O Insurgente

Fevereiro 9, 2012

Crónicas de um desfecho anunciado.

Filed under: Comentário,Justiça,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:34

Não obstante a pena de prisão prevista ser “até três anos de prisão” (a mesma prevista no código penal para um prosaico crime de ofensas corporais simples), PSD e CDS fazem incluir este crime de desconformidade do património com as declarações fiscais na categoria de “criminalidade altamente organizada”. Com esta incongruência jurídica (“altamente organizado”, um crime que é punido até três anos e que pode ser praticado apenas pelo seu agente, sem concurso de mais ninguém?!), o legislador coloca assim ao dispor do MP um arsenal de instrumentos insidiosos de investigação verdadeiramente desproporcionados à medida da pena, tais como escutas telefónicas, buscas domiciliárias noturnas, etc.

Sim, leu bem: bastará um cidadão ser suspeito de ter um património superior em “cem salários mínimos” (euro48 500) ao que as suas declarações fiscais avalizariam, para poder vir a ser objeto de uma investigação criminal; e poder ser objeto das maiores devassas legais à sua privacidade. E não, não precisa para isso de ter alguma vez exercido funções públicas.

Diz o projeto de lei que competirá ao MP fazer a prova de todos os elementos do tipo deste crime. Sucede que esta suposta precaução é apenas redundante, pois é isso que ao MP já compete fazer em todos os crimes. Porém, aqui, o crime de enriquecimento ilícito, nos casos em que o arguido se remeta ao silêncio, preencher-se-á com a mera posse de um património incompatível com as declarações fiscais. É que a lei fala em património “sem origem lícita determinada”. Assim, se o MP alegar que não logrou determinar a origem lícita do património do arguido “incompatível” com o que este declarou ao fisco (e estamos a falar de uma “incompatibilidade” de euro48 500), o silêncio do arguido acarretará a sua condenação, pois a consequência será chegarmos ao fim do julgamento “sem origem lícita determinada” do património.

Filipe Neto Brandão, deputado do PS, no Diário de Noticias.

Foi ontem aprovada na especialidade a lei da criminalização do “enriquecimento ilícito”, com os votos a favor da curiosa coligação de PSD, CDS, BE e PCP. Está assim dado mais um passo determinante para o vingar de uma lei que, a não ser parada pelas instituições que temos no actual quadro constitucional (mantendo-se a esperança que venha ainda a ser visada por uma fiscalização de constitucionalidade e que o Tribunal Constitucional queira dar mostras que ainda existe e que ainda tem um mínimo de relevância), se vai tornar num precedente jurídico extremamente perigoso e de consequências imprevisíveis no panorama legal português.

Sobre isso, acrescento um comentário concreto: compreende-se que o CDS tenha dificuldades em afrontar a aprovação de uma iniciativa que é, numa parte substancial, um capricho da actual ministra da Justiça, mesmo sendo uma iniciativa que não constava do acordo entre PSD e CDS que sustenta a actual maioria.

Compreende-se também que o CDS continue com vontade de fazer muito poucas ondas e de aparecer muito pouco colado ao presente governo, quer por adesão, quer por oposição.

Mas em relação a uma partido que sempre se opôs a iniciativas legislativas do género, que ainda há pouco mais de dois anos se absteve aquando da apresentação da proposta do PSD (entretanto chumbada) com afirmações deste calibre da sua bancada parlamentar, sobram muitas explicações que deveriam ter sido dadas, e que foram trocadas por alguns argumentos pífios do seu actual líder parlamentar.

Fica essencialmente a dúvida sobre o quanto se pode confiar nas posições parlamentar da bancada do CDS, e de quanto sobra nestas de convicções quando se retira todo o conteúdo de oportunismo político.

Janeiro 29, 2012

A Escola Pravda de Jornalismo e o tal de serviço público

Filed under: Internacional,Justiça,Videos — João Luís Pinto @ 22:41

Depois do comentário do Carlos Fernandes, fica aqui a ligação para o vídeo da “reportagem” de Rosa Veloso relativa ao processo judicial de Baltasar Garzón e às manifestações em seu torno.

Janeiro 17, 2012

O que ganhou a UGT?

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 16:35

O acordo de concertação social que a UGT aceitou já no dia de hoje representa uma derrota em toda a linha das sua posição perante o governo e as associações patronais. Pode-se dizer sem grande engano que o acordo que a central sindical aceitou assinar não contempla uma única contrapartida que seja que tenha emergido da sua posição negocial, e que aceita todas as reivindicações que foram trazidas a público pelas associações patronais ainda a discussão e a negociação não tinha começado.

Pelo que vai transpirando do acordo, a UGT aceitou; reduzir três dias de férias; eliminar quatro feriados, constituir bancos de horas individuais; diminuir e estabelecer tectos a indemnizações por despedimento (parcialmente com efeito retroactivo em contratos existentes); alterar o conceito de despedimento por extinção do posto de trabalho e por inadaptação; descontar as pontes nos dias de férias dos trabalhadores e conceder a escolha das pontes onde isso acontece aos empregadores; agravar a penalização por faltas dadas junto a feriados e fins-de-semana.

Em troca, apresenta a vitória pírrica de ter parado a questão da “meia-hora extra”, ponto que era (na minha opinião) de dificil consumação legal, que o governo nunca se preocupou sequer em detalhar a forma como ia implementar, que a CCP sempre rejeitou e que nunca foi particularmente bem recebido nem apelativo para os restantes empregadores, tendo em contrapartida aceite todas as medidas que estes últimos sempre propuseram como muito mais interessantes e como uma alternativa à medida do governo. Aliás, cada vez mais me parece ter sido o anúncio da medida pelo governo uma espécie de “Cavalo de Troia” negocial que este nunca pretendeu levar até ao fim, mas que ofereceu como arma de arremesso para a introdução de posições alternativas.

