O Insurgente

Abril 13, 2013

A Argentina de Soares

“Quando não há dinheiro não se paga. Foi o que se passou com a Argentina, entre outros países, e nem por isso o povo ficou pior.”Mário Soares

Olhando o gráfico abaixo podemos denotar três períodos de relevo. O primeiro, de 91 a 95, demonstra o resultado do Governo Menem que, mesmo tendo entrado numa espiral de corrupção, conseguiu equilibrar o défice argentino e controlar a inflação, introduzindo também o peso que, através de um Currency Board, passou a utilizar o dólar como uma âncora cambial. Enquanto este arranjo se manteve, a Argentina cumpriu os compromissos com os credores e, como se pode verificar, não só cresceu como esse crescimento beneficiou as classes mais baixas. Na sequência da crise do México e da crisa asiática, a situação da Argentina deteriorou-se e os sucessivos governos foram incapazes – uns por falta de vontade, outros por falta de apoios – de conter os gastos públicos. O FMI, que raramente ajuda nesta situações, só agravou o problema. Não vou roubar-vos tempo a explicar o saque e a violência estatal que se seguiram, pois esta efeméride é do conhecimento geral. A verdade é que a Argentina entrou em default  no final de 2001 e são notáveis os efeitos deste nas classes mais pobres. O choque quase duplicou o número de pessoas abaixo da linha da pobreza.

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De facto, após uns anos de sofrimento e agonia, a Argentina voltou a crescer. Com os Kirchner, a típica combinação populista de substituíção de importações com amplos programas sociais alcançou o seu auge, o que explica – juntamente com a conjuntura internacional favorável – em certa medida, os dados do gráfico para esse período, mas que também explica os valores que alguns economistas apontam para a real inflacção da Argentina: entre 20 e 30 % – impulsionada, principalmente, pela impressora do Banco Central. O abrandamento económico do Brasil, pelos mesmos motivos que no país vizinho, já se faz sentir. Uma economia asfixiada por impostos e tarifas, amarrada por regulações, estrangulada pela mão bem visível de um estado que parece empenhado em homenagear o General Perón – inspiração para o Partido Justicialista – a cada decreto redigido. E daqui a uns anos, quando o FMI voltar a bater à porta, serão novamente culpados os liberais, os capitalistas, o Papa e sabe-se lá quem mais.

Dr. Soares, por menos que isto foi morto o Presidente Allende. Por menos que isto Getúlio Vargas acabou com um tiro no peito. Por bem menos que isto o Jango acabou no Uruguai – e crescem as teorias de envenenamento. Tenha portanto tento na língua e juízo na cabeça que, não fosse a direita portuguesa democratizada e tivesse ela os tiques dos seus confrades republicanos, já o senhor estaria a confraternizar com o seu amado Mitterrand ou auxiliando o capeta nas boas vindas ao monstro que condenou a Venezuela. Felizmente, outros não partilham a sua aversão à liberdade, podendo o senhor brindar-nos semanalmente com a sua iliteracia económica, com o seu português brejeiro e com o que o seu afilhado político, José Sócrates, apelidaria de “falta de cultura democrática”.

Voltando a citar o próprio: “As situações são diferentes, mas é um facto que o exemplo da Argentina nos pode ajudar a ter coragem“. Certamente que o caso argentino nos pode ajudar a ter coragem para implementar medidas que, apesar de duras, reconduzam o país aos mercados e ao crescimento. Como foi o caso de Ricardo López Murphy que, tendo chegado à pasta da economia com um programa sério de ajustamento que evitaria o default, foi afastado duas semanas depois, não só pela esquerda, mas pelo mesmo tipo de vozes que, à direita, pedem a demissão de Gaspar:

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Abril 11, 2013

Remodelem o Bloco Central

As cartomantes do regime pediram férias dos surtos de astrologia que as vem caracterizando e decidirem, a pro bono, prestar serviços de acessoria ao primeiro-ministro. Esta insistência em tom autoritário numa remodelação do governo, mesmo com Relvas fora de jogo, está longe de ser um bom presságio. Os dinossauros do bloco central nunca conviveram bem com revoluções, apostando no reformismo sereno, aquele que se perde nos corredores dos ministérios e nos gabinetes das comissões parlamentares. Neste contexto, o Ministro da Economia é um alvo a abater, sendo que o tiro ao Álvaro se tornou património cultural de um eixo que vai de socratistas a cavaquistas, passando por uns quantos sem-abrigo partidários que sobrevivem às custas da caridade da comunicação social. As vozes que hoje exigem uma remodelação ou que evocam sebastianismos antigos lançando nomes como o de Silva Peneda ou o de Rui Rio para cima da mesa, não o fazem por nobres utopias quanto aos destinos da pátria mas pelo senso comum que dita que quando as vacas sagradas do regime correm risco de extinção é saudável acautelar a questão chamando figuras consensuais que apelem à moderação. E por moderação leia-se  a comunhão com os interesses instalados. O problema é que os nossos Montis vêm discursando como Berlusconis. Especialmente aqueles a quem o povo apelidou de barões, não por serem portadores de qualquer tipo de nobreza, mas por fazerem do país o seu feudo e da pilhagem o seu hábito.

