Autonomia (4)

É possível que Beethoven tenha cultivado as suas excentricidades de conversação e trato como um trunfo social. Beethoven era recebido como amigo em casa das mais nobres famílias de Viena. Tinha mecenas dedicados e generosos, mas as relações que mantinha com eles eram muito diferentes das que existiam entre Haydn ou Mozart e os seus patronos: durante a maior parte da vida Haydn usou uma libré de lacaio, e Mozart foi um dia expulso de casa do arcebispo por um secretário. Beethoven não se curvava perante os príncipes para obter os seus favores; tratava-os com independência e ocasionalmente até com extrema rudeza, ao que eles reagiam, encatados, com propostas de apoio financeiro. Como o próprio Beethoven disse um dia, «é muito bom conviver com aristocratas, mas é preciso saber como impressioná-los». [...] Deste modo. conseguiu deixar ao morrer, um património relativamente avultado e, mais importante do que isto, nunca se viu obrigado a escrever música por encomenda e raramente teve de cumprir prazos. [...] E precisamente por Beethoven escrever para si mesmo – ou seja, para um público ideal, e não para um mecenas ou para um função imediata e bem definida – é que a sua música tem um cunho tão pessoal [...]

História da Música Ociedental, Donald J. Grout e Claude V. Palisca, Gradiva, pags. 555-556.

Afinal parece que é possível criar em plena liberdade sem o apoio do Estado.

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E pur si muove!

Afinal, embora muito a custo, até os cientistas que acreditam no aquecimento global antropogenético reconhecem que a temperatura da superfície da Terra não subiu entre 1998 e 2008, embora não saibam bem porquê.

Através do blog Watts Up With That, cheguei a este artigo “Reconciling anthropogenic change with observed with observed temperature 1998-2008″ (numa publicação com peer review) os autores começam assim:

Given the widely noted increase in the warming effects of rising greenhouse gas concentrations, it has been unclear why global surface temperatures did not rise between 1998 and 2008.

É claro que, no final, eles concluem que o aquecimento global é antropogenético mas que, pelo, caminho, de vez em quando, esse aquecimento é interrompido:

The finding that the recent hiatus in warming is driven largely by natural factors does not contradict the hypothesis: “most of the observed increase in global average temperature since the mid 20th century is very likely due to the observed increase in anthropogenic greenhouse gas concentrations (14).”

[...]

The 1998-2008 hiatus is not the first period in the instrumental temperature record when the effects of
anthropogenic changes in greenhouse gases and sulfur emissions on radiative forcing largely cancel. In-sample simulations indicate that temperature does not rise between the 1940’s and 1970’s because the cooling effects of sulfur emissions rise slightly faster than the warming effect of greenhouse gases.

E é claro que é por esse prisma que a Reuters pega no assunto: “Asia pollution blamed for halt in warming: study“.

De qualquer modo, já não é mau reconhecerem que a temperatura não subiu. Quanto ao resto, penso que estamos muito longe da “settled science” que muitos reclamavam.

Nos cem anos da república

Fernando Pessoa, num texto bastante conhecido e abundantemente reproduzido, sobretudo em blogs monárquicos, na blogosfera por estes dias (p. ex., aqui), publicado no livro Da República (Ática, 1979, pp. 149-151) diz o seguinte (destaques meus):

É alguém capaz de indicar um benefício, por leve que seja, que nos tenha advindo da proclamação da República? Não melhorámos em administração financeira , não melhorámos em administração geral, não temos mais paz, não temos sequer mais liberdade. Na Monarquia era possível insultar por escrito impresso o Rei; na República não era possível, porque era perigoso insultar até verbalmente o Sr. Afonso Costa.

Por muito ideais que a 1.ª República tivesse, na prática, a única coisa que os republicanos fizeram foi, após a tomada do poder, manterem-se nele por todas as formas, sendo para isso bons todos os meios: redução do universo eleitoral, redesenho à medida dos círculos eleitorais, intimidação violenta dos adversários, confronto violento com a Igreja (não estava em causa uma simples separação da Igreja do Estado), sendo que este último confronto foi particularmente negativo para a república, etc. Por isso estou com Vasco Pulido Valente quando escreveu no Público, na edição de 02/10/2010:

E , em 2010, a questão é esta: como é possível pedir aos partidos de uma democracia liberal que festejem uma ditadura terrorista em que reinavam “carbonários”, vigilantes de vário género e pêlo e a “formiga branca” do jacobinismo? Como é possível pedir a uma cultura política assente nos “direitos do homem e do cidadão” que preste homenagem oficial a uma cultura política que perseguia sem escrúpulos uma vasta e indeterminada multidão de “suspeitos” (anarquistas, anarco-sindicalistas, monárquicos, moderados e por aí fora)? Como é possível ao Estado da tolerância e da aceitação do “outro” mostrar agora o seu respeito por uma ideologia cuja essência era a erradicação do catolicismo? E, principalmente, como é possível ignorar que a Monarquia, apesar da sua decadência e da sua inoperância, fora um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês, que o “5 de Outubro” trouxe a Portugal?

