O Insurgente

Maio 6, 2008

Manuela Ferreira Leite e o PSD

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:18 am

Manuela Ferreira Leite apresenta-se na luta pela liderança do PSD como a candidata mais credível e competente. Ao contrário do que por aí se ouve, e atento o passado recente do partido laranja, são credenciais a não menosprezar.

Mas não chega. Além de ser competente, Manuela Ferreira Leite tem de ser uma verdadeira alternativa a Sócrates. Para tal, terá que ultrapassar os dois maiores problemas da sua candidatura: O seu mandato como ministra das finanças e a ideia de que é por sacrifício que está na corrida.

Comecemos com a sua passagem pelo Ministério das Finanças. Por muito que tenha o sido o seu esforço, Ferreira Leite (ao contrário do que poderá dizer José Sócrates) não venceu o défice. Subiu o IVA, reformou o imposto de Sisa, a Contribuição Autárquica (actuais IMT e IMI), exigiu o congelamento dos salários da função pública, mas não venceu o défice. Não resolveu o problema.

Se quiser vencer o PSD, e seguidamente ganhar ou retirar a maioria absoluta a Sócrates, Ferreira Leite terá de enfrentar com sucesso esta situação. A única forma de o fazer é evitando precisamente aquele que é o seu segundo problema:  A sua ideia de missão. De sacrifício.

Ferreira Leite diz que está na corrida para salvar o PSD. Não é suficiente. As pessoas agradecem a quem se sacrifica, mas não votam nelas. Ferreira Leite tem de ir para a campanha, não apenas para dar crédito ao PSD, mas para vencer as legislativas. Caso contrário fica no ar a ideia que pretende sair logo em 2009. Tem ainda de ser alternativa, pois só sendo alternativa explica porque não venceu o défice no governo de Barroso; que aquele governo não tinha um projecto de reforma do Estado; que o excesso de despesa pública origina inflação e é a inflação que obriga as taxas de juro serem altas, tornando o euro caro e travando a economia, num círculo vicioso que se tornou uma grande bola de neve.

Só desta forma, matando o défice pela raiz, pela despesa, ela se diferencia de Sócrates. Apenas desta forma, pode prometer descida de impostos, desregulamentação da economia, do mercado de trabalho, arrendamento e por aí fora. Só desta forma, se apresenta com um projecto sério, distinto, alternativo e, o que é indispensável para vencer, entusiasta e combativo. Para tal, não chega o sacrifício. Tem de dizer que quer ficar.

Maio 5, 2008

Para que serve o CDS?

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 4:01 pm

O Adolfo lamenta que o PSD, no meio de tantos apelos à credibilidade, corra o risco de perder o discurso liberal e reformista de Pedro Passos Coelho.  Mas, como o Adolfo também recorda, confrangedor é ver que o CDS, nem um político como Passos Coelho consegue produzir. E o pior pode estar para vir quando Portas sair em 2009.

Maio 2, 2008

Hoje às 7 da tarde

Arquivado como: Insurgentes nos media, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 2:36 pm

PROGRAMA DE DEBATE POLÍTICO, EM PARCERIA COM A ATLÂNTICO

SEXTA-FEIRA, 2 de MAIO - 19H05

DOMINGO, 4 de MAIO - 11H05 e 19H05 (redifusão)

Esta semana, Paulo Pinto Mascarenhas e Antonieta Lopes da Costa recebem em debate André Abrantes Amaral e Pedro Picoito.

Juntos, debatem alguns dos principais temas da actualidade na semana:

- A ignorância dos jovens é terrível? No discurso de comemoração do 25 de Abril, o Presidente da República divulgou um estudo que comprova o desinteresse e a ignorância dos mais novos sobre a revolução dos cravos e a política em geral, nacional e internacional, incluindo a Europa. Cavaco Silva afirmou-se espantado ou surpreendido. Há razões para surpresas? E a ignorância - é só dos “jovens” ou é, também, dos seus pais?

- Manuela Ferreira Leite apresentou a sua candidatura à liderança do PSD, entre uma maré de apoiantes na sede do partido, onde se destacavam os principais notáveis, de António Capucho a Pacheco Pereira, passando por José Luís Arnaut e Rui Rio. Mas Alberto João Jardim ainda pode avançar contra as outras cinco candidaturas, onde se destacam as de Pedro Passos Coelho e Santana Lopes. Manuela Ferreira Leite é uma esperança para o PSD? E será que pode bater José Sócrates, em 2009?

- O antigo conselheiro espiritual de Barack Obama, o reverendo Jeremiah Wright, voltou à ribalta esta semana, confirmando algumas das declarações que tinham levado o candidato democrata a afastar-se dele, culpando, entre outras coisas, os “brancos” pela difusão do HIV nas comunidades negras. Depois da vitória na Pensilvânia, Hillary Clinton já aparece como a candidata mais forte dos democratas para bater o republicano John McCain. Obama é um balão que se está a esvaziar?

- Depois de um homem ter sido espancado por um bando de delinquentes, no interior de uma esquadra em Moscavide, onde só se encontrava um agente, o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, considerou “desaconselhável” a situação. Rui Pereira diz que não devia haver apenas um agente numa esquadra da PSP e que as esquadras não podem ser um local vulnerável. Uma verdade à La Palisse. Será que não é de exigir, a um ministro, mais do que dizer apenas o óbvio?

Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

Abril 24, 2008

A outra face das boas intenções

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:07 pm

A proposta governamental de alargamento das licenças parentais é perigosa. Perigosa porque tem uma face negativa que ninguém vê. À partida a concessão de mais dias de licença para os pais ficarem com os filhos é excelente. É, aliás, à primeira vista, um incentivo governamental à natalidade. Sucede que, sempre que o governo mexe em matérias do estrito foro pessoal (e familiar) alguém sai prejudicado e a política seguida tem um efeito contrário ao pretendido.

Assim é com o alargamento das licenças parentais que protege os pais que estão empregados. Desprotege, em contrapartida, aqueles que querem ser pais e não têm emprego. Ou os que pretendiam mudar de emprego e já não o podem fazer porque ninguém se arrisca a contratar uma mulher que pode engravidar pouco tempo depois de ter iniciado o seu novo trabalho.

Em tudo há sempre um preço a pagar. Seria bom que os governos se apercebessem que quando fazem leis que protegem quem está empregado, prejudicam quem não está. Dificultam a vida a quem quer mudar. Incentivam à imobilidade laboral, não se tendo ainda provado que é a certeza no trabalho certo que leva as famílias a terem mais filhos. Até porque o desenvolvimento do Estado social tem-nos levado a concluir precisamente o contrário.

Abril 23, 2008

O que se espera do PSD

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:14 am

Se o PSD, com as mudanças de liderança que se avizinham, pretende ser governo, cedo compreenderá que não pode repetir os erros do governo de Durão Barroso. Para um novo governo do PSD ser bem sucedido não chega pedir sacrifícios aos cidadãos. Terá também de os impor ao Estado. Não serão apenas as pessoas que terão de contar o dinheiro, consumir menos, reduzir as despesas, mudar de emprego; não chega que as empresas se adaptem às novas realidades. O peso da mudança terá de recair no Estado. Na redução dos seus gastos. Na contenção do seu poder. Qualquer reforma digna desse nome implica mexer nisto.

Implica mexer no Estado. Nos seus privilégios, nas benesses auferidas por quem nele trabalha e que não encontram correspondência no sector privado. Implica mexer na Segurança Social, dando alternativas às pessoas que de outra forma serão defraudadas, com as consequências sociais que uma fraude dessa dimensão trará; na educação, dando mais liberdades às escolas na escolha dos seus programas de ensino, com a introdução dos cheques-ensino que, apesar de todos os aspectos negativos que encerram, abrem uma brecha na muralha que é o ensino centralizado; da lei laboral, permitindo uma maior flexibilidade do mercado de trabalho, facilitando a criação de emprego e impedindo que a taxa de desemprego continue a atingir níveis vergonhosos para quem prometeu criar tantos postos de trabalho.

