Tanto rasgar de vestes

GB

Não se aguenta.

A Syrian army helicopter dropped two barrel bombs on a displaced persons camp in the northern province of Idlib, camp residents said on Wednesday, and video footage appeared to show charred and dismembered bodies.

Footage posted on YouTube showed corpses of women, children and burning tents while people scrambled to save the wounded. “It’s a massacre of refugees,” a voice off camera said.

“Let the whole world see this, they are displaced people. Look at them, they are civilians, displaced civilians. They fled the bombardment,” the man’s voice said.

A man in another video of the Abedin camp, which houses people who had escaped fighting in neighboring Hama province, said as many as 75 people had died.

 

Mesmo.

Egyptian authorities on Tuesday ordered residents living along the country’s eastern border with the Gaza Strip to evacuate so they can demolish their homes and set up a buffer zone to stop weapons and militant trafficking between Egypt and the Palestinian territory, officials said.

The measure comes four days after Islamist fighters attacked an army post, killing at least 31 soldiers in the restive area in the northeastern corner of the Sinai Peninsula. After the attack, Egypt declared a state of emergency and dawn-to-dusk curfew there. Authorities also indefinitely closed the Gaza crossing, the only non-Israeli passage for the crowded strip with the world.

The buffer zone, which will include water-filled trenches to thwart tunnel diggers, will be 500 meters (yards) wide and extended along the 13 kilometer (9 mile) border.

 

 

 

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Faz-se sentir o pulsar do novo PS

É claramente um partido que apoia as verdadeiras causas que importam. Num só fôlego, o partido liderado por António Costa quer criar o dia/noite contra a homofobia e a transfobia e defende de forma intransigente a segurança dos cidadãos portugueses que combatem ao lado do Estado Islâmico.

Compreender o putinismo X

putin

Outros tempos, outras vontades.

VLADIMIR PUTIN: The first question regarding the possibility of Ukraine joining the European Union does not concern us directly, although we do, of course, have our views on this matter. We always took a negative view of NATO expansion because we do not believe that this expansion can help neutralise the modern threats we face. As for enlargement of the EU, we have always seen this as a positive process. Certainly, enlargement gives rise to various issues that have to be resolved, and sometimes they are easy to resolve, sometimes not, but both sides have always shown a desire to find mutually acceptable solutions and we do find them. If Ukraine wants to join the EU and if the EU accepts Ukraine as a member, Russia, I think, would welcome this because we have a special relationship with Ukraine. Our economies are closely linked, including in specific areas of the manufacturing sector where we have a very high level of cooperation, and having this part of indeed our economy become essentially part of the EU would, I hope, have a positive impact on Russia’s economy. Since we were aware of the European Union’s position that Ukraine’s accession would be unlikely any time over the next decade, we began taking steps in two directions, On the one hand, we are creating the Common Economic Space in a large part of the former Soviet Union, including Russia, Ukraine, Belarus and Kazakhstan. On the other hand, we are building a common economic space with the European Union, and we believe this is in the interests of both Russia and the European Union countries and will harmonise our economic ties with Europe. But these projects are not in contradiction with the possibility of any country joining the European Union, including Ukraine. On the contrary, the possibility of new members joining the EU makes our projects only more realistic. But I repeat that other countries’ plans to join the EU are not our direct affair.

Que são explicáveis pelo Professor Alexander Dugin.

Leitura dominical

Portugal e o futuro, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Numa nação habituada a desprezar os seus melhores em vida para consagrá-los na morte, consola assistir ao exemplo dado pela Câmara Municipal da Covilhã, responsável por atribuir ao Eng. Sócrates a chave da cidade e uma medalha.

Aos distraídos ou incrédulos, convém informar que, ao contrário do que poderia parecer, o Eng. Sócrates está vivo, tão vivo que aproveitou a deixa para brindar a humanidade em geral e os covilhanenses em particular com diversas pérolas de sabedoria: “O interesse individual existe, é certo, mas existe também o interesse colectivo.”

É triste que semelhante portento intelectual receba apenas uma chave e uma medalha municipais, em vez de ter as serralharias e os gravadores de Portugal inteiro a fabricar-lhe resmas de penduricalhos. Se pensarmos bem, o que é que o Eng. Sócrates legou à Covilhã? Que eu saiba, nada, além da honra para a autarquia em contar com ele como técnico enquanto assinava projectos belíssimos na vizinha Guarda. Em troca, a Guarda ofertou-lhe o quê?

