Da série “os russos estão a ficar muito americanos” IV

As redes sociais não funcionam sem o excepcional Putin e a liberdade perde a graça sem o Snowden.

Russia’s largest social network is under the control of Putin’s allies

Earlier this month, Durov claimed that Russia’s intelligence agency, the Federal Security Service (FSB), had pressured him to hand over personal data on VK users involved in anti-government protests in Ukraine. Durov said he refused to do so, though he’s gradually ceded control of the company in recent months and has long butted heads with government authorities. Experts have speculated that the Kremlin is looking to tighten its grip over VK and other social networks in the same way it controls print and TV media. Many Russians used VK to organize widespread anti-Putin demonstrations in 2011 and 2012, when thousands took to the streets to protest allegedly rigged elections.

Leituras complementares: Isto deve dar um prémioDa série “os russos estão a ficar muito americanos” III.

Da série “os russos estão a ficar muito americanos” III

Esqueça-se o facto da Rússia ser incapaz de defender todos aqueles que falam russo, caso a Ucrânia decida optar por assinar um acordo comercial com a União Europeia. Aproveite-se a falta de memória selectiva para esquecer os 1300 quilómetros de fronteira com a mesma União Europeia e os menos de 200 que separam São Petersburgo da ameaça europeia…desde 1995. Não esquecer o quão excepcional é o Presidente russo: Putin’s Russia: Censoring anti-invasion sentiment.

Leitura complementar: Da série “os russos estão a ficar muito americanos”, Da série “os russos estão a ficar muito americanos” II,Vale a penaA Rússia não é vítima do Ocidente.

Leitura dominical

O país do respeitinho, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Manuel Alegre acha que o 25 de Abril “não pode ser só mais uma data no calendário”. E, no que depender dele, não é. À semelhança dos campeonatos internacionais da bola, em que nunca lhe faltam uns versos dedicados a Figo ou a Cristiano Ronaldo, a cada aniversário do golpe de Estado o poeta ameaça soltar a lira. Desta vez, se calhar porque a lira anda desgastada sob a opressão datroika, fê-lo sob a forma de uma antologia poética (título: “País de Abril”) e respectiva sessão de lançamento.

Pelas descrições, a cerimónia, realizada no quartel do Carmo, deve ter sido belíssima. Na plateia, Maria de Belém, José Sócrates, António José Seguro, Almeida Santos, Vasco Lourenço e etc. ouviam embevecidos. No palco, os fantasmas de Francisco Fanhais e de Manuel Freire entoaram versões musicadas da obra em causa. O autor da obra recitou umas coisas, do gabarito de “Era um Abril de amigo/ Abril de trigo/ Abril de trevo e trégua e vinho e húmus/ Abril de novos ritmos novos rumos./ Era um Abril comigo/ Abril contigo” (título: “Abril de Abril”) e de “Que o poema seja microfone e fale/ uma noite destas de repente às três e tal/ para que a lua estoire e o sono estale/ e a gente acorde finalmente em Portugal” (título provisório: “País de Abril”). Nem a obsessão temática nem o recurso a “húmus” para rimar (?) com “rumos” levou a audiência às gargalhadas. Aquilo é gente séria.

E foi a sério que Manuel Alegre acrescentou uns comentários à situação actual. Para ele, as políticas de austeridade “cortam as dimensões da vida e a música das vogais”. Também tinha essa impressão. Fica, porém, uma palavra de esperança: “A poesia pode libertar a língua.” E, de facto, a língua travada é um aborrecimento, quase tão grande quanto o rancor de uma clique que sonhou fazer do “país de Abril” o seu quintal e, pelo caminho, deparou com uma população discordante. Ainda por cima, a população vota: assim não há democracia possível. Ou, nas palavras do bardo, arriscamo-nos a “perder Portugal como futuro do passado”, o que em português de gente é igual a mandar o povo chatear o Camões. Certo é que até dia 25 não faltarão lengalengas do género. E igualmente certo é que os donos do regime nem sempre mandam no regime, o que sem dúvida constitui uma ironia. Poética, se quiserem.

Da série “os russos estão a ficar muito americanos” II

palywoodurss

Pallywood, versão russa.

Pro-Russian protester and Maidan mercenary in one skin: Russian propaganda makes epic blooper (video)

E como cereja em cima do bolo, um tweet esclarecedor de Sergey Lavrov, Ministro russo dos Negócios Estrangeiros.

