O Ocidente e a Ucrânia

Nas últimas semanas, tenho vindo a acompanhar o agravamento da tensão na Ucrânia com crescente preocupação. Trata-se de um conflito que na minha opinião tem sido desvalorizado pela opinião pública internacional, e que poderá evoluir para uma situação dramática a qualquer momento.

Há algum tempo que andava a pensar escrever este post, mas hoje, depois de ouvir a entrevista que Putin concedeu à televisão russa, decidi que o post não podia esperar mais. Tenho para mim que todas as guerras, independentemente das tropelias que sempre são cometidas de parte a parte – daí o velho ditado “quem vai à guerra dá e leva” -, têm sempre de um lado aqueles que moralmente têm razão e do outro aqueles que moralmente não a têm. Além disso, tenho também como convicção que nenhuma guerra deve ser desencadeada de forma preventiva; apenas deve ser movida como resposta a uma agressão explícita. Foi por estas razões que no passado apoiei a intervenção da NATO na Sérvia, e também por essas razões que sempre me opus à 2ª invasão do Iraque.

Ora, neste conflito entre a Ucrânia e a Rússia temos de um lado a Ucrânia, um país onde a população forçou à deposição de um regime corrupto, conduzindo à nomeação parlamentar de um Governo de transição com vista a eleições democráticas perfeitamente datadas, e datadas em tempo útil. E temos do outro lado a Rússia que, não tendo gostado da queda do tal regime corrupto, e sob o mesmo tipo de discurso que outrora ouvimos de um sujeito chamado Adolf Hitler, decidiu invadir as fronteiras internacionalmente reconhecidas do seu vizinho, anexando parte desse mesmo território. Assim, não existem para mim quaisquer dúvidas acerca de quem tem a vantagem moral neste conflito, e de quem partiu a agressão.

A Guerra Fria está de volta, e a Rússia está de novo no lado errado da contenda. Mais: Vladimir Putin é um grandessíssimo pulha, e a Europa está ela própria a cometer os mesmos erros do passado. Angela Merkel faz agora de Neville Chamberlain. Quanto a Obama, não obstante a retórica inicial, e umas pequenas medidas dissuasoras contra o regime de Moscovo, também não foi capaz de conter o avanço russo. O Ocidente falhou rotundamente. A sua atitude complacente e permissiva, permitindo que Putin anexasse a Crimeia num fechar de olhos, foi um enorme erro.

Bem sei que ninguém deseja um conflito militar com a Rússia. Mas atendendo à natureza revivalista da liderança do homem forte de Moscovo, mais cedo ou mais tarde será necessário por travões a Putin. E quanto mais tarde isso acontecer, tanto pior será. Galvanizado, parece evidente que Putin continuará a desestabilizar a Ucrânia. Assim, a melhor resposta, a fim de evitar males maiores, seria colocar de imediato as tropas da NATO no terreno, isto é, no leste ucraniano, salvaguardando a integridade territorial da Ucrânia, e impondo essa fronteira a Putin. A ideia é simples: à agressão não se responde com palavras; responde-se com actos, e se necessário com beligerância também. É para isso que existem exércitos: para travar os pulhas deste mundo, que não são travados pelas palavras, e com isso evitar guerras maiores. Tenho dito.

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Pompa e circunstância

“(…) os partidos políticos não estão hoje minimamente sensibilizados para a necessidade de se constituírem como elementos construtivos do debate de ideias. Não há governos sombra; há, sim, sombras dos governos. O oportunismo partidário é o denominador comum, e em relação aos fazedores de opinião, os cabeças de cartaz continuam a ser ex-políticos, frequentemente mais preocupados em fazer propaganda do que opinião.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

ontem, algures no Grande Porto, vendo a bola…

…quatro amigos de toda la vida sofreram com a derrota do seu Porto. Mas importantes postulados se estabeleceram durante o convívio, designadamente:

1) Foi preferível que o Porto tivesse exibido a qualidade que não tem, pois agora a estrutura dirigente está obrigada a mudar substancialmente de estratégia (uma vitória na Taça UEFA disfarçaria muita coisa que precisa de mudar).

