O Insurgente

Maio 21, 2012

Pântano

Filed under: Diversos,Portugal — Carlos M. Fernandes @ 15:29

É um espectáculo recorrente e chega até a ser ternurento, este duvidoso candor da “elite” portuguesa da banda larga. Uns, tão indignados hoje, eram tão compreensivos ontem com os ardis do chefe. Outros, no lado oposto da barricada, são tão compreensivos hoje, quando ainda ontem apontavam o dedo ao prevaricador de serviço. Nada de novo. A coluna vertebral não é uma vantagem evolutiva nas águas putrefactas do pântano chamado Portugal, e é, por essa razão, uma característica rara no código genético português. Já o Primeiro-Ministro, de quem se esperava umas pedradas certeiras no charco, perdeu uma boa oportunidade para contrariar a ideia de que a III República portuguesa é uma anedota interminável cujas personagens centrais são sempre os bufões liberticidas. E de que não é apenas um títere menor num governo que, afinal, é comandado pela velha escola. A escola do compadrio, da indigência moral e intelectual, e do exercício de um poder matreiro, viscoso e cobarde.

Maio 16, 2012

Autonomia (5)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 22:03

Un director, amenazado por hacer cine sin subvención: “Ha sido un infierno”

El director de La Herencia Valdemar y La Sombra Prohibida contó a Debates en Libertad su delirante experiencia al intentar crear un modelo de producción cinematográfica al margen de las subvenciones estatales. Alemán ha revelado que al atreverse a ir sin subvenciones se ha llegado a “insultar a nuestras familias, se nos ha amenazado…ha sido un absoluto infierno”. (…)

Autonomia (3)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 19:40

Ludwig van Beethoven fue el primer compositor autónomo. Qué quiere decir eso? A primera vista , que Beethoven vivió de su arte, y no de los favores de un mecenas. En realidad, mucho más que eso, ya que este músico tenía en mente un proyecto más ambicioso que su propia independencia económica: conseguir que la música fuera considerada, por sí sola, una actividad de transcendental importancia, quizá la más importante de todas las actividades artísticas.

Ana Nuño, La Música se Renueva

Autonomia (2)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 19:23

O modo algo caótico como correu o serão de 22 de Dezembro, marcado pelas discussões incessantes de Beethoven com os músicos, mostra até que ponto era profundo o fosso entre as ideias defendidas pelo compositor e as práticas musicais então vigentes. Numa esfera comercial ainda incipiente, esse género de concertos (Akademie) dado por um compositor, e em que a receita revertia a favor do próprio, não é um acontecimento muito frequente. Beethoven, então, com trinta e oito anos, e figura activa cimeira da vida musical de Viena, podia correr esse risco comercial e não perder dinheiro. Esse concerto realiza-se, aliás, pouco depois de Jerónimo Bonaparte, rei da Vestefália e irmão de Napoleão, lhe ter oferecido o lugar de seu kappelmeister, em condições particularmente vantajosas.

Esteban Buch, A Nona Sinfonia de Beethoven

Autonomia

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 18:59

Para além das proezas exclusivamente musicais, Beethoven ficou na História como o primeiro grande compositor autónomo: tentou viver da sua arte, da relação com o público e consumidores das suas obras, evitando a dependência directa de mecenas. Da autonomia à liberdade criativa é um passo lógico. Quase duzentos anos depois da morte do autor de Fidelio há ainda quem acredite que é o Estado que deve “estabelecer condições para que os seus artistas criem em Liberdade”. Para além do paradoxo, evidente para qualquer pessoa imune à crença no Estado como bálsamo para todas as maleitas do mundo, a brigada de iluminados quer ainda vender-nos a ideia de que não há outro caminho, que não há arte sem Estado, não há criatividade sem o primordial impulso do dinheiro público. E é então que começamos a ceder à tentação de pedir algumas palavras emprestadas. Como, por exemplo, “alarvidade ignorante”.

Maio 12, 2012

Os heróis

Filed under: socialismo — Carlos M. Fernandes @ 16:26

Sobre os heróis da extrema-esquerda portuguesa (aqui):

Pese a haber tenido entre sus pistoleros a «gente de fuera», «maketos» en el argot racista de Sabino Arana —«Kubati», clan de los Troitiños, «El Sevillano», Caride, Monteagudo…—, ETA siempre ha visto en la llegada de inmigrantes al País Vasco un peligro para su proyecto de independencia.

En un «Zutabe» —boletín interno—de 2002, la banda terrorista mostraba su preocupación porque la población «sigue aumentando», pero no por el incremento de la natalidad de los autóctonos, sino como consecuencia de «la gente que ha venido». (…)

Años antes, el pistolero Henry Parot, cuyo historial sanguinario incluye el asesinato de seis niños -uno en Madrid y cinco en la casa cuartel de Zaragoza-, se lamentaba a través de una carta enviada desde la cárcel al periódico «Egin» del bajo índice de natalidad entre los vascos y hacía un llamamiento a las mujeres abertzales para que dieran hijos a la «causa de la liberación nacional de Euskal Herria».

