O Insurgente

Abril 21, 2008

Tenho de moderar o consumo de álcool depois do jantar

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — LA @ 11:46 pm

Acabava de ver um episódio do Californication, passo pela RTP1 e ouço a Zita Seabra a dizer que o PSD tem de combater a estatização promovida pelo governo PS propondo uma maior liberalização da…

Tenho noção que perdi a consciência durante uns segundos. Poderia algum leitor mais benevolente completar aquele meu pequeno hiato cognitivo?

Abril 18, 2008

De que côr será o futuro do PSD?

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — LA @ 9:55 am

Espero que as ideias e propostas dos candidatos à direcção do partido contribuam para que o laranja social-democrata não continue a esconder um interior avermelhado e anti-liberal.

Abril 15, 2008

Honra aos vencidos. E, vá lá…, glória aos vencedores.

Arquivado como: Desporto — LA @ 10:17 pm

Abril 2, 2008

Singelos contributos para o debate sobre a suspeitosa subida de preços

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — LA @ 2:04 pm

O assunto está na ordem do dia. Até o Fórum TSF de hoje foi dedicado ao tema que tanto tem preocupado a direcção do CDS: como é possível que haja produtos cujos preços sobem acima da inflação?

Como contributo para a discussão, sugiro aos dirigentes dos CDS que ponderem também porque é que há produtos que sobem abaixo da inflação, porque é que há produtos que não sobem de preço e porque é que há produtos que baixam de preço (este parece-me o caso mais preocupante, tendo em conta que podemos até estar perante casos de dumping, por vezes da estirpe mais letal - o dumping social).
Se sobrar algum tempo no período dedicado a estas reflexões sugiro, como tema extra, o porquê do desaparecimento de muitos produtos (e respectivos preços, claro) dantes colocados, em abundância, à disposição dos consumidores.

Em preparação para a discussão, no apoio à sua fundamentação argumentativa, sugiro alguma literatura que pode vir a ser útil na revisão de alguns conceitos base da economia socialista e marxista.

Março 27, 2008

Queria juntar a minha voz a este apelo

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — LA @ 3:43 pm

Via RR:

Por outro lado” – explica o técnico [ Pedro Moreira, da direcção da DECO] – “não há nada que obrigue os agentes a baixar o preço final, ainda que a parcela do IVA a entregar ao Estado seja menor. Daí que nós apelemos aos agentes económicos que façam reflectir na totalidade essa questão para os consumidores”.
E a DECO pede também que a Autoridade da Concorrência esteja atenta e realize estudos comparativos dos preços em Portugal e noutros países europeus.

Se o apelo não fôr suficiente para evitar os aumentos gananciosos de 0,0069 euros incluídos em cada 1 euro de PVP (aumento do preço sem IVA para manter o mesmo 1 de PVP após diminuição de 100 pb na taxa de IVA), acho que se deveria decretar a indexação dos preços (antes de IVA, claro) ao valor mais baixo encontrado nos estudos comparativos efectuados Europa fora.
Se se verificar que há preços mais baixos em Portugal (antes de IVA, claro), deve-se propôr à Comissão Europeia (ou ao órgão competente para tal) a indexação dos preços europeus ao mínimo lusitano (antes de IVA, claro).Também a diferenciação fiscal deve ser combatida, anulando assim o último incentivo (no PVP) a que os consumidores sejam forçados a comprar produtos além fronteiras, harmonizando as receitas fiscais dos Estados.

O que não se pode tolerar é que os consumidores tenham de viver numa Europa que aceite que o mesmo produto tenha preços diferentes cá, em França e na Alemanha.

Março 18, 2008

O que faz falta é mais social - versão sei-lá-quantas

Arquivado como: Comentário, Nanny State Watch, Política — LA @ 9:14 pm

Há pouco, na televisão, Luis Filipe Menezes volta a propôr a realização de Polis Sociais como forma de combater a criminalidade cada vez mais violenta.
“E o que é tal coisa?” pergunta o leitor menos familiarizado com o programa socialista de planeamento central. Eis a explicação, nas palavras do ainda presidente da Câmara Municipal de V.N. de Gaia (RTP):

“seria o Estado assumir aquilo que pediu às autarquias, que foi o investimento para a aquisição dos edifícios [de habitação social] e da sua construção e, em contrapartida, as autarquias definirem projectos de investimento em creches, em escolas, em lojas sociais do cidadão, no combate à toxicodependência, na promoção da segurança”

Já quanto ao que sejam “lojas sociais do cidadão”, tenho de deixar à imaginação do leitor a possibilidade de compreender para que serviria tal coisa e os programas sociais que iria desenvolver (certamente, nunca antes tentados em em nenhum outro departamento estatal), quem as iria operar e com que recursos. Mas isto são minudências que não interessam ao programador socialista. Nunca interessaram. Assim haja impostos para redistribuir e quem os pague.

Fevereiro 18, 2008

As notícias do desmantelamento eram claramente exageradas

Arquivado como: Política, Portugal — LA @ 2:43 pm

Se houvesse eleições hoje, diga três razões para os portugueses votarem em si.
(…)a aposta radical que eu faço de, em meia dúzia de meses, desmantelar de vez o enorme peso que o Estado tem na sociedade portuguesa e que oprime as pessoas.

Luís Filipe Menezes, Expresso, a 22 de Dezembro de 2007 (via blog do próprio L.F.Menezes).

“Não fechará mais nenhum serviço público durante uma legislatura no interior do país” prometeu Luís Filipe Menezes (…)o líder do PSD frisou que “manter o Estado social é difícil, mas - garantiu - connosco não haverá este ataque ao Serviço Nacional de Saúde”.

O líder dos sociais-democratas acusou o PS de depois “de atacar os serviços de segurança, educação, finanças e saúde se preparar para retirar o último elo de soberania que são os tribunais e as comarcas”.

Luís Filipe Menezes, Diário de Notícias, a 18 de Fevereiro de 2008.

Fevereiro 15, 2008

O que faz falta é mais “social” - II

Arquivado como: Comentário, Educação, Justiça, Portugal — LA @ 6:04 pm

Lá teremos o espanto dos progenitores e familiares, ingenuamente incrédulos com a atitude do até agora tão-bom-menino-que-ele-era; os sindicalistas emitirão uma nota condenatória e exigirão mais acção social escolar e polícias dentro da escola; o ministério assobiará para o lado; as autoridades darão um raspanete ao “garoto”, sendo que o juíz empregará palavras cujos significados não são de todo compreensíveis para a criatura que tem à frente (quem tem dúvidas que assim seja, do desfazamento dos magistrados em relação à real capacidade cognitiva de quem é julgado, que assista a algumas sessões em tribunal que envolvam cidadãos destas idades).
Não faltará quem diga que temos de compreender o contexto socio-familio-cultural do “garoto”, apontando a necessidade de o Estado promover mais projectos-programas destinados a acolher e potenciar as capacidades ainda não captadas deste e doutros “miúdos”. Aos pais deve ser facultada a possibilidade de descobrirem que têm filhos a seu cargo, subsidiando-lhes cursos de formação em Windows Vista (versão na língua de origem dos avós) e a oferta de PSP’s que ajudarão a criar belas horas de entretenimento familiar.
Sobre responsabilidade, nada.

Via O Setubalense:

Um aluno, de 14 anos de idade, agrediu fisicamente o presidente do Conselho Executivo da Escola D. Manuel Martins, sita na avenida António Sérgio, nas Manteigadas.

Os factos terão ocorrido anteontem de manhã, no recinto escolar, tendo o caso sido detectado por um agente da PSP do projecto Escola Segura. António Pina, o presidente, foi encaminhado para o Hospital de S. Bernardo onde recebeu tratamento ao ferimento que sofreu na face(…).

Quanto ao aluno, o mesmo foi entregue aos progenitores e desconhece-se qual o encaminhamento que a escola vai dar a este caso uma vez que o presidente do conselho executivo se recusou a falar ao nosso jornal.

Já agora, esta escola é vizinha do bairro de Setúbal onde três taxistas foram agredidos a semana passada.

Fevereiro 8, 2008

O que faz falta é mais “social”

Arquivado como: Comentário, Justiça, Portugal — LA @ 11:36 am

Via O Setubalense:

Dos três taxistas agredidos no último fim-de-semana no bairro da Bela Vista, um deles encontra-se em estado mais grave, uma vez que sofreu uma facada na zona lombar que lhe perfurou um dos pulmões.
(…)
É que, como se sabe, enquanto serviço público os taxistas não podem recusar prestar serviço o que os coloca perante situações que, neste caso, são uma ameaça para a sua integridade física.