Um PSD que diga que a actual lei laboral atrasa a nossa adaptação ao mundo globalizado, à crise que afecta a economia em todo do mundo.

Juntamente com a lei laboral, e porque dificulta e impede a deslocação das pessoas, é indispensável mudar a lei do arrendamento urbano, dinamizando um mercado que ajuda quem não quer (ou não pode) prender-se a uma casa que se ja para habitação permanente.

Será necessário que o Estado se sacrifique e o faça perdendo poder. Na comunicação social, com a privatização da RTP; na banca, com a venda da Caixa Geral de Depósitos. Perdendo o controle da TAP, da ANA, da Associação dos Portos de Lisboa e deixando de mandar na CP. As receitas com a vendas destas empresas serão o menos. O grande benefício será o Estado deixar de desvirtuar os mercados onde estas operam, tornando-os mais eficientes, e um encargo a menos para os contribuintes.

Tudo isto é fácil de enumerar e muito difícil de fazer. Requer muita resistência, muito estômago, uma luta constante, diária, contra os sindicatos que excederam em muito e há muito tempo as suas funções; contra os interesses corporativos de diversas profissões, alimentados em demasia pelos sucessivos governos.

Para isso, o PSD precisa fazer política, necessita de explicar as suas medidas, as suas opções, preparar-se para estas sejam mal interpretadas por quem não consegue ou não está para as discutir. É um desafio e tanto. Mas é nos grandes e bons desafios que os melhores vêm à tona.

Abril 18, 2008

O fim da social-democracia

Arquivado como: Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 2:24 pm

Independentemente de Menezes continuar a ser líder do PSD depois de 24 de Maio, a social-democracia acabou. Levou tempo, mas parece que finalmente uma parte dos militantes do PSD compreendeu que o socialismo não é solução para o país.

Na verdade, qualquer novo líder do partido (e como diz o Adolfo) terá de cortar com as políticas do passado, terá de se distanciar do PS. Caso não o faça, não será mais que um Menezes cuidadoso no estilo e na linguagem. Se Menezes se aguentar nas próximas directas, perderá em 2009. Não só ele, mas o PSD no seu todo. Contando com os que foram à luta e com os que ficaram à margem, o PSD perderá a credibilidade política necessária para apresentar um projecto de reformas profundas em Portugal.

Qualquer que seja o caminho, a social-democracia à direita deixou de ser opção. Já é alguma coisa.

Mudanças à direita

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:34 pm

Inteiramente de acordo com os trêsposts’ do Adolfo sobre o PSD, principalmente quando refere que a implosão do PSD significa também a implosão do CDS.

Há uma mudança ideológica que tem de ser feita nestes dois partidos; uma mudança concretizada com a apresentação de propostas políticas, não socialistas, muito específicas, plausíveis e bem trabalhadas.

Ganhará o partido (PSD ou CDS) que mudar primeiro.

Fica apenas a pergunta: Se nenhum o fizer, ‘se matarem o PSD’ (como disse ontem Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo) para quando um novo partido na direita, esse sim, ideologicamente remodelado?

Abril 17, 2008

O falhanço do governo Sócrates

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:33 pm

O governo necessita de reduzir as despesas do Estado. Infelizmente, Sócrates não está a fazer isso. Sócrates limita-se a reduzir a diferença entre as receitas e as despesas, a que se chama défice. E fá-lo à custa do aumento das receitas.

É preciso ter em conta que os défices das contas públicas são piores para a economia que os impostos altos. Os impostos levam a uma redução do consumo, enquanto os défices retiram dinheiro das poupanças dos cidadãos necessárias para financiar o despesismo do Estado. A apreensão de Jorge Sampaio com a obsessão que Manuela Ferreira Leite tinha pelo défice resultou da ignorância do ex-presidente nesta matéria, o que foi pena numa altura tão crucial.

Desta forma, a redução do défice conseguida por Sócrates, não só é artificial (porque subsidiada pelos contribuintes) como terá consequências gravíssimas nos próximos anos. Na verdade, o futuro espera-nos com um défice à espreita (basta disparar a despesa) a que se somam os impostos altos. Menos poupança e menos consumo.

Abril 16, 2008

Impostos encapotados

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:27 am

Uma condutora que conduzia um carro movido a óleo de fritar, teve o automóvel apreendido pela polícia, com o pretexto de não ter pago o imposto sobre o óleo. (via Blasfémias).

Além da prepotência que refere o Gabriel, o que também sobressai desta história é que o imposto sobre os combustíveis, mais não é que um imposto de circulação disfarçado. O que é grave e não um mero pormenor: Os impostos têm de estar directamente relacionados com o produto, o serviço sobre que recaem. Faltando essa relação directa, saímos do absurdo e entramos no campo da ilegitimidade.

Abril 15, 2008

Saber esperar

Arquivado como: Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:42 am

Concordo em absoluto com o Adolfo Mesquita Nunes. O que está a acontecer ao PSD pode ser muito benéfico. É como uma árvore velha numa tempestade: caem sempre os ramos e galhos secos que não interessam e apenas atrasam o seu crescimento.

Abril 14, 2008

A insurgência na rádio

Arquivado como: Insurgentes nos media, Política, Portugal, Religião — André Abrantes Amaral @ 2:26 pm

Estarei, hoje, às 18h30, com Ana Sousa Dias e o Pedro Picoito no Rádio Clube, mais propriamente no programa ‘Janela Aberta’. O tema em discussão são as relações entre a Igreja e o Estado.

Abril 8, 2008

No país dos sovietes (2)

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:43 am

O Tiago Barbosa Ribeiro continua a ‘bater na tecla’ da ida do Jorge Coelho para a Mota-Engil. Lendo o que escreveu, vejo que o Tiago não compreendeu o meu ponto de vista e, talvez por isso mesmo, apresente soluções que ele próprio considera inaceitáveis.

Sobre este episódio, volto a dizer que o problema não está na ida de Jorge Coelho para a Mota-Engil. Está no convite.

Jorge Coelho não tem experiência no sector da construção (ser ministro das Obras Públicas não é curriculum). Assim, o seu convite julgo que se explica pelos contactos que uma empresa como a Mota-Engil necessita ter no Estado.

É isto que é grave. Como se resolve? Nunca de forma absoluta. Episódios como os de Coelho e Ferreira do Amaral sempre existirão, mas podem ser diminuídos. Como? Apenas com menos Estado. Pondo fim ao socialismo, que não é o mesmo que acabar com o Estado. A esta solução não há volta a dar.

Abril 3, 2008

Confusões socialistas (2)

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 5:10 pm

No seguimento deste comentário:

(…) mostra que os empresários deste país “não vão lá” sem uma ajudinha ou outra do Estado, seja através de ministros seja através de ex-ministros…

A ideia que, sem a ajuda do Estado, as empresas não têm sucesso, não se deve apenas à inabilidade dos empresários. A sua causa é mais profunda: Quando o Estado intervém em demasia na economia, muitas das decisões são tomadas, não no mercado, mas nos ministérios.

É assim que, por muito genial que um empresário seja, ele nunca será capaz de tornear a necessidade que é ter acesso ao gabinete do ministro.

