Raquel Varela acusa de indignidade moral pessoas que não têm a mesma opinião que ela sobre o salário mínimo. Seguindo o mesmo critério, devo concluir que Raquel Varela não tem dignidade moral, por as políticas colectivistas que defende em público serem a causa do desemprego que grassa pelo país.
Maio 22, 2013
Maio 21, 2013
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i de hoje. Será que o tempo de Vítor Gaspar terminou porque as eleições estão à porta?
Coragem?
Há dias, o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim afirmou que o tempo de Vítor Gaspar tinha terminado, porque o país precisa de uma nova etapa no combate à crise. Afirmações oportunas de quem se candidata à Câmara Municipal de Gaia e que, além de necessitar de se distanciar do governo, vai precisar, como qualquer autarca que se preze, de dinheiro fresco para gastar e fazer obra.
Há uma razão que faz realçar este dos demais candidatos autárquicos. Carlos Abreu Amorim afirmou-se publicamente como liberal, o que é raro entre os políticos. No entanto, ao invés de se destacar com um discurso inovador, defendendo, por exemplo, a descentralização fiscal como forma de responsabilizar os autarcas pelas despesas contraídas, Carlos Abreu Amorim repete o que estamos fartos de ouvir, mas ainda não de acreditar: que é distribuindo dinheiro, que o Estado tira aos cidadãos, que a economia cresce. É caso para dizer que com liberais destes quem é que precisa de socialistas?
Infelizmente, além de muitos eleitores dependerem financeiramente deste círculo vicioso, restam todos os outros que ainda não são suficientemente exigentes. Há quem apelide de corajosas as afirmações Amorim. Por mim, aguardo sentado a verdadeira coragem: de quem governe em defesa dos indivíduos, e não os destrua com promessas feitas a grupos, interesses corporativos e pseudo-empresários. Quem queira fazer a diferença na política não deve cair à primeira tentação.
Maio 14, 2013
Maio 13, 2013
A cegueira francesa está em toda a parte
É do conhecimento público que a esquerda francesa esqueceu o papel que o SPD teve na revitalização da economia alemã e sofre, de há uns tempos a esta parte, de germanofobia. Infelizmente, (para nós todos e para a UE) a direita francesa, não se tendo tornado anti-alemã, também parece não perceber o mundo que a França habita neste século.
Ainda há dias, Laurent Wauquiez, deputado do UMP, ex-ministro do governo de Fillon e seu apoiante na luta interna pela liderança deste partido, afirmou que a França tem de ter cuidado na forma como lida com a Alemanha, sob o risco de a atirar para os braços do Reino Unido. Algo que quando aconteceu trouxe sempre resultados desastrosos para os franceses. O que sugere então Wauquiez? Nada mais, nada menos que uma marcha atrás no processo europeu, com a criação de uma Europa a duas velocidades. A primeira, que implicaria uma maior integração social e fiscal, seria constituída pelos estados fundadores e possivelmente estendida a Portugal e a Espanha. De fora ficaria o Reino Unido e a Europa Central. Ou seja, aquilo porque que a Alemanha se bateu desde a queda do muro de Berlim e sua reunificação. A proposta de Wauquiez pode não ter grande futuro, mas mostra bem como é que, depois de tudo o que se tem passado em França, a sua classe política ainda não acordou.
Se a esquerda quer vergar a Alemanha à sua vontade, batendo-se de igual para igual contra o que qualifica de seus ditames, a direita já só quer, de mansinho, amarrar a Alemanha a um projecto que mais serve para a França manter a supramacia na Europa, sem os custos que a reforma do seu estado implica. Já não é não perceber o mundo globalizado em que vivemos. É mesmo não entender a Europa que temos hoje
Maio 7, 2013
Maio 6, 2013
Maio 3, 2013
Abril 30, 2013
No Fio da Navalha
O meu artigo de hoje no jornal i de hoje, sobre a pressa que a oposição tem de regressar ao poder.
