a TAP

“A greve anunciada pelos sindicatos da TAP para o final do ano é inaceitável. Ponto final. Bem sei que o direito à greve é garantido pela Constituição (art. 57º), e que “compete aos trabalhadores definir o âmbito de interesses a defender através da greve, não podendo a lei limitar esse âmbito” (nº2). Porém, numa altura do ano tão movimentada quanto esta, e sendo a TAP uma empresa pública em situação de falência técnica, o bom senso deveria imperar por todos os motivos e mais alguns. Pelos prejuízos que estes dias de paragem representarão para a empresa, e pelo desrespeito que será dirigido aos contribuintes, que apesar de tudo ainda vão aparando a coisa pública em Portugal. Espero, pois, que seja accionada a requisição civil, sublinhando que este tipo de situação – que faz lembrar uma célebre greve de controladores aéreos na América em 1981 (prontamente resolvida por Ronald Reagan) – dá azo a que se questione se a Constituição deveria mesmo proibir o “lock-out” ou não.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

o quociente

“Fez bem o Governo, a exemplo do que já havia feito com o IRC, ao encomendar o estudo da reforma do IRS a uma distinta comissão de técnicos especializados em matérias fiscais. Lamentavelmente, da discussão (mais política do que técnica) que se seguiu na Assembleia da República (AR), a dita reforma do IRS acabou por resultar numa coisa esdrúxula. Por um lado, preservou-se a ideia central do quociente familiar – e que faz todo o sentido. Mas, por outro lado, introduziu-se um elemento adicional de complexidade ao ter-se complicado nas deduções à colecta – o que não faz qualquer sentido. No final, de forma esdrúxula e atabalhoada, tentou-se, por portas e travessas, colmatar a injustiça que está à vista de todos: a existência em Portugal de elevadíssimos escalões de imposto face aos reduzidíssimos patamares de rendimento sobre os quais incidem.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

 

do verbo empastelar

“O recente congresso do Partido Socialista (PS) mostrou-nos um novo secretário-geral muito confiante numa vitória com maioria absoluta nas próximas legislativas, e na ausência desta, também confiante na possibilidade de entendimentos à sua esquerda. Debrucemo-nos, pois, sobre o repto lançado por António Costa ao Partido Comunista (PCP), ao Bloco de Esquerda (BE), e ao Partido Livre (PL).”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

inferno

“Tu não controlas a minha linguagem, tás a perceber, não controlas (…) eu sou uma materialista, uma substancialista, não sou positivista, e o Carl Schmitt para mim…é para ser queimado numa fogueira”, Isabel Moreira, ontem, em mais uma edição da “Barca do Inferno” (minuto 37).

Muito bom! O estilo blasé da Isabel é mesmo muito bom. E ai de quem tentar controlar a linguagem dela…!

a soçobrar

“(…) há que recusar, rechaçar, e repelir este sistema que tem vindo a partidarizar a administração pública e a governação de Portugal, cristalizando o carreirismo político e os cargos de confiança política no seio das suas instituições, e produzindo a falência política e institucional que temos diante de nós. Parece que deixou de existir noção do bem público. O regime está a soçobrar.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

a floresta

“(…) É, pois, o momento de a estrutura de financiamento da economia portuguesa evoluir no sentido do mercado de capitais. Bem sei que em face da evolução recente do PSI20 o “timing” desta afirmação dificilmente poderia ser pior, mas como afirmava há dias Alberto Charro, administrador do BBVA em Portugal, “todos os bancos estão a tentar emprestar às mesmas empresas”. Isto sucede porque, encontrando-se o sector bancário muito concentrado, o mercado de capitais não consegue desenvolver-se, prejudicando o financiamento global da economia.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

de alto quilate (2)

Ontem à noite na RTP Informação, teve lugar nova emissão do magnífico “Barca do Inferno” que, como os leitores deste blogue bem sabem, é hoje em dia o meu programa favorito. E entre tantas coisas interessantíssimas, então não é que ficámos a saber que Raquel Varela também é contra a taxa sobre os turistas em Lisboa…

Devo dizer que, cada vez mais, a Raquel deixa-me desconcertado. E ontem saiu mesmo do seu “script” habitual, tendo ido para terrenos diversos. E que terrenos! De defensora da tese “há que reduzir o horário de trabalho sem redução salarial” saltou agora para a tese “os portugueses têm sido as-fi-xi-a-dos com impostos”. Registo com agrado a evolução do pensamento de Raquel, não deixando contudo de questionar a sua coerência. Mas voltando à emissão de ontem, destaco a sua intervenção do minuto 36, um estupendo momento de “infotainment” e que, sem prejuízo de uma ou outra imprecisão, me prendeu ao écran.

