O dinheiro dos políticos sem dinheiro

‘Há aqueles políticos que entram na vida política profissional com pouco mais do que a roupa que têm no corpo – para começarmos o texto com imagética pitoresca – e que lá para os cinquenta e picos anos se retiram da política profissional possuidores de casas na Quinta da Marinha e/ou na Quinta do Lago, gordas carteiras de investimentos, enfim, com o ar próspero de quem teve rendimentos mais generosos do que os relativamente modestos ordenados dos políticos. E há também – e igualmente curiosos – os políticos que saem (geralmente obrigados por derrotas) da política ou que por lá continuam sem que constituam magras poupanças ao alcance da classe média. Há quem os elogie; no entanto a mim deixam-me inquieta.

Vejamos o caso de Marcelo Rebelo de Sousa, saltitante entre a política e a sua atividade profissional fora da política, que, como bem nos lembraram quando MRS foi presidente do PSD, lhe trazia largos rendimentos que perdeu com estas funções. Estes largos rendimentos – vindos dos pareceres caros, da universidade, dos comentários… – levar-nos-iam a pensar que MRS acumulou já um simpático património. Ora há uns anos, no Conversas Improváveis com Marcelo Rebelo de Sousa e Ricardo Araújo Pereira, afirmou o político/celebridade mediática que antes da presente crise económica gastava o que ganhava, já havia avisado os filhos que não teriam herança e que apenas com a crise percebera a necessidade de mudar os hábitos.’

O resto aqui.

About these ads

Compreender Alpoim Calvão

Alpoim Calvão: Homem de guerra e português do Império. Por Jaime Nogueira Pinto.

Nascido em Chaves em Janeiro de 1937 e logo a seguir levado para Moçambique, Calvão fizera o Curso da Escola Naval e frequentara especialidades de Mergulho e Combate na Grã-Bretanha. Oficial Fuzileiro, fizera várias comissões de serviço na Guiné, nas quais se distinguira como combatente e comandante e que lhe valeriam as mais altas condecorações nacionais, entre elas a Torre e Espada.

Alpoim Calvão era, como Jaime Neves e Heitor Almendra, um militar – homem de guerra, com uma mistura rara de inteligência operacional, coragem física, iniciativa e sobretudo um carisma único de levar os homens – os seus homens, o seu pessoal – para onde quisesse, até às portas e labirintos do Inferno, se preciso fosse.

Depois da revolução do 25 de Abril tentou, na medida do possível – medida que hoje sabemos que era curta – salvar o que podia ser salvo do Império e do país. Calvão conhecia a maioria dos revolucionários do MFA, as suas folhas de serviços e capacidades e por isso tinha-os na devida (não muito elevada) consideração. Mas não desistiu.

Ministério Público arquiva queixa contra agências de ‘rating’

Três anos depois da queixa apresentada por quatro economistas, o Ministério Público arquivou o processo contra as agências de ‘rating’ Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s, por não ter apurado indícios de crime.

A queixa havia sido apresentada por Maria Manuela Silva, José Manuel Pureza, Manuel Brandão e José Reis, em 2011, na sequência de uma série de descidas da notação financeira de Portugal e de várias empresas nacionais, aumentando a pressão sobre estas entidades e contribuindo para que Portugal tivesse de pedir assistência internacional.

O desfecho é o esperado num processo que cobre de ridículo os “queixosos”. O que surpreende é a “promoção” de José Manuel Pureza a economista.

Alpoim Calvão (1937-2014)

Morreu Alpoim Calvão, o comandante da “operação Mar Verde” na Guiné

Capitão de mar e guerra foi o militar que comandou “operação Mar Verde” durante a guerra colonial na Guiné. Marinha elogia “brilhante estratega” e “referência” dos fuzileiros. Velório é nos Jerónimos.

Continuar a ler

António Costa, o “Gandhi de Lisboa”

antonio_costa_gandhi_de_lisboa

A comparação que faltava: Jornal indiano chama “Gandhi de Lisboa” a António Costa

O Hindustan Times, um dos jornais em inglês com maior circulação naquele país, encontrou uma designação curiosa para descrever o também candidato socialista a primeiro-ministro, a quem chama “Gandhi de Lisboa”, devido à sua vida espartana.

