Rand Paul, o novo falcão IV

Uma vez mais, o discurso do próprio, repleto de pós de realismo.

Rand Paul: The Case for Conservative Realism.

Leituras complementares: Rand Paul, o novo falcão III;

Rand Paul and ISIL;

Rand Paul, o novo falcão II;

Rand Paul, o novo falcão.

 

 

 

E agora um texto sobre cristãos irritantes

E já que estou grounded com a criança mais nova com febre, aproveito e aconselho a leitura de mais este post do João Miguel Tavares em resposta aos oh-tão-habitais ‘não sei como se diz cristão se não concorda com o que se escreve numa encíclica’ (no caso a Humanae Vitae).

É certo que nos últimos anos o grupo dos cristãos que gosta de pertencer a um grupinho exclusivo e de difícil entrada anda – com o incentivo de alguma hierarquia da Igreja, desde logo João Paulo II (sobretudo) e Bento XVI (que apesar de tudo revelava algum gosto pelo debate e vontade de ser conciliador) – tem espalhado a ideia de que um católico tem de concordar com tudo o que a Igreja e os papas produzem, como se algo que a parte humana da Igreja produzisse pudesse ter um valor sequer comparável com a Bíblia e as verdades fundamentais constantes do Credo e dos dogmas. E é conveniente ir espalhando a ideia contrária – e certa. O catecismo é algo mutável, pelo que não é matéria de Fé. E as encíclicas do Papa ou determinações doutrinárias do Igreja são algumas vezes benéficas, outras irrelevantes e outras aberrações. Como, de resto, é normal nas empresas humanas. Nem umas nem outras são matéria de Fé.

Além da questão da contraceção, outro disparate aberrante que a Igreja produziu e no qual ainda persiste é essa forma light de socialismo que é a Doutrina Social da Igreja. Graças a Deus, nada disto é matéria de Fé.

Então um texto sobre sexo – pronto, ok, sobre contraceção

A propósito de dois posts no Pais de Quatro do João Miguel Tavares e da Teresa Mendonça sobre a visão da Igreja sobre contracetivos, apetece-me oferecer os meus dois cêntimos.

E aconselho a leitura das críticas do João Miguel à Humanae Vitae, porque se dá ao trabalho de escrever longamente e cheio de razão sobre o assunto. Eu, sobre a mania da Igreja de dar palpites sobre a sexualidade dos casais, sou mais rápida do que o João Miguel: os padres que ganhem juízo, preocupem-se com os pobres e esfomeados e vítimas de violência no mundo (e já têm muito trabalho com esses), se lhes apetecer ocuparem-se da sexualidade, bem, têm muitos padres abusadores de que tratar antes de ocuparem espaço mental com a vida íntima dos casais. A Igreja devia dar-se por satisfeita com os casais que escolhem casar pela Igreja e permanecer casados, em vez de lhes levantar problemas – porque os padres e irmãos e freiras não sabem (até porque costumam rodear-se de leigos desejosos de lhes mostrar como são bons e puros e capazes de seguir todos os ensinamentos da Igreja, mesmo – ou sobretudo – os mais absurdos) mas os casais com filhos vivem cansados, têm filhos e problemas profissionais e com a filharada, só um louco no cimo disso ainda vai dizer quando é que deve haver abstinência ou atividade sexual.

E, quanto aos tais métodos naturais que a Igreja aconselha (até parece que não tem mais nada com que se ocupar), se forem seguidos como a Igreja pretende, ainda têm um pormenor que me irrita de sobremaneira e que é fruto do intrínseco machismo da Igreja (seria de supor que quem tanto clama contra as ideologias de género e afirma as diferenças entre homens e mulheres entendesse que homens a decidir não conseguiriam responder de forma eficiente às questões das mulheres, desde logo porque nem as conhecem ou percebem, mas não). Segundo a Igreja, as mulheres devem abster-se de ter sexo durante o período de ovulação, precisamente quando estão hormonalmente mais propensas à atividade e ao prazer sexuais. Uns queridos, estes padres. (E para os maluquinhos católicos que lerem isto, saibam que dei conta desta minha objeção ao meu padre preferido quando fiz CPM – por acaso outro casal que lá estava eram a Teresa e o João Miguel – e que não só não fui expulsa e excomungada como o referido senhor presidiu ao meu casamento e me teve a participar nas missas durante anos).