Da condenação das taxas e taxinhas de António Costa, às recomendações que fez à secretaria de Estado do turismo, à forma como denunciou a brutal cobrança de impostos que os portugueses têm vindo a suportar desde o 25 de Abril (com direito a um gráfico Medina Carreira “style”, olé!), passando ainda pela referência a figuras da cultura popular portuguesa como o galo de Barcelos, sem esquecer, obviamente, o bife da Rua Augusta (“fotografado”!)…foi um momento memorável de live TV, que em baixo transcrevo ipsis verbis, e cujo vídeo recomendo vivamente.

Raquel Varela: “Eu acho que os turistas devem ser bem recebidos, de braços abertos, e não cobrando-lhes seja o que for. Acho que isso é completamente errado. O problema é que é assim…o problema é que os turistas…quer dizer, nós também temos de pensar que turismo é que queremos…esta coisa de o turista chega aqui, paga, e depois a gente vende-lhe um galo de Barcelos made in China e um bife com batata frita ali na Rua Augusta fotografado…humm…nós também temos de pensar na forma como queremos receber os outros. E a mim parece-me que essa é uma questão de princípio, nós somos conhecidos por receber bem os outros e não por tornar tudo vendável. Quer dizer, nós estamos também a falar de relações que nós estabelecemos com os outros. A segunda questão que me parece importante é que eu acho surpreendente ver no século XXI taxas medievais, que é a taxa de circulação de passagem na cidade, que é uma coisa incrível, não é? Que tinha sido abolida e agora é reposta. Dizer que eu sou contra o princípio (…) o problema é abrir a porta a um mau princípio, e é um mau princípio estar a cobrar uma taxa quando já há uma caixa comum de impostos para pagar estes serviços (…) porque existem impostos para as pessoas pagarem os serviços públicos. E aliás, 75% dos impostos já são pagos todos pelo factor trabalho em Portugal apesar de…há um gráfico que eu trouxe…eu não sei se pode mostrar…que eu gostava que as pessoas vissem, basta olhar para o gráfico…isto é [o gráfico] a cobrança de impostos desde o 25 de Abril…impostos directos e indirectos…basicamente os portugueses têm sido asfixiados com impostos e depois, à parte, cobram-se taxas para pagar aquilo que não é utilizado nos impostos porque os impostos são utilizados para pagar rendas fixas, parcerias público privadas, juros da dívida pública, e outras diversões. Portanto, aquele gráfico é o gráfico da cobrança brutal de impostos que cai em cima dos portugueses nos últimos quarenta anos.”

Et voilà, é assim mesmo Raquel: as-fi-xi-a-dos com impostos. Quanto ao pagamento dos juros da dívida pública como diversão, bem, deixemos essa imprecisão para outra ocasião porque por agora há que reter a imagem do esbulho fiscal…e a do galo de Barcelos a comer o bife com batata frita da Rua Augusta…que isso sim, é muito bom!

Saudações do Norte, estimada Raquel, saudações do Norte!

gotas

Há dias, a minha querida esposa enviou-me numa missão especial: despistagem oftalmológica da nossa mais velha. Chegado à unidade privada, eu e a mais velha, lá percorremos o circuito que à mesma hora outros percorriam. À minha, de forma tentativa, foi diagnosticada uma ligeira hipermetropia. Vai daí: gotas – “para confirmarmos que não há mesmo problema”. Gotas foram – 9, 3X3, de 20 em 20, para ser rigoroso.

Passado uma hora e pouco, a minha piquena, e mais 4 ou 5 que à mesma hora lá foram fazendo o mesmo – gotas -, regressámos ao especialista. Sentámos a menina na cadeira mágica, e tudo estava óptimo – “só precisa de regressar aos 10 anos”. Ao lado, as restantes meninas e meninos iam saindo com ar de quem também só precisava de regressar aos 10.