Abril 10, 2013

Aleixo

Filed under: Diversos — Ricardo Lima @ 21:55
O Dr. Rui Rio, que nos habituou a uma lucidez tão rara nos políticos, insurge-se contra a justiça pela sua incapacidade em exterminar o tráfico de droga. Saiba o Dr. Rui Rio que nem os EUA, a maior potência mundial, conseguiu ter algum sucesso nesta área que não o de sobrelotar as cadeias. O autarca ignora que é precisamente este posicionamento proibicionista, de resolver os problemas com armas eviolência estatal, que condena os habitante do Aleixo a viverem sobre a égide de traficantes de droga que, na prisão de um, serão facilmente multiplicados, qual Hidra. Dr. Rui Rio, escute as palavras do Presidente do seu partido há uns anos, afirmando que “as medidas convencionais de combate às drogas” não estão a funcionar e apontando a liberalização da venda como o caminho a seguir. Ou não o faça, mas não venha culpar a justiça, a polícia e os moradores honestos do Aleixo pelas suas escolhas e pelas escolhas dos seus.
 

Abril 9, 2013

Sobre os tais cortes na Educação

Concordando com o Relatório do FMI no que toca à Educação, devo acrescentar que não admito que o Governo mexa nas propinas sem antes tratar dos professores, seja na quantidade, seja na remuneração A raison d’être do sistema de ensino é, em primeiro lugar, a formação, não o emprego dos formados.

O custo médio de um aluno nos ensinos básico e secundário, que ronda os 4415 euros, deve servir de base para uma reforma estrutural, que reduza custos, aumente a concorrência e, sobretudo, a autonomia e a competência das escolas. O mesmo vale para o ensino superior onde, a serem aumentadas as propinas, não poderão deixar de ser criados/reforçados mecanismos – envolvendo ou não a banca privada – que possibilitem a todos o acesso. Se é verdade que uma visão estritamente social condenou a geração presente, uma visão estritamente tecnocrata nesta área poderá vir a condenar a geração futura.

Abril 6, 2013

Endireitem-se!

Filed under: Diversos,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Lima @ 18:57

A Direita portuguesa já deu a extrema unção ao país. Primeiro, comporta-se como se a decisão do TC não fosse já espectável.  Segundo, apresenta-nos um discurso de fim de linha, de ausência de alternativas, quando ela própria as vem propondo ao longo dos últimos anos. A Direita – os seus comentadores, os seus militantes e os seus políticos – deve reconduzir o seu latim de uma birra que, apesar de justificada, soa às mesmas birras do PS pós-PEC IV e começar a propor verdadeiros cortes na despesa, como sempre fez, não faltando por aí esbanjamento do erário público não protegido pela magna-carta do luso-socialismo. Qual é o valor do prejuízo do Sector Empresarial do Estado (incluindo RTP e transportes) ? Qual é o custo do que ficou por cortar na subsidiação das fundações, observatórios, institutos, etc ? Qual é o valor do orçamento para a Cultura ? Que pode ser feito com a ADSE ? Qual é o prejuízo acumulado da totalidade das Empresas Municipais ? E por aí adiante, sem chegar a referir as grandes reformas, na Saúde, na Educação e na SS, que eventualmente serão o próximo passo e a única maneira de atacar os infames 4 mil milhões (que serão mais que isso). Entristece-me que a Direita portuguesa, que sempre teve as soluções, esteja perto de adoptar uma posição derrotista e comece a falar em aumentar a carga fiscal como uma eventualidade, o que equivale a um harakiri na economia do país. Espanta-me que esta decisão do TC seja chocante, mas que o pesado aumento da carga fiscal que consta neste orçamento venha passando ao lado dos críticos. No dia em que a Direita capitular à retórica da coligação – que cada vez mais  se assemelha à dos baronetes de Sócrates – bem podemos entregar a terra às bestas e esperar um país, não de reformistas, mas de reformados, aos 40.

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Abril 5, 2013

Queres dinheiro ? Vai ao Totta

Filed under: Diversos — Ricardo Lima @ 12:11

Julgo que depois desta notícia é pertinente dizer que a credibilidade de José Sócrates está em Cheque.