Também é sempre bom recordar que, para Sabino Arana (1865-1903), fundador do Partido Nacionalista Basco, os tais maketos , os estrangeiros, “mais do que a homens, assemelham-se a macacos”. Temos aqui uma longa tradição de tolerância e humanismo.

Maio 11, 2012

Sugestão para os cine-indignados

Filed under: Cultura — Carlos M. Fernandes @ 00:14

Para a próxima sessão à porta da Assembleia da República.

Maio 1, 2012

O espectáculo deve continuar

Filed under: Portugal — Carlos M. Fernandes @ 16:11

O regime definha, arrasta-se, destrói vidas e sonhos, e que pede a maioria dos portugueses? Mais. Mais Estado, mais controlo, mais veneno. E rebelam-se contra quê? Contra qualquer tímida reforma deste mutualismo entre um vírus abrilista e uma célula salazarista que, inevitavelmente, descambou num parasitismo trágico. Nas barricadas que se vão montando, a receita é igual, só varia o tempero: de um lado, exige-se mais socialismo; do outro, entre conversas de café “no-tempo-do-salazar-é-que-era“ e análises mais “ponderadas” e amparadas por números, fazem-se outros apelos liberticidas. Mas os maluquinhos são os liberais (perdão, neoliberais). Esses sim, são fanáticos, utópicos, egoístas e parece que agora até comem crianças ao pequeno-almoço. Enfim, a inteligência da espécie humana é um conceito muito sobrevalorizado, já sabemos. Que siga a palhaçada e o desfile dos imbecis.

Abril 25, 2012

Nunca leram um livro

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 15:21

Muy buena es la mujer si no tuviese
ojos con que llevar tras sí la gente,
si no tuviese lengua maldiciente,
si a las galas y afeites no se diese.

Si las manos ocultas las tuviese,
y los pies en cadenas juntamente,
y el corazón colgado de la frente,
que en sospechando el mal se le entendiese.

Muy buena, si despierta de sentido;
muy buena, si está sana de locura;
buena es con el gesto, no raída.

Poco ofende encerrada en cueva oscura,
mas para mayor gloria del marido
es buena cuando está en la sepultura.

Francisco de Quevedo, Inconvenientes de las mujeres

Arturo Pérez-Reverte, ex repórter de guerra, excelso prosista e cronista sem medo do zeitgeist, esteve ontem em Granada, no Auditório Manuel de Falla, para uma conversa com Rafael de Cózar y Pepe Belmonte. Retenho dois pontos do encontro que marcou o início do IX Festival Internacional de Poesia de Granada: 1) O “politicamente correcto” é um sintoma de uma sociedade sem cultura; 2) Se nos fechassem durante três dias ali, no Manuel de Falla, sem água, sem luz, sem comida, logo começaríamos a matar, a roubar, e a violar. Pensem nisso quando virem a feminazi do Chiado, que não sabe lidar com as suas neuroses, a gritar contra a linguagem machista ou a sociedade patriarcal. Pensem nisso quando virem o “progre” pedante do Lavapiés madrileno a fazer o elogio do multi-culturalismo, contra a elite cultural fascista. Ali vão os alarves sem cultura, sem passado, sem biblioteca, prontos a queimar qualquer obra que apresente o mínimo sinal de incompatibilidade com uma doutrina que não tolera diferenças ou desvios, mesmo quando essas diferenças já deveriam estar esbatidas pelas brumas da História. Ali vão os filisteus que, apesar de se sentirem muito superiores ao vizinho, para o qual olham de soslaio com a arrogância de quem nunca pensou duas vezes sobre as suas certezas, se comportariam como qualquer ser humano quando postos numa situação limite. Ou ainda pior, porque, e pegando numa feliz frase de Pérez-Reverte, cultura também é não gritar quando o avião cai. Mas é precisamente isso, berraria e histeria, aquilo que vamos vendo nas praças e primaveras de todo o mundo.

Março 25, 2012

Primaveras democráticas

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 19:20

Depois de mais de três décadas de domínio do PSOE (os socialistas ganharam todas as eleições desde a Transição), o PP ganha as eleições andaluzas e fica à beira da maioria absoluta. Parece que os eleitores não estão sintonizados com a “rua”. É a vida…

Março 13, 2012

O Pai, a Mãe, a Filha e o Estado

Filed under: Diversos,Nanny State Watch — Carlos M. Fernandes @ 04:31

Um pai, uma mãe, uma adolescente e uma bolsa de marijuana. Como em tantas histórias com estas personagens, o enredo é este: após a descoberta das ervinhas mágicas, a mãe fala com o pai, e este castiga a menina, proibindo-a de sair de casa no passado 28 de Fevereiro, dia da Andaluzia e feriado em toda a região. Final da história? Não, a história segue e agora é um pouco diferente daquilo a que estamos habituados (mas é melhor que nos habituemos): a filha faz queixa à polícia, o pai acaba na esquadra, a mãe é acusada de conivência e participação na “detenção ilegal”, e a menina, coitadinha, é levada para um centro de protecção. Final da história? Não, ainda não. Ontem, a menina desapareceu. As “autoridades”, que não se inibiram na hora de violar a privacidade de uma família e de a substituir na educação da  pobre jovem em perigo, falharam estrondosamente a tarefa ao fim de um par de semanas. Uma anedota sobre o Estado paternalista não seria mais corrosiva do que este episódio da vida real.

