O Insurgente

Maio 22, 2013

A exploração colectivista é uma vergonha

Filed under: Comentário,Portugal,socialismo — André Abrantes Amaral @ 09:58

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Raquel Varela acusa de indignidade moral pessoas que não têm a mesma opinião que ela sobre o salário mínimo. Seguindo o mesmo critério, devo concluir que Raquel Varela não tem dignidade moral, por as políticas colectivistas que defende em público serem a causa do desemprego que grassa pelo país.

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Maio 21, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 09:56

O meu artigo para o jornal i de hoje. Será que o tempo de Vítor Gaspar terminou porque as eleições estão à porta?

Coragem?

Há dias, o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim afirmou que o tempo de Vítor Gaspar tinha terminado, porque o país precisa de uma nova etapa no combate à crise. Afirmações oportunas de quem se candidata à Câmara Municipal de Gaia e que, além de necessitar de se distanciar do governo, vai precisar, como qualquer autarca que se preze, de dinheiro fresco para gastar e fazer obra.

Há uma razão que faz realçar este dos demais candidatos autárquicos. Carlos Abreu Amorim afirmou-se publicamente como liberal, o que é raro entre os políticos. No entanto, ao invés de se destacar com um discurso inovador, defendendo, por exemplo, a descentralização fiscal como forma de responsabilizar os autarcas pelas despesas contraídas, Carlos Abreu Amorim repete o que estamos fartos de ouvir, mas ainda não de acreditar: que é distribuindo dinheiro, que o Estado tira aos cidadãos, que a economia cresce. É caso para dizer que com liberais destes quem é que precisa de socialistas?

Infelizmente, além de muitos eleitores dependerem financeiramente deste círculo vicioso, restam todos os outros que ainda não são suficientemente exigentes. Há quem apelide de corajosas as afirmações Amorim. Por mim, aguardo sentado a verdadeira coragem: de quem governe em defesa dos indivíduos, e não os destrua com promessas feitas a grupos, interesses corporativos e pseudo-empresários. Quem queira fazer a diferença na política não deve cair à primeira tentação.

Maio 14, 2013

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal i. Há 10 anos, um governo alemão de esquerda encetou reformas similares às que devemos fazer hoje em Portugal e que o PS considera deploráveis. É caso para dizer que cada país tem os políticos que merece.

A esquerda na Alemanha

Há dez anos a Alemanha era o doente da Europa, em parte devido aos custos de integração da RDA. Isso mudou. Como? Devido às reformas nas leis laborais, aos cortes nos subsídios de desemprego, nos excessos vários do Estado social e no aumento da idade da reforma. Até os impostos baixaram. Estas reformas foram feitas por Gerhard Schröder, líder do SPD e chefe do governo que o seu partido formou com os Verdes. Um governo socialista que fez as reformas que a nossa esquerda considera atentatórias da dignidade humana.

Hoje a Alemanha domina a Europa, não por ter sido mal–intencionada, mas por ter feito o que os outros não quiseram: resolver os problemas que lhe hipotecavam o futuro. Para o conseguir, o governo alemão contou com sindicatos que aceitaram congelar salários para evitar despedimentos. Passada a tormenta, os ordenados dos alemães, função pública incluída, vão aumentar mais de 4%. Foi isto que o nosso Tribunal Constitucional chumbou com os aplausos de muitos.
Saber que um governo de esquerda fez na Alemanha as reformas que devemos levar a cabo é importante. Faz-nos ver que aquilo que o governo alemão nos exige não é nada por aí além. Por cá, como nos restantes países do Sul, compara-se a exigência alemã com os seus erros no passado. Nada mais injusto e perigoso. Na verdade, o que objectivamente podemos ver, e os alemães vêem de certeza, é que para muitos a solidariedade europeia parece não ter passado de um conceito para os forçar ao pagamento de pecados passados.

Maio 13, 2013

A cegueira francesa está em toda a parte

Filed under: Comentário,Internacional,Política,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 12:42

É do conhecimento público que a esquerda francesa esqueceu o papel que o SPD teve na revitalização da economia alemã e sofre, de há uns tempos a esta parte, de germanofobia. Infelizmente, (para nós todos e para a UE) a direita francesa, não se tendo tornado anti-alemã, também parece não perceber o mundo que a França habita neste século.

Ainda há dias, Laurent Wauquiez, deputado do UMP, ex-ministro do governo de Fillon e seu apoiante na luta interna pela liderança deste partido, afirmou que a França tem de ter cuidado na forma como lida com a Alemanha, sob o risco de a atirar para os braços do Reino Unido. Algo que quando aconteceu trouxe sempre resultados desastrosos para os franceses. O que sugere então Wauquiez? Nada mais, nada menos que uma marcha atrás no processo europeu, com a criação de uma Europa a duas velocidades. A primeira, que implicaria uma maior integração social e fiscal, seria constituída pelos estados fundadores e possivelmente estendida a Portugal e a Espanha. De fora ficaria o Reino Unido e a Europa Central. Ou seja, aquilo porque que a Alemanha se bateu desde a queda do muro de Berlim e sua reunificação. A proposta de Wauquiez pode não ter grande futuro, mas mostra bem como é que, depois de tudo o que se tem passado em França, a sua classe política ainda não acordou.

Se a esquerda quer vergar a Alemanha à sua vontade, batendo-se de igual para igual contra o que qualifica de seus ditames, a direita já só quer, de mansinho, amarrar a Alemanha a um projecto que mais serve para a França manter a supramacia na Europa, sem os custos que a reforma do seu estado implica. Já não é não perceber o mundo globalizado em que vivemos. É mesmo não entender a Europa que temos hoje

Maio 7, 2013

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal i, sobre as parecenças entre António José Seguro e François Hollande. Um ano depois de Hollande ter sido eleito, o fracasso do seu mandato é um verdadeiro aviso para nós.

O aviso

Olhamos para António José Seguro e vemos François Hollande. O tom de voz; os gestos, quando discursa; o olhar e a ignorância das coisas que nele se entende. Não é de agora que o PS copia o seu congénere gaulês. No entanto, e porque os socialistas franceses voltaram ao poder, a receita de Hollande parece ser a escolhida por Seguro.

