O previsível Rui Moreira

WB1903_ClownWithHat__78845.1405451397.1280.1280 Já se sabia que Rui Moreira tinha entregue a gestão da Câmara à concelhia do Partido Socialista (o que não é negativo de todo). A novidade dos últimos meses é também lhes parece ter entregue a elaboração dos seus artigos de opinião. O próximo passo óbvio.

Under The Skin

Com algum atraso, vi finalmente o filme Under The Skin, realizado por Jonathan Glazer e com a presença da muito apreciada por certas facções do Insurgente Scarlett Johansson. Glazer realizou dois filmes antes de Under The SkinSexy Beast, que tinha méritos, e Birth , acerca do qual é difícil dizer o mesmo – e é mais conhecido pelo famoso vídeo de Karma Police dos Radiohead. Johansson, por sua vez, passou a maior parte do tempo que se seguiu à sua explosão com Lost in Translation a ser mal aproveitada em filmes que ou não tinham grande interesse ou não sabiam o que fazer com ela: compreensivelmente tida como uma das mulheres mais desejáveis e desejadas do mundo, Johansson parecia condenada a (salvo raras excepções, como em Scoop de Woody Allen e, em menor grau e com um sotaque britânico deplorável, em The Prestige de Christopher Nolan) a desempenhar papéis de menina bonita mas pouco mais (note-se como deixei Matchpoint e Vicky, Cristina, Barcelona de fora das excepções. Não foi esquecimento). Era como se a sua beleza fosse tão fora deste mundo que a impedia de ser escolhida para interpretar seres humanos em vez de caricaturas. Em Under The Skin, Glazer, tal como Joseph Gordon-Levitt no fraquinho Don Jon e Spike Jonze no excelente Her, aproveita a extraterrestrialidade da beleza de Johansson e a sua imagem de símbolo sexual para dar corpo à personagem que ela interpreta (mesmo quando, como em Her, ela apenas lhe empresta a voz) e substância ao enredo do filme. Agora que perceberam o que fazer com ela, Johansson poderá finalmente ter a carreira que merece.

Tentar descrever Under The Skin não só seria estragar um pouco a experiência de ver o filme como um esforço infrutífero. Tudo o que eu pudesse dizer seria revelar tudo e ao menos tempo insuficiente para dar a mais insignificante ideia acerca do que se passa. O filme é, literalmente, indescritível. Chamar-lhe “hipnótico” não seria despropositado, não só pelo tom ou pela interpretação discreta mas excelente de Johansson, como pela beleza visual que Glazer e o seu director de fotografia (Daniel Landin) dão à Escócia onde o filme se passa. Mas mesmo isso seria insuficiente para o qualificar. Under The Skin é um dos filmes mais estranhos que já vi. Um bom filme, mas dos mais estranhos que já vi. O melhor que consigo dizer é que é uma espécie de E.T. se E.T. fosse um filme de terror, se E.T. tivesse sido realizado por Stanley Kubrick nos intervalos da rodagem de The Shining. E no entanto, é também um filme quase comovedor acerca de algo muito simples: a ideia de que ser humano é ser frágil, é ser vulnerável. Mesmo (ou especialmente) se formos uma qualquer Scarlett Johansson vinda de outra planeta.

A petição da ANTRAL, o Uber e a concorrência

O meu artigo de hoje no Observador: Táxis, Uber e a Lei Arroja da Concorrência

Nos anos 1990, o brilhante economista Pedro Arroja – que na altura era também um dos mais activos e influentes defensores do liberalismo em Portugal – resumiu magistralmente esta ideia num enunciado que ele próprio baptizou de Primeira Lei Arroja da Concorrência: “A concorrência é boa e desejável em todos os sectores de actividade, excepto no nosso”.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

O ruidoso silêncio sobre a tragédia socialista em curso na Venezuela

Vargas Llosa lamenta el silencio de América Latina ante Venezuela

El escritor peruano también reprochó el silencio de otros Gobiernos latinoamericanos. “Es natural que Cuba o Nicaragua no protesten, ¿pero cómo se puede explicar o aceptar que Gobiernos que han nacido en elecciones democráticas se nieguen a condenar al Gobierno venezolano y a mostrarse activamente solidarios con los millones de venezolanos que solo quieren para Venezuela lo que tenemos en nuestros países? Perú, Chile, Colombia, Uruguay: ¿dónde están las protestas de esos Gobiernos, cómo es posible que miren para el otro lado y actúen en complicidad con quienes están destruyendo a Venezuela convirtiéndola en una segunda Cuba?”, cuestionó.