Porque é que um taxista não se pode recusar prestar um serviço, escolhendo quer o cliente ou decidindo não conduzir até determinada zona? Porque raio há-de ser obrigado a colocar em risco a sua vida e os seus bens (ou os do seu empregador)?
Existe algum direito social ao transporte?
Provavelmente a resposta “Sim” vem dos mesmo que na discussão sobre a lei anti-fumo levantam o argumento do direito a fumar como a principal (única?) contestação à lei. Dos mesmos para quem uma empresa, se serve os seus clientes nas suas intalações, se torna num espaço público de propriedade partilhada (o mesmo para bens móveis como os táxis, claro).
Quanto a mim, que, infelizmente, também já tive amigos e familiares atacados enquanto passavam nesta zona da cidade, resta-me constatar a impunidade daqueles bandidos (curiosamente, quando trazidos perante o tribunal, são acompanhados por defensores oficiosos pagos pela comunidade contra a qual agiram).

Os mesmos idiotas que lhes defendem o direito social à habitação (paga com o dinheiro de todos os contribuintes), o direito social ao transporte, o direito social aos subsídios de indolência, são os mesmo que dizem que o problema está com todos os que não compreendem as suas dificuldades, a repressão cultural da sociedade e que pedem que lhes aceitemos a distinção de comportamentos. O que faz falta são mais políticas sociais, mais programas sociais, mais institutos sociais com mais orçamentos sociais, geridos por mais funcionários sociais.

Nós, cá continuaremos a pagar os direitos sociais, sujeitando-nos às obrigações dos “serviços públicos”.

Janeiro 31, 2008

Hora de regressar à Rua Serpa Pinto…?

Arquivado como: Economia, Portugal — LA @ 3:00 pm

Foram 16 em 308, os munícipios que escolheram prescindir de parte ou da totalidade dos 5% das receitas de IRS dos seus moradores (DN):

Por determinação legal, “os municípios têm direito, em cada ano, a uma participação variável até 5% no IRS dos sujeitos passivos com domicílio fiscal na respectiva circunscrição territorial, relativa aos rendimentos do ano imediatamente anterior”.(…)

Assim, 5% do IRS gerado em cada concelho passa a constituir uma fonte de receita própria das câmaras municipais, que dispõem de autonomia para gerir essa verba, podendo optar por baixar o imposto aos residentes dentro da margem que lhes está atribuída.(…)

Nazaré (Independente/PS), Cartaxo (PS), Abrantes (PS), Murça (PS), Torres Novas (PS), Odemira (PS), Loulé (PSD), Alcoutim (PSD), Olhão (PS), Ponte de Lima (CDS-PP), Manteigas (PSD), Miranda do Douro (PSD), Fundão (PSD), Óbidos (PSD), Penalva do Castelo (PSD-CDS) e Trofa (PSD) aceitaram o desafio de baixar o IRS.

No caso do maior concelho do país, a câmara prescinde de 2,5%, reduz o valor das taxas do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e altera também as taxas da Derrama.

Janeiro 22, 2008

Cafés, bares, restaurantes, tascas, casas de pasto, tabernas, discotecas, boites, casinos

Arquivado como: Comentário, Nanny State Watch, Portugal — LA @ 11:01 am

São negócios privados.
Eu repito, caso algum dos burocratas assalariados do estado, rapazes com empregos e socialistas assortidos não tenha percebido à primeira.
São negócios privados.
São negócios privados.
São negócios privados.
São negócios privados.
São negócios privados.
Não são espaços públicos de propriedade partilhada.

Ah! E quanto à iminente proibição de lareiras, fogueiras e fumeiros diversos, parece-me que se prepara um “cross-sell” para a cruzada anti-obesidade. Não faltará muito até um qualquer filho da puta levantar o dedinho e advertir do cataclismo que nos aguarda se continuarmos a deglutir chouriços, linguiças ou presuntos (per)fumados.
Com licença, mas à falta da tag correspondente: puta que os pariu!

Janeiro 11, 2008

Alcochetejamé - Desert Productions, Incorporated

Arquivado como: Portugal — LA @ 5:43 pm

PD:

Um empresário de Braga pediu ao Instituto de Propriedade Industrial o registo da marca «Alcochetejamé» aproveitando a expressão usada pelo ministro Mário Lino «Alcochete jamais» quando, há meses, se referia à localização do novo aeroporto, noticia a Lusa.
(…)
«Foi feito já numa perspectiva de negócio», disse ainda António José [o empresário que, na tarde de quinta-feira, apresentou o pedido de registo da nova marca.]
Caso o pedido de registo da marca «Alcochetejamé» seja concedido, o empresário passa a ter o direito de propriedade no uso da marca nas áreas de vestuário, comunicação e publicidade e restauração e hotelaria.

Janeiro 10, 2008

Uma distinção clara…

Arquivado como: Portugal — LA @ 12:23 pm

Recebida por email:
lei.bmp

Janeiro 3, 2008

“The roundabout way to wealth”

Arquivado como: Economia, Livros, Política, Teoria — LA @ 3:09 pm

The Choice: A Fable of Free Trade and Protection

O co-autor do Cafe Hayek escreveu esta obra de ficção onde conta uma noite na vida de Ed Johnson, um fabricante de aparelhos de televisão nos anos ‘60. Nessa noite, ele é visitado por Dave (aka David Ricardo) que o tenta convencer a não apoiar um candidato presidencial que advoga políticas proteccionistas que poderão mudar, de forma muito negativa, o futuro da América.

Lembram-se do filme de Capra, “Do Céu Caiu Uma Estrela”? Também Dave tenta ganhar as suas asas, apresentando a Ed os vários futuros alternativos, dependentes da eleição do candidato a quem Ed se preparava para dar o seu apoio, discursando no respectivo congresso partidário.

Se na edição mais antiga (a que conheço), o autor usava exemplos de comércio internacional relacionados com o Japão, a NAFTA e os EUA (nos anos 80), pelos vistos na edição mais recente usa a China e a Índia para ilustrar os exemplos que ajudam aos argumentos de Dave.

Janeiro 2, 2008

Em aceleração no avanço pelo “Caminho”

Arquivado como: Comentário, Nanny State Watch, Política, Portugal — LA @ 2:58 pm

No mesmo país que nos trouxe a proibição de acender um cigarro com isqueiro, sem ser debaixo de telha (e com o papelinho da licença válida), chegou-nos ontem a proibição de acender cigarros debaixo de telha (com isqueiro ou com fósforo).
Temos de agradecer ao patriótico sentido de defesa do Povo que infla os membros do Governo e da Assembleia. A da República. Nacional.
Funcionários públicos zelosos da fiscalização e cumprimento deste regulamento em particular, também não faltarão, como não faltavam há umas décadas atrás.
Está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira.
licisqu2.jpg

Dezembro 30, 2007

He’s lost control

Arquivado como: Videos — LA @ 12:13 am

Control

A uma certa geração. A uma certa atmosfera.

[youtube]PSh7444zG4Q[/youtube]

Dezembro 19, 2007

As grandes superfícies prejudicam o caseiro desfrute da vida familiar

Arquivado como: Economia — LA @ 7:08 pm

Dinheiro Digital:

Na última semana de Setembro, os preços da gasolina sem chumbo 95 dos hipermercados estavam 3,6 por cento abaixo dos praticados nas auto-estradas.

Essa diferença foi de 4,7 por cento para o caso do gasóleo.

Espero que, uma vez que estes postos pertencem a grandes superfícies, o PCP se lembre de pedir o seu encerramento aos domingos, feriados ou épocas de férias escolares (ou seja, quando as famílias deviam estar no sossego do lar em vez de se fazerem à estrada, aproveitando estes preços mais baixos).

Mais: será que a ASAE não devia intervir?
Se os preços mantiverem esta diferença de forma constante, podemos estar perante um caso de dumping ou, mais grave, de quebra da lei dos saldos.

Em qualquer caso, alguém devia fazer qualquer coisa. Sinto-me desprotegido face ao poder das grandes superfícies.

