Aceitando como verdadeiras estas declarações de Alexandre Soares dos Santos – não é habitual vê-lo meter o pé em ramo verde e vir a público fazer afirmações tão peremptórias que depois não cumpre – confirma-se que o homem forte da Jerónimo Martins dará mais uma grande desilusão a muita gente. Uma das pessoas mais desiludidas será, provavelmente, o Daniel Oliveira que perdeu tempo e paciência a escrever estes cinco belos parágrafos de um “eu bem vos avisei” em tom moralista, em que ainda se deu ao trabalho de educar a corja liberal sobre o “b-a-ba das regras do capitalismo”. É caso para dizer: sabe bem falar de cor? Talvez. Mas pode sair caro…
Maio 11, 2012
Coisas que irritam a esquerda
Para os teóricos bem pensantes da esquerda, sempre prontos a educar as massas acerca do que é correcto e digno do mundo civilizado, o conceito de “responsabilidade social” não passa de uma mera abstração, quase sempre refém dos dogmas com que olham o mundo e o tentam moldar. Já Alexandre Soares dos Santos vai preferindo escrever uma definição prática daquilo que pode ser essa tal “responsabilidade social”. Por isso, não será difícil imaginar a irritação dos primeiros ao sentir as dores das bofetadas de luva branca que o segundo lhes vai dando. Aqui podemos ler algumas, das quais destaco:
“Se o meu salário for cortado, evito a dispensa de uma série de pessoas. Responsabilidade social é isso. Agir quando é preciso”, assumiu na entrevista ontem concedida, assegurando que não vai haver despedimentos na Jerónimo Martins.
Soares dos Santos diz que tem um fundo de três milhões de euros para funcionários com dificuldade. E dois mil empregados já recebem senhas para comprar noutras lojas produtos alimentares ou já recorreram a esse auxílio. E o grupo está a estudar a forma de aumentar a assistência a todos os funcionários no campo da medicina, assistência social.
Maio 10, 2012
A esquerda bem pensante e a cultura: entre a arrogância e a mariquice
O debate sobre a subsidiação da cultura (como o que se tem feito n’O Insurgente em posts e caixas comentários) é o melhor algodão para detectar a sujeira que são a soberba intelectual e a arrogância superior com que a esquerda bem pensante olha o resto do mundo. E que eles se achem proprietários de um gosto cultural mais avançado e requintado, nem me choca. Que eles temam que alguns agentes “morram” sem subsídios e que uma certa cultura seja impedida de nascer por falta de apoio estatal, também não. Mas a leviandade com que falam do dinheiro dos outros como se fosse seu e, sobretudo, a dificuldade de aceitar que aqueles que, queiram ou não, financiam o sistema à custa dos subsídios que os iluminados tanto defendem não têm o direito à indignação por verem o seu dinheiro gasto de uma forma que consideram incorrecta é absolutamente intolerável.
Já agora, a propósito dos subsídios como questão de vida ou de morte para a cultura em Portugal, deixo aqui as palavras de Miguel Guilherme, que considero um dos melhores actores portugueses:
Maio 9, 2012
A era do crescimento já começou (2)
Passaram uns insignificantes dias desde a eleição de Hollande e Portugal já experimenta sinais de um crescimento assinalável. Não há coincidências…
Maio 8, 2012
Maio 7, 2012
Negação
Não sei que negação da democracia será maior: se aquela que o Sérgio Lavos aqui refere ou o facto de ele achar aborrecido que o sistema permita aos eleitores votarem em partidos que ele não aprecia.
Mas sei que negação, de facto, é esquecer que a subida da representação eleitoral das forças extremistas (as que se dizem de direita e as que se dizem de esquerda) representam, para a Grécia e para a Europa, um perigo muito maior do que a austeridade que tanto repugna o Sérgio Lavos. E, para perceber esse perigo, basta pegar nas palavras do próprio. Afinal, quem diz que “o único caminho possível é a união e a solidariedade entre os povos da Europa”, não pode ignorar que esse caminho será altamente comprometido pelos seus compinchas extremistas gregos que, ao começarem a semear a ingovernabilidade na Grécia, se preparam para lançar o caos definitivo por essa Europa fora e a ameaçar fazer implodir, de vez, a União Europeia.
Entretanto, continuarei à espera de esclarecimentos à minha “dúvida existencial”: afinal, que diferenças de fundo existem entre o ”pontapé no cu da troika” da esquerda radical bem-pensante e o “pontapé no cu da troika” dos malvados neonazis gregos”?