“A través de ustedes, a todos los resistentes venezolanos les pido perdón por esa inconducta de los Gobiernos democráticos latinoamericanos, por sus muy débiles convicciones democráticas cuando no una secreta complicidad con la dictadura venezolana. Cuenten con nosotros, movilicemos a las conciencias sensibles de nuestra América, que son muchas, tan mal representadas por esos Gobiernos incapaces de mostrarse a la altura de esa democracia que los ha llevado al poder”, añadió Vargas Llosa.

Charlies exigem ser capitalistas

Redação do Charlie Hebdo reclama parte dos lucros de edição especial

Onze trabalhadores do semanário satírico Charlie Hebdo, alvo de um ataque terrorista em janeiro, exigem ser considerados acionistas da empresa para receberem parte dos 30 milhões de euros encaixados pela publicação com a edição especial pós-ataque.

O barril de pólvora do Iémen

Presidente do Egipto: Rebeldes xiitas são “lacaios do Irão”

A situação no Iémen é um verdadeiro barril de pólvora prestes a explodir e promete, a qualquer momento, reduzir a pó a já frágil situação do país. Egipto e coligação árabe não poupam críticas ao Irão.

A alta velocidade e os danos colaterais do “multiplicador keynesiano”

Un estudio concluye que ninguna línea española de AVE es rentable

“Ni para las empresas, ni para la sociedad”. Así de concluyentes se muestran Ofelia Betancor y Gerard Llobet en un estudio presentado este jueves que analiza si son rentables los principales corredores de alta velocidad en España. Los investigadores de la Fundación de Estudios de Economía Aplicada (Fedea) estiman que, ni considerando los beneficios indirectos, como los derivados de los ahorros de tiempo, la descongestión en las carreteras, o el coste evitado en trayectos de avión, se compensa la multimillonaria inversión realizada. La clave, aducen, es que el nivel de demanda no es, ni será, suficiente para generar los ingresos precisos.

A pesada herança autárquica de Valentim Loureiro

Fica mais uma ilustração prática de que, também no âmbito da governação autárquica, popularidade não equivale necessariamente a competência e rectidão: Valentim Loureiro: Faturas falsas obrigam Câmara de Gondomar a devolver 11 milhões de euros

Sob a liderança de Valentim Loureiro, a Câmara de Gondomar criou um esquema de falsificação de faturas e desvio de fundos comunitários. Agora, foi obrigada a devolver 11 milhões de euros.

Coincidências

“CML permite que empresa ligada ao BES construa quase o dobro do que o dono anterior” no Público

Manuel Salgado, vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, informou em 2011 o proprietário de quatro edifícios situados na Av. Fontes de Pereira de Melo, destinados a ser demolidos, de que lá poderia construir uma área total de 12.377 m2, para comérico e serviços, em sete pisos acima do solo.

Em 2012, o terreno mudou de mãos e foi adquirido por uma empresa então criada por um antigo governador do Banco de Portugal e antigo presidente da Caixa Geral de Depóitos, António de Sousa, e pelo Banco Espírito Santo. Em Janeiro deste ano, o mesmo vereador Manuel Salgado propôs, e a câmara aprovou, apenas com os votos do PS e de um vereador dos Cidadãos por Lisboa, a viabilização, para o mesmo local, de um total de 23.386 m2 de comércio e serviços em 17 pisos.

Revolução francesa

O meu artigo de hoje no Diário Económico.

Revolução francesa

A França tem sido muito criticada pela sua imobilidade económica e política. É muito comum dizer-se que os franceses estagnaram perante os desafios que os assolam há vários anos. Paralisados, entorpecidos com a crueldade de um mundo que não se revê neles, os franceses enfiaram a cabeça na areia e ignoram o que se passa à sua volta, mesmo quando dentro das suas fronteiras. Mas isso já não é verdade.