Mas, curiosamente, a Teresa também tem muita razão, sobretudo no que toca à pílula e à sua defesa dos métodos naturais. A pílula (ou outros métodos contracetivos hormonais que não tenham a desvantagem de se poder esquecer de tomar o comprimido diário) apesar da imensas e reconhecidas vantagens, não é nenhuma panaceia e tem inúmeros efeitos adversos: dores de cabeça (das verdadeiras), mudanças de humor, aumento de peso, celulite a explodir, varizes, tensão arterial descontrolada. E não é nada uneard of que a pílula diminua o apetite sexual das mulheres.

E por tudo isto vem a discussão dos métodos naturais (a Teresa explica, não se trata das temperaturas) e esta discussão não tem de ter nada a ver com religião. Como não podia deixar de ser, as americanas discutem o assunto em abundância e, nos casos de loucura extrema, estão em pé de guerra as fações pró-pílula e pró-métodos naturais. Com acusações de conspiração da indústria farmacêutica para ganhar dinheiro convencendo as mulheres a usarem a pílula de um lado e, do outro, denúncias de que querem aprisionar as mulheres na moral sexual castigadora das religiões. Duvido muito, apesar das garantias que os médicos dão, que os métodos naturais sejam praticáveis em quem tenha, só um exemplo mas há muitos, ciclos menstruais irregulares. Mas em certas circunstâncias e para certas mulheres, aproveitar o ciclo hormonal (e não vejo nenhuma razão por que não hão-de usar preservativo na altura da ovulação, quando a Igreja recomenda abstinência, por exemplo) será talvez a opção mais divertida em termos sexuais – continuando segura. E como diz a Teresa, devia ser ensinado em Educação Sexual, porque permite que uma mulher conheça detalhadamente o funcionamento do seu corpo (o que é sempre bom) e, até, ajuda quem quer engravidar.

O bottom line é: todos os métodos contracetivos têm vantagens e inconvenientes e cada mulher e cada casal devem decidir o que melhor lhes serve. E é um disparate tão grande a Igreja gastar tempo com pílulas e preservativos como rejeitar-se o método de Billings só porque a Igreja o aconselha. E nos dias em que a Igreja parece ter acordado para alguns problemas na sua relação com muitos católicos, esta questão dos métodos contracetivos que a Igreja aprova deve também ser debatida. Desde logo se a Igreja tem de aprovar ou desaprovar alguma coisa.

Bel’Miró

bel-miro
Auto-retrato de Bel’Miró por Bel’Miró

Hoje é um grande dia para a Cultura n’O Insurgente.

Não obstante os ocasionais contributos culturais da Maria João Marques, da Graça Canto Moniz, do Rodrigo Adão Da Fonseca e do Carlos M. Fernandes, entre outros, a verdade é que esta sempre foi uma área marginalizada n’O Insurgente.

A falta de apoios estatais, assim como por parte da SPA, explica em parte esta lamentável situação, mas não pode isentar um meio de grandes audiências das suas responsabilidades Culturais perante a Comunidade.

Assim, é com muito gosto que anuncio que, após longas e complicadas negociações com o Artista e os seus agentes e advogados, O Insurgente passa a partir de hoje a contar com a colaboração do Grande Bel’Miró (ou, como ele mesmo modestamente prefere designar-se, Bel’Miró, o Magnífico), uma inegável referência Cultural nacional e internacional.

Bel’Miró será o comentador Cultural residente d’O Insurgente, não ignorando contudo que, para um verdadeiro Artista, toda a Cultura é Política e toda a Política é Cultura.

Aprendizagem crítica comunista

RitaBernardino

Afinal existem gulags na Coreia do Norte. Está criada a oportunidade para que a Rita Rato, com o inestimável apoio do camarada Bernardino possa estudar e ler algo sobre a matéria, de acordo com a cartilha oficial do PCP.

Leituras complementares: É melhor consultar primeiro o camarada BernardinoPor cá a Rita Rato disse o mesmo sobre o Gulag.

A saga dos Merah

merah

Depois do turismo, o regresso.

Three Frenchmen, including the brother-in-law of a Toulouse-based al Qaeda-inspired gunman who killed seven people in 2012, were arrested on Tuesday at a Paris airport suspected of having joined Islamic militants in Syria, a French official said.

