“It’s an ongoing Greek tragedy (..). We’re in the hands of the best efforts of European politicians. That’s a source of risk that’s difficult to forecast.”
(Stephen Wood, chief market strategist for Russell Investments, em entrevista à Bloomberg)
“It’s an ongoing Greek tragedy (..). We’re in the hands of the best efforts of European politicians. That’s a source of risk that’s difficult to forecast.”
(Stephen Wood, chief market strategist for Russell Investments, em entrevista à Bloomberg)
A propósito deste excelente post do BZ, achei que talvez fosse oportuno relembrar algo que “a nossa geração esqueceu”:
“O que a nossa geração esqueceu é que o sistema de propriedade privada é a mais importante garantia de liberdade, não só para aqueles que têm propriedade como para aqueles que não a têm. É apenas porque o controlo dos meios de produção está dividido entre muitas pessoas actuando independentemente que ninguém tem um poder completo sobre nós, que nós como indivíduos podemos decidir o que fazer connosco próprios.” (F. A. Hayek, The Road to Serfdom)
Este esquecimento sai caro. E, por vezes, o esquecimento paga-se com a liberdade.
Depois das notícias que o Primeiro-Ministro nos deu ontem, só mesmo o Bernardino Soares para me alegrar. Então não é que o ilustre e sábio deputado na nação (o mesmo que aqui há uns anos tinha dúvidas sobre se a Coreia do Norte não seria uma democracia) aparece agora a qualificar os novos impostos como “roubo”?! Sim, ROUBO, nem mais nem menos.
Afinal, nem tudo está perdido.
Força, Camarada! Junta a tua à nossa voz!!
A entrevista do Senhor Presidente da República foi, no mínimo, soporífera.
Lá mais para o fim o senhor, que se refere a si mesmo na terceira pessoa (no melhor estilo futebolístico), despertou-me do torpor com a ideia do crédito europeu ilimitado. Repito: ILIMITADO.
E, para que não restem dúvidas, o Senhor Presidente exemplifica, toma o caso concreto da Itália e recomenda como solução a compra ilimitada da dívida italiana. Perfeito! Afinal, qual é o problema? É só pôr a máquina do dinheiro a imprimir mais depressa.
Palavras para quê? É um artista português!
No Público de hoje vem uma notícia sobre a Universidade Católica, intitulada: “Católica cria regras de vestuário para alunos e professores”. Pelos vistos a notícia é de grande impacto para a vida deste país, já que o Público lhe dedica uma página inteira (a página 4) e dá-lhe uma chamada na primeira página do jornal. Muito bem. Como não há nada de muito importante a passar-se no mundo nestes últimos tempos, se calhar compreende-se…
A notícia, em si, será relevante para o universo da Católica (onde me incluo, e por isso mesmo para mim tem algum interesse), mas duvido que tenha alguma relevância extra-muros. Aliás, como a própria notícia indica: “nesta matéria a UCP não é pioneira. Ainda há um ano, o Ministério da Educação aconselhava os professores a não usar havaianas, calções de praia, decotes e sapatos de salto alto durante os exames nacionais.”
Por outro lado, o texto da notícia não me merece grandes reparos — para além da opção editorial pelo destaque que lhe é dado. E aqui é que as coisas, a meu ver, se complicam. Ao lado da notícia aparece um “Comentário” de um jornalista do Público, sob o título: “Cristo entraria na Católica?” E, claro está, vêm logo as comparações subreptícias com os talibans ou com o laicismo do Estado francês. Tudo a propósito, claro…, num crescendo que prepara a estocada final de António Marujo — que, é bom que se perceba, nada tem que ver com o tema tratado pela notícia:
“O Conselho Académico de uma universidade católica poderia concentrar-se, por exemplo, na importância de criar alternativas à ditadura financeira dominante. E em que nela se ensinassem mais valores de acordo, por exemplo, com os apelos do Papa à “refundação do sistema financeiro” e menos com a formação de elites que reproduzem o desejo de lucro dos “mercados”.”
