O Insurgente

Maio 6, 2008

Chávez criou a sua própria crise

Arquivado como: Economia, Internacional, Política — Bruno Garschagen @ 2:14 pm

do site Americas Reporter

O que está acontecendo com o governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez? O que está havendo com o próprio Chávez? Em abril, os institutos de pesquisa Datos e Keller & Associados divulgaram pesquisa mostrando que a popularidade de Chávez, que era de 67% no início de 2006, tinha caído para 37%. O instituto Datanálisis também divulgou pesquisa indicando queda de 75% para 51,8% da popularidade do presidente da Venezuela. Em março, uma pesquisa do Keller & Associados já tinha revelado que, pela primeira vez desde que assumiu o poder em 1998, havia mais gente que se declarava contra do que a favor do governo: 47% de opositores contra 37% pró-Chávez.

Qual a explicação para essa perda de apoio, que, segundo os institutos, apresentavam tendência de queda ainda maior? Baseado nos dados coletados na pesquisa, Alfredo Keller, presidente do Keller & Associados, arriscara um diagnóstico: a população mais pobre cansou de esperar pelas melhorias das condições de vida prometidas pelo presidente venezuelano.

Ainda há de se colocar nessa conta a constatação de analistas políticos e econômicos de que a faixa da população em melhor condição social sentiu-se atacada em suas liberdades. É exemplar, sob esse aspecto, que o Cato Institute, dos Estados Unidos, tenha dado o Prêmio Liberdade “Milton Friedman” para o líder do movimento estudantil pró-democracia da Venezuela, Yon Goicoechea, de 23 anos, que vai receber US$ 500 mil num evento programado para o dia 15 de maio, em Nova York.

Tanto a frustração pela expectativa irrealizada como o desrespeito às liberdades individuais são mostrados analiticamente em dois estudos do economista venezuelano e professor assistente de estudos econômicos e latino-americanos da Wesleyan University, Francisco Rodríguez: The Price of Political Opposition: Evidence from Venezuela’s Maisanta e An empty revolution – The unfullfilled promisses of Hugo Chávez.

CONTINUA

Abril 25, 2008

25 de abril?

Arquivado como: Política, Portugal — Bruno Garschagen @ 9:48 pm
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Hoje é dia 25 de abril. A data marca o fim do regime Salazarista em Portugal. A queda de um governo autoritário deve ser sempre comemorada. O problema foi o que se seguiu a essa queda. Comunistas e socialistas aproveitaram o vácuo de poder e instaurou-se em Portugal o famigerado PREC (Processo Revolucionário em Curso) com ocupações de casas, terras, fábricas, apropriações, nacionalização de empresas. Quem não estava alinhado com a esquerda era perseguido. Um colega do mestrado contou-me que o pai, que nunca se envolveu politicamente com qualquer grupo, ficou dois anos impedido de continuar o curso de direito em Coimbra justamente por não ter se envolvido politicamente com a esquerda revolucionária.

Não sei até que ponto a história que se segue à derrubada do Salazarismo, romanticamente batizada de Revolução dos Cravos, é conhecida no Brasil. Assim como as perseguições e toda sorte de violência e maldades perpetradas pelos revolucionários portugueses, notadamente pelos membros do PCP, liderado pelo abjeto Álvaro Cunhal.

(mais…)

Março 6, 2008

Um azar do Caracas

Arquivado como: Economia, Internacional, Política — Bruno Garschagen @ 1:37 pm

É assim que governos democráticos resolvem questões diplomáticas:

06/03/2008 - 08h28
da Folha Online

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que a crise diplomática com a Colômbia pode afetar o comércio bilateral e insinuou que poderia nacionalizar empresas colombianas no país.

“Vamos fazer o mapa das empresas colombianas na Venezuela. Poderíamos nacionalizá-las (…) e as que temos lá na Colômbia teremos de vendê-las”, disse.

