O Syriza, o socialismo e o fracasso da estratégia da UE

O meu artigo de hoje no Observador: O socialismo europeu e o Syriza.

Qualquer que seja o rumo futuro da Grécia, esta eleição marca já o fracasso da política europeia assente no dogma de maior integração a qualquer custo. O desígnio de manter a Grécia na zona euro contra todas as evidências gerou uma montanha de dívida de cobrança (muito) duvidosa e uma situação interna explosiva no país. Cabe agora aos líderes europeus não fecharem os olhos e assumirem a necessidade de dar um passo atrás, mesmo que tal implique aceitar perdas significativas e a saída da Grécia da zona euro, onde provavelmente nunca deveria ter entrado.

O resto do artigo pode ser lido aqui.

A crise e a tonteira mediática

O Estado somos nós? Por José Manuel Moreira.

Costumo ilustrar esta esquizofrenia com um texto de um director-executivo adjunto do “Jornal de Notícias”, que, em nome da devolução da “moral ao Estado”, a propósito dos “vistos gold”, concluiu que “o Estado foi conscientemente enganado pelo próprio Estado.” Um incrível “JN” que, em letra garrafal, na 1º página do dia 26, anunciou: “Grécia, o princípio do fim da austeridade.” A mesma tonteira mediática que deu aval a centros de decisão nacional e ao circo que se seguiu, e que, por tão devotada a contos infantis, se revela incapaz de perceber que o compadrio (capitalista/socialista) só pode funcionar para os amigos, e que os amigos não podem ser todos. Felizmente, esta imprensa está destinada a perder leitores à medida que a crise nos torna menos tolos e a falta de dinheiro na política deixa de atrair tantos amigos da onça e do alheio.

Somos todos Syrisa & Co II

Russia might bailout Greece. Quem o diz é o ministro das finanças russo, Anton Siluanov.

Well, we can imagine any situation, so if such [a] petition is submitted to the Russian government, we will definitely consider it, but we will take into account all the factors of our bilateral relationships between Russia and Greece, so that is all I can say. If it is submitted we will consider it, (…).

A minha dúvida é se a hipotética ajuda russa será dada em rublos, notas de monopólio ou em caviar.

Entretanto, as históricas tensões entre a Grécia e a Turquia conheceram um novo impulso.

Leitura compelmentar: Somos todos Syrisa & Co.

Farmville terrorista

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‘Suicide bomber’ camels, goats, cows and donkeys are being prepared to carry out attacks for Boko Haram, says Nigerian government.

Em Agosto, o líder do grupo terrorista nigeriano Boko Haram, Abubakar Shekau, proclama o califado na localidade de Gwoza, no Nordeste da Nigéria, no estado de Borno. “Graças a Alá, os nossos irmãos alcançaram a vitória em Gwoza, que a partir deste momento faz parte do califado islâmico.” A declaração com a duração de mais de uma hora, foi transmitida em vídeo e constituíu o primeiro passo na concretização do objectivo de implantar a lei e o estado islâmico na Nigéria. Na altura, cerca de 100 pessoas, entre os quais 35 polícias, desapareceram. Em jeito de aviso às autoridades nigerianas, Abubabar Shekau, informou que os islamitas resistirão a qualquer tentativa que seja feita no sentido de os desalojar das zonas ocupadas.
O grupo terrorista Boko Haram tem intensificado durante o último ano as suas acções na zona Norte do país, de maioria muçulmana. Para atingirem os seus objectivos, assassinam não só quem representa alguma forma de ameaça e matam para servir de exemplo, queimando pessoas, casas e igrejas.

O Holocausto está a morrer

O meu texto de 4ª feira no Observador.

‘As datas redondas são importantes. Convidam à avaliação daquilo cujo aniversário se comemora – ou se lembra com pesar – muitas vezes com o benefício (ou o preconceito) do conhecimento do que se lhe seguiu, ao término de processos de luto, ao encerramento de questões com a validade passada, ao tributo ao sofrimento das vítimas (se as houve).

