O padrão José Manuel Pureza de “serviço público de televisão”

Via Câmara Corporativa, fico a saber que, aparentemente, para o Bloco de Esquerda e para uma parte (?) do PS, o indisfarçável entusiasmo generalizado dos jornalistas da RTP com a vitória do Syriza não foi, ainda assim, suficiente para atingir o patamar exigido ao “serviço público”.

Mais uma razão para lamentar que este Governo não tenha tido a coragem e a determinação necessárias para privatizar a RTP.

Tsipras, Putin e a Rússia

Putin congratulates Tsipras

Russian President Vladimir Putin congratulated Alexis Tsipras for the latter’s decisive victory and expressed certainty that Greece and Russia would continue to develop the traditionally close ties that bind them in an effort to constructively find solutions to current European and international problems.

Tsipras blasts EU’s Ukraine policy in Moscow (13 de Maio de 2014)

Syriza leader Alexis Tsipras lambasted western policy on Ukraine and expressed support for separatist referendums in the Ukraine during an official visit to Moscow, upon the invitation of the Russian government.

Intervenção da PSP durante homenagem a Sócrates

Felizmente, tudo acabou sem problemas de maior: PSP impede agressões durante homenagem a Sócrates

Os ânimos estiveram exaltados e obrigaram mesmo à intervenção da PSP, que impediu agressões entre um humorista e apoiantes de Sócrates.

Dias interessantes na Grécia (3)

Festa? Falemos antes dos dias difíceis do Syriza. Por José Manuel Fernandes.

Na sequência do resultado eleitoral, o Financial Times interrogava-se sobre se Tsipras se vai revelar um demagogo, estilo Hugo Chavez, ou um realista, na linha de um Lula da Silva. Na verdade Tsipras não tem a margem de manobra de nenhum desses líderes – não tem petróleo, não tem moeda e não vai dirigir um país com tantos pobres e iletrados como a Venezuela ou o Brasil. As escolhas de Tsipras não só são mais estreitas como terão de ser imediatas. E são escolhas que têm a ver com dinheiro, muito dinheiro: o que já falta à Grécia para cumprir as obrigações de 2015 e o que o Syriza precisaria para por em prática as suas promessas eleitorais.

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Lisbon MBA – 36º no ranking global FT e único MBA português no Top 100

Sem deixar de recordar que convém não sobrevalorizar este tipo de rankings, é de assinalar mais um resultado notável num país onde infelizmente são muito poucas as excepções à mediocridade vigente no sistema de ensino superior. Neste caso, o crescente reconhecimento internacional desta iniciativa conjunta da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica (em Lisboa) e da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa mostra também que é possível ser bem sucedido na cooperação inter-institucional sem colocar em causa a identidade própria e a matriz de valores próprios de cada uma das instituições envolvidas: The Lisbon MBA sobe 16 posições no ‘ranking’ da Financial Times. É o 13º melhor da Europa

O português The Lisbon MBA Internacional subiu 16 posições no ranking do Financial Times e é agora o 36º melhor do mundo e o 13º melhor da Europa. Iniciativa conjunta de duas universidades portuguesas – da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica (Católica-Lisbon School of Business and Economics) e da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (Nova School of Business and Economics) – em parceria com o norte-americano MIT Sloan School of Management é o único MBA português a fazer parte dos 100 melhores.

(…)

Desde que entrou para o ranking do Financial Times, em 2013, o MBA português subiu 25 posições. Na Europa, está à frente de nomes como a Warwick Business School ou a Cass Business School, da City University, no Reino Unido, e em comparação com a listagem de 2014, subiu quatro lugares.

“oportunismo pouco recomendável”

Grécia (2) Por Vital Moreira.

A tentativa de todas as esquerdas em Portugal para cavalgarem a vitória da esquerda radical na Grécia, incluindo partidos que pouco têm a ver com o Syriza, como o PS e o PCP, releva de um oportunismo pouco recomendável.

O Syriza, a Frente Nacional e o futuro da Europa

Depois do Syriza, a Frente Nacional. Por Rui Ramos.

Estarão a esquerda radical e a direita nacionalista disponíveis para respeitar o pluralismo político e admitir a alternância governativa, que, até hoje, foram os fundamentos das democracias europeias? Não serão as suas políticas, fundamentalmente hostis à liberdade de iniciativa ou de circulação, fatais para uma UE até agora concebida, apesar de todas as limitações, como uma via de abertura das sociedades europeias e flexibilização das suas economias? Nesse caso, a página que se virou ontem na Grécia pode mesmo ser a primeira de um livro muito diferente do que aquele que contém a história dos últimos 70 anos.

