O Insurgente

Maio 25, 2012

Verdadeiras políticas de crescimento

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 15:43

Nos últimos meses temos sido massacrados com uma tentativa concertada de fazer equivaler “Políticas de crescimento” com “aumento da despesa pública”. Se aumentar a despesa pública fosse causa do crescimento económico seríamos, a par da Grécia, um caso de sucesso de crescimento económico. E para os brincalhões que misturam causas com consequências e correlações, antes que digam que o problema foi a crise internacional, lembro que a crise internacional continua aí. Ceteribus paribus…ou somos loucos ou devemos esperar o mesmo resultado do aumento da Despesa Pública.

Contra a corrente, e muito bem, parece que o governo de Merkel vai propor uma agenda com uma série de verdadeiras políticas de crescimento para a Europa. Realço algumas destas verrdadeiras políticas de crescimento:

- Criação de zonas económicas de excepção na UE, com fiscalidade e des-regulamentação excepcionais.

- Privatização de activos públicos em massa

- Flexibilização do mercado de trabalho com liberalização contratual

 

Maio 21, 2012

Para diminuir o controle ilegítimo directo e indirecto sobre os meios de comunicação social

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 12:38

O exemplo de uma pressão legítima é a promessa de corte de relações. Não se concederem mais entrevistas ou bloquear-se o acesso a informação que não é pública. Se eu não gosto da forma como determinado jornalista ou jornal trata a informação ameaço não o alimentar com notícias. São minhas e são para ser dadas a quem eu entender.

O exemplo de uma pressão ilegítima é a ameaça de usar-se informação adquirida com meios do Estado, ameaçar cortes de publicidade no meio de empresas do Estado, ameaçar-se da utilização da influência acionista que o Estado tem directa ou indirecta na gestão do meio de comunicação social.

Miguel Relvas é acusado de ambos os tipos de pressão e convinha esclarecer o que é que assume. Por comparação com o passado recente a verdade é que não houve mudanças de direcção, aquisição de empresas ou contractos publicitários milionários como evidência do segundo tipo de pressões. “Apenas” acusações que têm de ser investigadas imediatamente porque à “mulher de César” não basta ser séria, tem de parecer séria. Neste sentido do “parecer ser sério”, de não existir intenção de controlar os meios de comunicação social,  este podia ser o momento perfeito parra comunicar a decisão deste governo do Estado sair por completo do mercado de informação exactamente para contribuir para a independência dos meios de comunicação social. RTP, RDP, Lusa e participações directas e indirectas em todos os restantes órgãos de comunicação social.

Uma das muitas implicações de não se combater a concentração do poder do Estado é o de não se poder ser de forma coerente a favor da liberdade da imprensa e de expressão. São contra os ataques à liberdade de imprensa e de expressão dependendo de quem ataca e de quem é atacado. São contra e a favor não de Ideias mas sim contra e a favor de Pessoas ou Grupos de interesse económico, político ou partidário.

Para se acabar com as pressões ilegítimas por completo teríamos de ter o Estado e logo os seus governantes com muito menos poder, liberalizando e descentralizando. É por isto que a linha liberal clássica, que defende a diminuição do poder do Estado a toda a linha, ganha em coerência e consistência no que toca à luta pelas liberdades fundamentais, incluindo a liberdade de expressão.

 

Maio 17, 2012

O porquê da falta de empreendedores em Portugal

Filed under: Economia,Política,Portugal,Teoria — Ricardo G. Francisco @ 11:55

Porquê é que tantos Portugueses emigram e tornam-se empreendedores em outros países de um momento para o outro. Ser-se empreendedor em um país diferente, longe da família e amigos, longe de relações pessoais se convertem tantas vezes em relações profissionais, deveria ser mais difícil. Porquê é que Portugueses ganham assim de repente um espírito empreendedor com a mudança da país.  Será a mudança de ares ou a descida do Espírito Santo que os faz esquecer anos de educação e cultura anti-empreendorismo?

Existirão vários factores que contribuem para a resposta. Mais oportunidades de investimento associadas ao crescimento da economia como um todo será um factor. A verdade é que em qualquer economia estagnada existem sectores a crescer. É aí que estão os tais empreendedores encontram oportunidades. E é por isto que se podem encontrar imigrantes Portugueses empreendedores em qualquer país do mundo onde se encontrem Portugueses. Porque é que não nos sectores em crescimento em Portugal?

Precisamos de encontrar mais e melhores razões para a falta de empreendedorimo,

Como empreendedor dou algumas das razões para recomendar a amigos que não o sejam em Portugal. Em Portugal uma pequena empresa é esmagada por um lado por regulações fiscais, de trabalho, ambientais, sanitárias e demais e por outro lado por concorrentes que beneficiam dos subsídios estatais ao alcance de apenas das empresas já estabelecidas. Tudo isto temperado com uma Justiça que continua a ser lenta e cara. A falta de financiamento disponível para novas empresas é apenas uma consequência destes factores.

O problema de fundo é o Corporativismo em Portugal, que permite que as regras de mercado sejam discutidas entre políticos, representantes de associações empresariais que defendem o interesse de umas poucas empresas e representantes sindicais que representam os interesses de uns poucos trabalhadores. Só dessa forma se entende que pequenas empresas de serviços no sector das tecnologias tenham as mesmas obrigações que grandes empresas industriais. Só assim se entendem as regras de acesso aos subsídios estatais que colocam barreiras intransponíveis a novas empresas.

O Corporativismo em Portugal conseguiu que a palavra “concorrência” seja entendida como “controlo à concorrência”. Uma nova empresa em Portugal sabe que a sua capacidade para concorrer em qualidade/preço é fundamental para capturar mercado. Na maior parte dos mercados o estado regula preço e/ou obriga a requisitos de qualidade. Mecanismos que facilitam a continuidade do modelo de negócio dos incumbentes.

A facilidade de contratação/despedimento penaliza mais empresas que não têm uma dimensão estabilizada. Uma nova empresa, por definição, tem um potencial de crescimento e decrescimento muito maior que uma empresa incumbente. Não será por acaso que o enfoque dos “representantes das empresas” nas corporativas “consertações sociais” nunca seja a flexibilização da contratação e a desburocratização das relações laborais.

Se Passos Coelho quer de facto criar “oportunidades” de empreendedorismo pode dar menos conselhos aos outros, e começar a fazer o que lhe compete que e desregulamentar e destruir o sistema corporativo que atrofia a economia Portuguesa.

Maio 10, 2012

O Pingo Doce à distância

Filed under: Diversos,Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 23:10
Tags: , , ,

Segui à distância a campanha do 1º de Maio do Pingo Doce.

A campanha lembrou alguns consumidores que a principal razão para a existência das autoridades da concorrência é para prevenir não os preços “anormalmente” altos mas sim os preços “anormalmente” baixos.

