O Insurgente

Maio 16, 2013

Robin dos Bosques?

Filed under: Comentário,Diversos,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 15:53

Reza a história que um grupo de fora da lei liderados por um nobre revoltoso roubava aos cobradores de impostos do Rei João para distribuir pela população empobrecida e esmagada pela carga fiscal.

Com os portugueses a empobrecerem ao mesmo tempo que a carga fiscal aumenta não deixa de ter a sua piada o assalto à repartição das finanças de Gondomar. Só faltou os assaltantes distribuírem parte do dinheiro roubado pelos contribuintes das redondezas para termos uma versão Lusitana do Robin dos Bosques.

 

Disclaimer: Não serve este artigo de apoio a nenhuma forma de violência, muito menos à mão armada, sendo que é de saudar não terem resultado feridos do assalto.

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Maio 10, 2013

Direção versus destino

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 11:44

O meu artigo de ontem no DE. Sendo a direção a correcta, falta definir o destino. O que é que queremos que seja o Estado? Não basta dizer que queremos um Estado viável.

“(…) Dois anos depois da tomada de posse deste governo esperava-se outra coisa. A redefinição das funções base do Estado, a forma como estas são executadas e, por fim, a reorganização com impactos profundos na sua orgânica. O anúncio do objectivo sem a apresentação de um plano, pelo menos de nível estratégico, não é justificável.(…)”

O que aí vem

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 11:26

Duas das grandes missões que este governo tinha continuam sem sucesso à vista. A reforma do Estado e a liberalização da economia.

Parece que o Governo vai, por força das Finanças, reduzir o peso de uma das funções do nosso Estado tal qual existe, o de dar emprego. Nada de estrutural, mais uma missão de controlo de deficit. Pode ser que seja este o mote para exista a remoção das barreiras à entrada na maior das indústrias. Quem conhece as particularidades de cada sector sabe a dificuldade que é montar um infantário, um negócio de transporte de passageiros ou uma empresa de extracção de minérios. Com a quantidade de desempregados que continuarão a aumentar pode ser que o Governo seja empurrado a dar um pouco mais de liberdade às pessoas para empreender e investir o seu tempo e know-how. Precisaria de combater os lobbys sectoriais com tanta força quanto a que vai precisar para responder aos lobbys corporativos que amarram a função pública e combaterão contra a diminuição da despesa com pessoal.

Infelizmente tenho uma esperança quase nula que após 2 anos essa força e determinação apareçam. Pode ser que peguem no bom exemplo dado pelo Adolfo Mesquita Nunes, nunca se sabe.

Março 27, 2013

Para inglês ver no DE

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 16:45

Artigo de hoje no Diário económico sobre a anunciada moção de censura do PS.

“(…) Pelo caminho, as moções de censura do PS de José António Seguro, das quais esta deve ser apenas a primeira, um PS com uma estratégia baseada não em políticas alternativas concretas mas no jogo político que é a regra na nossa já não jovem democracia, não servirão para nada a não ser para aumentar o carnaval político. Serão para “inglês ver” e para dar trabalho a comentadores políticos. Obrigado.”

Sócrates na RTP, regalias dos funcionários na TAP, critérios de concessão de crédito da CGD

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 16:07

O que é que estas decisões têm em comum? São decisões sobre as quais não gostaria de ter de ter uma opinião. Se não fossem do Estado eram assuntos que só diriam respeito aos proprietários privados. Para o bem ou para o mal.

 

Março 21, 2013

Pouco pão, muito circo

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 22:11

“Então e o Relvas não bloqueou isto do Sócrates? Afinal ele não manda na RTP?”

Perguntas ingénuas. Se é inevitável que o PSD tenha uma forte influencia na RTP, como partido do governo, e claro que a figura Miguel Relvas seja central nesta influencia, a haver exercício da mesma terá sido no sentido de favorecer a decisão de dar este tempo de antena a José Sócrate. Não estou a ver muitas notícias melhores que esta para o Governo. De repente têm um circo montado, com todas as atenções viradas para o que Sócrates disse ou não disse, com as suas opiniões vistas à luz da sua governação. Nem o que passa em Chipre é melhor para desviar as atenções. E será um circo contínuo.

Na antiga Roma distribuía-se trigo para satisfazer as necessidades mais básicas do povo e pagava-se o circo para que houvesse distração. Não há dinheiro para distribuir para o pão, mas o circo já o arranjaram.

Março 8, 2013

A carta de Pedro Nuno Santos a Alexandre Soares dos Santos (2)

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 18:04

E já se sabe quem é o amigo do Pedro Nuno Santos que é dono da tal fábrica de bicicletas em que é suposto o Alexandre Soares dos Santos investir?

Pergunta para os estudiosos de Ética: Se um familiar do Pedro Nuno Santos comprar uma participação na fábrica antes do Alexandre Soares dos Santos comprar, é “inside trading”?

De acordo com a Constituição só há um caminho

Filed under: Economia,Política,Portugal,Teoria — Ricardo G. Francisco @ 12:05

Considerando que, de acordo com a nossa Constituição:

Do artigo 58:

1. Todos têm direito ao trabalho.

Do artigo 60:

a) O estabelecimento e a actualização do salário mínimo nacional, tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento; 
b) A fixação, a nível nacional, dos limites da duração do trabalho;

Do artigo 62

1. A todos é garantido o direito à propriedade privada e à sua transmissão em vida ou por morte, nos termos da Constituição.

