Bloggers condenados à morte por difundirem corrupção, jornalistas presos. A culpa será dividida entre a entidade sionista e o braço armado do império norte-americano
Janeiro 28, 2012
Janeiro 27, 2012
Novos preços dos transportes em Lisboa e no Porto
Em termos da sustentabilidade económica, de pouco ou nada adiantarão os aumentos se não se avançar rapidamente para a privatização e real abertura à concorrência do sector dos transportes: O que muda no preço dos transportes
Os aumentos foram publicados nesta sexta-feira em Diário da República. A partir de quarta-feira, 1 de Fevereiro, o transporte público encarece em média 5% nos passes e bilhetes. Nos privados o aumento ronda os 4%. Mas há outras alterações. Confira as principais mudanças nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto
Bailout à Madeira em troca do fim da autonomia
Mais 1500 milhões de euros para pagar em 19 anos, em troca (?) da anulação da autonomia da Madeira e de mais algumas medidas simbólicas.
Em suma, uma “solução” nacional em linha com as práticas da União Europeia. Não augura nada de bom.
O 5 de Outubro e a maçonaria republicana
Do ruído e do silêncio na política portuguesa (II). Por Helena Matos.
Entre as datas que consagram a natureza do regime ou a independência do país, apenas a memória da primeira conta – PS opõe-se a extinção do feriado 5 de Outubro – Mas essa preferência pela comemoração do regime em vez do país é uma espécie de hábito.
Mozart, 256 anos
Esteve apenas 35 anos entre nós e deixou-nos um mundo diferente. Foi Mozart, Rex tremendæ maiestatis.
O estranho mundo dos Direitos de Autor
Há várias coisas estranhas nos debates que têm vindo a lume acerca dos recentes esforços legislativos para proteger os Direitos de Autor. Há pessoas que são anti-taxas, mas a favor de compensações; ou que são anti-compensação mas a favor de direitos de autor; ou ainda anti-pirataria mas contra leis que protejam direitos de autor.
O artigo 82º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos que estabelece compensação devida pela reprodução ou gravação de obras serviu de base ao Projecto de Lei 118 que prevê que equipamentos de armazenamento de dados sejam taxados pelo seu potencial uso para cópia privada. O argumento de que o PL118 extrai um poder de taxar que não se pode deduzir do conceito de compensação é no mínimo bizarro na medida em que pressupõe outra asserção: que o Direito de Autor não é em si uma taxa.
No site da Sociedade Portuguesa de Autores, pode-se ler nas perguntas frequentes:
O direito de autor é um imposto, taxa?
Uma taxa ou imposto corresponde a uma exigência financeira, pela prestação de um serviço público cobrado pelo estado. Os valores cobrados a título de Direitos de Autor corresponde à remuneração devida ao autor, pela utilização das suas obras.
Um Direito de Autor é então uma remuneração segundo a SPA. Um tipo de remuneração especial que precisa do poder coercivo e sistemático do Estado para ser atribuída. O raciocínio da SPA é que na compra de um CD, uma percentagem do preço vai para os autores, assim pagos pela utilização da sua obra, e que por cada obra vendida os autores têm direito a receber parte da venda feita pelos editores. Neste raciocínio temos três intervenientes: o artista que produz a obra, a editora que a comercializa, e o Estado que protege o artista de uma eventual ganância das editoras, que poderiam explorar o artista ao lucrar enormemente com a comercialização do trabalho. O artista assim protegido recebe uma remuneração devida ou justa pelo seu trabalho e o trabalho de comercialização e marketing das editoras é encarado como meramente vampiresco e não como um acrescento no valor do produto.