Leitura complementar: Razões para ter esperança no Syriza.

Dias interessantes na Grécia (2)

As três prioridades do novo ministro das Finanças, o marxista Yanis Varoufakis
Bolsa de Atenas afunda 7%. “O jogo de xadrez com a Europa ainda agora começou”

Merkel e BCE a uma só voz fecham a porta a renegociação da dívida

A Europa reage às eleições gregas. Angela Merkel, FMI e Banco Central Europeu são claros: não há espaço para renegociação da dívida. “A Grécia não pode ter tratamento especial”, diz Lagarde.

Leitura complementar: Razões para ter esperança no Syriza.

Dias interessantes na Grécia

Gregos Independentes: quem é o novo parceiro do Syriza?

Em pouco menos de uma hora, no dia seguinte às eleições, o Syriza chegou a acordo com o partido nacionalista de direita Gregos Independentes, para formar um Governo de coligação – terá uma maioria de 162 deputados (149 + 13), num Parlamento com 300 cadeiras. (…) Em dezembro, Kammenos fazia umas declarações polémicas à televisão grega acusando os judeus que vivem na Grécia de não pagar impostos. O discurso foi encarado como profundamente anti-semita e as comunidades judaicas apressaram-se a exigir pedidos de desculpa oficiais.

“Gregos Independentes” – a boa direita nacionalista? Por Miguel Madeira.

Leitura complementar: Razões para ter esperança no Syriza.

Marine Le Pen congratula-se com vitória do Syriza

Marine Le Pen satisfeira pela “monstruosa bofetada democrática que o povo grego veio dar à União Europeia”
Le Pen deseja vitória do Syriza de Alexis Tsipras na Grécia

Leitura complementar: Razões para ter esperança no Syriza.

O programa do Syriza

Este é o programa do Syriza

Depois da noite de domingo, a Europa vai ter que contar com uma nova proposta política, eleita num Governo da zona euro. Aqui deixamos-lhe uma síntese, primeiro das linhas gerais do programa – e mais abaixo do seu programa económico, desenhado em cinco pilares.

Leitura complementar: Razões para ter esperança no Syriza.

Costa, Seguro e as sondagens

Sondagens: Costa e Seguro, duas faces da mesma moeda?

Janeiro de 2014: António José Seguro era líder do PS e os socialistas dominavam as sondagens com vantagens entre 8 e 13 pontos sobre o PSD. Janeiro de 2015: António Costa é líder do PS e domina as sondagens com vantagem para o PSD entre 6 e 11 pontos. A diferença é que Seguro à data era líder do partido há 26 meses, enquanto Costa o é há dois meses, mas, mesmo assim, os socialistas começam a olhar para a curva dos números com preocupação.

Leitura complementar: O Hollande de Lisboa?; Nuvens no horizonte de António Costa…; Dias difíceis no PS…

Correia de Campos e Paulo Macedo: descubra as semelhanças

Excelente análise de Luís Aguiar-Conraria: Um novo Correia de Campos?

Isto é extraordinário. Nos anos anteriores, nunca ninguém morria nas urgências. O que também era extraordinário. Isto é tudo tão extraordinário que nem sei o que é mais extraordinário.

Isto faz lembrar os últimos tempos de Correia de Campos como Ministro da Saúde. Se bem me lembro, de um momento para o outro, as mulheres começaram a parir em barda nas ambulâncias. Penso que até houve um bebé que nasceu num helicóptero a caminho de uma maternidade. O mais fantástico deste fenómeno foi que mal o ministro caiu as mulheres deixaram de ter filhos nas ambulâncias. Uma explicação possível é a queda de natalidade.

Entretanto, no que diz respeito a notícias com base em dados estatiscamente significativos, a realidade é esta: Nunca morreram tão poucas crianças em Portugal

Em 2014 registaram-se em Portugal 238 mortes infantis, até ao primeiro ano de vida, o valor mais baixo de sempre em números absolutos.

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PT: de intervenção em intervenção até ao colapso final ?

PT: CMVM vai pedir mais informação à PT SGPS a três dias da assembleia geral
Ações da PT tocam mínimo histórico a três dias da assembleia-geral de acionistas

Notícias sobre o futuro do euro

Depois de a Suíça se ter tornado, na prática e por iniciativa própria, no primeiro país a “sair” do euro, vale a pena salientar também a continuação deste movimento: Bundesbank repatriou 120 toneladas de ouro em 2014

O Bundesbank, o banco central alemão, repatriou para Frankfurt 120 toneladas de ouro em 2014, procedentes das caixas-fortes no estrangeiro e mantém a intenção de ter em 2020 metade das reservas de ouro nas suas próprias caixas-fortes.