Diz-me com quem andas…
O Sérgio Lavos manifestou uma imensa alegria eleitoral a propósito dos resultados que se verificaram em França e na Grécia (ai, as saudades dos festejos a que o definhamento do Bloco de Esquerda o condenou!). Diz ele, certamente no pico do arrebatamento, que “na Grécia a troika leva um belíssimo pontapé no cu! Hoje, todos os democratas podem dizer: eu sou ateniense!”
Fico sem saber, no entanto, se na equação que tem como resultado a sua imensa felicidade entram os quase 7% de votos que estes senhores conseguiram e os 21 deputados que elegeram. E digo-o porque muito do pensamento deste partido foi resumido nas palavras do seu líder: “a resistência contra a ‘troika’ continua, tanto dentro como fora do Parlamento”. Tendo em conta a semelhança na linguagem, pergunto-me se é destes “democratas” que o Sérgio Lavos fala e se, também a eles, lhes dá o direito de dizer “eu sou ateninense!”, depois de os reconhecer como um legítimo lutador nessa batalha tão digna como a do pontapé no cu da troika.
É também por estas e por outras que o Ricardo tem muita razão…
Abril 3, 2012
Frases que metem respeito
Adolfo Mesquita Nunes, em declarações à Lusa:
«A única causa fraturante que tenho é a do desmantelamento do socialismo, de resto não tenho nenhuma outra causa fraturante que marque a minha atividade política.»
Menezismos (2)
Parece claro que Luís Filipe Menezes está há muito a desenhar a sua estratégia pessoal para as autárquicas do próximo ano. O recente lançamento despudorado de Marco António Costa para seu sucessor numa candidatura autárquica a Vila Nova de Gaia confirmou que a sua cabeça já não está na margem sul do rio Douro. A sua ambição em suceder a Rui Rio é demasiado evidente e os primeiros passos estão dados.
Mas uma candidatura de Luís Filipe Menezes à câmara do Porto enferma, desde logo, de um mal: é que a mesma só será possível com descarada subversão da lei de limitação de mandatos. Basta ler o texto da mesma para concluir facilmente que a limitação tem carácter universal e que a mesma não se circunscreve, no caso de Menezes, à autarquia gaiense.
Desta forma, se a honestidade imperar no cumprimento de uma lei que não deixa grande margem para dúvidas, apesar de alguns sinais muito pouco positivos, as intenções de Menezes e dos seus apoiantes estão mortas à partida, e o ainda presidente da câmara de Gaia vai ter de cumprir o período de nojo que, do alto da sua habitual sobranceria, recomendou aos outros.
Março 29, 2012
Um partido… partido
Parece-me que o actual Partido Socialista fez alguma confusão relativamente ao seu papel de partido de oposição. Esse papel pressupunha oposição ao governo – coisa que o PS tem feito de forma sofrível para satisfação de Passos Coelho – e não oposição sistemática a quem manda no partido.
Só hoje, três notícias que demonstram que o ambiente pelos lados do Largo do Rato não é dos mais respiráveis:
Francisco Assis. Está em curso uma gigantesca campanha para demonizar os governos de Sócrates:
O ex-líder parlamentar do PS Francisco Assis demarcou-se hoje da posição do porta-voz socialista, João Ribeiro, sobre a herança dos governos de Sócrates, dizendo que o ex-primeiro-ministro está a ser alvo de uma “gigantesca” campanha de “demonização”.
Já há deputados do PS a anunciar voto contra no código laboral
Isabel Moreira, deputada independente pelo PS, e Sérgio Sousa Pinto, ex-líder da JS, confirmaram esta manhã que vão “furar” a disciplina de voto definida pela direcção da bancada na votação sobre o código laboral. José Lello disse que só não o fazia por não estar em Lisboa na sexta-feira.
Revisão de estatutos e líder parlamentar sob fogo na bancada do PS
Não é só o código laboral que alimenta a divisão no PS. As propostas de alteração aos estatutos do partido foram esta manhã violentamente criticadas na reunião do grupo parlamentar por Jorge Lacão, que chegou a classificar as mudanças como uma forma de “controlo oligárquico” da direcção do partido sobre os deputados.
Leitura complementar: Da falta de lealdade
Março 27, 2012
Estamos cheios de medo, não estamos?
Cada vez mais cercado pelos inimigos internos, mais crentes nas palavras do evangelho pregado por outra voz, e perante a sombra permanente de uma queda anunciada, António José Seguro vai tentando garantir a sua sobrevivência a todo o custo, dando já alguns sinais de desespero e mostrando a sua fragilidade de líder a prazo.