2. A requisição e a expropriação por utilidade pública só podem ser efectuadas com base na lei e mediante o pagamento de justa indemnização.

 

Temos de concluir que deve o Estado tomar as seguintes medidas:

- Ou forçar alguns indivíduos a contratarem quem não tem trabalho(artigo 58) pagando um mínimo (artigo 59) independentemente do trabalho que façam, pagando o Estado a justa indemnização (artigo 62) que será a diferença entre o valor do trabalho e o salário mínimo

ou

- Deve o Estado contratar quem não tem trabalho (artigo 58), pagando um mínimo (artigo 59).

Durante as últimas 3 décadas sucessivos governos têm apostado em combinações destas medidas nunca conseguindo alcançar um objectivo também ele consagrado na constituição, a saber: “a) A execução de políticas de pleno emprego;” (também do artigo 58). Não conseguiram mas tentaram.

Como, e embora a nossa constituição não o preveja nem consiga garantir o contrário, para se distribuírem recursos estes têm de ser gerados, estes mesmos sucessivos governos têm financiado este e outros direitos com dívida, até mais ninguém emprestar recursos ao governo Português.

Quantas mais intervenções de entidades financeiras supranacionais terão de acontecer até que mudemos radicalmente a Constituição para um documento realista? Até lá estaremos a correr sempre o mesmo caminho, o caminho do endividamento e do empobrecimento e de submissão a quem não tem esses direitos mas tem muito mais liberdade e, menos, mas também importante, prosperidade.

Março 6, 2013

O Senhor da Venezuela e os pobres

Filed under: Internacional,Política — Ricardo G. Francisco @ 16:05

Era uma vez um senhor. Era o Senhor da Venezuela. Gostava tanto de pobres que lhes deu de comer. Gostava tanto de dar comida aos pobres que fez de cada vez mais venezuelanos pobres, igualmente pobres. E como gostava deles deu-lhes de comer. Como os pobres gostavam da comida gostaram do Senhor da Venezuela. Como o Senhor da Venezuela gostava cada vez mais de pobres fez tudo para garantir que os filhos e os netos dos Venezuelanos seriam cada vez mais pobres. E o Senhor da Venezuela dar-lhes-ia comida. E depois? Depois o Senhor morreu e ficaram os pobres, cada vez mais iguais e cada vez mais pobres.

Alternativas à apropriação do descontentamento pela extrema esquerda

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 11:20

Existe um descontentamento triste e irado com a situação do país que foi agravada pela traição que os partidos do governo fizeram a quem os elegeu.

Este descontentamento não é, à partida, nem de esquerda nem de direita. Poderá ser contra os partidos e contra o sistema político, em especial contra os partidos que estão no poder, e, em grande medida, com o PS também por ter estado antes no poder.

Como não existem grupos organizados sem ser à na extrema esquerda anti capitalista, este descontentamento está a ser apropriado em exclusivo por estes grupos, e sim, por partidos. Não fosse a situação de extrema fraqueza do BE e a má imagem do PCP não seria de admirar uma presença explícita destes partidos nos grandes movimentos de massas que estamos a ver a manifestarem-se.

Se liberais não aproveitam o momento para apresentarem, em um contexto de indignação, ideias claras, que sendo anti-sistema não são anti-capitalistas, arriscamo-nos a ver uma oportunidade histórica a ser aproveitada por movimentos populistas demagógicos anti-liberais. A culpa não será do “povo que não está preparado para ideias liberais”, será de quem está preparado mas fica parado.

Março 4, 2013

Os números que não foram contados na manifestação de 2 de Março

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 10:15
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No dia 2 de Março muitos milhares de Portugueses saíram à rua para manifestar-se. Entre 10.000 e 10.000.000 de pessoas foram manifestar-se, não a favor de medidas ou política concretas, mas sim contra o Estado do país. É fácil estar contra a situação em que vivemos. Pessoalmente também estou contra. Conheço poucas pessoas que não estejam contra.

Interessante seria saber quantos é que estarão de acordo se fossem colocados a votos medidas em concreto. Por exemplo, quantos, dos que estavam na manifestação seriam a favor de, de facto, mandarmos lixar a troika. De dizermos, queremos abandonar o programa, não contamos mais convosco. Nem com o vosso dinheiro nem com as vossas políticas. Nas últimas eleições apenas o PCP foi claro, como sempre foi, em relação ao Euro. Tiveram menos de 10% dos votos. Porque o mandar lixar a troika implica mandar lixar o Euro. Será que mais de 10% dos que se manifestaram no dia 2 votariam a favor de uma política coerente com o título da manifestação?

A verdade é que esta manifestação foi, como as anteriores, foi o único meio de expressão da frustração que a maioria sente. O único.

E se existissem outros grupos de activistas? E se a manifestação fosse com um título diferente? “Contra os aumentos de impostos!, Pela Liberdade! Exigimos uma reforma do Estado!. Quantos manifestantes seriam? Esse é o cálculo que gostava de estar a fazer um destes dias.

