Rui Tavares, a zebra e a búfaga, e as portas escancaradas

Rui Tavares, um candidato a apêndice de António Costa tido por “intelectual” em virtude de ter o seu nome na lista de contactos de muita gente, escreve hoje um artigo no Público acerca de Carlos Abreu Amorim e das críticas à declaração deste último afirmando que deixara de “ser liberal”. Escreve Tavares que “todas” as “reacções” dos “ex-correligionários de Abreu Amorim” ignoraram o “diagnóstico” que ele fizera acerca do liberalismo e dos seus problemas, sendo antes “ao estilo de A Queda de um Anjo – o idealista ingénuo que chegou ao Parlamento e se deixou conspurcar pela baixa política”. “O problema”, acrescenta Tavares, “é que com a crise financeira e a rédea solta que foi dada à banca para as suas depredações”, teve lugar “um assalto” cujas “vítimas”, assegura, “fomos todos nós”. E se “a casa roubada, trancas à porta” deveria ser, diz Tavares, a máxima que todos devíamos seguir, “nos quadrantes liberais” a “regra”, garante, “parece ser ‘a casa roubada, porta escancarada”. Tavares julga talvez dizer algo de profundo acerca da crise que atravessamos e da natureza dos problemas que a originaram com esta prosa. Infelizmente, ela apenas demonstra que Tavares não compreende nem Abreu Amorim, nem a crise que supostamente motivou a sua conversão ideológica.

Comecemos pelo deputado do PSD, deixando as coisas importantes para depois. Ao contrário do que Rui Tavares parece pensar, ninguém achou que Abreu Amorim fosse um ingénuo que se deixou desvirtuar pelas tentações da política. Há muitos anos que muitos dos tais “ex-correligionários” (uma noção ela própria absurda, só possível a quem não sabe o que está a dizer ou falte vergonha) criticavam ferozmente Abreu Amorim por ser um oportunista sem princípios e sempre à caça de quem lhe desse destaque. Uns começaram a criticá-lo quando passou dos encómios a Manuel Monteiro para brutais ataques ao seu anterior ídolo; outros quando esqueceu o seu vigoroso anticlericalismo para fazer entusiasmados passeios a Fátima em tempo de campanha; outros quando passou de admirador de Rui Rio a seu adversário incondicional; e outros ainda quando passou a frequentar as caixas de comentários dos blogues a elogiar os seus próprios textos assinando com um nome de senhora. Mas há mais ou menos tempo que toda a gente que conheça o percurso do ex-candidato à Câmara de Gaia sabe bem que ele é tudo menos um anjo. Falando por mim, o que critiquei ontem nas declarações de Abreu Amorim foi, não uma suposta ingenuidade que há muito sei ser inexistente numa figura onde só há espaço para a hipocrisia, mas a pobreza da sua explicação para a suposta mudança de opinião.

O que nos leva à crise e às explicações que Abreu Amorim e Tavares dão para ela. Tavares cita o deputado laranja quando este afirma que “em 2007 nos EUA e aqui, houve uma margem de liberdade dada aos agentes económicos, sobretudo financeiros, que eles não mereciam” e da qual, acrescenta, “não estavam à altura”. É aliás por concordar que Tavares propõe as tais “trancas” nas figurativas “portas” do sistema económico. O que Tavares pelos vistos não percebe é que o problema das “portas escancaradas” de 2007 não estava numa mítica ausência do Estado, mas precisamente na fácil circulação da sala dos interesses económicos para a sala do poder político feita através da sempre bem aberta porta da intervenção estatal e da partilha de interesses entre quem tem o poder político e quem tem acesso a ele.

Ao contrário do que argumenta aquilo a que por preguiça ou ignorância chamamos de “esquerda”, o “poder político” não está “dominado” pelo “poder económico”; e ao contrário do que aquilo a que por preguiça ou ignorância chamamos de “direita” assegura, o “poder económico” não está “controlado” pelo “poder político”; na realidade, um e outro convivem e dependem um do outro, numa relação simbiótica como a da zebra e da búfaga: os interesses económicos que conseguem passar pela “porta” dos gabinetes políticos aceitam e incentivam a complexa regulação elaborada pelo poder político, quanto mais não seja porque os protege de concorrência; o poder político aceita que estes se comportem de forma irresponsável porque esse mesmo comportamento lhe permite, durante algum, beneficiar de condições extremamente favoráveis à realização de propaganda e distribuição de benefícios pelas clientelas; o poder político recebe desses interesses dinheiro e apoio para certos “projectos” tidos como “estratégicos” mas meramente propagandísticos, e em troca, aqueles últimos recebem condições extremamente favoráveis para a realização de uma série de negócios que muitos lucros lhes trazem.

