Denial

kafkaEu, no Diário Económico de hoje

Apesar da negação, as pensões de reforma já estão indexadas à demografia e ao crescimento económico em toda a Europa, sendo que, se em alguns países já o perceberam e agiram em conformidade, em Portugal, mantemo-nos orgulhosamente no primeiro estágio do Modelo de Kübler-Ross. Parecemos não querer saber que a Segurança Social é um sistema de redistribuição e não se distribui o que não existe. Se há dois pães e duas pessoas a quem os distribuir há um pão para cada uma. Se houver três pães e quatro pessoas, não se distribui um pão a cada pela razão simples que só há três.

 

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Os meus russos

kafkaSobre isto da Crimeia, da Ucrânia e da Rússia ocorrem-me os autores russos que li desde piqueno. Para que tenhamos uma perspectiva da Rússia é preciso ter lido Tolstoi, Solzhenitsyn, Dostoyevski, Chekhov, Turgenev, Gogol, Pushkin, etc. É preciso ter ouvido Shostakovich, Borodin, Rachmaninoff. É preciso perceber que existe uma alma russa e não se brinca com ela. A Rússia ficou de joelhos com a queda da URSS, essa malfadada experiência que só naquele sítio poderia ter existido, pobres dos russos. Só que a História está lá toda e nem os assassinos comunistas conseguiram acabar com ela. A Rússia de Catarina a Grande e Pedro II continua lá. E por muitas voltas que se dê, se este é um tempo de anões, o Putin, comparado com os líderes Ocidentais é um gigante. Obama, Hollande e família? Ridículos. No Ocidente talvez só a Merkel seja capaz de o olhar nos olhos, os outros olham pra cima.
Não me fodam os meus russos que eu gosto deles.

Do brilho do latão e dos rolinhos de papel

kafkaEste pedaço do texto do Sr João Cardoso Rosas no Diário Económico tem o brilho próprio do latão (mal) areado:

Na verdade, o ajustamento no sector público foi brutal, embora numa lógica de corte cego. Mas aquilo que aconteceu no sector privado foi a transferência de custos das empresas para o Estado através do desemprego. Ou seja, muitas empresas, em vez de ajustarem o seu funcionamento, limitaram-se a despedir trabalhadores cuja subsistência é hoje garantida pelo Estado em subsídios de desemprego, subsídios sociais de desemprego, assistência social, etc.

Bem sei que acima escreve “muitas empresas” e não “as empresas”. Pois mesmo assim enfio a carapuça com a maior das vontades.

Para começar não lhe reconheço qualquer autoridade para fazer este tipo de afirmação enquanto não passar noites sem dormir porque não tem dinheiro para pagar salários nem como o arranjar; enquanto não for solidariamente responsável perante a Banca, o fisco e a Segurança Social porque os clientes faliram e não pagaram; enquanto não tiver que encarar dívidas de IVA a acumular coimas e juros porque forneceu um organismo do estado que não lhe paga qualquer factura há 1485 dias; enquanto não fizer das tripas coração para tentar manter viva um empresa e os empregos que dela dependem.

O senhor João Cardoso Rosas, por muito Professor Universitário que seja, é um ignorante.  A Senhora que faz a limpeza no meu escritório e armazém há 13 anos sabe mais da vida de uma empresa e de como se organiza (e é uma Senhora que nunca aprendeu a ler ou escrever) do que sabe este sábio. É por estas e por outras que profissões como a  do senhor Cardoso Rosas outrora respeitadas deixaram de o ser. É por estas e outras que os mesmos se queixam que hoje toda a gente se julga especialista. Porque qualquer não académico, qualquer comerciante de vão de escada como eu lê isto e apercebe-se da ignorância que está por detrás de tanta verborreia. E se um professor do ensino superior não sabe coisas básicas e simples, como pode saber mais que a senhora da limpeza lá da empresa? Como pode alguém que escreve isto saber mais que eu que não passo de um comerciante?

De 2005 a 2010 investi 60% dos lucros anuais da empresa em equipamento, em expansão, em pessoal, em meios, etc. Correu mal. De 2010 para 2011 as vendas em duas lojas que tinha aberto caíram mais de 70% e tive que as fechar porque não aguentava os custos (e sabe Deus o que aguentei). O que sugere o senhor Cardoso Rosas? Que afundasse o resto da empresa e em vez de despedir 60% das pessoas acabasse a despedir 100% e de caminho me desgraçasse e à minha família?

