Sobre Helder Ferreira

Pai, surfista, golfista e comerciante. Lema: It's all bullshit

O Professor Doutor

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Há uns anos, numa crónica, o Vasco Pulido Valente criticava esta “República de Professores”. Eu também estou farto de Professores Doutores. Se a net e as redes sociais vieram demonstrar alguma coisa foi a completa ignorância dos habitantes das torres de marfim acerca do Mundo que existe cá fora. Desde o Professor Doutor que descobriu que o subsídio de desemprego é um subsídio às empresas, ao Professor Doutor que afirma que o nível dos impostos não afasta investimento, ao Professor Doutor (o Beeker das Finanças por exemplo) que renega tudo o que julga saber em nome sabe-se lá de quê. Carregados de fórmulas matemáticas, folhas Excel e modelos econométricos parecem nem sequer saber que do outro lado dessas fórmulas estão pessoas.

É mais que altura de darem lugar a canalizadores ou mecânicos. Pelo menos estes, ao contrário da caterva de Professores Doutores que nos tem pastoreado, não há memória de nos terem arruinado.

O Professor Doutor é um fala barato de um cagão que só arrisca o que é dos outros, que mal sabe gerir o guarda-vestidos, mas que entende que sabe o que é melhor para os outros e lhes quer impor comportamentos. Puta que o pariu.

Força para seguir a mesma linha. A do Syriza.

Irlanda

 

 

 

Quando a Irlanda em 2010 pediu o mesmo resgate que Portugal pediu em Abril de 2011, confrontava-se com uma crise bancária que lhe valeu um défice de 32,4% do PIB nesse ano. Nas negociações com a UE e FMI arriscou tudo em não mexer nos impostos sobre as empresas apesar das pressões europeias. Arriscou mesmo não haver resgate nenhum e recusou a contrapartida aumentar o IRC mesmo sob ameaças da Alemanha e França. Aplicaram uma austeridade mais violenta que a que foi aplicada em Portugal, cortaram a direito com salários e pensões e com redução generalizada da despesa pública. Em 2015, cinco anos depois, o PIB cresceu 6,9% quando já era o sexto país com maior rendimento per capita no Mundo e com um PIB per capita 34% acima da média europeia. Têm um défice abaixo de 2% e continuam a controlar a despesa com o cuidado que entendem necessário e sem sequer reporem os cortes salariais dos funcionários. Por cá temos um Ministro da Economia (só podia ser Professor Doutor cheio de credenciais) que diz que que impostos não espantam investimento estrangeiro. Talvez esteja na hora de ele ir ensinar os irlandeses, esses ignorantes que conseguiram resultados que não se comparam aos gloriosos resultados da governação grega, cujos métodos a geringonça, de que o Excelentíssimo Professor Doutor Caldeira Cabral faz parte e parece ser um excelente executante, decidiu imitar.

(Tou fartinho de Professores)

First they came for the jews

kafka2Quando li a coisa que o Governo quer pôr o fisco com acesso discricionário (ou quase) às contas bancárias das pessoas tive uma náusea. Porque isto não passa de um vómito inqualificável. E não hão-de faltar idiotas úteis a defender a ideia, aliás como dizia o Carlos Fernandes no facebook, ainda os hei-de ver a passear com um chip de localização na nuca e um código de barras no braço.

Após o vómito ainda tive tempo para me chocar. Choquei-me com este post do António Costa, ex-director do Diário Económico e que sempre leio com atenção e cuidado. Um post intitulado “Precisamos da bisbilhotice do fisco”. Não meu caro, não precisamos. Os 204 contribuintes de que fala com rendimentos declarados superiores a 5 milhões de euros, declaram-no, não é? E pagam os impostos que lhes são exigidos pela Autoridade Tributária. Onde é que isto justifica o aumento da devassa (que já é mais que muita) da vida privada da generalidade das pessoas? Um dia destes alguém há-de escrever um post intitulado “Precisamos da Bisbilhotice da Direcção Geral de Saúde” a propósito do fim do sigilo médico. Por causa de questões de saúde pública ou assim, da epidemia da obesidade, ou por causa do alcoolismo ou outra merda qualquer, tudo para nos proteger ou em nome da inveja ou de um moralismo (que é o que está aqui em causa) insuportável, de vómito mesmo. Não, não precisamos da bisbilhotice do fisco para nada, o poder que têm sobre nós já é uma brutalidade que nem a PIDE ou um NKVD alguma vez tiveram. A AT mais que aparentar ter vida própria tomou a forma de uma organização própria de um regime totalitário e o que faltava era dar-lhes ainda mais poder. Quanto aos tais 204 contribuintes milionários com uma taxa efectiva de imposto de 31,8%. Sabem qual foi a taxa efectiva do IRS do total dos contribuintes em 2013? 7,5%. E nem explico o resto, o que é a tributação do capital e porquê, quais são as fontes de rendimento, etc. Não vale a pena, de todo, mais vale dar milho a pombos.

