Hino da Esquerda Burguesa*
*roubado ao Carlos Nunes Lopes, do 31 da Armada (se a esquerda pode roubar bicicletas, nós podemos roubar posts)
Hino da Esquerda Burguesa*
*roubado ao Carlos Nunes Lopes, do 31 da Armada (se a esquerda pode roubar bicicletas, nós podemos roubar posts)
Interessantes declarações do deputado José Pinto de Sousa (no Blasfémias):
Está agendado o próximo roteiro do Excelentíssimo Presidente da República para dia 20 de Março.
A não ser que algo de importante aconteça no país claro, ou alguém venha insinuar coisas graves sobre a sua pessoa na tentativa de limitar o seu trabalho. Se isso acontecer estou certo que a Presidência reagirá com a veemência necessária para destruir tais rumores e descansar os cidadãos.
Este episódio que, espero, irá desalojar o Primeiro Ministro do seu poleiro, torna claras duas coisas. A primeira é processual: um homem como José Sócrates não deveria conseguir chegar ao poder. A democracia também se pretende meritocrática. Ora, quando esta promove pessoas cujo o único mérito é o de terem pervertido repetidamente esse mesmo princípio, é evidente que algo está podre na forma como escolhemos os nossos representantes. Mesmo não garantindo que os melhores de entre nós chegam ao topo, o processo democrático devia pelo menos evitar que os piores de entre nós o fizessem.
A segunda questão é metafísica e decorre da primeira: nenhum governante pode ter o poder que aparentemente o Primeiro Ministro tem. Isto é verdade em qualquer parte do mundo, quanto mais num país onde, por exemplo, ainda não percebemos bem como é que uma figura tão elementar como a separação de poderes funciona. Se elegemos medíocres para nos liderar ao menos que as instituições democráticas nos protejam do esplendor da sua (e da nossa) mediocridade. Obviamente que para isto acontecer são precisos limites severos e permanentes quanto à extensão e quanto à ambição do Estado. Limites que em Portugal não são mais do que uma miragem.
Enquanto não resolvermos estes dois problemas, até podemos livrar-nos do Eng.º Pinto de Sousa mas o seu fantasma vai continuar “por aí”.
A voz popular costuma dizer que as baratas herdarão a Terra depois de um desastre nuclear global. Pode ser um mito urbano, mas é certo que o triunfo das espécies não é indissociável do meio ambiente (com tudo o que isso tem de volátil), como sabe qualquer pessoa que entende um pouco mais de evolucionismo do que o “suficiente” para falar de guerrinhas em escolas do Kansas. A III República criou as condições ideais — o desastre nuclear de Portugal — para que uma espécie de gente reles, sem o menor sinal de carácter, conquistasse o poder. O primeiro passo é livrar o Estado das suas garras, mas depois há que fazer algo pelas débeis instituições. Caso contrário, voltarão em força. Como as baratas.
A petição “Todos Pela Liberdade” já ultrapassou os 5000 signatários. Se ainda não o fez, pode assiná-la aqui.
Sócrates, os “crimes” e a verdade. Por Henrique Monteiro.
(…) Interferências políticas. Se a situação já era suficientemente má sem existirem interferências políticas, imaginem como fica quando elas são sentidas de modo claro. O gabinete do primeiro-ministro teve sempre por estratégia secar completamente a informação aos grupos e jornais que não domina, privilegiando descaradamente os jornais ‘amigos’. Recordo, para aqueles que acham isto ‘normal’ que a informação disponível do Estado deve ser prestada em condições de igualdade e que o direito a ser informado é um imperativo constitucional.
Aqui no Expresso qualquer passo para saber algo sobre iniciativas do Governo foi, em muitos momentos, penoso. Depois do caso da licenciatura do primeiro-ministro, assistimos a um boicote claro na informação a este jornal e, em particular, a uma hostilidade total do primeiro-ministro. Mais: José Sócrates chegou a mentir sobre títulos que teriam sido feitos neste jornal, dando-os publicamente como exemplo de mau jornalismo. Mas, quando lhe foi demonstrado que esses títulos que ele publicamente citara eram mentira, jamais se dispôs a corrigir. À má vontade, juntou-se a má fé. (…)
Vasco Lobo Xavier (Mar Salgado)
Prezo muito a liberdade de expressão mas isto que se passa por aí vai muito para lá da liberdade de expressão. Tem a ver com carácter e dignidade necessários ao cargo, tem a ver com banditismo e falta de escrúpulos, tem a ver com a utilização indevida do poder e da coisa pública em benefício próprio. Tem a ver com muitas e mais coisas para alem da liberdade de expressão e tão ou mais importantes do que a liberdade de expressão. Tem a ver com o não querermos ser comparados à Venezuela nem governados por Chavez. Tem a ver com a nossa própria protecção e liberdade individual. Ontem foram perseguidos Moniz, Manuela, Lomba, Crespo. Amanhã seremos nós. Pela mesma ou por outra coisa qualquer que lhe interesse. É isto que tem de ser travado. E era para isso que julgávamos nós ser necessário um poder judicial verdadeiramente independente até às suas mais altas figuras.
José Sócrates critica hoje “o abuso por parte de jornalistas” pelas notícias que foram divulgadas na semana passada. As suas próprias explicações enquanto Primeiro-Ministro, perante um caso gravíssimo de tentativa de condicionamento da liberdade de imprensa, tal é secundário. Para o PM, o estado de direito está apenas em causa pela divulgação de um despacho de um juíz onde são referidos indícios criminais que envolvem o chefe de governo. Que o próprio José Sócrates se recuse a esclarecer o caso, que possua indícios desta gravidade contra ele (que caso não fossem tornados públicos seriam meramente arquivados), tudo isto parece ser irrelevante para o nosso estado de direito na opinião do PM.
Excerto da entrevista com o Presidente da Ficht
O que espera do PEC? Uma maior determinação na redução do défice e da dívida pública?
Será para isso que estaremos a olhar.E têm, alguma meta definida?
Não. O fundamental é que, no médio prazo, a dívida pública em percentagem do PIB seja colocada numa firme rota descendente. Estamos a falar de um horizonte temporal de três a cinco anos e queremos ver uma redução drástica do défice.Um défice de 3% em 2013 será possível?
Tendo em conta que, infelizmente, é pouco provável que Portugal comece a crescer rapidamente até essa altura, será necessária uma substancial consolidação orçamental, que não vai acontecer automaticamente.Quer dizer que se o crescimento não for mais robusto teremos de aumentar impostos?
Cortar despesa será provavelmente a área mais óbvia que vaio necessitar de mais ajustamentos.
