O Insurgente

Julho 4, 2009

A pianista, a corte e o dinheiro público

Arquivar em: Diversos — Bruno Garschagen @ 13:35

Concordo com quase todas as palavras, vírgulas e verbos articulados pelo Carlos Guimarães Pinto no post Uma parasita a menos (logo abaixo).

Só discordo visceralmente da última frase do texto:

Maria João Pires decidiu abandonar a nacionalidade portuguesa e partir para o Brasil. Era bom que os restantes parasitas lhe seguissem o caminho.

Não é por qualquer sentimento xenófobo ou antiimigratório, até porque cá estou em Lisboa. É porque, meu caro Carlos, no Brasil já tem tanto artista e artista em busca de uma boca estatal ou já beneficiário dela que temo no médio e longo prazos o governo brasileiro destinar uma parte gorda do orçamento só para financiar projectos artísticos pessoais (alguns, efectivamente, atraem umas 10 pessoas, incluindo familiares e amigos íntimos).

No mês passado, por exemplo, o Ministério da Cultura do Brasil, por interferência directa do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, autorizou o pedido dos produtores para financiar a digressão do compositor e cantor brasileiro Caetano Veloso mediante benefícios fiscais da Lei Rouanet (de incentivo à cultura na qual empresas podem deduzir uma parte do Imposto de Renda ao patrocinar eventos culturais). Um mês antes, em maio, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), responsável por analisar os projectos, negou o pedido dos produtores sob a justificativa de que um artista como Caetano Veloso não necessitava do benefício por ser comercialmente viável. O valor pedido? R$ 2 milhões, 733.785,39 euros na cotação de ontem.

É preciso ter muita coragem para não entrar nesse esquema. Em agosto de 2007, o já falecido músico e realizador Zé Rodrix pediu demissão ao descobrir que o espectáculo sobre a vida de Jim Morrison no qual trabalhava teria recursos obtidos via Lei Rouanet:

Não acredito que o dinheiro de TODOS deva servir para patrocinar a aventura pessoal de ALGUNS, e, quando isto se configura, eu saio fora. Investimento deve ser feito com dinheiro real que não prejudique o essencial do país. Impostos devem ter fim específico, e os sustento da arte não é, a mer ver, uma destas essencialidades. Sempre fui um artista que não se privilegiou de nenhum tipo de ligação com estados e governos, em nome de minha própria liberdade. Assim sendo, há que haver em mim algum respeito pelas coisas em que eu acredito. Se entrar nisto, estare negando tudo que é a minha maneira de ser, pensar e agir. No Brasil de hoje, precisamos de investidores conscientes, e não, segundo minha maneira de ver a realidade, de utilizar de maneira equivocada o dinheiro público.

Não sei os detalhes das razões que motivaram tal decisão insensata da pianista portuguesa, mas, meu caro Carlos, não incentive outros a fazê-lo porque senão os artistas brasileiros passarão a ver com maus olhos os artistas portugueses e antevejo passeatas, protestos, gritos, desmaios, espasmos para ver quem consegue arrancar mais do contribuinte brasileiro. Não será, de facto, uma cena bonita de ser ver.

Uma parasita a menos

Arquivar em: Brasil, Justiça, Política, Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 10:03

Maria João Pires tem um projecto pessoal que muitos consideram meritório. Podia ter financiado o projecto recorrendo às suas poupanças pessoais, receitas de vendas de discos e concertos, a doações voluntárias de todos aqueles que consideram o projecto meritório, organizando rifas, prostituindo-se ou mendigando. Acabou por optar pela forma menos digna, embora mais usual entre os seus colegas de profissão, de se financiar: extorquindo dinheiro aos restantes contribuintes.
Felizmente, até para o nosso estado socialista a chantagem tem limites. A estratégia de extorsão de Maria joão Pires acabou por correr mal. Bem sei que é uma excepção, que, ao contrário da Maria João Pires, há muitos que conseguem extorquir dinheiro anos a fio aos restantes contribuintes para projectos pessoais, habitações gratuitas, bolsas de estudo e afins, mas não deixa de ser um bom sinal que esta história tenha acabado assim.
Maria João Pires decidiu abandonar a nacionalidade portuguesa e partir para o Brasil. Era bom que os restantes parasitas lhe seguissem o caminho.

“La comunidad internacional está cometiendo uno de los errores más grandes en la historia”

Arquivar em: Internacional, Política — Bruno Garschagen @ 00:03

Ver militares nas ruas assusta e é mais simpático ficar ao lado daqueles que protestam contra os militares, mesmo que os militares estejam do lado certo, no caso de Honduras, ao lado da legalidade, da Constituição, da democracia e da paz.

No blogue do OrdemLivre.org, Diogo Costa já alertara sobre a indiferença e a manipulação da informação na imprensa internacional a respeito dos eventos em Honduras.

E o que pensam os hondurenhos?

Como todos los hondureños nuestra vida normal se ha interrumpido en los últimos días, no porque estén militarizadas las calles o hayamos perdidos nuestras garantías constitucionales (excepto el toque de queda de 9PM a 6AM) como falsamente dicen muchos medios de comunicación internacionales, sino porque estamos en pie de lucha, ya sea en las calles o frente a nuestras computadoras, para contarle al mundo la verdad de lo que aquí está ocurriendo.

Desde ayer estamos saliendo masivamente a las calles en las principales ciudades del país, hombres y mujeres de todas las clases sociales, para mandar tres mensajes contundentes al mundo entero:

1. La inmensa mayoría de los hondureño no apoyamos, repito, NO apoyamos a José Manuel Zelaya Rosales, y no permitiremos que regrese al poder, venga escoltado de quien venga, y nos impongan las sanciones que nos impongan.

2. Exigimos a los medios de comunicación internacional, especialmente a CNN que tenga la decencia de cubrir objetivamente la noticia en Honduras, pues ha llegado hasta el extremo de mostrar escenas de manifestaciones en CONTRA de Zelaya Rosales como si fueran a favor de él.

3. La comunidad internacional está cometiendo uno de los errores más grandes en la historia de la defensa universal de la democracia, al querer mandarnos de regreso a un dictador sumamente impopular. Con el tiempo lo descubrirán.

O texto é do blogue Las Honduras Posible, de Margarita Montes, especialista em ciência política e relações internacionais e mestre em administração de empresas. Na sua análise dos acontecimentos e da reação internacional é possível ter um bom panorama do que está acontecendo por lá. E ver o quão absurdo é o ultimato da OEA (Organização dos Estados Americanos) ao governo interino de Honduras para que em 72 horas (a contar do dia 1) restitua o presidente deposto, Manuel Zelaya.

População, Congresso, Ministério Público, o alto comando das Forças Armadas e o Judiciário estão unidos na decisão de manter a deposição e de impedir a volta de Zelaya ao país.

Julho 3, 2009

José Miguel Bettencourt, Barroso e as criancinhas de Brezhnev

Arquivar em: Comentário, Media, Política, Portugal, União Europeia — André Azevedo Alves @ 20:15

José Miguel Bettencourt
(clique para aumentar)

This event is indeed worthy of note. Such an outbreak of spontaneous youthful enthusiasm for a political leader has probably not been seen since children feted the then Soviet President Leonid Brezhnev on his birthday.

Youth for Europe is the brainchild of José Miguel Bettencourt who organised an online petition calling for Barroso’s reappointment and contacted universities in all EU member states in serach of like-minded souls. Bettencourt is Portuguese – and clearly in need of a job.

No actual contexto da União Europeia, a provável (mas não assegurada) recondução de Durão Barroso será provavelmente uma boa notícia quando comparada com as principais alternativas, mas a campanha para a recondução tem tido alguns episódios francamente infelizes.

Numa passagem recente por Bruxelas, pude constatar ainda os ecos de uma dessas iniciativas pouco recomendáveis, de que dá conta precisamente o artigo no jornal European Voice reproduzido acima.

O populismo deste tipo de apoios “espontâneos” não resulta em todo o lado nem em todos os contextos e algumas iniciativas – como a descrita ironicamente no artigo – podem até ser contra-produtivas por denotarem amadorismo na gestão da imagem política e exporem Barroso e a sua equipa ao ridículo.

Um dos pontos fortes da liderança de Barroso é o seu low profile e a sobriedade com que tem exercido o cargo. Iniciativas como esta não ajudam nada.

O silenciamento da ciência pelo eco-alarmismo

Arquivar em: Ambiente, Internacional, Política, Teoria — André Azevedo Alves @ 19:50

Desafiar o lobby eco-alarmista e a poderosa indústria do aquecimento global continua a ter um custo elevado: The EPA Silences a Climate Skeptic: The professional penalty for offering a contrary view to elites like Al Gore is a smear campaign

Mr. Carlin and a colleague presented a 98-page analysis arguing the agency should take another look, as the science behind man-made global warming is inconclusive at best. The analysis noted that global temperatures were on a downward trend. It pointed out problems with climate models. It highlighted new research that contradicts apocalyptic scenarios. “We believe our concerns and reservations are sufficiently important to warrant a serious review of the science by EPA,” the report read.

The response to Mr. Carlin was an email from his boss, Al McGartland, forbidding him from “any direct communication” with anyone outside of his office with regard to his analysis. When Mr. Carlin tried again to disseminate his analysis, Mr. McGartland decreed: “The administrator and the administration have decided to move forward on endangerment, and your comments do not help the legal or policy case for this decision. . . . I can only see one impact of your comments given where we are in the process, and that would be a very negative impact on our office.” (Emphasis added.)

(mais…)

Manuel Pinho atinge finalmente o justo reconhecimento internacional

Arquivar em: Internacional, Media, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 19:08

Esta é uma das notícias mais lidas do dia no site da BBC: MP’s cuckold sign shocks Portugal

Portugal’s Economy Minister Manuel Pinho has resigned after making a rude cuckold gesture at an opposition MP.

Mr Pinho placed his index fingers on his head, imitating horns.

