Varoufakis: Louco, Megalomano e Revolucionário

Luís Aguiar-Conraria

Aqui está a transcrição de grandes partes da conversa de Varoufakis a explicar como planeava, com mais quatro pessoas, criar um sistema bancário paralelo na Grécia depois de piratear os dados dos números de contribuinte. O tipo nem sequer parece ter noção da enorme operação de logística informática que o seu plano envolveria.

Para quem ainda não acredita nas notícias, pode ouvir o homem de viva voz aqui.

Podemos, todos, finalmente, concordar que o tipo é louco, megalómano, radical e revolucionário?

Estranhamento, há quem continue sem perceber e mesmo a negar a natureza do personagem. Houve mesmo quem não encontrasse qualquer problema nos seus planos.

LEITURA COMPLEMENTAR: O Surreal Plano B de Varoufakis

A lenta recuperação do emprego

Publico-280715-desemprego20anos

No Público dão conta de um relatório do FMI que prevê uma lenta recuperação dos níveis de desemprego até aos níveis pré-crise. Como não podia deixar de ser, à esquerda, alguns tentam usá-lo como arma eleitoral e mesmo (inexplicavelmente) fazê-lo contrastar com alguns sintomas de retoma empresarial.

No entanto, o que daqui se releva é que a recuperação vai ser lenta e é impossível reverter as perdas no espaço de uma legislatura. E é importante também para percebermos o enorme impacto da bancarrota e de algumas “paixões” e “opções estratégicas” do passado e procurarmos ser mais cuidadosos no futuro.

Sérgio Figueiredo acerca da polémica com Augusto Santos Silva

“Para acabar de vez com um monólogo patético e deprimente” de Sérgio Figueiredo (DN)

Sim, é verdade: Augusto Santos Silva não voltou à TVI24. Mas por ser malcriado, não porque a sua voz é incómoda. Qual liberdade de expressão!!! É de decência que se trata. E da ética que ele tanto apregoa. Há limites para tudo e, até hoje, evitei participar neste exercício de vitimização deprimente e patético. A armadilha traiçoeira que montou a Paulo Magalhães e a desconsideração soez que revelou por Fernando Medina autoqualifica a personagem e revela a raça de um egocêntrico. Se é assim com os amigos…

Nem quero imaginar com teria sido se o achasse “reprovável”.

MedinaSocrates 270715

Confesso que inicialmente pensei tratar-se de mais um “tesourinho deprimente”. Uma declaração de amor proferida há uns valentes meses e recuperada agora. Estava enganado. É parte de uma entrevista públicada hoje.

Espantoso

Nos outros casos ainda havia a desculpa de se tratarem de banqueiros sem escrúpulos (embora fossem heteroxos nas ligações políticas) mas não percebo como isto foi suceder num banco com tantos progressistas nos orgãos sociais.

O Banco de Portugal denunciou a Caixa Económica Montepio Geral ao Ministério Público por não comunicar operações suspeitas de branqueamento de capitais que tiveram origem no Finibanco Angola, que é detido pela Caixa Económica, avança o jornal Público.

Segundo o jornal diário, o supervisor terá detetado falhas nos mecanismos de controlo de operações financeiras com indícios de configurarem crimes de branqueamento de capitais e de financiamento ao terrorismo.

Estou bem mais descansado

No Observador: “SATU. PGR investigou suspeitas de corrupção, mas só encontrou um mau negócio”

Afinal não existiu corrupção. A conclusão óbvia é que o SATU foi apenas mais um caso de incompetência e inconsciência dos autarcas que ou calcularam mal os custos ou esqueceram-se que alguém teria de pagar a conta.

Se fosse corrupção, ainda que enviesada, haveria pelo menos uma réstia de racionalidade em todo o processo.