Por isso, eu, que até sou republicano convicto (no sentido em que gosto mais da forma de governo “República”), não sinto vontade nenhuma em comemorar os cem anos da implantação da República, pois a 1.ª República que se lhe seguiu não foi, certamente, um regime democrático. Como diz Rui Ramos (“O dia dos equívocos” in Outra Opinião – Ensaios de História, O Independente, Lisboa, 2004, p. 14):

Porque é que uma democracia pluralista insiste em fazer feriado em memória de um regime que, pelos padrões do princípio do século XXI, não foi democrático nem pluralista?

Um mistério a que eu também não sei responder.

Era uma vez o Reino Unido

É absolutamente impressionante esta notícia vinda do Reino Unido: Six arrested in Gateshead over ‘Koran burning’.

Ao que parece a liberdade de expressão ficou esquecida pelo caminho. Eu sei que o Reino Unido não tem uma 1.ª emenda, mas parece que queimar o Corão (uma acção que não é propriamente muito inteligente) é mais grave do que proferir ameaças de morte numa manifestação como foi o caso da manifestação em Londres, frente à embaixada da Dinamarca, aquando da crise das caricaturas, tal como este vídeo o bem demonstra.

Tudo o que meta o Islão faz medo aos governantes politicamente correctos e isso está a matar, aos poucos, a liberdade de expressão no Ocidente. As minorias fundamentalistas muçulmanas são hipersensíveis, qualquer crítica é vista como islamofobia e isso mete medo a políticos cobardes. Por isso, esta entrevista a Abdel-Saman no Der Spiegel é bastante interessante e também interessante a forma como acaba:

SPIEGEL: You accuse your fellow Muslims of continuing to search for scapegoats.

Abdel-Samad: Yes, instead of seeking faults within themselves. Perhaps the process I experienced is the process Islam needs as a whole, namely that everyone looks at themselves critically and stops constantly blaming others for their own misery and feeling like a victim. They should also liberate themselves from constraints. Bitterness and finger-pointing only lead to violence, and we have enough of that in the world.

Vale a pena ler toda a entrevista.

E agora fomos aos excedentes da Alemanha nazi (2)

O Renato parece pensar que a Vergeltungswaffe 1 reinventada dos aiatolas iranianos me troca o sono. Lamento desiludi-lo, mas o facto do Eng. Pinto de Sousa (des)governar Portugal é para mim muito mais preocupante de que uma arma do século passado reciclada para épater le bourgeois.

Só não compreendo por que é que o Renato pôs lá a fotografia do Xá da Pérsia. A dedução de quem não é pelos aiatolas então é porque apoia o regime do Xá é no mínimo errada (para não dizer mais e ser simpático). O Xá foi-se e não deixou saudades. Quando a República Islâmica desaparecer também não deixará saudades.

Mas quem quiser pode continuar a sonhar (nem que seja com um regime que lapida mulheres).

Adenda: O Renato ainda não percebeu que o Irão não me tira o sono. O Irão é uma ameaça paz, mas está longe de ser a única no mundo e, além disso, os dirigentes iranianos não são burros e conhecem bem as suas fraquezas e sabem que qualquer acção mais idiota terá graves consequências. Por isso, não há que ter pânico. No tempo da guerra fria a Europa Ocidental tinha centenas de ogivas apontadas para ela. Isso sim, era uma ameaça bem real e nem eu nem ninguém, nesse tempo, entrou em pânico. Por isso, todos os anúncios de armas de fancaria feitas por Irão são apenas para não levar muito a sério.

Quanto à lapidação, concordo que se tem que olhar para o Irão para além disso, mas o que se vê é que as eleições no ano passado foram tudo menos transparentes, a oposição é silenciada (e não me parece que esta oposição esteja ao serviço do Estados Unidos ou de Israel) e as minorias religiosas oprimidas (de modo especial os Bahá’is). Ou seja, o retrato não é bonito. Eu não espero uma mudança vinda do exterior, mas uma vinda do interior. Pode demorar é anos. Mas isso é a vida…

E agora fomos aos excendentes da Alemanha nazi

Com o devido beneplácito de conhecidos inimigos da liberdade, o Irão fez mais um dos seus extraordinários anúncios de terríveis castigos para os infiéis: agora eles têm um avião não tripulado.