Percebe-se porque é que a maioria dos autores sejam a favor de Direitos de Autor, o conceito de “remuneração justa” é sempre mais atraente do que o conceito de que o lucro que o autor consegue extrair da obra depende da capacidade do autor de negociar directamente com as editoras ou ainda de ter ele próprio a capacidade de rentabilizar o seu produto. Claro que esse trágico conceito de artista-vítima da sociedade que dele se alimenta ingratamente se tornou rapidamente útil às próprias editoras que podiam assim comprar o monopólio dos direitos de utilização da obra. Os raros autores que são contra Direitos de Autor são invariavelmente munidos de um certo modo empresarial de pensar, compreendem que estar protegido por uma bolha jurídica é também estar fechado a todas as potencialidades do mercado, que flui tanto melhor quanto mais aberto for: desproteger o seu trabalho, tornando-o acessível gratuitamente na internet por exemplo, é a maneira mais eficaz de fazer publicidade ao seu trabalho e garantir vendas físicas, compras de bilhetes de concerto, compra de merchandising, etc. Para além de perceber como o mercado funciona, estes artistas percebem ainda outra coisa: a sua pessoa e a sua obra não são separáveis. Num mercado livre, uma obra não pode dar lucro em prejuízo do seu autor ou viver independentemente dele: o sucesso da obra implica invariavelmente o sucesso do autor em si enquanto produtor.
Ser anti-pirataria comporta então já em si o admitir que o artista deve ser remunerado pela utilização que é feita da sua obra, desligando-se a obra do artista, como se este pudesse ser prejudicado pela utilização da primeira ou como se se pudesse sequer quantificar quanto ganharia o autor se a obra gravada ilegalmente tivesse sido comprada. Porque não perguntar em quanto cresceu o valor de mercado do artista em si pela sua obra ter sido amplamente reproduzida? Teria Homero sido o poeta que se tornou se não constituísse prática na Grécia Antiga gravar mentalmente e reproduzir a sua obra na praça pública?
Nos trilhos da paz e da cooperação “desinteressada”
Um modelo de import-export de grande sucesso na luta contra o imperialismo.
Profissão? Sindicalista
Hoje de manhã na SICN, durante uns directos para o congresso da CGTP, a repórter em conversa com um dos delegados ao congresso perguntou-lhe a profissão; a resposta: sou sindicalista da área metalúrgica. Seria interessante sabermos quantos dos delegados ao congresso da CGTP e quantos dos quadros dirigentes da CGTP têm como profissão o sindicalismo. Daria talvez para entender quão afastadas aquelas pessoas estão das empresas e até da função pública e quanto da sua actividade tem apenas como objectivo preservar o seu poder e o seu modo de vida.
Outro dos delegados que se ouviu na SICN dizia que Arménio Carlos, o senhor que se segue, conseguirá conter as opiniões radicais que sempre se fazem ouvir. No momento pensei que o radicalismo referido seria de grupos da esquerda proponentes de sequestros de patrões ou acções semelhantes, mas após ler este artigo, questiono-me se para o senhor ouvido os radicais (talvez de extrema-direita, tal o ambiente anacrónico) não seriam os elementos um tudo-nada mais moderados da CGTP.
Em todo o caso, parece que a CGTP, que já era com Carvalho da Silva uma das organizações mais reaccionárias e imobilistas do país, vai endurecer sob Arménio Carlos. O que pode revelar-se bom: o comunismo, quando se torna mais transparente, não costuma ser apetecível.
Se ele o diz
(…)Partilharam o mesmo tipo de narcisismo político que, por ignorância e sobranceria, só convive bem com um deserto de ideias à sua volta. Convergiram no deslumbramento de uma “modernidade” identificada com o financismo, com a deriva das novas tecnologias e com o circo comunicacional. Revelaram o mesmo tipo de reverência pela ideologia do sucesso, e uma negligência semelhante em relação à generalidade dos imperativos sociais. Demonstraram o mesmo tipo de tentações pelo controlo dos media, na base de uma também análoga relação de fascínio/pavor por eles. (…)
Pelo caminho, as fricções foram muitas e quase sempre do mesmo tipo. Devo dizer que nunca vi em José Sócrates convicções socialistas – no sentido europeu de “social-democrata” – mas antes uma atração pela paródia em que infelizmente o socialismo tantas vezes se tem tornado, deslumbrado com o capitalismo financeiro, as novas tecnologias e os malabarismos da comunicação. Vivendo sempre perto do mundo dos negócios e dos futebóis, e desprezando acintosamente o conhecimento, a cultura ou a educação, com o mais perigoso dos desdéns, que é o que se alimenta do ressentimento e da inveja. (…)
Manuel Maria Carrilho, A Repeteca.
Let them eat cake!
