Considerando que, de acordo com a nossa Constituição:
Do artigo 58:
1. Todos têm direito ao trabalho.
Do artigo 60:
a) O estabelecimento e a actualização do salário mínimo nacional, tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento;
b) A fixação, a nível nacional, dos limites da duração do trabalho;
Do artigo 62
1. A todos é garantido o direito à propriedade privada e à sua transmissão em vida ou por morte, nos termos da Constituição.
2. A requisição e a expropriação por utilidade pública só podem ser efectuadas com base na lei e mediante o pagamento de justa indemnização.
Temos de concluir que deve o Estado tomar as seguintes medidas:
- Ou forçar alguns indivíduos a contratarem quem não tem trabalho(artigo 58) pagando um mínimo (artigo 59) independentemente do trabalho que façam, pagando o Estado a justa indemnização (artigo 62) que será a diferença entre o valor do trabalho e o salário mínimo
ou
- Deve o Estado contratar quem não tem trabalho (artigo 58), pagando um mínimo (artigo 59).
Durante as últimas 3 décadas sucessivos governos têm apostado em combinações destas medidas nunca conseguindo alcançar um objectivo também ele consagrado na constituição, a saber: “a) A execução de políticas de pleno emprego;” (também do artigo 58). Não conseguiram mas tentaram.
Como, e embora a nossa constituição não o preveja nem consiga garantir o contrário, para se distribuírem recursos estes têm de ser gerados, estes mesmos sucessivos governos têm financiado este e outros direitos com dívida, até mais ninguém emprestar recursos ao governo Português.
Quantas mais intervenções de entidades financeiras supranacionais terão de acontecer até que mudemos radicalmente a Constituição para um documento realista? Até lá estaremos a correr sempre o mesmo caminho, o caminho do endividamento e do empobrecimento e de submissão a quem não tem esses direitos mas tem muito mais liberdade e, menos, mas também importante, prosperidade.