Dezembro 11, 2011
Novembro 24, 2011
Um velho rumo
Um grupo de iluminados ilustres democratas de esquerda produziu um manifesto elegendo a defesa da justiça social e o aprofundamento democrático como instrumentos de combate à crise.
Não resisto a fazer alguns comentários:
- Desde logo, a falta de sentido democrático de certas pessoas sempre que a democracia não vai no sentido certo. É que é no mínimo caricato falar em aprofundamento democrático em Portugal quando temos um governo suportado numa maioria absoluta parlamentar que resultou de eleições legislativas ocorridas há menos de seis meses.
- Depois, é perfeitamente abusivo mencionar a “rua árabe”, como se os indignados de cá fossem comparáveis às pessoas que viviam/vivem em ditaduras ou pseudo-democracias.
- Temos ainda a já habitual presença do bicho papão, desta feita sob a forma do “situacionismo neo-liberal”, dos “obscuros jogos de capital”, da “anarquia financeira internacional” e d’ “a destruição e [d']o caos que os mercados financeiros mundiais têm produzido nos últimos tempos”.
- Por fim, num manifesto que pretende promover a construção de um novo paradigma (que bela palavra) para o estado, para a sociedade e para a economia é sintomático que o único vislumbre de medidas minimamente concretas corresponda a adiamento de receita e manutenção ou aumento de despesa. Não é de estranhar, afinal de contas a preocupação com o dinheiro é uma cena que não assiste a socialistas (e afins).
E no entanto temos um ponto quase em comum: eu também não gosto de políticas de austeridade que acrescentam desemprego e recessão, sufocando a recuperação da economia. Mas infelizmente são o triste e necessário resultado de viver anos e anos a fio acima do que se podia. Finalmente chegou a conta de um rumo que de novo nada tem.
Outubro 16, 2011
Piada ou memória selectiva?
Carlos César em entrevista à Sic-Notícias:
[...] não há duvida que o senhor professor Cavaco Silva é, entre todos os Presidentes da República eleitos desde o 25 de Abril, o Presidente mais partidário de sempre.
Confesso que não conheço o percurso de Carlos César. Não sei por onde andava aquando dos segundos mandatos de Mário “direito à indignação” Soares e de Jorge “dissolução parlamentar” Sampaio. Mas, independentemente de se achar que Cavaco Silva está a ser melhor ou pior presidente que os anteriores, parece-me falta de seriedade afirmar que está a ser mais partidário.
Outubro 15, 2011
Setembro 1, 2011
Não percebo
… as críticas do BE e da CDU à conferência de imprensa de Vítor Gaspar e ao Documento de Estratégia Orçamental (que não é quinquenal mas quase). Então não queriam que os ricos pagassem a crise?
Recordem-me uma vez mais, este governo é o tal que é ultra-neo-liberal, certo? Pois…
Junho 18, 2011
Os ricos que paguem a crise
Nuno Rogeiro, na Sábado desta semana:
Mas, só a propósito de “justiça fiscal”, que tal criar, entre nós, novos escalões nos patamares mais ricos? É que não é o mesmo ganhar 20 mil euros por mês, e dois milhões. Há cavalos de Tróia onde menos se espera.
Para além da evidência la palissiana, fica a dúvida de até onde precisamos ir? Qual o nível de progressividade que deixará satisfeita esta sede de “justiça fiscal” perante quem comete o “crime” de ganhar muito dinheiro?
Junho 8, 2011
Querem ver que o Bloco afinal ganhou as eleições?
Março 15, 2011
Closer to the end edge
Moody’s corta rating de Portugal de A1 para A3. Nos próximos dias (amanhã?) serão os bancos nacionais. E tudo ficará ainda mais complicado.
Obrigado
Obrigado a todos quantos votaram em José Sócrates em 2009, depois de 4 anos de governação socialista. E obrigado porque tornaram ainda mais evidente que não é, não pode ser este o caminho. Não podemos continuar a ser governados por quem sempre pensa saber o que é melhor e impõe esse ideal para todos. Acima de tudo não podemos continuar a ter como PM uma pessoa com aquele perfil, com aquele carácter. Por mim já basta.
A quem teve a “honra” de pertencer ao executivo nos últimos anos, muito obrigado pelo vosso “trabalho”, regressem à vida fora do poder (para quem a tem) e façam-nos um favor: não voltem!
Fevereiro 20, 2011
Alguém leu o jornaleiro?