É claro que o facto do referido drone parecer uma V1 de pacotilha não tem importância nenhuma. E de aquilo não ser avião não tripulado coisíssima nenhuma. O Irão, com estes seus anúncios grandiloquentes sobre armamento e de terríveis ameaças sobre os seus supostos inimigos, deveria ter mais em atenção os conselhos de Boileau:

N’allez pas dès l’abord, sur Pégase monté,
crier à vos lecteurs, d’une voix de tonerre:
«Je chante le vainqueur des vainqueurs de la terre.»
Que produira l’auteur après tous ces grands cris?
La montagne en travail enfante un souris”.

Apesar de não se poder menosprezar a ameaça que o Irão representa para a paz na região, também não há qualquer motivo para entrar em pânico, pois o Irão continua a ser, por enquanto, um tigre de papel.

De qualquer modo não deixa de ser irónico e divertido ver muitos esquerdistas comunistas aparar o jogo do Irão teocrático e defender o Irão contra o grande Satã americano.

O novo anti-semitismo

Shmuel Rosner entrevista por escrito Robert Solomon Wistrich, autor de “Lethal Obsession”, em que este explica o que é o novo anti-semitismo:

The “new” anti-Semitism is a somewhat unsatisfactory term often used to denote extreme hostility to Israel – a hatred which aims to demonize its actions, defame its character and delegitimize its existence. In fact, there is no clear or neatdividing-line between “old” and “new” anti-Semitism beyond the greater focus today on the negation of Israel’s right to exist and the fact that contemporary anti-Semites more frequently tend to be Muslim rather than Christian or that they come from the Left as much as they do from the Right. The “new” anti-Semitism often claims to be no more than justified “criticism” of Israel’s policies. There are, however, a number of ways to test this. The “critics” will usually be covert or overt anti-Semites if they engage in any of the following manoeuvres:

a.) They will blame Israel for all the problems of the Middle East and of the contemporary world from the financial crash to global terrorism.

b.) They ignore virtually all infringements of human rights around the globe except for those allegedly perpetrated by Israel against the Palestinians. Naturally Palestinian Jihadism and terror is downplayed.

c.) They firmly believe or assume that there is a Jewish/Israeli Lobby which controls American foreign policy or manipulates the West – especially against the Islamic world and the Palestinians.

d.) They systematically turn Israelis into “Nazis” and Palestinians into “Jews.”

e.) They apply classic antisemitic myths and stereotypes about Jewish greed, rapacity, cruelty, exploitation, bloodthirsty vengefulness and “racial” superiority to the behavior of the Jewish State. The result is to portray Israel as a fusion of Samson, Joshua and Shylock.

Cinema Português quer (o nosso) dinheiro

Através do Público fiquei a saber que os realizadores e produtores de cinema portugueses fizeram um Manifesto pelo cinema português, onde alegam que “nunca como hoje ele esteve tão ameaçado”.

E por esse motivo, e após vários considerandos, rematam a petição da seguinte forma:

O cinema português, que vale a pena, tem hoje em dia, apesar da paralisia, quando não da hostilidade, dos poderes públicos, um indiscutível prestígio internacional. Os seus realizadores, actores, técnicos, produtores, não deixaram de trabalhar apesar de tudo o que se tem vindo a passar. Está na altura de os poderes públicos assumirem as suas responsabilidades.
É necessária uma nova Lei do Cinema, mas é urgente uma intervenção de emergência no cinema português.

Para mim não está em causa a qualidade ou falta dela do cinema português, tal como me é indiferente se fazem filmes para o público ou não (no cinema, nunca andei atrás dos blockbusters), pois, mais uma vez o que está aqui em questão é haver uma actividade subsidiada por dinheiros públicos. Por que raio é que o pessoal das actividades ditas culturais pensa que tem que ser subsidiado pelo Estado? Por ser culto e ilustrado? Enfim…

Também quero uma fundação

É impressionante como um certo tipo de gente, normalmente ligada à esquerda ,consegue ter fundações pagas pelos contribuintes. Este caso da fundação de Saramago é paradigmático. Independentemente da qualidade de escritor (que não é por ser prémio Nobel que é bom) do mesmo Saramago (qualidade que não posso apreciar por ainda não ter lido qualquer livro dele – as minhas prioridades de leitura não passam, verdadeiramente, por ele), por que raio temos que ser nós a pagar a fundação dele (e, já agora, a de Mário Soares, por exemplo)?