Entretanto, o Teatro Real de Madrid, onde há pouco tempo ainda podíamos ver e ouvir Nina Stemme ou Anja Kampe (esta última num Der Fliegende Hollander desastrado, é certo, que já deixava adivinhar o futuro quase imediato), completou finalmente a sua metamorfose numa feira grotesca. Vai demorar algum tempo até ser varrido todo o lixo zapaterista desta Espanha deprimida.

Março 9, 2012

À atenção das feminazis

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 19:04

A cultura (?) pop transformou a paleta dos bravo, brava, brave e bravi num solitário e masculino bravo. É de admirar que não andem patrulhas de feminazis da língua pelos concertos e espectáculos deste mundo novo, de caneta, livro de multas e histerismo em punho.

Fevereiro 27, 2012

Lendas e narrativas

Filed under: Internacional,Justiça — Carlos M. Fernandes @ 13:53

Há duas semanas, quando um dos processos nos quais o juiz Baltasar Garzón esteve envolvido foi arquivado por um detalhe técnico, o jornal Público nem piou. Hoje, poucos minutos depois dos principais meios de comunicação social espanhóis divulgarem a decisão do tribunal no chamado “caso dos crimes do franquismo”, já tínhamos notícia! Os jornalistas do Público parecem sofrer de atenção selectiva no acompanhamento da Via Crucis de Garzón. São distracções, com certeza, inocentes distracções. Mas deviam ter mais cuidado. Com tanto “esquecimento”, podemos pensar que são desonestos no seu trabalho, que apenas noticiam aquilo que serve na construção do mito Garzón, e que um processo que investigava negócios obscuros com o banco Santander não cabia nessa “narrativa” (como se diz agora em linguagem neo-palerma).

Sem clemência

Filed under: Cultura,Diversos — Carlos M. Fernandes @ 11:48

A produção é de 1982, e, se nessa altura já não devia entusiasmar muito, agora é apenas um objecto de museu, pesado e datado. Falo da La Clemenza di Tito, de Mozart, que está no Teatro Real de Madrid desde o dia 14 de Fevereiro. Por que razão trouxe Gerard Mortier esta encenação poeirenta para um teatro que não tem assim tantas récitas anuais que justifiquem explorar os restos do armazém? Porque é Mortier. Porque é um director artístico medíocre e arrogante, elevado a génio por meia dúzia de iluminados que acham que inovar é expor nus integrais no palco, promover obras e récitas de terceira categoria, de preferência com mensagens políticas, e destruir…perdão, “desconstruir” os clássicos. Nem é este um caso típico: a produção dos irmãos Ursel and Karl-Ernst Herrmann, velhos amigos do director, é até muito convencional. Demasiado convencional: não tem chama, não tem brilho, e os anos pesam como chumbo. Só Kate Aldrich, no papel de Sesto, e uma Vitellia com uma Non Piu de Fiori passável, salvaram a noite, levando o público, pouco exigente, a prestar-lhes uma longa ovação final, depois da fria, gélida!, reacção ao primeiro acto. Mas, com mais ou menos detalhes cintilantes, trazer isto ao Teatro Real de Madrid é um insulto. Mortier é um legado do Ministério da Cultura de Zapatero, e tem vindo a fazer um bom trabalho na destruição de um dos mais importantes teatros de ópera da Europa. Em Portugal, passou-se um fenómeno semelhante. Num par de anos, sob o governo do “engenheiro”, o São Carlos deixou de ser um teatro com alguma importância no contexto europeu e passou a ser uma anedota. Os socialistas gostam muito de fazer declarações de amor à cultura. Mas de boas intenções está o inferno cheio, e a cultura não é uma excepção nas práticas da esquerda: tudo o que toca, ou morre ou definha. Impunha-se por isso um pouco de contenção nos ataques às políticas culturais dos governos não-socialistas (ou menos socialistas). Chama-se a isso “ter vergonha na cara”.

Fevereiro 14, 2012

A velha utopia revolucionária

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 13:28

Milan Kundera, que sofreu na pele os efeitos do socialismo radical, disse que uma vida sem segredos, onde vida pública e privada são um só todo é um dos objectivos da velha utopia revolucionária, fascista ou comunista. Isto é muito simples: aquele que invade o espaço privado dos cidadãos, pode ter mais ou menos tiques totalitaristas, pode ser mais ou menos socialista, mas uma coisa não é de certeza: liberal. Se depois desta palhaçada do “enriquecimento ilícito” continuarmos a ouvir os lamentos de que ai!, o governo é neoliberal!, então sugiro que abram uma secção nas Novas Oportunidades dedicada à ciência e à filosofia política. Quanto aos mentores da lei, que devem estar muito orgulhosos da proeza, relembro que a democracia sem liberdade não é muito diferente de uma ditadura, e que os votos não lhes dão direito de devassar a vida das pessoas. Esperemos então que a Constituição ponha um termo a esta farsa, e que, no seguimento da reprovação, a Ministra da Justiça se demita e se afaste definitivamente do espaço público, já que não percebe onde está fronteira com o espaço privado.