Confusões socialistas

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 4:07 pm

Há uma confusão no episódio de Jorge Coelho com a Mota-Engil. Volto ao assunto: A sua escolha não é ilegal, mas é grave. Grave, não por ser  uma má decisão da Mota-Engil, mas por pôr ‘preto no branco’ como é que ‘coisa’ funciona em Portugal: Que são precisos conhecimentos poderosos para vencer. Que há demasiada mistura de papéis, principalmente se tivermos em conta que nos referimos a um ex-ministro das Obras Públicas que vai dirigir uma empresa de construção.

Desta forma, o problema não se encontra na atitude, mas no que ela representa de dependência do Estado. Não tenhamos ilusões: Esta dependência é consequência directa do socialismo, do excessivo poder decisório do Estado e da absoluta necessidade de o agradar.

A incapacidade para compreender o óbvio advém também deste problema.

Abril 2, 2008

No país dos sovietes

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:36 pm

A escolha de Jorge Coelho para presidente executivo da Mota-Engil é grave. Não por ser ilícita, que não é. Não por ser imoral, que também não é, mas por demonstrar o estado a que o Estado chegou. O nível a que o país desceu. Já não são os ex-ministros que precisam de ‘empregos’. São as empresas que sentem necessidade de contratar quem conhece os meandros do poder.

Março 28, 2008

Rádio Europa

Arquivado como: Diversos — André Abrantes Amaral @ 11:21 am

Hoje, às 19 horas (com repetição Domingo, às 11 e novamente às 19) vou estar na Rádio Europa, no programa ‘Descubra as Diferenças‘, em debate com Bernardo Pires de Lima e a moderação habitual de Antonieta Lopes da Costa. Os assuntos discutidos são:

Violência nas escolas: o vídeo da professora agredida na Escola Carolina Michaëlis, no Porto, por parte de uma aluna que aparentava dar a vida pelo telemóvel, foi, esta semana, incontornável. Terão as reacções sido exageradas? Os problemas vêm, na verdade, de fora da escola, como diz o Governo? Esta é que é a geração Morangos com Açúcar? Bué da fixe…

Fuga de Mel: a Direcção Geral dos Impostos enviou cartas a casais recém-casados exigindo-lhes que denunciassem quem organizou o casamento, prometendo coimas a quem não o fizesse. O Governo já veio dizer que as cartas foram excessivas. A saga da intromissão na vida privada das pessoas continua? Ou trata-se, simplesmente, de mais um saque descarado aos bolsos dos portugueses?

Início de campanha? José Sócrates parece ter começado a dar os primeiros passos para a maratona eleitoral de 2009, e resolveu aproveitar uma sessão de propaganda do PS para atacar os “métodos” do PSD de Luís Filipe Menezes. Tiro no pé? Falta de novas soluções políticas? Movimentações dentro do PS?

Ai, Tibete… os chineses dizem que os tibetanos insurgentes são terroristas e apenas pretendem prejudicar os Jogos Olímpicos de Pequim. O Dalai Lama respondeu não ser verdade, afirmando esperar que os Jogos Olímpicos se realizem em paz. Velhas tensões numa nova China? Serão todos os tibetanos pacifistas?

Debate a 3, esta semana com Antonieta Lopes da Costa, Bernardo Pires de Lima e André Abrantes Amaral. descubraasdiferencas@radioeuropa.fm

6ªf, 28 Março- 19h
Domingo, 30 Março- 11h/19h

Março 27, 2008

Uma boa notícia

Arquivado como: Comentário, Justiça, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:42 am

PS propõe fim do divórcio litigioso com base na culpa, deixando de ser obrigatório culpar o cônjuge pela falha do casamento.  São muitos os casos em que um dos cônjuges, que já nada quer de uma relação e não pretende obter o divórcio, aguarda apenas, impávido e sereno, que o ‘outro’ tome a iniciativa dando entrada de um divórcio, até agora forçosamente litigioso, para ‘comprar’ uma briga pela qual não quer pagar o preço de começar.

Uma ida a qualquer tribunal de família, onde muitos juristas nunca devem ter posto os pés, ajuda a perceber.

Março 26, 2008

Boicotar os Jogos Olímpicos de Pequim? (2)

Arquivado como: Comentário, Internacional — André Abrantes Amaral @ 11:34 am

Um boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim seria um erro, pois um Estado, como Portugal, que respeita as liberdades, estaria a impedir, em nome dessa mesma liberdade, os atletas a agirem de acordo com a sua consciência.

Perante isto, coloca-se a questão prática de ser preciso proteger os direitos humanos. Mas, se pretendemos ser práticos precisamos também saber responder a esta pergunta: será o boicote eficaz?

Na verdade, a primeira vítima do boicote não será a China, mas os atletas que se prepararam para os jogos. Não será a China, mas a liberdade dos cidadãos agirem de acordo com a sua consciência. Qual a legitimidade de um Estado que, exigindo o respeito pelos direitos humanos, obriga os seus cidadãos a comportarem-se contra os seus interesses e a sua consciência? A prejudicar o seu trabalho. A não considerar o seu esforço.

Se os chefes de Estado ocidentais querem assumir uma posição crítica perante Pequim, os Jogos Olímpicos são uma oportunidade excelente para tal, começando por não comparecer nas cerimónias de abertura e de fecho. Seria algo mais eficaz e mais honesto que um boicote generalizado. Fundamentalmente, mais honesto porque não estariam a fazer figura de santos à custa do sacrifício de quem não tem poder: os atletas.

Março 25, 2008

Confiar no mérito

Arquivado como: Comentário, Os Sinos Dobram Por Nós, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:40 am

No programa Project Runway, que a SIC Mulher tem transmitido, vários concorrentes têm de superar diferentes provas desenhando e fazendo roupas para mulheres. Numa competição na qual se desenham e fazem vestidos com a facilidade e intuição que eu gostaria de ter na escrita, os 15 concorrentes iniciais vão sendo eliminados até restarem três, que podem participar com uma colecção da sua autoria na semana da moda em Nova Iorque.

Dos três finalistas escolhidos, Chloe é irmã de mais sete raparigas e, juntamente com toda a sua família (10 pessoas, contando pai e mãe) fugiu, em 1979, do Laos, onde se encontrava presa num campo de refugiados. Fugiu para a América e por lá ficou. Chegou aos EUA, como ela disse, ‘com algumas cáries’ e uma enorme vontade de fazer o que gostava: Roupa.

O feito de Chloe, não está apenas em ter vencido o programa (que conta com, entre outros, Michael Kors como júri), mas em, já antes de concorrer, ser dona de uma loja em Houston. Uma loja que vende roupa feita por ela, para uma clientela que quer algo exclusivo mas ainda não muito caro.

O sucesso de Chloe leva-nos à pergunta essencial: Em que outro país uma ex-refugiada consegue adoptar uma nova nacionalidade, abrir uma loja, ter um negocio seu, depender de si própria? No fundo, em que outro local, uma pessoa nas condições de Chloe poderia vencer?

O exemplo desta rapariga leva-nos a concluir que a força que fez a América ser o que é ainda existe: A recompensa do esforço e da abnegação. A ideia de que tudo é possível. Principalmente, quando comparado com Portugal, onde o paternalismo, os ‘contactos’, os ‘conhecimentos’, não são apenas essenciais, mas indispensáveis. Onde tanta gente, percebendo isso mesmo, desiste de fazer os trabalhos de casa e faz-se passar por aquilo que não é. Acabamos por ser um país onde se vende a imagem que cada um gostaria de ter de si próprio e muito raramente o verdadeiro conteúdo.

O preço a pagar é muito caro. Consiste em viciar o mérito: Muitos dos que sobem não estão à altura do posto, razão pela qual somos um país de decisões adiadas; some-se ainda que quem quer subir percebe, desde cedo, qual o melhor caminho a percorrer.