Terminada a manhã de sábado na unidade privada de saúde, fui pagar. Munido do meu seguro de saúde “corporate” paguei cerca de 25 euros; ao meu lado, uma outra utente, munida de ADSE, pagou pelo mesmo serviço, menos de 10 euros. Perguntei então à menina da facturação: “e se eu tivesse vindo sem seguro, quanto teria pago?”. Resposta: “230”. Glup! Perante a minha estupefacção, acrescentou a funcionária com um sorriso meio maroto meio cínico: “Só as gotas…”. Ah pois! Et voilà, por isso é que todos os miúdos a levaram. Sorri de volta, e rematei: “a seguradora paga e vocês, pois claro, agradecem”. Silêncio – que novo sorrisinho nem pensar. Ah que ricas gotas!

doze dias depois

“Depois das palavras do líder do Partido Socialista, António Costa, na noite de quinta-feira, a vice-presidente da bancada parlamentar socialista reforçou, nesta sexta-feira, a mensagem e de forma mais direta: se o Partido Socialista for eleito nas legislativas de 2015, os salários dos funcionários públicos vão mesmo ser repostos, por inteiro, em 2016. “A reposição integral dos salários é mesmo para 2016 e a previsão, com maior convicção, que podemos fazer neste debate é a de que o próximo Orçamento do Estado para 2016 não será feito por este Governo”, afirmou a deputada socialista Ana Catarina Mendes.” (via Observador 31/10/2014).

….mas eis que…apenas 12 (doze) dias depois….

“O presidente da Câmara de Lisboa e futuro líder do PS, António Costa, não definiu uma data para a reposição dos salários dos funcionários públicos. Apesar de ter manifestado já por mais de uma vez essa intenção, na entrevista concedida esta quarta-feira à RTP, António Costa apenas disse que, caso venha a liderar o próximo Governo, o fará “tão cedo quanto possível”. (…) Questionado sobre o momento em que faria a reposição dos salários, o mais longe que foi António Costa foi dizer que seria “desejável que fosse imediato” (via Público 12/11/2014).

Independentemente do juízo que possamos fazer da reposição ou não de salários, este arranque do PS versão António Costa está bonito está…!

Afinal, em que é que ficamos? Faz-se logo no dia a seguir à formatura do Governo? Em 2016? 2017? 2038? Quando, como e onde?

de alto quilate

Tem passado na RTP-Informação um programa fantástico chamado “Barca do Inferno”. Nele, digladiam-se semanalmente Manuela Moura Guedes, Isabel Moreira, Sofia Vala Rocha e Raquel Varela. Autênticas pérolas têm sido exibidas neste programa! Da edição de ontem, transcrevo em baixo, ipsis verbis, a seguinte passagem (ao minuto 11:30):

Raquel Varela: “(…) a única forma de sustentar a segurança social é reduzir o horário de trabalho sem redução salarial. Não há outra forma, e a segurança social vai colapsar se não há rapidamente uma redução do horário de trabalho, para que toda a gente trabalhe, se ponha fim ao desemprego, e toda a gente desconte. obviamente.”

Perplexa, Manuela Moura Guedes intervém: “e como é que as empresas aguentam?”

Ao que riposta Raquel Varela, sem perder a compostura: “Há muitas empresas que se calhar….uhhh…uma empresa que paga o salário mínimo e que não pode pagar mais do que isso, o que significa que os seus trabalhadores não conseguem chegar ao fim do mês e se alimentar, não tem condições para ser uma empresa. Não tem que se aguentar. Ou seja, não tem mesmo que se aguentar.”

Enfim, como eu disse, há pérolas naquele programa…! E boa parte é investigação de alto quilate financiada com o dinheiro dos contribuintes. Urra!

O programa de ontem está disponível na íntegra aqui.

o manifesto era datado!

“(…) é legítimo perguntar qual a margem de manobra para o PS cumprir as promessas que anda a fazer (o raciocínio vale também para PSD e CDS). A resposta é simples: não é nenhuma. (…) A prova de que assim é deu-a Ferro Rodrigues ontem, em entrevista a Maria Flor Pedroso, na Antena Um. Questionado sobre se assinaria agora o manifesto que pede a reestruturação da dívida, Ferro Rodrigues tentou contornar o assunto, dizendo que o manifesto era ‘datado’. Mas acabaria por admitir que não o faria. O que mudou entre o momento em que assinou o manifesto e agora? Não foi a ‘data'; foi o facto de o PS estar à beira de chegar ao poder.”, Camilo Lourenço, hoje no Jornal de Negócios.