O mesmo desprezo que o país, que nem faz o favor de seguir a eucaristia dominical do homem na RTP (aliás abaixo das audiências da própria Eucaristia Dominical, na TVI). E a injustiça dói mais se recordarmos que o homem fez à arquitectura da Guarda o mesmo que fez à economia do país. Desgraçadamente, muitos portugueses teimam em colocar o seu interesse individual à frente do interesse colectivo do Eng. Sócrates: a presidência de todos nós. Ou isso ou uma estátua.

Rand Paul, o novo falcão IV

Uma vez mais, o discurso do próprio, repleto de pós de realismo.

Rand Paul: The Case for Conservative Realism.

Leituras complementares: Rand Paul, o novo falcão III;

Rand Paul and ISIL;

Rand Paul, o novo falcão II;

Rand Paul, o novo falcão.

 

 

 

Socialismos dos partidos dos taxistas

Fotografia do Público

Fotografia do Público

Depois dos dilúvios que afectam a cidade de Lisboa sempre que chove, situações de desastre que apenas acontecem porque os serviços camarários não são avisados, o CDS de Lisboa decide que importa regulamentar a actividade dos tuk tuk na capital.

O CDS quer que a actividade dos tuk tuk em Lisboa passe a estar limitada a um conjunto de circuitos pré-definidos e se restrinja ao período diurno, “por forma a compatibilizar os interesses e necessidades” de quem vive na cidade, de quem a visita e “de quem dela depende para desenvolver os seus negócios”.

Nesse sentido, o vereador do CDS na Câmara de Lisboa vai apresentar esta quarta-feira uma moção, na qual recomenda ao município que avance com a regulamentação da actividade destes triciclos motorizados. Em declarações ao PÚBLICO, João Gonçalves Pereira sublinha que essa regulação deve ser vista por todos os agentes como “algo positivo, não negativo”, assente na ideia de que “qualquer país e cidade deve proteger aqueles que neles investiram”.

Na sua moção, há essencialmente três aspectos relativamente aos quais o autarca centrista defende que a câmara deve definir regras, depois de ouvir os empresários do sector: a tomada e largada de passageiros, os circuitos e os horários.

Em sentido contrário ao das várias propostas de regulamentação da actividade turística, apraz-me recordar as palavras de Adolfo Mesquita Nunes,

“A liberalização da economia resulta. Quando o Estado dá espaço às empresas, as empresas respondem, e respondem com criação de emprego e crescimento.” Redução de taxas, liberdade de acesso e redução de custos para as empresas foram os três pontos de viragem. “Costumo dizer que há que desamparar a loja. Ninguém cria uma empresa, de animação turística ou outra qualquer, se tiver de percorrer um calvário de licenciamentos e pagar um amontoado de taxas. (…) Sendo constituída por micro e pequenas empresas, muitas delas resultado de empreendedorismo, a animação turística é um dos sinais e exemplos do relevo do turismo na criação de emprego. “

Como moral da história, aos interessados, aconselho a leitura do certeiro artigo do Alexandre Homem Cristo no Observador, Tuk-tuks: mudança ou ameaça?

(..) A história em si não tem nada de surpreendente. A incapacidade de adaptação aos tempos, a inveja pelo sucesso dos outros, a obsessão pelo proteccionismo, a exigência que o Estado esteja sempre lá para decidir, regulamentar e, sobretudo, preservar a rentabilidade de sectores empresariais que deixaram de ser rentáveis. Tudo isso é Portugal. E é, aliás, por essa razão que este caso é tão interessante – porque ultrapassa a luta específica de um sector e representa, na verdade, o confronto entre a concretização da mudança e o país que somos. Um país que pede essa mudança mas que não gosta quando ela acontece. Um país que se orgulha de ser um destino turístico de excelência, mas que vê o sucesso das empresas do sector como uma ameaça. Um país que quer ser mais livre e próspero mas que não consegue ultrapassar a sua dependência do Estado.

No fundo, é isto: um país que não aprende com os seus erros e onde os bons exemplos de sucesso e de governação parecem nunca ser suficientes para impor a mudança. Um país onde o socialismo parece vencer sempre.