Mais: trocou uma medida de dificil concretização e que pouco motivava os empregadores, e que foi anunciada pelo governo como sendo temporária e enquadrando-se no pacote de medidas a aplicar em 2012/13, por medidas de carácter definitivo.

Afinal, posto isto, o que é que lucrou a UGT em assinar este acordo?

Janeiro 16, 2012

Se todos pagarmos, pagamos menos (2)

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 15:12

Actualizando os dados apresentados aqui há algum tempo, e quando está na ordem do dia a discussão da “economia paralela” devido à apresentação pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto de um estudo sobre a matéria que sustenta um peso dessa economia no PID rondando os 25%, importa desmontar mais uma vez o omnipresente discurso neste género de circunstância (e que obviamente já hoje se fez ouvir) de que, “se todos pagarem os impostos, você paga menos“.
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Em relação a algumas tentações proibicionistas em ascensão

Filed under: Comentário,Justiça,Nanny State Watch,Política,Portugal,Saúde,Videos — João Luís Pinto @ 11:51

Dezembro 22, 2011

O estado capataz

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 17:50

De quando em vez, emerge na discussão entre liberais e seus críticos o tema da liberdade contratual no âmbito das relações laborais.

Nas últimas semanas, os acérrimos defensores de que cabe ao estado um papel essencial de regulação da natureza e do âmbito dos contratos de trabalho, colocando-se entre empregador e empregado na definição de cláusulas imperativas e na definição do que pode ou não ser alvo de contractualização laboral, devem andar particularmente satisfeitos. Ou não.

É por estes geralmente argumentado que é a “posição leonina” dos empregadores perante os empregados que motiva a necessidade dessa intervenção, para impedir a race to the bottom que surgiria caso patrões e empregados fossem livres de acordar os termos do vínculo que os unem. Ora aquilo que temos vindo a assistir nestes tempos mais próximos é a promoção (expectável) desse suposto papel regulador (que há muito tempo já o não era) ao verdadeiro estatuto de Patrão Nacional. Já não são os patrões das empresas nem os trabalhadores ou as associações representativas de ambos sequer a propor os termos da sua relação laboral. É o estado, armado das escolhas do seu Grande Salto em Frente, que dita de forma imperativa as ordens e impõe as regras que patrões e empregados não têm outra escolha senão obedecer.

É pois a vontade autoritária do estado que passa a prevalecer nas relações laborais no nosso país.
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Dezembro 5, 2011

Novas estratégias comunicacionais da tecnocracia falida europeia

Filed under: Política,União Europeia — João Luís Pinto @ 12:04

Novembro 28, 2011

Em pouco mais de dois meses

Filed under: Diversos,Portugal — João Luís Pinto @ 14:47

O vice-presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Jacinto Gonçalves, alertou hoje que o fim da comissão de preparação de candidatura portuguesa da dieta mediterrânica a património imaterial da UNESCO pode por em causa o processo.

21 de Setembro.

Depois de o fado ter sido considerado Património Imaterial da Humanidade, Portugal junta-se a outros países na candidatura para o alargamento da dieta mediterrânica.

28 de Novembro, via Helena Matos.

Parece que já vai haver menos uma comissão a ser fundida. Fica em falta a informação de quantos subsídios de férias/Natal vai custar esta candidatura.

Novembro 23, 2011

Uma assembleia da república com 6 deputados (e respectivos pesos)

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 12:21

Parece que muitos estão indignados pela possibilidade estabelecida pela assembleia regional da Madeira de um deputado poder votar por toda a bancada parlamentar.

Não sei por quê. Afinal, há tantos anos que no continente os partidos votam pelos seus deputados e nunca vi semelhante celeuma.

Recomendo a leitura adicional do Miguel Noronha.

O homem de vez em quando também acerta

Filed under: Comentário,Justiça,Media,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:56

É um gesto primário de oportunismo invocar a ausência do casamento para dissimular uma relação afectiva em que se partilham dimensões fundamentais da existência, unicamente porque não se tem coragem para assumir as consequências políticas de opções que permitiram que essa relação pessoal se misturasse com o exercício de funções de estado, chegando, inclusivamente, ao ponto de influenciar decisões de grande relevância política.

[...]

A sra. ministra da Justiça tem o dever republicano de explicar ao país por que é que nomeou o seu cunhado, dr. João Correia, para tarefas no seu ministério, bem como cerca de 15 pessoas mais, todas da confiança exclusiva dele, nomeadamente, amigos, antigos colaboradores e sócios da sua sociedade de advogados. Isso não é uma questão da vida pessoal da Sra. Ministra. É uma questão de estado.

Numa surpreendentemente contida e moderada edição da coluna de opinião de Marinho Pinto no Jornal de Notícias da passada segunda-feira, este critica – na minha opinião de forma certeira – a postura que a ministra da Justiça tem tido em relação às acusações que lhe têm sido feito de nepotismo na nomeação de elementos em lugares relevantes do seu ministério, acusações essas mais uma vez tentativamente rebatidas com veemência na entrevista que esta deu na semana passada a Judite de Sousa.

Rebater a acusação de que nomeou para o seu ministério o irmão da pessoa com que publicamente mantém uma relação afectiva com um argumento de índole puramente formal de que este não é seu “cunhado” porque não é “casada” (presume-se que o argumento seguinte seria que a lei não estabelece a relação de parentesco de “cunhado”) é um argumento francamente pobre e que ecoa em práticas bem conhecidas de chico-espertice nacional como o “desconhecimento formal” alegado pelo anterior primeiro-ministro de factos do seu conhecimento ou aos divórcios fictícios e vendas simuladas de património para contornar situações de responsabilidade civil que grassam pelo nosso sistema jurídico e pela sociedade. Também estes últimos deixam muitas vezes de ser “casados”, mas sabe-se muito bem da natureza contínua da sua relação.