O que é vantajoso para nós, que vemos no presidente da França um aviso. Hollande nunca foi o candidato do PS. Com pouca experiência política, figura apagada, a sua escolha para líder dos socialistas era uma vírgula numa narrativa (como agora se gosta de dizer no Rato) que se esperava mais longa. Sem se perceber bem como, chegou ao Eliseu com um programa que não consegue cumprir e que está a desacreditar as instituições francesas.

Tal como Hollande, Seguro anseia pelo seu momento. Morto politicamente há poucas semanas, são cada vez mais os que a ele se colam para chegar ao poder. O problema dos partidos numa democracia politicamente pouco culta, como a nossa, é que todos têm pressa. Interessa chegar ao poder, de pouco valendo o que com ele se vá fazer. Não é segredo para ninguém que o PS não está pronto para cortar na despesa pública, nem reestruturar o Estado. Resumindo, para governar. Caso Seguro chegue à chefia do governo, sabemos de antemão que os problemas permanecerão e a austeridade humana que preconiza não passa de um vazio que nos irá asfixiar. Hollande é um aviso vivo a que basta estar atento.

Maio 6, 2013

Hollande – um ano depois

Filed under: Comentário,Internacional,Política Fiscal,socialismo — André Abrantes Amaral @ 17:26

Lettre d’une étudiante à François Hollande.

“Monsieur le Président de la République,

D’abord, je me présente : Clara G., 20 ans, étudiante en deuxième année d’histoire à la Sorbonne. Si je vous écris, c’est pour vous expliquer pourquoi j’aimerais faire ma vie ailleurs qu’en France. Comme une majorité de jeunes Français, d’ailleurs, à en croire les résultats de ce sondage Viavoice pour W-Cie publié en avril. A la question : “Si vous le pouviez, aimeriez-vous quitter la France pour vivre dans un autre pays ?”, 50 % des 18-24 ans et 51 % des 25-34 ans ont répondu oui, contre 22 % pour les personnes âgées de plus de 65 ans.

Vous voyez, les temps changent. Mes grands-parents soixante-huitards avaient eu la tentation de la révolution, j’ai la tentation de l’expatriation. Mes grands-parents, qui coulent aujourd’hui une retraite heureuse dans leur petite maison de campagne du Limousin, rêvaient de transformer la société française, je ne songe qu’à la fuir.

Cela va sans doute vous choquer, mais d’abord pour des raisons fiscales. Pas les mêmes que Jérôme Cahuzac, je vous rassure, mais simplement parce que je n’ai pas envie de travailler toute ma vie pour payer des impôts dont une bonne partie ne servira qu’à honorer les 1 900 milliards d’euros de dettes que votre génération nous a aimablement légués en héritage. Si ces emprunts avaient au moins servi à investir et préparer l’avenir du pays, si j’avais l’impression de pouvoir en profiter un peu, cela ne me poserait aucun problème de les rembourser. Mais ils ont seulement permis à votre génération de vivre au-dessus de ses moyens, à s’assurer une protection sociale généreuse à laquelle je n’aurai pas droit. A s’offrir des vies, j’allais dire “pépères”, mais j’ai peur que le mot vous froisse. (mais…)

O PS anti-Europa

Filed under: Comentário,Política,Portugal,socialismo,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 11:56

Para quem ainda não deu conta, o PS prepara-se para dar uma guinada no discurso europeu: a saída do euro já não só é possível, como também é necessária. O ser desejável está ao virar da esquina. Para muitos socialistas, o euro, associado que está à vontade de Merkel de não querer ser a responsável pelo regresso da inflação à Alemanha, já não serve os seus intentos. Se o estado social se endividou por ter embarcado em aventuras empresariais e capitalistas, que o euro já não permite mais, a solução passa pelo abandono da moeda única.

Para os defensores desta linha de pensamento, a única maneira de sairmos da crise é fazendo dinheiro. Para tal, o banco de Portugal, sob instruções do governo, deve ter uma palavra a dizer. É a isto que se tem chamado de autonomia financeira. Uma solução que visa inflação, controlada, dizem-nos, que não deixará de ser um risco tremendo para que uma classe dirigente possa continuar a governar sem quaisquer tipo de travões, sem prestar contas que não seja obra feita sancionada com eleições. Através do voto popular.

Este projecto é justificado com uma fundamentação: a de que a austeridade pode causar instabilidade social, caos económico, político e quem sabe, guerras. O exemplo apontado é a da crise alemã dos anos 20 e 30 que acabou com bem sabemos. Sucede que uma das causas que gerou instabilidade nos anos entre as duas guerras foi, precisamente, a inflação. Um cancro que cresceu à medida que se iam imprimindo mais notas para pagar contas que se agravavam com o aumento do dinheiro em circulação. Um círculo vicioso e descontrolado a que apenas Stresemann pôs cobro quando apostou na estabilidade de uma moeda forte. Uma moeda que, como o euro nos dias de hoje, não permitia inflação e deu espaço à estabilidade social e ao crescimento económico da segunda metade dos anos vinte.

Merkel, como qualquer alemão, sabe quais são os risco da inflação: a destruição das poupanças, do esforço de quem trabalha e do emprego. Algo que o PS também devia saber. Aquando do Bloco Central, durante o anterior resgate do FMI, Mário Soares governou em austeridade, embora podendo fazer moeda. O resultado foi uma inflação acima dos 30% que a muito custo foi vencida nos anos posteriores. Só quando essa inflação foi dominada é que a economia cresceu. O PS devia saber isto também, porque foi depois desse período que, na segunda metade dos anos 90, pode governar sem esforço.

Governar não devia ser apenas um modo de nos enchermos de honrarias por meio de trabalho fácil. Apresentar obra, distribuir dinheiro que se faz quando acaba, não é difícil. O difícil é, não cedendo às pressões, não destruir a economia de um país e com ele uma população inteira. A utilização da história para justificar uma moeda fraca, alegando para tal os princípios da autonomia financeira, é um risco, além de falso, demasiado grande para juntarmos às dificuldades que já temos. Demagogia; populismo; dinheiro fácil; autonomia financeira; fim do projecto europeu; proteccionismo. Instabilidade social. Se quisermos brincar com o fogo será bom que saibamos quem é que está verdadeiramente a ateá-lo e com que razões.

