Incentivos para uma privatização célere

O Metropolitano de Lisboa e a rodoviária Carris vão fazer greves de 24 horas contra a subconcessão das empresas a 12 e a 14 de maio, respectivamente, revelaram fontes sindicais.

No deal

EU Observer

Greek finance minister Varoufakis was reportedly heavily criticised at Friday’s euro-group meeting for not bringing to the negotiation table measures to fix his country’s economy and release financial aid. Euro-group president Dijsselbloem confirmed the tough tone in a press conference saying there were no new meetings foreseen before 11 May

ADENDA: No Bloomberg:

Euro-area finance chiefs said Varoufakis’s handling of the talks was irresponsible and accused him of being a time-waster, a gambler and an amateur, a person familiar with the conversations said, asking not to be named because the discussions were private.

Confirma-se que o governo grego habita uma realidade alternativa.Compare-se isto: “Varoufakis said the two sides have come “much closer together” and Greece is aiming for a deal as soon as possible”. Com isto: “I would describe today’s meeting as a complete breakdown in communication with Greece,” Maltese Finance Minister Edward Scicluna said.

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Acerca do programa do PS (4)

Concluído a análise do Pedro Romano

Finalmente, a questão dos cálculos. O cenário macroeconómico anuncia que as medidas permitem acelerar o crescimento do PIB – em 2017, a diferença face ao baseline chega a 1,4%. Isto é muito, e não é fácil perceber como é que se chega a estes números. Mais estranho ainda, o documento sugere que é possível compatibilizar isto com a melhoria da situação orçamental –  uma tese que o Tiago Tavares, do Mercado de Limões, chamou dedespesismo economizante e que, sabemos com alguma certeza (tanta quanto é possível ter em economia), está pura e simplesmente errada (I, II, III).  Felizmente, o PS já anunciou que vai disponibilizar os dados do seu modelo, e nessa altura será possível perceber se são os cálculos que são criativos ou se os autores descobriram o elixir do rejuvenescimento orçamental. À partida, terá de ser uma das duas.

Em entrevista ontem à Renascença, dizia Paulo Trigo Pereira:

A proposta que está no documento é substituir o consumo presente em relação ao consumo futuro. As pessoas consomem mais no presente e consumirão menos no futuro

Isto é, essencialmente trata-se de repetir a “receita” da década passada e que levou ao descalabro das finanças públicas. Os “sábios” do PS escudam-se no em previsões de crescimento que antes diziam ser “excessivamente optimistas” ou mesmo “irrealistas”. Naturalmente, esta estratégia levanta duvidas mesmo a pessoas próximas do PS.

Note-se também que PTP está a reconhecer a necessidade de austeridade no futuro para compensar excessos no consumo presente. No fundo, está a desautorizar as criticas socialistas ao governo e à “troika”.

O regresso da infame “lei da cópia privada”

Um apelo da Maria João Nogueira

Ao que tudo indica, a coisa esteve em cima da mesa do primeiro ministro, para ele decidir se no regresso à Assembleia da República a lei voltava a ser votada, ou se era engavetada. Contra expectativas mais optimistas, vai a votos, no dia 8 de Maio, no meio duma catrefada de outros debates e votações (petição contra a lei da cópia privada incluída).

Se houve momentos ideais para contactar com os deputados do PSD e do PS (que os houve, no passado), esta não deixa de ser uma boa altura para repetir a dose.

Mais aqui.

E o que dizem os “varoufakenses” do PS?

António Costa (25/01/2015) “Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha

Augusto Santos Silva (22/04/2015): «É possível haver alternativa clara sem entrar nas Varoufakisses»

Acerca do programa do PS (3)

Continuando a análise do Pedro Romano

Vamos à parte social. O documento propõe aumentar o abono de família, o RSI e Complemento Solidário para Idosos. Mas qual é o impacto somado de tudo isto? Pelas minhas contas, 138 milhões de euros – menos de 0,08% do PIB. Para combater “a maior crise social de sempre”, não deixa de ser um valor modesto.

Como nota o Pedro Romano, a proposta do parece ser meramente propagandistica, provavelmente, para tentar apaziguar os sectores esquerdistas e sindicatos.

E notem que tudo isto vem associado “ao reforço da coerência do modelo de aplicação da condição de recursos a todas as áreas de transferência social não contributiva”. Para quem não sabe o que isto significa, aconselho o Google.

