Notícias frescas da revolução

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“Chávez nosso que estás no céu, na terra, no mar e em nós, santificado seja o teu nome, venha a nós o teu legado para o levarmos aos povos. Dá-nos hoje a tua luz para que nos guie todos os dias, não nos deixes cair em tentação do capitalismo e livrai-nos da maldade da oligarquía, do crime do contrabando porque nossa é a pátria, a paz e a vida.”

A revolução venezuelana encontra-se numa fase de velocidade de cruzeiro que exige cada vez mais formação nos valores do Messias Chávez no combate diário nas ruas, lojas, mercados, criando, construindo e fazendo a revolução.

Sin alimentos, ni medicinas

Caracas: once horas para comprar carne

Para el cierre de 2015 la inflación en el país latinoamericano podría llegar a 200%

El sueldo mínimo en la patria de Nicolás Maduro ronda los 7.200 bolívares (1.072 euros)

La mayoría de la comida la importa el Gobierno, pues casi no hay producción nacional

Los productos que escasean en Venezuela solo pueden comprarse una vez a la semana

Las colas para comprar comida y las peleas entre los clientes afectan a los comerciantes

 

Mitos, falácias e verdades sobre o desemprego

O desemprego tem sido um dos assuntos centrais da campanha eleitoral. Com tanta informação e contra-informação, convém olhar para os números disponíveis, sem filtros. Comecemos então por olhar para a evolução do número oficial de desempregados desde 2011:

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A tendência é clara: houve um aumento do número de desempregados a partir de 2011, mais visível a partir do anúncio do pedido de ajuda à Troika. O desemprego atingiu o seu valor mais alto em Fevereiro de 2013, cerca de 20 meses depois da entrada da Troika. Desde aí caiu de forma quase contínua. Entre Fevereiro de 2013 e Maio de 2015 passou a haver menos 306 mil desempregados. A tendência foi particularmente forte até ao aumento do salário mínimo nacional em Setembro de 2014.

Para efeitos de campanha eleitoral, tem-se comparado os valores de Junho de 2011 com os actuais, para tentar definir as culpas/créditos do actual governo. Apesar do simbolismo, esta comparação é um pouco vazia de sentido. Em primeiro lugar, porque as políticas económicas de um governo demoram alguns meses a ter efeito no desemprego (há excepções como o aumento do salário mínimo nacional, cujo anúncio em si pode ter efeitos imediatos, mesmo antes da implementação). Em segundo lugar porque ninguém com dois dedos de testa esperaria que o desemprego não aumentasse bastante depois de Portugal entrar na situação em que entrou em Maio de 2011. Independentemente da cor partidária do governo, e das políticas escolhidas, o desemprego teria aumentado bastante depois da chamada da Troika. Mesmo assim, por curiosidade, podemos fazer o exercício de olhar para a evolução do desemprego nas 5 últimas legislaturas (Guterres, Durão/Santana, duas de Sócrates e esta).

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Como se pode ver pelo gráfico, esta foi a primeira vez desde 1999 em que o número de desempregados baixou entre o princípio e o fim de uma legislatura. Mais uma vez, estes dados têm um valor apenas simbólico: nem um governo controla totalmente o nível de desemprego, nem as suas políticas têm impacto imediato.

Quando se fala na queda do desemprego, logo aparecem alguns comentadores a falar no desemprego escondido. O primeiro argumento utilizado é o dos desempregados desencorajados, que por não continuarem a procurar emprego, são considerados inactivos e desaparecem das estatísticas do desemprego. Ou seja, pessoas que se cansaram de procurar emprego e por isso não entram nas estatísticas do desemprego. Adicionando estas pessoas ao gráfico, ficamos com o seguinte:

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Depois de acrescentar estas pessoas, o perfil da evolução do desemprego continua semelhante: um grande aumento entre meados de 2011 e início de 2013, seguido de uma forte queda. Utilizando este critério para definir desempregado, a queda no desemprego desde 2013 é ainda maior: menos 309 mil desempregados.