Lavrov

Da série “os russos estão a ficar muito americanos”

Roman Romanenko has had a swastika daubed on his door.

Roman Romanenko é a melhor prova.

Romanenko’s March 4 letter, which he posted on his Facebook page, has already earned him two interrogations by prosecutors, who are mulling pressing extremism charges against him.  The door of his apartment has been daubed with a swastika and leaflets have been stuffed in his neighbors’ letterboxes branding him a “scum” and a “Ukrainian Jew.”  Now, the medical charity that he runs is under threat.   On April 4, exactly one month after Romanenko penned his ill-fated letter, inspectors launched a spot check on the group, saying they suspected it of embezzlement and money laundering.   “We undergo mandatory audits and we’ve never received any complaints,” he told RFE/RL. “I believe these actions aim to damage the group’s reputation, because people think that if it’s being inspected then there must be grounds for suspicion.”

Leitura complementar: Dear Vladimir, I Speak Russian Too. Please Send Troops!.

Vale a pena

Ler o blog do jornalista José Milhazes, Da Rússia. Destaco o post Metástases do pensamento imperial russo.

(..) Ou seja, volta a vir à tona a mentalidade imperial sob formas agressivas, que nunca trouxe nada de bom à Rússia. Moscovo deveria preocupar-se mais com o seu crescimento intensivo, com a modernização das suas infraestruturas, da sua economia, com o combate à corrupção, mas volta a cometer o erro de gastar forças no alargamento da sua zona de influência, mesmo que com “pretextos dignos”.

Kevin Spacey, o decente

Ao contrário da norma vigente de Hollywood, o actor norte-americano critíca o regime chavista: SOS Venezuela.

I support all of the Venezuelans who peacefully and non-violently claim their right to self-determination and protest. I hope you will join me in asking them not to give up and to not become numb to the violations and abuses committed against them. We who are fortunate enough to live in freedom must stand up to oppression and injustice and remind the Venezuelan people that they are on the right side of history.

Leitura dominical

O mistério da fé, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

António José Seguro vive aflitíssimo com as “questões essenciais”, ou os “assuntos que realmente interessam aos portugueses”. E a prova de que não se trata de conversa fiada é o projecto de lei agora apresentado pelo PS no Parlamento, com vista a proibir os sacos plásticos gratuitos no comércio, a bem do ambiente e dos consumidores. Gosto principalmente da preocupação com os consumidores, que se têm visto forçados a trazer as compras do supermercado em sacos providenciados à borla, com todos os desgostos daí resultantes: se, de acordo com a disposição da maioria neoliberal, o projecto for aprovado, esse será um problema a menos. Outro problema a menos será a utilidade dos deputados, autarcas, dirigentes e militantes de partidos mortinhos por proibir coisas, que até aqui ninguém sabia para que serviam e que daqui em diante poderão servir para nos levar as compras ao parque de estacionamento.

Leitura dominical

A pobreza observada, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Segundo dados do INE, a taxa de risco de pobreza em Portugal aumentou em 2012 para 18,7%. Dito assim, parece justificado o alarme geral e a presença nas televisões de estudiosos aflitos. Porém, ao acrescentar-se, de modo a acentuar as sombras, que a taxa é a mais elevada desde 2005, obtém-se o efeito inverso ao desejado e a coisa muda de figura. Se não erro, em 2005 os poderes públicos tinham acabado de construir uma resma de úteis campos da bola (e organizado o “melhor Europeu da História”), planeado o TGV e prometido o futuro aeroporto de Lisboa, entre outros desígnios nacionais que nos haveriam de conduzir à felicidade eterna. Os tempos, pois, eram risonhos, tão risonhos que o facto de o número de pobres de então superar o actual não incomodava ninguém, ou quase ninguém. E achava-se importantíssimo lembrar que os portugueses, incluindo os menos afortunados, não são números: são pessoas.

Infelizmente, as pessoas em causa vêem-se transformadas em números logo que os seus alegados paladinos necessitam de agitar estatísticas. As dramáticas condições de vida de perto de dois milhões de cidadãos, de resto uma quantidade relativamente estável ao longo da última década, constituem a garantia de uma vida desafogada para as centenas ou milhares que “combatem” a pobreza como se o salário deles dependesse disso.