2) Apesar da má época, há que relativizar e afirmar que também não tem sido assim tão mau: o Porto está na verdade a fazer uma época à Sporting.

3) Por falar em Sporting, é inacreditável que o Adrien Silva não seja convocado pelo Paulo Bento.

4) Por falar em Paulo Bento, este seleccionador é talvez ainda mais teimoso que o Scolari, e mais rapidamente convocará o Nani do que o Quaresma para a Selecção.

5) Por falar em Selecção, o Raúl Meireles, pelo seu visual, e porque também não aguenta um jogo inteiro, não deveria ser convocado.

6) Regressando ao Quaresma, ainda que muitos furos abaixo do que exibiu há uns anos no Porto de outrora, e não obstante toda a inconsistência que o caracteriza, é um autêntico fora-de-série no Porto de hoje. Deveria ir ao Mundial.

7) Estamos lixados se o Cristiano Ronaldo não for ao Mundial. Na realidade, neste momento só temos 3 jogadores de craveira mundial: CR7, Moutinho, e Pepe.

8) O Jorge Jesus vai manter-se no Benfica até ao final do seu milionário contrato (ndr: e de acordo com a imprensa de hoje assim será mesmo).

o salário mínimo

“(…) o salário mínimo nacional, em termos absolutos, é mesmo uma lástima – que não restem dúvidas quanto a isso. Porém, em termos relativos, representando 58% do salário mediano praticado em Portugal, encontra-se acima da média da OCDE (onde o valor correspondente é de 48%). O problema está pois na remuneração mediana, e não na mínima. Mais: o problema está na reduzida produtividade do trabalho em Portugal”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

A Velha Aliança

Há dias, estive em Londres para fazer uma palestra sobre o “Pós-troika Portugal”. A sessão decorreu muito bem, e no final o Q&A foi especialmente interessante.

Quais são então as minhas principais observações? Primeiro, que continua a existir uma relação especial entre o Reino Unido e Portugal – a Velha Aliança continua bem viva, e traduz-se nas ligações familiares e patrimoniais que muitos mantêm, e fazem questão de manter, em Portugal. Segundo, que os Britânicos têm boa impressão dos Portugueses, e que a nova geração de Portugueses que para lá tem emigrado recentemente muito tem consolidado e reforçado essa imagem local. Terceiro, e é aqui que está o ponto negativo, os Britânicos, tendo boa impressão dos Portugueses, têm péssima impressão das nossas instituições. Neste domínio, a morosidade da nossa administração pública (da burocracia em geral, e da Justiça em particular) é a imagem de marca que infelizmente o nosso País continua a projectar…infelizmente, mas com toda a propriedade.

a coesão social

“(…) A despesa com prestações sociais no nosso País representa hoje cerca de 23% do PIB. Ou seja, é metade da despesa pública, sendo que aquela que se refere ao pagamento de pensões representa mais de 60% do total dispendido com prestações sociais. Comparando com a restante zona euro, estamos em linha com os valores médios em percentagem do produto, embora bem acima do nível médio que o nosso PIB per capita permite pagar. E de facto é isso mesmo que sucede, a avaliar pelo reduzido nível das contribuições sociais, que deveriam financiar tudo aquilo, e que no caso português não excedem os 12% do PIB – bem abaixo dos 16% em média observados na zona euro. Temos, portanto, um financiamento deficitário da Segurança Social, que resulta em primeiro lugar de um gasto excessivo face aos nossos rendimentos, e que tem sido suprimido através da contracção de dívida futura – a tal “receita não efectiva”, esse peculiar conceito.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

recuperando o DEO do ano passado

Ontem participei num debate no qual, a certa altura, se questionaram as afirmações daqueles que têm vindo a afirmar que “não há mais cortes”. Pois bem, sabendo que estamos a poucas semanas de conhecer o novo Documento de Estratégia Orçamental para o período de 2014-2018, importa portanto recuperar o DEO do ano passado alusivo ao período 2013-2017. Aqui seguem as estimativas apresentadas então para a evolução a médio prazo da despesa pública (quadro 2: “perspectivas orçamentais das administrações públicas”).