Foi bom os Portugueses terem visto tanto responsáveis políticos de direita e esquerda, como sindicalistas e representantes de corporações a combaterem a concorrência em preços.

Infelizmente concordo com Alexandre Soares dos Santos. O Pingo Doce não vai ser formalmente acusado de dumping. Se fosse daria ainda mais visibilidade para a vergonha que é a legislação e fiscalização económica em Portugal. Preferirão continuar a multar e perseguir quem se atreve a concorrer em preço, com pouca visibilidade e resultados sustentados.

Por fim vale a pena lembrar que se o Ministério da Economia quer ter um verdadeiro papel no fomento da concorrência devia preocupar-se apenas e só com a eliminação de barreiras à entrada e à saída dos mercados. Para este efeito devia ser o polícia não das empresas mas sim do Estado, criador destas mesmas barreiras. Deveria ser o provedor do consumidor, beneficiário da concorrência, em vez de ser o provedor dos interesses corporativos instalado, beneficiários de uma economia centralizada.

Outubro 4, 2011

A defesa do património arquitectónico

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 17:12

Estamos todos orgulhosos das regras que previnem que as belas fachadas dos edificios centenários sejam preservadas.

Consideramos um exemplo de progresso e um exemplo da bondade da intervenção do Estado a garantia que as fachadas sejam preservadas, sem prejuízo da renovação e actualização dos interiores e estruturas.

Graças a estas leis, proprietários que por uma razão ou por outra não hesitariam em eliminar fachadas que são dos melhores exemplos da arquitectura do sec. XIX, não o podem fazer. Ganhamos todos. Que alívio.

Se tudo isto fosse verdade no Sec. XXI também o seria verdade no sec. XI. O que seria Lisboa se o “progresso” tivesse chegado no sec. X em vez de ter chegado no Sec. XX?

Paradoxalmente, os defensores de hoje do património arquitectural só conseguem impor a sua vontade nos demais, por poucos que sejam os demais, porque os do passado não o poderam fazer.  Que sorte a deles. Que azar o nosso o de termos nascido em uma época que é considerado um avanço civilizacional o impedimento do avanço civilizacional.

 

 

 

O decisor divino

Filed under: Economia,Política,Teoria — Ricardo G. Francisco @ 16:42

A free trade is the consequence of an agreement on price combined with a disagreement on value.

Quando alguém faz um negócio de forma livre com outra pessoa, comprando ou vendendo, fá-lo porque acredita que está a ganhar valor. Um negócio que só é possível porque do lado que vende dá menos valor que quem está do lado que compra.

A definição concreta do que é um preço justo depende portanto da confluencia de vontades e do acordo entre, pelo menos, duas partes que têm prespectivas diferentes e por definição não conciliadas sobre qual o valor de determinado activo. Paradoxamente é o desacordo que possibilita o acordo.

Estes conceitos que sendo simples, são também suficientes para ridicularizar  qualquer tentativa de adjectivar um preço imposto centralmente de justo, eficiente ou eficaz. Apenas uma entidade capaz de interpretar e prever as interacções de cada indivíduo envolvido em cada troca poderia encontrar um preço mais justo do que o resultado simples da troca livre entre indivíduos.

Pode-se, por definição, não entender a complexidade por detrás da imagem “mão invisível”, mas deveria ser fácil de entender a impossibilidade do decisor central divino. A primeira é o resultado de infinitas interações simples enquanto que a segunda é o resultado de uma decisão infinitamente complicada. A primeira exige a existência de seres humanos falíveis, a segunda exige a existência de um decisor divino.

Setembro 7, 2011

Para a República Checa e em força…

Filed under: Comentário,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 12:18

(…) Mas naquele museu o comunismo é o mal absoluto, e toda e qualquer ideia com ele vagamente relacionada, como o socialismo, a social democracia e a esquerda em geral é automaticamente rotulada como “absurda”.(…) A visão da História deste museu é parcialíssima e subjetiva, mas receio que seja mesmo a do povo checo. Vim mais tarde a saber que os donos deste museu são americanos. Poderiam tê-lo instalado em Berlim ou Moscovo. Escolheram Praga porque provavelmente não havia no mundo outra cidade onde este museu tivesse a mesma recetividade.”

Filipe Moura explica porque é que República Checa cresce e é um país tão atraente para investidores e emigrantes. Os Checos sabem em primeira mão o que é o socialismo, não o conhecem via propaganda.  Têm crescido a uma velocidade que provoca a inveja a países como o nosso em que a opinião dominante demoniza a opinião dominante na Rep. Checa. São como Portugal um país periférico. Tal como Portugal têm um património histórico importante, potencial turístico e mulheres bonitas. Enquanto a maioria dos Portugueses são receptivos a ideias anti-capitalistas, parece que a maioria dos Checos são receptivos a ideias anti-colectivistas. Faz toda a diferença. Obrigado Filipe por nos lembrar das razões do nosso atraso.

 

Setembro 1, 2011

A importância da consistência e da previsibilidade

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 18:13

A cultura de um país democrático é importante no momento em que uma empresa analisa a opção de investir em um determinado território. Em democracia representativa se uma maioria da população se revê em ideais igualitários é previsível que eleja Governos que implementem políticas igualitárias. Se uma maioria da população acredita na luta de classes então é natural que eleja Governos anti-capitalistas.

Em Portugal, a cultura e as idiossincrasia da maioria da nossa população leva a que nossa governação seja previsível e consistente. O orientação previsível e consistente da nossa governação é o principal desincentivo para o investimento externo em Portugal. Seria o equivalente a convidar um cleptomaníaco confesso  a entrar em casa. Uma ideia que apenas passará na cabeça do cleptomaníaco.

Fuga de cérebros

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 17:58

A receita rápida para a redução do déficit público continua a passar por aumento de impostos.  O argumento é que os efeitos são mais rápidos do que medidas que afectem a despesa.

A verdade é que um governo, com apoio de uma maioria parlamentar, pode implementar reduções de custo com efeitos imediatos. Pode fazer alterações mais estruturais aos orçamentos do próprio ano e de gestão corrente ao nível da gestão dos ministérios. Pode mas não faz. Não o faz não por razões de eficácia mas sim por razões políticas. Preferem aumentar os impostos a alguns porque custa menos votos.

As consequências que não aparecem nos modelos econométricos são devastadoras. Quantos é que tinham aguentado para ver o que trazia este governo para decidir se emigravam ou pelo menos mudavam a residência para outro país que não trata quem trabalha e tem valor como escravos de primeira? Quantos é que já terão tomado a sua decisão?

As consequências devastadoras não são os impostos que se perdem. São a produção intelectual materializada em produção e inovação que se perdem. Que se perdem em prejuízo dos mais desfavorecidos, os que não se vão embora porque não podem e que apenas gostariam de ter mais e melhor oferta de trabalho no país em que nasceram ou que escolheram viver.