Leitura complementar: Da falta de lealdade; O nevoeiro, parte 2.
Março 26, 2012
Pornográfico…
…é o único adjectivo capaz de qualificar correctamente os números envolvidos nos projectos da Parque Escolar e as atitudes dos seus administradores e dos governantes socialistas. Este vídeo é bastante elucidativo a esse respeito.
Março 25, 2012
Há bufos na extrema-esquerda portuguesa
A tradicional guerra de números após cada greve entre sindicatos e governo faz parte do passado. Esqueçam lá isso! Agora, com o advento dos grupelhos de indignados e afins, e perante a crescente e manifesta falta de adesão popular às suas manifestações, o que está na moda é desviar atenções e atacar a polícia: primeiro através de confrontos físicos, depois através de uma difamação pública persecutória e falaciosa.
Perante a confrangedora falta de mobilização que as várias manifestações tiveram no último dia de greve geral, ao contrário da CGTP (que se recolheu num silêncio envergonhado), os auto-proclamados indignados começaram uma campanha de acusação à PSP. E o processo é sempre o mesmo: começam por acusar os agentes, esses fascistas, de terem começado os confrontos contra os coitadinhos que, inocentes, apenas queriam manifestar-se e, após cabalmente desmentidos pelos factos, refugiam-se na acusação de que haveria agentes infiltrados na multidão com o fim específico de provocar e começar os confrontos.
Mas, por vezes, as coisas correm mal. É que se essa teoria tem, só por si, pés de barro, ela acaba por desfazer-se em pedaços perante certos exemplos que deviam encher de ridículo quem os usa.
Um desses exemplos aconteceu na passada sexta-feira. Como refere esta notícia, a Anonymous Portugal identificou três indivíduos que teriam iniciado os desacatos, sendo depois vistos a conversar animadamente com os agentes da PSP. Conclusão da Anonymous Portugal: os três indivíduos eram agentes da PSP infiltrados na manifestação com ordem para provocar os confrontos. As peças estavam a encaixar-se na perfeição e o puzzle da teoria da conspiração, tão conveniente à Anonymous Portugal, estava quase completo.
Faltou, no entanto, uma: a verdade. E a verdade é que esses três homens, prontamente denunciados pelas fotos da Anonymous Portugal no facebook, eram estivadores de Aveiro e estavam em Lisboa para cumprir o mesmo papel que os restantes: manifestar a sua indignação. Esta situação já foi denunciada no site dos estivadores de Aveiro e no facebook da Anonymous Portugal pela própria advogada dos estivadores.
Sendo certo que esta foi uma tentativa meritória da Anonymous Portugal de contribuir para a construção da realidade maniqueísta, em que o pobre do manifestante é esmagado pela opressão policial, em que os grupelhos seus semelhantes andam empenhados, acabou por ser um enorme tiro – ou petardo, talvez – no pé da organização que, de uma só vez, denuncia comprovadamente companheiros de luta como instigadores da violência e acrescenta mais um argumento à defesa de uma actuação “limpa” da PSP.
Com bufos deste calibre, um indignado já não se pode indignar em paz. Uma maçada.
P.S.: Entretanto, a Anonymous Portugal alterou o nome do álbum em que apareciam as fotos em causa, identificando os protagonistas como estivadores. No entanto, aqui podemos ver a “versão original”.
P.P.S.: Parece que mudar o nome do álbum não era suficiente. Por isso, os administradores da página de facebook da Anonymous Portugal decidiram apaga-lo. Nada de surpreendente para quem está habituado a não dar a cara.
Março 24, 2012
Evidências
Ao contrário do muito que se disse por aí, o estado de direito não é posto em causa quando a autoridade reage para tentar repor a ordem que gente pouco civilizada tenta ameaçar. O estado de direito é verdadeiramente posto em causa quando figuras da autoridade, verdadeiros pilares que o sustentam, são tratados da forma que se vê no vídeo.
Como forma de resumir a coisa e de tentar adivinhar as responsabilidades no desencadear dos confrontos, basta lembrar o evidente: no dia da greve houve várias manifestações, todas acompanhadas pela PSP, e só se verificaram problemas numa delas. Pode haver quem não queira tirar ilações deste facto, mas é fácil de perceber as conclusões que ele nos transmite.
