Contas à socialista II

O Mário já apresentou aqui algumas insuficiências dos cálculos do Ministério da Educação em relação ao custo de uma turma no ensino público. O que fascina nisto é a forma como os orgãos de comunicação social receberam estas contas mal marteladas sem ponta de espírito crítico, como se esperaria de orgãos de comunicação social de qualidade. Podiam, por exemplo, ter comparado com o estudo (bastante mais elaborado) do Tribunal de Contas que concluiu que as turmas no privado ficam mais baratas.

Pois bem, eu pensei nisto 10 minutos e, para além do que o Mário já apontou, existe um outro grande erro nas contas. Nas contas do Ministério da educação assume-se que cada turma adicional precisará apenas de dois professores. Acontece que as turmas do 2º e 3º ciclos (onde estão esses contratos de associação) têm entre 28 e 30 alunos. Para que fossem precisos apenas 2 professores, seria necessário que a escola pública tivesse um rácio de 14-15 alunos por professor. Por sorte, a OCDE publicou o ano passado o número médio de alunos por professor no 2º e 3º ciclo. Podem vêr estes valores na tabela abaixo.

Screen Shot 2016-05-10 at 7.07.43 PM

O rácio de alunos por professor no 2º ciclo é de 9 alunos por professor e no 3º ciclo de 8 alunos por professor. Ou seja, por cada turma de 28-30 alunos são precisos mais de 3 professores adicionais no ensino público (mais precisamente 3,1 para o 2º ciclo e 3,5 para o 3º ciclo assumindo turmas de 28 alunos). Se multiplicarmos estes valores pelo salário médio por professor que o Ministério da Educação avançou, então o custo médio por turma será de 84 mil euros para o 2º ciclo e 94,5 mil euros para o 3º ciclo, ambos acima do que custa a mesma turma no ensino privado com contrato de associação.
Possivelmente a pessoa do ministério da educação que fez as contas teve o azar de nascer na zona errada da cidade, e não teve a oportunidade de escolher uma escola melhor para aprender matemática. Acontece a muitos.

50 pensamentos sobre “Contas à socialista II

  1. “Acontece que as turmas do 2º e 3º ciclos (onde estão estes contratos de associação) têm entre 28 e 30 alunos. ”

    http://economico.sapo.pt/noticias/numero-de-alunos-por-turma-esta-dentro-da-media-da-ue_235755.html

    “O mesmo cenário acontecia ao nível dos 2º e 3º ciclos – do 5º ao 9º ano – sendo que a média do número de alunos por turma não ultrapassava os 22 em Portugal. ”

    É verdade que há aqui uma coisa – o que interessa não é quantos alunos têm as turmas em média, mas quantos alunos têm as turmas destas escolas em concreto (muita da polêmica que tenho ouvido nos últimos dias, com um dos lados a dizer que o custo por aluno é menor nas escolas associadas, e o outro a dizer que o custo por turma é menor nas escolas estatais, só me parece fazer sentido se o número de alunos por turma for diferente)

  2. ò Madeira- claro que é menor. As escolas públicas têm de inventar horários para profs por antiguidade e esses são de tal modo cativos que nem que não houvesse alunos inventava-se qualquer treta para nunca diminuir o ordenado.

    No privado contratam quem querem e podem escolher sem precisarem de manter lugares vitalícios a ninguém.

  3. No Estado até há horários zero. Vê lá tu. E não é por terem meio aluno na turma. Essa turma que devia caber ao de horário zero até pode estar dividida por mais 2 profs para lhes darem horários.

    E em faltando horário de todo, inventam tretas como “ciência viva” a brincarem aos aquários ou até a darem aulas privadas aos tais com problemas de aprendizagem a quem garantem “integração escolar”.

    Conheço quem ficou livre de uma turma inteira para ir dar umas aulas a uma tal das “dificuldades de aprendizagem”. Essa turma foi preenchida por mais um prof.
    Pagamos este carnaval mas a escardalhada da tal “igualdade” e racionalidade de custos não se importa.

    Porque dinheiro não falta, como costumam dizer. Se é Estado é à borla, como fazem crer.

