O Insurgente

Maio 11, 2008

Futebol

Arquivado como: Desporto, Media, Portugal — Rui Oliveira @ 10:02 pm

Muito recomendável a coluna de António Barreto de hoje no Público a propósito do futebol. E não apenas pelo que diz sobre o caso do F. C. Porto, mas também pelo que diz sobre aquele programa absolutamente inqualificável chamado “Liga dos Últimos”.

O Futebol Clube do Porto está a pagar. Começou, há vinte ou trinta anos, por ser um intruso. Apenas tolerado. Depois, transformou-se no clube dominante. O seu peren presidente teve os comportamentos que se lhe conhecem: inteligente, competente, autoritário, organizado, irascível e déspota. (…) Ora, não é admissível que um clube da segunda cidade e do Norte provinciano exerça uma hegemonia quase sem falhas. Tarde ou cedo, o Porto haveria de pagar.

Mas o que António Barreto diz sobre a “Liga dos Últimos” é, para mim, igualmente certeiro, pois nunca consegui achar piada ao programa.

Poderia pensar-se que o programa faz parte da nova “grelha” da RTP, da sua estratégia e das suas novas concepções que preconizam uma televisão popular e divertida, em poucas palavras, uma verdadeira “televisão para todos”, um “verdadeiro serviço público”. O que resulta é, além de paradoxal, confrangedor. Não apenas intelectualmente, mas sobretudo social e moralmente. É uma hora de autêntico desprezo social pelos aldeões, pelos provincianos, pelos pobres, pelos gordos, pelos mais velhos, pelos ignorantes e pelos analfabetos. Que, aliás, se oferecem em espectáculo de escárnio. É uma espécie de “racismo social”: coitados, tão estúpidos, mas praticam futebol! São tão puros! Tão autênticos!

Abril 1, 2008

A imigração é benéfica?

Arquivado como: Internacional, Política, União Europeia — Rui Oliveira @ 10:34 am

Sempre que ouvimos falar de imigração, é costume dizerem-nos que ela é benéfica, vem desenvolver o país, etc. No entanto, hoje, das ilhas britânicas chega-nos uma notícia diferente.

Assim, no Reino Unido, onde o fenómeno tem dimensões que não tem em Portugal, devido à política aberta de imigração dos governos trabalhistas, saiu hoje um relatório redigido por uma comissão da Câmara dos Lordes, que, segundo o resumo feito pelo The Telegraph, conclui que o Reino Unido não beneficiou com esta imigração maciça:

The number of immigrants entering Britain should be capped, an influential House of Lords committee has warned.

Its analysis concludes that record levels of immigration are bringing no economic benefit to the country.

(mais…)

Março 27, 2008

Dislates onusianos

Arquivado como: Comentário, Internacional — Rui Oliveira @ 2:19 pm

Aquele órgão das Nações Unidas completamente inútil que se chama Conselho de Direitos Humanos, que substitui um outro órgão também completamente inútil (chamada Comissão de Direitos Humanos), quer bater o recorde da sua antecessora e ficar desacreditado em muitos menos anos do que ela.

Para se ver o funcionamento desta sinistra entidades, peguemos em duas notícias, a propósito das acções deste órgão em duas questão internacionais: Tibete e Israel.

Segundo o Público, o Conselho de Direitos Humanos da ONU não prevê discutir a situação no Tibete. A notícia é mais do que explícita:

Em declarações à AFP, um diplomata europeu confirmou as denúncias, revelando que antes da sessão de ontem “o embaixador chinês preveniu os europeus para evitarem fazer declarações” sobre os abusos no Tibete. O diplomata explicou que, além da pressão directa sobre os seus parceiros ocidentais, Pequim conta com a solidariedade de outras nações asiáticas e de países africanos, com quem tem relações comerciais privilegiadas.

