O Insurgente

Maio 7, 2013

Liberal, também.

Filed under: socialismo — Carlos M. Fernandes @ 13:38

O fascismo mussoliniano, o original, o genuíno, ao qual se convencionou chamar “direita”, era profundamente revolucionário e aspirava a virar a sociedade italiana do avesso. Até os hábitos alimentares dos italianos, magnífica herança de uma cultura gastronómica secular e moldada por meio mundo, foram um alvo a abater pelos sequazes do duce. Tudo em nome da ordem e da hierarquia. Tradição? Só quando servia os interesses do grupelho emergente.

A ezker abertzalea (esquerda nacionalista radical basca), ninho da ETA, carrega hoje o facho ateado por Sabino Arana, carlista, fundador do nacionalismo basco, autor de lendárias frases étnico-nacionalistas (acho que é assim que se diz na linguagem politicamente correcta do movimento anti politicamente correcto) sobre os castelhanos: Gran número de ellos parece testimonio irrecusable de la teoría de Darwin, pues mas que hombres semejan simios poco menos bestias que el gorila: no busquéis en sus rostros la expresión de la inteligencia humana ni de virtud alguna; su mirada solo revela idiotismo y brutalidad; La fisonomía del bizkaino es inteligente y noble; la del español inexpresiva y adusta. El bizkaino es nervudo y ágil; el español es flojo y torpe.

A História normalmente é ingrata com esquematizações, certezas absolutas e toques de bandeira anti-dissidência. Por isso, estou com o Miguel. Liberal, sim. De direita? Talvez.

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Março 20, 2013

Pub

Filed under: Cultura — Carlos M. Fernandes @ 15:59

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a Pequena Galeria abre ao público na quinta-feira dia 21 de Março com a exposição Salão #1 (Inauguração) apresentando obras de Ágata Xavier, António Almeida, António Júlio Duarte, Augusto Cabrita, Carlos M. Fernandes, Carlos Oliveira Cruz, Céu Guarda, Filipe Casaca, Guilherme Godinho, Jordi Burch, José Cabral, José M. Rodrigues, Mário Cravo Neto, entre outros.

a Pequena Galeria é um projecto colectivo que ocupa um pequeno espaço de exposição, informação e comercialização de arte, tendo a fotografia como interesse preponderante. Pretende ser um lugar diferente, à procura de novas fórmulas de produção e distribuição, atento às actuais condições do mercado e decidido a promover o coleccionismo.
Os seus fundadores – Carlos M. Fernandes, Guilherme Godinho, Carlos Oliveira Cruz, Alexandre Pomar, Bernardo Trindade, Luís Trindade e Ágata Xavier – associam diversas experiências e relações com a arte e a fotografia, nos campos da criação, da crítica e investigação, da edição e também nas áreas do comércio livreiro e da realização de leilões.

O nome que escolhemos recorda a história e a ambição de The Little Galleries of the Photo-Secession, a galeria fundada em 24 de Novembro de 1905 por Alfred Stieglitz e Edward Steichen.

A inauguração decorre nos dias 21 (18-21h.), 22 (18-24h.) e 23 (16-21h.) de Março.

Horário da galeria (a partir de dia 27 de Março):
Quarta – Sexta: 18:00 – 20:00
Sab: 16:00 – 20:00

Fevereiro 14, 2013

Brandos costumes

Filed under: Diversos,Política Fiscal,Portugal,socialismo — Carlos M. Fernandes @ 14:30

Portugal, diz o povo, é um país de brandos costumes e aí está o Francisco José Viegas a reforçar a tese. Perante o assalto implacável e contínuo de um Estado policial, o ex- da Cultura ainda tem a delicadeza de “pedir”. Pois eu penso que, quando a violência do Estado ultrapassa todos limites aceites pelos mais latos conceitos de sociedade livre, a violência reactiva é legítima e não há que pedir nada a ninguém.

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Janeiro 14, 2013

A Arma de Chekhov

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 03:22

O Princípio da Arma de Chekhov diz que uma espingarda que aparece pendurada na parede durante o primeiro acto de uma peça de teatro deve ser usada até ao final dessa mesma peça. Em Straw Dogs (1971) Sam Peckinpah não nos mostra uma escopeta nem uma pistola, mas uma trampa para caçadores furtivos que é armada e colocada sobre a lareira de uma casa rural durante a primeira cena de (falhada) confrontação. E ali fica, em tensão. Sabemos que vai ser usada e que vai ser usada para matar. Basta esperar que os outros pontos de pressão cedam. (E que bem desenha Peckinpah este jogo cinematográfico, a arquitectura da tensão, o equilíbrio nervoso destinado a romper-se, os instintos primitivos a desfazerem a máscara humana, a ambiguidade do jogo sexual.) Temos então um homem, aparentemente pacífico, culto, que se instala com os livros e a mulher numa aldeia inglesa, e temos os habitantes dessa aldeia, sem verniz de civilização, reprimidos e violentos. O convívio, sabemo-lo desde o início, é impossível. Porque sim. Porque há mundos que não se misturam. E no final, previsível mas eloquente, o homem tranquilo explode numa orgia de violência catártica. A armadilha sobre a lareira é disparada e desfaz a cabeça de um dos agressores. Uma pessoa tem os seus limites e não há capa de civilização que resista ao cerco dos bárbaros.