Fevereiro 13, 2012

Há 129 anos

Filed under: Cultura,Religião,Videos — Carlos M. Fernandes @ 02:56

…, neste dia 13 de Fevereiro, Richard Wagner deu o último suspiro em Veneza, a cidade da morte. Ali mesmo, quinze anos antes, Wagner escrevera o segundo acto de Tristan und Isolde, a mais bela e completa obra de arte da idade contemporânea. Leonora, a anti-heroína da novela Entre Naranjos de Vicente Blasco Ibañez, viu o mestre nos seus últimos dias, lo vio cuando llegaba a Venecia para morir en el silencio de los canales, en aquella calma unicamente turbada por el golpe de remo, donde muchos años antes había creído perecer mientras escribía su Tristán, el himno a la muerte pura y libertadora. Para morrer em silêncio. Mild und leise.

Fevereiro 9, 2012

Sem temor nem preocupação

Filed under: Portugal — Carlos M. Fernandes @ 18:00

Segundo Walter Starkie, hispanista e viajante irlandês em terras espanholas, Marcos de Obregón terá dito que comer a costa de otra persona engorda demasiado, porque se come sin temor ni preocupación. Estava certo, o escudeiro Obregón, alter-ego de Vicente Espinel. Veja-se o Estado português, por exemplo. Comeu à custa dos contribuintes, engordou, engordou, e transformou-se num monstro obeso e ameaçador. E a obesidade mórbida não se resolve com mezinhas. Só uma dieta rigorosa pode atacar o problema. Resta saber se o actual governo é capaz de o fazer sem compaixão pelo monstro e por quem não sabe viver fora da sua sombra. Infelizmente, pelo andar da procissão, achamos que ainda não vai ser desta. Pouca coragem, uma ideologia de matriz socialista, e uma população amedrontada por décadas de doutrinação, que chora e berra quando suspeita de um desvio da rota de colisão, são os ingredientes certos para o desastre. Depois queixem-se quando isto explodir.

Condenado

Filed under: Diversos,Internacional,Justiça,Política — Carlos M. Fernandes @ 13:20

Última hora. O Supremo Tribunal considera que o juiz-estrela Baltasar Garzón é culpado de um delito de prevaricação, e condena-o a 11 anos de inabilitação (um golpe de misericórdia numa carreira já moribunda). Não, não foi pelo episódio dos crimes do franquismo, esse ainda está a ser discutido nas salas do tribunal. Foi por outro assunto, bem diferente, e agora vamos ver como é que a comunicação social portuguesa vai explicar isto.

Fevereiro 8, 2012

Nenhum imbecil analfabeto

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 17:36

(…) La lengua española. desde Homero, Séneca o Ben Cuzmán, hasta Cela y Delibes, pasando por Berceo, Cervantes, Quevedo o Valle-Inclán, no es algo que se improvise o se cambie en cuatro años, sino un largo proceso cultural cuajado durante siglos, donde ningún imbécil analfabeto – o analfabeta – tiene nada que decir al hilo de intereses políticos coyunturales. (…)

Arturo Pérez-Reverte, Cuando Éramos Honrados Mercenarios

Serve para a língua espanhola e para outras.

Fevereiro 7, 2012

Volta para casa da mamã

Filed under: Portugal — Carlos M. Fernandes @ 12:54

Era previsível. O Primeiro-Ministro atreveu-se a dizer que há muita pieguice em Portugal, e logo alguns portugueses fizeram questão de dar-lhe razão: levantaram-se amuados e agora é vê-los por aí a fazer beicinho. O que é risível neste capítulo — mais um — da choradeira nacional, são as tentativas, dos luso-calimeros, de prolongar as suas dores e angústias a todos os portugueses, insistindo numa putativa generalização por parte do Primeiro-Ministro, sem perceberem que a generalização está na reacção. Não, meus meninos, as palavras de Passos Coelho não foram dirigidas a todos os cidadãos. Foram mesmo só para quem enfia a carapuça.

Fevereiro 6, 2012

O progressismo como fonte inesgotável de divertimento

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 17:17

(…) «Los poderes públicos de Andalucía, en coordinación y colaboración con las entidades locales en el territorio andaluz, tendrán en cuenta la perspectiva de género en el diseño de las ciudades, en las políticas urbanas y en la definición y ejecución de los planteamientos urbanísticos».

(…) ¿Cómo se tiene en cuenta la perspectiva de género en el diseño de las ciudades y políticas urbanas? ¿Consultando los arquitectos a las asociaciones radicales feministas antes de trazar calles y plazas, para que les den permiso? ¿Procurando que los pasos de cebra no favorezcan a presuntos maltratadores? ¿Disponiendo aceras paritarias, unas para hombres y otras para mujeres, u obligando a circular por cada vía urbana al mismo número de ellos y ellas? ¿Rebautizando calles para que por cada nombre masculino haya uno femenino? ¿Patrullando con guardias y guardios que, cuando sean policía montada, cabalguen indiscriminadamente caballos machos y yeguas? ¿Procurando que entre los cartones y sacos de dormir que adornan los soportales de la Plaza Mayor de Madrid para deleite de turistas, haya el mismo número de mendigos y mendigas? ¿Que por cada grupo de mariachis, jazz band de ex bolcheviques, o rumano que hace música con vasos de agua, actúe una violinista búlgara, una orquesta de nigerianas o un grupo de mejicanas cantando Allá en el rancho grande? ¿Que cada perroflauta lleve el mismo número de perros que de perras, de flautas que de flautos? ¿Que en los parques juegue por decreto municipal la misma cuota de niños y niñas, y se mantengan turnos rigurosos para columpios y toboganes, con agentes que sancionen a padres y madres, abuelos y abuelas, que incumplan? ¿Que en cada zona de prostitución haya el mismo número de putas que de chaperos? ¿Que nos vayamos todos juntos y juntas a tomar por saco? (…)