o erro

“Regresso hoje ao mesmo tema que aqui me ocupou na semana passada: às incorrecções do candidato a primeiro-ministro, Dr. António Costa, a propósito dos fundos comunitários. Faço-o com base no direito de resposta invocado e exercido pelo próprio no dia seguinte à publicação do meu artigo. E faço-o também com base na última edição do programa “Quadratura do círculo” (31/10/2014), no qual o Dr. António Costa reforçou o seu ponto de vista – fazendo-o, na minha opinião, de forma reiteradamente equivocada. Começo pelo direito de resposta, que não foi bem uma resposta; foi antes um exercício do tipo “baralhar para voltar a dar”. Não obstante, nele não se refutou um único facto citado no meu artigo nem se desmentiram as afirmações do próprio que eu havia reproduzido “ipsis verbis”, a partir do programa de televisão onde participa como comentador. Mas mais importante ainda, o candidato voltou a insistir e a persistir na ideia incorrecta de que o QREN era para ter sido executado até Dezembro de 2013 (daqui inferindo, erroneamente, que uma taxa de execução de 79% em Junho de 2014 só poderia ser má e atrasada).”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Poiares Maduro: responde ao direito de resposta de António Costa

“Foi com surpresa que li o direito de resposta do Dr. António Costa a uma coluna de opinião. Aproveita a invocação do direito de resposta para repetir a tese, assente em factos errados, que tem apresentado sobre os fundos europeus.”, hoje no Diário Económico.

Leituras complementares (ordem cronológica): 1) a coluna de opinião; 2) o direito de resposta de AC.

direito de resposta de António Costa

Na sequência do meu artigo de 4ª feira dia 29/10/2014 no Diário Económico, intitulado “Ao arremesso”, cujo conteúdo eu reitero integralmente, transcrevo em baixo “ipsis verbis” o direito de resposta do Dr. António Costa que ontem, dia 30/10/2014, foi publicado na edição impressa (p. 46) do DE.

DIREITO DE RESPOSTA

António Costa, presidente do PS e da Câmara de Lisboa, responde a Ricardo Arroja, economista e colaborador regular do Económico

Levantei três questões:

1. Último relatório de execução publicado em 17 de Setembro revela que estão por executar 4.700 milhões de euros, o que representa uma taxa de execução de 79%. O Governo respondeu que isso se reporta a Junho e que hoje já estão nos 83% e que chegarão aos 87% no final do ano.

Assim:

- confirmam atraso na execução do Qren que devia ter sido executado até Dezembro 2013;

- eu falei de factos oficiais e documentados, eles respondem com previsões;

- mesmo que cumpram o que prevêem ainda ficam por usar 2.700 milhões de euros…

- portanto atrasaram-se na execução e continuarão atrasados;

2. No OE2015 prevêem transferências da UE de 3.100 milhões de euros, o que representa menos 31% do que foi transferido este ano e representa contracção económica de 0,8%.

Responderam dizendo que confundo os fluxos da transferência com execução.

Ora:

- não confundo, comparei duas colunas do quadro da p. 104, ou seja, transferências 2014/2015 (-31%)

- podem executar mais do que a UE vai transferir? Teoricamente, sim. Mas não é crível. Sendo primeiro ano de novo quadro e tendo por isso direito a adiantamentos, o que é muito provável é que executem menos do que o volume de transferências…

- em qualquer caso, mais uma vez, eu falo de factos documentados, o Governo responde com previsões: o que é certo é que vamos receber para o ano menos 31% do que este ano.

3. O regulamento FEDER e o regulamento fundo Coesão permitem, pela primeira vez, financiar programa de reabilitação urbana para melhorar eficiência energética.

É uma grande oportunidade para Portugal. Reabilitação gera milhares de postos de trabalho e reanima toda a fileira industrial de materiais de construção.

Ora, o Governo desperdiça a oportunidade:

- limita-se a prever 200 milhões de euros, reembolsáveis, para reabilitação de edifícios de habitação de privados!!!

- na área metropolitana de Lisboa, por exemplo, só reservam 30 milhões de euros só para habitação social!!!

ao arremesso

“Há dias, no final do programa “Quadratura do Círculo” (23/10/2014), António Costa lançou-se numa ofensiva contra o Governo, mas estatelou-se ao comprido. Em apenas dois minutos, Costa perdeu o estado de graça.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

as nuvens no horizonte

“(..) para além da frente externa, em relação à qual o Governo nada pode fazer, e cuja deterioração conduzirá a renovado debate quanto à integridade da zona euro e da própria UE, há no OE2015 uma imprudência que, esta sim, é atribuível ao Governo: a ideia de que a eficiência fiscal não conhece limite.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