Faz bem este Governo em preocupar-se com a fuga de capitais e em não introduzir mais impostos ao património. Faz mal este Governo em não preocupar-se com a fuga de cérebros que continuará a acentuar-se na medida que se acentua a fiscalidade sobre quem tem a capacidade de trabalhar bem o suficiente para ter rendimentos de “rico”.

Agosto 5, 2011

Direito à associação e negociação colectiva

Filed under: Economia,Política,Portugal,Teoria — Ricardo G. Francisco @ 19:30

O que é que pode haver a opor a que indivíduos, constatando que têm interesses comuns em uma negociação, apresentem uma frente comum de negociação? À partida e em tese, nada.

Mesmo na perspectiva da contraparte negocial este movimento pode ter um impacto líquido positivo devido à redução dos custos directos e indirectos de negociação e contratação.

O conflito e consequentes problemas podem surgir com a desvirtuação do conceito de direito à associação e dos objectivos das negociações colectivas.

O direito à associação pode ser desvirtuado se implicar limitações ao direito inverso, o de não associação ou forçar acções de terceiros. Quando um trabalhador é forçado a associar-se, deixamos de falar direito e passamos a falar de obrigação. É uma violência pelo menos tão grande quanto a proibição de associação. Quando uma empresa é obrigada a pagar o trabalho dedicado a esta associação passamos a falar de expropriação de terceiros.

Quando os objectivos de negociação colectiva de um sindicato deixam de ser a defesa dos trabalhadores que pertencem a esse sindicato e passam a ser objectivos de terceiros com os quais podem inclusivé ser incompatíveis, estamos a falar claramente de desvirtuação de objectivos de negociação. Quando representantes sindicais entram em negociações com posições inaceitáveis e irredutíveis podem estar a cumprir com a agenda do partido político a que respondem mas dificilmente não estarão a desvirtuar os objectivos da negociação colectiva.

Entende-se que dado o desvirtuar sistemático dos objectivos da negociação colectiva pelos grandes sindicatos em Portugal apenas exista uma proporção significativa de sindicalizados em sectores em que existe uma grande limitação à não associação, nomeadamente no sector público.

Só se entende que partidos políticos que são responsáveis pela destruição da associação livre de trabalhadores e pelo desinteresse na negociação colectiva se apresentem como os seus grandes defensores porque vêm trabalhadores como um meio e não como um fim.

Agosto 2, 2011

O Estado não somos todos nós

Filed under: Política,Teoria — Ricardo G. Francisco @ 19:43

No meio da discussão na caixa de comentários deste artigo do Carlos M. Fernandes aparece o velho argumento “o Estado somos todos nós”, evocado pelo comentador Joaquim Amado Lopes. Se o Estado “não somos todos nós” então o que é o Estado, pergunta o Joaquim.

Existem várias teorias, ou “opiniões”, sobre o que é o Estado. Há nesta casa quem possa escrever livros sobre o assunto, sendo que eu não sou um deles. Uma delas, e simplificada, faz do Estado um conjunto de instituições a quem é delegada constitucionalmente uma série de poderes e responsabilidades. Quem são os agentes que exercem esses poderes e com que legitimidade? Em Portugal elegemos os agentes, os governantes, por voto universal e secreto e dizemos que estes têm legitimidade democrática.

Desta forma o Estado não somos nós. O Estado existe para nos servir e tem os poderes e recursos que nós lhe damos.

As grandes discussões políticas advém destas definições. Que poderes e recursos é que damos ao Estado? Quais são as bases morais e éticas que os justificam? Como é conferida a legitimidade dos agentes do Estado?

A falácia de que o Estado somos todos nós é apenas um argumento usado por quem defende o aumento, muitas vezes sem limite, dos poderes e recursos do Estado. Não deixa de ser apenas isso, uma falácia.

Acredite se quiser (Versão original)…

Filed under: Diversos,Media,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 15:48

Benfica compra Roberto ao Atlético de Madrid por 8,5 Milhões.

Só quem acreditou no valor da aquisição é que acredita no valor da venda.

E que tal um Lagarto verde em vez de um Leão branco…

Filed under: Diversos,Media,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 14:46
Tags: ,

Imitação por imitação…conseguiam fazer ainda mais gente rir.

Julho 28, 2011

A farsa da “Concertação Social”

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 10:45

Os portugueses elegem partidos para govenar. Governar de acordo com um programa que inclui a visão sobre o código do trabalho, a contratação e as relações laborais em geral.

O Governo é o legítimo agente da vontade de tanto trabalhadores por conta de outrem como de empresários por ser suportado por uma maioria parlamentar por sua vez suportada pela maioria do voto universal. É o legítimo agente de todos, pelo menos para quem acredita no regime democrático popular e pouco liberal em que vivemos.

Aquilo que se chama de consertação social, em que Governo se reune com aquilo que entende que são os representantes dos interesses de trabalhadores e empresas, em uma mistura de Corporativismo com Luta de classes, não pode deixar de ser uma farsa. Uma farsa perigosa e que também explica o estado do país.

Quantas empresas estão ou se sentem representadas pelas Associações empresariais que se sentam à mesa? Longe estamos do tempo do Estado novo de corporativismo assumido. Em especial, quantas pequenas e micro empresas se sentem aí representadas? Não admira, por exemplo, que pequenas e médias empresas de serviço tenham em Portugal tantas e as mesmas obrigações legais que grandes empresas industriais.

Quantos trabalhadores são efectivamente representados pela UGT e CGTP? Tantos quanto estão sindicalizados. Uma minoria, que é ínfima se olharmos para os trabalhadores que o são no sector privado. Quantos dos trabalhadores desempregados estão aí representados? Nenhum. Não admira que políticas que facilitem a contratação não tenham quem as defenda do lado dos representantes dos trabalhadores.

Quando a contratação e a legislação do trabalho em geral é limitada pelas orientações da Consertação social em que se junta o pior do Corporativismo do Estado Novo a garantir a protecção de uma meia dúzia de empresas e empresários que dominam as associações empresariais e o  pior do marxismo ao assumir como legítimos representantes dos Trabalhadores sindicatos que quanto muito representam os interesses de uma ínfima minoria dos trabalhadores e que na maior parte dos casos representam apenas a agenda de partidos políticos cujo espaço de influencia deveria ser a AR, o resultado não pode deixar de ser outro. A minoria representada vê os seus direitos a serem garantidos e reforçados, muitas vezes em prejuízo da maioria não representada. Uma farsa perigosa e historicamente danosa.

Na tomada de decisão o governo deve, em tese, reunir toda a informação relevante e ouvir as posições e informação reunida pelas partes interessadas. Não deve nem ser obrigado a ouvir e menos deve ser obrigado a seguir estas orientações. Menos ainda deveria ter a legitimidade para oficialmente designar o que são representantes de uns ou de outros, é essa a essência do Corporativismo que deveria ter acabado com o Estado Novo.

