos contribuintes, incluindo dos familiares dos que morreram, que entrevistou a criatura. O que, de resto, parece ser um hábito nas estações públicas. O que me choca, enfim, é vivermos numa sociedade que premeia e promove otelos, bem como os insultos repetidos e orgulhosos à memória das vítimas.
Correcção: a entrevista não foi feita inicialmente pela RTP mas pela Lusa. O que vai dar ao mesmo.
Novembro 3, 2011
Incendiários de todo o mundo, uni-vos
Evidentemente que os gregos devem poder decidir o seu próprio destino e, no caso, decidir se a austeridade será feita de uma forma apesar de tudo mais suave ao longo de muitos anos (e aceitam as imposições da UE) ou se preferem uma quebra abrupta seguida de um período de crescimento que proporcionará, também durante muitos anos, um nível de vida muito abaixo do actual e até do que trará a austeridade patrocinada pela UE (saem do Euro, portanto). Os gregos decidem o que querem sobre o seu destino; se assim o entenderem, podem até tentar abolir de todo a moeda e basear a sua economia na troca directa. E eu até entendo que os gregos se queiram livrar de um primeiro-ministro como Papandreus, sentimento que eu, de resto, partilhava há bem poucos meses quando tínhamos também um incendiário a liderar o nosso governo (lembram-se da quantidade de vezes que Sócrates ameaçou demitir-se?).
No entanto, tal como de um indivíduo que deliberadamente falha a sua parte num contrato onde livremente entrou não se pode dizer que esteja a exercer a sua liberdade, mas sim que tem falta de carácter e de respeito pela palavra dada, também de um país (ou de um pm) que numa semana assina livremente um acordo com os seus aliados (políticos, económicos,…) e na semana seguinte anuncia que afinal não sabe se o acordo é para cumprir, que logo se vê como calha o referendo, não se pode dizer que seja um exercício de soberania, antes sim um ‘acto de deslealdade’, um acto de má-fé, um acto de um jogador desesperado e sem escrúpulos que não teme ameaçar fazer colapsar os restantes membros da UE – sobre os quais os gregos já não têm nada que decidir – para evitar perecer politicamente (às mãos dos militares, da oposição, do PASOK, tanto se me dá). Sendo que, provavelmente e porque o jogo não vingou e a UE marcou bem que não seria refém da chantagem grega, de facto perecerá.
A falta de vergonha de Papandreus (acompanhado por uma percentagem indefinida de ministros) deveria dar uma lição àqueles que durante meses clamaram pela culpa dos mercados e dos especuladores nestas crises das dívidas soberanas. Talvez (mas duvido) consigam perceber que as dívidas públicas pagam (ou prometem pagar) juros insustentáveis porque o pagamento dos juros e dos títulos da dívida está nas mãos de gente irresponsável e leviana e pouco confiável como Papandreus.
Uma nota final. Por cá, tal como na Grécia, há quem tudo faça para gerar contestação nas ruas e lançar a confusão política: PCP, BE e franjas do PS. Convém não esquecermos que, fora países conquistados, o comunismo impôs-se apenas em épocas de caos. E se pensam que as ambições de poder (totalitário) do PCP e do BE são idiossincrasias destes partidos que não há necessidade de levar a sério, aconselham-se umas leituras ao Avante e ao site do BE para se avaliar o grau de alienação que ainda persiste por aqueles lados. Assim, eu não sou propensa a dar conselhos, mas estamos no fio da navalha e recomendo a quem seja mais moderado que não se entusiasme com o fim do euro, pelo menos agora, mesmo que venha guerra e pestilência, só porque o euro foi, de facto, uma construção anti-democrática de iluminados que se deveriam ter dedicado, para bem dos europeus, a cultivar abóboras (e para consumo restrito das suas famílias).
Outubro 19, 2011
O mundo ao contrário
Um ex-ministro de Guterres propõe um corte no IRC. Um ex-ministro de uma coligação PSD-CDS propõe o aumento do IVA (ainda mais?!!!) para bens de luxo.
Se nós tivéssemos para inovar e produzir a imaginação que os nossos governantes e eleitos possuem para inventar aumentos de impostos, seríamos o país mais rico do mundo.