Graças à competência da Maria João e respectivos sócios a empresa dela cresceu e manteve-se saudável nestes tempos difíceis. Encontrou novos mercados, dedicou-se a áreas que deram certo, etc. A minha não, facturou em 2013 cerca de 50% do que facturou em 2009. E tenho tentado coisas novas, mercados diferentes, produtos-outros (como diria outra luminária académica) sem sucesso, que isto vive de tentativa e erro caso o senhor Cardoso Rosas não o saiba também. O que sugere o senhor Cardoso Rosas? Ou melhor, quem é o senhor Cardoso Rosas para afirmar que eu e outros como eu (incluindo muitos que fecharam e vivem na miséria) transferimos custos para o estado? Que merda é esta? Não faz sequer ideia do que o estado suga das empresas, tenham ou não lucro, sejam ou não saudáveis. Quem transfere custos não somos nós, é o sacrossanto estado que nos sobrecarrega dos tais custos.

O senhor Cardoso Rosas fazia bem era em agarrar na página do jornal onde foi publicado o artigo, fazer um rolinho e enfiá-lo onde o sol não brilha.

Retrovirus

 

kafkaChega a ser desesperante. A incapacidade de perceber os mecanismo fiscais e a diferença entre pessoas e empresas, IRS e IRC é de bradar aos céus. A ver. O IRC incide sobre os lucros de uma entidade fictícia que não existe fisicamente. Uma empresa não tem filhos ou hipotecas. Não tem férias, não tem encargos, não fala, não pensa, não tem desejos, aspirações, não é uma pessoa. É uma ficção jurídica  que existe com um único propósito: organizar a produção, juntar capital e trabalho e produzir qualquer coisa.  Uma empresa não paga impostos. Quem os paga sempre são pessoas. No que respeita ao IRC há três classes de pessoas que o pagam: accionistas, trabalhadores e consumidores. Um papel, dê-se-lhe o que nome que se der – escritura, pacto social, etc – não paga impostos.  Sendo que só pessoas pagam impostos, dos três grupos de pessoas referidos quem paga o IRC? Não é uma questão fácil porque depende de outros factores. Da elasticidade dos preços, da mobilidade do capital, da mobilidade do trabalho, etc. Mas sabe-se alguma coisa: quanto mais móvel for o capital (e a UE é um exemplo extremo) mais o IRC incide sobre trabalhadores e consumidores.  Quanto menor a flexibilidade dos preços mais incide sobre os trabalhadores (e Portugal é um exemplo extremo) e quanto menor for a mobilidade dos trabalhadores mais ainda incide sobre estes.  Sabe-se desde há muito – e aconselho ler o Stiglitz , um dos dois Nobel queridos da esquerda indígena – que em casos como o português, o IRC é pago maioritariamente pelos trabalhadores, pelas pessoas que produzem, as de carne e osso, que têm filhos e hipotecas e férias e desejos e aspirações. Dir-me-ão: mas se baixa o IRC aumentam os lucros a distribuir pelos accionistas. É verdade, mas os dividendos – lucros distribuídos – são taxados em sede própria.  O único lucro que beneficia com uma descida do IRC é o que fica na empresa. Lucro esse que se não for reinvestido ou retido para fundo de maneio mínimo e suficiente, não é lucro nenhum, é um custo. Numa empresa, dinheiro parado é custo, meus amigos. Dai que o destino dos lucros menos/não taxados só pode ser um: investimento. E é do investimento que vem o emprego. Não cai do céu, não vem de um decreto lei, vem do investimento e este, por sua vez, vem dos lucros retidos APÓS IMPOSTOS.