Do bordel rasca

kafka2Podia escrever  isto noutro tom à procura de credibilidade, atenção ou outra coisa do género, mas não me apetece. Poucas vezes acertei tanto como quando disse que isto é tudo um putedo, coisa que me valeu cinco minutos de fama na TV. Nada contra as putas, pelo contrário, vendem o que é delas com toda a legitimidade, não prejudicam terceiros e cumprem um papel social importante desde tempos imemoriais. Já o putedo que nos pastoreia é diferente e chamar-lhes tal coisa pode até ser considerado ofensivo pelas putas. Estes não vendem o cabedal, vendem o intelecto e pior, podiam vendê-lo ao preço que custa uma acompanhante de luxo de um escort service checo ou nova iorquino. Mas não, uma sessão com uma senhora que ataca na mata de Monsanto tem um preço mais alto que muito Professor Doutor que chegou a Ministro. Com a agravante que a puta não prejudica ninguém e a prostituição do Professor Doutor põe-me a mim a pagar sem usufruir do prazer de o empalar.

O zingarelho

kafka2Eu, no Diário económico de hoje

Grande parte do problema da baixa produtividade de que padecemos é explicável pela falta de capital. Não é por acaso que há pouca absorção de doutorados pelas empresas ou que, sendo os portugueses que, na Europa, passam mais tempo no local de trabalho, menos produzem.

Adenda: já sei a réplica que alguns vão experimentar. Força nisso, a tréplica já está escrita

 

Um optimista, é o que é

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No Diário Económico

Desde 1850 que vivemos o peak oil, o medo do fim do petróleo e da energia barata que nos permite o nível de desenvolvimento que temos. Esse medo vem, não de certezas científicas mas, da ignorância.

By the people, for the people

manguito

Na discussão sobre preferências presidenciais o problema mais comummente apontado a Henrique Neto é a “impreparação” ou “falta de noção” do exercício do cargo de PR. Defeito que não é imputado a Marcelo Rebelo de Sousa (pelo contrário, é tido como tendo a perfeita noção e estando supinamente preparado para o cargo), a Maria de Belém ou a Sampaio da Nóvoa. Essa impreparação pode levar ao risco de, pela impreparação e falta de noção, o Henrique Neto desequilibre o já frágil sistema político que temos. Teria piada se não fosse trágico. Quem o desequilibrou? Não precisam responder: foram os “preparados” e os que tinham noção dos cargos.

Julgo que foi o Vasco Pulido Valente que há alguns anos escreveu uma crónica pouco simpática intitulada “Uma República de professores”. É isso que temos tido ou, em alternativa, uma República de Partidos. Desde sempre (já vou ao Eanes) as alternativas de voto que temos tido são ou Professores ou gente que medrou no interior dos Partidos. O caso do Eanes é lindo. Em Novembro de 75 era Tenente-Coronel (se calhar no 25 de Abril era Capitão) preparadíssimo para ser PR, em Julho de 76 era General e em Maio de 78, General de 4 estrelas. Promoções a esta velocidade nem nas IDF de Israel. De Soares, Sampaio ou Cavaco, todos cúmplices no desequilíbrio e na miséria do sistema político que temos, nem vale a pena falar.

Nunca nos foi dada oportunidade de votar num de nós a não ser em casos anedóticos como é o Tino de Rans que conheci melhor que a mãe dele conheceu e com quem simpatizei sempre por ser boa gente, divertido, um tipo honestíssimo e com uma lata do caralho.