Janeiro 2, 2013

Itália, 1930

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 13:21

Itália, 28 de Dezembro de 1930. Filippo Marinetti publica na Gazetta del Popolo de Turim o Manifesto da Cozinha Futurista. O documento pretendia ser um repositório de receitas vanguardistas, à laia de guia para o homem novo futurista. Mas o alvo do manifesto era a pasta, pilar da gastronomia italiana: riscar a pasta do mapa culinário era o objectivo principal de Marinetti, escudado por Mussolini e pelo Estado fascista. Vinha tudo embrulhado no sonho de uma sociedade moderna, regida pelos padrões (gastronómicos e não só) do norte civilizado, contra os glutões comedores de massa (A pasta opõe-se ao espírito desperto, à alma apaixonada, generosa e intuitiva dos napolitanos, dizia o manifesto a páginas tantas). No entanto, pretextos e cauções intelectuais à parte, o motivo para a cruzada contra o esparguete e os talharins foi o trigo. A ascensão do fascismo e a rotura de algumas relações diplomáticas suspendeu grande parte da importação de trigo duro e a Itália não o produzia em quantidades suficientes para alimentar uma dieta baseada na pasta. A fome ameaçou o povo e o orgulho prepotente do Duce. E então começaram as campanhas e os manifestos.

Portugal, 28 de Dezembro de 2012. Um secretário de Estado diz, sem um traço de vergonha na cara, que é fundamental controlar os hábitos privados dos portugueses e que essa será a grande missão do Ministério da Saúde no ano que agora começa. Comida e vícios estarão assim sob a estrita vigilância dos queridos líderes. A razão é prosaica (e pelo menos não se esconde por detrás de manifestos intelectuais): salvar o Serviço Nacional de Saúde. Dois países, dois séculos, as mesmas personagens.

SANYO DIGITAL CAMERATurim, 2011

Dezembro 30, 2012

Canção do ano

Filed under: Diversos,Videos — Carlos M. Fernandes @ 14:42

Novembro 12, 2012

O país no Youtube

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 17:35

Depois das figuras do “engenheiro” a vender computadores e a falar um “idioma” vagamente aparentada com o castelhano dos subúrbios de Jaén, depois do vídeo para finlandês ver, depois das cartas patéticas endereçadas ao primeiro-ministro e ao presidente por cidadãos egocêntricos e infantis, depois de tantos e tantos episódios de luso-piroseira pensei que podia ver, sem medo, o vídeo de que tanto falam. Estava enganado. E agora vou à farmácia comprar Xanax.

Outubro 12, 2012

A força do destino

Filed under: União Europeia — Carlos M. Fernandes @ 16:08

A Bélgica nasceu depois de uma récita de La muette de Portici e a Itália foi inventada ao ritmo das obras de Verdi. Duvido que a ópera venha ter o mesmo papel neste período de redefinição de fronteiras que se avizinha (a Escócia, a Bélgica outra vez, a Espanha, e sabe-se lá que mais), mas foi no Liceo de Barcelona, na passada segunda-feira, que senti pela primeira vez a presença daquilo que chamam Catalunha, ou nação catalã. Enquanto o castelhano continua a ser a língua franca nas ruas de Barcelona, enquanto o flamenco continua ser utilizado como chamariz para os turistas (sempre com a Carmen Amaya e o Sorromostro como alegação final), enquanto se picam callos, bravas e cecina nas tabernas do Gótico e do Born, enquanto isso, ali, entre as elites, onde corre o puro (?) sangue catalão, a semente da revolução há muito que floresceu. O traço sardónico foi dado pelas bandeiras de Espanha e Itália, desfraldadas e agitadas no final do terceiro acto de “La Forza del Destino” de Verdi. Mas a cereja veio da Suécia e foi hoje posta no topo do bolo.

(Quanto à qualidade da récita, este é um bom resumo: quando começou o quarto acto eu já estava no Cal Pepe a comer pescaíto frito e a admirar a coreografia dos sete camareros que se moviam por trás do balcão. Foi a produção de abertura de temporada, note-se. A decadência dos grandes teatros ibéricos, causada pela falta de dinheiro mas também pela inépcia dos directores, é já um facto inquestionável (São Carlos, Real, Liceo). Deve ser a força do destino. A Europa como a conhecemos nasceu nas casas de ópera e agora morre nas casas de ópera. O cenário é trágico, divertido, perigoso. Mas justo.)