Há pessoas que fazem fundações com o seu próprio dinheiro e há outras que fazem fundações com o dinheiro de todos nós. Será isto a tal de ética republicana?

À atenção do Louça e demais socialistas

Parece-me que o governador de Nova Iorque chegou a uma conclusão brilhante:

“You heard the mantra, ‘Tax the rich, tax the rich,’ ” Gov. David Paterson said Wednesday at a gathering of newspaper editors at an Associated Press event in Syracuse. “We’ve done that. We’ve probably lost jobs and driven people out of the state.”

Zapatero que esteve em Nova Iorque por estes dias devia ter falado com Paterson para não andar a dizer que os rendimentos mais altos suportarão os aumentos.

Continuem com as ideias brilhantes (e que tão brilhantes resultados têm dado ao longo do tempo)

Democracia à moda da extrema-esquerda

Quando se fala do perigo pelos resultados da extrema-direita nas eleições europeias, talvez fosse de notar que grande parte da violência urbana que acontece actualmente na Europa é obra de grupos extremistas de esquerda, da Itália à Suécia.

Por isso, não admira que estes “antifascistas” suecos tenham andado em nome do combate ao fascismo a agredir pessoas e assaltar sedes de outros partidos, conforme informa o jornal The Local.

“We noted around twenty incidents of violence against people or property. The Sweden Democrats were not the only ones affected; the Liberal and Moderate parties were also hit,” said Johan Olsson, chief analyst for Säpo’s constitutional protection division. [...]
“It’s part of what they call their anti-fascist agenda. They don’t believe that parties they consider critical of immigrants or opposed to workers’ rights should be permitted to operate undisturbed,” Olsson told news agency TT.

É comovente a tolerância que estes “antifascistas” têm para com as opiniões dos outros. E já se sabe o que acontece quando este tipo de “anti-fascistas” sobem ao poder: crescem os gulags.

A Era Obama

Chegou já a última época dos oráculos de Cumas.

Renasce de raiz a grande sucessão dos séculos.

Eis que volta já a Virgem, volta o reino de Saturno,

e já do alto dos céus desce uma nova geração.

Favorece, ó casta Lucina, o menino a nascer; com ele cessará

a idade do ferro, e em todo o mundo surgirá desde logo

a de ouro. Reina já o teu caro Apolo.

[...]

Esse menino receberá uma vida divina, e verá entre os deuses

os heróis misturados; ele mesmo será visto por aqueles,

e governará o orbe pacificado pelas paternas virtudes.

Sem ser cultivada, a terra será a primeira a dar-te de prenda,

menino, as coleantes heras no meio do bácaro,

derramando a colocásia à mistura com o ridente acanto.

Por si mesmas, as cabras virão trazer a casa

os úberos tensos de leite, e aos leõe enormes não temerão os rebanhos.

[...]

O solo não sofrerá com o arado, nem a videira com a podoa;

o lavrador robusto desligará também o jugo aos touros,

e a lã não aprenderá a falsidade da mudança de cor,

mas por si mesmo o carneiro nos prados transformará o seu velo,

ora com uma púrpura delicada, ora com o açafrão.

[...]

Olha o mundo a oscilar na abóbada celeste,

as terras, a extensão do mar, a profundeza do céu.

Olha como tudo se compraz com o século vindouro!

Virgílio, Bucólicas (IV 4-10, 15-22, 40-44, 50-52), trad. Maria Helena da Rocha Pereira

O eixo do mal(-informado)

Habitualmente, não costumo ver o Eixo do Mal, nem é um programa de entretenimento nem sequer se ouvem, geralmente, opiniões muito inteligentes. Hoje também não foi excepção, mas acontece que acabei por ver a parte final do Eixo do Mal, em que eles apresentaram um vídeo, filmado durante a cimeira dos G20, em que parecia que Bush tinha sido ignorado por todos .

No entanto, isto são “old news” que ainda por cima foram desmentidas como se pode ver por aqui. Ou seja, Bush não foi ignorado pelos seus homólogos estrangeiros. Ainda por cima, a peça televisiva da CNN que desmente o caso já data de 20.11.2008.

Neste caso, mais uma vez, o que o Eixo do Mal fez foi anti-bushismo primário, sem se preocupar muito com a verdade. Mas, isso, na comunicação social, nem sequer é supresa.