A seguir à questão dos desencorajados, fala-se no subemprego: pessoas que estão empregadas a tempo parcial mas que gostariam de ter emprego a tempo inteiro. Dificilmente se poderá considerar pessoas que trabalham a tempo parcial desempregados, mas para efeitos de análise, podemos acrescentá-los ao gráfico anterior.

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Mais uma vez, a tendência não só não se altera como se assiste a uma queda no “desemprego” ainda maior: menos 310 mil “desempregados” desde Fevereiro de 2013.

Finalmente, há um argumento que faz mais sentido de todos: muitos desempregados não contam como tal porque estão ocupados em programas de emprego e formação profissional. Ou seja, o estado paga a estes desempregados para estarem ocupados. O número de desempregados ocupados foi uma das marcas desta legislatura. Quando adicionamos, estes “ocupados” aos números do desemprego, temos o seguinte:

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Continua sem haver uma mudança na tendência. No entanto, a queda no número de desempregados desde Fevereiro de 2013 passa de 310 para 237. Mesmo assim é uma queda substancial: nunca houve uma queda tão acentuada no número de desempregados em Portugal desde 1974 (também nunca o ponto de partida foi tão alto).

A única verdadeira preocupação é que, ao contrário do que foi prometido, o número de assalariados do estado aumentou durante a legislatura. A redução que ocorreu no número de funcionários públicos foi mais do que compensada pelo aumento de desempregados ocupados pelo estado (é verdade que com um nível salarial mais baixo, mas mesmo assim dependentes do estado).

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Como o PS não hesita em criticar estes “empregos” e o PSD/PP realçam a importância do sector privado no emprego este será, certamente, um assunto para resolver na próxima legislatura, ganhe quem ganhar.

Ciência Política e Relações Internacionais IEP-UCP

Termina no próximo dia 6 de Agosto a 1ª fase de candidaturas à Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Catolica Portuguesa, em Lisboa.

O concurso aos cursos da UCP é local, pelo que a opção “Universidade Católica Portuguesa” não está incluída no concurso nacional, devendo a candidatura ser feita directamente junto da UCP.

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Candidaturas ao Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa 2015/16

Os Combustíveis Sociais

Sempre que pagarem por um litro de gasolina podem ficar com a satisfação de contribuirem com 60% do valor do custo para o estado, contribuindo assim para a sustentabilidade do estado social. Para quem utiliza gasóleo, a satisfação é ligeiramente inferior – apenas 51% do valor reverte a favor do estado (fonte: Apetro – dados de Julho de 2015).

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O melhor mês de sempre d’O Insurgente

Conforme já aqui havia dado conta, Julho de 2015 foi o melhor mês de sempre em termos de audiências n’O Insurgente. O mês terminou com mais de 348.000 visitas registadas no site, com a média de visitas diárias a superar em Julho de 2015 pela primeira vez a marca das 11.000.

No que diz respeito a outros canais de divulgação, para além das muitas pessoas que seguem O Insurgente através dos mais variados readers e por email, a página d’O Insurgente no Facebook agrega já mais de 6.700 pessoas e o blogue conta também com mais de 1.900 seguidores via Twitter.

Obrigado a todos os leitores pela preferência.

“Portugal não é a Grécia” (pelo menos para já)

Portugal é o “anti-Grécia”, escreve o Politico, um jornal de Bruxelas

O “Politico” faz manchete com a análise das razões por que não acredita que as eleições resultem num “Tsipras 2.0″. Partidos do centro aguentam-se porque “as coisas estão, lentamente, a melhorar”.

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Che Guevara, la máquina de matar

Alvaro Vargas Llosa no El Pais

En enero de 1957, como indica su diario de Sierra Maestra, Guevara mató de un disparo a Eutimio Guerra porque sospechaba que estaba pasando información al enemigo: “Acabé con el problema con una pistola del calibre 32, en el lado derecho de su cerebro… Sus pertenencias ahora son mías”. Luego dispararía a Aristidio, un campesino que expresó su deseo de abandonar la lucha cuando los rebeldes se trasladaran a otro lugar. Mientras se preguntaba si esta víctima en concreto “realmente era lo suficientemente culpable como para merecer la muerte”, no le tembló el pulso a la hora de ordenar el asesinato de Echevarría, hermano de uno de sus camaradas, por crímenes no especificados: “Tenía que pagar el precio”. En otras ocasiones simulaba ejecuciones, aunque no las llevara a cabo, como método de tortura psicológica.