Rui Tavares diz querer pôr “trancas à porta” do sistema. Não percebe, talvez porque no Bairro Alto não se aprenda muito sobre estas questões, que ao acrescentar mais Estado ao problema, apenas “escancara” ainda mais as ditas “portas”. O que os liberais – grupo do qual se pode excluir o Governo, diga-se de passagem – e outros que com eles concordam neste ponto – o meu caso – pretendem é precisamente fechar as portas que unem os interesses de quem detém o poder político e os que vivem no seu dorso, colocando cada uma das partes no seu devido lugar, e separando-as efectiva e definitivamente. Ao querer acrescentar mais Estado, Rui Tavares não conseguirá, ao contrário do que julga, eliminar o mercado e o que de pior ele possa ter: apenas substituirá o mercado da livre interacção dos indivíduos pelo obscuro mercado da influência política e da troca de favores.

E já que gastei algum tempo a explicar coisas óbvias a alguém que passa por pessoa inteligente, acrescento uma outra coisa para ilustração de Rui Tavares: o seu artigo no Público inicia-se com uma pretensa citação de Irving Kristol, em que este teria dito que “um conservador é um liberal que foi assaltado”. Ora, o que Kristol escreveu foi que “um neoconservador” – e não simplesmente “um conservador” – “é um liberal assaltado pela realidade” – e não simplesmente “assaltado”. Se Tavares quer armar-se em esperto e manter a capa de político culto que gosta de ostentar, talvez devesse ter algum cuidado em verificar o que está a citar. Talvez possa ligar a algum dos seus múltiplos contactos. É possível que algum deles tenha lido mesmo aquilo que Tavares gosta de fazer crer que conhece, e o possa elucidar.

Livros de 2014

Uma lista que elaborei para o Observador: Livros de 2014 sobre economia e política

Com 2014 a chegar ao fim e em plena quadra natalícia, o contexto é o adequado para balanços do ano e listas de recomendações. Pela minha parte, contribuo com uma lista de livros sobre economia e política que a meu ver marcaram 2014 e que podem também servir em alguns casos para compras de última hora. Como não surpreenderá, a lista é fortemente influenciada pelos meus próprios interesses e enviesamentos.

A lista pode ser lida aqui.

Resultados da Research Excellence Framework 2014

London overtaking Oxbridge domination

London universities are breaking up the traditional dominance of Oxford and Cambridge, according to official figures on research excellence.

The London School of Economics has the highest proportion of “world-leading” research among UK universities.

Relativamente ao REF 2014 (a avaliação anterior da qualidade da investigação datava de 2008), realço, sem esconder o interesse próprio, o desempenho da LSE: LSE has confirmed its position as a world-leading research university, with an outstanding performance in the 2014 Research Excellence Framework (REF).

An analysis of the results show LSE at the top, or close to the top, of a number of rankings of research quality. It is:

– the top university in the UK based on the proportion of ‘world leading’ (4*) research produced.
– second in the UK overall when universities are ranked using a ‘grade point average’ (GPA)
– the top university in its social science disciplines, whether using a GPA or the percentage of research receiving the top 4* grade as a measure
– joint second when universities are ranked according to the percentage of research receiving either a 4* or 3* (internationally excellent) grade.

Constato também com particular agrado a evolução muito positiva do King’s College London.

Mais informações aqui.

