Casos de Polícia II

O Guilherme Marques da Fonseca, VP do Instituto Mises Portugal, levantou um tema que, apesar de ter sido bastante mastigado na última semana pela comunicação social, é sempre pertinente e muitas vezes esquecido: a violência policial:

As sementes de Salazar, os colaboradores e informadores do antigo regime, os beatos da sargeta estatal, aqueles que odeiam (ou temem) a liberdade e toda a sua magnificência, todos eles se regozijaram aquando das bárbaras agressões deste domingo em Guimarães. Dizia-nos um certo cantor português, que, hoje eles vestem as cores de conhecidos partidos.

Mas não foram os únicos a fazê-lo. Um pouco por todas as redes leram-se comentários de ódio (como aqueles do “alguma coisa o sacana deverá ter feito para comer”, ou a minha favorita, “quem não quer problemas não vai à bola nem leva os filhos”).

(…)Como pode o corporativismo da PSP estar a fazer de tudo para descredibilizar José Magalhães, ao ponto de forjar deliberada e criminosamente o suposto passado “violento” do empresário de Matosinhos? Continuar a ler

Os Burocratas do Turismo

Rui Moreira fez tanto pelo Turismo na cidade como eu fiz pelas touradas em Rio Maior. Rui Rio fez tanto pelo desenvolvimento da Baixa como eu fiz para o desenvolvimento de uma infecção dentária na minha pessoa.

Não vi nem vejo nenhum dos dois fazer o que quer que seja pela burocracia dos licenciamentos e das taxas e dos regulamentos que os empreendedores do Porto – esses sim responsáveis pelo crescimento da cidade – enfrentam. Não os vejo berrar com Lisboa, pedindo impostos mais baixos para esses empresários. Pelo contrário, vejo Rui Moreira, de mão estendida, à beira de uma revolução por fundos comunitários.

Ao contrário destes dois políticos, o Secretário de Estado do Turismo reconhece que o “setor privado é o grande obreiro do sucesso no Turismo” e não uma autarquia ou o governo central. E por reconhecer que só o sector privado pode desenvolver o turismo em Portugal, tem-se dedicado a uma política que visa remover o Estado do sector, eliminar taxas, facilitar licenciamentos. Já Rui Rio e Rui Moreira, estatistas de gema, preferem regular horários, dificultar licenças e o último até cria directórios para “gerir” a Movida da Baixa.

Enquanto se tentarem “disciplinar” os empreendedores, condicionar o livre-mercado com grandes planos municipais, dirigir o rumo das tendências com regulações e fundos comunitários, teremos mais do mesmo. Enquanto esta mentalidade dirigista prevalecer e nada se fizer pela liberalização das condições para fazer negócios, o Porto não crescerá graças aos políticos. Crescerá apesar deles.

Sair do Médio-Oriente

Uma visão liberal das relações internacionais, por Guilherme Marques da Fonseca do Instituto Mises:

(…) Mas agora que a coisa está preta no Médio-Oriente qual é a solução? Não tomar medidas precipitada que ponham a segurança internacional (ainda mais) em jogo. Seria catastrófico pensar que a retirada total e fulminante levaria à paz.A ponderação é a chave de qualquer problema, e nas relações internacionais não se pensa que todas as nações e os seus governantes são libertários: há o curto e o médio/longo-prazo.

A curto-prazo é preciso, mais do que envolver os “actores” regionais, passar-lhes o testemunho gradualmente, com apoios regrados e racionais. Alguém acredita que as monarquias sauditas e os aiatolas iranianos queiram os malucos do Estado Islâmico nas suas fronteiras? São os primeiros beneficiados na resolução do problema.

E no médio e longo-prazo? Aí entra a solução libertária. Uma política de livre-comércio, paz e amizade honesta pode dar condições para essas sociedades florescerem, criarem uma classe-média forte e se tornarem fortes parceiros na comunidade internacional. Este é um desígnio que, depois de décadas de intervencionismo falhado, já deveria ser consensual.

A guerra e o intervencionismo falharam. Vamos dar uma oportunidade à paz (mas sem descuidos pelo caminho).