Março 30, 2013

Será que é desta ?

Filed under: Diversos — Ricardo Lima @ 00:24

Última Hora:  North Korea says to enter “state of war” against South Korea: KCNA

 

Março 27, 2013

As Jotas

Filed under: Diversos — Ricardo Lima @ 19:03

Habitualmente, quando alguém sai de um partido está sujeito a um período de nojo. Com o tempo vou-me apercebendo que o meu período de nojo foi o que antecedeu a saída.

Março 23, 2013

A minha responsabilidade é melhor que a tua

Filed under: Diversos — Ricardo Lima @ 19:26
23/03/2013 - Vice-presidente PSD acusa PS de “irresponsabilidade suprema”

18/08/2010 - Santos Silva acusa líder do PSD de “irresponsabilidade”

Março 21, 2013

Ainda o Sócrates

Filed under: Diversos,Política — Ricardo Lima @ 20:54

Vamos por partes:

- Sócrates não é pior – pelo contrário – que os tipos que costumam frequentar o Prós e Contras.

- Ainda relativamente ao Prós e Contras, o Paulo Ferreira citando Voltaire e falando em pluralismo deve ser sarcasmo .

- O argumento do “estamos a pagar-lhe”  ou da má gestão vai ao ar se tivermos em conta que as audiências serão elevadas, o que constitui uma “boa jogada” da parte do canal.

- Em qualquer democracia é lógico e saudável ouvir antigos governantes – por piores que tenham sido.

- O CDS e a JSD fazem figura de parvos, para variar. Fosse regra o que defendem e não tinham comentadores na televisão.

- O Presidente da JSD, em especial, esquece-se da participação de Soares ou de Barroso – grandes estadistas –  nas suas Universidades.

- O retorno de Sócrates mina a liderança de AJS e favorece o Governo – pelo menos a curto prazo.

- O único ponto positivo disto tudo talvez seja ajudar a convencer as pessoas de que a RTP não serve para coisa alguma.

Uma espécie de eleições antecipadas

Filed under: Diversos — Ricardo Lima @ 16:49

Guerra de petições a favor e contra “regresso” de Sócrates.

O Menino de Ouro do PS

Filed under: Diversos,Media,Política,Portugal — Ricardo Lima @ 12:28

Eu, muito sinceramente, não compreendo a vaga de indignação que o anúncio da ida de Sócrates à RTP está a gerar. Desde sempre que que os painéis de comentário político (nas  TVs e não só) são desfiles de homens – e mulheres – que deixaram o país na miséria.

Março 3, 2013

Maiorias Silenciosas

Filed under: Diversos,Media,Política,Portugal — Ricardo Lima @ 02:42

O CDS, sozinho, teve 653 987 votos por todo o país nas últimas eleições. Vale também a pena recordar que o PSD teve mais de 2 milhões de votos. Julgando pelas últimas sondagens e pelo senso comum, podemos admitir que este número terá descido, mas não significativamente. Ao mesmo tempo vale relembrar que dificilmente os votantes dos partidos do governo – mesmo os descontentes como eu- se identificariam nos slogans e propostas dos movimentos que hoje se manifestaram.

Entretanto, o Terreiro do Paço, onde cabem menos de 200 000 pessoas, não estava cheio. Encheu-se para ver o Papa e estavam lá pouco mais de 100 000. É aí que chegamos à simples conclusão de que, com todo o optimismo do mundo e com toda a fé nos produtos light que os intervalos televisivos nos garantem, o número de pessoas que esteve na manifestação de hoje em Lisboa, será ligeiramnte superior ao número de vontantes do CDS (apenas  no Distrito do Porto).

Com tudo isto, apelidar o que se passou neste Sábado  de “um cartão vermelho ao governo”  (ou à Troika) ou “a expressão de um país” é o mesmo que eu me cortar a aparar a barba e chamar-lhe desfiguramento facial. A história habituou-nos a maiorias barulhentas que se assumem, ao longo dos anos, como representativas de uma classe, de uma ideia ou de um povo. Infelizmente, para os Ché Guevaras do IPad, são as maiorias silenciosas que ganham eleições.

Fevereiro 26, 2013

O “Milagre” da Islândia

Filed under: Nanny State Watch,Política,Política Fiscal — Ricardo Lima @ 15:35

A Islândia prepara-se para virar à Direita,  deixando um executivo que  não deixa boas lembranças, mas que fez as delícias de bloquistas e indignados. Depois de aturar uma mistura de Socialismo e Feminismo no Governo, a Islândia está no bom caminho, afastando-se das Social-Democracias Nórdicas e olhando para os Tigres Bálticos como inspiração. Por cá mantém-se a Fiscocracia.