Continuar a ler

40 anos de desorçamentação

sweep-under-the-rug

Sabe o que têm em comum uma empresa de Explosivos da Trafaria, o Estádio Municipal de Aveiro, a Comboios de Portugal e o Clube de Golfe das Amoreiras (aquele que nunca chegou a abrir)? A partir de hoje entram no Orçamento do Estado juntamente com mais 264 empresas. O resultado, para já, é um aumento de 5,6 mil milhões de euros na dívida pública.

Durante muitos anos, muitas foram as empresas que foram saindo das contas do Orçamento do Estado. A alteração de modelos de negócio, a alteração das regras pelas entidades estatísticas, a vontade dos Governos de melhorar as contas já negativas do défice orçamental no final de cada ano, foi de tudo um pouco o que levou estas empresas à margem dos orçamentos, onde muitas continuam.

No entanto, os responsáveis decidiram mudar a forma como se contabiliza o Produto Interno Bruto (PIB) e com essa mudança vieram também mudanças nas regras para contabilizar o défice orçamental e a dívida pública, que deram mais poder ao INE para decidir que empresas e entidades devem estar dentro do orçamento.

A desorçamentação não resolve os problemas orçamentais. Só serve para mascarar as contas públicas no curto prazo.

ainda as primárias do PS…

“(…) no momento da despedida, o elogio de Seguro ao modelo eleitoral que acabara de o esmagar foi o melhor exemplo da auto-destruição que ele próprio foi semeando nos três anos que durou a sua fraca (e frágil) oposição ao Governo. O lugar é agora de António Costa, que prevaleceu na noite das facas longas do PS, culminando um período que mostrou o pior dos partidos políticos – o oportunismo e o tacticismo.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Dissonância cognitiva

tocosta

António Costa, 07/06/2011: «Não é possível acumular a liderança do PS e a presidência da Câmara Municipal de Lisboa. O PS precisa de um secretário-geral a tempo inteiro e o município de Lisboa de um presidente com dedicação exclusiva.»

António Costa, 30/09/2014: «Para já, exercerei o meu mandato [de Presidente da CM Lisboa] que é que o me compete fazer (…) Não creio que tenha acontecido alguma coisa que tenha constituído algum impedimento para este mandato.» «o autarca, que em entrevista ao PÚBLICO afirmou que não seria inédito acumular a presidência da autarquia com a liderança do partido – como fez Jorge Sampaio –, disse estranhar a pergunta e respondeu que “não há nada a clarificar”.»

Créditos — citações: Facebook do Tiago Loureiro; dualidade de critérios: António Costa.

Sucessor de Costa na CML

www.tvi24.iol

O sucessor de António Costa na Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, é economista e toca piano. Só falta acrescentar que esteve nos dois mandatos de José Sócrates e acha que este fez “coisas grandiosas” (sic). Deve estar a referir-se, presumimos, às grandiosas auto-estradas, ao grandioso esbanjamento do Parque Escolar e ao grandioso aeroporto de Beja. E também acha que não podíamos ter evitado esta crise, que nem o navio de Ulisses atraído pelas sirens nos poemas épicos de Homero.

Esta “renovação” do PS é um prelúdio do que implica a mobilização de António Costa. E valida o organograma já aqui apresentado.

No Fio da Navalha

Esta semana no ‘i’ meto-me com o Nuno Ramos de Almeida.

Mudar o mundo

Nuno Ramos de Almeida, que assina a coluna aqui do lado, escreveu na edição da passada terça-feira deste jornal sobre a não aceitação do mundo tal como ele se nos apresenta. Um esforço meritório da sua parte, que merece um comentário meu muito breve.

É que, ao contrário do que refere o Nuno, a não aceitação do mundo não pressupõe a sua transformação, mas a não conformação individual com este. Dito da forma o mais simples possível: se o Nuno Ramos de Almeida não gosta da realidade em que vive, deve procurar resistir-lhe, nos pontos em que tal lhe diga directamente respeito e nunca na medida em que afecte terceiros, satisfeitos que possam estar com essa mesma realidade.