 

A única razão porque os Governos insistem na demagógica existência do IRC é um populismo bacoco baseado na ignorância da maioria, no preconceito ideológico de alguns e na má-fé de outros.  Quem julgam vocês que vai pagar as sobretaxas de IRC para empresas com lucros superiores a determinados valores? O que pensais vós, ignaros, que as empresas fariam com esses lucros? (Não esquecer que o que distribuírem é sujeito a imposto em sede própria)

Ok. Mas podeis ainda dizer-me: está bem mas se o accionista tiver sede no Luxemburgo não paga cá o imposto do dividendo e se empresa distribuir mais lucro após um IRC mais baixo é o gajo que ganha mais. É verdade. Só que o problema é que 10% de mil é mais que 30% de 100. Se eu, enquanto accionista tiver que investir, entre duas empresas com lucros iguais que distribuam a mesma percentagem do lucro vou escolher, naturalmente, aquela que me der maior retorno. Entre investir numa irlandesa ou portuguesa não tenho dúvidas. Portugal tem um problema dramático de falta de capital que, em si mesmo, tem é mais responsável pela emigração de quadros que qualquer outra questão política ou económica. Com esta perseguição que lhe é feita, é certinho direitinho que o capital procura melhores paragens. Isto é um país de doidos varridos que só interessa a gente cujos fundos têm proveniência duvidosa. Aqueles que prezam o capital não investem cá a não ser que também sejam malucos.

Tiro num sítio qualquer

kafkaNeste post, Vital Moreira parte da comum confusão – não creio que haja má fé – sobre o que é o IRC, a que se aplica e sobre o que/quem incide.

A empresa é uma ficção jurídica, não passa de um método de organização da produção, não é uma pessoa; o rendimento (lucro) da empresa não é o rendimento do empresário.

Não faz sentido nenhum dizer que a descida da taxa de IRC “É uma simples transferência de rendimentos entre grupos sociais: dos trabalhadores e pensionistas para os empresários” mesmo num contexto de corte de salários e pensões. E não faz sentido porque todos os impostos, sem excepção são pagos por pessoas concretas, não por ficções. No caso de Portugal (economia pequena e aberta) o IRC incide (é pago por) maioritariamente sobre os trabalhadores (ver Stiglitz por ex) na forma de salários mais baixos. O rendimento dos empresários são os dividendos, não são os lucros, e esses são tributados em sede de IRS, não no IRC. O que a descida da taxa do IRC faz é permitir acumular mais capital nas empresas e libertar meios para investimento. Caso os dois pontos percentuais da descida sejam usados para distribuição pelos empresários serão tributados em IRS a uma taxa mais alta que o actual IRC.

Claro que podemos sempre considerar que todo o rendimento é propriedade do estado que depois deixa uma parte a quem o produziu, mas esse já é um Mundo-Outro que, bem sei, já foi do agrado do Professor Vital Moreira e se calhar continua a ser.

Leitura complementar: Da natureza das coisas

Nota: empresários e accionistas são gente diferente

Shitholes and the like

toiletscenHá latrinas e latrinas mas nenhuma mais porca e infecta que a política partidária. Quanto mais atento vou estando ao que se passa na política maior sensação de vómito. A porcaria e o fedor que exala é de revirar o estômago. Uma imagem: uma vez tentei ir a uma casa de banho daquelas “portáteis” na Praia do Amado e aquilo tinha merda por todo lado, nas paredes, no chão, até no tecto. A política como é feita pelos seus agentes todos os dias é pior. É coisa para qualquer pessoa de bem se afastar para bem longe. E se tiver o estômago fraco é melhor nem olhar.

Se o fedor que o futebol exala é mau, ao menos só afecta os que lá andam, a política suja-nos a todos. Como é, não tem nada de nobre, não passa de um conjunto de carregadores de porcaria a distribui-la a eito. Tudo não passa de contagem de vantagens e um desfile de vaidades de personagens cravados de merda de cima a baixo. A quantidade de pessoas com responsabilidades sérias no estado em que estamos que passam os serões nas TVs a cagar postas e a apontar o dedo (acabado de retirar do ânus); os cometandeiros à procura de emprego; os pensionistas de luxo que vivem à custa de quem ganha bem menos que eles; tudo, absolutamente tudo, tresanda.

Isto, nem com benzina sai. Tamanha quantidade de porcaria, só queimando. E nem é só das pessoas, é da natureza da actividade.

Ele é champanhe e o c*****o!

kafkaEu, no Diário Económico

Diz que o Governo prevê mais 22 mil desempregados em 2014. Extraordinário. Não se percebe como é possível que o número de novos desempregados previsto seja tão pequeno.