uma ficção

“(…) O OE2015, como vem sendo anunciado, dá para tudo. Este Orçamento nem é carne nem é peixe. Dá para aumentar os impostos, mas também para os diminuir. Dá para reduzir reversões de salários e de pensões, que é dizer que dará para os aumentar. Para poupar mais de 300 milhões de euros em estudos e informática numa altura em que, na Educação e sobretudo na Justiça, faltam precisamente os estudos e a informática. E ainda para outras poupanças esparsas, avaliadas em mais de 600 milhões de euros e cirurgicamente planeadas para o último ano da legislatura, quando após três anos de Governo e de troika tudo isso já deveria ter sido feito.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

a repulsa dos cidadãos

“(…) Ainda na semana passada aqui tinha escrito sobre a necessidade de legitimar a acção política através do exercício directo da democracia, através daquilo a que genericamente chamei de participação. Reforço hoje essa convicção, e na senda do que afirmou Cavaco Silva gostaria de afirmar propostas que concederiam aos cidadãos a participação que hoje lhes é sonegada pelo monopólio dos partidos sobre a política. A mais importante destas propostas consistiria naturalmente em garantir que os eleitores passariam a eleger em primeiro lugar pessoas, e não partidos.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

ainda as primárias do PS…

“(…) no momento da despedida, o elogio de Seguro ao modelo eleitoral que acabara de o esmagar foi o melhor exemplo da auto-destruição que ele próprio foi semeando nos três anos que durou a sua fraca (e frágil) oposição ao Governo. O lugar é agora de António Costa, que prevaleceu na noite das facas longas do PS, culminando um período que mostrou o pior dos partidos políticos – o oportunismo e o tacticismo.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Asas à imaginação

“(…) No essencial, a dita alternativa [à venda rápida do NB] teria de passar por um novo empréstimo ao Fundo de Resolução (FR), este de longo prazo e convertível em capital, concedido pelos bancos contribuintes. Os intentos desta proposta seriam a) evitar a venda à pressa do NB; b) reduzir o custo efectivo da operação do FR; c) permitir aos bancos o acompanhamento do FR, mediante um órgão de obrigacionistas, e; d) reembolsar de imediato o Tesouro, afastando de cena a dívida pública”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

a borboleta

“(…) a solução que provavelmente acomodaria melhor os interesses de todos – clientes e colaboradores do NB, concorrentes, reguladores, Governo, Estado e contribuintes – passaria pelo reembolso rápido do empréstimo realizado pelo Tesouro ao Fundo de Resolução (FR) através de um outro empréstimo, este de longo prazo e convertível em capital, concedido pelos bancos que constituem o FR ao NB.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

falta munição

“(…) O discurso de Draghi, que conteve também muitas referências à necessidade de reformas estruturais na Europa, foi rapidamente descontextualizado e apresentado por muitos como um convite generalizado à expansão orçamental no seio da zona euro. A austeridade acabou – ditaram alguns, precipitadamente. Na realidade, tratou-se sobretudo de um clamor por mais federalismo na Europa – essa utopia. Não obstante, as palavras do presidente do Banco Central Europeu constituíram de facto uma mudança de postura. Draghi, que outrora terá convencido os alemães de que era mais alemão do que os próprios alemães, revelou agora que afinal…é italiano.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

O Ocidente e a Ucrânia (revisited)

Quatro meses depois de aqui ter escrito pela primeira vez sobre este tema, e recordando os desenvolvimentos do conflito desde então (e.g., invasão do leste ucraniano por forças armadas pela Rússia, grupos rebeldes armados pela Rússia, um avião civil deitado abaixo por mísseis russos, etc.), estou ainda mais convicto da razão do que em Abril escrevi: a situação evolui de mal a pior, e a Rússia vai-se entrincheirando cada vez mais do lado errado da contenda. Mas ainda assim avançando, avançando. E as imagens de ontem mostrando ao mundo o cínico cumprimento de Putin a Poroshenko (nota: nesta fotografia, há que observar a forma como cada um dos dois se olha…admiro a forma como Poroshenko se conteve), ao qual se seguiu (hoje) novo avanço russo em território ucraniano, revela que qualquer aparente trégua não deverá sair do papel. Assim, a NATO tem de pôr fim a isto, e já devia tê-lo feito, significando isso “boots on the ground” no leste ucraniano. Significa pôr uma coluna militar da NATO no terreno e dizer a Putin: daqui não passas “no matter what”. É simples: há alturas em que a melhor defesa é o ataque. A Rússia tem-no feito com mestria. Mas agora é a vez do Ocidente, porque chega-se a uma altura em que, mais do que fazer o que se pode fazer, há sim que fazer o que tem de ser feito. E por favor, não me venham com a habitual treta do maniqueísmo…as coisas neste conflito são tão evidentes que só não vê quem não quiser ver.

read my lips: no new taxes!