“Escrito por iletrados económicos e defendido por alguns nóbel igualmente ignorantes” - II

Arquivado como: Economia, Teoria — LA @ 4:40 pm

Merton Miller:

Years ago, economists used to believe there was no such thing as a free lunch. Some now seem to have found one, however, in the proposed increase in the minimum wage. Raising the minimum wage by law above its market determined equilibrium, they argue, actually costs nobody anything. (Or at worst, costs nobody very much because it’s only a small, marginal increment, after all.) Is all this too good to be true? Damn right. But it sure plays well in the opinion polls. I tremble for my profession.

Wall Street Journal, 25 de Abril de 1996; The Filter

PS - Publicado no dia do ano em que por cá se comemora a Liberdade…

“Escrito por iletrados económicos e defendido por alguns nóbel igualmente ignorantes” - I

Arquivado como: Economia, Teoria — LA @ 4:34 pm

James Buchanan:

The inverse relationship between quantity demanded and price is the core proposition in economic science, which embodies the presupposition that human choice behavior is sufficiently rational to allow predictions to be made. Just as no physicist would claim that “water runs uphill,” no self-respecting economist would claim that increases in the minimum wage increase employment. Such a claim, if seriously advanced, becomes equivalent to a denial that there is even minimal scientific content in economics, and that, in consequence, economists can do nothing but write as advocates for ideological interests. Fortunately, only a handful of economists are willing to throw over the teaching of two centuries; we have not yet become a bevy of camp-following whores.

Wall Street Journal, 25 de Abril de 1996; The Filter

PS - Publicado no dia do ano em que por cá se comemora a Liberdade…

Novembro 29, 2007

Votos de um bom fim-de-semana prolongado

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — LA @ 11:58 pm

Queria aproveitar estes últimos minutos antes da meia-noite para desejar a todos os que amanhã irão estar sem fazer nada, gozando do seu direito à greve, os votos de um bom fim-de-semana alargado. Que o gozem com saúde, é o meu desejo.

Este que vos escreve lá terá de ir trabalhar para ajudar a pagar os “direitos sociais” que ajudam a tornar sofrível a servidão pública.
E servidão será, porque se não é, como justificar que tantos continuem presos a uma vida tão sofrida e não conjurem a hipótese de ir ao mercado de trabalho oferecer-se a alternativas que valorizem as suas expoentes e mal remuneradas capacidades produtivas? Como justificar os milhares de candidatos a qualquer anúncio de emprego em instituições estatais - um imenso sentimento de servidão masoquista? Talvez seja uma inata capacidade de sacríficio em prol do bem comum, algo inscrito no código genético e impossível de contrariar.
Confesso que a última hipótese é a que mais verosímil se me apresenta.
O que torna os meus votos, para os próximos três dias de descanso, ainda mais devidos.

Leitura complementar (para ajudar a passar o tempo livre extra): O direito à greve e o direito ao “não me chateiem”

Novembro 27, 2007

O que faz falta é um governo mais à esquerda e maior intervencionismo estatal

Arquivado como: Economia, Política, Portugal — LA @ 3:18 pm

Na RR, Humberto Jorge, Associação de Armadores de Peniche:

“Quando se houve (*) que o pão aumenta por causa do petróleo, os transportes aumentam por causa do petróleo, tudo aumenta, nós, no pescado, ao contrário daquilo que pensam, não aumenta, por força do produtor, o preço do pescado. Porquê? Por força do nosso sistema de primeira venda em lota – que é obrigatório – e cuja empresa do Estado (a Docapesca) detém o monopólio”

Há uns dias atrás, uma notícia (via AF) dava conta que o governo estava a analisar um estudo, que tinha encomendado (e presume-se que pago), sobre o futuro da Docapesca (meu destaque):

Numa reunião com representantes de 23 associações do sector para analisar o estudo, dois cenários tiveram mais defensores, enquanto o terceiro que aponta para a liberalização completa, com concessão da gestão a privados, retirando a obrigatoriedade de o peixe passar pela lota antes de entrar no circuito comercial, não teve apoio.
(…)
Como já tinha referido o ministro Jaime Silva na quinta-feira, em termos técnicos, a Docapesca é uma empresa falida que já está a viver de capitais próprios, uma situação que não pode prolongar-se.
A empresa tem vindo a acumular prejuízos e no ano passado os resultados foram negativos em 2,7 milhões de euros, depois dos 1,9 milhões um ano antes.
A Docapesca é uma empresa cujo capital é totalmente detido pelo Estado(…)

(*) - O “h” está lá, no original da notícia. Resta-me respeitar a rebeldia ortográfica.

Novembro 5, 2007

5ª frase, página 161 do livro mais à mão, versão vitoriana(*)

Arquivado como: Blogosfera — LA @ 11:12 pm

O Helder, um tipo a quem invejo sem vergonha o talento de desenhador, insta-me a esticar o braço e a relatar o que diz a 5ª frase, na página 161 do livro mais à minha mão de semear.
Cá vai sementeira:

First, the “best” portfolio of common stocks must be selected - S in our example [Portfolio S is the point of tangency to the set of efficient portfolios. It offers the highest expected risk premium (r-rf) per unit of standard deviation.].

Principles of Corporate Finance - Richard A. Brealy / Stewart C. Myers

Claro, não faço a menor ideia do que eles estão para ali a dizer…

E já agora, porque ainda está por arrumar, dum livrito que mal tem 100 páginas (mais de 110, sem bonecos ou bonecas versão centerfold, é coisa para além das minhas capacidades cognitivas), página 21, frase nº sei-lá-porque-não-conto-fora-do-horário-laboral:

-E também é claro que é bastante irreligioso?
- Ah, não, de todo. O que a casa agora gasta é um quadro espiritual católico romano com uma consciência agnóstica: tem-se assim o pitoresco medieval do primeiro, juntamente com as comodidades modernas da segunda.

Contos de Saki - Saki (aka Hector Hugh Munro)

E já que em tempos ele me meteu numa destas coisas, se alguém quisesse fazer o favor de dizer ao João Carlos Silva que estique o braço e leia a tal 5ª frase da página 161, ficava credor da minha consideração. Bom, pode ser que o Bruno Alves o consiga contactar. E aproveita para responder também.
Sendo V. Exas. moços novos, espero qualquer coisa que vos envergonhe indecentemente.

(*) - Os Hobbits eram verdes às riscas brancas…?

Outubro 31, 2007

Vitóóórrriiiaaa!

Arquivado como: Desporto — LA @ 11:21 pm

vitoria_setubal1.gif

Mentiras sem consequência?

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — LA @ 3:28 pm

Há uns tempos atrás, houve um partido que através do seu líder e candidato a primeiro ministro, fez uma promessa (parece que não era bem isso, era mais um objectivo…): criar 150.000 postos de trabalho.
Qual era a mentira?
Era que o governo, usando dos poderes que dispõe, podia criar postos de trabalho. Um que fosse.
Não, não é verdade que as nomeações para cargos de confiança política sejam empregos e muito menos postos de trabalho.

Voltemos à mentira e aos mentirosos.
Uma mentira só se torna efectiva se houver quem nela acredite (palisseano, não é?).
Neste caso houve. Muitos e muitos milhares de portugueses acreditaram nessa mentira, dita por esse partido, pela voz do seu candidato a primeiro-ministro.
A realidade que nos continua a rodear de notícias tristes, em nada parece mover a crença geral num amanhã sorridente em que Homens omnipotentes e omniscientes, recorrendo a passes de mágica ou a poderes divinos, poderão transformar o mundo num paraíso. A cada eleição, a esperançosa frase “desta é que é!; neste é que podemos confiar!”.
Ou seja, o país socialista que somos, continua a ter medo de o deixar de ser.

Tal como os ilusionistas que desde sempre usam os mesmos truques, os políticos do “estado a que isto chegou” (e não só os do tal partido), sabem a receita para recolher os votos do Povo: prometer mais do mesmo. Se têm sucesso, se o rotativismo os contenta, porquê mudar?
Entretanto o desemprego sobe e Portugal continua relegado para as traseiras do mundo desenvolvido.

(mais…)

Outubro 23, 2007

A solidariedade na versão da Administração Fiscal

Arquivado como: Economia, Portugal — LA @ 2:55 pm

Via Setúbal na Rede:

A Direcção Geral de Cobrança de Impostos pediu ao distrito de Setúbal para “cobrar mais de 50 milhões de euros até ao final do ano”, diz o director das Finanças do distrito de Setúbal. José Carreto Janela explica que, apesar de o distrito “ter alcançado o objectivo de cobrança coerciva, há outros distritos que não atingiram esse objectivo”, e por isso foi exigido à Direcção de Finanças de Setúbal esta cobrança.

