Liberalismo e Governação – Que Futuro para Portugal? (próxima Segunda, no Porto)

É já na próxima Segunda-Feira que se realiza a conferência Liberalismo e Governação – Que Futuro para Portugal? com José Manuel Moreira, André Azevedo Alves e Michael Seufert.

Aconselha-se todos os interessados em participar a fazerem a sua inscrição tão cedo quanto possível no email que consta na imagem do evento e a consultarem a página do evento no Facebook.

About these ads

Liberalismo e Governação – Que Futuro para Portugal? (27 de Maio, no Porto)

Com a qualidade da organização do Guilherme Marques da Fonseca e a excelência do conhecimento dos Professores José Manuel Moreira e André Azevedo Alves e do Deputado Michael Seufert. Um luxo!

Aconselha-se todos os interessados em participar a fazerem a sua inscrição tão cedo quanto possível no email que consta na imagem do evento.

Legitimidade

O meu artigo publicado hoje no Diário Económico.

Goste-se ou não do género (eu não acho grande grande coisa), é fácil reconhecer que a música de intervenção têm um espaço importante na história não muito longínqua do nosso País.

Nos tempos em que o uso de certas palavras era um privilégio só ao alcance dos mais hábeis, o jeito para colocar a indignação em verso e melodia era um acto de irreverência que, por vezes, movia montanhas e provocava no seu alvo danos assinaláveis. Hoje, da mesma forma a que nos vamos habituando a assistir ao empobrecer do país – em dinheiro e em génio – damos por nós a assistir ao abastardamento dessa forma de intervenção por iniciativa daqueles que se reclamam ‘filhos’ de quem outrora a dignificou.

Procuram, com os seus cantares de indignação pretensamente representantes de um povo, esvaziar a legitimidade do governo e fazê-lo cair. Pretensão tonta. A legitimidade de um governo não se mede pelo número de vaias de que os seus ministros são vítimas ou pelo número de figurantes que se desdobram em manifestações de gosto musical duvidoso e pouco original, onde a espontaneidade e a candura partidária não são mais do que meros adereços. Se é verdade que num regime democrático, tal como reza a cantilena de Zeca Afonso, o povo é quem mais ordena, também é verdade que o povo não pode ser confundido com um grupelho de indignados profissionais que se reveza para cantar os amanhãs de Abril aos ministros.

A legitimidade de um governo decorre, isso sim, dos votos da maioria dos que se dão ao trabalho de votar e, com isso, dar corpo a um verdadeiro regime democrático. E, gostem ou não os que se indignam de forma mais ou menos civilizada, este Governo está legitimado por uma maioria parlamentar que resultou da vontade popular expressa em votos.

Já lá vai o tempo em que as palavras de Zeca Afonso serviram para abrir caminho à democracia. Hoje, estão transformadas em armas de arremesso para atacar o resultado do normal funcionamento da mesma. E isto não é apenas uma ironia da vida. É essencialmente a pobreza de espírito dos dias que correm.

Malabarismos

O meu artigo publicado hoje no Diário Económico.

É certo que as eleições autárquicas só acontecerão no final do ano mas o circo à sua volta já começou. Um circo com a entediante magia da multiplicação dos candidatos por um interminável número de autarquias e o contorcionismo dos apoios de conveniência e do encaixe de certos candidatos em determinados lugares. Nada de novo. Mas este ano, como em qualquer circo de topo que se preze, não vão faltar também os truques de malabarismo. Nomeadamente, a tentativa a todo o custo de contornar a lei de limitação de mandatos.