Em Portugal tudo parece estar organizado para nos transformar a todos em desempregados. Fica-se com a sensação que uma organização secreta ou um cientista maluco fez disto um laboratório de experiência do desemprego. A ver até que ponto é possível destruir empresas, emprego e vidas.

O rejeitado

kafkaEu, hoje no Diário Económico.

A desresponsabilização da oposição é uma das consequências perversas das maiorias absolutas. Sabem que façam o que fizerem, votem como votarem no Parlamento, qualquer proposta do Governo de maioria de ocasião tenderá a ser aprovada, facilitando a demagogia e a irresponsabilidade de quem se lhe opõe sem que sofra qualquer consequência negativa. Tende até a ganhar o favor da população descontente e a ser premiado nas urnas, apenas para uma vez eleito propor exactamente o que negava antes, embrulhado num pacote com um laço diferente. Especialmente em Portugal onde os democratas convictos têm uma curiosa concepção de democracia, estar na oposição ou num Governo de maioria absoluta dispensa-os de a praticar.

Da natureza das coisas

kafka

Sempre que se fala em descidas de impostos alguns defendem que deve ser prioritariamente no IRC, outros que não, que não seria justo e outros ainda, como eu (fasssista) , que o IRC devia ser pura e simplesmente abolido. Vou tentar explicar porquê e são duas as razões principais.

1)   A primeira diz respeito à incidência do imposto. Desde pelo menos 1899, quando Ernst Seligman* o fez notar, sabemos que as empresas não pagam impostos. Porque não podem. As empresas** não são pessoas, são ficções jurídicas que servem para organizar a produção e misturar capital e trabalho da forma mais eficiente possível. O dinheiro só aproveita a pessoas concretas, só pessoas podem usar o dinheiro de uma maneira ou de outra. O que Seligman (e Joe Stglitz e todos os Nobel e afins que estudam este assunto e seja quem for que pense com um mínimo de lógica) concluíram é que quem realmente paga o IRC são três tipos de pessoas: accionistas – menores dividendos; trabalhadores – salários mais baixos; consumidores – preços mais altos. Que parte do imposto cabe a cada um é difícil de saber, o que se sabe é que quanto mais aberta e/ou mais pequena for uma economia mais incide sobre trabalhadores, quanto maior e/ou mais fechada, mais incide sobre accionistas. Do que não restam dúvidas é que é uma mistura destes três tipos de pessoas sobre quem incide o IRC. Dir-me-ão: “Ah! Mas se o IRC desaparecer quem é beneficiado são os accionistas/donos.” Não necessariamente e é fácil resolver, basta englobar dividendos no IRS à taxa do escalão respectivo. Com vantagens. Por outro lado, o lucro não distribuído fica na empresa que não tem muitas opções quanto à sua utilização: investimento, activo ou desendividamento. Além do (muito provável – não esquecer que no caso português a maioria do imposto é pago pelos trabalhadores via salários mais baixos) aumento de salários. Apesar disto ainda há quem veja no balanceamento dos impostos uma questão de “justiça” – convenhamos que um tipo de “justiça” muito particular. Dizem que não é justo que por exemplo se baixe o IRC e não o IRS. Isto é basicamente não ver o que está visível. A incidência do imposto faz com que  o IRC acrescente ao IRS. Baixá-lo ou fazê-lo desaparecer é diminuir a carga fiscal sobre trabalhadores e consumidores. A maioria dos accionistas (pessoas), sendo os dividendos englobados no IRS, ficam mais ou menos na mesma.
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Carta ao Ministro da Educação, Nuno Crato

flip

Então Nuno? Mékié? Tá tudo?