Arturo Pérez-Reverte, aqui

Janeiro 31, 2012

Ide estimular para a estrada

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 14:30

Lemos, ouvimos, e não acreditamos. Continua o berreiro do keynesianismo do século XXI. Mais intervenção do Estado, mais “estímulos” à economia, mais investimento público. Mais aeroportos de Beja, supomos. Ou seja, mais daquilo que levou Portugal – e meia Europa – a um buraco do qual vai demorar muito tempo a sair. Os rapazitos do punho cerrado continuam a gritar por mais! Como se fôssemos todos idiotas. Como se fôssemos uma fonte de dinheiro inesgotável para as suas fantasias. Temos uma notícia de última hora: não somos. Nem idiotas, nem uma fonte de dinheiro para as aventuras socialistas. Por isso sugiro que solicitem uma contribuição voluntária aos militantes do partido. Para estimular a economia. Para fazer obras, necessárias ou desnecessárias, nas sedes, pagar anúncios de meia hora em todos os canais de televisão (pode até ser para defender o neo-keynesianismo, afinal a liberdade de expressão é um conceito lato, abrange todos os disparates e até a defesa do roubo institucionalizado), construir um heliporto no Rato, comprar um carregamento de canetas e blocos de notas para os próximos congressos, ou um cabaz de Natal para cada português, ou um carro para cada português, ou o raio que os parta. O que quiserem. É à vontade do freguês, desde que ponham o dinheiro onde põem a boca. Não há contribuições voluntárias? Cobrem á força: o dízimo, ou a expulsão do partido. Se sabem fazê-lo a todos os portugueses, com certeza que não se vão atrapalhar a cobrar o imposto keynesiano aos seguidores de tão solidária ideologia. E ficamos todos mais felizes. Claro que não deixarão de ser uns bandoleiros de estrada que, no fundo, só buscam, no fim do arco-íris, o seu pote de ouro (uma ponte ou um aeroporto costumam garantir boas carreiras pós-política). Quem nasce leitão morre marrano. Mas assim, os krugmanzinhos da metrópole, na falta de uma guerra nuclear ou de uma invasão de extraterrestres, já podem brincar aos “estímulos” sem meter a mão no bolso do próximo.

Janeiro 29, 2012

Recomenda-se magnésio

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 21:32

A jornalista que escreve esta notícia parece estar muito atenta ao que se passa em Madrid mas “esquece-se” de referir o processo no qual Garzón já está a ser julgado – possível violação da confidencialidade da relação advogado-cliente –, e a trama pela qual vai ser julgado em breve, aquela que pode pôr em causa a sua reputação, mesmo entre aqueles que ainda idolatram o vaidoso herói: favores ao Banco Santander depois desta instituição, de acordo com a acusação, ter financiado  o seu período sabático em Nova Iorque.  Enfim, não é nada a que já não nos tenhamos habituado com o Público desde há algum tempo, quando o “jornal de referência” começou a sua queda vertiginosa no sentido da mediocridade.

Nota: dizem-me que a RTP, ao noticiar a mui progressista manifestação de Madrid, também se esqueceu de metade da história. É o “serviço público”, meus senhores.

Janeiro 27, 2012

Mozart, 256 anos

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 16:25

Esteve apenas 35 anos entre nós e deixou-nos um mundo diferente.  Foi Mozart, Rex tremendæ maiestatis.

Janeiro 24, 2012

Levantar a feira e deixar as sobras

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 17:14

As recentes declarações do presidente Cavaco Silva, como se não fossem já suficientemente ridículas, deram ensejo a uma euforia nas fileiras das causas monárquicas, que parecem ter avaliado a triste figura do chefe de Estado como o impulso necessário a uma discussão sobre a natureza do regime (uma discussão legítima e que deve ter lugar numa sociedade aberta, mas quiçá com outros pretextos, menos mesquinhos e menos simplistas) e o ponto de viragem na opinião pública sobre a melhor estrutura política para Portugal. Em Espanha, por motivo de um escândalo financeiro que corrói as entranhas da Casa Real, há um burburinho parecido mas apontado ao outro flanco, e há já quem esfregue as mãos de contentamento com a perspectiva de ver o país metamorfoseado numa república federal. Mudar, mudar e mudar, sem olhar para os mecanismos fundamentais do regime, sem questionar os alicerces que favorecem a emergência dos parasitas do sistema; é este o desporto favorito da Península. Uma mudança fátua, claro, como tudo o que nasce de clubismos. Nestas guerrinhas pós-ideológicas só importa a genealogia de quem beijamos a mão. E um povo habituado a dobrar a espinha vai passar a vida de joelhos, seja diante de um presidente ou de um rei. Não admira que estejamos em estado catatónico.