Pois bem, já agora,também me apetece recomendar ao Conselho de Redacção do Público que se concentre um pouco mais nas opções editoriais que faz, e que, se possível, ocupe o seus redactores mais com o trabalho informativo e menos com a produção de comentários. Sobretudo comentários que, como este, não dizem respeito à notícia tratada mas apenas à agenda pessoal do jornalista que os escreve.
E depois da festa eis que ressurge a dura realidade. E, conhecidos que são os dotes vocais do nosso futuro PM, não resisto a dedicar-lhe as duas primeiras quadras do “Yesterday” da autoria de Paul McCartney e imortalizada pelos The Beatles.
“Yesterday,
All my troubles seemed so far away,
Now it looks as though they’re here to stay,
Oh, I believe in yesterday.
Suddenly,
I’m not half the man I used to be,
There’s a shadow hanging over me,
Oh, yesterday came suddenly.”
Ou muito me engano, ou estas linhas devem descrever na perfeição o actual estado de espírito de Pedro Passos Coelho. E não será apenas uma; na verdade são muitas as sombras que pairam sobre ele…
O Partido dos Brancos e Nulos aproxima-se perigosamente do Bloco de Esquerda, o último partido com representação parlamentar.
E, mais uma vez, ninguém fala neles, mas os votos brancos e nulos continuam a crescer. Hoje somaram 223.338 votos. Não são eleitores que encolheram os ombros e preferiram ir para a praia. São os votos, tão legítimos como quaisquer outros, de mais de duzentos e vinte mil de eleitores portugueses que não se revêem em nenhum dos partidos que se candidataram a estas eleições.
Quando se pensa sobre a democracia em Portugal, este é um número que não pode ser esquecido.
Não sei se se deram conta, mas José Sócrates acaba de lançar a sua candidatura às Presidenciais de 2015.
De entre as várias boas notícias desta noite eleitoral, destaco a relativa ao resultado do Bloco de Esquerda. Esta era a hora do Bloco. Este era o momento em que o Bloco poderia ter consolidado a sua posição, afirmando-se como uma verdadeira força alternativa à esquerda. Tanto quanto parece, não foi isso que aconteceu. E, a confirmarem-se estes resultados provisórios, o Bloco fica reduzido àquilo que sempre foi: uma mera voz de protesto de um radicalismo esquerdista completamente datado e sem nada para oferecer para o futuro.
Para além dos confrades e demais papões que comem criancinhas ao pequeno-almoço, também há gente normal no Egipto. Ora leiam o “Statement by the Forum of Independent Human Rights Organizations“, publicado no insuspeito Journal of Democracy.
Ficámos a saber, pela boca do camarada Otelo, que bastam 800 militares para fazer uma revolução.
800? Só?
Então, desculpem lá, mas de que é que estão à espera?
Um dos pais fundadores da república americana terá dito qualquer coisa como:
“Quem sacrifica a liberdade à segurança não merece nem a liberdade nem a segurança.”
Os egípcios venceram a batalha pela liberdade. Assim possam vivê-la em segurança.
A forma como parece que os egípcios se souberam organizar espontaneamente durante estes dias parece ser um bom prenúncio disso mesmo. O que parece que eles querem é viver numa “Sociedade Aberta” e livre. Ora, por definição, num regime de abertura e de liberdade, o futuro é aberto e livre. A incerteza é a constante. Todos temos que nos habituar a isso.
Acabo de ter uma experiência televisiva do outro mundo:
Primeiro vi o discurso de Hosni Mubarak. Fiquei estupefacto. Sem palavras.
Depois, vi o discurso de Suleiman. Siderado. Sem saber o que pensar.
Nos entretantos ia continuando a ver as imagens do Cairo e perguntava-me como era possível que aqueles milhares de pessoas se mantivessem pacificamente naquela manifestação que dura há mais de duas semanas.
E, de repente, numa mudança de canal, calhei num programa de FoxNews que mais parecia um circo, apresentado por um espécime de nome Glenn Beck. E este ultrapassou todas as minhas expectativas. Cilindrado.