  4. O nº de alunos é uma coisa- o horário e trabalho dos profs outra.

    Ainda não percebeste que o Estado é um tacho onde os medíocres se sentem bem porque fora dele, a maior parte, não sabia fazer mais nada?

  5. Para o mesmo horário anual com x ordenado, quantos profs têm as escolas estatais e quantas tem o privado.

    Vai lá procurar o gráfico que tu és sempre altamente cientóino nos detalhes numéricos mas passa-te ao lado a prática a que servem.

  6. “As escolas públicas têm de inventar horários para profs por antiguidade e esses são de tal modo cativos que nem que não houvesse alunos inventava-se qualquer treta para nunca diminuir o ordenado.”

    Paradoxalmente, isso poderia ser usado como um argumento pelos adversários dos contratos de associação (“Estão a ver como grande parte dos custos da escola estatal são custos fixos?”),

  7. Carlos Guimarães Pinto

    Mesmo assumindo os 2.77 professores por aluno, isto daria 74790 euros por turma apenas em salários de professores. Já muito próximo do que é pago aos privados, onde os alunos preferem estar, e sem contar com outros custos.

  8. Há muitos tipos de contrato de associação. Logo para começar até se devia pegar nas diferenças.

    E uma das principais questões é que o privado é escola em que uma director investiu, com edifício, funcionários, gastos de manutenção total e professores.

    O Estado chega lá, até é bairros de luxo e vai e abre estatal ao lado, para os ricos poderem ir à borla.

    Centenas e centenas de professores do particular ficaram no desemprego com esta anormalidade.

    Os directores fecharam muitos negócios que não eram negócios de topo- e só para vips.

    Quem é que ficou a ganhar?

    Eu sei e até tenho exemplos contados pelos próprios. Ficaram os pais dos meninos ricos e o resto é pago em imposto por todos nós.

    O grande sonho de qualquer prof estatal do ensino obrigatório é ser um VIP igual ao do Superior.

    No superior inventam as maiores anormalidades em mestrados e doutoramentos- como “turismo em história da arte” que havia em Coimbra, e a coisa apenas serve para justificarem os ordenados dos profs que também nunca estão a mais mesmo se não houver alunos.

  9. antónio

    Quando se refere de “como se esperaria de órgãos de comunicação social de qualidade” está a brincar, certo ?? É que em Portugal esses órgão de comunicação social mais não são do que um instrumento de “educação de adultos” ao serviço do socialismo-comunismo-marxismo que agora encontra condições para o assalto formal ao estado.

  10. V.s pensam que a cena estatal dos professores é uma cena escardalha a imitar o proletariado mas é uma cena de casta a imitar o apparatchik

  11. “ò Madeira- claro que é menor. ”

    Fiquei sem perceber muito bem o que é que a Zazie está a dizer que é menor que o quê (imagino que seja que o número de alunos por turma é menor na estatal que na associada; é isso?).

    Mas curiosamente, isso só acontece nas tais escolas que eu imagino sejam as “associadas”; nas privadas puras é 22 alunos por turma, tal como na estatal

  12. Os da Destreza das Dúvidas são o melhor exemplo de como se cria castas dependentes do Estado que também são esquerda caviar.

    Porque é a vida deles que foi feita assim e outra forma de vida não conhecem. Quanto muito acrescentam-lhe umas borlas por fora graças ao “status”.

    Os intelectuais são uma grande treta e sempre foram eles que dominaram a ideologia de esquerda.

  13. “Os da Destreza das Dúvidas são o melhor exemplo de como se cria castas dependentes do Estado que também são esquerda caviar.”

    A destraduvidosa que mais se tem destacada nos últimos dias com esta dicussão penso que trabalha numa multinacional norte-americana – por aí não vejo grande dependência direta do Estado.

  14. Nas privadas muito caras há professores que podem ter uma vida inteira lá. E, para isso, não contratam mais ninguém.

    Nas privadas medianas podes ter profs a circular e apenas contratam o que chega para os alunos que têm.