Maio 3, 2013

Predadores

Filed under: Comentário,Política,Portugal,socialismo,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 11:51

As afirmações de João Galamba ao jornal i são reveladoras da estratégia da esquerda. Nelas compreende-se que o euro se tornou num empecilho ao uso do dinheiro dos contribuintes como modo de financiar, através de políticas públicas, os sonhos megalómanos de qualquer socialista. Por isso, o euro só sobrevive se criar emprego e desenvolvimento económico. Público, naturalmente. Caso o euro não permita mais o endividamento dos estados, ele já não serve. Foi um brinquedo que já não presta e que deve ficar na prateleira.

 E é assim que para o PS, o projecto europeu, tão sagrado que ele era, morreu. Tudo está bem enquanto servir para fazer a nossa vontade.

Abril 30, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:17

O meu artigo de hoje no jornal i de hoje, sobre a pressa que a oposição tem de regressar ao poder.

Ansiedade política

Terminei por estes dias a leitura das “Memórias do Duque de Palmela” (D. Quixote). Além do interesse que é ler o relato, na primeira pessoa, de um dos principais intervenientes nos acontecimentos que marcaram a primeira metade do século xix, o que se retira dos seus escritos é a enorme impreparação da classe política para governar o país.

Palmela, filho de um diplomata, nasceu em Turim em 1781 e viveu na Europa até 1795, ano em que veio para Portugal. De acordo com Maria de Fátima Bonifácio, que apresenta as referidas memórias, e conforme se comprova dos seus escritos, Palmela era um entusiasta do sistema inglês. Para ele, o liberalismo não era radicalismo, mas estabilidade, moderação e contenção. Acima de tudo, preparação. Num país onde a histeria política impera(va), Palmela não foi longe. Incompreendido, sempre que possível foi relegado para segundo plano.

A impreparação denota-se na falta de tacto e na ansiedade política com que se faziam leis e se julgava possível mudar o país por decreto. Por muito que o duque realce as suas qualidades, há factos que são conhecidos de todos nós e que não podemos ignorar. E o que mais choca, além de ser um português com educação estrangeira a cuidar conhecer o país para que se legisla, é perceber quantas das falhas de então existem hoje. David Cameron foi líder dos tories cinco anos antes de ser primeiro-ministro e não se fala em fazê-lo cair. Preparação. Por cá, quando é que começamos a ser menos ansiosos?

Abril 29, 2013

Falhanço 2.0

Filed under: Economia,Insurgentes nos media,Nanny State Watch,Política,Portugal,socialismo — André Abrantes Amaral @ 10:21

O meu artigo de hoje para o Diário Económico, sobre o plano de crescimento económico apresentado pelo Álvaro Santos Pereira.

O ministro Álvaro Santos Pereira apresentou há dias a sua Estratégia para o Crescimento e Fomento Industrial 2013-2020. Um plano centralizado que parece tratar-se de uma cedência do Governo às exigências da esquerda e acalmar a oposição. Infelizmente, o memorando para o crescimento deste Governo, acaba por ser mais um esforço de planeamento central da economia que a rea lidade nos monstra, há anos, ter falhado.

Veja-se o que pretende Santos Pereira: educar e formar, antes de tudo. Quantos milhares de milhões de euros teremos ainda de gastar para que um Governo desista do sonho utópico que é formar toda uma população? O mesmo se diga do financiamento da economia: como é que um Estado falido pode financiar a economia privada que o sustenta? Melhor ainda: qual é mais valia de uma economia privada que precisa do Estado para sobreviver? A maioria do programa de Santos Pereira peca do defeito que é considerar que uma pessoa, uma empresa, para investir precisa do apoio do Estado. Daí as medidas para consolidar e revitalizar as empresas. Mas não precisa. Do que necessita é que o Estado cobre menos impostos. Sejam directos ou indirectos; taxas ou meras multas. Se o Governo quer que a economia cresça, o Estado tem de baixar a carga fiscal.

Para descer a carga fiscal, o Estado tem de reduzir a despesa. Sejamos francos: nenhuma economia endividada cresce; ninguém investe numa economia em que o que se produz serve para pagar dívidas. Ninguém é doido a esse ponto. Desta forma, é indispensável que o Governo se convença que não lhe cabe governar as empresas, nem as pessoas. Apenas governar o Estado. Fazer com que este garanta a existência de tribunais justos e céleres, pois os actuais assustam os empreendedores que agora se descobriu serem importantes; de condições para que exista verdadeira paz social; que acabe de vez com o défice das contas públicas. Nada de programas e redes de estímulo. Ou seja, e isto é muito importante: que deixe a vida privada para os privados.

Abril 23, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Internacional,Nanny State Watch,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:37

O meu artigo para o jornal i de hoje.

A pergunta fulcral

Rand Paul é um dos senadores republicanos pelo estado do Kentucky. Há pouco tempo deu nas vistas por ter falado no Senado sem limite de tempo, opondo-se à nomeação para dirigente da CIA de um responsável do uso de drones para a eliminação de terroristas. Na semana passada, o agregador noticioso Real Clear Politics publicitou um seu artigo sobre o futuro do Partido Republicano.

Chamando a atenção para os estudos que apontam a dívida pública e a disfuncionalidade do governo como a maior preocupação dos norte-americanos, Rand Paul defende que os republicanos se devem centrar na defesa de um governo limitado. Um governo, que não sendo inexistente, se limite às suas funções essenciais e não extravase os seus limites, que são os direitos individuais.

O texto de Rand Paul é importante porque antecipa o debate político dos próximos anos. Se até agora este se reduziu à luta de quem o estado deve favorecer, a discussão política centrar-se-á sobre se cabe ao estado, ou aos cidadãos através das suas escolhas, determinar o rumo que deve ser seguido por um país.

Em Portugal, onde ainda vivemos entre a escolha de aumentar impostos para pagar a dívida e aumentar impostos para aumentar a despesa, tudo isto é novo. Apesar de tudo, a seu tempo chegaremos ao debate que começa a ser travado lá fora. Se o Estado esmaga os nossos direitos, como é que o vamos limitar? A pergunta é fulcral e será discutida brevemente.

Abril 16, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Internacional,Política — André Abrantes Amaral @ 09:55

O meu artigo no jornal i de hoje.

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Foto: D.R.

O legado de Thatcher

Quando Margaret Thatcher chegou ao poder encontrou um país dominado pelo Estado, que subjugava os súbditos britânicos. Nascida nos anos 20, Thatcher ainda soube o que era o Reino Unido ter um império. A sua falta e a decadência que do seu fim adveio, e que ela não acreditava ser obrigatória, fizeram-na ver que o futuro do país se encontrava onde sempre esteve: na capacidade dos ingleses ou, se preferirmos, dos britânicos.

