O ilusionista

Rui Tavares no Público

Foi pela dívida que esta crise nasceu – lembram-se dos produtos tóxicos, derivados de vários tipos de empréstimos, incluindo a clientes de alto risco nos Estados Unidos da América? E só cortando o nó górdio da dívida poderemos superar a crise de uma vez por todas.

Enquanto isso não for feito, a dívida vai fazendo vítimas de cima a baixo, pequenas e grandes: o desempregado que não consegue pagar a casa, o sistema bancário cheio de crédito malparado, os Estados cortando nas despesas sociais para pagar uma dívida pública que não cessa de aumentar, os cidadãos mais endividados porque não há emprego nem apoios, as empresas abrindo falência porque não há consumo nem acesso ao crédito – o ciclo não se interrompe, antes se repete e agrava

Seria de esperar que quem lança este anatema sobre os encargos da dívida pública e privada tivesse passado as últimas décadas a perorar por uma redução do consumo público e privado que permitisse equilibrar os orçamentos e uma redução no crédito concedido pelas entidades bancárias. Alguém o ouviu falar disso? E agora? Será que defende uma vida mais frugal, dentro das possibildiades de cada um?

Ao contrário do que faz crer a crise do subrprime não é a responsável directa de muitas misérias privadas. Estas constuiram-se por responsabildade de pessoas e instituiçõe e estados que se endividaram para manter níveis de consumo incomportáveis. Um dia acabou-se o crédito…

Ao contrário do que afirma, as dívidas pública e privadas têm sido renegociadas. Mas se não se alterarem os padrões de consumo, mesmo com perdões de dívida, daqui a uns anos estaremos novamente no mesmo lugar. Mais consumo e mais crédito pede ele. Basta carregar no botão e a crise resolve-se.

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Mais um nim

No Diário Económico

Cauteloso e sem soluções definitivas, o PS quer o Parlamento a promover um processo de “audição pública para avaliação do impacto da dívida pública e das soluções para o problema do endividamento”.

Nem sim, nem não. Nem sequer talvez. Ainda não é desta que ficamos a saber as ideias do “novo” PS sobre o tema da dívida pública. Prefere uma “audição” para quê exactamente não se sabe. Tudo menos comprometer-se com o que quer seja. Não vá escapalhar-lhe algum voto.

No projecto de resolução que leva quarta-feira a debate e votação, o partido de Costa não alinha nas recomendações do Manifesto dos 74, do qual fazem parte Ferro Rodrigues, Pedro Nuno Santos ou João Galamba, e que passava por uma reestruturação da dívida em prazos, juros e maturidades.

Será interessante ver se Ferro Rodrigues segue a “disciplina de voto”.

LEITURAS COMPLEMENTARES: Sobre o manifesto dos 70 (…ou 74); Sobre o manifesto dos 70 (…ou 74) (2); Sobre o manifesto dos 70 (…ou 74) (3)

Mais uma mentira austeritária

“O Reino Unido e a austeridade” The Comedians

O Governo britânico já assegurou que a austeridade deve continuar para equilibrar as contas públicas e que não pode aumentar os salários no sector público. Continua a austeridade para o sector público no Reino Unido? Deve ser mentira, uma vez que são os campeões do crescimento dos países do G7 este ano.

Sobre as eleições brasileiras

“Why Brazil needs change” na Economist

The troubled world economy and the end of the great commodity boom (see article) have hurt Brazil. But it has fared worse than its Latin American neighbours. Ms Rousseff’s constant meddling in macroeconomic policies and attempts to micromanage the private sector have seen investment fall. She has made few efforts to tackle Brazil’s structural problems: its poor infrastructure, high costs, punitive tax system, mountains of red tape and a rigid labour code copied from Mussolini.

Instead, she has revived Brazil’s corporate state, dishing out favours to insiders, such as tax breaks and subsidised loans from bloated state banks. She has damaged both Petrobras, the state oil company, and the ethanol industry by holding down the price of petrol to mitigate the inflationary impact of her loose fiscal policy. A bribery scandal in Petrobras underlines that it is the PT, and not its opponents as Ms Rousseff claims, who cannot be trusted with what was once a national jewel.