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Charlie e nós

Charlie e eu. Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada.

Se amanhã alguém metralhar uma sinagoga judia, eu serei, com eles e por eles, judeu. Se uma milícia massacrar os alunos de uma escola palestiniana, norte-americana ou paquistanesa, eu serei um desses estudantes. Se algum fanático matar, em nome de qualquer ideologia ou religião, uma prostituta, um toxicodependente, um sem-abrigo, um travesti, um pagão ou um fiel de outra religião, eu serei tudo isso, sem deixar de ser cristão. (…) Não faço minhas as declarações dos católicos que, por se considerarem justos, dão graças a Deus por … não serem Charlie. Eu também não o sou, mas estaria disposto a sê-lo, para defender a liberdade das vítimas, sejam ou não mártires. Não apesar de ser cristão mas, precisamente, porque o sou.

Dias difíceis no PS…

Além das sondagens (que insistem em não confirmar as expectativas criadas por altura da vitória que removeu António José Seguro da liderança do PS) e dos primeiros sinais públicos de contestação interna à liderança de António Costa, agora é o lançamento de António Vitorino na corrida presidencial a sugerir que se vivem dias difíceis e de crescente incerteza interna no PS.

“socialismo é liberdade e abundância”

Tal como na Venezuela, na Coreia do Norte também não prestam a devida atenção a investigadores como Raquel Varela e por isso ainda não descobriram que “socialismo é liberdade e abundância”: Falta de comida e dinheiro estão a levar norte-coreanos a atravessarem fronteira com a China

Pode ser encarado como reflexo de desespero. A China enfrenta uma onda de assaltos violentos, que resultaram em algumas mortes, e os autores são, alegadamente, soldados norte-coreanos que estão a atravessar a fronteira em busca de comida e dinheiro. O fenómeno está a levar muitos chineses a abandonarem as localidades onde vivem.

Leitura complementar: Raquel Varela, o Povo e os porcos.

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Nuvens no horizonte de António Costa… (2)

maioria silenciosa? Por Rui A.

O que me parece é que os portugueses não são parvos, ou não há tantos parvos como alguns julgam, e que existe uma significativa percentagem de eleitores que sabe muito bem o que aconteceu neste país, para os quais não são suficientes dois dedos de conversa para ficarem convencidos de que, afinal, nada de muito grave se passou antes do governo de Passos Coelho. Se esse número de eleitores silenciosos é uma maioria ou uma minoria, logo se verá. Mas desconfio que esta relutância do PS em falar claro aos portugueses sobre o que lhes aconteceu e sobre como lhes poderá assegurar que não voltará a acontecer, lhe irá sair caro.

Leitura complementar: Nuvens no horizonte de António Costa…

Rui Moreira, Adolfo Mesquita Nunes e o sucesso do turismo no Porto

O meu artigo de hoje no Observador: O sucesso do turismo no Porto, a iniciativa privada e os artistas.

O crescimento do turismo tem sido particularmente visível e importante no Porto. Para uma cidade e uma região que têm vindo ao longo das últimas décadas a perder vigor económico e a marcar passo na maioria das áreas relevantes, o sucesso turístico só pode ser visto como uma boa notícia. A atracção para o aeroporto do Porto de companhias low-cost – com destaque para a Ryanair – certamente contribuiu para este sucesso, mas o maior elogio deve ser dirigido à iniciativa privada portuense. De forma descentralizada e assumindo os próprios riscos, muitos investidores e empreendedores têm lançado novos negócios que simultaneamente tiram partido e incentivam o sucesso turístico da cidade e da região.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Terrorismo e multiculturalismo

De joelhos… Por José Manuel Moreira.

Comprende-se a mediatização de proclamações como a do Presidente Hollande: “Os que cometeram estes actos terroristas, estes fanáticos, não têm nada a ver com o Islão.” Só que o mundo real é pouco dado a tais subtilezas, correndo-se o risco de entrar por caminhos em que as Cruzadas vão parecer uma brincadeira de crianças. Como se a melhor ajuda aos muçulmanos que chegam à Europa não fosse vincar a relevância da tradição europeia para a sua integração e protecção por leis e instituições próprias de uma sociedade aberta. Em vez de se fomentar um multiculturalismo que a tribaliza: dando azo à destruição da civilização ocidental tal como a conhecemos, com base numa falsa equivalência moral das visões em confronto.

