O meu artigo de hoje no Diário Económico
o princípio que orienta todo o sistema fiscal indígena é a anestesia e a opinião comum de que são as empresas que suportam o IRC, apesar de errada, sossega consciências e ilude
O meu artigo de hoje no Diário Económico
o princípio que orienta todo o sistema fiscal indígena é a anestesia e a opinião comum de que são as empresas que suportam o IRC, apesar de errada, sossega consciências e ilude
Começou por falar-se numa taxa de IRC de 10% para novos investimentos, para IDE ou para empresas com facturação inferior a quinhentos mil euros anuais. Algures pelo caminho alguém terá tomado juízo e percebido que, a ser selectiva, a medida criaria mais problemas que os que resolveria
Kelly Slater no Volcom Fiji Pro em tavarua e Dane Reynolds em Haleiwa, Oahu, Hawaii.
Kelly: a defining moment. Mais uma vez, ao fim de mais de vinte anos a a redefinir todo um desporto, numa onda apenas fá-lo pela milésima vez. Um tubo, um carve inacreditável e para finalizar, uma trancada em backside que só ele seria capaz. É ver. É logo no início do vídeo.
Dane: daquelas coisas que quem viu em directo na net ou ao vivo, só percebeu o que ele fez quando a imagem passou em super slow motion. Isto é completamente idiota, não é possível.
Ich bin ein Portugiesischzzzzsch, por @manuelparreira que não se chama Manuel nem é o tipo do Fawlty Towers
«A despesa pública é o q permite salvar o setor privado»
O ladrão assalta o merceeiro todos os dias e leva-lhe metade da facturação. Diz-lhe convicto:
-Se eu não viesse as compras ah tua loja ias ah falência
Embora o primeiro-ministro se tenha referido ao acordo com a ‘troika’, a verdade é que todo o Estado enquanto organização burocrática que trata dos interesses comuns dos portugueses precisa uma refundação. E vai tê-la a bem ou a mal.
Combate à economia paralela, impostos para quem os pode pagar, menos austeridade, mais estímulo, etc. Chavões e senso comum. Racionalidade: zero.
Combate à economia paralela
Quem proclama isto todos os dias está a imaginar paraísos fiscais, evasão em grande escala, negócios entre tipos de charuto e cartola. Mais o inevitável relógio de bolso com corrente de ouro e casaca. Demasiados filmes.
Hoje há centenas de milhar de portugueses que para sobreviver com um mínimo de comodidade fazem biscates, recebem pagamentos sem documentos, fazem pequenos trabalhos sem os declarar. Centenas de milhar, não são uns quantos. Para estas pessoas, a diferença entre cobrarem-lhes ou não impostos é a diferença entre comerem ou não, poderem ter dinheiro para um passe de transportes públicos ou para gasolina, ou para pagarem os livros escolares dos filhos ou para eventualmente poderem sair de casa de vez em quando ou jantarem fora uma vez por mês. Isto é a economia paralela, não são banqueiros e milionários, que esse não precisam, evitam pagar mais do que já pagam, e não é pouco, de forma legal. E mudam de sítio se os chateiam.
Impostos para quem os pode pagar
Os impostos são sempre suportados por quem os pode pagar até ao dia em que deixa de poder ou, no caso de quem pode, de querer.
If it moves tax it, if it still moves, regulate it, if it stops moving, subsidize it – Ronald Reagan
Menos austeridade
Menos austeridade para quem? No newspeak, mais impostos significa austeridade. Hão-de explicar-me onde é que aumentos de receita do estado é austero. Menos austeridade como? Não se paga a dívida que sucessivos Governos criaram? Por mim tudo bem. Não se pague, fora com a troika e FMI e o raio que os parta. Dêem-me é tempo para arranjar armas e munições.
Estímulo
Dizem que o caminho é aumentar a despesa do estado para estimular o consumo e a economia. Nem vale a pena dizer nada.
Em Setembro de 2011 foi publicado um estudo sobre a exequibilidade e efeitos da Taxa sobre Transacções Financeiras (TTF) encomendado pela Comissão Europeia. A primeira reacção do Sr Barroso ao estudo foi de euforia. Confirmava uma receita aproximada de 0,1% do PIB europeu que, na altura, seria consignada ao Orçamento bruxelense. Uma maravilha. Até que ele ou alguém por ele o leu até ao fim.
Segundo o modelo utilizado, o estudo sugeria ou concluía o seguinte:
- a TTF diminuiria a liquidez dos mercados e aumentaria os custos de capital;
- provavelmente aumentaria a volatilidade no mercado;
- provocaria uma queda no PIB de cerca de 1,76%;
- a perda de receita de outros impostos equivaleria a cerca de 0,8% a 0,9% do PIB para uma receita da TTF de 0,1%
Ou seja, uma merda mesmo sem contar com a deslocalização das gestoras de activos (Londres, Estocolmo,etc) ou com a incidência fiscal da dita taxa. Aparentemente e como nisto dos modelos se se mete carne de um lado do outro saem chouriços, se se metem tomates sai polpa, alteraram o modelo e já dá resultados mais simpáticos e de acordo com o resultado que a Comissão Europeia e o Sr Barroso desejavam.
