solução endógena e de longo prazo seria menos má

“Anbang falhou acordo com Banco de Portugal”

Ao que parece, segue-se agora novo duelo, desta feita com a Apollo…

Enfim, talvez não fosse má ideia pensar em soluções diferentes. Neste sentido, deixo estaesta sugestão, ambas escritas há um ano no “aftermath” da resolução, e que a meu ver permanecem menos más que o modelo entretanto adoptado.

a teoria dos jogos

“A exclusão da Grécia do euro é apenas uma questão de tempo, e estou hoje convicto que nem o enésimo acordo de última hora alcançado há dias em Bruxelas impedirá tal desenlace. O ponto fundamental da questão é muito simples: depois de dois programas de resgate por parte dos chamados credores oficiais, avaliados em 230 mil milhões de euros, e de um perdão de dívida de 100 mil milhões por parte de investidores privados, é inverosímil que novos empréstimos à Grécia venham a ser incondicionais. Ao mesmo tempo, é também altamente inverosímil que o novo governo grego seja capaz de assumir os respectivos compromissos – balizados, quantificados, e calendarizados – que possam satisfazer as exigências dos credores. Este jogo de negociações deixou de ter como propósito a obtenção de um compromisso estável e duradouro, e passou a ter como finalidade a determinação de quem, em última instância, tomará a iniciativa de fazer a Grécia sair do euro.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

zero vírgula nove

“Dados publicados há dias pelo Instituto Nacional de Estatística revelaram que em 2014 o PIB português cresceu 0,9%, em resultado – nas palavras dos técnicos do INE – da recuperação da procura interna. Trata-se de uma variação idêntica à variação média do PIB no espaço da zona euro em 2014 (+0,9%), porém, trata-se também de um crescimento inferior ao crescimento médio registado no conjunto da União Europeia (+1,4%). Regresso, assim, à pergunta que aqui já havia deixado na semana passada: está o copo meio cheio ou meio vazio? Ora, sabemos que a economia portuguesa está inserida numa união económica e monetária muito exigente. E neste domínio, é de notar que a taxa de crescimento homólogo do PIB português no quarto trimestre de 2014 foi superior ao de França, Itália, Áustria e Finlândia. Desta forma, à nossa escala, fizemos melhor que muitos outros, e no balanço do ano fizemos igual à média dos restantes membros deste exigente clube. Registe-se ainda que 2014 marcou o regresso de Portugal ao crescimento económico – após a recessão de 2011, 2012 e 2013 –, e tal aconteceu em equilíbrio externo. Mas será este crescimento suficiente?”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

uma longa caminhada

“Dados publicados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelaram 2014 como o ano recorde para as exportações portuguesas de bens – um total de 48,2 mil milhões de euros. Mas, ao mesmo tempo, revelaram também a menor taxa de crescimento anual dos últimos cinco anos, e o primeiro ano durante esse mesmo período em que as exportações cresceram menos que as importações. É, pois, caso para perguntar: está o copo meio cheio ou meio vazio? A resposta não é fácil, embora, tudo considerado, me pareça que é caso para dizer que o copo continua meio cheio. É claro que, por um lado, continuamos ainda distantes da capacidade exportadora de outros países da nossa dimensão, mormente no espaço europeu. Porém, por outro lado, nunca a economia portuguesa esteve tão internacionalmente competitiva quanto hoje.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Che

“Do percurso de vida de Alexis Tsipras, o novo primeiro-ministro da Grécia, sabe-se da sua licenciatura em engenharia civil, sabe-se do seu ateísmo, da sua já extensa carreira política – iniciada na juventude comunista –, e naturalmente também da sua admiração pelo revolucionário marxista Ernesto “Che” Guevara (ao ponto de um dos seus filhos se chamar Ernesto). Este é o ponto de partida do homem que promete devolver aos gregos a esperança perdida, após cinco anos de resgate financeiro e de depressão económica. E que, poucas horas depois de ter sido eleito, se coligou com a direita nacionalista para formar um governo cujo traço identitário será precisamente o seu carácter nacionalista.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

a fazer-se História

“(…) o provável abrir de comportas à liquidez do BCE será mais um passo no sentido de uma política monetária cada vez mais acomodatícia, e conduzida de forma mais ou menos semelhante nos Estados Unidos, no Reino Unido, no Japão, e agora também na Europa. É certo que uns mais adiantados que outros, mas todos globalmente na mesma direcção, e todos utilizando medidas não convencionais. A grande incógnita resta sobre a eficácia das medidas, em particular das do BCE – que parece chegar tarde à festa –, e sobre eventuais consequências indesejadas de uma experiência nunca antes testada a nível global.”, no meu artigo de ontem no Diário Económico.

