O Insurgente

Fevereiro 9, 2012

“Bancos que não trabalham direito têm que falir”, afirma Steven Horwitz

Filed under: Brasil,Economia — Bruno Garschagen @ 17:02

O jornal brasileiro O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem sobre o evento realizado pelo Instituto Ludwig von Mises Brasil na cidade de São Paulo em que se discutiu o fim do banco central.

O jornal também aproveitou para entrevistar o economista e professor Steven Horwitz, para quem “Um sistema competitivo sem um banco central funcionaria melhor porque produziria a quantidade correta de dinheiro, da mesma forma como os mercados são melhores do que um planejamento central para produzir a quantidade correta de sapatos ou alimentos”.

Leitura recomendada

Lançamento: “O Fim do FED – Por que Acabar com o Banco Central”, de Ron Paul.

Folha de S.Paulo destaca “O Fim do FED”.

Janeiro 20, 2012

Podcast do Instituto Ludwig von Mises Brasil

Filed under: Brasil,Ludwig von Mises,Portugal — Bruno Garschagen @ 17:10

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Peço licença para uma divulgação duplamente Insurgente: no podcast desta semana do Instituto Ludwig von Mises Brasil, eu entrevisto André Azevedo Alves, que “analisa a crise de Portugal segundo a perspectiva da Escola Austríaca, explica seus estudos que a aproximam da teoria da escolha pública, discorre sobre o conceito de ação humana e sobre os fundamentos epistemológicos do individualismo metodológico e dos limites do conhecimento científico”.

Janeiro 9, 2012

Mussolini, a mula nacional

Filed under: Diversos — Bruno Garschagen @ 19:42
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Esta resenha publicada no jornal brasileiro O Estado de S. Paulo  fez-me colocar o livro Mussolini, de Pierre Milza, na lista de leituras prioritárias.

Para Milza, o totalitarismo do Duce nada devia ao nazismo em termos de domínio ideológico da sociedade – com a diferença fundamental de que, no fascismo, o poder convergia para o Estado, e não para o Partido, e em cujo regime o líder “não tentará desmantelar o que subsiste de estado de direito e não criará um verdadeiro estado policial”. A censura era um dos pilares do fascismo, mas, na prática, o que havia era autocensura. Além disso, o regime afrouxou o controle sobre o cinema, tornando-o estrategicamente mais próximo de Hollywood do que da estética nazista, para satisfazer a “clientela pequeno-burguesa”.
(…)

Jornalista de talento, Mussolini conhecia o poder da comunicação para a formação da opinião pública e jogou boa parte de sua energia na modelagem de sua imagem perante os italianos. Cultivou um perfil de multiatleta e de homem de modos rudes e honestos, como um “galo da aldeia”, que o identificava com a massa de camponeses italianos. Era também o ditador que “trabalhava”, isto é, que se interessava obsessivamente pelos detalhes de governo, em parte porque não confiava em seus assessores. Desse modo, seu perfil diferenciava-se do de Hitler, que odiava o cotidiano administrativo, e aproximava-se do de Salazar, o ditador-gerente de Portugal. Galeazzo Ciano, seu genro e chanceler, dizia, enfastiado: “Com esse homem não se pode dormir nem comer; ele lê tudo, sabe tudo”.

O Duce se dizia “a mula nacional”, como se o poder fosse um fardo, e não uma realização pessoal, e nisso ele se igualava aos demais tiranos da Europa: via-se como um messias, com um destino fora de série e que toma decisões baseado em seu instinto. Cria-se uma espécie de “religião patriótica”, em que Mussolini aparece como guia incontestável, às vezes como o próprio Deus – uma “tradição semântica própria da extrema esquerda italiana”, isto é, “a personificação de um socialismo intransigente, portador das esperanças do proletariado”, como diz Milza.

Janeiro 6, 2012

Podcast do Instituto Ludwig von Mises Brasil

Filed under: Brasil,Ludwig von Mises — Bruno Garschagen @ 20:20

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Graças a uma parceria com o Instituto Mises Brasil, a partir de hoje (e semanalmente) apresento o podcast do site.

O novo produto diversifica ainda mais o conteúdo disponível no site com o intuito de oferecer mais um instrumento de difusão qualitativa da filosofia liberal, notadamente o pensamento da Escola Austríaca.

A ideia é apresentar e aprofundar discussões de temas variados sob a perspectiva liberal e o instrumental teórico da Escola Austríaca com uma seleta lista de entrevistados.

A primeira entrevista está disponível aqui.

Novembro 22, 2011

Empresas brasileiras na disputa pela TAP

Filed under: Brasil,Economia,Portugal — Bruno Garschagen @ 17:16

Do site brasileiro Melhores Destinos:

TAM, GOL e Avianca são cotadas para comprar a TAP

O governo português deve iniciar no próximo mês o processo de privatização companhia aérea TAP. A meta é que até meados de 2012 a venda seja concluída e a maior companhia aérea portuguesa passe a ser controlada por outra companhia. Enquanto a disputa não começa oficialmente, nos bastidores especialistas já apontam as favoritas para arrematar a TAP, entre elas as brasileiras TAM, GOL e  o grupo Avianca-TACA que é liderado pelo boliviano naturalizado brasileiro Germán Efromovich. A disputa, porém, não será fácil, já que também devem participar a gigante europeia IAG, que controla Iberia e British Airways.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o presidente da TAP, Fernando Pinto, confirmou que a venda deve ser iniciada em dezembro, com perspectiva de que a empresa seja privatizada integralmente, embora o martelo ainda não tenha sido batido. “Essa é uma das partes importantes a serem definidas”, disse. “A ideia é ter uma definição do parceiro até metade do ano que vem.” O governo português também ainda não decidiu se a privatização será por leilão ou se seguirá outro modelo.

Novembro 14, 2011

A apropriação indébita da tradução portuguesa de A República, de Platão

Filed under: Brasil,Livros,Portugal — Bruno Garschagen @ 16:37
Antes mesmo de ir morar em Portugal, em 2007, já conhecia a qualidade das traduções e edições da Fundação Calouste Gulbenkian. Já vivendo em Lisboa, tive a grata oportunidade de comprar vários volumes num período de saldo. Um dos livros era A República, de Platão, na conhecida tradução de Maria Helena da Rocha Pereira, obra que recomendo vivamente. Para meu espanto e horror, leio o seguinte post no blog do poeta brasileiro Érico Nogueira:

Platão plagiado
Caros,
A editora Martin Claret, plagiadora notória, aprontou mais uma das suas: apropriou-se indevidamente da conceituada tradução da República de Platão, assinada por ninguém menos que Maria Helena da Rocha Pereira e publicada pela Fundação Gulbenkian. Na edição da torpe Martin Claret, a tradução é creditada a um certo Pietro Nassetti — que decerto não existe. Por favor, divulguem, indignem-se, façam alarde e barulho. É simplesmente inacreditável que não fechem a Martin Claret, figurinha carimbada nos tribunais, vira e mexe acusada de plágio e apropriação indébita. É uma vergonha.

E um escândalo editorial.

Entrevista de Passos Coelho no Brasil

Filed under: Brasil,Portugal — Bruno Garschagen @ 16:35

Em entrevista a uma TV brasileira, Passos Coelho comenta a crise na Europa e o seu projeto de governo para Portugal.

Outubro 19, 2011

Boaventura Sousa Santos, o regime e o rap

Filed under: Brasil,Portugal,Videos — Bruno Garschagen @ 13:21

O André Azevedo Alves destaca o post no qual Alexandre Homem Cristo apresenta as duas razões pelas quais a história será obrigada a mencionar Boaventura Sousa Santos numa nota de rodapé.