José Sócrates nunca se pareceu muito importunado com as críticas vindas à sua esquerda, e com razão para tal. Sócrates sabe que tem espaço muito limitado para crescer à esquerda, e que as críticas à sua esquerda até o podem ajudar a ganhar eleitores ao centro, onde se encontra a maioria do eleitorado. A verdade é que quase todos os (alegados) alvos de José Sócrates na imprensa se situam politicamente ao centro.
A eliminação da opinião desfavorável ao centro deixa na imprensa mais espaço para aqueles com quem Sócrates não se preocupa tanto: a extrema esquerda. Assim sendo, os opinadores de extrema esquerda beneficiam indirectamente das (alegadas) acções de censura (alegadamente) orquestradas por José Sócrates e o PS. Estas pessoas sabem que enquanto Sócrates lá estiver, o seu espaço na imprensa só pode aumentar pela progressiva eliminação da concorrência. Não é de admirar, portanto, que, independentemente destes jogos florais, sejam os mesmos elementos do Bloco de Esquerda que beneficiam indirectamente da actuação de José Sócrates que se recusam a manifestar contra ela.
Parece que o Primeiro-ministro nega ter dado indicações à PT para compra de televisão: “nunca o Governo deu nenhuma orientação à PT para comprar qualquer estação de televisão” (…) “Todos aqueles que referem uma ligação do Governo à PT para a compra de uma estação de televisão estão a faltar à verdade. Nunca o Governo deu nenhuma orientação à PT para comprar nenhuma estação de televisão”.
Ok. E José Sócrates, o cidadão, deu indicações?
Até no interior do PS o ambiente de tensão é notório. São poucos os socialistas que ousam criticar abertamente Sócrates. Mas são também poucos aqueles que manifestam a sua solidariedade com o líder socialista. Mesmo António Vitorino, autor do programa do PS, assumiu ontem à noite na RTP que o Governo “dá-se mal com algum tipo de crítica da comunicação social”. E sublinhou que Sócrates “deu uma resposta incorrecta quando disse que não sabia” do negócio da PT/TVI.
Mas há socialistas que já reivindicam uma “nova liderança” para o partido. É o caso do ex-deputado Ventura Leite, que, não sendo uma voz solitária no PS, é o único que defende publicamente que Sócrates deveria abandonar o Governo, “para bem do país” e da si- tuação económica nacional. “Temos uma liderança extremamente debilitada, que faz todos os esforços, no plano mediático, para mostrar dinamismo. Mas está muito fragilizada e não dá qualquer confiança ao país”, disse ao PÚBLICO.
Mais cauteloso mas igualmente preocupado está o dirigente socialista Vítor Ramalho, conotado como soarista, que nota que o pedido de Cavaco Silva, na reunião do Conselho de Estado, não foi ouvido pelas lideranças partidárias. “O pedido de calma pedido pelo Presidente foi a posição mais sensata. Mas os líderes não foram sensíveis a esse apelo”, disse, referindo-se ao PS e ao PSD.
O blogue da Miss Pearls vai dar um programa de rádio. É para ouvir na Comercial, Sábado, às 22 horas, com repetição aos Domingos, às 9.
Altamente recomendável a entrevista de Vítor Bento no Público
Não é um exagero dos mercados o que tem estado a acontecer com a dívida pública portuguesa? De repente parece que todos começaram a acreditar que um default da República Portuguesa é um cenário provável?
É normal que o ajustamento dos mercados, em períodos de turbulência e incerteza, envolva fenómenos de sobre-reacção face ao que acabará por se revelar a tendência desse processo de ajustamento. E, depois, o que os mercados estão a incorporar não é a possibilidade de default; é um aumento, por enquanto marginal, da probabilidade desse evento. Ora, quando uma probabilidade passa de 5 para 10 por cento, ela duplica, mas não deixa de continuar relativamente baixa. Estes valores são apenas um exemplo teórico, mas julgo que é isso, basicamente, o que se tem estado a passar.(…) (mais…)
João Cândido Silva no Jornal de Negócios
Se há ocasiões que os políticos sérios, da esquerda à direita, não devem desperdiçar para provarem que não são todos iguais, esta é uma delas. O silêncio, por mera obediência partidária ou por indiferença pusilânime, será um sinal de cumplicidade no apodrecimento da confiança do país nas instituições mais relevantes do regime, como são os casos do Parlamento e do sistema de Justiça.
Segue-se o que as escutas divulgadas indiciam ser uma conspiração em larga escala para satisfazer a obsessão de José Sócrates pelo controlo da informação, ainda para mais em véspera de eleições legislativas. Os protagonistas envolvidos podem alegar que se trata de conversas privadas e que a sua chegada ao conhecimento público é condenável. Acontece que aquilo que se soube através do jornalismo a que o primeiro-ministro já chamou de “buraco de fechadura”, na tentativa de erguer uma cortina de fumo sobre o assunto e de reeditar o papel de vítima que aprecia de forma manifesta, não são meras trocas de impressões sobre o estado do tempo.
Com a cumplicidade de elementos ligados ao PS e de altos quadros de uma empresa cotada em bolsa, onde o Estado possui poderes especiais de decisão e de controlo, discutiram-se os detalhes de uma operação em que, por detrás da racionalidade económica, se escondia outra prioridade: afastar da TVI pessoas que estavam em choque frontal com o espírito intolerante de José Sócrates. Com uma agravante adicional. De caminho, debateram-se ambições mais vastas, sempre com o objectivo de retirar do caminho quem não estivesse alinhado com o Governo e a liderança socialista.
É tudo demasiado mau para ser verdade, mas é tudo, também, demasiado preocupante para passar incólume entre as fendas do edifício da Justiça e escapar a um escrutínio que esclareça, em definitivo, se Sócrates tem perfil para o lugar que ocupa. Caso o país ainda não se tenha transformado numa mera fotocópia, baça e desfocada, daquilo que o mero senso comum entende ser um regime democrático, o tema não pode ser esquecido e arquivado em duas penadas. Se isto suceder, é porque estamos, sem mais margem para dúvidas, numa república dos bananas.
A minha concepção de liberdade não é, seguramente, a do Arrastão. Tenho até alguma curiosidade botânica por essa coisa da liberdade colectivista, com um certo ênfase na esquerdista (o que há mais é direita colectivista) nas suas variadas vertentes: a marxista, a socialista, a trotskista, estalinista, a nacional-socialista, a kim-il-sungista e assim. Ia-me esquecendo da liberdade chavista e da hezzbolista. Mas, como diria o maradona, continua tudo bem comigo, não vos preocupeis. Seja como for garanto uma coisa aos arrastões: se algum dia, algum Governo tentar silenciar um deles, despedi-los de um jornal, televisão ou rádio ou fazer o mesmo a alguém cuja opinião lhe seja confortável, podem contar comigo para defendê-los e estarei do lado deles incondicionalmente.