1984

José Meireles Graça no Gremlin Literário

Sempre suspeitei que o cartão de cidadão, com a possibilidade de armazenar dados, e os seus três ou quatro pins que é preciso memorizar, era uma pedra na tumba das liberdades; e que seria apenas uma questão de tempo até que um dos controleiros que pululam no governo e fora dele – a falta de respeito pela liberdade é, na esquerda, um dado adquirido em nome da igualdade e, na direita, quando ocorre, em nome da segurança, da eficiência, da ignorância ou da inconsciência – começasse a tirar partido do mundo de possibilidades que a informática oferece.

Aí está. E em vez de se ver a iniciativa por aquilo que é, um perigoso passo para amanhã se começarem a tratar dados e com base neles se imiscuírem Savonarolas da saúde pública, como o Secretário Leal, na relação médico-doente, ensinando uns a prescrever e outros a adoptar os comportamentos que as autoridades acham recomendável, censura-se os médicos porque – ó escândalo! – apenas metade “tem Cartão do Cidadão ou da sua Ordem”.

O Estado não tem mãos

José Carlos Alexandre na Destreza das Dúvidas

A esquerda gostaria que as empresas (pelo menos, as “estratégicas”) estivessem nas mãos do Estado. O problema é que o Estado não tem mãos, quem tem mãos são os indivíduos. A esquerda fala como se o governo pudesse ser incompetente ou corrupto, mas o Estado, vá-se lá saber porquê, estivesse naturalmente investido de nobreza e dignidade e pairasse sempre acima das fraquezas e vícios humanos. Infelizmente, o Estado não é nada disso. O Estado são pessoas, muitas vezes escolhidas e nomeadas pelo tal governo “incompetente e corrupto”.

Leitura recomendada

O ataque terrorista que vitimou uma família palestiniana deve ser condenado. A começar por todos aqueles que simpatizam com a ideia da existência do Estado de Israel. Por esse motivo, aconselho a leitura do texto de Jonathan S. Tobin, na Commentary.

Israel was shaken today by the news that last night what is believed to be a group of Jewish terrorists conducted an arson attack in the West Bank village of Duma that left an 18-month-old child dead and his four-year-old brother gravely injured. This atrocity has been roundly condemned by the Israeli government and authorities have promised that those responsible will be caught and punished to the full extent of the law. Yet the likely fate of these terrorists is not the most important issue at the moment. For many the crime calls into question what is believed to be a lenient attitude on the part of Israeli authorities to violent extremists living in West Bank settlements thought to be behind the attack. While the situation in the settlements is far more complex than that conclusion, Palestinians are already branding the Israeli government as being somehow responsible for the murder, a stance that will no doubt be echoed by Israel-haters around the world. But while such charges are rooted more in prejudice against Israel than the facts, the Jewish state must seize this moment to engage in more than just the routine soul searching that occurs anytime an Israeli does something awful. (…)

 

But the events of the last week show that it isn’t good enough for Jews to merely condemn an Arab and Muslim political culture that will not allow peace to happen. It is also incumbent on Israelis and their friends to acknowledge that horrors such as those that occurred at Duma only serve to justify Arab hatred and serve the cause of the Islamist haters that are gaining ground throughout the Middle East. Just as we are right to ask Muslims to police their extremists, so, too, must Jews also act against their haters.

There should be zero tolerance for hate and terror among both Arabs and Jews. Unfortunately, there seems little chance that Palestinians will isolate and reject Fatah-linked terrorists, Hamas and Islamic Jihad the way Israelis are condemning the Duma killers. Indeed, the calls for more terror attacks on Jews in response to Duma from the government of the independent Palestinian state in all but name in Gaza have already begun. But the answer begins with appropriate action against the terrorists and those who support them by the Israeli government.