Os contribuintes que se cuidem…

Arquivar em: Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 19:05

Associados tentam “salvar” projecto de Belgais

O projecto de ensino artístico de Belgais, em Castelo Branco, criado por Maria João Pires, está ameaçado devido ao arresto dos bens decretado pelo Ministério do Trabalho, mas Joana Pires, filha da pianista, não baixa os braços apesar de reconhecer que a situação é “muito difícil”.

Em declarações ao PÚBLICO, a presidente da Associação de Belgais (AB) lamenta a falta de apoio do Governo ao projecto e considerou “uma infâmia” a decisão do tribunal de arrestar os bens.

(…)

Os subsídios do Ministério da Educação, que eram a única fonte de financiamento do projecto, foram arrestados. Em causa está uma indemnização pedida por quatro ex-funcionários e que ronda os 78 mil euros.

Sem capacidade financeira para manter o projecto, Joana Pires pediu a intervenção da Câmara de Castelo Branco para uma garantia bancária que permitisse o levantamento do arresto, mas a autarquia respondeu com um não. Para a gestora do projecto, existiu “falta de vontade política”, o que não a demove.

Sócrates e a “Fortuna”

Arquivar em: Comentário, Livros, Política, Portugal, Teoria — Bruno Alves @ 17:38

(também publicado aqui)

Ontem, na Quadratura do Círculo (Flashback, para os saudosistas, e Tempo de Antena, para António Costa), o Presidente da Câmara de Lisboa, num daqueles momentos de falta de vergonha que, quando se trata da personagem, nunca escasseiam, disse que “a única” (imagine-se, a única) coisa que “correu mal” ao Governo foi “a sorte” (por, claro, não ter tido). Pacheco Pereira, que leu uns livros, logo exclamou: “a Fortuna”. António Costa, que leu menos (para ser simpático) não percebeu. E Pacheco Pereira, infelizmente, não explicou. Assim, o autarca lisboeta ficou sem saber que a “Fortuna” é um elemento que Niccolo Machiavelli, esse senhor que todos conhecem (mal), tratou no seu famoso O Princípe.

Se tivesse lido o livro (e compreende-se que tenha ficado pelos resumos, porque O Princípe não é das leituras mais agradáveis), António Costa saberia que, se há coisa com a qual um político não deve desculpar o seu fracasso, é com a “Fortuna”. Para Machiavelli (perdoem-me se não “traduzo” o nome do senhor), a “Fortuna” era “como um daqueles rios” que “se encolerizam e inundam as planícies em redor, destroem árvores e casas, tiram de um lado da terra para dar de outro”, e “diante” dos quais “todos fogem” e “cedem”, “sem nada poder fazer para os conter”. No entanto, ela é também como uma “mulher”, que, para se “conservar submissa”, é necessário “espancar” e “violar” (o homem não estava, de facto, em sintonia com as agudas sensibilidades dos nossos tempos). Ou seja, vendo a “Fortuna” como algo difícil de enfrentar, Machiavelli achava que, em certa medida, ela poderia ser “controlada”. Se é verdade que uma vez “encolerizado”, o rio da “Fortuna” não vê obstáculo ao seu “furor”, é também verdade que, “quando o tempo está calmo”, “os homens não deixam de ter a liberdade de construir muralhas e diques”, para lhe “conter o furor” e permitir que os estragos “não sejam tão ruinosos”. A Itália, pensava Machiavelli, havia sido “a sede das revoluções” por ser “um campo sem diques nem muralhas”, e assim sem meios para fazer frente à “cheia”.

António Costa acha que o Governo teve o azar de apanhar pela frente a “cheia” da crise internacional, que terá impedido Sócrates de colher os frutos das suas “reformas”. O problema é que essas “reformas” não foram reformas nenhumas: Sócrates sofreu o “furor” da “cheia” porque não se preparou para ela nos “tempos calmos”. De facto, não controlou o défice: mascarou uma despesa cada vez maior com uma carga fiscal ainda mais pesada. Não mudou nada na Segurança Social: adiou o rebentar do balão das pensões. Não mudou nada na forma como o Estado se relaciona com os cidadãos: berrou contra os “interesses” ao mesmo tempo que tudo fazia para não os ofender. O resultado final foi apenas o empobrecimento relativo dos portugueses no presente, sem lhes dar condições para que no futuro possam vir a alterar essa condição.

Quando chegou a crise, o país estava ainda mais frágil (e não “melhor preparado”, como pretendiam Sócrates e os seus aguadeiros) do que os outros para a enfrentar. Em vez de construir diques, deixou os campos abertos e destruíu as poucas muralhas que ainda tínhamos. Quando veio a “cheia”, Portugal estava vulnerável ao seu “furor”. António Costa pode achar que a “única” coisa que correu mal ao Governo foi a “sorte” que não teve. O facto de não ter conseguido lidar com essa falta de sorte é a prova de que tudo correu mal, pois nada do que o Governo fez nos “tempos calmos” foi capaz de nos proteger da “cheia”. Sócrates e o PS não se podem queixar dessa caprichosa senhora que é a “Fortuna”, pois o mero facto de se queixarem mostram que fracassaram, que foram incapazes de “a conservar submissa”. Por causa desse fracasso, vamos ter agora de lhe bater com ainda mais força. Não será agradável, especialmente para nós.

o pepino

Arquivar em: Diversos — ruialbuquerque @ 16:38

beavis_and_butthead

O Toneca era um menino muito engraçado. Precoce desde pequenino, respondão e danado para a brincadeira. Era o orgulho dos pais e o terror dos vizinhos. E da avó, cujos santinhos imaculados não tinham descanso de tantos bigodes e barbichas que lhes fazia. O Tareco, o gato do andar de cima, também não tinha sossego. Sempre que o Toneca o apanhava a jeito amarrava-lhe um extenso fio ao rabo, cheio de latas de coca-cola e outros refrigerantes gaseificados, com que o bichano corria rua abaixo num chinfrim infernal. Os pais achavam-lhe muita piada, admiravam-lhe a rebeldia e estimulavam-lhe o génio. Torceram-se a rir quando ele atirou um prato de farinha maizena à cara de um colega da escola, depois de lhe ter dito que ele tinha cara de bolacha. Que coisa engraçada! Que pilhéria! Que talento!

Um dia, o pai levou o Toneca para o emprego. A escola tinha acabado, a mãe estava a fazer as unhas na manicure, a empregada de baixa da caixa, e o rapaz não tinha onde ficar. Ficou sentado a um canto da sala onde o pai escrevia ao computador. Quando o senhor Antunes ia a passar – o Antunes era o genioso dono da empresa -, o Toneca achou-lhe graça à barrigaça protuberante, à careca avançada e ao enorme nariz avermelhado, e não esteve com meias medidas: pôs-lhe a língua de fora e fez-lhe uns corninhos com os dedos, enquanto soltava alguns horríveis e sonoros esgares. O pai ainda o correu à bofetada e ao pontapé, mas já não valeu de nada: estava a recibo verde e, no dia seguinte, já não trabalhava na empresa do impiedoso Antunes.

Moral da estória: de pequenino se torce o pepino.

António Costa posiciona-se para substituir Sócrates?

Arquivar em: Comentário, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 15:33

Independentemente das declarações do novo porta-voz do PS – tentando conter os estragos provocados pelo episódio dos peculiares gestos de Manuel Pinho no Parlamento – a verdade é que o PS parece ter entrado num processo de desagregação interna que será muito difícil de travar.

O sinal mais significativo a este respeito são mesmo, como realça Alexandre Homem Cristo, as declarações de António Costa, o (ainda) Presidente da Câmara de Lisboa criticando duramente o (ainda) ministro das Obras Públicas Mário Lino:

(1) António Costa sente que pode perder a eleição em Lisboa, e assumindo o inegável (i.e. que Lisboa está a cair aos bocados), responsabiliza o governo desse fracasso na sua liderança. É uma estratégia que em nada favorece a sua candidatura (porque não justifica a sua incompetência), e que tem como único efeito o indesejado descredibilizar da acção do governo.

(2) Parece evidente que António Costa, pressentindo a queda do governo, e a perda das eleições legislativas, está a querer salvar a sua pele, preparando-se para atacar a liderança pós-Sócrates.

Leitão da Bairrada

Arquivar em: Diversos — André Abrantes Amaral @ 14:58

Memória curta

Arquivar em: Comentário, Economia, Política, Portugal — João Luís Pinto @ 14:31

Espanta-me alguma simpatia presente nos comentários dos mais diversos comentadores em relação ao mandato do ministro Manuel Pinho.

Só pode ser concerteza memória curta em relação a um ministro que, desde a sua tomada de posse, se afigurou como uma das maiores tragicomédias a que tivemos a infelicidade de assistir neste governo. Não por falta de performances à altura, mas pelo particular brilhantismo da mesma.

Falamos afinal do ministro que foi vender salários baixos para a China, sapatos italianos em Itália, dos excessos de velocidade, das centrais solares com garantia de pagamento de energia a quatro vezes o valor da tarifa por muitos e bons anos, dos aerogeradores a outro tanto que tal, do déficit tarifário na electricidade, das centrais de ondas, dos postos de abastecimento de carros eléctricos inexistentes alimentados por baterias que gostaria que pudessem vir porventura a ser cá feitas, responsável institucional pelos desvarios e arbitrariedades da ASAE, das nomeações duvidosas, do “Allgarve”, do provincianismo com Michael Phelps, das sucessivas corridas com dinheiro dos contribuintes para acudir a empresas falidas (muitas delas instaladas elas próprias com principescas contribuições negociadas pelo mesmo Manuel Pinho), da Quimonda, da Opel de Azambuja, da Citröen de Mangualde, da AutoEuropa, da Bordallo Pinheiro, de Aljustrel, da “West Coast”, da Maizena.