Este ano celebram-se os setenta anos do fim da Segunda Guerra Mundial e da descoberta pelo mundo do extermínio sistemático de judeus pelos nazis. Ontem lembrou-se a chegada dos aliados a Auschwitz. Não penso que seja possível avaliar ou entender, nem passados setenta anos, aquilo que se chama de Holocausto. É demasiado maligno, demasiado desumano – o objetivo não era apenas matar judeus, era (como muitos sobreviventes afirmavam sentir-se) torná-los em não-pessoas –, demasiado grande (vejam-se os números de judeus mortos e aprisionados). E, por outro lado, demasiado seco, demasiado profissional, com demasiada eficácia operacional, com a racionalidade industrial com que se produz qualquer bem inócuo – como alguém também disse da Primeira Guerra Mundial, os campos de extermínio foram uma linha de montagem de morte. Houve ódio, claro, mas houve também indiferença, desinteresse e, sobretudo, falta de empatia – que é, argumenta o psicólogo Simon Baron-Cohen, a fonte da crueldade humana.

Não se consegue perceber. Resta-nos, portanto, lembrar.

Mas a distância dos eventos cria problemas.’

O resto está aqui.

Quando Tempo Durará O Governo Do Syriza?

Fica aqui a questão aos leitores d’O Insurgente, quanto tempo durará o governo do Syriza liderado por Alexis Tsipras.

Inflação

O meu artigo de hoje no Diário Económico.

Inflação

“A Economia numa lição” foi escrito por Henry Hazlitt em 1946. O livro não é grande, tem uma linguagem acessível e existe uma edição em português lançado pela editora Actual. A obra é importante e meio caminho andado para, de forma consciente, não se ficar amarrado às narrativas dominantes que atrofiam o debate e conduzem o país numa via que, por não ter sido devidamente discutida, se comprova mais tarde ser desastrosa.

Perante o receio de que a economia não cresça com uma inflação inferior a 2% ao ano, é quase unânime a necessidade desta ser estimulada. Para tal, a solução que tem
vingado nos EUA, e agora na Europa, é o de aumentar a despesa pública sem se subir os impostos. Como? Muito simplesmente através da compra pelos bancos centrais de dívida pública. O conceito é brilhante pois não tem custos para os políticos em exercício, já que os cidadãos não ligam directamente a inflação aos governos, como o fazem com o aumento dos impostos.

No entanto, o preço, quer político quer económico, existe. É que, além de ser negativo para a economia que os governantes tenham rédea livre para gastar, é ainda mais perigoso, para as democracias, que os governos se possam expandir livremente, pois que, não havendo nada que os ligue aos resultados negativos das suas medidas, o escrutínio normal em qualquer democracia desaparece.

Mas há mais: como lembra Hazllit, riqueza não é igual a dinheiro. O excesso deste significa inflação, um imposto que prejudica mais os pobres que os ricos e que fomenta a desigualdade. A desigualdade que servirá depois de pretexto para o discurso populista, outro perigo para as democracias, que já grassa na Europa e que vive da ignorância e do desespero.

Estamos num campo em que vertente política e económica andam lado a lado. Vezes sem conta ouvimos dizer que a descida dos preços adia o consumo. Ora, esta conclusão esquece que as pessoas não deixam de adquirir aquilo de que precisam e, mesmo que o façam, que estão a poupar; estão a criar capital que não fica debaixo do colchão, mas é investido. A diferença é que esse investimento será feito pelos cidadãos, no pleno uso das suas liberdades individuais, e não pelos governos. Algo que pode ser um problema para algumas pessoas, mas não para todas.

Desde a semana passada que todos os principais bancos centrais estão a comprar dívida pública. Os resultados nos EUA, no Reino Unido e no Japão não são animadores. A política monetária tem os dias contados, mas só dentro de alguns anos é que os dirigentes políticos estarão preparados para enfrentar esta nova realidade. Entretanto, a inflação não só nos coloca à mercê do Estado, como enriquece a banca e os mercados financeiros que, curiosamente, os adeptos da política adoptada pelo BCE, tanto criticam. Porque será?

O Syriza como produto da UE

A verdadeira causa da vitória do Syriza. Por Rui Ramos.

Foi o BCE e os líderes europeus quem elegeram o Syriza. Não apenas com a política de austeridade, mas também com a nova política de inflação. Estarão agora dispostos a pagar a factura grega?

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Dois bons exemplos

Dois bons exemplos em termos procedimentais, um do PSD e outro do PS.