Março 19, 2008

A direita está a nascer na blogosfera

Arquivado como: Blogosfera, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 4:23 pm

José Medeiros Ferreira lembra-nos que a direita está em crise. Mas não está. Não está porque a direita nunca existiu. Freitas do Amaral não é de direita. Nunca foi. Nem Júdice, nem Maria José Nogueira Pinto. Proença de Carvalho está a ser pragmático ao escolher entre o vazio e a social-democracia de Sócrates. A direita não está em crise. A direita em Portugal está a nascer.

É esperar para ver.

Março 7, 2008

O significado da Constituição portuguesa

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 3:48 pm

Paulo Rangel esteve ontem na SIC Notícias e defendeu a tomada de decisões difíceis como a necessidade de despedir pessoal na função pública. Referiu ainda que tal teria de passar por um novo quadro constitucional. E é aqui que está o ponto. É na constituição portuguesa, e no problema que ela representa, que tudo desemboca.

Uma Constituição (e não as batotas que por aí andam) é a base de uma democracia liberal. Não deve ser causa de desunião, não devendo fazer referência a qualquer programa ideológico, mas reflectir o que o país é hoje, ao mesmo tempo que lhe permite estar preparado para o que o futuro lhe reserva. Não deve impor limites; não pode colocar entraves ao desenvolvimento humano; não lhe é permitido restringir a actividade livre de parte significativa da população, em prol de outra amplamente beneficiada. Uma Constituição assim, como é a do estado português, de pouco serve, é causa de frustração social, económica e política.

Portugal é um país que sempre evitou debater o que o divide. Ganhou a fama dos brandos costumes, mas perdeu a da franqueza, da clarividência e está a tornar-se um caso de claustrofobia colectiva. É um país cheio de assuntos que não se podem debater; que encara os problemas sempre da mesma perspectiva e discute sempre as mesmas soluções. Um dilema de silêncios, um défice de auto-análise, cujo resultado é a Constituição de 1976. Sim: mesmo após todas as revisões.

Março 6, 2008

O palhaço que ri das palhaçadas

Arquivado como: Comentário, Internacional — André Abrantes Amaral @ 3:45 pm

Quando vi George W. Bush a ‘dançar’ sapateado imaginei lembrei-me que o Daniel iria fazer um ‘post’ chamando-lhe de palhaço. Enganei-me na língua. Chamou-lhe clown. A previsibilidade do Daniel é tal qual a do seu partido, o Bloco de Esquerda. Já só dá para sorrir. Até porque há sempre palhaços que nada mais sabem fazer que rir dos outros. São satíricos, não passando, eles próprios, de uma sátira.

Março 3, 2008

‘Whatever’

Arquivado como: Comentário, Internacional, Política — André Abrantes Amaral @ 4:23 pm

Gostei do ‘Whatever’ de Hillary quando não se lembrou do nome de Medvedev, o novo presidente da Rússia. E na verdade, o que é que interessa? O quer que seja, quem quer que seja o novo presidente, tudo se manterá na mesma. A Rússia não será uma democracia ocidental; a Rússia continuará a querer dominar os seus vizinhos na Europa; a estender-se para o centro da Ásia; a manter um porto de águas quentes. Tudo fará para conseguir os seus objectivos: chantagem diplomática, militar e energética. O bem estar do povo, esse, é secundário. Apenas interessa para a manutenção do regime. A Rússia não é, nunca devia ter sido, um exemplo para ninguém. É antes uma recordação de tudo o que devemos evitar. Dos erros que não podemos cometer. Um sinal de que, em relação a certos países, ainda temos de seguir a ‘realpolitik’. O puro e duro realismo.

Fevereiro 28, 2008

A não perder

Arquivado como: Media — André Abrantes Amaral @ 6:16 pm

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Uma estreia na Rádio Europa. o Rádio Blog tem parceria com o diário Meia Hora e conta com participação de Carla Hilário Quevedo.

Amanhã, às 10h40m em 90.4fm.

O texto de Carla Hilário Quevedo em discussão com os ouvintes é:

“Hillary Clinton.
Sejamos francos: o problema de Hillary Clinton é ser mulher. E não se trata de ser um panzer como Angela Merkl, por exemplo. Estamos a falar de uma pessoa que, perante o anúncio mundial da traição do marido, Bill Clinton, na altura Presidente dos Estados Unidos da América, tem uma reacção tipicamente feminina: perdoa o marido e afirma em alto e bom som que não o tenciona abandonar. Esta decisão implica custos elevados num mundo constituído não por famílias mas por indivíduos, e que depressa condena decisões conservadoras como esta. Numa época em que a mulher não tem nada que ser mulher de ninguém, a democrata Clinton optou publicamente por não deixar de o ser. Este pormenor decisivo não abona a seu favor, porque a apresenta ao eleitorado como um ser feminino convencional. Ser uma mulher com atitudes clássicas e ter ambição política parecem ser dois modos de vida muito dificilmente conciliáveis. Será um bocadinho como querer ter tudo, intolerável mesmo na terra da liberdade, da oportunidade e da busca da felicidade, em que de facto há a possibilidade de ter tudo. Mas não para Hillary Clinton. Porque será que uma mulher na liderança assusta? Terá uma mulher de abdicar da sua condição feminina para ser considerada capaz de ocupar um cargo de poder?”

Fevereiro 18, 2008

PSD

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:02 pm

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Há 20 anos, quando o professor Cavaco governava com uma maioria absoluta digna de um país ainda não habituado à democracia, dizia-se que o PS não conseguia apresentar nomes, pessoas de crédito, com provas dadas dispostas a governar. Que o partido socialista, independentemente de ter líderes (quer Constâncio, quer Sampaio) sérios, aptos e honestos, não chamava a si a credibilidade prática que advém da capacidade de ganhar eleições.

Nessa altura, vencer era importante. Vencer mudava tudo. Vencer cativava os interessados na arte da governação, convencia os cépticos e, naturalmente, fazia os interesseiros mudar de campo. O argumento social-democrata era, pois, frágil. Dependia das vitórias eleitorais. Do lado que soprava o vento.

Hoje o PS é governo e o PSD oposição, mas a nova realidade não se reduz a uma troca de lugares. É pior. É mais grave, porque traduz a falência de um dos partidos: O PSD. Os sociais-democratas não se preocupam apenas com a dificuldade de fazer um governo sombra que mostre uma alternativa a Sócrates. Os sociais-democratas não têm o tal líder capaz, que inspire seriedade e em quem se confie. Entregue a homens como Menezes e Santana, o PSD chegou, podemos dizê-lo, ao fim da linha. A credibilidade política do PSD não se conseguirá com uma vitória eleitoral, antes implicará uma mudança mais profunda. De pessoas, de líderes, de estratégia, de políticas, de pose, estatuto, forma e modo de fazer política.

O PSD que se espera, não surgirá em 2009. Talvez, nem em 2013. Mas, com ou sem mudança nome, ele chegará.

Fevereiro 13, 2008

Até quando, Hillary

Arquivado como: Comentário, Internacional, Política — André Abrantes Amaral @ 12:13 pm

Com a vitória de Obama, no fim de semana (principalmente a surpresa no Maine), ontem, mais a reviravolta nas sondagens, levam-nos a perguntar não se, mas quando Hillary irá desistir.

