Países Europeus em que não são necessárias auditorias…

São 2. Quem arrisca?

Bem, como podem confirmar aqui e ler neste artigo:

Juntamente com a Suécia, este é o único país europeu onde não são necessárias auditorias regulares de Bruxelas“, referiu o comissário europeu Johannes Hahn, durante a apresentação do acordo de parceria entre Portugal e a Comissão Europeia respeitante aos fundos comunitários para o período 2014-2020.
O comissário, que falava durante uma cerimónia na residência oficial do Primeiro-Ministro, em Lisboa, sublinhou que isso se relaciona com o facto de os sistemas de auditoria em Portugal serem considerados credíveis pelas instituições europeias e lembrou que a Alemanha, que anteriormente tinha também um contrato de confiança, não o conseguiu revalidar desta última vez.

Dinamarca e Finlândia são de desconfiar. Já Portugal…
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“Uma pipa de massa”

“Que se calem”, disse, com a classe que lhe é reconhecida, o senhor que à primeira oportunidade virou as costas aos seus compromissos com o país para ocupar um cargo europeu, “aqueles que dizem que a Comissão não é solidária com Portugal”. Tudo porque, com pompa inversamente proporcional à vergonha na cara, Durão Barroso e Passos Coelho vieram hoje anunciar os 26 mil milhões de euros de fundos estruturais que a União Europeia atribuirá a Portugal ao longo dos próximos anos. “Uma pipa de massa”, segundo Barroso, que “é preciso gastar bem”. Pois é aí que está o problema. A experiência do país com os fundos europeus não augura nada de bom nesse capítulo.

Há uns anos, em Março de 2003, a The Economist publicava um artigo que punha em dúvida a ideia de que os fundos europeus beneficiavam os países que os recebiam. O artigo citava o português Pedro Pita Barros, que contava como, quando fez um comentário semelhante numa conferência, muitas pessoas comentaram em privado – e em privado – que concordavam com ele. “The most obvious way that regional aid might be damaging”, lia-se no artigo, “is by distorting priorities”: “businesses spring up to exploit the availability of subsidies, most obviously for construction and “training”, rather than responding to the real demands of the market. In order to qualify for it, recipient countries usually have to chip in around half of the cost of an EU-financed project. That tempts them to spend taxpayers’ money on schemes that they might otherwise not bother with. This is a potential headache in a country like Portugal, which is undergoing a ferocious budgetary squeeze to keep within the euro area’s fiscal rules but which is nonetheless tempted to press ahead with new infrastructure projects of marginal value—for fear of losing “European money”“.

Um argumento semelhante é desenvolvido pelos nossos Carlos Guimarães Pinto, Miguel Botelho Moniz e Ricardo Gonçalves Francisco no seu O Economista Insurgente: “os subsídios europeus foram bem aproveitados no desenvolvimento de infraestruturas públicas e no crescimento de certos sectores”. O problema esteve em que “a simples transferência de fundos vem com poucas exigências para além de um caderno de encargos e, por vezes, cofinanciamento dos investimentos. Os beneficiários apenas se têm que preocupar em preencher todas as exigências burocráticas exigidas pela autoridade gestora dos fundos”. E assim, “pessoas e empresas que teriam aplicado os seus esforços noutro tipo de actividades” deslocaram-nos para actividades que apenas eram rentáveis por decisão, não das preferências das pessoas através de cuja procura se criasse um mercado para determinadas actividades, mas das estruturas políticas europeias e nacionais, que definiam o que era “estratégico” e “prioritário”. O grande problema dos subsídios europeus, dizem o Carlos, o Miguel e o Ricardo, foi “terem deslocado recursos de actividades produtivos para actividades rentistas”. Substituiram o mercado da interacção dos indivíduos pelo mercado da influência política. E com isso, claro, vem sempre corrupção.