Ansiedade política
Terminei por estes dias a leitura das “Memórias do Duque de Palmela” (D. Quixote). Além do interesse que é ler o relato, na primeira pessoa, de um dos principais intervenientes nos acontecimentos que marcaram a primeira metade do século xix, o que se retira dos seus escritos é a enorme impreparação da classe política para governar o país.
Palmela, filho de um diplomata, nasceu em Turim em 1781 e viveu na Europa até 1795, ano em que veio para Portugal. De acordo com Maria de Fátima Bonifácio, que apresenta as referidas memórias, e conforme se comprova dos seus escritos, Palmela era um entusiasta do sistema inglês. Para ele, o liberalismo não era radicalismo, mas estabilidade, moderação e contenção. Acima de tudo, preparação. Num país onde a histeria política impera(va), Palmela não foi longe. Incompreendido, sempre que possível foi relegado para segundo plano.
A impreparação denota-se na falta de tacto e na ansiedade política com que se faziam leis e se julgava possível mudar o país por decreto. Por muito que o duque realce as suas qualidades, há factos que são conhecidos de todos nós e que não podemos ignorar. E o que mais choca, além de ser um português com educação estrangeira a cuidar conhecer o país para que se legisla, é perceber quantas das falhas de então existem hoje. David Cameron foi líder dos tories cinco anos antes de ser primeiro-ministro e não se fala em fazê-lo cair. Preparação. Por cá, quando é que começamos a ser menos ansiosos?
Abril 29, 2013
Abril 23, 2013
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i de hoje.
A pergunta fulcral
Rand Paul é um dos senadores republicanos pelo estado do Kentucky. Há pouco tempo deu nas vistas por ter falado no Senado sem limite de tempo, opondo-se à nomeação para dirigente da CIA de um responsável do uso de drones para a eliminação de terroristas. Na semana passada, o agregador noticioso Real Clear Politics publicitou um seu artigo sobre o futuro do Partido Republicano.
Chamando a atenção para os estudos que apontam a dívida pública e a disfuncionalidade do governo como a maior preocupação dos norte-americanos, Rand Paul defende que os republicanos se devem centrar na defesa de um governo limitado. Um governo, que não sendo inexistente, se limite às suas funções essenciais e não extravase os seus limites, que são os direitos individuais.
O texto de Rand Paul é importante porque antecipa o debate político dos próximos anos. Se até agora este se reduziu à luta de quem o estado deve favorecer, a discussão política centrar-se-á sobre se cabe ao estado, ou aos cidadãos através das suas escolhas, determinar o rumo que deve ser seguido por um país.
Em Portugal, onde ainda vivemos entre a escolha de aumentar impostos para pagar a dívida e aumentar impostos para aumentar a despesa, tudo isto é novo. Apesar de tudo, a seu tempo chegaremos ao debate que começa a ser travado lá fora. Se o Estado esmaga os nossos direitos, como é que o vamos limitar? A pergunta é fulcral e será discutida brevemente.
Abril 16, 2013
No Fio da Navalha
O meu artigo no jornal i de hoje.
Foto: D.R.
O legado de Thatcher
Quando Margaret Thatcher chegou ao poder encontrou um país dominado pelo Estado, que subjugava os súbditos britânicos. Nascida nos anos 20, Thatcher ainda soube o que era o Reino Unido ter um império. A sua falta e a decadência que do seu fim adveio, e que ela não acreditava ser obrigatória, fizeram-na ver que o futuro do país se encontrava onde sempre esteve: na capacidade dos ingleses ou, se preferirmos, dos britânicos.
Foi esta percepção que a fez ser intransigente na defesa dos indivíduos contra o Estado. Thatcher foi a quinta coluna colocada no topo do Estado para fazer implodir os seus excessos e fazer valer os direitos individuais. Por isso quando David Cameron diz que Thatcher salvou o Reino Unido não diz a verdade. Ela salvou os britânicos e estes, em liberdade, salvaram o país.