Pelo menos desde há uns tempos a esta parte, a França está a reagir. E o rumo dessa reacção tem tanto de interessante quanto de relevante para o debate político português. Na verdade, a cultura política do nosso actual regime, e da geração que o moldou à sua imagem e semelhança, deve muito da sua essência à experiência, percepção e modo de pensar francês.

São vários os exemplos dessa mudança, desde as continuadas provocações de Éric Zemmour que culminaram com a publicação, em 2014, do seu último livro, Le Suicide français, no qual o autor culpa a geração de 68 pelo declínio do Estado francês e pelos problemas sociais, e raciais, que assolam aquele país. Mas também o filósofo Alain Finkielkraut com as suas críticas ao relativismo, ao progressismo e, novamente, ao Maio de 68.

A revista Le Point, cujos editoriais do seu director Franz-Olivier Giesbert têm um forte pendor liberal, fez há semanas primeira página deste assunto. Não se limitou a referenciar os líderes mais mediáticos deste fenómeno, mas apresentou outras individualidades que fazem a nova geração, bem como outras tendências dentro do, podemos defini-lo assim, movimento. Porque é disso que se trata: de uma verdadeira deslocação do discurso político francês para a direita.

Os partidos de direita, neste caso a UMP e o UDI, este fundado há pouco mais de dois anos por Jean-Louis Borloo, ainda não encontraram a melhor forma de integrar no seu discurso político o novo pensamento da direita. Mas será uma questão de tempo. O certo é que a força motora do debate político francês já não se joga à esquerda. A França do Maio de 68 acabou.

Não se espere, no entanto, grande originalidade. Afinal, trata-se da França especialista em revoluções que, sabemos também por experiência própria, mudam pouca coisa ou quase nada. Tirando alguns sector mais liberais, os intelectuais franceses que estão a levantar a voz em nome da direita, apelam ao conceito de um Estado forte que se imponha a todos.

As consequências em Portugal são evidentes, pois muito brevemente a esquerda portuguesa ficará politicamente órfã. Talvez por isso, o que se passa em Paris não seja notícia em Lisboa, o que revela o quanto esta nova realidade afectará o nosso regime. Aliás, se há político francês que interessa seguir é Manuel Valls. É que, ou o PS de António Costa deriva à esquerda, ou o líder do PSF é um bom prenúncio das escolhas ingratas que terão de ser tomadas no Largo do Rato.

A TSF no seu melhor

O tema escolhido para o tribunal popular revolucionário Fórum TSF de hoje foi a “lista VIP”. Mais uma vez os seus autores demonstram mestria na arte de direccionar as intervenções (meu destaque):

O caso da lista VIP de contribuintes já está resolvido, em termos políticos, ou são necessárias mais explicações? Quanto à questão do sigilo fiscal, é necessário tomar medidas que travem as consultas abusivas? Deve existir uma lista VIP ou as regras devem ser iguais para todos?

Contrariamente à lista VIP do amigo Pinto Monteiro que alegadamente conferia imunidade judicial aos seus titulares a actual, que se saiba, constitui apenas um sistema de alerta contra pesquisas injustificadas na base de dados das finanças. Contrariamente ao que o texto supra sugere, e pelo que sabe, dificilmente se pode considerar que os seus titulares beneficiavam de “regras” diferentes. Mas assim iria retirar alguma animação ao fórum TSF.

Taxistas uber alles (2)

Na mesma petição onde se exige a interdição da Uber, a ANTRAL pede a liberalização do serviço de transporte de doentes. Pela liberdade dos utentes em escolher o prestador do serviço e contra a sua apropriação por (outras) corporações (meus destaques):

O que justifica, no entender dos profissionais e peticionantes, a imediata recomendação ao Governo para actuar:

a) no sentido de fazer cumprir a lei e determinar o impedimento da instalação e funcionamento da empresa Uber em Portugal e como reforço, se necessário for, da promoção de enquadramento legislativo clarificador;

b) Em simultâneo, promover a reabertura do processo de enquadramento do transporte de doentes não urgentes e de simples utentes, do serviço nacional de saúde, de forma a clarificar que o serviço em causa não pode ser apropriado por qualquer coorporação ou profissão mas, ser efectuado no âmbito da actividade comum de transporte de pessoas, de forma a ir ao encontro do desejo dos utentes e contribuir para reduzir a factura deste serviço, quando requerido através do serviço nacional de saúde.