Eu julgava que o estado de loucura do presidente e vice-presidente do Egipto eram inigualáveis. Enganei-me. Está tudo doido! E, se tudo isto não fosse tão sério, quase que me dava vontade de rir.
Resta-me continuar a ter esperança na moderação que os egípcios têm demonstrado naquela praça da libertação. Oxalá (e uso propositadamente a nossa palavra portuguesa com óbvia ressonância muçulmana) o dia de amanhã seja um dia de paz. Não só no Egipto, mas também na Jordânia, no Bahrain, etc, etc…
Primeira reacção aqui da plateia à minha beira depois do discurso de vitória do sr presidente:
um enorme bocejo…
e eu pergunto: mas quem é que escreve aqueles discursos?…
Gostava aqui de salientar um ponto que me parece muitíssimo relevante na análise destas eleições: o da expressão dos votos Brancos e Nulos.
Em 2001, aquando de uma outra re-eleição, o número de votantes foi sensivelmente o mesmo: 4,44 milhões em 2001, 4,48 hoje.
Mais, na altura, o PR re-eleito obteve 2,4 milhões de votos. Agora, ficou-se pelos 2,2 milhões.
Até aqui, nada de muito diferente. O que é diferente é a expressão dos Brancos e Nulos.
Em 2001, tivemos 82 mil votos brancos e 45 mil nulos.
Hoje foram 191 mil Brancos e 86 mil Nulos.
Os outros dados mantêm-se estáveis. Estes duplicaram!
Estamos conversados quanto à dimensão e ao crescendo do protesto.
Já “caçaram” o Coelho e agora vão atrás do candidato comunista.
PS: sim, sim, refiro-me ao Lopes…
Lembro-me de se ter feito um referendo histórico neste país, com um resultado que não agradava nada aos iluminados progressistas militantes, e que logo toda a opinião publicada veio a terreiro dizer (formalmente com razão) que o resultado não era vinculativo, porque a abstenção tinha ficado acima dos 50%.
E agora?
Formalmente, temos um PR eleito à primeira volta.
Mas, pergunto eu: e politicamente?
A confirmarem-se as projecções, confirma-se também que a rapaziada bloquista não é boa companhia.
Manuel Alegre, que já cá anda há muitos anos, devia ter percebido isto há muito tempo.
É pena, para ele.
Para nós, é um dos factos tranquilizadores desta noite. (Fria, muito fria…)
A candidatura de Cavaco Silva não comenta (como sempre) as projecções que apontam para uma abstenção à volta dos 50%.
É simples: metade deste país está-se nas tintas.
Escrevi aqui há atrasado uma pequena reflexão, inútil certamente, sobre o voto útil. Aqui fica:
Presidenciais: voto “não”
Público, 2010-11-08 José Tomaz Castello Branco
O discurso da estabilidade poderia fazer sentido no início da década de 90.
Agora, parece, no mínimo, desadequadoO Senhor Presidente da República anunciou, finalmente, aquilo que já se esperava: a recandidatura a Belém. Foram 25 minutos de um discurso monótono na forma e vazio no conteúdo. Se o PR é o representante oficial e símbolo da República Portuguesa, então estamos conversados: aquela é a face visível do estado do Estado; é, desafortunadamente, um retrato fiel do país em que vivemos. Um país que se encontra visivelmente cansado e sem força anímica para mudar de vida.
E como era precisa uma promessa de mudança! Ao invés, fica a promessa da estabilidade. O discurso da estabilidade poderia fazer sentido no início da década de 90. Agora, parece, no mínimo, desadequado. Há uma boa parte do eleitorado português que não se revê neste retrato e que, muito provavelmente, encontrou na promessa do candidato de não afixar um único cartaz a única boa notícia daquele discurso. Este é o eleitorado do chamado centro-direita. Um eleitorado que já deu provas de grande responsabilidade democrática, nunca se furtando às lutas que entendia por bem travar, mesmo quando os partidos políticos existentes não as quiseram assumir como suas. Este é um eleitorado que, não obstante, perante as alternativas que se lhe colocam nesta próxima eleição, não tem outro remédio senão começar a orientar o seu sentido de voto para o mal menor.