Fevereiro 8, 2008

Apelo ao comum dos mortais

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:53 am

Há algo de brutal nos discursos de Obama. Cada um é uma oração. Mais uma. Algo que não se cinge ao talento, pois é magia. Sente-se a vibração, mesmo quando os vemos no You tube. Ao vivo, deve ser assustador. Arrepiante. Podemos não concordar com o que diz. Não gostar daquilo que defende. Não nos revermos naquilo em que acredita, mas há algo que nos toca, nos abala. Algo que precisávamos ouvir também em Portugal. Alguém que nos falasse de mudança. Que acreditasse nas pessoas, em nós, na nossa capacidade empreendedora, de sacrifício, de livre arbítrio. Alguém que não nos desse confiança, mas nos dissesse para sermos confiantes. Nos deixasse ter esperança. Precisamos de alguém que nos fale ao coração, mencione as nossas necessidades, perceba o que precisamos, respire as nossas ânsias, saiba dos nossos problemas, conheça as nossas dificuldades, medos, projectos, nos olhe nos olhos; Alguém que seja um de nós. Mais um. Apenas mais um.

Fevereiro 7, 2008

Deu Ron Paul

Arquivado como: Internacional, Política — André Abrantes Amaral @ 7:26 pm

Por sugestão do Filipe, fiz este teste e deu Ron Paul. O candidato de quem mais me afasto é Obama.

Dois anos

Arquivado como: Blogosfera — André Abrantes Amaral @ 3:02 pm

Parabéns ao Corta-fitas. Que façam muitos mais.

Vale a pena ser socialista?

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:02 am

Quando o Estado fecha unidades de saúde no interior do país, deixando à sua sorte quem mais precisa, apenas para permitir à classe média (que tem a maioria dos votos), o acesso gratuito aos hospitais públicos, é caso para perguntar se ainda vale a pena o socialismo.

Fevereiro 6, 2008

Aos invejosos

Arquivado como: Diversos — André Abrantes Amaral @ 10:43 am

(Recebido por e-mail). 

Americanos & portugueses.
Dizem os americanos:
“We have George Bush, Stevie Wonder, Bob Hope, and Johnny Cash.”
Respondem os portugueses:
“We have José Socrates, No Wonder, No Hope, and No Cash.

Fevereiro 4, 2008

A força de Obama

Arquivado como: Comentário, Internacional, Política — André Abrantes Amaral @ 4:49 pm

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Por que é Barack Obama a melhor escolha dos democratas? Pela mudança que promete? Apenas por ser negro? Por ser novo? Porque discursa bem? Ou será por todas estas razões que juntas, fazem um candidato?

Tenho lido e ouvido muitas críticas a Obama por ele esconder a sua mensagem. Quais as suas políticas? Onde está seu programa? Como se o seu programa e as suas políticas, aquilo em que Obama acredita não fosse do conhecimento público e uma campanha eleitoral não servisse, acima de tudo, para mostrar o homem que é candidato. Como não fosse a campanha de Obama uma das mais bem sucedidas da história , precisamente, por ter conseguido ‘vender’ na perfeição a imagem do homem certo, no lugar certo, no tempo certo. Tão acertadamente certo que é unanimemente aceite que, se não for agora, depois já será tarde. Que é agora ou nunca.

Que as oportunidades não se repetem.

Estou do lado de Obama? Não. Torci por Ron Paul para que as suas ideias tivessem a projecção possível em Portugal. Prefiro McCain a Obama. Mas o senador do Illinois tem consigo a feição do tempo. Aglomera em si todos os símbolos de como se muda o que precisa ser alterado. É como se tivesse atrás de si o vento da história, uma imagem que pesa muito quando são milhões que votam. Se Hillary é a candidata anti-Bush, Obama é o democrata que ultrapassa esta dicotomia. Aquele que nesta campanha falou para além do mandato do actual presidente.

Se Obama resistir ao embate da super terça-feira, como as sondagens parecem indicar que vai (esperam-se surpresas na Califórnia, Missouri, New Jersey, Arizona e no Alabama), a escolha será adiada para a Primavera. Pouco o conseguirá parar. Nem Bill Clinton. Talvez McCain e esse, só em Novembro.

Fevereiro 1, 2008

Descubra as diferenças

Arquivado como: Insurgentes nos media, Internacional, Media, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 2:37 pm

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Hoje, às 7 horas da tarde, estarei de volta no Descubra as Diferenças, da Rádio Europa, com o Adolfo Mesquita Nunes, Paulo Pinto Mascarenhas e Antonieta Lopes da Costa. Os temas em discussão são o discurso do Presidente da República na abertura do ano judicial, a saída de Correia de Campos do ministério da saúde, o regicídio e as primárias norte-americanas.

O programa pode ser ouvido hoje, às 19:00, e no Domingo às 11:00 e às 19:00. Está ainda disponível online em www.radioeuropa.fm ou através da powerbox da TV Cabo.

Saber mais que os outros

Arquivado como: Comentário, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:04 am

O bastonário da Ordem dos Advogados anda muito indignado com a Portaria 10/2008, de 3 de Janeiro, que regulamenta o novo regime de apoio judiciário. Esta portaria prevê a possibilidade de, aos advogados que o requererem, serem atribuídos pacotes de 10, 20 a 50 processos judiciais. Os honorários a receber pelos advogados que aceitem este esquema de patrocínio oficioso, variam entre os EUR. 350,00 e os EUR. 640,00 semestrais.

Para o bastonário os valores em causa são ofensivos à dignidade de um advogado. É aqui que não se entende a fúria do Dr. Marinho Pinto. Se os honorários em causa são indignos, ninguém os aceitará. A não ser que haja advogados dispostos a trabalhar por tão pouco dinheiro. E se os há, é porque precisam dele. Porque estão dispostos, apesar disso, a progredir na profissão que escolheram. Porque sabem, apesar de tudo disso, que um percurso difícil nunca se inicia de forma fácil.

É este o ponto fulcral: O Dr. Marinho Pinto julga saber o que é digno e indigno para cada um, independentemente de conhecer as razões e as condições de cada advogado. De cada colega. Independentemente de saber qual o esforço e capacidade de trabalho, o sacrifício, o risco que cada advogado está disposto a correr.

Quando até na profissão mais livre se quer tutela, não nos deve espantar a falta de um espírito empreendedor essencial ao desenvolvimento do país.

Janeiro 28, 2008

Excesso de zelo

Arquivado como: Ambiente, Cartoons, Nanny State Watch, Portugal — André Abrantes Amaral @ 2:38 pm

Janeiro 25, 2008

Descubra as diferenças

Arquivado como: Media — André Abrantes Amaral @ 3:51 pm

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Hoje às 7 da noite, não perder Manuel Falcão e Bernardo Pires de Lima, com Paulo Pinto Mascarenhas, no Descubra as Diferenças da Rádio Europa. Em análise os dois anos de presidência de Cavaco Silva e a crise em Itália, seguido dos problemas de comunicação entre Santana Lopes e Luís Filipe Menezes.

Janeiro 24, 2008

Se

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:07 pm

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A edição de Fevereiro da Revista Atlântico vai merecer uma leitura cuidada devido, principalmente, ao artigo de Rui Ramos sobre D. Carlos e as possíveis consequências da sua sobrevivência ao atentado de 1 de Fevereiro de 1908. Um assunto de debate obrigatório nos próximos dias.

Fará para a semana, precisamente dentro de 8 dias, que passam 100 anos daquele que foi o momento mais marcante da história do século XX português. Como todos os acontecimentos marcantes, a sua dimensão só é notada muito tempo depois. No caso da morte de D. Carlos, é imprescindível pensar como os últimos 100 anos poderiam ter sido diferentes. Poderiam ter sido melhores. Poderia ter sido evitado o jacobinismo da I.ª República e o conservadorismo excessivo da II.ª. Poderíamos ter descolonizado mais cedo, sem uma guerra de 13 anos. Poderíamos ter aderido à Europa muito antes de ’86. Não ter existido a tentação comunista de 1974. Não ter havido tantos excessos. Tudo ter sido mais calmo, mais pacífico, mais frutuoso. Melhor.

Fica o ’se’.