Setembro 29, 2012

O gene

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 17:16

Concorde-se ou não, é sempre com agrado e interesse que se lêem as observações do Pedro Arroja sobre o espaço cultural em que estamos inseridos, em contraponto (e em confronto) com outras culturas próximas. Mas continuo a achar que em tal análise das culturas católicas falta um factor essencial: o factor (ou herança) árabe. Não tenho qualquer evidência científica para apresentar em defesa desta tese. É apenas uma convicção que foi crescendo a partir de alguns factos circunstanciais (para além da História): ser nativo de um país do sul da Europa, viver há anos na cidade que foi o último reduto árabe da península ibérica e ter um conhecimento razoável do Mediterrâneo latino e eslavo (e algumas experiências do outro lado do lago). Vale o que vale. Mas vale o suficiente para estar convencido de que vamos continuar a disparar ao lado do tema central enquanto insistirmos em ignorar este termo da equação. Para que serve acertar no alvo? Talvez para nada. Ou talvez para se chegar à conclusão definitiva de que o “projecto europeu”, tal como tem sido desenhado nas últimas duas décadas, está condenado ao fracasso, e que esse fracasso pode condenar-nos ao jugo da tirania. É que o pilar onde se sustenta o paleio unionista — a matriz cristã da Europa — é uma farsa, e não é porque uns são protestantes e outros católicos. A clivagem é mais profunda.

Setembro 14, 2012

Ao sul (4)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 00:31

Arquestrato de Siracusa (século IV a.C), siciliano de origem grega, pioneiro da gastronomia e da crítica gastronómica, não gostava do excesso de ingredientes na comida. Preferia uma cozinha sem condimentos supérfluos, sem molhos, sem gorduras. Deixou um recado,

Importuno y demasiado

es para mi el aderezo

de mucho queso, mucho aceite y mucho sebo

como si a gatos se pusiera mesa,

e a gastronomia siciliana, atenta, manteve-se fiel aos seus ensinamentos: os ingredientes justos, a simplicidade, a gordura (azeite, quase sempre) no seu ponto correcto, o protagonismo dos produtos da terra e do mar, frescos, deliciosos, deslumbrantes, no mercado e na mesa. Uma cozinha superlativa, das melhores que encontramos neste mundo vasto e sortido. Uma cozinha que foi acumulando saberes e sabores de colonizadores, conquistadores e conquistados, desde os sículos, sicanos e elímios, primeiros habitantes da ilha, até aos espanhóis, que levaram o Novo Mundo para a Sicília (a América da Antiguidade, como tão bem a definiu Lampedusa), passando por gregos, romanos, normandos e, principalmente, pelos árabes, que deixaram a marca mais forte, não só na comida, mas também no sangue, nos costumes e no estilo de vida urbano dos sicilianos. É por isso que os anúncios do fim da História étnico são sempre tão divertidos.

Setembro 12, 2012

Ao sul (3)

Filed under: socialismo — Carlos M. Fernandes @ 13:09

O transporte por camioneta na Sicília funciona surpreendentemente bem. Vou da Catânia a Taormina, de Taormina a Messina, de Messina a Palermo, depois para Sciacca, regresso a Palermo, e outra vez para a Catânia. Não há um único atraso e os preços são justos. Cada trajecto é explorado por uma empresa diferente.

Os comboios são da responsabilidade da Ferrovie dello Stato Italiane  (a única excepção é uma linha que dá a volta ao Etna). Não uso. Na preparação da viagem leio sempre o mesmo comentário: as ligações ferroviárias não são fiáveis e são mais caras do que as viagens em camioneta (exemplo: Catânia-Palermo, 15 euros em camioneta, 25 no comboio inter-cidades). Em Espanha sigo a mesma política: só vou pela Renfe, empresa pública que gere a rede de comboios, quando não tenho outra opção (usei os comboios duas vezes em Espanha e, numa delas, um atraso épico quase me custava um voo).

Entretanto, em Lisboa, uma senhora, que dizem ser ministra mas que numa sociedade livre não estaria nem no refugo da hierarquia governativa, afirma, sem se rir, que “está por provar que o sector privado, ao contrário do que se diz muitas vezes, tenha maior eficiência que o sector público“. É isso mesmo.

Setembro 4, 2012

Ao sul (2)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 17:19

N’O Leopardo, a páginas tantas, Lampedusa descreve o príncipe de Salina, Don Fabrizio, como um homem, aos olhos de Don Calogero, com “uma certa energia propensa à abstracção, uma predisposição para moldar a sua vida com o que dele saísse e não com o que podia arrancar aos outros”. Em contraste, Don Calogero, o príncipe da nova ordem, recém-chegado aos prazeres da riqueza material, é desenhado como um ser emocional, rude, e talhado por centenas de gerações de comerciantes mediterrânicos. Na Palermo de 1860 confrontavam-se as duas Europas e a de Calogero já levava vantagem sobre um Leopardo resignado. Nesta ilha euro-africana açoitada pelo sol e adubada pelo Etna, onde o sangue árabe corre nas veias dos seus lânguidos habitantes — sangue herdado dos sarracenos que, privados do poder com a chegada dos Normandos, fizeram governos-sombra e chamaram manfa à Sicília perdida (manfa, lugar de exílio, possível embrião de uma famosa e sinistra palavra siciliana) —, não podia haver outro vencedor. Para selar a vitória, Calogero deu filha e generoso dote, aprendeu a comportar-se à mesa, e entrou no clube em declínio. Mas agora o espelho grotesco de Don Fabrizio, arruinado, pede esmola ao Leopardo. Ou exige, mesmo. Seria melhor que seguisse o exemplo do seu santo homónimo, padroeiro de Agrigento, que viveu numa gruta, alimentando-se exclusivamente do leite dos veados selvagens do Monte Cronio.