 

Mais um capítulo da guerra ao terror na China

al-qaeda-magazine

Al-Qaeda magazine calls for Xinjiang to be ‘recovered by the Islamic Caliphate’

No final de Abril, o Presidente Chinês, Xi Jinping, visitou a região de Xinjiang, de maioria étnica uigur e que professa maioritariamente o islamismo.  Xinjiang serve de base aos responsáveis pela onda de atentados. Antes, o Presidente declarou a “firme resolução em combater o terrorismo e o separatismo para salvaguardar a segurança nacional”. Xi Jinping, pediu aos militares para “manterem a unidade nacional e a proteger as fronteiras do país” . Nesse mesmo sentido, pediu aos professores da região de Xinjiang da etnia maioritária han, que dominem a língua uigur e que ensinem aos estudantes o mandarim. Desde então, continuam em crescendo os ataques terroristas e a repressão por parte das autoridades chinesas.

 

O socialismo está de parabéns

maduro

Pelos melhores motivos, a Venezuela que possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, alcançou a proeza de ter de importar o ouro negro.

Existem planos para “fazer uma revolução dentro da revolução”. Há 15 anos que o chavismo reina na Venezuela. Com o sistema económico a colapsar, o Presidente Nicolás Maduro, reconheceu no programa de propaganda semanal “Em Contacto com Maduro” que “há problemas económicos.” De frente para a realidade, o governo venezuelano colocou em marcha um conjunto de medidas que visam atacar os problemas: a inflacção a 60 por cento ao ano, a falta de produtividade, a escassez de bens essenciais e de divisas. A forma encontrada não poderia ser mais mágica: apostar no aprofundamento do modelo socialista que tão bons resultados tem originado.
Na vertigem socialista, o executivo de Nicolás Maduro nomeou Orlando Borrego, antigo colaborador de Che Guevara, como mentor da reestruturação da administração venezuelana. A nomeação política aprofunda ainda mais a ligação entre Cuba e a Venezuela e dá poderes a funcionários do estado para intervir nas decisões de produção e de investimento das empresas e por intervir com base em verdadeiras leis anti-terroristas contra quem seja indiciado por participar naquilo que se considera como um “atentado à ordem económica.”  Dificilmente se poderia esperar mais e melhor.

 

O novo código deontológico dos jornalistas

El Estado Islámico publicó 11 puntos para los periodistas que trabajan en su zona de influencia.

Ainda que vagamente relacionado, vale a pena ler a pequena crónica do João Pereira Coutinho sobre o estado a que chegou a imprensa escrita, Para horror dos Otários.

1 – Los corresponsales deben jurar alianza al Califa (Abu Bakr) al Baghdadi (…) son súbditos del Estado Islámico y, como tales, deben jurar lealtad a su imán.

2 – Su trabajo deberá estar bajo la exclusiva supervisión de las oficinas de prensa del EI.

3 – Los periodistas pueden trabajar directamente con agencias internacionales (Reuters, AFP, AP), pero tienen que evitar todas las cadenas internacionales y locales de televisión. Tienen prohibido proveer cualquier material exclusivo o tener contacto con ellos en cualquier capacidad.

4 – Los periodistas tienen prohibido trabajar con las televisiones en la lista negra que luchan contra los países islámicos (al Arabiya, al Jazeera y Orient).

5 – Los periodistas tienen permiso para cubrir eventos en la región por escrito o con imágenes si contactan con las oficinas de prensa. Todas las fotos y textos publicados deberán tener el nombre del autor.

6 – Los periodistas no podrán publicar nada sin pasarlo antes por la oficina de prensa del EI.

7 – Los periodistas pueden tener sus propias cuentas de redes sociales y blogs para difundir noticias e imágenes. Sin embargo, la oficina de prensa deberá tener las direcciones y nombres de estas cuentas y páginas.

8 – (…) deberán cumplir las normas (…) y evitar filmar lugares o eventos de seguridad donde esté prohibido.

9 – El EI seguirá los trabajos de periodistas en medios locales y nacionales.

10 – Todas estas normas pueden cambiar, dependiendo de las circunstancias y el grado de cooperación entre los periodistas y su compromiso con los hermanos en la oficina de medios de EI.

11 – Los periodistas tendrán licencia para trabajar una vez solicitada a las oficinas de prensa del Estado Islámico.

Leitura dominical

O escritor fantasma, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Uma última viagem na sua permanente vocação para agitar consciências, diz o anúncio da Porto Editora. Um acto revolucionário, diz o juiz espanhol Baltasar Garzón. Saramago vintage, diz o editor brasileiro do falecido escritor. Saramago no seu melhor, diz o editor português. Uma obra divertida, diz Eduardo Lourenço.

Tudo isto a propósito de “Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas”, o dito romance inacabado de José Saramago. Na verdade, de romances inacabados está o mundo cheio. Alabardas inaugura um género novo, o dos romances praticamente por começar.