Janeiro 7, 2013

Sim, está previsto.

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 16:23

Miguel,

Respondo à tua pergunta. Sim, está previsto. Porque a constituição não limita a expropriação que o Estado pode fazer, quer dos rendimentos quer da propriedade. Chama-se Socialismo, e a Constituição garante um caminho seguro para esse destino. Até que todos os Portugueses sejam escravos dos donos do Estado.

Dezembro 24, 2012

O declínio da media tradicional e a desintermediação da informação

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 14:36

O declínio das empresas de midia tradicionais está directamente relacionado com os novos meios de comunicação, nomeadamente a internet. Ninguém discute esta afirmação. Alem da internet ser um meio muito mais eficiente e eficaz de partilhar a informação tradicional permite o enriquecimento desta com todas as informações relacionadas. Também aqui nada de novo.

Estamos a falar do meio de comunicação. Com um meio melhor não teria sido natural que as empresas de midia tradicionais fossem as melhor colocadas para extrairem de aí valor?

A História está a mostrar que a indústria como um todo está a ter muita dificuldade em adaptar-se a este novo meio, exactamente porque este novo meio reduziu o valor de um dos activos mais importantes que uma empresa de midia tinha. O acesso à informação crua e a subsequente selecção e edição. Um jornal ou televisão acedia à informação crua e servia como filtro para os seus clientes. Um filtro que era difícil de validar, especialmente porque por detrás de cada um dos meios de comunicação finais estavam agencias noticiosas globais que eram fonte única dos dados mais importantes.

A internet veio facilitar imensamente o acesso à informação base. Ao dia de hoje quem quer saber alguma coisa sobre um tema em particular vai à procura não nas versões online dos jornais de referência mas sim atrás das mesmas fontes que mais dia menos dia serão usadas por esses jornais. A isto soma-se que as novas fontes de informação estão tipicamente sujeitas a muito mais censura e contraditório do que os meios tradicionais, tornando-se, paradoxalmente, muito mais fiáveis do que os meios tradicionais, que embora tenham profissionais na selecção e edição de conteúdos não são corrigidos em tempo real por milhares de leitores.

É esta barreira de exigência que os meios de informação tradicionais têm de conseguir superar para se justificarem, se é que isto é possível. Quanto mais pessoas estão ligadas à rede maiores os recursos online e menos peso terão os os jornais e as agências como fonte de notícias certificadas.

Este último caso de Artur Batista da Silva é apenas mais uma cruz na credibilidade dos media tradicionais para conseguirem trazer novidades para o público. Sem esta credibilidade ficarão resumidos a panfletos ou ao tipo de conteúdos que aqueles que não têm acesso à informação online diariamente preferirem consumir.

Dezembro 4, 2012

De acordo João

Filed under: Comentário,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 01:30

Estamos de acordo, João, pelo menos com esta frase: “(…)Se o Governo quer mesmo poupar as famílias e a economia a mais austeridade destrutiva, só lhe resta uma saída: renegociar o memorando.(…)”,

Este acordo é impossível de cumprir. Só se entende que tenha sido assinado se nos lembrarmos de quem o assinou. Deves lembrar-te deles, dos implementadores de políticas de “crescimento”. Exactamente, esses teus amigos a quem parece que agora viras as costas com essas críticas ao memorando por eles negociado e assinado. Políticas de “crescimento”, sem aumentar impostos nem reduzir a despesa. Para bom entendedor, crescimento do bolso de alguns e da dívida de todos. Esses conseguiram enganar bem o povo. Será que também vais conseguir? Pelo menos tentas, e com toda a qualidade que se te reconhece.

Uma coisa é certa. A minoria que enche os bolsos com as políticas de “crescimento” com que tentas burlar os Portugueses, devem salivar cada vez que te ouvem falar. “Será que depois de tudo o que se passou, isto pega?” Pensaram eles. Eu tenho a dizer, que se pegar vai ser contigo. Tens jeito. E já sabemos, se uns quanto têm muito a ganhar com o “crescimento”, o financiamento do partido do crescimento dos bolsos de alguns não deve faltar.

Vamos ver como as coisas correm. Como sou optimista conto que as pessoas que por cá vivem, quando forem a votar, se lembrem de porque é que precisam do dinheiro da troika, e o que é este que custou, custa e continuará a custar. Se não forem lá por conta própria pode ser que os netos, filhos e irmãos que que tiveram de imigrar lhes lembrem. Há que ter esperança. De acordo João?

Novembro 28, 2012

Lições para o nosso governo

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 14:34

Temos de aprender com os dados revelados nesta notícia. Parece que perante um aumento de impostos sobre o rendimento aos trabalhadores com mais rendimentos, um aumento considerado justo pela maioria da população e com o objectivo de manutenção das mais nobres funções do Estado social Inglês, os malandros dos trabalhadores deixaram de ser contribuintes ingleses, reduzindo de facto e substancialmente a colecta fiscal.