Em suma, de um dos principais portadores da caderneta de cheques do dinheiro dos contribuintes que foi aqui e ali semeando o chequezinho da ordem para o projecto amigo ou que pudesse encher uns minutos de telejornal ou do discurso do patrão. Foi particularmente hilariante, aliás, o momento em que Manuel Pinho disse ontem em entrevista à SicN que era sempre “bem recebido” pelos empresários. Pudera. É de desconfiar de gregos com presentes, mas a cavalo dado não se olha o dente, e convém ser simpático a quem geralmente paga tempo de antena com dinheiro vivo.

Não existe falta de razões há muito tempo para demitir Manuel Pinho. Só a obstinação de Sócrates e a sua vontade de controlo sobre a Economia permitiu a permanência de alguém com tantos traços de inimputabilidade durante tanto tempo no governo. É em parte pena que, com essa abundância de razões, tenha sido uma palhaçada infantil de quem bem demonstrou que tem a boca (e as mãos) mais rápidos que o pensamento que tenha merecido o destino que há muito se pedia.

Fica a memória de um raro momento de clarividência como conselho para o novo titular da pasta. Dizia Manuel Pinho à TSF em 2006:

Não se decreta o fim de uma crise, isso é algo infantil e de quem não percebe nada de economia.

Hoje às 18 horas João Távora e Paulo Teixeira Pinto

Arquivar em: Insurgentes nos media, Internacional, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 14:05

jazzamemuito1

Esta semana estarei com Antonieta Lopes da Costa em debate com Paulo Teixeira Pinto e João Távora.

Juntos analisamos alguns dos principais temas da actualidade:

- Michael Jackson – A notícia da morte do ‘rei da pop’ correu o mundo em poucos segundos, através do twitter e do facebook. Depois de uma vida quase plastificada, foi este um fim demasiado mercantil?

- Burqa em França – Sarkozy defendeu que o uso da Burqa não é bem-vindo em França, por ser um símbolo de subserviência e não religioso. Será a força da lei a melhor forma para resolver esta questão?

- Governabilidade – Não se esperando a repetição de uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas, onde está a chave para a governabilidade do país?

- A guerra dos manifestos – Depois de 28 economistas terem alertado para os perigos do investimento público desenfreado, foi a vez de 51 personalidades de esquerda, manifestarem a necessidade de mais investimento estatal como única saída da crise. Por que motivo a política se faz cada vez mais fora dos partidos?

O “Descubra as Diferenças” tem podcast disponível aqui.

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

Então boa viagem

Arquivar em: Diversos — Maria João Marques @ 13:01

«A pianista Maria João Pires vai renunciar à nacionalidade portuguesa, tornando-se aos 65 anos cidadã brasileira. A notícia é avançada pela Antena 2 da RDP, que adianta que a pianista se fartou “dos coices e pontapés que tem recebido do Governo português”.»

Lê-se este pedacinho da notícia que dá conta da decisão de Maria João Pires renunciar à nacionalidade portuguesa e fica-se com os nervos em franja. Mas que coices recebeu MJP do Estado português? Teve inspecções indevidas da ASAE (ou sua antecessora IGAE), da IGT? Levantaram problemas com os alimentos fornecidos numa eventual cantina de Belgais? Os sindicatos andaram a agitar os trabalhadores? Houve atrasos maiores em qualquer licença que a nossa burocracia exige (camarária, do ministério da Educação, whatever) que não se verificaram nos casos dos restantes meros mortais sem dons internacionalmente reconhecidos? Ou, simplesmente, o Estado não lhe forneceu todo o dinheiro dos contribuintes  que MJP, por alguma razão, sentia que lhe era devido para os seus projectos? Se a razão é esta última, boa viagem para o Brasil, fique por lá, que em Portugal já há sanguessugas suficientes – e na área da ‘cultura’, ai quantas há – e menos uma sempre torna o país um bocadinho menos irrespirável.

O estranho gesto de Manuel Pinho no Parlamento

Arquivar em: Comentário, Política, Portugal, Videos — André Azevedo Alves @ 12:19

Ministro da Economia “faz cornos” para deputados

O episódio parece tão descabido que é difícil colocar de parte a hipótese de ter sido encenado, mas é possível que no calor do debate tudo tenha acontecido espontaneamente.

Entretanto, a extrema-esquerda disputa acesamente os cornos…

PS em perda nas intenções de voto

Arquivar em: Política, Portugal, Sondagens — André Azevedo Alves @ 12:11

Sondagem: PS perde para todos

Os valores (3,7%) da queda do PS segundo dados da projecção e em comparação com o Barómetro de Maio parecem transferir-se directamente para os restantes partidos que crescem nas intenções de voto, são praticamente a soma da subida dos restantes partidos: 2,5 % para o PSD, 0,5%, para a CDU, e 0,5% para o CDS/PP.

Só o Bloco de Esquerda acompanha o PS na descida das intenções de voto, ainda assim registando uma percentagem muito próxima da alcançada nas europeias.

(…)

O primeiro-ministro, cujos níveis de popularidade em Maio registavam um saldo (diferença entre avaliações positivas e negativas) de 18,4% sofrem, neste barómetro, uma quebra acentuada passando a ter um saldo de 7,8%.

E que tal renunciar aos subsídios recebidos?

Arquivar em: Comentário, Economia, Nanny State Watch, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 11:44

Não vai certamente acontecer, mas ficaria bem a Maria João Pires complementar o anúncio da renúncia à nacionalidade portuguesa com o anúncio da devolução dos apoios recebidos do Estado português, pelo menos os mais recentes.

Na mesma linha, recordo este post de 2006: Maria João Pires emigra para o Brasil.

Sorte dupla

Arquivar em: Política, Portugal — Miguel @ 10:46

Como bem lembra José Mendonça da Cruz, para além de lhe ter permitido livrar-se de um embaraço ambulante, o gesto irrefletido (?) de Manuel Pinho permitiu a Sócrates esquivar-se a perguntas sobre o saco-azul chamado “Fundação para as Comunicações”. Sobre o assunto leiam também o artigo de Paulo Pereira de Albuquerque no DN.

Veredicto final

Arquivar em: Diversos — Miguel @ 09:11

Ferreira Fernandes

O boi Ápis era adorado no Antigo Egipto e era símbolo da fecundidade. Provavelmente o ministro queria dizer, com o seu gesto, que ele, Manuel Pinho, fecundou, fez, arranjou trabalho para os mineiros. Mas o país, pouco dado à mitologia egípcia, não entendeu. Não entendeu apesar de o ministro ter feito corninhos que mais pareciam antenas da Abelha Maia – numa alusão evidente ao touro Ápis, pois ápis também quer dizer abelha. Ora é essa frouxidão na linguagem gestual – esses cornos parecidos com antenas – que eu mais critico em Manuel Pinho. Mais valia ele ter feito um grande manguito ao aparte jocoso. No Parlamento há certas coisas que não se fazem, mas, em fazendo, que seja com garra. E, depois, claro, pedia demissão.

Paulo Tunhas

Manuel Pinho, obviamente, andava mortinho por ir para casa. Estava farto daquelas coisas. Teve que convencer o primeiro-ministro José Sócrates disso na Assembleia da República. O processo foi heterodoxo, mas não tão absurdo como se diz por aí. Uma pessoa fica é a sonhar como serão os Conselhos de Ministros.

No gira-discos

Arquivar em: Videos — LT @ 08:56

Hoje, não sei porquê, lembrei-me deste belo merengue…

Tributo a Michael Jackson nos Emiratos Árabes Unidos

Arquivar em: Diversos, Médio Oriente, Videos — Carlos Guimarães Pinto @ 06:08

A falta que faz uma remodelação

Arquivar em: Diversos — Maria João Marques @ 00:19

José Sócrates tentou a proeza de uma legislatura sem remodelações ministeriais. Freitas do Amaral saiu por causa das costas, Campos e Cunha saiu ‘por razões pessoais’, António Costa saiu para ‘ir salvar Lisboa’. Verdadeiramente corridos foram apenas Isabel Pires de Lima e Correia de Campos.

O objectivo de Sócrates era o de demonstrar as suas inigualáveis capacidades de liderança e de manutenção de uma equipa governamental coesa e estável por uma legislatura. O objectivo foi ajudado pela teimosia socrática, que teimou em manter ministros de qualidade indigente e/ou desgastados por inúmeras gaffes por razões de lealdade pessoal. Está visto que também esta táctica de Sócrates correu mal. Manuel Pinho – ao lado de Lurdes Rodrigues, Jaime Silva, o ministro da Cultura de cujo nome não me recordo de momento, Mário Lino, Rui Pereira (que nem sequer deveria ter sido convidado para o governo, estando no Tribunal Constitucional), Alberto Costa – devia ter sido remodelado há muito. Não foi e agora o PM vê-se na contingência de entregar a pasta da Economia a um mau ministro das finanças, provavelmente porque depois das europeias e da incerteza das legislativas não há cordeiros sacrificiais minimamente credíveis no PS a correrem para a cadeira de ministro.

Tendo em conta o aumento da carga fiscal e da deterioração de índices financeiros vários durante o ministério de Teixeira dos Santos, o que sucederá se o senhor novo ministro da Economia também passar a dormir mal? Aguarda-se o pior.