José Ferreira Fernandes é um jornaleiro notável. É o redactor-principal do Diário de Notícas, quarto diário generalista mais lido em Portugal (dito assim até parece fantástico) e conhece tanto do seu negócio (apesar da audiência do jornal ter caído 16% no último quadrimestre de 2010) que já passou por tudo o que é revistas (Sábado, Visão e Focus) e jornais (DN, Público e O Jornal), coleccionando prémios do meio (Prémio Pessoa de Jornalismo, Melhor Jornalista do Ano e Prémio FLAD de Jornalismo). Já como especialista de Finanças Públicas e defensor do regime, não sei. Mas suspeito que qualquer miúdo com a especialidade acabada de tirar na London School of Economics (ou participante de um qualquer blog corporativo) arranjaria mais depressa emprego na matéria. Ao contrário, insisto, do que se passa no delicado, difícil e tão concorrido métier de vender jornais, onde Ferreira Fernandes é uma autoridade internacional. Ora bem, esse jornaleiro emérito e menos reconhecido especialista de Finanças Públicas produziu hoje um texto de opinião onde critica Alexandre Soares dos Santos por dizer que “Portugal já está em recessão”. Para azar de JFF, até o senhor governador do banco de Portugal concorda com ASS. Sobre o efeito deste tipo de serviços prosas no mundo do jornalismo, em que ele é autoridade, saberemos mais tarde… talvez quando saírem os dados do Bareme Imprensa para o 1º quadrimestre de 2011.
Fevereiro 13, 2011
Et tu Marcelo?
Marcelo Rebelo de Sousa na TVI há pouco:
… apoiantes neoliberais de Passos Coelho…
Como?!? Quem?!?
Janeiro 21, 2011
Voto contra
Meus caros co-Insurgentes,
Estou convosco. Nunca imaginei chegar ao fim da campanha e ter decidido alterar o meu sentido de voto. Sempre achei que mais ou menos contrariado, mais ou menos convencido, acabaria por votar em Cavaco Silva. Pensei que apesar de não ser o candidato ideal, seria suficiente ser melhor que os outros (e sim, para mim ser o menos mau é a mesma coisa que ser o melhor; a semântica vale o que vale) para obter o meu voto. E apesar de continuar a achar que é o melhor candidato, não posso em consciência votar nele numa primeira volta.
Alguém que acha que os trabalhadores privados também devem pagar a crise (imagino que não se refira aos milhares de desempregados que não tiveram a boa sorte de serem funcionários públicos), que na conjuntura em que vivemos defende a criação de mais um ministério e que, saving the best for last, acredita que os ricos é que devem pagar a crise, não pode ser a pessoa que eu quero como presidente da república.
Poderão dizer que é hipocrisia deixar que sejam “outros” a votar nele para que seja eleito, ficando eu de bem com a minha consciência. Talvez, mas algo me diz que boa parte das pessoas que votarão nele o farão por partilharem a sua social democracia (whatever that might be), por acharem que “directores e funcionários de altos rendimentos” (do sector privado) devem mesmo ver os seus salários cortados. No fundo, temos os políticos que merecemos…
Dezembro 30, 2010
Outubro 28, 2010
Outubro 10, 2010
A caminho do fim da crise
Entre os milhares milhões de Magalhães que continuaremos a exportar e os inúmeros barris de petróleo que seguramente Chavez venderá a preço de amigo a “um dos seus maiores na Europa“, o fim da crise está ali ao virar da esquina.
Setembro 28, 2010
Também eu, também eu…
Verdes esperam que PSD mantenha recusa à subida de impostos.
Heloísa Apolónia mostrou-se indisponível para negociar com o Governo, mas atirou a responsabilidade para o PS e para o ministro das Finanças. Segundo o que afirmou, foi Teixeira dos Santos quem adoptou uma postura “arrogante” que acabou por comprometer a possibilidade negociação do Orçamento do Estado com o Parlamento.
O “fundamental”, disse, é que o PSD não mude de opinião sobre a recusa de aumentos de impostos, e obrigue o PS a alterar a sua orientação política.
Julho 3, 2010
Moutinho no Porto
Não me ofende. Achava que Moutinho (bem mais que Miguel Veloso) tinha de sair. Claramente (a avaliar pela ultima época) já não tinha motivação para jogar no Sporting e era, para todos os efeitos, dos poucos jogadores com mercado no plantel. Obviamente que preferia que o capitão do Sporting não fosse para o Porto, mas desde o triste episódio do verão passado de 2008 que achei que não deveria ter continuado com a braçadeira. Para concluir se é um bom negócio ou não, falta saber em que condições foi vendido. Vamos aguardar.