Grandolar

Filed under: Media,Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Lima @ 14:20

A Esquerda, que popularizou as profissões do Sindicalista, do Activista e do Intelectual, parece empenhada em introduzir no mercado de trabalho a do “Grandolador”. Aguardem para a ver bem definida naqueles artigos de opiniões escritos por Investigadores que, barafustando contra os ricos, recebem às dezenas de salários mínimos para estudarem as virtudes bolivarianas do Comandante Chavez ou para apontarem as causas da decadência do sistema económico que lhes patrocina o Circo.

Entretanto, Paulo Portas demonstra que os gostos musicais não são o seu forte e quase ressuscita a máxima de que “o povo é sereno”.

Fevereiro 25, 2013

Silvio

Filed under: Internacional,Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Lima @ 22:42
Deve ser extremamente doloroso para a Comunicação Social Portuguesa que Berlusconi, um empresário corrupto com ares de chulo, ofereça melhores soluções para a crise que a esquerda italiana, o fantoche Monti e a classe política portuguesa somada. Como sugeriu o outro: “meta manteiga”.

Fevereiro 23, 2013

The Plot gets thicker

Filed under: Media,Política — Ricardo Lima @ 16:06

 
Leitura Complementar: Mário Soares, o Arauto da AusteridadeMário Soares, o Arauto da Austeridade (2)

E recordar é viver…

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Lima @ 13:35

Provavelmente isto já foi postado por estes lados. Mas sabe sempre bem que o leitor se pergunte o que queria de si e de todos nós sem Paulo Portas para nos defender do fisco.

Fevereiro 22, 2013

A Ética segundo Cavaco Silva

Filed under: Justiça,Política,Portugal — Ricardo Lima @ 17:46

Cavaco descobre erro na lei de limitação de mandatos

 Cavaco Silva despertou do sono em que estava submerso  para demonstrar o seu conhecimento nas matérias da gramática. O homem que não percebe de economia – pois arruinou a nossa – nem de ética, pois nunca a teve e sempre andou de braço dado com quem a repudia, sabe de português e teve a amabilidade de revelar ao país um erro de escrita numa lei que ele próprio promulgou. A dúvida aqui, mais que saber o porquê do PR  se ter insurgido tarde e a más horas com a troca de um “da” por um “de” (onde está escrito “de” devia estar “da”)  está no porquê de o ter feito precisamente no momento em que dois dinossauros do seu partido enfrentavam a justiça com base na mesma lei que pretende invalidar. Não lhe chegava ter levado ladrões, vigaristas e assassinos às mais altas posições do Estado em Portugal. Não lhe chegava ter iniciado a política do Betão e o sobredimensionamento da Administração Pública. Não lhe chegava ter apunhalado Santana Lopes, levantado o caso das escutas a Belém, ter estendido o tapete vermelho ao Consulado Sócrates. Apesar de se encontrarem dentro da legalidade, estas acção do Presidente da República constitui um acto descarado de corrupção, de favorecimento, de tráfico de influências a fim de permitir que alguns dinossauros do tempo do Cavaquismo continuem a dominar o mapa autárquico do país.

Adenda: Foi Jorge Sampaio quem promulgou a lei em questão. De resto, mantenho o que disse.

Coisas de Esquerda

Filed under: Diversos — Ricardo Lima @ 14:44

É curioso que os tipos que se indignam com o facto de Miguel Relvas ter ido ao Clube dos Pensadores são os mesmos que andavam a convidar Baptista da Silva para Conferências e a citar o homem sempre que a oportunidade surgia.

Fevereiro 15, 2013

A Factura (a sua)

Estou certo de que, neste momento, você já se indignou  com os “fiscais da factura”. Já arremessou o comando ao televisor, já se juntou ao tal grupo do facebook que pede a demissão da classe política e, num acto de rebeldia nata, já fez estremecer o café berrando indecências contra a progenitora do Ministro. Mas você, caro Leitor, é uma besta. E eu vou-me abster de lhe pedir para que não se ofenda. Eu quero que se sinta ofendido. Porque você, caro Leitor, é um idiota chapado.

Onde estava o meu amigo quando, fim de semana atrás de fim de semana, os mesmos agentes que nunca o impediram de ser roubado, cercaram as zonas de diversão nocturna incomodando quem quer que se faça passear numa viatura ? Provavelmente até concorda. Provavelmente até aplaude as vistorias aos popós, que se vêm tornando frequentes e escreve belas monografias enaltecendo a segurança, como se cada condutor fosse um perigoso terrorista à espera de rebentar. Provavelmente você viu aquele bar ser encerrado porque um artista se lembrou de acender um cigarro e aquela loja de conveniência fechar pelo simples facto de estar rodeada de bares e não ousou abrir a boca.

