Afinal não era só o BCE

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Portugal tem efeito um enorme investimento na formação económica dos socialistas. Aparentemente sem retorno, pelo que, em bom rigor, é um custo e não um investimento.

Ler mais: Dívida pública e taxas de juro.

Da Série “Doutorados De Harvard Que Não Sabem Fazer Contas”

A Comissão Europeia descobriu que no orçamento do estado de 2016 as receitas e os cortes na despesa estão inflacionados em 155 milhões de euros (fonte). Sendo assim, Mário Centeno terá que encontrar medidas para compensar este valor. Aguardemos pois por mais um aumento de impostos para ajudar “a virar a página da austeridade”.

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Virus-fakis: A pandemia do sec. XXI

A verdade é que o tempo dos astrólogos nas revistas femininas já lá vai. Hoje uma nova forma de astrólogo passou a enxamear as universidades do mundo ocidental, o pseudocientista encartado com doutoramentos e posições de investigadores. Académicos de pleno direito que atingiram um estatuto equivalente aos cientistas sérios. Boaventura Santos, o académico português que lidera o Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra e que tem a duvidosa honra de ter a obra citada na conhecida obra de Alan Sokal “Imposturas intelectuais” e de ser o objeto da obra do saudoso António Manuel Batista “Discurso Pós-Moderno – Obscurantismo e Irresponsabilidade Intelectuais”, reclama-se da construção de uma nova forma de aquisição de conhecimento onde, para ser simpático, enquadra todo o tipo de disparate intelectualoide.

O resto da denúncia à forja intelectual que são algumas das auto-proclamadas «ciências» sociais está neste excelente artigo.

Quando a cabeça não tem juízo, a taxa de juro é que paga

Já vimos isto a acontecer. Detestamos o que isto significa. Mas é o que parece.

Fácil de ver que desde 5 de fevereiro, dia de entrega do Orçamento do Estado, a tendência, que era de subida desde a 2ª semana de dezembro, acentuou-se estupidamente.

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São máximos do último ano e tal. É mais exatamente preciso recuar a 9 de novembro de 2014 para encontra uma tal taxa de juro.

Um ano e tal

Temos este ano necessidades brutas de financiamento – o défice que não resolvemos mais refinanciamento de dívida vincenda vultosa – de 42,8 mil milhões de euros, valor muito próximo do do ano fatídico de 2011. A falta de juízo pode ser fatal. A falta de juízo está a ser ameaçadora.

Análise à regressividade do OE2016

Ao contrário do que o Daniel Oliveira julga, não são só os ricos que têm viatura pessoal.

Ao contrário do que o Daniel Oliveira julga, não são só os ricos que têm viatura pessoal.

O Pedro Romano faz aqui uma informada análise ao OE2016, explicando diligentemente porque é que este é um orçamento regressivo: a reposição de rendimentos (redução da sobretaxa, CES e fim dos cortes salariais da FP) beneficia fundamentalmente os escalões superiores do rendimento, sendo que as medidas substitutivas do lado da receita aumentam impostos que são, no melhor dos casos, neutros entre escalões. Ou seja, baixa-se a carga fiscal dos que mais ganham, e aumenta-se a carga fiscal de toda a base contributiva. O saldo é naturalmente regressivo.

A conclusão é não menos interessante: o OE2016 é mais regressivo do que foram os OEs de 2011 a 2014.

Verdades do outro mundo…

“Não conseguimos inventar impostos pagos por marcianos”

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, lembra que o aumento de impostos se reflete sempre na diminuição de rendimentos ou nos aumentos de preços.

Leitura complementar: “O enorme aumento de impostos da ‘geringonça’”; As charlatanices orçamentais da “geringonça”.

O que se passa com o Deutsche Bank (Vs 2.0)?

Já vimos este filme há uns anos atrás na crise bancária de 2007-2008 por parte dos Short sellers nos mercados de capitais.   Para ajudar ao enredo,  o Deutsche Bank de acordo com as estatísticas oficiais, continuará a ser o maior detentor de responsabilidades “off – balance” devido ao seu negócio de derivados (incluindo os famosos swaps). O valor nocional era escandalosamente elevado, ainda que sejam feitos settlements diários para mitigar o risco.

Re-leiam o meu post de há uns dias atrás aqui n’ O Insurgente intitulado “Barcos, ou Bancos ao Fundo há Europa? ” e descobrirão uma outra parte das razões do que se andará a passar …Os Europeus que não se cuidem com os bancos americanos!