No seu artigo, a The Economist citava Pita Barros, que argumentava que “it’s when you hear people seriously suggesting that Portugal should fiddle its official statistics, so that we are still rated poor enough to qualify for European subsidies, that you wonder if this has gone too far”. Um funcionário comunitário também citado pelo artigo acrescentava que “the best thing the EU could do for Greece is to cut off the structural funds immediately. They’re turning Greece into Europe’s Mezzogiorno [the depressed southern part of Italy]. Anybody who works hard at a regular business is regarded as an idiot, since it’s much easier to set up a project to draw in European subsidies.”
O artigo terminava lamentando o facto de ser muito provável que estes erros fossem mantidos, porque os fundos estrututaris eram vistos pelas estruturas comunitárias essencialmente como um instrumento de propaganda, tanto da própria União como a nível intyerno de governantes sempre dispostos a fazerem anúncios que lhes pudessem dar votos. Onze anos depois, pelos vistos, não aprendemos nada, e o lamento da revista pode infelizmente continuar a ser feito.

Surpresa! A personalidade do político conta.

O meu texto de hoje no Observador.

‘O PS é um partido cómico. Nos últimos meses qualquer socialista que se preze parece ter tomado para si as dores de entreter o país. O último motivo de risota é terem dado em sugerir-nos que avaliemos as capacidades pessoais de Costa por oposição às suas ideias. E por que é isto tão divertido? Eu explico.

Lembram-se daqueles tempos longínquos em que os portugueses eram compulsivamente felizes, o governo ainda não fora tomado (através de magia negra) por malfeitores que têm como ambição empobrecer o país, quando havia dinheiro a rodos para distribuir o brinquedo Magalhães e colocar nas escolas candeeiros e torneiras de designers de topo (a expensas da Parque Escolar – e do contribuinte)? Tempo de governação competente que terminou num resgate da troika, mas só porque pessoas que nos costumavam emprestar dinheiro – os patifórios – deixaram (graças ao vudu) de o fazer?

Também se recordam, nesse tempo glorioso, de um ou outro caso mediático que envolvia o primeiro-ministro Sócrates em situações onde não fica bem um pm estar envolvido? E do rasgar de vestes dos apoiantes de Sócrates pela campanha pessoal que se fazia contra o distinto pm? E do enfado moralista porque se discutia o primeiro-ministro em vez de apenas as suas políticas?’

O resto está aqui.

Venda-se

“Quartel de bombeiros do Rossio, Palácio Marquês de Tancos, prédio destinado a um centro social em Campo de Ourique, Palácio Monte Real e edifício da Livraria Municipal são alguns dos imóveis que a câmara quer vender para compensar a perda de receitas.”

Boas notícias. Alienação de imobiliário. Recurso a este tipo de receitas em vez de aumento de impostos. Redução de receitas fiscais. Só é de lamentar que a redução de receitas seja por redução da actividade económica e não das taxas marginais.

A quantidade de imóveis à guarda do Estado no seu sentido mais amplo continua a ser impressionante. É impressionantes porque nem na descrição actual das funções do Estado se pode encontrar a função de investidor imobiliário. Porque é que o Estado detem terrenos, casas, apartamentos e prédios? Qual a razão?

O que aconteceu ao longo do tempo é a atribuição destes imóveis a organizações Estatais ou para-Estatais e a amigos do governante do momento. Apesar de tanta generosidade continuam a existir terrenos e prédios a perder de vista desocupados e em decadência.

A pura existência destes imóveis na esfera estatal origina custos de operação. Em alguns casos legais, de manutenção ou simplesmente pela necessidade de estruturas para os “gerirem”.

Quando falamos da necessidade de esclarecer quais as funções do Estado e de desenhar um orçamento de base zero não nos podemos esquecer de pedir uma justificação para a permanência na esfera Estatal de cada um dos imóveis. Ser património histórico ou Cultural não serve como justificação, nada obriga a que este tipo de imóveis não sejam propriedade privada. A gestão pública de imobiliário é um foco de corrupção que é reduzido proporcionalmente com a diminuição de imobiliário público.