Dito isto, nada justifica que a acção policial seja tão indiscriminada ou aleatória ao ponto de colocar em causa a integridade física dos jornalistas que apenas lá estavam para trabalhar. Junto a minha às vozes que, justamente, se indignam perante esse acontecimento.
Março 22, 2012
O fracasso da CGTP
Segundo se vai lendo por aí, a greve convocada para hoje nada terá de geral e ficará muito longe de ser bem sucedida. Mas, mais relevante do que o fracasso da greve em si, é o confrangedor fracasso da CGTP, apesar das palavras do seu líder, sempre dispostas a inflacionar o sucesso das suas iniciativas mesmo quando ele não existe. Como habitualmente, a organização sindical tentou capitalizar o suposto descontentamento da população transformando-a numa arma de arremesso para defesa das suas políticas.
E aqui recorro à reflexão do Adolfo, nesta entrevista. Não é que as pessoas não experimentem neste momento um sentimento de descontentamento com o governo – mau seria se assim não fosse, já que as medidas que estão a ser seguidas são pesadíssimas, ainda que as consideremos fundamentais. Mas a grande vitória do fracasso desta greve é perceber que a esmagadora maioria das pessoas, nomeadamente os trabalhadores que a CGTP tanto se gaba de defender, não vêm necessariamente o reflexo do seu descontentamento nas palavras e nas atitudes anacrónicas e desligadas da realidade dos Arménios Carlos desta vida. E isso é um sinal que se saúda.
Março 20, 2012
A mão visível do Estado
A propósito da fixação de preços para travar o aumento dos combustíveis, escreve o António Costa no Económico:
«A escalada dos preços dos combustíveis trouxe a discussão, que vai acentuar-se na exacta medida dos efeitos da crise, sobre a necessidade de intervenção administrativa do Governo para fixar os preços de bens e serviços considerados essenciais. A discussão não é conjuntural, é estrutural e um modo de vida.
Os portugueses querem sol na eira e chuva no nabal. Querem o Estado fora da economia, querem os ministros fora do sector empresarial, querem o mercado e a concorrência desde que isso não afecte o seu negócio ou a sua empresa, a sua renda garantida. A verdade é que vivemos décadas de protecção aos monopólios, de mercados de bens e serviços fechados e, quando se iniciou o processo de liberalização, os políticos em funções ‘esqueceram-se’ de alertar para um facto: os preços condicionados ou fixados administrativamente poupavam os consumidores, mas pesavam fortemente no bolso dos contribuintes. Dito de outra forma, eram preços artificialmente baixos, mas que custavam milhões.»
Já agora, em vez de pedirem que o estado crie artificialmente tectos máximos nos preços, pagando compensações que, como diz o António Costa, custam muito caros aos contribuintes, aconselho os críticos a exigir que o estado reveja a sua intervenção na formação do preço dos combustíveis por via fiscal, onde a mão do estado, escondida mas não invisível, mexe mais do que devia.
Março 15, 2012
Why are libertarians afraid of Santorum?
Numa pequena entrevista feita sob o mote “Why are libertarians afraid of Santorum?”, da responsabilidade do Washington Post, David Boaz descreve, através de respostas bastante objectivas, os perigos de um candidato como Rick Santorum. Fazendo das suas palavras as minhas, revejo-me, particularmente, no seguinte excerto (com negritos meus):
Being philosophically minded, what scares me most about Rick Santorum is not his specific policy mistakes but his fundamental objection to the American idea of freedom. He criticizes the pursuit of happiness! He says, “This is the mantra of the left: I have a right to do what I want to do” and “We have a whole culture that is focused on immediate gratification and the pursuit of happiness . . . and it is harming America.” And then he says that what the Founders meant by happiness was “to do the morally right thing.” He really doesn’t like the idea of America as a free society, where adults make their own decisions and sometimes make choices that Santorum disapproves. In practice, I worry that he would continue and intensify Bush’s big-government conservatism, a federal government committed to reshaping individuals according to a religious-conservative blueprint.
Março 14, 2012
Serviço público
Mais um pedaço do excelente serviço público a que a Fundação Francisco Manuel dos Santos nos tem habituado: o novo portal “Conhecer a crise”.
“Conhecer a crise” é um portal destinado a dar visibilidade aos principais indicadores económicos e sociais capazes de traduzir com mais pormenor a situação de crise que Portugal atravessa. Além de entidades oficiais, foi necessário recorrer a organizações civis e a empresas económicas que detêm informação importante. Utilizamos também com frequência inquéritos de opinião e atitudes.