Quem olha para a lei sem procurar ver nela uma falha ou a possibilidade de uma segunda interpretação, facilmente lhe descobre um carácter universal que impede todos aqueles que cumpriram funções de presidente de câmara ou de junta de freguesia durante três mandatos consecutivos de o continuar a fazer durante o quadriénio seguinte. Seja lá onde for. Para além de o texto da lei referir o exercício dos cargos em abstracto (e não apenas num determinado território), é fácil constatar que dificilmente se encontraria alguma utilidade nesta lei se ela permitisse a continuação dos males que pretende combater: os interesses instalados, a criação de clientelas políticas, os caciquismos autárquicos e os demais efeitos perversos que a eternização no poder pode causar e que não se resolvem se aos autarcas profissionais for dada a possibilidade de ir pregar para outra freguesia. Ou concelho. Se é que me entendem…

Quando o espírito que conduziu à elaboração da lei previa que a mesma tivesse um carácter universal, o instinto de sobrevivência de uma certa classe política e um atento sentido de oportunidade dos autarcas profissionais, protegidos por uma tendência nacional para deixar os interesses instalados intactos, pôs-se em marcha na tentativa habilidosa de encher as próximas autárquicas de enganos e mentiras. E se assim for, a lei que se preparava para provocar a extinção de vários dinossauros das nossas autarquias vai redundar em nada. A dança de cadeiras começará. Os dinossauros reduzir-se-ão à dimensão de galos e cantarão noutros poleiros.

Desesperança

O meu artigo publicado hoje no Diário Económico.

“Quem vive de esperanças morre em jejum”. A frase é mais um produto do profícuo talento de Benjamim Franklin para legar ao mundo citações marcantes, mas é também uma forma de descrever a verdadeira força das palavras do Presidente da República quando diz que Portugal deve ser um motivo de esperança.

Portugal, nos discursos das figuras que o representam, vai sempre vivendo de esperanças. E é à custa dos mesmos que vai definhando rumo a uma morte angustiante.

Acontece que Portugal vive sob o marasmo destrutivo de um enorme consenso sobre onde se pode mexer e sobre aquilo que deve ficar intacto. Que faz emagrecer as posses e oportunidades de cada um para permitir que o Estado continue sem fazer uma dieta que o torne mais saudável. Um ‘status quo’ que pouca esperança dá à maioria dos portugueses, mas que os donos do regime querem manter à força.

Continuar a ler

Sobre a Europa que alguns querem

E que tal um pouco menos de Europa? (2). Por Adolfo Mesquita Nunes, no i.

«Mas assiste-se exactamente ao contrário. Harmonização fiscal, dizem. Impostos iguais para todos os estados–membros. Não se pretende, note-se, uma carga fiscal mais baixa. Pretende-se obrigar os países com baixos impostos a aumentá-los, com as consequências que conhecemos na vida as pessoas e das empresas e esquecendo que a Europa tem de competir com os países emergentes.

E se o resultado dessa harmonização significar, apesar de tudo, uma redução da nossa carga fiscal? Se assim for, a pergunta mantém-se: de que forma pode Portugal, com os atrasos e problemas que conhecemos, competir com os restantes países se não puder ser fiscalmente mais atractivo que eles?

E mesmo que assim não fosse, e é, convém lembrar que esta harmonização fiscal é apenas uma das faces da moeda. A outra face compreende um orçamento europeu com impostos europeus. Ou seja, como se imagina, qualquer poupança seria consumida pelos impostos europeus que tantos defendem na discrição dos corredores de Bruxelas.»

Vale a pena ler o artigo completo.

Leitura complementar: E que tal um pouco menos de Europa?

Mais um dia normal em Portugal

O filme da TAP é a sequela natural do que temos assistido com a RTP. O governo que a opinião pública ignorante vai classificando como liberal continua sem se libertar dos pesos mortos que lhe pesam em cima. Que pesam nos ombros de quem paga impostos. Enquanto o tempo passa há muito dinheiro a ser queimado para que o estado tenha aviões e o Fernando Mendes.