A Hipocrisia dos “Charlies”

Rui Sinel de Cordes no seu Facebook:

Um dia inteiro disto. Quase tão agoniante como o atentado de Paris, é ter passado um dia inteiro a ver e ouvir certos humoristas, produtores, directores de programação, editores criativos e outros agentes artísticos a dizerem que “são o Charlie”.
Humoristas que afirmam que gostam de humor negro mas que fazem outro porque dizem que dá mais dinheiro e menos problemas. Produtores que estão ao serviço de grandes marcas e censuram estilos e temáticas. Directores que me dizem que gostam de mim mas que não me podem contratar por temerem as reacções do público acéfalo. Editores criativos que me pedem humor “que não ofenda ninguém”. E outros agentes artísticos que bloqueiam a minha entrada em salas de Teatro e de outros colegas como eu, porque o nosso stand-up não é clean.
Hoje, são todos o Charlie.
Vocês são o Charlie? Tenham vergonha.
Vocês são é o caralho que vos foda.

O Julgamento

O Julgamento (Via Instituto Ludwig von Mises) :

O homem do betão e das PPPs, padrinho dos empreiteiros e das concessionárias que ainda hoje nos assaltam. Mentor do desgoverno financeiro que nos entregou aos credores, escudeiro do Estado forte, grande, ineficiente, metediço. Protagonista de um pós-bolivarianismo de tons ibéricos. Sócrates foi o último terramoto desde cataclismo que foi o regime nascido da Abrilada. Passos Coelho será, talvez, uma pequena réplica de mau gosto.

Mais que o julgamento, nos tribunais, de um dos homem que nos desgraçou a todos, este é o julgamento, público, do bando de abutres que nos vem pilhando desde sempre. Daqueles que nos ministérios e nas empresas defecaram na pouca dignidade que resta à nação, roubando – qualquer outra palavra é eufemismo – sem eira nem beira, perpetuando-se a si e aos seus no poder – político e económico. Este é o julgamento de uma terceira via, um capitalismo de socialistas caviar, um socialismo de capitais desviados. Este é o julgamento de um modelo de governação assente no compadrio, no suborno, na coerção, na corrupção aos mais altos níveis da sociedade.

Mas acima de tudo, este é o julgamento de um país e de um povo que gerou políticos à sua imagem. Das boleias e quotas pagas nas concelhias por uma conta mistério em vésperas de eleições. Dos clubes de futebol da terrinha e dos terrenos que vão andando de mão em mão. Este é o julgamento do chico-espertismo que tenta sempre passar à frente, no trânsito, na fila da repartição das finanças. Do menino que liga ao amigos do pai por causa daquela vaga na universidade, do pai que liga ao colega do secundário, que agora trabalha na Junta, para dar uma ajudinha ao colega que ficou desempregado. É o julgamento das garrafinhas de whiskey e dos bacalhaus pela consoada, para pagar favores do ano inteiro. Dos exames de condução feitos na marisqueira, dos vistos apressados no consulado, daquela licença para obras agilizada com uma sms ao senhor vereador.

(…)

O Zé – não o Sócrates ele mesmo – que é hoje deputado sem conseguir conjugar um verbo sem calinadas e entender-se com o sujeito e o predicado podia ser você, caro leitor. Com um pouco mais de esforço e afinco e se o André que brincava consigo e com os seus primos na casa de férias não tivesse perdido aquelas eleições, na federação académica ou na distrital. Se o Carlos, seu cunhado, não tivesse perdido aquela vaga na empresa, que até costumava fazer negócio com aquele ex-secretário de estado que agora está a “trabalhar” no ramo. O que o meu caro amigo teve não foi nem a ética nem a dignidade de cuja falta se acusam os nossos políticos de ter, como se abundasse na sociedade.