Setembro 2, 2012

Ao sul

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 19:00

Chamam-lhe o celeiro de Itália. A terra, vulcânica e generosa, oferece um extenso catálogo de produtos agrícolas, desde os mui celebrados citrinos, produto base da agricultura da Sicília (62% da produção italiana está na Sicília), aos pistácios, usados, como um toque de graça oriental, na assombrosa gastronomia siciliana. O mar, não tendo a riqueza do Atlântico, também não é avaro. O clima só peca por ser excessivamente quente no Verão e o turismo responde em massa a um sol ubíquo que convida à indolência. Então, por que razão é a Sicília tão pobre? Não vou avançar sentenças finais. Mas os 26000 guardas-florestais, número lançado recentemente pelo NY Times, talvez sejam um princípio de explicação plausível, tal como os jardineiros sem jardim da Grécia e todos os empregos nacionalizados de Portugal e de Espanha que mais tarde ou mais cedo serão alvo da atenção internacional. E se este exército de guardas já parece absurdo para uma ilha do tamanho do Alentejo, com mais surpresa o vemos se conhecermos a paisagem da ilha. Goethe já o havia notado há cerca de 230 anos, quando cruzou o território, desde Palermo até Messina, e quem chega à Catânia num avião pode confirmar (pelo menos no lado oriental da ilha): grande parte da Sicília foi desflorestada para a agricultura. Se um cenário com 26000 guardas-florestais é trágico, um cenário com 26000 guardas-florestais e sem árvores já é do domínio da comédia. Juntemos-lhe um universo mediterrânico a apontar o dedo e a responsabilizar Merkel, o neoliberalismo, e o conde Drácula pela decadência da sua dolce vita, e temos aquilo a que se chama uma bela palhaçada.

Agosto 20, 2012

Uma sociedade pacífica, solidária, ecológica, reciclável e sustentável*

Filed under: Diversos,socialismo — Carlos M. Fernandes @ 10:14

(…) La discusión que sigue tras el silencio -ha durado cinco segundos de reloj- es estupenda. Tengo la transcripción literal, pero la soslayo por larga. Resumiré consignando que una madre sugiere comprar espaditas de plástico en el chino de la esquina, pero otras se oponen. «No, que luego se pegan con ellas», dice una. «Hagámoslas entonces de cartón -responde otra-, en plan atrezzo». Pero surgen discrepancias. «Me niego a que los niños vayan armados», dice alguien. Un padre allí presente propone recortar pistolas de cartulina y que las lleven en la faja, pero otro se manifiesta en contra de cualquier arma de fuego, real o figurada. «De todas formas -interviene una madre-, un pirata sin espada no es un pirata». Otro silencio perplejo. Al fin, un padre sugiere que en vez de espadas los niños lleven catalejos. Podrían hacerse con tubos de papel higiénico, propone. «Entonces los niños irán disfrazados de marinos, no de piratas», apunta alguien. «O de astrónomos», tercia otro padre, guasón, al que dos o tres miran mal y alguien llama fascista por lo bajini. (…)

Arturo Pérez-Reverte

*Tradução: uma sociedade “amariconada”.

Agosto 19, 2012

Quem manda?

Filed under: Portugal — Carlos M. Fernandes @ 14:04

“Mas afinal quem manda em Portugal?, o poder ou a justiça?”. Ouvi esta frase agora mesmo, num noticiário da televisão portuguesa. O autor é um “histórico socialista” (vénia), e o seu nome Souto de Moura, se a memória de curto prazo não me atraiçoa. O “histórico” proferiu estas lindas palavras numa manifestação contra uma decisão de um tribunal que desautoriza a sentença autoritária, sem barra, apoiada, parece, pelo mesmo Souto de Moura, que proíbe as corridas de touros em Viana do Castelo desde há alguns anos. No entanto, independentemente do contexto, este “quem manda” do sr. Moura é o retrato de um regime. Um regime incompatível com o conceito de liberdade e sufocado por uma linhagem de auto-proclamados e medíocres “chefes”.

Origens de uma cultura moribunda (1)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 12:04

No dia 14 de Junho de 827 os árabes desembarcam em Mazara del Vallo e ocuparam a Sicília. Palermo foi declarada zona franca e ali se estabeleceu o emir. Em 1060 os normandos invadiram a ilha, entraram em Palermo e desafiaram o domínio árabe, que viria a cair definitivamente em 1072. Depois? Depois foi como Jakob Job descreve em Sicile, um elegante foto-livro e guia turístico-cultural, publicado em 1971 pelas Editions Silva Zurich: Encore de nous jours, Palerme est une ville de caractére arabo-normand; même ses plus beaux bâtiments baroques ne parviennent pas à chasser cette impression. La cathédrale, le palais royal, San Giovanni degli Eremiti, la Martorana, San Catalado, quelques villes arabes devant la ville component le visage de cette dérniere.