Foi esta percepção que a fez ser intransigente na defesa dos indivíduos contra o Estado. Thatcher foi a quinta coluna colocada no topo do Estado para fazer implodir os seus excessos e fazer valer os direitos individuais. Por isso quando David Cameron diz que Thatcher salvou o Reino Unido não diz a verdade. Ela salvou os britânicos e estes, em liberdade, salvaram o país.
A aposta de Thatcher nos direitos individuais, que devem ser protegidos por uma questão moral, é hoje mais actual que nunca, por ser o único meio de salvar os países europeus. Coloca-se também em Portugal, onde quem nos endividou nos diz ser do interesse nacional trabalharmos para pagar as dívidas do Estado.

Um país não é nada sem gente. Pessoas dispostas a trabalhar para si e para a sua família. Donde, desta crise, de qualquer crise, só se sai se o governo nos libertar do peso que é darmos mais do que devemos a quem não conhecemos; darmos demasiadas explicações a quem nada fez por nós; da culpa que nos incutem por não querermos ser trucidados pela lógica da predação colectiva.

Abril 9, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Internacional,Política,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 11:29

O meu artigo para o jornal i de hoje.

O novo mundo

Franz-Olivier Giesbert, num dos editoriais da revista “Le point”, e referindo-se à publicação do livro ‘Chindiafrique’ (Odile Jacob), alerta a França para a necessidade de olhar o mundo  presente e perceber que as glórias do passando já eram. A França, como a Europa, beneficiaram no pós-guerra de duas vantagens de peso: uns EUA dominantes que garantiam a segurança mundial e a pobreza do terceiro mundo, que vendia baratas as suas matérias-primas, ao invés delas precisar.

Foi poupando na defesa e nas matérias-primas que o Estado social europeu prevaleceu. Foram os anos gloriosos em que a Europa, já não tendo impérios, continuou a beneficiar da pobreza dos povos. Dos frutos de um mundo americano seguro e de um terceiro mundo sem forças para se fazer valer.

O referido livro, da autoria do especialista em assuntos indianos Jean-Joseph Boillot e do jornalista Stanislas Dembinski, trata desse terceiro mundo, aqui a China, a Índia e a África, que em 2012 já produziu mais que o Ocidente; que já não se limita a dar acesso aos meios para a Europa produzir o que consome, mas os fabrica e enriquece.

O Ocidente está indignado com o fim do seu Estado social. Não quer liberalizar as leis laborais, para não voltar ao nível de (sub)desenvolvimento dos países pobres. No entanto, e ao que parece pelo que se tem visto, as benesses sociais europeias vão dependendo da pobreza do mundo. Da tal “Chindiafrique” que nos bate à porta a dizer que acabou.

Abril 8, 2013

Amanhã

Filed under: Blogosfera,Livros — André Abrantes Amaral @ 20:38

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O lançamento do livro de João Távora, chamado Liberdade 232, amanhã às 18.30h, no Instituto Amaro da Costa, na Rua do Patrocínio, 128, Campo de Ourique, em Lisboa.

Um poço sem fim

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:10

O meu artigo de hoje no Diário Económico sobre a decisão do Tribunal Constitucional.

Somos escravos de uma Constituição que não se coaduna com a realidade. Que sendo interpretada da forma que foi pela maioria dos juízes do Tribunal Constitucional, acentua as desigualdades entre aqueles que, trabalhando no sector privado, podem perder o posto de trabalho e os que, estando no sector público, têm emprego para a vida.

Somos escravos de uma Constituição que não se coaduna com a realidade. Que sendo interpretada da forma que foi pela maioria dos juízes do Tribunal Constitucional, acentua as desigualdades entre aqueles que, trabalhando no sector privado, podem perder o posto de trabalho e os que, estando no sector público, têm emprego para a vida. De uma Constituição baseada em preconceitos ideológicos, impregnada de um socialismo tacanho que já não só nos está a empobrecer, mas também a destruir. A destruir tudo o que foi feito desde 1974/75.

 
A decisão do Tribunal Constitucional, porque dificulta o pequeno esforço até agora feito para reduzir a despesa pública, não deixa ao Governo outra alternativa que não seja a redução do número de funcionários públicos. Se não se tomar esta medida drástica, cujas consequências sociais se vão agravando à medida que é adiada e se torna mais premente, não é apenas o estado social que acaba, mas também o próprio regime. Por muito que a esquerda bata palmas e o PS se diga pronto para governar, já não há mais dinheiro de terceiros para pagar as políticas socialistas. Infelizmente, e como a experiência comprova, mais que a actividade empresarial do estado, quem vai sofrer serão aqueles que mais precisam das medidas de carácter social.

 
Caso não se reduza fortemente a despesa pública, a única hipótese que resta ao país é a saída da moeda única. Ora, a saída do euro, marcará o fim do projecto europeu que fez o regime. Todo o esforço feito desde o 25 de Abril, da descolonização à adesão à CEE; da adesão à livre circulação de bens, serviços, pessoas e capitais, e posteriormente ao euro, é posta em causa. Sem isso, o regime perde o norte e deixa de ter rumo. Reduzir-se-á a um manual de sobrevivência político, através do qual vamos gerindo o empobrecimento continuado dos portugueses que, entretanto, não se forem embora.

 
Sempre acreditei, que batendo no fundo do poço o país acordava. Infelizmente, o poço parece não ter fim.

Abril 4, 2013

Um duque que sobreviveu e um país que não mudou

Filed under: Comentário,Livros,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:53

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Portugal achava-se então num estado de tranquilidade completa. Pode considerar-se como feliz entre todos os países da Europa. Muito mais feliz ainda houvera sido, se os que o governavam soubessem aproveitar aquela era de prosperidade para fundar a fortuna pública sobre as bases sólidas de uma boa administração, da reforma dos abusos, sobretudo do melhoramento dos estudos e em geral da educação de todas as classes, de que muito se carecia. O Governo, porém, assim como a Nação, tinham adormecido no regaço da ventura. Quando chegou a época da adversidade, escassearam os recursos, assim como faltou a energia para lutar contra ela à medida que se exauriram as fontes donde, sem trabalho e com pouca indústria, provinha a riqueza nacional.

