Um genocídio sem direito a manifs

“The West must face the evil that has revealed itself in the Iraq genocide” de
Michael Nazir-Ali (Daily Telegraph)

For years now the Christian, Mandaean, Yazidi and other ancient communities of Iraq, have been harried, bombed, exiled and massacred without anyone batting so much as an eyelid. Churches have been bombed, clergy kidnapped and murdered, shops and homes attacked and destroyed. This persecution has now been elevated to genocide by the advent of Isis. People are being beheaded, crucified, shot in cold blood and exiled to a waterless desert simply because of their religious beliefs.

What began in Iraq, continued in Syria. Here the West’s ill-advised backing of an Islamist uprising (largely funded by Saudi Arabia and Qatar) against the Assad regime has turned into a nightmare which has given birth to ultra-extremist organisations like Isis. Once again, religious and ethnic minorities, whether Christian, Alawite or Druze, have been the victims, alongside ordinary people of all kinds. Isis, now armed to the teeth with weaponry originally intended by the suppliers for “moderate” Islamist groups, has arrived in Iraq with a vengeance beyond anything that unfortunate country has so far experienced.

A “Agenda” de António Costa

“Querer ser enganado (1)” e “Querer ser enganado (2)” de Pedro Bráz Teixeira (i)

António Costa, no seu manifesto eleitoral, “uma agenda para uma década”, começa por afirmar: “A criação do euro, o alargamento da União Europeia a leste, a entrada da China nos mecanismos internacionais do comércio livre, constituíram, no início deste século, um triplo choque, brutal para as debilidades estruturais da economia portuguesa.”

Trata-se de uma tentativa de desresponsabilizar os governos portugueses pelos graves erros cometidos. Antes do mais, convém esclarecer que um choque externo nunca é apenas um choque externo. Há sempre um conjunto de políticas públicas que o precedem, que podem tornar o país mais robusto ou mais frágil no momento do choque, e há as políticas de resposta ao choque, que o podem minimizar ou maximizar.(…)

De resto, a “agenda para a década” é um rosário de vaguíssimas banalidades, formuladas em tom heróico, é certo, mas destituídas de substância, às quais nem sequer falta o tema do mar, imitando Cavaco Silva, sem lhe acrescentar nada. Tenho, aliás, imensa curiosidade de conhecer apenas um exemplo de uma nova actividade associada à exploração da nossa alargada zona marítima que tenha gerado um volume significativo de emprego. Peço desculpa pela ousadia, mas é que até agora ainda não vimos nada.

Copycat

O Banco de Portugal descobriu que o modelo de negócio do GES imitava o da segurança social:

O Banco de Portugal detectou um esquema de dívida em carrossel nas empresas do GES, que data de 2008, semelhante a um esquema de Ponzi, em que as entradas de dinheiro novas serviam para pagar juros e dívidas anteriores.

Contrapartidas e negociatas

No Público

“As contrapartidas não são embuste nenhum”, esclareceu Ventura Leite, negando assim o adjectivo ontem utilizado pelo ex-ministro Luís Amado nesta mesma comissão de inquérito. Curiosidade: o primeiro era deputado do PS quando o segundo era ministro, no primeiro Governo de José Sócrates. Ao longo desses quatro anos (2005-2009), o deputado eleito por Setúbal fez o primeiro relatório sobre as contrapartidas nos avultados negócios de compra de material militar.

Nesse documento, aprovado por unanimidade na comissão de economia, e subscrito pelos deputados António Filipe (PCP) e Hugo Velosa (PSD), Ventura Leite concluiu que “o Estado tinha sido absolutamente negligente, no mínimo”. Terá sido, até, na opinião deste economista, “extremamente incompetente, com prejuízo para o país”.

Sobretudo, esta foi a tese principal do ex-deputado, porque havia no Estado um enorme “amadorismo”. Resultado: “Portugal não beneficiou das contrapartidas” como outros países.

Uma das razões, que já vinha sendo levantada nas audições anteriores, prende-se com a proliferação de “intermediários”. Ventura Leite confirmou: “O Estado entregava o processo a terceiros, a um intermediário. O processo presta-se a todo o tipo de negociatas.”

Corrupções à parte, convém ter presente que mesmo bem negociadas as “contrapartida” tendem a inflacionar o custo dos equipamentos. São no fundo um subsídio encapotado a industrias específicas. Pagos pelos contribuintes.

…até à queda final

“É sempre a subir” de Ricardo Reis (Dinheiro Vivo)

A maioria das pessoas já percebeu que quando os tribunais tornam impossível despedir um trabalhador, as empresas ficam mais relutantes em contratar seja quem for. Por isso, acabamos com mais desemprego e um mercado de trabalho com menos oportunidades. Não é preciso apresentar os argumentos teóricos ou estudos empíricos sobre o caso. Basta observar o mercado de trabalho em Portugal nos últimos 20 anos. Mas este fenómeno em que proteção de um lado leva a relutância no outro lado aplica-se noutros casos.(…).

No entanto, as hesitações que descrevi até agora não parecem ter muita força no sector público. Contrata-se trabalhadores, aumenta-se os salários, investe-se no património cultural e abre-se novos serviços. Porque é que a hesitação é forte no sector privado mas não no público?