Uma farsa que aparentemente interessa também ao Governo. Que interessa porque desresponsabiliza e envolve nas decisões outros que não o Governo. Aparentemente porque sanciona a visão colectivista da sociedade onde existem não indivíduos mas sim Corpos ou Capital e Trabalho. Este sancionamento não deveria interessar a todos os partidos políticos. Aparentemente interessa a todos os partidos políticos Portugueses.

Julho 19, 2011

Se houvesse justiça…(3)

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 19:56

Para ser lido apenas por quem concorda com todos os pontos seguintes:

- Que concorda que o problema de excesso de endividamento deve (também) ser pago com carga fiscal adicional

- Que concorda com impostos directos em geral

- Que concorda com impostos sobre o rendimento

- Que concorda com impostos proporcionais sobre o rendimento

- Que concorda com impostos progressivos com o volume do rendimento

 

(mais…)

Julho 15, 2011

Se houvesse justiça…(2)

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 15:29

Hoje diziam-me que a maioria das pessoas aceitou bem o imposto extraordinário. Claro que sim, os socialistas que estão no poder garantiram que a vasta maioria não paga. Não há diminuição da despesa, são os mesmos de sempre que pagam, os tais 15% de burritos do costume por cá andam a alimentar os espertalhões, os tais que aceitaram muito bem o imposto.

O tuga adora uns almoços grátis. Depois admirem-se que não há investimento nem empreendedorismo e que há fuga de cérebros. A culpa será concerteza dos mercados.

Em Atlas Shrugged, Ayn Rand cria uma sociedade globalmente e progressivamente socialista em que os tais “burros” deixam de produzir.  No mundo real as coisas não funcionam assim. Os que produzem fogem do socialismo. As empresas Portuguesas investem fora de Portugal. Quem tem capacidade e possibilidade emigra. Ficam os espertalhões e os que não podem saír. O que é acontecerá no fim? Empobrecimento (também) dos espertalhões que acham que modelo é justo. No fim haverá pelo menos essa justiça. Não há almoços grátis.

Julho 14, 2011

Se houvesse justiça…

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 21:26

Acabei de ouvir na TVI o porta voz do CDS para o assunto em causa, João Almeida, a explicar que o imposto extraordinário seria pago por apenas 15% dos Portugueses. Que era portanto um imposto justo.

Justo era acontecerem umas coisinhas que eu cá sei a quem acha que este imposto é justo…

 

Julho 13, 2011

Eurobond joke

Filed under: Economia,Internacional,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 18:17

Q: O que têm em comum um primeiro ministro socialista da Europa do Sul e um primeiro ministro conservador da Europa do Norte?

A:Ambos acordam a meio da noite por causa das Eurobonds.

Para o primeiro as Eurobonds são o sonho molhado e para o último são o pesadelo.

Desvios de Economistas Políticos Socráticos

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 17:47

Hugo Mendes chama a atenção para o óbvio. Com os desvios orçamentais deixados pela Gestão anterior (mais Comunicação que Gestão) encontrados, é natural que as agências de notação baixem o rating da nossa dívida soberana. Não há como “arrependidos” para compor a tese de acusação.

Com o distanciamento de um convalescente a analisar a doença de que padeceu pode-se dizer que estes Socráticos são mesmo parecido com Sofistas…versão “novas oportunidades”.

As caras da “Economia Política” Socrática

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 17:27

Algumas das caras da Economia política Socrática que terá o seu lugar na história Portuguesa estão a lembrar-nos dos tempos passados.

Quando Vieira da Silva diz:

«Deve-se ter cuidado quando se faz afirmações sobre esse assunto que é conhecido internacionalmente, as instituições que avaliaram as nossas contas não podem ser postas em causa»

Está enganado. O governo está a pôr em causa quem deu informação às instituições que avaliaram as nossas contas. Vieira da Silva, João Galamba e Vitalino Canas lembrar-se-ão dos anúncios de sucesso e de números longe da realidade. Podem fingir que não se lembram. Se o fizerem os outros podem chamá-los de mentirosos. E estão a pedir que se leve para a AR o lavar de roupa suja que, se tivessem ficado no silencio dos (não) inocentes, não teriam de sofrer.

PS: Será que esta malta vai continuar a ter voz depois das eleições internas do PS ou vão continuar na senda dos tiros nos pés ao PS?

A culpa é do CDS (2)

Filed under: Economia,Internacional,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 11:21

As dívidas soberanas de países (incluindo os sólidos Alemães) que estão muito expostos a um default da dívida soberana grega têm um risco impossível de quantificar com uma simples notação.

As notações dão um valor esperado de risco com uma concentração grande de probabilidades acumuladas à volta desse valor esperado de risco. A variável “risco de incumprimento” destes países simplesmente não tem esse comportamento, pelo menos neste momento. Dependendo do default grego ou a dívida devia estar classificada como com risco baixo ou com risco elevadíssimo, nunca uma “média” das duas. A concentração de cenários prováveis está longe dos níveis “médios” na famosa aproximação à distribuição normal das agências de notação. Simplesmente não serve como indicador de análise de risco. Os investidores sabem disto. Os que acreditam e apostam no cumprimento estão muito dispostos a emprestar a taxas na casa dos 6%. É um excelente negócio para quem estaria disposto a receber apenas 3%. Quem não acredita tem que ter um prémio de risco substancial, tal como é transaccionado no mercado secundário.

As agências de notação deveriam simplesmente recusar-se a avaliar activos nestas condições. Essa atitude apenas daria mais credibilidade a estas instituições, credibilidade essa que deveria ser o seu maior activo.

Leitura complementar: The Black Swan: The Impact of the Highly Improbable ; Estratégias de investimento Event-Driven

A culpa é do CDS

Filed under: Economia,Internacional,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 10:50
Tags: , , , ,

Estes “seguros de crédito” tiveram um papel fundamental na crise subprime e estão a ter um papel fundamental na crise das dívidas soberanas.

O CDS é uma ferramenta muito interessante. Eu empresto 1000 milhões de Euros à Grécia por Euribor+4%. Eu crio 1.000.000 de títulos CDS que dizem o seguinte:

- Eu pago a quem me os comprar Euribor+3% até a dívida estar paga – O equivalente ao prémio do seguro

- Quem me compra os CDS paga 0 Euros (Eu não recebo uma torradeira ou uma máquina nespresso de bónus)

- Se existir um evento de crédito, definido como tal pelo ISDA, quem me comprou o CDS e esteve a receber o “prémio” até lá tem de pagar a mim o valor em dívida correspondente à base do que esteve a receber – Recebo o capital seguro.

Estes CDS transformaram desde bancos a empresas a pequenos investidores em pequenos seguradores. Esta é a primeira consequencia.