Isto em Portugal.

No Brasil, a nota de rodapé explicará que o professor cruzava o Atlântico para cantar rap.

Outubro 7, 2011

Lançamento: Ron Paul explica “Por que Acabar com o Banco Central”

Filed under: Brasil,Economia,Política — Bruno Garschagen @ 15:19
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Começa a ser vendido nas livrarias brasileiras, a partir da próxima quarta-feira, o livro O Fim do Fed – Por que Acabar com o Banco Central, do congressista americano Ron Paul. A obra apresenta um vigoroso ataque contra a existência do Federal Reserve (FED). Uma resenha com o resumo do argumento central do livro pode ser lida aqui.

A edição é uma parceria do Instituto Mises Brasil com a editora É Realizações, e eu tive o privilégio de traduzir em parceria com Monica Magalhães, mestre em Filosofia e Políticas Públicas na London School of Economics e doutoranda em Políticas Públicas em Saúde na Universidade Harvard.

Quem não quiser esperar a chegada dos livros nas livrarias pode comprar diretamente pelo site da editora.

Parabéns à equipe do Mises Brasil e da É Realizações pelo lançamento.

Setembro 15, 2011

Mark Pennington @ King’s College London (2)

Filed under: Educação,Videos — Bruno Garschagen @ 20:26

 

André Azevedo Alves publica a ótima notícia de que “Mark Pennington, autor do muito recomendável Robust Political Economy: Classical Liberalism and the Future of Public Policy, vai ser Professor Catedrático de Political Economy no King’s College London“.

Pennington terá como colegas de universidade e departamento John Meadowcroft, editor da excelente coleção Major Conservative and Libertarian Thinkers, que é um de meus sonhos de consumo bibliográfico e com quem escreveu Rescuing Social Capital from Social Democracy (com versão integral para download), e Paul Lewis.

No ano passado, tive a sorte de participar de sua palestra “Democracy and the Deliberative Conceit” (vídeo acima), no Christ Church College, em Oxford, promovida pela Oxford Libertarian Society.

Agosto 11, 2011

Os criminosos de Londres são filhos do Welfare State e do multiculturalismo?

Filed under: Diversos — Bruno Garschagen @ 20:15

É uma pergunta que ainda me faço e que estou submetendo à análise e cotejamento das informações veiculadas pela imprensa, pelos artigos de opinião e pelos estudos produzidos sobre as consequências do Welfare State e do multiculturalismo.
Por ora, recomendo alguns textos:

Inglaterra

British Degeneracy on Parade, por Theodore Dalrymple.

British rioters the spawn of a bankrupt ruling elite, por Theodore Dalrymple.

Raised to rampage, por Allison Pearson.

London riots: This is what happens when multiculturalists turn a blind eye to gang culture, por Damian Thompson.

Anarchy in the UK, The Economist.

These rioters are Tony Blair’s children, por Harriet Sergeant.

London riots: Absent fathers have a lot to answer for, por Cristina Odone

The nanny state cannot fix problem parents, por Cristina Odone.

Cameron sets out his stall, por James Forsyth.

A Conservative Disposition, por John Gray.

Portugal

Reino Unido: o medo de viver, por dos Santos.

A respeito dos motins em Inglaterra, por Samuel Paiva Pires.

Estados Unidos

Britain tackles the welfare state, por George F. Will.

The Sun Never Sets on the British Welfare System, por Anne Coulter.

London Riots: What Nobody Dares to Say, por Gary North.

Sons of anarchy, por Cal Thomas.

Brasil

London Calling, por Martim Vasques da Cunha.

Julho 21, 2011

O impressionante caso do suicida que deixou um longo ensaio filosófico

Filed under: Diversos — Bruno Garschagen @ 16:10
No dia 2 de junho, publiquei no meu blog a assustadora história, contada por Theodore Darlymple no City Journal, de Stephen Griffiths, estudante de PhD na University of Bradford, na Inglaterra, que nas horas vagas era um assassino em série.
Hoje recebo por email de um amigo brasileiro, Felipe Ortiz, outra história impressionante. Em 18 de setembro do ano passado, Mitchell L. Heisman, de 35 anos, se suicidou com um tiro na cabeça nas escadarias do Memorial Church Saturday, da Universidade de Harvard, em frente a um grupo de 20 turistas.
Nada de novo, você deve estar a pensar. Pois. À diferença dos outros suicidas, Heisman, formado em psicologia, criou o site Suicide Note para lá publicar o que supostamente seria um impressionante tratado filosófico niilista, ou, talvez numa perspectiva mais adequada, uma justificativa filosófica para o seu suicídio, com 1.905 páginas. Eis o sumário:

Exordia:

Freedom of Speech on Trial

How the Very Act of Repressing this Work Can Verify Its Freedom of Speech Hypothesis

An Experiment in Nihilism

What the hell happened to reason?

Part I:

God is Technology

How the Singularity of Monotheism Transcended Biology and Primed the Technological Genesis of God

The Seditious Genius of the Spiritual Penis of Jesus

How Christianity’s Subversion of Kin Selective Altruism Evolved into the Modern Idea of Social Progress

Absolute Purity

The Secularization of Hell within the Desecration Machine of Auschwitz

Part II:

A Vendetta Called Revolution

How Ethnic Hostility between Anglo-Saxons and the Normans Who Conquered Them Evolved into Liberal Democracy

Converse Cognates

Why the Norman Conquest was the World-Historical Ass-Kicking that Deflected the English-speaking World from the German Path to Nazism

Creating God and the Evolution of Genetic Suicide

Why Liberal Democracy Leads to the Rational Biological Self-Destruction of Humans and the Rational Technological Creation of God

Terminus:

The Punchline

Background Research for an Experimental Elimination of Self-Preservation and other Biasing Biological Factors

Selected Bibliography

(What suicide note would be complete without a bibliography?)

Para deixar essa história ainda mais cinematográfica foi criada uma página no Facebook em homenagem a Heisman e que atraiu admiradores.
O sumário levanta questões que me interessam, mas meu interesse em ler esse texto, confesso, foi realmente despertado pela afirmação de Alex Klein, do blog Ivygate, de que o Suicide Note é um texto bem-humorado. O que dizer de um sujeito que escreve um longo e bem-humorado ensaio para justificar o seu suicídio e efetivamente se mata nas escadarias de uma igreja? Uma tragédia, concordo. Mas haveria uma forma mais desgraçadamente bem-humorada de fazê-lo?

Julho 12, 2011

A crise portuguesa vista por um economista brasileiro

Filed under: Brasil,Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal — Bruno Garschagen @ 19:35

O economista brasileiro Rodrigo Constantino escreveu em sua coluna no jornal O Globo, um dos mais importantes do Brasil, sobre a crise económica de Portugal:

Terremoto em Lisboa
Rodrigo Constantino, O GLOBO

“Ninguém – e sobretudo o Estado, entidade anônima e dispersa – é bom fiscal de si mesmo.” (Fernando Pessoa)

Semana passada, quando eu visitava Lisboa, a agência de risco Moody’s rebaixou os títulos da dívida soberana portuguesa para “lixo” especulativo. O país quebrou. O terremoto que se abate sobre Portugal desta vez não é fruto do acaso, mas sim uma construção deliberada dos homens. Sua principal causa chama-se irresponsabilidade fiscal; seu maior culpado: o governo.

