Olof Palme vs. Louçã mentiroso

(…) a distinção entre preferências expressas e preferências reveladas. Traduzindo para português corrente, as expressas são as que dizemos ter quando alguém nos pergunta, ou seja, o que queremos pensar que somos ou o que queremos que outros pensem sobre nós, enquanto as reveladas são o que fazemos na prática, que demonstram o que realmente somos.

O Bloco de Esquerda expressa preocupar-se muito com os rendimentos mais baixos. Mas, quando confrontado com uma proposta que sobe o rendimento disponível de milhões de Portugueses, rejeita-a porque a mesma também beneficia uma minoria ínfima de “ricos”. E revela desta forma a sua real preferência e ambição: não é fazer com que deixem de haver pobres, mas sim que deixem de haver ricos.

Grande texto do Bruno Pinho, entitulado Olof Palme vs. Louçã (e seus discípulos).

Síndrome de Estocolmo portuguesa

Dois recentes acontecimentos da atualidade portuguesa fizeram eclodir uma ampla discussão que se tem vindo a movimentar por todos os seus refúgios. Desde o teclar furioso, triturador e surdo dos novos microditadores da opinião que habitam as redes sociais (e, quais caudilhos cegos às críticas e divergências, atestam a veracidade das suas opiniões pelo suporte ciberpopular que agregam), até aos espaços mais tradicionalmente mediáticos dos jornais. Uma nota: urge distinguir claramente estes dois espaços de opinião, enquanto a realidade o autoriza, uma vez que o progresso aponta para a vassálica aglutinação do segundo ao primeiro.

Os gatilhos dos corridos e escorridos rios de tinta e pegadas digitais foram, desta feita, o abaixo-assinado pela defesa da objeção de consciência na educação e a aprovação do curso de Medicina da Universidade Católica Portuguesa. Ainda a braços com uma crise sanitária e no prefácio do combate a uma colossal crise social e económica, há quem tome estes tópicos por de somenos, nomeadamente o relacionado com a disciplina de Educação para a Cidadania. Não poderia estar mais em desacordo, na medida em que a reação a ambos não poderia ser mais sintomática da limitadora relação de dependência dos portugueses para com o Estado, e do paternalismo retrógrado verificado no sentido oposto.

Direitos Humanos, Igualdade de Género, Desenvolvimento Sustentável: tudo domínios constituintes, entre outros, da disciplina em causa, e cuja apresentação a jovens portugueses considero positiva. Como motor de debate (nunca de doutrinação), pode até trilhar caminho para uma análise saudável de quais deverão ser os valores comuns para uma sociedade democrática e vibrante, uma sociedade em que se possa discutir sem acusações extremistas, por exemplo, se a própria obrigatoriedade desta disciplina se justifica. É, também e no entanto, um jogo perigoso, porquanto manuseia construções ideológicas mais ou menos contemporâneas, e, por isso, sensíveis a forças desestabilizadoras que podem manipular, ou até vir a dominar, essa contemporaneidade. Demais, a ténue linha entre doutrinação e fórum de debate está dependente de quem a leciona. A maior parte de nós concordará que deverá existir igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, de forma a materializarem o seu rumo enfrentando o mesmo grau de obstáculos. E se for ensinado que um agressivo sistema de quotas é o meio ideal para atingir esse fim? A concordância não será tão universal neste caso, pois que o meio poderá rasteirar a meritocracia, já tão maltratada em Portugal. Não me choca a existência da referida matéria, como de igual modo não me espanta, minimamente, a objeção de consciência levantada, colocando a disciplina num plano opcional. De resto, por todas as suas especificidades, assim o deveria ser, não fazendo qualquer sentido que quem não a frequente se veja atrasado no seu percurso académico. Nem no seu percurso como cidadão.