Tiro ao lado (2)

Anda por aí um daqueles típicos postais de facebook, muito catita, que compara o número de mortes a tiro nos EUA e uma série de outros países. O seu primeiro problema é fazer uma comparação enviesada pelo uso de números absolutos em vez de números relativos (em percentagem de população). O segundo problema, e principal, é que o argumento que tenta passar morre quando colide com a realidade. Vejamos…

Com menos armas, Brasil tem três vezes mais mortes a tiro que os EUA:

Apesar do número bem inferior de armas de fogo em circulação na população do que nos Estados Unidos, o Brasil registrou, em 2010, 36 mil vítimas fatais de tiros.

O montante é 3,7 vezes o registrado pelos americanos, que tiveram 9.960 mortes, colocando o país no topo dos que mais registram óbitos por arma de fogo no mundo.

Leitura complementar: Tiro ao lado, “Gun control” – a importância das narrativas, “Gun control” – a importância das narrativas (2)Penn and Teller: Gun Control BSAs raízes racistas do gun control

Bem pensado, João Proença!

A melhor forma de garantir que daqui a uns tempos a UGT poderá fazer capas de jornais a criticar o governo pela subida do desemprego é levá-lo a implementar medidas que vão ter essa consequência.

Leitura complementar: Da série “o governo mais liberal de sempre”

Tiro ao lado

Acreditar que leis para restringir a venda de armas ajudam a diminuir os crimes com elas cometidos é tão errado como acreditar que proibir a venda de drogas erradica ou diminui o seu consumo. Só muito ingenuamente se pode acreditar que, por exemplo, um lunático que consegue matar friamente várias crianças se tornaria, de repente, incapaz de o fazer (e encontrar os recursos para isso) apenas porque a venda de armas tinha sido proibida por um decreto produzido pelas boas intenções dos burocratas estatais. Só existe um efeito prático deste tipo de legislação: a limitação da liberdade alheia.

Leitura complementar: “Gun control” – a importância das narrativas

Complexos com a caridade e complexos de superioridade

Daniela Silva em ‘Agora a Caridade é Indigna’, no Estado Sentido:

«(…) segunda coisa é perpetuar a ideia de que recorrer à caridade é sempre humilhante e inibe muita gente. Conforme fica evidente no texto, o autor não se importa que esta dependência se torne uma rotina suportada pelo Estado, por meio de “contribuições” forçadas, meios humanos que não interfiram nem conheçam as particularidades de cada caso, não se chame ninguém a prestar contas (terrível paternalismo), cultivando uma contínua infantilização da sociedade que perde as próprias imunidades perante as normas sociais que tem de enfrentar. Ainda bem que a nossa segurança social e o seu esquema em pirâmide são infalíveis e estão aí para as curvas.»

Vale a pena ler o post completo.

Sobre a cegueira ideológica acerca das escolas com contrato de associação

O ataque às escolas com contrato de associação. Por Alexandre Homem Cristo, no i.

Numa excelente reportagem da TVI, a jornalista Ana Leal alertou para uma série de situações nas escolas com contrato de associação do Grupo GPS. Através da sua investigação, levantaram-se suspeitas de tráfico de influências. Denunciaram-se abusos aos direitos dos professores. Reportaram-se riscos para a segurança dos alunos. Fizeram-se acusações de selecção de alunos e de alteração administrativa das suas notas. E foram sugeridos usos indevidos de verbas obtidas através de financiamento público. Ninguém duvida que são acusações graves. E que se deve proceder a uma investigação profunda. De resto, essa está já a ser feita. Confrontado com as denúncias, no Verão passado, o Ministério solicitou a realização de auditorias. A primeira iniciou-se a 29 de Setembro e está agora a ser concluída. Em circunstâncias normais, o assunto ficava por aqui, aguardando-se pelas conclusões e pelas consequências que daí adviriam. Mas este não é um caso normal.