a deflação

“Nos últimos dias, têm vindo a ser divulgados os indicadores relativos à inflação nos países da União Europeia, e do Norte ao Sul da Europa a tendência é visível: os preços estão a baixar. No caso dos países da periferia europeia, em particular na Grécia, mas também em Portugal, a evolução é tal que já não se trata de menor inflação, mas sim de deflação”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

voltar atrás no tempo

“O próximo ano será muitíssimo interessante do ponto de vista externo, e muitíssimo entediante do ponto de vista interno. Na frente externa, a crise entre a Rússia e o Ocidente conhecerá novos desenvolvimentos, à medida que a Rússia for esgotando as suas reservas cambiais. Ao mesmo tempo, também na Europa, a zona euro confrontar-se-á (mais cedo ou mais tarde) com uma nova crise na Grécia, atestando a debilidade fundacional da moeda única. Quanto a Portugal, depois de alguns anos em que o País teve a sua agenda própria – ainda que forçada pelos credores externos –, nada de muito excitante deverá acontecer entre nós em 2015, e certamente não antes das legislativas de Outubro.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

a TAP

“A greve anunciada pelos sindicatos da TAP para o final do ano é inaceitável. Ponto final. Bem sei que o direito à greve é garantido pela Constituição (art. 57º), e que “compete aos trabalhadores definir o âmbito de interesses a defender através da greve, não podendo a lei limitar esse âmbito” (nº2). Porém, numa altura do ano tão movimentada quanto esta, e sendo a TAP uma empresa pública em situação de falência técnica, o bom senso deveria imperar por todos os motivos e mais alguns. Pelos prejuízos que estes dias de paragem representarão para a empresa, e pelo desrespeito que será dirigido aos contribuintes, que apesar de tudo ainda vão aparando a coisa pública em Portugal. Espero, pois, que seja accionada a requisição civil, sublinhando que este tipo de situação – que faz lembrar uma célebre greve de controladores aéreos na América em 1981 (prontamente resolvida por Ronald Reagan) – dá azo a que se questione se a Constituição deveria mesmo proibir o “lock-out” ou não.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

o quociente

“Fez bem o Governo, a exemplo do que já havia feito com o IRC, ao encomendar o estudo da reforma do IRS a uma distinta comissão de técnicos especializados em matérias fiscais. Lamentavelmente, da discussão (mais política do que técnica) que se seguiu na Assembleia da República (AR), a dita reforma do IRS acabou por resultar numa coisa esdrúxula. Por um lado, preservou-se a ideia central do quociente familiar – e que faz todo o sentido. Mas, por outro lado, introduziu-se um elemento adicional de complexidade ao ter-se complicado nas deduções à colecta – o que não faz qualquer sentido. No final, de forma esdrúxula e atabalhoada, tentou-se, por portas e travessas, colmatar a injustiça que está à vista de todos: a existência em Portugal de elevadíssimos escalões de imposto face aos reduzidíssimos patamares de rendimento sobre os quais incidem.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

 

do verbo empastelar

“O recente congresso do Partido Socialista (PS) mostrou-nos um novo secretário-geral muito confiante numa vitória com maioria absoluta nas próximas legislativas, e na ausência desta, também confiante na possibilidade de entendimentos à sua esquerda. Debrucemo-nos, pois, sobre o repto lançado por António Costa ao Partido Comunista (PCP), ao Bloco de Esquerda (BE), e ao Partido Livre (PL).”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

inferno

“Tu não controlas a minha linguagem, tás a perceber, não controlas (…) eu sou uma materialista, uma substancialista, não sou positivista, e o Carl Schmitt para mim…é para ser queimado numa fogueira”, Isabel Moreira, ontem, em mais uma edição da “Barca do Inferno” (minuto 37).