Agosto 16, 2012

Europa

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 11:40

– Sim – disse Gertrude. – A sua mãe converteu-se ao catolicismo e casou-se na Europa.
– Estou a ver que sabe alguma coisa – disse o jovem. – Ela casou-se e morreu. A família do meu tio não gostou do homem com quem ela casou; chamavam-lhe estrangeiro, mas não era estrangeiro. O meu pobre pai nasceu na Sicília, mas os pais dele eram americanos.
– Na Sicília? – murmurou Gertrude.
– É verdade – retorquiu Felix Young – que passaram a vida na Europa. Mas eram patriotas sinceros. Tal como nós.
– Portanto o primo é siciliano – disse Gertrude.
– Siciliano, não! Vejamos. Eu nasci num lugarzinho – um lindo lugarzinho – em França. E a minha irmã nasceu em Viena.
– Então é francês – disse Gertrude.
– Longe vá o agouro! – exclamou o jovem.
Os olhos de Gertrude quase não o largavam.
Felix desatou de novo a rir. – Mas se lhe agrada, não me importo de ser francês.
– Mas em parte é estrangeiro – disse Gertrude.
– Sim, em parte, sou; julgo que sou. Mas em que consiste essa parte? Creio que nunca tivemos oportunidade de resolver a questão. Deve saber que há gente assim. Gente que não podia dizer nada de concreto acerca de qual é o seu país, a sua religião ou a sua profissão.

Henry James, Os Europeus

Agosto 13, 2012

Exílio e morte

Filed under: Diversos,socialismo — Carlos M. Fernandes @ 12:37

Reconheçam: é difícil viver com gente capaz de vos mandar para o exílio e para a morte, é difícil torná-los nossos íntimos, é difícil amá-los.

Milan Kundera, A Brincadeira

A despersonalização é o primeiro golpe infligido pelo comunismo a uma população imprevidente. Começa aí, na identidade individual, nos laços sociais e naturais, na solidariedade voluntária e na própria condição humana. São esses os alvos aos quais os comunistas apontam como se de barro moldável se tratasse.  Logo descobrem que é pedra maciça, mas já não interessa: picam e picam até não sobrar mais do que a poeira e os escombros humanos, e os fantasmas que deambulam por cidades pós-apocalípticas com medo, raiva e angústia. E é quando os homens se metamorfoseiam em animais perigosos, quando vivem num clima de guerra permanente, seja surdo ou aberto, seja literalmente sangrento ou apenas psicologicamente devastador, é nessa altura, dizia, que o comunismo e outras doutrinas totalitárias atingem o seu esplendor, o acme ilusório que anuncia já o estertor e as ruínas. Sánchez Gordillo, impotente com a sua insignificante Marinaleda, anda há trinta anos a minar uma sociedade e a semear a sua utopia totalitarista pelos campos da Andaluzia, usando a força e a intimidação como armas “políticas”. Se for tratado com a condescendência que na Europa é reservada para estes pulhas com máscara de patusco, vai conseguir.

Agosto 10, 2012

Aqui somos todos assim

Filed under: Diversos,Portugal — Carlos M. Fernandes @ 11:30

Sicília, Abril de 1787. Johann W. Goethe estava numa rua central de Palermo (imunda, coberta de lixo), falando com um lojista da cidade, quando viu dois homens bem vestidos, com bandejas de prata na mão, pedindo dinheiro a quem passava. Intrigado com a cena que decorria sob o seu olhar de estrangeiro, Goethe perguntou ao comerciante pelo seu significado. O homem respondeu-lhe apontando para uma figura vestida como um cortesão que caminhava atrás dos dois criados com um porte digno e tranquilo. É o príncipe de Palagónia, disse, e está aqui, como em outras ocasiões, a pedir dinheiro ao povo para o resgate de sicilianos que foram capturados e feitos escravos pelos berberes. Goethe, que três dias antes havia visitado a villa Palagónia, mostrou-se perplexo. Como é que alguém que gastou uma fortuna nas loucuras grotescas da villa se atrevia agora a mendigar para sustentar aquela que devia ser uma função primária dos senhores da ilha!? Aqui somos todos assim, disse resignado o comerciante de Palermo, pagamos as nossas loucuras, mas as nossas “virtudes” têm que ser os outros a custear.

Somos todos assim, nesta faixa soalheira. De Lisboa a Atenas, passando por uma Sicília que, em 2012, está a beira do colapso. E andamos pela rua com pose de cortesão, armados com uma putativa superioridade moral que nos permite pedir dinheiro descaradamente como se a ele tivéssemos direito por decreto divino. Tudo isto depois de gastar quantidades obscenas de euros nos vícios privados de alguns e nas obras palagónicas para “todos”.

Agosto 6, 2012

Palermices de Verão

Filed under: Portugal — Carlos M. Fernandes @ 12:33

Na hora da morte de Chavela Vargas o Público oferece-nos um texto superficial e mal-amanhado. No meio de algumas banalidades copiadas dos comunicados de imprensa ou do El País (fonte favorita do novo Público progressista), a autora da “notícia” diz-nos que Vargas foi amiga de Federíco García Lorca, poeta andaluz morto em 1936, quando a cantora ainda era uma desconhecida com 17 anos que saltava da Costa Rica para o México em busca de dignidade e de uma vida melhor. O jornal há muito que se deixou levar por uma dinâmica confrangedora e estes detalhes já não surpreendem. Mas os patrões ainda vão a tempo de salvar o investimento. Comecem por contratar jornalistas, por exemplo. Ou, pelo menos, pessoas que se interessem minimamente pelos assuntos que relatam.