Taxistas uber alles

Paulo Ferreira no Observador

Quem não gostava de ter um mercado reservado para si, impedindo a entrada de concorrentes e, sobretudo, travando qualquer inovação que possa tornar o serviço mais fácil, mais cómodo, mais conveniente para o utilizador final e até mais barato?(…)

Infelizmente são muitos os que gostavam e gostam de operar assim. E os taxistas não são excepção(…)

A polémica sobre a Uber é simbólica das forças que opõem a velha à nova economia. É uma boa oportunidade para os legisladores mostrarem claramente de que lado estão desta barricada. É de liberdade económica que se trata e aqui não pode haver hesitações. A menos que queiramos recuar um século no tempo.

crónica social

INSURGENT_BANNER-TOP-SITE_AT-CINEMA_1024X270px_V2Para verem bem a importância que tem este blog, Hollywood já se vergou à nossa inevitabilidade e está em exibição agora por aí o filme Insurgente (que não, não é um home movie connosco a fazermos graçolas). Para cuja estreia - na sala xpto do @Cinema do Saldanha Residence, que muito recomendamos – os representantes do blog foram convidados para que déssemos a benção. Infelizmente não recebemos royalties.

Portugal’s Syriza

No The Portuguese Insurgent, estará Portugal a caminho de ter um governo Syriza?

(Certamente por coincidência os links para site estiveram bloqueados logo após pblicar este artigo há 2 dias. Estão a funcionar normalmente agora)

Palavras e ventos de paz

IRAN-TURKEY-DIPLOMACY-KHAMENEI-ERDOGAN 

Turkey’s Erdogan says can’t tolerate Iran bid to dominate Middle East

Turkish President Tayyip Erdogan accused Iran on Thursday of trying to dominate the Middle East and said its efforts have begun annoying Ankara, as well as Saudi Arabia and Gulf Arab countries.

Turkey earlier said it supports the Saudi-led military operation against Houthi rebels in Yemen and called on the militia group and its “foreign supporters” to abandon acts which threaten peace and security in the region.

“Iran is trying to dominate the region,” said Erdogan, who is due to visit Tehran in early April. “Could this be allowed? This has begun annoying us, Saudi Arabia and the Gulf countries. This is really not tolerable and Iran has to see this,” he added in a press conference.

 

Entretanto, as reformas continuam a ser implantadas a bom ritmo.

Tradição fratricida

shootingyourselAs reacções desmedidas de algumas pessoas no PS à candidatura presidencial de Henrique Neto dão que pensar. Talvez fosse bom os socialistas lembrarem-se do que aconteceu das vezes que destrataram os seus militantes que concorreram contra o candidato oficial do partido.

Segurança

A tese do suicídio, na queda do avião da GermanWings, vai ganhando consistência e, a confirmar-se, a seguinte conclusão é inevitável: um mecanismo de segurança, implementado após os atentados de 11 de Setembro de 2001, frustrou qualquer tentativa de impedir o desastre. Há sempre gente disposta a trocar qualquer coisa por segurança, até a liberdade e a dignidade, e os voos comerciais são o laboratório perfeito para se estudar até que ponto os seres humanos aceitam submeter-se a todo o tipo de procedimentos invasivos quando aliciados pelo logro securitário. Não será este um caso claro de violação da liberdade individual, mas fica a lição: não há almoços grátis.