Memórias do duque de Palmela, p. 79.

As memórias do duque de Palmela, escritas em 1848, e apresentadas agora por Maria de Fátima Bonifácio, retratam na primeira pessoa a vida de um homem que marcou a política portuguesa da primeira metade do século XIX. D. Pedro de Sousa Holstein, nasceu em Turim e veio a primeira vez para Portugal já com 14 anos. Sabia várias línguas e foi um diplomata excelente. Talvez devido as esses dois factores, a sua carreira política ficou aquém do que se poderia esperar. O país que encontrou em 1795, quando chegou a Lisboa, esperava suspenso o abismo que chegaria anos mais tarde. O trecho do texto em cima refere precisamente isso. Palmela acabou por sobreviver a tudo. Tal como o país. As invasões francesas, a instabilidade política, a independência do Brasil, o regresso do rei, a guerra civil, os vintistas, os setembristas, os cartistas e por aí em diante. O país sobreviveu, mas não mudou. Como se pode ler do que Palmela nos lega, a felicidade que poderíamos ter tido, acaso os governos tivessem aproveitado os dinheiros vindos da Europa e reformado o estado de modo a não se ter endividado ao ponto de, refém de interesses diversos, se ver forçado a manter serviços e a distribuir benesses do agrado de alguns, continua uma miragem.

1795 não foi o único ano em que o país esteve suspenso. À espera. Já tinha acontecido e já voltou a suceder. Como agora. Como acontecerá daqui a uns anos. Tal como antes, sobreviveremos com os nossos filhos e netos prontos para contar a história. Infelizmente, essa, tal como a que Palmela nos descreve, não será bonita, nem vai ser fácil. Sobreviveremos, mas o país não mudará.

Abril 2, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media — André Abrantes Amaral @ 11:09

O meu artigo para o jornal i de hoje. Não valendo ouro, os estados fazem dinheiro quando querem e precisam. Com o acumular da dívida que vivemos, que se deve em grande parte à não conversão do dinheiro em ouro, presenciamos o fim de um ciclo: aquele em que os governos foram omnipotentes. Só o futuro nos dirá se o dinheiro voltará a ter um valor objectivo, baseado no ouro, ou em qualquer outro metal, bem, valioso e universal. Algo que nos proteja de quem manda.

O dinheiro devia valer ouro

A 15 de Agosto de 1971, Nixon anunciou que o dólar deixaria de ser convertido num valor fixo em ouro. A partir desse momento, e porque todas as demais divisas estavam, desde 1944, atreladas à norte-americana, o valor do dinheiro passou como que a levitar. Deixou de ter um valor objectivo, intrínseco, para estar dependente da vontade dos governos, da necessidade que estes teriam de gastar para cumprirem as promessas que lhes garantissem votos.

A partir daqui começaram os problemas de hoje: o endividamento público e a bolha que nos rebentou nas mãos. O dinheiro deixou de valer ouro, para ter o preço que os governos quisessem. Precisassem. O valor subjectivo do dinheiro é tal que os EUA o fabricam para continuarem a importar produtos, naquilo que é um verdadeiro esquema ponzi, em que todos perdem quando percebem o que estão a transaccionar.

Ao fazer dinheiro, os estados cometem os erros que apontaram a Wall Street. Sem a ligação do dinheiro ao ouro, os governos são livres de gastar, permitindo a sobrevivência da classe política. Infelizmente, à medida que tal sucede, a maioria perde poder de compra. Se criamos mais dinheiro do que aquilo que efectivamente vale, este perde valor. E quando perde valor é o cidadão comum quem paga, perdendo poder de compra. Hoje a classe média trabalha mais para ter o nível de vida dos seus pais e avós. Como é que isso foi possível? Apenas e tão-só porque o dinheiro vale o que vale a palavra de um político. Ou seja, cada vez menos.

Março 26, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Nanny State Watch,socialismo — André Abrantes Amaral @ 10:17

O meu artigo de hoje para o jornal i.

Dinheiro limpo

O dinheiro, ou a falta dele, está no centro de todas as discussões. Foi ele que nos impôs a troika e o aumento dos impostos. É dele que depende a sobrevivência do Estado social. Independentemente disso, quando se fala em dinheiro, há sempre quem, desprezando-o apesar de dele precisar, se arroga uma supremacia moral sobre os demais.

Apesar de não ser popular reconhecê-lo, há muita boa gente que vive de dinheiros públicos e que deles não precisa. Refiro-me a pós-licenciados e pós-doutorados, bolseiros, agentes culturais e por aí fora, que, caso não recebessem o que somos forçados a dar-lhes, deixariam que chegasse para cortar menos nas ajudas a quem precisa.

O corte desses subsídios daria azo à acusação de se dar demasiada importância ao dinheiro e não se valorizar o ensino. No entanto, esta postura relativamente ao dinheiro é falsa: não é este que não é importante, mas aqueles que o recebem que são demasiado importantes para se preocuparem com a sua falta. Nada vale mais do que o que fazem, apesar de o que fazem não valer o esforço de serem auto-suficientes.

É para que nunca se questione isto que o dinheiro é vilipendiado. Quem não o dá suja-se. No entanto, é devido ao dinheiro que não somos escravos. É o dinheiro que define o valor do trabalho. O dinheiro é libertador e igualiza-nos. Deve ser dado em troca e nunca por obrigação. E quem não o valoriza ao ponto de o não querer receber pelo que faz, não se pode arrogar uma superioridade moral que não tem.

Março 21, 2013

Serviço público de televisão: a cereja em cima do bolo

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:53

José Sócrates será comentador da RTP.

Março 19, 2013

Contra a parede

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — André Abrantes Amaral @ 10:08

O meu artigo no Diário Económico de hoje, sobre a 7.ª avaliação da troika.

O Governo foi encostado à parede. A 7ª avaliação da ‘troika’ exige que o Estado, que continua gravemente deficitário, comece a cortar na despesa pública. Se assim for, finalmente. Por fim, o Governo será forçado a desistir de equilibrar as contas públicas unicamente do lado da receita. Apenas carregando nos frutos de quem trabalha, investe e arrisca. Foi preciso que a economia caísse mais de 2% e o desemprego no sector privado subisse acima dos 18%, para que o Governo se deixasse convencer. É tarde, mas mais vale tarde que nunca.