(…)

O parasitismo do Estado social arruinou o país. Há estagnação econômica e elevado desemprego. A dívida pública explodiu. A principal doença que mina o sistema político português, segundo Carreira, está no fato de os partidos servirem “como agências de empregos e de negócios das suas ávidas clientelas, integradas por muitos dos seus filiados e pelos ‘amigos’ de sempre, que gravitam à sua volta”.

Julho 11, 2011

Contra os gênios da internet

Filed under: Diversos — Bruno Garschagen @ 16:52

O desconhecimento sobre determinados conceitos produz confusão e equívocos estridentes. O mínimo que se espera de uma crítica, é que, primeiro, se apresente a definição com que se está a trabalhar e, a partir daí, se apresente os fundamentos do argumento contrário.

Jogar palavras ao vento só faz espalhar as folhas da relva, o que pode inicialmente impressionar os incautos, mas que não resiste ao teste da necessária calma e prudência analítica.

Conservadorismo e liberalismo não são palavras passíveis de serem destacadas de seus significados específicos e exigem um enquadramento adequado. Sem o conhecimento dos instrumentos teóricos básicos, lamento, não há conversa, muito menos debate, só uma mera opinião equivocada, que pode atiçar os gênios da internet, mas que é tão oca como os homens do célebre poema de T. S. Eliot.

Sei bem que a quantidade de gênios no Brasil foi anabolizada pelas redes sociais. Primeiro, dominaram o Orkut, essa expressão máxima da vulgaridade real num espaço virtual; em seguida, promoveram uma invasão bárbara no Facebook e no Twitter. Não há mais idiotas ou estúpidos no Brasil; só gênios; gênios com pedigree e coleira; gênios com carteirinha de sindicato. Quanto mais ignorantes, maior a expressão da sua genialidade individual.

Não há tema que esses gênios da internet não dominem com suprema insipiência e que manifestam com extrema platitude. Não importa para eles conhecer um assunto, mas ter uma opinião histérica a respeito de. Não raro, sua principal fonte de informação e de conhecimento é a opinião de seus camaradas compartilhadas nas redes sociais. Já vi especialistas, de Marx a Mises, que nunca abriram um livro desses autores, mas que escreviam com uma autoridade juramentada.

A dislexia consciente também é uma característica notável porque não se trata de uma doença, mas de uma escolha estratégica de forma a tumultuar a conversa sem ter razão. Quem se atreve ingenuamente a questionar os gênios da internet utilizando os instrumentos vulgares do debate de ideias é bombardeado com questionamentos reiterados daquilo que o interlocutor nunca escreveu e sequer pensou. O objeto específico daquela discussão inicial é completamente soterrado por considerações completamente descabidas, que jogam o assunto para um lado completamente equivocado e desconhecido de antemão.

A desordem, insisto, é estratégica. Sem os instrumentos teóricos básicos adequados, os gênios da internet sabem que não podem se arriscar numa conversação em que são estrangeiros, pois assim seriam obrigados a expor somente sua agressividade gestapiana sem as frases panfletárias utilizadas desordenadamente.

Raramente sou alvo dos gênios da internet porque aprendi a reconhecê-los com a urgência que a minha saúde e sanidade mental exigem. Acredito, como Eric Voegelin afirmou em suas Reflexões Autobiográficas, que aqueles nunca podem ser interlocutores; no máximo, objetos de estudo. Este texto é um alerta às pessoas de boa-fé: é impossível um “debate de ideias” com a reincarnação da barbárie.

Os gênios da internet não podem ser ignorados, porque são perigosos e astutos; devem ser combatidos com os instrumentos que a civilização nos legou em forma de tradição, nunca com as armas que eles escolhem, porque senão rapidamente somos envolvidos por uma espiral inebriante que entorpece o raciocínio e desgasta o espírito. Num eventual encontro verbal com eles, traga sempre a discussão para o seu terreno, ignorando a perturbação que tentam impingir à conversa.

É um erro fatal se deixar levar pelo turbilhão de salitre e breu com aparência de discussão. Quando o gênio da internet tentar puxar a discussão para a trincheira dele, ignore essa tentativa e continue no seu caminho, reto e prudente. Siga apresentando a substância de suas ideias e expondo, violentamente se necessário, a inconsistência e o perigo daquilo que o seu interlocutor destila com a saliva escorrendo pelos caninos.

Lembre-se sempre que os gênios da internet são uma minoria estridente com aparência de maioria dominante. Sua necessidade de atenção e a vacuidade daquilo que manifestam como suposto pensamento são o seu calcanhar de Aquiles. Quanto mais alto o grito, maior a estupidez; quanto mais agressivo o comportamento, mais raso o pensamento; quanto mais alto o nível de intolerância, maior o grau de ignorância.

Os instrumentos mais eficazes contra os gênios da internet são essa tradição da civilização a que damos o nome de ironia, sarcasmo, sátira, zombaria. Os gênios da internet são mal-humorados. Mesmo quando afirmam o contrário, ratificam o mau humor. O uso adequado daqueles instrumentos derrubam um por um como pinos de um boliche histórico.

Quando se deparar com um desses gênios da internet, caro leitor, lembre-se sempre: o bom humor é o que nos salva.

PS: Texto publicado no meu blog pessoal.

Uma triste estatística

Filed under: Brasil,Portugal — Bruno Garschagen @ 16:43

Do site brasileiro Consultor Jurídico:

Aumenta o número de presos portugueses no Brasil

O número de portugueses detidos nas prisões brasileiras aumentou 41,8% entre dezembro de 2008 e o mesmo mês de 2010, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça. Em dezembro do ano passado, estavam presos no Brasil 95 cidadãos portugueses. Dois anos antes, eram 67. A maioria dos prisioneiros portugueses no Brasil foram apanhados em flagrante quando atuavam como “mulas”, ou seja, como correio das drogas. As informações são da Agência Brasil.
Os presos do sexo masculino foram os responsáveis pelo aumento. O número de homens de nacionalidade portuguesa presos no Brasil cresceu 66,7% em dois anos, passando de 48 para 80. Já o número de mulheres caiu de 19 para 15.
O aumento da quantidade de portugueses que cumprem pena nas prisões brasileiras acompanha a tendência de subida do número total de presos europeus, que cresceu 57,8% nesses dois anos.
Os maiores aumentos percentuais foram registados entre cidadãos de países do Leste europeu, como a Romênia, com 192,6%, passando de 27 para 79 presos. Apesar de ter tido uma subida menor, Portugal é o segundo país da Europa com mais presos no Brasil, perdendo apenas para a Espanha. Os espanhóis totalizam 175 detidos em prisões brasileiras.
O tráfico internacional de drogas está na origem de quase todas as detenções de portugueses no Brasil, segundo o grupo de trabalho da Defensoria Pública da União que acompanha a situação dos presos estrangeiros no país. “É muito raro portugueses conseguirem a liberdade provisória, porque não têm vínculos com o país. Acabam ficando presos durante todo o processo”, diz o defensor público federal Gustavo Henrique Virginelli. Para ele, as atuais dificuldades financeiras da Europa, e em Portugal em particular, tornam muitos portugueses presas fáceis dos traficantes.

Abril 22, 2011

São Josemaría Escrivá no cinema

Filed under: Religião,Videos — Bruno Garschagen @ 15:16

ROMA ELOGIA FILME SOBRE GUERRA CIVIL ESPANHOLA E JOSEMARÍA ESCRIVÁ

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 25 de março de 2011 (ZENIT.org) – O filme “There be Dragons”, drama histórico ambientado durante a Guerra Civil Espanhola, no qual São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975) desempenha um papel protagonista, recebeu elogios em Roma, por parte de representantes da Igreja e da cultura.