É uma coisa bonita de se ver.
Se num distrito, a máquina fiscal (por ser mais mais ineficiente?) não consegue cobrar todos os impostos, estabelece-se novos objectivos naqueles onde a eficiência é maior. A eficácia geral é restabelecida.
Parece assegurada a continuação das celebrações governamentais, causadas pela redução do deficit via aumento da receita. E assegurado o desinteresse por medidas que reduzam as despesas estatais que assim se financiam. O que só piorará à medida que as próximas eleições se aproximem.

Outubro 17, 2007

Não é por uma Administração Fiscal musculada e moderna que o país anda a clamar?

Arquivado como: Economia, Justiça, Política, Portugal — LA @ 3:26 pm

Público:

A Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) está a dar instruções aos serviços para que efectuem penhoras de imóveis através de procedimentos que constam da proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2008, antecipando assim a sua eventual aprovação.

A DGCI já tem inclusivamente 3600 respostas de conservatórias do registo predial com a identificação de prédios passíveis de ser penhorados.

As instruções dadas aos serviços foram enviadas pelo Núcleo para a Modernização da Justiça Tributária no passada sexta-feira, algumas horas depois de a proposta de OE 2008 ter sido entregue no Parlamento.
(…)
E se houvesse dúvidas quanto ao momento em que estes recursos deveriam ser utilizados, as instruções solicitam “aos senhores Directores e Chefes de Finanças uma utilização adequada” dos mesmos, “nomeadamente na constituição de penhoras de imóveis, tendo por objectivo a eficiente cobrança das dívidas fiscais e a realização dos objectivos da cobrança coerciva para 2007″.

Acho que é uma espécie de choque, tecnológico e fiscal. E se o OE de 2008 são favas contadas, porquê esperar pela sua aprovação?

Outubro 3, 2007

Como diria Mário Soares, não creio que seja caso para rir…

Arquivado como: Economia, Política, Portugal — LA @ 10:55 pm

Na Assembleia da República, hoje [via DN (Madeira), meu destaque]:

“Não sei quanto mais tempo V.Exas. conseguem esconder o ministro da Economia, algo me diz que ele é o desempregado mais certo do vosso governo”, ironizou o líder do CDS.

(…)o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, referiu que Manuel Pinho não foi chamado por nenhum partido para comparecer em plenário no último ano(…)

“A interpelação que o CDS aqui fez no início do meu mandato foi sobre poder de compra e o ministro da Economia não estava”, frisou Portas.

“O poder de compra não é economia, compreendo que o CDS é incapaz de perceber que o poder de compra diz respeito a todas as condições da vida dos portugueses”, respondeu Santos Silva.
(…)
“Porque é que a Europa está à nossa frente na diminuição do desemprego? Porque o relançamento da economia europeia começou mais cedo do que a nossa por razões que me dispenso de explicar”, afirmou Santos Silva, considerando que o comportamento da economia permite “um optimismo moderado e realista” sobre a evolução do desemprego.

Chamo a atenção para um erro na colocação deste post, pelo qual me penitencio: coloquei-lhe um “tag” de Economia, o que, claramente, é um erro.

Setembro 30, 2007

Liberdade e mercado livre

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal, União Europeia — LA @ 10:43 am

Donald Tusk, o presidente do partido polaco Platforma Obywatelska (Plataforma Cívica) está em Inglaterra a fazer campanha (para as legislativas a 21 de Outubro) junto da crescente comunidade polaca emigrante.
A mensagem que lhes leva, na esperança de que eles contribuam para tornar a Polónia num “país ocidental” que permita aos seus cidadãos beneficiar do mesmo nível de vida que os britânicos, é (minha tradução, via BBC):

Nós não iremos descobrir petróleo ou ouro. O único recurso que temos é a nossa liberdade. A chave é o mercado livre.

Posso estar enganado, posso não ter prestado a devida atenção, mas não me recordo de nenhum presidente do PSD ou do CDS ter formulado em tão poucas palavras todo um programa que permita uma alternativa de oposição ao socialismo que, desde 1974, tem levado o nosso país ao ponto a que chegou.

O conforto do assegurado rotativismo PS / PSD não obriga a grandes coragens políticas na demarcação de novas posições por parte dos partidos não situados ao fundo da esquerda. Será que a perspectiva da renovação da maioria eleitoral do PS não ajudará o ambicioso novo presidente do PSD a reformular o posicionamento tendencialmente socialista do seu partido, optando por alternativas não antes exploradas?
Podem chamar-me pessimista ou mesmo derrotista, mas não creio. Falar alto e falar muito, atacar sempre e ser do contra, propôr diferente porque feito por diferentes pessoas, parece-me que será assim a continuação da prática da oposição em Portugal.

Pela minha parte, a esperança continua. Tal como o presidente da Plataforma Cívica prefiro ter esperança que de uma nova geração de portugueses, mais ambiciosos, menos presos à tradição socialista pós-revolução, possa um dia surgir a mesma formulação que o pleno usufruto da Liberdade e o mercado livre indicam o caminho para a prosperidade.

Setembro 23, 2007

Re: Liga portuguesa prossegue com normalidade

Arquivado como: Desporto — LA @ 11:27 pm

Exactamente, André.
O Vitória Futebol Clube continua a pontuar fora, obrigando o espantado adversário a deixar (colocar) tudo em campo.
Eis a normalidade da Liga, como bem observaste.

Setembro 8, 2007

Camaradas, não esqueçam de pedir recibo!

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — LA @ 9:06 am

A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) está a fiscalizar as contas da festa comunista. Diz o seu presidente, José Miguel Fernandes, ao CM:

(…) temos a sensação de que a verba declarada é inferior à receita obtida no evento (…) é preciso “conhecer bem a estrutura dos vários tipos de receitas da Festa do Avante”(…) nós vamos controlar as receitas [da Festa do Avante].

Para que nada fique por fiscalizar, lá estarão também a omnipresente/potente ASAE (será que levarão uma escolta de encapuçados armados?) e também inspectores da Cultura e das Finanças.
Mas não se pense que só “a festa” merece tanta atenção. Segundo um membro da ECFP (via DN), também a festa anual do PSD Madeira e a Marcha do Emprego, do BE, foram acompanhadas pelos fiscais (o sacríficio a que se sujeita um servidor público…):

Jorge Galamba afirma que ele próprio participou no ano passado na Marcha do Emprego organizada pelo Bloco de Esquerda.(…)
Nessa marcha, este responsável foi percebendo como o Bloco de Esquerda processava as receitas e as despesas, de forma a depois poder comparar o que viu com aquilo que vier a ser apresentado nas contas do partido.

Eu acho isto mal: um camarada dá o seu tempo e trabalho suado para levantar as estruturas “da festa”, paga a sua EP (de que ninguém se livra, ao que consta), confraterniza com camaradas de todos os cantos do país mais uns quantos representantes de ditaduras e terroristas do mundo inteiro, e ainda vai ter um fiscal a espreitar-lhe por cima do ombro para ver se ele pediu o recibo da bejeca?
Ainda assim, talvez não seja fácil, explicar aos membros dos PC’s convidados que estão menos acostumados às democracias, que se trata de representantes do Estado, a interferir numa organização política, baseando-se numa lei que o PCP tanto contesta. “Então, mas não é esse o seu papel: controlar as actividades políticas dos seus cidadãos?”, poderão questionar-se.

Agosto 27, 2007

Recordando o que pensam os socialistas sobre o direito de propriedade e os OGM

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — LA @ 11:23 pm

Há cerca de dois anos atrás, a Câmara Municipal de Odemira (onde o PS é maioria), declarou o concelho como “Território Livre de Organismos Geneticamente Modificados (OGM)“:

a reconhecida pureza do território odemirense não deve ser manchada por este tipo de atitudes, onde é mais importante o lucro desenfreado e imediato do que o uso racional do solo e a utilização de sementes naturais

O presidente da CMO declarava então (via Agroportal) :

Tal como os proprietários de terrenos podem optar por declarar as suas propriedades como zonas de não caça, também os municípios deveriam poder optar por declarar o seu território como Zona Livre de Transgénicos, proibindo este tipo de culturas.