Dizem os principais comentadores que a austeridade está para continuar. Infelizmente, é mais que isso: a austeridade, que significa perder ou poder vir a perder o emprego, vai-se alargar ao sector público. A austeridade, que significa fechar departamentos, institutos, desistir de projectos e da concretização de objectivos, vai-se alargar ao Estado. O desemprego vai subir, a insatisfação atingir o rubro mas, e porque fomos adiando a reforma do Estado até se tornar dolorosa, esta é a única forma de sairmos deste poço que parece não ter fundo. O Estado não pode continuar a consumir e gastar os rendimentos de quem trabalha.

Mas não é só o Governo que foi encostado à parede. A oposição também. A ideia engenhosa de que a economia cresce por se distribuir entre os privados o dinheiro que anteriormente lhes é retirado, só não será posta de parte se nos deixarmos levar pela falsidade do imposto camuflado que é a impressão de moeda.

O socialismo está intimamente ligado ao consumo: é preciso gastar, para que se invista. Por isso, a importância dada à procura que se incentiva, ao invés da poupança e do investimento, que se taxam. Apenas o tempo dirá se o resultado da 7ª avaliação da ‘troika’ é positivo. Os condicionalismos são muitos e tudo depende de o Governo conseguir cortar na despesa pública e todos os portugueses, trabalhem no público ou no privado, passarem a ser verdadeiramente iguais.

Março 18, 2013

Leitura para estes dias

Filed under: Religião — André Abrantes Amaral @ 17:16

Leitura para estes dias

Março 14, 2013

Quando todo o cuidado é pouco

Filed under: Comentário,Media — André Abrantes Amaral @ 15:23

Ao contrário das múltiplas opiniões que por aí se ouvem e lêem, nada percebo da vida interna da Igreja e do Vaticano. Apesar disso, a escolha de ontem levantou-me uma questão: como é que, e de acordo com o que ouvi e li, cardeais tão divididos, indecisos e confusos, foram capazes de uma decisão tão rápida e que a tantos surpreendeu?

É preciso ter muito cuidado com o que se publica por aí.

 

 

Março 12, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Política,Portugal,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 10:26

O meu artigo para o jornal i de hoje.

Democracia em risco (2)

A agência Standard & Poor’s melhorou a perspectiva que tem sobre a economia portuguesa. A notícia é positiva, mas corre o risco de não chegar. Melhor: corremos o risco de não beneficiarmos dela a tempo. Apesar de as instituições europeias aparentemente terem estabilizado o euro, os europeus começam a sentir na pele os efeitos da crise. Mais impostos e cortes em alguns serviços públicos dão o mote a muito descontentamento.

A situação é particularmente grave em Portugal, com eleições legislativas daqui a dois anos. Se a economia não melhorar e o desemprego não descer até então, o PSD pode não regressar tão cedo ao poder. Perante um PS que não tem, nem terá, condições para reformar o Estado, o regime chegará a uma encruzilhada.

A escolha será simples, mas difícil: ou a via liberal de um Estado controlado pelos cidadãos, ou o caminho populista da intervenção estatal e o espezinhamento natural das liberdades individuais. Qualquer das escolhas dará azo a discussões acesas nos anos mais próximos.

A história não se repete, mas vai-se assemelhando. E um olhar sobre o passado mostra- -nos que, falindo o regime, a via populista será a mais provável. Qualquer opção pela liberalização política e o controlo efectivo da actividade estatal implica um exigente nível de consciência e responsabilidade individual. O desafio que vivemos não é apenas económico, mas também cultural. Apenas uma profunda mudança na cultura política portuguesa nos permitirá seguir a primeira opção.

Março 11, 2013

Tempo

Filed under: Comentário,Economia,Insurgentes nos media,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:38

O meu artigo no Diário Económico de hoje.

Tempo

Os ministros das Finanças da União Europeia permitiram que a ‘troika’ proponha formas de dar a Portugal e à Irlanda, mais tempo para pagarem os seus empréstimos. A ideia soa bem, mas não é necessariamente positiva, tal como não significa que seja vantajoso voltar a ser apenas um bom aluno da Europa.

Bernard Connolly é um prestigiado economista britânico despedido pela Comissão Europeia quando, em 1995, publicou o livro The Rotten Heart of Europe. Nele chamou a atenção para os perigos de criar uma moeda única nas condições que infelizmente conhecemos. O tempo deu-lhe razão e agora que o seu livro foi republicado (Faber and Faber), é de temer que a história se repita.

Connolly referiu há dias numa entrevista ao Wall Street Journal, que a Europa está a financiar, com os bailouts aos estados, uma bolha idêntica à que rebentou depois de 2008. Para ele, não basta criar condições para que o dinheiro seja acessível outra vez. É preciso que os salários e os preços voltem aos valores anteriores ao euro e os estados deixem de ser deficitários. Não fazendo isso, a Europa limita-se a comprar e a vender tempo. Aquela que parece ser a nova moeda de troca entre os europeus.

Infelizmente, o programa da troika limita-se a destruir a economia portuguesa, sem que a estrutura do estado siga o mesmo caminho. O estado está deliberadamente a fechar empresas que considera desnecessárias, ao mesmo tempo que não reduz custos, fecha departamentos e acaba com os entraves que provoca na economia. O estado força empresas a fechar, mas não faz o mesmo com os seus serviços.

Ser um bom aluno de uma Europa que criou uma moeda forte com pés de barro, não chega. Precisamos ser competitivos e para isso o estado tem de mudar: deixar de destruir a economia para poder subsistir e não encarar as pessoas que investem, como meros meios de obter mais receitas. Precisamos de alterar de rumo, antes que os alemães que pagam a conta nos mandem “lixar”.

Março 10, 2013

Tempo de Antena (8)

Filed under: Comentário,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:20

Depois da tenebrosa conversa sobre o futuro negro que nos espreita, este debate entre mim e o Paulo Laureano é mais leve. Apesar do socialismo nos ter lixado o futuro ou, como alguém já salientou, o presente, não basta chorar, é preciso também rir com as incongruências dos que nos governaram.

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Março 8, 2013

Como é bom injectar dinheiro na economia

Filed under: Comentário,Nanny State Watch,Política Monetária,Portugal — André Abrantes Amaral @ 16:57

“Doing this to our children is immoral.” Os avisos não faltaram, nem faltarão, mas a asneira continua. São os passos em frente quando à beira do precipício.