O que mais admira nesta história é a vozearia que emergiu contra a objeção de consciência e o abaixo-assinado. Vozearia, em grande parte, de timbre autoritário, que vê como ultrajante um movimento em tudo natural de um pai para com os filhos, removendo do Estado o derradeiro papel de educador e transmissor de virtude. Mas só assim o entendem porque nele veem, desde 2015, uma plataforma para a veiculação dos seus valores, imutavelmente bons e melhores. Apregoam, de olhar fixo, o seu conceito de liberdade, mas assustam-se quando o pressentem em choque com o que tentam edificar. Ora, confundem tremendamente educação com escolaridade, e talvez devessem frequentar a disciplina que por estas semanas têm defendido, de forma a vislumbrar o quão triste seria uma sociedade que de uma disciplina dependesse para ser cívica.

Viajando, agora, para o segundo tema. Foi com grande satisfação que me cruzei com a notícia que dava conta da aprovação do curso de Medicina da UCP, uma verdadeira pedrada no charco num dos domínios que mais tabus encerra à sua volta em Portugal: a educação. Logo se fez ouvir o puritanismo de que só o ensino público poderia ministrar tal curso. Porquê? Grande parte, por tribalismo futebolístico, pelo que avancemos. Outra, antevendo uma resultante má qualidade profissional. Justo, a qualidade a quem confiamos a nossa saúde é algo que nos deve apaixonar.

Apaixonar, mas não toldar a visão. Não é, obviamente, por ser uma universidade privada que o ensino será pior. Demais, dado o contexto atual, atrevo-me a dizer que as provas apresentadas pela UCP certamente terão sido cabalmente positivas, pois facilmente se adivinharia o tumulto e escrutínio que se seguiria, e seguirá, a esta estreia. Claro que a qualidade poder-se-á vir a verificar má, e, se assim o for, que o mercado trate de curar, ou adormecer, o curso.

É, então, salutar que os portugueses demonstrem esta desconfiança vivaz para com assuntos que os apaixonem. Certo é que a nossa saúde nesse quadro se insere. Seria contudo ótimo que essa desconfiança não tivesse como força motriz o inflexível dogma ideológico, antes uma verdadeira ânsia de melhoria. Uma ânsia que levasse os portugueses a ser tão desconfiados, também, para com o governo e a máquina pública do Estado, que tanto impacto tem na nossa saúde. Temos, agora, cerca de 50 mil milhões de razões que viajarão de Bruxelas que fundamentam esse grau de exigência para com uma Administração Pública que tantas provas miseravelmente negativas tem dado. Concluo com um repto para que esses, os que mais gritam por liberdade enquanto de censória caneta na mão a impedem, prossigam com a exigência. Que combatam também a dependência melosa para com o Estado, para que a vida possa prosperar com e além dele.

José Campos Costa

Governo cria linha de crédito para financiar pagamento de impostos?

Em vez disto podiam… sei lá… diminuir impostos.

A medida ainda está a ser desenhada, mas ao que o ECO apurou destina-se a PME e profissionais liberais e pode ser usada para financiar o pagamento de qualquer tipo de imposto.

O Estado vai dar dinheiro, que vem de impostos ou que mais tarde será pago com impostos, para as pessoas/empresas pagarem impostos. É isto.

✈️ TAP e a história do dinheiro dos contribuintes a voar

O meu artigo hoje sobre a TAP aqui.

Uma coisa relevante que não disse no artigo: A grande maioria dos países do mundo não tem uma companhia aérea controlada pelo Estado. Aqui não deveria ser diferente. Não temos de salvar a empresa outra vez e ver várias centenas de milhões de impostos a voar.

E espero que a gestão da TAP já esteja a preparar um plano para trocar dívida dos credores por equity, porque isto não pode ser só andar a pedir dinheiro dos contribuintes.

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é img_0128.jpg

“Não preciso de Rui Rio para me dizer o que é patriótico ou não” – AMN

Artigo completo do Adolfo Mesquita Nunes aqui

“Esta ideia de que criticar o Governo numa altura destas, perante um vírus desconhecido e num espaço com altas margens de erro, é ser antipatriótico é, por isso, uma ideia desadequada. Mas é também uma ideia perigosa, porque ela presume que um político, um partido, um governo, é intérprete único, exclusivo, autêntico do patriotismo. Ela presume que um discurso, uma narrativa, de um partido é patriótica e a dos outros não é. Ora isto é a negação da democracia, é a antecâmara da falta de liberdades e do condicionamento. Em democracias, não há cá isso de haver partidos que fazem discursos patrióticos e outros que não. A pátria é de todos, não é de ninguém em particular, e não é sobretudo daqueles que usam o patriotismo como argumento político.”