Por outro lado, enquanto a PORDATA apenas recolhe e publica dados anuais, este “Conhecer a crise” utiliza também dados trimestrais e mensais, mais adequados a medir a evolução actual, assim como as reacções das famílias e empresas, na sua tentativa de se ajustar ao novo contexto económico e superar algumas dificuldades.
Março 13, 2012
Menezismos
A falta de sensibilidade de Luis Filipe Menezes na gestão do dinheiro dos outros sempre foi notória. Basta ir a Vila Nova de Gaia para tropeçar com facilidade numa obra camarária aqui e além. Com a mesma facilidade descobre-se um novo estádio de futebol, um novo polidesportivo ou uma nova rotunda. É por isso que o facto de Menezes querer construir mais pontes – sim, plural – entre Porto e Gaia não é nada que surpreenda (até um túnel a unir as margens do Douro ele quer). O que surpreende – e, vá, assusta – é constatar que ele ainda não percebeu que neste momento o país tenta desesperadamente mudar de vida. Mudança de vida essa que é precisamente a mensagem que se lê no memorando assinado com a troika e no resultado das últimas eleições legislativas.
Falar em construir pontes num momento em que as famílias portugueses vêm cada vez menos dinheiro nos bolsos só pode ser encarado como gozo descarado aos portugueses num acto de “chafurdice política” tão corrente na sua gestão autárquica.
Há muito que Luís Filipe Menezes representa muito do que está mal na política portuguesa, desde o despesismo sustentado no desrespeito pelos impostos dos outros até ao populismo da obra feita e de utilidade questionável, passando pela incoerência entre a crítica que se faz aos outros e aquilo que é feito no próprio feudo. Enfim… menezismos.
Março 12, 2012
Geração à rasca um ano depois
Passou um ano desde o protesto da “geração à rasca” e quem acompanhou a actividade dos seus promotores e dos movimentos que nasceram como sua consequência percebe facilmente que nenhuma evolução positiva se verificou no seu discurso. Pior: o caminho foi feito rumo a uma radicalização crescente, a uma demagogia exasperante e a uma inocuidade confrangedora. E, para isso, tendo em conta que o conteúdo das ideias é bastante semelhante, já bastava o Bloco de Esquerda. Hoje, a generalidade daqueles que deram a cara por um protesto marcante nos números mas vazio na qualidade das propostas, parecem continuar interessados em esperar que o estado lhes acabe com os problemas, profetizando a fé inesgotável de que sem um paternalismo estatal de direitos e subsídios nada se faz.
Este ano, por modéstia (ou talvez por receio de uma provável impossibilidade de replicar a mobilização de há um ano) os ditos “quinhentoseuristas” da geração à rasca ficaram-se por um simples convite para que todos escrevam as suas ideias para melhorar o país numa folha de papel. Eu, que também sou jovem, temendo ser demasiado original para o discurso repetido desses que se acham a voz de uma geração, não deixo, ainda assim, de lhes deixar algumas ideias.
Se é a falta de emprego que vos preocupa, exijam que o estado flexibilize a legislação laboral, facilitando a entrada de jovens no mercado de trabalho e, acima de tudo, que promovam um mundo de mérito e em que todos possam, de facto, ser bem sucedidos por serem melhores e mais competentes, em vez de exigirem “direitos” que, porque existiram para outros que chegaram antes de nós, nos deixam à rasca.
Se é uma verdadeira hipótese de emancipação que procuram, se querem sair da casinha dos pais, exijam uma reforma que se veja nas leis de arrendamento, que não negue a um jovem uma séria possibilidade de alugar uma casa só porque não encontra um preço justo a pagar pela sua renda porque tem de pagar parte da renda de outros que chegram antes de nós e vivem “direitos” que nos deixam à rasca.
Se é salários decentes que querem, exijam um país que produza e seja economicamente próspero e competitivo, que saiba ser atractivo para quem quer investir e criar emprego em vez de se andar sistematicamente a endividar e a onerar a nossa geração e a dos os nossos filhos, para sustentar um estado que de tão grande e omnipresente nos deixa à rasca.
Estes são alguns exemplos das exigências que eu gostaria de ver as cordas vocais dos jovens que gostam de estar na primeira linha destas manifestações produzirem. Exigências de que o estado elimine o que está mal em vez de exigir que o estado arranje maneira de nos beneficiar com o que já não faz sentido. No dia em que saírem à rua para exigir coisas deste género, é de bom grado que saio também. Até lá, porque dispenso palhaçadas e indignações comodistas e de circunstância, vou tentando fazer pela vida.