O que o meu amigo teve foi falta de sorte. Mas não se queixe. Ainda há uns meses conseguiu aldrabar umas facturas para “meter no IRS”. O empregado da Junta, que pôs a tijoleira lá em casa, deixa-o sempre estacionar lá o carro. O Mendes da esquadra deu um toquezinho relativamente àquela multa, mas também ninguém o mandou estacionar num lugar para inválidos. O meu amigo dê é graças a Deus por ter passado à frente nas urgências quando lhe deu aquela coisa no ano passado ou quiçá não estivesse aqui a terminar de ler este artigo. E não tenha vergonha. Todos o fazem. Se não fosse você, seria outro a aproveitar. E no que toca a benesses, antes nós que os outros.

Libertem a Canábis!

“Yesterday voters approved three of the four major marijuana reform measures on this year’s ballots, legalizing marijuana for recreational use in Alaska, Oregon, and Washington, D.C. All three of the general legalization measures succeeded, while Florida’s medical marijuana initiative failed to win the supermajority it needed, although it was supported by most voters.”

Será interessante ver a forma como o mundo encarará a Guerra às Drogas, dada a onda de legalização – ora para fins medicinais, ora também para fins recreativos – que parece estar a varrer o seu principal proponente. A marijuana é um bom começo. Mas os cadáveres continuam a amontoar-se por toda a América Latina. Mais cedo ou mais tarde, alguém terá que dar um murro na mesa. Porque os cartéis não são piores que os políticos que dentro e fora de fronteiras os alimentam. Porque certas bancadas parlamentares, em Portugal e além-mar, têm “escrúpulos de favela”.

A Negative Income Tax como Reforma do Estado Social

A Negative Income Tax is a form of income top-up that only looks at an individual’s income, not whether they are in work or not, and tops that income up automatically if they are earning less than a given amount. The extra money is withdrawn at a tapered rate, so that for every pound you earn from work, you lose (say) fifty pence in top-up, ensuring that workers always have a clear incentive to demand higher wages, and that work always pays more than joblessness for unemployed people.

This would replace lots of existing working age benefits, including Jobseekers’ Allowance, council tax relief, the Employment and Support Allowance and tax credits. You could probably implement a decent one without increasing total expenditure. The exact rates can be determined by running trials across the country.

A Negative Income Tax like this would almost certainly be a boon to people on low pay, and would avoid most of the problems that minimum wages and current welfare schemes face.

Indeed the main objection may simply be that it is redistributive. That’s where I break with many of my fellow libertarians – I want free markets because they make poor people’s lives better, and I am OK with redistribution if it’s done in a market-friendly way that makes poor people’s lives better too. If this sounds surprising, remember that this puts me in the same boat as Milton Friedman (who campaigned for a Negative Income Tax) and FA Hayek, and indeed in the same utilitarian philosophical camp as Ludwig von Mises.

Novidades do Pacífico

Fireworks sales ban to be considered

The petition has drawn more than 26,000 signatures and has the backing of the New Zealand police, Fire Service and SPCA.

Its creator Charlotte Purdy said she wanted greater restrictions to protect her dog Finlay, and countless other animals, that injured themselves or escaped after being spooked by fireworks.

So-called ‘sexting’ without consent is now an offence in Victoria.

From Monday, anyone who maliciously or deliberately spreads intimate images of another person – or threatens to do so – faces prosecution under two new offences.

Those who threaten to distribute them can be jailed for up to one year.

Ilegalizar a Morte

Se existe injustiça na nossa existência é um gajo passar uma vida a trabalhar, a construir vida com alguém, a criar filhos e netos para dum momento para o outro ir fazer companhia à bicharada debaixo da terra. É chato, portanto. E se a ideia de enriquecer – seja a nível de património, seja ao nível dos que nos rodeiam – e mandar tudo às ortigas dum momento para o outro parece aterrorizante, pior ficam aqueles que se vão cedo, irrealizados. Só por canalhice, tacanhez e falta de visão é que a Morte, a eterna efeméride dos vivos, ainda não foi proibida, ilegalizada, assertivamente perseguida pelas autoridades competentes. Ora um dos principais Direitos Humanos é o Direito à Vida. Como se tolera que este seja diariamente violado? Que impunemente tanta malta bata a bota.