Sim, você que ejacula com as ASAEs e o seu fascismo gastronómico, para depois ir ao tasco da esquina queixando-se – e com razão – que as bifanas já não têm o sabor de antigamente. Você que quer limpar os bolos das escolas e arredores e meter as crianças a comer verduras no almoço e bananas no café da manhã. Você que branqueia os espancamentos nas esquadras e as rusgas nos subúrbios, que defende sem se questionar os gorilas de farda azul, legitimando que quem mora num bairro social – ahh, esse antro de bandidos e marginais – seja sujeito ao mesmo procedimento que um check-in de aeroporto. E por falar em aeroporto, já se sente mais seguro com por saber que o tipo que se senta ao seu lado só tem uma garrafinha de água ?

Você que pretende inspeccionar quem fuma com os filhos no carro ou com a empregada doméstica em casa. Você que acha que esses ladrões desses empresários devem ser constantemente incomodados para não fugirem às suas obrigações, que quer o Estado a inspeccionar as contas bancárias dos banqueiros e dos políticos, que festeja com as escutas da PJ ao Presidente do clube adversário. Você que que vibra com as rusgas aos feirantes, com o encerramento das Smartshops, que consentiu o assédio à restauração até entrarem no seu café, que consentiu o assédio aos agricultores até entrarem no seu quintal, que aplaudiu o assédio ao comércio até chegar ao supermercado e perceber que o produto que queria comprar tinha sido apreendido.

Hoje, observando o culminar da tirania que tem defendido, sente-se incomodado. Chega mesmo a sentir que o Estado se está a intrometer na sua vida. Chega ao ponto de, na sua inocência, citar chavões dos tais extremistas, dos mesmo anarquistas que tem vindo a insultar no café, no facebook e nas caixas de comentários dos blogues que lê. Mas você perdeu a guerra no dia em que deixou o Estado entrar na casa do seu vizinho. Abriu o precedente -  a caixa de pandora – para que ele um dia entrasse na sua. E esse dia chegou.

Agora sente-se, relaxe, beba um copinho de maduro tinto, acenda um cigarro e desfrute. Porque mais tarde ou mais cedo o Estado também o privará desses pequenos prazeres com tons de pecados. Por razões de saúde, por razões de segurança, por razões que o próprio imbecíl que fizer essa lei desconhecerá. Mesmo que isso implique entrar em sua casa, mesmo que isso implique a sua detenção por resistir à autoridade suprema dos fascistas que o governam. Como se diz em bom português, você fez merda, caro Leitor. Agora aguente-se à bronca. Aqui tem a factura do que pediu.

PS: Por cá o Carlos, a Maria João e o Ricardo (o outro) e no Estado Sentido o João Quaresma, o Samuel, o Fernando Melro dos Santos e o José Maria Barcia já escreveram sobre o assunto. Vale a pena uma vista de olhos.

Janeiro 28, 2013

Vida para além do défice

Filed under: Diversos — Ricardo Lima @ 20:47

Sampaio: Portugal não terá prosperidade sem investimento na Educação

 

O Costa do Castelo

Filed under: Política,Política Fiscal,Política Monetária,Portugal — Ricardo Lima @ 18:38
As estrelas estão alinhadas para António Costa vir a ser Primeiro-Ministro. O Governo está cansado, enfraquecido e uma oposição eficiente facilmente o levará à queda. Se tiver vergonha na cara, PPC demite-se e o PSD volta ao Centrão. Os Barões já afiam as facas. Sócrates parece estar de olho nas Presidenciais e tem condições para avançar se Guterres ou Vitorino não o fizerem. Depois da saída de Louçã, falta saber se finalmente Portas cede o trono a Nuno Melo. Novos partidos e movimentos, de ambos o lados do espectro podem vir a surgir e a beneficiar do número crescente de descontentes com “os do costume”. Com autárquicas e europeias pelo meio não faltam oportunidades para novas experiências e julgamentos populares a quem estiver no poder.  E em 2016, com Santana, Durão, Portas, Marcelo e Rio provavelmente livres, as Presidenciais vão ser um mimo à Direita. Claro que isto é apenas um dos muitos cenários prováveis. Nem eu tenho o dom da cartomância dos comentadores de Domingo à noite. No entanto não posso deixar de admitir que me daria um certo gosto a justiça poética de ver o PS aplicar o Relatório do FMI.