Não é que não haja um livro: há, aliás com 135 páginas. Seis são notas do autor. Cinquenta são textos de outros autores sobre o autor e o produto em causa. Dez são índices, ficha técnica e diversos. Doze são desenhos de um antigo membro das Waffen-SS. Sobram 57 folhinhas, impressas em fonte crescida e a dois (ou três) espaços. Ninguém se deve admirar se, no mês que vem, publicarem os últimos post-it que Saramago colou no frigorífico, em cinco volumes repletos de ensaios alheios, bonecos para colorir e a oferta de uma echarpe em tons marrom. Meia dúzia de críticos hão-de considerar estarmos perante um momento de ruptura na cultura universal.

Num certo sentido, Alabardas consagra de facto o estilo do Nobel caseiro, que em vida fazia questão de anunciar, ele próprio, o carácter polémico de cada livro antes mesmo de o livro chegar ao público. Um boa estratégia, até porque quando o livro chegava ao público não acontecia nada de especial – excepto se o público se chamava Sousa Lara. Devido a condicionantes óbvias, agora o anúncio da polémica ficou a cargo de terceiros, mas o processo é idêntico e com uma vantagem: se o hábito consiste em privilegiar a algazarra em detrimento do conteúdo, desta vez o conteúdo quase não existe e a algazarra abunda. Saramago vintage, de facto. E, desde que ignoremos os pechisbeques anexos, a minha obra preferida dele. As outras não se liam em horas. Conto não ler esta em vinte minutos.

SOS Soares

Mário Soares, o defensor dos oprimidos e fracos continua a não ter amigos capazes de o proteger e cuidar.

 “Foi um grande presidente de câmara e considero que foi injustiçado”, disse Soares, interrogando-se: “Quando há pessoas que roubam milhões e estão soltas, como é que ele foi preso sem razão nenhuma?”

Soares não foi a casa de Isaltino, mas Isaltino foi assistir à palestra de Soares. E no final houve mais do que um abraço. E todos calorosos.

Da Bielorrússia, com amor

putin

Putin is a dickhead!

A Bielorrúsia confronta-se com uma questão fundamental para o seu futuro de  curto e médio prazo: o país é incapaz de reformar o seu sistema político e económico. Resta-lhe entregar a soberania à sua maior aliada e vizinha: a Rússia. A dívida da Bielorrúsia é enorme face à riqueza que é (in)capaz de produzir e um quadro de bancarrota afigura-se, cada vez mais, como uma ameaça real. O Fundo Monetário Internacional há muito que decidiu não abrir os cordões à bolsa enquanto não forem aprovadas as necessárias reformas estruturais do sistema económico e político do país. Da parte da União Europeia (UE) as portas da cooperação internacional encontram-se seladas e encontram-se em vigor sanções  económicas e políticas enquanto o regime unipessoal de Alexander Lukashenko – no poder desde 1994 – não decidir abrir caminho para uma abertura do sistema político que continua a manter literalmente toda a oposição fora do parlamento local.
A 29 de Maio, a Rússia, a Bielorrússia e o Casaquistão firmaram em Astana um acordo no qual os três estados dão forma à União Económica Euroasiática que entrerá em vigor no primeiro dia de 2015. O acordo que integra as três ex-repúblicas soviéticas foi assinado pelos presidentes dos três países Vladímir Putin, Nursultan Nazarbayev e Alexander Lukashenko e pretende abrir uma nova etapa de união económica através da criação de um mercado comum que reúne mais de 170 milhões de pessoas. Está prevista a livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas. A cooperação será feita nos sectores da energia, transportes, indústria e agricultura.
Moscovo tem “espaço” para exigir algumas mudanças:para não aumentar o preço pelos produtos energéticos exportados para a Bielorrússia. De acordo com o caminho da Rússia percorrido até aqui, Putin poderá exigir contrapartidas “reformistas” e que passam na prática pela privatização das principais empresar estatatais que interessam às corporações russas.
As opções do ditador da Bielorrússia não são fáceis para ele próprio: uma aliança “contra-natura” ao Ocidente que implicaria o desmoronamento da ditatura ou a consolidação da ligação ao gigante russo, mantendo em troca o lugar honorífico à frente do país. Alexander Lukashenko pouco mais aspirará do que continuar a ser o que sempre foi: o ditador de mais um quintal do Kremlin. Não há ditaduras eternas mas Vladimir Putin ainda não se apercebeu. E a malta dos futebóis é tramada.