A aposta de Thatcher nos direitos individuais, que devem ser protegidos por uma questão moral, é hoje mais actual que nunca, por ser o único meio de salvar os países europeus. Coloca-se também em Portugal, onde quem nos endividou nos diz ser do interesse nacional trabalharmos para pagar as dívidas do Estado.
Um país não é nada sem gente. Pessoas dispostas a trabalhar para si e para a sua família. Donde, desta crise, de qualquer crise, só se sai se o governo nos libertar do peso que é darmos mais do que devemos a quem não conhecemos; darmos demasiadas explicações a quem nada fez por nós; da culpa que nos incutem por não querermos ser trucidados pela lógica da predação colectiva.
Abril 9, 2013
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i de hoje.
O novo mundo
Franz-Olivier Giesbert, num dos editoriais da revista “Le point”, e referindo-se à publicação do livro ‘Chindiafrique’ (Odile Jacob), alerta a França para a necessidade de olhar o mundo presente e perceber que as glórias do passando já eram. A França, como a Europa, beneficiaram no pós-guerra de duas vantagens de peso: uns EUA dominantes que garantiam a segurança mundial e a pobreza do terceiro mundo, que vendia baratas as suas matérias-primas, ao invés delas precisar.
Foi poupando na defesa e nas matérias-primas que o Estado social europeu prevaleceu. Foram os anos gloriosos em que a Europa, já não tendo impérios, continuou a beneficiar da pobreza dos povos. Dos frutos de um mundo americano seguro e de um terceiro mundo sem forças para se fazer valer.
O referido livro, da autoria do especialista em assuntos indianos Jean-Joseph Boillot e do jornalista Stanislas Dembinski, trata desse terceiro mundo, aqui a China, a Índia e a África, que em 2012 já produziu mais que o Ocidente; que já não se limita a dar acesso aos meios para a Europa produzir o que consome, mas os fabrica e enriquece.
O Ocidente está indignado com o fim do seu Estado social. Não quer liberalizar as leis laborais, para não voltar ao nível de (sub)desenvolvimento dos países pobres. No entanto, e ao que parece pelo que se tem visto, as benesses sociais europeias vão dependendo da pobreza do mundo. Da tal “Chindiafrique” que nos bate à porta a dizer que acabou.
Abril 8, 2013
Amanhã
O lançamento do livro de João Távora, chamado Liberdade 232, amanhã às 18.30h, no Instituto Amaro da Costa, na Rua do Patrocínio, 128, Campo de Ourique, em Lisboa.
Um poço sem fim
O meu artigo de hoje no Diário Económico sobre a decisão do Tribunal Constitucional.
Somos escravos de uma Constituição que não se coaduna com a realidade. Que sendo interpretada da forma que foi pela maioria dos juízes do Tribunal Constitucional, acentua as desigualdades entre aqueles que, trabalhando no sector privado, podem perder o posto de trabalho e os que, estando no sector público, têm emprego para a vida.
Somos escravos de uma Constituição que não se coaduna com a realidade. Que sendo interpretada da forma que foi pela maioria dos juízes do Tribunal Constitucional, acentua as desigualdades entre aqueles que, trabalhando no sector privado, podem perder o posto de trabalho e os que, estando no sector público, têm emprego para a vida. De uma Constituição baseada em preconceitos ideológicos, impregnada de um socialismo tacanho que já não só nos está a empobrecer, mas também a destruir. A destruir tudo o que foi feito desde 1974/75.
A decisão do Tribunal Constitucional, porque dificulta o pequeno esforço até agora feito para reduzir a despesa pública, não deixa ao Governo outra alternativa que não seja a redução do número de funcionários públicos. Se não se tomar esta medida drástica, cujas consequências sociais se vão agravando à medida que é adiada e se torna mais premente, não é apenas o estado social que acaba, mas também o próprio regime. Por muito que a esquerda bata palmas e o PS se diga pronto para governar, já não há mais dinheiro de terceiros para pagar as políticas socialistas. Infelizmente, e como a experiência comprova, mais que a actividade empresarial do estado, quem vai sofrer serão aqueles que mais precisam das medidas de carácter social.