Esta diferença, que pode parecer ténue – na verdade trata-se de formas de não aceitar a imposição que a maioria faz das regras do jogo -, não é tão pequena assim. Ela separa um revolucionário de um liberal clássico. Distingue alguém que quer construir tudo de cima a baixo, de outrem que, mesmo não apreciando a realidade tal qual esta se mostra, a compreende e respeita.

Não deve ser por acaso que o texto do Nuno está quase todo escrito na primeira pessoa do plural. O que não deixa de ser engraçado pois está assinado por ele e mais ninguém. Melhor ainda: não me inclui a mim, que, tal como o Nuno, não me costumo rever na maioria. É curioso como a não aceitação do mundo começa por não aceitar generalizações.

Álvaro del Portillo (2)

Um santo normal. Por Gonçalo Portocarrero de Almada.

Álvaro del Portillo era, surpreendentemente, pouco surpreendente. Nos três anos em que com ele convivi, em Roma, não lhe recordo nenhuma genialidade, nenhuma reacção espantosa, nenhum dito absolutamente original, nenhuma acção invulgar. Pelo contrário, parecia ser muito normal para quem era, afinal, o primeiro sucessor de uma figura tão carismática como Escrivá.

Continuar a ler

Notas sobre o duelo de cavalheiros (enfim, são o contrário disso)

Sobre Costa haverá muito a dizer. O sentimento de entittlement sobre a coisa pública que carrega, visível na suprema lata com que mantêm o cargo (e o ordenado) de presidente da CML enquanto passa quatro meses a passear-se pelo país em trabalho eleitoral das primárias do PS, ou como afirma que não devia ter dado oportunidades a Seguro, como se lhe coubesse permitir que Seguro (acaso fosse capaz) brilhasse. O seu percurso profissional, sempre feito na política e na traiçoeirice que esta proporciona, que nos garante desde já que teremos um pm que não faz a mais pequena ideia do que é, por exemplo, uma PME (daquelas, que são a maioria, que não vivem empoleiradas no dinheiro dos contribuintes, que essas Costa provavelmente conhece muito bem). A sua produção assustadora de banalidades, tanto mais grave quanto faz da política vida há décadas, revelando que é apenas um gestor de dinheiros e de tachos, que ideologia não tem nenhuma e é incapaz de alinhavar ideias que vão além de tonterias como ‘tenho visão estratégica’, ‘precisamos de uma agenda para a década’, o que faz falta ‘é aumentar a riqueza’. Mas isso fica para depois. Para agora uns pequenos apontamentos sobre as primárias e o PS segurista.

1. As primárias foram um sucesso, muitos simpatizantes votaram, saiu delas um vencedor com imensa legitimidade. Usemos mesmo um cliché: um lindo exercício de cidadania. Os simpatizantes que votaram estão de parabéns. Mas, como já referiu José Manuel Fernanades, por exemplo, votou muito menos gente proporcionalmente que noutros países. Porquê? Em minha opinião, pela mesma razão das vitórias pífias do PS (cuja culpa de facto não foi só de Seguro): o PS foi um partido despesista desde 1995 até 2011, ano em que se não fosse a troika teríamos falido. Os eleitores não são parvos (apesar de terem votado duas vezes em sócrates) e sabem perfeitamente quem nos trouxe até estes 3 anos de garrote.

2. Todos os métodos de escolha de líderes partidários serão certamente melhores do que as diretas aos militantes. Este tipo de eleições trouxe-nos sócrates e Passos Coelho. Ganhavam os líderes que melhor controlavam o aparelho – i.e., que mais prometiam e que maiores benesses tivessem possibilidade de ganharem para os aparelhistas. As diretas em si próprias eram a garantia que o estado continuaria a servir os interesses dos aparelhos partidários e, logo, continuariam mastodôntico, alarve, em processo de hiper-obesidade acelerada. Com as primárias a escolha do líder volta a fugir apenas destes critérios, porque os simpatizantes não votam com o cargo x em vista. É, para mim, uma gigantesca melhoria.

