Estou esclarecido

No Observador

O secretário-geral do PS rejeita em absoluto ter “recuperado” a fórmula política do Governo do Bloco Central (PS/PSD), frisando que procurou antes evocar o exemplo da liderança de Mário Soares como primeiro-ministro entre 1983 e 1985.

Afinal, António Costa não estava a defender uma aliança pós-eleitoral com o PSD mas apenas a elogiar o papel de Mário Soares enquanto arauto da austeridade.

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A lógica da batata

batata

A eurodeputada Ana Gomes consegue associar a fome no seu concelho (“Sintra, vê-se forçad[a] agora a abrir as cantinas das escolas não apenas aos alunos com fome, mas também aos seus pais desempregados.”) ao Luxleaks atribuindo aos baixos impostos no Luxemburgo a falta de “dinheiro” – público e privado – para investir em emprego e crescimento“.

Começo por constatar que olhando para o histórico do investimento público (especialmente com co-financiamento da UE) existem fundadas dúvidas sobre a sua eficácia. E ainda que pudesse ter um efeito positivo no curto prazo, ainda agora vivemos a ressaca de uma década de “investimento público” com consequências desastrosas. Mas o que mais espanta é a associação que a Dra Ana Gomes faz entre os impostos e o investimento. Segundo a sua inabalável fé, mais impostos trariam mais investimento, mais emprego e (logo) menos fome. Não há paciência. É ignorãncia pura.

Mais trapalhadas da “taxa Costa”

Na TSF

As taxas foram aprovadas ontem à noite na Assembleia Municipal. A Associação Representativa das Companhias Aéreas a operar em Portugal, que representa 70% do tráfego em Lisboa, ainda tinha esperança que existissem mudanças. Agora não percebe como é que o município pretende cobrar esta taxa.
A Associação que representa 18 companhias aéreas como a TAP, a Luftansa, a Air France, a Iberia, a British Airways ou a Emirates diz que estas ainda não foram contactadas pela Câmara de Lisboa.

O diretor-executivo, António Moura Portugal, deixa no entanto um aviso, «não contem com as companhias aéreas para tomar qualquer parte nisto. Desde logo, porque é impossível do ponto de vista técnico. As companhias aéreas não tem nenhum campo com nenhuma identificação dos turista nos bilhetes.(…)

As companhias aéreas recusam, ainda, incluir esta taxa lisboeta nos bilhetes. A não ser que a câmara pague pelo serviço e mesmo assim é difícil. A associação que representa 18 companhias aéreas acredita que os custos para cobrar a taxa não vão compensar a cobrança de um euro.

TAP, uma história exemplar

Excerto do artigo de Paulo Ferreira no Diário Económico

Recordo uma conversa com década e meia. Estávamos no final dos anos 90 e acompa-nhei o Sérgio Figueiredo, então director do Diário Económico, a um almoço de trabalho com o presidente da TAP, Manuel Ferreira Lima.

Com o jornal em fase de afirmação e crescimento levávamos uma proposta: oferecer o jornal do dia aos passageiros da classe executiva da TAP. Não estávamos a inventar nada porque o Financial Times já o fazia com a Air France. Quando os passageiros da classe executiva entravam no aparelho já encontravam no respectivo assento uma cópia do jornal do dia com um pequeno autoco-lante que dizia “Cortesia da Air France”. Para esta era mais um “mimo” feito aos clientes. Para o FT era uma forma de aumentar a circulação e influência junto de um segmento importante.

Ferreira Lima ouviu, gostou da ideia mas, lamentou, não podia aceitar. Explicou porquê. Colocar um jornal em cada um dos assentos da classe executiva – serão 15 ou 20 por avião? – antes da entrada dos passageiros seria uma rotina nova para o pessoal de cabine, não prevista na lista de tarefas que constava dos acordos da empresa. Para que os trabalhadores passassem a desempenhá-la a administração teria de abrir negociações laborais e atrás desse outros temas seriam colocados em cima da mesa pelos sindicatos, como contrapartida. Era abrir uma caixa de Pandora numa empresa que vivia em permanente convulsão laboral. Uma insignificância que não ocuparia mais de um minuto a um elemento da tripulação era, por isso, impraticável.

Acerca da requisição civil e do serviço público

Parece que daqui a uns minutos Pires de Lima fará uma declaração sobre a greve da TAP. Se parece certo (e bem) que esta não terá alterado os planos para a privatização a notícia deixa a dúvida sobre a possibilidade do governo recorrer à “requisição civil” para impedir a greve.

Tal como noutras ocasiões espero que não faça recurso de um instrumento que apenas deve ser invocado em situações de excpção e em que as consequências colocariam em causa algo algo bem mais sério (uma greve dos controladores aéreos, por exemplo).