 

“The horror. The horror.”

“Diz aí” que Yanis Varoufakis corre o risco de ser julgado por traição na Grécia, graças às tropelias do seu já famoso “plano B”. Honestamente, parece-me exagerado. No entanto, estou profundamente convicto de que deveria ser julgado e severamente punido por usar camisas destas em público.

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Assembleia Geral

Na passada quarta (em vez das habituais sextas), fui ao Assembleia Geral da ETV para falar sobre o que se poderia esperar do programa eleitoral da coligação PSD/CDS, umas horas antes do seu anúncio.

http://rd3.videos.sapo.pt/playhtml?file=http://rd3.videos.sapo.pt/Dtwr15lIszZEFwpEYOMs/mov/1

Perdido na tradução

Ao contrário do que a comunicação social portuguesa anda por aí a dizer, o Primeiro Ministro do Reino Unido, David Cameron, não disse que havia uma “praga de migrantes” em Calais. Disse que havia “a swarm of people”, ou seja, um “enxame de pessoas” a tentar entrar na Europa. Independentemente do que se pense acerca da questão da imigração e dos problemas dos refugiados, convinha citar correctamente o que as pessoas dizem.

Liberdade de educação e desenvolvimento

Na educação como em outros sectores o desafio mais difícil é conseguir minimizar as distorções e os danos causados pelo Estado e pelas burocracias regulatórias no que o mercado e a sociedade civil fornecem em liberdade: For-profit education: The $1-a-week school

Private schools are booming in poor countries. Governments should either help them or get out of their way

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O emprego que se vê e o desemprego que não se vê

 MIGUEL A. LOPES/LUSA

MIGUEL A. LOPES/LUSA

António Pires de Lima, Ministro da Economia em trânsito e afamado de liberal sem qualquer razão que o justifique, veio hoje vangloriar-se das estatísticas que indicam uma descida do desemprego. “Felicitou”, como a coreografia portista exige, “as empresas e o sector privado”, mas não se conteve e sentiu-se compelido a dizer que o Governo (ou seja, a sua excelsa pessoa) tinha tido a sua quota-parte no maravilhoso resultado alcançado: um terço desses empregos, garantiu, devem-se a estágios “escolhidos pelas empresas” (o que, se segundo ele, faz com que não sejam “artificiais”) mas tornados possíveis pelos “apoios” de “entidades públicas como o IEFP” (o que, para qualquer pessoa com dois dedos na testa ou vergonha no resto da face, indica que são precisamente tão artificiais como a garantia de Pires de Lima de que não o são).

Não contesto que esse “terço” de novos empregos são uma boa notícia para quem os ocupa, especialmente para os 70% de casos que o senhor Ministro diz serem depois integrados em empregos efectivos na empresa ou sector em que o estágio é realizado. Mas, ao contrário do senhor Ministro, não fecho os olhos ao outro lado, bem menos positivo, da questão: o emprego criado por esses “apoios”, que se vê, só é possível graças a ao desemprego, criado pelas políticas necessárias para os financiar, que não se vê.

Tendo em conta que o “negócio” do Estado é obter receita dos cidadãos, todo e qualquer “apoio” que este dê é proveniente do dinheiro dos indivíduos e empresas que, com os seus impostos, financiam a “generosidade” pública. Para subsidiar estágios profissionais em algumas empresas, o Estado tem de manter a sua despesa em determinados valores, que só são possíveis porque a fiscalidade é mantida em (ou melhor, elevada para) proporções que são bastante difíceis de comportar para o resto da sociedade (e que mesmo assim não são suficientes para cobrir o défice público, obrigando à contracção de mais dívida, que terá de ser paga ou por novos impostos no futuro ou com uma bancarrota e suas respectivas consequências desastrosas). O dinheiro gasto pelo Estado nesses apoios, e que tanto jeito deu aos que dele beneficiaram, terá certamente feito alguma falta aos que dele tiveram de abdicar. O que os números e as palavras de Pires de Lima não dizem é quantos empregos se perderam ou ficaram por criar, para que fosse possível “apoiar” quem teve a sorte de ser apoiado. Pires de Lima vê e fala dos 70% de empregos efectivos que terão resultado directamente desses estágios “apoiados” pelo Governo, mas não vê nem fala dos 30% de estágios que, pelos vistos, não serviram para nada a quem os realizou, e muito menos vê ou fala dos empregos que não se criaram ou se perderam, ou das pessoas que viram os seus rendimentos diminuídos, para tornar esses “apoios” possíveis.