Nota: não gosto de caipirinhas e, provavelmente, quando arrastões e afins estiverem ao sol e/ou nas festas socialite algarvias, a assistir gratuitamente a teatro de intervenção (é assim que se diz?), ou a visitar palestinianos à minha custa, eu devo estar a bulir, a tentar arranjar guita para pagar os pet programs deles
Nota 2: se é verdade que o jornalista deve ter toda a liberdade de escrever e noticiar como a sua consciência manda, também o proprietário do meio deve ter toda a liberdade de retirar o dinheiro que investiu nesse meio. Só lá deve estar quem quer. Porque raio a Sonae deve ser obrigada a sustentar o Público, por exemplo?
Nota 3: Não faço links para coisas que me querem prejudicar
Além de amargos, os abrantes demonstram um espírito controleiro com a camarada Ana Gomes que, embora possa ser considerado merecido, não augura nada de bom.
Não sei porquê, mas depois de ler este post no Arrastão, ao estilo do “contra-manifesto”, fiquei com a sensação que a Esquerda arrastona está um bocado lixada por ter sido apanhada na curva; de facto, não deve ser fácil perceber que se perdeu o monopólio das manifs para a Direita. É o que dá, a nossa esquerda anda com hábitos burgueses, deixa-se apanhar sentada no sofá a ver a novela e os Ídolos, quando acorda, é a Direita que anda a defender as liberdades…
Serviços secretos querem aceder a dados fiscais
O Serviço de Informações de Segurança (SIS) pretende ter acesso às bases de dados da Direcção-Geral dos Impostos e da Direcção-Geral de Informática e Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros.
Para tal, o SIS enviou ao Ministério das Finanças um texto que designa por ‘projecto de protocolo’, no qual se prevê que o SIS aceda livremente aos dados pessoais dos contribuintes, constantes das bases de dados daqueles dois serviços públicos.
É este o vosso Estado de Direito?
O Estado de Direito dá para tudo mais um par de meias. A publicação de escutas que incriminam os poderes têm sido, por muitos, apontadas como um atentado ao pobre do Estado de Direito. O Estado de Direito, a existir, existe para protecção dos cidadãos, dos contribuintes e das pessoas, dos abusos do poder. Não existe para proteger quem episodicamente detém o poder, nem as Instituições que, supostamente, o constituem. Nem as leis, nem o segredo de Justiça, nem o raio que parta coisa nenhuma. Se a publicação das escutas configura alguma coisa não é um ataque ao Estado de Direito é, no mínimo, a sua protecção e defesa, porque como parecem indiciar, são as próprias instituições – a começar na instituição PM e a acabar na PGR e no STJ – que o corrompem com total impunidade. A ser assim, só sabendo o que fazem os que nos pastoreiam podemos fazer alguma coisa. E temos que o fazer. Não, há muito que o Estado de Direito não existe, se existisse, tanto o Procurador Geral da República, como o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, por exemplo, já estariam demitidos. Não podemos ser nós a demitir-nos.
Quem nos defende da corrupção do Estado de Direito? Os que o corrompem?
Se o Daniel Oliveira não alcança a diferença entre aquilo que eu fiz - manifestar abertamente e sob o escrutínio da crítica e com o conhecimento dos visados, uma dada opinião – e o que se critica nas atitudes do Primeiro-Ministro - ter usado da sua influência para, à socapa, tentar controlar a comunicação social em benefício próprio, manipulando inclusive, órgãos de soberania e sociedades cotadas em bolsa; se o Daniel Oliveira não percebe que eu não fui, às escondidas, queixar-me à SONAE, mas o que eu fiz foi precisamente o que se deve fazer numa sociedade livre – dizer o que se pensa, às claras, possibilitando aos visados o direito de resposta, e a quem entender o direito à crítica; se o Daniel Oliveira não percebe que eu sou um mero cidadão, sem meios nem benefício directo naquilo que possa ser o controlo ou condicionamento de órgãos de comunicação social, e que apenas queria poder ler no meu jornal aquilo que me apetece, e que isso é precisamente o que acontece nas sociedades livres, se não gosto, queixo-me, ou então deixo de comprar o dito jornal; se o Daniel Oliveira não se lembra, mas teve a oportunidade de me contrariar e desenvolver o seu folclore (ele, o próprio Rui Tavares, e todos os que quiseram dar a sua opinião); então, enfim, não vou dizer o que penso disto, porque, sinceramente, nesta altura, o país precisa de tudo menos de gente a insultar-se.
Relativamente a certo e determinado tipo de provocações, importa ter sempre presente que “os blogues é uma vergonha”.
“Uma Vergonha”
Cronologia de coincidências por Nuno Ramos de Almeida.
António Vitorino vem dizer, no seu programa da RTP, que o facto de um administrador da PT e outros quadros de empresa falarem de um plano do primeiro-ministro, não quer dizer que ele o conhecesse. Fica por explicar a ida de Sócrates ao professor Fofana, evento que lhe permitiu falar com Armando Vara de factos que, segundo António Vitorino, ele não conhecia.
Vitorino tem uma certa razão, o primeiro-ministro também fala de economia e em inglês, e não sabe nada disso.
Assinei esta petição porque acho que o que se passa no país é muito grave. Marcarei presença em frente à Assembleia da República para manifestar aquilo que entendo que é um atentado à liberdade (de expressão e não só) e para comunicar aos meus governantes o meu desagrado para com as instituições e seus representantes que deviam proteger a dignidade do Estado de Direito mas que parecem não o querer fazer.
Vou lá para lhes dizer que acho má ideia um qualquer governante usar o poder da República para influenciar quem faz o quê porque não gosta do que o empregado A, B ou C andam a dizer. Vou lá para lhes dizer que acho má ideia suspeitas destas ficarem no ar sem os restantes governantes terem algo de relevante para dizer sobre o assunto.
Infelizmente, algumas pessoas julgaram que eu ia lá para defender o direito de um qualquer cidadão entrar por um qualquer canal de comunicação dentro e usurpar um microfone que não é seu para passar a mensagem que entender. Que fique esclarecido que não é isso que lá vou fazer nem é isso que entendo por liberdade de expressão.
Afinal pode haver alguma gravidade na situação. Nada que não possa ser provado pelas provas que tentaram “ocultar”.