(…)

O filme, que estreia nos cinemas da Espanha hoje, e nos Estados Unidos em maio, evoca os anos da juventude do fundador do ‘Opus Dei’ (Charlie Cox) e sua atitude em relação à guerra.

Robert (Dougray Scott) é um jornalista que, ao investigar a figura do fundador da “Obra” para escrever uma longa reportagem, descobre que seu pai, Manolo (Wes Bentley), com quem não tem contato há oito anos, foi amigo de Escrivá durante a infância.

A partir desse momento, a trama leva o jornalista, e com ele o público, a descobrir surpresas inimagináveis ​​que mudarão para sempre sua vida.

Março 24, 2011

Subida do IVA é piada de mau gosto

Filed under: Economia,Política,Portugal — Bruno Garschagen @ 16:03

Como é, PSD? Nem ganhou a eleição e já propõe aumento do IVA?

Quando as finanças pessoais vão de mal a pior vossas senhorias do partido não reduzem drasticamente as despesas domésticas?

Subir impostos para impor aos portugueses o pagamento da fatura dos equívocos do estado que vossas senhorias pretendem administrar só se explica porque a riqueza a ser expropriada é produzida por outros que não aqueles que querem expropriá-la. A vossa solução para a crise é apertar o cinto dos outros? O Rui Carmo tem sugestões gratuitas e sem incidência do IVA.

A justificativa de subir o IVA de 23% para 24% ou 25% para compensar a não redução das reformas mais baixas só é válida se o PSD quer explicitamente assumir o papel de Robin Hood da política nacional.

Vossas senhorias só podem estar de brincadeira.

Março 16, 2011

Qual foi o real objectivo da “Geração à rasca”?

Filed under: Economia,Política,Portugal — Bruno Garschagen @ 15:12

Ao acompanhar do Brasil as notícias e comentários sobre a manifestação da “Geração à rasca” fiquei sinceramente sem o conhecimento sobre se o real objectivo do protesto era protestar contra:

1- O sistema legal, laboral e político, que impede o empreendedorismo, a prosperidade, a criação de novos empregos e o aumento dos salários e, por isso, deve ser profundamente reformado para que a intervenção estatal não atrapalhe e piore a vida; ou

2- O sistema legal, laboral e político, que não mais garante os benefícios que tal geração está a sustentar e que não mais vislumbra a possibilidade de aproveitá-los no futuro por acreditar ser aquele um direito social inegociável.

É ingenuidade ou extrema boa vontade acreditar que, apesar do discurso inarticulado, a geração protestava contra o primeiro ponto?

Março 12, 2011

Em vez da “Geração à Rasca” a “Geração à Tasca”

Filed under: Economia,Insurgentologia,Portugal — Bruno Garschagen @ 15:58

Convido todos os amigos, colegas, companheiros e leitores à grande manifestação “Geração à Tasca”, que deixará à rasca a manifestação dos precários, que desponta rumo ao anonimato.

O dia e a hora ainda serão definidos, mas o grande evento interplanetário, com a presença de representantes de outros planetas, deve ser realizado no Bairro Alto com um grande concerto dos Xutos e Pontapés, no que pedimos antecipadamente alguns xutos e poucos pontapés.

Só serão admitidas reclamações contra a precariedade se forem exclusivamente direcionadas à precariedade da imperial, dos vinhos, das ginjinhas e do whisky. O dress code sugere o uso de roupas verdes, em homenagem aos recibos e aos nobres colegas do planeta Marte.

Não será necessário levar uma folha A4, mas eu, pessoalmente, aceito notas de 100 e 500 euros (ou libras, em grande quantidade) e garrafas de single malt (escocês ou irlandês).

O primeiro-ministro não será convidado.

Tenho dito. Amén.

Fevereiro 2, 2011

OrdemLivre.org lança CD “Ideias de Liberdade” em Portugal

Filed under: Agenda,Diversos — Bruno Garschagen @ 17:13

Convido os leitores do Insurgente para o lançamento do CD “Ideias de Liberdade”, produzido pelo OrdemLivre.org em parceria com o International Policy Network (IPN). Será no dia 15 de fevereiro na Universidade Católica Portuguesa. O CD contém vários livros, dezenas de ensaios e artigos de autores liberais, além do vídeo completo e legendas em português da série Free to Choose, do economista Milton Friedman. Os CDs serão oferecidos aos que lá estiverem.

Eis as informações do local e a programação do evento:

Lançamento do CD “Ideias de Liberdade”

Dia: 15 Fevereiro
Hora: 13h
Local: Sala D. Henrique, O Navegador, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa (IEP-UCP)

Intervenções:

- “O OrdemLivre.org e a defesa das liberdades no mundo do lusófono”, por Bruno Garschagen, Gerente de Relações Institucionais do OrdemLivre.org e colaborador da revista Nova Cidadania e Dicta&Contradicta (Brasil)

- “A ideia de liberdade”, por João Pereira Coutinho, PhD pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, colunista dos jornais Correio da Manhã e Folha de S. Paulo (Brasil)

- “O legado de Milton Friedman”, por Rodrigo Adão da Fonseca, licenciado em Direito e MBA pela UCP, Consultor e Director Executivo e docente na Escola de Negócios AESE.

Para já, agradeço imensamente ao IEP e ao professor João Carlos Espada pelo apoio para a realização do evento.

Janeiro 26, 2011

Acordo ortográfico é engenharia social aplicada ao idioma

Filed under: Brasil,Portugal — Bruno Garschagen @ 16:57
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Desde o início reagi negativamente ao acordo. Não formulei argumentos de filologia comparada, mas político. Achava, como ainda acho, que um grupo de especialistas junto com o Estado não deveriam se unir para definir regras sobre alterações do idioma.

Sei que não é o primeiro acordo que se estabelece entre os dois países e que a vivacidade da língua costuma ser sistematizada e oficializada em dados momentos da história recente. Mesmo assim, os argumentos dos defensores do acordo, um dos quais a unificação da língua portuguesa entre os países lusófonos, sempre me pareceram uma espécie de engenharia social aplicada ao idioma. Unificar para quê, por quê?

Janeiro 23, 2011

Cavaco desfruta de enorme prestígio no Brasil

Filed under: Brasil — Bruno Garschagen @ 23:15

Recado de um espectador brasileiro ao nobre candidato

Filed under: Diversos — Bruno Garschagen @ 23:06

Janeiro 3, 2011

Não é a política o melhor o que o Brasil produz

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 08:00

Dezembro 31, 2010

A arrogância fatal dos estúpidos liberais

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 16:31

Meu texto no OrdemLivre.org:

Tenho acompanhado de perto os entendimentos e desentendimentos entre os liberais nas áreas política e econômica, tanto nos eventos quanto na internet. Uso as palavras ‘entendimento’ e ‘desentendimento’ porque as considero mais apropriadas do que debate, que pressupõe uma exposição de razões em defesa de uma opinião ou contra um argumento. Em palestras e conferências, por exemplo, o modelo utilizado não favorece qualquer tipo de discussão, mas a defesa de uma, vá lá, ideia pelo expositor. No que se refere à internet, o problema não é de meios ou de mecanismos propícios à discussão, mas a inabilidade, incompetência ou mesmo ignorância para esta, manifestações da estupidez honrada ou honesta e da estupidez elevada.