Andas há anos com essa cena do facilitismo e que a malta não aprende e não sei quê e o c*****o. Tas a bater mal, mano.  Ouve, não sei comequié c’os outros mas o meu pips faz o que pode, meu filho. Os profes dão o programa, os manos dão o litro e ainda há umas semanas o pessoal fez os exames todos do GAVE dos anos anteriores e aquilo até se comia. Sabes, o meu mais velho queixa-se com’ó  c*****o que ninguém me ensina nada de jeito, que os manuais parecem feitos prós chavalos do vizinho que são dois gémeos com sete anos. O mais velho diz que ainda por cima andam a gozar comigo e c’o meu pips e que a gente mais cedo ou mais tarde f***-*e. Eu não sei nada disso. Parti-me todo a estudar, filho, tudo o que vem no programa que o teu Ministério aprovou, derreti o manual de Matemática da primeira à última página, fiz e voltei a fazer tudo quanto é teste. E vou-te dizer, os exames dos anos anteriores que encontrei na net eram tótil fáceis.  Tu este ano fumaste ganza marada, meu filho. Ouve uma cena, isto não tem nada que saber: queres apertar com os exames? Aperta com o programa, mano. Agora, f***-*e! Andas a ensinar-nos a andar de aranha e mandas fazer exames como se nos tivessem ensinado ballet clássico? (caso não percebas isto é uma metáfora) Tásta passar ó quê? Faz lá os exames que quiseres, ouve lá, mas não andes a gozar connosco. Queres mais exigência? Na boa. Mas não me f***s, primeiro ensina, depois examina.

…e quê?

Burn baby, burn

kafkaJa percebi que divirjo dos meu amgos insurgentes relativamente ao discurso do Excelentissimo Senhor Professor Doutor Presidente da Republica. pareceu-me simples, directo e não passivel de grandes exegeses. Fica assim: eh da responsabilidade dos Partidos que assinaram o Memorando de Entendimento em Maio de 2011 que os objectivos nele inscritos se cumpram. E para isso têm que, simplesmente, relembrar aquilo com que se comprometeram. Assim:
1) O PSD não pode fazer de conta que o PS não existe;
2) o CDS deve decidir se esta no Governo ou na oposição e se tem ou não reservas mentais acerca do que assinou em Maio de 2011;
3) O PS não pode fazer de conta que não eh responsavel pelo pedido de ajuda externa e tem que decidir de vez se quer cumprir aquilo com que se comprometeu em Maio de 2011 ou não.

Se uma das três anteriores for negativa pois que haja eleições de vez. Mas, se ha alguem que tem andado a brincar as politiquices, não me lixem, não eh o PR (por muito pouco que simpatize com o homem) são os responsaveis partidarios. E ja chega. O que o PR lhes diz eh: assuma as vossas responsabilidades, se não o fizerem assumo eu por vocês e o povo que decida o vosso destino.
Dito isto, tenho duas certezas:

1) Para uma esquerda, se este discurso tivesse sido proferido por Soares, Alegre ou Sampaio seria no minimo um discurso de genio;

2) Para a outra esquerda (que incompreensivelmente em Portugal se trata por direita) seria de genio se não estivessemos falidos e se o PS tivesse maioria na AR.

Depois da constante oposição ao Governo pelo CDS e da alarvidade cometida na semana passada pelo seu actual lider, da permanente teimosia do PSD, da reincidência sistematica no pensamento magico do PS e considerando a situação em que estamos (e que nos Partidos parece ainda não ter percebido) a atitude do Excelentissimo Senhor Professor Doutor Presidente da Republica (essa rameira) parece-me bem. Burn baby, burn

 

Nota: os acentos não funcionam. Despejei cerveja em cima do teclado disto

Ersatz

O meu artigo de hoje no Diario Economico

kafka

Caro José Ribeiro, presumo que V. Exa seja o mesmo José Ribeiro que foi Embaixador de Angola em Portugal e na Suíça.

Queira que lhe invejo mais a geografia actual pelo carinho e memórias que tenho de Angola e dos angolanos. Nota-se que viveu entre nós pois há nos seus artigos alguma confusão, muitas contradições e dir-lhe-ia que tem pouco a ensinar e pelos vistos a aprender, com os media portugueses no que respeita à asneira. Nisso, caro José Ribeiro, a imprensa em Portugal está cheia de especialistas.

Integração europeia

kafka

São muitas vozes que se levantam na Europa contra os paraísos fiscais, as Zonas Francas e outro tipo de territórios que permitem a pessoas e empresas baixar a factura fiscal. Nesse sentido fiz um exercício que considera que esses territórios deviam ser expulsos da União Europeia e/ou sujeitos a sanções.

