Cepticismo imoderado

Hassan Rohani fez parte do círculo intímo do Ayatollah Khomeini. Foi conselheiro da segurança nacional durante os mandatos de Rafsanjani e de Khatami, liderou a equipa local que tem empatado nas negociações internacionais sobre o programa nuclear iraniano. Para um outsider e moderado, não tem um percurso nada sinuoso.

Feita a resumida apresentação de Rohani, choca-se com a realidade imoderada logo no primeiro discurso, quando o novo líder aponta Israel como culpado pelos problemas económicos iranianos. Acredito que tenha uma personalidade diferente da de Ahmadinejad mas não acredito na bondade – ainda que moderadadeste milagre.

About these ads

O Martim é do Povo, a Inês é de Moscovo

Sinto inequivocamente mais simpatia pela narrativa (para usar a linguagem da moda) representada pelo Martim Neves do que pela representada pela Inês Gonçalves, mas há algo de comum em ambas que me causa algum desconforto.

A procura e amplificação de porta-vozes jovens para posições políticas, embora compreensível numa cultura dominada por uma imagem mitificada da juventude, é algo preocupante e frequentemente fico com a impressão de que os jovens em causa são transformados numa espécie de mascotes politicamente correctas das respectivas causas.

Uma tendência deveras interessante numa sociedade – como a portuguesa – cada vez mais envelhecida e com cada vez menos jovens. Mas também uma tendência que me parece ser em si mesma simbólica do triunfo cultural do progressismo: mesmo os segmentos supostamente mais conservadores (ou “à direita”) valorizam a conduta e as opiniões de um jovem em boa parte pelo mero facto de ele ser jovem.

O empreendedorismo e a lucidez do Martim são estimáveis (oxalá se mantenham e não sejam pervertidos no futuro) e a propaganda e o activismo radical da Inês revelam empenho e várias qualidades (oxalá possam ser melhor empregues no futuro), mas não me parece que centrar o debate no Martim e na Inês (e no que eles supostamente simbolizam) seja o melhor caminho para a discussão pública de ideias.

Assim não vamos lá.

As camisolas e as ideias da extrema-esquerda caviar

Embora partilhando boa parte das considerações políticas da Maria João, confesso-me – tal como o Miguel Madeira – em larga medida incapaz de comentar as considerações estéticas e de elegância, matéria na qual, como até o mais desatento observador facilmente verificará, a Maria João se encontra incomparavelmente mais qualificada do que eu.

Ainda assim, não deixo de registar a evidente duplicidade de padrões de alguma esquerda caviar, que não se coíbe de criticar nos opositores políticos aquilo que se escandaliza por criticarem em pessoas do seu campo.

Deixo também uma reflexão final: por muito más que sejam as camisolas da Catarina Martins, da Raquel Varela ou da Fernanda Câncio (só para dar três exemplos), as respectivas ideias políticas são muito piores.

Resposta a outro não-militante do bloco

Finalmente se lê alguma coisa no Aventar que, pelo menos, tenta o humor. E nestas coisas – do humor e do resto – eu sou partidária de esquecer que as pessoas chegaram tarde para relevar o facto de terem chegado. Assim, esclareça-se (tudo coisas muito importantes):

1) O senhor que já não é sisudo chama-se António Fernando Nabais e não ‘Fernandes’ como eu por lapso referi. Peço imensa desculpa, e só tenho a dizer em minha defesa que sou uma pessoa distraída (para certas coisas, que uma carteira ou uns sapatos bonitos nunca escapam à minha atenção). Em todo o caso, fica reposta a verdade sobre o nome de quem, afinal, até tem sentido de humor (em desenvolvimento, mas estamos esperançosos).

2) Estou muito desiludida. Eu escrevi dois posts em que, lá está, me supus ser engraçada; no primeiro, parodiava a anulação do indivíduo nas sociedades comunistas; no segundo, exercitava a ironia (tão só) a propósito de um António FernandO Nabais ainda pré-sentido de humor. Não obstante estes dois objectivos comezinhos, pensava eu que estes dois posts eram todo um ideário político e estava mesmo a ponderar enviá-los para CDS e PSD como proposta de novo programa partidário (aquele que lhes pegasse primeiro estava bem para mim, que há que fazer pela vida, há carteiras caras para comprar, etc.). Afinal, fiquei a saber que os dois posts não chegam para, pelo menos, constituirem um programa de governo. Estou prostrada com a desilusão.