E o engraçado é que depende. Não falo dos sindicatos, que há muito desistiram de investir conversa fiada nos desvalidos e passaram a ocupar-se dos funcionários do Estado. Nem falo das organizações caritativas, religiosas ou laicas, as quais, com boas ou duvidosas intenções, conseguem alimentar e vestir quem precisa. Falo das fundações, redes, associações e “observatórios” (?) dedicados, assaz naturalmente, a observar a desigualdade e a pobreza – à distância, claro.

Não gostaria de ofender essas prestimosas entidades, mas desconfio do empenho em salvar os pobres quando os salvadores carecem dos mesmos para se alimentar, vestir, pagar a renda, viajar (os voos para reuniões em Bruxelas são indispensáveis) e, em suma, existir. Se não faz sentido um observador de pássaros pretender dizimar as populações de rouxinóis, estorninhos e toutinegras, também não se compreenderia que os observadores da pobreza desejassem genuinamente a erradicação desta. Ou, se quisermos um exemplo familiar ao capitalismo “selvagem” que tanta indignação suscita, seria estranhíssimo que a Pizza Hut se mostrasse preocupada com o avolumar de apreciadores de queijo derretido.

Donde a perversidade da retórica em voga: espreita-se o “telejornal” e leva-se com “técnicos” autodesignados para “analisar” os pobres (da maneira que se analisa os aminoácidos), enquanto desfiam percentagens que “provam” o respectivo crescimento (a pobreza, nova ou velha, envergonhada ou indecente, escondida ou escancarada, cresce independentemente das circunstâncias). A terminar, lançam meia dúzia de “conclusões”, embora sobretudo concluam a urgência em reforçar os apoios às fundações, redes, associações e “observatórios” a que pertencem. A observação da pobreza não pode ficar entregue a pés-rapados.

Entretanto, no mundo real, os pobres melhor ou pior subsistem. Por culpa do azar no berço ou na vida e da ancestral confiança na acção divina ou política, incontáveis (salvo pelo INE) desgraçados andam e sempre andaram por aí, curvados sob o peso da miséria e o olhar estudioso de oportunistas.

Revelação e choque

Vladimir Putin

Em discurso na Duma no qual Vladimir Putin assinalou o momento histórico da anexação da Crimeia, não explicou a presença daquelas pessoas vestidas de verde que da Crimeia nos entravam televisão dentro e que não aparentavam serem adeptos de uma qualquer claque armada do Sporting, Celtic ou Moreirense. O Presidente russo, na altura, explicou que “as forças militares não entraram na Crimeia, já lá estavam ali em consequência de um tratado internacional. Falamos de 25 mil soldados.”  Hoje, o mesmo Putin realça o corajoso comportamento dos militares russos. O homem é excepcional.

A anexação de Putin e o estado da russofonia

More than 1,500 rallied on Independence Day in Minsk on March 25, carrying Belarusian and Ukrainian flags.

A ligação da Bielorrússia à Rússia é proveitosa dada a política de baixo preço de gás e combustíveis russos. Alexander Lukahsenko continua a administrar o país como se da sua casa se tratasse: sem um único opositor no Parlamento. Também aqui Alexander Lukahsenko será o ditador em exercício…enquanto a Rússia quiser.  Não foi preciso esperar muito para ver Alexander Lukashenko exprimir o apoio necessário à Rússia e permitir na sua coutada pessoal uma manifestação de apoio à Ucrânia. Com uma participação diminuta, não deixa de ser a maior desde a contestação interna, em 2011. Esta manifestação só é possível com a permissão de  Lukashenko. Algo está podre no império russófono.

Costumes liberais e fait-divers II

All Men In North Korea Are Now Reportedly Required to Get the Same Haircut as Kim Jong Un

Sabemos que a crítica social dirigida à Coreia do Norte não é mesmo nada inocente. Espero que a crítica fashion-capilar o seja.

Crime e castigo

Porto de Mós, Lagos

Porto de Mós, Lagos

Apos ter visto que há quem promova de forma activa a recuperação de condenados, reparo na mesma lista da agremiação liderada por António José Seguro na presença de Júlio Barroso um ilustre filho de Lagos, premiado certamente por ter sido o obreiro da bancarrota da minha cidade. Quando pensava que a realidade atingira o fundo do abismo, choco de frente com a notícia factual de Armando Vara ter visto “o sonho de carreira” destruído pelo processo Face Oculta. Parece inesgotável o filão do humor repulsivo.