“With concern lingering about the future of the euro zone, the British prime minister David Cameron, donned his salesman’s cap Thursday and delivered a full-throated pitch to the throngs of executives and bankers gathered at the World Economic Forum here: invest in Britain instead (…) ‘Europe’s lack of competitiveness is its Achilles’ heel’, he told the hundreds of entrepreneurs and policy makers in the audience, and then ticked off a series of studies showing that European Union member countries were losing ground on productivity. By contrast, he argued, Britain is taking bold steps necessary to get back on track’ (…) Mr. Cameron then trotted out a surprise: Boris Johnson, the mayor of London, climbed to the stage to join Mr. Cameron’s calls for investment, taking on the unabashed air of a circus barker. ‘People of Davos and investors around the world, come to London to see what we’re doing!’ he called, pointing toward a video screen depicting shots of the city as it prepares to host the Olympic Games this summer. Mr. Johnson then rattled off a list of products made in London, including bicycles, TV antennas and chocolate cake exported mostly to France, adding ‘Let them eat cake, I always say.”, hoje no International Herald Tribune.
Extraordinário…
Janeiro 26, 2012
ETA passa a regular o trânsito
Los «verificadores» de Batasuna constatan que ETA sigue activa y armada, pero sin intención de matar
El grupo de extranjeros designados por Currin asegura haber mantenido «contactos directos» con la banda. Esos «expertos» han mantenido encuentros con distintas formaciones políticas como el PSE
Leituras complementares: Eleições em Espanha; Terrorismo: fazer vista grossa e calar.
Do aniversário da revolução de Tahrir
Regista-se uma péssima forma de comemoração, que insiste em repetir-se.
Leituras complementares: Uma questão de poder, doutrinação e cultura e Uma questão de poder, doutrinação e cultura II.
the wisdom of lord Krugman
PS – é indecente terem-se esquecido dos aliens cuja invasão salvaria a economia — a sério!
Será que o Marxismo Falhou de Facto?
Na última semana veio a público no Reino Unido a notícia de que um casal ideologicamente progressista ocultou o sexo do seu filho para o poder educar como sexualmente neutro. Aos 5 anos de idade, os pais finalmente revelaram à sociedade que a criança era de facto um rapaz e que até hoje o tinham tratado como se não tivesse sexo, vestindo-o alternadamente como rapariga e como rapaz, entre outras coisas. A mensagem que eles quiseram passar à sociedade é simples: o género sexual é uma construção social e não biológica.
Para muitos este episódio parece uma piada; mas é apenas a hipérbole de algo mais profundo: na realidade esconde uma ideologia base que tem suportado muitas das reivindicações políticas: a crença na tábua rasa. Esta crença baseia-se na ideia de que os seres humanos são essencialmente produtos da socialização/educação e que não têm instintos, capacidades ou predisposições comportamentais inatas.
Apesar dos desenvolvimentos no campo da genética comportamental ou da psicologia evolutiva revelarem cada vez mais o contrário, isto é, que somos em larga medida produto da nossa biologia, o pensamento popular dominante ocidental assenta na falácia da tábua rasa. Mas porquê? A resposta é que, em termos culturais, o marxismo foi um vencedor.
Devido aos maus incentivos económicos que postula, o marxismo económico rapidamente se revelou caótico e incompatível com tendências básicas da natureza humana. Porém, o igualitarismo radical que Marx postulou perdura em termos culturais e tornou-se vitorioso. Esse igualitarismo baseia-se na falácia da tábua rasa; ou seja, na crença rousseauniana do bom selvagem sem predisposições inatas que é posteriormente corrompido pela sociedade e torna-se mau, ou na tábua rasa lockeana que vê igualmente a mente à nascença como estando a zero, isto é, desprovida de informação comportamental inata. Sob esta luz, é precisamente porque o homem é uma tábua rasa que os comunistas podem construir, através de engenharia social, o novo ser humano “socialista” do futuro.
Em boa parte, esta actual supremacia do marxismo cultural tem a sua origem nos departamentos universitários de humanidades e ciências sociais, onde imperam os estudos feministas, de género, de desenvolvimento, de cultura, pós modernistas, entre outros. Estas elites cognitivas lançam memes constantes para moldar a opinião popular e aconselham regularmente políticas públicas. Mas vão mais longe, montam igualmente uma polícia do pensamento (também apelidada de “politicamente correcto”) que está sempre pronta a atacar com processos legais e descrédito intelectual sempre que alguém conclui que existem profundas diferenças comportamentais inatas entre grupos de seres humanos, ou entre indivíduos em termos gerais.