Pela primeira vez há uma opção que não é Académico (ser Professor não dá mais que  bilhete para a entrada na feira das vaidades) nem resultado de malabarismos partidários. O Henrique Neto pode não ter “preparação” para ser PR (hehehehe) nem ter noção do cargo. Quero que isso se foda. O sistema político é frágil e está feito num oito porque os Marcelos, Nóvoas e Beléns desta vida o tornaram assim, não porque os “Netos” alguma vez lhe tenham tido acesso ou o tenham desequilibrado. Pela primeira vez em 40 anos, posso votar em alguém que é by the people, for the people com todos os defeitos que possa ter e com todos os riscos que comporta. A democracia é isso, não é?

 

Teste do algodão

O meu voto

Bem sei que uma declaração de voto num candidato às presidenciais neste blog prejudica mais esse candidato que o que o ajuda. Mesmo que, como é o caso, só me vincule a mim e a mais nenhum dos mais de trinta colaboradores d’O Insurgente que terão as suas preferências naturalmente diferentes das minhas. Cá vai.

Lido no twitter: “Não voto Henrique Neto nem que isso me fizesse mais rico que o CR7”

É esta a nossa sina e a nossa desgraça. As qualidades que procuramos nos candidatos a nossos pastores são do domínio do indizível e só ao alcance de alguém com um QI abaixo de 90. Um homem que nunca se vergou, com obra feita, que trabalhou, produziu e criou, quase do nada e sem prejudicar ninguém e apenas à custa dele próprio, que é o único candidato a um cargo político em 40 anos de democracia, que me lembre, com Mundo e vida além das sinecuras e rendas do Estado, da Academia e dos Partidos, é um proscrito. Um homem para quem a ética não “depende” nem “é a lei”. Um homem cuja autoridade vem do que fez e construiu em mais de 70 anos de vida e não dos cargos, lugares ou tachos que nunca desempenhou. Os debates têm mostrado isto mesmo, do lado do Henrique Neto a simplicidade e o conhecimento de alguém com vida além do Orçamento e da choldra, do outro lado, gente que não existe nem presta para coisa nenhuma sem o Estado e a “tacharia” que lhes afaga a conta bancária.

Há uns anos, o Professor Pedro Arroja, ainda no blog Blasfémias, definiu o conceito de “autoridade livre”. Definiu-a como uma autoridade não imposta, livremente aceite por quem se lhe submete sem a discutir e de que são exemplos a autoridade da mãe e do pai e, num contexto mais vasto, a do Papa. Pode extrapolar-se esta autoridade para os que por via de feitos heróicos ou fora do comum a podem deter. Esmiuçando todos os candidatos, do Professor Marcelo ao Tino de Rans (que foi meu recruta no RE3 em Espinho) só um candidato é detentor de “autoridade livre”: Henrique Neto. Pelo que construiu, pelo que viveu, pelo que conhece. Mais nenhum.

Por mim, não me resta qualquer dúvida: Henrique Neto é um dos meus, come como eu, vive como eu, trabalha como eu, tem mais Mundo que eu e, por isso mesmo, o meu voto. Por muito que discorde dele em muita coisa que seria importante se ele fosse candidato a PM, bem sei que não é nada liberal, é um social-democrata. Para o cargo que se candidata, interessa-me pouco e não me esqueço e sei que o cargo de Presidente da República é um cargo unipessoal e que o exerce vale-se essencialmente da sua própria autoridade individual. Não há lugar onde a “autoridade livre” seja mais importante.

Dois documentos

Os que gostam de rock’n roll não podem perder estes dois documentos. A vida de uma das últimas estrelas do rock (já não restam muitos, assim de repente só me ocorre o Keith Richards). Godspeed Lemmy.

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Rameiras

kafka2Nas semanas que se sucederam às eleições de 4 de Outubro fomos massacrados com uma “coligação de esquerda”, com um governo dessa coligação, com apoio parlamentar maioritário, com acordo de governação, com exemplos por essa Europa fora de PM’s de Partidos minoritários (esquecendo convenientemente que governam em coligação), mais o diabo a quatro. Na primeira curva teve que ser o PSD a ajudar o tal governo com apoio maioritário na AR a passar um Orçamento de Estado.