Janeiro 20, 2012

Bom para os ursos

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 20:03

Num par de dias, descubro que há uns “artistas” portugueses que querem cobrar uma comissão por cada disco que eu compro para guardar o meu trabalho, e que o presidente da república que me emite o passaporte acha muito bem ser uma das excepções à regra que deixou funcionários públicos e pensionistas sem duas pagas. E acha bem porque, diz o “artista”, 1300 euros não suficientes “para pagar as despesas”.  Agora, se me dão licença, vou ali tentar hibernar. Durante umas décadas. Acordem-me quando o ar estiver mais respirável.

Janeiro 18, 2012

Povo de parvos costumes

Filed under: Nanny State Watch — Carlos M. Fernandes @ 16:35

Com Portugal na bancarrota e sem sinais claros de mudanças no sentido da liberdade e responsabilidade individuais, há cidadãos que se entretêm a pedir embalagens de açúcar mais pequenas. (Isto depois de, há alguns dias, ter sido noticiado que a petição para a abolição das touradas liderava a lista de petições públicas.) Resistimos a generalizar e a dizer que os portugueses merecem todos os males que lhes caíram no lombo; o país é um circo de feminazis, higieno-fascistas e ecologistas-da-natureza-de-peluche, mas nem todos se identificam com estas cruzadas pela moral e bons costumes. No entanto, não resistimos a deixar uma mensagem a estes cidadãos tão empenhados em civilizar-nos: metam-se nas vossas vidas! Está bem?

Janeiro 7, 2012

Memória

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 12:56

Nas lendárias e agrestes terras de Castela, entre os pastores, havia (ou há) o hábito de gravar a história de uma família num cajado de madeira. Passo a explicar. Primeiro, o pastor cinzela o seu nome no cajado, e logo os nomes dos seus pais. Quando se casa, depois de um ancestral ritual de cortejo no qual o bastão é o actor principal, ajunta o nome da mulher e dos pais desta. Os filhos, quando chegam a este mundo, também têm um lugar reservado no bastão, e, quando crescem, aprendem as letras de um alfabeto talhado na mesma madeira pelo pastor. Hoje, já não se escreve em papel, muito menos na madeira, quase eterna. Há cada vez mais informação virtual, e, por isso, invisível e efémera; evapora-se como a feromona de uma colónia de formigas em decadência. Quando perdermos o rasto dos nossos antepassados, rasto deixado num cajado, numa biblioteca, ou numa simples mensagem num postal, perdemos a memória. E, como dizia Luís Buñuel, ainda que num contexto mais personalizado: Viver sem memória, não é vida. (…) a nossa memória é a nossa coerência, a nossa razão, o nosso sentir, até as nossas acções. Sem memória não somos nada.

colecção privada

Janeiro 2, 2012

1492

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 16:59

Hoje, em Granada, celebra-se a tomada da cidade pelos Reis Católicos: no dia 2 de Janeiro de 1492, Boabdil, o sultão, entregou a Alhambra a Fernando e Isabel e partiu. Diz a lenda que o último Nasrid da Andaluzia, na sua fuga rumo ao Sul, parou por uns momentos numa colina, olhou para trás, para o reino perdido, e chorou. A mãe, implacável, disse-lhe: agora choras como uma mulher sobre aquilo que não pudeste defender como um homem. (Presume-se que a brigada do politicamente correcto perdoa esta blasfémia multiculturalista.)

Passaram mais de quinhentos anos desde esse “suspiro do mouro”. Houve um breve período de exílio nas Alpujarras, mas logo os Reis Católicos trataram de terminar o processo de expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica. Ficaram os genes e os hábitos, factores pouco receptivos a limpezas étnicas. E passaram os tais quinhentos anos. Parece muito tempo, mas na realidade, é um instante. O legado mourisco continua bem vivo na Andaluzia Oriental: na gastronomia, no idioma, nos costumes e até na religião. E como a Andaluzia é uma caricatura da cultura latina, um esboço simplificado de traços exagerados, quem quiser perceber essa mesma cultura tem que olhar com muita atenção para este pedaço de terra encravado entre a Europa e África. Quem o fizer vai perceber que os conceitos de “catolicismo” ou “europeu”, isolados, não têm lugar aqui, são apenas atalhos escuros e sinuosos para um conhecimento deturpado do Mediterrâneo Norte. A Andaluzia, e, consequentemente, a cultura latina, só são compreensíveis quando se introduz o al-andalus na equação. Sem juízos de valor.

Dezembro 28, 2011

Violência linguística

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 03:13

A nova ministra espanhola da Saúde atreveu-se a violar as normas do neo-castelhano, uma das mais divertidas heranças dos anos Zapatero, e a carga da brigada progressista não se fez esperar: querem obrigar a ministra a escrever cem vezes, no quadro, “violência machista”. Agora resta saber se, quando um casal de lésbicas embarca num desses festivais de bofetadas e outras agressões que termina invariavelmente na esquadra e no hospital, utilizamos o termo “violência feminista”, ou se podemos usar o menos neutral “violência feminazi”.