Não vale a pena ignorar o problema que é a venda em condições favoráveis a compradores amigos dos governantes empenhados na alienação. Este problema pode ser minorado com a obrigação de leilões abertos, sem restrições à licitação. Não pode ser eliminado porque factores como licenciamentos que podem ser facilitados ou dificultados à posteriori influenciam determinantemente o valor do imóvel. Também aqui a solução passa pela redução da necessidade de licenciamentos. As soluções passam por um denominador comum, menor peso do Estado na economia.

Uma nota sobre o conflito Israelo-Palestiniano

Quando o Império Ottomano se dissolveu, fruto da derrota das potências centrais na I Grande Guerra, esta foi a distribuição do território por entre os países aliados:

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Nem Arábia Saudita, Síria, Jordânia, Israel, Palestina ou Líbano existiam. O território era e continuou a ser, pelo menos até 1946, protectorado inglês e francês. Da mesma forma, também a dissolução do Império Austro-Húngaro levou a que outros países anexassem territórios que não lhes pertenciam, como a Sérvia, expansão que posteriormente conduziu à Jugoslávia.

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É importante recordar que a definição das actuais fronteiras foi um processo dinâmico e contínuo, fruto de conflitos militares, e que com excepção de Portugal, ainda há nem 60 anos se voltaram a redefinir. É também relevante relembrar que até 1991 a Europa do Leste não dispunha de soberania, a Alemanha estava dividida em duas repúblicas, e as suas fronteiras eram meramente virtuais na composição da União Soviética, e não fosse a dissolução da USSR, ainda hoje existiria RDA.

O objectivo desta contextualização não se prende com defender a expansão dos colonatos em Israel pós-1967. É apenas derrubar a tese de que o Estado de Israel não tem direito a existir por apropriação indevida de território, que aliás pertencia ao Reino Unido. Um ponto de ordem importante num momento em que o anti-semitismo tende a ressurgir, e em que moderados ocidentais começam a adoptar o discurso anti-sionista que apela à erradicação do Estado de Israel, e que, poucas dezenas de anos desde a última tentativa ainda não passaram, do povo de Israel. E ainda mais importante sabendo que a ordem dos jihadistas é a de que as fronteiras se redefinam uma vez mais, desta feita todos muçulmanos.

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Nota: este artigo beneficia magnanimamente com a leitura destes três artigos e respectivos comentários:

o pântano

“Já foi conhecida a execução orçamental do primeiro semestre deste ano, e os dados não deixaram grande margem para dúvida: com elevada probabilidade, a meta do défice para 2014 não será atingida – pelo menos, não sem novas medidas extraordinárias. A história repete-se, e o problema é o mesmo de sempre: a despesa pública cresce quando deveria estar a diminuir.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

“há pessoas que deviam ser diabéticos”

Tomas Vasques, no seu Facebook, sobre Diabetes:

O Ministério da Saúde está muito preocupado porque, em 2013, se gastaram 575 mil euros por dia em medicamentos para diabéticos. Sabendo que existem cerca de 1 milhão de diabéticos, em Portugal, significa que cada doente, em média, consumiu em medicamentos 60 cêntimos por dia. Repito 60 cêntimos. Se se preocupassem com os milhões consumidos pelas PPPs, swaps e outras benesses dadas aos bancos, os diabéticos deste país agradeciam.

Comecemos pelos números: Tomas Vasques aponta para este artigo do Público (não riam, vá) para justificar o seu “1 milhão de diabéticos”. Se ele visse o relatório “Diabetes: Factos e Números – 2013″, aqui disponível na página da DGS, ele saberia 2 coisas:

  1. Dos supostos “1 milhão”, como é visível na página 10 do relatório e vem mencionado no artigo do Público, 44% são “não diagnosticados”. Gostava de saber quanto dinheiro é gasto com esses 44% não diagnosticados.
  2. Sobre os 575 mil Euros por dia (ou 210 Milhões por ano): como é visível na página 63 do relatório, esse é apenas um dos custos que o Estado tem com a diabetes, que é estimado ser entre 1250 a 1500 Milhões por ano – 8 a 9% dos gastos com saúde em Portugal.
  3. Se vai usar o argumento do rácio “gasto por cidadão”, porque usar um numerador menor e um denominador maior? Dá mais “pontos” por os números não serem já antes relevantes?