Curiosidades

Não sou especialista em temas económico-financeiros, pelo que não passo o tempo a dar opiniões definitivas e taxativas sobre temas como os preços dos combustíveis ou a crise dos mercados financeiros mundiais (ao contrário dos participantes de programas como o Fórum de TSF ou Opinião Pública da SIC-N – que desperdício, tanta gente sábia todos os dias na rádio/TV).

Mas , no meu trabalho de tradutor, tenho muitas vezes que pesquisar sobre estes temas e, por acaso, a propósito do Fannie Mae e Freddy Mac, encontrei a seguinte notícia (via blog Beltway Snark, de onde se retiram também as outras informações):

New Agency Proposed to Oversee Freddie Mac and Fannie Mae

Abstraindo o facto da existência destas duas entidades nem sequer ser justificada (conforme já aqui foi referido no Insurgente), em 2003 a Administração Bush tentou controlá-las um pouco melhor. Os democratas opuseram-se então.

Depois, em 2005, McCain co-patrocinou a Federal Housing Enterprise Regulatory Reform Act of 2005, que nunca chegou a passar bloqueada pelos democratas e alguns republicanos. McCain disse então:

I join as a cosponsor of the Federal Housing Enterprise Regulatory Reform Act of 2005, S. 190, to underscore my support for quick passage of GSE regulatory reform legislation. If Congress does not act, American taxpayers will continue to be exposed to the enormous risk that Fannie Mae and Freddie Mac pose to the housing market, the overall financial system, and the economy as a whole.

Parece-me que, afinal, os problemas poderiam ter sido antecipados, mas o Congresso, não quis fazer nada. É claro que Obama, neste caso, aos costumes disse nada, o que não admira, pois ele, em apenas 4 anos de senado, conseguiu ser o segundo maior beneficiário dos donativos do Fannie Mae e Freddie Mac, no período 1989-2008. É obra.

Pelo que parece, já há 5 anos que se antecipava que algo não ia bem com o Fannie Mae/Freddie Mac, mas houve grande resistência em mexer no assunto ou corrigir a rota.

Más ideias…

Parece que nos BET Awards o pessoal que foi premiado, mais alguns que por lá passaram, não paravam de falar no Obama. Ok, é problema deles se querem o Obama como presidente.

Mas, depois começam a fazer pedidos muito estranhos:

During his monologue, host D.L. Hughley cracked jokes about Obama. Other attendees were more flattering. Backstage, Humanitarian Award winner Quincy Jones said he wanted Obama to be elected and create a Secretary of Culture position.

Mas, para que é que os americanos haveriam de querer um Ministério da Cultura? É que o nosso não serve para nada (não é só o nosso). A cultura não se faz com ministérios….

Só dão más ideias ao Obama…

Descentralização e liberdade de educação: o modelo sueco (II)

Sem dúvida interessante o artigo Educação pública: Portugal versus Suécia de Nuno Lobo, aqui ligado pelo André.

Mas, também não deixa de ser interessante que, lá como cá, os professores suecos continuem, ao fim de mais de uma década, a ser estatistas e a terem saudade de um modelo de escola estatizado, como se pode ler nesta notícia do The Local: Teachers: ‘Go Back to state schools’.

Eight out of ten teachers would like the state to exert more influence over Sweden’s schools, a new study has shown.

The issue of whether to re-nationalize the Swedish school system will be high on the agenda when the National Union of Teachers in Sweden (Lärarnas Riksförbund) convenes for its annual conference in Stockholm on Friday.

Deveria fazer-se um estudo de caso sobre esta persistente mentalidade estatista dos professores nos países ocidentais.

Futebol

Muito recomendável a coluna de António Barreto de hoje no Público a propósito do futebol. E não apenas pelo que diz sobre o caso do F. C. Porto, mas também pelo que diz sobre aquele programa absolutamente inqualificável chamado “Liga dos Últimos”.

O Futebol Clube do Porto está a pagar. Começou, há vinte ou trinta anos, por ser um intruso. Apenas tolerado. Depois, transformou-se no clube dominante. O seu peren presidente teve os comportamentos que se lhe conhecem: inteligente, competente, autoritário, organizado, irascível e déspota. (…) Ora, não é admissível que um clube da segunda cidade e do Norte provinciano exerça uma hegemonia quase sem falhas. Tarde ou cedo, o Porto haveria de pagar.

Mas o que António Barreto diz sobre a “Liga dos Últimos” é, para mim, igualmente certeiro, pois nunca consegui achar piada ao programa.