#ConselhosDoCosta

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Que se passa com o Deutsche Bank?

As acções do Deutsche Bank estão em queda: -9.56% intraday, e a queda acumulada dos últimos 3 meses é quase de 50%.

Esta imagem foi retirada no início da escrita deste artigo. Por essa altura a desvalorização intraday era de ~7%. No final do artigo já ia em 9.56%.

Esta imagem foi retirada no início da escrita deste artigo. Por essa altura a desvalorização intraday era de ~7%. No final do artigo já ia em 9.56%.

Mais grave ainda, os CDSs das obrigações a 5 anos do Deutsche Bank estão em trajectória ascendente — à semelhança de Portugal, sinaliza que o mercado está a avaliar como cada vez mais provável o default das obrigações. As CoCos a 6% do DB (obrigações que se convertem automaticamente em capital caso vençam) também estão em valores recorde.

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Isto não é de agora. Em Abril de 2013, o zerohedge já tinha alertado para o elefante na sala: o Deutsche Bank era, já então, o banco com a maior quantidade de derivados no seu balanço. A imagem é ilustrativa: 16x o PIB alemão, 5x o PIB europeu.

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A história não se fica por aqui. Recordemos o que aconteceu nos últimos 15 meses:

  • Abril de 2014, o DB é forçado a aumentar em 1.5 mil milhões o rácio Tier 1
  • Maio de 2014, o DB vende 8 mil milhões de stocks com um desconto de 30%. O aumento de capital repentino levantou suspeitas
  • Março de 2015, DB falha nos stress tests
  • Junho de 2015, S&P baixa o rating do DB para BBB+, ligeiramente acima de lixo.
  • Janeiro de 2016, DB regista perdas de 6.7 mil milhões de Euros (sensivelmente o défice de Portugal num ano)

A tudo isto junta-se a reversão, ainda que ténue, da política monetária do Fed, que causou já um inflow de capitais para os EUA bastante significativo, e que fez o preço das acções e das obrigações baixar na Europa — acções e obrigações que o Deutsche Bank tem no seu balanço. Mais grave ainda, Mario Draghi anuncia que o BCE poderá reforçar os estímulos, aumentando ainda mais o fosso entre USD e EUR, e, com isso, a exposição da banca europeia, que sofrerá uma fuga de capitais.

Tempo novo, problemas antigos

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Afinal temos inimigos internos e externos, como vaticinou a sra jornalista Ana Sá Lopes, fogaceira contra a opressão alemã, europeia e, quiçá, mundial, e que em boa hora nos recorda que temos uma 5ª coluna nazi entrincheirada em Portugal. Não nazi-nazi, mas estilo nazi, griffe neoliberal, que quer subverter as boas intenções do nosso bom governo, que é patriota, mas dos verdadeiros patriotas, não como a União Europeia, que não é patriota, e que quer apenas submeter Portugal ao jugo da 5ª coluna, assim dando as mãos aos neoliberais, que se riem muito perante a pobreza e a fome. Qual delas surgir primeiro, idealmente ambas ao mesmo tempo. E o sr Nicolau, também ele muito esperançado, também já fisgou a coisa: o dr Costa sairá triunfante da opressão neoliberal que se amontoa em colunas, até perfazer a 5ª, e que tenta subjugar Portugal. Subjugar a quê? Ao jugo, pois claro. Subjugar Portugal ao jugo alemão que nos quer destruir e aproveitar-se das nossas praias de Albufeira e dos nossos pastéis de nata, assim exportando cada vez mais produtos, a que o dr Costa responderá com aumento do rendimento disponível, assim garantido que os alemães exportarão menos, trepidando as pernas dos alemães e dos banqueiros, pois como toda a gente sabe nós agora vamos é comer brioches e fumar menos. Brioches feitos em Portugal, tabaco importado do Afeganistão, daquele do bom, que os srs gostam, e que nós todos devemos fumar menos. E, entretanto, a vida continua, e os spreads da nossa dívida disparam face aos restantes países. Nada que uma crónica da sra Ana Sá Lopes e uma outra intervenção externa não resolvam. Mas, para isso, mais vale ter um espaço permanente para a Troika. Eventualmente perto de Albufeira.