Dezembro 21, 2010

Pai Natal é servidor do Estado

Filed under: Diversos — Bruno Garschagen @ 13:49

Fico a saber por um telejornal brasileiro que o Pai Natal (no Brasil, Papai Noel), “recebe do governo da Lapônia uma ajuda de custo”. Era só o que me faltava como oferta de fim de ano: saber que o Pai Natal é funcionário público. Aquela roupa vermelha bolchevique sempre foi bastante suspeita.

De como a esquerda brasileira treinou os bandidos do Comando Vermelho

Filed under: Brasil — Bruno Garschagen @ 13:36

Este fime brasileiro mostra como nasceu o grupo criminoso Comando Vermelho, cujos integrantes, na convivência com terroristas de esquerda presos na Ilha Grande, aprenderam técnicas de guerrilha urbana depois utilizadas nos assaltos a bancos. O Comando Vermelho infernizou a vida da população do Rio de Janeiro a partir dos anos de 1970 e foi, durante anos, o mais perigoso e brutal grupo criminoso organizado do país.

Dezembro 3, 2010

Dependentes de drogas precisam de mais medicina, não de mais polícia

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 12:27
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Texto meu de hoje no OrdemLivre.org:


Domingo passado, no dia em que policiais invadiam o Complexo do Alemão, reencontrei um amigo de infância. Soube que há 13 anos é viciado em drogas (começou com maconha, passou pela cocaína e hoje está mergulhado no crack). Já tentou vários tratamentos sem sucesso. O pai, com medo de que o filho fosse morto por traficantes por causa de dívidas, a exemplos de outros amigos dele, decidiu bancar o vício. A mesada do mês compra mais algumas horas de vida e uma certa sensação de segurança.

Na sala de sua casa, a conversa era interrompida com as notícias na TV sobre a operação da polícia no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Provavelmente, alguma droga que meu amigo consumiu e o pai pagou saiu de lá. As drogas, vocês sabem, são ilegais. Para evitar que o filho seja morto, aquela família comete um crime e financia criminosos. Um problema de saúde convertido em leis penais. Pergunto: criminalizar resolveu o problema? A criminalização foi a medida principal que culminou numa série de problemas acessórios, cada qual com suas especificidades, complexidades e necessidade de pesados investimentos na segurança pública. Adiantou?

Novembro 11, 2010

A receita testada e aprovada contra a pobreza é facilitar a vida dos criadores de riqueza

Filed under: Brasil — Bruno Garschagen @ 15:43

No jornal brasileiro Folha de S. Paulo (texto completo só para assinantes), destaco o seguinte trecho do artigo do jornalista Leandro Narloch:

Eu tenho preconceito contra quem adere ao “rouba, mas faz”, sejam esses feitos grandes obras urbanas ou conquistas econômicas. Contra quem se vale de um marketing da pobreza e culpa os outros (geralmente as potências mundiais, os “coronéis”, os grandes empresários) por seus problemas. Como é preciso conviver com opiniões diferentes, eu faço um tremendo esforço para não prejulgar quem ainda defende Cuba e acredita em mitos marxistas que tornariam possível a existência de um “candidato dos pobres” contra um “candidato dos ricos”.

Afinal, se há alguma receita testada e aprovada contra a pobreza, uma feliz receita que salvou milhões de pessoas da miséria nas últimas décadas, é aquela que considera a melhor ajuda aos pobres a atitude de facilitar a vida dos criadores de riqueza.

Não é desta eleição brasileira mais recente o discurso esquerdista da luta de classes como retórica para ganhar votos. De facto, ainda tem o seu apelo político no Brasil acusar o adversário de pertencer ou defender a elite e, com isso, colocar-se como um representante legítimo daquela parte da sociedade que não pertence ao grupo especial. Esse tipo de acusação continua a funcionar como provocação sem uma resposta adequada por parte do acusado. A razão é que, no caso da recente eleição presidencial, todos os candidatos tinham a mesma raiz ideológica de esquerda. A tônica da defesa, por isso mesmo, é baseada no “eu sou mais de esquerda do que você”. O marketing da pobreza citado pelo Narloch é decorrente dessa visão ideológica da política.

E, de facto, a única forma de tirar as pessoas da pobreza é permitir que tenham acesso à riqueza. E isso só é possível se as pessoas puderem prosperar com o fruto de seu trabalho e essa prosperidade irradiar e beneficiar outras pessoas, que também possam enriquecer com aquilo que produzirem.

Publicado no OrdemLivre.org.

Novembro 10, 2010

A estratégia de eliminar o Estado e de negar a política

Filed under: Política — Bruno Garschagen @ 19:45

A exemplo do André Azevedo Alves, faço um pequeno comentário ao texto do Rui Albuquerque no OrdemLivre.org.

Assim, a ser verdade sua repugnância à política em si mesma e não a regimes de governo, Hoppe cria novo problema ao defender uma forma liberal de governação na qual “dirigentes da elite natural atuam como juízes e pacificadores”. Rui apontou muito bem a incongruência de se acreditar nessa elite como uma composição de anjos celestiais. Nesse aspecto, Hoppe parece não rejeitar a política ou todas as formas de governo. Parece, sim, teorizar uma forma específica de governo que poderia apresentar problemas idênticos aos elencados por ele em sua crítica ao sistema vigente. A ideia de extinção do Estado (para já também um objetivo leninista) e a negação da política soam mais como uma estatégia teórica do que por uma convicção ideológica profunda.

Novembro 8, 2010

WikiLeaks vai publicar denúncias sobre eleição presidencial no Brasil

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 13:27

Em entrevista ao jornal brasileiro Estadão, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, afirmou ter material bombástico sobre a eleição presidencial no Brasil:


Há também material sobre o Brasil que poderá ser publicado em breve?
Sim. Não posso dizer de quem se trata. Sabemos que parte da informação que temos sobre o Brasil poderia ter abalado as pretensões eleitorais de algumas pessoas. Mas não conseguimos ter tempo de publicar o material antes, diante de todo o caso do Iraque.

Não sei qual foi a resposta dada em inglês. Na tradução, parece que as ascusações recaem sobre pessoas que não conseguiram se eleger.

Mas se o material trouxer mesmo denúncias sérias e estas recaírem sobre a presidente eleita como será que as instituições brasileiras irão se comportar?

Novembro 5, 2010

Leis simples para sociedades complexas

Filed under: Brasil,Justiça,Política — Bruno Garschagen @ 18:38

Texto meu publicado hoje no OrdemLivre.org:

Viva! As leis são imperfeitas! Dura lex no dos outros é refresco
Devemos esquecer tudo o que nos ensinaram sobre os objetivos da lei. Não é verdade que uma legislação resolve a maioria ou todos os problemas de uma sociedade. Essa ideia é baseada numa visão corrompida e equivocada sobre o processo legislativo, que depende de homens imperfeitos para criar e aprovar as leis. Se acreditarmos no sofisma de que a lei é perfeita devemos acreditar, necessariamente, na falácia de que há duas naturezas humanas: a do legislador, perfeita; a de todos nós não-legisladores, imperfeita. Eis a grande contradição: como seres imperfeitos podem conviver com regras perfeitas?

O capitalismo indiano está a derrubar o comunismo indiano

Filed under: Diversos — Bruno Garschagen @ 14:22

O G1 publica uma interessante matéria do New York Times sobre o governo comunista em Bengala Ocidental, na Índia, que deve perder o poder nas eleições do próximo ano:

Comunistas na Índia se esforçam para manter sua relevância

Partido está no poder há 33 anos no estado da Bengala Ocidental. Agora, enfrenta críticas por declínio de região que já foi centro econômico.