Gostando de ter os números corretos, chamei a atenção. A resposta? Podem ler aqui.

Vou-me ditar, mas antes digo: há pessoas que deviam ser diabéticos.

Superioridade moral? Certo, certo…

E eu, o que desejo para este Jurista, “liberal à moda antiga”? Desejo apenas tempo. Tempo para pensar. Para ser coerente. E porque a questão de fundo aqui é muito mais preocupante que a dos números, ficam algumas questões para ajudar o Tomás a pensar:

  1. Eu também não concordo com os “milhões consumidos pelas PPPs, swaps e outras benesses dadas aos bancos”. Mas o que tem isso a ver com o caso aqui? Então “se se gasta mal em A, tem que se compensar gastando mal em B”?
    Isso é argumento, mesmo para um jurista?
  2. Assumindo que ele não tinha puxado pela e-nésima vez do argumento falacioso anterior, qual é a perspectiva do Tomás sobre a despesa estatal com a saúde? Uma vez criada a rubrica da despesa, é sacrossanta e indiscutível? Nunca se pode descer um cêntimo ou sequer se mostrar preocupação com os valores gastos?
  3. Assumindo que os cortes são impossíveis, a subida da despesa é inevitável. O que acontece quando ela atingir 20% do PIB? E 30%? E 50%? Qual é o limite?
  4. Há alguma preocupação com o modo como o dinheiro é gasto, ou apenas com o atirar mais dinheiro para a rubrica? É discutível em que são gastos os fundos para a saúde em Portugal, ou dá-se sempre preferência ao uso anterior dos fundos?
  5. Assumindo que a preocupação é honesta e não apenas uma jogada para se posicionar, se se preocupa tanto com o tema, o que é que alguma vez fez para ajudar a debelar o problema? Ou o seu apoio é apenas o apelo à “caridade forçada”?

Eu sou da opinião que numa sociedade democrática tudo deve ser discutido.
Eu sou da opinião que numa sociedade de recursos limitados tudo deve ser pesado, e que muitas vezes é possível oferecer mais com menos gastos.
Eu sou da opinião que numa sociedade inclusiva todos devem ser apoiados – e não apenas os diabéticos, e não apenas com o subsidiozinho.
Eu sou da opinião que numa sociedade eficiente, em que o Estado deixasse a sociedade resolver os problemas, mais cuidados de saúde seriam oferecidos a mais pacientes.

O Tomás é da opinião que eu deveria ser diabético.

Tudo bons rapazes

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Na sincronicidade a coincidência vai mais além. O fenómeno da aleatoriedade dá lugar ao significado. O relógio parado não acerta duas vezes ao dia porque ficou sem pilha, acerta duas vezes ao dia porque alguém lhe retirou a pilha.

A forma como os usuais paladinos dos fracos e oprimidos inundam a imprensa com usura e belicismo literário contra a usura dos facínoras capitalistas, contra os liberais, e contra seja lá o que for que atente contra o sonho socialista, contrasta estranhamente — ou coincidentemente — com a preocupação e candura de José Sócrates (e de tantos outros) com Ricardo Salgado, expoente (teórico) máximo da ira dos grandes timoneiros que lutam pelo depor do capitalismo, dos mercados e do mundo financeiro que nos agrilhoa. Mas que os abanca, porque cá se fazem, cá se pagam.