Seja como for, espantoso é Portugal embarcar nisto. Por um lado querem desincentivar o financiamento das empresas através de dívida (bancária, obrigacionista, etc) por outro propõem reduzir a liquidez da Bolsa. Querem que as empresas se financiem como? Do Orçamento do Estado?
A União das Repúblicas e Reinos Socialistas Soviéticos da Europa, soma e segue. Escondam o samovar.
Leitura complementar: Seria de bom tom deixar o sr Tobin descansar em paz; A taxa de Tobin e suas consequências

Daqui. Vamos lá então queixar-nos da produtividade e assim.
O meu artigo no Diário Económico de hoje
Em Portugal queixamo-nos frequentemente de tudo o que nos falta. Na Saúde, na Educação, na Cultura, em quase todas as áreas sentimos necessidades que não são satisfeitas por uma razão ou por outra.
Felizmente para todos nós há áreas em que não existem necessidades por satisfazer. Por exemplo, não nos faltam ex-ministros das Finanças extremamente competentes.
No fundo a convicção que existe e é humana é que o Estado existe para que alguns se possam servir à lista. Uma espécie de manjedoura mas com lacaios.
Periodicamente aqui n’O Insurgente apanham-se conceitos engraçados, um deles e recorrente eh o “preço justo”. O que eh o “preço justo”? No caso que se refere aos preços praticados no Pingo Doce, qual eh o “preço justo” de um iogurte? E de um pão, da pasta de dentes, de um kg de cebolas, de um molho de salsa? Depende de quê e quem decide qual eh o “preço justo”?
Com o Miguel vos informou ai mais baixo, a margem liquida da JM eh 3,5% da facturação. Eh “justo” ou devia ser mais? Ou menos?
Ja agora, a diferença entre 50% ou 3,5% nos lucros não eh 46,5%, eh 93%.
Hoje procurei viagens de avião Faro-Porto-Faro. Com ida a 28 de Maio e regresso a 2 de Junho encontrei a viagem por 20,11 euros. Eram 30,11 euros e a Ryannair faz um desconto de 10 euros. Chamem a ASAE saxavor, na TAP são mais de 200 euros nas mesmas datas
Hoje por volta da 19:30 fui como eh meu costume ao Pingo Doce aqui perto de casa. Mines (Superbock, claro), umas aguas das pedras (por causa da azia, embora o meu Vitorpereirense Futebol Clube não faça por isso) e pão. Ora estava eu na fila para pagar enquanto a menina num’outra caixa defendia a iniciativa de ontem do seu empregador perante a indignação de um cliente. A que estava cobrar na minha fila ao ver-me sorrir com a discussão disse-me: “Tenho pena eh de não ter vindo trabalhar ontem”. Dei a ambas os parabéns pela promoção e respondeu-me a que trabalhou ontem e que estava envolvida na discussão com o tal cliente: “Nos ganhamos mais, temos mais um dia de ferias e os clientes pouparam imenso. Ganhamos todos”
Eh a vida, as alienadas das miúdas que trabalham naquelas caixas de sol a sol, exploradas pelo grande capital, humilhadas pelo patronato, os zombies, têm mais bom senso e noção da realidade que a colecção de onanistas intelectuais neo-aristocratas que nos parasitam, toda junta. Puta c’os pariu.
Isso. Ele eh a criação de dinheiro no BCE não chega as PME, mais a financeirização, mais a especulação, mais o diabo a quatro e no fim, mais uma vez, eh o estado, o regulador, que quer (e ha-de conseguir) promover o fim de um dos ultimos instrumentos de credito ao dispor das empresas. Muitas das falências estão ligadas a dificuldades de tesouraria e as contas correntes caucionadas são o que permite a muita boa empresa sobreviver, criar emprego e crescer. Pois. Depois venham-me com a merda da conversa do neoliberalismo quando as falências dispararem mais uma vez.
Já sei. Isto da promoção do Pingo Doce devia funcionar assim:
1 – A Jerónimo Martins entregava ao estado 50% de todas as vendas do dia 1 de Maio (mais o IVA respectivo);
2 – Um organismo do estado especialmente criado para o efeito com 30.000 funcionários, 1.875 chefes, 4.600 motoristas, 23 jardineiros e uma frota de 2.500 BMWs encarregava-se de devolver aos consumidores uns 2,34% das compras mediante o preenchimento de um formulário de 12 páginas com selo branco da DGCI, talão de compra e factura anexa e declaração de IRS. E pronto. Assim já estava tudo bem, as pessoas não eram “animais” e o Soares dos Santos seria um filantropo.