This corporate state of voracious insiders is symbolised by Ms Rousseff’s absurdly large coalition, and her 39-member cabinet. It costs Brazilians some 36% of GDP in taxes—far higher than in other countries at a similar stage of development. No wonder the government has been unable to find the extra money for health care and transport that the protesters demanded. And what is worse, Ms Rousseff, who lacks Lula’s political touch, shows no sign of having learned from her errors.

Cada tiro, cada melro

A Bola

O PS vai votar contra o Orçamento do Estado para o próximo ano, apresentado esta quarta-feira pela ministra das Finanças.

«É um orçamento que mantém um agravamento da carga fiscal, volta a penalizar a classe média e tem um grave problema de credibilidade interna», resumiu Vieira da Silva, vice-presidente da bancada parlamentar do PS

Agora tentem lá conjugar as criticas ao agravamento da carga fiscal, com as do “optimismo” do cenário macroeconómico e com as do aumento da meta do défice orçamental. Será que o PS defende uma redução na despesa pública?

Consequentemente

Segundo Vieira da Silva A proposta [de OE] apresenta enormes fragilidades porque se baseia num cenário macroeconómico excessivamente optimista, infelizmente para os portugueses

A ser verdade, a receita encontrar-se-à sobrestimada. Dado o tom dos protestos quando foi anunciado o aumento da meta do défice de 2.5% para 2.7%, presumo que o PS irá propor medidas adicionais. Nomeadamente aumento de impostos ou redução da despesa pública.

A quadratura do círculo continua inexequível

“O País está bloqueado” de António Costa (Diário Económico)

A proposta de Orçamento para 2015 é uma confissão de incapacidade do Governo, mas não é apenas do Governo, de Passos Coelho ou de Paulo Portas, é do País. Porque não será possível crescer de forma sustentável com este nível de despesa, com esta carga fiscal que tem de manter-se para financiar o Estado. É a pior das notícias que nos deu Maria Luís Albuquerque. Quem quiser continuar a olhar para a discussão partidária, tem aqui muito espaço para críticas, mas o problema é bem mais profundo. O ano de 2015 vai ser penoso, vai arrastar-se, vai custar-nos muito, tempo e dinheiro, e o problema vai manter-se para ser resolvido pelo próximo Governo. Ou por uma próxima ‘troika’

Um abrantes será sempre um abrantes

Escrevem assim os porta-vozes do socratismo momentaneamente convertidos ao costismo:

Mas, hoje, Passos Coelho veio gabar-se do défice que o Governo estima para 2015, afirmando que é a «primeira vez» que ficará abaixo dos 3%. Para além de pretender disfarçar que a previsão dos estarolas falha a meta negociada com Bruxelas, o que importa observar é que o alegado primeiro-ministro não hesita em mentir com quantos dentes tem.

Com efeito, convém avivar a memória de Passos Coelho. Em 2008, o défice foi de 2,6% — logo, inferior a 3%, quando o défice orçamental herdado pelo Governo do PS em 2005 havia sido de 6,83%. O défice atingido em 2008 foi, na realidade, o valor mais baixo conseguido desde Abril de 1974.

Mesmo tendo em conta que a meta de 2015 é meramente uma previsão (*), não só Passos Coelho não está a mentir como, os abrantes são aldrabões e ainda por cima preguiçosos mesmo quando se trata de elogiar o chefe. Continuar a ler

Um começo auspicioso

Ferro Rodrigues

O presidente do Grupo Parlamentar do PS, Eduardo Ferro Rodrigues, adiantou, nesta tarde de terça-feira, que a revisão em alta da meta do défice para 2015 aconteceu porque “não havia alternativa” e que significará “mais um esforço que vai cair sobre os portugueses entre 2014 e 2015

Gostava de perceber a lógica de Ferro Rodrigues. Das duas uma. Se defendem um défice mais baixo devem propor o aumento de impostos ou a redução da despesa. Se como socialistas praticantes são incapazes de se comprometer com este tipo de medidas têm de aceitar o aumento do défice. Se conseguirem arranjar quem o financie, é claro. (esqueçamos por agora o tratado orçamental a que estamos vinculados). Das duas uma. Ou Ferro Rodrigues tece um ataque de acefalia ou o PS arranjou um “competente” lider parlamentar.