Corrupção nos Transportes Urbanos de Braga

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Ex-vice-presidente da Câmara de Braga paga caução de 100 mil euros

O ex-vice-presidente da Câmara de Braga, Vítor Sousa, detido desde quinta-feira no âmbito do processo Transportes Urbanos de Braga (TUB), foi hoje posto em liberdade, mediante o pagamento de uma caução de 100 mil euros.

Segundo a juíza de instrução criminal no Tribunal de Braga, Vítor Sousa está “fortemente indiciado” de corrupção passiva para ato ilícito e de administração danosa.

Costa é provavelmente o PM mais impreparado e superficial de sempre

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Depois de Soares, claro. De resto, Soares deve ter sido o seu mentor também nisto de achar que a política é outra coisa, que quem faz política não tem de perceber de coisa nenhuma, exceto, naturalmente, das técnicas de assalto ao poder e da sua conservação. Muito candidamente chegou um dia, o mentor, a confessar que aprendia economia a ver tv, com as notícias didáticas e populares de António Peres Metello.

É natural. As pessoas tendem a valorizar aquilo em que se especializam e Costa não faz outra coisa desde a puberdade que não seja treinar assaltos ao poder. E nisso, há que convir, tornou-se um artista. Não é por acaso que é o primeiro político português a ascender a primeiro-ministro sem ter ganho eleições. Quer dizer: desde Marcello Caetano.

Agora, que não percebe de coisa nenhuma, não percebe. Outro dia, abonava na Assembleia da República o seu projeto de orçamento porque está fundamentado num cenário macro muito avisado: as exportações vão crescer muito, explicava o primeiro-ministro, porque as economias alemã e espanhola estão com muita força, e a Alemanha e a Espanha são «mais de 50% das nossas exportações». O deputado Nuno Magalhães corrigiu-o, de facto são 35%, e 35% não é mesma coisa que 50%, embora Costa tenha toda a pinta de achar que a diferença é a irrelevante. E de facto o ponto não é esse: para Costa o ponto é dizer qualquer coisa com convicção.

Ontem foi a vez de o primeiro-ministro garantir, com aquele à-vontade que a ignorância a partir de um certo limiar autoriza, que «99,7% das famílias vão beneficiar da eliminação ou redução da sobretaxa». O Miguel Noronha já aqui deu conta do assunto, mas achei que podia talvez dar um contributo, deixando aqui o link para a nota da Administração Tributária de resumo dos dados de 2013, os últimos para os quais já há tratamento, onde se informa a generalidade do povo que, naquele ano, 52,58% dos agregados com rendimento bruto declarado não liquidaram IRS. Pode ser que alguém que aqui passe aproveite para endereçar a nota ao primeiro-ministro, ou a alguém que lhe sopre um resumo do resumo ao ouvido, o género de método que parece ser aquele pelo qual ele em geral toma conhecimento das coisas. Isto tudo e muito mais se passou numa «sessão de esclarecimento (sic!) sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2016» promovida pelo PS Porto.

Entre as alarvidades que o primeiro-ministro proferiu, só explicáveis por um extraordinário grau de ignorância e falta de preparação, houve ainda tempo para garantir aos ouvintes que a subida de impostos que marca este OE (mais de 2.600 milhões de euros previstos de aumento de receita fiscal e contributiva, um acréscimo de esforço fiscal de 36,9% do PIB para 37,0% do PIB) é uma coisa boa, uma vez que compara com o que seria se «PSD e CDS fossem governo». Como? O primeiro-ministro agora esgrima contra contrafactuais? Pirou de vez? É o que está, garante o primeiro-ministro, no PEC levado a Bruxelas. E é aqui que o atual primeiro-ministro mostra afinidades, já não com Soares, o pupilo de Metello, mas com Sócrates, o homem que entre muitas outras avarias ficou célebre pela absoluta indiferença relativamente ao par verdade/mentira. Espero não ter de me habituar a isto.

da série ‘eu tenho sempre razão’

Ando a dizer há não sei quantos anos a dizer que era isto que ia acontecer com a China, a contrapor aos catastrofistas do hard landing. De resto era só preciso conhecer minimamente o país e, também, a dinâmica económica daquela zona do mundo. E eu nem tenho muitos anos disto, mas tenho o bom hábito de aprender com os mais velhos e falta-me, felizmente, o egocentrismo ignorante que impede tantos gurus da economia e da gestão de perceberem que conhecer um bom par de factos do aqui e o agora não basta para perceber a realidade do aqui e do agora.