Caso não se reduza fortemente a despesa pública, a única hipótese que resta ao país é a saída da moeda única. Ora, a saída do euro, marcará o fim do projecto europeu que fez o regime. Todo o esforço feito desde o 25 de Abril, da descolonização à adesão à CEE; da adesão à livre circulação de bens, serviços, pessoas e capitais, e posteriormente ao euro, é posta em causa. Sem isso, o regime perde o norte e deixa de ter rumo. Reduzir-se-á a um manual de sobrevivência político, através do qual vamos gerindo o empobrecimento continuado dos portugueses que, entretanto, não se forem embora.
Sempre acreditei, que batendo no fundo do poço o país acordava. Infelizmente, o poço parece não ter fim.
Abril 4, 2013
Um duque que sobreviveu e um país que não mudou
Portugal achava-se então num estado de tranquilidade completa. Pode considerar-se como feliz entre todos os países da Europa. Muito mais feliz ainda houvera sido, se os que o governavam soubessem aproveitar aquela era de prosperidade para fundar a fortuna pública sobre as bases sólidas de uma boa administração, da reforma dos abusos, sobretudo do melhoramento dos estudos e em geral da educação de todas as classes, de que muito se carecia. O Governo, porém, assim como a Nação, tinham adormecido no regaço da ventura. Quando chegou a época da adversidade, escassearam os recursos, assim como faltou a energia para lutar contra ela à medida que se exauriram as fontes donde, sem trabalho e com pouca indústria, provinha a riqueza nacional.
Memórias do duque de Palmela, p. 79.
As memórias do duque de Palmela, escritas em 1848, e apresentadas agora por Maria de Fátima Bonifácio, retratam na primeira pessoa a vida de um homem que marcou a política portuguesa da primeira metade do século XIX. D. Pedro de Sousa Holstein, nasceu em Turim e veio a primeira vez para Portugal já com 14 anos. Sabia várias línguas e foi um diplomata excelente. Talvez devido as esses dois factores, a sua carreira política ficou aquém do que se poderia esperar. O país que encontrou em 1795, quando chegou a Lisboa, esperava suspenso o abismo que chegaria anos mais tarde. O trecho do texto em cima refere precisamente isso. Palmela acabou por sobreviver a tudo. Tal como o país. As invasões francesas, a instabilidade política, a independência do Brasil, o regresso do rei, a guerra civil, os vintistas, os setembristas, os cartistas e por aí em diante. O país sobreviveu, mas não mudou. Como se pode ler do que Palmela nos lega, a felicidade que poderíamos ter tido, acaso os governos tivessem aproveitado os dinheiros vindos da Europa e reformado o estado de modo a não se ter endividado ao ponto de, refém de interesses diversos, se ver forçado a manter serviços e a distribuir benesses do agrado de alguns, continua uma miragem.
1795 não foi o único ano em que o país esteve suspenso. À espera. Já tinha acontecido e já voltou a suceder. Como agora. Como acontecerá daqui a uns anos. Tal como antes, sobreviveremos com os nossos filhos e netos prontos para contar a história. Infelizmente, essa, tal como a que Palmela nos descreve, não será bonita, nem vai ser fácil. Sobreviveremos, mas o país não mudará.
Abril 2, 2013
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i de hoje. Não valendo ouro, os estados fazem dinheiro quando querem e precisam. Com o acumular da dívida que vivemos, que se deve em grande parte à não conversão do dinheiro em ouro, presenciamos o fim de um ciclo: aquele em que os governos foram omnipotentes. Só o futuro nos dirá se o dinheiro voltará a ter um valor objectivo, baseado no ouro, ou em qualquer outro metal, bem, valioso e universal. Algo que nos proteja de quem manda.