Se já no plano estratégico é muitissimo difícil justificar o controlo público da TAP, o que estas sucessivas greves demonstram é que entre alguns dos seus funcionários não existe qualquer espírito de missão que justifique a atribuição do estuto “serviço público”.

Acima da Lei (2)

Hoje as carpideiras clamam contra o “enxolvalho” e pela liberdade e pela justiça depois da proibição da entrevista ao Expresso. Ironicamente, este “autoristarismo” foi aprovado em 2009 pelo PS com abstenção dos dois partidos comunistas e com voto contra dos partidos da actual maioria.

Acima da Lei

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Numa vista de olhos pelos blogs abrantinos apercebemo-nos que o que mais os indigna no “caso Sócrates” é o facto de alguém que desempenhou altas funções no estado e detinha um extenso poder poder ser tratado como um vulgar criminoso. O seu chefe também se considerava imune à sanção da Justiça. Acreditava que ninguém teria a coragem de o prender.

Para os defensores dos “projectos europeus de investimento”

EU Observer

The European Union has given Poland more than 100 million euros to build at least three “ghost” airports in places where there are not enough passengers to keep them in business.

The result is gleaming new airport terminals which, even at the peak of the holiday season, echo to the sound of empty concourses and spend millions trying to attract airlines

Más notícias para a “taxa Costa”

EU transport commissioner Violeta Bulc has written to German transport minister Alexander Dobrindt to express concern that a planned road toll may discriminate non-German drivers Bild reported.

LEITURA COMPLEMENTAR:As trapalhadas de Costa não pagam taxa

Sócrates, um projecto global

Recomendo a leitura do editorial de José António Saraiva no Sol. É bom recordar como a extensão do polvo socrático na sociedade portuguesa.

Governo, Parlamento, Justiça, comunicação social, banca: Sócrates controlava os três poderes do Estado – executivo, legislativo e judicial – e estendia os seus tentáculos ao quarto poder (os media) e ao poder financeiro (os bancos).

Talvez muita gente não se tenha apercebido na época deste cenário aterrador.

Mas olhando para trás – e sabendo-se o que hoje se sabe – temos noção do perigo que o país correu: um homem sobre o qual pesam suspeitas tão graves chegou a deter um poder imenso, que se alargava a todas as áreas de influência.

Só de pensar nisto ficamos assustados – e é muito estranho que alguns dos que privavam com ele não se tenham apercebido de nada.

(via Ablogando)

Uma chave para o inimputável

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Margarida Bentes Penedo (Gremlin Literário)

Experimente o meu bom amigo escolher um jardim público, subir a uma banquinha, e daí exercer os seus “direitos de cidadania” e de “participação política activa” expressando ameaças de morte, apelando à violência contra o Governo e o Presidente da República, e insultando os juízes e magistrados de “malandros” para baixo. Vamos ver durante quanto tempo o deixam lá ficar

Onde é que vão desencantar estas “sumidades”?

Segundo as inteligências que assinam este manifesto (mais um!) uma das razões para não privatizar a TAP é a “entrega [d]o poder de monopólio sobre os transportes aéreos” a estrangeiros.

Sobressaltado com a revelação, resolvo verificar a lista de partidas e chegadas da Portela em busca do tal “monopólio”. Infelizmente, sem sucesso.

Independência, já!

madeira independente

No Público

“O problema da Madeira é um problema de colonização”, disse Jardim. Voltando a acusar Portugal de ser um “Estado colonial”, o chefe do governo regional e, por inerência, membro do Conselho de Estado alegou que, “em violação da carta das Nações Unidas, a Madeira está sujeita a um estatuto politico-administrativo que o seu parlamento rejeita”.

Adios España

shootingyoursel

Google will close its news service for Spain on Tuesday (16 December), AP reports. Spanish news articles will no longer be linked, ahead of a new Spanish intellectual property law to go into force on 1 January. Google called it “unsustainable” to pay what has been nicknamed the Google Tax

Vejamos qual irá ser o impacto desta decisão no trágfego dos media. A voracidade fiscal faz-nos dar verdadeiros tiros no pé.

Quem tem telhados de vidro…

Não acham estranho que a blogosfera abrantina não tenha pegado nos financiamentos da família Espírito Santo à campanha presidêncial de Cavaco Silva? Mas se calhar também não lhes convém mexer muito no tema.