Dizem que não tinha outro remédio, arriscava que o sistema financeiro colapsasse, que as economias da Madeira e os Açores estoirassem, etc. E o “apoio maioritário” na AR? O BE e PCP não apoiam o governo do PS? Não é este um governo “das esquerdas”? Não foi este governo empossado no pressuposto de acordos entre quatro Partidos? Não é a esse “apoio maioritário na AR” a um Partido que foi derrotado nas eleições que vocês chamam democracia? Afinal, de quem é a responsabilidade de suportar as decisões governativas? Do PSD? A esquizofrenia é de tal ordem que o governo do Partido que perdeu as eleições (e que como se demonstra não tem apoio maioritário nem acordo nenhum na AR, sendo portanto politicamente ilegítimo) nem sequer se preocupou em negociar a decisão do Banif com os seus “parceiros”. Pressupôs que era obrigação de um Partido que é declaradamente oposição, apoiá-lo. Esta história escabrosa demonstra:

 

  • Que estou rodeado de atrasados mentais nos media;
  • Que para comentadeiros, analistas, jornalistas e povo em geral, o BE e PCP são agremiações recreativas com a responsabilidade de uma criança de cinco anos;
  • Que o “arco da governação” cujo fim socialistas de todas as cores celebraram se mantém o que sempre foi;
  • Que o governo que temos existe apenas por via de um golpe político ilegítimo.

Um governo com as características e génese deste não existe em nenhum país civilizado e creio até que em nenhum de todo. Civilizado ou não. Só aqui na choldra é possível uma aberração destas. A responsabilidade da aprovação ou não de Orçamentos e de toda e qualquer medida proposta pelo governo, bem como de todas as consequências inerentes é da “maioria” formada na AR em Novembro, PS, BE e PCP, de mais ninguém.

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Circo

quefroTinha prometido a mim mesmo que hoje esqueceria o que por aí anda. Pôr a conversa em dia com a minha senhora e cria, ver um filme, uma série, pegar num livro ou assim. Mas é impossível.

Deixei de ver a Quadratura do Círculo quando a ignorância que habita cada prega de gordura do Messias que por estes dias está investido de Primeiro Ministro se me tornou insuportável. No último episódio do circo semanal (este Circo da SICn está certificado, não usa animais não-humanos, só humanos mesmo) que vi, o dito insistia que era muito bom sinal que as empresas estivessem a pagar mais Taxa Autónoma pois significava que tinham mais lucros. Nem vos vou explicar a relação da Taxa Autónoma com lucro. Não há nenhuma, mas pronto.

Há dois dias o vosso Messias propôs-se mudar a “arquitectura institucional” e as competências do Banco de Portugal, quiçá do próprio euro, da Federação americana e diria que até resolver o problema de Collatz com uma nova lei ou assim. Tudo de uma penada.

Hoje, do alto do natural atrevimento dos ignorantes (adjectivo que no caso até é caridade), diz que a maioria do capital da TAP volta ao Estado mesmo que sem o acordo dos compradores. Não sei qual dos dois solitários neurónios do PM fez curto circuito mas pelo menos um dos dois que se lhe alojam na caixa craniana fundiu.

Enquanto isso, o governo do México (do México por Deus!) já protestou pela reversão de uma concessão de transportes ganha por uma empresa daquele país e é bom que vos prepareis para mais. Os contribuintes preparai-vos para pagar o onanismo do Messias usurpador e os parasitas também não fiquem descansados porque, sabendo todos que o Estado não é pessoa de bem, isto faz maravilhas pelo vosso emprego e rendas mensais.

Se já havia quem se queixasse que isto é uma República das bananas, o chapati que faz de PM encarrega-se de lhes dar razão. Pior que um cínico é um idealista, pior que um idealista só um ignorante contumaz.

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Abade de priscos

Um gajo bem tenta mas não é fácil habituar-nos à necessidade da esquerda de ter a cabeça enfiada no recto.

lavos

“Hoy se instaló en la sede de la AN el Parlamento comunal, yo le voy a dar todo el poder al Parlamento comunal, y ese Parlamento va a ser una instancia legislativa del pueblo desde la base”, ratificó Maduro

“Se instaló en la sede de la AN el Parlamento Comunal, yo le voy a dar todo el poder al Parlamento Comunal, y ese Parlamento va a ser una instancia legislativa del pueblo desde la base”.

El presidente de Venezuela aseveró que no permitirá que la “burguesía parasitaria” tomé el poder político y consolide “su golpe electoral”, tras el mayor triunfo de la oposición en 17 años frente al chavismo.