Agora mais a sério. Cara Isabel Moreira acho melhor concentrar-se nas outras linhas de discurso (a minha preferida é o silencio)…se cai na asneira de começar a discutir o que é de facto relevante a coisa ainda corre mal a si e ao seu Grande líder. Ainda fica (mais)evidente que tipo de pulhas é que temos à frente do nosso país.
Há notícias que, de tão inacreditáveis merecem ser transcritas na integra. Como esta:
O ministro do Fomento espanhol José Blanco, acusou os especuladores financeiros e os meios de comunicação social de orquestrarem um “complot” contra o euro e o mercado espanhol.
“Nada do que está a ocorrer no mundo, incluindo os editoriais dos jornais estrangeiros, é casual ou inocente”, afirmou Blanco (à direita na foto). O vice-secretário geral do PSOE denunciou um ataque contra o euro e a existência de “manobras um pouco estranhas”.
“Tudo tem um objectivo. Os comentários apocalípticos sobre a situação económica de Espanha em nada beneficiam o nosso país. Neste momento, existe um ataque o euro e devemos responder a este ataque”, prosseguiu o ministro do Fomento, citado pelo jornal espanhol “Expansion”.
Para José Blanco existe uma “resistência muito clara” dos especuladores financeiros internacionais – “os mesmos que provocaram a recente crise financeira” – à regulação dos mercados. “Agora que estamos a sair da crise, não querem uma maior regulação para poderem voltar a fazer das suas”, acusou o responsável espanhol.
As declarações de Blanco – que dominam a imprensa “online” espanhola – foram feitas durante uma entrevista à Cadena Ser e produzidas no mesmo dia em que a ministra das Finanças, Elena Salgado, viaja para Londres para tentar acalmar os investidores.
Gostava de acreditar que as declarações de José Blanco possam ser atribuidas à proximidade do Carnaval ou, em alternativa, que o verdadeiro Ministro tenha sido raptado por extraterrestres e substituido por um clone.
“Almunia para a rua…ou o estado a que chegamos!” de Tavares Moreira (Quarta República)
[A]s mais violentas e patrióticas declarações têm agora como alvo o Comissário Almunia, que já ouviu duras reprimendas do Presidente da República, de um dos mais “talentosos” comentadores económicos de fim-de-semana, da AEP, da AIP, de várias corporações de bombeiros e associações recreativas e culturais, culminando hoje num comunicado público muito violento da Associação de Municípios Portugueses, reclamando a demissão de Almunia…(…). Esta triste situação faz-me recordar as manifestações de desagravo da minha juventude, quando se organizavam “manifestações de desagravo” sempre que os inimigos externos nos desconsideravam mais ou menos violentamente – organizadas pelas diferentes corporações da época fervorosas defensoras do regime democrático… Estamos a voltar 40 a 50 anos atrás – a história repete-se – só mudam os inimigos externos, dos actuais tampouco se falava na época (quase não havia dívida pública externa, há que reconhecer).
TODOS PELA LIBERDADE,
CONCENTRAÇÃO À FRENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA – 11 DE FEVEREIRO, ÀS 13H30

O primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião.
Esta dificuldade tem sido evidenciada ao longo dos últimos 5 anos, em sucessivos episódios, todos eles documentados. Desde o condicionamento das entrevistas que lhe são feitas, passando pelas interferências nas equipas editoriais de alguns órgãos de comunicação social, é para nós evidente que a actuação do primeiro-ministro tem colocado em causa o livre exercício das várias dimensões do direito fundamental à liberdade de expressão.
A recente publicação de despachos judiciais, proferidos no âmbito do processo Face Oculta, que transcrevem diversas escutas telefónicas implicando directamente o primeiro-ministro numa alegada estratégia de condicionamento da liberdade de imprensa em Portugal, dão uma nova e mais grave dimensão à actuação do primeiro-ministro.
É para nós claro que o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem.
É para nós claro que o Presidente da República, a Assembleia da República e o poder judicial também não podem continuar a fingir que nada se passa.
É para nós claro que um Estado de Direito democrático não pode conviver com um primeiro-ministro que insiste em esconder-se e com órgãos de soberania que não assumem as suas competências.
É para nós claro que este silêncio generalizado constitui um evidente sinal de degradação da vida democrática, colocando em causa o regular funcionamento das instituições.
Assistimos com espanto e perplexidade a esse silêncio mas, respeitando os resultados eleitorais e a vontade expressa pelos portugueses nas últimas eleições legislativas, não nos conformamos. Da esquerda à direita rejeitamos a apatia e a inacção.
É a liberdade de expressão, acima de qualquer conflito partidário, que está em causa.
Apelamos, por tudo isto, aos órgãos de soberania para que cumpram os deveres constitucionais que lhes foram confiados e para que não hesitem, em nome de uma aparente estabilidade, na defesa intransigente da Liberdade.
Podem assinar a petição aqui.
Pois as lendas atraem o escol como as ideologias atraem os homens comuns e como as descrições de “terríveis” forças ocultas atraem a ralé e a escória.
Hanna Arend, As Origens do Totalitarismo (pág. 274)
Infelizmente, Nixon nunca teve assessores a defende-lo com o argumento que “toda a gente arromba as sedes da oposição para fazer espionagem”. A história podia ter sido bem diferente.
Risco da dívida portuguesa volta subir
O prémio, ou ’spread’ que os investidores exigem para comprarem Obrigações do Tesouro a 10 anos em vez de dívida pública alemã aumentou para 163,6 pontos, um máximo de Março de 2009.
No mesmo sentido, o preço dos ‘credit default swaps’ (CDS) sobre Obrigações do Tesouro a 5 anos subiram para um novo recorde, nos 230 pontos
Presidente da Fitch põe Portugal e Espanha a par da Grécia
Questionado pela rádio francesa Europe 1, Marc Ladreit Lacharrière [Presidente da Fitch]considerou os três países vivem situações “inquietantes”, evocando uma “nova” forma da crise financeira. Mas, acrescentou, “não há verdadeiramente contágio” aos outros Estados que partilham a moeda única europeia
Em vez de lermos o que diziam as escutas de José Sócrates & Companhia para calar a comunicação social, se ainda houvesse jornal da Manuela Moura Guedes com certeza que ouviríamos as conversas onde ‘o esquema’ se desenvolvia. O que seria ainda mais arrasador para Sócrates.
Eduardo Pitta está errado quanto à pregorrativa do Presidente da República de demitir o governo. No entanto, mantendo-se a falta de acção do PR neste momento crítico, não seria descabido o parlamento agir como preconiza Pitta. Sendo o problema principal o primeiro-ministro, e não necessariamente o Partido Socialista, a oposição deveria tornar claro ao partido do governo que ou o primeiro-ministro se demite e o PS propõe ao PR um novo chefe de governo, ou o parlamento ver-se-á forçado a apresentar uma moção de censura.
Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)
O jornal Sol divulgou as “escutas” que confirmam o que todos já sabiam: as artimanhas do PS para abolir o Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes. Em quantos países um governo resistiria a tamanho regabofe? Em muitos, embora quase nenhum no hemisfério Norte, onde o Portugal do eng. Sócrates passeia uma bela figura. É verdade que o procurador-geral reagiu imediatamente às “escutas”. Simplesmente, e sem surpresas, fê-lo para prometer investigar a violação do famoso segredo de justiça. Por cá, o objectivo da justiça não é garantir os direitos dos cidadãos: é manter-se secreta, coisa que, dada a sua ineficácia e relativa inexistência, nem é difícil.
Será que a investigação de Woodword e Bernstein também configura um abuso “liberdade de imprensa”? Estou a ver que o azar de Nixon foi não ter tido defensores deste calibre.
“Portugueses,
[...] venho comunicar-vos formalmente que resolvi dissolver a Assembleia da República e convocar eleições parlamentares.
[...]
Tomei a decisão que vos anuncio em coerência com as minhas posições de sempre e tendo em conta a avaliação que faço do interesse nacional.
[...]
Desde a posse do [...] Governo Constitucional, e depois de lhe ter assegurado todas as condições necessárias para o desempenho da sua missão, o País assistiu a uma série de episódios que ensombrou decisivamente a credibilidade do Governo e a sua capacidade para enfrentar a crise que o País vive.
[...]
Dispenso-me de os mencionar um a um, pois são do conhecimento do País.
A sucessão negativa desses acontecimentos [...] criou uma grave crise de credibilidade do Governo, que surgira como um Governo sucedâneo do anterior, e relativamente ao qual, por conseguinte, as exigências de credibilidade se mostravam especialmente relevantes, e, como tal, tinham sido aceites pelo Primeiro Ministro.
[...]
Criou-se uma instabilidade substancial que acentuou a crise na relação de confiança entre o Estado e a sociedade, com efeitos negativos na posição portuguesa face aos grandes desafios da Europa, no combate pelo crescimento e pela competitividade da economia, na solidez e prestígio das instituições democráticas.
[...]
Assim, e face a uma situação cuja continuação seria cada vez mais grave para Portugal, entendi, em consciência, que só a dissolução parlamentar representava uma saída.
[...]
Não fiquei surdo às vozes que defendem que o Orçamento para 200[...] não responde satisfatoriamente às exigências de efectiva consolidação orçamental, condição necessária para se prosseguir o esforço de redução do défice público que os nossos compromissos internacionais e as necessidades do nosso desenvolvimento futuro tornaram indispensável.
[...]
Em democracia, não há situações sem saída, por mais difíceis que sejam.
[...]
Afinal, para o bem de todos nós.”
Alto. Afinal enganei-me no Presidente. Este parece que não tolerava “trapalhadas”. Onde é que anda o Jorge Sampaio quando precisamos dele?
No ‘Quarteto de Cordas’ desta semana, onde compareci como convidado com Inês Serra Lopes e Ricardo Jorge Pinto, referi que enquanto o défice das contas públicas continuasse nos níveis actuais, o desemprego iria aumentar. A Inês acrescentou logo depois que o problema é que o desemprego tem aumentado nos últimos anos, apesar do défice ter descido no primeiro mandato do governo Sócrates. Acrescentou ainda que era duro engolir a subida de um défice de 2.7% para 9.3%. Se aproveitei para sublinhar que o difícil é engolir um desemprego galopante e expliquei que os números do desemprego estão intimamente ligados à forte intervenção do estado na economia, não tive oportunidade de dizer que o problema foi a redução do défice ter sido feita à custa da receita e não da despesa. Ou seja, que o governo PS atrofiou de tal forma as pessoas e as empresas que o resultado foi este. O actual.
Teixeira dos Santos tentou equilibrar as contas públicas carregando na receita, aumentando os impostos. Uma solução fácil, mas de curto prazo. Foi como o esticar de uma corda bastante ressequida. Ao primeiro puxão forte, partiu-se. Em 2009, atingiu-se um momento em que a carga fiscal se tornou de tal maneira insustentável para a manutenção do emprego, que única saída para as empresas e os empresários em nome individual, sendo muito difícil reduzir salários, foi (e continua a ser) o despedimento. O despedimento de trabalhadores, a par com o travão da actividade económica, fizeram reduzir a receita estatal, processo que se foi sentindo, todos nos dias 15 dos meses de Fevereiro, Maio, Agosto e Novembro do ano passado, com as declarações e pagamento do IVA. A receita desceu abruptamente, mas a despesa continuou a aumentar. O défice não disparou de 2.7% para 9.3%. Esteve foi artificialmente baixo durante demasiado tempo. Agora, a tal situação explosiva referida por Cavaco no seu discurso de ano novo, rebentou. Pena é que o Presdiente diga que não se passa nada.
Henrique Raposo (Expresso online)
Com todo o rigor, com toda a objectividade, José Sócrates não tem condições para ser primeiro-ministro. Sócrates, como disse logo o Expresso, mentiu ao Parlamento no Verão (caso PT/TVI) . Agora, o trabalho do “Sol” dá substância a essa falta de respeito do primeiro-ministro pelo país e pelo parlamento. Aquilo que é ali relatado é grave demais para fingirmos que não existe.(…)
Sócrates só tinha uma saída: dizer que o “Sol” tinha fabricado mentiras, ou seja, Sócrates tinha de dizer que aqueles factos não eram verdade. Ora, Sócrates não negou os factos, e, como sempre, atacou os jornalistas. Atacou o mensageiro do mal, em vez de atacar e explicar o mal. Sócrates, de forma ilegítima e perante o silêncio inacreditável das elites de “Lesboa”, está a refugiar-se na lengalenga da vida privada. Isso é uma farsa. Não estamos a falar da vida amorosa e familiar de José Sócrates. Isso é que é vida privada. Estamos a falar de factos que comprovam que o primeiro-ministro tentou, de forma totalmente inaceitável, controlar grupos de comunicação social. Isto é vida pública, meu caro Dr. Sócrates.
A democracia não é brincadeira. Tem regras. Regras objectivas. E Sócrates rasgou por completo essas regras. Mentiu ao parlamento (primeira regra quebrada). Tentou, de várias formas, condicionar os media (segunda regra quebrada). Quando foi apanhado em falso, recusou prestar esclarecimentos transparentes sobre o sucedido, não percebendo que um primeiro-ministro não pode ser uma figura opaca (terceira regra quebrada). Sócrates não tem condições para ser primeiro-ministro. Quando fez 1% daquilo que Sócrates já fez, Santana foi (e bem) para a rua. Pensem nisso.