Há uns trinta anos, o que se produz (ou o equivalente em termos de qualidade intrínseca, inovação, originalidade,…) atualmente na China era produzido em Hong Kong ou em Taiwan (e, antes disso, havia sido produzido no Japão e na Coreia do Sul). Com o desenvolvimentos destes tigres, os custos de produção foram aumentando (desde logo porque os salários foram aumentando) e foi-se abandonando as produções anteriores para se produzirem coisas novas. Hong Kong cada vez mais se dedicou aos serviços (durante anos as tradings floresceram com a venda de produtos então já fabricados na mainland) e Taiwan produz bens de qualidade que rivalizam com os dos países europeus ou que necessitem de mão de obra muito mais qualificada. Ao mesmo tempo, o que se produzia em Taiwan e HK começou a ser produzido na mainland China ainda mais barato.

O desenvolvimento chinês foi sobretudo litoral, e era mais ou menos evidente que este litoral seguiria as pegadas de Hong Kong e Taiwan, que enriqueceria, que mudaria o tipo de produção e que as cidades do interior, até aí abandonadas pela globalização, iriam por sua vez substituir as mais ricas cidades litorais como o backbone da fábrica do mundo.

Como a China é muito grande este processo de enriquecimento de umas zonas e surgimento de outras economicamente mais dinâmicas ainda vai durar uns tempos até estar esgotado. Quando se esgotar não devemos desesperar e pensar que não há mais fábrica do mundo que traga aos portugueses bens baratos. Com a venezuelização em curso que temos com o governo da geringonça, é bem provável que nessa altura estejamos nós em posição de fornecer a mão de obra das mais baratas do mundo e façamos concorrência à China nos preços de produção mais baixos.

(Já agora: os chineses sempre tiveram um período de férias de duas semanas no Ano Novo Chinês – têm outro por volta do 1 de maio -, o comércio internacional é feito com meses de avanço antes do momento em que as coisinhas queridas chinesas chegam às prateleiras das lojas do mundo rico, e nunca houve nenhuma convulsão mundial com este facto da vida.)

O enorme aumento dos impostos indirectos

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Combustíveis sofrem maior aumento do imposto em 16 anos. O que mais sobe

Austeridade no Orçamento é sinónimo de aumento de impostos sobre o consumo. Vão render mais 700 milhões de euros. Mais de metade virá dos combustíveis. Governo promete aliviar se petróleo subir.

Leitura complementar: “O enorme aumento de impostos da ‘geringonça’”; As charlatanices orçamentais da “geringonça”.

Traição

A frase, atribuída a Samuel Johnson, é por demais conhecida: «O patriotismo é o último refúgio de um canalha.» A de Raymond Aron, talvez seja menos, mas complementa a de Johnson como de um corolário se tratasse: «A traição será o último refúgio da liberdade.» Ora, quando um bando de canalhas lida com a pátria como se esta fosse um hospedeiro de parasitas e comensais, arruinando-a para um alimentar um projecto de poder, a «traição», mais do que um refúgio, é uma obrigação.

O orçamento e a justiça Social

the_abyss_of_inequality_3075151Se o leitor for solteiro e ganhar mil euros por mês, com este orçamento de estado receberá mais 5€ por mês. Mas não vá já gastar tudo de uma vez porque se fizer 40kms por dia de automóvel, acabará por pagar esses 5€ no aumento dos impostos sobre o combustível. Se tiver a sorte de trabalhar no sector público ficará na mesma situação, mas trabalhará apenas 35 horas por semana a partir de Julho.

Se tiver o azar de ganhar 650€, fica exactamente igual. Não ganha nada. Mas se conduzir automóvel pagará o imposto adicional como todas as outras pessoas. Ou seja, as medidas do orçamento de estado deixaram-no pior do que estava.

Por outro lado, pode confortá-lo saber que quem tiver uma pensão de 6 mil euros ficou a ganhar cerca de 200€ por mês com este orçamento de estado, quase um terço do seu salário. Ou, melhor ainda, quem tiver uma pensão de 10 mil euros terá um aumento de rendimento de mais de mil euros. Só o aumento dessa minoria de pensionistas corresponde ao dobro do seu salário. Se quiser conhecer os privilegiados, basta ligar a televisão e ver os comentadores grisalhos que festejam o fim da austeridade.