Sobre o direito à greve

  1. O direito à greve é um anacronismo nas sociedades atuais, um resquício, uma visão ultrapassada que ignora o que é o mundo contemporâneo civilizado. A greve traduz uma visão dialética, conflituante, das relações entre o “trabalho” e o “capital”, ignorando que hoje impera o interclassismo, a economia vive integrada, e o ambiente legal e institucional é suficientemente protector do trabalho, sem que se justifique por isso o recurso sistemático e banal a um processo profundamente destruidor de valor e que é tanto mais eficaz quanto mais prejuízos causa à empresa em si e aos clientes e utentes que dela dependem.
  2. A greve tornou-se infelizmente mais uma ferramenta política dos sindicatos-reféns dos partidos políticos da esquerda, e menos um mecanismo de defesa real dos interesses legítimos dos trabalhadores.
  3. Não deixa de ser relevante que a greve praticamente tenha desaparecido da realidade das empresas privadas, ao mesmo tempo que se tornou um expediente banal no sector público (incluindo empresas públicas). Hoje, em Portugal e em todo o mundo civilizado, impera um ambiente económico em que a empresa se faz, não de relações de conflito, mas de cooperação – uma cooperação por vezes difícil, é certo, mas sempre, de cooperação – entre accionistas, gestores, trabalhadores, clientes e fornecedores, numa teia complexa e multilateral. Muitas empresas em Portugal, que se encontram em dificuldades, são bons exemplos de como a cooperação, por vezes tensa, é certo, é a única saída, por vezes exígua, para a solvência. A destruição de valor não é hoje alternativa para ninguém, que não para alguns agentes sindicais e trabalhadores do setor público, uma ideia obsoleta que persiste nas cabeças da esquerda mais radical – que em Portugal continua a ser mainstream.
  4. Nas empresas públicas, no sistema educativo, nos hospitais, a greve continua a merecer um “carinho” especial por parte de “sindicatos-partidos” e dos que dormem no seu regaço. A greve, diga-se sem rodeiros, não é mais do que uma forma de causar atrito em favor de agendas políticas da esquerda, traduzindo-se num mecanismo agressivo de extorsão da sociedade que tem de pagar os custos da sua banalização – pois não há almoços grátis, todos pagamos, do nosso bolso, os custos das greves dos trabalhadores do metro, da TAP, dos professores, dos profissionais de saúde. Até ao dia em que não haja mais dinheiro para pagar, ou empresas viáveis para financiar. A TAP pode bem vir a tornar-se num primeiro exemplo deste fim-de-linha, dada a falência iminente, e o risco real de não haver quem a queira comprar.

Read my lips…

Os últimos dados sobre a TAP exibem uma empresa literalmente falida.

Posso estar completamente enganado, mas dificilmente vai conseguir-se encontrar quem esteja interessado em adquirir a companhia. Se em 2012, com as contas mais equilibradas, já foi o que foi – na hora da verdade, só apareceu um candidato “a jogo” – desta vez, com o agravamento da situação financeira e laboral da empresa, é irrealista pensar que alguém compra a TAP, nem que seja por um euro. Parabéns aos empatas que nos últimos 14 anos no momento de decidir adiaram sine die a venda da empresa, e aos que acham que privatizar é sinónimo de “fanatismo ideológico”. Mais uma fatura a caminho para o contribuinte.

Espero, pelo menos, que não sendo privatizada, a UE force a falência da TAP, em obediência às regras da concorrência europeia.

Um “processo longo” de “evolução ideológica”

Carlos "Two Face" Amorim"

Carlos “Two Face” Abreu Amorim

Na sua página no Facebook, o deputado Carlos Abreu Amorim comenta a entrevista em que diz ter deixado de ser liberal. Diz o ex-aguadeiro-de-Manuel-Monteiro-tornado-aguadeiro-de-Passos-Coelho que a sua “evolução ideológica não aconteceu no último mês”, tendo ao invés sido “um processo longo que ganhou forma com as causas da crise financeira internacional de 2007 e que se acentuou com as PPP indígenas e o modo como se deram as quedas de bancos em Portugal”. Ou seja, Abreu Amorim passou a acreditar nas virtudes da intervenção estatal na economia por causa de uma crise em que a intervenção estatal – através dos famosos Freddie Mac e Fannie Mae – ajudou a criar uma bolha no mercado imobiliário nos EUA, bolha essa que depois rebentou com as conhecidas consequências; passou a acreditar nas virtudes da intervenção estatal depois das quedas de bancos portugueses que haviam prosperado durante anos graças à privilegiada relação que mantinham com um poder político sempre ávido de dinheiro para propaganda e disposto aos mais variados favores em troca de uma ajudinha nesse excelso propósito; e passou a acreditar nas virtudes da intervenção estatal ao observar as PPP, um caso paradigmático de como um Estado de dimensão gigantesca age em conluio com os interesses económicos com melhor acesso ao pouco livre mercado da influência política para lucro mútuo das duas partes e prejuízo de todas as outras pessoas. Ou seja, talvez todos aqueles que hoje criticaram Abreu Amorim estejam errados ao insinuarem ou dizerem que ele não passa de um oportunista sempre disposto a “engraxar” quem lhe der um lugar de algum destaque. Talvez Abreu Amorim seja apenas alguém que sofre de uma grande falta de perspicácia. O que, a avaliar pelo historial de “figuras” políticas a que se foi atrelando ao longo da sua gloriosa carreira, não custa a acreditar.