 

 

  1. Reino Unido – não se percebe a preocupação com as Falkland/Malvinas ao mesmo tempo que permitem que em território britânico existam paraísos fiscais como Gibraltar ou a Ilhas do canal. Expulsão;
  2. Holanda – o regime fiscal holandês configura concorrência fiscal desleal como demonstra o regime de tributação das SGPS que levou tantas portuguesas a saírem de Portugal e sedearem-se em Amsterdão. O Porto de Roterdão devia ser investigado. Expulsão;
  3. Itália – a República de San Marino é um paraíso fiscal e é inadmissível que os Governos italianos não façam nada para a anexar. Expulsão;
  4. Espanha – o Porto de Vigo é um  Porto franco e mais uma razão a somar à presença de Andorra que ajuda a que Espanha tenha vantagens fiscais sobre o resto da Europa. Expulsão;
  5. Áustria e Alemanha – o Liechenstein é um bode expiatório que na realidade serve os interesses do capital alemão e austríaco. A sua existência põe em risco a solidariedade europeia. Expulsos, os dois;
  6. Luxemburgo – Quase não são precisas palavras. O paraíso fiscal por excelência no coração da Europa. Expulsão;
  7. França – O que dizer do Mónaco? E da Córsega? Expulsão.
  8. Bélgica – depois do Depardieu e outros, o Bernard Arnault, CEO da LVHM o maior grupo de marcas de luxo do Mundo, também mudou a residência fiscal para a Bélgica o que demonstra a concorrência fiscal desleal desta última. Expulsa;
  9. Irlanda – com dois escalões de IRS e uma das corporate tax mais baixas da UE faz óbvia concorrência fiscal desleal. Expulsão;
  10. Países de Leste – apesar de grande variação (de flat taxes a IRCs zero) os países de Leste entretêm-se em criar sistemas fiscais competitivos que atraem investimento prejudicando o resto da União Europeia. Tudo expulso.
  11. Dinamarca – ao facilitar despedimentos, com um IRC abaixo da média da UE e tendo um sistema fiscal em que por exemplo os dividendos não são taxados, ou os prejuízos das empresas não têm tempo limite para ser amortizados, a Dinamarca prejudica a Construção Europeia. Expulsão;
  12. Suécia – entre muitas outras coisas os dividendos recebidos por sócio gerentes de empresas estão isentos de impostos. Óbvia infracção da solidariedade fiscal europeia. Expulsão;
  13. Finlândia – o caso finlandês é mais complicado mas pelo sim pelo não expulsa-se também.

Resta aplicar sanções económicas à Suíça pela União Europeia constituída por Portugal e Grécia, os únicos que não têm nada que lhes possa ser apontado no sentido de fazerem concorrência fiscal (leal ou desleal) ao resto da….wait. Pra onde é que foram?

 

Um pano encharcado

kafkaHoje de manhã cedo ouvi que o Governo se prepara para instalar mais pórticos em várias ex-SCUT e na A3 entre o Porto e a Maia. Segundo ouvi quer-se cada vez mais aprofundar o princípio utilizador-pagador e evitar o contribuinte-pagador (curioso que mesmo assim os impostos não baixam nunca, só sobem). Já há uns dois anos fiz o mesmo exercício abaixo relativamente a 2009 que demonstra que os automobilistas pagam o suficiente para alcatroar a Península Ibérica de cima abaixo sem precisar dos outros contribuintes para nada. Este é feito para 2010 porque é anterior à entrada em vigor das novas portagens nas SCUT. Sei também que houve quebra nas vendas de veículos novos e de combustíveis. Mas também sei que vários impostos aumentaram desde aí.

Receitas do Estado em 2010 de impostos pagos exclusivamente pelos automobilistas:

Imposto Sobre Produtos Petrolíferos – 3,239,600,000 € (Fonte: INE)

Portagens – 45,189,000 € (Fonte: Estradas de Portugal sendo que este valor é anterior à entrada em vigor das portagens nas SCUT que em 2011 renderam mais de 190 milhões)

Imposto único de Circulação – 323,000,000€ (fonte: DGCI)

Imposto Sobre o Registo de Automóveis – 831,000,000 € (fonte: INE)

Multas de trânsito: 41,600,000€ (Fonte: imprensa. Há a considerar que só no primeiro trimestre de 2012 este valor foi de 47,7 milhões e até Julho do mesmo ano atingiu 154 milhões. Isto é caça à multa ou é o quê?)