Ninguém acusa a sr.ª ministra de nenhuma ilegalidade. Mas a sua iniciativa de nomear para cargos públicos pessoas da sua proximidade pessoal e de proximidade profissional na sociedade de advogados a que pertence, é efectivamente algo merecedor de escrutínio de natureza político e capaz de, pelo historial das nomeações públicas para cargos do nosso país, despertar uma válida suspeita.

Como escrutínio político que é bastará com certeza à ministra que diga que nomeou essas pessoas “porque sim”, sendo que cada um poderá depois tirar as suas conclusões. Mas, remetendo-se a supostos argumentos objectivos de natureza formal mais do que precária, parece-me que a primeira pessoa a achar que essas nomeações têm natureza pouco clara e moralmente censurável é a própria ministra.

Novembro 14, 2011

Temos Manuel Pinho

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 15:20

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, afirmou hoje que 2012 é o ano que irá certamente marcar o fim da crise, iniciando o caminho da retoma dos anos seguintes.

O ministro da Economia, Manuel Pinho, anunciou hoje o fim da crise em Portugal e disse que a questão agora é a de saber “quanto é que a economia portuguesa vai crescer”.

Descubra as diferenças.

Criatividade

Filed under: Comentário,Diversos,Media,Portugal,Videos — João Luís Pinto @ 12:40

Não sei por quê, mas tenho a impressão que alguém anda a querer passar a perna à Optimus:

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Outubro 27, 2011

As contas do ministério da saúde afinal já estão resolvidas

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 14:11

No final de um encontro onde o ministro falou sobre “O Futuro do Sistema de Saúde Português”, um advogado presente na plateia questionou Paulo Macedo sobre as suas intenções quanto à actual lei da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).

“O referendo resultou favorável à despenalização do aborto. O Estado tem promovido o aborto pagando a IVG. São 100 milhões de euros de despesa total com uma medida que ainda por cima contribui para a diminuição da natalidade. Tenciona alterar este regime ou manter”, questionou.

Paulo Macedo respondeu que essa foi uma decisão política com os custos inerentes à sua tomada e na qual não tenciona mexer.

“Não sou favorável a referendos sucessivos. Há um custo significativo, mas Portugal decidiu assim”, afirmou.

O senhor ministro da saúde está equivocado.

O que foi decidido em referendo em relação ao aborto foi que a sua prática em determinadas condições deixava de ser crime. Uma decisão que não tem, portanto, nada a ver sequer com o seu ministério.

A decisão política de incluir o aborto no SNS, com particular estatuto de privilégio, e de criar direitos legais às mulheres que abortaram por opção foi uma decisão política livre, tomada pelo governo de então posteriormente ao referendo, decisão tão livre como a que poderia ser tomada por este governo em direcção contrária, se o quisesse fazer e não se estivesse a tentar refugiar em argumentos de ocasião e em estratégias de enganar tolos.

Mas parece que já tive resposta ao meu repto, e que podemos ficar esclarecidos de duas coisas: em primeiro lugar, que afinal as contas do ministério da saúde já devem estar completamente saneadas e saudáveis, podendo a sua tutela prescindir de uma diminuição potencial de 100 milhões de euros de despesa (não sendo portanto de esperar cortes neste domínio para ultrapassar desequilíbrios que já devem estar com certeza ultrapassados); em segundo lugar, ficamos esclarecidos de pelo menos uma valência e de um serviço do SNS que o sr. ministro considera intocável.

Ficamos por ver quais as que o não são para poder discernir do sentido de prioridades do senhor ministro, e de quais serão preteridas no futuro para manter o aborto gratuito no SNS que este deseja tão entusiasticamente manter.

50%?

Filed under: Comentário,Double standards,Economia,União Europeia — João Luís Pinto @ 11:43

As notícias que dão como sendo de 50% o valor do perdão da dívida grega parecem, afinal, largamente “optimistas” em relação a esse valor, e aparentemente deixam de lado ou menosprezam alguma informação relevante em relação à natureza desse perdão.

Em primeiro lugar, não referem que foram excluídos desse perdão o BCE, a UE e o FMI, sendo que portanto esses 50% se referem somente ao restante da dívida – o que, ponderando os montantes envolvidos, reduzem esse perdão a 28% da dívida grega. Mais do que isso, cria um estatuto de “credores de 1ª” e de “credores de 2ª” da dívida grega, um novo motivo de alerta para os detentores privados de dívida pública de outros estados europeus.

Em segundo lugar, parece ignorar que uma parte significativa dessa dívida “perdoada” é detida por bancos e fundos de pensões gregos, o que faz pensar em qual será a reacção da “rua grega” quando se aperceber que a bonança do perdão da dívida afinal foi em parte sustentado à custa da viabilidade das suas reformas, e que ainda vão ter que ser os financiadores mais do que previsíveis da recapitalização dos bancos gregos afectados, que simultaneamente são atingidos pelo “perdão” e pela imposição de subida de rácios.

Sinceramente, não sei onde estarão os motivos da satisfação anunciada pelo primeiro-ministro grego com esta decisão, e qual será a natureza efectiva da “nova era” que anuncia.

Outubro 19, 2011

Ele há coisas e coincidências (3)

Filed under: Comentário,Double standards,Política,Política Fiscal,Portugal — João Luís Pinto @ 11:24

Parece que o ministro das finanças Vítor Gaspar se prepara para emendar a mão no que toca à questão das subvenções vitalícias. Está feita a promessa de que a situação será corrigida por intermédio de uma proposta de alteração ao Orçamento de Estado. É ficar atento.

