O inteligente e os outros

JPP

Até podiamos desculpá-lo como a mais recente vítima da silly season não estive ele a debitar o mesmo discurso há largos meses. Três exemplos recentes.

1. Aqui descobrimos que a queda do BE se deveu ao sucesso da propaganda governamental. Algumas mentes menos esclarecidas terão acreditado nela (ou então não lêem as crónicas de JPP) e não se juntaram às manifs. Ninguém sabe pensar pela sua cabeça exceptuando ele e os que como ele pensam.

2. Aqui. A propósito dos exames dos docentes contratados, Pacheco Pereira denuncia as artimanhas e indecências de Nuno Crato. Quanto às artimanhas e indecências da FENPROF que usa todos os meios legais e mesmo ilegais para impedir o exame, nada. Será apenas a normalidade sindical. E infelizmente no caso de muitas corporações até é. (via MAL)

3. Aqui. O governo que acabar com a “tropa”, com o “estado social”, com a função pública, etc. Pacheco Pereira confunde deliberadamente a adequação (muitas vezes insuficiente e muitissimas vezes preferindo aumentar os impostos a cortar na despesa) do estado aos recursos existentes com um plano malévolo para acabar com estado social. Mas isso não encaixa na tese por isso é ignorado. E diz ele que já nem podemos fazer estas escolhas pelo voto. Na verdade até podemos mas existe um grande problema. Com que recursos? Isso Pacheco Pereira também não revela.  Que o governo tenha sido eleito após a assinatura do MoU (pelo governo de José Sócrates, PS, PSD e CDS recordo) e que já nem dinheiro tinhamos para pagar à FP também não convem recordar.

Costa ou A visão do Vazio

“Tu quoque, Costa?” de Pedro Picoito (Nada os Dispõe à Acção)

António Costa deu hoje uma entrevista de fundo ao Público. Dita assim, a coisa não suscita especial entusiasmo à nação, sensatamente a banhos, mas acontece que metade do PS, ou mais, anda a dizer que Costa será o próximo Primeiro-Ministro. Ora a nação, sempre sensatamente, tem feito o que pode para se alhear do arremedo doméstico dos idos de Março conhecido por “primárias do PS”. Acontece que há mesmo uma certa hipótese de Costa lá chegar, o que recomendaria alguma atenção às suas entrevistas de fundo, tanto mais que a nação, antes de ir a banhos, o acusava de nada ter para dizer.

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Em resumo

Caso ainda existissem dúvidas. O caso BES/GES/PT recorda-nos que os negócios em que a racionalidade económica é substituida por outra lógica, seja ela política ou “amiguista”, tem resultados desastrosos. Sejam eles no sector público ou privado.

Mais um grande momento no Parlamento Europeu

Segundo o recém eleito presidente do PE, Martin Schulz, o candidato nomeado pelo governo britânico para a Comissão Europeia poderá ser rejeitado pelo PE por não ser suficientemene euro-entusiasta. Ainda bem que não foi a sra Merkel a dizer isto. Caso contrário seria uma grave ingerência nas competências que ainda sobra aos govenos dos países-membros.

Por cá as alternativas que vão aparecendo são assutadoras. Mas a sua extrema eurofilia garante que dificilmente serão recusados pelos eurodeputados.

Humor inconsciente

Pedro Bráz Teixeira sobre a proposta de reestruturação de Francisco Louçã et al.

Imagine-se também que o governo português apresentava esta proposta aos credores fixando um prazo, ainda assim curto, de 30 dias para chegar a acordo. Durante esse período, teríamos subidas vertiginosas das taxas de juro da dívida portuguesa, o colapso da bolsa, a começar pelas acções dos bancos, fuga generalizada de depósitos para o exterior ou para debaixo do colchão, levantamento em massa de certificados de aforro. A partir de dada altura, os bancos e o próprio Estado deixariam de poder fazer pagamentos. No meio deste caos, os autores do documento ainda conseguem a maior piada do texto (p. 69): “O país pode reestruturar a banca nacional sem necessitar da ajuda do BCE.”

Um começo auspicioso

Juncker calls for minimum wage in all EU countries

Jean-Claude Juncker to take the EU on the ‘attack’

Juncker elected: promises more social EU, more political commission

Juncker called for a binding energy efficiency target and more renewable energy across the 28-state bloc.