Como acontece normalmente nos mercado de activos derivados, o que é que foi feito de seguida? Emitiram-se CDS sem se ter dívida! A verdade é que o título tem um valor económico por si mesmo. O Mercado de derivados é assim muitas vezes maior do que o do activo subjacente.

É desta forma que a exposição do exterior à Grécia esteja estimada em mais de 10 vezes o total da sua dívida.

A crise do subprime, nomeadamente a falência de grandes Bancos de investimento deveu-se à exposição a CDS sobre dívida imobiliária. O mercado de CDS’s não só valia centenas de vezes o do mercado de dívida imobiliário como ainda por cima permite alavancamento. Alavancamento feito sobre bancos com autorização do FED (os big 5) para não terem limites de alavancamento.

Depois da crise do subprime afigura-se como possível a crise da dívida soberana. A verdadeira crise da dívida soberana ainda não chegou. Chegará no momento em que a ISDA disser que existiu um evento de crédito, por exemplo, com a dívida soberana grega.

Se esse momento chegar vão exisitir consequencias imprevisiveis. As perdas não são limitadas aos “haircuts” falados, são perdas totais, multiplicadas e alavancadas. Não são apenas os CDS em carteira dos Bancos. São os CDS em carteira dos clientes dos Banco que vão entrar em falencia e originar defaults de pagamento de dívida aos Bancos e imparidades. É o impacto na economia de falencias de empresas que embora sólidas no seu core vão sofrer do aventureirismo financeiro dos seus decisores.

É este momento que se está a tentar evitar. O default técnico grego é assustador por ter consequências imprevisíveis por serem muitas vezes multiplicadas pelo mercado de CDS. Todos nós que assistimos de fora apenas podemos esperar o melhor e preparar para o pior.

Julho 11, 2011

Enquanto estive fora ficou tudo na mesma

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 19:05

Estive fora a semana passada. Volto para ficar a saber que “o que aconteceu de relevante foi a Moody ter baixado o rating da dívida soberana de Portugal”. Parece que esta foi uma notícia relevante porque terá sido inesperada.

Sem querer entrar em outras considerações vale a pena lembrar que o que contam são os factos e não as palavras. Os factos são que os números de 2010 e de 2011 são piores (em alguns casos bastante piores) do que era conhecido no momento da última avaliação e que o novo governo já mostrou que (i) não tem palavra por ter anunciado um aumento muito significativo da carga fiscal e (ii) que acha que o caminho é o aumento de impostos em vez da privatização ou encerramento de empresas do estado que não são nucleares para o Estado Social que (eles) preconizam. Como é que o downgrade é uma surpresa? Surpresa é a S&P não acompanhar. A própria surpresa devia merecer novo downgrade por ser um sinal de que os nossos governantes não saberem o que andam a fazer.

Depois querem milagres. Depois ficam a chamar nomes a tudo e todos.

Enquanto estive fora ficou tudo na mesma.

Julho 2, 2011

Does America Need Ayn Rand or Jesus?

Filed under: Internacional,Política,Teoria — Ricardo G. Francisco @ 13:03

(…) Today we see a difference in moral principle: one side considers the modern welfare state morally superior to capitalism and the other side considers capitalism morally superior to the welfare state. 

What Krugman doesn’t say, however, is that to the extent there actually is a side today that thinks capitalism is morally superior to the welfare state, it’s thanks to “Atlas Shrugged,” “Capitalism: The Unknown Ideal” and Rand’s other works.

But whether Krugman knows this or not, many other people do. What worries advocates of the welfare state is that they have never before faced any moral opposition.(…)

O artigo completo aqui: Does America Need Ayn Rand or Jesus?

Julho 1, 2011

A semântica da educação pública

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 17:00

Cara Mariana,

O objectivo da educação pública deveria ser a garantia da educação gratuita e de qualidade para todos (que bonito que isto soa).

O objectivo da educação pública não deveria ser a propriedade das escolas e o emprego dos professores que garantem a educação gratuita e de qualidade.

A consequência lógica é que uma não depende necessariamente da outra. Não é uma condição necessária.

Devia ser simples entender esta nuance semântica com consequências lógicas. Bolas, se até a um tipo como eu sem sensibilidade cultural e com apetência para o erro ortográfico isto parece simples…

PS: Sem querer entrar na discussão sobre  a ideia da “educação gratuita e de qualidade”, que por sua vez não é uma questão de semântica.

E porque não….?

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 11:59

Infelizmente não podia estar mais de acordo com o Ricardo.

Não há desculpa porque a opção de um imposto adicional é isso mesmo, uma opção. Entre privatizações adicionais e cortes adicionais na despesa, existem outras opções com outra orientação política. A opção foi o aumento de impostos, mesmo que em cerca de 50% do esforço de consolidação adicional.

Do grupo de outras opções , dois exemplos que alem de gerarem receitas poderão ser decisivas para o sucesso de dois sectores que estão agora na ordem do dia

- Alienação da Companhia das Lezírias – Importante para regularização do funcionamento da agricultura e um encaixe potencial de receitas com os seus 18.000 hectares dos melhores terrenos agrícolas em Portugal.

- Alienação da Docapesca – O ideal seria partir a Docapesca, sendo as docas e postos de revenda alienados individualmente promovendo a concorrência que hoje não existe no sector.

Junho 29, 2011

Limites Constitucionais – Limitação orçamental à legislatura

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 14:41

Se a contabilidade criativa dos últimos anos nos ensinou foi que limitações teóricas à dívida ou ao déficit terão de ser acompanhadas de métodos ainda mais rigorosos e claros de determinar que tudo o que são responsabilidades do Estado são considerados.

Mais importante do que limitações à dívida ou ao déficit deverá ser a limitação de responsabilidades que um governo pode aceitar. Um governo, oriundo de uma maioria parlamentar com prazo não deveria ter o poder de se responsabilizar com pagamentos ou custos depois do fim da legislatura. Hoje e amanhã, com a constituição actual, um governo poderá comprometer orçamentos futuros de forma dramática. O que aconteceu com as PPP’s foi apenas uma pequena amostra do que está ao alcance de um qualquer governo. Estranho que este princípio básico não seja respeitado nem sequer discutido. Deveria ser.

Admite-se que existam medidas/contratos/legislações que tenham de ter impactos em outras legislaturas. A constituição deveria limitar estes compromissos à existência de maiorias qualificadas na AR. Implicam compromissos mais alargados, em alguns casos com impactos em gerações futuras.

Junho 27, 2011

Destaque na Lista de Secretários de Estado

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 17:53

A um dia da nomeação oficial dos secretários de Estado ficamos a saber a lista completa.

Sem conhecer as ideias do novo Secretário de Estado Obras Públicas, Transportes e Comunicações,  Sérgio Silva Monteiro, saliento que a vinda de alguém com experiência consolidada em Banca de Investimento é coerente com a noção que esta secretaria de Estado deve ser antes de mais um autentico ministério da re-estruturação e alienação de património.