Muito bom! O estilo blasé da Isabel é mesmo muito bom. E ai de quem tentar controlar a linguagem dela…!

a soçobrar

“(…) há que recusar, rechaçar, e repelir este sistema que tem vindo a partidarizar a administração pública e a governação de Portugal, cristalizando o carreirismo político e os cargos de confiança política no seio das suas instituições, e produzindo a falência política e institucional que temos diante de nós. Parece que deixou de existir noção do bem público. O regime está a soçobrar.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

a floresta

“(…) É, pois, o momento de a estrutura de financiamento da economia portuguesa evoluir no sentido do mercado de capitais. Bem sei que em face da evolução recente do PSI20 o “timing” desta afirmação dificilmente poderia ser pior, mas como afirmava há dias Alberto Charro, administrador do BBVA em Portugal, “todos os bancos estão a tentar emprestar às mesmas empresas”. Isto sucede porque, encontrando-se o sector bancário muito concentrado, o mercado de capitais não consegue desenvolver-se, prejudicando o financiamento global da economia.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

de alto quilate (2)

Ontem à noite na RTP Informação, teve lugar nova emissão do magnífico “Barca do Inferno” que, como os leitores deste blogue bem sabem, é hoje em dia o meu programa favorito. E entre tantas coisas interessantíssimas, então não é que ficámos a saber que Raquel Varela também é contra a taxa sobre os turistas em Lisboa…

Devo dizer que, cada vez mais, a Raquel deixa-me desconcertado. E ontem saiu mesmo do seu “script” habitual, tendo ido para terrenos diversos. E que terrenos! De defensora da tese “há que reduzir o horário de trabalho sem redução salarial” saltou agora para a tese “os portugueses têm sido as-fi-xi-a-dos com impostos”. Registo com agrado a evolução do pensamento de Raquel, não deixando contudo de questionar a sua coerência. Mas voltando à emissão de ontem, destaco a sua intervenção do minuto 36, um estupendo momento de “infotainment” e que, sem prejuízo de uma ou outra imprecisão, me prendeu ao écran.

Da condenação das taxas e taxinhas de António Costa, às recomendações que fez à secretaria de Estado do turismo, à forma como denunciou a brutal cobrança de impostos que os portugueses têm vindo a suportar desde o 25 de Abril (com direito a um gráfico Medina Carreira “style”, olé!), passando ainda pela referência a figuras da cultura popular portuguesa como o galo de Barcelos, sem esquecer, obviamente, o bife da Rua Augusta (“fotografado”!)…foi um momento memorável de live TV, que em baixo transcrevo ipsis verbis, e cujo vídeo recomendo vivamente.

Raquel Varela: “Eu acho que os turistas devem ser bem recebidos, de braços abertos, e não cobrando-lhes seja o que for. Acho que isso é completamente errado. O problema é que é assim…o problema é que os turistas…quer dizer, nós também temos de pensar que turismo é que queremos…esta coisa de o turista chega aqui, paga, e depois a gente vende-lhe um galo de Barcelos made in China e um bife com batata frita ali na Rua Augusta fotografado…humm…nós também temos de pensar na forma como queremos receber os outros. E a mim parece-me que essa é uma questão de princípio, nós somos conhecidos por receber bem os outros e não por tornar tudo vendável. Quer dizer, nós estamos também a falar de relações que nós estabelecemos com os outros. A segunda questão que me parece importante é que eu acho surpreendente ver no século XXI taxas medievais, que é a taxa de circulação de passagem na cidade, que é uma coisa incrível, não é? Que tinha sido abolida e agora é reposta. Dizer que eu sou contra o princípio (…) o problema é abrir a porta a um mau princípio, e é um mau princípio estar a cobrar uma taxa quando já há uma caixa comum de impostos para pagar estes serviços (…) porque existem impostos para as pessoas pagarem os serviços públicos. E aliás, 75% dos impostos já são pagos todos pelo factor trabalho em Portugal apesar de…há um gráfico que eu trouxe…eu não sei se pode mostrar…que eu gostava que as pessoas vissem, basta olhar para o gráfico…isto é [o gráfico] a cobrança de impostos desde o 25 de Abril…impostos directos e indirectos…basicamente os portugueses têm sido asfixiados com impostos e depois, à parte, cobram-se taxas para pagar aquilo que não é utilizado nos impostos porque os impostos são utilizados para pagar rendas fixas, parcerias público privadas, juros da dívida pública, e outras diversões. Portanto, aquele gráfico é o gráfico da cobrança brutal de impostos que cai em cima dos portugueses nos últimos quarenta anos.”