Creio, porém, que o mal menor comece a parecer insustentável. Tradicionalmente órfão de representação, este eleitorado pode agora estar cansado da sua condição de refém – que perdura desde a invenção desse extraordinário instrumento chamado “voto útil”. Não seria de espantar que este eleitorado procurasse uma qualquer forma de reacção e que mostrasse a sua indignação perante um PR que, só no último ano, desprestigiou seriamente o cargo que desempenha com toda aquela trapalhada que ficou conhecida como as “escutas de Belém” e que abalou seriamente a relação de confiança que mantinha com este eleitorado quando, ao chancelar o chamado “casamento gay”, minou gravemente os alicerces de uma instituição tão fundamental como a família.
A opção que resta a este eleitorado pode, afinal, estar reduzida à seguinte equação: engrossar as fileiras daqueles que se revêem nesta recandidatura, contribuindo para a recondução triunfal do PR logo à primeira volta, ou, pelo contrário, encontrar uma forma de se fazer ouvir, forçando o seu putativo tribuno a lutar por uma segunda volta.
Perguntar-se-á porquê? Porquê não despachar logo o inevitável à primeira? Porquê forçar o país aos custos de uma segunda volta? Por uma simples razão, porque este eleitorado tem o direito e o dever de se fazer ouvir. Mais: tem o poder de o fazer.
Resta a questão de como o fazer. A abstenção não serve. A abstenção é um mero encolher de ombros e este não é um eleitorado apático nem irresponsável. Este é um eleitorado que vai às urnas e que preza o exercício do direito que democraticamente lhe assiste. Mas ele pode usar o seu boletim de voto para nele expressar um rotundo “não”. Anulando o voto, ele está também a expressar um sentido de voto. Mais: este é um voto que, simbolicamente, nunca pode ser confundido como um “cheque em branco”.
E, já agora, nesta fase conturbada da nossa vida, não é aconselhável andar por aí a passar cheques em branco.
Dixit
Vale a pena ler as explicações de António Maria Pinheiro Torres, no Público de hoje, sobre aquilo a que se tem vindo a chamar o “voto católico”. Aqui ficam as últimas linhas. Lapidares.
“Mas engana-se quem pense que as atitudes (…) de não voto na candidatura de Cavaco Silva possam ter origem nos apelos de outros candidatos. As suas origens estão em outro lado: na perplexidade com o desempenho do anterior mandato (a começar na questão do aborto e a terminar na incompreensão de que no diploma sobre o ensino particular o que estava em causa é a liberdade de educação e não um sistema de financiamento), na falta de correspondência entre o perfil humano e o rosto político que esse povo procura e na necessidade de começar um caminho indispensável para o futuro do centro-direita. O fim do voto cuja utilidade só existe para os actuais “donos” desta área política que sempre o dão por descontado e que depois o esquecem na prática política diária.”
E pronto, chegou a hora da dramatização.
Depois de 5 (cinco!) anos a assobiar para o lado, o Senhor Presidente-candidato-a-Presidente sente-se no dever de nos acordar do torpor para o qual muito contribuiu o seu infindável e sonolento discurso da “estabilidade”.
Mas agora, hoje, neste preciso momento, tudo mudou!
Do alto da sua cátedra, o Professor Cavaco dá o grito de alerta: “Não podemos excluir a possibilidade de uma grave crise em Portugal, não apenas económica e social, mas também política”. Pois não, não podemos. É claro que não podemos. Ai Jesus, quem nos acode nesta hora de aflição?
Nada temeis, responde o candidato. O Chefe Silva conhece bem todos os ingredientes necessários para enfrentar esta caldeirada.
E nós, povo de brandos costumes, sossegamos, tranquilizados pela voz autorizada (nunca confundir com autoritária!) deste responsável pater familia.
O lume vai forte, o ponto de cozedura há muito foi ultrapassado, os vampiros já comeram tudo – e, como dizia o camarada Zeca, não deixaram nada – e nós? Bom, nós, como sempre, ficamos a arder – que é como quem diz, lixamo-nos como o mexilhão.