 

Aprendizagem crítica comunista

RitaBernardino

Afinal existem gulags na Coreia do Norte. Está criada a oportunidade para que a Rita Rato, com o inestimável apoio do camarada Bernardino possa estudar e ler algo sobre a matéria, de acordo com a cartilha oficial do PCP.

Leituras complementares: É melhor consultar primeiro o camarada BernardinoPor cá a Rita Rato disse o mesmo sobre o Gulag.

Leitura dominical

Cabeças perdidas, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Devia proibir-se a chegada de Outubro enquanto não se confirmassem as previsões de Mário Soares, que na sua vasta sapiência garantiu a queda do Governo em Setembro. Infelizmente, a nossa falta de respeito pelos idosos – que situa Portugal na cauda do recente Global Age Watch Index – não se fica por aqui. Também Ângelo Correia se queixa, em entrevista ao jornal i, do desprezo a que foi votado pelo jovem primeiro-ministro, que ele mimou e criou como se fosse seu filho.

“Pedro Passos Coelho fez comigo o que todos os partidos fazem com os mais velhos: afastou-me”, confessa com evidente amargura o actual presidente da Câmara de Comércio e Indústria Árabe Portuguesa. E acrescenta que a repulsa das “novas elites” pela terceira idade se nota “no tratamento das pensões”. Não é difícil imaginar a pensão de miséria que o antigo presidente da Associação de Amizade Portugal-Iraque se esforçará por esticar até ao fim do mês.

Por sorte, os dias em que rapazolas ascendem socialmente à custa de velhinhos para de seguida os descartar parecem estar próximos do fim. E, como em quase tudo o que era mau e agora passará a ser bom, graças a António Costa. Desde logo, o emergente chefe do PS já exibe 53 primaveras, o que o situa a uma mera dúzia de anos dos descontos nos transportes públicos e regalias afins. Depois, o dr. Costa prepara um PS futuro igualzinho ao do passado, numa vénia à tradição que hoje vai sendo rara. Após ser apoiado por diversas relíquias socialistas, passou a distribuir cargos pelas relíquias com o possível intento de fundar um centro de dia, etário e ideológico.

Hoje, o líder parlamentar dá pelo nome de Ferro Rodrigues. Amanhã, o candidato do dr. Costa à JS atenderá pelo nome de Manuel Alegre. Almeida Santos daria um excelente conselheiro das Novíssimas Oportunidades. E, com jeito e alguma flexibilidade (atenção às articulações), Ângelo Correia arranjará algures por aqui a reforma que lhe falta.

O paraíso precisa de mais oração

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No início de Setembro, os participantes de um encontro do Partido Socialista Unido da Venezuela lançaram a “Oração”, uma versão chavista do “Pai Nosso”. Reza assim a letra:  “Chávez nosso que estás no céu, na terra, no mar e em nós (delegados e delegadas), santificado seja o teu nome, venha a nós o teu legado para o levarmos aos povos. Dá-nos hoje a tua luz para que nos gue todos os dias, não nos deixes cair em tentação do capitalismo e livrai-nos da maldade da oligarquía, do crime do contrabando porque nossa é a pátria, a paz e a vida. Amén. Viva Chávez.”

Para além da prece lida pela delegada Maria Uribe, do evento político  fizeram parte cantores e poetas que dedicaram as suas obras ao Presidente Hugo Chávez e à revolução bolivariana. Presente no encontro, Nicolás Maduro afirmou que a “revolução se encontra numa fase que exige cada vez mais formação nos valores de Chávez no combate diário nas ruas, criando, construindo e fazendo a revolução.” Como é do conhecimento geral, o progresso revolucionário alcança sempre novas e fundamentais etapas no desenvolvimento dos povos. Nesse sentido, o jornal ABC revela as consequências do sucesso socialista.

Nada como a clareza: as pessoas humanas, incluindo Nicolás Maduro, têm o direito à dignidade, na fé depositada no deus Chávez.

Hong Kong e os aliens imperialistas

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Moscovo revela ao mundo que os EUA estão na base dos protestos que acontecem em Hong-Kong. No entanto, pouco tempo depois o serviço de propaganda ao serviço de Vladimir Putin, faz um update informativo para a audiência de 120 milhões de pessoas no qual dá conta que uma força extra-terrestre é a culpada pelo levantamento popular no antigo território sob administração britânica. A dúvida que permanece por esclarecer é se os protestos de Hong-Kong não resultam de uma acção concertada entre os habituais imperialistas e os et’s.