Around 150 militants who fought with rebel groups in Syria and Iraq have returned to France, requiring “massive” resources for surveillance and other security measures to prevent attacks.(…)

The three men including the husband of Souad Merah, whose brother Mohamed killed seven people including three Jewish children in March 2012, were arrested at Orly airport in Paris. (…)

Leituras complementares: Mohamed Merah e as restantes “vítimas da sociedade”Em nome do quê?; Falta de vergonha;  Rock the casbah.

 

Salvem os artistas-rentistas

Coloquem um ponto final nos 401 livros grátis do Metropolitan Museum of Art. (Via FB da Maria João Nogueira).

Rand Paul, o novo falcão III

Rand Paul dá mais uma entrevista em que procura explicar algumas das suas ideias sobre a política externa norte-americana, defender-se de acusações e abordar a questão de como agir contra o Estado Islâmico. Os destaques são da minha autoria mas a entrevista deve ser lida na íntegra na The Federalist. A caixa de comentários, servirá para o necessário carpir de mágoas aos viúvos devotos do isolacionismo.

Rand Paul Responds To His Critics On ISIS And Foreign Policy An exclusive interview with the Senator from Kentucky.

(…)The thing that I in some ways laugh at, because nobody seems to get this, is that I spent the past five years in public life telling everyone that “hey, I’m not an isolationist” … and when they find out I’m not, they say I’ve switched positions, because I’m not the position they were saying I was. You know what I mean? So for five years they’ve been accusing me of being something that I say I’m not. And then when they find out I’m really not, they say I’ve changed my position. You can see how it’s a little bit frustrating for me. (…)

At the same time, I’ve also said all along that I’m not for no interventions. I’m not for saying “we never intervene”, and this is what I’ve spent five years trying to tell people is my policy, I don’t want to be branded as someone who believes in no intervention. In the current situation, I do think this is a judgement call, and I still continue to believe that Congress should vote on it. It’s an imperative that Congress declare war, and I’ve never changed my position on that, but I’ve always said that when we vote then there is a debate, and the debate concerns our vital American interests. And that’s something that even good people can sometimes disagree on. With ISIS, they’re beheading American citizens, they’ve actively said that if they can, and when they can, they’ll come to New York. They’re within, I think a day’s march or a day’s drive of Erbil and the consulate there. I think that they probably would be repelled in Baghdad, but they could be a threat to Baghdad. I think ultimately if left to their own devices, they could organize the same way Al-Qaeda organized in Afghanistan, and if given a safe haven that they could be a real threat to us at home.

(…)In general, I do think the war on the ground should be fought by those who live there. It offends me that sixteen of the nineteen hijackers were Saudis, it offends me that they finance radical Islam, and it offends me that they get rich off of our buying their oil and they don’t fight. So I’d like to see the first several thousands in the front lines attacking ISIS be Iraqis, but I’d also like to see the Saudis up there, Kuwaitis, Qataris. I’d like to see them fight. Ultimately, and this is where I in some ways I agree with the president, this is a long war against radical Islam, but the ultimate victory over radical Islam will have to come from civilized Islam. (…)

Leituras complementares: Rand Paul and ISIL; Rand Paul, o novo falcão IIRand Paul, o novo falcão.

Compreender o putinismo VIII

Ocidentais, finalmente podemos pedir as devidas desculpas a Vladimir Putin.

El presidente ruso Vladímir Putin cree que Occidente debe pedirle perdón y por ello ha abierto una página web con un manifiesto que cualquier ciudadano occidental puede firmar. Traducida a varios idiomas, se trata de una carta dirigida tanto a Putin como a todo el pueblo de ruso, y cuyas primeras líneas van directas al grano: «Les rogamos acepten nuestras disculpas por el comportamiento de nuestros Gobiernos y medios de comunicación».

 

Leitura complementar: Compreender o putinismo.

Face Oculta e José Sócrates

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O segundo mais empenhado blogue do socratismo quebrou o incómodo silêncio sobre as condenações no processo Face Oculta.

O tema do post ?
José Sócrates. Eles lá saberão porquê…

Leitura complementar: Face Oculta: penas de prisão para Armando Vara, José Penedos, Paulo Penedos e Manuel Godinho.