Março 10, 2012
A nova ASAE
Longe vão os tempos em que Pedro Passos Coelho dizia que os excessos da actuação da ASAE eram um bom exemplo da desconfiança com que o estado olhava a população e a penalizava. Agora, é o grupo parlamentar do seu partido, a reboque de uma proposta da JSD, quem decide replicar essa desconfiança, penalizando a liberdade individual dos consumidores e a liberdade económica dos comerciantes. Um convicto inspector da ASAE não faria melhor do que estes pequenos socialistas cor-de-laranja.
Leitura complementar: Gorduras do Estado
Março 9, 2012
Da falta de lealdade
A falta de lealdade de que Cavaco Silva acusou José Sócrates parece ter feito escola nas primeiras linhas do exército socrático que o antigo primeiro-ministro deixou no PS. Essa é, pelo menos, a explicação mais evidente para o surgimento desta notícia, belo exemplo de uma fuga de informação que coloca cirurgicamente o actual líder do PS no centro do alvo, rica em pormenores sobre uma reunião (que se queria privada, digo eu) do grupo parlamentar socialista.
Deputados socialistas marcam falta de comparência ao seu secretário-geral:
Mais para o fim ficou o recado directo ao secretário-geral. Pelo menos dois deputados, João Galamba e Luísa Salgueiro, criticaram a “ausência sistemática” do líder nas reuniões do grupo parlamentar. Ontem, Seguro esteve em Abrantes num conjunto de iniciativas que assinalavam o Dia da Mulher. Em São Bento, os deputados perguntavam-se para que serviam os debates na bancada se o “decisor-mor não estava presente”.
Este tipo de situações (bem como certas defesas inflamadas de José Sócrates que nunca tiveram paralelo quando o beneficiário é é o actual secretário-geral) vêm acentuar o estatuto de precário com que António José Seguro vai liderando o PS.
Março 8, 2012
O Dia da Mulher é uma parvoíce
Ao longo dos tempos as mulheres souberam, à custa da sua luta, das suas qualidade e das suas competências, ganhar espaço para cumprir o seu papel numa sociedade que, durante muitos e muitos anos, as relegou para um papel que não chegava sequer a ser secundário. Nunca precisaram de esmolas oferecidos por decreto, por habilidades legais mais ou menos duvidosas ou por arrogância alheia, e que, em vez de promoverem a imagem e a importância do papel das mulheres, apenas as afundaram para um papel de subserviência e menoridade.
Se, na prática, esta atitude fica patente na imposição de quotas no acesso a cargos políticos ou em sugestões deste género, o Dia Internacional da Mulher, ainda que simbolicamente, ajuda de forma decisiva a perpetuar a condição de inferioridade das mulheres. E elas não merecem isso.
Março 6, 2012
O preço da loucura
O preço a pagar pela loucura socrática:
Custos de obras em escolas disparam mais de 400%
Há muita coisa corajosa que podia – e devia – ser feita na educação em Portugal e que pouco ou nada têm que ver com aumento de despesa e mais endividamento. Em vez disso, optou-se por criar mais despesa e onerar os actuais e os futuros contribuintes. Os jovens que aproveitem bem as instalações das escolas enquanto lá andam. É que depois há que começar a trabalhar para as pagar.
Janeiro 30, 2012
Direitos de uns, dinheiro de outros
Bastaram-me cinco minutos de Prós e Contras (hoje sobre a nova Lei do Arrendamento) para notar que continuamos a ser um país infestado de gente que se manifesta ferozmente a favor dos “direitos” dos inquilinos. Tenho pena é que raramente essas pessoas se lembrem daqueles que gostavam de ser inquilinos e não podem porque têm de pagar a sua renda e os “direitos” dos outros. A esses, que não têm vergonha na cara, recomendo que procurem forma de, pelo menos, alugar alguma.
Agosto 31, 2011
Canal História
Pedro Passos Coelho, 24.03.2011:
«Passos Coelho diz que, numa altura em que se desconhece a verdadeira situação das contas do país, não pode afastar uma mexida nos impostos. Mas a aumentar algum imposto, garante, será apenas os que incidem sobre o consumo e não sobre o rendimento.»
Pedro Passos Coelho, 07.04.2011:
«O presidente do PSD defendeu hoje que Portugal precisa de uma estratégia para o crescimento da economia que inclua uma reforma da justiça e uma redução da carga fiscal sobre o trabalho e sobre as empresas.»