No início de Julho a polícia de Hong Kong deu ordem de prisão a mais de meio milhar de pessoas que participavam num protesto nocturno pacífico que exigia a aplicação de reformas democráticas. As autoridades chinesas afirmaram em comunicado que os manifestantes foram detidos por reunião ilegal. Dezenas de milhares de manifestantes marcharam pelas ruas de Hong Kong para exigir uma maior participação na eleição do próximo líder da cidade. Tal como agora, os manifestantes ameaçaram ocupar edifícios e o coração financeiro da cidade se os seus protestos não forem escutados.
Há muito que os cidadãos de Hong Kong reclamam por maiores liberdades no território chinês e ex-colónia britânica. Este tipo de marchas têm lugar todos os anos mas a deste ano foi especialmente concorrida em função do referendo não oficial que teve lugar e no qual 97 por cento dos 800 mil votantes manifestaram o desejo de poder decidir quem se candidatará ao cargo de chefe executivo da cidade cuja eleição está prevista para 2017. A China indicara em 1997 que iria permitir que as autoridades do território posssam ser eleitas por sufráugio universal mas reserva-se no direito de escolher os candidatos.
Pelas comemorações do 17º aniversário do regresso da ex-colónia britânica à soberania chinesa, cerca de 500 mil pessoas segundo dados da organização manifestaram-se em Hong Kong para exigir a total liberdade democrática para o território e a redução da intervenção do governo da China nos assuntos locais.  Para já, este conjunto de iniciativas que exigem uma melhor democracia, teve como condão centrar os olhos do mundo no pequeno território chinês que goza de alguma autonomia, causando controvérsia entre os sectores políticos, financeiros e comerciais pelos receios das consequências imprevisíveis que podem acontecer num dos principais centros financeiros e económicos da Ásia.
Também Macau organizou a sua própria consulta popular. A iniciativa que teve lugar entre os dias 24 e 30 de Agosto, pode ser vista como um raro protesto em Macau na qual os promotores, sem o suicesso de Hong Kong, esperaram que milhares de pessoas participassem na consulta. As críticas do governo de Pequim não se fizeram esperar à iniciativa que pretendia através da realização de um referendo não oficial decidir sobre a eleição directa dos seus futuros líderes em 2019. À semelhança do que aconteceu em Hong Kong, a consulta procurava auscultar a opinião dos macaenses sobre se querem eleger o chefe executivo local através de sufráugio directo e universal. De igual modo, as autoridades chinesas no território que fora administrado por Portugal fizeram saber que os responsáveis pela campanha não têm o direito de convocar um referendo.

Os activistas macaenses para fazerem vingar o seu objectivo apontam o caso do actual governo autónomo chefiado por Fernando Chui Sai-on que foi eleito, tal como os seus sucessores, por um comité eleitoral composto por 400 pessoas e que é controlado por grupos de pressão dos sectores económico e político macaenses. Uma iniciativa semelhante realizada em 2012 defraudou as expectativas dos promotores pela participação de apenas 2600 pessoas. Independentemente da aceitação e adesão popular da consulta popular parece claro que China, Macau e Hong Kong, apesar de formarem um único um país e em teoria existirem dois sistemas, em nenhum deles cabe o sentido mais anoréctico e estrito da democracia liberal.

Podia-lhe ter dado para a solidariedade

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Alá falou-lhe ao neurónio e ele foi obrigado a decapitar uma colega de trabalho. Incidente que as autoridades logo se prontificaram a confirmar que não tinha nada a ver com o Islão.

Leitura dominical

A higiene da casa, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Pelo menos o Bloco de Esquerda, que voltou a tentar criminalizar o piropo, ainda faz rir. O PS nem isso. Parece que esta semana houve novo debate entre António José Seguro e António Costa. Parece que o debate foi fértil em insultos. Parece que não saiu daquelas cabecinhas a sombra de uma noção acerca do País. Parece que um dos Antónios ganhará o partido. Fascinante.