Num país onde domina o pensamento de matriz socialista, o desprezo pelas escolas com contrato de associação é antigo e doutrinário. Por isso, perante a reportagem de Ana Leal, a esquerda radical congratulou-se. Estava ali, à sua mercê, toda a argumentação que não conseguira nos relatórios sobre o custo por aluno, publicados pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério. Bastava agarrar no caso do Grupo GPS, que só tem 13 escolas com contrato de associação, e extrapolar para as dezenas de outras escolas com contrato de associação. Assim foi. Na sua narrativa propagandística, o caso do Grupo GPS transformou-se numa “história exemplar” de como funcionam todas estas escolas. A expressão é de Daniel Oliveira (Expresso online, 5.12.2012), digno representante deste pensamento. Ora, a generalização é, por definição, abusiva: ninguém questiona, por exemplo, a legitimidade de eleições num regime democrático porque, numa aldeia, foi violada uma urna de voto. Pouco importa. O manifesto contra os privados na educação estava lançado.

Continuar a ler

Soarices

O governo actual, por muito mau e contestado que seja, foi escolhido democraticamente, segundo as regras de um sistema do qual Mário Soares foi um dos protagonistas fundadores. Com estas declarações, Mário Soares refere o resultado do funcionamento normal desse sistema como sendo pior do que o produto do regime que o mesmo se gaba de ter ajudado a derrubar. Confusos? Perdoem o ‘pai da democracia’ porque ele também está.

O dinheiro dos outros é fixe, a liberdade que se lixe

A mudança de Depardieu para a Bélgica – a somar à de outros como Bernard Arnault – devia ter como consequência um enorme corar de vergonha nas faces dos que aplaudiram a medida de Hollande e a consequente assunção da estupidez da ideia. Em vez disso, os mestres do confisco não tardaram a fazer-se ouvir na sua vigorosa luta pela velha ideia de uma harmonização fiscal, que é como quem diz, a legalização do roubo generalizado por todo o espaço europeu. Nada de novo. Continua a existir muita alminha virtuosa cheia de boas ideias para encher a pança do estado social à custa do dinheiro dos outros e os egoístas fascizóides que se acham com liberdade para fugir com o seu dinheiro de quem os faz contribuir para o bem comum rouba descaradamente.

O ‘jornalismo’ vigente

O Público é, cada vez mais, um retrato do país. E não apenas porque a recorrente contestação dos seus trabalhadores aos cortes anunciados para responder aos constantes prejuízos do jornal faça lembrar a indignação que nasce perante cada ameaça de cortar em certas funções do estado por causa da sua crescente falta de dinheiro para as pagar.

A semelhança chega à ignorância (ou será má fé?) com que se usam certos conceitos na discussão política. Ontem, nesta entrevista do presidente da CP, o jornalista do Público refere a determinada altura, com uma certeza heróica digna de um Louçã, um certo ‘paradigma neoliberal vigente’. Como jornalista que é, o entrevistador devia ter mais gosto por se informar convenientemente. Se o fizesse, perceberia que o paradigma vigente é o mesmo que permite que o estado torre mais de metade da riqueza produzida no país, ao mesmo tempo que emagrece os portugueses com uma carga fiscal cuja dimensão apenas se justifica pela necessidade de não obrigar o estado a deixar de engordar. E não é preciso ter uma licenciatura em Ciência Política para saber que isso não é liberalismo, seja com que prefixo for. É socialismo, o mesmo que nos arruinou. Num país em que há quem pense que  se conseguem baixar impostos sem reduzir o peso do estado, não é de todo surpreendente que a adesão à moda de atirar culpas ao ‘neoliberalismo’ pelos erros do socialismo seja tão popular. Mas é preocupante vê-la de forma tão despudorada e ignorante nas páginas de um jornal que já foi uma referência.

É por estas e por outras que, em breve, o Público não servirá sequer para papel de embrulho.

Caixa de Pandora

Começa assim o meu artigo de hoje no Diário Económico:

Qualquer Orçamento que aperte ainda mais o nó em volta do pescoço dos portugueses, aumentando a sua asfixia fiscal, ao mesmo tempo que não se atreve a tocar nas despesas do Estado de modo a reduzi-las de forma significativa, é um mau Orçamento.