Julho 10, 2012

Degradante

Filed under: Portugal — Carlos M. Fernandes @ 18:54

Não sei o que é pior, se é a pelintrice recorrente de quem devia estar ao serviço dos cidadãos e não a tomá-los por parvos, se é a sabujice de quem põe a coluna vertebral no prego para defender o que é indefensável. Mas de uma coisa tenho quase a certeza: este número de cabaré decadente vai acabar muito mal.

Julho 6, 2012

Ensino inferior

Filed under: Educação,Portugal — Carlos M. Fernandes @ 15:57

Num ambiente dominado por um monopólio público, aquilo que se convencionou chamar privado só pode aparecer na forma de parasitismo. Como num sistema ecológico, esse parasitismo pode evoluir para o comensalismo ou mesmo para o mutualismo. É então que temos os exames por fax, as licenciaturas em serviço expresso e demais trocas entre parasita e hospedeiro.

Julho 4, 2012

Fazer

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 14:52

Enquanto uns se queixam e choram, enquanto outros, em jeito de claque, garantem que não pode haver criação artística sem a intervenção do Estado, enquanto isso,  há quem trabalhe. Onze dias de rodagem, um orçamento “ridículo” e facilmente recuperável e uma distribuição que rompe com os esquemas tradicionais. Ah, e também ganha prémios em festivais.

Já agora, e a propósito, vale a pena ler este texto do Alexandre Pomar: contra-manifesto.

…grande parte dos manifestos que por aí circulam, e também das considerações autorais sobre o panorama cultural, são enganadores ou fraudulentos ao angariarem os seus apoiantes e admiradores através de uma ilusória promessa de destinos artísticos para todos graças à subsidiação universal

Julho 2, 2012

Ponto crítico

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 17:20

Imaginemos uma praia. Sentados numa toalha, ao sol, agarramos com a manápula um punhado de areia e, lentamente, como se de uma ampulheta se tratasse, deixamos cair essa areia sobre um mesmo ponto da toalha. Uma pilha de areia forma-se e cresce. No início, não vamos notar muita actividade na superfície, mas, à medida que a inclinação do monte aumenta, começamos a ver deslizamentos locais de areia que, por vezes, deixam de ser locais e propagam-se globalmente. Há avalanchas pequenas e avalanchas catastróficas. Há de todos os tamanhos. E se a nossa pilha de areia fosse um modelo ideal teríamos uma distribuição da intensidade de avalanchas de  acordo com a frequência semelhante à observada quando medimos a intensidade e a frequência de terramotos numa determinada área geográfica ou a quantidade de cidades com determinado número de habitantes. Chama-se a essa distribuição uma lei de potências.

Por que razão há esta distribuição de eventos, sem nenhum padrão dimensional típico e a acontecer em todas as escalas, na nossa pilha de areia e em muitos outros fenómenos naturais (e sociais)? Porque o sistema (auto)organiza-se num estado crítico, no qual qualquer perturbação pode ter consequências de amplitude imprevisível. E sublinhemos: imprevisível.

Este é um dos dois conceitos-chave para uma teoria dos sistemas complexos. O outro, não só é tão obscuro para o cidadão comum como o conceito de auto-organização crítica, como também tem muito má imprensa. Falamos de emergência. É a mão invisível de Adam Smith. É a cataláxia de Hayek. São os bichos-papões de uma sociedade que não entende nem quer entender os fenómenos que a rodeiam ou nos quais essa mesma sociedade está envolvida.

Enquanto estes conceitos não forem bem compreendidos e aceites pela maioria das pessoas vamos ter que enfrentar dois problemas calamitosos. Em primeiro lugar, viveremos como semiescravos, à mercê do Estado e daquilo que o Estado entende fazer com o dinheiro dos cidadãos, porque os governantes (e a maioria das pessoas) acreditam que pode prever as consequências globais das suas acções locais. Acções que, quase se sempre, se resumem a gastar, ainda que falaciosamente disfarçadas com aquilo que se convencionou designar como “estimular”.

Em segundo lugar, sofreremos muito mais com as inevitáveis hecatombes económicas porque os governos acham que podem construir diques de contenção para evitar avalanchas de areia de dimensões catastróficas. Não podem. Só podem prolongar a agonia, sacrificando, no processo, as vidas e os sonhos de algumas pessoas em favor dos caprichos e dos “direitos adquiridos” de outras.

Quando percebermos estes dois conceitos seremos um pouco mais livres. E saberemos também que o vendedor de sonhos que ali está, que nos acena com estímulos económicos salvadores, ou é um mentiroso ou é um homem muito ingénuo.

El gitano blanquito como un camarón

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 13:09

Vinte longos anos sem Camarón de la Isla (5 de Dezembro de 1950 – 2 de Julho de 1992).