Antes que seja tarde devem os nossos governantes combater esta evasão de contribuintes. Podem por exemplo cobrar por conta o IRS assumindo pelo menos o mesmo rendimentos dos anos anteriores. Pelo menos. O congelamento das contas é aconselhável e a proibição da saída do país deve ser estudada urgentemente. Para facilitar o controle destes contribuintes é óbvia a vantagem de serem agrupados em zonas delimitadas da cidade, uma política que já deu bons frutos em outras situações históricas similares. 

Chamo a atenção para o conselho de analisarem rapidamente a proibição da saída do país. Aqui a história ensina a todos os governantes amigos das mais amplas liberdades populares, como os nossos. Hitler levou algum tempo a controlar a saída dos Judeus da Alemanha, os ricalhaços da altura, e depois pagou essa hesitação bem caro. Não hesitem.

Tudo pela defesa do Estado Social e pelo o crescimento socialmente justo e responsável.

PS: Uma nota positiva para o nosso governo. Nós vamos mais à frente. Já estamos a apanhar os ricalhaços que ganham 80.000 Euros por ano com um imposto sobre o rendimento acima dos 50%. A Inglaterra ainda vai no 1.000.000 e a Alemanha nos 500.000. Ainda dizem que Portugal tem regredido…não olham para o que interessa.

Novembro 27, 2012

Crónica de uma morte anunciada

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 19:36

A apresentação da proposta de OE 2013 colocou o prego final no caixão da esperança que eu e muitos dos que votaram no PSD ou no CDS  tinham na implementação de reformas estruturais no Estado.

Existia a possibilidade de não terem sido implementadas até agora as ditas reformas porque estas implicariam uma mudança radical na orgânica do Estado o que só seria viável  com o primeiro orçamento feito por este governo. Teria o governo aproveitado este ano em que implementou um OE desenhado à pressa em 2011, para, nos gabinetes, desenhar o Estado reformado que tantas vozes destes partidos consideraram fundamentais. Um Estado que senão ideal para as ambições liberais de tantos que votaram nos partidos da coligação, que pelo menos diminuísse as funções e peso do Estado o suficiente para diminuírem a carga fiscal que já era insuportável para quem quer trabalhar e produzir. Um Estado mais promotor de liberdade de escolha e concorrência e menos garante de benefícios de corporações de rendas de interesses instalados. Era esta a esperança. A esperança que morreu.

Neste momento está claro que não foi o caso. Andaram em 2012 a fazer a gestão corrente do Estado que é aquele que gostam. Gostavam de ter mais dinheiro de contribuintes e, porque não, dos bancos, para gastar mais neste Estado que tudo consome. Mas é só isso que gostariam de ter de diferente. É deste Estado que gostam. Está claro e não está aberto a discussões.

Não se coloca em questão que muitos dos que estão no governo e na AR não estão de acordo com os Partidos. Como demonstraram na aprovação do OE os deputados da maioria, votamos em partidos, não em deputados. O CDS e o PSD mostraram que gostam deste Estado. Os indivíduos dentro do partido que não estão de acordo são portanto irrelevantes. E parece que só são aceites enquanto forem irrelevantes. Desde que não coloquem em questão o modelo de Estado que os partidos em que estão gostam e ajudaram a construir nos últimos 30 anos.

Este OE 2013 é a morte da relação o PSD e o CDS e os seus eleitorado que não gostam deste Estado. Este foi o erro político que os dirigentes destes partidos fizeram. Preferiram que o PSD e o CDS continuassem a ser os partidos das corporações e interesses. Terão feito bem as contas? Espero que não, será sinal que cada vez mais portugueses entenderam para que é que servem os partidos no nosso sistema político e a real diferença entre eles.

Quanto aos deputados que nos estão mais próximos, pessoal e ideologicamente, o Adolfo Mesquita Nunes e o Michael Seufert, apenas posso dizer que espero que lembrem o seu líder que deve esperar que o eleitorado agrícola e idoso lhes permaneça fiel, porque o eleitorado jovem liberal já perderam.

Novembro 19, 2012

Morgan Freeman explica como a discriminação positiva perpetua o racismo

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 16:27

O racismo, para existir, precisa que indivíduos sejam catalogados em função da raça. A discriminação positiva racial é apenas mais uma forma de racismo e perpetua-o. Morgan Freeman com Mike Wallace explica-o melhor que ninguém.

Novembro 16, 2012

Pequenas diferenças entre os EUA e Tugal

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 14:37

Eles têm o direito constitucional de ter uma arma, nós temos a calçada Portuguesa paga pelos contribuintes.

Outubro 17, 2012

O exemplo tem de vir de cima

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 10:43

Qualquer gestor sabe que o exemplo tem de ser dado de cima para baixo. Querem ter colaboradores pontuais? Então têm de ser pontuais. Querem ter colaboradores que se preocupam com a redução de custos de funcionamento? Dêem o exemplo.

Uma das grandes promessas do PSD quando foi para o governo foi o corte dos custos intermédios. Custos que têm a ver com compras e manutenção de bens e serviços que não são fundamentais em si para o exercício das funções do Estado. Custos em comunicações, transportes e combustíveis, limpeza e higiene, decoração, comunicação, consultoria são exemplos de custos intermédios.