* Despesa total: 46,2% do PIB em 2014, e 41,9% em 2017.

* Com pessoal: 9,9% vs 8,4%.

* Consumos intermédios: 4,4% vs 3,9%

* Prestações sociais: 22,7% vs 21,3%

* Juros: 4,4% vs 4,4%

* Subsídios: 0,5% vs 0,5%

* Formação bruta de capital fixo: 1,8% vs 1,5%

* Transferências de capital: 0,2% vs 0,1%

* Outras despesas: 2,3% vs 1,8%.

a desvinculação parcial (2)

“Sete economistas, entre os quais o português João Ferreira do Amaral, o alemão Hans- Olaf Henkel e o francês Jean-Pierre Vesperini, juntaram-se para defender o desmantelamento da Zona Euro. Argumentam que o primeiro passo deve ser dado pela Alemanha e pela França e admitem que o euro se possa manter para os demais países. (…) Esta tese é defendida num texto conjunto publicado no “Project Syndicate”, um dos sites mais conceituados de opinião, por sete economistas europeus, entre os quais estão o português João Ferreira do Amaral, o alemão Hans-Olaf Henkel e o francês Jean-Pierre Vesperini. “Os outros países membros teriam de decidir se querem manter o euro na sua forma amputada ou regressar às suas moedas nacionais, possivelmente atreladas ao marco ou ao franco. Independentemente da sua decisão , a competitividade dos preços das economias mais fracas da Zona Euro iria melhorar consideravelmente”, antecipam.” (via Negócios online).

a desvinculação gradual

“todos concordam que se Portugal se desvinculasse abruptamente da moeda única o novo escudo desvalorizaria face ao euro. Este é o primeiro de três axiomas da discussão. O segundo é que a dívida pública, denominada na moeda de curso legal da República Portuguesa – que hoje é o euro -, seria redenominada em novos escudos. E o terceiro é que a banca nacional entraria de imediato em colapso. (…) Há, no entanto, um caminho intermédio que pode ser pensado, e que consiste numa desvinculação gradual de Portugal do euro. Neste cenário, o País manteria o euro, porém, fá-lo-ia admitindo em simultâneo uma nova moeda de curso legal em Portugal.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

O tiro no porta-aviões (2)

Há dias, publiquei no Diário Económico um artigo com o título de “O tiro no porta-aviões”, que teve como mote uma (boa) entrevista de João Ferreira, o cabeça de lista do PCP às europeias, ao Expresso. Nessa entrevista, o eurodeputado havia deixado uma série de posições contundentes, designadamente a saída de Portugal do euro, e assim, resolvi no meu artigo levantar um conjunto de questões na esperança de que João Ferreira pudesse aprofundar o que antes, explicitamente, havia defendido.

Ora, o eurodeputado publica na edição de hoje do Diário Económico um artigo chamado “Para lá do euro”, que parece ser uma primeira resposta ao desafio. Saúdo pois o seu autor, porque é assim que se faz o debate de ideias, a bem do esclarecimento da opinião pública. Noto, porém, que nas questões que eu, muito concretamente, enderecei ao PCP permanece o vazio de uma (não) resposta. João Ferreira terá pois de fazer mais, muito mais, a fim de esclarecer todos aqueles (nos quais eu me incluo) que têm interesse, e abertura de espírito, em ouvir o argumento “para lá do euro”.