Junho 18, 2012

A roupa nova do imperador

Filed under: Cultura — Carlos M. Fernandes @ 09:36

Há três meses, depois de assistir a uma datada e bolorenta récita de La Clemenza de Tito de Mozart, prometi a mim mesmo não voltar a entrar no Teatro Real de Madrid enquanto à sua frente estiver Gerard Mortier. Depois dos estragos feitos em Paris e em Nova Iorque, Mortier parece empenhado em deixar a sala de ópera da capital espanhola sem uma gota de credibilidade. Entre produções que há muito deveriam estar arquivadas, como o já citado Tito do casal Herman, e encomendas que resultam num ultraje à reputação do teatro, como a gracinha de Alain Platel de Março passado, quando levou os indignados do 15-M para o palco do Real e recebeu, em troca, uma real pateada, o panorama é mais do que desolador. Talvez por isso, o público, no sábado, não ocupava dois terços da lotação (e caiu para metade após o intervalo). E eu, rompendo a minha promessa porque dois ou três assuntos trouxeram-me mais uma vez a Madrid, ali estava no meio de tão incauto público, para assistir a uma nova versão de L’incoronazione de Poppea de Monteverdi, da autoria de Philippe Boesmans. Mas o desastre não foi a música.

O encenador Krzysztof Warlikowski apresentou em 2008 em Paris a sua visão do Parsifal de Wagner. For me, the return of the prodigal son in Act II of Parsifal recalls a character in Rossellini’s Germany Year Zero: the demobilised SS who live hidden in the Berlin ruins to avoid being taken prisoner by the Occupation authorities, disse o encenador polaco numa entrevista. Vai daí, recorreu ao filme de Rosselini e projectou no palco uma sequência de imagens da II Guerra Mundial. Muito bem, Wagner, anti-semitismo, Hitler, nazismo, Furtwangler e o diabo a quatro. Podíamos fingir que é tudo muito original e aceitar o que Warlikowski nos oferece. É aborrecido e pouco criativo mas não insulta (muito) a inteligência dos espectadores. O problema é que Krzysztof Warlikowski repete a dose com L’incoronazione de Poppea. E, para o caso de algum espectador mais distraído não perceber a mensagem do cenário e do prólogo (uma sequência de lugares-comuns com a caução intelectual de Hobbes, Wittgenstein e outros pesos-pesados da artilharia filosófica), espeta-nos com imagens do Olímpico de Berlim em plena ascensão do nazismo, e vai enchendo o palco, enquanto a trama se desenvolve, com o mais óbvio imaginário neonazi. Resultado: somos obrigados a assistir a duas obras que correm em sentidos paralelos, inconciliáveis. Uma, é a extraordinária ópera de Monteverdi, com um libreto complexo, rico, belo, shakespeariano. A outra é apenas um insuportável arroubo de um artista sofrível que viu a luz e que agora julga ter como missão doutrinar a audiência.

Isto nem seria muito grave se não se desse o caso de ser uma prática comum nos teatros europeus. Há uma certa classe de criadores progressistas que, sem cultura, sem uma ideia do passado, insistem em destruir as obras clássicas só porque julgam ter uma mensagem importantíssima que deve ser transmitida aos pobres incréus. E com o dinheiro dos outros, de preferência. Também por aqui passa a decadência europeia.

Junho 8, 2012

Solo quiere dinero

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 10:05

Jaime Rosales, cineasta:

- ¿Es partidario, entonces, del mecenazgo?

- No debemos tener miedo a los cambios. Si el mecenazgo no está aún en marcha, pues pongámoslo en marcha. La calidad artística de algo no depende de dónde viene el dinero. En la economía española el peso de lo público ha sido excesivo.

- ¿Y qué piensa de las críticas a la reducción de ayudas al cine español?

- No comparto la preocupación por la reducción en las subvenciones. Las dificultades que he tenido para hacer esta película han sido artísticas. La dificultad es conseguir la verdad en el actor y decir que eso depende del dinero es una mentira. La gente que genera mucha tensión para conseguir más dinero no sabe lo difícil de lo artístico, solo quiere dinero. El cine depende de los creadores, no de las ayudas públicas. Nunca he salido con más de 30 copias y he hecho muchos más espectadores que algunos que han salido con 100.

Junho 5, 2012

Salteadores

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 11:50

Esta é uma notícia estupenda! O Estado cumpre o seu ideal — vai roubar para a estrada — e os cidadãos começam a saber com o que podem contar e com quem estão a lidar: com um bando de ladrões que tem o monopólio da violência num vasto território e que não se coíbe de a utilizar para benefício próprio e para eternizar políticas socialistas. E assim pode ser que aumentem os pedidos de licença de uso e porte de arma de fogo.

Maio 28, 2012

Detalhes

Filed under: Portugal,Videos — Carlos M. Fernandes @ 15:49

Nos últimos dias, as tropas protectoras de um ministro incompetente que não tem lugar numa democracia saudável começaram a esboçar uma nova linha de defesa. A ideia é simples: o país tem problemas muito graves e andamos a perder tempo com detalhes. Como se o problema principal de Portugal não fosse precisamente esse, ter um regime que, para além de meter o nariz em todos os recantos da sociedade, é dominado por homens sem qualidades secundados por sabujos especializados em manobras de diversão. Usando o jargão das ciências da complexidade, podemos dizer que, se é verdade que os padrões de comportamento globais emergem das interacções locais entre as partes constituintes, das interacções entre partes podres só pode emergir um fedor insuportável. Isto vai ter um lindo fim, vai.