Poderia pensar-se que o programa faz parte da nova “grelha” da RTP, da sua estratégia e das suas novas concepções que preconizam uma televisão popular e divertida, em poucas palavras, uma verdadeira “televisão para todos”, um “verdadeiro serviço público”. O que resulta é, além de paradoxal, confrangedor. Não apenas intelectualmente, mas sobretudo social e moralmente. É uma hora de autêntico desprezo social pelos aldeões, pelos provincianos, pelos pobres, pelos gordos, pelos mais velhos, pelos ignorantes e pelos analfabetos. Que, aliás, se oferecem em espectáculo de escárnio. É uma espécie de “racismo social”: coitados, tão estúpidos, mas praticam futebol! São tão puros! Tão autênticos!

A imigração é benéfica?

Sempre que ouvimos falar de imigração, é costume dizerem-nos que ela é benéfica, vem desenvolver o país, etc. No entanto, hoje, das ilhas britânicas chega-nos uma notícia diferente.

Assim, no Reino Unido, onde o fenómeno tem dimensões que não tem em Portugal, devido à política aberta de imigração dos governos trabalhistas, saiu hoje um relatório redigido por uma comissão da Câmara dos Lordes, que, segundo o resumo feito pelo The Telegraph, conclui que o Reino Unido não beneficiou com esta imigração maciça:

The number of immigrants entering Britain should be capped, an influential House of Lords committee has warned.

Its analysis concludes that record levels of immigration are bringing no economic benefit to the country.

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Dislates onusianos

Aquele órgão das Nações Unidas completamente inútil que se chama Conselho de Direitos Humanos, que substitui um outro órgão também completamente inútil (chamada Comissão de Direitos Humanos), quer bater o recorde da sua antecessora e ficar desacreditado em muitos menos anos do que ela.

Para se ver o funcionamento desta sinistra entidades, peguemos em duas notícias, a propósito das acções deste órgão em duas questão internacionais: Tibete e Israel.

Segundo o Público, o Conselho de Direitos Humanos da ONU não prevê discutir a situação no Tibete. A notícia é mais do que explícita:

Em declarações à AFP, um diplomata europeu confirmou as denúncias, revelando que antes da sessão de ontem “o embaixador chinês preveniu os europeus para evitarem fazer declarações” sobre os abusos no Tibete. O diplomata explicou que, além da pressão directa sobre os seus parceiros ocidentais, Pequim conta com a solidariedade de outras nações asiáticas e de países africanos, com quem tem relações comerciais privilegiadas.

Dos 47 países representados no Conselho, criado em Junho de 2006 para substituir a ineficaz Comissão, 13 são africanos e outros 13 asiáticos – uma situação que Pequim tem sabido usar para evitar críticas à situação dos direitos humanos no país. Da mesma forma, Pequim tem-se solidarizado com várias nações africanas, como é o caso do Sudão, seu principal parceiro económico na região, condenado pelo conflito étnico em Darfur.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU encerra amanhã as quatro semanas de sessão plenária, estando prevista para amanhã a adopção de uma série de resoluções. Nenhuma menciona a situação no Tibete. “Apenas três países nos disseram que estariam prontos a apoiar a ideia de uma sessão extraordinária sobre o Tibete”, lamentou Julie Gromellon.

Por outro lado, o mesmo Conselho decidiu nomear para investigador das políticas de Israel nos territórios palestinianos um judeu americano que comparou, anteriormente, as acções de Israel com a dos nazis. Ou seja, um idiota útil. Aqui, esta caricatura de entidade minimamente séria nem se deu ao trabalho de querer parecer imparcial.

Como de costume, nestes últimos tempos, só um país, o Canadá (que melhorou muito neste aspecto, devido ao seu governo conservador) é que esteve à altura. A UE, mais uma vez, anda por lá a fazer figura de corpo presente.

Canada, a member of the Human Rights Council, questioned the appointment of Falk. “Canada has serious concerns about whether the high standards established by the council…will be able to be met by this individual,” said Marius Grinius, the Canadian delegate.

Nisto tudo há para mim um mistério. Por que é que países democráticos entram nestas palhaçadas da ONU. Já está visto que, quer a Comissão, quer o Conselho de Direitos Humanos não funcionam. Este Conselho é selectivo, só algumas causas é que são mencionadas (a dos palestinianos quase que monopoliza o Conselho), parecendo não haver outras causas ou problemas de direitos humanos no mundo.

Até agora, este Conselho tem sido de uma total irrelevância. Mas, se calhar, é isso mesmo que se pretende.