    No Estado existe uma carreira em que se sobe por tarimba, como na tropa e, tal como na tropa, ninguém despede generais e os generais entretêm-se muito bem sem precisarem de fazer grande coisa.

    Para o que é preciso ser feito, contrata-se mais gente. O ensino estatal é feito para aguentar carreiras de funcionários públicos vitalícios.

    O interesse é esse grupo, não é o resultado e muito menos os alunos ou o contribuinte.

  15. “É pá- tens 25 alunos e para esses 25 podes ter 2 profs no estatal e apenas 1 no privado.”

    Bem, todos os meus comentários neste post tinham a ver com o assunto “alunos por turma”, não “alunos por professor”, mas provavelmente andarão ligados (ainda que os tais horários zero distorçam um pouco a ligação)

  16. Não há profs a flanar em animações bacocas ou tretas de animação ou até delegados para a comunicação social, como já há no Estado.

    Conheço de próximo uma delegada para a comunicação social que tem esse cargo em troca de horas de trabalho por turma.

    Para as horas que ela fica livre, contrata o Estado mais um professor.

    Às vezes até contratam dois. Já para não falar nas habilitações ou médias necessárias.
    No Estado entra-se com 10 valores e até chumbando em tretas básicas e daí a uns anos estão à frente de quem possa ter média de 17 valores mas lhe falta o tempo de tarimba.

    A qualidade da tarimba é secreta e avaliada entre os próprios.

  17. Já sei que estavas a falar de uma coisa porque tinhas nºs para essa coisa e não te interessava olhar para outra coisa ligada a essa.

    Conheço-te bem nestes debates. Desvias para os nºs que te importam para vender uma treta.

    Quando te faltam nºs nem comentas. Ou comentas ao lado com outros nºs que servem para fazer passar o mesmo que te interessa.

  18. Tu já disseste que tiveste experiência de ensino.

    Eu também. Passei de raspão e apenas em substituições no público e conheci o privado.

    Sei do que falo e tu também sabes. E sabes que é como eu digo e não como queres fazer passar por gráfico.

  19. Sabes o que é ser-se professor delegado para a comunicação social de uma escola secundária?

    Eu sei. Por conhecer de perto quem o é.

    É uma mega palhaçada que depois entra nas estatísticas como “professora de filosofia” ou de “psicologia”.

    Pode ter 30 anos de ensino e zero de estudo de Psicologia. Nem como cadeira de opção de nada.
    Mas, se for preciso até passa à frente de quem tiver, para não ficar com horário zero pois por lei ainda não chegou lá.

    Para o resto, entram mais profs e daí a um pouco está meio mundo enganado porque afinal era provisório e aquilo foi brincadeira que no ano seguinte não tem ainda de ser obrigatória para se repetir.

    Os sindicatos andam a tentar que todo o prof provisório que é contratado para tapar estes tachos dos efectivos, tenha também obrigatoriamente de passar a funcionário público vitalício.

  20. “Já sei que estavas a falar de uma coisa porque tinhas nºs para essa coisa e não te interessava olhar para outra coisa ligada a essa.”

    Para a outra coisa já havia números (o post do CGP girava à volta desses números), e o motivo inicial do meus comentários era exatamente a questão de quantos alunos havia por turma – porque é que eu havia de ir discutir um assunto que eu não estava a discutir?

  21. Quanto a só argumentar quando tenha números (ou qualquer outra informação objetiva que possa ser comprovada facilmente com um link, como o conteúdo da lei holandesa sobre a eutanásia), havia de argumentar com base no quê? Em “achismos”?

  22. tina

    Tinha também pensado nisso, que eles usaram 2 e não 3 professores porque dava mais barato! E confirma-se!…

  23. Vou jantar.

    Se queres link pede a quem ande aos links que eu não aguento sonsices de cientóino.

    Tu sabes que é assim como eu contei porque deste aulas. Ponto final.
    Se negares estás a mentir. Mais nada.

  24. Essas estatísticas não são de fiar porque quando se fala em professor de x turma está-se a pensar em pessoa que dá aulas a essa turma.