Fica ainda a faltar-me a receita fiscal de IVA relativa a combustíveis, veículos novos e manutenção dos mesmos. Mesmo excluindo estes, a receita total do estado via Galinha dos Ovos de Ouro aka automobilistas aka “utilizador” em 2010 atingiu um total de: 4,480,389,000€ (quatro mil quatrocentos e oitenta milhões, trezentos e oitenta e nove mil euros) mais o IVA que faz isto disparar.

Qual princípio utilizador-pagador? E um pano encharcado nas trombas não?

Nota: a receita do ISP inclui o gás propano ou butano mas não será significativo no valor total

Momentos 2012

Kelly Slater no Volcom Fiji Pro em tavarua e Dane Reynolds em Haleiwa, Oahu, Hawaii.

Kelly: a defining moment. Mais uma vez, ao fim de mais de vinte anos a a redefinir todo um desporto, numa onda apenas fá-lo pela milésima vez. Um tubo, um carve inacreditável e para finalizar, uma trancada em backside que só ele seria capaz. É ver. É logo no início do vídeo.

esta onda (clicar)

Dane: daquelas coisas que quem viu em directo na net ou ao vivo, só percebeu o que ele fez quando a imagem passou em super slow motion. Isto é completamente idiota, não é possível.

 

Go Galt

kafka1)   No fim do mês levantai o salário em notas. Deixai ficar no banco exactamente o suficiente para as contas que são pagas via transferência bancária autorizada. Prestação da casa, energia, água, etc

2)   Das notas que levareis para casa dividi em envelopes: alimentação, combustível, lazer, etc

3)   O que vos for possível (se for) poupar, comprai lingotes, libras, etc de ouro ou guardai as notas num local seguro e, se for possível, noutra moeda que não o euro – dólares australianos, coroas norueguesas ou dólares canadianos;

4)   Qualquer compra seja onde for recusai factura;

5)   Se vos for possível encostai o carro e passai a ir para o trabalho de bicicleta;

6)   Pesquisai agricultura hidropónica e trocai com os vizinhos e amigos. Tomates, salsa, etc

7)   Ver quem tem família que produza alheiras, chouriços, azeite, queijos e carne para troca. Comprai peixe, tanto quanto possível, directo aos pescadores, em notas e sem factura;

8)   Acrescentai a esta lista nos comentários

Recuso

kafkaHoje de manhã ouvi por minutos o fórum da Antena 1. Uma senhora de Trás-Os-Montes queixava-se e bem do saque a que se sujeita, da estupidez política que há tanto tempo nos pastoreia. Terminou a pedir que os portugueses, já em Janeiro, se manifestem. Por mim, estou cheio, farto de manifestações inconsequentes e que pouco mais pedem que a manutenção do status quo e a continuação da chulice institucionalizada de gente que regra geral não contribui em nada para coisa nenhuma. Com a excepção da ascese colectiva que proporcionam aos manifestantes para que servem as manifestações? Para nada.

Almocei fora hoje e paguei 9 euros. Por alma de quem é que os estado há-de receber, directo, 1,7 euros do meu almoço? Por cada 10 euros que gastais seja no que for, quase 2 euros vão para o buraco negro das contas públicas. A que propósito? Durante um ano recusei-me a pagar as portagens nas SCUT e paguei o preço. Ainda agora me recuso a ter Via Verde ou qualquer outro dispositivo para pagamento das portagens. E pago o preço sabendo Deus a falta que me faz a diferença. O que sei é que alguém vai ter que suar as estopinhas para me obrigar a cumprir a Lei e pago para isso. Quereis mesmo protestar? Só há uma maneira: recusai-vos a pagar. Recusai pedir facturas nos restaurantes, nos mecânicos, nos cabeleireiros ou ao canalizador que faz um pequeno serviço em vossa casa. Trocai alheiras por vinho, maçãs por batatas, assistência informática por serviços sexuais. Qualquer coisa serve. Parti os cartões de crédito e passai a pagar tudo em notas, moedas e lingotes de 2,5g de ouro.