Isto acontece porque o Estado está desenhado de forma a servir os mais priveligiados. Os que aproveitam a vida, que viajam, comem bem, têm acesso aos melhores cuidados de saúde e se reformam cedo para levar os netos ao colégio, ao rugby e ao pólo aquático. Em cada funeral devia estar presente um fiscal do Estado, averiguando as causas, autuando sem dó nem pena, trazendo consigo o peso de fascículos de legislação na procura de evitar que o fenómeno se repita, com extensos relatórios e recomendações a quem de direito, para que lei sobre lei o sistema se adorne dos meios para o combate a esta vilania.

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O Ebola de um Ponto de Vista Libertário

A Newsweek elaborou uma peça que relata alguns pontos de vista de figuras da área Libertária em relação à intervenção governamental no caso de epidemia:

The answer is more nuanced than one might expect: Most Libertarians interviewed by Newsweek agreed government should intervene to protect public health in exceptional circumstances, but said intervention would have to be very careful and limited—and, perhaps, that it is better executed by the private sector.

Shikha Dalmia, a senior analyst at Reason Foundation, the Libertarian think tank that publishes Reason magazine, explains to Newsweek the starting point of most Libertarian belief is a limited government that provides “essential” functions, such as national defense. But in certain circumstances—if a person had a deadly communicable disease and refused to isolate himself, for example—governmental intervention could be considered essential…

Governação Disney

Com o Governo a planear roubar mais de 200 Milhões de Euros em Impostos Verdes, fico na certeza de que se Vítor Gaspar era o Tio Patinhas – e ainda bem que era – como alguma imprensa o apelidava, os seus colegas são claramente os Irmãos Metralha.

Santos e Pecadores

Durante quase um século, Portugal, como bom católico, rezou aos Espírito Santo. O Regime – o novo – tem subsistido pela Fé na Santíssima Trindade da Banca, dos Empreiteiros e do Poder Político. Se Ricardo Salgado caiu na escadaria do poder, qual Júlio César no Senado, apunhalado pelos que lhe juraram fidelidade e cresceram debaixo do seu manto, o regime continua de saúde. Saem governos PS, entram governos PSD – e vice-versa. Encolhem os Santos de Lisboa, solidifica-se a hegemonia dos Santos de Luanda. Os que celebram a queda do “dono disto tudo”  depressa perceberão que as cadeiras do poder são as mesmas, apenas se vão trocando lugares. Os que celebram a tirada do tapete ao mesmo por parte do Governo como um sinal de independência podem muito bem permanecer tranquilos pois em breve terão uma ideia de quem deu a ordem. Como é dito em Il Gattopardo, de Giuseppe di Lampedusa, belissimamente adaptado por Luchino Visconti:

Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi” 

A Impunidade Revisited

Já se passaram alguns anos desde que a impunidade – ou a falta dela – reinava como palavra de ordem dentro e fora das escolas.  Dos sindicalistas de plantão aos burocratas do ME, passando por uns quantos deputados – uns mais alfabetizados que outros – a impunidade dos alunos, esses delinquentes, incapazes de multiplicar de cabeça e de conjugar frases simples, esteve na ordem do dia. A impunidade era, para esses grupos, o que o crescimento hoje é para o Dr. Seguro e respectivos compinchas. O país mobilizou-se para acorrer à resolução da problemática do bando de acéfalos que parasitava as mais nobres instituições de ensino do país, envergonhando pais, professores e toda uma nação. Um professor do sindicato, mais atrevido e visionário, terá certamente magicado uma ideia genial, nunca professada por timidez ou moderação: ora faça-se a escola sem alunos, pois! Assim ninguém chateia. Genial.

De facto, tanto conversa de “direitos dos professores” fará um leitor mais desatento questionar-se se os professores servem para ensinar os alunos ou se os alunos lá estão para empregar professores.