João Miguel Tavares sintetiza bem este fenómeno na sua crónica no Público:

“Um homem que teve o poder que ele teve e que sabe o que ele sabe não é coitadinho nenhum. Se Ricardo Salgado abre a boca, metade do regime parte o pescoço ao cair das escadas. As suas contas bancárias até podem ficar a zeros – enquanto ele tiver memória, continuará a ser um dos homens mais poderosos do país.”

Os cronistas do regime arregimentado a proteger o regimento que um dia regeram e que ainda hoje os rege. Realpolitik à portuguesa, com certeza.

Contrapartidas e negociatas

No Público

“As contrapartidas não são embuste nenhum”, esclareceu Ventura Leite, negando assim o adjectivo ontem utilizado pelo ex-ministro Luís Amado nesta mesma comissão de inquérito. Curiosidade: o primeiro era deputado do PS quando o segundo era ministro, no primeiro Governo de José Sócrates. Ao longo desses quatro anos (2005-2009), o deputado eleito por Setúbal fez o primeiro relatório sobre as contrapartidas nos avultados negócios de compra de material militar.

Nesse documento, aprovado por unanimidade na comissão de economia, e subscrito pelos deputados António Filipe (PCP) e Hugo Velosa (PSD), Ventura Leite concluiu que “o Estado tinha sido absolutamente negligente, no mínimo”. Terá sido, até, na opinião deste economista, “extremamente incompetente, com prejuízo para o país”.

Sobretudo, esta foi a tese principal do ex-deputado, porque havia no Estado um enorme “amadorismo”. Resultado: “Portugal não beneficiou das contrapartidas” como outros países.

Uma das razões, que já vinha sendo levantada nas audições anteriores, prende-se com a proliferação de “intermediários”. Ventura Leite confirmou: “O Estado entregava o processo a terceiros, a um intermediário. O processo presta-se a todo o tipo de negociatas.”

Corrupções à parte, convém ter presente que mesmo bem negociadas as “contrapartida” tendem a inflacionar o custo dos equipamentos. São no fundo um subsídio encapotado a industrias específicas. Pagos pelos contribuintes.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’.

Um regime blindado

O país anda chocado com a história à volta do BES, ao mesmo tempo que teima em abrir os olhos para perceber como uma coisa daquelas se deu. E aconteceu precisamente porque a economia portuguesa é uma economia de compadrios, com o poder político à mistura a distribuir fundos e negócios pelos empresários, que só assim são chamados porque os país teme e venera o poder.

O BES é um exemplo de como funciona o poder por cá. Correu muito mal, mas outros há  que, apesar de o desastre não ser tão acentuado, prejudicam diariamente um país cheio de grandes empresas encostadas ao poder político.

Quantas vezes não ouvimos falar da importância dos chamados “campeões nacionais”? De empresas que, dizem-nos, devem ser acarinhadas porque representam o país. Sucede que este discurso salazarista, com que o 25 de Abril não cortou e de que se alimenta há 40 anos, impossibilita a existência de uma verdadeira economia de mercado, ao mesmo tempo que culpa esse mesmo mercado pelos erros que seriam evitados caso fosse livre.

O esquema está, como se vê, perfeitamente blindado. A culpa é sempre do mercado, que nem sequer tem identidade própria, logo não existe da forma como os comentadores e os políticos o vêem. É esta blindagem, que gera empresas que são grandes porque fazem parte do regime, que tem de ser rompida. Para que essas mesmas empresas passem a ser parte de uma realidade onde o interesse das pessoas seja superior ao dos negócios políticos.

…até à queda final

“É sempre a subir” de Ricardo Reis (Dinheiro Vivo)

A maioria das pessoas já percebeu que quando os tribunais tornam impossível despedir um trabalhador, as empresas ficam mais relutantes em contratar seja quem for. Por isso, acabamos com mais desemprego e um mercado de trabalho com menos oportunidades. Não é preciso apresentar os argumentos teóricos ou estudos empíricos sobre o caso. Basta observar o mercado de trabalho em Portugal nos últimos 20 anos. Mas este fenómeno em que proteção de um lado leva a relutância no outro lado aplica-se noutros casos.(…).