3) Fico um bocadinho mortificada (pelo António FernandO Nabais) pela necessidade que teve em dizer, para me pôr no lugar, que não me leva a sério. Pensaria eu que era evidente que tal é, enfim, indiferente vindo de alguém em cujo nome eu nem acerto. Em todo o caso, só para ficar satisfeito, fingirei que sim, por cinco minutos.

4) Fico satisfeita por fazê-lo rir, que umas boas gargalhadas são o melhor que nos dá a blogosfera.

5) O mais importante. Vá lá, esforce-se, não seja preconceituoso e não pense em conselhos meus sobre um pullover pelos ombros: é possível alguém não apreciar as camisolas de Catarina Martins e, ainda assim, ser apreciadora de looks masculinos informais e pouco compostinhos.

6) Para terminar num registo sério (não sei se me perdoarei), tenha lá cuidado nas (tres)leituras, que eu em lado nenhum chamei ‘políticas socialistas à corrupção do Estado’ (nem sequer falei de corrupção do estado). Em todo o caso não resisto a dizer-lhe que as políticas socialistas, por passarem as decisões do indivíduo para os burocratas do estado, são precisamente o caldinho que propicia e faz florescer a corrupção do estado.

Não gozareis com as camisolas da Catarina Martins

Parece que um senhor chamado António Fernandes Nabais se zangou pelas possibilidades que eu aventei sobre a agora famosa Inês pró-grevistas Gonçalves. E parece também que a esquerda pode gozar com o português rústico de Cavaco Silva, com a sua falta de elegância a comer bolo-rei em frente às câmaras de televisão, com o sotaque e tudo o resto do rapaz do programa do Relvas de cujo nome já não me recordo, com o Martim do prós e prós, mas ai Jesus se alguém ousa ironizar sobre a gente do bloco, almas maiores cujos meros mortais não devem presumir poder ridicularizar. (Também parece que está muito bem insultar bloggers, mas alto lá quanto à falta de reverência pela alegada camisola da Catarina Martins. Critérios.) Além de falta de sentido de humor – típico do bloco, que prefere o estilo inquisitorial ao irónico – há que reconhecer que outras falhas ficam evidentes.

Em primeiro lugar, excelentíssimo e sisudíssimo senhor Nabais, lamento que não tenha percebido que o meu post não era nem pretendia ser uma resposta à alegada ou real Inês. Era mesmo para lembrar, à boleia do texto do Vítor Cunha (que tinha também piada), e pegando nos preparos em que a Catarina Martins se apresentava na AR e nos atentados totalitários contra a liberdade individual existentes em todos os países e partidos com ideologia próxima do bloco, onde nos leva a ideologia da extrema-esquerda. E por isso não vale a pena responder-lhe na linha do que pacientemente fez o Vítor.

Em segundo lugar, e muito importante. Ri-me imenso com o uso que dá ao adjetivo ‘fútil’. Sou uma feroz defensora do direito das mulheres à futilidade (e dos homens). Não tenho nada contra mulheres fúteis. As mulheres que eu não suporto são mesmo aquelas que se levam demasiado a sério para dispensarem uns minutinhos do dia a pensar no que vão vestir e calçar de forma a não acabarem fazendo as figuras que Catarina Martins fazia, demasiado preocupadas com coisas importantes para aplicarem um gloss nos lábios, demasiado ocupadas com a revolução que há-de vir para fazerem uma manicure. E dos homens que não percebem que uma mulher pode cuidar da aparência, ser vaidosa e ainda assim emitir opiniões políticas mais acertadas do que os sisudos do bloco, tenho a dizer que são burros. E, além de burros, machistas.

Em terceiro lugar, lamento que a Catarina Martins se apresentasse daquela forma descuidada na AR e ainda permitisse que as televisões a entrevistassem. De facto também não imagino o que lhe passou, e durante tanto tempo, pela cabeça. Fazia figura de quem acordava, vestia uma camisola (tricotada em casa por alguém sem talento para o tricot) que estivesse enrolada nos pés da cama e pronta que estava para a AR, mas, lá está, a culpa não é minha. E já que estamos na imagem da Catarina Martins, deixe-me que lhe diga que a imagem atual, ui, que sensaborona, indicia uma personalidade pouco imaginativa e também não é lá muito apelativa. Não há uma cor mais viva a realçar os seus olhos bonitos, um colar que surpreenda, um corte mais atrevido, parece uma avó (sem ofensa para as avós). Olhem que estão a ser ultrapassados pelo PCP, que tem a Rita Rato e a Raquel Varela, que são muito visíveis. Para ver como eu sou caridosa e não gosto que outras senhoras não explorem o seu potencial, aqui vão para Catarina Martins umas sugestões de reinterpretações de vestidos chineses, algo que ficaria sempre bem numa extremista de esquerda e lhe daria um ar, enfim, que não fizesse lembrar uma arca de cânfora.