De todas as reuniões, plenários, tertúlias, conferências, comissões e planos, alguém se terá esquecido de fazer uma pergunta incómoda, mas pertinente. E os professores ? Mas quem ousaria afrontar os professores ? Classe de prestígio, merecedora de respeito. Os professores não se avaliam, não se supervisionam, não se despedem. Os professores não são como os advogados ou os contabilistas, os pedreiros ou os jardineiros. O país precisa deles e quantos mais melhor. Se há demasiados professores para o número de alunos ? Não, nunca são demais. O ideal nogueirista seriam dois professores por aluno, o mestre e o assistente. Se não há dinheiro para pagar a tanta gente ? Azar, os outros desgraçados que trabalhem e descontem. E se não chegar, há sempre quem empreste. Se a escola pública está inundada de indivíduos sem conhecimentos ou capacidade oratória ou empatia ou estabilidade psicológica para dar aulas ? Claro que não. Isso são ideias de fascistas neo-liberais, a soldo dos privados (esses bandidos) empenhados em vender o ensino público.

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A Globalização, esse bicho de sete cabeças

O Guilherme Marques da Fonseca, do Mises PT, publicou um artigo no Público bem simples e elucidativo do papel da globalização na transformação das condições de vida no mundo moderno e das barreiras que esta vem enfrentando:

“De notícia recente, o Instituto Nacional de Estatística (INE) apontou Portugal como o 21º da União Europeia mais “aberto ao exterior”.

No entanto, bastante mais utilizada do que compreendida, a palavra “globalização” é invocada por muitos como o conceito representativo de um fenómeno observado e sentido na necessidade de formar uma “Aldeia Global”, que permita maiores ganhos para os mercados internos já saturados.

Mesmo sendo tal conceito discutível, a verdade é que o aumento da dimensão do mercado externo é uma das principais fontes do crescimento económico moderno. Foi esse aumento, ortodoxamente expressado pelo “Mercado”, que matou a fome de mais pessoas pela História.

Ele deu algo a quem nada (ou muito pouco) tinha. “Ele” é também o troféu que lembra para sempre a vitória do capitalismo sobre os sistemas autoritários, e que possibilita o existir de instituições de apoio social, que num ambiente económico mais ou menos livre, colmatam as dificuldades sentidas pelos mais desfavorecidos no curto prazo.”

Adiós, Augusto Señor

juan carlosNão sou monárquico. Nunca estive sequer lá perto. .A hereditariedade do poder não me seduz nem um pouco. Sem uma crença em divindades – Pinto da Costa é um caso à parte – que legitime a instituição por essa via, o argumento das cortes como via alternativa está longe de me convencer. A monarquia é, para mim, aquele espaço por onde passo e de que me falam diariamente, que olho, ao longe, com curiosidade e uma certa simpatia, mas pelo qual nunca me quis aventurar. Ou seja, sendo republicano, nunca fui anti-monárquico – que me recorde. É uma posição confusa, eu sei. E que me relega a um papel chato e aborrecido naquelas típicas discussões aguerridas entre monárquicos e republicanos.

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O Auto-Subsídio

Aquele momento em que a Reitoria da Universidade de Lisboa gasta o valor da propina de dez alunos em 500 exemplares de um livro do ex-Reitor. Que – e admito poder estar enganado – não aparenta ser nenhum textbook essencial para dignificar o saber que por aqueles lados se pratica. António Sampaio Nóvoa tem sido, nos últimos tempos, uma das figuras públicas mais acarinhadas pela esquerda e um dos favoritos – segundo o Facebook – para Belém, São Bento ou, quem sabe, ambos.
Novoaa

Ucrânia: Tudo se resume ao Salame

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Existe uma velha táctica, bem presente nos manuais do KGB, que acompanha a política internacional russa desde a morte de Lenin – Salami Tactics ou, em bom português, Tácticas do Salame. Estas aplicam a velha máxima do “dividir para conquistar”. Criam instabilidade nos seus alvos, geram conflitos internos e lidam com estes um a um, até à conquista definitiva do poder. Foi este o objectivo das Frentes Populares dos anos 30 e 40 – coligações de esquerda em que os partidos patrocinados por Moscovo eram parceiros minoritários. Foi assim que, socorrendo-me das artimanhas do sistema democrático e da subversão patrocinada pelas ajudas financeiras e militares do Kremlin, os comunistas conseguiram dominar as coligações, na Espanha em plena guerra civil e no leste europeu no pós-guerra.