Depois das “políticas comuns” temos os “candidatos comuns”

In an unprecedented move, the new Commission on Wednesday (10 December) decided to formally back a political candidate running for president in Greece

Contrariamente ao que sugere a notícia, não é proprimente a primeira vez que a UE interfere em eleições nos países-membros. Recordo a 2ª volta presidências francesas entre Chirac e Le Pen (pai) ou o “cordão sanitário” imposto à Austria quando a FPO foi convidada a participar no governo. Ou mesmo a pressão e os fundos gastos na promoção da defunta “constituição europeia” nos países que organizaram referendos.

Independentemente do que penso dos candidatos em particular a UE é uma estrutura intra-governamental e supranacional. Não pode nem deve interferir nas eleições domésticas.

Uma empresa ao serviço da população, da economia e do prestígio nacional

Os pilotos da companhia aérea portuguesa decidem esta quarta-feira se avançam com uma nova paralisação. Esta greve poderá ter como datas os dias 27, 28, 29 e 30 de dezembro, conta o Público.

Verdadeiramente insubstituivel

Mais uma vítima do processo mediático (2)

David Dinis tenta sintetizar as afirmações de Ricardo Salgado, hoje na AR.

Ricardo Salgado deu-nos conta de um mundo curioso, esse dos Espírito Santo. Um mundo que funcionou lindamente durante 20 anos, como fez questão de dizer, mas que subitamente alguém fez com que deixasse de funcionar. Salgado falou durante horas deste mundo que ruiu por única e exclusiva responsabilidade do contabilista, do supervisor, dos jornais e do Governo que não quiseram fazer parte dele.

Continue a ler aqui.

Por uma reforma progressista na contabilidação do défice público

O secretário-geral do PS defendeu hoje que a comparticipação dos Estados-membros no novo plano europeu para o investimento estratégico não deve ser contabilizada para apuramento do défice.

Aproveito para, em complemento, propor que esta contribuição seja feita em notas do monopólio ou conchinhas da praia. Desta forma, para além de não sobrecarregar o défice, não irá gerar necessidades adicionais de financiamento e logo um acréscimo no stock de dívida pública.

Não sei se já repararam que metade das propostas socialistas neste domínio são no sentido de alterar as formas de cálculo do défice (os maldosos chamam-lhe contabilidade criativa). A outra metade são propostas para que terceitos financiem a título gracioso a despesa pública.

Putting an accurate price tag on government credit support

As conclusões do artigo de Deborah Lucas (MIT) no Vox.eu são propriamente novidade e rementem-nos implicitamente para as origens da crise financeira. Mas, numa altura em que se volta a insistir em fantasias como a “mutalização das dívidas soberanas”, nacionalizações, no “papel estruturante da CGD” e noutros intervencionismos a importância deste artigo aumenta exponencialmente.

Governments run the world’s largest financial institutions. The size of government activities has grown in recent decades but comprehensive estimates are unavailable. This column presents new evidence on the costs of government credit support. It argues that governments tend to understate credit costs and the consequences of that could be considerable. Cost underreporting may lead to overinvestment and capital misallocation, could encourage the over-reliance on credit, reduce transparency, and cause a build-up of financial risk

Uma nova especialização para os “tudólogos”

Como os blog dos “abrantes” parece estar algo atrasado na habitual divulgação do artigo que Viriato Soremenho-Marques publica semanalmente na Visão, venho por este meio colmatar esta lacuna.(*) (via Porta da Loja)

VSMvisao041214

(*) Lamento mas não possuo a habilidade e os meios técnicos para imitar aqueles destaques a amarelo que eles fazem – por vezes aos seus próprios artigos – e que ficam tão mimosos

José Sócrates. O preso político

Luís Rosa no i online

Sócrates julga-se ainda no auge do seu poder. A ironia está precisamente aí. O homem que tudo queria, que tentou ter um poder quase absoluto em Portugal entre 2005 e 2009, que teve uma maioria absoluta, que controlou o essencial do poder financeiro, que dominou as administrações das principais empresas onde o Estado tinha interferência, que tentou partir a espinha à justiça, que quis (e conseguiu durante seis anos) controlar a maior parte da comunicação social, queixa–se, suprema ironia, de um suposto abuso do Estado contra si. José Sócrates é uma vítima. Coitadas das verdadeiras vítimas

Outra vez os malvados dos especuladores

No Telegraph

As Russia hurtles towards a recession, Vladimir Putin, the country’s President, has slammed speculators for the decline of the ruble. The currency has slumped by close to 40pc against the dollar since the start of the year, when it traded at $0.03040.

Speaking in the Grand Kremlin Palace in Moscow, Mr Putin acknowledged that the country’s own economic ministry now believes the economy will fall into recession in 2015.

“I am sure if none of this happened, they would have invented another excuse to hold back the growing potential of Russia”, Mr Putin said