Et voilà, é assim mesmo Raquel: as-fi-xi-a-dos com impostos. Quanto ao pagamento dos juros da dívida pública como diversão, bem, deixemos essa imprecisão para outra ocasião porque por agora há que reter a imagem do esbulho fiscal…e a do galo de Barcelos a comer o bife com batata frita da Rua Augusta…que isso sim, é muito bom!

Saudações do Norte, estimada Raquel, saudações do Norte!

gotas

Há dias, a minha querida esposa enviou-me numa missão especial: despistagem oftalmológica da nossa mais velha. Chegado à unidade privada, eu e a mais velha, lá percorremos o circuito que à mesma hora outros percorriam. À minha, de forma tentativa, foi diagnosticada uma ligeira hipermetropia. Vai daí: gotas – “para confirmarmos que não há mesmo problema”. Gotas foram – 9, 3X3, de 20 em 20, para ser rigoroso.

Passado uma hora e pouco, a minha piquena, e mais 4 ou 5 que à mesma hora lá foram fazendo o mesmo – gotas -, regressámos ao especialista. Sentámos a menina na cadeira mágica, e tudo estava óptimo – “só precisa de regressar aos 10 anos”. Ao lado, as restantes meninas e meninos iam saindo com ar de quem também só precisava de regressar aos 10.

Terminada a manhã de sábado na unidade privada de saúde, fui pagar. Munido do meu seguro de saúde “corporate” paguei cerca de 25 euros; ao meu lado, uma outra utente, munida de ADSE, pagou pelo mesmo serviço, menos de 10 euros. Perguntei então à menina da facturação: “e se eu tivesse vindo sem seguro, quanto teria pago?”. Resposta: “230”. Glup! Perante a minha estupefacção, acrescentou a funcionária com um sorriso meio maroto meio cínico: “Só as gotas…”. Ah pois! Et voilà, por isso é que todos os miúdos a levaram. Sorri de volta, e rematei: “a seguradora paga e vocês, pois claro, agradecem”. Silêncio – que novo sorrisinho nem pensar. Ah que ricas gotas!

doze dias depois

“Depois das palavras do líder do Partido Socialista, António Costa, na noite de quinta-feira, a vice-presidente da bancada parlamentar socialista reforçou, nesta sexta-feira, a mensagem e de forma mais direta: se o Partido Socialista for eleito nas legislativas de 2015, os salários dos funcionários públicos vão mesmo ser repostos, por inteiro, em 2016. “A reposição integral dos salários é mesmo para 2016 e a previsão, com maior convicção, que podemos fazer neste debate é a de que o próximo Orçamento do Estado para 2016 não será feito por este Governo”, afirmou a deputada socialista Ana Catarina Mendes.” (via Observador 31/10/2014).

….mas eis que…apenas 12 (doze) dias depois….

“O presidente da Câmara de Lisboa e futuro líder do PS, António Costa, não definiu uma data para a reposição dos salários dos funcionários públicos. Apesar de ter manifestado já por mais de uma vez essa intenção, na entrevista concedida esta quarta-feira à RTP, António Costa apenas disse que, caso venha a liderar o próximo Governo, o fará “tão cedo quanto possível”. (…) Questionado sobre o momento em que faria a reposição dos salários, o mais longe que foi António Costa foi dizer que seria “desejável que fosse imediato” (via Público 12/11/2014).

Independentemente do juízo que possamos fazer da reposição ou não de salários, este arranque do PS versão António Costa está bonito está…!

Afinal, em que é que ficamos? Faz-se logo no dia a seguir à formatura do Governo? Em 2016? 2017? 2038? Quando, como e onde?

de alto quilate

Tem passado na RTP-Informação um programa fantástico chamado “Barca do Inferno”. Nele, digladiam-se semanalmente Manuela Moura Guedes, Isabel Moreira, Sofia Vala Rocha e Raquel Varela. Autênticas pérolas têm sido exibidas neste programa! Da edição de ontem, transcrevo em baixo, ipsis verbis, a seguinte passagem (ao minuto 11:30):

Raquel Varela: “(…) a única forma de sustentar a segurança social é reduzir o horário de trabalho sem redução salarial. Não há outra forma, e a segurança social vai colapsar se não há rapidamente uma redução do horário de trabalho, para que toda a gente trabalhe, se ponha fim ao desemprego, e toda a gente desconte. obviamente.”

Perplexa, Manuela Moura Guedes intervém: “e como é que as empresas aguentam?”

