O Insurgente

Novembro 20, 2008

Oito então…

Arquivar em: Diversos — Luciano @ 11:13 am

Dito isto e isto, as notícias recentes deveriam acabar de vez com uma perniciosa mitologia que tem sustentado um certo grupo de pessoas no PSD e uma certa forma de o PSD se entender a si próprio, e que tem levado a uma certa forma de o PSD se apresentar à sociedade: a do partido competente e dedicado à causa nacional. No fundo, a metáfora da “boa moeda”. Quando vemos a inépcia desta direcção (seja na forma de comunicar, seja nestas pequenas ou grandes gaffes, por palermas que sejam), quando vemos a “boa moeda” do partido embrulhada no enredo grotesco do BPN, tudo isso se torna risível. Talvez estivesse na hora de o PSD compreender que não há alternativa a estruturar um pensamento político (suficientemente vago e flexível para se adequar à mudança das circunstâncias mas também suficientemente claro para oferecer uma identidade). A mitologia dos homens bons e competentes nunca foi uma boa ideia e está progressivamente a transformar-se numa anedota.

Sete ainda mais

Arquivar em: Diversos — Luciano @ 11:12 am

Dito isto, MFL e esta direcção do PSD cavaram a sua própria sepultura, graças à assunção voluntária de uma certa herança política: eles são as pessoas sérias, que não se confundem com a ralé do seu partido, que não têm explicações a dar ao país, que não falam (como a própria MFL não falou, até ter mesmo de falar), que tudo sabem, tudo perceberam e que um dia verterão as suas notáveis soluções sobre o país ignaro. Se já tinham, naturalmente, todos os seus adversários políticos contra, conseguiram também colocar do mesmo lado mais dois grupos de pessoas: a) cerca de metade do seu próprio partido, que hostilizaram impiedosamente quando ela mandava no partido e no país (toda a gente se queixa do que Menezes faz agora a MFL, mas alguém se lembra daquilo que foi feito a Menezes ou a Santana, pela própria oposição interna, quando eles eram líderes do partido ou do país, num dos mais lamentáveis espectáculos de deslealdade política de que há memória?); b) a comunicação social, que para o bem e para o mal é uma força política a considerar e que, já de si, não é muito simpática para a direita. Andava tudo sedento de uma oportunidade para aplicar um golpe mortífero sobre a senhora. A oportunidade apareceu e o resultado o que se viu.

Seis meses é muito tempo

Arquivar em: Diversos — Luciano @ 11:09 am

A polémica sobre o “lapso” de Manuela Ferreira Leite é uma óbvia idiotice. De resto, é interessante que alguns dos mais assanhados críticos do lapso venham de tradições políticas que, num passado ainda não muito distante, apoiavam regimes anti-democráticos. Para além de que todo o contexto das declarações de MFL, concorde-se ou não com a ideia, vai no exacto sentido contrário: de que é preciso negociar e não impor soluções do alto dos ministérios.

Novembro 18, 2008

Sabedoria popular

Arquivar em: Diversos — Luciano @ 12:21 pm

Confesso que me fazem um pouco de confusão as análises geopolíticas intantâneas que tenho ouvido a pretexto da crise internacional: que é o declínio da América, que a Europa vai para o caixote do lixo da História, que a Ásia é quem manda ou vai mandar, que isto e mais aquilo… Calma, meus amigos. Muita água vai ainda correr sob as pontes. Neste momento as economias exportadoras da Alemanha e do Japão já estão em recessão, enquanto a produção industrial chinesa cai a pique. Estes países estavam tão viciados no crédito americano quanto a economia americana. A queda do boom do crédito americano é a sua própria queda. Dir-me-ão que a força destas economias está na enorme poupança que acumularam. Pois sim, mas faltam-lhes as oportunidades de investimento. Eles poderão arranjá-las, mas para isso precisam de verdadeiras revoluções políticas e económicas: por exemplo, acabar com a corrupção japonesa, com a semi-servidão da China ou tornar a economia alemã mais flexível. O endividamento americano permitiu ir escondendo muita coisa. Agora todos terão de se safar. Só no final é que se fazem as contas: quem ganha e quem perde ainda está para se ver. Para além de que se pode ganhar numas coisas e perder noutras (como mostra a Europa nos últimos 60 anos). Convém sempre ouvir os sábios, como João Pinto: “prognósticos…”

Adjectivos e prefixos

Arquivar em: Diversos — Luciano @ 12:18 pm

Certas pessoas podem não ter imaginação para mais nada, mas lá para adjectivos e prefixos… Veja-se Joel Hasse Ferreira hoje no Diário Económico (não consigo encontrar o link do artigo): segundo ele, “a herança catastrófica deixada por George W. Bush e pela sua ‘entourage’ de ‘neo-cons’, ultra-liberais e arqueo-militaristas teve uma enorme responsabilidade na crise financeira mundial.” O resto do texto é uma glosa desta ideia. Repare-se que eles podiam ser arqueo-cons, neo-liberais e ultra-milistaristas ou mesmo ultra-cons, neo-militaristas e arqueo-liberais sem qualquer prejuízo do estilo. É uma forma de “pensamento”. Um “pensamento” a que talvez pudéssemos dar o nome de ultra-tosco, arqueo-pedestre e neo-lítico.

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