No entanto, as Salami Tactics também têm um uso prático no cenário geopolítico e, associadas à estratégia de “pedidos de protecção” por parte de governantes amigos, podem ser bastante eficientes. Os casos da Ossétia do Sul e da Abecásia, cujo separatismo foi financiado pela Rússia, representam um exemplo recente. A Geórgia tentou reagir e deparou-se com pedidos de protecção à Rússia por parte das repúblicas separatistas. Ora o mesmo parece estar a repetir-se na Ucrânia.

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“A Liberdade está em vias de extinção”

Intervenção de abertura da Conferência “Liberalismo e Governação: Que Futuro para Portugal?”, organizada pelo Instituto Ludwig von Mises Portugal, que contou com a participação do nosso André Azevedo Alves.

A Liberdade não mora aqui

“Todos os direitos das pessoas podem ser referendados”. – Hugo Soares, Presidente da JSD

Considero perigoso que alguém com responsabilidades ache por bem deixar os direitos humanos ao jugo da vontade democrática. A Tirania da Maioria é um conceito herdado de Sócrates, mais tarde recuperado por Mill e Tocqueville. A necessidade de uma imposição de limites aos desejos de uma maioria com poder de voto estava bem presente desde a revolução francesa e reacende-se nas grandes tribulações revolucionárias da segunda metade do século XIX. Não é que o alerta tenha sido escutado. Por ignorância ou por vilania, tem-se entendido como justa a transformação da democracia num sistema em que dois lobos e uma ovelha ponderam sobre o jantar. Constituições tornaram-se em garantes dos mais insólitos direitos, independentemente dos direitos naturais que estas garantias venham a pisar. Por clemência ou caridade, até se vem permitindo à ovelha escolher o molho e o acompanhamento.

O referendo é uma ferramenta útil de participação cívica mas que, nas mãos erradas, perpetua a escravização de uma minoria por uma maioria, em todo o tipo de contextos. Vale a pena recordar que uma quota parte das ditaduras do século passado se instituíram por plebiscito. Em muitos casos, segundo análises mais recentes, reflectindo a vontade popular. Ora a liberdade não vai a votos. A liberdade existe, nasce com o indivíduo, é natural. Ao Estado e ao sistema político vigente não cabe o a cedência de liberdades ou o seu debate, cabe-lhe apenas o seu reconhecimento e a sua protecção.  

 

 

Referende-se a Parvoíce

Esta coisa dos referendos é parva. Corrijo: é muito parva. Neste caso é a figura do puto que, a meio de um translado de Naruto despeja todo um cinzeiro no chão e o varre cuidadosamente para debaixo da carpete, não vá o pai tirano açoitar-lhe as nádegas. O PSD nunca foi muito sério com aquilo em que acredita. É conservador, tendo vergonha em sê-lo. É o eterno português que, sendo uma coisa, lá vai mantendo a aparência contrária, não vá o diabo tecê-las e o vizinho descobrir. O PSD tem medo que os portugueses descubram que é meio conservador ou mais ou menos antiquado. Mas podia ser pior. Podia ser liberal. Isso nunca !

Esta coisa dos referendos é parva, como o PSD. Pensar que se pode ou deve deixar ao juízo da consciência dos portugueses estas andanças do foro privado ou do superior interesse das crianças é como incitar, na cantina da minha faculdade, ao voto secreto sobre o meu almoço. Referende-se os bifinhos com cogumelos. Encomende-se um estudo, uma comissão, a ver se o menino deve pedir salada de tomate ou se a batata deve ser aos palitos ou às rodelas. A liberdade e/ou o bem-estar de outrem – como é o caso – não se referendam. Protegem-se.

Concordo com a Maria João. Só não creio que nós, como povinho extrememos. Nós não somos de extremos, excepto no tasco e no autocarro que vai de Aldoar à Trindade. Aí reportamos as mais grotescas propostas políticas à audiência que, chegada do arrufo com o patrão ou daquela consulta que podia ter corrido melhor – bem de trombas como se diz em bom português – lá vai aclamando os Robespierres da STCP. Mas quando chega a hora do voto, esse secreto, a moderação apodera-se do tuga, receoso de investir naquele conhaque estrangeiro, quando já se fez bom conhecedor da bagaceira Aliança Branca.