Por último, agradeço-lhe a referência à Pepa Xavier e à carteira Chanel (novamente como se fossem insultos, escapa-me a razão), mas eu já passei a idade em que achava que tinha de me vestir de forma sóbria para me levarem a sério no trabalho; agora, que já provei o que tinha a provar, sou bem mais descontraída e, nessa linha, prefiro carteiras coloridas e, de preferência, com sentido de humor (sim, há carteiras com mais sentido de humor do que os bloquistas). Uma carteira Chanel 2.55 ficaria lindamente na senhora minha Mãe, mas eu prefiro carteiras nesta linha:

Anya Hindmarch(da Anya Hindmarch, e só a título de exemplo, que os impostos que me cobram para pagar as políticas socialistas dificultam estas compras).

Não sejam severos com as inêses

Uma pessoa provavelmente humana pode ser do Bloco de Esquerda mas fica sempre melhor passar por independente.

Um doce (não conventual) para  quem adivinhar onde está a Inês Gonçalves a Coordenadora Nacional de Estudantes do Bloco de Esquerda  e quem – entre contributos valorosos de outras pessoas comuns mas com vozes participativas- ajudou a encerrar o programa (clicar na imagem) de partilhas sob a temática Da Escola ao Call Center: pode existir o futuro?

Leituras complementares: Não julgareis as adolescentes do bloco segundo os padrões burgueses; Inês Gonçalves e o Síndrome de Estocolmo; Uma carta à Inês.

Agradecimentos ao Vítor Cunha pois sem a sua colaboração ainda que involuntária, este post não teria sido possível.

Adenda: É oficial: a revolução percorre vários trilhos comunicacionais revolucionários. Se não dá pelo esquerda net, a malta da esquerda net com espaço merdiático finge que não tem nada a ver com o berloque. São sacrífícios por um bem maior.

Inês Gonçalves e o Síndrome de Estocolmo

Ora vamos lá a um pequeno exercício de argumentação, com um pouco de humor para estimular a leitura. Original a negrito.

Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública. – Não. O teu futuro vai ser decidido por ti. Dentro de algumas semanas, frente a várias folhas de exame. Isso que estás a tentar fazer chama-se “desresponsabilização” e apesar de provavelmente estares rodeada por uma miríade de pessoas que te incutem esse espírito também é tua responsabilidade aprenderes a assumires que o teu destino está nas tuas mãos. Chama-se a isso “crescimento”. Um dia compreenderás. Espero.

Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar… – Qualquer pessoa que te reduza as tuas opções te está a prejudicar. Mas a questão aqui é que é intencional. Basicamente, tu perdes para eles poderem fazer chantagem com outros num processo em que eles têm muito a ganhar (ou a não perder) e tu és apenas um objecto de arremesso. Vou elaborando mais ao longo do texto.

Ando há 12 anos na escola, na escola pública. – Os processadores de texto modernos permitem apagar repetições. Estou certo que um rapaz que perceba de computadores te pode explicar como o fazer.

Durante estes 12 anos aprendi. – Aprenderias mesmo que não estivesses na escola. Se tiveste filosofia como eu, podes concluir que esta minha chamada de atenção torna o teu argumento logicamente inútil.

Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. – Na verdade, teria sido melhor se essas decisões fossem descentralizadas. Para que percebas vou só dar um exemplo: se todos tivessem que ter o mesmo telemóvel ou a mesma roupa não achas que, mesmo que esse alguém fosse o mais sapiente do mundo, nunca acertaria no mais acertado para todos os teus colegas simultaneamente? Decisões centralizadas nunca serão as óptimas para todos.

Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. – Quem te disse isso? As pessoas movem-se por outros motivos. Repara: o que as pessoas querem é ter as suas necessidades satisfeitas. De amor, de sexo, de saúde, de serviços dos mais diversos. Algumas dessas coisas obtém-se por interacção livre e espontânea com outras pessoas. Outras delas exigem dinheiro. As pessoas que se “preocupam” (na verdade, os teus pais é que se preocupam) contigo fazem-no por 2 motivos: brio profissional e salário. Portanto cuidado com esse sentimento de que podes confiar em estranhos: só no dia em que realmente precisares de ajuda vais descobrir quem realmente se preocupa contigo. Espero que nunca venhas a estar nessa situação, pois garanto-te que não é uma sensação agradável. Continuar a ler

Ser independente em Portugal sai caro

Na semana passada, de forma não planeada por nenhum de nós, tive finalmente – depois de muitos anos de convivência blogosférica – oportunidade de conhecer pessoalmente o António Balbino Caldeira.

Temos, como é natural e a convivência blogosférica permite aferir, opiniões diferentes sobre alguns temas, mas da agradável conversa confirmei uma ampla convergência na percepção sobre algumas das mais relevantes raízes profundas dos males do país.

Algo que se nota particularmente nas impressões que trocámos sobre interacção com figurinhas e figurões do regime vigente. Num país em que a subserviência aos pequenos e grandes poderes é que (re)compensa, ser independente tem frequentemente um custo elevado. É natural que poucos estejam dispostos a pagá-lo, ainda que, infelizmente, acabemos por pagar todos colectivamente por isso.

A blogosfera também dá para rir de vez em quando…

Há coisas que acontecem a quem escreve na blogosfera que realmente são engraçadas. Reparem nesta combinação:

  1. Este blogger começa logo pelo insulto fácil no título: só para mostra logo ao que vem chama-me de “ranhoso”, uma palavra sem qualquer significado concreto que não o associado ao ranho. Conteúdo zero, portanto.
  2. Logo na 1ª frase acusa-me de ser um iliterato, ou seja, de ser uma “pessoa que tem grandes dificuldades na leitura e escrita”. Isto enquanto prova que ele próprio é um iliterato enganando-se no meu nome (que ou não leu ou não soube escrever) chamando-me “Ricardo Guimarães”.
  3. Fala depois do Krugman, acusando-me de eu implicar “causalidade” quando Krugman só fala em “correlação”. Isto quando eu apenas digo que, e cito-me, “Krugman admite que ter acima de 90% de dívida é negativo para o crescimento económico de um país!”. Ou seja, falo em correlação negativa e não em direcção de causalidade – Krugman ao usar a expressão “countries with debt over 90 percent of GDP tend to have slower growth than countries with debt below 90 percent of GDP” até usa uma expressão bem mais associada a causalidade (“tend to have “) do que eu, que só uso a expressão “é negativo”. Semânticas. Seja como for, eu nunca usei a expressão “causa” ou algum dos seus sinónimos, pois sou demasiado experiente para isso.
  4. O blogger que não sabe ler (ou escrever) o meu nome a seguir escreve “um pais com divida de 90% tende a ter um crescimento inferior do que um pais com duvida (sic) de 80%, tal como um pais com divida de 80% tende a ter um crescimento inferior do que um pais com dívida de 70%” o que, para quem leu o artigo, é falso. Mas vindo dele já me deixa feliz que pense assim. Podia era usar acentos para distinguir o verbo (divida, duvida) do substantivo (dívida, dúvida).
  5. Por fim, repete-se e afirma com pompa: É suposto ser coisa trivial, mas a ranhosice do iliterato não conhece limites: “Krugman admite que Dívida acima de 90% prejudica o crescimento!””. É uma frase que me deixa cheio de orgulho. Atingi alguma coisa naquele ser. Provoquei uma reacção. No ponto anterior constatei que abalei a sua fé na correlação entre o estímulo (e a respectiva dívida) no crescimento. Agora constato que isso o irritou e o levou a ser forte sobre o assunto. Ignoro o seu nível de má-educação e se este é já um limite dele ou se ainda é possível ele descer mais baixo. Se este for o limite da má-educação dele, fico satisfeito que se tenha passado e espero que agora a ultrapasse e comece realmente a pensar sobre tudo isto. Se ainda pode descer mais fundo, espero que desça, que deite tudo cá para fora (no blog dele, não aqui) e que me chame do pior que consiga – fazia-lhe bem e podia ser que depois começasse a ler as coisas com atenção e a pensar no que lê e, já agora, no que escreve. A blogosfera e quiçá o país agradeceriam.
  6. Já agora, podia também assumir a sua identidade. Mas o mais provável é ter vergonha do que escreve, o que se compreende.