Jim Yardley
Do NYT, em Calcutá (Índia)

A estátua de Lênin ainda está erguida perto do centro da cidade e retratos de Stálin e Marx ainda estão pendurados no hall do maior sindicato. Qualquer pessoa que duvida da dominância política – e humor da Guerra Fria – dos comunistas na Índia só precisa visitar a rua em frente ao consulado americano: há muito tempo ela foi rebatizada de “Ho Chi Min”.

Nos últimos 33 anos, os comunistas da Índia criaram uma dinastia política aqui no estado da Bengala Ocidental, realizando um dos domínios mais notáveis em qualquer democracia ao ganhar sete eleições consecutivas em todo o estado. Isso poderia parecer um momento oportuno para expandir sua influência: a Índia é um país de profundas desigualdades, com milhões de agricultores e trabalhadores necessitados e desconectados de uma economia cada vez mais capitalista.

Em vez disso, os comunistas do país estão se esforçando para permanecerem relevantes. Durante anos eles não conseguiram capturar a imaginação e o apoio das massas além dos baluartes regionais da Bengala Ocidental e do estado de Kerala. Hoje, até mesmo seu controle de três décadas sobre a Bengala Ocidental está se desintegrando, à medida que críticos os acusam de trair os campesinos e conduzindo o declínio de um estado que já foi considerado como um centro intelectual e econômico da Índia.

(…)

“Eles falam sobre os trabalhadores rurais, mas é o partido e o governo que tomam a terra de forma forçada”, disse Partha Chatterjee, da alta hierarquia do Trinamool, líder da oposição na Assembleia Estadual.

(…)

Laveesh Bhandari e Bibek Debroy, economista que em 2009 escreveram juntos um relatório crítico, documentaram uma piora contínua no desempenho, de políticas a serviços de saúde, passando pela educação. Eles descobriram que o estado tinha piorado em índices de evasão escolar, na quantidade média de alunos por turma e nas taxas de desemprego para quem consegue receber uma educação.

“Apesar de falarem muito em igualdade e eliminação das desigualdades, o governo da Bengala Ocidental não vem conseguindo melhorar a vida das pessoas nos distritos mais negligenciados”, eles escreveram.

(…)

“A política marxista chegou a um momento crítico”, disse Kshiti Goswami, ministro de obras públicas e membro de um dos menores partidos da Frente de Esquerda. Ele argumentou que a Índia tinha uma “necessidade histórica” pela Frente de Esquerda, mas que seus colegas marxistas precisavam avaliar por que os comunistas tinham se saído tão mal em outros estados, em comparação a partidos baseados em castas.

Um dos pontos principais é que governo algum consegue controlar e desenvolver a economia de uma forma que beneficie a sociedade. Mesmo na China, com seu impressionante crescimento econômico, a economia controlada só levou pequena prosperidade a uma pequena parte do país porque a essa parcela da população foi permitido empreender, sob controle, e aceitar empregos oferecidos por empresas estrangeiras. Mas grande parte da China continua submersa numa trágica situação de miséria e esse mix de autoritarismo político com livre mercado vigiado tem prazo de validade.

O desenvolvimento da Índia conduziu a população de Bengala Ocidental a cotejar o desenvolvimento da região com o resto do país e a desejar pelo capitalismo. A melhoria econômica de outras cidades indianas, como Bangalore, colocou em xeque o governo comunista e sua política de planificação da economia.

Tudo indica que o partido comunista vai perder o poder em Bengala Ocidental porque a sociedade rejeita uma ideologia política que a impeça de se tornar mais rica e mais próspera. E isso só é possível sob um sistema capitalista de livre comércio.

Novembro 4, 2010

Doing Business 2011: Brasil na traseira do empreendedorismo e na dianteira do pagamento de impostos

Filed under: Brasil,Economia,Política — Bruno Garschagen @ 15:54

O Brasil aparece na 127ª posição do Doing Business 2011, ranking elaborado pelo Banco Mundial que aponta as facilidades de empreender numa lista de 183 países. No estudo de 2010, o país ocupava a 129ª posição. A posição actual é igual a registrada em 2009.

No item pagamento de impostos, o Brasil está na desonrosa 152ª posição.

Se considerarmos somente os países da América Latina e Caribe, o país aparece na 26ª posição entre os 32 países avaliados. No item pagamento de impostos, ficamos em 25º lugar.

É bastante provável que a situação do país nesse quesito piore no ranking do próximo ano a se concretizar a intenção dos governadores da base aliada do governo de negociar, a partir do ano que vem, “a criação de um novo imposto para a saúde, em substituição à extinta CPMF”.

Novembro 3, 2010

O mal estar da oposição no Brasil

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 21:30

Até agora, só o ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso tentou puxar o PSDB, partido derrotado na eleição presidencial realizado no domingo passado, para o exercício da oposição. Chegou a ameaçar cair fora se o partido não respeitar a sua história (algo a ser discutido é de que história ele fala). Não é mau, mas ainda é pouco para aquele que mais representa esse partido supostamente de oposição.

No discurso de derrota, o candidato do PSDB, José Serra, limitou-se quase integralmente a agradecer os votos do que convertê-los em apoio para um trabalho de oposição corajoso e eficiente. Só no penúltimo parágrafo referiu-se ao tema:

E para os que nos imaginam derrotados, eu quero dizer: nós apenas estamos começando uma luta de verdade. Estamos no começo do começo. E nós vamos dar a nossa contribuição em defesa da pátria, da liberdade, da democracia, do direito que todos têm de falar e de serem ouvidos, da justiça social Vamos dar contribuição como partidos da nossa frente de partidos, como indivíduos, como parlamentares, como governadores. Essa será a nossa luta dos próximos anos. Por isso a minha mensagem de despedida neste momento, não é um adeus é um até logo.

Pareceu-me mais uma reacção compreensível de quem perdeu a eleição do que um político disposto e com talento para ser oposição.

Também não li até agora o o DEM, partido que apoiou o PSDB e havia nomeado o candidato a vice-presidente, manifestar-se como oposição ao governo eleito.

Assim como a oposição demorou a lançar o candidato à presidência está demorando a apresentar-se como oposição. É uma falha de militância imperdoável.

Estamos num momento precioso para que se constitua uma oposição ao governo eleito da Dilma Rousseff: primeiro pela soma do número de votos válidos, que impediu uma maioria esmagadora para a candidata do PT, que tão pouco conseguiu eleger-se no primeiro turno. Em segundo lugar, o grande movimento, digamos, oposicionista, veio de parcelas da sociedade e de intelectuais que se manifestaram pela imprensa. É uma parte importante do eleitorado que busca uma alternativa política. E essa alternativa pode perfeitamente se dar com o liberalismo. Os liberais vocacionados para a práctica, especialmente as juventudes do PSDB e do DEM, deveriam aproveitar essa oportunidade para convencer os líderes de seus partidos a adoptar posições nesse sentido. Também é uma chance para os membros do Partido Libertários colocarem o partido em evidência.

A maioria obtida pelo Partido Republicano na eleição do Congresso deveu-se ao aproveitamento da oportunidade surgida com o Tea Party e com as vozes opositoras na imprensa americana.

Cavalo selado não costuma passar duas vezes.

Novembro 1, 2010

Brasil elege Dilma presidente, ou de como estamos tão distantes do liberalismo como o planeta Terra da constelação da Ursa Maior

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 02:14

Como já noticiado pelo André, a candidata do Lula, Dilma Rousseff, foi eleita e será a primeira mulher a assumir o cargo de presidente do Brasil.