Como se nota, troquei a contemplação do debate pela leitura da imprensa no dia seguinte, tarefa apesar de tudo mais rápida e suportável. Há limites para os sacrifícios a que um comentador profissional se deve submeter. Em quase todas as profissões existem direitos adquiridos que isentam os trabalhadores de esforços sobre-humanos ou prejudiciais à saúde. Ninguém espera que um técnico laboratorial deguste as mistelas habitualmente testadas em hamsters, ou que um maquinista da CP conduza trinta seguidas (nos tempos que correm, começa a perder-se a esperança de que os maquinistas conduzam trinta minutos). Mas considera-se normalíssimo que um colunista político seja sujeito a repetidas sessões com a parelha de Antónios, independentemente dos malefícios emocionais e até físicos associados a semelhante empreitada. Em quatro décadas de democracia, os colunistas não adquiriram direito nenhum, incluindo o de veto.

O veto é da maior importância. Se um empregado de restaurante pode recusar-se a servir alcoólicos, o colunista deveria poder vetar a emergência de nulidades extremas na política. Para comentar alguém, é preciso que esse alguém mereça comentários. Não é questão de simpatia ideológica: para o bem ou para o mal, Sá Carneiro, Soares e Cunhal eram altamente “comentáveis”. Cavaco, Guterres, Louçã ou Jerónimo sempre providenciavam assunto. Com Sampaio, Santana, Sócrates ou Passos Coelho, a coisa já se tolerava com dificuldade. Os Antónios não se toleram. E nós, colunistas que se prezam, não os toleramos a eles. Falta-nos um sindicato, uma greve, uma manifestação na avenida.

 

Festa é festa

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Na Venezuela a escassez de alimentos, as dificuldades económicas e a perseguição política teimam em persistir. No entanto, nem tudo é péssimo no paraíso terreno: Caracas vai dançar ao som de cinco orquestras cubanas.

Bloco anedótico

Sem dúvida que duas cabeças de vento pensam melhor do que apenas uma.

Um ano depois de ter trazido o piropo para a discussão pública com uma primeira intenção de o criminalizar, o Bloco de Esquerda insiste no assunto. O partido leva esta quarta-feira à discussão no plenário do Parlamento uma proposta que classifica como crime o assédio sexual – onde se inclui o assédio verbal – e outra para perseguição. (…)

O BE cita posições e estudos da APAV, UMAR e CITE para argumentar que a tipificação do crime de assédio sexual é importante para servir como efeito dissuasor. Por assédio sexual entende-se a proposta reiterada de “favores de natureza sexual” ou “comportamento de teor sexual indesejado, verbal [onde se inclui o piropo] ou não verbal, atentando contra a dignidade da pessoa humana”, lê-se no texto bloquista.

Entre os exemplos estão situações de assédio sexual “entre professores e alunos, passando pela agressão a que as jovens e mulheres estão sujeitas nas ruas”, que provocam “custos no desenvolvimento da personalidade de jovens adolescentes, vítimas privilegiadas destes comportamentos”.

O tema foi trazido para a ribalta na rentrée do Bloco, no Fórum Socialismo 2013, com a mesa-redonda “Engole o teu piropo” em que as organizadoras – duas feministas, uma delas militante bloquista – defenderam que o piropo devia ser criminalizado. E estalou a polémica. Depois, vieram justificar que pretendiam apenas “levantar a discussão sobre o assunto” e não protagonizar qualquer iniciativa de proibir o piropo. (…)

 

Leitura complementar: Bloco insiste em punir o Piropo: Portugueses dizem “é boa, seus tesudos”. 

Adenda: Insatisfeito com a falta de alcance proibicionista do “Engole o teu piropo”, uma cabeça bloquista aposta tudo contra o anúncio do Euromilhões, exigindo um pedido público de desculpas. (obrigado à Tucha pela indicação).

 

 

A saga dos Merah

merah

Depois do turismo, o regresso.

Three Frenchmen, including the brother-in-law of a Toulouse-based al Qaeda-inspired gunman who killed seven people in 2012, were arrested on Tuesday at a Paris airport suspected of having joined Islamic militants in Syria, a French official said.

Around 150 militants who fought with rebel groups in Syria and Iraq have returned to France, requiring “massive” resources for surveillance and other security measures to prevent attacks.(…)

The three men including the husband of Souad Merah, whose brother Mohamed killed seven people including three Jewish children in March 2012, were arrested at Orly airport in Paris. (…)

Leituras complementares: Mohamed Merah e as restantes “vítimas da sociedade”Em nome do quê?; Falta de vergonha;  Rock the casbah.

 

Por favor, não parem

A Casa dos Segredos, versão PS.

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre acusou segunda-feira à noite o secretário-geral socialista, António José Seguro, de recorrer a um “populismo incompatível com o PS” ao propor a redução do número de deputados de 230 para 181.