Um dilema moral

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Em filosofia política, mas até extravasando o contexto da política, existe um interessante dilema moral que permite aferir se alguém pensa as suas decisões com base em princípios estanques e imutáveis, ou com base em critérios utilitaristas que se adaptam às circunstâncias e, mais frequentemente, aos números.

Está um gordo em cima de uma ponte, por onde passa uma linha de comboio. Presas à linha de comboio estão 5 pessoas. Existem duas decisões possíveis:

  1. Atirar o gordo da ponte, parando o comboio e impedindo que este mate as 5 pessoas;
  2. Não sacrificar o gordo, deixando que o comboio atropele as pessoas.

Não existe uma resposta correcta, depende do quadro moral que norteia cada um. Curiosamente, muitos dos que se recusam a sacrificar um inocente para salvar terceiros acabam por alterar a sua decisão quando o número de pessoas aumenta, mostrando que, em boa verdade, sempre foram utilitaristas. Os fins justificam os meios, pensarão, pois trata-se de uma questão de sobrevivência.

Serve este dilema para contar que Carlos Abreu Amorim decidiu ele próprio atirar-se da ponte, pois vem aí um comboio que convém não perder.

A greve da TAP vista do Porto

Queremos aviões novos. Por Jorge Afonso Morgado.

Vista do Porto, a questão é igualmente simples mas especialmente mais incómoda. A TAP não presta um serviço decente ao Porto. E não quer ser parte activa no crescimento do turismo na cidade. O aeroporto cresce (8%, apontando para um recorde de 7M de passageiros), o número de dormidas aumenta (mais de 13%, devendo superar os 2,5M). Enquanto a cidade ganha prémios – Best European Destination chega? -, a TAP acumula atrasos, desvios nas rotas e instabilidade nas frequências. Com o alheamento da TAP, valem–nos o regresso da British, o reforço da Lufthansa e da TAAG, o investimento da EasyJet, a novidade da Turkish e a sempre presente e “quase nossa” Ryanair. Acresce que a TAP usa na maioria dos voos para o Porto, aviões do tempo da televisão a preto e branco, como os Embraer onde um português médio não consegue pôr-se de pé ou os velhinhos Fokker. Aviões que já não se fabricam, para os quais é difícil arranjar peças (basta viajar neles para perceber), que começam a dar problemas sérios e que faziam uma bela figura num museu.

Uma greve da TAP é um direito inalienável. Para quem a convoca, rebentar com o que resta também. No caso do Porto, o melhor que se pode dizer é que quase não se nota. A concorrência, felizmente, funciona.

Leitura complementar: Contra a requisição civil na TAP; Assinemos já o manifesto contra a venda da TAP; TAP lidera rankings internacionais.

Boas razões para estudar filosofia política

Elogio da filosofia política. Por Paulo Tunhas

Em todo o caso, a filosofia, e não é um dos seus menores benefícios, protege da facilidade da indignação. Não dos actos de aprovação e de desaprovação, é claro. Muito pelo contrário. Mesmo que, como dizia Hegel com razão, não deva ser edificante, deve-nos ajudar a julgar. Mas protege-nos da facilidade da indignação quando esta funciona quase como uma cumplicidade com aquilo que indigna, um caso desagradavelmente frequente. E a grande filosofia política protege-nos da facilidade das indignações políticas e do guarda-roupa retórico que fatalmente as acompanha. Quer dizer: impede-nos de levarmos muito a sério a quase totalidade dos discursos políticos que nos acompanham diariamente. Ou melhor: impede-nos de os levarmos à letra e convida-nos a traduzi-los, por difícil ou improvavelmente satisfatório que o exercício pareça, nas questões fundamentais que se repetem.