Cavaco Silva: “Em Angola sinto-me em casa.”
E eu que julgava que o nosso PR tinha por hábito não fazer comentários sobre a vida política nacional quando estava no estrangeiro…
A propósito de David Cameron e da Big Society: “O Paradoxo Ideológico de Cameron”
Dizia um inglês ilustre (por vezes caricaturado como um bulldog), que a democracia era o pior regime, com excepção de todos os outros. Não raras vezes esquecemo-nos disso mesmo e embarcamos, com extraordinária facilidade, em discursos virtuosos que, com o facilitismo da irresponsabilidade, escarnecem deste regime.
Uma das formulações mais fáceis deste escárnio é aquela que despreza aquilo que existe pela simples razão de que, aquilo que existe raramente, ou nunca, se compara com a perfeição dos ideais. Acontece que os ideais não passam disso mesmo — e, por definição, não existem.
O The Economist é uma daquelas publicações que tem o enorme valor de nos ir lembrando destas pequenas verdades.
“Nostalgia for a golden-age of Parliament, when MPs shamed the lickspittles of today with their unwhippable iconoclasm, is simply ahistorical.” (in The Economist, June 12th 2010)
É caso para dizer, como os ingleses: sad, but true…
Hoje de manhã o alinhamento do noticiário da Antena 2 era este:
1.º Preços dos transportes públicos
2.º Preços dos remédios
3.º Tabelas salariais dos enfermeiros
Em qualquer das notícias repetem-se consecutivamente as palavras “Governo” e “Estado”. Tudo depende ou tem origem num decreto, num diploma ou numa negociação com o Governo.
Os preços dos bens são regulados pelo Governo.
Os salários das pessoas são regulados pelo Governo.
Tudo aqui vive em torno do Estado. Tudo aqui vive na dependência do poder dos pequenos burocratas do Estado.
Não é que os temas do noticiário não sejam interessantes. São concerteza . Mas, pergunto eu, seriam muito diferentes os noticiários na antiga RDA? Ou na Polónia dos anos oitenta?
Vivemos num país socialista. Tão socialista que já não nos damos conta do socialismo.
Vale a pena deitar uma vista de olhos a um sítio da internet denominado Boletim Informativo da Presidência da República.
Fosse por ironia do destino ou por mera incompetência no domínio da relações públicas, os assessores do nosso Presidente destacam, no Boletim hoje publicado, duas informações na coluna da esquerda: primeiro, a “Visita de Sua Santidade o Papa Bento XVI”; depois, o “Diploma que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo”. O abismo que separa o discurso dos dois textos é… é… é… (hesito sobre a adjectivação) inacreditável (fico-me por este, por uma questão de respeito para com a instituição).
Vale a pena ler.
Vale a pena tentar perceber o que motiva o abismo: será um caso de mera hipocrisia política? Poderemos adivinhar ali um discurso esquizofrénico típico de casos de personalidade dupla?
Pessoalmente continuo sem conseguir estabelecer um nexo de causalidade entre estas duas ideias: “ter em devida conta o superior interesse nacional, face à dramática situação em que o País se encontra.” Isto é, a decisão do Presidente relativamente ao regime jurídico do casamento é condicionada pela crise económico-financeira que vivemos.
Diz o nosso Presidente:
E, pergunto eu:
Mas o que é que o desemprego, a pobreza e o endividamento externo têm que ver com o regime jurídico do casamento?
Mais uma vez, não sei como classificar tudo isto. Será trágico? Será cómico?
Enfim, perante toda esta trapalhada, subscrevo as palavras de despedida do Senhor Presidente na partida do Papa:
“peço-Vos que tenhais sempre no Vosso espírito e nas Vossas orações, Portugal e os Portugueses”.
Nós bem precisamos!..
O Diário Económico acaba de noticiar que “o governo grego foi aconselhado por economistas britânicos a deixar a zona euro”.
De acordo com os tais economistas, do Centre for Economics and Business Research, “Espanha será provavelmente forçada a seguir a mesma via, tal como Portugal e a Itália, embora a situação da dívida italiana seja menos grave”.