Rand Paul, o novo falcão II

A opinião de Rand Paul, escrita pela próprio candidato presidencial. Prevê-se o rasgar de vestes na caixa de comentários.

Rand Paul: ‘I Am Not an Isolationist’.

If I had been in President Obama’s shoes, I would have acted more decisively and strongly against ISIS

Some pundits are surprised that I support destroying the Islamic State in Iraq and Greater Syria (ISIS) militarily. They shouldn’t be. I’ve said since I began public life that I am not an isolationist, nor am I an interventionist. I look at the world, and consider war, realistically and constitutionally.  I still see war as the last resort. But I agree with Reagan’s idea that no country should mistake U.S. reluctance for war for a lack of resolve.

As Commander-in-Chief, I would not allow our enemies to kill our citizens or our ambassadors. “Peace through Strength” only works if you have and show strength. (…)

Leitura complementar: Rand Paul, o novo falcão.

Reacções às condenações no processo Face Oculta

Curiosamente (ou talvez não), ainda não há reacções às condenações no processo Face Oculta nos principais blogues do socratismo.

Devem estar para breve, certamente…

Compreender o putinismo VI

Revealed: the Kremlin files which prove that Nato never betrayed Russia

Secret official records contradict the stab-in-the-back myth that justifies Russian expansionism

 

Leitura complementar: Compreender o putinismo III.

Vergonha em tons multiculturais II

Rotherham child sex scandal: these children were victims of ‘anti-racism‘, por Daniel Hannan.

Leituras complementares: Vergonha em tons multiculturais, Rotherham, socialismo e multiculturalismo.

O Sol da jihad

Enfadado destas férias de Verão chuvoso? Uma sugestão do Vítor Cunha.

(…) Se te juntares hoje à causa receberás grátis o teu cinto de explosivos (valor normal: 24,99 USD) e ainda a oportunidade de seres eleito (divinamente) o mujahideen do ano, com distribuição multimédia de discurso em milhares de pens USB nos califados de Londres, Paris, Bruxelas e Marselha. Se odeias o secularismo e a tua t-shirt do Che Guevara está gasta; se preferes ser amputado a teres um amigo homossexual; se achas que o “Mein Kampf” devia ser de leitura obrigatória no 9º ano para fomentar nos jovens a criação de uma Nova Ordem; se preferias privar com um bode na tua sala a conhecer um judeu na tua escola; se achas que todas as gajas ocidentais são umas porcas que andam nuas na rua a implorarem a violação; se és moderno e repudias a frouxidão desses crucifixo-lovers dos xoninhas católicos e repudias o deboche anti-progressista da decadente monarquia; se te sentes um escravo do capitalismo, com os vales do McDonalds e as pizzas gordurentas das grandes corporações norte-americanas que pretendem engordar toda uma geração, junta-te a nós. Juntos rebentaremos com essa fantochada. A verdadeira liberdade está na honra de pertencer a algo que transcende a tua mera condição de reles indivíduo.

Visionamento recomendado

Apesar dos especiais cuidados que os meios de comunicação social devem ter na abordagem ao tema do terrorismo, aconselho o visionamento do trabalho da Vice, o primeiro orgão de comunicação “embedded” com o grupo terrorista Estado Islâmico.

The Islamic State (Part 3)- O passeio com a polícia da virtude e dos bons costumes islâmicos.

The Islamic State (Part 2)- A doutrinação de crianças na moral do grupo terrorista.

The Islamic State (Part 1)- O jornalista Medyan Dairieh inicia a reportagem na cidade de Raqqa (Síria), onde o grupo jihadista procura dominar a resistência oferecida pelo exército do ditador Assad.

 

A primazia moral da pulverização

I have wanted to give Iraq a lesson in democracy — because we’re experienced with it, you know. And, in democracy, after a hundred years, you have to let your slaves go. And, after a hundred and fifty years, you have to let your women vote. And, at the beginning of democracy, is that quite a bit of genocide and ethnic cleansing is quite okay. And that’s what’s going on now.

Kurt Vonnegut

É talvez profunda e negramente irónico que, alguns dias depois de se assinalarem os sessenta e nove anos volvidos sobre os bombardeamentos nucleares em Hiroshima e Nagasaki, esteja em cima da mesa em discussão a indignação moral e o discurso do Horror, alicerçados na difusão de imagens que exibem cabeças decapitadas, como se de troféus se tratassem, por jihadistas. Uma discussão que procura utilizar esse facto para sustentar a posição dos guerreiros morais que nos separam da negra barbárie do extremismo islâmico.