Dos 47 países representados no Conselho, criado em Junho de 2006 para substituir a ineficaz Comissão, 13 são africanos e outros 13 asiáticos – uma situação que Pequim tem sabido usar para evitar críticas à situação dos direitos humanos no país. Da mesma forma, Pequim tem-se solidarizado com várias nações africanas, como é o caso do Sudão, seu principal parceiro económico na região, condenado pelo conflito étnico em Darfur.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU encerra amanhã as quatro semanas de sessão plenária, estando prevista para amanhã a adopção de uma série de resoluções. Nenhuma menciona a situação no Tibete. “Apenas três países nos disseram que estariam prontos a apoiar a ideia de uma sessão extraordinária sobre o Tibete”, lamentou Julie Gromellon.

Por outro lado, o mesmo Conselho decidiu nomear para investigador das políticas de Israel nos territórios palestinianos um judeu americano que comparou, anteriormente, as acções de Israel com a dos nazis. Ou seja, um idiota útil. Aqui, esta caricatura de entidade minimamente séria nem se deu ao trabalho de querer parecer imparcial.

Como de costume, nestes últimos tempos, só um país, o Canadá (que melhorou muito neste aspecto, devido ao seu governo conservador) é que esteve à altura. A UE, mais uma vez, anda por lá a fazer figura de corpo presente.

Canada, a member of the Human Rights Council, questioned the appointment of Falk. “Canada has serious concerns about whether the high standards established by the council…will be able to be met by this individual,” said Marius Grinius, the Canadian delegate.

Nisto tudo há para mim um mistério. Por que é que países democráticos entram nestas palhaçadas da ONU. Já está visto que, quer a Comissão, quer o Conselho de Direitos Humanos não funcionam. Este Conselho é selectivo, só algumas causas é que são mencionadas (a dos palestinianos quase que monopoliza o Conselho), parecendo não haver outras causas ou problemas de direitos humanos no mundo.

Até agora, este Conselho tem sido de uma total irrelevância. Mas, se calhar, é isso mesmo que se pretende.

Março 23, 2008

Sinais do tempo

Arquivado como: Comentário, Cultura, Diversos, Educação, Internacional — Rui Oliveira @ 9:10 pm

As universidades inglesas vão deixar de propor licenciaturas em “women’s studies”, embora alguma continuem a ter os “women’s studies” em pós-graduação, segundo este artigo Farewell to ‘predictable, tiresome and dreary’ women’s studies.

Já, agora, sobre o assunto aconselho a leitura deste blog.

Março 22, 2008

Langue de bois

Arquivado como: Comentário, Educação — Rui Oliveira @ 12:30 am

Penso que a maioria das pessoas que lê este blog conhece a expressão francesa “langue de bois”. Segundo a Wikipedia francesa

La langue de bois (appelée parfois humoristiquement xyloglossie, du grec xylon : bois et glossos : langue) est une figure de rhétorique consistant à détourner la réalité par les mots.

C’est une forme d’expression qui, notamment en matière politique, sert à dissimuler un manque d’informations précises sur un événement ou un projet, en proclamant des banalités soit abstraites et pompeuses soit jouant sur les sentiments plus que sur les faits.

Foi exactamente isto que me lembrou quando vi esta entrada no Do Portugal Profundo, em que é transcrita uma passagem, realçada por um comentador desse blog, da avaliação feita à escola Carolina Michaëlis em Novembro de 2007 avaliação essa que pode ser integralmente lida aqui). E o que diz essa passagem? Somente isto:

1.3 Comportamento e disciplina

Em regra, os alunos têm um comportamento disciplinado, conhecem e cumprem as regras de funcionamento da Escola. Reconhecem e aceitam a autoridade. Convivem e estabelecem um bom relacionamento entre si, com o pessoal docente e não docente e com a direcção. Há uma preocupação dos diferentes órgãos, bem como do pessoal docente e não docente, em garantir um ambiente de tranquilidade e de disciplina propiciador da aprendizagem e da convivência. O corpo docente está fortemente empenhado em incutir mais regras de trabalho na sala de aula e em prevenir e combater pequenos focos de indisciplina, nas turmas que tenham alunos mais problemáticas, nomedamente nos CEF. As situações mais problemáticas são tratadas de imediato pelo Conselho Executivo e pelo gabinete do aluno procurando-se respostas rápidas e eficazes.