A blogosfera é de facto um espaço plural e cheio das figuras mais divertidas. Aconselho a todos os comentadores que aproveitem este artigo para deixar nos comentários outros exemplos de trolls estúpidos que tenham lido no passado e que achem que mereçam uma boa risada. De vez em quando faz bem, só para descomprimir.

Momento pacífico fashion em Gaza

A imagem que representa a amizade duradoira que une dois talibãs afegãos,  dificilmente poderia ter sido captada em Gaza. Em boa verdade, aos homens do Hamas cabe-lhes olhar pelos elevados padrões inerentes ao ser macho, fazendo aplicar os bons costumes e sem fait-divers.

Raquel Varela pede um bebé para o próximo debate

Raquel Varelas no 5 Dias anda com uma produção acima do habitual. No seu mais recente artigo – “Para a próxima aguardo um adversário à altura, um bebé que desperte em mim o instinto maternal” – Raquel Varela dá-nos um lugar de 1ª fila para saber o que vai na sua mente.

Abandonada por outros elementos de extrema-esquerda – como Daniel Oliveira ou Sérgio Lavos, que um dia também eles receberão o rótulo de neo-neo-liberais – que criticam a sua falta de tacto e de sentido de oportunidade, Raquel Varela e o marido passam ao ataque!

Queixa-se de que não teve interlocutores, de que ninguém (além dela) apresentou qualquer ideia “que tivesse conseguido ser defendida”, que o único argumento da campanha contra ela é “os 16 anos” do Martim. Desgostosa por ser uma incompreendida, pede “um bebé que desperte em mim o instinto maternal”.

Acusa o Governo e a Troika – que na sua mente limitada é quem controla tudo e todos, num modo de pensar que eu estou mais habituado em crianças de 5 anos, que culpam tudo no “papão” ou no “homem do saco” – de quererem desemprego. Para ela, “o desemprego serve justamente para isto. Serve para se legitimar o mal menor, isto é, a miséria. Desemprego é, numa palavra (sic), criação de um exército de desesperados dispostos a trabalhar a qualquer preço – é esse o programa da troika, numa frase.” Nesta frase comete essencialmente 2 erros:

  1. Ela achar que o desemprego deve dar votos ao Governo. Isso e a miséria. Está nas intenções de qualquer governo gerar uma crise para ajudar na reeleição…
  2. Ela achar que o desemprego ajuda a pagar o que devemos à Troika. Isso e a diminuição do PIB. Gerar desemprego não é um efeito lateral, é mesmo o objectivo de qualquer comissão criada para levar um país a pagar o que deve…

Por fim, diabolizou o José Manuel Fernandes, um site do BCP e um site de anúncios que – na sua mente – são os culpados por esta “campanha” contra si (tentando menosprezar O Insurgente e Blasfémias, que provavelmente terão ajudado um bocadinho). Como claramente ela não disse nada senão ideias interessantes, bem contextualizadas e inseridas, revolta-a a reação.

A mulher que só compra produção nacional de marcas que paguem salários “dignos” e que comprem matérias-primas em fornecedores igualmente escrupulosos na sua relação com a mão-de-obra não pára de justificar o salário que eu lhe pago: já que não produz nada de jeito na sua “investigação” ao menos diverte-me :]

Quem é Raquel Varela ?

raquel_varela

Perfil de Raquel Varela enquanto investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o “Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais”
Página / blogue pessoal de Raquel Varela
Posts de Raquel Varela no 5 Dias

Raquel Varela Business School
Quem não deve, não deve (mas se calhar até teme)
Como funciona o mercado de dívida
Martim Neves e Raquel Varela no Prós & Contras

A pergunta que dá título ao post é mais relevante do que possa parecer à primeira vista, porque Raquel Varela está longe de ser, como interpretações de vários quadrantes têm sugerido, um caso raro. Antes pelo contrário: Raquel Varela é bem representativa de um modo de pensar e agir profundamente enraizado – e ainda mais institucionalizado – em Portugal.

Se alguma coisa a distingue, não será o ser mais radical, mas antes o ter um discurso mais articulado e publicamente apresentável do que muitos dos seus pares que, pensando basicamente o mesmo, são ainda assim incapazes de o transmitir de uma forma minimamente compreensível e persuasiva.