Entretanto na Venezuela

O socialismo e a pobreza avançam de mãos dadas:

As Venezuela’s food shortages worsen, the president of the country’s Food Industry Chamber has said that authorities ordered producers of milk, pasta, oil, rice, sugar and flour to supply their products to the state stores

His master’s voice (2)

Como não podia deixar de ser, a seguir a uma sondagem menos favorável ou alguma contestação interna lá para as bandas do Rato, lá surge plantada no Público a notícia da praxe sobre a Tecnoforma. A conta-gotas que não se podem gastar os cartuchos todos de uma vez.

As alternativas dos alternativos: o estado do debate em Portugal (2)

Seja como for, da Segunda Grande Guerra ficará para sempre esta perplexidade, na sua formulação mais simples: como foi possível que um povo tenha contemporizado, permitido ou pactuado com o «mal»? Como foi possível que não se tenha erguido contra esse mal, que não tenha posto cobro às atrocidades que estavam a ocorrer?

Engana-se quem pensar que o texto supra se refere a um qualquer genocídio ou ditadura sanguinária presente ou passada. Como não podia deixar de ser disserta-se acerca da situação actual da Grécia. A Lei de Godwin soma e segue.

LEITURA COMPLEMENTAR: As alternativas dos alternativos: o estado do debate em Portugal

His master’s voice

Nota que os media, que deliraram com a risível participação nas primárias de um partido risível, se esforçam por justificar o processo de decisão centralizado do PS e “ultrapassagens” do líder às decisões das estruturas locais do partido.

Desiludam-se

Observador

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, defendeu a necessidade de retomar o investimento público para dar “sustentabilidade” ao setor da construção civil.

Já se sabe que o chamado “investimento público” é uma noção algo lata e difusa que pode der usado justificar qualquer tipo de despesa injustificada. Acredito que ainda exista alguém a alimentar a esperança que este esteja vagamente ligado a alguma espécie de “interesse público”. Mas o magnífico presidente da CMP não deixa margem para dúvidas. Serve para financiar interesses particulares.

Manipulação de informação: um caso prático

O Público demonstra mais uma vez uma criteriosa selecção dos dados a destacar

O título: Novas inscrições nos centros de emprego voltam a subir

o gráfico:

insccentemp

Como perguntava o João Caetano Dias: Qual a principal conclusão do gráfico?

A empregabilidade não é tudo no Ensino Superior

Um excelente artigo do Alexandre Homem Cristo no Obervador

Por fim, a quarta razão, que é a mais simples: a missão do ensino superior é ensinar a pensar, a resolver problemas e a proporcionar autonomia intelectual numa área de conhecimento – ou seja, por definição não é um instrumento ao serviço do mercado de trabalho. Isto não impede que as instituições de ensino ajudem na transição para o primeiro emprego, quer apenas dizer que existem dezenas de cursos superiores que não têm uma relação directa com uma profissão e que, no entanto, são imprescindíveis – a filosofia é o exemplo mais óbvio. E são imprescindíveis precisamente porque representam a essência do ensino superior: quem aprende a pensar adquire também as ferramentas intelectuais para estudar sozinho e satisfazer as exigências da sua vida futura. Uma coisa é preparar para a vida activa (através de ferramentas intelectuais) e outra é garantir entrada no mercado de trabalho – a primeira está ligada ao ensino, a segunda não

Aproveito para acrescentar que as razões enumeradas no artigo constituem excelentes argumentos a favor de uma efectiva autonomia da uma significativa redução do financiamento público do ensino superior.

O Nobel também erra

Observador

O prémio Nobel da economia norte-americano, Paul Krugman, que se destacou como um dos mais virulentos críticos das medidas de austeridades impostas a Atenas, reconheceu este domingo ter “talvez sobrestimado a competência” do Governo grego.

“Talvez tenha sobrestimado a competência do Governo grego”, indicou durante uma entrevista à cadeia televisa CNN.

“Nem calculei que pudessem tomar uma posição sem ter um plano de urgência”, caso não obtivessem a ajuda financeira que solicitavam, explicou.