“Isso não é a cultura democrática do PS. Isso é populismo incompatível com o PS”, disse, sustentando que “falso moralismo nada tem a ver com a transparência ou ética republicana”.

Salvem os artistas-rentistas

Coloquem um ponto final nos 401 livros grátis do Metropolitan Museum of Art. (Via FB da Maria João Nogueira).

A religião da pás chega à paróquia

Está Na Hora!

Está na horas meus irmãos. Está na hora de demonstrar ao mundo a força do islamismo e de combater os infíeis! O plano está traçado e preparado. Iremos tomar conta de portugal e deste povo fraco e levaremos o nosso Islão ao mais elavado patamar do desejo do Senhor!

Espero por uma explicação de David Munir, sobre a notícia dada na página da Comunidade Islâmica de Lisboa.

Adenda: Entretanto, a “notícia” desapareceu do site da CIL. Terá sido obra de intervenção divina? Se assim for, a explicação do líder espiritual dos muçulmanos em Portugal torna-se ainda mais urgente.

Adenda II: De acordo com o DN, o” site da Comunidade Islâmica de Lisboa terá sido alvo de um ataque informático, que levou à divulgação de uma mensagem com conteúdo extremista. Esta foi a explicação dada ao DN por Khalid D. Jamal, membro da direcção da Comunidade, afirmando que o caso já foi encaminhados para as autoridades. (..)

Porém, Khalid D. Jamal garante que tudo não passou “de um ataque informático”. “A direcção já está ao corrente da situação e já demos conta do sucedido às autoridades. A Comunidade Islâmica repudia o discurso extremista”.

Nos próximos dias, a direcção da Comunidade Islâmica de Lisboa deverá prestar mais esclarecimentos públicos sobre o caso.”

Leitura dominical

A arte de roubar, a crónica de Alberto Gonçalves no DM.

Não era necessária, mas a prova definitiva de que o Governo é tudo, tudo, tudo excepto liberal foi transmitida em horário nobre pela RTP, durante as duas horas do último Prós e Contras. O tema era a Lei da Cópia Privada, que taxa, a pretexto dos direitos de autor, as geringonças electrónicas capazes de guardar música, filmes ou livros mesmo que os compradores das geringonças não guardem lá música, filmes ou livros nenhuns.

Jorge Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura, começou logo por avisar que o assunto “não é de fácil compreensão para o grande público”, por azar o exacto público que vai pagar o imposto que, segundo o professor Xavier, não é um imposto. Ao lado do professor Xavier, um senhor da SPA explicou que os autores é que são os verdadeiros aliados dos consumidores, os tais que pagam o imposto que não é imposto. De facto, isto não se compreende à primeira.

Para complicar, a plateia estava repleta de “artistas” e afins. Entre os afins, o filho de David Mourão-Ferreira, colérico, informou a ralé que o imposto visa punir um “roubo”. Esqueceu-se de dizer que se trata de um roubo presumido. A ideia da lei em causa é justamente a presunção de que o comprador de um iPhone se prepara para piratear obras avulsas. E o apogeu cómico é presumir que as obras são a dos “artistas” presentes no Prós e Contras: Carlos Alberto Moniz, Tozé Brito, Paulo de Carvalho, o rapaz dos Delfins, dois Vitorinos (o alentejano e o maestro da bengala), etc. A certa altura do debate, uma opositora da lei, Maria João Nogueira, perguntou porque é que os autores não taxavam os produtos que vendem. O intérprete de Dai-li, Dai–li-dou não soube responder. Mas toda a gente sabe: porque não vendem nada, ou quase nada.

E aqui reside o problema dos “artistas”, sobretudo musicais, cuja arte é a de extorquir o que ninguém patrocinaria de livre vontade. O processo normal é o do financiamento estatal. Dado que agora as autarquias encomendam menos farras, conforme de resto foi lembrado no programa, a alternativa ao subsídio de redundâncias passa por cair em cima da “indústria”. O bom povo, com fama de ladrão e proveito de roubado, lixa-se sempre.

Quanto aos “artistas” e aos burocratas redundantes que gerem os direitos dos “artistas”, não podem, por motivos que escapam ao mortal comum, lixar-se. Custe o que custar. Graças à lei aprovada pela maioria na sexta-feira custa-nos uns euros em numerário e uma fortuna em vergonha. No final do Prós e Contras, Vitorino cantou a cappella e o secretário da Cultura viu-se assaz aplaudido. Em Portugal, taxar o liberalismo renderia zero.