Ou seja, as câmaras municipais deveriam poder autogar-se direitos de propriedade semelhantes aos legítimos donos (aqueles que pagam os impostos sobre as suas propriedades).

Alguns dias depois destas declarações, o presidente da Cooperativa Agrícola de Monte Alto (de Odemira, na zona de A de Mateus, perto do Almograve), dava conta dos bons resultados que os associados estavam a obter com a plantação de milho transgénico, numa experiência que se estendia por 150 hectares.
Ao Correio da Manhã, um cooperante dizia:

Tenho 33 hectares de milho transgénico e convencional. No transgénico não tenho perdas, poupo bastante dinheiro em pesticidas e muita da minha saúde. É para continuar.

Depois dos labregos que destruiram um hectare de milharal terem sido defendidos pelo deputado europeu eleito pelo BE, coube ao governo do Partido Socialista, que advoga a ingerência estatal na condução da actividade agrícola e na propriedade privada, vir a público oferecer os recursos do estado para que o agricultor pudesse levar a tribunal os ditos labregos.
Todos tivémos oportunidade de ver o ministro da agricultura a exibir uma maçaroca, aparentemente satisfeito com o produto que observava. Não sei se no PS haveria concordância generalizada com esta defesa pública de uma plantação de OGM’s em propriedade privada. Afinal de contas, o partido ainda se chama Socialista.

Julho 18, 2007

Um país sem liberdade económica

Arquivado como: Comentário, Economia, Portugal — LA @ 2:46 pm

Os defensores do intervencionismo económico devem estar muito contentinhos com o controlo que conseguem exercer na livre negociação entre vendedores e compradores.
A época de saldos é altura de muitos dos que prejudicam a vida de todos exultarem.
A pergunta que faço é: porque raio tanta gente acha perfeitamente normal que se decrete quando e como uma empresa privada deve/pode oferecer descontos aos seus clientes?

RR (meu destaque):

ASAE atenta a infracções nos saldos

O novo decreto-lei que regulamenta os saldos tem uma taxa de incumprimento de 30%, diz a Autoridade de Segurança Alimentar Económica (ASAE).

A operação começou há dois dias, com cerca de 20 brigadas no terreno de norte a sul do país.

Numa primeira avaliação, o vice-presidente da ASAE, Pedro Picciochi, concluiu que muitos comerciantes não estão a seguir, à risca, a legislação publicada a 26 de Março.
(…)
Uma das regras básicas da nova legislação é que os agentes económicos não podem colocar em saldo mercadorias que foram adquiridas nos últimos 30 dias.

Para quando a atribuição à ASAE de poderes para verificar e aprovar todos os contratos entre privados que incluam condições de desconto comercial, de quantidade, financeiro, rappel, …?
A fixação de preços, generalizada e controlada centralmente, ainda está nos sonhos e objectivos de muito boa gente.

Julho 5, 2007

Para onde foram os eleitores lisboetas?

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — LA @ 10:48 am

Segundo as estatísticas apuradas na notícia citada abaixo, Lisboa continua a esvaziar-se de eleitores (menos 135.000 eleitores nos últimos dez anos, para um valor de 523.000 actualmente registados), consequência de ter menos residentes. Curiosamente, tem aumentado o número de candidatos disponíveis para presidir à CML que se multiplicam em visitas a instituições de apoio à 3ª idade, onde podem encontrar muitos dos ainda votantes.

Entre as preocupações que estes candidatos têm manifestado na campanha, há aquelas relacionadas com as largas centenas de milhares de pessoas que todos os dias entram na capital e onde acabam por passar a maior parte do dia, o que implica que lá passam também a maior parte da sua vida activa. Muitos deles, são descendentes de lisboetas mas tiveram de emigrar para Loures, Sintra, Oeiras, ou mesmo fazer a travessia do deserto, a caminho de Almada, Seixal, Alcochete, Palmela/Pinhal Novo ou até Setúbal. Porque emigraram? Porque compraram casas tão longe da sua cidade de origem? Porque se sujeitam às viagens diárias?

Pode-se chegar à conclusão que, um dia destes (se não já), estes “visitantes”, constituirão a maior parte ou uma parte muito significativa, dos utentes das infraestruturas (por exemplo, os arruamentos e trânsito, parques, consumos de água e electricidade, saneamento, ocupação urbana via espaços de actividade económica, ambiente) geridas pela CML e pelas empresas dela dependentes. Basta dar uma volta por algumas zonas centrais de Lisboa ao fim de semana e perceber que a ausênsia destas pessoas transforma a cidade num deserto (certamente, Mário Lino também sai de Lisboa ao fim de semana e nunca apreciou este fenómeno).
Que têm eles a dizer sobre a maneira como a cidade é gerida?

Por enquanto, estas centenas de milhares de imigrantes municipais (mais que os habitantes registados?) são encarados como uma infelicidade, uma chatisse diária, com que a CML tem de lidar e a quem os candidatos pouco mais têm a dizer do que lhes repetir, várias vezes, que não gostam dos seus carros.
(mais…)

Junho 22, 2007

Rotativismo municipal

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — LA @ 6:10 pm

Santana Lopes foi presidente da CM da Figueira da Foz e foi presidente da CM de Lisboa. Não é candidato, mas vontade não lhe deve ter faltado.
Fernando Negrão foi vereador da CM de Setúbal e agora leva “Lisboa a sério” na sua candidatura.

Mas não é só o PSD que costuma rodar os seus autarcas por vários munícipios. Aliás, Setúbal, parece ser marco importante no currículo dos candidatos rotativistas.
Ruben de Carvalho foi candidato na cidade do Sado, em 1997, contra Mata Cáceres, que dizia do oponente (Setúbal na Rede):

Em 1997 o PCP regressou aos pesos pesados, mandou Ruben de Carvalho e pensou que desta é que o Cáceres perdia. E tudo deu o resultado que deu.

Vitória do PS, foi o que deu.

Junho 20, 2007

Lá pelas 3 da manhã, não há engarrafamentos em Lisboa

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — LA @ 10:24 am

Não sendo munícipe lisboeta, não achei que valesse a pena perder grande tempo com o debate de ontem na SIC-N.
Ainda assim, a meio do habitual zapping, ainda ouvi o candidato do PCP, Ruben de Carvalho, descrevendo o quão fluído é o trânsito na madrugada de Lisboa.
Assim é, explicava, porque muitas centenas de milhares de carros, que diariamente chegam à capital, a essa hora estão parados noutras “bandas”.

O candidato esquece-se que isso significa também que Lisboa, assim que a noite assenta, se desertifica, mudando-se grande parte da sua população activa para os territórios limítrofes - por exemplo, para o Grande Vazio ao Sul.
A proposta que fez, recorrente nestes debates ao longo dos anos, passa por criar mais parques de estacionamento à volta de Lisboa. Ou seja, no território de outros concelhos.
Será que o candidato comunista equacionou também o contributo do orçamento lisboeta que vai afectar às obras em concelhos vizinhos? Ou achará ele que as suas boas ideias devem ser orçamentadas noutro lado?

Os candidatos, em vez de olharem para o sintoma (o Deserto da Madrugada Lisboeta), deviam procurar antes as causas do abandono populacional do seu concelho. Será que entre elas iriam encontrar causas ligadas ao estado moribundo do mercado de arrendamento, causado pelas leis que o regulamentam até à paralisia? Como compreender que certas zonas de Lisboa deixem de ser seguras ou de frequência recomendada a pacatos cidadãos, após o pôr do sol? Como justificar a existência de freguesias com menos habitantes que algumas aldeias recônditas do interior do país?
Será que têm algo a dizer sobre os inacreditáveis resultados negativos acumulados pelas empresas de transporte (estatais) de Lisboa e sobre o que siginficam em termos de alternativa de qualidade e quantidade? Sobre os subsídios que lhes são entregues?

Infelizmente, o candidato do PCP será bem secundado nas suas opiniões de que o que faz falta é mais e melhor intervenção municipal (com apelos à participação orçamental do estado central), como os habituais populismos histéricos de Sá Fernandes ou as propostas em defesa dos direitos sociais urbanísticos da bastonária corporativa dos arquitectos, Helena Roseta. Ou como António Costa a assobiar para o lado quando se fala na Portela, fazendo de conta que Lisboa será a mesma sem o aeroporto a meia dúzia de minutos do centro.