Contudo, faltaram as justificações para por que razão (e por iniciativa de quem) é que a alínea do artigo da proposta de lei de Orçamento de Estado lá estaria em primeiro lugar. Assim, sem quaisquer justificações, sobra uma sensação de que tal alteração só vai ser feita porque o subterfúgio foi descoberto e a manigância apanhada.

Outubro 18, 2011

Ele há coisas e coincidências (2)

Filed under: Comentário,Double standards,Política,Política Fiscal,Portugal — João Luís Pinto @ 14:00

Como bem refere o Carlos, reza assim o art.º 19, alínea 3 da proposta de lei do Orçamento de Estado para 2012, sobre “Suspensão de subsídios de férias e de Natal ou equivalentes de aposentados e reformados”:

No caso dos beneficiários de subvenções mensais vitalícias pagas por quaisquer dos
serviços ou entidades referidos no n.º 1 o disposto nos números anteriores abrange as
prestações que excedam 12 mensalidades
.

Qual a intenção da inclusão explícita desta alínea neste artigo e da criação desta excepção?

Quem é que são os seus destinatários e o que pretende acautelar?

Será que o CDS, a julgar pelas declarações do seu porta-voz, foi ouvido na elaboração da proposta de orçamento e/ou teve conhecimento da sua redacção final? Só assim se poderá compreender que ainda ache que “seria outra a intenção do orçamento” ou que possam “subsistir dúvidas”.

Ele há coisas e coincidências

Filed under: Comentário,Double standards,Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — João Luís Pinto @ 11:18

Então não é que o super-competente-rigoroso-hirto-e-firme ministro das finanças Vítor Gaspar se esqueceu que há pensionistas com reformas do estado que recebem a reforma em doze pagamentos e que não recebem subsídio de Natal e de férias, como tal não estando abrangido pelos cortes?

Para alguns, foi mesmo uma sorte o modelo ter passado do corte de uma percentagem do pagamento mensal das reformas para o corte específico do subsídio de férias e de Natal.

Quem é que terão sido os afortunados?

Outubro 17, 2011

Que alguma alma caridosa me explique (2)

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:02

Porque é que a venda do BPN ainda não foi consumada?

A última vez que o assunto foi abordado de forma pública, aquando da corrida contra o tempo para fazer a venda dentro do prazo acordado com a trika, havia alegadamente um acordo fechado com um dos concorrentes à sua compra que definia preço e condições de venda. De que é que está o governo à espera para concretizar essa venda?

Não se vá pensar que assistimos a uma gigantesca manobra de diversão para troika ver, enquanto se continuam a diluir prejuízos novos em conluio com o comprador à custa dos contribuintes.

Outubro 14, 2011

Que alguma alma caridosa me explique

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 16:41

Se a generalidade dos horários de trabalho são definidos por via de contratos individuais ou por via de acordos de empresa ou contratos colectivos e se, ao que sei, o estado só limita legalmente o tecto máximo de horas semanais que podem ser contratualizadas, como é que o governo procura impor que esses horários de trabalho aumentem meia hora por dia? Promovendo e patrocinando a intimidação dos trabalhadores?

Crónica de uma farsa anunciada

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 15:55

Depois de meses de promessas do primeiro ministro e do seu ministro das finanças de que os aumentos de impostos (e na generalidade da receita) que aplicaram desde que ascenderam ao governo em meados deste anos se iriam suplantar substancialmente pelos cortes de despesa “históricos” que iriam ser revelados aquando da discussão do Orçamento de Estado para o ano que vem, assistimos ontem ao desfecho da farsa e ao constatar da crescente dificuldade do nosso primeiro ministro em lidar com a verdade (consta até que já reconheceu que “fala demais”), algo que parece cada vez mas ser uma sina dos nossos governantes.

Da declaração do primeiro ministro ressaltam, na minha opinião, três pontos fundamentais.

O primeiro foi de que afinal os compromissos assumidos perante a troika no memorando de entendimento (que, lembre-se, é o único documento que vincula politicamente os seus signatários PSD, CDS e PS) não estão afinal escritos na pedra. A decisão deste governo de empurrar para as calendas (if ever) a descida da TSU (independentemente de achar que foi uma decisão positiva) é uma decisão que passa a vincular somente este governo e que demonstra que este, se quiser, afinal parece ter poder negocial e flexibilidade para o seu cumprimento. Demonstrou também que cada vez mais, por vontade do governo, este orçamento e esta governação são fruto de uma sua vontade expressa, distante de qualquer coisa que alguma vez tenha sido apresentada como programa eleitoral, e não derivada do cumprimento dos compromissos assumidos internacionalmente.

O segundo ponto é o assinalável novo aumento de impostos e de receita. Mais uma vez a receita a que já nos vamos habituando, e que parece agora confirmar-se como a única capacidade de decisão duradoura do governo. Neste caso adicionada da agravante de aumentar o IVA nos mesmos exactos termos que transpirou serem as contrapartidas da antecipadamente proposta descida da TSU. Mudámos portanto do publicitado cenário de “neutralidade fiscal” para, vejam lá, aumentar de novo os impostos.

Em último lugar, o ponto para mim mais significativo: depois de toda a encenação em torno de remeter para a discussão do orçamento as tais “medidas de corte de despesa”, aquilo a que assistimos ontem, numa perspectiva duradoura, foi à apresentação nem de muitas, nem de poucas, mas de zero medidas. Zero.