Para quem não entendeu, o PS estará a seguir as recomendações do FMI que recomenda uma diminuição do universo de beneficiários das prestações sociais. No fundo a continuação do fim da universalidade da Segurança Social. Em termos de benefícios, pois claro.

Acerca do programa do PS (2)

Como nota o Pedro Romano (e não só) o PS parece ter abandonado muitas das criticas e propostas mais “syrizicas” (que foram inclusivamente defendidas por alguns dos “sábios”)

[N]ão deixa de ser revelador que o documento, nas propostas que faz, deixe de lado boa parte das teses mais heterodoxas que enformaram parte do discurso do partido nos últimos tempos. Por exemplo, desapareceram as referências à inevitabilidade da reestruturação da dívida (lembram-se?) e aos “saldos primários nunca vistos em democracia” (lembram-se?); o Tratado Orçamental já não é incompatível com crescimento económico (lembram-se?), assume-se que a subida do IVA da restauração tem custos (lembram-se?) e – não há outra forma de o dizer – admite-se que reformas estruturais nos mercados de bens e produtos podem mesmo ter efeitos positivos no crescimento..

Relativamente à trajectória da dívida e do défice público, o Jorge Costa compara aqui os números do PS com o do Programa de Estabilidade (que ainda ontem o deputado João Galamba, estranha, dizia serem “irrealistas”)

compPSPE

ADENDA: Exacto. No fundo atira todas as responsabilidades do “ajustamento” para os actuais contribuintes.

Acerca do programa do PS (1)

O Pedro Romano publicou uma análise ao programa do PS dos quais se irei fazer alguns destaques. A primeira sobre a enésima reforma “definitiva” do sistema de pensões.

Na parte das pensões, que tantas vezes foram consideradas intocáveis, há o compromisso explícito de rever a sua fórmula de cálculo no futuro, e propostas para concluir a convergência entre o sistema de pensões público e privado e introduzir um complemento através de contas individuais (página 40). Isto não é significativamente diferente daquilo que o Governo já fez (ou tentou fazer), e acho muito estranho que ninguém tenha dado por ela. Aparentemente, repetir vezes sem conta que se valorizam as pensões basta para esconder um corte implícito nas mesmas.

A propósito disto: Coordenador do programa económico do PS admite aumento da idade da reforma

Efeito catalisador

A antiga ministra da Cultura diz sobre Manuel Maria Carrilho: “Que morra para a vida pública quem agrida e maltrate a mulher”. Deputada quer Carrilho fora do PS.

Acho curioso que a sentença apenas tenha sido proferida alguns meses após  terem sido noticiadas as agressões. Quando este resolver propor a expulsão de José Sócrates do PS.

Uma má notícia

Soube hoje da demissão do Fernando Alexandre, até agora Secretário de Estado-adjunto do Ministério da Administração Interna. Há poucos dias tinha sido anunciado a renegociação do SIRESP (outro dons “bons” negócios do governo socialista).

O ovo ou a galinha?

Notícias ao Minuto

“As pessoas continuam a olhar para o movimento sindical com pouca credibilidade. Disso é exemplo o número de trabalhadores sindicalizados em Portugal, que não chegam, na totalidade, aos 20%. Às vezes é desmoralizador que nós nos esforcemos tanto pela luta dos direitos dos trabalhadores e às vezes são os próprios trabalhadores que põem em causa a existência de sindicatos”, afirma.

Arrisco afirmar que provavelmente a descredibilização dos sindicatos também residirá na pouca identificação que os trabalhadores têm com as suas “lutas” e no peso desmesurado que lhes é dado nos media e por via legal tendo em conta a sua pouca representatividade.

Sobre os mitos do “estado empreendedor”

“Deturpação” de Rita Carreira (A Destreza das Dúvidas)

Sinceramente, não percebo como funciona o cérebro de certos portugueses. Li esta notícia no Público acerca do estado empreendedor, onde se diz que o estado empreendedor americano é que cria iPhones e leva as pessoas à lua. Isto é uma completa deturpação do estado empreendedor americano. Em primeiro lugar, Portugal não tem o tamanho dos EUA, logo as economias de escala não estão presentes. Os EUA são dos países avançados que cobram menos impostos como percentagem do PIB. Ter uma população de mais de 300 milhões de almas, que ganham relativamente bem, cria economias de escala no pagamento e criação de receita de impostos com as quais Portugal nem sonha. Já as podíamos ter tido, com as colónias, mas neste momento, as únicas colónias que identifico são as de aranhas que enchem o cérebro de muita gente que decide distorcer a realidade.