Sendo certo que ninguém está livre de cometer erros, face às evidências é caso para afirmar que assim (quase) não dá para acreditar…
Agências de Avaliação. Por Carlos Loureiro.
Em 2007, o Governo criou uma fundação de direito privado, mas de utilidade pública, a quem cabe agora a avaliação e acreditação dos cursos do Ensino Superior. É dela que vai depender a criação de novos cursos e a avaliação dos existentes (bem como a avaliação das instituições que os ministram), tanto no ensino superior público como no particular e cooperativo. No respectivo site pode ler-se (em inglês técnico) um Relatório do Concelho Científico da dita Agência. Insisto: é a esta agência que cabe avaliar e proceder à acreditação de cursos do ensino superior.
1) José Sócrates já percebeu (ou ainda não?!) que vai ter de se demitir?
2) O PS já está a tratar (ou ainda não?!) de escolher quem vai apresentar ao país e ao PR para chefiar o governo?

Esta gente passa-se real big time! Por Palmira F. Silva.
A primeira capela dedicada ao exorcismo numa basílica católica foi inaugurada hoje na cidade de Querétaro, na região central do México. A cerimónia de benzedura da «Capela das Almas» foi conduzida com a pompa e circunstância apropriadas a tão solene momento pelo bispo de Querétaro, Mario de Gasperín.
O Jugular tem vindo a publicar uma série de posts muito interessantes, que recomendo: “Terrorista condenado a prisão perpétua”; “Esta gente passa-se, big, big time!”; “Poeira das estrelas”; “Mais pregadores de ódio”; “Chambre d’échos”; “Liberdade de expressão, portanto”; “…”; “Outras maneiras de ver”…
O Jugular, espera-se, voltará a emitir opiniões sobre o que se passa no país, um dia destes.
Acredito, no geral, na inteligencia dos indivíduos. Acredito que há muitas decisões que não são entendidas por falta de informação sobre o contexto ou da agenda.
Acredito tambem, no geral, na boa fé das pessoas. Acredito que as pessoas tentam ser “boas” dentro da tradição cristã do que é ser-se “bom”.
Por isto acredito que em geral do outro lado da barricada as pessoas são “boas” e inteligentes. Na maior parte dos casos estão simplesmente enganados, acreditando que quem está enganado sou eu. Por isso também acredito que vale sempre a pena trocar argumentos, especialmente com quem não concordamos.
Este não é o momento para trocarmos argumentos ideológicos. Neste momento não estamos apenas perante um mau governante de acordo com uma perspectiva ideológica. Todos os que são simultaneamente inteligentes e “bons” estão do mesmo lado. Por mais que os cães de guarda do engº Sócrates tentem levantar a bandeira da guerra ideológica. Esta é apenas uma questão ideológica no sentido de que divide quem acredita nos valores subjacentes ao Estado de Direito e os que acreditam que as pessoas são apenas um meio para atingirem a sua agenda de tomada e usufruto de Poder por uns poucos vermes sem escrúpulos.
Neste momento o que está em causa não é a contenda partidária. Todos têm que traçar uma linha. Estamos todos no mesmo barco.
Na quinta feira à hora do almoço vou participar na minha primeira manifestação. Espero ver ao meu lado muita gente com quem eu não concordo. Desta vez estamos (quase) todos no mesmo lado.
PS: Editado para correcção da data.
Bob Woodword e Carl Bernstein ultrapassaram todas “as linhas da lei, da conduta, da ética. Enfim, leis de civilização.” A bem da “higiene civilizacional” deveriam ter sido presos.
Este país fede por todos os lados e há uma geração de politicozinhos com politiquices da treta que são uma espécie de lastro a puxar a coisa pelo cano abaixo.
Os contribuintes em geral, quem paga para alimentar as preocupações clientelares desta gente, continuam a encolher os ombros e a dizer que “eles têm de arranjar uma solução para o país”.
“Eles” têm claramente mais com que se preocupar. “Eles” foram os mesmos que conduziram esta república socialista ao abismo onde caímos. “Eles” estão mais preocupados em se irem safando o melhor que podem.
Há umas semanas, a propósito da minha participação no programa “Descubra as Diferenças“, o André Amaral comentava comigo (desculpa lá a indiscrição) que eu estava zangado com o país. Custa-me muito reconhecer que ele tem razão.
A apatia e a desresponsabilização de quem paga por esta bandalheira são as verdadeiras culpadas de termos deixado esta gente conduzir os assuntos do governo ao estado a que isto chegou.
Sim, estou bastante zangado por a maioria não ter prestado atenção às vozes de quem repetiu incessantemente o destino desta viagem socialista. Se os dias que correm não forem suficientes para mostrar que os limites da decência democrática já foram ultrapassados, que a honra e a responsabilidade na gestão do dinheiro dos contribuintes desapareceram da vida pública, então sim, eu desisto.
Por hora aguardo para ver se os contribuintes portugueses continuam a encolher os ombros à espera que “eles resolvam” ou se começam a dar sinais que estão fartos desta merda e desta gentinha sem qualidade. Temos de ser mais exigentes, mais participativos, mais atentos com as escolhas que são feitas, como se gasta a fatia cada vez maior dos nossos rendimentos tornados impostos. É um apelo à exigência de maior higiene na gestão do estado e dos seus instrumentos de governo.
Ou querem continuar a viagem cano abaixo?
1) Quando é que Zeinal Bava se vai demitir ou quando vai ser demitido?
2) Já toda a gente percebeu (ou ainda não?!) que é urgente retirar o Estado totalmente do sector empresarial? Para além das questões de eficiência e eficácia económicas e das questões ideológicas sobre o papel e o tamanho do Estado, já se viu (ou ainda não?!) que ter o Estado a controlar empresas singifica potenciar casos de polícia?
Depois de ler a notícia do Sol e de ter tido ecos da do Correio da Manhã - e que, reconheça-se, são uns valentes socos no estômago, ainda que não surpreendentes – e tendo em conta que Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento, para o arquivamento das escutas que consubstanciariam as suspeitas sobre envolvimento de Sócrates num atentado ao Estado de Direito, não se limitaram a afirmar que as escutas eram inválidas por motivos processuais (algo que Paulo Pinto de Albuquerque tem disputado) mas decidiram assegurar, ambos, que nenhum indício haveria da prática de crime de atentado ao Estado de Direito nas escutas a José Sócrates e outros arguidos do ‘Face Oculta’, pergunto:
1) Porque não vieram ainda esclarecer estas afirmações de falta de indícios?