No rol de iniciativas que primeiro ministro escolheu na sua alocução ao país, não se inscreve uma medida que seja de corte na despesa que perdure para lá de 2013 e que tenha natureza estrutural. Para lá de a generalidade de medidas de corte de despesa que apresentou terem uma natureza que se aproxima perigosamente do confisco, ou terem legalidade mais do que duvidosa, todas elas têm horizonte temporal definido, pelo menos a acreditar na palavra (cada vez menos valiosa) do governo. Não há nada de estrutural que se sobreponha a um desespero de tesouraria, e parece que a mensagem a passar é a de que se “aguentarmos” até ao final de 2013 tudo ficará bem, e tudo poderá mudar para voltar a estar exactamente na mesma.

Depreende-se que afinal, do lado do funcionamento do estado, da sua dimensão, das suas competências e da sua natureza, tudo parece estar bem. Afinal parece que só andávamos mesmo a pagar pouco.

Tudo está bem, portanto. Afinal, os funcionários públicos vão poder continuar a ver em prime time o seu primeiro ministro anunciando o corte dos seus vencimentos e pensões nos 6 canais de televisão pública do estado, ou a ouvi-lo nas três rádios nacionais do estado, enquanto vão viajando em transportes falidos.

Tudo está mesmo bem.

Setembro 23, 2011

Para a história má do CAA

Filed under: Blogosfera,Comentário,Justiça,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 12:09

Hoje, no seguimento de uma Petição de cidadãos [...] vai ser submetido a votação o Projecto de Lei n.º 72/XII/1.ª, sobre a criminalização do enriquecimento ilícito – talvez o passo mais assertivo dado no combate à corrupção nas últimas décadas!

Pela minha parte, queria pedir desculpas adiantadas à organizações que se dizem ‘Transparentes’ que muito clamam contra a corrupção e tráfico de influências mas que nada fazem para além de tentarem cercear a esfera privada de liberdade dos cidadãos cumpridores e amplificarem desmesuradamente os poderes asfixiantes do Estado [...]

Para a história boa do Parlamento

Hoje, o deputado Carlos Abreu Amorim vai contribuir com o seu voto para o estabelecimento de um gravíssimo precedente jurídico com consequências (a ser consentido pelo tribunal constitucional – o que não me alimenta particulares esperanças) inevitáveis, essas sim, para o cercear da esfera privada da liberdade dos cidadãos e para a amplificação desmesurada dos poderes asfixiantes do estado.

Vindo de um jurista e qualificado liberal a viver em dificuldade em Portugal, um libelo de defesa apresentado como sendo dos cidadãos cumpridores (temo até pensar o que isso seja) é algo que, se possível de compreender como um devaneio alimentado por um acesso de deslumbre passoscoelhista, não é possível de aceitar e, diria mesmo, de perdoar.

Qualificar como um dia histórico para a vida do parlamento português um dia particularmente negro, em que se vai dar um passo significativo não contra a “corrupção” ou os traficantes de influência da esfera do estado – destinatários que só poderão ser engolidos por ingenuidade -, mas sim para colocar um pé na porta na Liberdade e no direito que deve assistir a todos a um processo judicial digno de um Estado de Direito, baseado em regras claras, em igualdade de armas e no assegurar de uma efectiva capacidade de defesa e presunção de inocência dos arguidos, é algo que não pode deixar de me desiludir profundamente.

Travestir tudo isto em nome de um populismo justiceiro e de uma capa feita para enganar tolos de que vale a pena sacrificar liberdades fundamentais e princípios em nome de resultados, ver para esse efeito o PSD e o CDS votarem alegre e (pelos vistos) orgulhosamente ao lado da extrema esquerda parlamentar que em outros momentos tanto criticam, é algo que me entristece fortemente e que não posso deixar de assinalar e lamentar.

Já que também verifico que, desde há algumas semanas o CAA optou por não permitir comentários nos seus artigos (e a pedido de algumas famílias), abro também portanto com este artigo a possibilidade a quem quiser de tecer os comentários ao louvor e à iniciativa legislativa defendida. Como sempre, o critério de publicação de comentários será o meu.

Setembro 22, 2011

Paz, paz, paz e mais negociações

Filed under: Comentário,Double standards,Internacional,Justiça,Política — João Luís Pinto @ 10:56

Barack Obama has told Palestinian President Mahmoud Abbas he will veto his bid for UN membership, as he tried to persuade him to drop the plans.

Mr Obama had told the UN General Assembly a Palestinian state could only be achieved through talks with Israel.

BBC News.

Porque nem todos os novos países podem ser histórias de sucesso como o Kosovo.

Setembro 21, 2011

Ui, a perda!

Filed under: Diversos,Portugal — João Luís Pinto @ 22:40

Coisas destas não se inventam:

O vice-presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Jacinto Gonçalves, alertou hoje que o fim da comissão de preparação de candidatura portuguesa da dieta mediterrânica a património imaterial da UNESCO pode por em causa o processo.

Enriquecimento ilícito

Filed under: Justiça,Portugal — João Luís Pinto @ 17:18

O projecto de lei do PSD e CDS-PP para a criminalização do enriquecimento ilícito está já disponível no site da assembleia da república.

Setembro 20, 2011

Canal Insurgente Memória (3)

Filed under: Diversos — João Luís Pinto @ 15:00

O PSD e o CDS vão apresentar um projecto de lei conjunto que prevê a criminalização do enriquecimento ilícito e com penas de prisão até cinco anos. O anúncio foi feito hoje pelas duas bancadas, depois de terem conseguido ultrapassar as resistências dos democratas-cristãos à consagração na lei deste tipo de crime.

Embora no projecto de lei que deu entrada na mesa só os titulares de cargos políticos ou de altos cargos públicos sejam abrangidos pela criminalização do enriquecimento ilícito, o CDS-PP comprometeu-se a permitir alargar aos cidadãos em geral, na discussão na especialidade. Âmbito que é defendido no projecto do PCP.

[...]