A lista actualizada, roubada de aqui:

Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros - Luís Marques Guedes (já anunciado)

Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro - Carlos Moedas (já anunciado)

Secretário de Estado da Cultura - Francisco José Viegas (já anunciado)

Secretário de Estado do Orçamento - Luís Filipe Morais Sarmento (já anunciado)

Secretário de Estado da Administração Pública - Hélder Rosalino

Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação - Luís Brites Pereira

Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas - 
José Cesário

Subsecretária de Estado Adjunta do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros - Vânia Dias da Silva

Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional - Paulo Braga Lino

Secretário de Estado da Administração Interna - 
Filipe Lobo D’Ávila

Secretário de Estado da Administração Interna - Bernardo Bairrão

Secretário de Estado da Administração Patrimonial e Equipamentos do Ministério da Justiça -Fernando Santo

Secretário de Estado Administração Local e Reforma Administrativa - Paulo Simões Júlio

Secretário de Estado do Desporto e Juventude - Alexandre Miguel Mestre

Secretário de Estado Adjunto e da Imigração - 
Feliciano Barreiras Duarte

Secretário de Estado Emprego - Pedro Miguel Silva Martins

Secretário de Estado Empreendorismo, Competitividade e Inovação - Carlos Nunes Oliveira

Secretário de Estado Obras Públicas, Transportes e Comunicações - 
Sérgio Silva Monteiro

Secretário de Estado da Energia - Henrique Gomes

Secretária de Estado do Turismo - Cecília Meireles

Secretário de Estado da Agricultura - Diogo Santiago Albuquerque

Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural - Daniel Campelo

Secretário de Estado do Mar - Manuel Pinto de Abreu

Secretário de Estado Ambiente e Ordenamento do Território - Pedro Afonso de Paulo

Secretário Adjunto e da Saúde - Fernando Leal da Costa

Secretário de Estado da Saúde - Manuel Teixeira

Secretário de Estado do Ensino Superior - João Filipe Rodrigues Queiró

Secretário de Estado da Ciência - Maria Leonor Parreira

Secretário de Estado Ensino e Administração Escolar - João Casanova de Almeida

Secretário de Estado Ensino Básico e Secundário - Isabel Maria Santos Silva

Secretário de Estado dos Assuntos Europeus -
 Miguel Morais Leitão

Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares - Teresa Morais

Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais - Paulo Núncio

Secretário de Estado da Economia - António Almeida Henriques

Secretário de Estado da Segurança Social - Marco António Costa

Secretário de Estado do Tesouro - Maria Luís Albuquerque

Junho 24, 2011

Produtividade, competitividade e discussão das funções do Estado

Filed under: Economia,Política,Portugal,Teoria — Ricardo G. Francisco @ 10:25

Indicadores agregados encerram armadilhas, especialmente se são usados como proxys para outros indicadores.

Existe o consenso que os Portugueses são pouco produtivos e cada vez menos por comparação, o que nos torna pouco e cada vez menos competitivos. Será este consenso para ser aceite de forma acrítica? Como em relação a todos os outros consensos a resposta deve ser não.

A produtividade agregada de um país mede o output médio por unidade de input. A produtividade do trabalho,  calculado como o output médio (baseado no PIB) por hora trabalhada ou por euro de remuneração é baixo por comparação com os restantes países da OCDE. A conclusão de que os  Portugueses em geral e de forma individual são pouco produtivos é portanto válida? Não, porque falham algumas premissas fundamentais:

- Não há homogeneidade. Em termos estatísticos, existe uma grande variância entre a produtividade entre grupos que são fáceis de dividir. A produtividade é diferente entre e dentro de sectores industriais. A produtividade é diferente no sector privado e no sector público. Dentro do sector público existem enormes disparidades, aumentadas pelo facto de maioria das actividades do Estado não terem impacto directo no PIB.

- Os outros inputs não são iguais entre os países comparados. Desde inputs com impactos mais fáceis de medir como a energia a outros com impactos mais complexos como a celeridade da justiça ou a regulação existem grandes diferenças, que têm impacto no produto final e logo também na produtividade do trabalho.

A redução de salários de forma transversal, apontada como solução milagrosa, é por estas razões perigosa. Primeiro porque gera muitas injustiças, por tratar como igual coisas diferentes. Segundo porque esconde os reais problemas: O peso do lado da despesa de sectores não produtivos e o impacto negativo de outros factores como a Justiça e a regulação económica.

A redução dos salários de forma transversal pressupõe uma ideia de igualitarismo que tem de ser combatida se queremos sair da situação em que nos encontramos. As funções do Estado, corporizadas em direcções, institutos, fundações,.. têm de ser escrutinadas. Escrutinadas para que se tomem decisões políticas de extinção ou redução ou simples substituição. Os funcionários públicos não são todos iguais, nem as suas funções são igualmente necessárias. O aumento da produtividade tem de passar pela eliminação das funções menos produtivas, directa e indirectamente, antes de passar por mais reduções transversais, que sendo fáceis de aplicar são tambem injustas e contraproducentes.

Reformas a sério no Estado, no nosso contexto sócio-político, terão de ser feitas com um mínimo de apoio dos funcionários públicos. A ideia igualitária de repartição de esforços levará os funcionários públicos para a rua pela causa comum. Os responsáveis políticos terão de explicar que o Estado existe para servir. Que a organização do Estado, que tem pessoas, existe para servir, não para empregar. Que se o Estado tem de emagrecer, tem de começar por perder a gordura em vez de começar a tirar 10% de tudo por igual. Terão de explicar que para que o Estado funcione sem entrar em ruptura, tem de eliminar funções e logo postos de trabalho. Terá de mostrar que a alternativa seria igualitária, é verdade. Seria uma penalização igual e injusta para todos os funcionários públicos independentemente do seu valor, competência, dedicação e da necessidade do produto do seu trabalho para os Portugueses.

A eliminação de horas e Euros de trabalho em funções de baixa produtividade leva directamente a um aumento da produtividade nacional. Adicionalmente leva à libertação para o mercado de trabalho de pessoas que têm em si de forma inerente a capacidade de produzir e de trabalhar desde que enquadradas em organizações produtivas.

 

Junho 22, 2011

Rui Faria, Vitor Pereira e o sexo

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 08:43

Vitor Pereira poderá ter sido a terceira escolha de Pinto da Costa. Podia ter sido a quarta ou a quinta.

Este ano pode ficar demonstrado que a qualidade da vida sexual de Pinto da Costa tem mais impacto nos resultados do FCP do que a qualidade do seu treinador de futebol.

Junho 21, 2011

Paradoxos da política Tuga

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 23:39

Esquerda inviabiliza a candidatura de Fernando Nobre a presidente da AG, um notável da esquerda à esquerda do PS.

PS exulta e apoia a candidatura de Assunção Esteves, uma grande admiradora do social liberalimo de Passos Coelho.