Ao que riposta Raquel Varela, sem perder a compostura: “Há muitas empresas que se calhar….uhhh…uma empresa que paga o salário mínimo e que não pode pagar mais do que isso, o que significa que os seus trabalhadores não conseguem chegar ao fim do mês e se alimentar, não tem condições para ser uma empresa. Não tem que se aguentar. Ou seja, não tem mesmo que se aguentar.”

Enfim, como eu disse, há pérolas naquele programa…! E boa parte é investigação de alto quilate financiada com o dinheiro dos contribuintes. Urra!

O programa de ontem está disponível na íntegra aqui.

o manifesto era datado!

“(…) é legítimo perguntar qual a margem de manobra para o PS cumprir as promessas que anda a fazer (o raciocínio vale também para PSD e CDS). A resposta é simples: não é nenhuma. (…) A prova de que assim é deu-a Ferro Rodrigues ontem, em entrevista a Maria Flor Pedroso, na Antena Um. Questionado sobre se assinaria agora o manifesto que pede a reestruturação da dívida, Ferro Rodrigues tentou contornar o assunto, dizendo que o manifesto era ‘datado’. Mas acabaria por admitir que não o faria. O que mudou entre o momento em que assinou o manifesto e agora? Não foi a ‘data’; foi o facto de o PS estar à beira de chegar ao poder.”, Camilo Lourenço, hoje no Jornal de Negócios.

o erro

“Regresso hoje ao mesmo tema que aqui me ocupou na semana passada: às incorrecções do candidato a primeiro-ministro, Dr. António Costa, a propósito dos fundos comunitários. Faço-o com base no direito de resposta invocado e exercido pelo próprio no dia seguinte à publicação do meu artigo. E faço-o também com base na última edição do programa “Quadratura do círculo” (31/10/2014), no qual o Dr. António Costa reforçou o seu ponto de vista – fazendo-o, na minha opinião, de forma reiteradamente equivocada. Começo pelo direito de resposta, que não foi bem uma resposta; foi antes um exercício do tipo “baralhar para voltar a dar”. Não obstante, nele não se refutou um único facto citado no meu artigo nem se desmentiram as afirmações do próprio que eu havia reproduzido “ipsis verbis”, a partir do programa de televisão onde participa como comentador. Mas mais importante ainda, o candidato voltou a insistir e a persistir na ideia incorrecta de que o QREN era para ter sido executado até Dezembro de 2013 (daqui inferindo, erroneamente, que uma taxa de execução de 79% em Junho de 2014 só poderia ser má e atrasada).”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Poiares Maduro: responde ao direito de resposta de António Costa

“Foi com surpresa que li o direito de resposta do Dr. António Costa a uma coluna de opinião. Aproveita a invocação do direito de resposta para repetir a tese, assente em factos errados, que tem apresentado sobre os fundos europeus.”, hoje no Diário Económico.

Leituras complementares (ordem cronológica): 1) a coluna de opinião; 2) o direito de resposta de AC.

direito de resposta de António Costa

Na sequência do meu artigo de 4ª feira dia 29/10/2014 no Diário Económico, intitulado “Ao arremesso”, cujo conteúdo eu reitero integralmente, transcrevo em baixo “ipsis verbis” o direito de resposta do Dr. António Costa que ontem, dia 30/10/2014, foi publicado na edição impressa (p. 46) do DE.

DIREITO DE RESPOSTA

António Costa, presidente do PS e da Câmara de Lisboa, responde a Ricardo Arroja, economista e colaborador regular do Económico

Levantei três questões:

1. Último relatório de execução publicado em 17 de Setembro revela que estão por executar 4.700 milhões de euros, o que representa uma taxa de execução de 79%. O Governo respondeu que isso se reporta a Junho e que hoje já estão nos 83% e que chegarão aos 87% no final do ano.

Assim:

– confirmam atraso na execução do Qren que devia ter sido executado até Dezembro 2013;

– eu falei de factos oficiais e documentados, eles respondem com previsões;

– mesmo que cumpram o que prevêem ainda ficam por usar 2.700 milhões de euros…

– portanto atrasaram-se na execução e continuarão atrasados;

2. No OE2015 prevêem transferências da UE de 3.100 milhões de euros, o que representa menos 31% do que foi transferido este ano e representa contracção económica de 0,8%.

Responderam dizendo que confundo os fluxos da transferência com execução.