Janeiro 22, 2008

O Estado social está ser destruído por socialistas

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:38 am

O ponto forte do Estado social é a sua presença. Presença em todos os aspectos; a todos os níveis: Na saúde, com hospitais, centros de saúde e médicos de família; na educação, com escolas grátis para todos; na Segurança Social, com a protecção total, numa velhice garantida.

É o seu ponto forte, porque é o que lhe garante votos. O que forçou todos a serem socialistas. A acreditarem no socialismo e a suspeitarem da iniciativa privada; do lucro; do investimento não altruísta.

Até ao dia em que algo começou a mudar; em que o feitiço se virou contra o feiticeiro. Lentamente, por razões diversas, como sejam a crise demográfica ou os baixos índices de produtividade, o Estado social tem de reduzir custos. Cortar nos serviços, principalmente nos de fraco retorno, como sejam os das regiões do interior.

Povoações inteiras estão a ser deixadas à sua mercê pelo Estado social. É o caso da região de Trás-os-Montes, onde o serviço de urgência do hospital de Chaves foi desclassificado e o do centro de Saúde de Vila Pouca de Aguiar, encerrado. O que é interessante, neste caso concreto, é saber que em Chaves abriu um hospital privado, com maternidade. Reparar que é a iniciativa privada quem está a preencher a lacuna. Quem está a investir nos locais que o Estado entendeu não serem rentáveis.

O Estado social está a ser destruído por socialistas, ao mesmo tempo que os serviços sociais estão a ser prestados por privados.

Um fenómeno ainda pequeno, mas da máxima importância. Um facto que pode mudar o discurso político, pois a única forma de apoiar, de estar próximo das populações é, cada vez mais, através da iniciativa privada. É cada vez mais acreditando na capacidade das pessoas, na iniciativa dos cidadãos, que as populações mais carenciadas são assistidas nas suas necessidades.

O socialismo está a perder capital político.

Este fenómeno, do Estado social voltar as costas às pessoas, vai ser o motor de uma nova cultura política. Quando tal acontecer, essa nova forma de encarar a vida social será o motivo de maiores mudanças.

Janeiro 21, 2008

Pedestal

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:32 pm

Francisco George, do alto do seu pedestal, “até simpatiza com os que não concordam com a lei do tabaco”.

Ignorância

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:29 pm

No programa ‘Prós & Contras’ ouve-se muito o cuidado que há com os efeitos maléficos do tabaco. A maioria parece não reconhecer a importância do direito de propriedade, um princípio basilar de um Estado de direito.

A não perder

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:24 pm

Sá Fernandes, do bloco de esquerda, a defender no Prós e Contras o direito de propriedade. A não perder, como a esquerda ‘rouba’  o discurso que poderia ser da direita liberal.

Janeiro 17, 2008

Obras Públicas que mudaram Portugal (5)

Arquivado como: Portugal — André Abrantes Amaral @ 2:34 pm

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Porto de Sines – Portugal ia ser a porta de entrada na Europa.

Todas as estas obras públicas podiam ter mudado Portugal se o país tivesse aprendido a lição de nunca as repetir.

Mas Portugal vive ainda na lógica do dinheiro fácil. Da grande obra, do grande empreendimento que nos vai tirar da cepa torta.

Assim sendo, estamos a falir lentamente.

Obras Públicas que mudaram Portugal (4)

Arquivado como: Portugal — André Abrantes Amaral @ 2:31 pm

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Com o EURO 2004, Portugal ia dar um pontapé na crise.

Obras Públicas que mudaram Portugal (3)

Arquivado como: Portugal — André Abrantes Amaral @ 2:28 pm

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Com a EXPO 98, o mundo ia conhecer Portugal.

Obras Públicas que mudaram Portugal (2)

Arquivado como: Portugal — André Abrantes Amaral @ 2:25 pm

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Com o CCB, o nível cultural do país ia aumentar desmesuradamente.

Obras Públicas que mudaram Portugal

Arquivado como: Portugal — André Abrantes Amaral @ 2:19 pm

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Com o Alqueva nada ia ser igual no Alentejo.

Janeiro 15, 2008

Para guardar num envelope

Arquivado como: Diversos — André Abrantes Amaral @ 6:49 pm

Janeiro 11, 2008

Descubram as Diferenças

Arquivado como: Comentário, Economia, Internacional, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 3:56 pm

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A convite do Paulo Pinto Mascarenhas vou estar hoje na Rádio Europa, no programa ‘Descubra as Diferenças‘ com, além do próprio Paulo, Adolfo Mesquita Nunes e Henrique Raposo. A primeira transmissão é às 19 horas, com repetição no Domingo às 11 e novamente às 19.
Os temas em debate são:

O fim do referendo ao tratado: depois de muitas notícias contraditórias, José Sócrates anuncia que irá submeter o tratado apenas a ratificação parlamentar. O Primeiro-Ministro e o PS acreditam que a promessa eleitoral era só para referendar o tratado constitucional- e este é outra coisa bem diferente. Em que ficamos? O que ganham e o que perdem os partidos da oposição, o PS e Sócrates?

Claustrofobia democrática: a propósito da lei do tabaco mas também da lei dos partidos e de outros gestos governamentais, regressou o tema da claustrofobia democrática, com António Barreto quase a chamar fascista ao primeiro-ministro. Estamos perante um método e um estilo, ou é tudo pura coincidência?

Banco de Portugal revê em baixa a previsão do crescimento económico para 2008: o Ministro das Finanças diz que os resultados têm sido sempre melhores que as previsões dos mais diversos organismos nacionais e internacionais. Desculpas de mau pagador? Ou o Orçamento de Estado e as reformas continuam a ser insuficientes?

Corrida à Presidência nos E.U.A.: depois do Iowa, muitos pensaram que as primárias norte-americanas teriam consagrado Barack Obama como o candidato dos Democratas; no entanto, Hillary Clinton ganhou em New Hampshire e é já dada como a preferida. Por seu lado, John McCain, pró-intervenção no Iraque, surge com mais força entre os Republicanos, deixando para trás nomes como o de Giuliani e Ron Paul. Ainda vai no adro, a procissão? McCain vs. Hillary: quem é o melhor candidato?

Janeiro 10, 2008

Somos todos ricos

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:09 pm

Francisco Van Zeller, ainda na Sic Notícias, afirma que, com o novo aeroporto em Alcochete, a ponte Vasco da Gama terá capacidade no escoamento do tráfico até 2025. Depois? Bem, depois terá de se ‘construir qualquer coisinha’. Qualquer coisinha? Mas será que o Sr. Van Zeller anda a nadar em dinheiro e nós não sabemos de nada?

Aeroporto = Inflação

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:42 pm

Engraçado nesta decisão de o governo fazer um aeroporto em Alcochete é o ter sido tomada no mesmo dia em que o Banco Central Europeu decidiu manter a taxa de juro, devido aos receios inflacionistas. Ou seja, no mesmo dia em que Jean-Claude Trichet alertou para o risco que é a inflação, o governo avança para uma obra pública faraónica que, como todas as obras públicas, colocará imenso dinheiro a circular na economia e contribuirá para o agravamento da pressão inflacionista.

Especulação

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:34 pm

Francisco Van Zeller quer fazer uma cidade aeroportuária em Alcochete. Por isso, hoje é dia de festa para ele. Sucede que eu, nenhum de nós, existe para financiar sonhos de crianças. Não há nada como convencer o Estado a fazer negócio.

Janeiro 8, 2008

Esmagador

Arquivado como: Comentário, Internacional, Política — André Abrantes Amaral @ 6:15 pm

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Com uma adesão às urnas nunca vista, e os independentes a votar maioritariamente nas primárias dos democratas, a vitória de Obama, no New Hampshire, espera-se esmagadora.