Uma derrota de Passos Coelho?

Gargalhadas!!!

Junho 19, 2011

O novo ministro da educação

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 12:12

Um video revelador do pensamento de Nuno Crato. Para quem não conhece a linha vale a pena ver do princípio ao fim.

Se conseguir fazer metade do que defendia que deveria ser feito por um ministério da educação fará um grande trabalho. É de entender porque é que dirigentes socialistas dirigistas no limiar do fascismo lhe têm tanto asco.

Junho 6, 2011

Resultados das Legislativas 2011 – OInsurgente

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 23:42
Tags:

O Insurgente teve apenas vitórias nas Legislativas de 2011. Os grandes items que eram o fim político de Sócrates e a eleição do Adolfo Mesquita Nunes e do Michael Seufert.  Aos grandes juntam-se muitos outros como a maioria parlamentar PSD/CDS, a vitória do PSD,  a eleição de Carlos Moedas em Beja a derrota do Bloco de Esquerda em geral e em particular de Pureza em Coimbra, tudo aconteceu.

Mais uma vez O Insurgente mostrou ser a referencia no acompanhamento das eleições em Portugal, conseguindo ter a melhor previsão dos resultados finais no dia de maior afluência de leitores de sempre. Parabéns a todos e em especial ao Adolfo e ao Michael.

Resultados das Legislativas 2011 – BE

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 23:26
Tags:

Estas legislativas podem ter sido o fim do BE. A matemática é simples. Nos últimos anos a estrutura e origens do BE foram postas em causa pelos mais distintos militantes. Esta derrota não é de um colectivo, é acima de tudo a derrota de Francisco Louçã. Uma derrota histórica considerando a quantidade de votos de contestação e um quadro assustador para funcionários públicos e beneficiários do Estado. Francisco Louça não poderá manter a liderança do BE e o BE não poderá voltar a ser o partido sem líder.

A derrota em Coimbra, onde Pureza não foi eleito terá um peso determinante no futuro do BE. Pureza seria o sucessor natural de Louçã, garantindo a reunião do partido, tal qual ele se uniu para a sua eleição em Coimbra. Em Coimbra todos os desafectos do BE participaram na campanha. Pureza não foi eleito. Pode Pureza ser o novo líder do BE sem estar no parlamento? Pode Pureza ser levado a sério dentro do partido depois dessa derrota dentro da derrota?

O BE, que é de facto um verdadeiro saco de gatos. Poucos, velhos e belicosos gatos. Se não encontrar um líder forte e consensual que terá de ser inventado vai diluir-se em guerras que não podem acabar de outra forma que não na cisão em movimentos e partidos que lutarão nas próximas eleições para atingirem os mínimos para a subvenção estatal.

Resultados das Legislativas 2011 – CDU

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 23:11
Tags:

A CDU ganhou. Mas desta vez ganhou mesmo. A CDU ganhou a garantia de que vai ter muita manifestação na rua e que será o maior partido a apoiar livremente essas manifestações. O PS nem poderá liderar as manifestações, por ter de apoiar as decisões no parlamento, nem será razão de inércia por não ser o governo. O BE vai passar os próximos tempos a reformula-se, em luta interna, depois de uma derrota que pode ser o princípio do fim. Será a CDU a liderar as manifestações populares no periodo em que mais descontentamento para cultivar existirá desde a década de 80.

Seria talvez altura do PCP ponderar se não é hora de mudar de líder. O líder Jerónimo é perfeito para eleições tranquilas, poderá não ser perfeito para levantar os descontentes e para liderar manifestações populares. A CDU precisará de um guerreiro e não de um ancião com imagem de bonacheirão simpático. Infelizmente para o PCP, Jerónimo ganhou, como sempre.

Se o dirigentes do PCP não vissem a revolução como caminho para o poder e não as eleições, deveriam estar muito preocupado com a penetração do Socialismo/comunismo em Portugal. Este resultado que dá menos de 15% aos partidos radicais deveria preocupar. Acredito que nas elites comunistas esta deve ser a última preocupação. As eleições democráticas dizem-lhes pouco.

Resultados das Legislativas 2011 – CDS

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 22:43
Tags:

O CDS conseguiu aumentar o número de deputados, conseguiu crescer em eleitores em particular nos segmentos jovens e em zonas urbanas ao mesmo tempo que o PSD teve um crescimento histórico. O CDS irá de novo para o governo não de uma forma envergonhada mas sim como um activo querido e necessário. Como é que este resultado não pode ser considerado uma enorme vitória? Não foi considerada uma vitória porque os objectivos e as expectativas estavam demasiado altas, especialmente considerando que se havia uma maioria clara esta era uma maioria que queria mudar o primeiro ministro. O voto útil era inevitável. Ajustadas as expectativas fica o resultado, o CDS teve uma grande vitória.

Paulo Portas conseguiu unir uma linha de comunicação clara com mensagens simples e perfeitamente complementar à de José Sócrates. Se Passos Coelho seria incompetente  e pouco preparado, a equipa de Paulo Portas era competente e preparada. Se Passos Coelho era radical e inexperiente, a equipa do CDS era ponderada e com provas dadas. Paulo Portas não foi atacado pelo PS, que via como única possibilidade de vitória o desvio de indecisos do PSD e capitalizou este estado de graça de forma exemplar. O apelo ao voto útil da recta final e a menor assertividade, para não dizer mais, como partido do mérito e do trabalho e um asserto na comunicação do principal concorrente pelos votos dos indecisos explicam um resultado que sendo muito bom poderia ter sido melhor.

O CDS vai para a negociação para a formação do governo com o PSD com uma posição forte. Uma proporção de votos de 1 para 3 com convergência quase total nos programas de governo. O programa não escrito do CDS é o da Troika. O programa do PSD é baseado na Troika. A dimensão do trabalho e a exigência do programa dará espaço para evidenciar quem for capaz de fazer cumprir, de evidenciar os competentes. Esperamos que o CDS coloque uma equipa no governo que tenha as características alardeadas por Paulo Portas nas eleições, disso dependerá o resultado do CDS nas próximas eleições que esperamos serão dentro de 4 anos.

Resultados das Legislativas 2011 – PS

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 20:14
Tags:

A derrota do PS terá sido inevitável e não foi maior pelas mesmas razões que terá sido inevitável. Sócrates terá sido o político português mais odiado e desprezado de sempre. Como muitos outros lideres autoritários odiados pela maioria da população tem uma base de apoio fanaticamente convicta e uma clientela base robusta e poderosa. No meio muitos que não sabendo o que pensar oscilaram entre a empatia por quem era tão directamente atacado e a incompreensão, desalento e por fim entendimento das motivações dos sentimentos negativos. Nunca o PS foi tão confundido com o seu líder, nunca uma eleição foi tão pessoal e personalizada. E a avaliação do povo Português foi peremptória e inequívoca.