Julho 2, 2009

Corolário de um governo mal-educado

Arquivar em: Diversos — Maria João Marques @ 23:56

Não nos iludamos, a última elegância de Manuel Pinho não resultou apenas de revolta e, novamente, de falta de sono reparador devido a noites mal-dormidas para salvar empregos pelas empresas por Portugal fora de que Manuel Pinho se queixa há, pelo menos, umas semanas – e pela qualidade da entrevista ontem do ex-ministro à SICN eu não tenho dúvidas que Manuel Pinho padece de uma atroz falta de sono e que as suas capacidades de análise e raciocínio are no more. Não. Vem na linha do comportamento do Governo dentro e fora de portas da Assembleia da República (composto por um conjunto de senhoras e senhores com o objectivo de fiscalizarem o governo, algo que o dito leva muito a mal), com exemplos frequentes presenteados pelo grande líder. A falta de educação de Sócrates é já lendária; é certo que é desajudado por um tom de voz que tende a esganiçar, e que a postura corporal o trai (os bracinhos frenéticos não ajudam); contudo as palavras são conscientes (espera-se) e deliberadas e a falta de educação de Sócrates com toda a oposição, e em especial com os deputados do PSD, não tenho outra forma de dizer, enoja – porque é básica falta de respeito pelos seus interlocutores e pelo eleitores que neles votaram. Silva Pereira e o algoz Santos Silva são também paradigmas de espécimes que uma democracia que se desse ao respeito não toleraria.

O Ministro-Gaffe

Arquivar em: Política, Portugal — Miguel @ 21:43

E pronto. Eis que sai de cena um dos ministros mais patéticos da IIIª República. Menos uma preocupação para os spin-doctors que têm de gerir a imagem de um governo em permanente silly-season.

O estado da nação

Arquivar em: Política, Portugal — LT @ 17:45

O Governo e a realidade

Arquivar em: Comentário, Economia, Política, Portugal — Bruno Alves @ 17:40

(também publicado aqui)

O senhor meu pai costuma dizer que não é difícil deixar de fumar: ele próprio o fez várias vezes. A crer nas declarações de vários dos nossos Ministros ao longo dos últimos anos, também não é difícil sair da crise que nos tem afectado desde (pelo menos) 2001: pelos vistos, já conseguímos sair dela várias vezes. O último a anunciá-lo foi o actual Ministro das Finanças Teixeira dos Santos. Aparentemente, terá havido um “aumento da confiança” dos “agentes económicos” (peço desculpa pela linguagem), que mostra como o pior já esteja para trás. Não ocorre ao senhor Ministro que esse “aumento de confiança” possa ser injustificado, que não passe de uma avaliação errada da parte dos tais “agentes”, e que como tal, não é, só por si, “sinal” do que quer que seja. E se houve coisa que a “crise internacional” mostrou foi como nós, seres humanos, somos por natureza cegos a grande parte da realidade, e temos “confiança” em muita coisa que não a merece.

Para algumas cabecinhas pouco ajuízadas, como a do Carlos Abreu Amorim, ficaram espantadas com o facto de tais declarações virem de um “bom ministro” (uma espécie análoga ao “bom alemão” do tempo da II Guerra) como supostamente será o das Finanças. Só espanta como alguém pode ficar espantado por Teixeira dos Santos. dizer o que disse. Pois foi este mesmo “bom ministro” que, há mais de um ano, disse que Portugal ia passar ao lado da crise internacional. Aliás, estas declarações mais recentes de Teixeira dos Santos não mostram apenas um “optimismo” insuficientemente justificado: são, isso sim, mais um sinal de como, pelo menos desde 2008, a conduta do Governo se pautou, a todos os níveis, pela mais compelta insensatez, e entrou no domínio do patológico. É que, bem vistas as coisas, estas declarações mostram o nível de demência que parece ter assaltado os membros do Governo. De facto, já nem para si próprios conseguem ser bons.

Desde o seu início que este Governo, representada na figura viscosa do seu Primeiro-Ministro, não passou de um anúncio publicitário. Durante anos, quis convencer as pessoas de que estava a fazer tudo, sem, na realidade, fazer nada. Quis fazer crer as pessoas de que Portugal estava a sair da “crise”, e com muita manipulação, lá conseguiu iludir os mais crédulos (que, a crer nas sondagens, eram abundantes). Como vária gente sensata disse, a crise internacional veio desfazer o encatamento, e mostrar às pessoas o que o Governo escondia por trás do véu que deitou sobre a realidade.

Quando a crise internacional se abateu sobre o país, ou melhor, quando ela ainda apenas ameaça abater-se, o Governo reagiu perante ela da única forma que conhece: com propaganda, procurando manipular as pessoas. E começaram a dizer que as políticas dos últimos anos nos preparavam como nenhum outro país estava preparado para enfrentar a crise. Como era evidente, independentemente dos méritos (poucos) das políticas governamentais, independentemente de terem ou não preparado o país para semelhante crise (não prepararam), uma crise internacional a economia dos nossos parceiros europeus, o que por sua vez afectaria as nossas exportações, sobre as quais assentavam as previsões (já de si muito optimistas) do Governo. Ou seja, era evidente que, por muito bem preparado que o país estivesse (e não estava, como se viu), a pobreza congénita do país o tornaria mais frágil que a maioriza dos nossos vizinhos.

O governo não podia acreditar no que dizia. E portanto, tais declarações só podiam ser compreendidas como exercício de propaganda. O que, no entanto, não as torna mais compreensíveis. Perante dificuldades como as que os portugueses sentem todos os dias, risonhas declarações como as de Teixeira dos Santos encontram uma audiência pouco receptiva: as pessoas, se pararem dois minutos para pensar e olharem para a realidade, não acreditarão no que o Ministro lhes diz. E mesmo que acreditem, não se percebe o que leva o Governo a dizer coisas dessas a seguir. Pois os seus Ministros certamente percebem que o que dizem não é verdade, e que quando a realidade bater à porta (se é que não já entrou pelas nossas casas), à medida que as delirantes previsões do Governo são constantemente revistas (”em baixa“, obviamente), quando os portugueses perceberem que as “reformas” socráticas não preparam o país para uma situação de crise, o sentimento de ilusão que tais declarações procuram comprar terá de ser pago a dobrar. Que, à beira das eleições, a percepção quotidiana da realidade da crise custará ao PS o apoio eleitoral das pessoas que ainda vão acreditando no que Sócrates lhes diz. O Primeiro-Ministro e o Governo não lucram nada em esconder a realidade dos cidadãos. O problema é que Sócrates já está tão habituado a recorrer à propaganda sempre que se vê num aperto, que não só não conhece outra forma de agir, como parece já nem ser capaz de distinguir a realidade da doce fantasia que criou a partir de São Bento. O que as declarações de Teixeira dos Santos mostram, como já haviam demonstrado em 2008, é que, com a sua propaganda, o Governo não só está a tentar enganar os cidadãos, como se está a enganar a si próprio. Mostra como o Governo olha para tudo, menos para a realidade. Pior é impossível.

Miguel Morgado no i

Arquivar em: Blogosfera, Media — Bruno Alves @ 17:24

O i passa ter mais uma razão para ser lido: a entrada do “Professor Miguel” para a sua lista de colaboradores.

O PSD e a liberdade de educação

Arquivar em: Comentário, Educação, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 15:09

Seria desejável que o PSD assumisse de forma clara e destacada como bandeira a liberdade de educação. Prometer apenas gerir melhor (ou menos mal) do que o PS o mesmo sistema de educação centralizado, burocrático, ineficaz e desrespeitador da liberdade e autonomia das famílias é pouco para afirmar o PSD como alternativa em matéria de educação.

Obama marca a diferença relativamente ao belicismo de Bush

Arquivar em: Internacional, Media, Política — André Azevedo Alves @ 15:08

Estados Unidos lançam operação de grande escala no Afeganistão

O brigadeiro general Larry Nicholson explicou que esta operação é diferente das anteriores por causa “da dimensão massiva da força” e da sua dispersão.

Estar perto é um valor

Arquivar em: Comentário, Internacional, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 13:22

Baixa_de_Lisboa_e_margem_sul_1No final de um artigo que publiquei no blogue da Atlântico, referi a forte possibilidade de, com a recessão económica, os centros das cidades se tornarem mais atractivos para morar em detrimento dos seus subúrbios. Ontem, o Wall Street Journal noticiava que as cidades norte-americanas estão a crescer à custa dos seus arredores. As razões são várias. Por um lado é mais fácil arranjar emprego, pois é dentro das cidades que as oportunidades surgem e não quando estamos enfiados numa moradia ou num andar longe do centro. Outras razões prendem-se com a poupança, de tempo e de dinheiro nos transportes e na manutenção do automóvel que, quando se vive perto do local de trabalho, se torna dispensável.

Notícias como esta, e as transformações a que assistimos na vida das cidades, Lisboa incluída, obriga-nos a pensar muito bem o que pretendemos e onde queremos viver realmente. Estar perto tornou-se uma mais-valia importante. Em ano de eleições autárquicas, não basta discutir estradas e túneis. Uma política de proximidade, que permita que os habitantes da cidade tenham uma palavra a dizer sobre a gestão dos espaços públicos perto de si, torna-se indispensável.

Em Outubro de 2007, num artigo para a Revista Atlântico, defendi 5 importantes medidas para a cidade de Lisboa. Eram elas a liberalização da lei do arrendamento, a venda do património habitacional da autarquia lisboeta, a criação, liquidação e cobrança dos impostos municipais pelos serviços autárquicos, a criação de espaços públicos para uso privado de alguns munícipes e a descentralização administrativa, com a atribuição mais poder às Juntas de Freguesia que seriam em menor número e de maior dimensão.

Junto segue o referido artigo que publiquei na Revista Atlântico.
(mais…)

Claques e “activistas” acima da lei

Arquivar em: Justiça, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 12:54

Uma reflexão muito oportuna no contexto destas acções: Os activistas e as claques. Por Helena Matos.

Os activistas e as claques beneficiam de um qualquer estatuto de bem aventurança mediática. As claques fazem o que lhes dá na real gana sem que problema algum daí resulte para as claques propriamente ditas. Partem, ferem, agridem e vão tranquilamente para casa ou ver o jogo. Esperemos que sejam apanhados numa qualquer fraude fiscal pois caso contrário não se descortina qualquer vontade de responsabilizar os seus membros.

Os activistas são uma espécie de claques sem futebol.

FNAT e INATEL: do Estado Novo ao Portugal socialista

Arquivar em: Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 12:33

Devem ter loja própria. Por Helena Matos.