Janeiro 7, 2008

Leis ridículas geram sensatez

Arquivado como: Comentário, Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:41 am

Numa pequena empresa do ramo informático, todos fumam. Tantos os cinco empregados com os dois donos do negócio. Assim sendo, nunca ninguém se importou com a poluição daquele local de trabalho, se incomodou  sequer com o cheiro que, embrenhado nas roupas, infesta os armários lá em casa. Até que um dia, dois de Janeiro de dois mil e oito, chegaram ao emprego, olharam uns para os outros e decidiram que a situação era ridícula. Que toda a regulamentação em excesso é ridícula quando se intromete no que é nosso, no que nos é íntimo, naquilo que está na nossa alçada. Que as leis ridículas existem para ser desrespeitadas por pessoas sensatas.

Janeiro 4, 2008

A vitória de Obama, a derrota de Hillary

Arquivado como: Comentário, Internacional, Política — André Abrantes Amaral @ 2:12 pm

Luís Costa Ribas dizia ontem na SIC-Notícias que o interior conservador dos EUA nunca colocariam um negro na Casa Branca. Poucas horas depois, no Iowa, onde 94,9% da população é de raça branca e apenas 2.3% de raça negra (dados retirados da CNN), Barack Obama vencia o primeiro caucus das presidenciais norte-americanas.

O jornalista da SIC comentava dando a sua opinião de cidadão norte-americano que é e que apoia Hillary Clinton. Nessa medida, afirmou que uma eventual derrota da ex-primeira dama no Iowa não seria dramática, pois também Bill Clinton perdeu naquele Estado e por larga margem. Mas há uma diferença: Hillary apostou nesta vitória. Hillary estava à frente nas sondagens, até há muito pouco tempo. Hillary era a favorita. O que sucedeu com ela não foi a mesma coisa que a péssima prestação de Giuliani que pouco tempo perdeu no Iowa para este caucus.

O terceiro lugar de Hillary Clinton pode ter-lhe sido fatal. Veremos…

Janeiro 3, 2008

Anestesia mental

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:38 am

Jorge Coelho, ontem no programa ‘Quadratura do Círculo’, afirmou sobre a nova lei do tabaco, que as pessoas se habituam e depois nunca se queixam. Como exemplo, deu o não se poder fumar nos aviões. Na altura, ia ser o caos. Como conseguiria quem fuma fazer viagens tão longas sem ‘puxar’ de um cigarro? Agora, é tudo normal. Jorge Coelho é impagável e esquece-se que o homem se habitua a tudo. É, aliás, um animal de hábitos. Habitua-se a deixar de fumar, a deixar de beber, a viver em casas frias. A aguentar empregos chatos, casamentos falhados, a ouvir amigos chatos sem dar ar de enfado. Habitua-se a coisas muito piores: A matar; a conduzir vizinhos para os campos de concentração; a mentir; a roubar e por aí fora.

Habitua-se, lentamente, a deixar de ser livre. Sem se dar conta, vai-se habituando, pelo que o argumento do hábito é, não só triste, como também perigoso. Um raciocínio de quem, como Jorge Coelho fala muito, numa fala redonda que não diz nada. Coelho é chato, monótono, enfadonho, fraco, aproveita sempre para saudar um amigo quando devia era dar a sua opinião. É um bajulador que nos adormece; adormece o sentido critico dos outros, porque tudo está bem, tudo é aceitável.

Lentamente, Jorge Coelho reduz-nos à insignificância de quem não pensa. Porque não o substituir por António Barreto?

Dezembro 28, 2007

Livro do ano

Arquivado como: Livros — André Abrantes Amaral @ 11:05 am

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Journals 1952 -2000, de Arthur Schlesinger, Jr. Um bom artigo sobre este livro é o de Christopher Hitchens na Atlantic, cuja versão online não está, infelizmente, disponível na sua totalidade.

Dezembro 20, 2007

Regulação máxima, emprego mínimo

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:31 am

O Sr. Azevedo tem uma pequena empresa gráfica, com poucos, 4, 5 funcionários. Todos com contrato de trabalho, pagamentos em dia na Segurança Social, fruto do enorme susto que a última inspecção lhe pregou e lhe ia custando o esforço de uma vida. Hoje só contrata com total segurança. Apenas quando sabe que terá condições de pagar sem atrasos, pagar sem falhar os descontos devidos e, muito importante, sem que o pagamento dos ordenados dos seus funcionários, o obrigue a deixar de liquidar o IRC, o IVA e outros impostos e taxas.

O que o Sr. Azevedo quer agora é segurança.

Antes, não. Antes, não há muitos anos, se o Sr. Azevedo sabia de algum desempregado com vontade de trabalhar, arranjava-lhe algo que fazer. Pagava prontamente, mas não fazia descontos. Pior: Pagava à medida do trabalho. Um dia, podia ser mais, outro até menos. Nada muito certo. A única certeza era que quando havia trabalho havia pagamento e se o ex-desempregado (vamos chamar-lhe Sr. Antunes) quisesse sair, podia fazê-lo. O Sr. Antunes também sabia que, com o crescimento do negócio, ele seria o primeiro beneficiado.

Hoje não. Hoje, o Sr. Azevedo ao sair de casa de manhã cedo na última quinta-feira antes do Natal, viu o Sr. Antunes sentado no café a beber a bica da manhã. Não lhe dirigiu a palavra, tirou dele o olhar e seguiu em frente. Não pode colocar em risco a empresa e os outros trabalhadores a seu cargo. Tem de ter o cuidado que não tinha antes. Constrangido seguiu em frente. O Sr. Mário, dono do café, não cobrou a bica. Estes pequenos gestos, os tentáculos do bicho ainda não apanham.

Dezembro 19, 2007

His personality

Arquivado como: Colunas, Comentário, Internacional, Os Sinos Dobram Por Nós, Política — André Abrantes Amaral @ 11:35 am

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Depois de Andrew Sullivan, é a vez de Fareed Zakaria, outro peso pesado da imprensa norte-americana, se render a Barack Obama. Num artigo para a revista Newsweek desta última semana, Zakaria apresenta-nos o ponto forte do candidato sem experiência em política externa, mas com um enorme conhecimento do que se passa, do que se sente, o que se pensa e como se vive fora dos EUA.

Desta vez, não é a face de Obama, como o mencionou Sullivan. Agora é a sua personalidade. A sua pessoa, o seu passado, a sua vivência, todas elas fruto de ser quem é: Um mestiço norte-americano, com familiares sem a nacionalidade norte-americana, que habitam fora dos EUA, pertencem a outro país, vivem outra cultura e não usufruem das nossas liberdades.

A mistura explosiva guardada na personalidade harmoniosa que é Barack Obama. Tudo junto parece ter convencido Zakaria, um especialista em relações internacionais, um académico, um estudioso, profundo conhecedor da matéria, também ele com família fora da América, e que nos diz ser esta realidade essencial para lidar com o enriquecimento e cada vez maior influência de países como a China, a Índia, e a África do Sul. Com a ascendência do mundo não ocidental. O quanto Obama, o que este representa e o que ele pensa, pode ser importante para que os EUA, na vanguarda do Ocidente, se adaptem aos novos desafios que são o século XXI.

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Dezembro 14, 2007

A importância de Ron Paul

Arquivado como: Comentário, Internacional, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 3:26 pm

Sugiro a leitura deste artigo no Wall Street Journal sobre Ron Paul. Ou antes: sobre a razão de ser da candidatura de Ron Paul à presidência dos EUA. A importância que é o Partido Republicano ter alguém (que só não está melhor colocado nas sondagens devido à suas ideias na política externa) que defende o conceito de governo limitado, redução de impostos e o respeito pelos direitos individuais.