52-15

o perigo são os outros

Eu sei que ainda persiste a mania de que as doenças psicológicas são sintomas de fraqueza de gente de pouca qualidade; que a introspeção é para mulheres e sissies, nunca para homens de barba rija – que, como se sabe, não têm estados de alma; que as crianças não são hiperativas, são simplesmente mal educadas; que os suicídas não são doentes, são egoístas; que os depressivos são uns mandriões à procura de atenção alheia. No fundo não está muito distante do preconceito (e crueldade) que levava a que os militares com sintomas de trauma durante a primeira guerra mundial – com aquilo que então se chamava shell shock, por se supor ocorrer devido a alguma alteração fisiológica em quem esteve exposto de perto ao rebentamento de uma bomba – fossem muitas vezes fuzilados por cobardia. Passado quase um século depois da primeira teorização de Freud sobre trauma (em 1919), cheguei a uma criatura que escrevia sobre estes assuntos e dizia que trauma era algo que ocorria a gente impressionável de baixo QI. (Quando o meu palpite – por não ter qualquer fundamento em estudos existentes, tal como o palpite da dita criatura – vai no sentido contrário: se o QI influencia, provavelmente serão as pessoas de mais alto QI as mais suscetíveis, desde logo por perceberem melhor como o evento traumático é algo de fora do arco do que conseguimos saudavelmente integrar na nossa vida.)

Não sei se isto leva a que estes perigos psicológicos sejam descurados ainda hoje. Mas, se são, começamos a estar no campo da negligência – que nem se desculpa por causa do sacrossanto preconceito. Quando estava a fazer a licenciatura, na cadeira de Comportamento Organizacional recordo-me de ter estudado o caso dos operadores das gruas. Eram muito suscetíveis ao stress e a problemas daí recorrentes, devido a trabalharem isolados, num local alto e, sobretudo, por terem um trabalho que se mal executado podia acabar na morte de alguém. Os operadores das gruas. Certamente que haverá estudos semelhantes para outras profissões, incluindo os pilotos e co-pilotos de aviação comercial. Não entendo como os pilotos de avião não são psicologicamente avaliados com frequência e, se em risco, arredados dos comandos de um avião – e da vida de centenas de pessoas – até melhoria consolidada. E não são só os pilotos de aviões. Polícias (suicídios de polícias não são uma raridade) e juízes, por exemplo, também necessitam de avaliações psicológicas. Não podemos colocar a vida (e a liberdade) das pessoas nas mãos de quem está doente.

Barrigas e peitos de aluguer

O meu texto de ontem no Observador sobre maternidade e amamentação de substituição.

‘A vida moderna está cheia de perigos. Isto é o que deve ter pensado Carrie Bradshaw, a personagem da série televisiva O Sexo e a Cidade, quando, num encontro casual nas ruas de Nova Iorque com um casal de gays, estes lhe propuseram o fornecimento de um óvulo. Queriam ter filhos, de espermatozóides não tinham falta, a barriga de aluguer já estava contratada e Carrie, achavam, produzia óvulos de boa qualidade. A proposta terminou com a entrega a Carrie do cartão de um deles: a escritora que lhes ligasse se afinal resolvesse alinhar.

Bom, tanto pragmatismo no meio da azáfama nova-iorquina tira romantismo à ideia de produção de descendência. Tal como as notícias dos profícuos dadores de esperma que acabam transmitindo o seu sorriso a largas dezenas de filhos. Ou a clínica de esperma dinamarquesa que tem exportado ‘bebés vikings’ para todo o mundo. Ou os filhos do esperma anónimo (no caso da Grã-Bretanha, não anónimo) que em adultos vão à procura de quem lhes deu metade do DNA.

Mas, em boa verdade, uma gravidez resultante de um preservativo que se rompeu num caso de uma noite também não é romântica. E um casal com problemas de fertilidade que se dedica mês após mês ao método tradicional de conceção de crianças acaba usando mais teimosia e voluntarismo do que desejo ou romantismo. Mais: o casamento por amor é uma realidade com pouco mais de um século e sempre houve numerosos filhos fora do casamento; não vale a pena exigirmos agora purismos às conceções que quantas vezes ocorreram distantes do ideal.’

O resto está aqui.

 

Acerca do “manual dos espiões” do SIS

Parece estar a ser dada pouca atenção ao manual do SIS supostamente aprovado e em vigor desde 2006 que previa a utilização de métodos ilegais de recolha de informação. Será coincidência ou talvez fruto da “boa imprensa” que beneficia o então Ministro da Administração Interna.