3. Claro que nenhum partido que quer governar pode ter um líder como Seguro. Quem vai votar com confiança num so called líder que afirma ter-se anulado durante vários anos? E depois de ter dito o disparate quando Costa lhe contestou a liderança, ainda veio repetir a imbecilidade nestas últimas semanas. Se o próprio garante que não se consegue afirmar, quem se daria ao trabalho de o contrariar? E a moção de censura do PCP, lembram-se da figura? E quem leva a sério o seu recém distanciamento face a sócrates se durante anos se fingiu orgulhoso da governação socialista que sempre isentou de culpas? Enfim, Seguro não precisa de inimigos quando se tem a si próprio.

4. Aparentemente há vida inteligente no PS, que entende – além das culpas do PS na crise de 2011 – o erro crasso que será dar a entender ao eleitorado que se pretendem coligações de governo com o PCP ou que a CRP é afinal um documento datado m algumas partes. Seguro e este PS que, pelos vistos, raciocinam podem bem questionar-se: não estaria o PS em píncaros nas sondagens se, e com este governo azelha que resolve tudo com mais um aumento de impostos, se tivesse em devido tempo distanciado de sócrates e mostrado que havia compreendido o que as políticas socráticas fizeram ao país? É que às vezes há recompensa por fazer o que está certo.

Podia-lhe ter dado para a solidariedade

nolen-facebook-two

Alá falou-lhe ao neurónio e ele foi obrigado a decapitar uma colega de trabalho. Incidente que as autoridades logo se prontificaram a confirmar que não tinha nada a ver com o Islão.

O PS e António Costa depois das primárias

O debate sobre as primárias no PS em que participei hoje de manhã na Antena 1 pode ser ouvido integralmente aqui.

No dia seguinte às eleições primárias no PS cujo vencedor foi António Costa, o jornalista Nuno Rodrigues modera um debate com a participação do professor de Ciência Política da Universidade Católica André Azevedo Alves, com o comentador de assuntos políticos da Antena 1 Raúl Vaz e com a editora de Política da Antena 1 Maria Flor Pedroso.

Bruxelas desagradada com aumento do salário mínimo

No Expresso

A Comissão Europeia está cada vez mais desconfortável com os sinais de que o Governo português possa estar a fazer marcha-atrás em relação a algumas das medidas mais impopulares adotadas durante a implementação do programa de ajustamento.(…)

As preocupações de Bruxelas vão, no entanto, muito mais longe do que o impacto direto e negativo que a medida pode ter nos ganhos de competitividade da economia nacional obtidos com o programa de ajustamento. Ao aumentar agora o salário mínimo, a Comissão entende que Portugal envia um sinal errado em relação ao compromisso do Governo de manter as reformas estruturais com que se comprometeu durante os três anos em que a troika esteve presente em Portugal.

O que dizia ele na altura?

No entender de Pacheco Pereira, a UGT é coutada política do líder da oposição (leia-se, PS versão António Costa). Não pode assinar acordos com o governo. Neste ponto não difere muito da extrema esquerda que comparara o seu líder a um kapo.

Presumo que isto se aplica também aos acordos que assinou durante os governos de Cavaco Silva.

Cartas socialistas ao Pai Natal

Pedro Bráz Teixeira no Observador

Globalmente, a proposta de Seguro revela (muito) mais trabalho de casa, enquanto a de Costa tem o verbo mais inspirado. No entanto, estamos basicamente perante duas cartas socialistas ao Pai Natal

Leia a análise completa aqui.

Os desafios de António Costa

Os 14 desafios de António Costa. Por David Dinis.

Abrir portas no PSD para um futuro Governo: o novo líder terá de pedir a maioria absoluta, mas sabe que isso é difícil (só uma vez o PS o conseguiu, com Sócrates e contra Santana Lopes). Por isso, Costa saberá que tem construir pontos com futuros parceiros de coligação, para que governar a partir de 2015 (se vencer, claro) não seja uma missão impossível. Abrir portas e construir pontes com o PSD (com o de Rui Rio, ou de outros potenciais candidatos à substituição de Passos) pode ser crucial no ‘day after’. O difícil é conciliar isso com um discurso de campanha eleitoral, onde a crítica ao Governo será permanente. Há alternativas? Sim: o CDS, ou a esquerda (com quem Costa nunca se cruzou), ou os novos partidos (o de Marinho Pinto, entre eles). Mas não se sabe se os votos chegam – e se não é mais fácil estabelecer consensos ao centro.