Parte da resposta terá que ver com o horizonte dos políticos e legisladores. Abrir e expandir leva a obra feita neste mandato. Quem vai querer fechar é o próximo governo, pelo que é ele a sofrer com a impossibilidade de fazer cortes. Além disso, porque diferentes governos e forças políticas têm diferentes prioridades, quem está no governo quer mesmo expandir serviços, investimentos, e trabalhadores nas áreas que lhe interessam. Irá assim obrigar os governos do futuro a suportar as suas opções políticas, sem ter capacidade para as reverter.

O resultado final? A despesa sempre a subir – e os impostos têm de acompanhar. Até ao dia, claro, em que a economia não tem mais por onde ser taxada. Aí talvez juízes e tribunais percebam que quando não se pode reduzir, vender ou fechar nada, são o país e o regime como um todo que não conseguem ficar abertos.

Auditoria confirma irregularidades em Braga

Uma auditoria externa à Câmara de Braga confirma as suspeitas existentes

A auditoria à Câmara Municipal de Braga confirma “graves irregularidades financeiras” na anterior gestão socialista liderada por Mesquita Machado(…)

Um dos principais buracos financeiros confirmou-se na Fundação Bracara Augusta, cuja tutela era do então “super-vereador” socialista Hugo Pires – o actual líder da bancada socialista da oposição na Câmara Municipal de Braga. Num orçamento de um milhão de euros, existe um “buraco” de 350 mil euros, segundo confirmou hoje o SOL.

Há ainda a “derrapagem” de cerca de um milhão de euros devido à construção do prolongamento do túnel na avenida da Liberdade, motivando um acordo extra-judicial de 900 mil euros entre a autarquia e a Britalar, empresa de António Salvador, o presidente do Sporting de Braga, que se encontra em processo de insolvência. Em 2009, o prolongamento do túnel foi a principal ‘bandeira eleitoral’ da última recandidatura de Mesquita Machado.

Entretanto, o SOL apurou junto de várias fontes que o valor real da dívida da Câmara de Braga já ultrapassa pelo menos 100 milhões de euros, ao contrário do que sempre foi afirmado pelo anterior executivo socialista bracarense.(…)

Entretanto, continua a decorrer na Polícia Judiciária de Braga uma investigação criminal a mais um caso de alegadas ‘luvas’ nos Transportes Urbanos de Braga, em que um dos principais suspeitos é o anterior vice-presidente da Câmara da cidade, Vítor de Sousa, candidato derrotado nas últimas eleições autárquicas.

O inteligente e os outros

JPP

Até podiamos desculpá-lo como a mais recente vítima da silly season não estive ele a debitar o mesmo discurso há largos meses. Três exemplos recentes.

1. Aqui descobrimos que a queda do BE se deveu ao sucesso da propaganda governamental. Algumas mentes menos esclarecidas terão acreditado nela (ou então não lêem as crónicas de JPP) e não se juntaram às manifs. Ninguém sabe pensar pela sua cabeça exceptuando ele e os que como ele pensam.

2. Aqui. A propósito dos exames dos docentes contratados, Pacheco Pereira denuncia as artimanhas e indecências de Nuno Crato. Quanto às artimanhas e indecências da FENPROF que usa todos os meios legais e mesmo ilegais para impedir o exame, nada. Será apenas a normalidade sindical. E infelizmente no caso de muitas corporações até é. (via MAL)

3. Aqui. O governo que acabar com a “tropa”, com o “estado social”, com a função pública, etc. Pacheco Pereira confunde deliberadamente a adequação (muitas vezes insuficiente e muitissimas vezes preferindo aumentar os impostos a cortar na despesa) do estado aos recursos existentes com um plano malévolo para acabar com estado social. Mas isso não encaixa na tese por isso é ignorado. E diz ele que já nem podemos fazer estas escolhas pelo voto. Na verdade até podemos mas existe um grande problema. Com que recursos? Isso Pacheco Pereira também não revela.  Que o governo tenha sido eleito após a assinatura do MoU (pelo governo de José Sócrates, PS, PSD e CDS recordo) e que já nem dinheiro tinhamos para pagar à FP também não convem recordar.

Costa ou A visão do Vazio

“Tu quoque, Costa?” de Pedro Picoito (Nada os Dispõe à Acção)

António Costa deu hoje uma entrevista de fundo ao Público. Dita assim, a coisa não suscita especial entusiasmo à nação, sensatamente a banhos, mas acontece que metade do PS, ou mais, anda a dizer que Costa será o próximo Primeiro-Ministro. Ora a nação, sempre sensatamente, tem feito o que pode para se alhear do arremedo doméstico dos idos de Março conhecido por “primárias do PS”. Acontece que há mesmo uma certa hipótese de Costa lá chegar, o que recomendaria alguma atenção às suas entrevistas de fundo, tanto mais que a nação, antes de ir a banhos, o acusava de nada ter para dizer.

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Em resumo

Caso ainda existissem dúvidas. O caso BES/GES/PT recorda-nos que os negócios em que a racionalidade económica é substituida por outra lógica, seja ela política ou “amiguista”, tem resultados desastrosos. Sejam eles no sector público ou privado.