Acresce que ao subsidiar, com o dinheiro extraído ao resto da sociedade, a criação de estágios profissionais em determinadas empresas, o Estado está a permitir que essas empresas preencham funções de que aparentemente precisam, sem custos ou com custos menores para si próprias, por serem suportados literalmente à custa da concorrência, através das mãos redistribuidoras da fiscalidade que saca e dos “apoios” que “dão”. Mais do que possibilitar uma concorrência desleal entre as empresas “apoiadas” e as que pagam os custos do “apoio” (um pouco como a concorrência desleal que os clubes de futebol que não cumprem as regras do pagamento dos salários aos seus jogadores fazem aos clubes cumpridores por isso mais apertados financeiramente e sem margem de manobra para ir enriquecer o seu plantel), esta distorção faz com que essa concorrência se trave, não no mercado da oferta e procura de bens e serviços, mas no terreno da burocracia que decide quem recebe os subsídios, e quem não tem outra escolha que não pagar os impostos que sustentam as políticas que beneficiam os outros. A atribuição de subsídios de apoio à criação de estágios, por muitos empregos que crie e por muito positiva que seja essa criação, resulta sempre na substituição do mercado das livres interacção e escolhas das pessoas pelo “mercado” da “influência” e decisão políticas, o único que nunca está em crise no nosso país, e que, ao contrário do que algumas alminhas mais simples gostam de acreditar, é bem mais injusto do que o primeiro. O Ministro da Economia, no entanto, orgulha-se deste estado de coisas, como José Sócrates e a sua pandilha se orgulhavam. E pelos vistos há quem, à “esquerda” e à “direita”, goste e aprove que o país funcione assim. É um grupo em que definitivamente não me incluo.

Outra má notícia para o Parlamento

A confirmar-se, é mais uma baixa de peso e que vai fazer diminuir a qualidade da próxima Assembleia: Paulo Mota Pinto fora das listas de deputados da coligação PSD/CDS

Contactado pela agência Lusa, Paulo Mota Pinto recusou-se a comentar, mas salientou desejar que a coligação PSD/CDS “renove a maioria absoluta” nas eleições do próximo dia 04 de outubro, considerando ser esse “o melhor resultado para o país”.

Paulo Mota Pinto foi um dos primeiros a defender no PSD um limite constitucional à dívida, tendo repetidamente sustentado a necessidade de acordos de longo prazo entre os dois maiores partidos portugueses (PSD e PS) sobre questões essenciais para a governabilidade do país.

Nesta última sessão legislativa, demarcou-se algumas vezes da posição oficial do PSD no parlamento, alertando para a inconstitucionalidade de iniciativas legislativas como a “lista de pedófilos” (a qual acabou por ser alterada ainda pelos deputados) e o crime de “enriquecimento injustificado”, que esta semana foi declarada inconstitucional por unanimidade pelo Tribunal Constitucional.

Renegociação das PPP rodoviárias

Os erros do passado serão pagos por muitos anos pelos contribuintes portugueses, mas ainda assim são dados positivos: Governo conclui renegociação da Via do Infante. Poupa 85 milhões de euros

A renegociação da concessão do Algarve, que explora a Via do Infante, era a única que faltava ao pacote das sete antigas SCUT que o Governo queria alterar e que permite a poupança de 2.070 milhões de euros em pagamentos destas concessões. “Creio que este (85 milhões) é um valor muito expressivo e que revela a margem de melhoria que podemos introduzir no conjunto de encargos que representavam as parcerias público privadas rodoviárias”, disse o ministro da Economia, Pires de Lima.