Carlos Abreu Amorim e a difícil convivência do poder político com o liberalismo

As mudanças de opinião podem ser um sinal de inteligência e honestidade intelectual. Alguém que nunca pare de aprender, acabará eventualmente por mudar ou ajustar as suas opiniões. Não tenho muita consideração com quem forma uma opinião aos 20 anos (necessariamente baseada em pouca informação) e não a muda ao longo da vida.
Não há por isso nada de errado nestas declarações de Carlos Abreu Amorim. Todos os dias pessoas mudam de opinião e eu gosto de pensar que são mais os que percorrem um caminho oposto ao dele. Mudar de opinião é normal e a mudança dele já era evidente há bastante tempo. Só para os mais desatentos será uma surpresa que ele não se considere liberal.
Claro que nestas coisas o contexto importa. O liberalismo é uma doutrina que procura retirar poder da esfera política, devolvendo-o aos indivíduos. Quanto mais socialista for um país, maior será o poder dos políticos. Tornar-se socialista apenas depois de atingir um cargo de poder político deixa suspeitas de uma mudança de conveniência. A forma forçada como o anúncio desta conversão aparece (em resposta a uma pergunta muito pouco relacionada com as suas convicções pessoais); a potencial chegada de um bloco central liderado pelo PS (onde assumidos liberais certamente não terão lugar); e a desculpa dada para essa conversão (uma crise num sistema financeiro centrado numa economia monetária estatizada) fazem suspeitar que há algo mais do que uma conversão intelectual.
Carlos Abreu Amorim é, agora de forma assumida, mais um dos que apoiam o sistema económico que nos trouxe até aqui. Um sistema que dá poder e prestígio social aos que, como ele, assumem cargos políticos, mas que em Portugal e no resto do Mundo apenas trouxe miséria aos outros.

TAP lidera rankings internacionais (2)

Of the 35 major airlines compared in 2013, Monarch planes, on average, were delayed the longest – 18 minutes – followed closely by TAP Portugal, whose flights were on average delayed by 16.8 minutes.

Em 2013, entre as companhias aéreas que voam de e para o Reino Unido, a TAP ficou em 2º lugar no rankings das mais atrasadas. A culpa, como dirão alguns comentadores, é do nevoeiro que se faz sentir em Lisboa, da Groundforce (que até pertende à TAP), ou da privatização da ANA.

Já em 2008, a Associação Europeia de Companhias aéreas colocava a TAP no topo dos rankings de atrasos:

BA was 25th of 28 carriers for punctuality in short and medium-haul flights, measured by the share of delayed flight arrivals, ahead only of Cyprus Airways, Spanair and TAP.

Olhando para o aspecto positivo da coisa, há sempre quem fique a ganhar com esta liderança da TAP

TAP é alvo de muitas reclamações depois de cancelamentos e atrasos de voos
A companhia aérea TAP é líder de reclamações de passageiros, depois de vários cancelamentos e atrasos dos voos. Com pouco mais de dois meses de vida, a startup internacional AirHelp criada para ajudar os passageiros a reclamar e a receber indemnizações junto das companhias aéreas, tem tido uma forte procura por parte dos passageiros da TAP.

As requisições civis de 1977 e 1997 na TAP

TAP: As justificações das requisições civis de 1977 e 1997

O diploma de 1997 dizia que todos os trabalhadores, incluindo os que estão no estrangeiro, estavam convocados para esta requisição civil, enquanto em julho de 1977, o Governo – liderado por Mário Soares – considerou que uma greve da TAP degradava “a sua imagem como companhia internacional, na fase de franca recuperação económica em que se encontra”.

Leitura complementar: Contra a requisição civil na TAP; Assinemos já o manifesto contra a venda da TAP; TAP lidera rankings internacionais.

Greve da TAP: o que fazer?

Há greve. O que fazer?

Leitura complementar: Contra a requisição civil na TAP; Assinemos já o manifesto contra a venda da TAP; TAP lidera rankings internacionais.

John Hibbs, R.I.P.

John Hibbs, R.I.P. Por Michael Goldstein.

John Hibbs was an IEA author whose work led to a radical change in policy in the somewhat unfashionable field of bus transport. (…) John is almost certainly right that the 1985 Act prevented the ‘strange suicide of the British bus industry’ – traffic fell from 42 per cent to 6 per cent of the transport market between 1952 and the beginning of the 21st century, but that fall came to an end with the greater flexibility and more effective marketing techniques that were possible after the 1985 Act. Before the Act, many local authorities were still running routes determined by post-World War I timetables. He was a strong critic of those voices (still prominent today) who wished to re-regulate the industry believing it would usher in the days of decline again. John described the idea of franchising as ‘competition for a monopoly’ and incompatible with liberalisation and the best possible passenger service.