Miguel Albuquerque rejeita liminarmente governar sem eleições antecipadas

O novo líder do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, assegura “estar fora de questão” e ser “impensável” assumir a presidência do Governo Regional sem a realização de eleições legislativas e rejeitou a possibilidade de negociações nesta matéria. “Está completamente fora de questão assumir a presidência do governo sem a realização de eleições. Não há negociação possível”, disse Miguel Albuquerque em entrevista à agência Lusa.

Sucessor de Pizarro no PS-Porto recusa assumir liderança e exige que sejam convocadas eleições

Na reunião desta segunda-feira da concelhia socialista, Tiago Barbosa Ribeiro mostrou disponibilidade para se candidatar, repetindo aquilo que dissera na reunião do secretariado concelhio onde deixou claro que só aceitaria ocupar o lugar de Manuel Pizarro depois de haver eleições. Número dois da comissão política concelhia, o socialista podia assumir automaticamente a liderança daquela estrutura, por que os estatutos permitem-no, todavia, optou por não o fazer, defendo a convocação de eleições internas.

No caso do Tiago Barbosa Ribeiro, as amplas discordâncias políticas (a que aliás faço alusão no meu artigo de amanhã no Observador) não me impedem de reconhecer, sem reservas, o bom exemplo dado neste caso. Espero que seja um bom sinal para o futuro do PS-Porto.

Ainda sobre os (maus) professores

Eu sei que, para o Paulo Guinote e o João José Cardoso, é muito mais estimulante insultar e difamar o mensageiro quando não se gosta da mensagem do que olhar para as evidências. Por isso, em vez de voltar ao meu artigo, deixo abaixo um conjunto de declarações de responsáveis ligados a instituições de ensino superior (na área da formação de professores) que reiteram a minha mensagem: são os piores alunos do secundário quem escolhe os cursos de formação inicial de professores. Tenho a certeza que concordarão que também estes senhores têm como objectivo “achincalhar todos os professores”.

É que em Portugal, frisa João Pedro da Ponte, há uma “seleção imperfeita dos alunos”, ao contrário daquilo que acontece, por exemplo, na Finlândia onde as instituições selecionam os melhores alunos. Por cá, “os alunos são mais fracos”, afirmou o diretor do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

“O ensino tem sido visto nos últimos anos como uma solução a evitar e só as pessoas que têm um leque de opções mais reduzido é que acabam por vir para aqui. Nós pagamos esse preço”, rematou João Pedro da Ponte, diretor do Instituto de Educação, da Universidade de Lisboa.

Também Ana Paula Canavarro confirmou a grande diversidade de alunos que chegam ao curso de formação de docentes, em Évora. “Temos alunos com ótimas qualificações e temos outros com notas de 10,11 e 12. Não são todos bons alunos”, garantiu.

O problema, resumiu Carolina Leite, é que estes cursos “nem sequer garantem que os alunos venham a dar aulas”. “Admito que de facto os bons alunos com várias possibilidades de escolha optem em função do futuro e eliminem esta hipótese”, concluiu.

E se nos últimos anos estes alunos até têm sido obrigados a fazer um teste de avaliação das competências a língua portuguesa na admissão aos cursos superiores – com taxas de chumbo que chegam aos 15% no Instituto da Educação de Lisboa, por exemplo – antes nem isso era feito. Assim como não era exigido um mestrado aos educadores de infância antes de 2007. E a maioria dos professores que fez a PACC – com menos de cinco anos de serviço completo – terá concluído a sua formação antes desse ano, “quando havia algum défice na formação”, sublinhou Ana Canavarro, que considera existirem atualmente escolas “excelentes”, ainda que a “qualidade da formação não seja uniforme a nível nacional”.

(in Observador, destaques meus a negrito)

 

Porque é que a Grécia sai do Euro já em Fevereiro…

Desde a vitória do Syriza nas eleições legislativas gregas de passado domingo ficou claro que a rotura com a “austeridade da troika” prometida no programa eleitoral não era retórica eleitoral. Antes de existirem diálogos formais com as contrapartes dos acordos de resgate financeiro já o novo governo começou a implementar medidas que o colocam em incumprimento. Isto é objectivo.

Alem da rotura com a austeridade o Syriza prometeu renegociar a dívida, mantendo-se no Euro. Esperávamos que a posição negocial do Syriza fosse o choque retórico acompanhado de cautela na implementação de medidas concretas. O que surpreende é a inversão. Estão a acompanhar medidas políticas incompatíveis com o acordado com uma retórica apaziguadora e moderada.