A revista Tempo Livre do INATEL e o próprio INATEL são um caso interessantíssimo. Podiam chamar-lhe grande oriente turístico ou secção de banhos do grémio lusitano.

Ryanair abre base no Porto

Arquivar em: Economia, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 12:06

Depois de ultrapassados os persistentes bloqueios institucionais a este passo, finalmente uma excelente notícia para o Porto, para o Norte e para o país: Ryanair abre 33ª base no Porto!

O investimento de 140 milhões de libras irá gerar 50 voos diários a partir do Porto. Já em Setembro, vão abrir quatro novas rotas para destinos como Basel, Eindhoven, St Etienne e Tours.

Nada a ver com as eleições de amanhã. Presumo…

Arquivar em: Portugal — Miguel @ 11:33

Julho 1, 2009

Dias Loureiro arguido

Arquivar em: Justiça, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 20:20

Um caso que importa seguir com atenção: Dias Loureiro arguido no caso BPN

Em causa estão dois negócios, em 2001, do grupo SLN/BPN (Sociedade Lusa de Negócios e Banco Português de Negócios): a venda da Redal (concessionária de águas em Marocos) e a compra da tecnológica Biometrics (um dos negócios mais ruinosos, que se saldou por um prejuízo de 40 milhões de dólares).

O magistrado que preside ao interrogatório de Dias Loureiro é o procurador Rosário Teixeira, que coordena a investigação da Operação Furacão, estando a ser coadjuvado por elementos da Inspecção Tributária.

O manifesto pela despesa pública e o atraso económico português (2)

Arquivar em: Economia, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 20:17

Sobre o Manifesto pela Despesa Pública II. Por João Miranda.

O Manifesto pela Despesa Pública não aborda aquilo que é neste momento o problema fundamental da economia portuguesa: o endividamento público. Qualquer investimento público que se faça agora terá que ser feito à custa de endividamento. Note-se que o défice este ano ultrapassará os 6% e que o endividamento público no próximo ano poderá chegar aos 80% do PIB (esquecendo o endividamento das empresas públicas).

Sócrates para Presidente do Benfica, já!

Arquivar em: Desporto, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 20:12

Está aberto o caminho para José Sócrates ponderar uma candidatura a Presidente do Benfica. O interesse nacional assim o exige: Benfica confirma citação judicial para afastar Vieira das eleições

O Benfica acaba de confirmar que esta quarta-feira à tarde foi citado judicialmente para “suspender a deliberação de aceitação da Lista A”, encabeçada por Luís Filipe Vieira. Porém, o presidente da Assembleia Geral, Manuel Vilarinho, contesta a validade deste acto judicial.

(…)

A citação judicial entregue esta tarde ao clube “encarnado” surge após a apreciação, por parte do Tribunal Cível de Lisboa, de uma providência cautelar entregue pelo candidato da lista B, Bruno Carvalho, que alega que os órgãos sociais do Benfica não cumpriram os estatutos ao demitirem-se em bloco, sem uma razão de força maior. O director do Porto Canal apresentou um procedimento judicial na passada segunda-feira, depois de Manuel Vilarinho ter aceite a candidatura de Filipe Vieira.

Demasiado humanos

Arquivar em: Cultura, Política — André Azevedo Alves @ 19:59

O manifesto pela despesa pública e o atraso económico português

Arquivar em: Economia, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 16:32

Com a sua habitual acutilância, o João Miranda comenta de forma exemplar o mais disparatado manifesto despesista dos últimos tempos: Sobre o Manifesto pela Despesa Pública I

No fundo, os 51 notáveis acreditam que, se gastarmos agora o dinheiro que a economia privada vai ter que pagar no futuro sob a forma de impostos, em projectos que inevitavelmente terão retorno muito baixo ou negativo, ganhamos mais do que se deixarmos a própria economia privada decidir em que projectos vale a pena apostar agora, se é que vale a pena apostar em alguma coisa agora.

A visitar

Arquivar em: Diversos — Maria João Marques @ 16:23

o Novas Políticas, blog do Instituto Francisco Sá Carneiro, com contribuição dos insurgentes André Abrantes Amaral e Luciano Amaral.

(Este post é para os distraídos – como eu – que não tinham reparado no post do André Azevedo Alves).

Ron Paul vs. The Fed (2)

Arquivar em: Economia, Política, Videos — Miguel @ 16:17

Mais no Cato@Liberty

Resistir ao totalitarismo progressista (3)

Arquivar em: Educação, Justiça, Nanny State Watch, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 16:00

Estreia auspiciosa (2)

Arquivar em: Ambiente, Nanny State Watch — Miguel @ 15:19

Em resposta ao Gonçalo Pires

Os méritos ou deméritos do investimento em energias renováveis não podem ser julgados pelos postos de trabalho que desapareceram no período porque a verdadeira questão é saber se esses empregos teriam desaparecido, mesmo sem a aposta na tal “bolha verde”.

Uma das conclusões do estudo é mesmo essa. A política de incentivos estatal levou à perda de empregos. É claro que se pode julgar a política por outras vectores que não o do emprego. O que é errado é afirmar que esta opção não envolve[u] muitos recursos, apenas compromisso, visão e liderança como fez o Gonçalo. (mais…)

Blog Novas Políticas

Arquivar em: Blogosfera, Media, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 14:03

André Abrantes Amaral, António Pinho Cardão, Nuno Gouveia, Ana Margarida Craveiro, Miguel Morgado e Alexandre Relvas são alguns dos colaboradores de um novo blog apoiado pelo Instituto Francisco Sá Carneiro: Novas Políticas.

Fomentar o mercado… negro

Arquivar em: Economia, Internacional — LT @ 12:45

Resistir ao totalitarismo progressista (2)

Arquivar em: Educação, Justiça, Nanny State Watch, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 12:01

Resistir ao totalitarismo progressista

Arquivar em: Educação, Nanny State Watch, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 11:59

Enquanto continuar a não existir liberdade de educação Portugal iniciativas como esta terão um impacto limitado mas são ainda assim louváveis: Plataforma Resistência Nacional incentiva pais a recusar aulas de educação sexual

Elementos da Plataforma Resistência Nacional começam hoje a distribuir cartas para que, na matrícula dos filhos, os pais não autorizem a frequência das aulas de educação sexual.

“As crianças portuguesas não podem ser cobaias de uma experiência educativa sobre aulas de educação sexual”, refere Artur Mesquita Guimarães, membro da comissão executiva da recém-criada Plataforma Resistência Nacional (PRN).

Contra as aulas de educação sexual na escola, a Plataforma inicia hoje, na Escola Júlio Brandão, em Famalicão, a entrega a pais e encarregados de educação de uma carta/matrícula. O documento, composto por um texto base onde os pais informam a escola de que não autorizam os filhos a participar “em qualquer aula, acção ou aconselhamento relativo a educação sexual”, deve ser assinado e entregue no acto da matricula ou da renovação da matricula de cada aluno.

“A carta que os pais devem entregar na escola que os filhos vão frequentar é juridicamente válida e ninguém deve ter medo de fazer valer os seus direito de educar os filhos”, frisa Mesquita Guimarães, pai de seis crianças, três delas a frequentar escolas públicas.

Matemáticos estrangeiros bota-abaixistas desvalorizam sucesso nos exames dos alunos portugueses

Arquivar em: Educação, Internacional, Media, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 11:53

Matemáticos espanhóis e franceses criticam exames do 9.º ano

Trop facile, muy fácil. É assim que reagem os responsáveis pelas Sociedades de Matemática de França e Espanha a quem o Expresso pediu um parecer sobre a prova do 9.º ano.

Estreia auspiciosa

Arquivar em: Ambiente, Economia, Nanny State Watch, Política — Miguel @ 11:30

No seu post inaugural, o jugular Gonçalo Pires faz a defesa do “Estado empreendedor” e como (bom) exemplo de uma medida “que não envolvem muitos recursos, apenas compromisso, visão e liderança” aponta a aposta espanhola nas eólicas. Pois é. Pena que a chamada “bolha verde” não seja exemplo de nada disto.

A «Revolução» twitter

Arquivar em: Internacional, Política — Miguel @ 10:15

Artigo de Fernando Gabriel no Diário Económico.

A insurreição civil de Teerão não é nenhuma revolução: é parte de uma complexa luta interna pelo poder, que não pretende questionar a legitimidade da tutela jurisprudencial exercida pelo clero xiita – o elemento fundamental da arquitectura institucional do regime político. Esta luta interna opõe o ex-presidente Rafsanjani e parte da elite rica e corrupta que controla o poder desde 1979 a Ahmadinejad e aos seus aliados populistas, que pretendem restaurar o ascetismo religioso de Khomeini. Mousavi só adquire relevância porque a facção populista recorreu à fraude eleitoral para reclamar uma legitimidade democrática “inquestionável”, mas o movimento de protesto civil é instrumental e secundário: geográfica e socialmente está circunscrito à elite urbana que se concentra no norte da capital e que gostaria de beneficiar de alguma liberalização de costumes. (mais…)

Serviço público

Arquivar em: Educação — Miguel @ 08:39

A Associação para a Cidadania Económica e Educacional, é um projecto que visa colmatar a falta de formação económica básica de jovens e adultos. Visitem a página e inscrevem-se na newsletter.

Dou os parabéns ao Nuno Branco e ao Miguel Camelo por esta iniciativa.

Ministro socialista defende subida do preço do leite

Arquivar em: Economia, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 00:50

Ao defender (e incentivar) a criação de um cartel explícito entre os produtores e os revendedores de leite, Jaime Silva está efectivamente a defender que os consumidores portugueses sejam forçados a pagar preços ainda mais elevados pelo leite: Portugal não tem margem para descer preços do leite, diz ministro

Jaime Silva afirmou, esta segunda-feira, que Portugal não tem mais margem de manobra para descer os preços do leite por excesso de produção e defendeu que «há espaço» para um entendimento entre a produção de leite e as empresas de distribuição de modo a encontrar «um equilíbrio nacional».