Naturalmente que não são imagens simpáticas ou fáceis de digerir, pelo menos pelos cidadãos de um ocidente já em grande medida esquecido do convívio na primeira pessoa e in loco com os horrores da guerra. Mas essa reacção é afinal um sintoma que permite concluir do distanciamento e alheamento que essas pessoas têm em relação àquilo que é feito em seu nome, sustentado nas “democracias evoluídas” e nos “valores ocidentais” com que os que governam o Ocidente enchem os ouvidos dos governados.

À exibição de algumas cabeças cortadas em fotos preparadas para circular pelos blogs e pelas redes sociais dos indignados, contrapõem-se os milhares de vítimas da acção militar dos exércitos regulares das potências que supostamente partilham dos valores mais altos. As fotografias dos últimos não povoam esses fora tão somente porque não existem fotografias de vítimas pulverizadas de forma grossista por artilharia ou por higiénicos mísseis guiados por laser. Ou não são suficientemente palatáveis e convenientes para abrirem os noticiários do dia.

Enquanto uns apontam o dedo em jeito de ameaça com cinco cabeças aos seus pés, outros apontam outro dedo em jeito de outra ameaça, na elevação impoluta do palanque da Casa Branca, depois dos drones debaixo do seu comando terem pulverizado com mais uns mísseis Hellfire mais umas dezenas de participantes num casamento algures num arrabalde no distante Iémen.
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Leitura recomendada

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Kokito, por António Araújo.

E para aqueles que, por cegueira político-ideológica, conspurcam as paredes de Lisboa com grafitos que gritam Free Palestine!, importaria parar por momentos e pensar um pouco. Em Portugal e em Israel, pode dizer-se o que se pensa. Com Kokito, quem se arrisca a pensar pela própria cabeça, perde-a. Perde-a decapitada, no sentido mais literal do termo. Conviria pensar nisso. Se possível, pela própria cabeça. Sem dogmas nem preconceitos.

Compreender o putinismo IV

Putin o pior amigo dele próprio. Vladimir toma dose cavalar de putinismo.

Americans who wished for more painful sanctions on Russia than President Obama has imposed are getting their wish—thanks to Putin.

Leitura complementar: Compreender o putinismo III.

 

Compreender o putinismo III

Em boa verdade, o fenómemo não assenta em grandes novidades.

Putin’s ‘Russian Spring’ Idea was Invented by Russian Fascists in 1920s.

Leituras complementares: Compreender o putinismoCompreender o putinismo IIA anexação de Putin e o estado da russofoniaAbaixo a Guerra Fria.

1ª Lei de Migas

A probabilidade de um artigo de opinião ser disparatado é diretamente proporcional à utilização de maiúscula na palavra “mercado”.

Corolário (1): O disparate será certo a partir do momento em que o autor assignar intenção e personalidade ao dito “mercado”.

Corolário (2): Mais que disparate, a referência a adoradores ou a sugestão de atribuição de características de divindade ao dito “mercado” é prova inequívoca de que o autor é um idiota chapado.

Da um caso em que se merece uma cobertura de alcatrão e penas

Também venho aqui opinar sobre a gente maravilhosa e, sobretudo, liberal, a propósito das medidas verdes que o ministério do ambiente quer implementar. Em boa verdade nem vale a pena gozar com isto do ‘liberal’, porque Moreira da Silva era aquele senhor que nos congressos do PSD reagia indignado face às maldosas acusações ao PSD de que este seria um ‘partido liberal’ e, além disso, Moreira da Silva tem escrito na testa ‘sou um socialista retinto’ e só ainda não tinha reparado quem esteve muito distraído.

Não vale a pena gozar mais com esta gente, porque o José Meireles Graça já a cobriu do que merece: de ridículo (em dois takes). E os Andrés também já disseram coisas pertinentes.

Venho, por isso, apenas aludir aqui à dimensão da loucura desta gente que nos governa. E pego nos sacos de plástico e na taxa proposta de 0,10€ para cada saco.