Sinais do tempo

As universidades inglesas vão deixar de propor licenciaturas em “women’s studies”, embora alguma continuem a ter os “women’s studies” em pós-graduação, segundo este artigo Farewell to ‘predictable, tiresome and dreary’ women’s studies.

Já, agora, sobre o assunto aconselho a leitura deste blog.

Langue de bois

Penso que a maioria das pessoas que lê este blog conhece a expressão francesa “langue de bois”. Segundo a Wikipedia francesa

La langue de bois (appelée parfois humoristiquement xyloglossie, du grec xylon : bois et glossos : langue) est une figure de rhétorique consistant à détourner la réalité par les mots.

C’est une forme d’expression qui, notamment en matière politique, sert à dissimuler un manque d’informations précises sur un événement ou un projet, en proclamant des banalités soit abstraites et pompeuses soit jouant sur les sentiments plus que sur les faits.

Foi exactamente isto que me lembrou quando vi esta entrada no Do Portugal Profundo, em que é transcrita uma passagem, realçada por um comentador desse blog, da avaliação feita à escola Carolina Michaëlis em Novembro de 2007 avaliação essa que pode ser integralmente lida aqui). E o que diz essa passagem? Somente isto:

1.3 Comportamento e disciplina

Em regra, os alunos têm um comportamento disciplinado, conhecem e cumprem as regras de funcionamento da Escola. Reconhecem e aceitam a autoridade. Convivem e estabelecem um bom relacionamento entre si, com o pessoal docente e não docente e com a direcção. Há uma preocupação dos diferentes órgãos, bem como do pessoal docente e não docente, em garantir um ambiente de tranquilidade e de disciplina propiciador da aprendizagem e da convivência. O corpo docente está fortemente empenhado em incutir mais regras de trabalho na sala de aula e em prevenir e combater pequenos focos de indisciplina, nas turmas que tenham alunos mais problemáticas, nomedamente nos CEF. As situações mais problemáticas são tratadas de imediato pelo Conselho Executivo e pelo gabinete do aluno procurando-se respostas rápidas e eficazes.

Desculpem lá, mas isto não quer dizer nada e, muito menos se reporta a uma situação real. Provavelmente este texto poderia servir como “chapa 5″ para muitíssimas escolas. Toda a gente sabe que estes tipos de documentos são escritos naquilo que se pode chamar de “linguagem controlada”. Têm que respeitar determinadas convenções, certas palavras assumem um significado muito preciso neste contexto, etc. Mas, o que é dito na avaliação é, pura e simplesmente, blá-blá. E não digo isto tendo como base o recente caso, que só foi caso porque alguém decidiu filmá-lo e colocá-lo na rede.

A minha filha mais velha anda no 3.º ciclo do ensino básico numa outra escola do Porto, considerada como escola sossegada e, no entanto, insultos, insolências e indisciplina acontecem com maior frequência do que o desejável. Não sei que avaliação a escola teve, mas não me admirava que não fosse muito diferente do palavreado acima.

O que eu extraio deste parágrafo é somente o seguinte: dentro do conjunto das escolas portuguesas, no aspecto da disciplina, esta escola não será das piores. Mas para isso não precisavam de escrever tantas linhas.

O problema de Obama

Ontem, Obama teve que fazer um discurso para ver limitava os danos feitos pela divulgação dos discursos racistas proferidos pelo pastor da igreja a que Obama pertence, o Rev. Jeremiah Wright.

É claro que, como de costume, houve (os convertidos) quem achasse o discurso brilhante, comparando-o com Lincoln ou Kennedy, mas depois de lido e ouvido, não tenho, nem de longe, nem de perto, a mesma opinião.

Além disso, houve uma passagem que me desagradou profundamente, que foi quando comparou as declarações racistas do Rev. Wright com o medo que a sua avó branca teve de um negro que passou por ela. Disse Obama:

I can no more disown him than I can disown the black community. I can no more disown him than I can my white grandmother — a woman who helped raise me, a woman who sacrificed again and again for me, a woman who loves me as much as she loves anything in this world, but a woman who once confessed her fear of black men who passed by her on the street, and who on more than one occasion has uttered racial or ethnic stereotypes that made me cringe.

A comparação é completamente absurda, como já bem o notaram blogs como Gateway Pundit ou Melanie Phillips, por exemplo. Tal como diz esta última:

Yes, Obama is a person who would trash his own grandmother to gain the American presidency!