Pires de Lima referiu ainda que a renegociação de todas as PPP rodoviárias, incluindo as subconcessões lançadas nos governos de Sócrates, vai permitir poupar 7,2 mil milhões de euros aos contribuintes, se tivermos em conta o tempo de vida das concessões.

Desemprego continua a descer em Portugal

A taxa de desemprego continua a diminuir de forma consistente desde o início de 2013. Mais uma excelente notícia para Portugal e para os portugueses, excepto para quem aposta na demagogia e em velhas falácias keynesianas para tentar chegar ao poder: Taxa de desemprego ficou nos 12,4% em junho. Valor de maio foi corrigido em forte baixa

636,4 mil desempregados em junho, ficando a taxa de 12,4%, informou o INE. Entretanto a taxa de maio, antes estimada em 13,2%, foi revista em baixa para 12,4%. É o valor mais baixo desde julho de 2011

Feministas (da subespécie louca) que afinal gostam de piropos

O meu texto de ontem no Observador.

‘O cruzamento entre feminismo e esquerdismo é mais perigoso do que uma guerra nuclear declarada. Não por culpa do feminismo, claro, que ainda faz muita falta. Mas o esquerdismo é assim: pega num bom conceito, tritura os neurónios ao seu portador e apresenta-nos os resultados. Com o cristianismo sucede a mesma coisa. Conheço muito católico de esquerda que transporta o sonho de viver numa espécie de comunismo beato, numa casa albergando várias famílias vivendo comunitariamente, educando a criançada em conjunto, partilhando cozinha, e outras ideias aterradoras semelhantes. Quando cruzado com o esquerdismo, nada está a salvo.

De volta ao feminismo (versão histérica) acrescentado de esquerdismo. Li no outro dia um texto sobre piropos de Jessica Valenti, antes feroz denunciadora desta calamidade (com rival só no degelo das calotes polares) que é o piropo de rua. Que agora fica insegura se nenhum senhor desconhecido com quem se cruza não faz uns barulhos esquisitos nem lhe dirige nenhum impropério hardcore. Que pensa que está particularmente atraente no dia em que (enfim, enfim!) os impropérios regressam. Que se questiona angustiadamente se aos 36 anos já passou o seu ‘last fuckable day’.

Perante isto, penso que é bom fazer aqui uma proposta para as nossas políticas de saúde. Isto porque nós também temos excesso de oferta desta subespécie feminista que perde tanto do seu claramente pouco precioso tempo a clamar contra esse problema – inexistente para a maioria das mulheres – que são as opiniões de desconhecidos oferecidas na rua. E só não lemos textos como o de Jessica Valenti porque afinal as nossas feministas, subespécie louca, não são tão desassombradas a olharem para si próprias (levam-se demasiado a sério e desconhecem o auto-humor) nem entendem a ambiguidade. Assim, parece-me oportuno sugerir que aquela consulta obrigatória de apoio psicológico para as mulheres que querem abortar seria bem mais útil se dirigida para estas feministas bipolares.’

O resto está aqui.

O interrail dos refugiados

Quem visitar Budapeste estes dias verá um cenário inesperado. As estações de caminho de ferro transformaram-se em centros de campismo. Centenas de refugiados, maioritariamente homens entre os 15 e os 30 anos, mas também algumas mulheres na mesma faixa etária e crianças, ocupam todos os cantos das duas principais estações de Budapeste: Keleti (Este, em húngaro) e Nyugati (Oeste). São maioritariamente oriundos da Síria, Iraque e Kosovo. A ocupação é absolutamente pacífica. Todos querem chegar à Europa ocidental para trabalhar. Nenhum se arrisca a ficar preso na Hungria. À hora certa, fazem filas ordeiras para receber água e a refeição dos voluntários.