Para evitar a inversão do ónus da prova – o que seria inconstitucional –, o projecto determina que cabe ao Ministério Público demonstrar que o património foi obtido de forma ilícita. Mas o visado pode depois justificar “razoavelmente” a legalidade do enriquecimento, ou seja, que decorre de herança ou doação, venda de uma propriedade, realização de mais-valias mobiliárias e imobiliárias, rendimentos provenientes da propriedade intelectual e dinheiro ganho em jogos de fortuna e azar. Os rendimentos legítimos são os que constam na declaração de IRS.

Público, 16 de Setembro de 2011, com negritos meus.

Excertos da intervenção do deputado do CDS Filipe Lobo d’Ávila (actual Secretário de Estado da Administração Patrimonial e Equipamentos do Ministério da Justiça Interna) em representação da bancada aquando da discussão na assembleia da república da proposta de lei do PSD para a criminalização do enriquecimento ilícito, a 10 de Dezembro de 2009, na qual o CDS se absteve:
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Canal Insurgente Memória (2)

Filed under: Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:15

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, exigiu, esta sexta-feira à noite, em Viana do Castelo, que aqueles que conduzem a maus resultados e a incumprimentos devem ser responsabilizados civil e criminalmente.

“Não podemos permitir que todos aqueles que estão nas empresas privadas ou que estão no Estado fixem objectivos e não os cumpram”, disse Pedro Passos Coelho, salientando que não se pode permitir, também, que aqueles que “conduzem aos maus resultados andem sempre de espinha direita como se nada fosse com eles”.

As pessoas tem que ser responsabilizadas pelo que fazem. Se nós temos um orçamento a cargo e não o cumprimos, se dissermos que a despesa devia ser de 100 e ela foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa, também têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos e pelas suas acções“, afirmou o líder social-democrata, esta sexta-feira à noite, em Viana do Castelo, numa festa promovida pelo PSD de Barcelos.

Não é apenas a responsabilidade eleitoral. Essa também virá. Quem apresenta mau resultados deve pagar eleitoralmente, mas o pais não desenvolve uma cultura de responsabilidade“, salientou Pedro Passos Coelho [...].

5 de Novembro de 2010 (video), com negritos meus.

Setembro 16, 2011

Canal Insurgente Memória

Filed under: Comentário,Double standards,Política,Política Fiscal,Portugal — João Luís Pinto @ 11:11

Ou a crónica dos “cortes nunca vistos” sempre muito literais (com negritos meus):

Pedro Passos Coelho voltou a sublinhar que o financiamento da redução da TSU, ou seja, as compensações das perdas sofridas pela previdência social com a descida da taxa, “só poderá vir da reestruturação do IVA”, porque do lado da despesa “não são possíveis mais cortes adicionais”.

Em Setembro de 2010:

Depois de o ministro das Finanças ter dito que não consegue cortar tudo o que é necessário no lado da despesa pública, para atingir os objectivos de redução do défice, a oposição questionou Teixeira dos Santos sobre se o que está em causa é um novo aumento de impostos.
Miguel Macedo, deputado do PSD, pediu ao governo para de uma vez por todas “rasgar ao meio os cortes nas deduções fiscais”. Os sociais-democratas não concordam com um corte nas deduções nas áreas da saúde, educação e habitação em sede de IRS por considerarem tratar-se de um duplo aumento de impostos no mesmo ano.
Também o CDS, o PCP, o Bloco de Esquerda e Os Verdes questionaram o governo sobre que tipo de receita está o ministro a falar.
O ministro está esta tarde a ser ouvido no Parlamento e admitiu já esta tarde que para atingir o défice de 7,3% este ano e de 4,6% em 2011, não chega apenas os cortes na despesa mas sim também uma melhoria da receita para o Estado.
Estamos a trabalhar numa proposta de orçamento do próximo ano onde vamos cortar significativamente na despesa do Estado e procuraremos melhorar a receita. Fizemos um PRACE e vamos extinguir os organismos que forem necessários e reorganizaremos os serviços como temos vindo a fazer”, admitiu o ministro.
Em representação do governo esta tarde no Parlamento, Teixeira dos Santos voltou a garantir que o governo fará “o que for necessário e tomará as medidas para assegurar os 7,3% este ano e as medidas, de muito rigor, para chegar aos 4,6% para o próximo ano.”

Setembro 14, 2011

Independência para a Madeira já!

Filed under: Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:41

O cabeça de lista do PSD às eleições legislativas regionais insistiu nesta terça-feira no alargamento da autonomia da Madeira, considerando que a região tem direito de ser senhora do seu destino.

TSU

Filed under: Comentário,Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — João Luís Pinto @ 11:39

Tem-se assistido nos últimos dias ao regresso à mesa da discussão da questão da descida da Taxa Social Única, medida constante do memorando de entendimento com a troika que vai culminar, na minha opinião, em mais um provável erro histórico em matéria de política fiscal no nosso país.

Para além de, como referi no passado, ser uma medida que essencialmente vai pôr, pela sua compensação por via do IVA, os consumidores portugueses a subsidiar os consumidores estrangeiros de importações portuguesas, e promover distorções do mercado por conferir um benefício substancial ao factor trabalho em detrimento do factor capital, acresce a tudo isto um outro ponto que só havia referido superficialmente.

A redução da TSU e respectiva compensação da descapitalização da segurança social por via do IVA agravam um absurdo que no nosso país tem requintes de redacção constitucional: a ausência de mecanismos de consignação fiscal, ou seja, de associação de impostos aos serviços e prestações que por estes são providenciados. Enquanto até agora, apesar dessa imposição formal, na prática se tinha a TSU e restantes contribuições sociais a financiar directamente o orçamento da segurança social, vamos passar agora a ter uma ainda maior opacidade (e incerteza) no financiamento desse orçamento.