“Acreditaram que podiam simplesmente exigir melhores condições sem ter um plano alternativo”, prosseguiu, ao referir-se a um “choque”.

Pelos vistos, o eterno e único Nobel da Economia (mesmo para o Observador continua a ser “O”) também erra. Acreditou que a extrema-esquerda representava uma alternativa credível. Nem eu cometi um erro tão grosseiro.

Competitividade fiscal, versão socialista

Como não podia deixar de ser, na distorcida versão socialista significa obrigar os outros aumentar os impostos para compensar o nosso despesismo ineficiências

As alternativas dos alternativos: o estado do debate em Portugal

Luís Aguiar-Conraria na Destreza das Dúvidas

Lembro-me de em 2012, num debate no Prós e Contras, o Fernando Alexandre ter-se queixado que nunca lhe tinham mostrado alternativas. O seu opositor de debate, um syrizico de que não me lembro o nome retorquiu-lhe que “havia alternativas, mas que não estavam sistematizadas”. E andamos nisto há anos.
E, nestes anos, houve muita gente que esteve sistematicamente errada. Assinaram manifestos inoportunos e levianos. Alguns, como Nicolau Santos, até figura de palhaço fizeram. Um deputado do PS defendeu que as pernas dos alemães tremeriam se ameaçássemos não pagar. Viu-se como tremem as pernas.
É natural que quem tantos disparates disse continue a aparecer no debate público. Nem eu desejaria o contrário. Mas, para ganhar credibilidade, seria bom que reconhecesse as tontices que defendeu e dar graças a Deus por ninguém o ter ouvido.

Just say OXI

21/01/2015 Tsipras: “O dia 25 de janeiro será um dia histórico. E não apenas para a Grécia”

25/01/2015 Tsipras: «Anulámos a austeridade, a troika é passado»

28/01/2015 Tsipras começa a desmontar a austeridade

05/02/2015 Tsipras contesta al BCE: “Grecia no aceptará más órdenes”

04/06/2015 Greek PM Tsipras Rejects Creditors’ Suggestions for Austerity after Meeting EC President Juncker

30/06/2015 Tsipras demite-se se sim vencer e milhares manifestam-se pelo não

01/07/2015 Tsipras répond « oxi » aux tentatives de coup d’État financier

03/07/2015 Primeiro-ministro grego entrou na praça pelo meio da multidão e garantiu ao povo grego: “No domingo, vamos mandar uma mensagem de democracia e dignidade à Europa e ao Mundo”

03/07/2015 Tsipras: “El ‘no’ va a escribir la historia”

06/07/2015 “Tsipras’ position became stronger because it is supported by nearly two-thirds of the Greek electorate over a specific issue,” Pushkov said.

06/07/2015 Carta de Fidel a Tsipras: “Foi uma brilhante vitória política”

15/07/2015 Tsipras desafia: “Quem tiver uma solução alternativa que avance e diga qual é”

15/07/2015 Tsipras ameaça demitir-se se grupo parlamentar não aprovar acordo

15/07/2015 “Sim” vence e Parlamento da Grécia aceita as medidas fiscais exigidas por credores

Não há (mesmo) alternativas

Observador (26/01/2015)

“O que faz sentido, e que António Costa disse, é que é bom haver mais um Governo anti-austeridade. É importante que se perceba que sozinho não se vai a lado nenhum e que se coloque as reivindicações a nível europeu”, diz João Galamba, secretário-nacional do partido. Neste momento, diz o deputado ao Observador, “a política europeia tem de mudar e é normal que se saúde um governo que contesta essas medidas”.

Expresso (15/07/2015)

Tsipras desafia: “Quem tiver uma solução alternativa que avance e diga qual é”

O pai reconhece o filho

Após quatro anos a renegar o Memorando de Entendimento e a maldizer as medidas nele inscritas o PS, através do deputado João Galamba, volta a reclamar a autoria deste. Estranhamente, para quem ainda há pouco criticava várias medidas nele inscritas, chega a gabar-lhe qualidade.