Mas se ainda não o disse – pelo menos em tom rodoviário – volto a repetir. Tudo isto é parvoíce, covardia e falta de vergonha. Quis o PSD que o debate político nos meses que antecedem o adeus à Troika – que deveria ser de ponderação tibetana sobre o futuro que aí vem – viesse a ser uma alternância entre a beatice paroquiana de hábito ou fatiota e a engenharia social afrancesada que as bolsas de investigação amamentam. Teremos, portanto, um duelo televisivo entre a inquisição e woodstock, em horário nobre, esse sim, extremado.

O que é uma pena, quando se poderiam referendar assuntos que muito mais dizem ao nosso quotidiano, como a fixação do preço do leitão, não vá o CDS ser aldrabado na volta ou o tempo de antena do Dr. Soares, cuidando que o senhor, pregando uma coisa e o seu contrário, não monopolize o debate, ocupando a esquerda e a direita do moderador.

“Com muito molho e batatinha às rodelas, se faz favor”

Parece que, graças ao Congresso do CDS e uns meses depois da festiva campanha de LFM, o Porco voltou a ser o centro do debate político em Portugal. Muita tinta correrá sobre este assunto, bem mais interessante que os números e essas coisas chatas e complicadas que o Dr. Gaspar nos tentava impingir. Dissertasse a Ciência Política sobre o Leitão e a coisa tornar-se-ia bem mais apelativa à canalha (e menos apelativa aos canalhas).

No rescaldo, a Esquerda regozijar-se-à que os ladrões foram roubados, a Direita barafustará com a cessação da Mealhada e pelo meio um estudante mais atrevido acabará por entregar um leitão a Pedro Passos Coelho, à saída de uma inauguração, de preferência em horário nobre, não fosse a imprensa cumprir a sua função de humilhar o nosso Primeiro a cada oportunidade.

A ser verdade o que se conta, existem quatro vícios dos políticos portugueses patentes na jantarada do CDS Algarve. A tentação de se sentarem à mesa com porcos, a mania de pagar contas sem atender muito bem ao que por lá se encontra, a permissividade em perseguir – legalmente ou à pancada – os supostos ladrões e – não menos importante – a vitimização e o choradinho do costume, depois de consumada a asneira.

Coisas de um país sem dentes do siso e fenómenos que, por mais reprováveis que possam ser – e são – não deixam de assentar que nem uma luva na classe política que temos, nem de contrastar que nem preto e branco com o futuro – esse desprovido de graça – a que esta nos conduziu.

Para já o Sr. Sarmento diz que a conta é irrevogável. Para já…

Soares não anda lá muito fixe

Aparte

A procissão de múmias que se abateu sobre a Aula Magna não foi mais que o último suspiro de uma burguesia pseudo-intelectualizada, embebida no sumo de teóricos defuntos, que sempre viveu da política, mas jamais conviveu bem com ela.

Não existem grande dissertações nem drifts argumentativos passíveis de prolongar uma discussão em que o debatedor acena com o cacete e berra exaustivamente e em que o debatido, por menos que o tenha sido, está para muitos gravado na pedra. Sei, por experiências quotidianas, no bate-papo ocasional com grunhes sedentos de nicotina, que o português, neto do latim, é uma língua cara, que não deve de modo algum ser banalizada numa tentativa frustrada de dialogar com homens – e senhoras – das cavernas, batendo em fruta podre com a esperança de vir daí Joy de Maracujá.