O objectivo de permanecer na zona Euro, um objectivo que depende dos parceiros europeus, está sujeito ao compromisso de romper com as políticas de austeridade e de alterar os termos da dívida pública, comprimento destes que estão inteiramente nas mãos do governo grego. É esta inversão entre o meio e o fim que é determinante para o futuro da Grécia na zona Euro. O incumprimento à priori das condições de financiamento, antes de se sentarem à mesa com a troika, é causa suficiente para inviabilizar qualquer renegociação e acelerar a clarificação da relação entre a Grécia e o Euro. Ficando claro rapidamente que não há margem para acordo, porque a União Europeia entende que o default grego não implica um risco sistémico, e porque a cedência implica um custo directo e indirecto superior ao do default, restam poucos caminhos para a Grécia poder financiar-se. Poucos caminhos mas grandes dúvidas que podemos sistematizar.

Um cenário de resultado inicial é (1) a permanência no Euro, com (2)saída do plano de resgate financeiro e respectiva fonte de financiamento, (3) default sobre a dívida soberana e consequente negociação e (4)o pagamento de credores internos directamente com títulos de dívida nomeados em Euros. Independentemente das consequências directas e indirectas para os gregos, este cenário é o mais compatível com a tripla no totobola grego. Fim das medidas de austeridade da troika, renegociação da dívida e manutenção no euro. A existência deste cenário não está inteiramente nas mãos dos gregos. Será que o Eurogrupo aceita no seu seio um país que não cumpriu nem quer cumprir com as suas regras? Improvável. Além da questão de princípio existe a questão política. Interessa que fique claro para os eleitores dos países da Europa do Sul quais é que são as consequências de darem o poder a partidos da linha do Syriza.

O curioso é que nos diz a teoria que, no momento em que cada uma das partes tiver clara qual a posição em cada um dos posteriores momentos de decisão, o jogo pode precipitar-se para o seu resultado final, sem passar por cada um dos passos intermédios. Que ninguém se surpreenda que em uma destas segundas feiras de Fevereiro a Grécia anuncie um plano de saída do Euro. Bastará que a união Europeia deixe claro ao governo grego que não aceita o incumprimento pela Grécia dos acordos como base de qualquer que seja a renegociação da dívida e que a Grécia entenda que não será aceite no Euro nestas condições. Esta precipitação de eventos será em Fevereiro porque o financiamento das obrigações da Grécia exigem a tomada de posições durante os próximos 30 dias. Indo à segunda derivada, se o cenário for tão óbvio quanto parece, a saída da Grécia do Euro pode acontecer tão cedo quanto for praticável.

Nota: A geopolítica pode ser determinante nas decisões económicas nacionais. A wildcard neste jogo da Grécia no Euro é a aproximação à Rússia, que pode funcionar como atração para o abismo e como ameaça credível da Grécia no que serão as consequências da sua saída do Euro para a União Europeia.

Nota 2: Há que saudar o Syriza por estar a cumprir com o seu programa eleitoral, independentemente de qual seja e de concordarmos ou não com ele. É saudável e de louvar que partidos que cheguem ao poder recompensem o seu eleitorado com o cumprimento da sua parte. Quem nos dera que o PSD/CDS se pudessem orgulhar da mesma coisa.

Um beco sem saída

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Com a argúcia estratégica da ígnea, Tsipras entrou com a Grécia, a reboque do partido que elegeu, num beco sem saída. A posição de espartano confrontador dar-lhe-á aquilo que ele jura não querer, a saída do Euro — embora seja evidente que a quer —, não assumindo porém a responsabilidade por essa decisão. O plano é simples: forçar a ruptura que liberta a Grécia desse despeito que são as regras orçamentais (i.e., a realidade, a responsabilidade fiscal, o dogma ideológico de que 1 + 1 = 2), que o impedem de implantar o sonho venezuelano. Ao mesmo tempo, culpa a Alemanha, a Europa, enfim, os neoliberais, pela inflexibilidade. Uma vitória interna tácita, pois encontra a quem possa remeter as culpas pelo sofrimento que acalentará os gregos, pelo menos os que têm eletricidade grátis, nos anos vindouros, e a certeza que poderá continuar a prometer estender as praias de Corfu a Atenas.