Nesse sentido, compreender quem é Raquel Varela é também um importante contributo para compreender o país que temos e o estado a que chegamos.

O pensamento mágico do Tó-Zero

Evidenciado no (Im)pertinências.

Uma das propostas mirabolantes de António José Seguro apresentada no congresso de Santa Maria de Feira para salvar empresas viáveis «sem que o Estado meta lá um cêntimo» consiste em transformar em capital as dívidas fiscais, à Segurança Social e aos bancos.

E como se faria essa milagrosa transformação de vários passivos em capital sem gastar um cêntimo? Perceberá AJS que isso equivaleria a um perdão de dívidas que, sendo passivos de uma empresa, são activos do Estado ou dos bancos que se perderiam com a «transformação»? E que diferença faria isso no que respeita à liquidez das empresas, cujo aumento é um dos propósitos da proposta mirabolante, se não entrasse «um cêntimo» na empresa? AJS não explica (…)

(…) Tudo por junto, salvar empresas viáveis «sem que o Estado gaste um cêntimo» custaria possivelmente umas dezenas de milhares de milhões e, talvez pior do que tudo isso, colocaria essas empresas sob a tutela do acionista mais incompetente que o sector empresarial português algum dia viu: o Estado Socialista.

 

Vamos lá fingir que as ‘religiões do livro’ têm todas a mesma relação com as mulheres, que o mundo não é a preto e branco (e não é mesmo)

Este post do Jugular fala de três apontamentos de três religiões na sua relação com as mulheres: os protestos dos judeus ultraortodoxos pela permissão das mulheres judias poderem rezar junto do Muro das Lamentações com rituais tradicionalmente reservados aos homens; um novo livro sobre sexualidade – e a sexualidade é, de facto, sempre corolário do resto – feminina no Egito; o conflito que tem oposto o Vaticano e as freiras americanas. (E para este último caso foi escolhido um texto do Público que, enfim, é um texto do Público: começa logo por dizer que o Vaticano se assusta porque as ditas freiras não usam hábito e, ui!, que grande susto deve ser esse, tendo em conta que não usar hábito é comum a várias congregações de freiras católicas em todo o mundo e algo perfeitamente pacífico).

Não vale a pena estar aqui a elaborar sobre este caso Vaticano vs freiras americanas – até porque é muito sintomático de várias doenças da Igreja e ando para escrever sobre isso desde a eleição do meu querido Francisco, mas tem-me faltado o tempo e o assunto é sério -, no entanto sempre vou dizendo que algo está muito mal quando na avaliação da conduta de freiras ou padres ou o que seja pesa mais a opinião sobre assuntos como o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a ordenação de mulheres – que não são matéria de Fé – do que o trabalho social em benefício dos mais pobres e vulneráveis. E, neste ponto, as freiras americanas não têm falhado, o que já foi reconhecido e elogiado por este papado.

Passando à frente; não percebo se este post, como parece, pretende equiparar as três situações que apresenta. É que às mulheres judias foi de facto permitido e protegido o acesso ao Muro das Lamentações, havendo protestos de um grupo de judeus e aceitação pelos restantes. As freiras americanas escolheram, em total liberdade, fazer parte de uma organização que ainda tem muitas imperfeições porque na Igreja, tal como na política, os homens não são anjos. Já no caso das muçulmanas, a rapariga que tem um discurso ‘muito pouco “conservador”‘ é americana e cresceu na Carolina do Sul – a mulher-tipo do Médio Oriente, portanto – e a autora do livro sobre sexualidade feminina no Egito fala de constragimentos religiosos e sociais que afetam a intimidade das muçulmanas (leigas) e até dessa maravilha que é a mutilação genital feminina, à qual muitas egípcias são submetidas sem voto próprio na matéria mas por vontade das mães ou avós. Eu diria que entre as situações reportadas no judaísmo e cristianismo e as reportadas no Islão egípcio há um mar de diferenças. E que, para religião que dê cobertura a maus-tratos vários a mulheres tal como sucede no Islão, se terá de ir para o hinduísmo (é ver a discriminação nas heranças, ou as restrições às viuvas, só para dar uns exemplos leves). Mas, claro, devo ser eu a ser picuinhas, que isto das religiões do livro são todas iguais. Dá jeito para outros combates, não é?

Como é difícil ser liberal em Portugal (3)

caa_gaia

E eis que, subitamente, a caixa de comentários ao post Como é difícil ser liberal em Portugal (2) sofre uma pequena – mas sintomática pelo seu padrão – rajada de ratings, todos no mesmo sentido (agradeço aos vários leitores que me chamaram a atenção para o fenómeno).