O eurodeputado não deve portanto ficar-se pela rama, como parece ser o caso do seu texto de hoje no Diário Económico, que termina no seguinte refúgio “A saída do euro (…) exige na sua concretização assegurar condições e medidas que preparem tal mudança. E ninguém pode recusar tal debate”. Com certeza, meu caro João Ferreira, não podia estar mais de acordo. Foi por isso que escrevi sobre o assunto, colocando questões muito concretas, e foi por isso que o quis trazer à colação. Os dados estão lançados. Agora força, faça-se ao debate, e concretize as suas ideias.

o tiro no porta-aviões

“Há duas semanas, a propósito das europeias, aqui destaquei que entre todos os partidos portugueses era no PCP que eu depositava alguma esperança, como lebre do debate acerca do edifício institucional da zona euro, e em particular acerca da permanência de Portugal na moeda única a médio prazo. Pois bem, o repto parece ter sido acolhido, e a avaliar por uma excelente entrevista concedida por João Ferreira, o cabeça de lista do PCP, ao Expresso do passado final de semana, concluo que temos lebre!”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

dívidas privadas

“(…) De acordo com o Banco de Portugal, entre o final de 2011 e de 2013 o crédito bancário concedido a sociedades não financeiras diminuiu em 15 mil milhões de euros (13% do total), porém, a dívida acumulada das empresas privadas foi reduzida em apenas três mil milhões (1% do total). Mais: a estrutura de financiamento dessas sociedades, nomeadamente o peso relativo do passivo financeiro em percentagem do activo, também não mudou; na realidade, agravou-se residualmente. O que fazer então com estas dívidas empresariais que hoje representam 185% do PIB?”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

europeias

“Numa altura em que já são conhecidos os diversos cabeças de lista às eleições europeias, e faltando apenas uma avaliação da troika para que formalmente o programa de resgate seja finalizado, é altura da política com “P” maiúsculo. Trata-se de um desafio improvável, atendendo à pequena política que há muito domina os partidos, mas o repto tem de ser lançado.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

desejável

“Na semana passada, o presidente executivo do Santander Totta, António Vieira Monteiro, afirmava em entrevista ao jornal da concorrência que “era desejável maior consolidação entre os cinco grandes bancos”. Nessa mesma entrevista, Vieira Monteiro afirmava ainda que “se há sector mais concorrencial é o bancário”, não obstante também reconhecer que “cinco bancos em Portugal representam 80% do mercado”. Ora, o presidente executivo do Santander Totta merece-me toda a consideração profissional; o seu currículo na banca, onde é um dos nossos principais embaixadores, fala por si. Mas a contradição das suas palavras é evidente.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

toca piano

“Já tinha participado em missões deste tipo noutros países? Contribuí no BCE para o trabalho de missões noutros países, mas nunca tinha participado nas visitas aos próprios países. Fez algum estudo sobre Portugal ou outros países periféricos da zona euro? Não, não especificamente sobre Portugal ou sobre outros periféricos em particular. Há quanto tempo se começou a preparar para assumir a liderança da missão do BCE para Portugal? Quanto à preparação, considero que toda a minha experiência profissional até à data, mas também os meus estudos me vão ajudar no desempenho das minhas funções actuais.”, entrevista a Isabel Vansteenkiste, a nova chefe de missão do BCE na troika (no Diário Económico).

A “troika” que hoje em dia aterra na Portela pouco tem a ver com a “troika” que aterrava logo depois do pedido de resgate. Pelo FMI, o blue eyes dinamarquês foi substituído pelo etíope, e o etíope pelo indiano. Pela CE, o alemão de 61 anos reformou-se antecipadamente, e foi substituído não sei por quem. E pelo BCE, o calvo gigante – que nas peças de telejornal, irritantemente, aparecia sempre no encalço de um pigmeu português -, deu a vez à jovem belga Isabel.