Maio 3, 2010
Abril 30, 2010
Oportunidade perdida
Abril 27, 2010
Previsível (2)
Rating da Grécia cortado para BB+ (junk) pela S&P (com este rating a dívida grega deixa de ser elegível como colateral junto do BCE aparentemente terei sido demasiado rápido no gatilho – embora este rating esteja abaixo do mínimo exigido pelo BCE, uma vez que os outros ainda não estão, a dívida grega ainda será elegível). Outlook negativo.
Abril 26, 2010
Contradiction in terms
Primeiro ministro anuncia criação da Fundação da Liberdade
O primeiro ministro anunciou em Santarém, a criação da Fundação da Liberdade, que integrará o Estado, a autarquia, associações que desenvolvem a sua acção em prol dos valores da paz e da liberdade e, posteriormente, um parceiro privado.
Abril 22, 2010
Governments will bankrupt us
Marc Faber em entrevista à CNBC:
They will all bankrupt us and expropriate us, but it may not happen tomorrow. They’ll give us something to play with, until the whole system breaks down…they’ll just print money and print more money.
What I object to the current government intervention in so-called ‘solving the crisis’, (is that) they haven’t solved anything. They’ve just postponed it.
Entretanto, as Obrigações do Tesouro Portuguesas estão a pagar mais 1,85% que as correspondentes alemãs. Estes especuladores financeiros são mesmo tramados…
Março 16, 2010
Spin ou ignorância?
Como o André já aqui referiu, a comunicação social faz hoje eco da divulgação pela PT no seu R&C de 2009 da remuneração (fixa e variável) dos seus administradores relativamente ao ano passado.
E de uma forma relativamente uniforme, o destaque é dado ao facto de ganharem consideravelmente menos que os administradores de operadoras europeias de telecomunicações. O Jornal de Negócios realça ainda que “o CEO de telecomunicações mais bem pago na Europa é Vittorio Colao, presidente executivo da Vodafone, que auferiu em 2008 (últimos dados disponíveis) uma remuneração total de 14 milhões de euros, um valor sete vezes e meia superior ao de Zeinal Bava”.
(mais…)
Novembro 13, 2009
E pode-se?
Outubro 16, 2009
Responsabilidades?
Pelo menos (apenas?) da boca para fora, José Sócrates veio lamentar-se por não ter conseguido alcançar qualquer coligação ou acordo com os restantes partidos, apesar de ter expresso a sua “abertura e disponibilidade sincera” (não deve ser o mesmo senhor que foi primeiro-ministro nos últimos quatro anos).
Tentou ainda, pareceu-me, condicionar ligeiramente a conduta futura dos restantes partidos afirmando que “cada um fará aquilo que achar que deve fazer e cada um assumirá as suas responsabilidades”. Claramente que, ainda antes de entrar em funções, começa já a preparar o terreno para se vir a queixar que não o deixam governar.
E no entanto parece-me que as responsabilidade dos partidos são essencialmente com as pessoas que neles votaram… e quem votou nos outros partidos naturalmente não deseja mais quatro anos de governo PS ou, no mínimo dos mínimos, mais quatro anos com um governo PS semelhante ao que tivemos. E a responsabilidade dos partidos da oposição é garantir que tal não aconteça.
Outubro 9, 2009
Outubro 8, 2009
A boa gestão de Costa e seus muchachos
Câmara de Lisboa pagou meio milhão a restaurantes do Parque Mayer sem esperar por decisão do juiz
Desde logo, um dos restaurantes em questão (o Bibikas) tinha sido demolido em 2003 e o comerciante que o explorava desde há 17 anos, por cedência do titular do contrato de arrendamento, já falecido, tinha recebido 50.000 euros de indemnização do então senhorio, a empresa P. Mayer, do grupo Bragaparques.
O outro caso que foi objecto do mesmo acordo, outorgado em 31 de Julho passado, respeita ao restaurante Manecas, que ainda funcionava com alguma regularidade e se comprometeu a fechar até 15 de Setembro. Desta vez a CML aceitou a proposta que lhe foi feita pela empresa titular do contrato (Manuela Fernandes & Alves Ldª) e entregou-lhe, no próprio dia, 266.500 euros. Juntamente com o pagamento desta quantia, aceitou “prescindir de todas as rendas vencidas e não pagas”, sendo de referir que uma informação dos juristas da câmara notava no ano passado que “o arrendamento poderá ser resolvido pela via judicial”.
Podem ler toda a história no Público.