Outubro 13, 2011
É preciso paciência, muita paciência…
Na TVI24 Constança Cunha e Sá reclamava pelo corte dos subsídios de férias e de Natal também no sector privado. Pedro Santos Guerreiro lá lhe explicou que ‘cortar’ os subsídios de Natal e de férias dos privados seria um aumento da receita, enquanto que cortar os subsídios de Natal e de férias dos funcionários públicos é uma diminuição da despesa, precisamente aquilo que toda a gente tem exigido que se faça. E sejamos claros: enquanto não se enfrentar a questão do número estratosférico de funcionários públicos que o país tem, bem como avaliar a pertinência de serviços e institutos a que muitos estão afectos (que, tantas vezes, são ou redundantes ou mesmo parasitários da economia e, sempre, perdulários), reduzir o rendimento de todos é a opção que resta.
E, inacreditavelmente, continuam a não entender
Nestas alturas de anúncios de novas medidas de austeridade, há sempre um sururu na comunicação social sobre a necessidade de se ‘investir no crescimento económico’. Ainda não entenderam que foi tanto investimento no crescimento económico – à mistura com o investimento no crescimento da Mota-Engil, da JP Sá Couto e outras – que escaqueirou a economia e nos fez, nos últimos dez anos, termos estado estagnados ou em recessão. Eu imaginava que com tão brilhantes resultados já se tivesse conseguido avaliar a bondade do ‘investimento no crescimento económico’. Contudo estava enganada.
Zorrinho, himself
Ouvi há pouco o senhor Zorrinho comentar a proposta de OE para 2012. Dizia – e não se riu nem corou de vergonha – que depois dos efeitos da situação internacional, as medidas deste governo têm sido muito nocivas para o país.
José Sócrates não existiu. E a vergonha na cara nos socialistas também não e promete continuar a não existir.
Outubro 7, 2011
Um socialista passista para a ERC
Carlos Magno representa o pior da comunicação social portuguesa: moralista; de discurso redondo e vazio a fingir que é inteligente; defensor de todos os clichés socializantes apresentando-se como pensador original; enamorado ostensivo, a seu tempo, do guterrismo, socratismo e, agora, passismo; debitando sentenças do seu pedestal sobre um mundo que evidentemente já não entende; promotor de todas as políticas que nos atolaram em dívida e em pobreza e inimigo daquelas que nos tentaram afastar desse pathos. Ora Carlos Magno foi convidado pessoalmente por Passos Coelho para presidente da ERC. Carlos Magno é, de facto, a escolha ideal para esse monstro proto-totalitário que é a ERC. E a escolha ideal do passismo. Que, não se esqueçam, é ultraliberal.
Outubro 4, 2011
Este senhor foi eleito pela CGTP?
Raras vezes se lê uma proposta tão imbecil sobre as relações entre empregados e empregadores, um campo onde abundam propostas imbecis. Mas o bastonário da ordem dos médicos esmerou-se: considera que para justificar uma falta por doença um trabalhador deve apenas necessitar de informar ter estado doente. Presumo que por uma questão de protecção da privacidade nem se obrigasse o trabalhador a revelar que tipo de doença. Não se está mesmo a ver que esta justificação seria utilizada com a máxima parcimónia e apenas nos casos de efectiva doença? É que o senhor bastonário considera muito eficaz responsabilizar os trabalhadores e se a penalização por mau uso da justificação for grande, há desincentivo ao seu abuso. Fica por esclarecer como se provaria o abuso: o empregador enviaria um esquadrão de médicos a casa do empregado para lhe arrombar a porta e verificar se o empregado está de facto doente? E os empregados que vale a pena responsabilizar são, por exemplo, os empregados das grandes cadeias de distribuição, sendo o roubo interno nesta organizações a maior parcela dos roubos ocorridos? Mas não se preocupem: com esta proposta incentiva-se a aldrabice laboral, promove-se a falta de assiduidade, criam-se novos constrangimentos para as empresas (num contexto que já contém um ou outro), mas seria tudo feito para tirar pressão aos médicos do SNS. O que, afinal, é ou não O grande desígnio nacional?
Setembro 30, 2011
Será esta a génese do nosso gosto masoquista por pagar impostos, e quanto mais os aumentarem mais gostamos do governo?
Nos Estados Unidos o tipo de doença do cérebro é certamente diferente e menos maligna, já que o amor aos impostos é bastante menos pronunciado.