Janeiro 25, 2013

Relvas Ex Machina

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A comunicação social e as comunidades blogosférica e facebuquiana não se cansam de destacar aquilo a que apelidaram de “a derrota de Relvas“. Não sejamos assim. Quando um Relvas perde, uma quota parte de empresários angolanos e destacadas figuras da sociedade brasileira, dos centros decisórios de Brasília à esgrima das negociatas financeiras de São Paulo, perdem. Certos senhores de barba rija que trajam de avental em terras lusas em rituais dignos de Hogwarts perdem. Centenas de caciques locais, a quem a graça não dotou de qualquer talento que seja conhecido do público, são abandonados à sua desorientação. A política, a economia, a vida alheia, em toda a sua mesquinhez e promiscuidade, desalinham-se dos “affairs” do quotidiano, do nobre beijo do compadrio. Uma derrota do Relvas é uma efeméride para toda a galáxia. E cada vez que este sai enfraquecido, a Lei de Murphy, assola a comum vivência do mundo como estas sinistras personagens o conceberam.

Pessoalmente, não vejo com bons olhos uma privatização conduzida por este senhor. Da mesma forma como tenho vindo a reprovar esta onda de  privatizações “à Yeltsin”. Enquanto a reconciliação entre o Estado e o livre-mercado proceder deste modo, as distorções ao último serão tão ou mais acentuadas como têm sido. Ao que parece – e esta análise corre o risco de ser um pouco redutora – a agenda do PSD, que nada deve ao liberalismo, corresponde, em parte, à agenda de um homem que, numa primeira fase do plano se socorreu dos comparsas para alcançar o poder e que, numa segunda fase, parece estar empenhado em pagar a factura. À custa, claro, do tal desgraçado de costas largas: o contribuinte.

Janeiro 19, 2013

Praça da Alegria

Filed under: Cultura,Economia,Educação,Humor,Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Lima @ 22:25

“pôr as crianças do Porto a aprender mandarim e hebraico e levá-las à ópera uma tarde por semana”

“ O candidato do PSD anunciou que vai propor ao Governo que promova uma grande homenagem ao cineasta portuense, afirmando, entusiasmado, que “quer ver os melhores da cinematografia como Clint Easteood [escreve o Público], Martin Scorcese e Woody Allen”.”

Janeiro 18, 2013

DesNorteados

Filed under: Diversos,Media,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — Ricardo Lima @ 13:44

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Fui, desde que me conheço politicamente, um regionalista. A história, a tradição e os exemplos práticos mutaram gradualmente o que é a minha visão do poder local. Trocar o centralismo do Paço pelo dos Aliados não é sensato, muito menos eficiente. Servirá certamente para alimentar o populismo de tiranetes locais e diminuír o desemprego da classe de inúteis que assobra as  concelhias de certos partidos. Dito isto e tendo em mente que a solução passará por reforçar o papel dos municípios e das freguesias – como o André Azevedo Alves tem vindo a apontar – isso não me impede de crer que o Norte necessita de um líder forte – ou de vários.

No que toca a força, não me refiro a um baronete regional ou a personalidades  cuja carreira – em altos cargos sem que daí algum mérito se retire – os deixou tão desfazados das problemáticas das respectivas localidades que a sua única utilizadade seria a importação do famigerados “modernismos” de Lisboa ou de Bruxelas. Refiro-me aos que não se venderam aos confortos de um ministério e cujo percurso os transformou em líderes naturais, dispensando os números teatrais de quem agora “se põe a jeito”. Rui Moreira pode e deve ser um desses líderes.

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Dezembro 28, 2012

Thatcher: Sempre à frente do seu tempo

Filed under: Media,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,socialismo — Ricardo Lima @ 16:22

Arquivos de Downing Street revelam que Thatcher quis acabar com serviço nacional de saúde (estes títulos do Público matam-me): 

Documentos relativos ao primeiro Governo da conservadora Margaret Thatcher, divulgados nesta sexta-feira pelo Arquivo Nacional, revelam que a primeira-ministra britânica foi forçada a travar um ambicioso plano para o desmantelamento das instituições do Estado social no Reino Unido, nomeadamente o serviço nacional de saúde e a educação gratuita, para evitar “um motim” dentro do seu executivo.

O plano, que saiu do gabinete do chanceler Geoffrey Howe, previa introduzir pagamentos obrigatórios para a frequência do ensino obrigatório e acabar com o financiamento público do ensino superior, e ainda o congelamento dos subsídios atribuídos pela Segurança Social ou o estabelecimento de um sistema de saúde privado, através da privatização dos hospitais.

As propostas, redigidas pelo Central Policy Review Staff em 1982 por instrução de Thatcher e Howe, tinham como objectivo reformar o Estado e diminuir a despesa pública. Os documentos que circularam por Downing Street notavam, claramente, que a ser executado, o plano significaria “o fim do sistema nacional de saúde”.