Lula, o actual presidente, sempre primou pela angústia do ineditismo. Não por acaso, sua expressão mais conhecida é “nunca antes na história deste país”. Ele reconta a história do Brasil de acordo com as suas conquistas que ele considera inéditas por ignorância consciente. O presidente nunca leu um livro na vida e se orgulha do feito. É uma sorte. Se ele soubesse que a descoberta do Brasil foi levada a cabo por portugueses encontraria uma forma de inserir sua participação no evento e reduzir a importância de Pedro Alvares Cabral porque, segundo consta, não era membro do seu partido, o PT.

A vitória da Dilma é uma vitória pessoal de Lula, que escolheu a candidata e a enfiou traquéia abaixo dos membros do PT. O facto dela não ser uma militante antiga do partido (só assinou a ficha de filiação quando sua candidatura estava definida) a coloca como uma outsider em termos ideológicos estritos, como o próprio Lula, um sindicalista bom de conversa que foi assimilado por uma certa elite sindical e intelectual que via no ex-operário um líder carismático capaz de conduzir o partido ao poder.

Mas Dilma tem um passado ligado ao que há de pior no aspecto ideológico, pois fez parte de um grupo terrorista que queria derrubar o regime militar no Brasil para implantar no país uma ditadura de esquerda. Portanto, não é uma inocente.

Como ministra de Estado, porém, mostrou-se ser PT de corpo e espírito. Rapidamente, descobriu a melhor forma de aparelhar a administração pública e assim obter poder e benefícios. Como Lula.

Seguidamente ao anúncio de sua candidatura no fim do ano passado, duvidava-se aqui no Brasil se Lula poderia eleger uma desconhecida conhecida por ser uma pessoa intratável e extremamente rude com os subalternos. O facto é que Lula, desde o início, se reconhecia nela. Ele próprio sempre foi dado a proferir impropérios e palavras de baixo calão em reuniões com os ministros e no contacto com jornalistas. E nunca teve o cuidado de esconder o seu fascínio adolescente pelo poder. Dilma não erraria se parafraseasse dessa forma o famoso aforismo: O Lula sou eu.

Há poucos minutos, a candidata eleita fez o seu primeiro pronunciamento. Afirmou que vai respeitar as instituições, as liberdades, a imprensa livre e o mercado. Lula, antes de se eleger pela primeira vez, fez o mesmo. Só não descumpriu a promessa porque parte da sociedade e algumas instituições, entre elas o Supremo Tribunal Federal e a imprensa, não deixaram. As promessas de Dilma carecem do teste do tempo.

E se há razões para temer possíveis ameaças futuras também devemos considerar tão augusta coincidência: a senhora Dilma Roussef elegeu-se a presidente do Brasil justamente no dia do Halloween.

Mas a tragédia política brasileira é menos a eleição da candidata do PT, uma entre as duas candidaturas das esquerdas carnívora (PT) e vegetariana (PSDB), do que a inexistência de uma alternativa liberal.

O diplomata, ministro e deputado Roberto Campos disse certa vez que o Brasil tinha três saídas: “o aeroporto do Galeão, o de Cumbica e o liberalismo”. O grande problema era que, segundo suas palavras, o Brasil estava “tão distante do liberalismo – novo ou velho – como o planeta Terra da constelação da Ursa Maior!”

Outubro 27, 2010

Uma seleção de mais tipos de esquerdistas que você encontra na universidade

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 20:39

Mais uma contribuição aos 12 esquerdas que você encontra na faculdade:

O esquerda do diretório acadêmico: Entrou nessa porque ouviu falar que as festas eram boas, a cerveja era de graça e as moças idem. Encontro nacional de estudantes é a sua micareta.

O esquerda descolado: Twitta elogios à revolução cubana pelo iPhone e pratica justiça social da mesa do bar com os amigos do Leblon.

O esquerda universitário: morde os lábios toda vez que vê um Foucault.

O esquerda raivoso: não pode ver uma foice e um martelo que logo sente frêmitos no decote.

Outubro 22, 2010

As ameaças às liberdades no Brasil do PT

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 07:00

O Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva, já merece um amplo estudo em várias áreas, da ciência política à sociologia, passando pela filosofia e terminando na psicologia. Desde o início do governo, o partido e sua cadeia de comando testa os limites da sociedade brasileira para ver até onde pode avançar. É uma estratégica tão esperta quanto ameaçadora. Se esferas da sociedade e algumas instituições não tivessem reagido teríamos hoje no Brasil toda uma coleção de violações de liberdade e ataque contra indivíduos e instituições.

Uma das ameaças mais recentes, e das mais assustadoras, foi o Plano Nacional de Direitos Humanos 3. O documento, que pretendia orientar a política do governo federal e da candidata do PT à presidência, previa não só um tipo especial de controle (social) dos media como também enfraquecia ainda mais o precário direito de propriedade no país. Houve uma reacção e o governo mudou o texto. E se não houvesse reacção? O texto e a sua aplicação seguiriam o curso normal desejado pelo PT e pelo governo, que vão tentando ampliar seus tentáculos e projecto de poder sem que a sociedade perceba.

Quando um partido aparelha a administração pública contratando exclusivamente pessoas do partido ou diretamente ligadas, em vez de profissionais competentes para exercer a mesma função, passamos da ameaça para uma situação concreta que atenta contra a sociedade. A história da violação recente dos sigilos de adversários políticos do PSDB e da filha e do genro do candidato do PSDB, José Serra, é uma das provas materiais do que se pode fazer quando o partido entranha-se na administração pública. E também expõe o grau de ameaça a que estamos submetidos por cá.

Neste sentido, alguns dados interessantes: os sindicalistas ligados ao governo ocupam 45% dos 1.219 cargos de direção e assessoramento superior do governo federal. Desse percentual, 82% é formado por gente filiada ao PT. Outra informação importante: 70% dos 6.045 servidores de carreira que se filiaram ao PT desde o início do governo Lula foram promovidos ou nomeados para cargos de chefia.

O livro A Elite Dirigente no Governo Lula, da historiadora brasileira Maria Celina de Araújo, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é um estudo extraordinário sobre esse grupo de interesse que tomou o poder com a ascenção de Lula.

Numa conversa ontem sobre o assunto, um conhecido disse-me que o fato de votar no PT e na Dilma não significava o seu desapreço pelas instituições, pelo estado democrático de direito, pelo rule of law e pela democracia, como eu afirmara. Essa perspectiva é interessante porque me faz pensar que só se sente ameaçado aqueles que não compartilham com os valores e princípios do PT. Como os socialistas portugueses que preservam um primeiro-ministro como José Sócrates, mergulhado em denúncias de fazer corar o Código Penal português.

Não se trata de uma discussão ideológica. Estamos na esfera de identificação daquilo que viola as liberdades e atenta contra as instituições formais e informais. Se comungo da estrutura de pensamento de um dado partido como sentir-me-ei ameaçado pela série de tentativas de ataques às liberdades? A noção de liberdade, de função e dimensão do Estado, de indivíduo, de propriedade, é um tanto divergente e, às vezes completamente invertida. Não conseguir ver uma ameaça não quer dizer que ela não exista. Mesmo que se apenas um indivíduo lutasse pela liberdade por considerar haver uma ameaça era o caso de atentar para as razões dessa insurgência, não ignorá-la.