“Nosotros no vamos a permitir que la burguesía parasitaria tome el poder político y nos traiga a gobernar al Fondo Monetario Internacional aquí otra vez (…) No vayan a creer que esto se queda así, no, esto no se queda así”, advirtió.

Y agregó: “Vamos a cambiar esta situación y no le vamos a permitir a la derecha que consolide su golpe electoral, así lo digo, no lo vamos a permitir”.

E isto é delicioso

Venezuela: ¿qué es el Parlamento Comunal que instaló el chavismo luego de perder la mayoría legislativa?

Vigarice

kafka2Hoje no Diário Económico

Reza a história que em visita à Suécia em 1975 Otelo terá dito a Olof Palme que em Portugal queriam acabar com os ricos, ao que o segundo respondeu que na Suécia queriam era acabar com os pobres.

A tristeza de tudo isto é que quarenta anos depois, a preocupação de quem nos pastoreia, apesar das pias declarações, continua a não ser com os pobres, mas com os que julgam ricos.

A CRP afirma no extraordinário artigo 104º que o IRS (que só existe desde 1989) visa a redução das desigualdades, ou seja, o IRS não é um instrumento de financiamento do Estado, é um instrumento de engenharia social.

O mesmo que querem fazer da “sobretaxa”. Descontando a vigarice do actual governo ao propor-se isentar da sobretaxa quem nunca esteve sujeito a ela, ressalta a diferença de tratamento dos cidadãos. Ao mesmo tempo que chamam ricos a remediados, repõem salários e pensões a outros parasitas cujo rendimento é até superior.

O socialismo no século XXI continua o que sempre foi: os animais todos iguais mas uns são mais iguais que outros.

Casal da Eira tinto

kafka2Um gajo ao ler/ouvir o Messias que nos pastoreia não sabe se há-de rir se chorar. Esta última sobre o Banco de Portugal não é de taxista, é de atrasado mental após dois pacotes de Casal da Eira tinto.

O Messias propõe-se encontrar “um novo desenho institucional” seja lá isso o que for; queixa-se de uma putativa “dupla função” e de óbvias “insuficiências de governação”; que lhe falta “know how” (é ir a correr nomear o deputado João Galamba para Presidente do BdP, tem o know how necessário, presumo).

Ò Nossa Senhora! Vou contar um segredo ao nosso brilhante Primeiro Ministro que das duas três, ou tem andado escondido numa caverna ou é um calhau com olhos apesar do que julga a sra dona Fernanda Tadeu (inclino-me para esta segunda hipótese): a gente vive com uma moeda única partilhada com mais 18 países; em 1998 foi uma guerra tramada para conseguir criar o Banco Central Europeu que incluiu dividir o primeiro mandato do Presidente do BCE entre os preferidos de alemães e franceses; e, por último, quem manda é o euro e o BCE, o “desenho institucional”, a “função” e a “governação” é o BCE que decide. Ao Governo resta a consolação de nomear o Presidente do Banco central indígena, a fingir que manda alguma coisa.

Para ajudar, é nestas alturas que um gajo dá graças a Deus pelo euro e pelo BCE, o que o Messias demonstra com toda a clareza é a tentação dos políticos para se meterem com a moeda e assuntos dos quais não sabem nada e de caminho entalarem-nos forte e feio. A manipulação da moeda é um clássico da acção governativa ao serviço dos seus próprios interesses com o prejuízo dos cidadãos. Não fosse por outra razão, o euro e o BCE protegem-nos dos desmandos do Costamessias e afins e é muitíssimo bem vindo.

Também aqui mas mais colorido

Proxenetas e escravos

kafka2O sistema fiscal indígena, além de iníquo, é um absurdo saído da cabeça de imberbes cujo único objectivo parece ser tornar-nos todos miseráveis ao serviço da casta a que eles próprios pertencem.

Conforme a imagem abaixo, em 2008 já o nosso “esforço fiscal” era 1,64 vezes mais alto que a média europeia, 1,77 vezes o esforço dos suecos ou 3,3 vezes o dos noruegueses. Dada a evolução desde 2008 isto só se terá agravado. Nós, os que pagamos impostos daquilo que produzimos (não os que fingem que pagam do que recebem dos impostos dos outros) não somos nem mais nem menos que semi-escravos do Estado, das corporações, dos interesses particulares, da chamada “justiça social” e de tudo quanto é proxeneta nesta choldra insuportável..

esfuerzofiscal

Também lá no bordel familiar, mas mais colorido. O resto fica para o artigo de quinta feira no Diário Económico.