Desemprego cai 13% face ao ano passado

Número de desempregados inscritos cai mais de 13% em novembro

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego do continente e das regiões atingiu as 598.083 pessoas no final de novembro deste ano, menos 13,6% face ao período homólogo, segundo dados oficiais dados a conhecer esta sexta-feira.

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Dennis O’Keeffe, R.I.P.

Dennis O’Keeffe, R.I.P. Por Steve Davies.

Over the years his academic work took a number of directions and involved work with several institutions. His great professional interest was always the sociology of education and he was always a fierce critic of the way that educational quality had been undermined by misguided ideas and practices. During the 1990s he undertook perhaps the major project of his academic life, a study of truancy. He was able to show that truancy was vastly more widespread than most realised and that the great bulk of it was not simple hostility to education by delinquent pupils but a perfectly rational decision by pupils to avoid certain subjects and teachers while attending other classes. The fault for him lay in the rigid control of schools by the state and a range of misguided pedagogical philosophies. These findings were of course unwelcome to both left and right at the time and in particular the Department of Education and so they were ignored.

In addition to this work Dennis undertook a number of very important major editing and translation projects for the Liberty Fund of Indianapolis, making use of his fluent command of French to rediscover the great tradition of French Classical liberalism. He edited and translated Benjamin Constant’s Principles of Politics and worked on the Fund’s continuing six volume complete works of Bastiat. He also translated the complete text of Gustave de Molinari’s ‘Evenings on the Rue St Lazare’ which the Liberty Fund will be bringing out in the near future.

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Quanto mais concorrência, menos poder para chantagear

Lufthansa aproveita greve na TAP e vai fazer mais voos entre Lisboa e Frankfurt
Ryanair já reagiu à greve da TAP. Há voos a 19,99 euros

Leitura complementar: Contra a requisição civil na TAP.

TAP lidera rankings internacionais

Hoje, por exemplo, Lisboa está no topo dos aeroportos mundiais em atrasos dos vôos. Mais de metade dos vôos chegaram ou partiram atrasados. (via http://www.flightradar24.com/airport/delays)
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Os leitores que queiram ser compensados pelos seus vôos, têm aqui as instruções.

Assinemos já o manifesto contra a venda da TAP

Comecemos por fingir que a TAP não precisa de dinheiro e que os capitais próprios negativos não significam nada. Agora façamos de conta que a Comissão Europeia não proíbe os estados de injectar dinheiro em companhias aéreas, mesmo quando a alternativa é a falência. Vamos depois fingir que investidores estrangeiros irão colocar o seu dinheiro na TAP apenas para acabar com todos os vôos, afinal foi isso mesmo que fizeram com a EDP (os sacanas dos chineses levaram as barragens) e que se preparam para fazer com a PT (já andam a planear desmontar as torres e levá-las para França). Finjamos depois que se a TAP acabasse às mãos dos investidores internacionais, não viriam outras companhias aéreas aproveitar as rotas deixadas vagas. Façamos o tremendo esforço intelectual de assumir que a venda da TAP acabará com todas as suas rotas.
Esqueçamos depois que das 30 rotas continentais mais concorridas a partir de Lisboa, a TAP só tenha o exclusivo de uma (Hamburgo). Esqueçamos ainda que no Porto não existe uma única rota entre as mais populares na qual não haja já alternativa à TAP. Finjamos depois que ir de férias para o Brasil, ir a Caracas ou Maputo sem fazer escala seja uma necessidade essencial merecedora do dinheiro dos contribuintes.
Sei que para os leitores mais honestos e inteligentes será um grande esforço passar por este exercício de fingimento intelectual, mas se o conseguir estará pronto para colocar o seu nome ao lado de Tony Carreira no manifesto contra a venda da TAP.

A requisição civil na TAP e o interesse público

O meu artigo de hoje no Observador: Contra a requisição civil na TAP.

O interesse público correctamente entendido não passa por aplicar a requisição civil aos trabalhadores da TAP, mas sim pela completa desestatização do sector e pelo aumento, por via do mercado, das alternativas à disposição do público.