Os custos intermédios são influenciados por milhões de pequenas decisões de consumo e compra por toda a máquina estatal. O administrativo pode deixar ou não uma luz acesa. O motorista pode ou não usar a viatura para ir buscar a mulher ao trabalho, o técnico pode ou não pedir uma impressora nova, o coordenador pode ou não exigir uma contratação externa de um serviço, um director pode pedir telefones de 500 ou 100 Euros no contrato de telecomunicações móveis. Para cada uma destas decisões, independentemente do orçamento, o momento da decisão vai ser pautado pela análise: O que é que o meu chefe faria. Qual é a politica real aqui? Estamos a controlar custos a sério ou estamos só a comunicar para fora que estamos a cortar custos? É aqui que a importância do exemplo que vem de cima entra.

O exemplo no corte de custos tem de vir de cima. O pedido que se faz aos mais altos responsáveis políticos para que dêem o exemplo nos custos com as estruturas de reporte directo, aquisições de viaturas ou contratações de serviços externos não são um ataque à classe ou demagogia. São um apelo a que dêem o exemplo. Sem o exemplo de cima será como dizem, é impossível cortar mais na despesa e continuarão a aumentar impostos até não existir riqueza para ser expropriada.

 

 

 

Orçamento de base zero

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 10:22

Após ano e meio de governação o principal ficou por fazer. Parece que este PSD que foi eleito para reformar o Estado chegou e gostou do que encontrou. Parece que a reforma está feita. As consequências estão à vista e ninguém acredita no orçamento de estado do próximo ano.

Mesmo considerando que o PSD e o CDS concordam com as funções do Estado tal como existem hoje podia ter sido feito muito mais. A orçamentação de base zero nunca foi sequer iniciada. A reforma orgânica que deveria ter sido iniciada no momento zero também não. Os números que aparecem no orçamento são agregações de agregações de variações sobre números de anos anteriores. Por isso é que gostam nas finanças do discursos de cortes de x% em determinada rubrica  Cortam 10% em alíneas que forçosamente vão crescer 20% e só cortam 10% em alíneas que deviam ter zero por já não terem razão de existir. Os cortes cegos que dariam despedimento a qualquer gestor em uma empresa privada.

Os orçamentos de base zero são complicados de fazer porque exigem trabalho de fundo, de entender que custos são necessários para atingir os objectivos propostos e porque evidenciam fundos mal empregues. As razões para serem tão complicados de fazer são as razões para serem tão importantes de serem feitas.

Enquanto não for feito um orçamento de base zero não podem políticos dizer que foi tudo ou quase tudo feito do lado da despesa. Mesmo os que querem tudo menos a reforma do Estado como os que estão hoje no Governo.

Outubro 2, 2012

Toda a verdade (sobre a CGD) – no DE

Filed under: Media,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 17:57

Artigo publicado no DE hoje.

“(…)A CGD é desde sempre uma ferramenta fundamental para os interesses do partido no poder. Nos últimos anos permitiu o financiamento de aquisições de participações relevantes da EDP, GALP, Portugal Telecom e BCP, de projetos imobiliários, rodoviários e ferroviários injustificáveis.

Permitiu a nacionalização encapotada do BPN e do BPP. No meio de grandes decisões que sem dúvida nenhuma foram do interesse de clientes do partido do poder, e contra os interesses dos acionistas em última instancia, os Portugueses, foram tomadas milhares de pequenas decisões de financiamento irracional que tiveram consequências negativas em toda a economia.(…)

Setembro 18, 2012

A Foice

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 17:28

Para termos livre circulação de pessoas e mercadorias na Europa não precisamos de estar na União Europeia. Para termos uma moeda estável, não instrumentalizada pelo Estado para financiar despesa ao custo da sua desvalorização não precisamos de estar no Euro. La está a Suiça como demonstração destas afirmações.

Portugal não é a Suiça. E sem entrarmos em considerações sobre a cultura ou ideologias dominantes podemos olhar para a nossa constituição. A nossa constituição, o farol da governação, obriga a um aumento do alcance do Estado e respectiva despesa sem restrição nenhuma quanto à forma e intensidade da recolha de receita (impostos ou outras expropriações), incluindo a que implica a desvalorização da moeda.

Por isso, se formos forçados a sair do Euro, o que acontecerá depois é fácil de antever. O Governo usará a nova moeda, a Foice, para financiar o pagamento de deficits e de nova dívida. Com a ausência de mercado de dívida externo para a dívida denominada em Foice, a desvalorização seria muito rápida. Com a constituição que temos este problema apenas seria agravado. Não estaríamos a voltar ao ponto de partida, ao ponto pré-euro. Teríamos uma dívida várias vezes superior, um múltiplo que escalaria com a desvalorização. As consequências para as empresas seria devastadora. A nossa economia ajustou-se a viver em moeda única. Há poucas empresas que não têm nos seus inputs bens e serviços adquiridos em Euros ou USD, resultado da estabilidade cambial (a 100% com os países da zona Euro). Um ajuste que foi feito em 20 anos, desfeito de repente. A destruição de empresas e emprego por esta via não é facilmente substituível. Não estamos no sec XX em que se tratava de substituir a importação de trigo pela produção de batatas. Os bens e serviços que teríamos de substituir exigem Know how específico e capital relevante. Tudo o que não iríamos conseguir adquirir facilmente.