No entanto, as hesitações que descrevi até agora não parecem ter muita força no sector público. Contrata-se trabalhadores, aumenta-se os salários, investe-se no património cultural e abre-se novos serviços. Porque é que a hesitação é forte no sector privado mas não no público?

Parte da resposta terá que ver com o horizonte dos políticos e legisladores. Abrir e expandir leva a obra feita neste mandato. Quem vai querer fechar é o próximo governo, pelo que é ele a sofrer com a impossibilidade de fazer cortes. Além disso, porque diferentes governos e forças políticas têm diferentes prioridades, quem está no governo quer mesmo expandir serviços, investimentos, e trabalhadores nas áreas que lhe interessam. Irá assim obrigar os governos do futuro a suportar as suas opções políticas, sem ter capacidade para as reverter.

O resultado final? A despesa sempre a subir – e os impostos têm de acompanhar. Até ao dia, claro, em que a economia não tem mais por onde ser taxada. Aí talvez juízes e tribunais percebam que quando não se pode reduzir, vender ou fechar nada, são o país e o regime como um todo que não conseguem ficar abertos.

Auditoria confirma irregularidades em Braga

Uma auditoria externa à Câmara de Braga confirma as suspeitas existentes

A auditoria à Câmara Municipal de Braga confirma “graves irregularidades financeiras” na anterior gestão socialista liderada por Mesquita Machado(…)

Um dos principais buracos financeiros confirmou-se na Fundação Bracara Augusta, cuja tutela era do então “super-vereador” socialista Hugo Pires – o actual líder da bancada socialista da oposição na Câmara Municipal de Braga. Num orçamento de um milhão de euros, existe um “buraco” de 350 mil euros, segundo confirmou hoje o SOL.

Há ainda a “derrapagem” de cerca de um milhão de euros devido à construção do prolongamento do túnel na avenida da Liberdade, motivando um acordo extra-judicial de 900 mil euros entre a autarquia e a Britalar, empresa de António Salvador, o presidente do Sporting de Braga, que se encontra em processo de insolvência. Em 2009, o prolongamento do túnel foi a principal ‘bandeira eleitoral’ da última recandidatura de Mesquita Machado.

Entretanto, o SOL apurou junto de várias fontes que o valor real da dívida da Câmara de Braga já ultrapassa pelo menos 100 milhões de euros, ao contrário do que sempre foi afirmado pelo anterior executivo socialista bracarense.(…)

Entretanto, continua a decorrer na Polícia Judiciária de Braga uma investigação criminal a mais um caso de alegadas ‘luvas’ nos Transportes Urbanos de Braga, em que um dos principais suspeitos é o anterior vice-presidente da Câmara da cidade, Vítor de Sousa, candidato derrotado nas últimas eleições autárquicas.

Mário Nogueira (ainda) não é Ministro da Educação (2)

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Caro Paulo, não percebi a referência aos supostos “melhores dias” da insurgência. Em qualquer caso, o post serviu como mais uma motivação para dedicar o meu artigo desta semana no Observador (A prova, os professores e os sindicalistas) ao tema.

Se há coisa que não tem faltado por aqui, são críticas ao MEC (não vou procurar links porque sei que o Paulo é um leitor atento do blogue), desde a falta de reformas que promovam a liberdade de educação até à manutenção praticamente inalterada dos mecanismos de financiamento no ensino superior. Não serão é o tipo de críticas que mais agradam ao Paulo, mas sobre isso pouco posso fazer.

Aproveito para acrescentar mais uma ideia que acabei por não incluir no artigo: é curioso que alguns dos maiores críticos da possibilidade de municipalizar competências no âmbito da gestão de docentes sejam simultaneamente críticos da realização de provas nacionais. É caso para perguntar: em que ficamos?