Estamos, portanto, de forma simpaticamente civilizada, a ser convidados a sair. Eu gosto muito desta expressão: convidados a sair. Era o mesmo convite que os meus colegas de liceu recebiam quando eram expulsos.
E pronto, é esta a realidade. E, como dizem os tais ingleses, é “virtualmente inevitável”. Toca a fazer as malas!
Esta frase de espanto do nosso PM continua a ecoar na minha cabeça: “O Mundo mudou!” Como é que ninguém tinha reparado? A Judite de Sousa, pelos vistos não tinha. Mas o nosso PM não é só um homem clarividente. Não. É um homem paciente. Muito paciente. Ele explicou várias vezes, mas a pobre Judite parecia continuar sem perceber. Ele não se poupou a esforços: “posso explicar outra vez”, dizia ele num tom respeitosamente complacente.
E assim todos nós íamos fazendo um esforço para tentarmos assimilar a evidência.
Obrigado senhor Primeiro-Ministro. Muito obrigado por perder o seu precioso tempo para nos explicar aquilo que, aparentemente, desconhecemos. Aliás, é para isso mesmo que serve um canal de televisão do Estado: para termos o privilégio de ouvirmos o nosso PM a contar-nos uma história de embalar antes de irmos para a caminha dormir o soninho dos justos.
Eu, pela minha parte, dormi muito mais descansadinho depois de ouvir uma empolgante história de monstros especuladores que andam a atacar as dívidas soberanas de países poupadinhos e inocentes. Uma pura fantasia que, como qualquer história de criancinhas, tem por objectivo ajudar-nos a lidar com os nossos próprios medos. Afinal, afinal, nada disto é real: é pura especulação.
Acabo de ler isto que aqui linko, quase compulsivamente:
O homem, que festejava a vitória benfiquista estava internado desde domingo à noite.
O dia já não corria lá muito bem. A notícia da morte de Saldanha Sanches (aqui assinalada) também não ajudava. Mas, aquela que acima refiro, relata-nos mais que a morte de uma pessoa. Ela é um espelho preocupante do estado a que este país parece ter chegado.
O mesmo país que é capaz de manifestações tão bonitas como aquelas com que temos acompanhado a peregrinação do Papa, também é capaz de manifestações tão inqualificavelmente bárbaras como as que ocorreram em Braga — conhecida entre nós como a terra dos Arcebispos e do Bom Jesus.
O que é que pode justificar uma coisa destas? Será este um caso isolado ou um prenúncio do desvario a que este país tem sido entregue nos últimos tempos? Ou, como sempre, vamos todos fazer de conta que nada se passou?
Quando rebentou a crise financeira lá para os lados de Nova Iorque, aqueles, como eu, que não têm no economês a sua língua materna, depararam-se com uma nova expressão, que prontamente aprenderam a utilizar: “activos tóxicos”. E empregaram-na com o mesmo à vontade com que utilizavam outras tantas expressões que, muito embora não fossem capazes de definir tecnicamente, adequavam-se às situações que pretendiam descrever.
Em boa hora enriquecemos o nosso vocabulário, pois que agora já dispomos da expressão que caracteriza, com rigor, a nossa classe política: ACTIVOS TÓXICOS.
O reality show afinal foi fraquinho.
Tivemos um senhor simpático de cabelos brancos que diz falar para professores universitários e assadores de frangos.
Tivemos duas comadres que se atiraram aos pescoços uma da outra.
E, por último, um rapaz bem parecido com um sorriso de plástico.
Seja qual for o PSD que nasça na sexta-feira, não deverá ser muito entusiasmante.
PS: quanto a mim, o debate decidiu-se no fim, com a questão do PGR. As duas comadres ficaram-se pelas tricas tácticas. O rapaz do sorriso plástico tem razões para sorrir.
Bonito ajuste de contas entre Aguiar Branco e Rangel.
Vai valer a pena assistir até ao fim ao reality show que a RTP está a passar.
Ai vai, vai!…
Tema: Rubric. Blog em WordPress.com.