Em 2013 é do mais elementar patriotismo e dignidade individual recusar sustentar os proxenetas que nos pastoreiam. Um bom ano de fuga fiscal em 2013 é o que vos desejo. Abracinhos.

Dos constitucionalistas*

kafkaOra bem, a coisa da TAP é de fazer chorar as pedrinhas da calçada. Aviso-vos no entanto que não me venham chatear com isto do BPN…perdão da TAP, daqui por uns tempos. Mas este post não é sobre esse assunto (Nossa Senhora nos acuda…), é a propósito da fiscalização sucessiva do Orçamento de Estado para 2013 que dizem (meu Deus…) o PS vai exigir. Hão-de arranjar-me um, só um, Orçamento de Estado desde 1975 que não mereça essa coisa da inconstitucionalidade (digo isto pelo que oiço aos Pais da Constituição da República e aos insígnes juízes do Tribunal mais fajuto e venal do Mundo e arredores). Por exemplo e assim de repente sem procura:

  • O aumento de dois pontos percentuais ou 10,5% do IVA, de 19% para 21% com a justificação que esses 2 pp serviriam para a sustentabilidade da SS foi constitucional (consignação de imposto)?;
  • O aumento de 2 cêntimos no ISPP em 2005 (2006?) que serviriam para pagar as SCUT foi constitucional (consignação de imposto)?;
  • No contexto de crise e violento aumento de desemprego o aumento dos salários da Função Pública em 2009 em 2,9% foi constitucional (equidade – newspeak)?
  • O aumento do IRS com efeitos retroactivos em 2010 foi constitucional (retroactividade dos impostos)?
  • O aumento da Taxa Autónoma em 2009 com efeitos retroactivos a Janeiro de 2008 foi constitucional (não carece de explicação)?;
  • A dupla tributação em muitos produtos, a tripla tributação nos automóveis (imposto sobre imposto sobre imposto), a tributação de despesas (!), o IRC sobre rendimentos não auferidos, o IVA entregue por vendas não cobradas, são constitucionais?
  • E a cereja no topo do bolo: a inflação do fim dos anos 70, início dos anos 80, foi constitucional (não vos vou explicar a relação entre inflação, aumentos de salários e escalões de IRS)?

Pois por mim mandava-se para fiscalização no Tribunal Constitucional todos os Orçamentos dos últimos trinta e sete anos.

*É da natureza dos bichos que rastejam saírem de debaixo dos calhaus de vez em quando. É como os Pais da Constituição da República. De resto, num país em que de repente se formaram, saídos do nada, milhares de especialistas em corporate finance até os constitucionalistas têm o tacho em perigo. Isto só dá malta que percebe bué da Constituição. A começar pelos que a fizeram a acabar no tal do Tribunal. Deve ser a Síndrome Relvas. Uma pandemia.

Carta aberta ao Álvaro

kafkaCaro Álvaro,

Espero que esta te encontre de boa saúde a ti e aos teus. Nós por cá vamos andando embora a distância que nos separa de ti nos deixe em cuidados, sei que não te esqueces que existimos. Quanto mais não seja para que possas brincar aos legos com as empresas e assim. Adiante.
Quando em 2011 votei no Partido que te escolheu, fi-lo pela negativa. Achei e continuo a achar que era importante livrarmo-nos do pior Governo de que tenho memória. Votei sem expectativas que o Governo que viesse a seguir fosse menos socialista que o anterior mas que, ao menos, houvesse algum pragmatismo, algum bom senso, por pouco que fosse. De todos vocês acreditei que dois seriam melhorzinhos, tu e o Francisco José Viegas. Não que fossem mudar alguma coisa de fundamental, nunca me passou pela cabeça que fizesses o que se impõe – acabar com o Ministério da Economia – mas pronto, que não fizesses tanta asneira como os teus antecessores. Não diria que tens tido uma acção pior que eles mas também não vejo o que tem de melhor, bastando para isso descontar não haver dinheiro para grandes brincadeiras. Um aparte: não estava à espera que escolhessem socialistas radicais, dignos de uma versão soft da URSS como são os Ministros do CDS, mas enfim, continuando. Continuar a ler