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Refugiados na estação de Keleti (Associated Press)

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Refugiados esperam por comida e água (Associated Press)

A maioria passou os últimos dias num acampamento temporário em Szeged, junto à fronteira com a Sérvia. Apesar de ser o principal ponto de entrada para imigrantes clandestinos, Szeged não tem nenhum centro de refugiados, apenas um centro de recepção. Os imigrantes são recebidos ali e encaminhados para a estação de comboio, onde podem seguir caminho para Györ, via Budapeste. Györ fica no lado oposto do país, convenientemente localizado perto da fronteira com a Áustria. Os imigrantes recebem o seu bilhete gratuito para Györ, mas muitos não chegam ao centro de refugiados ou passam l]a pouco tempo. Continuam o percurso, às vezes no mesmo comboio, até à fronteira com a Áustria. O papel da Hungria no jogo do empurra fica assim completo.

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Na imagem marcado a vermelho o ponto de chegada, szeged, e a azul a localização do centro de refugiados, Györ, para onde a Hungria envia os refugiados

Mas esta é apenas a última etapa antes de chegar à Europa Ocidental. Para os imigrantes oriundos da Síria e Iraque, a viagem começou muito antes com a travessia da fronteira para a Turquia. Da fronteira sul, dirigem-se a ocidente. A rota habitual consistia em atravessar a fronteira terrestre da Turquia para a Bulgaria. Com o influxo de imigrantes, a Bulgaria construiu um muro na sua fronteira. Desenhou-se então uma rota alternativa, via Grécia. Da Turquia à ilha grega de Lesbos são apenas alguns quilómetros de barco. Tal como na Hungria, também as autoridades gregas fecham os olhos aos imigrantes que saem dos campos de refugiados em Lesbos em direcção a Atenas e daí partem para a Macedónia. A fronteira entre a Grécia e a Macedónia é porosa. As autoridades da Macedónia também não barram o caminho aos imigrantes que se dirigem à fronteira norte com a Sérvia.

Um grupo de imigrantes caminha ao lado de uma linha de caminho de ferro na Macedónia (Fonte: AFP)

Na Sérvia, os imigrantes fazem um pedido de asilo. Com este pedido de asilo recebem uma autorização de permanência temporária e um horário dos comboios. Nenhum espera pela resposta ao seu pedido de asilo. Preferem a viagem de comboio que os leva a Subotica, na fronteira com a Hungria. Os revisores não insistem que eles paguem o bilhete, nem os expulsam do comboio. Pelo caminho, juntam-se aos refugiados oriundos do Kosovo.

Entre Subotica e a fronteira com a Hungria são apenas alguns quilómetros a pé. Alguns têm sorte e conseguem boleia até à fronteira de habitantes locais. É uma zona rural, com bastantes tractores e pouca polícia. Os locais ajudam tanto por caridade como pela vontade de ver os imigrantes sair dali rapidamente. As autoridades sérvias não intervêm.

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Grupo de imigrantes kosovares faz o percurso entre Subotica e a fronteira com a Hungria

Na fronteira, basta encontrar um ponto sem polícias húngaros. Na Hungria dizem que alguns guardas do lado sérvio dão indicações aos imigrantes sobre onde atravessar e a que horas. A fronteira é porosa. Desde a guerra civil na Jugoslávia que todos sabem os pontos onde é mais fácil passar.

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Na imagem, imigrantes atravessam a fronteira entre a Sérvia e a Hungria, num dos vários pontos onde é possível fazê-lo facilmente

Os húngaros planeiam construir um muro para travar o fluxo de imigrantes ilegais, tal como já existe na Bulgária, em Espanha (nos enclaves de Ceuta e Melilla) e na fronteira dos países bálticos com a Bielorrússia. Um país temr o direito de defender as suas fronteiras como entender. Qualquer paralelo entre este muro e o muro de Berlim não faz sentido: um será feito para defender as fronteiras do país, o outro foi feito para aprisionar os seus habitantes. Dois objectivos moral e politicamente diferentes. Mas, apesar da construção desse muro poder resolver o problema da Hungria, os imigrantes certamente encontrarão outras rotas, potencialmente mais perigosas.