Agosto 30, 2011
Demagogia e realidade (4)
Pouco habituado que está a criar riqueza ou a investir e a correr riscos, torna-se certamente muito fácil para António José Seguro vir falar desta forma tão ligeira sobre aquilo que é dos outros. É nisto que resulta esta recente moda de lançar uma nova ideia de imposto todos os dias. Políticos medíocres a falar do dinheiro, da iniciativa e do esforço alheios com uma falta de noção tal que já ultrapassa o ridículo: começa a provocar nojo.
Agosto 25, 2011
Quem tinha saudades do Bloco de Esquerda?
Aparentemente o próprio Bloco estava com saudades do Bloco: Bloco de Esquerda lança adopção por casais homossexuais:
«O Bloco de Esquerda vai apresentar um projecto para permitir a adopção por casais homossexuais já nesta sessão legislativa. A eutanásia será outro dos temas com que o Bloco vai aquecer o debate parlamentar neste ano político, sobretudo numa altura em que a maioria parlamentar é de direita. »
Temos ouvido que esta sessão legislativa será uma das mais exigentes de sempre. Parece evidente que nesta sessão legislativa o calendário para o cumprimento das medidas acordadas com as instituições internacionais vai ser apertadíssimo, data após data. E, para angústia de todos nós, esta é a sessão legislativa em que Portugal vai ter de dar passos decisivos para a sua viabilidade enquanto país soberano.
Mas, perante todo o cinzentismo e dramatismo deste cenário, valha-nos a notícia animadora de que esta sessão legislativa será aquela em que o Bloco de Esquerda voltará a ser o Bloco de Esquerda. Pão e circo, meus caros. Pão e circo.
Demagogia e realidade (3)
Perante a possibilidade de criar um imposto especial para os “ricos”, Passos Coelho reagiu como o obeso a quem é oferecido mais um chocolate e que, sem pestanejar, prefere usar o tempo a comê-lo em vez de o gastar na passadeira. Menos tolerável do que ver o estado actuar, quase por definição, em prejuízo das pessoas, é ter um estado que o faz por sugestão da demagogia de muitas delas. Haja paciência.
Espero que o primeiro-ministro descarte a ideia rapidamente. Senão, Tomás, temo que o teu enjoo só agora tenha começado.
Leitura complementar: Quando for grande não quero ser rico; Rent-seekers; Demagogia e realidade; Demagogia e realidade (2); “Do nosso sangue a gotejar”
Agosto 24, 2011
Demagogia e realidade (2)
Em vez de exigirem ao estado a criação de mais um imposto para sacar uns euros extra a quem mais ganha, os “Buffetts” desta vida poderiam propor que o mesmo crie (se é que eles já não existem) certos mecanismos semelhantes aos que existem nos EUA, por exemplo, para que os interessados que acham que pagam pouco em impostos possam fazer doações ao estado voluntariamente. Quem quer aumentar a sua contribuição deve procurar fazê-lo sem arrastar consigo quem não quer contribuir mais do que já contribui. Fazer demagogia e ser altruísta com o dinheiro dos outros é sempre muito fácil.
Leitura complementar: Demagogia e realidade
Demagogia e realidade
É irrelevante levar a discussão para este tipo de demagogias. O problema não está em saber se este paga mais ou menos do que aquele, ou se este devia pagar mais ou menos impostos do que paga. A realidade é que todos pagamos mais impostos do que devíamos pagar. E se o fazemos é porque o estado chegou a um nível de irracionalidade e de irresponsabilidade só ao nível do tamanho da própria gordura, que urge eliminar e não perpetuar. Sugerir que a solução para os problemas consiste em usurpar o que é dos outros e criar mais receitas, oferece aos estados incompetentes um belo balão de oxigénio e um tapete para debaixo do qual podem varrer as suas obrigações de emagrecimento.
Por isso, é imoral pedir a quem quer que seja, independentemente do volume da sua conta bancária, que pague sequer um cêntimo a mais em impostos enquanto a cultura despesista do estado não for posta decisivamente em causa. É o estado quem tem a obrigação de zelar pelo bem estar da carteira das pessoas e não as pessoas que têm de sustentar os caprichos deste estado de coisas.
Irrelevâncias
A moda das petições veio para ficar. Ultimamente, a classe política tem-se habituando a promover petições mais ou menos pífias, mais ou menos inoportunas e, por norma, completamente irrelevantes. Foi a vez da JSD.