Acrescentaria apenas (porque estamos em Portugal) o quanto é vantajoso que, num país como o nosso, se ouça falar de Ron Paul e se ‘perca’ um mínimo tempo que seja, na análise das suas ideias.

Uma candidatura a seguir.

Dezembro 11, 2007

Os candidatos não têm dono

Arquivado como: Comentário, Internacional, Política — André Abrantes Amaral @ 3:48 pm

Gostaria que o Daniel Oliveira, antes de tecer qualquer critica, não esquecesse quem é Andrew Sullivan. Longe vão os tempos em que os candidatos tinham dono. Sempre achei muita piada a quem, depois de dar tantos pinotes ideológicos, está sempre a apontar o dedo às presumíveis incoerências dos outros.

Tirando isto, é de ver que a dica do Daniel, a ser aplicada, é para abarcar todos. Inclusive o próprio.

Dezembro 10, 2007

His Face

Arquivado como: Colunas, Comentário, Internacional, Os Sinos Dobram Por Nós, Política — André Abrantes Amaral @ 11:37 am

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Nos últimos dias, Barack Obama tem subido nas sondagens, ultrapassando a própria Hillary Clinton no Iowa, cujo caucus terá lugar já no dia 3 de Janeiro.

Também neste mês de Dezembro, a revista The Atlantic, publica um artigo de Andrew Sullivan, intitulado Goodbye to All That; Um belíssimo texto no qual Sullivan explica porque acredita ser este o momento de Obama vencer. De se tornar o próximo presidente dos Estados Unidos da América.

Andrew Sullivan faz um retrato do que é a América hoje. Uma América dividida com as guerras culturais dos últimos anos. Fragmentada, já não só a um nível racial, mas num grau inteiramente novo. Uma divisão entre religiosos e ateus; entre conservadores e progressistas; os que combateram no Vietname e os que ficaram nas faculdades a lutar contra a guerra. A América hoje tem a marca da geração baby boom. Os seus medos, angústias, divisões, discussões, as suas vitórias e as correspondentes derrotas. O deslumbre e a desilusão. O assombro e a tristeza de quem não viveu a II Grande Guerra, mas assistiu ao fim de uma série de convenções sociais e sofreu tudo o que o encerramento de uma era representa.

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Dezembro 5, 2007

Anotação breve

Arquivado como: Blogosfera, Comentário — André Abrantes Amaral @ 10:29 am

No seguimento da crise vivida no blogue da revista Atlântico, muito se escreveu sobre a intolerância do André Azevedo Alves, de este ser simpatizante da extrema-direita, não aceitar o contraditório e por aí fora.

O Insurgente foi criado pelo André Azevedo Alves e pelo Miguel Noronha. Tem sido um sucesso. Não apenas pelo elevado número de visitas diárias mas, essencialmente, devido ao pluralismo que aqui se vive. Uma pluralismo que, por si só, devia refutar qualquer tentativa menos séria de acusar este blogue de ser o quer que seja de menos próprio.

Escrevi já neste blogue coisas sobre as quais os André Azevedo Alves discorda profundamente. Nunca da parte dele ouvi uma crítica, uma chamada de atenção. Nunca senti qualquer intolerância. Sempre respeito. Sempre uma enorme consideração.

O segredo do Insurgente está neste ponto: Apesar das diferença de opinião sobre assuntos concretos, falamos para fora. Não nos perdemos em quezílias. Isto é difícil de compreender, porque é raro. Como difícil é de acreditar na facilidade com que o blogue foi criado. Se foi desenvolvendo. Sem projecto pré-definido, sem regras pré-estabelecidas. Com a maior das informalidades, sempre com base no bom senso, no acordo mútuo e na boa educação. No respeito e na confiança.

Várias vezes me chamaram de fascista. Uma acusação que sempre me fez rir por geralmente ser feita por socialistas que defendem mais Estado, mais regulamentação, mais intervenção na educação, e por aí fora. O desnorte desta gente entristece-me mas nunca me fez desistir. Tenho a certeza que o André Alves nunca desistirá por idiotices do mesmo género.

Há um combate ideológico a ser travado nos próximos tempos. Pela parte que me toca, julgo que o Insurgente estará na linha da frente. Na luta por menos Estado na economia e na sociedade. Liberdade na educação, podendo os pais escolher as escolas e o que vai ser ensinado aos seus filhos; liberdade de reforma; liberdade laboral: liberdade de viver a vida de acordo com as crenças de cada um.

Pessoas como o Daniel Oliveira preferem discutir com quem concordam à partida. Também há quem queira perder tempo a falar com as paredes. É mais fácil e eu compreendo. O Daniel até nos pode tentar colar à ‘salazarenta e beata direita nacional’; São ‘tiques’ do passado. No que toca aos últimos 50 anos, não somos nós quem tem telhados de vidro.

Dezembro 4, 2007

Falemos de justiça social

Arquivado como: Comentário, Economia, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:44 am

O senhor A. quer comprar uma casa. Uma casa nova acabada de ser construída. O banco que vai financiar a sua compra, marca a escritura e informa-o da necessidade de pagar o IMT (Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis) antes de assinar a dita escritura. O senhor A. dirige-se às finanças, mas comete um erro ao levar consigo a caderneta predial do lote de terreno para construção (válida antes da construção da moradia) e não o Modelo I comprovativo de inscrição nas finanças da respectiva casa.

No balcão do serviço de finanças, entrega a dita caderneta e indica o valor da compra: EUR. 205.000,00. Por ser uma casa de primeira habitação, o valor a pagar de IMT seria EUR. 5.928,00 (EUR. 205.000,00 x 7% - EUR. 8.422,00). Infelizmente, como apresenta a caderneta unicamente com o lote de terreno, o valor que lhe é cobrado é bastante superior: EUR. 13.325,00. Porquê? Porque os lotes de terreno pagam IMT a 6.5%, sem qualquer tipo de abatimento, como sucede com as casas para habitação.

O senhor A. estranha o valor, mas desconhecendo a razão desse diferencial, não questiona. A sua boa fé é o seu segundo erro. Dirige-se à tesouraria e passa um cheque no valor de EUR. 13.325,00.
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Novembro 29, 2007

Ainda a Ordem

Arquivado como: Comentário, Portugal — André Abrantes Amaral @ 4:58 pm

Concordo em absoluto com o Rui Albuquerque. Está em consonância com o que escrevi aqui e aqui.

Aproveito para salientar, novamente, que o país pagará caro a forma como os advogados  se estão a fechar, na possível tentativa de bloquear, aos mais novos, o acesso à profissão. A competência não deve temer a concorrência.

Novembro 28, 2007

O alerta de Ron Paul

Arquivado como: Comentário, Internacional, Política — André Abrantes Amaral @ 11:31 am

Também publicado aqui.

O artigo do Washington Post a que ontem fiz referencia (à semelhança do Gabriel), chama a atenção para o ressurgimento dos ideais libertários na América. Que o sucesso da candidatura de Ron Paul não se deve unicamente à pessoa de Ron Paul, às suas qualidades intrínsecas, aos seus valores, à sua forma de estar mas, contrariamente ao que acontece a maioria das vezes, às suas ideias. Às suas ideias libertárias.

Com o decorrer dos anos, com a grande depressão dos anos 30 (que se deveu ao proteccionismo económico), os norte-americanos foram deixando, a pouco e pouco, que o Estado se intrometesse, primeiro na economia, depois na vida social e até nas suas vidas privadas. Este processo de constante intromissão foi lento, foi sentido, mas dificilmente apreendido e parece ter atingindo um limite, com a presente administração Bush, que a América não mais quer tolerar.
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Novembro 27, 2007