Há cerca de dois anos em visita a Tripoli, falei com alguns locais. Um deles contou-me a forma como à noite, junto ao porto onde os imigrantes africanos se juntam, os traficantes convencem-nos de que a luz de uma plataforma petrolífera que avistam no mar é Lampedusa (ilha italiana). O barco não precisa de ser muito grande, dizem, a Europa é já ali.

Migrants are seen in a boat during a rescue operation by Italian navy ship San Marco off the coast to the south of the Italian island of Sicily in this February 5, 2014 picture provided by the Italian Marina Militare. The Italian navy began the emergency sea rescue on Wednesday of an estimated 1,000 migrants from boats close to the island of Lampedusa, the site of a tragic shipwreck that killed hundreds five months ago, in the operation called Mare Nostrum.   REUTERS/Marina Militare/Handout via Reuters (ITALY - Tags: SOCIETY IMMIGRATION MARITIME) ATTENTION EDITORS - THIS IMAGE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY. FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS. THIS PICTURE IS DISTRIBUTED EXACTLY AS RECEIVED BY REUTERS, AS A SERVICE TO CLIENTS

Barco com refugiados em direcção a Lampedusa (Fonte: Reuters)

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal ‘i’.

A diplomacia económica

Com a polémica instalada à volta do ex-presidente brasileiro Lula da Silva, e da eventual utilização da sua influência a favor de certos negócios, voltou-se falar do conceito de diplomacia económica. Este tem sido, nos últimos anos, apresentado como um novo modelo de actuação dos Estados a favor das empresas nacionais. No entanto, nas últimas semanas, embaixadores, políticos, jornalistas e até empresários começaram a questionar se será bem assim.

A ideia de favorecer empresas nacionais parece simpática, mas apresenta alguns problemas. O primeiro, e o mais óbvio, é que o auxílio a certas empresas para fazerem negócios no estrangeiro, para internacionalizarem a sua carteira de clientes, dificulta ou impede outras, sem o mesmo acesso à diplomacia económica do Estado, de entrar nesses mesmos mercados. Naturalmente, e porque nunca vemos os negócios que não foram feitos, mas os fechados, somos forçados a encarar o conceito de diplomacia económica como positivo e sem custos. Mas estes existem, e um olhar mais atento e isento à realidade leva-nos a conclusões diferentes.

A outra questão, de certa forma ligada à primeira e que parece só agora ter agora sido vislumbrada, traduz-se na fronteira muito ténue entre apresentar certas empresas a um outro país e favorecê-las. Quando todos os dias se ouvem críticas à promiscuidade existente entre a política e os negócios, seria interessante encarar-se essa confusão como inerente a mais um conceito de ingerência dos Estados num mundo onde não deviam entrar.

Péssimas notícias para o PS

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O desemprego foi revisto em baixa para 12.4%, menos 0.8 p.p. em comparação com os últimos dados reportados pelo INE, que indicavam uma taxa de desemprego de 13.2%.

Quando se dá um aumento nas exportações, João Galamba justifica-o com a variação de existências ou com os refinados. Quando a balança de corrente cresce, João Galamba justifica-o com a tendência de crescimento, que é menor em 2014 do que em 2013, embora seja positiva, algo inédito em 20 anos. Quando o desemprego baixa, João Galamba justifica-o com a 2ª derivada ajustada à sazonalidade e ao ciclo económico. E esta revisão em baixa do INE, como justificará? Um Verão que começou em Maio? Condutores de tuk-tuks? Sabotagem do INE?

Geralmente o PS e Portugal andam a sentidos opostos, e hoje não é excepção. Más notícias para o largo do Rato, boas para Portugal.

Os mandatários do partido unipessessoal de Rui Tavares

Segundo o Público

São dois nomes bem conhecidos dos portugueses. O psiquiatra e sexólogo Júlio Machado Vaz e o sociólogo e professor catedrático jubilado Boaventura de Sousa Santos, são os mandatários do Livre Tempo de Avançar para a campanha às eleições legislativas de Outubro. No primeiro caso, é o mandatário pelo Porto; no segundo, por Coimbra.

Manuel Luís Goucha, Cristina Ferreira e Jorge Jesus também são outros nomes bem conhecidos dos portugueses.