“Tudo o que pudemos alcançar, chegamos a US$ 6 bilhões de intercâmbio comercial, veio abaixo”, afirmou em entrevista coletiva após uma reunião com o presidente equatoriano, Rafael Correa.

Chávez disse que a Venezuela prepara medidas para evitar que a crise diplomática, provocada pela operação de tropas colombianas no Equador para atacar as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), afete as economias de Caracas e Quito.

“Façamos um convênio comercial porque não podemos depender nem de um grão de arroz da Colômbia”, propôs Chávez a Correa, que chegou a Caracas na noite desta quarta-feira, na terceira etapa de uma viagem por vários países latino-americanos para buscar apoio.

TLS: Hugo Chavez’s authoritarian populism is closer to fascism

Arquivado como: Internacional, Livros — Bruno Garschagen @ 1:38 am

Um bom texto sobre Chávez publicado no imprescindível Times Literary Supplement antes de os expoentes membros do Foro de São Paulo empreenderem a ação orquestrada contra a Colômbia para esconder seus crimes.

February 29, 2008
The failure of Latin America

Hugo Chavez’s authoritarian populism is closer to fascism; hope for the continent lies elsewhere

David Gallagher

Michael Reid
FORGOTTEN CONTINENT
The battle for Latin America’s soul
384pp. Yale University Press. £19.99 (US $30).
978 0 300 11616 8

Why has Latin America been so much of a failure when compared with the United States or Canada? In attempting to answer this question, Michael Reid’s Forgotten Continent looks at all the explanations available. One is so-called dependency theory, developed by economists in the 1940s, which blames “United States intervention and Latin America’s subordinate role in the world as an exporter of raw materials”. Then, as Reid explains, there is the idea that “Latin America has been doomed by its culture, and in particular an Iberian, Catholic tradition of social organisation and political thought which, it is argued, is both anti-capitalist and inimical to democracy”. Reid also invokes the region’s difficult geography, its “Baroque” legal system, its lack of solid institutions, and its deep inequality, which stems from the colonial period, if not before: the Inca Empire was rigidly hierarchical. Reid quotes Alexander von Humboldt, in an essay on Mexico of 1811: “The architecture of public and private buildings, the women’s elegant wardrobes, the high society atmosphere: all testify to an extreme social polish which is in extraordinary contrast to the nakedness, ignorance and coarseness of the population” – a stark description of inequality that persists up until now.

Março 3, 2008

Colombia descobre que Chávez financia terroristas; Equador rompe relações

Arquivado como: Brasil, Internacional, Política — Bruno Garschagen @ 10:32 pm

Continuando a conversa iniciada pelos posts de Pedro Sette Câmara e André Azevedo Alves, o jornal colombiano El Tiempo informa que o presidente do Equador, Rafael Correa, decidiu romper oficialmente as relações com a Colômbia após a divulgação de informações comprovando que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, financiou a Farc:

Ecuador rompe relaciones oficialmente con Colombia

El presidente Rafael Correa hará el anuncio en una alocución televisada en los próximos minutos.

El anuncio se produce luego de que el director de la Policía, general Óscar Naranjo, denunció que el gobierno de Venezuela ha aportado 300 millones de dólares a la guerrilla y mostraba otros documentos que evidencian vínculos también a Ecuador con las Farc.

En los documentos revelados se incluye una correspondencia de Luis Devía, alias ”Raúl Reyes”, muerto el sábado por unidades militares y en cuyos computadores se encontraron los documentos, en la que destaca el agradecimiento de Chávez por la ayuda recibida por las Farc cuando estaba en prisión, en 1992, después de intentar un golpe de estado, por 100 millones de pesos (unos 50.000 dólares a la tasa de cambio actual).

Naranjo dijo que entre la documentación estaba también una del comandante Luciano Marín, alias Iván Márquez, miembro de la dirección de las Farc, dirigida en febrero pasado a sus otros colegas y en la que habla del ”financiamiento de Venezuela a las Farc por 300 millones de dólares”.