Sim, a saída do Euro seria uma catástrofe. Muito provavelmente atrás da crise económica e social viria o fim do regime. Acreditar que o que viria depois é melhor do que temos é no mínimo wishfull thinking.

Em tese e abstracto uma moeda fiduciária gerida por uma instituição que não responde a nenhum órgão de soberania nacional é mau. Pior mesmo seria a Foice, uma moeda fiduciária gerida por um governo eleito para seguir a nossa constituição e com a dívida e déficit que temos.

Qual a alternativa? A alternativa existe, especialmente se as pessoas se capacitarem o que significa o não seguimento dessa alternativa. O nosso Estado não é viável. Tem que ser reformado. E pelo caminho temos de reformar a constituição. Depois podemos saír do Euro.

Até tu empresário?

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 12:26

Houve algum espanto por parte de membros do Governo com a reacção (negativa) à proposta de diminuição da TSU do lado das empresa. Se não estivessem a olhar para modelos macro-económicos e tentassem perceber os impactos micro-económicos talvez não estranhassem tanto estas reacções.

A redução da TSU do lado das empresas foi apresentada como tendo uma contrapartida de aumento da TSU do lado dos trabalhadores.  Isto tem 4 grandes impactos:

1. A potencial degradação das relações entre empregadores e empregados. Entenderam muitos trabalhadores que iam receber menos para “pagar aos patrões”.

2. Para novos contratos, e para o mesmo nível de remuneração líquida,  o custo total será superior para as empresas. Um contrato de trabalho é a troca entre um empregador e um empregado. Um dá trabalho e recebe um salário líquido e para tal o empregador tem de gastar o suficiente para pagar esse salário líquido e cobrir os impostos Estatais.

3. Para os contratos já existentes, mesmo que o empregador reverta para o empregado todo o benefício da redução da TSU, o empregado vai receber menos.  Vai receber menos pelo menos trabalho, e mesmo que a situação de conflito seja resolvida, fica a sensação de injustiça e potencial perda de produtividade ou mesmo emigração.

4. Para empresas que não dependam dos consumos do Estado directamente, empresas que trabalham no mercado de consumo, qualquer medida que diminua o rendimento disponível é muito pior que uma medida que diminua por exemplo o investimento em infraestruturas. Não é por acaso que não foram os responsáveis pelas grandes construtoras e bancos a manifestarem-se contra esta medida.

A pergunta que todos temos de fazer é como é que pode o governo alcançar o objectivo do deficit para o ano. Por aqui continuamos a defender uma alteração substancial das funções do Estado.Pode começar já  com a saída do Estado de todas as funções económicas como agente directo e limitando progressivamente a sua influencia indirecta como regulador. Em paralelo a reforma orgânica que per si tem um potencial de redução de custos directos difícil de quantificar sem ter a relação entre organogramas e custos directos.

 

Um homem honesto

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 09:46

Esta frase, retirada de um dos mais lidos discursos da história (não em Portugal infelizmente), chamado à atenção pelo Miguel Noronha aplica-se que nem uma luva aos dias que vivemos:

“(…) An honest man is one who knows that he can’t consume more than he has produced.(…)”

Setembro 17, 2012

Lá se vai o dinheiro dos contribuintes…pelo Marquês abaixo

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 14:24

Em um dia em que Lisboetas se perguntam porque é que mexeram em uma rotunda que funciona quando há tantos pontos da cidade onde o transito pode ser melhorado, vale a pena lembrar as observações que um cidadão comum faz a António Costa (excerto de uma peça da SIC).

2 Milhões do bolso de todos nós

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 14:17

2 Milhões de Euros que saem do bolso dos contribuintes. Porque a FPF é de todos nós, mesmo dos que não sabem com quantas bolas se joga um jogo de futebol.

Setembro 15, 2012

Primeiro discurso em Lisboa : Rasgar o memorando da troika

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 19:07

No primeiro discurso foi dado o mote, o objectivo é “rasgar o memorando da troika”. Espero que todos tenham aplaudido!

Já disse como é que Mao chamava carinhosamente aos jovens idealistas?

E se o FMI se fosse embora amanhã?

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 18:54

E se o FMI fosse embora amanhã? Com uma anúncio justificando a saída com a manifestação de hoje.

Qual seria a cara da maioria das pessoas que foram à manifestação de hoje?

Mao tinha um adjectivo para indivíduos com boas intenções facilmente instrumentalizáveis, e não era simpática: Idiotas úteis.

Como a esmagadora maioria dos Portugueses acho que esta subida de impostos anunciada para 2013 ultrapassa todos os limites. Não participaria em uma “manifestação contra a troika” que tem pago salários e pensões de várias pessoas da minha família. É uma questão de decência. Não é a troika que cobra impostos e que se alimenta deles. Se o FMI se fosse embora amanhã…eu nem quero imaginar como ficaria este país.

 

Setembro 14, 2012

Para cada sujeito passivo a administração fiscal é um ladrão

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 10:30

Diz o bastonário da OTOC, no vida económica hoje: “Para a administração fiscal cada sujeito passivo é um ladrão”.