Dezembro 22, 2011

Um país de meninos (2)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 01:54

A culpa, segundo Milan Kundera, é de Homero, quando glorificou a nostalgia por meio de uma coroa de louros e estipulou assim uma hierarquia moral dos sentimentos. Isto é, Ulisses preferiu voltar ao conhecido (Ítaca, Penélope) e deixar a exploração apaixonada do desconhecido (Calipso). E assim nasce uma cultura mediterrânica colada à terra: partir com a volta em aberto é apenas o último recurso de um desesperado. Chora-se a distância do pastel de nata e do pastel de bacalhau, do sol e do mar. E a terra, a família ou os filhos servem de escusa, ou mesmo argumento de autoridade, para a imobilidade e passividade (como na patética e arrogante carta ao Primeiro-Ministro que anda por aí, na qual se pede que todos paguem as opções pessoais de alguns, como se estas opções fossem inerentemente acertadas, uma “estrada real” que leva à glória e aos “direitos adquiridos). Os filhos, coitadinhos, não podem ser afastados dos seus amigos, das suas raízes, da sua escola, e se calhar o melhor é procurar já uma casinha para o petiz, no mesmo bairro e, de preferência, no mesmo prédio dos papás, não vá ele um dia sentir a falta do calor das coisas familiares. É um cenário muito ternurento, sem dúvida. Mas há um problema. A tragédia, para toda esta gente, é que o mundo não pára e ao nível das sociedades e das culturas também há uma co-evolução darwinista e um efeito Rainha Vermelha. E uma cultura, ou se adapta, ou morre. Por muito que gritem e esperneiem os meninos mimados.

Dezembro 21, 2011

Zappa (21 de Dezembro de 1940 – 4 de Dezembro de 1993)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 16:51

Dezembro 18, 2011

Um país de meninos

Filed under: Economia,Educação,Nanny State Watch,Política,Portugal — Carlos M. Fernandes @ 17:44

O Primeiro-Ministro, respondendo a uma pergunta de um jornalista,  disse aquilo que é evidente para qualquer pessoa com mais do que uma sinapse funcional e sem sintomas do sindroma mui latino “nascer, viver e morrer no mesmo bairro”: que, num mercado a definhar, a maioria dos candidatos a professor só pode emigrar ou mudar de negócio. As reacções, são as habituais: gritos, olhos esbugalhados e mãos nos cabelos. Enfim, birrinhas de crianças histéricas e mimadas. Meio Portugal é um bando de meninos e meninas que não quer (e não sabe) sair do regaço da mãe.

Dezembro 12, 2011

Licença para dançar

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 17:07

Numa carta de 27 de Dezembro de 1873, Lewis Carroll, em resposta a Gaynor Simpson, que o inquiria sobre os seus dotes de bailarino, escreveu:

As to dancing, my dear, I never dance, unless I am allowed to do it in my own peculiar way. There is no use trying to describe it: it has to be seen to be believed.

Não sabemos se o senhor Nunes, director da ASAE e uma das personagens mais ridículas (ainda que perigosas) do regime, dança ou não. Mas passamos a saber que os outros só podem dançar ao sabor dos seus caprichos e de acordo com a sua peculiar maneira.

Dezembro 9, 2011

O Leopardo

Filed under: Diversos,União Europeia — Carlos M. Fernandes @ 13:15

Quando vim para Granada pensei que ia ouvir Flamenco em cada esquina. Enganei-me. No princípio andava pela cidade em busca dos sinais de uma buleria ou de um fandango, do som de um cajón ou do timbre de uma dessas guitarras que são feitas por mãos vagarosas na Cuesta de Gomérez, entre a Plaza Nueva e a Alhambra. Não encontrei. É preciso estar com muita atenção, ou então ir aos limites clássicos e perenes da cidade, ao lendário Sacromonte. Mas mesmo assim, mesmo no bairro mais cigano de Granada, casa de algumas das mais ilustres famílias do Flamenco andaluz, há que fintar as camionetas de turistas e os rebanhos de japoneses levados pelo pastor. As novas gerações não sabem o que é o Flamenco, nem querem saber. Preferem pastilhas, cocaína e ruído. Vão ao sabor da horda. Julgam-se hedonistas e únicos, individualistas, mas não são mais do que uma parte suprível de um horrendo organismo sem cabeça.