O IVA é um imposto cuja receita é fortemente influenciada por questões conjunturais de retracção do consumo e, apesar dos brutais aumentos que tem sofrido desde a sua criação por governos do PS, PSD e CDS (em coligação), o seu destino em termos orçamentais nunca foi clarificado, servindo mais como um bolo que está disponível para tapar “buracos” aqui e acolá. Vamos portanto substituir uma receita de valor fortemente previsível e associada ao número de beneficiários e de benefícios que alimentava por uma incógnita sem quaisquer obrigações formais de financiamento da segurança social.

Uma má medida, de desfecho imprevisível, e que poderá ser um passo determinante na degradação galopante das contas da segurança social.

Leitura adicional: Promoção das exportações, As minudências da política portuguesa.

Setembro 9, 2011

Pílulas e receitas

Filed under: Blogosfera,Comentário,Portugal,Saúde — João Luís Pinto @ 18:17

Para poupar tempo e dinheiro o que boa parte das mulheres faz é comprar a pílula sem receita médica. Aliás e não por acaso a venda da pílula sem receita médica foi apresentada como uma vitória das mulheres e do planeamento familiar.

Helena Matos está claramente mal informada e enganada.

A “vitória” que refere é uma vitória “das mulheres e do planeamento familiar” que nunca existiu, já que a generalidade (diria até a totalidade) das pílulas contraceptivas é de prescrição obrigatória (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10).

Se as farmácias as vendem sem a respectiva receita médica, isso é todo um outro problema (que não está restrito às pílulas contraceptivas), que não invalida que tal facto seja irregular e uma ilegalidade.

Já que volto ao tema, também não posso deixar de constatar com alguma surpresa e com alguns pingos de estupefacção o despontar a que tenho assistido desde ontem de uma verdadeira legião de novos e aguerridos defensores e fãs da instituição “centros de saúde”, e de um modelo de prestações (incluindo comparticipações, prescrição e entrega de medicamentos) no âmbito do SNS totalmente circunscrito às instalações públicas.

Aliás, depois de muitos deles terem vindo a público no passado defender a proposta de revisão constitucional do PSD e criticar veementemente a possibilidade de se verem reduzidos ou eliminados os descontos em sede de IRS relativos a despesas de saúde (eu sei, foi noutros tempos), assinalo com particular estupefacção estas evoluções.

Setembro 8, 2011

Sleight of hand

Filed under: Diversos — João Luís Pinto @ 14:30

No seguimento da vontade expressa de racionalizar o tamanho do estado, e no seguimento do espírito dos compromissos assumidos com a troika, a Olívia Costureira vai vender à Olívia Patroa o negócio dos seguros da Caixa Geral de Depósitos.

Amigos como sempre

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 12:12

Consumado como foi o regresso em 2007 da fotografia de Freitas do Amaral à sede do CDS no Largo do Caldas, eis que se dá o derradeiro passo no processo de reconciliação entre este, o CDS e a restante direita (?) partidária portuguesa, com a anunciada proposta do mesmo para presidente do conselho de administração da GALP, ao abrigo dos direitos especiais da CGD na empresa, naturalmente pelos seus méritos como catedrático de Direito Administrativo.

Confirma-se mais uma vez, na sequência desta informação, que este governo aprendeu rapidamente os méritos da propriedade do estado da CGD. Longe vão já os tempos dos discursos de campanha a pugnar pela sua privatização e despartidarização e para as acções perversas derivadas das suas participações em outras empresas. Depressa foram apreendidos os benefícios da apropriação dos lugares do seu conselho de administração pelas pessoas certas, e rapidamente foi interiorizado o conceito de boy e as suas vantagens.

Ultrapassado este primeiro passo (e compreende-se bem a rapidez e a urgência com que o governo o tomou – foi afinal quase uma das suas primeiras medidas concretas) de avançar para as mudanças nos órgãos sociais da CGD, cumpre agora, por via das participações do banco noutras empresas, propagar essas escolhas.

Afinal, compreende-se bem a pressa do ministro das Finanças e do presidente do conselho de administração da CGD em que seja escolhido o chairman da GALP, para se “ter a casa arrumada” – parecem ser as suas palavras – enquanto a CGD não é forçada, no seguimento do memorando de entendimento com a troka, a alienar as suas posições.

Percebe-se mesmo muito bem que género de “arrumação” se pretende fazer na “casa”.

Prioridades

Filed under: Comentário,Política,Portugal,Saúde — João Luís Pinto @ 10:57

[A]s pílulas [anticoncepcionais] deixam de ser comparticipadas pelo Estado. Por exemplo uma pílula que custa actualmente 5,57 euros, passa para os 18 euros a partir do mês de Outubro.

TSF

Uma curiosa noção de prioridades deste governo em matéria de SNS: Deixa rapidamente e em força de comparticipar as pílulas contraceptivas, enquanto mantém a comparticipação da pílula do dia seguinte, a gratuitidade (e prioridade) da prática de abortos no SNS, e o pagamento pela segurança social de licenças de “maternidade” a quem tenha feito um aborto.

Presumo que a mensagem a passar seja, portanto: não faça contracepção que é chato e é caro, aborte depois de borla no caso de engravidar e ainda ganha uns dias de férias à conta disso.

Curiosa noção de prioridades, sem dúvida.

Não percebo o que vai passando pela cabeça destes sujeitos.

Leitura adicional: Perguntas à “direita da receita”.

Setembro 3, 2011

Pensava que já tinha visto muito no PSD

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 15:09

Mas ver Mário Soares convidado para falar na “universidade de Verão” do partido e a sair aclamado aos gritos de “Soares é fixe!” (por mais reserva mental que houvesse nos seus protagonistas) é coisa para deixar uma pessoa de boca aberta.

Mais um prenúncio da “morte do cavaquismo”?