 

Março 5, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Portugal,socialismo — André Abrantes Amaral @ 13:51

A democracia em risco (1)

O meu artigo n0 jornal i de hoje.

Podemos entender a democracia de duas formas: ou se reduz à expressão da vontade da maioria, ou serve de base ao respeito das liberdades e dos direitos individuais. Quando estes dois conceitos se complementam estamos no melhor dos mundos, mas quando se afastam vivemos num pesadelo.

O resultado inesperado das eleições italianas confundiu os dirigentes europeus, que julgavam já ter resolvido a crise. Afinal a recuperação do euro parece não aguentar um empate eleitoral e a eleição de um comediante como Beppe Grillo. E como não é fácil aos europeus aceitarem uma descida no seu nível de vida, são prováveis outras surpresas como a italiana.

O programa de Grillo e do seu Movimento 5 Estrelas é tão vago quanto o que seja ser contra a corrupção e a favor da democracia directa. Votar nele é um direito, mas também uma inconsciência que serve para deitar mais lenha na fogueira. Sendo a democracia a vontade da maioria, caso esta não respeite os direitos individuais, a sua legitimidade está perdida. É o que acontece com a eleição de ditadores. São eleitos, mas não são legítimos. Acabar com a austeridade, implique ela mais despesa pública (e impostos para o sector privado), ou desvalorização da moeda e inflação, é um atentado aos direitos daqueles que trabalharam, pouparam e investiram.

A liberdade está sempre do lado do indivíduo. É individual. E quando a maioria questiona isto, a democracia está perdida.

Fevereiro 27, 2013

Boa noite

O meu artigo de hoje no Diário Económico.

O Governo falhou as previsões da execução orçamental de Janeiro deste ano. Uma análise dos números mostra o óbvio: a economia privada não consegue mais pagar a ideologia socialista que nos esmaga. Chegámos a este ponto porque deixámos que o poder político dominasse o económico. Encarámos a economia, e o mercado, como algo intrinsecamente mau, ao mesmo tempo que vimos no estado, e nos políticos que o governam, o instrumento para corrigir os seus defeitos. Acreditámos que os homens quando faziam negócios eram naturalmente corruptos, e os que faziam política, obrigatoriamente impolutos. Acreditámos em algo tão perigoso, que esquecemos que estávamos a destruir a liberdade. A liberdade de trabalhar, criar, investir, produzir, fabricar. A liberdade de usarmos o fruto do nosso trabalho como queremos. A liberdade de viver.

Pusemos o Estado no centro da vida. Tudo passa por ele: o emprego de metade do País; a vida cultural; a actividade económica; o ensino. Pouco resta fora da sua esfera. Entregámos-lhe os instrumentos ao nosso alcance, incluindo o futuro, e agora que não temos mais para lhe dar, não sabemos o que fazer. Há quem exija mais despesa pública, com o fito de salvar o que resta da lógica socialista. Uma ilusão que significa perpetuar o erro dos cidadãos sustentarem a máquina que os destrói.

E agora? Agora precisamos saber o que queremos da vida. Esta crise só se resolve se repensarmos as funções do Estado. Se quisermos que este garanta as liberdades individuais em vez de as oprimir. Não sufoque os indivíduos, que são a essência do País. Um Estado que veja nos cidadãos, pessoas livres e com sonhos, e não números; uma massa que segue atrás do discurso político que promete medidas que dão votos. Precisamos de um Estado que se controle a si mesmo, refreie os ímpetos intervencionistas dos que detêm o poder, mas nunca, mesmo que à força do voto, a minha vida. Se não fizermos isto, precisaremos de uma boa dose de sorte para a noite que se aproxima.

Fevereiro 26, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Internacional — André Abrantes Amaral @ 10:03

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Foto: Eric Gaillard/Reuters

O meu artigo de hoje no jornal i.

O Mali e a hipocrisia

Boko Haram é o nome da organização terrorista islâmica que raptou uma família de sete franceses no Norte dos Camarões. No mesmo dia, a França perdeu o seu segundo soldado no Mali desde o início da intervenção militar, no mês passado. Independentemente de o rapto nos Camarões estar ligado à intervenção no Mali, o certo é que devemos olhar com atenção para o ninho de víboras em que a África ocidental se tornou.

O que está a suceder no Mali é da máxima importância para Portugal, tendo em conta o estado falhado que também é a Guiné-Bissau. Apesar disso, a imprensa portuguesa não tem dado muita atenção ao que se passa no Mali. Talvez por não ser tão rico quanto o Iraque. Talvez porque se trata da França.

Uma leitura da imprensa francesa, a começar pela de centro-esquerda, é reveladora: esta intervenção militar é legítima por todos os motivos que ilegitimaram a norte-americana no Iraque, com excepção do “sim” da China e da Rússia. França decidiu ajudar estados falhados e fazer guerra preventiva contra grupos terroristas antes que estes ataquem Paris. A parcialidade do jornalismo, a que se junta a unanimidade da sociedade francesa, é espantosa. Tal como a definição desta como guerra justa que visa vencer o mal e impor o bem, que muito se assemelha à, em tempos tão criticada, visão messiânica dos neoconservadores norte--americanos. Todos os assuntos têm duas versões, costuma dizer-se. No entanto, quando a hipocrisia grassa, não resta muito que se veja.

Fevereiro 25, 2013

Bernard Connolly e os erros do euro

Filed under: Comentário,Política Monetária,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 16:49

Leitura imprescindível para quando os desempregados se fartarem do euro.

Fevereiro 19, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Política,Religião — André Abrantes Amaral @ 10:55

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O meu artigo de hoje para o jornal i.

Bento XVI

Com a resignação de Bento XVI, a escolha de um novo Papa está no centro das atenções. O mediatismo torna a eleição de líderes algo espectacular, mas sem conteúdo. Dos muitos que apostam quem será o novo Papa, poucos perderão um minuto que seja a tentar saber de onde vem e ao que vai. Se vivemos numa sociedade que se define como moderna e indiferente à religião, pouco mais lhe resta que o suspense de uma escolha feita à porta fechada.