A famosa expressão, cunhada nos idos anos 80 por George Bush (sénior) pouco tempo antes de ter aumentado os impostos, é já recorrente no panorama político português. Todos o têm feito – e com isso contribuído para alienar o eleitorado.

Nos últimos dias temos visto e ouvido mais do mesmo, com o PM a afirmar peremptoriamente que não haverá lugar a novos impostos este ano. A parte do “este ano” é a parte relevante do discurso do PM, pois no próximo ano já sabemos que vamos levar (pelo menos) com os chamados impostos verdes. Sem esquecer outros impostos como aquele que ainda há dias foi aprovado, a taxa referente à lei da cópia privada, à qual poderão adicionar-se muitas taxas e taxinhas do tipo “sal e açúcar”. É apenas uma questão de criatividade do executivo.

Isto dito, e na sequência da execução orçamental ontem divulgada, surpreende-me a complacência da generalidade dos comentadores quanto ao que os números vão demonstrando: a meta do défice para este ano não será alcançada. E o problema é somente um: uma derrapagem generalizada em todas as principais rubricas da despesa corrente (pessoal, aquisições de bens e serviços, transferências correntes, juros, e subsídios). A despesa corrente cresce 4%, quando o OE2014 prevê uma contracção de 4% no final do ano. Quanto às receitas correntes, é certo que o crescimento acumulado até Julho é superior ao previsto no OE2014 (+2.7% vs +0.1%), e que está fortemente alicerçado no crescimento da cobrança fiscal (designadamente IRS e IVA). Porém, com o abrandamento que se começa a sentir na recuperação económica, francamente débil e sentida apenas ao de leve no primeiro semestre do ano, a taxa de variação da cobrança fiscal poderá muito bem já ter atingido o seu zénite em 2013…assumindo que não há mais impostos este ano. Os riscos são efectivos, e assim não há folga que resista. As contas são na verdade cada vez mais de sumir, não de somar. Quanto aos 2,5% (ainda) projectados para 2015, tenho apenas um comentário: não é para levar a sério.

Uma última nota para falar dos reembolsos de IRS, a propósito dos quais vislumbro um maior escrutínio por parte das análises que li esta manhã. De facto, não é normal que os reembolsos de IRS e IRC tenham aumentado em 20% e 32%, respectivamente. É sinal de que o Estado se anda a financiar a custo zero com o dinheiro dos contribuintes, e mais ainda que estes mesmos contribuintes não geram rendimento suficiente a fim de acomodar as taxas de tributação directa que hoje temos em Portugal. Desta forma, perante este esbulho fiscal (para o qual as “elites” de Lisboa e arredores não têm a menor sensibilidade, porque vivem numa realidade paralela, são uma casta distinta por assim dizer…) o País segue a sua vida, mas apenas sobrevivendo, e fazendo-o sem grande esperança num futuro significativamente melhor…

o pântano

“Já foi conhecida a execução orçamental do primeiro semestre deste ano, e os dados não deixaram grande margem para dúvida: com elevada probabilidade, a meta do défice para 2014 não será atingida – pelo menos, não sem novas medidas extraordinárias. A história repete-se, e o problema é o mesmo de sempre: a despesa pública cresce quando deveria estar a diminuir.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

a procrastinação

“(…) Em Portugal, de acordo com informação do INE, existem apenas cerca de 1000 grandes empresas. Estas sociedades de grande dimensão representam 0,3% do número total de sociedades. Mas ao mesmo tempo, representam também quase 30% da empregabilidade do País e, mais ainda, cerca de 40% do volume de negócios e do valor acrescentado bruto no universo das sociedades não financeiras. Por outras palavras: o País depende fortemente deste reduzidíssimo grupo de empresas.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

levar por tabela

“(…) regressando ao FAM (Fundo de Apoio Municipal), este ainda nem sequer saiu do papel, e já parece estar comprometido – a avaliar pela contestação dos municípios à sua quota (inicialmente estipulada em 70%, mas revista agora para 50%), e também em face da actuação titubeante do senhor secretário de Estado da Administração Local que acompanha o assunto. Evidentemente, o FAM é apenas mais uma peça mal engendrada no contexto de um sistema de finanças públicas que durante décadas permitiu todo o tipo de abusos e tropelias. E, portanto, é sobre o financiamento de base da administração local que o Governo deveria pensar a sério, fazendo-o com o devido peso político.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.