Se acho que o Orçamento do Estado para 2013 se encaixa no género? Sem dúvida. Se fico, portanto, contente perante a perspectiva de ele ser chumbado pelo Tribunal Constitucional? Nem por isso.

Ler o artigo completo aqui.

A Lei

O meu artigo publicado hoje no Diário Económico.

Há uma série de argumentos emanados do bom-senso que aconselham uma reconfiguração do papel do Estado. Como a evidência do seu tamanho exagerado não bastou durante anos, a factura que agora chega aos portugueses não pode fazer outra recomendação que não seja mudar de vida. Mas se, por um lado, deixamos de poder viver com o estado a que nos habituamos porque já não temos quem financie a festa, por outro não podemos dar corpo ao estado com que teremos de viver porque a Constituição não deixa. Frédéric Bastiat, na sua obra ‘A Lei’, disse que “se se tenta fazer a lei religiosa, fraternal, igualitária, filantrópica, industrial, literária, artística, logo se atingirá o infinito, o desconhecido, a utopia imposta ou, o que é pior, uma infinidade de utopias, que lutam para apoderar-se da lei com o objetivo de a impor.” Este é o verdadeiro legado que os deputados da Constituinte deixaram às gerações que se lhes seguiram: a lei fundamental do país mete o bedelho em todas as áreas da sociedade, indicando uns caminhos e vedando outros, impondo-nos uma direcção que apenas nos conduzirá ao precipício. Com isso, a mesma Constituição que não preveniu que sucessivos governos empenhassem a credibilidade do país e o futuro dos cidadãos – quando a sua primeira função deveria ser, precisamente, proteger os indivíduos contra os abusos do estado – blindou uma série de ‘direitos’ que se pensava serem eternamente sustentáveis, e bloqueia, ainda hoje, qualquer reforma verdadeiramente estrutural. Numa altura em que os portugueses se afogam em impostos, torna-se urgente questionar a imposição constitucional de não mexer a sério no grosso da despesa do estado (despesas com saúde, educação e segurança social; encargos com salários e prestações sociais) e de não despedir os funcionários públicos que estão a mais (segundo a generalidade dos estudos são pelo menos 100 mil). Entalados entre a impossibilidade de manter o estado que temos e a obrigação de seguir os ditames anacrónicos da Constituição, falar em revisão constitucional soa a eufemismo. Mudar de Constituição é o caminho.

A propósito do vídeo mais foleiro do momento

Nunca se viu tanto iluminado da esquerda radical a defender com tamanho vigor um produto da cabeça iluminada do Marcelo. A crise também é uma oportunidade para os iluminados de diferentes sensibilidades descobrirem as suas semelhanças. Ou para descobrirem que, afinal de contas, nunca foram assim tão diferentes.

Choldra ignóbil

Aquilo que a Isabel Jonet disse não tem nada de errado ou desadequado com os dias que correm. Qualquer pessoa sensata perceberá isso. O mesmo não se passa com os arautos da democracia que veneram quem tem opiniões iguais às suas e condenam à fogueira quem ousa ter opiniões diferentes. Mas descontando o facto de tais acéfalos não entenderem as declarações de Isabel Jonet ou sequer considerarem a sua capacidade para as dizer (há limitações próprias de quem vê o mundo com tamanho dogmatismo e toldado por ideologias totalitárias), o que acho realmente ignóbil é a crítica animal a uma pessoa que tem passado a vida a ajudar quem precisa. Goste-se ou não dela. Goste-se ou não da maneira como ela o faz. Ao contrário de muitos, Isabel Jonet não se limita a vociferar de mão estendida para o estado, reclamando este mundo e o outro: mete mãos à obra e vai ao terreno, que provavelmente conhece melhor do que os activistas politicamente correctos que a criticam.

Triste país este em que quem ousa fazer bem aos outros fora dos espartilhos dos complexos de dependência do estado e do politicamente correcto vigentes está sujeito a uma apreciação tão abjecta desta choldra ignóbil.