Não estou, por várias razões, particularmente inclinado a tomar partido nas campanhas para as autárquicas, mas constato com alguma perplexidade que parecem andar por aí alguns artistas empenhados em enterrar as próprias campanhas.

Como muito bem avisa o João José Cardoso, com (supostos) amigos destes, ninguém precisa de inimigos…

Como é difícil ser liberal em Portugal (2)

caa_gaia

Um comentário deixado no post Um caso difícil por alguém que assina A.FC.M.:

Sou amigo pessoal de Carlos Abreu Amorim há muitos anos e garanto que não perdoarei qualquer ofensa que lhe seja feita e que eu considere que pode preencher o tipo de crime de injúria ou difamação. Comunicarei de imediato ao próprio para agir judicialmente, querendo, visto que se trata, em princípio, de crime particular. Portanto, cuidado. O liberalismo anarquista ainda não chegou aos Tribunais.

Seis milhões de visitas

Segundo os dados do Sitemeter, O Insurgente ultrapassou recentemente a marca dos 6.000.000 de visitas (pelos dados internos do WordPress as contas são ainda mais animadoras: mais de 7.000.000 acumulados só desde a passagem para o alojamento no WP).

Entretanto, a Comunidade Insurgente no Facebook ultrapassou já os 3600 membros.

Obrigado a todos pela preferência.

Dias difíceis para a esquerda jugular

A vingança, naturalmente, será terrível: a triste fábula de um animal feroz. Por rui a.

Aquele cujo nome não se pronuncia e que tomou posse de um lugar que não lhe pertence parece ter arrumado, por agora, com as pretensões de mando de um certo animal feroz. Aquele cujo nome não se pronuncia conseguiu que as principais figuretas que anteriormente circundavam o animal feroz o abandonassem em troca de poleiro, e deixou desabrigadas duas ou três sem qualquer expressão, que não entenderam o que se passou nos últimos dias.

Pura classe jugular

A ala jugular do PS ficou particularmente desagradada com o discurso de Cavaco e, vai daí, não perdeu a oportunidade de manifestar a toda a sua classe: Deputado do PS João Galamba diz que Cavaco “endoidou”

O PS não gostou do discurso do Presidente da República nas cerimónias oficiais do 25 de Abril na Assembleia da República. Alguns ficaram mesmo indignados. É o caso do deputado João Galamba que diz mesmo que Cavaco Silva “endoidou”.

Continuar a ler

O preço da democracia

dividendoze1

Pedro Arroja repreende-me aqui, uma vez mais, por eu teimar em gerir O Insurgente democraticamente.

Embora eu prefira o ideal hayekiano de demarquia, tenho de concordar que a repreensão tem fundamento. A gestão d’O Insurgente segue essencialmente padrões democráticos e, ocasionalmente, esses padrões levantam problemas, alguns dos quais mais complicados de resolver. Mas, apesar de tudo, o blogue lá se vai aguentando e não me dou por insatisfeito com o resultado final. Isto dito, como acontece em qualquer regime democrático, nunca se pode afastar completamente a possibilidade de um qualquer golpe.

Aproveito para recomendar mais uma vez, a quem ainda não tenha lido, o brilhante post do CGP (O Zé não é empreendedor) e também para salientar que o Portugal Contemporâneo é merecedor de visita regular, mais ainda desde que se fortaleceu com os dois Carlos: o Guimarães Pinto e o Novais.

Com meias verdades enganas

O João Miranda, com o jeito argumentativo que todos lhe reconhecemos, sugere que a austeridade que Margaret Thatcher aplicou quando foi eleita em 1979 é de algum modo semelhante, equivalente ou paralela à austeridade que hoje vivemos. Mas escusava de ser tão aplicado no cherry picking das medidas thatcherianas apresentadas. Bem como de retirar as conclusões que lhe são convenientes, mesmo que non sequitur.

Thatcher subiu o IVA, tal como o equivalente ao ISP, mas baixou os impostos sobre o rendimento. Isto foi deliberado, numa opção pelos impostos indirectos sobre o consumo como forma de facilitar a poupança e o investimento. Também subiu as taxas de juro, mantidas artificialmente baixas pela política inflacionista seguida pelo governo trabalhista que a antecedeu. Foi essencialmente a subida das taxas de juro que provocou a recessão inicial. Chamar para aqui o efeito de Laffer é um red herring bestial. Teve piada, João.