No meio da entrevista, retirado directamente do VE, diz também:

“(…) a pior coisa que pode acontecer a qualquer país é quando as pessoas interiorizaram que estão a ser injustamente tratadas. É o que está a acontecer na restauração. As pessoas interiorizaram que se lhes está a exigir para alem das suas possibilidades e que estão a ser tratadas injustamente.Isto é importante dizer, porque legitima para que elas incumpram com os seus deveres.(…)”

O que acontece quando se é tratado como um ladrão por quem se vê como um ladrão? Como o ladrão tem a força do lado dele escondemos-nos e os nossos pertences. E se sabemos que o ladrão vai continuar a voltar? Ou, fugimos, emigramos ou recebemos o ladrão com violência proporcional.

O Príncipe João era um mãos largas por comparação com o  nosso Estado. O Xerife de Nothingham era um menino de coro por comparação com a nossa DGCI. Robin Hoods, procuram-se. Precisamos de protecção contra o Estado.

Setembro 13, 2012

Outra manifestação pela saída do Euro…

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 14:12

Os organizadores chamam à manifestação a favor da saída do Euro: Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!

Durante os próximos tempos vamos encontrar várias manifestações semelhantes, inspiradas na série de medidas recentemente anunciadas a serem incluídas no OE 2013.

Eu continuo à espera da manifestação “Contra a subidas de impostos! Pela diminuição da despesa do Estado! Queremos as nossas vidas!”. Nessa participava.

Ainda pode ser uma coisa a tentar este ano…aposto que não vai ser promovida na RTP.

Setembro 12, 2012

Erro metodológico?

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 10:50

Vamos assumir que o grande objectivo deste governo é atingir as metas de deficit previstas no MoU com a Troika e que para isso tem de jogar com medidas que alterem variáveis com efeito na despesa e medidas com efeito na receita.

Na gestão sabemos uma máxima. Os custos de estrutura controlamos, a receita e custos variaveis não. Para empresas isto é menos verdade do que para o Estado. Os custos de estrutura dependem de alterações legais produzidas pelo governo.

O Governo pode quantificar ao Euro medidas de redução de custos de estrutura do Estado. Ao Euro, repito. Vítor Gaspar pode dar previsões de quanto é que iriam ter mais de receitas mas não pode em relação à redução de despesa.

Esta linha de comunicação só pode ser explicada com a relação que o governo tem com o país. A facilidade com que comunica impostos é inversamente proporcional à dificuldade que tem em comunicar cortes na despesa estrutural. Isto assumindo que eles vão existir.

O exercício orçamental deveria ser feito com base primeiro no dimensionamento dos custos estruturais. Estes terão efeitos na despesa variável (subsídios de desemprego e indemnizações) mas também em receitas extraordinárias (alienações de património) e apenas depois nas receitas e nas despesas variáveis. Os efeitos dinâmicos implicariam a revisitação dos pressupostos decorrentes das medidas.

A não quantificação à cabeça da despesa estrutural prevista sugere que o método é inverso. Assumem rigidez na despesa estrutural e modelizam impactos nas despesas e receitas variáveis até chegarem a um cenário que dá conforto no cumprimento da meta do deficit. Posso estar enganado mas a comunicação do ministro das finanças assim o indicia.

Vazio partidário

Filed under: Diversos,Economia,Política,Teoria — Ricardo G. Francisco @ 09:30

Serviu a intervenção de Vítor Gaspar para ficarmos a saber…nada de novo. A maior novidade para o orçamento de 2013 já tinha sido aflorada nas declarações do Primeiro ministro Passos Coelho ao país.

Dizemos muitas vezes que é impossível chegar ao poder com mensagens liberais. Que para chegar ao poder os políticos têm de prometer benesses. Não foi o caso deste governo. O PSD ganhou as eleições com o discurso mais liberal desde sempre. Ainda hoje, e para fora do país, continua a ser usado esse discurso liberal. Passos Coelho ganhou o país e boa imprensa no exterior com este discurso. O discurso e as ideias liberais são populares. Talvez por razões práticas, talvez porque o Estado atingiu uma dimensão que sufoca a maioria das pessoas. As benesses já não compensam o que pagam directa e indirectamente. Independentemente das motivações o facto é ganharam as eleições com um programa que era explícito em relação ao aumento de impostos. Que era explícito sobre a orientação para a saída do Estado de vários sectores da Economia. Que era explícito sobre o remédio para o bizantinismo do Estado.

Um ano e meio de governação depois a lista de subidas de impostos é memorável. Não duvidaria que o mais liberal governo no discurso tivesses sido o que mais aumentou impostos. Isto demonstra que o liberalismo foi usado para ganhar eleições, que foi táctico e não convicto. Mostra também que se o discurso liberal ganha votos, não é simples de implementar em Portugal.

A minha interpretação das razões para termos chegado aqui é de que chegaram à conclusão que não poderiam implementar uma linha de redução real do peso do Estado sem afectarem demasiado clientelas, interesses e as estruturas do partido. Fizeram o fácil, vender activos com liquidez e reduzindo despesa em continuidade com o que tinha sido feito pelo PS anteriormente. Nas próximas eleições alguém vai acreditar na diferença entre PS e PSD? Da mesma forma que os portugueses mostraram maturidade ao apreciar um discurso liberal vão julgar esta coligação como não liberal.