Na minha empresa durante muito tempo comprámos sacos iguais àqueles usados nos supermercados à razão de centenas de milhar por ano. O custo dos sacos andava à volta de 1$00 – meio cêntimo de euro. Isto era o preço de venda das empresas que produzem estes produtos. O custo com cada saco era, evidentemente, inferior. Os supermercados – pequenos ou grandes – comprarão uma quantidade bastante maior em cada ano e este é o tipo de produto que o aumento da quantidade embaratece o custo individual. Assim, mesmo aceitando que preço destes sacos de supermercado aumentou consideravelmente (não faço ideia se foi assim), por cada saco as empresas de distribuição não pagarão mais de 1 cêntimo por saco. Again: o custo dos sacos para as empresas produtoras – e este custo evidentemente incorpora a quantidade de matérias primas usada na produção – será ainda inferior.

As empresas que cobram aos clientes cada saco costumam vendê-los por 5 cêntimos – o que é uma roubalheira mas só compra quem quer – e as outras que não cobram diretamente pelos sacos evidentemente incorporam esse custo no preço daquilo que vendem.

Como o estado – que de facto tem em Moreira da Silva um digno representante – nunca tem vergonha de ir além daquilo que é uma roubalheira nas empresas privadas, propõe uma taxa de 10 cêntimos para cada saco de plástico. Sim: temos um governo que propõe uma taxa sobre um produto que é mais de dez vezes o custo desse produto. Custo esse que, repito, inclui a porção de recursos usados na sua produção.

Além de só gente doida varrida propor uma taxa que é várias vezes o preço do produto taxado, há que ter em consideração que os sacos de supermercado são geralmente reutilizados como sacos para o caixote do lixo. (Eu, durante anos, usei-os também para vedar cheiros das fraldas das minhas crianças.) Pelo que se os consumidores deixassem de trazer sacos do supermercado, iriam comprar o mesmo número de sacos para colocar nos caixotes do lixo ou para fraldas ou para outra coisa qualquer, gastando-se assim o mesmo número de sacos e de matérias primas usadas para produzir sacos. A diferença é que os consumidores teriam de gastar mais dinheiro em sacos.

Por isso o estatista Moreira da Silva que não pretenda com esta medida qualquer benesse ambiental. Quer, como sempre, desviar custos dos consumidores para o estado. Resta-nos a esperança de que o CDS honre o voto de muitos, inviabilize estas maluquices ambientais e faça Moreira da Silva perceber que o melhor outlet para as suas ambições de justiceiro ambiental é criar num canto de sua casa um altar para rezar a Al Gore.

 

E mais champanhe

Ainda a propósito das burkas, ide ler o José Meireles Graça – que tem quase, quase sempre razão em tudo (e o quase, quase sempre passa a invariavelmente quando me cita, como é evidente) – que faz um bom ponto da situação e termina com um parágrafo que devia ser evidente para toda a gente, mas não é. E nesta questão dos muçulmanos na UE há muita gente que gosta de desconversar, como se a liberdade fosse algo teórico e não algo que se vivencia. Como se as nossas leis não estivessem cheias de infrações e crimes que o são independentemente da vontade/liberdade dos visados. Como se nas nossas sociedades a própria liberdade não fosse imposta devido a considerações sobre a dignidade do ser humano, através da proibição da escravatura, por exemplo (porque alguém até pode gostar de ser escravo de outra pessoa – e há livros sobre os tempos da escravaura nos Estados Unidos, é ir-se ler o Gone With the Wind, para falar só de um, onde os escravos até estão muito satisfeitos com a sua condição).

Sobre os trapos – que o José Meireles Graça referiu e também é uma conversa muito interessante para estas considerações sobre os direitos das mulheres – falo noutra altura.

Do sistema local de unidades de medida

Segundo famíliar de um dos adolescentes israelitas raptado e assassinado.

(…) “If the Arab youth was murdered because of nationalistic motives then this is a horrible and horrendous act. There is no difference between (Arab) blood and (Jewish) blood. Murder is murder. There is no forgiveness or justification for any murder,” said Yisahi Frenkel, Naftali’s uncle.

 

Leituras complementares:It’s not occupation, it’s Islam, por Daniel Greenfield; Sobre o assassinato e decapitação da família Fogel em 2011: Um crime inqualificável por Nuno Guerreiro Josué; A doença crónica por Melanie Phillips; Sobre a resistência islâmica.