Uma má notícia para o BE, uma esperança para o país

Ao anunciar a sua saída da Assembleia da República,  Francisco Louçã espeta mais um prego – daqueles bem grandes – no caixão do Bloco. A arrogância extrema, a superioridade moral cega e a demagogia perigosa que têm servido de imagem de marca e de pilares de sustento da existência bloquista perderam o seu principal executante. Uma má notícia para o BE, uma esperança para o país.

Às ordens da UE

O meu artigo publicado hoje no Diário Económico.

Costuma dizer-se que ‘de Espanha nem bom vento nem bom casamento’. Nos dias que correm essa máxima alastra-se até Bruxelas. A tendência para responder a cada passo falhado rumo ao federalismo europeu com um passo ainda maior nesse sentido, que vai esmagando os povos europeus e as soberanias nacionais, tem tornado a União Europeia uma desastrosa conselheira e um péssimo exemplo.

A recente ideia de criar uma autoridade central que vigie os orçamentos de cada país e, caso entenda necessário, os condene à força implacável de um veto, apenas corresponde a mais um capítulo de uma federalização a todo o custo, centralizada na ideia de omnipotência e infalibilidade da União Europeia, que vai avançando à medida que a soberania dos estados europeus vai sendo triturada.

O princípio que lhe está subjacente – a arrumação das contas nacionais dentro de limites higiénicos – nem merece grande contestação. Um país que se respeita e que quer ser levado a sério não pode viver em cima de défices sucessivos e cada vez maiores. Da mesma forma, não se estranha que o timoneiro do barco da moeda única tenha pretensões de que os restantes companheiros de viagem tenham saúde para remar com vigor e para o lado que mais lhe convém.

Por isso, o problema não está na imposição de metas rigorosas para os défices que os tornem pouco significativos ou até inexistentes. Está em saber quem é que as estabelece e controla: se as autoridades dos próprios países, fazendo uso da cada vez mais parca soberania de que dispõem, ou a toda-poderosa máquina burocrática sediada em Bruxelas, continuando a subtil transferência de poder das autoridades nacionais para os orgãos comunitários, desta vez entregando a capacidade de vetar algo que os nossos eleitos – bem ou mal – aprovaram, a um conjunto de decisores que não escolhemos e, na generalidade dos casos, nem sequer conhecemos.

As soberanias nacionais devem ser respeitadas e não ser olhadas como um obstáculo a um projecto cuja viabilidade cada vez mais é posta em causa, tropeção atrás de tropeção.

Um digno herdeiro de Sócrates

Há pouco ouvi o genial João Galamba, fiel depositário das crenças e das práticas do mais famoso estudante português em Paris, dizer que a maior parte da despesa pública corresponde a receita para o sector privado. Porém, o delfim socrático esqueceu-se de dizer que ‘despesa pública’ mais não é do que despesa feita, desde logo, com dinheiro retirado ao sector privado. Esta lógica ‘galambiana’ descreve muito bem a loucura permanente vivida durante os tempos de governação socialista e a incapacidade que esta gente tem para perceber a virtude que reside na liberdade de cada um fazer o que entende com o seu dinheiro, tomando as suas próprias decisões em vez de as colocar à consideração da vontade estatal.

Falsa equidade

O meu artigo publicado hoje no Diário Económico.