  25. Pode não ser. Os animadores e delegados para a comunicação social e os dos aquários da ciência viva, continuam nas estatísticas como professores de x turma mesmo que não dêem aulas.

    (esta porcaria não deixa que o comentário entre todo)

  26. O topo é chegar-se a sindicalista e falar em nome dos profs sem saber o que é dar aulas.Ou a deputado e continuar a apresentar na tv o cartão de electricista.

  27. 1 – eu dei aulas no ensino noturno: ia duas ou três vezes por ano durante o dia às escolas onde dava aulas (de qualquer maneira, em momento algum eu pus em causa o rácio professores/alunos, logo não vejo porque a Zazie continua a tentar levar-me para essa conversa); mas efetivamente, foi essa minha experiência que me levou a duvidar do número que o Carlos apresentou para a o tamanho das turmas – se no meu tempo de aluno realmente as turmas eram de 30 alunos, no meu tempo de professor as turmas (as diurnas, que as noturnas era o sistema de unidades capitalizáveis) eram para aí de 16 alunos (pelo menos na Escola EB23 da Mexilhoeira Grande).

    2 – “Essas estatísticas não são de fiar porque quando se fala em professor de x turma está-se a pensar em pessoa que dá aulas a essa turma.”

    Mas, se alguma coisa, esse ponto vai a favor (pelo menos a custo prazo) da tal conta que o Ministério da Educação fez – se o tal professor por 9 alunos não é verdadeiramente um professor por 9 alunos, já que essa conta inclui muitos professores que não estão verdadeiramente adscritos a dar aulas, isso quer dizer que mais, digamos, 27 alunos não vai obrigar à contratação de mais 3 professores (a menos, claro, que a quantidade de professores que não fazem nada também cresça proporcionalmente ao número de alunos; mas inicialmente isso não deve acontecer – poderá acontecer daqui a umas décadas, quando os tais 2-3-4 professores que fosse agora contratados ganhassem estatuto de pessoas importantes nessas escolas).

  28. Jorge Libertário

    Existem 1000 alunos na escola básica (pública) de Ribeira das Couves, 30 alunos (1 turma) vão para o colégio privado com contrato de associação, que tem 970 alunos e passa a 1000. O aumento de custos vai ser os tais 80 mil euros. Se os mesmos 30 alunos que consomem os mesmos recursos vão para o público, passando a escola de 970 para 1000 alunos, o aumento de custos será 54 mil por turma? Não me fodam com essa, estas contas paracem o caralho dos multiplicadores do Centeno.

  29. Jorge Libertário

    Existem 1000 alunos na escola básica (pública) de Ribeira das Couves, 30 alunos (1 turma) vão para o colégio privado com contrato de associação, que tem 970 alunos e passa a 1000. O aumento de custos vai ser os tais 80 mil euros. Se os mesmos 30 alunos que consomem os mesmos recursos vão para o público, passando a escola de 970 para 1000 alunos, o aumento de custos será 54 mil por turma? Não me fodam com essa, estas contas paracem o caralho dos multiplicadores do Mário Centeno.

  30. Jorge Libertário

    Existem 1000 alunos na escola básica (pública) de Ribeira das Couves, 30 alunos (1 turma) vão para o colégio privado com contrato de associação, que tem 970 alunos e passa a 1000. O aumento de custos vai ser os tais 80 mil euros. Se os mesmos 30 alunos que consomem os mesmos recursos vão para o público, passando a escola de 970 para 1000 alunos, o aumento de custos será 54 mil por turma? Não me fodam com essa.

  31. Ok. Apareceu.
    Vamos falar claro: nunca, num país hiper-estatista há a menor das possibilidades do tal perigo do ensino ficar apenas e exclusivamente privado.
    E até admito que existe um receio válido em relação aos professores- como se sabe, no privado entra quem eles querem e nos melhores exclusivamente por conhecimento e boa recomendação.
    Agora o inverso, poder ficar tudo estatal, é um perigo real e basta ver como o Poder foi tomado burocraticamente e estamos em neo-PREC-esganiçado sem que as pessoas se dêem conta.

    Portanto eu pergunto-lhe muito directamente- o MM, sendo militante do BE, o que é que quer? acabar com o privado todo, ou só com o privado mais baratinho?