Ora:

– não confundo, comparei duas colunas do quadro da p. 104, ou seja, transferências 2014/2015 (-31%)

– podem executar mais do que a UE vai transferir? Teoricamente, sim. Mas não é crível. Sendo primeiro ano de novo quadro e tendo por isso direito a adiantamentos, o que é muito provável é que executem menos do que o volume de transferências…

– em qualquer caso, mais uma vez, eu falo de factos documentados, o Governo responde com previsões: o que é certo é que vamos receber para o ano menos 31% do que este ano.

3. O regulamento FEDER e o regulamento fundo Coesão permitem, pela primeira vez, financiar programa de reabilitação urbana para melhorar eficiência energética.

É uma grande oportunidade para Portugal. Reabilitação gera milhares de postos de trabalho e reanima toda a fileira industrial de materiais de construção.

Ora, o Governo desperdiça a oportunidade:

– limita-se a prever 200 milhões de euros, reembolsáveis, para reabilitação de edifícios de habitação de privados!!!

– na área metropolitana de Lisboa, por exemplo, só reservam 30 milhões de euros só para habitação social!!!

ao arremesso

“Há dias, no final do programa “Quadratura do Círculo” (23/10/2014), António Costa lançou-se numa ofensiva contra o Governo, mas estatelou-se ao comprido. Em apenas dois minutos, Costa perdeu o estado de graça.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

as nuvens no horizonte

“(..) para além da frente externa, em relação à qual o Governo nada pode fazer, e cuja deterioração conduzirá a renovado debate quanto à integridade da zona euro e da própria UE, há no OE2015 uma imprudência que, esta sim, é atribuível ao Governo: a ideia de que a eficiência fiscal não conhece limite.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

uma ficção

“(…) O OE2015, como vem sendo anunciado, dá para tudo. Este Orçamento nem é carne nem é peixe. Dá para aumentar os impostos, mas também para os diminuir. Dá para reduzir reversões de salários e de pensões, que é dizer que dará para os aumentar. Para poupar mais de 300 milhões de euros em estudos e informática numa altura em que, na Educação e sobretudo na Justiça, faltam precisamente os estudos e a informática. E ainda para outras poupanças esparsas, avaliadas em mais de 600 milhões de euros e cirurgicamente planeadas para o último ano da legislatura, quando após três anos de Governo e de troika tudo isso já deveria ter sido feito.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

a repulsa dos cidadãos

“(…) Ainda na semana passada aqui tinha escrito sobre a necessidade de legitimar a acção política através do exercício directo da democracia, através daquilo a que genericamente chamei de participação. Reforço hoje essa convicção, e na senda do que afirmou Cavaco Silva gostaria de afirmar propostas que concederiam aos cidadãos a participação que hoje lhes é sonegada pelo monopólio dos partidos sobre a política. A mais importante destas propostas consistiria naturalmente em garantir que os eleitores passariam a eleger em primeiro lugar pessoas, e não partidos.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

ainda as primárias do PS…

“(…) no momento da despedida, o elogio de Seguro ao modelo eleitoral que acabara de o esmagar foi o melhor exemplo da auto-destruição que ele próprio foi semeando nos três anos que durou a sua fraca (e frágil) oposição ao Governo. O lugar é agora de António Costa, que prevaleceu na noite das facas longas do PS, culminando um período que mostrou o pior dos partidos políticos – o oportunismo e o tacticismo.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Asas à imaginação

“(…) No essencial, a dita alternativa [à venda rápida do NB] teria de passar por um novo empréstimo ao Fundo de Resolução (FR), este de longo prazo e convertível em capital, concedido pelos bancos contribuintes. Os intentos desta proposta seriam a) evitar a venda à pressa do NB; b) reduzir o custo efectivo da operação do FR; c) permitir aos bancos o acompanhamento do FR, mediante um órgão de obrigacionistas, e; d) reembolsar de imediato o Tesouro, afastando de cena a dívida pública”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

a borboleta

“(…) a solução que provavelmente acomodaria melhor os interesses de todos – clientes e colaboradores do NB, concorrentes, reguladores, Governo, Estado e contribuintes – passaria pelo reembolso rápido do empréstimo realizado pelo Tesouro ao Fundo de Resolução (FR) através de um outro empréstimo, este de longo prazo e convertível em capital, concedido pelos bancos que constituem o FR ao NB.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.