Estos documentos, dijo Naranjo, ”no sólo lleva implícita una cercanía, sino una alianza armada entre las Farc y el gobierno de Venezuela”.

É bom lembrar ao leitor português que a Farc integra o Foro de São Paulo, que reúne movimentos, partidos e governos de esquerda da América Latina, incluindo o PT, partido do atual presidente do Brasil, Lula, Evo Morales, da Bolívia, e o próprio Correa, do Equador, que agora se faz de vítima. Impressionante.

Fevereiro 29, 2008

O jornal de dona Hillary quer minar McCain

Arquivado como: Internacional, Media, Política — Bruno Garschagen @ 4:36 pm

Ontem o jornal democrata New York Times publicou matéria que questionava se a candidatura presidencial do republicano John McCain era legítima. Por qual razão? Porque, filho de pai americano almirante, nasceu numa base militar dos EUA na zona do Canal do Panamá. Hoje o jornal publica dois textos que não deixam mais dúvidas quanto à legitimidade:

2008 Campaign

Bill Would Remove Doubt on Presidential Eligibility

By CARL HULSE

Published: February 29, 2008

WASHINGTON — Senator John McCain said Thursday that he had no concerns about his meeting the constitutional qualifications for the presidency because of his birth in the Panama Canal Zone. A Democratic colleague said she wanted to remove even a trace of doubt.

The Democrat, Senator Claire McCaskill of Missouri, introduced legislation that would declare that any child born abroad to citizens serving in the United States military would meet the constitutional requirement that anyone serving as president be a “natural born” citizen.The Democrat, Senator Claire McCaskill of Missouri, introduced legislation that would declare that any child born abroad to citizens serving in the United States military would meet the constitutional requirement that anyone serving as president be a “natural born” citizen.

“In America, so many parents say to their young children, ‘If you work hard and you play by the rules, in America someday you can be president of the United States,’ ” said Ms. McCaskill, a supporter of the presidential bid of Senator Barack Obama, Democrat of Illinois. “Our brave and respected military should never have to spend a minute worrying whether or not that saying is true for their child.”

O segundo texto:

McCain’s Canal Zone Birth Prompts Queries About Whether That Rules Him Out

By CARL HULSE

Published: February 28, 2008

WASHINGTON — The question has nagged at the parents of Americans born outside the continental United States for generations: Dare their children aspire to grow up and become president? In the case of Senator John McCain of Arizona, the issue is becoming more than a matter of parental daydreaming.

Não é de hoje que o jornal, que apóia Hillary Clinton, tenta minar a candidatura de McCain. Semana passada publicou uma reportagem sobre uma suposta relação amorosa do senador com uma lobista do setor de telecomunicações chamada Vicki Iseman. Não havia provas da tal pulada de cerca nem se, no caso de ter havido, o senador tivesse beneficiado a lobista valendo-se de seu cargo.

Não bastava, na matéria de ontem, consultar os especialistas da área para saber logo se era uma questão a se colocar em debate? Mas, como se vê, a idéia era mesmo afetar a candidatura do senador.

Acho mais divertido ler textos do jornalismo de esquerda na França questionando se a beleza da Carla Bruni pode ser fator de desestabilização do presidente Sarkozy. Aliás, estou vendendo t-shirts com uma foto da moça e uma única frase: “Sarkozy é o cara!”.

PS: Agradeço aos Insurgentes pelo convite e generosa acolhida. E ao Pedro pela apresentação. Mas antes que pensem que sou um homossexual alcoólatra pelo breve perfil (”crítico de teatro”; “seu melhor amigo é (…) o uísque), queria acrescentar que a relação com o uísque é eminentemente profissional. E que trabalhei como jornalista de economia e política em jornais e revistas no Brasil, além de escrever sobre literatura.

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