Mas, pior do que isso, parece que Obama generalizou o discurso da avó a partir de um acontecimento muito concreto, descrito no seu livro Dreams from My Father: A Story of Race and Inheritance, pp. 88-91. A comparação entre o que foi dito no discurso de Obama e o relato feito pelo mesmo Obama no referido livro pode ser vista nesta entrada de Steve Sailer. Não me parece que Obama fique muito bem na fotografia.

Mickey Kaus realça alguns dos problemas do discurso de Obama. Sinceramente, não sei se Obama conseguiu ultrapassar este problema, ma, francamente, o discurso não impressiona. E o facto de ter metido a avó a despropósito, numa falsa analogia, ao barulho, comparando-a com alguém que é racista, diz-me que este é um homem em que não posso confiar.

De qualquer modo, são os americanos que têm que ajuizar sobre o assunto.

Pretextos

Inaugura-se hoje, com a presença de Shimon Peres, o “Salon du livre de Paris” que terá a literatura israelita como convidada de honra. Foi quanto bastou para haver o boicote de vários países árabes e muçulmanos, alegando o tratamento dado pelos israelitas aos palestinianos (bem, não sei se eles estavam a pensar neste tipo de tratamento que os israelistas deram a uma mãe palestiniana – devem ser uns genocidas muito maquiavélicos para ajudarem uma mãe em dificuldades a ter gémeos).

No entanto, para mim, o que está em causa é, antes de mais, a própria existência de Israel. Os países árabes já demonstraram à saciedade que se estão a marimbar para a sorte dos Palestinianos, como se comprava pelo facto de durante 20 anos, o Egipto e a Jordânia terem ocupado a Faixa de Gaza e a Cisjordânia e não as terem desenvolvido, bem pelo contrário. O problema dos países árabes e muçulmanos é, pura e simplesmente, a existência de Israel. Tudo o resto é conversa.

Não se pode negar as difíceis condições em que vivem actualmente os palestinianos. Mas será que, alguém no seu perfeito juizo, acredita que Israel quer praticar um genocídio na Palestina? Fracos genocidas, todos os anos a população palestiniana aumenta.

Mas será, também, solução entregar terra por paz? Já se viu que não funcionou, pois movimentos como o Hamas só desejam a destruição de Israel. Não é possível negociar com essa gente. Queriam que Israel estivesse quieto deixando os foguetes caírem em Sderot ou os bombistas suicidas entrarem em Israel?

A solução um país, dois povos é completamente utópica, própria de quem acredita em contos de fadas e na teoria do bom selvagem.

Este conflito no Médio Oriente só poderá ser resolvido no dia em que os árabes (e os mulçumanos em geral) aceitarem a existência de Israel. Sem esse primeiro passo, não estou a ver como alguma vez o conflito ser resolverá. A causa palestiniana tem sido, ao longo dos anos, apenas um pretexto para hostilizar Israel, nem que seja num salão de livros.

“did I mention that Spitzer is a Democrat?”

Em vários artigos publicados no LGF o autor acaba esses artigos com esta frase. Porquê? Porque muita da comunicação social americana, quando começaram a noticiar este escândalo, não referiam (ou referiam em menções laterais quase escondidas) que este senhor governador de Nova Iorque era do Partido Democrata.

Parece-me que o Diário de Notícias segue pelo mesmo caminho em notícia assinada por Manuel Ricardo Ferreira. Não me lembrocomo é que o Diário de Notícias noticiou o caso do senador Larry Craig, mas, provavelmente, não se eximiu de referir que se tratava de um senador republicano.

Ora, este Eliot Spitzer, quando procurador-geral de Nova Iorque também foi um moralizador, o “Mr. Clean”, como se pode verificar nesta notícia, que acabou por provar do seu próprio veneno.

On Wall Street, where Spitzer built his reputation as a crusader against shady practices and overly generous compensation, cheers and laughter erupted Monday from the trading floor when news broke of his potential ruin.

Many in the financial industry had long complained that the man known as “Mr. Clean” and the “Sheriff of Wall Street” was a sanctimonious bully who was just trying to advance his political career. Many Wall Streeters were delighted to see him get his comeuppance.

“The irony and the hypocrisy is almost too good to be true,” said Bryn Dolan, a fundraiser who works with many Wall Street employees. “If he had any shame, he would’ve already resigned.

Quando se usa a moral e bom costumes, o afirmar como o impoluto que combate todos os outros, que são corruptos, acaba-se po, muitas vezes, cair na sua própria rede.

Agora não percebo é porque a comunicação social tem relutância em dizer a que partido o senhor pertence. Ou será que, nos Estados Unidos, apenas os republicanos podem ser hipócritas?