Para terminar, e um pouco off topic, ainda não ouvi o candidato do PSD dizer “minha cidade” ou “nossa cidade”. Espero que alguém lhe pergunte se fala de Lisboa ou de Setúbal. Mas, na habitualmente limitada pool de escolhas partidárias, isso não admire: lembram-se que Santana foi autarca na Figueira da Foz antes de o ser na capital? Parece que no PSD se pratica uma espécie de rotativismo geo-municipal.

Junho 5, 2007

Mais um setubalense na campanha por Lisboa

Arquivado como: Política, Portugal — LA @ 9:40 am

Depois de Fernando Negrão ter trocado a CM de Setúbal pelo apelo de Marques Mendes, é a vez de Toy, insigne cantor setubalense, dar o seu contributo para a campanha de Carmona Rodrigues: vai ser ele a preparar o “hino e um ou outro apontamento musical de campanha“.

Maio 30, 2007

Schiuuu… Cale-se lá com isso… Ainda me espanta os clientes…

Arquivado como: Política, Portugal — LA @ 9:58 am

DD:

O candidato socialista à Câmara de Lisboa, António Costa, criticou hoje o candidato do PSD por trazer para a campanha eleitoral a questão do aeroporto, afirmando que há muitos assuntos de Lisboa para debater até às eleições.

«Acho estranho que alguns candidatos queiram passar o tempo a discutir temas de política nacional, não faltam problemas na cidade para debater», disse António Costa

Ficamos a saber que o encerramento do aeroporto da Portela, com a transferência de todo o tráfego que gera, para longe do concelho de Lisboa, é um assunto sem interesse nenhum para o candidato do PS.

Aqui, no imenso Grande Vazio ao Sul, coisas destas fazem-me sorrir (temos pouco com que nos distrair).

Maio 29, 2007

O direito à greve e o direito ao “não me chateiem”

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — LA @ 2:39 pm

Não falei ainda com ninguém que vá exercer o seu direito à greve, durante o dia de amanhã.
Pelo contrário, tenho falado com quem está muito preocupado com a maneira como se deslocará para o trabalho e como regressará para casa.

Uma greve convocada para servir a bolorenta agenda do PCP, organizada por dirigentes que nunca trabalharam um dia na sua vida (bom, exagero… talvez o tenham feito antes do PREC e há outros que apenas estão destacados no serviço colectivo, isentos do esforço da habitual labuta diária).
Serve exactamente que propósito?
Que alteração ocorrerá na quinta-feira e nos tempos que se seguem? Mais investimento virá para Portugal, aumentará a eficiência da gestão, a rentabilidade das empresas subirá - resultarão da greve mais emprego e maiores salários reais? Irão os trabalhadores do sector privado diminuir o que pagam todos os meses, sob a forma de impostos? Irão os trabalhadores do sector público diminuir as suas exigências para com os rendimentos dos anteriores?

Dizia Carvalho da Silva ontem no Prós e Contras, pelo meio das caducas frases de ordem da praxe, que a greve não era contra o governo, era contra as suas políticas (o que provocou um sorriso no ministro, depois de se certificar que tinha ouvido o que todos nós ouvimos). E pronto. Basta. Os restantes argumentos são conhecidos: o governo deve obrigar as empresas a aumentar os salários exponencialmente, enquanto se diminui o tempo de trabalho e por isso se contratam mais trabalhadores. A descoberta e penetração em novos mercados de Marte, tal permitirá.

O sindicalista, certamente com as melhores intenções na promoção do paraíso proletário na Terra, representa o que de mais retrógrado existe no movimento sindical. A central do PCP já vai começando a reparar que até mesmo na extrema esquerda, há quem não se alinhe pela sua bitola (vide caso da comissão de trabalhadores da Autoeuropa).
E afinal quem representam?
Os que compreendem que são fornecedores num mercado, o do trabalho, e que como em qualquer mercado têm de lutar por se manterem competitivos, sempre à procura de novas oportunidades de rentabilizar (como qualquer empreendedor) os seus conhecimentos, capacidades e tempo?
Os que percebem que sem procura ou dificultando a rentabilidade da mesma, não há mercado? Que criando barreiras à entrada, se protegem só os que já lá estão (e mais ainda os que conquistaram “direitos sociais inatacáveis”, como contratos vitalícios) e se prejudicam os mais novos e os desempregados?

Nada de novo no que digo, reconheço. Os argumentos de quem não compreende a manipulação do mercado de trabalho e do dia-a-dia da economia, à sombra do direito à greve, não são novidade para quem se recusa a ser mais uma ovelha, mais um proletário conduzido no caminho do suposto, e sempre prometido, bem colectivo.
O comunismo sindical está-se marimbando para cada um, para as opções de vida de cada trabalhador. Amanhã, voltarão os piquetes de greve a controlar quem não alinha, para apontar dedos (esperemos que nada mais que isso), para afastar qualquer hipótese de não se ser perturbado na sua vida. Como um efeito destas acções de mobilização, muitos de nós, trabalhadores, amanhã seremos cerceados na nossa liberdade.

Como eu, amanhã, muitos de nós não teremos o Estado nem os sindicatos a protegerem-nos o mui sagrado direito ao “não me chateiem”.

(mais…)

Maio 25, 2007

Um recado de Belém

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — LA @ 4:35 pm

RR:

“Seria altamente benéfico para o país que a Assembleia da República realizasse um debate aprofundado sobre este projecto com base em estudos realizados por organizações e instituições competentes, dado o impacto para gerações futuras”, afirmou Cavaco Silva.
O Presidente da República falava aos jornalistas quando questionado sobre as declarações do ministro das Obras Públicas Mário Lino, que quarta-feira contestou a localização do novo aeroporto na margem Sul do Tejo.

O Ministro-Engenheiro Mário Lino, no tom divertido e ligeiro com que fala do seu desígnio pessoal de legar às gerações que o seguirão, um aeroporto que recorde a passagem pelo governo, afirmou que já passou o tempo dos estudos. É tempo de começar a obra.
Não parece ser esse o pensamento do Presidente da República.
Estará o PR a preparar-se para se transformar numa força de bloqueio a Mario Lino e a José Sócrates, que pretendem edificar, em força e rapidamente, uma enorme obra pública, interferindo ou pondo em causa as decisões do governo?
A História às vezes tem destas coisas…

Não! Isso é que não! Por favor!

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — LA @ 11:12 am

Ontem, no Jornal da Noite da SIC Notícias, a deputada do BE, Ana Drago, queixava-se que o governo estava demasiadamente dependente do funcionamento do mercado, a ele se sujeitava e dele retirava explicações para justificar a má performance da economia.
Queixava-se Ana Drago que isso não podia continuar.
Pedia/exigia a deputada do BE que o ministro da economia, Manuel Pinho, fosse mais interventivo, assumindo maior comando da sua área governativa.

Que os bloquistas tenham, regra geral, total desconfiança duma economia livre, ainda compreendo, por conta da sua formação política e desconfiança da liberdade em geral. Mas que se proponha maior protagonismo para o ministro Manuel Pinho, já me parece incompreensível, alarmante e revelador de alguns problemas cognitivos.

Maio 24, 2007

Ai não quis? Hummm… Pareceu-me que quis…

Arquivado como: Política, Portugal — LA @ 3:09 pm

RR (meu destaque):

Esta manhã, em declarações à Renascença, Vítor Ramalho, presidente da federação do PS de Setúbal, reconheceu que “não entendeu bem” as palavras do ministro. Mas acredita que Mário Lino “não quis dizer o que disse”, nem mesmo quando corrigiu as suas declarações.

“Veio agora dizer que não se queria referir concretamente àquilo que é óbvio e disse que se referia às zonas específicas em que o aeroporto poderia ser construído. Com o devido respeito, eu também não entendo, porque um aeroporto não é construído com escolas e hotéis dentro”, disse.(…)
Já Alberto Antunes, membro da Comissão Parlamentar das Obras Públicas e antigo Governador Civil de Setúbal, diz que são declarações “que deverá corrigir logo que possa” e aproveitar para, olhando para a realidade do distrito, “fazer auto-crítica, analisando os equipamentos que aqui existem, nomeadamente hospitais, dado que na Margem Sul até há algumas unidades de referência nessa área”.