Um dos parágrafos explicava que “vale a pena considerar um período de tempo para eliminar o financiamento público da saúde para a grande maioria da população”, para que “as unidades médicas possam ser detidas e geridas pela iniciativa privada”. O resultado seria que “quem buscar cuidados médicos seja obrigado a pagar por eles” – com algumas excepções previstas, nomeadamente para as famílias na pobreza ou os indivíduos com doenças mentais.

Segundo mostram os documentos desclassificados pelo Arquivo Nacional (após um período de 30 anos de segredo), estas propostas foram discutidas numa reunião alargada do executivo a 9 de Setembro de 1982, na qual vários ministros se insurgiram contra o que descreveram como uma “agenda radical”. O “motim” levou Thatcher a engavetar o documento.

“era preciso um líder político legitimado que puxasse pelas pessoas para elas saírem “

Filed under: Double standards,Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Lima @ 14:56

Paulo Rangel, que se cala com os sucessivos aumentos de impostos, vem a público exigir uma manifestação contra o Governo a propósito da transferência do Programa Praça da Alegria para Lisboa e dos cortes na Casa da Música. Cada um com as suas prioridades.

Dezembro 3, 2012

Dependencias

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É curioso como é que um órgão oficial do MPLA e logo do Governo Angolano (o Jornal de Angola), insulta, diariamente, Portugal, a sua classe política, o seu povo e os seus costumes e não há um político com responsabilidades ou um jornalista com “cojones” para responder, para dizer uma palavra que seja. É que isto de andar a levar sucessivos bejardos de meia dúzia de ex-guerrilheiros nascidos na cubata, que há 30 anos lambiam as nádegas ao Brezhnev e que hoje se fazem novos-ricos com o assalto a um povo nosso irmão, é gravoso. A mesma lenga-lenga do colonialismo permanece, qual assombração em quem ainda não reparou que, para pesar dos angolanos, Angola é uma colónia do seu Presidente, respectivos familiares e amigos. Mas já ninguém fala disso. Mesmo os papagaios de serviço preferem vivas a uma Palestina que nada nos diz, sem nunca mencionar Cabinda, cujo trágico destino teve a nossa mão.

Tivesse sido algum órgão do Partido Democrata Cristão Alemão – o Partido da Merkel – a tecer metade das considerações que o MPLA tem feito sobre Portugal, seria o fim do mundo. A RTP fazia meia dúzia de reportagens, os jornais ganhavam manchete de capa, meia dúzia de editoriais furibundos e não sei quantos dirigentes do PS, PSD e CDS iriam à televisão defender a honra nacional – se é que ainda resta alguma. Mas provavelmente a Alemanha não tem muitos diamantes nem o Relvas deve ter por lá grandes negociatas.

Claro. Porque – que eu saiba – ainda nenhum jornalista foi afastado por tecer críticas à Alemanha, como sucedeu a Pedro Rosa Mendes. Provavelmente os Soares não andavam à caça de pedras preciosas com o actual partido germânico da oposição – apesar de terem chovido uns quantos cheques para o bolso de quem nós sabemos. Quiçá, para inúmeros cavaquistas, não existissem em Berlim ou em Munique as “oportunidades” que estes encontraram (e alguns ainda encontram) em Luanda. E isto é o básico. Porque o filho de Merkel não controla uma parte importante da economia nacional, isso já nós sabemos, apesar da mãe o fazer indirectamente, o que, ao que vejo, não a impede de ser constantemente destratada na nossa comunicação social.
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Dezembro 1, 2012

O 1º de Dezembro

Filed under: Internacional,Justiça,Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Lima @ 14:38
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8f/Joao_IV_proclaimed_king.jpg
O 1º de Dezembro foi uma revolta de meia dúzia de pirralhos de sangue azul que não tinhal lugar do regime da época, incendiada, em parte, pela megalomania do Conde de Olivares, um aspirante a Richelieu. A chegada ao trono português dos Filipes foi legítima. Acontecia frequentemente nestes jogos de casamentos e só por azar não foi Portugal a herdar Castela. Mas seguramente ainda andam aí uns quantos com o pensamento amordaçado pelo que aprenderam na escola salazarista, com ódios provincianos em relação a Espanha.
Na História de Portugal, coordenada por Rui Ramos, fica patente, nas palavras de Nuno Monteiro,  que o 1º de Dezembro não foi nenhuma revolução, como se tenta fazer crer. E que não só os Braganças tiveram um gigantesco esforço diplomático para se legitimarem no exterior, como foi necessário recorrer a inúmeros recursos de propaganda – já à época avançados – para se legitimarem cá dentro. Mas não deixa de ficar patente a histórica resistência dos portugueses a uma tirania fiscal como a que Olivares lhes impôs para financiar o seu esforço de guerra.
O séculos passaram, os ânimos mantiveram-se e assistimos a uma segunda metade do século XIX caracterizada por sublevações populares e golpes palacianos, ora uns descontentes com o emprego que não tinham, ora uns descontentes com o fisco. Hoje, o panorama não é muito distinto. O país vive sob o jugo do centralismo de Lisboa, martirizado por um Ministro das Finanças  que nos pretende taxar até à morte. E vive, ao mesmo tempo, na sombra de um grupo de indivíduos, meio laranja, meio rosa, cuja sede de chegar ao poder a qualquer custo pode muito bem chocar com qualquer tipo de política, má ou boa – neste caso é péssima – que o executivo em funções possa decidir seguir. E como os Braganças há quatro séculos, não me admiro que seja pior a emenda que o soneto.