Estava capaz de sugerir que, em vez de se preocuparem com um jovem atleta que não consegue vingar profissionalmente porque há clubes que exercem o seu natural direito de preferir contratar atletas estrangeiros (melhores ou piores, não interessa), se preocupassem com os jovens que não conseguem entrar no mercado de trabalho porque a legislação dá preferência à perpetuação de incompetentes só porque possuem um contrato sem termo, mesmo quando o merecem menos do que um jovem mais motivado e qualificado.
Parece-me que a Assembleia da República seria melhor aproveitada ao resolver os problemas e a debelar as limitações que o estado impõe aos cidadãos, do que ao dar palco a este tipo de debate completamente irrelevante e que em nada deve ser responsabilidade do estado.
Agosto 23, 2011
Ao cuidado do Presidente da República
Governo espanhol quer limitar défice e dívida na Constituição.
«O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, propôs hoje uma reforma da constituição para lhe inscrever um limite ao défice público e à dívida, uma iniciativa que tem o apoio do líder da oposição, Mariano Rajoy.»
Leitura complementar: Preso ao keynesianismo
Agosto 22, 2011
Não há bela sem senão
Aquando da formação do novo governo, muitas das minhas esperanças de assistir a um corte profundo com as práticas de sempre foram depositadas em Nuno Crato. Longe de acreditar que será um ministro perfeito, continuo a vê-lo como fiel depositário das minhas mais sérias esperanças do nascimento de uma nova atitude nos governantes deste país.
No entanto, não há bela sem senão. E na hora de apresentar a primeira medida com peso significativo, é indisfarçável a mesmice de sempre no que diz respeito à cedência aos rostos de um certo corporativismo instalado e que domina o sector. Senão vejamos: da proposta de regulamentação da avaliação do desempenho docente que o Ministério da Educação preparou, consta o seguinte:
Artigo 20.º
Isenção de Avaliação
Ou seja, como se já não bastassem os louros de que gozam depois de terem chegado ao topo de uma carreira feita de forma mais ou menos automática e em que os grandes transtornos, a partir de muito cedo, são apenas burocráticos, os professores colocados nos escalões mais elevados da carreira vão receber este prémio extra, que os diferencia do comum professor (e do comum funcionário público, já agora) que é obrigado, e bem, a prestar provas da qualidade e da eficácia do seu trabalho.
Propor isto é quase como propor que um aluno do 12º ano, ou, se preferirem, no “topo da carreira” da escolaridade obrigatória, seja dispensado de fazer os exames nacionais só porque tem atrás de si uma série de notas tão razoáveis que até lhe permitiram percorrer este caminho sem grandes tropeções, acumulando um conjunto de competências que não merece ser questionado.
Talvez este seja um passo no sentido de abafar alguma da gritaria habitual dos sindicatos e, apesar da inflexibilidade de sempre, talvez até funcione. Mas é precisamente por isso que é um passo na direcção do costume: para trás.
Agosto 18, 2011
Boas intenções não chegam
Para bem da credibilidade do actual governo, já posta em causa no seu curto espaço de vida, é bom que isto e isto não signifique um recuo na intenção de suspender o projecto do TGV e a privatização da RTP. São precisas boas práticas que sejam consequentes com as boas intenções. Porque das últimas, está o inferno cheio.
Agosto 17, 2011
E acabar com o Porta 65?
«Arrendamento jovem com menos apoios do Porta 65.»
O único apoio de que os jovens precisam é de um mercado de arrendamento decente. É sempre muito fácil fazer uso da demagogia própria de programas como o Porta 65, em que o contribuinte é forçado a subsidiar a habitação alheia, em vez de se proceder a uma cada vez mais urgente reforma da lei das rendas que, mais do que injusta, é verdadeiramente assassina.
Junho 20, 2011
Triste fim
Prevejo que, na melhor das hipóteses, a manter-se como deputado, Fernando Nobre vai acabar a presidir a uma comissão parlamentar, provavelmente a de saúde. O cargo é prestigiante. Mas, para quem se candidatou, com poucos meses de intervalo, a ocupar os dois lugares mais altos da hierarquia do estado, não é mais do que uma consolação embaraçosa. Triste fim.
Junho 6, 2011
A direita é que paga
Ouvi hoje o Jerónimo de Sousa dizer que a vitória da direita se deu porque os portugueses quiseram castigar as políticas de direita do PS. Há por aí alguém que tenha percebido a lógica da coisa?