Ponto prévio quanto às alterações: nada tenho contra a renovação da equipa da troika. Porém, as sucessivas alterações - e no que toca ao FMI, sucessivamente para pior – não credibilizam a troika. Pior do que isso, revelam alguma desconsideração por Portugal e pelos portugueses. No caso da jovem Isabel, cuja juventude até poderia ser um ponto forte fosse o caso de ela ter um CV para além dos gabinetes de estudo, e da imberbe (mas cada vez mais habitual) sequência licenciatura-mestrado-doutoramento- sem-qualquer-experiência-de-campo, nem sequer qualquer experiência sobre Portugal excepto um ou outro “city break” em Lisboa (“falo alguma coisa de português”…), revela também uma invulgar insensatez que não se esperaria ao mais alto nível da burocracia europeia.

Enfim, uma coisa é ter ao leme tecnocratas experientes e batidos, como Vítor Gaspar ou o tal calvo gigante. Outra coisa é ter a jovem menina Vansteenkiste.

muito dinamite, pouco rastilho

“Dos 607 trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), apenas 11 não aderiram ao plano de rescisões proposto pela administração da empresa” (via Negócios online).

Confirma-se o que sempre me pareceu: no final, os principais beneficiados da solução encontrada para os ENVC acabariam mesmo por ser os trabalhadores. Não só beneficiaram de indemnizações que, dada a falência técnica da empresa, jamais seriam possíveis de atribuir caso a empresa tivesse ido ao charco tout court, como também terão agora a possibilidade de serem reintegrados mantendo a tal indemnização. Melhor do que isto não poderia ser.

Enfim, independentemente de continuar convencido que o processo da sub-concessão não foi gerido da melhor forma, parece-me evidente que depois de tanto barulho por parte dos sindicatos, e dos políticos locais, quem levou a melhor foi mesmo o Governo. Como diriam os americanos: “Money talks, bullshit walks”. Agora, resta saber se este modelo será replicado noutras empresas públicas, como por exemplo a CP ou outras que tais, historicamente problemáticas e também tecnicamente falidas, em relação às quais há até gente que defende soluções ainda mais radicais…

a central que se ponha a pau!

“O deputado do PCP Miguel Tiago acusou, na sua página do Facebook, a União Geral de Trabalhadores (UGT) de roubar  trabalhadores. A  central sindical reagiu e fez queixa à comissão parlamentar de Ética, Cidadania e Comunicação, sabe o CM. Em causa  o ‘post’ de 25 de janeiro do comunista: “A UGT será sempre impulsionada por aqueles a quem serve. Mas pode ainda assim levar um rombo forte se os trabalhadores que são roubados perceberem que um dos cúmplices do roubo é a própria ‘central’”.” (via Correio da Manhã)

Este camarada é uma peça…!

em negação

“Dêem-se as voltas que se derem, a verdade é que os números divulgados há dias, que indicaram um crescimento homólogo de 1,6% no quarto trimestre de 2013, foram muito bons, pelo que não devem ser escamoteados. Portugal teve novamente honras de primeira página no Financial Times, e ao contrário de tantas outras ocasiões, desta vez foi mesmo por bons motivos.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

quotas

“No passado domingo, a Suíça referendou a política de cooperação com a UE em matéria de liberdade de circulação de pessoas, e com alguma surpresa ganhou a posição favorável à reintrodução de quotas contra essa mesma liberdade fundamental. (…) A verdade é que esta votação beneficiou de uma dupla maioria – uma maioria de votos, e outra de cantões -, o mecanismo encontrado pelo sistema suíço para proteger as minorias da ditadura das maiorias. E assim torna-se difícil sustentar a simples tese do populismo, atendendo ainda à também elevada participação dos eleitores no dito referendo.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

one shot, one off, one qualquer coisa

“Dias depois de terem sido conhecidos os resultados surpreendentemente favoráveis da execução orçamental de 2013, cujo sucesso se deveu ao enorme crescimento das receitas fiscais, é possível que exista ainda espaço para mais um imposto! Pelo menos é essa a mensagem que se retira da recente proposta do Bundesbank, o poderoso banco central alemão, de introduzir uma tributação pontual (‘one shot’) sobre a riqueza privada de países com dívida excessiva.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