Como reagir a declarações inaceitáveis de Ventura? - TSF

Iniciativa Liberal no programa de Ricardo Araújo Pereira (vídeo completo)

O programa deste domingo, dia 5 de abril, ‘Isto é Gozar Com Quem Trabalha’ com o Presidente da Iniciativa Liberal foi o mais visto desde a estreia, tendo liderado com 30,0% de share e 19,1% de audiência média, o que corresponde a 1 milhão 808 mil telespetadores que acompanharam o programa do primeiro ao último minuto.

Vídeo completo da entrevista

Estado de emergência: o perigo das linhas vermelhas

É preciso tomar algumas medidas de emergência, sem dúvida. Mas talvez não seja preciso Estado de Emergência para as tomar (como outros países estão a fazer) e certamente não é preciso um Estado de Emergência com medidas que nada têm que ver com o combate à epidemia, sobretudo quando se passam várias linhas vermelhas.

Em cima digo “talvez”, visto que há várias coisas já consagradas em leis, nomeadamente as Leis de Bases da Saúde e da Protecção Civil, mas posso admitir que para a necessidade de limitar, de alguma forma, a liberdade de circulação seja preciso estado de emergência. Mas certamente não é este que foi aprovado.

Vamos a algumas linhas vermelhas:

A facilidade com que entregamos a liberdade de bandeja surpreende-me. Mas não deveria. Sei bem onde estou, o país em que vivo. A maioria da população olha erradamente para Estado de Emergência como “salvar vidas”.

Que haja países com medidas de emergência implementadas para salvar vidas, mas sem Estado de emergência decretado pouco importa. Que já haja países, e partidos cá, a aproveitar o estado de emergência para avançar com agendas (como nacionalizações) ou para acabar com democracias liberais (como a Hungria) pouco importa. Porque a verdade é que a liberdade para a população deste país sempre foi um… “pouco importa”.

PS: “A Iniciativa Liberal votou hoje isolada no Parlamento contra a concessão de poderes desproporcionados ao Governo, e continuará empenhada em criar as condições para que o país atravesse e saia rapidamente desta crise, sem atropelos de direitos, liberdades e garantias fundamentais”.

Eu tenho orgulho nestas palavras e é nestes momentos que se vê também a importância de ter um partido assumidamente liberal no parlamento, mesmo que ainda só tenha um deputado. Nem tudo são votos. A defesa da liberdade, mesmo que venha só de alguém que está isolado nesse combate, importa.

Propaganda 101: Criar inimigo externo em tempos de crise interna

Há 4 dias, Costa: “Não falta nada na saúde”

Há 2 dias, Médicos e Enfermeiros: “Costa mente, falta e muito!” (crise interna)

Há 1 dia, Costa: cria inimigo externo (umas supostas declarações do malandro do holandês de há 5 dias!)

Hoje e amanhã, Povo tuga: “Grande Costa! Viva”.

Perceberam?

Holanda

Convém dizer que até gora não se sabe o que o ministro das finanças holandês disse. As declarações são apenas supostas até agora.

Isto começou porque alguém há 5 dias supostamente contou. Ora, isto não foi ontem. Isto foi na reunião de 2a feira dos ministros das finanças (supostamente). O Costa nem estava lá. Ele basicamente assumiu que era verdade. O ministro holandês até pode ter dito aquilo, mas não termos imprensa a confirmar fontes, verificar, perguntar ao outro lado, etc. … é preocupante. Entretanto todo o país já ouviu e a grande maioria acha que o Costa esteve muito bem. E nem sequer sabemos o que o holandês disse. Ridículo.

Bem a TSF: “Em resposta ao pedido da TSF para reagir à polémica, o ministério das Finanças da Holanda vai pedir ao Eurogrupo uma transcrição das palavras exatas do ministro Wopke Hoekstra”.