Mas o plano falhará por vários motivos. O primeiro é de ordem económica. O eleitorado grego deixou-se seduzir pela promessa vã, pelos cantos das Sirens, pela demagogia. Em suma, por aquilo que tão bem caracteriza a extrema-esquerda, a irresponsabilidade lunática. Enquanto país soberano são decisões legítimas do seu povo. O que não podem exigir é que sejam os outros a pagar a euforia. Compreende-se que os restantes países, particularmente os que estão sujeitos a fortes medidas de consolidação orçamental e austeridade, não queiram suportar a folga dos gregos. Até porque a Grécia já beneficiou de dois resgates que ascendem a 240 mil milhões de Euros, e beneficia ainda das taxas de juro mais baixas de toda a periferia, em alguns casos com um custo para as próprias instituições europeias.

Mas falhará primariamente por uma questão de ordem política. A cedência da Europa perante o discurso chantagista da esquerda radical, de Das Kapital em riste, abriria perigosos precedentes para outras papoilas saltitantes por essa Europa fora. Em particular em Espanha, galvanizando assim o temerário homem do rabo de cavalo, Pablo Iglesias. E de Espanha a França ou a Itália é um instante. Portugal safa-se, não porque os lunáticos não existam, mas porque têm o carisma de um cabide, embora não esteja imune a desvarios da ala proto-lunática do PS, a dos jovens turcos.

Se a Europa nunca aceitaria a chantagem de um Governo de extrema-direita, e bem, também não deve agora subjugar-se aos ditames de tolinhos que seguram a pistola contra a sua própria cabeça, ameaçando premir o gatilho se eles — nós — não fizermos o que eles querem. Pois que disparem.

Europa, Rússia e Grécia

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 O editor de economia da BBC News, Robert Peston, disse-o no início de Janeiro: o maior risco do euro em 2015 é político e não económico. Economicamente falando, a Europa está mais bem reparada que há 5 anos para a saída da Grécia do euro. O problema são as consequências políticas dessa saída. Peston referiu-se aos outros partidos radicais, de esquerda e de direita, que grassam pela Europa e são contra a União Europeia e, naturalmente, o euro. Não mencionou a entrada da Rússia no jogo.

Mas bem vistas as coisas, ela é natural. Se a UE mete o dedo na Ucrânia, zona de influência russa, Putin faz o mesmo na Grécia, zona de influência europeia. Se não esquecermos que a Grécia se encontra por baixo dos Balcãs, é rival da Turquia, e está em pleno Mediterrâneo, onde a Rússia quis meter o pé desde sempre, tudo se torna ainda mais claro.

Tsipras aproximou-se da Rússia, precisamente porque o braço-de-ferro é político. Ele até pode ceder na sua aproximação à Rússia, mas em troca de uma cedência europeia em matéria económica, como seja a renegociação da dívida grega. Quem pensava que a subida ao poder dos extremistas do Syriza e dos Gregos Independentes só afectaria a moeda única, tem de repensar as suas conclusões.

A dívida pública grega pode tornar-se o palco da luta por um novo equilíbrio europeu.

Mencheviques

É bom saber que nem todos os socialistas andam alheados da realidade. Jaime Gama diz que a ilusão do Syriza “só vai durar umas semanas” e que “a única coisa que falta ao programa é uma máquina de fabricar moedas falsas“. Infelizmente não é esta a linha oficial do PS que por estes dias pouco se distingue da extrema-esquerda.

Somos todos Syrisa & Co

Dugin

A cooperação que vem de longe, promete animação.

New Greek Government Has Deep, Long-Standing Ties With Russian ‘Fascist’ Dugin.

Europe-watchers understood immediately that the new leftist Syriza-led government in Greece could shatter the European Union’s fragile solidarity condemning Russian aggression in Ukraine.

But recently leaked e-mails are revealing some of the extent and duration of Syriza’s ties with Kremlin-connected Eurasianist ideologue Aleksandr Dugin and Russian oligarch Konstantin Malofeyev, who is believed to have bankrolled much of the separatist movement in Ukraine.