Termino com uma garantia que já em tempos dei ao Paulo Guinote: adoptarei exactamente o mesmo critério de análise e o mesmo padrão de exigência relativamente a executivos futuros, incluindo se o protagonista na altura vier a ser ele próprio, por exemplo como Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário ou mesmo como Ministro da Educação.

A crise do BES e o regime monetário em vigor

A crise do BES no seu contexto. Por Avelino de Jesus.

É útil distinguir aqui três níveis de análise: o criminal, o regulatório e o sistémico. Este último é o mais relevante. Tudo indica que, no essencial, não se trate de puras “irregularidades”. O essencial dos problemas decorre da lógica interna do sistema. Esta, por seu turno, tem duas dimensões, a internacional e a nacional. A vertente internacional remete para o regime monetário e é o pano de fundo mais importante. A dimensão nacional não pode ser omitida: ela explica o atraso nas manifestações e a vincada dimensão política dos acontecimentos (maior controlo político da banca, menor transparência, dificuldade de distinguir os aspectos criminais dos da gestão).

O regime monetário em vigor baseia-se num sistema de criação monetária eminentemente político que apela para a promiscuidade entre a banca e os políticos. Funda-se na emissão de poder de compra sem ou com ténue ligação à economia real. Este sistema tem três características essenciais:

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Marcelo Rebelo de Sousa e Ricardo Salgado

Declarações (e movimentações) curiosas: BES compromete “ambições presidenciais” de Marcelo, diz Pais do Amaral

Pais do Amaral lembra o caso Madoff e diz que, se Salgado “não se sair bem” do processo judicial do BES, Marcelo Rebelo de Sousa, por ser seu amigo, “não terá condições” para concorrer a Belém.

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A Sério, Costa?

António Costa falou ontem sobre “três questões políticas” de curto prazo. A saber:

  1. ASerioCostaLutar por uma nova leitura do tratado orçamental que se ajuste às metas do ciclo económico de modo a “cumprir as necessidades da dívida mas também de investimento” – resumidamente, mais défice, mais dívida e condescendência da União Europeia.
  2. Pedir uma maioria absoluta, excluir o entendimento com os actuais PSD e CDS e abrir a porta a um entendimento com os partidos mais à esquerda – medo.
  3. Implementar “um plano de recuperação económica e social” que consiste em “travar a austeridade para dar confiança”, dar “estabilidade das pensões já formadas” e recorrer ao BCE, ao BEI e ao próximo Quadro Comunitário de Apoio para “capitalizar as empresas” – também mais défice e mais dívida ao mesmo tempo que se espera que a Europa continue a transferir indefinidamente fundos para cá.

A sério, Costa? É este o melhor calibre que o nosso sistema político consegue produzir?

Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais

Apresentação Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

Recordo que está em curso a 1ª fase de candidaturas à Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Catolica Portuguesa, em Lisboa.

O concurso aos cursos da UCP é local, pelo que a opção “Universidade Católica Portuguesa” não está incluída no concurso nacional, devendo a candidatura ser feita directamente junto da UCP.

Está também em curso a 3ª fase de candidaturas ao MA in Governance, Leadership and Democracy Studies, assim como a 2ª fase de candidaturas aos programas de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais.

A nova lei do jogo online

JogoOnline@Portugal.pt. Por Michael Seufert.

Não se brinca com coisas sérias. Mas até apostava que um ano depois desta lei ter entrado em vigor o panorama do jogo não estará assim tão diferente. Terão aumentado as receitas globais, claro: afinal passam a ser legais uma série de transacções que neste momento não o são. Mas em termos de operação e de oferta não se verão grandes mudanças. Daí em diante as alterações serão as que ocorreriam na mesma, mesmo sem esta lei. O jogo online está aí e vai continuar a estar. Permitam-me a esperança – mas aqui já não aposto – que alguma desta receita possa aliviar outro imposto qualquer. Nem peço nenhum em particular, apenas aquilo que a direita tem, agora que apagou o incêndio socialista, a obrigação de fazer: sair da frente e dos bolsos dos portugueses.