(…)

Jaime Silva disse ainda que os preços do leite português são os quartos mais caros da Europa, mas admitiu que não é possível baixar os preços.

«O preço da média comunitária está em 23 cêntimos e em Portugal estamos acima dos 29 cêntimos. Portugal é o quarto país da União Europeia com os preços mais elevados», admitiu./blockquote>

Junho 30, 2009

Ron Paul vs. The Fed

Arquivar em: Economia, Internacional, Justiça, Política — André Azevedo Alves @ 23:00

Mr. Popular? Ron Paul Wins Supporters to Fed Sunshine Bill

All of a sudden, Congress is paying close attention to Ron Paul.

The feisty congressman from Texas, whose insurgent “Ron Paul Revolution” presidential campaign rankled Republican leaders last year, now has the GOP House leadership on his side — backing a measure that generated paltry support when he first introduced it 26 years ago.

Paul, as of Tuesday, has won 245 co-sponsors to a bill that would require a full-fledged audit of the Federal Reserve by the end of 2010.

Paul attracted just 18 co-sponsors when he authored a similar bill, which died, in 1983. While the impact Fed policies have on inflation is once again a concern, fears about loose monetary policy and excessive federal spending appear even more widespread in 2009.

“In the past, I never got much support, but I think it’s the financial crisis obviously that’s drawing so much attention to it, and people want to know more about the Federal Reserve,” Paul told FOXNews.com.

With the Federal Reserve holding interest rates at rock-bottom levels, pumping trillions into the economy and now poised to have new powers to oversee the financial system under President Obama’s proposed regulatory overhaul, Paul said lawmakers want transparency.

Arthur Seldon: the thinker with free markets in his blood (2)

Arquivar em: Internacional, Política, Teoria — André Azevedo Alves @ 21:00

Sobre a vida e o legado de Arthur Seldon, vale a pena recordar também este texto de Simon Heffer publicado em 2006:The man who took on socialism – and won

Seldon died last autumn, 48 years after he, Ralph Harris and Antony Fisher founded the Institute of Economic Affairs as a reaction against the socialist, welfarist climate prevailing across British politics. Seldon and Lord Harris, as the theoretical economists, then did more to ensure that Britain could be rescued from its post-war economic decline than almost anyone else.

They encouraged debate about free-market, liberal solutions to economic problems in a way not seen in Britain since the 19th century. They also did more to enlighten thinkers and governments around the world on how to secure freedom and prosperity than any Briton since Adam Smith. It is sadly typical that many people, even in a governing class that likes to claim credit for such material success as this country enjoys, are either ignorant of these massive achievements, or take them for granted.

Leitura complementar: Ralph Harris (1924-2006) (2).

O PSD e o futuro do Benfica

Arquivar em: Comentário, Desporto, Media, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 19:45

Nada mau: já passaram algumas horas e ainda ninguém criticou Manuela Ferreira Leite por não ter um programa para salvar o Benfica.

Amnésia Selectiva (2)

Arquivar em: Política, Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 17:57

O efeito aqui descrito ganha especial destaque nas declarações de Henrique Granadeiro ao i. Granadeiro atribui a Ferreira Leite a responsabilidade pelo negócio de aquisição da rede de telecomunicações fixas pela PT ao estado e parece sugerir que o negócio foi prejudicial para a PT.

É realmente notável como se lançam acusações assim ignorando todo o contexto. A sugestão de aquisição da rede fixa por parte da PT partiu de Murteira Nabo, na altura (2001) presidente da empresa, por nomeação do governo de António Guterres, depois da sua nomeação para ministro ter sido gorada por um episódio qualquer com um imposto de sisa (é verdade, nesse tempo ainda havia algum sentido de decôro). Outro proponente dessa solução era Luis Nazaré, então presidente do ICP (o regulador que antecedeu a ANACOM) e reconhecidamente do PS. Durante 2002 falou-se muito sobre o assunto e não faltaram declarações de Murteira Nabo a referir a importância do negócio para a PT. A transacção só não avançou antes porque entretanto Guterres fugiu do pântano. O governo de Durão Barroso terá debatido se o negócio deveria ser feito ou não mas, perante o défice e a necessidade de um orçamento rectificativo para cumprir o Pacto de Estabilidade e Crescimento em 2002, acabou por avançar.

Conclusão: A atribuição de responsabilidade sobre o negócio está longe de poder ser feita de ânimo leve ao governo de Barroso e Ferreira Leite; a ter havido prejuizos para a PT, como sugere Granadeiro, talvez os accionistas devessem pedir contas a Murteira Nabo, ou não?

Chamem a polícia…

Arquivar em: Justiça, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 17:10

Os efeitos do socialismo sobre o (que resta do) Estado de Direito em Portugal são, infelizmente, cada vez mais visíveis: Maior sindicato da PSP apela aos polícias para não trabalharem na quinta-feira

Sem surpresas

Arquivar em: Comentário, Economia, Media, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 16:59

No contexto da proliferação de golden shares e da estatização da economia este tipo de situações não deve constituir surpresa. É natural que Henrique Granadeiro se comporte como um agente político governamental atacando a líder da oposição porque, no actual estado de coisas, o presidente do conselho de administração da Portugal Telecom é, em larga medida, um agente político governamental.

A quem quiser – seriamente – alterar este triste estado de coisas, resta defender a liberalização efectiva do sector, incluindo (pelo menos) o fim da golden share na PT e a redução da presença e interferência do Estado no domínio das telecomunicações e dos media.

Leitura complementar: Só é novo aquilo que se esqueceu, só é moda aquilo que passa de moda; Amnésia Selectiva.

Amnésia Selectiva

Arquivar em: Comentário, Media, Política, Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 15:52

Se há facto inegável é a histórica tomada do aparelho do estado pelos dois principais partidos do nosso sistema político, PS e PSD. Naturalmente, com alguma predominância do primeiro destes nos últimos 14 anos. Em consequência disto, existe uma confusão entre estado e partidos (ao nível das pessoas que exercem cargos) e tornou-se comum responder a críticas com frases do género “Ah! Mas os senhores fizeram o mesmo quando estiveram no governo,” como se tal constituisse carta branca para agir do mesmo modo.

O episódio PT/TVI é um exemplo disto. Sempre PS e PSD procuraram instrumentalizar os media; sempre procuraram fazê-lo através da RTP e da PT; e sempre o partido na oposição protestou, ouvindo como resposta a acusação de que já havia feito o mesmo. A conclusão deveria ser óbvia: Eliminar  golden shares, posse estatal de media, etc. Mas não. Entre argumentos ôcos de serviço público e preservação de centros de decisão, tudo fica na mesma.

Dito isto, algum crédito há que ser dado ao PSD (e ao CDS nas poucas vezes que esteve no governo), pois foi inegavelmente nos seus mandatos que ocorreram as principais medidas de reforma (privatizações, licenciamento de operadores privados), apesar de nem sempre bem sucedidas. De igual modo, foi genericamente positiva a medida do actual governo de separar os media da Lusomundo da PT (embora tivesse sido preferível eliminar a golder share, deixando assim aos accionistas a decisão de estar ou não presente no mercado dos conteúdos).

Claro está que o facto de os media serem totalmente privados não impede negociatas. O horse trading de favores, influências e licenciamentos garante que quem detém o poder tem sempre algum ascendente sobre os media. Mas estes efeitos teriam menos peso se houvesse maior transparência nos processos de licenciamento e se entidades como a ERC não tivessem poderes mais ou menos arbitrários.

Mais um processo eleitoral cheio de animação no Benfica

Arquivar em: Desporto, Media, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 15:51

Providência cautelar lança confusão sobre eleições do Benfica

Uma providência cautelar interposta pelo sócio do Benfica Carlos Quaresma no Tribunal Cível de Lisboa lançou hoje a confusão sobre a possibilidade de as eleições do clube, marcadas para esta sexta-feira, virem a ser suspensas.

Obama, Chávez e a democracia

Arquivar em: Internacional, Política — André Azevedo Alves @ 15:37

Democracia de tipo chavista. Por João Miranda.

Na questão da deposição do presidente das Honduras, Obama e Chavez estão aparentemente do mesmo lado em defesa da democracia. O que tem algum interesse se tivermos em conta que Chavez lidera há anos um movimento populista de destruição das instituições democrática, no seu país e no estrangeiro.

Arthur Seldon: the thinker with free markets in his blood

Arquivar em: Economia, Política — Miguel @ 14:36

No Daily Telegraph, Charles Moore escreve sobre a nova biografia de Arthur Seldon

Seldon believed that markets made people freer, particularly poor people. In the Sixties, he wrote to the Tory shadow minister Lord Balniel about how best to relieve poverty: “You have never been poor. I have. The poor do not thank those who bring them gifts in kind which question their capacity and affront their dignity. Cash gives the power of choice; care, service in kind, denies choice. But much more than that; the poor who are given care or kind will never learn choice, judgment, discrimination, responsibility. To give cash is to take risks but they are the risks that a child takes when he learns to walk.”

Post-1945, most politicians in Britain believed that our victory in the war had proved that the state was more benign than the individual, the family, or private enterprise. Seldon learnt the opposite lesson. Much influenced by Friedrich von Hayek, whose The Road to Serfdom was one of the great anti-collectivist books to emerge from world war, Seldon realised that the arguments in which he believed so strongly were very little known. With Ralph Harris, a communicator of genius, he ran the Institute of Economic Affairs for almost 40 years.(…)

Today, the ideas of people such as Arthur Seldon have prevailed in the economic management of society. But they are still misunderstood on the moral level. Seldon was passionate that the welfare state was not only inefficient, but actually wrong, because it infantilised people. Today, more than a quarter of the population is strapped into the state’s buggy. It is a social disaster, and our leaders need a new Seldon to help them confront it.