Quem procurar o significado de “equidade” vai encontrar numa boa parte das definições as palavras “igualdade” e “justiça”. Os motivos que levaram a palavra a entrar no nosso dia-a-dia obedecem a uma cega submissão à primeira e a um total desprezo pela segunda. A decisão do Tribunal Constitucional seguiu a tendência igualitarista de ver da mesma forma aquilo que, na prática, é diferente, e acabou por colar à declaração de inconstitucionalidade do corte de dois subsídios aos funcionários públicos uma clara injustiça. Afinal, se é certo que a voracidade fiscal vai comprometendo parte do rendimento a todos os trabalhadores, incluindo os do Estado, não é menos verdade que vai eliminando totalmente os rendimentos de muitos dos que trabalham na economia privada. Em muitos casos de famílias inteiras, durante muito tempo. Porque há uma enorme diferença entre uma empresa que fecha e condena os trabalhadores ao desemprego porque não aguenta a tormenta fiscal e suas consequências, e uma empresa ou serviço público que, para não fechar ou reduzir pessoal, leva governantes sem coragem a atormentar a economia com sucessivos pesadelos fiscais. O corte nos subsídios dos funcionários públicos não era uma solução perfeita. Mas tinha a virtude de cortar na despesa e não penalizar quem mais têm sofrido com impostos e recessão. Perante essa impossibilidade, perspectiva-se uma solução justa? Não creio. Caminhamos para uma igualdade na miséria? Provavelmente.

Está fácil de ver que precisamos urgentemente de reduzir o peso do Estado para aliviar a economia mas, em vez disso, temos andado a emagrecer a economia para deixar o Estado imaculadamente na mesma. E esta é a iniquidade que está por resolver num país com um povo que não quer mais austeridade mas também não quer menos Estado, um poder político que não mexe nos interesses instalados e corta a sério onde é preciso, e uma Constituição que parece servir apenas um propósito: tornar irreversível a caminhada do país rumo à insustentabilidade.

Uma verdade inconveniente

Perante a mais recente polémica em que se viu envolvido, há quem acuse Mário Crespo de deselegância e mau profissionalismo. Não partilho dessa opinião, mas percebo a ideia. Pode também haver quem note que demonstra pouca coerência e muito ressabiamento ao criticar abertamente o canal que não o acolheu quando, no início do ano, o próprio se propôs ser seu funcionário. Concordo que, tendo em conta o ocorrido, a sua atitude recente ganhe contornos um pouco suspeitos. Mas, no fundo, fazer o papel de virgens ofendidas perante as motivações suspeitas e as atitudes supostamente questionáveis de Mário Crespo foi apenas a forma encontrada pelos críticos para criar uma cortina de fumo. É que discutir o acessório torna mais fácil esconder o essencial: Mário Crespo apontou uma verdade tão indesmentível quanto inconveniente. E se oferecer alguma condescendência ao género de críticas que referi é aceitável, a coisa muda de figura quando se tenta fazer Mário Crespo passar por mentiroso. Afinal, os números relativos às despesas com a RTP são públicos e, quando muito, só fazem a afirmação que Mário Crespo tem proferido todas as noites pecar por modéstia.

Leitura complementar: O custo da RTP para os contribuintes

Ser protagonista num meio de figurantes

Quase no final da entrevista que pode ser vista aqui (a partir dos 39 minutos), Luís Ismael, realizador dos filmes da série Balas e Bolinhos, diz o seguinte:

«Não me sentia bem, na conjuntura actual, se andasse a pedir dinheiro [aos contribuintes] para fazer filmes. Há necessidades mais prementes.»

Para além do facto de ser um realizador bem sucedido e bem aceite pela generalidade do público (o seu último filme, produzido sem o patrocínio forçado do contribuinte, lidera a tabela de bilheteira há duas semanas), várias coisas distinguem Luís Ismael da generalidade dos realizadores portugueses com tempo de antena e o respeito bacoco das elites bem pensantes. Destaco duas. A primeira é que o realizador dos Balas e Bolinhos foi à luta, fez pela vida, e transformou a pulso e até com risco pessoal um projecto caseiro numa trilogia de culto, enquanto que a generalidade da classe prefere proclamar a indigência como um direito justificado pela suposta genealidade das suas obras que as cadeiras do cinema se habituaram a ver. A segunda é o facto de Luís Ismael perceber que “dinheiro público” mais não é do que uma maquilhagem retórica para a expressão “dinheiro dos contribuintes”, e que este merece ser olhado com respeito e não com a habitual arrogância e superioridade moral de quem quer – aproveitando as palavras de um digno representante da espécie – “que o público se f*da”.