Se o Ministro-Engenheiro assumir o que disse, o PS passa a ter de considerar a criação de posições de “controleiros” que orientem os ministros cada vez que abrem a boca.
É que o Ministro-Engenheiro não é exemplo único na arte do dislate/trampolinada.

Do correspondente Insurgente no Grande Vazio ao Sul

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — LA @ 10:24 am

1º O Sr. Primeiro Ministro, Primeiro-Ministro da República Portuguesa, do Antigo Reino de Portugal e dos Algarves (e por aí adiante), ainda Primeiro Ministro das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, tem como seu colaborador dilecto e directo um Engenheiro (certificado pela respectiva Ordem Corporativa), que acha que o Sahara começa na margem oposta ao Terreiro do Paço.

2º Os habitantes deste nova geografia continental (ainda será Portugal?), descendentes dos Cubanos aí encontrados por Alberto João Jardim, vivem rodeados pela imensidão do vazio. A civilização abandonou-os, bem como o Estado que providencia os omnipresentes (acima do Tejo, claro) serviços públicos (saúde, educação, segurança, justiça, adminstração fiscal, governos civis, …). Como povo colonizado, resta-lhes apenas continuar a pagar os tributos que o invasor exige sobre a forma de impostos, até porque este continua a manter forças militares de ocupação (ainda há pouco dias se falava no reforço do contigentes estacionado no Oásis de Beja, em pleno deserto Alentejano, ao lado de uma base aérea militar).

3º Esta força é necessária para assegurar que alguns investimentos estrangeiros, feitos por capitalistas tresloucados (não o são eles todos…?) num deserto tão ermo e desprovido de tudo o que a civilização oferece, não sejam destruídos quer pelo avanço dos elementos erosores do dito deserto, quer pela sublevação das tribos locais, que insistem em continuar afastadas da civilização, melhor representada nos bairros suburbanos de Lisboa, píncaros do que a luta, para travar a desertificação urbana, significa.

4º Entre os investimentos atrás referidos, estão coisas tão comezinhas e que tão pouco custaram em subsídios (pagos pelos tributos - vulgo impostos - dos habitantes do deserto e pelos restantes cidadãos da República) como a AutoEuropa (ali a meia dúzia de Kilómetros donde o Ministro-Engenheiro cravou a novel fronteira do país) e o todo o parque industrial dos Oásis de Palmela, Seixal, Barreiro, Setúbal, Sines. Coisa pouca, atendendo que vai desde a construção e reparação naval, portos de águas profundas (investimentos estatais feitos em tempos em que o deserto ainda era do outro lado Mediterrâneo), indústria petroquímica, indústria madeira/papel. Há também umas Universidades e Institutos Politécnicos (Engenharias várias, p.ex.) que vão dando formação não só aos jovens filhos do deserto, mas também - espantemo-nos! - aos filhos da Margem Norte da República.
Recentemente, e provindo às necessidades de irrigação, de prática de ski aquático, pesca e de lavagem de roupa suja dos habitantes do Deserto, foi inaugurado outro investimento da República, lá para os confins do dito Grande Vazio, numa área conhecida como Alqueva - talvez a notícia sobre o maior lago artificial da Europa ainda não tenha chegado ao Terreiro do Paço.

5º Vê-se pois, que o Deserto, ao qual proponho que se chame o Grande Vazio ao Sul, faz pouco jus à caracterização do Ministro-Engenheiro, apesar da sua sapiência feita de anos de estudo e luta marxista.

6º Espero que o Partido Socialista, nas próximas caravanas eleitorais (terão de ser feitas às costas de camelos, com certeza), cujo presidente lembrou ontem aos terroristas que dinamitando as pontes que ligam Lisboa ao Grande Vazio ao Sul podiam cortar a República ao meio, se recorde dos dislates que este Ministro-Engenheiro anda a dizer, argumentando a favor da sua Cruzada/Objectivo pessoal. Espero que os habitantes do Grande Vazio ao Sul se lembrem daquilo que os mais altos dirigentes do Partido Socialista pensam deles.

Agora, despeço-me. Tenho de ir trabalhar para poder pagar os meus tributos aos ocupantes do meu Grande Vazio ao Sul.
Mas um dia seremos livres!

Maio 20, 2007

Vitóóóóóóórrrrrrrrrriiiiiiiaaaaaa!

Arquivado como: Portugal — LA @ 9:20 pm

vitoria_setubal1.gif

Em Setúbal nasceu
Um clube pequenino
Que ficou bem na memória
E com os anos cresceu
Entranhado no destino
Com o nome de vitória
Agora já bem igual
Aos grandes de tradição
O Vitória faz das suas
Quer dentro de Portugal
Ou em qualquer outra nação
Perde uma não perde duas

Viv’ó Vitória cantemos todos bem alto
Viv’ó Vitória que põe tudo em sobressalto
Viv’ó Vitória equipa de tradição
Viv’ó Vitória clube do meu coração

Cantemos todos esta marcha de louvor
Cantemos todos seja lá onde for
Viv’ó Vitória que nos faz criar glória
Gritemos todos bem alto
Gritemos viv’ó Vitória

Eu ainda acredito!

Arquivado como: Portugal — LA @ 7:54 pm

Vitórrrrrrria!

Maio 18, 2007

E se deixassem o mercado funcionar?

Arquivado como: Ambiente, Economia, Internacional — LA @ 12:49 am

De uma carta (meu destaque) ao editor da Economist, na edição da semana passada, em resposta a um artigo sobre uma possível falha de mercado:

Some of the poorest people in the world live in close proximity to valuable resources like tigers, yet they have no incentive to conserve and manage the resources sustainably, allowing criminals and smugglers to profit from poaching. This is bad for the people and very bad for tigers. In contrast, 2m crocodiles are harvested each year from facilities as far apart as Australia, South Africa and the United States. The international availability of farmed crocodiles has virtually eliminated crocodile poaching. Clearly, when trade is outlawed, only outlaws trade and the only market failure here is the failure to let markets operate.

Barun Mitra
Liberty Institute
Delhi

Maio 15, 2007

O candidato setubalense à Câmara de Lisboa

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — LA @ 10:35 pm

Público:

Fernando Negrão é o candidato do PSD à Câmara de Lisboa
(…)Nas últimas eleições autárquicas, em Outubro de 2005, Fernando Negrão foi o candidato do PSD à Câmara de Setúbal, onde ainda exerce o cargo de vereador.

O juíz, que é também vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, foi o único dos 3 vereadores do PSD na Câmara de Setúbal a não ser constituido arguido no caso das “reformas compulsivas” e que poderá ter sido a causa do PCP ter decidido tirar (o verbo é propositado) Carlos Sousa, até então um exemplo de autarca, da presidência do munícipio.
Foram-no, apesar de terem declarado antecipadamente que votariam contra a maioria do PCP/PEV nessas decisões (Público):

“Na altura manifestámos a nossa estranheza pelo que estava a acontecer com dezenas de trabalhadores e votámos contra a reforma compulsiva desses funcionários mas, mesmo assim, porque se tratou de uma votação secreta, fomos constituídos arguidos”, lamentou o vereador social-democrata Paulo Valdez.

O presidente do PSD optou assim por uma figura que dará uma imagem de impoluta conduta, em contraste com o que tem sido apontado à actual equipa da Câmara de Lisboa, eleita nas listas do PSD.
Eleito como independente, Fernando Negrão conseguiu um bom resultado dada a tradicional orientação do eleitorado em Setúbal. Na altura, não deu qualquer indicação de poder vir a abandonar o mandato a meio (RSO):

Negrão decidiu assumir a vereação, quando muitos davam como certo que não o faria, depois de ter concluído que essa função «é conciliável com o mandato de deputado na Assembleia da República», para o qual foi eleito nas legislativas de 20 de Fevereiro pelo círculo eleitoral de Setúbal. Para além disso, confessa que recebeu «muitos apelos para ser vereador», quer por parte da população, quer do próprio PSD.

Pelos vistos, os apelos dos munícipes lisboetas falaram mais alto que o dos munícipes setubalenses ou até, eventualmente, dos eleitores do distrito da margem sul. Será que foi espírito de missão do vereador/deputado de Setúbal, uma demonstração de alinhamento incondicional com o partido ou a maior proeminência do cargo que o levou a aceitar (nesta coisas convem esperar para ouvir o próprio)?
A direcção do PSD que se lembre deste abandono, na próxima apresentação de listas em Setúbal, coisa que até pode vir a ser mais cedo que o esperado. É que no estado em que se encontra a autarquia da Praça do Bocage, o PSD pode(ria) vir a ter bons resultados em eleições próximas.
Gostaria, por fim, de saber qual será a posição pública das estruturas locais e distritais do PSD face a esta “mudança de margem” de Fernando Negrão. Provavelmente, um aplauso à sábia escolha do líder nacional. E, se não fosse pedir muito, qual a posição das congéneres de Lisboa face a este candidato do lado de lá.