O dinheiro devia valer ouro
A 15 de Agosto de 1971, Nixon anunciou que o dólar deixaria de ser convertido num valor fixo em ouro. A partir desse momento, e porque todas as demais divisas estavam, desde 1944, atreladas à norte-americana, o valor do dinheiro passou como que a levitar. Deixou de ter um valor objectivo, intrínseco, para estar dependente da vontade dos governos, da necessidade que estes teriam de gastar para cumprirem as promessas que lhes garantissem votos.
A partir daqui começaram os problemas de hoje: o endividamento público e a bolha que nos rebentou nas mãos. O dinheiro deixou de valer ouro, para ter o preço que os governos quisessem. Precisassem. O valor subjectivo do dinheiro é tal que os EUA o fabricam para continuarem a importar produtos, naquilo que é um verdadeiro esquema ponzi, em que todos perdem quando percebem o que estão a transaccionar.
Ao fazer dinheiro, os estados cometem os erros que apontaram a Wall Street. Sem a ligação do dinheiro ao ouro, os governos são livres de gastar, permitindo a sobrevivência da classe política. Infelizmente, à medida que tal sucede, a maioria perde poder de compra. Se criamos mais dinheiro do que aquilo que efectivamente vale, este perde valor. E quando perde valor é o cidadão comum quem paga, perdendo poder de compra. Hoje a classe média trabalha mais para ter o nível de vida dos seus pais e avós. Como é que isso foi possível? Apenas e tão-só porque o dinheiro vale o que vale a palavra de um político. Ou seja, cada vez menos.
Março 26, 2013
Março 21, 2013
Março 19, 2013
Março 18, 2013
Março 14, 2013
Quando todo o cuidado é pouco
Ao contrário das múltiplas opiniões que por aí se ouvem e lêem, nada percebo da vida interna da Igreja e do Vaticano. Apesar disso, a escolha de ontem levantou-me uma questão: como é que, e de acordo com o que ouvi e li, cardeais tão divididos, indecisos e confusos, foram capazes de uma decisão tão rápida e que a tantos surpreendeu?
É preciso ter muito cuidado com o que se publica por aí.
Março 12, 2013
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i de hoje.
Democracia em risco (2)
A agência Standard & Poor’s melhorou a perspectiva que tem sobre a economia portuguesa. A notícia é positiva, mas corre o risco de não chegar. Melhor: corremos o risco de não beneficiarmos dela a tempo. Apesar de as instituições europeias aparentemente terem estabilizado o euro, os europeus começam a sentir na pele os efeitos da crise. Mais impostos e cortes em alguns serviços públicos dão o mote a muito descontentamento.
A situação é particularmente grave em Portugal, com eleições legislativas daqui a dois anos. Se a economia não melhorar e o desemprego não descer até então, o PSD pode não regressar tão cedo ao poder. Perante um PS que não tem, nem terá, condições para reformar o Estado, o regime chegará a uma encruzilhada.
A escolha será simples, mas difícil: ou a via liberal de um Estado controlado pelos cidadãos, ou o caminho populista da intervenção estatal e o espezinhamento natural das liberdades individuais. Qualquer das escolhas dará azo a discussões acesas nos anos mais próximos.
A história não se repete, mas vai-se assemelhando. E um olhar sobre o passado mostra- -nos que, falindo o regime, a via populista será a mais provável. Qualquer opção pela liberalização política e o controlo efectivo da actividade estatal implica um exigente nível de consciência e responsabilidade individual. O desafio que vivemos não é apenas económico, mas também cultural. Apenas uma profunda mudança na cultura política portuguesa nos permitirá seguir a primeira opção.
Março 11, 2013
Tempo
O meu artigo no Diário Económico de hoje.