Dos mesmos artesãos da semântica que, à imagem dos subalternos dos carcereiros da NKVD, nos anos 30, transformaram o fascista num insulto que compacta todos os males que vêm ao mundo, não deve ser esperada nenhuma ideia brilhante, nenhuma solução milagrosa, nenhuma discussão fruitífera para o futuro do país. Nestas tertúlias de camaradas reinará sempre o bota-abaixismo no seu estado mais desprovido de nível. Um apelo à violência, entranhado em premissas ideológicas, mas que só sobressai em momentos de raiva e desespero. E depois, as ironias…

É o Dr. Soares a tentar derrubar um governo legitimado pela mesmo Constituição e pelo mesmo povo que diz representar e defender. É Pacheco Pereira expondo de forma erudita e trabalhada uma série de banalidades e lugares comuns. É o militar de Abril que, na metamorfose mais curiosa de todas, sugere usar na Direita os mesmos métodos do regime que ajudou a derrubar. O que se passou na Aula Magna teve um certo cenário pidesco, um odor a Putsch de Munique, um grupelho de indivíduos com pouco em comum, embriagados no desejo de derrubar um Governo democraticamente eleito, por qualquer que seja o meio necessário.

Com gente que pensa assim não se debate nos blogues, nem nas tvs. O debate é feito nos tribunais, seguido de uma diplomática retirada à qual deixamos o outro – o golpista ou o fascista, se me permitem a expropriação do termo – dedicar-se à profunda reflexão dos temas da actualidade numa cela fria, sombria e soturna, às custas da boa vontade do contribuinte. Pelo menos nesse ponto nada muda.

Leal ao Fascismo

Aparte

stop smoking

O Secretário de Estado Leal da Costa, muito apreciado cá na “casa”, prepara-se para a imposição de uma das suas bandeiras: a proibição total do fumo em espaços fechados. Desde que entrou em funções que este Governo tem atentado sucessivamente contra as liberdades individuais. Mas o mais grave de tudo é a complacência da oposição, sempre muito dada ao paternalismo estatal. Mais uns anos e os jovens, ao estudarem o “apertado” controlo estatal dos modelos totalitários do passado, sorrirão por base comparativa. Uma das câmaras de videovigilância da sala registará o momento.

A Justiça de Soares

Um jornalista chama palhaço ao Presidente da República e a Procuradoria-Geral da República abre um inquéritoUm ex-PR chama ladrão – em público – ao Presidente da República e ninguém lhe toca. Realmente a criatura tem razão: não há justiça em Portugal.

Alocação de Recursos for Dummies

“Diz-se que a grandeza de uma nação não se mede apenas pelas potencialidades dos seus recursos naturais, mas também pela nobreza de carácter, pela atitude e pelas competências dos seus cidadãos que são de facto a base dinamizadora desses recursos.” – José Eduardo dos Santos

Fonte: Esquerda.net

Adeus Maxmen, foi bom…

Aparte

Campaigners meet with MPs to push for Tescos lads’ mags ban:

Feminist campaigners are meeting with MPs today, in a bid to force supermarket chains to stop stocking copies of lads’ mags featuring images of bikini-clad women.The parliamentary meeting will be led by Green MP Caroline Lucas, alongside rights groups UK Feminista and Object.Campaigners are using legal and political pressure to push supermarkets into banning the magazines, which they say breach equality legislation.It comes as a survey by ITV’s Daybreak revealed 45% of people believe the magazines encourage sexism.

I think that women in the 21st century can aspire to more than being sex objects for the titivation of men”.

Hollande, o Conquistador

A França prepara-se para atacar a Síria, país soberano, sem nenhum “casus belli” aparente. O imperialismo está entranhado nos genes da cultura política francesa, dos gaulistas aos socialistas, lentos a aceitar a gradual degradação da sua posição no mundo. Esta aliança invisível e improvável, , que inclui Erdogan e a Irmandade, formada no início da Primavera Árabe, tem em muito contribuído para o terror que se vai avizinhando no médio oriente, com a progressiva substituição de regimes seculares por “democracias” dominadas pelos partidos islámicos.  Curiosamente e ao contrário do que se foi escrevendo pela academia nas últimas décadas, Samuel Huntington tinha razão no seu “Choque das Nações”. Será a Turquia – e não o Irão – a liderar – num futuro próximo – o bloco dos países islámicos. Como sempre, o Ocidente pagará atempadamente o preço das suas acções.