Desculpem lá, mas isto não quer dizer nada e, muito menos se reporta a uma situação real. Provavelmente este texto poderia servir como “chapa 5″ para muitíssimas escolas. Toda a gente sabe que estes tipos de documentos são escritos naquilo que se pode chamar de “linguagem controlada”. Têm que respeitar determinadas convenções, certas palavras assumem um significado muito preciso neste contexto, etc. Mas, o que é dito na avaliação é, pura e simplesmente, blá-blá. E não digo isto tendo como base o recente caso, que só foi caso porque alguém decidiu filmá-lo e colocá-lo na rede.

A minha filha mais velha anda no 3.º ciclo do ensino básico numa outra escola do Porto, considerada como escola sossegada e, no entanto, insultos, insolências e indisciplina acontecem com maior frequência do que o desejável. Não sei que avaliação a escola teve, mas não me admirava que não fosse muito diferente do palavreado acima.

O que eu extraio deste parágrafo é somente o seguinte: dentro do conjunto das escolas portuguesas, no aspecto da disciplina, esta escola não será das piores. Mas para isso não precisavam de escrever tantas linhas.

Março 19, 2008

O problema de Obama

Arquivado como: Comentário, Internacional, Política — Rui Oliveira @ 6:23 pm

Ontem, Obama teve que fazer um discurso para ver limitava os danos feitos pela divulgação dos discursos racistas proferidos pelo pastor da igreja a que Obama pertence, o Rev. Jeremiah Wright.

É claro que, como de costume, houve (os convertidos) quem achasse o discurso brilhante, comparando-o com Lincoln ou Kennedy, mas depois de lido e ouvido, não tenho, nem de longe, nem de perto, a mesma opinião.

Além disso, houve uma passagem que me desagradou profundamente, que foi quando comparou as declarações racistas do Rev. Wright com o medo que a sua avó branca teve de um negro que passou por ela. Disse Obama:

I can no more disown him than I can disown the black community. I can no more disown him than I can my white grandmother — a woman who helped raise me, a woman who sacrificed again and again for me, a woman who loves me as much as she loves anything in this world, but a woman who once confessed her fear of black men who passed by her on the street, and who on more than one occasion has uttered racial or ethnic stereotypes that made me cringe.

A comparação é completamente absurda, como já bem o notaram blogs como Gateway Pundit ou Melanie Phillips, por exemplo. Tal como diz esta última:

Yes, Obama is a person who would trash his own grandmother to gain the American presidency!

Mas, pior do que isso, parece que Obama generalizou o discurso da avó a partir de um acontecimento muito concreto, descrito no seu livro Dreams from My Father: A Story of Race and Inheritance, pp. 88-91. A comparação entre o que foi dito no discurso de Obama e o relato feito pelo mesmo Obama no referido livro pode ser vista nesta entrada de Steve Sailer. Não me parece que Obama fique muito bem na fotografia.

Mickey Kaus realça alguns dos problemas do discurso de Obama. Sinceramente, não sei se Obama conseguiu ultrapassar este problema, ma, francamente, o discurso não impressiona. E o facto de ter metido a avó a despropósito, numa falsa analogia, ao barulho, comparando-a com alguém que é racista, diz-me que este é um homem em que não posso confiar.

De qualquer modo, são os americanos que têm que ajuizar sobre o assunto.

Coisas verdadeiramente importantes

Arquivado como: Internacional, Política, Sondagens — Rui Oliveira @ 2:00 pm

McCain à frente nas sondagens.

Segundo uma sondagem da Reuters/Zogby, se as eleições fossem neste momento, John McCain venceria, pois lidera por 46/40 contra Obama e 48/40 contra Clinton.