Tempo
Os ministros das Finanças da União Europeia permitiram que a ‘troika’ proponha formas de dar a Portugal e à Irlanda, mais tempo para pagarem os seus empréstimos. A ideia soa bem, mas não é necessariamente positiva, tal como não significa que seja vantajoso voltar a ser apenas um bom aluno da Europa.
Bernard Connolly é um prestigiado economista britânico despedido pela Comissão Europeia quando, em 1995, publicou o livro The Rotten Heart of Europe. Nele chamou a atenção para os perigos de criar uma moeda única nas condições que infelizmente conhecemos. O tempo deu-lhe razão e agora que o seu livro foi republicado (Faber and Faber), é de temer que a história se repita.
Connolly referiu há dias numa entrevista ao Wall Street Journal, que a Europa está a financiar, com os bailouts aos estados, uma bolha idêntica à que rebentou depois de 2008. Para ele, não basta criar condições para que o dinheiro seja acessível outra vez. É preciso que os salários e os preços voltem aos valores anteriores ao euro e os estados deixem de ser deficitários. Não fazendo isso, a Europa limita-se a comprar e a vender tempo. Aquela que parece ser a nova moeda de troca entre os europeus.
Infelizmente, o programa da troika limita-se a destruir a economia portuguesa, sem que a estrutura do estado siga o mesmo caminho. O estado está deliberadamente a fechar empresas que considera desnecessárias, ao mesmo tempo que não reduz custos, fecha departamentos e acaba com os entraves que provoca na economia. O estado força empresas a fechar, mas não faz o mesmo com os seus serviços.
Ser um bom aluno de uma Europa que criou uma moeda forte com pés de barro, não chega. Precisamos ser competitivos e para isso o estado tem de mudar: deixar de destruir a economia para poder subsistir e não encarar as pessoas que investem, como meros meios de obter mais receitas. Precisamos de alterar de rumo, antes que os alemães que pagam a conta nos mandem “lixar”.
Março 10, 2013
Tempo de Antena (8)
Depois da tenebrosa conversa sobre o futuro negro que nos espreita, este debate entre mim e o Paulo Laureano é mais leve. Apesar do socialismo nos ter lixado o futuro ou, como alguém já salientou, o presente, não basta chorar, é preciso também rir com as incongruências dos que nos governaram.
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Março 8, 2013
Como é bom injectar dinheiro na economia
“Doing this to our children is immoral.” Os avisos não faltaram, nem faltarão, mas a asneira continua. São os passos em frente quando à beira do precipício.
Março 5, 2013
Fevereiro 27, 2013
Boa noite
O meu artigo de hoje no Diário Económico.
O Governo falhou as previsões da execução orçamental de Janeiro deste ano. Uma análise dos números mostra o óbvio: a economia privada não consegue mais pagar a ideologia socialista que nos esmaga. Chegámos a este ponto porque deixámos que o poder político dominasse o económico. Encarámos a economia, e o mercado, como algo intrinsecamente mau, ao mesmo tempo que vimos no estado, e nos políticos que o governam, o instrumento para corrigir os seus defeitos. Acreditámos que os homens quando faziam negócios eram naturalmente corruptos, e os que faziam política, obrigatoriamente impolutos. Acreditámos em algo tão perigoso, que esquecemos que estávamos a destruir a liberdade. A liberdade de trabalhar, criar, investir, produzir, fabricar. A liberdade de usarmos o fruto do nosso trabalho como queremos. A liberdade de viver.
Pusemos o Estado no centro da vida. Tudo passa por ele: o emprego de metade do País; a vida cultural; a actividade económica; o ensino. Pouco resta fora da sua esfera. Entregámos-lhe os instrumentos ao nosso alcance, incluindo o futuro, e agora que não temos mais para lhe dar, não sabemos o que fazer. Há quem exija mais despesa pública, com o fito de salvar o que resta da lógica socialista. Uma ilusão que significa perpetuar o erro dos cidadãos sustentarem a máquina que os destrói.