2) Se as transcrições do Sol estiverem correctas (e não vi ninguém reconhecê-las como falsas) e o magistrado e o juíz que pediram e aprovaram as certidões retiradas do ‘Face Oculta’ não tiverem ainda sido internados em hospital psiquiátrico, que esperam Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento para renunciarem aos cargos que ocupam?
3 – e a mais importante) Quem pode controlar se Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento não usam os cargos que ocupam para proteger quem bem entendem?
4) Já toda a gente percebeu (ou ainda não?!) que o segredo de justiça serve, sobretudo, para proteger juízes e magistrados da sua incomptência ou, pior, da sua corrupção?
Como já passaram muitos anos desde a última vez que brinquei com isto, e como parece haver gente muito necessitada de lições de malabarismo, ofereço este pequeno livro a qualquer membro do séquito do “engenheiro” que mostrar interesse — o primeiro, claro. É só enviar a morada. Não se acanhem, porque isto já não vai lá com amadorismo.
Portugal em três parágrafos. Por Michael Seufert.
É exactamente a sensação de que não se passa nada que não pode continuar. O que o Sol e o Correio da Manhã publicaram estes dois dias não pode ser respondido com o silêncio o Presidente da República, do Primeiro-Ministro ou do Procurador-Geral da República. As instituições da terceira república têm que funcionar.
Pode-se confiar em Zeinal Bava? Por João Miranda.
Em Junho de 2009, Zeinal Bava deu uma entrevista à RTP sobre a compra da TVI. Nessa entrevista protegeu Sócrates e alegou um suposto interesse estratégico nos conteúdos da TVI (do qual nunca mais se falou).
Um homem perigoso. Por Vasco Pulido Valente.
Não há precedentes na história deste regime de um ódio tão obsessivo à discordância, por pequena que seja, ou a qualquer oposição activa, de princípio ou de facto.
O autoritarismo natural de Sócrates não basta para explicar essa aberração na essência inteiramente inexplicável. Tanto mais que ela o prejudica e dá dele a imagem de um homem inseguro e fraco. Pior ainda: de um homem desequilibrado e perigoso. A única hipótese plausível é a de que o primeiro-ministro vive doentiamente no mundo imaginário da propaganda.
Leitura complementar: Sócrates resolve “problemas”.
Se chegou aqui vind@ de um blog de groupies do “engº” Pinto de Sousa aconselho-@ a ler este post.
A terceira República está cheia de esquemas, desde o cidadão anónimo que arranja um esquema para poder embolsar um qualquer subsídio até ao nosso Primeiro Ministro que arranja esquemas para controlar tudo e todos, desde as empresas até ao que nos entra pela televisão dentro à hora de jantar. São esquemas a mais, que chocam mas não surpreendem uma nação já atordoada com tanto gatuno, tanto pedinte, tanto corrupto e tanto mamão.
A terceira República precisa de ser abatida. Como aquela cadela que nos acompanhou desde crianças e que nos fez passar momentos felizes mas que agora, doente, velha e patética se arrasta. Abatida não por compaixão, misericórdia ou desprezo. Simplesmente porque já não tem cura e nada podemos fazer por ela. Abatida porque a terceira República está doente, velha e, sobretudo, patética.
Esta gente tem que ir ganir para outro lado.
Desde há dias que leio/oiço perguntar pelas “pessoas decentes do PS”. Já li em mais que um lugar, que este ou aquele membro do Partido Socialista é pessoa decente. Onde andam este ou aqueleoutro socialista íntegro e amigo da honra e da decência? Pois agora pergunto eu, não onde andam os putativos socialistas decentes mas, a existirem, onde andaram até agora? O despautério, a pulhice absoluta que foram estes cinco anos, provam à saciedade que hoje, dentro do PS, não há gente decente e a que havia saiu há muito – ver Daniel Bessa ou António Barreto. Há cúmplices e, quanto a mim, não adianta apelar aos “decentes” socialistas, os que aparecerem a reivindicar decência é enchê-los de alcatrão e penas e montá-los num carril directo à pocilga mais próxima que é o seu lugar natural.
Pobre país o meu. Às tantas não é no PS que não há gente decente, é em Portugal inteiro

Ponto prévio: do que se vê, diria que o Partido Socialista controla a CGD, sete empresas do PSI 20 (entre as quais se conta um dos dois maiores bancos portugueses), tem as três maiores construtoras dependentes das decisões da casta socialista (duas também estão no PSI 20), outro dos quatro maiores bancos no bolso, dois Grupos de media mais os meios de comunicação públicos, a PGR e o STJ, o SIS depende directamente do Primeiro Ministro ou “Chefe Máximo” que temos. Mais as centenas de EP, Institutos e Fundações.
Posto isto, há quem pergunte: e não se pode fazer nada? Claro que não, a não ser votar com os pés.
Há bastante tempo, julgo que ainda quando estava na RTP, ouvi o Sr Almerindo Marques, hoje presidente da Estradas de Portugal, dizer que defendia “liberdade na produção e solidariedade na distribuição” e que por isso é “socialista”. O Miguel Madeira chamou-me a atenção que isso era o que dizia o John Stuart-Mill, um autor influente na social-democracia e em algumas correntes liberais.
Há pouco tempo e a propósito do chumbo do Tribunal de Contas a algumas adjudicações da empresa a que preside, por ilegalidades cometidas, o Sr Almerindo Marques disse, com uma lata do caralho, que essas adjudicações foram feitas de tal modo para poupar dinheiro ao estado. Pois eu gostaria de saber o que o Sr Almerindo Marques, o socialista da “liberdade na produção e solidariedade na distribuição”, diria, se eu na minha empresa funcionasse sem licenças e à margem da lei, para “poupar dinheiro”.
As castas e a impunidade são da natureza do socialismo
Cavaco Silva esteve hoje no “Roteiro das comunidades locais e inovadoras” a falar sobre muita coisa mas sobre a informação que veio a lume ontem na edição do SOL não teve nada a dizer. Não se sabe se, ou quem, vai chamar para falar sobre o que se passa neste país onde os ajudantes do “chefe” planeiam compras da MediaCapital, da Cofina, da Impresa e outras empresas detentoras de meios de comunicação social incómodos que insistem em cometer patifarias como falar de licenciaturas ao domingo, de licenças de centros comerciais, de construções duvidosas e tantas outras campanhas negras contra o bom nome das pessoas.