Se isto não constitui gestão danosa, então não faço ideia do que poderá ser. E depois o outro senhor é que é mau. Pois, está bem…
PS (no pun intended): Em ambos os restaurantes várias vezes almocei muito bem. Deixam saudades.
Setembro 27, 2009
Não percebo Santos Silva
Que conversa é esta de os outros partidos respeitarem a vontade do povo, assegurando estabilidade??? Deixem-se de tretas… por muito que lhes custe, vão ter que governar sem maioria absoluta. Como? Sem a prepotência dos últimos anos, pois então.
Realidade ou Ficção
Para quem não queira lidar já com a dura realidade dos anos que se avizinham, sugiro que mudem para o AXN e vejam os primeiros episódios da quinta temporada da Medium.
Alberto Martins (ooops) na SIC
“É uma vitória estrondosa do PS. Partimos de 26% nas Europeias”
E eu a pensar que partiam de um governo de 4 anos com 45% de votação nas legislativas anteriores…
Cheira a poder?
Uma jornalista da TVI24 dizia há pouco que no Altis, ao contrário do que aconteceu nas europeias, já se encontravam todos (ou quase todos) os notáveis do PS. O núcleo duro…
Setembro 8, 2009
Leitura recomendada
Já é de ontem, mas este artigo de Mário Crespo no JN é incisivo e merecedor de destaque. E não podia concordar mais com a conclusão final.
[...]
35 anos depois da ditadura, digam lá o que disserem, não volta a haver o Jornal de Sexta da TVI e os seus responsáveis foram afastados à força.
No fim da legislatura, em plena campanha eleitoral, conseguiram acabar com um bloco noticioso que divulgou peças fundamentais do processo Freeport.
[...]
É indiferente se [a Prisa] agiu por conta própria ou se foi sensível às muitas mensagens de vociferado desagrado que Sócrates foi enviando. Não interessa nada que de Espanha não venha nem boa brisa nem boa Prisa porque a criação do clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade do próprio Sócrates.
É indiferente se a censura o favorece ou prejudica. O importante é ter em mente que, quem actua assim, não pode estar à frente de um país livre. Para Angola, Chile ou Líbia está bem. Para Portugal não serve.
Setembro 5, 2009
Debate Sócrates – Jerónimo
Só vou conseguir ver 5 minutos. Mas já deu para perceber que temos Sócrates versão cordeiro: o tom de voz com que diz “Jerónimo de Sousa” é enternecedor…
Setembro 1, 2009
(Mais) Uma pérola do jornalismo económico nacional
No Diário Económico de hoje: “Grande fatia de obrigações do BPP vence daqui a 40 anos“
Proposta do Banco Privado para o fundo para o retorno absoluto prevê uma maturidade de três a anos, prazo que deve permitir pagar capital e juros.
Quase metade da carteira de activos dos produtos de retorno absoluto do Banco Privado Português (BPP), composta sobretudo por obrigações, vence depois de 2015. E mais de 14% atinge a maturidade apenas em 2049.
Neste ‘portfolio’ em que estão investidas as poupanças dos clientes de retorno absoluto do BPP – perto de 1,2 mil milhões de euros – outro tanto, cerca de 13%, vence apenas em 2016. Em 2017, atinge a maturidade 6,5% da carteira e, em 2015, acima de 6% das obrigações.
Estão aqui, desta forma, perto de metade da carteira de retorno absoluto dos clientes do BPP. Do “bolo” total, apenas 3,8% vence nos próximos três anos, dos quais o,8% este ano, 1% em 2010 e 2% em 2011.
Não conheço a jornalista que assina o artigo (Maria Ana Barroso), nem tão pouco serve este post como qualquer espécie de ataque pessoal. Mas para quem está habituado a ler os jornais económicos portugueses, erros deste género (ou sempre que algum número tem mais de 3 ou 4 zeros ou quando é preciso fazer algum câmbio) não são tão incomuns quanto isso. E às tantas ficamos entre a irritação e o riso. É que não se percebe como estas “gralhas” passam por um jornalista, por um revisor, por um editor… num jornal económico!
Ninguém acha estranho que 14% das obrigações terminem em 2049? Quando seguramente nenhuma das restantes obrigações termina nos 10 anos anteriores ou posteriores? Aqui fica desfeito o mistério para quem não sabe (nem tem obrigação de saber): 2049 é a maturidade que, genericamente, é atribuída a obrigações perpétuas. Pelo que, na realidade, 14% das obrigações em questão não têm uma data de maturidade definida neste momento.