Jacques Drillon referia há dias na “Nouvel Observateur”, e também sobre o Papa, que a modernidade é uma questão de perspectiva. O que é moderno hoje será passado amanhã. Esta análise leva-nos a concluir que a democracia moderna não deveria ostracizar a religião. Mais: não sobrevive sem ela. Por muito que olhemos para os crimes praticados em nome de Deus, foi por sua inspiração que a liberdade se ergueu. Não houve, nem há, liberdade sem tradição religiosa. Foi o que Max Weber percebeu descrevendo-nos a força libertadora da Europa protestante, que levou à expansão comercial, à melhoria de vida e à troca de ideias.

A liberdade que nos dizem existir sem ter por base algo que nos intrigue ao ponto de não compreendermos, é moderna e, como moderna que é, estará ultrapassada amanhã. Bento XVI foi um Papa que quis explicar a fé, o perigo do relativismo e a importância da religião como cerne da vida humana. Algo difícil, mas necessário, e que não é mais que um dos dons que Deus nos deu: o uso da razão para sermos livres.

Fevereiro 15, 2013

O estado predador

Filed under: Comentário,Nanny State Watch,Política,Portugal,socialismo — André Abrantes Amaral @ 11:10

Fui contra a proibição de fumar em restaurantes, porque, apesar de me ter facilitado a vida, considerei a lei uma ingerência grosseira do estado na propriedade privada. No entanto, a maioria não achou assim. A maioria gostou que se deixasse de fumar nos restaurantes, do que isso implicava ao nível da homogeneidade do espaço, permitindo-lhe ir onde e quando quissesse, sem ter de perder tempo a considerar se se fumava ou não. Se isso se traduzia numa violação da liberdade de escolha de quem tinha instalado e pago o restaurante, já não vinha ao caso. A maioria quando quer algo, não olha a meios, nem perde tempo com minudências.

O estado, que devia servir para proteger as minorias contra afrontas deste género, de proteger a propriedade privada, há muito que deixou essa função.

Independentemente de todas estas considerações, abriu-se uma porta. Porque deu jeito, a maioria facilitou e deu ao estado o poder de se intrometer no que lhe era alheio. Conseguiu. Agora, com a obrigatoriedade das facturas a história é semelhante: a maioria até acha bem, porque obriga os comerciantes a pagar impostos; de não fugirem ao novo desígnio nacional que é pagarmos a dívida que os governos contraíram. Aos poucos, vamos abrindo portas. Sem que nos demos conta disso, e num dia não muito longínquo, será a da maioria que pagará um preço muito caro por ter transformado o estado numa máquina predadora a seu favor.

Fevereiro 13, 2013

Tempo de Antena

Filed under: Comentário,Política,Portugal,Videos — André Abrantes Amaral @ 12:13

Mais um Tempo de Antena. Desta vez, eu e o Paulo Laureano, conversamos sobre a democracia directa como alternativa à representativa. Além de discutir o défice e a dívida pública, é muito importante compreender como é que o nosso sistema político, através do nosso Parlamento, não foi capaz de impedir que os governos gastassem o que os portugueses não tinham.

Continuam a ser feitas melhorias, desta vez ao nível da iluminação, permitindo um ambiente mais propício ao debate e melhor qualidade da imagem.

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No Fio da Navalha

Filed under: Diversos — André Abrantes Amaral @ 09:30

O meu artigo de ontem no jornal i.

Experiência (2)

Na passada semana referi que saber que não podemos mudar o mundo não significa conformismo.  Na verdade, o que temos de trabalhar em nós é bem mais difícil e revelador. Hoje chamo a atenção para outro erro que associamos à experiência: a ideia de que com os anos temos de aceitar o fim dos nossos sonhos.

É comum entender-se que a maturidade implica prudência que pressupõe desistir de si mesmo; que crescer passa por confundir os nossos valores mais íntimos com ingenuidade. Foi Ayn Rand, na introdução que em 1968 fez ao seu livro “The Fountainhead”, quem chamou a atenção para a chama que nasce connosco e que tantos querem apagar. Rand dedica esse livro aos que crescem sem que se deixem corromper. Aos que não desistem de se realizar nesta vida e sabem que essa realização pessoal passa por, utilizando a nossa inteligência e engenho, superar o inimaginável. Se a vida é o que é hoje, foi porque houve quem, superando-se, revolucionou a forma como olhamos para as coisas.

Associar a chama juvenil à maturidade é um desafio difícil. Não só obriga a uma vigilância contínua, como, por ser de cariz individual e nascer no foro mais íntimo da pessoa, se sente mais do que se explica. Apenas cada um sabe o que deseja e o que o faz sentir valer a pena estar aqui. Apenas cada um vai conhecendo o que lhe dá o prazer de viver e, com a experiência, qual a fronteira que outros não podem pisar. A liberdade começa no ponto em que a sua vida, única como é, não pode cair nas mãos de terceiros.

Fevereiro 5, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media — André Abrantes Amaral @ 17:02

O meu artigo de hoje no jornal i.

Experiência (1)

You, me, or nobody is gonna hit as hard as life. But it ain’t about how hard ya hit. It’s about how hard you can get it and keep moving forward. (…) That’s how winning is done!”

Rocky (in Rocky Balboa)

Quando novos queremos mudar o mundo. Diz-se que apenas um jovem, na flor da idade e cheio de força e vontade, pode desejar tanto. E que à medida que vamos envelhecendo, que vamos percebendo que tal não é possível, o conformismo se abate sobre nós. Esta ideia de que uma pessoa mais velha se conforma, persegue-nos e é errada.

É frequente concluir-se que aceitar o mundo como ele é, equivale a desistir de algo melhor, limitando-nos a conviver com a mediocridade. Apesar de já não acreditar ser possível mudar os outros, é a percepção de não ter desistido que me impede aceitar esta conclusões. A vida vai-nos batendo com força, mas como forma de nos indicar o caminho certo. Mudar os outros, o nosso país, ou quer que seja, de nada serve quando não estamos atentos aos sinais e não compreendemos que somos nós que nós temos de melhorar.

É isto que a vida e as pancadas que Rocky nos refere em cima nos ensinam. Bem vistas as coisas, ouvir-nos, adaptarmo-nos, melhorarmos, estarmos atentos e abertos às novas experiências é muito mais difícil que querer mudar o que não se altera. Modificar o que não muda é fácil porque não leva a lado nenhum. Já a empreitada que nos transforma é reveladora e sempre nova. É assim que, mais velhos e experientes, ficamos também mais corajosos e arrojados.

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