Rui Rio imbatível

Arquivar em: Política, Portugal — Miguel @ 08:33

Diário de Notícias

Se as eleições para a Câmara Municipal do Porto se realizassem hoje, o social-democrata Rui Rio obteria uma destacadíssima vitória sobre Elisa Ferreira, candidata do PS, repetindo a maioria absoluta alcançada em 2005. De acordo com uma sondagem do centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica (CESOP), o actual presidente da autarquia recolhe 54% das intenções de voto dos portuenses. Elisa Ferreira fica a uns muito distantes 23%.

Os sinais de António Lobo Xavier: uma boa notícia num cenário muito difícil

Arquivar em: Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 00:30

“Voltarei mais cedo do que se pensa”

Em resumo: a política está tão ancorada em si que um dia poderia voltar.
Acho que sim, por várias razões. As pessoas têm a ideia que Portugal está em risco. Acho que o país corre um risco muito grave…

Qual?
…o da sustentabilidade, do empobrecimento definitivo. Não é possível pregar esse risco e ao mesmo tempo não estar disponível para nada. Por isso tenho de encontrar disponibilidade à custa de alguma coisa, embora em minha casa digam que não posso fazer mais nada. É muito ingrato estar num partido onde sou respeitado como figura importante, tratado com carinho e respeito, e estar sempre indisponível. Há que resolver isso de alguma forma. Portanto, hei-de estar disponível. Voltarei mais cedo do que se pensa.

(mais…)

E os impostos por agora?

Arquivar em: Economia, Política, Portugal — Maria João Marques @ 00:07

Quando se fala nos assuntos e as pessoas percebem que investimentos em obras públicas titânicas – tanto pelo tamanho como pela associação a um certo barco que não teve bom fim – implicam aumentos de impostos futuros, as pessoas – que não são tontas e sabem decidir o que é melhor para si próprias – recusam esses investimentos. E esses impostos futuros.

Talvez fosse bom começarmos a fazer muito barulho sobre os impostos actuais, que não estão abrangidos por nenhuma inevitabilidade do destino que obrigue a que os impostos aumentem e nunca diminuam, ao contrário do que gostam de apregoar os jornalistas e justificar os políticos. Basta que os eleitores não se resignem a esta inevitabilidade e que expressivamente dêem aos candidatos a governantes a indicação das suas preferências.

Junho 29, 2009

Quando 28 valem mais do que 52

Arquivar em: Economia, Política, Portugal — Maria João Marques @ 23:44

É certo que a ciência económica não impõe soluções e que há correntes por onde escolher para todos os gostos e apetites – e é por isso que a tendência de certos economistas, geralmente de propensão keynesiana, de considerarem ignorantes quem deles discorda radica numa profunda burrice – mas há umas tantas diferenças entre o manifesto dos 28 e o contra-manifesto dos 52 que convém explorar.

A principal, que eu sou menina para ligar à substância antes da forma: o manifesto dos 28 faz uma análise do que se passou nos últimos 10 anos na ecomomia portuguesa (diminuição da taxa de crescimento potencial, aumento da dívida externa e da dívida pública, e por aí adiante) e aprecia os grandes investimentos públicos apoiados pelo PS em termos de custo de oportunidade, procura destas infraestruturas, rentabilidade económica e social, etc., etc.; enquanto que o manifesto dos 52 tem muito linguajar ideológico mas eu não vislumbro qualquer análise de pendor económico no que escrevem (o que, com tanto sociólogo e politólogo, não surpreende). Ainda, enquanto que nos 28 está gente de esquerda (alguns ex-minitros do governos PS) e de direita, nos 52 está representada a esquerda dura. Por fim, por muito que custe aos 52, nenhum deles tem a credibilidade de, por exemplo, um Sérgio Rebelo, cuja opinião individual em assuntos económicos vale mais dos que as de dezenas de académicos bem-intencionados adicionadas e multiplicadas por dois. Por alguma razão os 28 assinam com o seu nome e os 52 se vêem na necessidade de explicar as suas credenciais académicas; na maioria dos casos são apenas conhecidos dos seus alunos ou em suas casas.

Já que aqui estou, há uma crítica que tem sido feita ao manifesto dos 28 bastante tolinha, e que se ouve muito a propósito de qualquer pessoa que tenha ocupado cargos públicos. É mais que desejável que se avalie, bem ou mal, a prestação dos titulares de cargos políticos; agora por favor não me venham com a conversa ‘esse senhor esteve no governo e não resolveu os problemas do país’. Sabe-se que a esquerda tende a acreditar em homens providenciais que ‘resolvem’ o país, que têm medidas messiânicas que extinguem a exploração do homem pelo homem e outras aleivosias, mas reconheçamos: não há qualquer possibilidade de se expurgar um país de todos os seus problemas, mesmo que apenas num sector, até porque se se resolvem uns problemas outros surgem, e algo que não era problema pode tornar-se problema, e a ’solução’ de um problema pode originar outro problema ainda maior. Por isso, avaliemos as pessoas pelo que consertaram ou estragaram, mas não por terem deixado permanecer um problemazito ou outro (ou todos), que é demasiado ridículo.

E, continuando a aproveitar aqui estar, a grande falácia pseudo-económica do manifesto dos 52 é considerar o emprego como o principal objectivo da política económica. Como é óbvio, não é. E não porque não sejam desejáveis níveis elevados de emprego, ou que o desemprego seja negligenciável. Acontece que a questão do emprego/desemprego não se resolve sustentadamente com criação ou manutenção fictícia de empregos. O objectivo de toda a política económica deve ser a criação de riqueza. Até porque só esta assegura bons níveis de emprego e, até, a possibilidade de decentes níveis de seguros de desemprego (mesmo no caso do monopólio estatal dos subsídios de desemprego). Não consta que o desemprego fosse O problema económico na URSS. Já os níveis de pobreza…

Privatizar nem sempre é liberalizar

Arquivar em: Economia, Política, Teoria — André Azevedo Alves @ 20:00

Bringing privatisation into disrepute. Por John Meadowcroft.

Advocates of privatisation have often paid insufficient attention to one of the most important reasons why scholars like Friedman and Hayek argued in favour of privatisation: that people are the best judges of how to spend their own money and, moreover, that they have a right to spend their own money as they wish. Privatisation must not be separated from the broader libertarian project of making government smaller and giving people control of their own lives – which includes their own money.

If privatisation is justified primarily on efficiency grounds then there is no reason why it should not be used by the enemies of freedom as a means of expanding the role and scope of the state: let the private sector do the dirty and expensive work of providing essential services and what’s left of people’s income after paying for those services is then taken by the state to make transfer payments and fund all manner of dubious activities, bodies and agencies.

Discriminação legal contra brancos condenada no Supremo Tribunal dos EUA

Arquivar em: Internacional, Justiça, Política — André Azevedo Alves @ 19:42

Uma decisão muito importante por reconhecer e condenar a discriminação legal praticada contra os brancos nos EUA. Ainda assim, não deixa de ser preocupante que a votação tenha sido apenas por 5-4: Supreme Court gives victory to white firefighters

The Supreme Court handed a victory Monday to a group of white firefighters charging racial discrimination, while also giving some fodder to critics of President Barack Obama’s pending nominee for the high court, Judge Sonia Sotomayor.

Justice Anthony Kennedy, writing for a court split 5-4 along ideological lines, reversed an appeals court ruling Sotomayor joined last year that rejected a claim that the City of New Haven, Conn. discriminated against white firefighters by throwing out a promotional exam after all the African-American firefighters who took it scored too poorly to be promoted.

“Whatever the City’s ultimate aim—however well intentioned or benevolent it might have seemed—the City made its employment decision because of race. The City rejected the test results solely because the higher scoring candidates were white,” Kennedy wrote on behalf of Chief Justice John Roberts and Justices Antonin Scalia, Clarence Thomas and Samuel Alito.

Máquinas automáticas para venda de ouro

Arquivar em: Economia, Internacional, Política — André Azevedo Alves @ 19:19

Ouro chega às máquinas de venda automática

Se o ouro é o derradeiro santuário dos pequenos aforradores que procuram investimentos seguros, então Thomas Geissler pode ter inventado a última palavra em máquinas de venda automática.

Este ano já criou uma plataforma online para transacção de metais preciosos e agora a sua pequena empresa ultrapassou uma fronteira para lá da internet: a aparentemente inesgotável série de máquinas que, nos aeroportos e estações de comboio, cospem cigarros, preservativos, pasta de dentes e barras de chocolate em troca de umas moedas. Só que as máquinas dele vão permitir que os consumidores comprem pequenos pedaços de ouro.

A aposta de Geissler baseia-se no papel do ouro como a última defesa do investidor contra a inflação. Com a Reserva Federal, o Banco Central Europeu e o Banco de Inglaterra a imprimirem vastas quantidades de dinheiro para combater o pior revés económico numa geração, é provável que os preços subam.

“Ninguém sabe que resultados terão essas experiências dos bancos centrais”, diz Geissler. “Quando fechamos os olhos, não conseguimos imaginar que as coisas vão correr bem.”

Dentro de dois meses, a empresa de Geissler, a TG-Gold-Super-Markt, projecta ter um “número substancial” de máquinas a funcionar na Alemanha, na Áustria e na Suíça e espera instalar mais 500 pelo mundo fora. O objectivo é instituir um modelo de franchising segundo o qual os clientes compram as máquinas, que custam 20 mil euros, pagando depois a respectiva manutenção à TG Gold.