Maio 14, 2007

O último grande jogo?

Arquivado como: Diversos — LA @ 1:35 pm

Pois é Carlos, pois é…
Tens toda a razão.
O pior é que, pelo caminho que as coisas levaram este ano, sabe-se lá se teremos continuação no próximo.

Mas o dia valeu pelo reencontro.
E claro que até ao apito final na Figueira, resta a esperança num “bom-fim“.

Maio 11, 2007

E tenho dito.

Arquivado como: Economia, Política, Portugal — LA @ 2:18 pm

Espero não voltar a dar mais nenhum contributo para esta discussão, para esta conversa sobre a proibição de fumar nos estabelecimentos de empresas privadas. Já várias vezes escrevi sobre o assunto, até para desfazer o mito de que o mercado não é capaz de se ajustar à existência de uma procura por parte de quem prefere espaços não nicotinados. Um mito que serve a todos os que pesquisam incessantemente market failures onde, através da coacção estatal, possam ser eles a regular a vida dos outros.

Depois de ter lido quem se intitula liberal, apesar de escrever como se o não fosse, depois de ter lido argumentos e contra-contra-argumentos (assim mesmo) sobre as diferenças entre propriedade privada e partilhada (seja lá o que merda isso é - assim mesmo, com palavrão), apenas quero repetir o que escrevi e alguém fez o favor de publicar, há cerca de um ano atrás.

E se um dia, algum infeliz engenheiro-social (se tiver cartão de Ordem Profissional, pior), alguém que ache que existem coisas tais como propriedade partilhada, tiver ideias sobre limitar a minha possibilidade de dizer aos meus convidados lá de casa que têm de fumar na varanda, que podem fumar na sala ou de lhes dizer que uns podem fumar na sala mas os outros têm de ir para a varanda, passo a dar, ainda mais expressamente, o meu apoio à lei italiana que prevê o “dispare primeiro e pergunte depois” (*).
É que só entrando à força lá em casa, me vão obrigar a abandonar a possibilidade de escolher livremente como devem ser as regras de comportamento de quem me visita, num espaço fechado (para diferenciar de ser a céu aberto) do qual sou legítimo proprietário.

Não faltará muito para que o Admirável Mundo Já Não Tão Novo se estenda à nossa casa, onde a vivência pode ser decidida em nome do bem estar de quem nunca pretendeu lá entrar ou sequer faz parte do grupo de pessoas que eu desejo que frequentem a minha propriedade.

O que é seu, é nosso - publicado em Junho de 2006 na revista Dia D. (mais…)

Maio 8, 2007

O mercado falhou. Corrija-se o mercado.

Arquivado como: Economia, Portugal — LA @ 1:42 pm

João Miranda, “Plano quinquenal contra o fumo“, a propósito das propostas avançadas pelo Tiago Mendes:

(…)6. A propriedade privada, cara a qualquer liberal, é considerada relativa. O mesmo é dizer que a propriedade privada deve ser parcialmente colectivizada.

7. A liberdade individual é limitada porque a liberdade individual produz resultados que determinadas pessoas não gostam.(…)

9. O plano parte de uma falácia económica: como o mercado não produziu o que se pretende então é necessário corrigir o mercado. Ignora a possibilidade de o mercado estar a reflectir a ordem de preferências dos consumidores da forma mais precisa possível. Pelo menos os consumidores, nas suas escolhas do dia-a-dia, têm vindo a transmitir aos empresários a ideia de que um ambiente sem fumo não está no topo das suas preferências. Ora como provavelmente não está, nada como tentar mudar artificialmente toda a oferta para ela se adequar a uma ordem de preferências só uma pequena minoria é que tem.

Leitura complementar: E, no entanto, ele move-se; O misterioso desaparecimento dos não-fumadores; O que é seu, é nosso.

Maio 7, 2007

Quem vê títulos, não vê toda a informação

Arquivado como: Economia, Política, Portugal — LA @ 12:04 pm

Título da notícia (no DD, via Lusa, meus destaques):

Bruxelas revê em alta PIB português

Bem, é razão para júbilo nacional!

Mas continuemos a ler. No corpo da mesma notícia:

As autoridades de Bruxelas reviram em alta a previsão de crescimento da economia portuguesa para este ano [1,8%] e o próximo [ 2,0%], mas para um valor que continua a ser o mais baixo na União Europeia, mantendo a tendência de divergência pelo sétimo ano consecutivo.(…)

O ritmo de crescimento previsto para este a para o próximo é assim inferior ao estimado para a Zona Euro, cuja economia deverá expandir-se 2,6% este ano e 2,5 no próximo, e também inferior ao previsto para a União Europeia, que deverá crescer 2,9% este ano e 2,7 no próximo.

Ora bolas!
Parece que afinal vamos ter de manter os foguetes guardados mais uns tempos, que os meses que se avizinham não parecem ser ainda de festejos.

Mas a coisa há-de mudar. Temos apenas de esperar pela criação do Ministério das PME ou pela adopção antecipada desta proposta, com a especialização de funções do actual ministro Manuel Pinho, com as suas várias secretarias de estado, subsecretarias, direcções-gerais, serviços de estudo e planeamento, serviços adminstrativos e informáticos de apoio… Pode ser que seja o PSD a completar a criação dos tais 150.000 empregos que José Socrates tanto apregoou.

Maio 6, 2007

Ceder a chantagens nunca é boa resposta

Arquivado como: Internacional, Política — LA @ 4:57 pm

No jornal da hora de almoço, o enviado da RTP, quase lamentava o provável resultado das presidenciais. Se Sarkozy vencer, de certeza que vai haver distúrbios graves em cidades/bairros nomeados pelo repórter.
Ou seja, se a maioria dos eleitores quiser uma, não muito grande (podemos esperar que seja maior), mudança no rumo da governação em França, haverá uma minoria extremada que se revoltará contra os resultados das escolhas democráticas. Decorre que esses extremistas, dispostos a destruir propriedade privada ou a atacar quem se lhe oponha, ficariam calmos e sossegados em casa, de chinelos e robe, enquanto celebrariam a vitória de Segolene.
Que preço para Segolene e para os franceses, estaria implícito nessa quietude?
O que levará os repórteres da RTP (e/ou outros) a ver o perigo nessa fúria destrutiva e não o ver nas implicações de cedência a esses chantagistas?

Maio 2, 2007

Antes que apareçam por lá uns encapuzados de espingarda em riste e assustem as ovelhas

Arquivado como: Cultura, Diversos, Economia, Portugal — LA @ 3:52 pm

queijopaoevinho2007400_11767403191.jpgVia ROS:

A edição deste ano do Festival do Queijo, Pão e Vinho decorre de 4 a 6 de Maio, nas instalações da Associação Regional de Criadores de Ovinos da Serra da Arrábida (ARCOLSA), em Cabanas, freguesia de Quinta do Anjo, e conta com a participação de vinte produtores, num total de trinta e dois expositores.(…)

Para evitar quaisquer problemas com uma possível fiscalização da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica durante o festival, a comissão organizadora reuniu-se em Lisboa com técnicos da ASAE, “no sentido de sabermos o que fazer para termos tudo legal”, explicou Pedro Fontes. Todos os participantes no festival estão legalizados.

O programa deste mui recomendável evento pode ser consultado aqui.

Vivam os direitos colectivos e o Estado que os legisla!

Arquivado como: Economia, Política, Portugal — LA @ 12:09 pm

Hoje, no editorial do DN (meus destaques), a propósito da nova legislação que aplica mais restrições à propriedade privada, à liberdade económica e à liberdade de escolha dos consumidores (vulgo lei anti-tabágica):

O Estado coloca finalmente o direito colectivo acima da vontade particular e a defesa da saúde à frente do egoísmo individual patrocinado pelos ganhos das tabaqueiras.

Leitura complementar: E, no entanto, ele move-se; O misterioso desaparecimento dos não-fumadores; O que é seu, é nosso.