Sobre tudo isto o PR não falou. Falaram outros (excertos retirados da edição impressa do SOL):
“Esta operação era para tomar conta da TVI e limpar o gajo” - Armando Vara
Diz sem te rires. Por Miguel Morgado.
Que nem toda a gente quis atirar dinheiro para a economia deveria ser uma evidência. É que há provas factuais, meus senhores. É como se, para usar um exemplo célebre, quiséssemos convencer Clemenceau de que todos os Europeus quiseram invadir a Bélgica em 1914.
Além disso, há uns que são responsáveis e inteiramente responsáveis pelo actual estado de coisas. E há ainda aqueles, como o João Marcelino e o Luís Delgado, que se ocuparam até agora a desdizer com ar mais ou menos composto todos aqueles que se afastaram e se opuseram à linha dos que hoje são objectivamente responsáveis pelo estado de coisas. Ao que parece, a nova actividade destes dois amigos consiste em entorpecer e complicar tanto quanto puderem um exercício essencial para a higiene moral dos povos e para a saúde das democracias: recuperar a memória do que se passou no último ano.
Leitura complementar: Keynesianos de trazer por casa.
Queiroz e Jorge Baptista trocam agressões
O selecionador Carlos Queiroz e o comentador TV Jorge Baptista envolveram-se este sábado em agressões no aeroporto internacional de Lisboa.
De acordo com as informações que o nosso jornal conseguiu recolher até esta altura, os dois homens estariam próximos um do outro, tendo começado uma azeda troca de palavras.
Queiroz confirma desentendimento com “empurrões” mas nega agressão a comentador
O seleccionador nacional de futebol, Carlos Queiroz, confirmou que teve um desentendimento com Jorge Baptista no aeroporto de Lisboa, mas negou ter agredido o comentador da SIC e delegado da UEFA.
(…)
O PÚBLICO tentou já obter uma reacção dos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol, mas até ao momento não foi possível.
Já Jorge Baptista disse ter sido provocado e agredido por Carlos Queiroz, em declarações à agência Lusa, mas não quis adiantar outros pormenores. À SIC, o jornalista confirmou ter sido agredido pelo seleccionador e contrariou as declarações deste.
«Houve mais do que uma troca de palavras, houve ataque físico. Eu estava a tomar o pequeno-almoço e a falar ao telefone com um colega da UEFA quando ele começou a provocar-me. Eu reagi e depois agrediu-me, deu-me um soco, tentei reagir, tentei dar-lhe dois pontapés. Acabou com os passageiros a puxarem-me e dois elementos da Federação a puxá-lo. Ele estava fora de si e eu não estava à espera, porque não se espera que um seleccionador nacional parta para cima de um jornalista/comentador», contou Jorge Baptista.
Black eyed peas – I gotta feeling (A gata é filé)
Por uma lado, temos o “jornalismo de buraco de fechadura”; por outro, temos um governo excessivamente vocacionado para, no âmbito do seu mais ou menos regular funcionamento, resolver um tipo muito particular de “problemas”.
Perante este cenário, resta aos abrantes de serviço tentar defender o indefensável: Sócrates é uma espécie de empresário do PS no governo. Por João Miranda.
No fundo, e na opinião de Miguel Abrantes, Sócrates comportou-se como mais um empresário ao serviço dos seus interesses pessoais. Miguel Abrantes parece não perceber que foi precisamente isso que chocou quem leu a notícia do jornal Sol.
Se dúvidas restassem quanto à natureza mafiosa do estado, os últimos acontecimentos ligados ao caso Face Oculta envolvendo o actual Primeiro-Ministro não fizeram mais do que a confirmar. Um governante que move toda a sua influência e os seus peões no intuito de “limpar” (sic) todos os jornalistas que lhe fazem frente nos media não passa de um governante mafioso. O que torna a situação ainda mais nauseabunda é precisamente o silêncio ensurdecedor por parte das mais altas figuras do estado. O Primeiro-Ministro percebe-se que não se pronuncie, afinal é ele o Don nesta história. Realmente espantoso é o Presidente da República, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador-Geral da República não se pronunciarem sobre o conteúdo das escutas ontem reveladas pelo semanário SOL. A única consequência oficial até agora foi a abertura de um inquérito por parte do Procurador-Geral sobre a divulgação do despacho do juiz de instrução. Em Pinto Monteiro e em Noronha do Nascimento este encolher de ombros até nem é surpreendente. Já mais difícil de compreender é o silêncio do Presidente da República. Sob pena de ficar desautorizado junto dos portugueses, tem de falar e dizer o que qualquer pessoa decente pensa: que este Primeiro-Ministro não presta, não tem ética e tem de ir embora. O mais rápido possível.

O Luís Delgado e o João Marcelino dizem no Expresso da Meia-Noite que toda a gente foi a favor de se “atirar dinheiro” para a economia. E que isso era “necessário”. Mentira. Por aqui, nunca ninguém enveredou nessas palermices. Neste blogue, desde sempre alertámos para o resultado que está à vista. Tivessem lido O Insurgente, e não estávamos neste beco sem saída.
Os assessores que escrevem no Câmara Corporativa, aqui, mostram que não têm capacidade para acompanhar Teixeira dos Santos no processo de consolidação das nossas contas públicas. É que até 2013 é necessário reduzir o défice até 3%. Ora, com a taxa de crescimento que o próprio governo admite, não há matemática que resista: vai ser preciso cortar, a sério, na despesa pública. Ora, ao escreverem o que escrevem, aqui, os assessores do Câmara Corporativa mostram à saciedade que não têm estofo para assumir as decisões difíceis que o país precisa.
Podem entregar as chaves, e ir guterrar no pântano, que é a única coisa que sabem fazer: fugir às responsabilidades.
O André Abrantes Amaral participa no programa Quarteto de Cordas com a Inês Serra Lopes e o Ricardo Jorge Pinto. Passa amanhã, às 12 horas no RCP.
Não é possível invocar o rigor das leis de processo penal para ignorar aquilo que agora se sabe das escutas Face Oculta, sendo certo que, e não podemos esquecê-lo, José Sócrates se não pronunciou sobre elas. Se aquilo que tiver para dizer não for uma explicação cabal para o que veio a lume, estas escutas podem não ser o pretexto de que José Sócrates procura para fugir do governo, mas serão claramente o fundamento para a intervenção dos mecanismos constitucionais necessários para assegurar que Portugal se mantenha como Estado de Direito, investigando o que houver para investigar na confirmação do que vem relatado no Sol. E o pior que pode fazer-se, por entre aqueles que acreditam naquilo que vem relatado pelas escutas, é encolher os ombros. O Estado de Direito não lhes ficará a dever nada.