Proteger o interesse público implica garantir que os portugueses não continuarão no futuro – como tem lamentavelmente sucedido até agora – a ser forçados a sustentar a TAP. A única questão em aberto face à gravíssima situação a que chegou a empresa é se o interesse público será melhor servido por uma imediata privatização ou pela liquidação da empresa.

O artigo completo pode ser lido aqui.

Heim, o Bloco a portar-se bem

Muito bem o BE nestas duas iniciativas legislativas que foram ontem aprovadas. Não percebo duas coisas.

1. Por que razão as notícias nos títulos escolheram sempre dar a primazia a aspetos jurídicos (ser crime público ou não) em vez de ao que é mais importante: que a violação tenha deixado de ser crime apenas quando algum grau de violência física tivesse sido usado (sancionando-se, assim, violações em que se recorresse a ameaças ou quando a mulher estivesse embriegada ou drogada de mais ou em que não se usasse muita violência) para passar a ser crime sempre que a mulher não dá o seu consentimento.

2. Por que diabo todos os partidos exceto BE e Verdes se abstiveram? Entendo as objeções que alguns possam ter à questão do crime público, mas na questão do consentimento não vejo como possa haver dúvidas. Só posso entender que não tenham querido associar-se a um projeto do BE. Mas tal como foi indecoroso o uso do PS das tragédias de dezenas de mulheres para benefícios eleitorais, também me custa que prevaleçam politiquices sobre a necessidade de melhorar a legislação nos casos de violência sexual sobre mulheres (ou sobre quaisquer outros grupos demográficos ou sociológicos, for that matter).

Interesse púbico e provisão privada

Luís Aguiar-Conraria (A Destreza das Dúvidas)

Não é de todo obrigatório que o interesse público e os sectores vitais da economia nacional tenham de estar entregues a empresas públicas. Por exemplo, a alimentação é absolutamente vital e penso que não passa pela cabeça de ninguém nacionalizar todas as empresas alimentares em Portugal. Diria até que o argumento funciona ao contrário: a alimentação é um sector tão essencial que não podemos correr o risco de o entregar à gestão de mandatários de governos

Entrevista para o podcast do Instituto Mises Brasil

Foi com muito gosto que dei mais uma entrevista (salvo erro a terceira) ao Bruno Garschagen para o podcast do Instituto Mises Brasil, desta vez tendo como tema o artigo “Hayek’s Slippery Slope, the Stability of the Mixed Economy and the Dynamics of Rent Seeking”, recentemente publicado na Political Studies, a principal revista científica da Political Studies Association.

PODCAST 150 – ANDRÉ AZEVEDO ALVES

Para fechar o ano com chave de ouro depois de um 2014 muito produtivo na divulgação das ideias da Escola Austríaca no Brasil, incluindo o lançamento realizado no início desta semana do terceiro número da revista MISES, o Podcast do Instituto Mises Brasil foi conversar com André Azevedo Alves, professor e doutor em Ciência Política pela London School of Economics, sobre um artigo acadêmico escrito em parceria com o professor John Meadowcroft, do King’s College London, e publicado na edição mais recente da revista Political Studies.

Subjacente ao artigo (com primeira versão concluída em 2012) está uma série de ideias e uma linha de investigação que o John Meadowcroft e eu vimos tentando desenvolver já há alguns anos e relativamente à qual esperamos poder apresentar mais resultados nos próximos anos. Em 2014, por motivos de força maior, não foi possível avançar substancialmente nesta linha, mas espero que 2015 seja um ano mais produtivo a este respeito, com novos frutos a médio prazo.

Mais uma greve dos STCP: dias 6, 7, 8 e 9 de Janeiro

Trabalhadores da STCP marcam quatro dias de greve para janeiro

Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores da STCP afirma que a greve está agendada para os dias 06, 07, 08 e 09 de janeiro.

Leitura complementar: Esta semana há greve nos transportes públicos.

Sobre a PACC

Sobre a PACC, recordo este meu artigo de Julho no Observador: A prova, os professores e os sindicalistas;

O activismo político dos sindicalistas comunistas explica uma boa parte da contestação organizada à PACC. Mas seria errado negar que existe também em alguns professores uma estranha aversão à realização de exames. Se se pretende promover a qualidade do ensino e se há muitos candidatos para um reduzido número de lugares no Estado, é lógico que se tente seleccionar os melhores por meio de uma prova.

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