Dos filhos

gatoFuncionário público não é um estatuto ou uma profissão, é uma forma de estar. O que não falta são funcionários em empresas privadas e são fáceis de identificar .
Houve um tempo em que as chamadas “profissões”, no estado, eram prestigiadas, quem as exercia, só por exercê-las, estava imbuído de uma autoridade natural. Era quando nas aldeias, o médico, o professor e o padre eram A Autoridade, nas vilas idem, acrescentavam-se juízes e polícias, nas cidades igual e somavam-se-lhes os militares. Nesse tempo, antes de funcionário era-se professor, médico, militar ou juiz, profissional de uma actividade útil.
Até 1989 havia duas classes distintas de trabalhadores e profissionais, os que eram pagos por todos os outros e os que viviam do que produziam e com parte disso sustentavam a burocracia e as profissões. O estatuto, privilégios, deveres e direitos de quem era pago pelos impostos decorriam disto.Da aceitação alheia da autoridade em virtude da utilidade da profissão que exerciam. Em 89, o Governo do marido da cavaca fez a provavelmente maior reforma dos últimos 40 anos mas, como não podia deixar de ser (não podia perder os votos de uma massa enorme de gente) atribuiu o que se podem chamar direitos dos trabalhadores do privado (SS, SNS, deduções fiscais, etc) aos funcionários mantendo-lhes os de que aqueles não são, nem nunca foram, titulares. O funcionário ficou com o melhor de dois mundos, sem qualquer dos inconvenientes de ambos tal como existiam antes. É natural, o Governo à época já sabia que quem ganha eleições são funcionários e pensionistas.
Professores, médicos, polícias, juízes e militares foram na conversa e, para eles, muito mais importante que a dignidade, a autoridade, a ética profissional e a independência da profissão estiveram as promoções, as diuturnidades, as ajudas de custo, as isenções, os subsídios, as baixas, os escalões e a puta que os pariu a todos.
É uma tristeza e uma dor d’alma que, hoje, um médico, professor, militar ou juiz olhe para si mesmo e antes de mais seja “funcionário público”, o grau mais baixo a que pode chegar um profissional. Logo ali acima de verme e abaixo de barata. Uma vergonha

Les miserables

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Presumo que a quem não tem nada a perder, a golpada socialista estimule o sentido de humor. Para um emigrante na Irlanda ou um colunista no Telegraph tudo isto faz rir. Com muita pena minha nem sorrir consigo. Já estive em 2011, 2012, 2013 e 2014 e não me apetece nada lá voltar, o que é um dado adquirido, assim tenha tempo a Frente de Golpistas, Lunáticos e Totalitários que se avizinha e a quem, espero, o Presidente da Republica entregue o Governo.

O nojo que me suscita esta gente (que de gente tem muito pouco) e que chega a ser físico é bem justificado. Primeiro negam ter perdido eleições, a seguir prometem um coligação de esquerda no Governo, depois já não é bem coligação é um acordo para quatro anos, depois já não é bem assim, é só golpistas e lunáticos no governo com o apoio de totalitários, a seguir já é só um acordo (qual acordo?) para impedir um “Governo de direita”. Putedo rasca é o que são, do primeiro à última.

A alucinação e a golpada é de tal ordem que, no dia em que alguns decidimos gozar no twitter com o #PortugalCoup celebrizado pelo génio do Ambrose Evans-Pritchard (cujo deus ex-machina indígena ultrapassa todos os limites do nojo) no Telegraph, havia por essa Europa fora, pessoas genuinamente convencidas que teria havido uma coligação de esquerda a concorrer à eleições, que teria sido impedida pelo PR de formar Governo. Tal é a capacidade de mentir, aldrabar e vigarizar a pretensa democracia em que eu, infelizmente, vegeto.

Estou farto destes miseráveis mas já só rezo para que tenham o que desejam. Todos eles. Do Ungido golpista, à actriz lunática, ao falso operário totalitário.