O dia 5 de Junho será um dia de viragem do Partido Socialista. Uma derrota eleitoral desta magnitude era fundamental para que José Sócrates saísse de cena. Até ontem o PS era José Sócrates, uma voz e um discurso. É a oportunidade para o PS pensar que partido quer ser e com que tipo de liderança se quer apresentar. O PS terá de decidir ser quer ser o verdadeiro Partido Social Democrata Português ou se será um verdadeiro Partido Socialista. De qualquer forma tão cedo não deverá ter um líder com o estilo autocrático e centralizador de Sócrates.

O PS sofrerá muito nos próximos tempos. Com a queda do governo e derrota nas legislativas as vozes do exterior serão cada vez mais e menos contidas a que se somarão as até agora amordaçadas vozes do interior. Todos os que não falavam e denunciavam por medo de perder algo ou por medo de castigo falarão agora pelas razões inversas. A governação de Sócrates será escrutinada e não será de admirar que seja castigada judicialmente. A comunicação social não estará dependente nem pelo controlo directo, nem via regulação nem indirectamente pelas benesses e castigos que eram distribuídas quer pela publicidade paga ou em empresas do grupo. Os amos serão diferentes e os gestores da comunicação social de Sócrates não se admirarão por ser mordidos por quem antes alimentavam, isto se não se anteciparem, e tal como o chefe, abandonarem a vida política.

O PS está carregado de pessoas válidas, bem intencionadas e honestas. Esperamos todos que no fim sejam estas as que saiam por cima e que não desistam de limpar um partido fundamental em Portugal. Separem as águas e não defendam com a lealdade da loja quem fez mal ao País e contribuiu para um estado miserável do PS. Se tiverem de ir abaixo dos resultados destas eleições para o fazerem que o seja mas recuperem a ética republicanos que sempre anunciaram.

A maioria dos Portugueses castigaram quem não negociou com os credores. Quem não se comprometeu com um contrato fundamental para a solvência do Estado Português. Da nova liderança do PS exige-se que cumpra este acordo, que não caia na tentação de ouvir e defender a minoria ruidosa. Pessoalmente espero que o façam com entusiasmo.

Resultados das Legislativas 2011 – PSD

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 19:13
Tags:

Se existe um grande vencedor nestas eleições esse vencedor foi Passos Coelho.

Conseguiu ter uma maioria muito confortável em uma vitória apenas comparável com a de Durão Baroso. Não se tratou de uma re-eleição como nos casos das vitórias folgadas de Cavaco Silva.  Mesmo Durão Barroso, não tendo sido re-eleito, concorreu contra um lider do PS que não buscava a re-eleição. Isto em um país centralista de gentes criadas e nutridas no respeito à autoridade do lider que se confunde com o País é muito, muito mesmo.

Uma vitória valorizada por ter aberto o flanco de uma forma que em vários momentos pareceu suicida, apresentando medidas muito concretas em vez dos tradicionais consensuais e vagos “objectivos” que enchem programas e manifestos eleitorais. Um flanco aberto que agora pode ser capitalizado na governação, exactamente por ter sido discutido na campanha. O programa está lá e foi discutido, pode-se mesmo dizer que foi o único programa discutido. Não só ficou claro que o acordado com FMI/BCE/CE seria para cumprir como ainda seria para ir mais longe. Se o PSD não cumprir com um plano que será duro para uma maioria de minorias muito vocais não será por ter escondido as medidas que lá estavam, não será por ter escondido o que ia fazer.

Internamente conseguiu reunir quase todo o partido com excepção do núcleo duro da anterior liderança de Manuela Ferreira Leite. Esta terá sido uma razão para o sucesso final, foram os ex-presidentes do PSD os vários crivos que ajudaram os indecisos a confiar em Passos Coelho. Este “quase” poderá ser crítico na governação. Se existe alguém que lhe poderá dificultar a vida nos próximos 4 anos será um dos mais indiscutíveis apoiantes e apoiados de Ferreira Leite, o Cavaco Silva. A vida ser-lhe-á mais fácil se (1) escolher um ministro das Finanças do agrado do Presidente da República e se (2) tiver atenção à agenda conservadora/cristã, concretamente no apoio fiscal à família e no papel das instituições ligadas à Igreja na Educação, Saúde e Seg. Social. Será um equilíbrio dificil dadas as exigências de tantos outros grupos de pressão e dos cortes necessários no orçamento. Estará de qualquer forma longe do objectivo de Sá Carneiro. Em outro país este Presidente e este Primeiro Ministro seriam de partidos diferentes.

A primeira grande prova será a formação do governo. Este governo terá de ser o mais forte de sempre em Portugal. Politicamente e tecnicamente. A pressão dos notáveis de Portugal tem sido  tremenda. Nunca foi dado tanto ênfase à necessidade de servir Portugal, da necessidade de contribuir para a saída do buraco em que estamos.  Dificilmente alguém se negará a participar em um governo que será de salvação nacional. Fica o ónus em Passos Coelho, não terá a desculpa de falta de disponibilidade dos melhores para se rodear de amigos e de credores.

Se existem poucas dúvidas que o entendimento será fácil com o CDS, com um líder que já mostrou ser leal ao PSD no passado, restam dúvidas sobre qual será a relação do governo com o PS. O pior que pode acontecer ao PSD será que seja eleito como secretário geral do PS um líder que não esteja comprometido com o acordo assinado pelo governo de Sócrates.  Um líder não comprometido, mesmo que formalmente cumpra o acordado, limitará ao mínimo o entendimento e dificultará tanto na Assembleia como na Rua a implementação de medidas que poderão de ter de ser suportadas por alterações à Constituição da República. A reunião pré-eleitoral com Mário Soares afasta o pior cenário mas até que saia fumo branco da chaminé do Largo do Rato…

Tendo sido uma grande vitória, atrevo-me a dizer que uma parte substancial dos eleitores que votaram no PSD estão contentes por esta não ter sido maior. Muitos que votaram PSD estarão satisfeitos por o PSD ter de formar uma maioria mais alargada com o CDS, ao que se juntam todos os que como eu, votaram na equipa do CDS como contraponto e mais valia no futuro governo que se regerá fundamentalmente pelo programa do PSD que por sua vez se enquadrou no acordado com a famosa Troika.

Junho 5, 2011

Parabéns

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 21:32
Tags:

José Sócrates acabou de fazer um discurso de derrota com uma primeira parte impressionante. O inicio foi perfeito, foi para o país e enorme. Se tivesse ficado por ali tinha ficado para a história.

Assim fica para a história…que se vai embora. Parabéns a todos que permitiram que este final tenha sido possível.

Manuel Alegre é de que partido?

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 20:57
Tags:

Em entrevista para a RTP Manuel Alegre parecia mais alegre do que muitos apoiantes do PSD…

Página Seguinte »

Tema: Rubric. Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 2.436 outros seguidores