Quem for a Lisboa a pensar que vai ouvir Fado em cada esquina engana-se. O verdadeiro, aquele que cheira a vinho e tabaco, que corta como uma navalha da Lisboa desaparecida, está escondido, bem escondido, para que a “modernidade” não o esmague definitivamente. É um ritual para mestres e iniciados. Sobra o Fado limpinho, lamechas, amálias de quinta categoria que cantam para turistas apressados. As novas gerações passam ao lado do Fado. Preferem pastilhas, cocaína e ruído…

Quem vai a New Orleans a pensar que vai escutar Dixieland em cada esquina…acerta. A cidade vive do jazz, respira jazz, transpira jazz. E não apenas no bairro francês, para turista ver. Entremos no temível Tremé e ouçamos as multitudinárias bandas de metais, o Tio Lionel ou, se tivermos sorte, Kermitt Ruffins. Entremos numa dança de segunda linha (second line dancing), de Carnaval, de uma simples festa, ou de um dos funerais atípicos de New Orleans, e sigamos pelas ruas até à exaustão. Sim, New Orleans é música, a sua música, a que nasceu no delta do Mississipi e nos bayous. Diz-se, no entanto, que os americanos são ignorantes, que não têm cultura, que destroem tudo aquilo em que tocam, e que não sabem qual é a capital da Estónia. Os europeus, esses, julgam-se os guardiões da cultura ocidental, o acme da civilização. Talvez porque têm muitas comissões e comités-de-defesa-de e organismos-para-a-promoção-de. Ou talvez porque se revêem na imagem daquela senhora de pele branca como uma máscara fúnebre, carrilhos ligeiramente rosados que não disfarçam a palidez, espartilho a esconder carnes frouxas e uma peruca poeirenta a cobrir a cabeleira escassa, que demora mais tempo a vestir-se do que tarda o Anel de Wagner, e que vai para o teatro com binóculos atrevidos, mais preocupada com o que se passa nos camarotes do lado do que com o palco. A senhora morreu e ainda ninguém a avisou.

Roma, 2011

Dezembro 7, 2011

Notícias do socialismo em Portugal

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 18:39

A semana política, em Portugal, tem sido divertida, sim senhor. Tivemos o meta-socialismo do líder da oposição, as trapalhadas e a desonestidade (crónica) de um deputado busca-vida, e agora, como uma cereja no topo do bolo, as confissões de um “engenheiro” em Paris, já conhecido como o caloteiro da Sorbonne. Fica o aviso: eles andam aí, à espera de melhor sangue para fincar o dente. Que é como quem diz, à espera de uma época de bonança para recomeçar o regabofe socialista. (Suspeito que, com o estrago que fizeram da última vez, vão ter que esperar mais tempo do que o habitual. Tenham paciência. Ou vergonha.)

Espanha, 2011

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 08:44

“¡Es mi casa, voy a entrar a mi casa”, se lanza embravecido el dueño, y choca contra los policías, que le impiden seguir avanzando.

Dezembro 1, 2011

Notícias do circo luso

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 19:51

Estes crimes que vitimaram três prostitutas e que têm em comum o facto de o assassino as ter esventrado, levando parte dos intestinos, fígado e coração, já prescreveram em 2008 mas há pistas sobre outros mais recentes que conduziram à detenção, avança o semanário Solna sua edição online.

O sistema de justiça português é uma palhaçada e todos os que contribuíram e contribuem para a situação miserável em que se encontra uma das funções essenciais do Estado (mínimo ou máximo) deviam cobrir a cara de vergonha.  Este é o principal cancro do regime, e os seus agentes são as primeiras células malignas que devem ser extirpadas. Enquanto isso não acontecer, Portugal será um país intrinsecamente liberticida e pobre.

Novembro 28, 2011

Genocídio perroflauta

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 20:09

(…) El caso es que esos inquilinos por la kara estaban instalados en la antaño gongorina y ahora ruinosa morada, gozando de pleno derecho las innumerables facilidades que la Justicia española en general y el Ayuntamiento de Madrid en particular prestan a esta suerte de bonitas iniciativas populares. Pero siempre hay un pelo en la sopa. En ésas, algún propietario desesperado, impaciente, y si rascamos un poco seguro que fascista, racista, machista, violento, homófobo y misógino - etiquetas que en España suelen atribuirse en bloque a cualquiera que no se baje los calzones y ofrezca el ojete sin rechistar – debió decidir que aquella situación la solucionaba él a título personal, por el artículo catorce. Así que cuatro individuos fornidos tiraron la puerta, cogieron a los okupas en brazos y los sacaron a la calle. Acto reprobable, éste, que acogiéndome a la retórica al uso me apresuro a calificar -conste en acta para que no haya dudas sobre mi punto de vista ético- de terrorismo urbano. Incluso de genocidio perroflauta. (…)

Arturo Pérez-Reverte, Okupando a Góngora

Bater no fundo

Filed under: Humor — Carlos M. Fernandes @ 19:41

A poucos dias da despedida, a doutrina progressista do PSOE de Zapatero e o delírio das feminazis do presidente ainda conseguem atingir níveis estratosféricos na escala do ridículo. Agora inventaram um selo de garantia para o cinema que atesta o cumprimento de todas as normas definidas pela ideologia do género. Enfim, tudo isto já só nos faz rir.  E, quando um devaneio ideológico diverte mais do que indigna, sabemos que a sua morte está ao virar da esquina.

El Instituto de la Cinematografía y Artes Audiovisuales (ICAA) ha introducido una nueva categoría en la calificación de películas, novedosa en el contexto internacional, con el fin de fomentar y de reforzar la igualdad de género, según ha informado el Ministerio de Cultura a través de un comunicado. La nueva categoría es: «Especialmente recomendado para la igualdad de género».

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