Março 13, 2008

Pretextos

Arquivado como: Comentário, Médio Oriente, Nanny State Watch, Religião — Rui Oliveira @ 3:54 pm

Inaugura-se hoje, com a presença de Shimon Peres, o “Salon du livre de Paris” que terá a literatura israelita como convidada de honra. Foi quanto bastou para haver o boicote de vários países árabes e muçulmanos, alegando o tratamento dado pelos israelitas aos palestinianos (bem, não sei se eles estavam a pensar neste tipo de tratamento que os israelistas deram a uma mãe palestiniana - devem ser uns genocidas muito maquiavélicos para ajudarem uma mãe em dificuldades a ter gémeos).

No entanto, para mim, o que está em causa é, antes de mais, a própria existência de Israel. Os países árabes já demonstraram à saciedade que se estão a marimbar para a sorte dos Palestinianos, como se comprava pelo facto de durante 20 anos, o Egipto e a Jordânia terem ocupado a Faixa de Gaza e a Cisjordânia e não as terem desenvolvido, bem pelo contrário. O problema dos países árabes e muçulmanos é, pura e simplesmente, a existência de Israel. Tudo o resto é conversa.

Não se pode negar as difíceis condições em que vivem actualmente os palestinianos. Mas será que, alguém no seu perfeito juizo, acredita que Israel quer praticar um genocídio na Palestina? Fracos genocidas, todos os anos a população palestiniana aumenta.

Mas será, também, solução entregar terra por paz? Já se viu que não funcionou, pois movimentos como o Hamas só desejam a destruição de Israel. Não é possível negociar com essa gente. Queriam que Israel estivesse quieto deixando os foguetes caírem em Sderot ou os bombistas suicidas entrarem em Israel?

A solução um país, dois povos é completamente utópica, própria de quem acredita em contos de fadas e na teoria do bom selvagem.

Este conflito no Médio Oriente só poderá ser resolvido no dia em que os árabes (e os mulçumanos em geral) aceitarem a existência de Israel. Sem esse primeiro passo, não estou a ver como alguma vez o conflito ser resolverá. A causa palestiniana tem sido, ao longo dos anos, apenas um pretexto para hostilizar Israel, nem que seja num salão de livros.

Março 12, 2008

“did I mention that Spitzer is a Democrat?”

Arquivado como: Comentário, Internacional, Media, Política, Portugal — Rui Oliveira @ 10:50 am

Em vários artigos publicados no LGF o autor acaba esses artigos com esta frase. Porquê? Porque muita da comunicação social americana, quando começaram a noticiar este escândalo, não referiam (ou referiam em menções laterais quase escondidas) que este senhor governador de Nova Iorque era do Partido Democrata.

Parece-me que o Diário de Notícias segue pelo mesmo caminho em notícia assinada por Manuel Ricardo Ferreira. Não me lembrocomo é que o Diário de Notícias noticiou o caso do senador Larry Craig, mas, provavelmente, não se eximiu de referir que se tratava de um senador republicano.

Ora, este Eliot Spitzer, quando procurador-geral de Nova Iorque também foi um moralizador, o “Mr. Clean”, como se pode verificar nesta notícia, que acabou por provar do seu próprio veneno.

On Wall Street, where Spitzer built his reputation as a crusader against shady practices and overly generous compensation, cheers and laughter erupted Monday from the trading floor when news broke of his potential ruin.

Many in the financial industry had long complained that the man known as “Mr. Clean” and the “Sheriff of Wall Street” was a sanctimonious bully who was just trying to advance his political career. Many Wall Streeters were delighted to see him get his comeuppance.

“The irony and the hypocrisy is almost too good to be true,” said Bryn Dolan, a fundraiser who works with many Wall Street employees. “If he had any shame, he would’ve already resigned.

Quando se usa a moral e bom costumes, o afirmar como o impoluto que combate todos os outros, que são corruptos, acaba-se po, muitas vezes, cair na sua própria rede.

Agora não percebo é porque a comunicação social tem relutância em dizer a que partido o senhor pertence. Ou será que, nos Estados Unidos, apenas os republicanos podem ser hipócritas?

Blog em WordPress.com.