Para além de advogarem a redistribuição de riqueza, estas pessoas são as que estão por trás dos grupos de pressão que advogam mais educação (pública, claro) para resolver qualquer problema social através do modelar/doutrinar do homem, ou por trás dos defensores das quotas na sociedade, porque claro, segundo dizem, quaisquer diferenças sociais são sempre o produto de discriminação e não resultado das características únicas de cada indivíduo ou dos vários grupos sociais. São igualmente as mesmas por trás da promoção do multiculturalismo e da integração forçada que está a ser efectuada contra a vontade dos indígenas das nações europeias. Advogam amnistias, não só para imigrantes ilegais, mas também para criminosos com base na ideia de que com forte (re)educação e apoio estatal se escreve algo completamente diferente nas alegadas “tábuas rasas” destes indivíduos; ideia, aliás, satirizada brilhantemente por Stanley Kubrick na sua “Laranja Mecânica”.
Contudo, alguns teóricos políticos igualitaristas concedem que existem diferenças de capacidade inatas entre indivíduos (e.g. John Rawls, Ronald Dworkin…). Assim, como igualitaristas da sorte (luck egalitarians), defendem que a sociedade deve funcionar de modo a mitigar ou mesmo anular essas diferenças que seriam resultado natural das nossas desigualdades genéticas. Paradoxalmente, apesar de rejeitarem a falácia da tábua rasa acabam por a reforçar, pois acreditam que cada indivíduo pode agir contra os seus próprios interesses e pré-disposições numa base regular, de forma a atingir um ideal igualitário. Esquecem-se que os humanos têm uma autonomia reprodutiva descentralizada e não funcionam como formigas estéreis cuja única forma de replicação genética é trabalhar em prol da mãe reprodutora; ou tal como o sociobiólogo E.O. Wilson disse: “Karl Marx estava correcto, o socialismo funciona, mas ele aplicou-o à espécie errada” (“Karl Marx was right, socialism works, it is just that he had the wrong species”).
O marxismo económico falhou num relativo curto espaço de tempo, como não podia deixar de ser, e este marxismo cultural com base na tábua rasa irá falhar da mesma forma, mas calculo que irá levar bastante mais tempo até que se perceba que ele está por trás da maior parte dos erros a que assistimos politicamente.
Em relação ao rapaz de 5 anos que finalmente se pode revelar como tal: parabéns rapaz, se quiseres, já podes tirar o tutu.
Visionamento recomendado: Steven Pinker: The Blank Slate: The Modern Denial of Human Nature
Lista de apoiantes do PL118
Lista de apoiantes da nova lei da Cópia Privada (Projecto de Lei 118): (mais…)
A UE, esse galinheiro a larga escala, não podia deixar de ser perita na criação de galinhas (2)
“Zoran Sluga has a small family farm here on the border with Slovenia, his 300-year-old barn filled with thousands of squawking chickens. But if Croatians vote to join the European Union next Sunday, Mr. Sluga’s simple business will become a lot more complicated. The cages he keeps his hens in will not meet the group’s rules (…) The reach of the European Union is often underestimated, as it tries to create an even playing field among its members. Take the egg business. No detail seems overlooked. The union’s rules say that the chicken cages must allow at least 750 square centimeters per hen and contain a nest, litter, perch and “clawing board.” These requirements are amusing to Mr. Sluga, the farmer. “The chickens have more rights than humans in the E.U.,” he joked. But he and other Croatian egg producers see little humor in the bills they face. Mr. Sluga estimates that he will have to spend $100,000 on new cages or $13,000 for used equipment. The alternative is to allow his chickens to roam free either indoors or out, something he finds bizarre because, he said, the hens can — and do — eat their own excrement under such conditions. And such an operation would require a lot more labor, he said”, publicado há dias, no New York Times
Hope & change
Fonte: The Conservative Manifesto.