O polvo

Arquivar em: Colunas, Comentário, Media, Política, Portugal, Semana Política — Bruno Alves @ 18:00

Durante três dias, estive imerso no Curso de Verão do IEP-UCP. Exactamente, caro leitor, não se enganou: isso quer dizer que passei três dias em intensos contactos (pouco ou nada frutíferos) com jovens estudantes com idade pouco mais que legal, e também que passei três dias quase completamente alheado do “mundo real”. Ontem, pondo a informação em dia, descobri que o tal “mundo” mais parecia “surreal” do que real: nos Estados Unidos, um doente mental morreu, e não se falou de outra coisa um pouco por todo o lado; em Portugal, soube-se que a Portugal Telecom queria comprar a Media Capital (dona da TVI), que o Primeiro-Ministro, tal como nós, também não sabia de nada (e segundo ele, nem tinha de saber), e que, depois de “saber” (ou seja, depois de nós sabermos que ele sabia), achou que seria melhor “vetar” o negócio. Achei melhor ler os jornais mais uma vez para ter a certeza que não tinha percebido mal. Não. Tinha lido bem. Não fiquei mais descansado.

Não havia como ficar, e parece que foi uma reacção partilhada pela generalidade das pessoas. Mas, como de costume, o que realmente era relevante na questão passou quase completamente ao lado da discussão. A crer no que li, toda a “inteligência” pátria se preocupou em saber se Sócrates sabia ou não do negócio, ou seja, se o negócio visava “silenciar” a informação da TVI. Não que isso não seja importante, e que não fosse profundamente negativo e censurável que o Primeiro-Ministro tivesse dado ordens para a PT comprar parte da Media Capital com o objectivo de se proteger politicamente. Mas a questão vai muito para além deste caso concreto e do pouco apreço que Sócrates tem por tudo aquilo que não esteja de cócoras perante a sua excelsa pessoa.

Estando Sócrates informado ou não do negócio, pretendendo ou não “silenciar” a TVI, a compra da Media Capital pela PT seria algo de extremamente grave para o panorama mediático português: visto que o Estado detém a famosa golden share da PT, caso esta adquirisse a empresa que detém a TVI, o Estado passaria a ter o controlo de mais um canal de televisão. Independentemente de quem detenha o poder, seria uma tragédia (meço bem as palavras que estou a usar) se o Estado pudesse ter a última palavra a dizer acerca dos assuntos de mais um canal de televisão: para além dos dois canais da RTP, passaria a controlar também a TVI, a televisão de maior audiência em Portugal. E como quem não quer a coisa, juntaria à RTP N (que mais não é que uma RTP3) a TVI 24, ou seja, deixaria apenas um canal generalista e um canal de informação no Cabo fora das mãos do poder político. Muito preocupados com as idiossincracias pouco democráticas de Sócrates, a maior parte dos comentadores não se conseguiram aperceber que o “autoritarismo” da coisa vai para além das intenções conjunturais do “animal feroz”.

Por muito que este pormenor lhes tenha escapado, o que é verdade é que a barulheira crítica do negócio levou o Primeiro-Ministro a vetá-lo. A “inteligência” pátria, claro, rejubilou com a sua “vitória”. Como de costume, não se apercebeu do facto de não ter tido vitória nenhuma. Pois até o desfecho aparentemente positivo do “caso” PT/TVI mostra como o “polvo” estatal não tem fim, como aliás só dificilmente terão fim as consequências que daí advêm.

O que faltou à maior parte dos que festejaram o “recuo” de Sócrates foi perceber que o negócio talvez pudesse realmente ser um bom negócio para ambas as partes, e que, só porque Sócrates se apercebeu de que a sua confirmação seria negativa, do ponto de vista eleitoral, para o PS (por “parecer” ser uma tentativa de silenciar a TVI), ele foi “vetado”. O que todo este caso mostrou foi, não apenas que o “polvo estatal” tem a possibilidade de passar a controlar tudo aquilo que ainda não controla, mas também que esse mesmo “polvo” pode interferir com tudo e mais alguma coisa, desde que não seja conveniente para as perspectivas eleitorais ou políticas de quem controla o dito “polvo”. Pessoalmente, não vejo aqui qualquer razão para festejar.

a arrogância fatal

Arquivar em: Diversos — ruialbuquerque @ 15:54

Uma das mais notáveis características do pensamento socialista é a sua absoluta falta de humildade. O socialismo tem, para tudo, solução. E quando o problema é de natureza económica, a solução é sempre a mesma: o aumento da despesa pública.

Este documento subscrito por um grupo numeroso de economistas portugueses não traz, por isso, nada de novo. Apesar de nele se reclamar a urgência de “uma nova política económica e financeira”, baseada no investimento público como fonte criadora de riqueza e de emprego, cabe aqui perguntar o que andaram a fazer os governos socialistas e de orientação keynesiana nas últimas décadas.Em Portugal, por exemplo, essa estratégia foi seguida por Aníbal Cavaco Silva, um keynesiano assumido, cujos governos ficaram célebres pelas políticas do betão e dos grandes investimentos em obras públicas. Foi seguida por António Guterres, que investiu fortemente em políticas ditas sociais, tais como o rendimento mínimo, o ensino público (a “paixão pela educação”, lembram-se?), o serviço nacional de saúde, a reforma da segurança social estatal, os IC’s, etc.. Não foi abandonado por Durão Barroso, num governo que durou pouco tempo e que manteve inalterável toda a estrutura do Estado Social. E foi o programa de governo de José Sócrates, com o qual ele tentou criar cento e cinquenta mil novos postos de trabalho, que obviamente não conseguiu.

Ou será que não foi assim? Ou será que António Guterres e José Sócrates não governaram à esquerda? Ou que Cavaco Silva não fez do investimento público a marca da sua governação? Ou que o estado português não continua a consumir mais de 50% do PIB nas despesas que decide politicamente e que considera prioritárias?

Imaginar que a crise portuguesa é resultado de “especulação financeira” (em Portugal?), de “mercados mal regulados” (se falarmos do mercado português, onde tudo é regulado ao mais ínfimo pormenor, só se for certamente por excesso de regulação), ou por “escassa capacidade política” (não será seguramente do legislador português) é partir de um mundo irreal, que não corresponde àquele em que vivemos.

Há, talvez, uma passagem no documento que nos pode ajudar a perceber o equívoco, quando os seus subscritores dizem que estamos perante uma “quebra conjuntural da procura privada”. É que ela já não é “conjuntural”, mas estrutural. Por outras palavras: a economia privada está falida, as empresas e as pessoas não têm dinheiro, e, por isso, não são capazes de investir capitais que não têm, que não conseguem acumular, tornando-se consequentemente incapazes de gerar riqueza e emprego. A explicação talvez seja mais simples do que parece: é que a economia pública, na qual temos vivido nas últimas décadas, vive dos recursos gerados pela economia privada. Em si mesma não produz nada, não cria coisa nenhuma, a não ser trabalho temporário e ilusões estatísticas. Sendo os recursos económicos limitados, se o estado os vai retirar aos cidadãos e às empresas, estes ficam sem eles e vão naturalmente empobrecendo. É esse o problema da economia portuguesa: a sua quase inexistência.

Tem piada que isto tenha acontecido no “portal da transparência”

Arquivar em: Política, Portugal — Miguel @ 15:35

Deve querer uma coisa parecida com isto

Arquivar em: Economia, Internacional, Política — Miguel @ 15:27

Há quem tenha um descaramento infinito

Arquivar em: Educação, Portugal — Carlos M. Fernandes @ 15:06

Uma nova boa razão para consumir leite estrangeiro

Arquivar em: Comentário, Economia, Política, Portugal, União Europeia — João Luís Pinto @ 14:17

Para além de estar disponível a um preço mais acessível, parece que a sua qualidade vai ser analisada (pela ASAE) de forma excepcional.

Tax burden and individual rights in the OECD: an international comparison

Arquivar em: Economia, Internacional, Política — Miguel @ 11:33

O think tank suiço Institut Constant de Rebecque compilou um indíce que compara a “opressão fiscal” entre os países da OCDE. Neste estudo, Portugal fica na parte inferior da tabela.

Em destaque

Arquivar em: Blogosfera — Miguel @ 10:01

Esta semana, em destaque o blog Despertar da Mente.

O direito à rebelião

Arquivar em: Política, Portugal — LT @ 08:53

O presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, afirmou hoje que «o investimento previsto na construção da terceira travessia do Tejo dava para construir 30 pontes no Douro».
«Os cidadãos que todas as manhãs penam em intermináveis filas nas pontes da Arrábida, do Infante e do Freixo deviam lembrar-se disto e rebelar-se contra esta situação», afirmou o autarca.

E os cidadãos que todas as manhãs penam nas portagens da(s) ponte(s) para entrar em Lisboa também deviam lembrar-se que as pontes da Arrábida, do Infante e do Freixo são de utilização gratuita e rebelar-se contra esta situação?

Bom senso

Arquivar em: Comentário, Economia, Media, Política, Portugal, Teoria — André Azevedo Alves @ 01:47

Pelo menos no que diz respeito a este tema, as grosseiras falácias keynesianas parecem ser mais bastante mais populares entre políticos e jornalistas do que entre o público em geral: Defensores de grandes obras públicas abaixo dos 20 por cento

São poucos os portugueses que consideram que as grandes obras públicas devem avançar, revela o Barómetro TSF/Diário Económico.

Segundo este estudo, apenas 17,5 por cento dos inquiridos estão de acordo com projectos como o TGV, o novo aeroporto e a nova travessia sobre o Tejo.

Entre os eleitores, 34 por cento dos eleitores do PS concordam o avanço destes projectos contra 58 por cento de socialistas que entendem que seria melhor adiar ou reanalisar estes projectos.

Obama e o Irão

Arquivar em: Internacional, Media, Política — André Azevedo Alves @ 01:31

Mistificismos. Por Luciano Amaral.

A atitude realista do presidente até pode ter bastante de louvável. Mas o que tem de louvável é apenas o realismo da velha escola à la kissinger, não é certamente o idealismo de quem quer transformar o mundo (ou pelo menos o Irão). Certamente não será a evidência empírica a impedir o obamístico médio de atribuir fantásticos poderes salvíficos ao seu ídolo. Um dia passa-lhes.

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