Maio 21, 2012

Pântano

Filed under: Diversos,Portugal — Carlos M. Fernandes @ 15:29

É um espectáculo recorrente e chega até a ser ternurento, este duvidoso candor da “elite” portuguesa da banda larga. Uns, tão indignados hoje, eram tão compreensivos ontem com os ardis do chefe. Outros, no lado oposto da barricada, são tão compreensivos hoje, quando ainda ontem apontavam o dedo ao prevaricador de serviço. Nada de novo. A coluna vertebral não é uma vantagem evolutiva nas águas putrefactas do pântano chamado Portugal, e é, por essa razão, uma característica rara no código genético português. Já o Primeiro-Ministro, de quem se esperava umas pedradas certeiras no charco, perdeu uma boa oportunidade para contrariar a ideia de que a III República portuguesa é uma anedota interminável cujas personagens centrais são sempre os bufões liberticidas. E de que não é apenas um títere menor num governo que, afinal, é comandado pela velha escola. A escola do compadrio, da indigência moral e intelectual, e do exercício de um poder matreiro, viscoso e cobarde.

Maio 16, 2012

Autonomia (5)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 22:03

Un director, amenazado por hacer cine sin subvención: “Ha sido un infierno”

El director de La Herencia Valdemar y La Sombra Prohibida contó a Debates en Libertad su delirante experiencia al intentar crear un modelo de producción cinematográfica al margen de las subvenciones estatales. Alemán ha revelado que al atreverse a ir sin subvenciones se ha llegado a “insultar a nuestras familias, se nos ha amenazado…ha sido un absoluto infierno”. (…)

Autonomia (3)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 19:40

Ludwig van Beethoven fue el primer compositor autónomo. Qué quiere decir eso? A primera vista , que Beethoven vivió de su arte, y no de los favores de un mecenas. En realidad, mucho más que eso, ya que este músico tenía en mente un proyecto más ambicioso que su propia independencia económica: conseguir que la música fuera considerada, por sí sola, una actividad de transcendental importancia, quizá la más importante de todas las actividades artísticas.

Ana Nuño, La Música se Renueva

Autonomia (2)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 19:23

O modo algo caótico como correu o serão de 22 de Dezembro, marcado pelas discussões incessantes de Beethoven com os músicos, mostra até que ponto era profundo o fosso entre as ideias defendidas pelo compositor e as práticas musicais então vigentes. Numa esfera comercial ainda incipiente, esse género de concertos (Akademie) dado por um compositor, e em que a receita revertia a favor do próprio, não é um acontecimento muito frequente. Beethoven, então, com trinta e oito anos, e figura activa cimeira da vida musical de Viena, podia correr esse risco comercial e não perder dinheiro. Esse concerto realiza-se, aliás, pouco depois de Jerónimo Bonaparte, rei da Vestefália e irmão de Napoleão, lhe ter oferecido o lugar de seu kappelmeister, em condições particularmente vantajosas.

Esteban Buch, A Nona Sinfonia de Beethoven

Autonomia

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 18:59

Para além das proezas exclusivamente musicais, Beethoven ficou na História como o primeiro grande compositor autónomo: tentou viver da sua arte, da relação com o público e consumidores das suas obras, evitando a dependência directa de mecenas. Da autonomia à liberdade criativa é um passo lógico. Quase duzentos anos depois da morte do autor de Fidelio há ainda quem acredite que é o Estado que deve “estabelecer condições para que os seus artistas criem em Liberdade”. Para além do paradoxo, evidente para qualquer pessoa imune à crença no Estado como bálsamo para todas as maleitas do mundo, a brigada de iluminados quer ainda vender-nos a ideia de que não há outro caminho, que não há arte sem Estado, não há criatividade sem o primordial impulso do dinheiro público. E é então que começamos a ceder à tentação de pedir algumas palavras emprestadas. Como, por exemplo, “alarvidade ignorante”.

Maio 12, 2012

Os heróis

Filed under: socialismo — Carlos M. Fernandes @ 16:26

Sobre os heróis da extrema-esquerda portuguesa (aqui):

Pese a haber tenido entre sus pistoleros a «gente de fuera», «maketos» en el argot racista de Sabino Arana —«Kubati», clan de los Troitiños, «El Sevillano», Caride, Monteagudo…—, ETA siempre ha visto en la llegada de inmigrantes al País Vasco un peligro para su proyecto de independencia.

En un «Zutabe» —boletín interno—de 2002, la banda terrorista mostraba su preocupación porque la población «sigue aumentando», pero no por el incremento de la natalidad de los autóctonos, sino como consecuencia de «la gente que ha venido». (…)

Años antes, el pistolero Henry Parot, cuyo historial sanguinario incluye el asesinato de seis niños -uno en Madrid y cinco en la casa cuartel de Zaragoza-, se lamentaba a través de una carta enviada desde la cárcel al periódico «Egin» del bajo índice de natalidad entre los vascos y hacía un llamamiento a las mujeres abertzales para que dieran hijos a la «causa de la liberación nacional de Euskal Herria».

Também é sempre bom recordar que, para Sabino Arana (1865-1903), fundador do Partido Nacionalista Basco, os tais maketos , os estrangeiros, “mais do que a homens, assemelham-se a macacos”. Temos aqui uma longa tradição de tolerância e humanismo.

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