Leitura complementar: O auto-plágio do discurso do presidente Obama sobre o Estado da União talvez considerado, por alguns descrentes, como uma novidade afinal não foi total.
o presente e o futuro
“Recentemente nos Estados Unidos, Mitt Romney, provável candidato pelo Partido Republicano às presidenciais norte-americanas que terão lugar em Novembro, deu o tiro de partida: se for eleito Presidente, a primeira coisa que fará no primeiro dia de trabalho será declarar a China como um país manipulador da sua divisa. Mas mais a sul da América, no Brasil, o Governo antecipou-se ao pensamento de Romney, tendo passado imediatamente da retórica aos actos: no mês passado, Dilma introduziu um imposto de 55% sobre a venda de automóveis fabricados no estrangeiro e outro de 30% sobre automóveis de marca estrangeira fabricados e vendidos no Brasil.”, no meu artigo desta semana, intitulado “O proteccionismo” na “Vida Económica”.
Ps: Detectei uma incorrecção no artigo: onde se lê “introduziu um imposto de 55%” deveria ler-se “aumentou para 55% o imposto sobre…”. De qualquer modo, a mensagem subjacente ao artigo permanece inalterada. Proteccionismo, volta, que estás aperdoado!
Janeiro 25, 2012
a bússola
“(…) This year’s election will not just be about Mr. Obama. Voters will have their say on capitalism, too”, na Economist (edição 14 Janeiro, página 61).
A frase, que em cima cito, tinha-me ficado na memória quando há uma semana a li na Economist. E, ontem, depois do State of the Union de Obama, mais convencido fiquei acerca da importância que as presidenciais de Novembro terão na definição do pensamento dominante nos próximos anos nos EUA, mas também na Europa.
Uma esperança
Com este lamentável caso da RDP, talvez a esquerda – aquela para quem um pm gritar telefonicamente com os jornalistas é sinal de boa relação, os assessores do pm que ditam notícias futuras a jornalistas só estão a fazer o seu trabalho, e quando um pm insulta um jornalista audivelmente num restaurante muito frequentado ficam incomodados se tal se noticia porque foi uma conversa privada do pm, e …, e… – perceba que é melhor privatizar a comunicação social pública do que tê-la instrumentalizada por um governo à direita do PS. É que há instrumentalizações e instrumentalizações.
#PL118 em três actos
Em São Bento
A deputada do PS Gabriela Canavilhas depois de ter passado anos no governo como Ministra da Cultura decidiu ao chegar à oposição propôr um aumento de impostos para suportar os autores filiados na SPA. A desculpa utilizada foi uma actualização da lei da cópia privada. Essa lei foi lançada nos anos 80 e tinha como objectivo taxar a compra de cassetes virgens utilizadas para fazer best offs do Dino Meira e Marco Paulo. A ideia genial é pegar nessa taxa sobre as cassetes, que apenas eram utilizadas para fazer cópias de músicas, e expandi-la todos dispositivos de dados, que podem ser utilizados para múltiplas outras finalidades que não cópia de conteúdos de autor.
No mundo real
Os especialistas do sector prevêm que a manipulação de dados em grande escala será uma das indústrias em crescimento e uma das alavancas de aumento de produtividade para a economia em geral. Os sectores mais beneficiados pelos aumentos de produtividade serão a saúde, as telecomunicações e o retalho. Por outro lado, o aparecimento e a massificação de redes de internet de alta velocidade a crescente necessidade de mobilidade farão com que no curto prazo grande parte do armazenamento de dados residencial (principalmente música, vídeos, etc) passe a ser feito online (nas diversas nuvens que se vão criando). Ou seja, mais dois ou três anos e a lei estará novamente desactualizada.
Futuro próximo
Daqui a quatro ou cinco anos estaremos a discutir uma actualização da lei da cópia privada que contemple uma taxa sobre a utilização da internet. Mas antes disso já os datacenters necessários para suportar as nuvens e a manipulação de dados em massa irão estarão colocados em países onde a capacidade de armazenamento não seja taxada. E com esses datacenters, todos os empregos e a riqueza produzida. Ao lado da notícia sobre a nova alteração da lei, o Google ads colocará um anúncios de emprego para portugueses interessados em trabalhar num datacenter na Irlanda.
Quando acaba a mama?
Ricardo Arroja, no Diário Económico:
Em Portugal, a despesa pública representa oitenta mil milhões de euros, ou seja, 47% do PIB, em média cerca de oito mil euros a cada português.