A fortuna de Michael Moore

Divórcio de Michael Moore revela riqueza do realizador

O realizador Michael Moore divorciou-se de Kathleen Glynn com quem estava casado há 22 anos, noticiou a BBC esta quinta-feira. E ficou-se a saber o vasto património do realizador de cinema, conhecido pelas suas posições anti-capitalistas.

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(Des)Amor com (des)amor se paga

Israel – como tudo na vida – não está acima de críticas. Nem na atual guerra com o Hamas em Gaza nem nos intervalos das erupções violentas. E tem lá dentro os intoleráveis judeus ultra-ortodoxos que são tão agradáveis para o género feminino (dou três exemplos) como as gentis almas que compõem o Hamas. Mas confesso que me espanta como há tanta gente que tem bitolas tão distintas para os dois lados. Israel não pode atacar (como faz agora e em resultado de ataques sofridos) mas também não se pode defender preventivamente (ai Jesus que construiram o muro); Israel não pode atacar mas ninguém se lembra que do tempo em que iam mandar os judeus ao mar (propósito que ainda tem o Hamas), das guerras que o lado palestiniano provocou e dos boicotes a qualquer tentativa de uma paz negociada – e tudo em prol de jogos de poder entre Hamas e OLP (e dentro de cada um), da manutenção de esquemas de corrupção que enriqueceram os líderes da OLP e para distrair os palestinianos da negligência e incompetência e corrupção dos governos de OLP e Hamas.

Já com o Hamas a complacência é total. A indignação com as mortes civis (e sobretudo de crianças) dirige-se toda para o exército israelita, mas o facto do Hamas preferir o apelo propagandístico das mortes de crianças e civis pelos israelitas, localizando-se onde faz mais mossa à população civil em caso de ataque, em vez de proteger os civis de Gaza já é de todo irrelevante e não lhe atribui nenhuma culpa na morte dos referidos civis. A pobreza em Gaza não interessa, os desrespeito pelos direitos humanos das mulheres likewise. E para o que acontece ao mesmo tempo na Síria e nos locais controlados pelo ISIS olha-se para o lado, que não é conveniente haver outros concorrentes à indignação que se quer oferecer toda a Israel.

Eu, se tiver de escolher lados, fico com Israel. Tem erros, tem exageros, tem mão militar pesada. Mas não festeja as vítimas do outro lado, não sacrifica vidas civis do seu lado à propaganda, não só não tem um total desrespeito pelas vidas do lado inimigo como não pretende provocar o maior número de vítimas – é isto o Hamas. Que, além disso, defende coisas que me são aberrantes. Aprecio tanto o Hamas como lá valorizam o que eu sou e represento: uma mulher ocidental independente.

Uma boa leitura para estes dias – e porque os dramas humanos naquela zona não começaram agora – é o Oh Jerusalem, da dupla Larry Collins e Dominique Lapierre. (Livro sobre o qual escrevi no primeiro jornal que deu guarida a textos meus – o Notícias do CUPAV – depois do assassinato de Ytzhaz Rabin, que era referido no livro nos seus tempos do Palmach, a 4 de novembro de 1995. Lembro-me perfeitamente de ter sabido desta notícia numa área de serviço da A1, já bem de noite no regresso de Coimbra, onde tinha ido à festa de 20 anos do CUMN.)

oh jerusalem

Assim vai o Iraque…

Fundamentalistas destroem túmulo de Jonas

O túmulo do profeta que, na Bíblia, sobreviveu três dias na barriga de um peixe, no fundo do mar, foi destruído numa onda de ataques do grupo de terroristas do Estado Islâmico.

Purged by ISIS, Iraq’s Christians appeal to world for help

Iraqi Christians are begging for help from the civilized world after Mosul, the northern city where they have lived and worshiped for 2,000 years, was purged of non-Muslims by ISIS, the jihadist terror group that claims to have established its own nation in the region.