E agora? Agora precisamos saber o que queremos da vida. Esta crise só se resolve se repensarmos as funções do Estado. Se quisermos que este garanta as liberdades individuais em vez de as oprimir. Não sufoque os indivíduos, que são a essência do País. Um Estado que veja nos cidadãos, pessoas livres e com sonhos, e não números; uma massa que segue atrás do discurso político que promete medidas que dão votos. Precisamos de um Estado que se controle a si mesmo, refreie os ímpetos intervencionistas dos que detêm o poder, mas nunca, mesmo que à força do voto, a minha vida. Se não fizermos isto, precisaremos de uma boa dose de sorte para a noite que se aproxima.
Fevereiro 26, 2013
No Fio da Navalha
Foto: Eric Gaillard/Reuters
O meu artigo de hoje no jornal i.
O Mali e a hipocrisia
Boko Haram é o nome da organização terrorista islâmica que raptou uma família de sete franceses no Norte dos Camarões. No mesmo dia, a França perdeu o seu segundo soldado no Mali desde o início da intervenção militar, no mês passado. Independentemente de o rapto nos Camarões estar ligado à intervenção no Mali, o certo é que devemos olhar com atenção para o ninho de víboras em que a África ocidental se tornou.
O que está a suceder no Mali é da máxima importância para Portugal, tendo em conta o estado falhado que também é a Guiné-Bissau. Apesar disso, a imprensa portuguesa não tem dado muita atenção ao que se passa no Mali. Talvez por não ser tão rico quanto o Iraque. Talvez porque se trata da França.
Uma leitura da imprensa francesa, a começar pela de centro-esquerda, é reveladora: esta intervenção militar é legítima por todos os motivos que ilegitimaram a norte-americana no Iraque, com excepção do “sim” da China e da Rússia. França decidiu ajudar estados falhados e fazer guerra preventiva contra grupos terroristas antes que estes ataquem Paris. A parcialidade do jornalismo, a que se junta a unanimidade da sociedade francesa, é espantosa. Tal como a definição desta como guerra justa que visa vencer o mal e impor o bem, que muito se assemelha à, em tempos tão criticada, visão messiânica dos neoconservadores norte--americanos. Todos os assuntos têm duas versões, costuma dizer-se. No entanto, quando a hipocrisia grassa, não resta muito que se veja.
Fevereiro 25, 2013
Fevereiro 19, 2013
No Fio da Navalha
O meu artigo de hoje para o jornal i.
Bento XVI
Com a resignação de Bento XVI, a escolha de um novo Papa está no centro das atenções. O mediatismo torna a eleição de líderes algo espectacular, mas sem conteúdo. Dos muitos que apostam quem será o novo Papa, poucos perderão um minuto que seja a tentar saber de onde vem e ao que vai. Se vivemos numa sociedade que se define como moderna e indiferente à religião, pouco mais lhe resta que o suspense de uma escolha feita à porta fechada.
Jacques Drillon referia há dias na “Nouvel Observateur”, e também sobre o Papa, que a modernidade é uma questão de perspectiva. O que é moderno hoje será passado amanhã. Esta análise leva-nos a concluir que a democracia moderna não deveria ostracizar a religião. Mais: não sobrevive sem ela. Por muito que olhemos para os crimes praticados em nome de Deus, foi por sua inspiração que a liberdade se ergueu. Não houve, nem há, liberdade sem tradição religiosa. Foi o que Max Weber percebeu descrevendo-nos a força libertadora da Europa protestante, que levou à expansão comercial, à melhoria de vida e à troca de ideias.
A liberdade que nos dizem existir sem ter por base algo que nos intrigue ao ponto de não compreendermos, é moderna e, como moderna que é, estará ultrapassada amanhã. Bento XVI foi um Papa que quis explicar a fé, o perigo do relativismo e a importância da religião como cerne da vida humana. Algo difícil, mas necessário, e que não é mais que um dos dons que Deus nos deu: o uso da razão para sermos livres.