É por isso que o Luís Ismael merece todo o meu respeito. Porque aceitar o caminho do mérito e do esforço e enfrentar as suas dificuldades, só pode ser coisa de alguém que escolheu ser protagonista num meio infestado de meros figurantes.

Um mal menor

Quando há um ano e meio criticava o governo socialista e as loucuras do seu líder, fazia-o com a consciência tranquila de quem sabia que nada do que viesse a seguir podia ser pior do que aquilo. Hoje, apesar da insatisfação com alguns dos atalhos que o actual governo decidiu escolher para percorrer o seu caminho, não arrisco pensar o mesmo. Afinal, sei que correr o risco de entregar o país de novo nas mãos de um PS que não aprendeu com o passado é escolher a morte certa. Prefiro depositar esperanças numa mudança de rumo, ainda que temerosa e lenta, de um governo que, apesar de tudo, não tem no seu currículo um aumento brutal da dívida e a condução do país à iminência de bancarrôta, do que contribuir para criar as condições necessárias para o regresso triunfante de quem contribuiu decisivamente para cavar o buraco em que estamos.

Indignação fora de horas

Sábado há manif e, por isso, como sempre acontece em vésperas desse tipo de acontecimentos, sucendem-se os anúncios de participação pelo facebook. Mas desta vez há uma novidade: esses anúncios não se vêem apenas nos perfis dos manifestantes profissionais com lugar cativo, mas de muitos que habitualmente não escolhem esse caminho. Sem questionar a legitimidade da participação daqueles que outrora rejeitavam a rua como argumento e até se mostravam críticos dessa forma de expressar descontentamento, não posso deixar de questionar o timing. Afinal, durante 6 anos tiverem mais e melhores motivos para o fazer e quem merecesse mais os seus gritos de ordem e os seus cartazes de indignação.

Se o cinismo pagasse imposto…

Em 2009, para muita gente, valia tudo para atacar Manuela Ferreira Leite em benefício do lunático que colocou o país na situação em que está. Hoje, depois das suas críticas ao actual governo que, bem ou mal, outra coisa não tem feito senão tentar remediar as asneiras de quem o antecedeu, as mesmas pessoas não hesitam em citá-la como exemplo de competência, inteligência e respeitabilidade. Se o cinismo pagasse imposto…

A força das circunstâncias

Menezes foi um dos notáveis que apoiou explicitamente Passos Coelho nas eleições que o levaram a presidente do PSD. Destacou, há muito, Marco António Costa, profundo conhecedor do aparelho laranja com especial domínio no distrito do Porto, como seu sucessor em Gaia. Colocou, há uns tempos, um funcionário de uma empresa municipal gaiense na liderança da concelhia do Porto do PSD. Ficou à espera de receber o pagamento destes favores e recebeu-o com juros. Controlado o partido, falta agora contornar a lei.

Menezes diz que vai ser candidato à câmara “em toda e em qualquer circunstância”. Eu diria que em toda e qualquer circunstência… menos uma: se a lei da limitação de mandatos for cumprida. A lei diz explicitamente que “o presidente de câmara municipal e o presidente de junta de freguesia só podem ser eleitos para três mandatos consecutivos” e acrescenta que “o presidente de câmara municipal e de junta de freguesia, depois de concluídos os mandatos referidos no número anterior, não podem assumir aquelas funções durante o quadriénio imediatamente subsequente ao último mandato consecutivo permitido”. Está fácil de ver que, não referindo que esta limitação se aplica na autarquia em que foram cumpridos os três mandatos consecutivos, a lei tem carácter universal. Nem faria sentido ser de outra forma.

É certo que num país de faz-de-conta como o nosso certas leis são apenas um objecto moldável pela conveniência de alguns. Mas se houver seriedade e boa fé, Menezes vai perceber que há circunstâncias mais fortes do que as suas obsessões. Por muito que lhe custe.