As boas notícias são de que estão a criar um vazio partidário. Pode ser que seja o CDS a aproveitar-se desse vazio e o preencha, mas para isso terá de tomar posições firmes nesta altura, o que dado o famoso “interesse nacional” não parece provável. O surgimento de uma alternativa partidária liberal, para ter peso mediático dentro de 2 anos teria de aparecer já, o que também não parece provável. Fica um vazio partidário por preencher.

Setembro 5, 2012

40 Milhões hoje ou 40 milhões amanhã…Mais vale um Witsel na mão que um Hulk a voar

Filed under: Diversos,Media,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 14:20

Parece que, e segundo o Zenit, Hulk terá sido vendido por menos do que Witsel. 40 milhões hoje valem mais mais do que 40 milhões em 3 anos.

André, tens a resposta para a tua pergunta. Sendo que parece que foi o Hulk que foi por menos de 40 milhões.

Não deixam de ter sido dois grandes negócios feitos pelo FCP e pelo SLB. Se um foi melhor que o outro é apenas um reflexo da necessidade que o FCP tinha em fazer uma venda nesta altura.

Setembro 4, 2012

O que é o serviço público de televisão (3)? – Uma perspectiva histórica

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 12:28

Já foi mais fácil de defender a existência de uma emissora pública de televisão.

Já houve tempos em que se podia argumentar que o mercado existente dificilmente justificava o investimento em uma rede de emissores nacionais de televisão.E a televisão podia ser usada pelo governo para passar mensagens para as massas de forma eficaz. Mensagens que podem ser classificadas como informação ou como propaganda. De qualquer forma eram consideradas como de interesse público.

Reconhecendo por um lado a importância desta nova ferramenta de comunicação em massa e a limitação de recursos necessários para a disponibilizar, a banda de frequência rádio, os Estados intervieram seriamente neste novo mercado. Novo mercado que arrancou de facto na década de 20 com a criação de canais e emissores privados nos EUA. Estes canais ficaram sujeitos a licenças que incluíam compromissos de fornecimento de serviço público. Eram privados mas podiam ter de emitir programas a pedido do governo.

No reino Unido, o modelo foi diferente. Primeiro a produção de conteúdos eram privados(Baird) e os emissores públicos e mais tarde nos anos 30 o governo inglês decidiu criar a BBC com programação e emissão de propriedade do Estado.

A televisão por radiodifusão tinha um papel completamente diferente do que tem hoje. O mercado de embrionário na de´cada de 20 do século passado há já várias décadas é considerado maduro.A produção de conteúdos e da distribuição de conteúdos é hoje uma grande indústria que depende de vários outros canais audio visuais. Se tudo mudou devemos questionar se faz ou não sentido continuarmos a falar de serviço público de televisão e em que termos.

É claro que em Portugal estamos, por força de razões financeiras, em uma encruzilhada no que toca ao conjunto de canais estatais. A motivação das alterações impede que seja seguido o caminho que a BBC tomou, tendo reinventado o serviço público com uma série de intenções paternalistas financiadas pelo Estado inglês. A não termos dinheiro para este tipo de missões, acresce que a RTP como empresa já teve demasiadas oportunidades de se reinventar não conseguindo ser melhor do que uma má concorrente dos privados, que nem sequer podem ser considerados competidores em um mercado concorrencial.

Pode-se argumentar que hoje, como nos anos 30, pode o governo precisar de usar “tempo de antena” para comunicações importantes de interesse público. Mas não pode isso fazer parte das obrigações de qualquer emissor licenciado? Hoje a televisão é apenas mais um entre várias canais de media para massas. No que toca ao alcance geográfico e diversidade na produção de conteúdos os privados mais do que correspondem. Porque é que o Estado tem de deter um canal de televisão? Podemos encontrar muitas motivações, mas não serão de interesse público. Hoje muito menos do que no passado.

Algumas referencias e agregadores:

História da televisão

Lista das primeiras televisões

Missões Serviço público BBC – versão 2006

Setembro 3, 2012

O que é o serviço público de televisão? (2)

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 18:36

A definição que parece reunir consenso é simples: O serviço público de televisão é a produção e difusão de conteúdos que canais privados não fazem. Dito assim, sem critério adicional que seja os ditos conteúdos não terem mercado que os paguem livremente.

Não se diz que o canal público de televisão deve produzir e transmitir determinado tipo de conteúdos que não são produzidos e transmitidos pelo mercado. Não há detalhe nem concretização, apenas uma definição lata e propositadamente difusa. De facto dentro deste “saco” cabe tudo, desde que não seja fornecido pelo mercado. Só o facto desta definição ser aceite sem ser recebida com escárnio ou mal dizer ajuda a explicar porque é que existe tanto desperdício de dinheiro dos contribuintes em tantas áreas do Estado.

Mais incrível do que esta definição é o facto de que é invariavelmente acompanhada da defesa da existência da RTP. Mais incrível porquê? Porque a RTP não tem nenhum tipo de conteúdo que não seja também transmitido pelos canais não públicos. Simplesmente não tem. Esta incoerência só não é incrível porque é a real.

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