Anton Shekhovtsov, a researcher who studies far-right politics in Europe, says that sympathy for Russia by Syriza and its coalition partner, the right-wing Independent Greeks party, goes far beyond the norm for Greece.  “Pro-Russian sentiment is quite widespread in Greece overall,” Shekhovtsov says. “But these two parties — their foreign policy is overtly, openly pro-Russia. And the fact that the new government’s prime minister, Alexis Tsipras, his first contacts were with the ambassador of Russia in Greece, that means probably they will be trying to establish more significant cooperation with Russia.”

 

Así es el socio de Syriza en Grecia: un partido germanófobo, racista y antisemita.

Griegos Independientes, el aliado de Syriza en el Gobierno, destaca por su radical discurso contra alemanes, inmigrantes y judíos.

 

International Politics and the Eurasianist vision

Lecture of Alexander Dugin held in the University of Piraeus (Greece), Department of International and European Studies. The lecture took place the 12th of April 2013 in the context of the Russian Foreign Policy course.

Adenda: Um artigo mais sobre a ligação entre Alexander Dugin e o Syriza. Desta vez com (mais) fotografias.

 

No Fio da Navalha

O meu artigo desta semana no ‘i’ é sobre a regionalização defendida, desta vez, pelo presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio.

A regionalização

O presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio, que assina uma das colunas na página do lado, defendeu neste jornal a regionalização. Referindo-se aos instintos centralistas que é preciso combater, e no meio de outras considerações, como a afirmação da identidade de uma região, o texto acaba por ser a repetição de um discurso que tem pouco de inovador.

Não me oponho à regionalização se esta também for fiscal. Quer isto dizer o quê? Muito simplesmente que as regiões devem ser financiadas pelos impostos que cobram aos seus habitantes. Caso contrário, a regionalização não passa de uma presunção. Presume-se que se descentralizam funções, mas estas continuam a ser financiadas por Lisboa, mantendo-se dependentes do poder central.

Uma regionalização verdadeira não é apenas de poderes, mas de responsabilidades. E a principal responsabilidade de um político que faz obra é a apresentação de um plano de pagamentos. Como se paga o que se construiu? A questão não é pertinente apenas devido aos problemas que todos conhecemos, mas indispensável para o bom funcionamento democrático.

É que, se as medidas de um dirigente regional não forem pagas por quem vive na sua região, a factura será transferida para os que estão fora do seu círculo eleitoral, e não podem votar contra ele. A regionalização pode proporcionar um Estado mais barato e eficiente se houver verdadeiro escrutínio. Quem paga deve ter uma palavra a dizer. Os tempos são outros e a regionalização, a ser feita,

Visitas que fazem sentido

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A Rússia confirma a visita do Querido Kim Jong-un a Moscovo. Em Maio, a delegação norte-coreana terá a oportunidade de  trocar notas, experiências e impressões ao mais alto nível político com as autoridade russas sobre como governar  países em guerra, falidos e sem comida.

Está a correr de feição (3)

Standard & Poor’s ameaça cortar rating da Grécia

A agência considera que as medidas defendidas pelo novo Governo grego “são incompatíveis com a política acordada entre os anteriores Executivos e os credores oficiais”.

Ideias radicais-moderadas para um Syriza português

Sendo a França e instituições francesas os maiores credores de Portugal, acho que chegou a hora de cobrarmos a esses gauleses as indemnizações nunca liquidadas pelos danos causados durante as invasões napoleónicas, bem como pelo extenso património que Junot, Soult e Massena levaram do nosso país quando batiam em retirada. Assim por alto, se juntarmos um coeficiente de actualização monetária, ainda que conservador, somos capazes de chegar a qualquer coisinha próxima dos 80% do PIB. Se for preciso arredondar, para dar conta certa, podemos sempre entregar os Mirós.

Corrida aos bancos na Grécia?

Não sei porquê, mas não me espantava que dado o ímpeto reformista que se assiste na Grécia, amigo da descapitalização acelerada do sistema, pouco faltará para que o mesmo povo que elegeu o Syriza, chegada a ressaca, inicie uma corrida aos bancos, à caça dos seus euritos. Começo agora a perceber melhor a escolha do ANEL, e a atribuição de pastas dentro do novo governo, já que na hora de distribuir cacetada há que manter a tradição e deixar esse trabalho sujo para a Direita – de preferência, para a má Direita, Nacionalista e com um quid de Fascista.