Daqueles oitenta mil milhões de despesa, quase metade é originada nos chamados Serviços e Fundos Autónomos. (…) Note-se que, aqui, não me refiro aos gastos do Governo nem dos seus ministérios; refiro-me “apenas” aos institutos, às agências, às comissões, às entidades, às direcções, aos centros, às fundações, às administrações, aos serviços e fundos autónomos que, com estas ou outras designações, fazem parte do chamado Serviço Público.
Imaginem agora como estaria a economia portuguesa se, este ano, não confiscassem a cada português, em média, 4 mil euros… 16 mil euros para um casal com dois filhos!
Janeiro 24, 2012
Ficção geo-política para consumo militar
Realiza-se estes dias pelo país um exercício de treino para operações militares em quadro de cooperação internacional, o Real Thaw 2012. As missões são simples, mas o enredo que lhes dá corpo é no mínimo interessante. Ou há um talentoso George Orwell na nossa Força Aérea, ou a NATO gosta de dar directivas muito concretas.
Hope, change & lies
There are only 140,000 jobs in the whole renewable-energy sector, but in a new ad, Obama is taking credit for a “clean energy industry” that has “2.7 million jobs.” Obama inflated the number of “clean-energy” jobs by adding people who have nothing to do with clean-energy, like “trash collectors” and bureaucrats. By inflating the total, Obama was able to paper over his complete failure to live up to his utterly unrealistic campaign promise “to create 5 million new green jobs.” Most of America’s existing green jobs predate the Obama Administration, which did not create them: “from 2003-2010, the rate of growth for clean jobs was 3.4 percent.” (…)
Obama’s mythical green-jobs are like other imaginary jobs he claimed to have created with the $800 billion stimulus package. The Obama Administration took credit for jobs created in 440 non-existent Congressional districts, such as Arizona’s 15th and 86th districts (Arizona only had 8 Congressional districts, as ABC News noted with amusement). The Washington Examiner noted that at least “75,000 jobs” Obama has claimed credit for are “clearly imaginary” or “highly doubtful.” Readers can view its interactive map of “Inflated Jobs by State.”
The Obama Administration claimed that the stimulus package would keep unemployment from ever rising above 8 percent, but it peaked at over 10 percent. Obama claimed the stimulus was needed to prevent an “irreversible decline,” but the Congressional Budget Office admits that the stimulus package will shrink the economy “in the long run.” (…)
Levantar a feira e deixar as sobras
As recentes declarações do presidente Cavaco Silva, como se não fossem já suficientemente ridículas, deram ensejo a uma euforia nas fileiras das causas monárquicas, que parecem ter avaliado a triste figura do chefe de Estado como o impulso necessário a uma discussão sobre a natureza do regime (uma discussão legítima e que deve ter lugar numa sociedade aberta, mas quiçá com outros pretextos, menos mesquinhos e menos simplistas) e o ponto de viragem na opinião pública sobre a melhor estrutura política para Portugal. Em Espanha, por motivo de um escândalo financeiro que corrói as entranhas da Casa Real, há um burburinho parecido mas apontado ao outro flanco, e há já quem esfregue as mãos de contentamento com a perspectiva de ver o país metamorfoseado numa república federal. Mudar, mudar e mudar, sem olhar para os mecanismos fundamentais do regime, sem questionar os alicerces que favorecem a emergência dos parasitas do sistema; é este o desporto favorito da Península. Uma mudança fátua, claro, como tudo o que nasce de clubismos. Nestas guerrinhas pós-ideológicas só importa a genealogia de quem beijamos a mão. E um povo habituado a dobrar a espinha vai passar a vida de joelhos, seja diante de um presidente ou de um rei. Não admira que estejamos em estado catatónico.
Uma bomba relógio…
Escolaridade obrigatória até aos 18 anos criará “ambientes explosivos”
O alerta parte de José Matias Alves, coordenador do Serviço de Apoio à Melhoria das Escolas da Universidade Católica, e que foi professor do ensino secundário durante 35 anos.
Contas feitas, Matias Alves, que também foi director-geral do Departamento do Ensino Secundário entre 1994 e 1996, adianta que cerca de 20% dos alunos que optam por não prosseguir estudos no secundário serão agora obrigados a fazê-lo. “Vão ser obrigados por lei a estar onde não querem estar”, frisa. O alargamento da escolaridade obrigatória foi aprovado por unanimidade no Parlamento em 2009. Matias Alves lembra que, na maior parte dos países da União Europeia, a escolaridade obrigatória não é tão longa como será em Portugal.