Europe should invest €300bn (£238bn) over the next three years to revive the economy and stimulate growth and jobs creation, says designated European Commission President Jean-Claude Juncker

O peculiar percurso de Ana Drago

Miguel Madeira sobre a cisão do “Fórum Manifesto”

Bem, e após esta longa introdução, o que tenho eu a dizer da nova cisão? Pelo menos uma coisa – que no caso da Ana Drago, se ela realmente sair do Bloco, não percebo muito bem como, em seis meses, alguém passa de membro da direção de um partido a ex-aderente do partido (sem sequer passar pela posição intermédia, de se candidatar contra a atual direção); isto é, se alguém se manteve anos na direcção e a apoiar a lista maioritária, parte-se do principio que não tinha diferenças significativas com a direção e as que tinha achava possivel tentar mudar as coisas a partir de dentro, em vez de apoiar uma candidatura alternativa; de repente (ou em seis meses) chega à conclusão que, não só as suas divergências com a direção são muito grandes, como até as divergências com o conjunto do aderentes do partido serão tão grandes que nem sequer vale a pena apresentar uma moção e listas oposicionistas (ainda mais que vai haver uma convenção daqui a quatro meses)? Sinceramente, parece-me a atitude de alguém que está à espera que as coisas lhe caiam no colo já feitas (“Se os órgãos dirigentes não concordam com as minhas ideias, não tento mudar as coisas, vou-me embora”), ou de quem vê a política mais como acordos e negociações de bastidores de que como uma luta aberta pelas suas ideias (o que, confesso, não era nada a ideia que eu tinha da Ana Drago), e portanto acha que, se não consegue convencer a “elite” do partido, então não há nada a fazer… (para falar a verdade, até ontem eu estava convencido que muito provavelmente a Ana Drago iria derrotar a atual direção na próxima convenção do BE).

Et tu UDP?

No Público

Luís Fazenda, líder de outra das três correntes iniciais do BE, a UDP, criou uma nova corrente, a Esquerda Alternativa, a que aderiram também o líder parlamentar, duas deputadas e uma dirigente nacional.(…) Fonte próxima da direcção do BE explica ao PÚBLICO que “há agora duas UDP’s, estão divididas”. E que “Luís Fazenda, que sempre teve uma posição interna forte, percebendo a polémica, tentou esvaziá-la e criar outra”. Mas que polémica? “Luís Fazenda quis libertar-se dos seus velhos camaradas que acusa de serem adeptos de uma aliança com o PS”, diz um dirigente que pede para não ser identificado

Como é?

Como refere o FNV, uma pessoa ter de ir ao Portal de Angola para descobrir fora das redes sociais as criticas da direcção do PS à proposta de reestruturação e a Pedro Nuno Santos. (provavelmente a ofensiva anti-democrática na controlinveste está a afectar a imprensa nacional).

Pelo menos já sabesmos a posição de AJS e da actual direcção. De António Costa e dos seus apoiantes a resposta é um esclarecedor “nim”.

““O responsável número um da nossa desgraça é um banqueiro central”

No i online

O economista e ex-ministro da Economia Daniel Bessa afirmou no Porto que “o responsável número um da nossa desgraça é um banqueiro central”, cujo nome, porém, omitiu.

“O engenheiro Sócrates é muito responsabilizado, e não há ninguém que o responsabilize mais do que eu, mas eu vejo-o como aquele egípcio que tomou os comandos do Boeing que se precipitou sobre as Torres Gémeas”, continuou Daniel Bessa.(…)

Daniel Bessa disse que “já o Boeing ia a caminho das Torres Gémeas e ele (José Sócrates), no cumprimento de um guião qualquer, sentou-se ao comando, acelerou quanto pôde e, connosco lá dentro, enfiou-se contra as Tores Gémeas”.

“É um destino, não tem nada de mal, cada um cumpre a sua função na vida e portanto ficará para a história por isso. Mas essa não é a responsabilidade maior. A responsabilidade maior é do mentor, não é do executante, e o mentor esteva no Banco de Portugal”, prosseguiu Daniel Bessa, fazendo rir a assistência.

Segundo concluiu o economista, o mentor “disse que a partir da entrada no Euro, uma pequena economia aberta e financeiramente integrada, no regime de moeda única, não tem restrições financeiras. Endividar até sempre”.

01/06/09:Endividamento externo não é prioridade, defende Vítor Constâncio
02/07/03: “O governador do Banco de Portugal relativizou inclusivamente a importância (…) do endividamento dos agentes económicos e o necessário ajustamento das suas poupanças, do endividamento da banca ao exterior ou das questões estruturais da competitividade.”

ADENDA: Os sócraticos desmentem a tese de Daniel Bessa. Garantem que a culpa é mesmo do seu chefe.