Novembro 24, 2012

Keynesianismo Atlântico

Alberto João Jardim continua armado em papagaio. É de facto um dos políticos mais inteligentes e intelectualmente preparados – apesar de habitualmente não transparecer esse seu lado. Mas também o era Cunhal. AJJ é um dos maiores adversários do Capitalismo. O seu discurso no último congresso do PSD poderia ter sido proferido tanto pelos líderes do PNR como pelos líderes do PC ou do BE. Felizmente para os Madeirenses, ainda não passou das palavras aos actos e a sua obra não tem sido mais que um Keynesianismo Socrático à escala regional. Mais uma vez, é pena. As Ilhas poderiam ter sido um foco de prosperidade, um exemplo para um ocidente em decadência e um Continente roçando a bancarrota, tivesse seguido outra a política por elas seguida. Não foi. Hoje as Ilhas não estão bem, estão endividadas para o simples propósito de alimentar o Corta-Fitas. Mas o papagaio continua….

Novembro 21, 2012

O Neo-Liberalismo do Sérgio Lavos

Filed under: Diversos,Double standards,Economia,Educação,Portugal — Ricardo Lima @ 19:10

Gosto bastante deste sarcasmo do Sérgio Lavos:

Quanto ao ser liberal, sim, sou, no sentido clássico. Veja lá que nem acredito em economias planificadas, mas sim num capitalismo social, modelo nórdico. Não sei é qual é a surpresa….
Claro que se não foi um sarcasmo, teremos muito gosto em convidar o Sérgio para escrever por cá uns textos, pregando a boa nova da flexibilização do mercado laboral, da liberalização do ensino e da saúde com os respectivo “Cheques” à mistura, do voucher cultural, das descidas do IRC, etc.. Tudo excelentes importações nórdicas, com a benção do velho Friedman. Sérgio, já sabe, as portas desta casa liberal estarão sempre abertas para si. Só espero que, na nossa timidez não nos tome como socialistas ou social-democratas.

Os Portugueses não são números

A quadrilha tecnocrata que a academia pariu, embriagada nos títulos que a pompa, a circunstância e a graça do financiamento público garante, erra. E não erra por se enamorar da matemática, fiel amiga do saber. Erra quando por ela se obceca, esquecendo outras prendadas garotas cujos cantares são fulcrais ao feliz entendimento de uma nação, do seu povo e das suas efemérides. Sou por vezes acusado de abraçar essa falácia e, de facto, não me é penoso admitir que a razão não está do lado desta e outra crítica que a mim dirigem. Errar é humano.

Mas os modelos que apresento, que importo, são a meu ver – e em retrospectiva julgo ter por vezes chumbado nesta explicação – inspirações apenas. Conselhos bem-vindos de um estrangeiro a quem, por mérito próprio, a fortuna sorriu. Portugal não é o Chile, a Suíça ou a Suécia – para muito pesar da minha veia juanista. Ao apontar o Chile como exemplo, faço-o como o pai que diz ao Marco para pôr os olhos no João, assíduo e aplicado, aluno prodígio. Estará este pai a dizer ao Marco para se metamorfosear no João ? De todo.

Da mesma forma, julgo ser pertinente apontar os bons ventos que destas terras nos chegam, sem querer com isso aplicar a “régua e esquadro” a boa novas que estes nos trazem. Já nos autoflagelamos que chegue neste acto de mímica das vanguardas europeias que tem sido a política em Portugal ao longo de séculos.

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Novembro 14, 2012

Ainda sobre História

Filed under: Internacional,Justiça,Media,Política,socialismo — Ricardo Lima @ 22:26

E outros assim acabaram:

No caso de hoje se verificarem casos de obstrução à propriedade alheia…

…a História ( e a Pinkerton ) tem as suas lições e soluções :

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