Setembro 2, 2011

Perguntas à “direita da receita” (2)

Filed under: Comentário,Educação,Política,Política Fiscal,Portugal,Saúde — João Luís Pinto @ 12:31

A iniciativa apresentada pelo governo de eliminar os descontos em sede de IRS relativos à saúde e à educação (medida que ainda não é claro que seja “temporária” e limitada a um horizonte de dois anos, como prometido em relação ao aumento do último escalão) aos contribuintes cujos rendimentos caiam nos dois últimos escalões, casos sintomáticos dos contribuintes que são forçados a pagar proporcionalmente a maior factura de um serviço que não desejam e que não utilizam (ou que pura e simplesmente querem escolher não o fazer), fazem parte do roteiro para a “liberdade de escolha” e para o “cheque-ensino” que nos foram anunciadas e defendidas por PSD e CDS desde há anos?

Setembro 1, 2011

Perguntas à “direita da receita”

Filed under: Comentário,Política,Política Fiscal,Portugal — João Luís Pinto @ 14:43

Vai demorar muito para terminar a prestação de abortos pelo SNS, e desse modo poupar aproximadamente 5 milhões de euros por ano aos contribuintes portugueses (valor de ordem de grandeza semelhante à iniciativa que foi apresentada com pompa e circunstância pelo Ministro da Solidariedade e Segurança Social de reduzir chefias)?

Vejam lá se não é muito incómodo.

Por um prato de lentilhas

Filed under: Blogosfera,Internacional,Justiça,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 14:04

O «Acordo…» para a entrega aos EUA dos dados pessoais dos cidadãos portugueses foi ontem ratificado pelo Parlamento. Os dados constantes do seu BI, caro leitor, podem agora ser entregues aos EUA por um «ponto de contacto» português que não tem de ser um juiz e nem sequer um polícia (até pode ser um agente do SIS ou do SIED, gente «impoluta», como os mais atentos às notícias já perceberam). E nem é necessário que o leitor tenha cometido uma infracção ao código da estrada: basta que o tal «ponto de contacto» ache que o leitor «irá cometer» uma infracção penal. O ADN de alguém que tenha sido acusado de um crime também vai direitinho para os EUA. Basta pedirem do lado de lá. Se a sua inocência for provada, os dados serão destruídos cá. Mas não lá.

[...]

Registe-se que, apesar do parecer contrário da Comissão Nacional de Protecção de Dados, o acordo foi ratificado com os votos favoráveis de PSD, PS e CDS. Contra, o PCP, o BE e o PEV.

A ler, o bem ilustrado artigo A CIA sonhou, o PS quis, o PSD e o CDS ratificaram, no Esquerda Republicana.

Agosto 31, 2011

Les beaux esprits…

Filed under: Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 12:30

O ministro das Finanças garantiu hoje que o próximo orçamento terá cortes na despesa “significativos” e “em todas as rubricas”, assim como medidas para melhorar a receita.

“Vamos cortar significativamente na despesa pública e em todas as rubricas”, garantiu [...].

[A]ssegurou ainda que o próximo orçamento terá ainda medidas para melhorar a receita e que o Governo irá extinguir “todos os organismos que forem necessários”, pois temos de continuar firmes na execução orçamental.

[...]

Na sua opinião, não é possível atingir o objectivo orçamental sem melhoria na receita, o que poderá ter subjacente uma mexida nos impostos [...].

Agosto 12, 2011

Segue forte o combate implacável do governo à despesa pública (2)

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 09:48

O IVA na electricidade e no gás vai passar já no último trimestre da taxa reduzida de seis por cento para a taxa normal de 23 por cento, anunciou o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, numa curta declaração esta manhã.

Quando se convocam conferências de imprensa para apresentar colossais cortes na despesa e ao invés sai na rifa um novo aumento do IVA, e já se vão antecipando medidas e receitas acordadas para o ano de 2012 do lado da receita, sem qualquer vislumbre efectivo ao fim já de meses de governo de medidas substanciais de corte de despesa pública (muito menos ao nível dos aumentos de receita anunciados), parece que começamos a abandonar o domínio da boa-fé.

Começa sim a parecer que estão a querer gozar connosco.

Agosto 10, 2011

Uma palavra que continua a demonstrar valer muito pouco

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:15

As pequenas coisas continuam a ser porventura dos melhores indícios para fazer juízos de carácter de que podemos dispor.

O recente episódio da negação pela força dos factos efectuada pelo nosso primeiro-ministro-a-banhos das suas palavras frescas de ainda há poucas semanas de que o governo não gozaria férias devido à situação de urgência pela qual o país estaria a passar, demonstra mais uma vez que as minhas conjecturas passadas não acertaram assim tanto ao lado.

Foram mais uma vez palavras que proferiu com total liberdade, que não foram extraídas sobre pressão, e que foram integralmente sua opção e vontade tornar públicas. Mais uma vez, no espaço de poucas semanas, foram desditas.

A conclusão que parece ser óbvio tomar e utilizar como guia no futuro, é que aquilo que sai da boca do nosso primeiro-ministro não é para ser levado a sério. Seja por quem exerce o cargo não parecer ser capaz de medir o alcance das suas palavras antes de abrir a boca, por eventualmente a boca ser mais rápida que o raciocínio, ou por achar que já não vale mesmo a pena preocupar-se com a veracidade do que diz ou promete.

Qualquer que seja a razão, mais ou menos maquiavélica, consciente, bem ou mal-intencionada, parece que é com isto que podemos contar.

A credibilidade será porventura dos capitais públicos mais difíceis de adquirir e mais fáceis de desbaratar. Nos poucos meses de ascensão de Passos Coelho à liderança do PSD e posteriormente ao governo do país, parece que é com isto que temos de contar.

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