Há uma crença em parte da sociedade brasileira de que o PT antigo era melhor do que o actual. Em termos ideológicos, o partido não mudou uma vírgula. Discordo de que haja um ideal antigo (bom, incorruptível) e um novo, corrompido pelas contingências. O que mudou foram as circunstâncias, mais especificamente o facto de o PT ter ascendido ao poder federal. Administrações petistas municipais e estaduais já incorriam em vícios parecidos, mas numa dimensão muito menor.

Conheci vários petistas que eram filiados porque acreditavam sinceramente que o partido faria algo na área social, de ajuda aos pobres. Muitos continuam achando a mesma coisa e continuam filiados e com isso legitimam os meios que o partido usa para realizar seus projectos, independentemente dos resultados.

É um desejo bastante legítimo e nobre querer ajudar o próximo. O problema são as pessoas se deixarem levar por essa ilusão de que o partido é moralmente superior e, por isso, pode recorrer a quaisquer expedientes para concretizar um plano de resultados pré-definidos e que exige dos indivíduos a submissão a um objetivo único a todos os membros da sociedade, que é composta por vários objetivos individuais – e assim deve ser.

Imaginar que o PT não é mais o mesmo porque se deixou corromper é ter uma visão idealizada, e até romântica, do que o partido efectivamente sempre foi.

O quem sempre tenho em mente é que não há anjos na política e o poder deve ser tão limitado e controlado pelas demais esferas (checks and balances) que impeça qualquer ímpeto ou tentativa autoritária, em maior ou menor grau. Ou nós, brasileiros, escolhemos ajudar a construir uma sociedade civilizada com o nosso trabalho, com a liberdade de escolher como aplicar a riqueza que produzimos sem intervenções ou ameaças, sem que o governo de turno seja o protagonista da vida social, política e económica, ou arriscamos nossas liberdades e nossas vidas cedendo a projectos de poder por simpatias ideológicas, servidão voluntária ou indiferença.

Eu já escolhi o meu lado.

Leitura recomendada: Os 10 piores momentos de Lula.

Outubro 19, 2010

Chico Buarque toca o pandeiro para a candidata do PT

Filed under: Brasil,Cultura,Política — Bruno Garschagen @ 17:39

“Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra, que já passou por tudo, e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai”.

Assim falou o compositor brasileiro Chico Buarque num ato de apoio à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ontem no Rio de Janeiro. O apoio, obviamente, não espanta. Ele preserva a biografia esquerdista do compositor. Mas o que interessa são os atributos atribuídos à candidata.

Segundo Buarque, Dilma não tem medo de nada. Isso é bom? O medo é um mecanismo de defesa que nos alerta contra os perigos de nossas acções ou as de terceiros. Se a candidata não tem medo de nada nos coloca sob um risco institucional tremendo. Significa que vai adoptar posições políticas e agir sem levar em consideração os perigos de suas decisões. Já pensaram no tamanho do problema causado por um presidente da República que decida apoiar os regimes de Cuba e do Irã?

Nosso grande compositor depois afirma com a propriedade que lhe é peculiar que a Dilma não só vai ganhar a eleição como “vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre”. Fico bastante mais tranquilo ao ler isso. Mas vamos lá ver o significado dessas palavras. O governo Lula tem o apoio de políticos como José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor de Melo et caterva. Também tem o apoio daquela parcela dos empresários que apoiam quem está no poder. Não porque o capitalismo esteja livre das amarras ideológicas, mas porque os incentivos criados pelo Estado excitam aqueles donos de empresas ávidos por uma licitação especialmente elaborada de forma a respeitar a antecipada escolha dos vencedores. É o capitalismo de Estado na versão vintage, mas sem a dignidade e o sabor do vinho do Porto.

Consideremos, no entanto, que o nosso mestre do samba tenha esquecido esses pormenores e que Lula, de facto, não tenha cortejado os poderosos de sempre. A frase deixa em aberto o cortejar a outros poderosos. Quem seriam? Os companheiros de PT? Os sindicalistas? A burguesia do capital alheio (copyright Reinaldo Azevedo)?

Tem mais? Como não? Buarque nos garante que o Brasil agora tem voz na sociedade internacional porque fala de igual para igual com todos. Considerando que o nosso presidente orgulha-se de só saber rudimentos do português com os quais consegue comunicar-se (de forma bastante eficiente, diga-se) fico a imaginar o que representa esse falar de igual para igual. E considerando os insucessos da diplomacia brasileira na esfera internacional é o caso de pensar se falar de igual é melhor do que ser compreendido e respeitado.

Quanto à última frase, trata-se de um primor de sofisticação ziriguidum: “Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai”. Fala, portanto, naquele estilo vocal indefinido próprio de adolescentes. E sabemos bem quão irritante é a voz e o, digamos, pensamento na adolescência.

É, realmente, o apoiante perfeito para a candidata adequada.

Outubro 18, 2010

Eleições no Brasil: a antiprivatista e o defensor envergonhado das privatizações

Filed under: Brasil,Economia,Política — Bruno Garschagen @ 20:10
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No debate promovido ontem pelo canal brasileiro Rede TV! em parceria com o jornal Folha de São Paulo, a candidata do PT à Presidência do Brasil, Dilma Rousseff, manteve a estratégia usada pelo Presidente Lula na eleição de 2006 contra o seu adversário Geraldo Alckmin, do PSDB: atacar as privatizações e acusar o actual candidato do PSDB, José Serra, de querer privatizar a Petrobras.

Naquela disputa, o esquema funcionou pela reacção equivocada da campanha de Alckmin, que acusou o golpe e adoptou para si o discurso do adversário até chegar ao acto medonho de vestir uma jaqueta com os símbolos das empresas estatais brasileiras. Se ambos os candidatos demonizavam as privatizações, era de considerar que a população, com essa informação, partilhasse da mesma opinião, mesmo que tenha sido beneficiada directamente, como no exemplo da privatização do sector de telefones móveis e fixos.

Agora, apesar de inicialmente seguir os passos de Alckmin, o candidato do PSDB parece ter escutado conselhos de colegas de partido e passou a defender o governo de FHC e as privatizações. No debate de ontem, chamou a atenção para os benefícios do acesso aos telemóveis pela população mais pobre. Isso não quer dizer que Serra seja um liberal. Está longe disso. Assim como sua adversária, a candidata do PT, acredita que o estado deve ser o agente do desenvolvimento econômico.

A nota cómica dessa segunda volta presidencial é que a candidata do PT que acusa adversário do PSDB de privatista, num tom ainda mais agressivo do que se acusasse a mãe dele de actos menos nobres, é a mesma que desenvolve um discurso mais pró-mercado do que o próprio José Serra. Ideologia de político brasileiro começa e termina naquilo que atrai mais votos.

O melhor até agora foi que a não-eleição da candidata do PT na primeira volta e a reacção do eleitor brasileiro às denúncias de corrupção no governo Lula e à satanização da privatização mostraram que o eleitor brasileiro é melhor do que imaginam os analistas políticos e os políticos em campanha. Essas informações permitem ratificar a observação do sociólogo Alberto Carlos de Almeida de que um partido de direita no Brasil (liberal-conservador) conquistaria uma parcela significativa dos votantes que carecem de uma proposta política alternativa e eficiente.

Entre a antiprivatista de ocasião (Dilma Rousseff) e o defensor envergonhado das privatizações (José Serra) há uma lacuna política a ser ocupada pelos liberais. Ou eles ocupam tal espaço ou vamos continuar lamentando que o leque de opções ideológicas da política partidária no Brasil vá do amplo espectro entre a esquerda e o canhoto.

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