E ainda há quem insista na “aposta nas renováveis”

EurActiv

The European Commission published a study on Monday (13 October) providing the first full dataset on energy costs and subsidies for the 28 member countries across the different power generation technologies, revealing that the largest share of public intervention in the energy sector has been in favour of solar and on-shore wind energy.

The results show that in 2012, the total value of public intervention in energy in the member countries has been between €120-140 billion

Mais renováveis=>Mais impostos.

Deixem a PT cair em paz

Um excelente artigo de Paulo Ferreira no Diário Económico.

Independentemente de estar cotada em bolsa e de ter a maioria do capital em mãos privadas, a PT nunca deixou de ter uma tutela pública, governamental, que ia muito para além do poder legítimo da “golden share”.

A PT serviu a política e serviu-se da política. Para defender interesses próprios, para pro-teger mercado, para servir accionistas e gestores. No fundo, para perverter as boas regras do jogo empresarial e económico.

É por isso que não entendo que agora se apele a uma intervenção do Governo – mais uma? – para “salvar a PT”. Não chega já? Intervir para quê? Para continuar a fintar as regras? Para continuar a proteger o “status quo”? Quantos negócios honestos ficaram pelo caminho sufocados por esta aliança de interesses?

Deixemos a PT entregue à sorte que ela mesmo criou. Vamos olhar para esta crise como mais um capítulo “schumpeteriano” de destruição criavativa. Ou essa coisa do carácter renovador das crises é só para micro e pequenas empresas, para gente que não frequenta os salões do Ritz nem os gabinetes ministeriais? Pode ser que daqui se abra uma janela que deixe entrar o ar

A PT é privada e não morreu

António Costa no Diário Económico

Ora, se há lição a tirar dos últimos anos de governação em Portugal, é a de que os governos meteram-se no que não deviam, por más razões. Os mesmos que aplaudiram Pedro Passos Coelho por deixar cair o Grupo Espírito Santos (GES) pedem agora que o primeiro-ministro defenda a PT, viciando a concorrência. A que título? Por que do lado de lá, o Estado brasileiro é accionista da Oi? Estarão à dizer-nos que o Governo deve usar o dinheiro dos contribuintes para salvar a PT, para defender um negócio de telecomunicações, é isso?

Portugal seguiu outro caminho, por necessidade e convicção, o Governo está a vender tudo o que pode, o Estado já não está na PT há muito, nem sequer decorre da ‘troika’. Ou, então, estarão a defender uma intervenção administrativa na PT Portugal, mais ou menos à moda argentina ou venezuelana? Há também quem exija que o Governo use o Novo Banco, detido pelo Fundo de Resolução, para travar a venda da PT Portugal. Porque o Novo Banco é um dos accionistas portugueses da Oi. Seria cómico, se não fosse um assunto sério.

Guia simples sobre a política externa dos EUA

Miguel Madeira no Vento Sueste

Quando os EUA intervêm noutro país, isso quer dizer que só lá estão para defender os seus interesses, e também que são parolos provincianos que se julgam o centro do mundo (e portanto se acham incumbidos de resolver os problemas do mundo à sua maneira).

Quando os EUA não intervêm noutro país, isso quer dizer que só intervêm quando é para defender os seus interesses, e também que são parolos provincianos que se julgam o centro do mundo (e que portanto não se interessam pelo problemas do resto do mundo).

O Nobel da Economia

Como eu dizia aqui a única coisa certa acerca das previsões para os Nobel é que costumam falhar espectacularmente. O vencedor do Nobel da Economia foi Jean Tirole.

Entretanto descobri que Tirole tinha sido uma das apostas do Pedro Pita Barros que parece ter batido toda a gente. Neste post faz um pequeno resumo dos trabalhos dele.

ADENDA: Leiam os comentários de Alex Tabarrok e Tyler Cowen no Marginal Revolution.