Uma questão de interpretação

Um estudo (eles precisaram formalizar isto – e provavelmente gastar umas dezenas de milhares de euros para terem a certeza) do Parlamento Europeu descobriu que os países-membros forma obrigados a cortar no estado social por falta de dinheiro. É claro que não era fácil para eles admitir a insustentabilidade do “modelo social europeus”. por isso decidiram que a culpa não foi da falta de dinheiro mas sim da austeridade.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje ‘i’.

A defesa da Europa

Foi há poucos dias, e perante a Comissão Europeia, que Manuel Valls apelou a que os 28 países da União Europeia (UE) se unissem e comparticipassem no custo da luta contra o terrorismo. Perante o esforço que o governo francês para fazer frente a esta ameaça, o primeiro–ministro francês chegou mesmo a dizer que “l’armée européenne existe, c’est la France”.

Quem diria. Quem diria há 15 anos que ouviríamos a França falar deste modo, chamando atenção para a necessidade de a Europa financiar a sua defesa. Na verdade, não é só o terrorismo que a ameaça. Os EUA têm outros desafios na Ásia e no Pacífico e a Rússia está novamente a levantar um muro que a separa do velho continente.

Sem esquecermos a Grécia, que, saindo do euro, cairá num limbo para o qual arrastará aquela zona do Mediterrâneo e afastará a Turquia do Ocidente. Não é por acaso que Obama se preocupa com a situação grega e apela a que a UE reconsidere  a cobrança da dívida daquele país.

Aquilo que os europeus estão a começar a perceber é que o guarda-chuva norte-americano já não é suficiente. A Europa precisa de fazer por si. O que cria um desafio militar acrescido, pois implica um aumento da despesa pública, precisamente quando a maioria dos estados europeus estão fortemente endividados. Como é que países com já tão pouca margem de manobra vão financiar o tão necessário armamento, aumentando o orçamento no sector da defesa? Como é que uma Europa atulhada em despesa investe na defesa?

As eleições na Madeira

Diário de Notícias

A sondagem da RTP aponta para 49% dos votos no PSD, 18% para a coligação Mudança (PS/PTP/MPT/PAN) e 11% para o CDS. A quarta força nesta sondagem é o JPP (Juntos Pelo Povo) com 6% dos votos, seguido da CDU (5%), BE (3%), PCTP/MRPP (2%), PND (2%), MAS (1%), PPM/PDA (1%) e PNR (0,5%).

A verificar tal disparidade na votação entre os principais partidos (e não esquecer o resultado do CDS) trata-se de uma pesadissima derrota para o PS, especialmente tendo em conta o resultado das autárquicas. E também para Alberto João Jardim.

Primavera persa, parte enésima

Youness Asakeree

Youness Asakeree

Iranian vendor dies after setting himself on fire

Youness Asakere, an Iranian fruit vendor who set himself on fire in front of the Khoramshahr municipality in protest after his fruit stand was confiscated by authorities, died March 22. His death, and the lack of broader attention by Iranian society, has stirred many questions among activists and analysts on social media.

Henrique Neto

Mas por que raio está Henrique Neto a apresentar a sua candidatura à Presidência a esta hora (16h), em vez de às 20 horas? Sou tudo menos um adepto de se fazerem as coisas em função dos telejornais, mas se há candidato a quem, pela sua falta de notoriedade junto da população em geral, dava jeito um directozinho às oito da noite, é Henrique Neto.

Os amigos são para as ocasiões

Reforma do Mapa Judiciário

A lista VIP de Pinto Monteiro.

O novo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) ainda não tomou posse, mas lança já uma forte acusação. António Ventinhas diz que Pinto Monteiro não apoiava investigações a pessoas poderosas.

É uma acusação direta ao antigo Procurador-Geral da República Pinto Monteiro.

O recém-eleito presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, António Ventinhas, diz que o antigo PGR não apoiava investigações a pessoas poderosas e que muitos procuradores envolvidos em processos mediáticos enfrentavam processos disciplinares.

Na entrevista à jornalista da Antena 1 Cristina Santos, António Ventinhas afirma que o Ministério Público tem agora mais apoio por parte da Procuradoria. Algo que não acontecia no tempo de Pinto Monteiro.