Por fim, apesar de Thatcher ser provavelmente a única chefe de governo que aplicou políticas económicas liberalizadoras de forma coerente, e merecer ser admirada por isso, não faz mal nenhum reconhecer que tanto ou mais que a recuperação que já se começava a ver em 83, ela ganhou as eleições muito por causa da sua atitude na guerra das Falklands…

Alguém me explica a proliferação de Silva Peneda?!

Nas últimas semanas, out of the blue, de cada vez que se abre um site de jornal lá se corre o risco de darmos com uma entrevista a Silva Peneda ou com uma citação do senhor ou, se estivermos mesmo azarados, com uma coluna de opinião. Já o vislumbrei (por uns segundos e depois mudo de canal) nas televisões noticiosas e ainda no outro dia ouvi não sei que jornalista afirmando que Silva Peneda era um dos nomes apontados como um possível Monti português. Passando ao lado, por agora, deste ‘Monti português’, não vos consigo dar a medida da minha estupefacção por haver alguém (e, neste caso, havendo duas pessoas já é uma conspiração contra os interesses nacionais) que sequer se dê ao trabalho de fazer as ligações cerebrais funcionarem para, por um nano qualquer coisa de tempo, supôr que Silva Peneda pudesse ou devesse ser alguma vez pm.

Mas, lá está, eu é que já não me devia surpreender. Na famosa e infame viagem de bloggers direitistas a Bruxelas em 2009 tivemos um jantar com vários eurodeputados do PSD e a mim calhou-me ficar na mesa de Silva Peneda. Um senhor simpático, e muito respeitável certamente, mas que evidentemente considerava estar no PSD ou no PS uma questão de escolha de clube que nada tinha a ver com ideologia (e o pior disto tudo é que tem razão nesta opinião) e revelou-se do mais socialista do que se consegue fora da extrema-esquerda. Eu estive em perigo de me engasgar em vários momentos do jantar, o que tendo em conta que estava grávida na altura foi mesmo um grande perigo, que as manoras de Heimlich a grávidas devem ser algo tricky. E claro que ser socialista é o único requisito para se ser pm, não é? Silva Peneda é um escolha óbvia e eu é que tenho mau feitio.

Nós e as outras

Dior - Miss Dior pump

Pedro Correia alude aqui a uma verdade indesmentível: as mulheres vestem-se pelo menos tanto para as outras mulheres quanto se vestem para os homens. Até porque aos homens é mais fácil de agradar. Qualquer coisa justa, que realce as curvas femininas, um decote, uma racha, umas botas de salto alto e até ao joelho, pele à vista, enfim, contentam-se com pouco. Mas a frase ouvida na tal telenovela só pode ter sido escrita por um homem, que este género gosta de viver na ilusão de que o mulherio não faz mais nada na vida do que competir pelas graças do sexo masculino (que também fazemos quando é preciso ou nos apetece, sim). Porque, há que informar, quando as mulheres se vestem para as outras mulheres não é para mostrar como as suplantam nas atenções masculinas mas sim para competirem pelo título de fashionista e se deleitarem a escrutinar as roupas novas de cada uma, aquela carteira fantástica que foi presente do dia da Mãe, os saltos vertiginosos dos sapatos e, mais do que tudo, aquela peça maravilhosa que foi comprada baratíssima nos saldos; e voltar a vestir a roupa de antes da primeira gravidez é sempre entre nós motivo de grande celebração. Tudo isto dá para horas de conversa e não demoramos menos nem somos menos detalhadas a arranjar-nos para um jantar de amigas do que quando queremos agradar ao sexo oposto. E, ao contrário do que porventura os senhores supõem, as mulheres adoram elogiar-se umas às outras. Pior: um comentário do género ‘adoro esses sapatos!’ misturando admiração com uma pontinha de inveja (especialmente se também reconhecermos à autora do elogio mestria nas escolhas sartoriais) dá-nos tanto prazer, enfim, quase tanto e salvo as devidas e honrosas excepções, como um olhar ou comentário aprovador de um senhor. E um ultraje final: dá-nos muito maior satisfação que uma mulher desconhecida nos inveje o vestido ou a carteira ou o conjunto todo (em suma, que nos inveje a nós) do que inveje a nossa companhia masculina.