Causas comuns

“A esquerda nacionalista ao espelho” no Passa Palavra

«Numa definição rápida», escreveu Oswald Mosley, «o Capitalismo é o sistema pelo qual o capital usa a Nação para os seus próprios fins. O Fascismo é o sistema pelo qual a Nação usa o capital para os seus próprios fins. A empresa privada é autorizada e encorajada desde que coincida com o interesse nacional. A empresa privada não é autorizada quando entra em conflito com o interesse nacional». Não será que estas palavras do principal dirigente fascista britânico nos meados da década de 1930 (em Fascism. 100 Questions Asked and Answered, Londres: British Union of Fascists, 1936; disponível aqui) reflectem como um espelho o programa adoptado hoje pela maior parte da esquerda, tanto na rua como nos gabinetes?

Why Did This Marxist Philosopher Plagiarize a White Supremacist Magazine?

Na Slate

2014 has not been a banner year for superstar Marxist philosopher Slavoj Žižek. First, there was a viral video of him appearing to sneer with disdain at the very studentswhose rapt sycophantism makes his career possible. And now, he’s been accused of the worst professorial misdeed of them all: plagiarism. And not just any plagiarism—plagiarism of a 1999 article in American Renaissance, a white supremacist magazine published by an organization that the Southern Poverty Law Center has designated a “hate group.”

Oi, camarada Sócrates

No Observador

“O momento fatal para a PT foi o Governo de José Sócrates só ter acedido à venda da Vivo pela compra, a um preço exorbitante, da Oi, que era uma empresa de terceira classe. Esse movimento destruiu muito valor e, segundo se sabe, foi uma exigência direta de Sócrates”.

O Nobel da Economia

Regra geral, todos os anos as previsões acerca dos vencedores dos Nobel costumam falham espectacularmente. Ainda assim, noto que várias fontes citam Israel Kirzner como um dos mais fortes candidatos este ano. Sem prejuízo do que disse inicialmente, é pelo menos um reconhecimento do seu trabalho.

LEITURAS COMPLEMENTARES: Israel Kirzner no Insurgente.

Bons resultados eleitorais para o UKIP

EurActiv

Britain’s anti-EU UK Independence Party won its first elected seat in parliament Thursday (9 October) by a huge margin, and came a close second in another vote, proving it poses a threat to the country’s two main parties in a national election next year.(…)

In Clacton, the Eurosceptic party won 60% of the vote, up from zero in 2010 when it didn’t contest the area. In Heywood and Middleton, in northern England, a traditional stronghold for the opposition Labour party, it got almost 39% of the vote, up from less than 3% in 2010.

ADENDA: Recomendo a leitura de “Ukip wins Clacton: the purple revolution goes mainstream” no Telegraph.

…ou falta de memória?

“com as ideias baralhadas” de Rui Albuquerque (Blasfémias)

A Dra. Manuela Ferreira Leite acha que o que sucedeu na PT resultou do facto do estado já não estar na empresa, e que isso nos deveria fazer reflectir sobre eventuais futuras privatizações da TAP e dos transportes. A Dra. Ferreira Leite comete, porém, um erro de palmatória: se a PT tivesse sido, de facto, privatizada pelas boas regras do mercado, as únicas que privatizam em vez de cartelizar, hoje o seu sócio maioritário seria a SONAE. Como foi entregue pelo pessoal do governo – o tal “estado” de que a Dra. Ferreira Leite tanto sente a falta – aos amigalhaços, a coisa acabou como acabou. A Dra. Manuela Ferreira Leite precisa, urgentemente, de relembrar alguns conceitos económicos elementares.

A Economia é o que cada um quiser

Ao ler este artigo de opinião no DE fico com a impressão que nas presidênciais brasileiras existe uma escolha (Aècio Neves) que levará o país para a recessão enquanto outra (Dima Roussef) a evitará. Esta falácia recorda-me as legislativas de 2009 em que Manuela Ferreira Leite defendeu cortes na despesa enquanto José Sócrates acenava com aumentos na despesa. O resultado é conhecido e sentido por todos.

Aliás, olhando para os últimos dados sobre a economia brasileira parece que o “efeito Aécio” já se começa a fazer sentir. Mesmo ainda com Dilma Roussef e a quadrilha do PT no Palácio do Planalto.

Ter “boa imprensa” é uma benção”

Tenho a ligeira impressão que as notícias negativas sobre o republicano e democratico (ex-terráqueo) Marinho Pinto aumentaram significativamente desde que teceu estas considerações sobre António Costa. Má vontade minha, certamente.