Continue a ler aqui.

#pensaremgrande

Observador

Mário Soares garante que “quando” o Partido Socialista (PS) vencer as próximas eleições legislativas, fazendo de António Costa primeiro-ministro, “não haverá necessidade de mais greves de comboios ou de quaisquer outros transportes, incluindo a TAP, com o PS, não será privatizada”.

A história das FP-25 de Abril contada pelos familiares das vítimas

Otelo

No i online

30 de Abril de 1984, meia noite e meia. São Manços, Évora. No único quarto da casa dormem os quatros membros da família Polido Dionísio. Delfina, 24 anos, dá um salto com o estrondo que acorda a pequena aldeia, a partir da sua porta. Vê a luz da rua entrar pela parede do quarto. Ainda nem sabe o que foi quando o instinto de mãe já lhe enfiou as mãos por baixo de Nuno, o filho de quatro meses que dormia no berço ao seu lado. “Violentamente atingindo”, “morte imediata”, “engenho explosivo”, “FP-25″, ditaram os autos. “Porquê?”. Não, a pergunta de Delfina não ficou em 84. Mantém-se em 2015.

Com a bomba que matou o bebé foi deixada uma pilha de comunicados que se espalharam. Reivindicavam uma “acção de retaliação” dos “trabalhadores organizados nas FP-25″ contra “os bens da família do latifundiário Dionísio Luís Ciroula”, o “fascista que deve à Cooperativa de São Manços milhares de contos e lhes roubou terras com a cobertura do Centro Regional da Reforma Agrária”. Por ali, nem se sabia o que eram as FP-25. “Era politiquice e eu não ligava a politiquice. A partir daí, então…”

QED

Medina Carreira: “Despesa social é uma forma de compra de voto”

Programa Eleitoral: A primeira medida do PS é um subsídio para trabalhadores pobres

ADENDA: Recordado o artigo de Paulo Ferreira: “Não acredite se alguém lhe vier falar em folga orçamental”

Let Greece Stumble Out of the Euro

Mark Gilbert (Bloomberg)

While polls consistently show a large majority of Greeks wanting to stay in the euro, it’s far from clear they’d vote in either a referendum or a snap election to accept the economic strictures — selling assets, liberalizing labor-market rules, and cutting back on perks for government workers — that continued membership demands.

A smart reveller knows when it’s time to exit the party; a smart barman knows when it’s time to stop serving the drunk in the corner and summon the bouncer. For Greece, the euro party might be over, whether it stumbles out of its own accord or gets tossed out for misbehavior

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Se não quiserem, não empatem

Discordo de muita coisa nesta análise de Jorge Nascimento Rodrigues (e Nuno Serra). Desde logo quanto à seriedade das reformas propostas pelo governo de Atenas e da sua intenções de as cumprir. Mas concordo na conclusão. É tempo das duas partes reconhecerem que têm diferenças insanáveis e deixar a Grécia seguir o seu caminho fora da zona euro.

Muito estranho

“Crápulas” de António Marinho e Pinto (Correio da Manhã)

Parece que José Sócrates terá dito, durante uma conversa telefónica, que era necessário apoiar financeiramente a candidatura do MPT nas últimas eleições ao Parlamento Europeu (que eu liderava) com o objetivo de tirar votos ao PS e, assim, tramar António José Seguro. Parece também que essa conversa foi escutada e gravada no âmbito do processo que levou à sua prisão preventiva e, mesmo sem qualquer interesse processual, terá sido validada, acabando facultada a sicários especializados em denegrir a imagem de pessoas sérias. Já três pessoas me avisaram de que estaria a ser preparada uma mixórdia mediática a fim de ser usada contra mim e contra o Partido Democrático Republicano (PDR) nas próximas eleições.

Não tendo forma de comprovar, pelo menos por agora, a veracidade das acusações pelo menos a história parece verossímil. Tendo já passado quase uma semana desde a sua publicação (a 13/04) e no jornal de maior tiragem em Portugal, acho estranho que os media sempre tão afoitos em explorar teorias conspiratórias tenham decidido não lhe dar qualquer destaque.