“(…) o Bundesbank diz que tem de ser uma acção “one-off”, tomada em circunstâncias extremas. Mas quem garante o que são essas condições…e que elas são irrepetíveis? O mais certo é esse imposto despoletar uma monumental fuga de capitais, seja qual for a explicação dadas pelas autoridades. Com consequências imprevisíveis para a estabilidade do sistema financeiro do país e para o investimento estrangeiro.”, no artigo do Camilo Lourenço hoje no Jornal de Negócios.

má despesa pública

“(…) recomendo fortemente a leitura do livro “Má despesa pública nas autarquias” (Aletheia editores, 2013), de Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques. Nele se dá conta, com recurso a fontes públicas como o portal BASE, dos abusos e tropelias que se vão fazendo na administração local e regional. São relatos, e mais relatos, de situações inacreditáveis, algumas reveladoras de puro delírio e ingenuidade, outras de aparente corrupção e crime, e que no fundo dão que pensar.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

factores de produtividade estagnados

“(…) On Tuesday, the Conference Board, a think-tank, produced its annual assessment of global productivity, showing that in 2013 total factor productivity, its broadest definition, declined for the first time in decades, indicating that the world made no improvement in the way it used and allocated labour and capital resources last year. (…) In emerging economies, while the productivity trends are still significantly better than in the 1970′s and 1980′s, the worrying signs are that sustained spending on capital goods is not producing the same improvement in efficiency as 10 years ago, suggesting capital is not being allocated to the best possible áreas. The Conference Board estimated that total factor productivity stalled last year in China and declined in India”, no Financial Times de hoje (página 3).

France: the sick man in Europe

“The world’s factories roared into life towards the end of 2013 as manufacturing activity delivered its fastest growth in almost three years, fuelling hopes that the global recovery will accelerate this year. Polls of factories from Asia, to Europe and the US revelaed strong growth in activity and employment in December (…) One blip was France, where the PMI fell to a seven-month low of 47″, na capa do FT de hoje.

“O Conselho Constitucional francês deu luz verde para a criação de um imposto que juntamente com as contribuições sociais taxará em 75% os salários anuais superiores a um milhão de euros (…) Um sistema que tolere a taxação de rendimentos lícitos (sejam eles de que dimensão forem) em 75% é tudo menos democrático, livre ou enquadrado nos princípios inscritos nos tratados que pretenderam fazer da Europa um espaço de prosperidade económica”, Francisco Proença de Carvalho no Diário Económico de hoje.

uma farsa política

“Na Grécia há 350 mil lares sem luz porque os seus habitantes não têm dinheiro para a pagar. (…) É esta Grécia que ocupa, desde 1 de Janeiro, a presidência da União Europeia.. A farsa substitui-se a todas as lições da História. Um país sob resgate, sem grande parte da sua autonomia política, económica ou financeira, à mercê dos credores, passa a liderar politicamente uma Europa sem outra estratégia que não seja defender o euro e prosseguir a austeridade cega. Ou seja, a Grécia é presidente, mas não é. A presidência é um poder formal, fictício, para polir o ego de quem ocupa o lugar.”, Fernando Sobral, hoje no Jornal de Negócios (contracapa).

Nó górdio

“(…) Portugal pode e deve ser uma rampa de lançamento para a Europa, e naturalmente também para o espaço da lusofonia. Temos empresas líderes em variadíssimos sectores de actividade. Empresas que seriam excelentes em qualquer zona do globo. E temos uma classe empresarial que cada vez mais vai percebendo que o mundo é o seu mercado natural, e que para chegar a esse mercado global há compromissos e alianças estratégicas a fazer.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.