É possível que Beethoven tenha cultivado as suas excentricidades de conversação e trato como um trunfo social. Beethoven era recebido como amigo em casa das mais nobres famílias de Viena. Tinha mecenas dedicados e generosos, mas as relações que mantinha com eles eram muito diferentes das que existiam entre Haydn ou Mozart e os seus patronos: durante a maior parte da vida Haydn usou uma libré de lacaio, e Mozart foi um dia expulso de casa do arcebispo por um secretário. Beethoven não se curvava perante os príncipes para obter os seus favores; tratava-os com independência e ocasionalmente até com extrema rudeza, ao que eles reagiam, encatados, com propostas de apoio financeiro. Como o próprio Beethoven disse um dia, «é muito bom conviver com aristocratas, mas é preciso saber como impressioná-los». [...] Deste modo. conseguiu deixar ao morrer, um património relativamente avultado e, mais importante do que isto, nunca se viu obrigado a escrever música por encomenda e raramente teve de cumprir prazos. [...] E precisamente por Beethoven escrever para si mesmo – ou seja, para um público ideal, e não para um mecenas ou para um função imediata e bem definida – é que a sua música tem um cunho tão pessoal [...]
História da Música Ociedental, Donald J. Grout e Claude V. Palisca, Gradiva, pags. 555-556.
Afinal parece que é possível criar em plena liberdade sem o apoio do Estado.