Demo ratas*

homer_dohDo que tenho lido e ouvido por aí, segundo democratas cheios de pergaminhos, o próximo Governo deve ser formado de acordo com o seguinte critério de legitimidade:

  1. Se o PS tiver menos votos que a coligação mas mais deputados que o PSD, deve ser convidado pelo PR a formar Governo em virtude do número de deputados;
  2. Se o PS tiver mais votos que o a coligação mas menos deputados que esta deve ser convidado pelo PR a formar Governo em virtude do número de votos e da inexistência da dita coligação;
  3. Se o PS tiver menos votos que a coligação e menos deputados que o PSD, deve ser convidado pelo PR a formar Governo em virtude de existir uma “maioria de esquerda” no Parlamento.

Seja qual for o resultado nas eleições só o PS tem legitimidade para formar Governo ou o PR está a levar a cabo um quase Golpe de Estado. Lindo.

*Não é gralha

Do P.C.E.C. – Processo de Corbynização Em Curso

palhaço

É um bocadinho awkward quando têm que ser não-socialistas, ou até anti-socialistas como eu, a ter que relembrar militantes e simpatizantes do Partido Socialista de onde este vem e quem é. Não é que me interesse o destino do Partido, pelo contrário, mas sendo um reaccionário e anti revolucionário convicto gosto que haja alternância democrática num mínimo de respeito pelo bom senso. Um pouco mais à esquerda ou um pouco menos à esquerda, convém que vá havendo alternância para evitar o enquistamento de maus hábitos. Sendo que essa alternância não nos deve atirar para um poço syrízico, se possível, coisa que por pouco se evitou nestes dias. Se é que evitou. Assim, lembro aqui aos socialistas com cartão ou sem ele de que lado da História se podem ou não orgulhar, conforme lhes apeteça, a propósito da estapafúrdia ideia de “alianças naturais com a esquerda” que, quer queiram quer não, é o que sempre foi.

Julho de 1975 –quando da Manifestação na Fonte Luminosa de que lado esteve o “aliado natural”?

Tentativa de golpe de 25 de Novembro de 1975 – de que lado esteve o “aliado natural”?

Revisões Constitucionais de 1982, 1989, 1992, 1997, 2001, 2004, 2005 – de que lado estiveram os “aliados naturais”?

Tratados europeus de Maastricht (92), Nice (2000) e Lisboa (2007) – de que lado estiveram os “aliados naturais”?

Adesão à CEE (86) e entrada no euro (2002) – de que lado estiveram os “aliados naturais”?

Pedidos de resgate internacional (78, 83, 2011) – de que lado estiveram os “aliados naturais”?

Reformas da Segurança Social (97, 2001, 2006) – de que lado estiveram os “aliados naturais”?

Durante as 37 privatizações feitas pelo PS entre 1995 e 2005 de que lado estiveram os “aliados naturais”?

Podia continuar durante dias, mas isto deve chegar. Para já, mas há mais nos sítios de onde isto veio. Só entre 2005 e 2011 há pano para mangas.

Coisinhas boas

palhaçoO Livre é reduzido à insignificância, ficando atrás do PAN e do PCTP/MRPP apesar de andar há meses a ser levado ao colo pelas redacções dos media. Para melhorar, não tarda, o Rui Tavares volta à vidinha de salário de professor.

Calhaus

palhaçoJá se previa que a esta hora se viessem a revelar os democratas encartados, imbuídos do maior sentido democrático. Seguem uma longa tradição democrática e republicana da mais alta elevação. Segundo eles, quem ganhou as eleições não deve ser convidado pelo PR a formar governo mas sim uma tal “maioria parlamentar de esquerda”. Democracia a quanto obrigas.

Da tralha

palhaçoDesde a eleição de António “Messias” Costa que o PS deu uma guinada à esquerda, sabe-se lá se por convicção se por táctica. Estas eleições demonstram bem o resultado dessa opção. O Messias recuperou a tralha socrática, promoveu os jovens turcos syrízico/venezuelanos e muita sorte tem não levar já o destino do PASOK. Que aprendam alguma coisa.

Syrizos

palhaçoCom tudo isto e com estes resultados resta dar os parabéns à ala syrízico/lunática do PS. Para que conste, o Syriza é o partido-irmão do Bloco de Esquerda apesar das tentativas de apropriação dos socialistas e de renegarem o PASOK. A esquerda sirízico/lunática em Portugal é o BE, no PS além de soar a falso, revela o pouco respeito que têm por uma tradição democrática e de luta anti-totalitária.