Já se for dos sortudos que é solteiro e ganha 2 mil euros por mês (brutos), então com este orçamento ficou a ganhar 22€ por mês (Se for funcionário público isto sobe para os 40€ e ainda trabalha menos horas pelo que poderá receber mais em horas-extra). A parte do sortudo no princípio deste parágrafo é para o facto de ser solteiro. Porque, se com o mesmo salário ainda tiver mulher/marido e 2 filhos para sustentar, então este orçamento devolve-lhe menos de 2€ por mês, facilmento engolidos pelos impostos adicionais de meio tanque de combustível por mês para dar uns passeios ao Domingo.

Mas a sorte em não ser casado não se esgota nos salários de 2 mil euros. Se for um executivo com salário bruto de 4 mil euros por mês (cerca de 2500€ líquidos), então ficará a ganhar 22€ por mês. Mas não diga mal da sua sorte porque se ganhasse o mesmo mas tivesse que sustentar mulher e dois filhos este orçamento de Estado obrigá-lo-ia a pagar mais IRS. Ninguém o mandou casar-se e ter filhos.

Justiça social é isto, em que um só pensionista milionário vê o seu rendimento aumentar tanto com este orçamento como 500 famílias da classe média. Pense nisso quando vir o PS, o BE e o PCP a levantarem-se alegremente para aprovar este Orçamento de Estado.

Uma reacção interessante

Seria pouco relevante não fora o facto de a vontade de poder de António Costa ter colocado o PS, o governo e o país reféns da extrema-esquerda: TAP: PCP acusa Governo de “salvação da privatização”

O PCP acusou hoje o executivo do socialista António Costa de “salvação da privatização” da transportadora aérea TAP, prometendo insistir nas suas iniciativas legislativas no parlamento, além de apelar à luta dos trabalhadores pelo controlo público da empresa.

“O que o Governo do PS veio agora anunciar foi a salvação da privatização, num negócio de contornos pouco claros, onde o atual Governo do PS assume a manutenção de 50% do capital nas mãos do Estado mas abdica da gestão para o grupo económico em causa. Esta solução não corresponde às necessidades do país nem acautela o futuro da TAP e da soberania nacional”, lê-se em comunicado dos comunistas.

Leitura complementar: As charlatanices orçamentais da “geringonça”.

O poder da ilusão sobre os iludidos

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O primeiro-ministro deve “viver” numa realidade alternativa e espera que todos partilhem dessa ilusão. Observador:

António Costa não gosta de pôr as culpas em Bruxelas, mas afirmou, neste sábado, que “o Orçamento do Estado estava melhor antes da intervenção da Comissão Europeia”.

Pois… não olhem aos detalhes. Os números apresentados são mais importantes que as fórmulas usadas para os atingir. Fechem os olhos e acreditem na capacidade da geringonça tornar realidade o mais fantástico sonho. Existem unicórnios!

Só quem já viu o filme Inception (“A Origem”) percebe o seu significado, mas Costa e seus acólitos estão a precisar de um totem (objecto que que permite distinguir sonho de realidade):

 

A austeridade de esquerda é mesmo diferente

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André Azevedo Alves: “O enorme aumento de impostos da ‘geringonça’”

A austeridade de esquerda é, no entanto, diferente. Em vez de se aplicar às “pessoas”, penaliza essencialmente os combustíveis, os automóveis e o tabaco (quem pagará a conta?). Um aumento de impostos que servirá para pagar a reposição dos salários na função pública para os níveis anteriores ao pedido de resgate externo e também a anulação dos cortes ainda em vigor nas pensões mais elevadas pagas pelo Estado.

As opções orçamentais são, obviamente, opções políticas e a este respeito a opção da “geringonça” é clara: retirar ainda mais recursos à população em geral para os canalizar para grupos com forte poder reivindicativo, nomeadamente os funcionários públicos e os pensionistas com rendimentos mais elevados.

Um sinal tranquilizador do Presidente Marcelo

Uma escolha realçada por João Marques de Almeida:

Marcelo Rebelo de Sousa escolheu Fernando Frutuoso de Melo para chefe da Casa Civil, A escolha não poderia ter sido mais acertada, dada a experiência e competência demonstrada por FFM nos anos que trabalhou na Comissão Europeia. Além disso, Rebelo de Sousa terá um canal directo para Bruxelas, sem depender das informações dadas pelo governo. Num momento em que Bruxelas faz parte da política nacional, o novo Presidente escolheu muito bem.