Nuvens no horizonte de António Costa…

Felizmente para António Costa, e ao contrário do que aconteceu com António José Seguro, a actual liderança do PS continua a contar com uma comunicação social dócil e amigável, mas nem mesmo essa realidade poderá valer-lhe se a sua liderança continuar a frustrar as expectativas criadas, como tem acontecido até agora: Sondagem PSD e CDS encurtam distância para PS de Costa

Em conjunto, os partidos da maioria crescem 2,3 pontos percentuais, enquanto os socialistas têm uma variação positiva de quatro décimas.

Quanto aos restantes partidos, os comunistas chegam aos 9,3%, o Bloco de Esquerda, atinge os 3,5%, enquanto as novas iniciativas políticas, o PDR, de Marinho e Pinto, e o Livre, de Rui Tavares, conseguem respetivamente 2,5% e 2%.

No âmbito da popularidade das figuras políticas, apesar de se manter em terreno negativo, destaque para a classificação atribuída a Pedro Passos Coelho, que regista, entre todos os líderes, a maior subida. O líder do Governo e do PSD regista uma subida de 3,6 pontos.

Estratégia de António Costa questionada por deputados

A estratégia do novo secretário-geral, António Costa, à frente do PS já está a ser questionada dentro do próprio partido. Na última reunião da bancada parlamentar socialista, alguns deputados criticaram o silêncio do PS em algumas matérias e pediram mais intervenção na praça pública. Além disso, há quem peça uma maior atividade parlamentar com a apresentação de mais iniciativas na Assembleia da República.

Boaventura Sousa Santos e o terrorismo

Os dias difíceis do professor Boaventura. Por José Manuel Fernandes.

A surpresa do texto de Boaventura não é o seu conteúdo – é a sua timidez. É por isso que é “difícil”. Circulando pelas redes sociais e por alguns blogues radicais tropeçamos em cada esquina com “explicações” e “interpretações” semelhantes que só não tiveram mais projecção desta vez porque o Charlie Hebdo era uma publicação de esquerda, as vítimas eram jornalistas e a liberdade de expressão um valor profundamente entranhado na nossa cultura. Se o único atentado de Paris tivesse tido o do supermercado kocher e as únicas vítimas alguns clientes judeus, Ana Gomes não teria ficado isolada, antes teria comandado a carga dos que estão sempre pontos a culpar as vítimas e a desculpabilizar os bárbaros. O que o nosso pregador agora fez foi apenas tentar recuperar o terreno perdido para tratar de dizer, como sempre diz, que os bárbaros somos nós. Vale por isso a pena perder algum tempo com essa ideia de que a culpa é sempre nossa – nossa hoje, nossa no tempo da colonização e da descolonização (sobretudo se for a descolonização da Argélia), nossa desde o tempo da tomada de Ceuta, ou das Cruzadas, ou de D. Afonso Henriques, ou até de Júlio César.

Ser ou não ser Charlie

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O Rui Carmo já aqui destacou este texto de António Costa, director do Diário Económico, na sua página do Facebook, mas não resisto a reproduzi-lo novamente, por espelhar exactamente – e com maior eloquência do que eu conseguiria – a minha própria posição neste assunto:

Vai uma grande confusão por algumas cabeças mediáticas, ou um grande cinismo e hipocrisia, o que é ainda pior. Ser Charlie não é concordar com os cartoons do Charlie Hebdo, é discordar, é detestar, é estar do outro lado, e mesmo assim defender a sua existência. E pôr de lado as nossas opções políticas e sociais para estar ao lado de quem foi alvo de um crime. Confundir este princípio absolutamente estruturante da liberdade de expressão com a ideia de que ser Charlie obriga a estar contra a austeridade, ou contra a Alemanha, ou concordar com todos os disparates que se dizem, ou ter a obrigação de dar espaço, por exemplo editorial, a todos os disparates, a todos os humoristas, cartoonistas e afins é outra coisa. É ser anti-Charlie. Não há donos da moralidade, embora pareça que esses querem impor essa moralidade aos outros, e não autorizar que todos sejamos Charlie. Diz muito do que pensam.

Leitura complementar: ‘I AM NOT CHARLIE’: Leaked Newsroom E-mails Reveal Al Jazeera Fury over Global Support for Charlie Hebdo.