Fevereiro 15, 2013
Fevereiro 13, 2013
Tempo de Antena
Mais um Tempo de Antena. Desta vez, eu e o Paulo Laureano, conversamos sobre a democracia directa como alternativa à representativa. Além de discutir o défice e a dívida pública, é muito importante compreender como é que o nosso sistema político, através do nosso Parlamento, não foi capaz de impedir que os governos gastassem o que os portugueses não tinham.
Continuam a ser feitas melhorias, desta vez ao nível da iluminação, permitindo um ambiente mais propício ao debate e melhor qualidade da imagem.
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No Fio da Navalha
O meu artigo de ontem no jornal i.
Experiência (2)
Na passada semana referi que saber que não podemos mudar o mundo não significa conformismo. Na verdade, o que temos de trabalhar em nós é bem mais difícil e revelador. Hoje chamo a atenção para outro erro que associamos à experiência: a ideia de que com os anos temos de aceitar o fim dos nossos sonhos.
É comum entender-se que a maturidade implica prudência que pressupõe desistir de si mesmo; que crescer passa por confundir os nossos valores mais íntimos com ingenuidade. Foi Ayn Rand, na introdução que em 1968 fez ao seu livro “The Fountainhead”, quem chamou a atenção para a chama que nasce connosco e que tantos querem apagar. Rand dedica esse livro aos que crescem sem que se deixem corromper. Aos que não desistem de se realizar nesta vida e sabem que essa realização pessoal passa por, utilizando a nossa inteligência e engenho, superar o inimaginável. Se a vida é o que é hoje, foi porque houve quem, superando-se, revolucionou a forma como olhamos para as coisas.
Associar a chama juvenil à maturidade é um desafio difícil. Não só obriga a uma vigilância contínua, como, por ser de cariz individual e nascer no foro mais íntimo da pessoa, se sente mais do que se explica. Apenas cada um sabe o que deseja e o que o faz sentir valer a pena estar aqui. Apenas cada um vai conhecendo o que lhe dá o prazer de viver e, com a experiência, qual a fronteira que outros não podem pisar. A liberdade começa no ponto em que a sua vida, única como é, não pode cair nas mãos de terceiros.
Fevereiro 5, 2013
No Fio da Navalha
O meu artigo de hoje no jornal i.
Experiência (1)
“You, me, or nobody is gonna hit as hard as life. But it ain’t about how hard ya hit. It’s about how hard you can get it and keep moving forward. (…) That’s how winning is done!”
Rocky (in Rocky Balboa)
Quando novos queremos mudar o mundo. Diz-se que apenas um jovem, na flor da idade e cheio de força e vontade, pode desejar tanto. E que à medida que vamos envelhecendo, que vamos percebendo que tal não é possível, o conformismo se abate sobre nós. Esta ideia de que uma pessoa mais velha se conforma, persegue-nos e é errada.
É frequente concluir-se que aceitar o mundo como ele é, equivale a desistir de algo melhor, limitando-nos a conviver com a mediocridade. Apesar de já não acreditar ser possível mudar os outros, é a percepção de não ter desistido que me impede aceitar esta conclusões. A vida vai-nos batendo com força, mas como forma de nos indicar o caminho certo. Mudar os outros, o nosso país, ou quer que seja, de nada serve quando não estamos atentos aos sinais e não compreendemos que somos nós que nós temos de melhorar.
É isto que a vida e as pancadas que Rocky nos refere em cima nos ensinam. Bem vistas as coisas, ouvir-nos, adaptarmo-nos, melhorarmos, estarmos atentos e abertos às novas experiências é muito mais difícil que querer mudar o que não se altera. Modificar o que não muda é fácil porque não leva a lado nenhum. Já a empreitada que nos transforma é reveladora e sempre nova. É assim que, mais velhos e experientes, ficamos também mais corajosos e arrojados.