Relações perigosas…
Mais um caso exemplar de serviço público: RDP acaba com espaço de opinião que serviu de palco a críticas duras a Angola
O jornalista Pedro Rosa Mendes confirmou, em declarações ao PÚBLICO, ter sido informado, por telefone, que a sua próxima crónica, a emitir na quarta-feira, será a última da sua autoria. “Foi-me dito que a próxima seria a última porque a administração da casa não tinha gostado da última crónica sobre a RTP e Angola”, diz o jornalista, por telefone, a partir de Paris.
O Referendo de Adesão à União Europeia na Croácia
Sensivelmente 28% da população Croata votou a favor da adesão à União Europeia e tal foi suficiente para entregar a soberania do país aos eurocratas. Mas o que realmente se passou? Cada um que julgue por si:
E agora vou ali copiar o meu vídeo de casamento antes que tenha de pagar direitos de autor ao Quim Barreiros
Quatro dias depois do meu post, a melhor resposta que o autor Rodrigo Moita Deus conseguiu foi esta. Com este nível de criatividade, já não me surpreende tanto que ele prefira viver da venda de discos rígidos.
Delito de opinião?
Esta opinião de Pedro Rosa Mendes valeu o fim abrupto do espaço de comentário “Este Tempo – 5 cronistas” da Antena 1. Se não der muito trabalho, gostaria que alguém com responsabilidade sobre o caso o esclarecesse.
O que vai acontecer quando acabar o euro
Um eventual desmentelamento do euro vai ser mais problemático do que muita gente – mesmo que bem intencionada – pensa: Euro break-up – not so simple. Por Philip Booth.
The euro was deliberately designed so that break-up was next-to-impossible. The politicians wanted this so that the relentless march to ever-closer union would continue at speed. The economists wanted it to maximise credibility and therefore reduce borrowing costs.
To break up the euro requires a change to the treaties. This will require a constitutional process. Even if this is not a long process, it will be sufficiently open to prevent the element of surprise that is necessary when breaking up a monetary union. To by-pass the constitutional process may create huge legal uncertainty.
Janeiro 23, 2012
JC, o outro II
A paz está onde este JC indicar. De acordo com um relatório da Fundação Carter, a verdade é revelada. Lembram-se do episódio, não muito distante, em que duas pessoas são espancadas por militares egípcios? Pois bem, tudo não passou de uma óbvia falsificação. Os soldados estavam apenas a ajudar a pobre mulher a vestir-se. A sério.
Leitura complementar: JC, o outro.
Domingos: o infiltrado tripeiro no cemitério de treinadores
Conforme escrevi depois da derrota em Braga, quanto mais depressa sair do Sporting melhor será para a carreira de Domingos como treinador. Depois de mais um mau resultado, é tão estúpido como inevitável que se vão popularizando as mais extravagantes teorias conspirativas com base na conhecida ligação histórica de Domingos ao FC Porto. O cemitério de treinadores de Alvalade prepara-se para fazer mais uma vítima…
acerca de democratização da economia
Recentemente, muito se tem falado da “democratização da economia”, uma expressão do senhor Primeiro Ministro que tenho vindo a registar. Ora, a propósito de “democracia económica”, fiquei atónito quando há dias, num livro intitulado “Os Pensamento de Sá Carneiro” de Maria Antónia Pires de Almeida (página 64), li o seguinte trecho atribuído ao fundador do PPD/PSD:
“A democracia económica postula a intervenção de todos na determinação dos modos e dos objectivos de produção, o predomínio do interesse público sobre os interesses particulares, a intervenção do Estado na vida económica e a propriedade colectiva de determinados sectores produtivos; pressupõe ainda a intervenção dos trabalhadores na gestão das unidades de produção.”, Francisco Sá Carneiro (Congresso do PSD, 1974).
Li uma vez, parei, esfreguei os olhos, li e reli outra vez. E confirmei que era mesmo de Sá Carneiro que se tratava! Enfim, ultrapassado o choque inicial, espero que o PSD já tenha tido tempo de ultrapassar este seu pequeno PREC…