  32. Eu digo já o que defendo; já o disse mil vezes.

    Sou liberal nesta questão principalmente por questões curriculares e pedagógicas.

    Tenho pavor a manadas e a formatações mentais. Não aguentaria dar aulas no Estado.
    Mas acho natural que haja de tudo. Público, privado, semi, como em Inglaterra, com paralelismo, sem paralelismo- quanto mais variado for o leque melhor.

  33. Há uma coisa que recuso definitivamente.

    Essa mania de se falar em pobres como se fosse algo genético, com direito a atestado e vitalício. E depois estar sempre a falar em nome dessa desgraça hereditária da qual se tem de tomar conta.

    As pessoas mudam na vida e é bom que tenham noção que se mudarem para melhor os filhos também têm alargadas as oportunidades.

    Porque é claro que é mentira que seria apenas por valor monetário que toda a gente passava a ter as mesmas oportunidades à partida é à chegada.

  34. Querer os filhos no público ou no privado pode ser opção diferente de acordo com o local onde se vive.
    Conheço terras pequenas onde a pública é de luxo e nem merece a pena irem para particular ranhosa.

    Nas grandes cidades, só por masoquismo alguém ainda mete os filhos na escola pública.

    Nem imigrantes querem isso. E quanto mais a família fica esfrangalhada e mães sozinhas com filhos a cargo, mais necessária é a disciplina e segurança e até formação moral que pode dar uma boa escola privada.

    Não é por acaso que em Inglaterra para evitarem aquela loucura islâmica, cada vez mais as escolas são dirigidas por religiosos- mesmo sendo em parceria estatal.

    Lá a questão do Estado ou privado nem se coloca. Só cá é que ainda se vive com o modelo da URSS

  35. O que eu escrevi há uns anos sobre esse assunto:

    http://viasfacto.blogspot.pt/2011/01/sobre-as-escolas-publicas-e-privadas.html

    “Tenho pavor a manadas e a formatações mentais. Não aguentaria dar aulas no Estado.”

    Hoje em dia talvez não, mas até há uns anos atrás, suspeito que dar aulas no Estado seria quase o ideal para alguém com “pavor a manadas e a formatações mentais” – era quase a mesma coisa que trabalhar por conta própria em termos de autonomia (combinado, para os do “quadro”, com a segurança do trabalho por conta de outrém). Inclusivamente o tão-criticado recrutamento centralizado acaba por ter o efeito (ao delegar o processo de contratação num algoritmo matemático) de ser menos necessário ser “popular” do que noutros empregos. Na verdade, suspeito que se há um problema no ensino estatal é que a sua forma de funcionamento o torna um lugar ótimo (do ponto de vista do professor, não necessariamente dos seus alunos) para excêntricos semi-alucinados (o que, para uma profissão que é essencialmente de relacionamento, pode não ser o ideal)

  36. Acho que nunca foi porque aquilo sempre teve doutrina do ministério.

    Ainda me lembro da queima de livros dos tempos do Rui Grácio.
    Segurança sim, mas quem quer segurança come de tudo e vive em manada.

    Eu nunca aguentaria essa treta de não existir uma cabeça como responsável ou director e hoje em dia nem no privado sob ordens do Ministério queria estar.

    Só de imaginar entrar por ali dentro uma dessas delegações LGBT para a doutrinação, ou os dias de comemoração do Cunhal e da Igualdade de género, o mais certo era ir de cana- nem era ser despedida.

  37. Mas nem interessa o que eu queria para mim.

    Eu fiz-lhe a pergunta do que quer para Portugal.

    V. é militante; eu é mais é bolos. Nunca conseguiria militar em nada de nada.

    O que disse que acho certo é haver de tudo. E com possibilidade de contratos com particular e nunca o inverso- ser o Estado a secar e levar à falência o que está a funcionar bem e ninguém se queixa por não poder frequentar.

    Ora o Estado tem vindo a secar tudo isto. Por concorrência que interessam a outras parcerias como a Festa Escolar.

    V. tem sempre números para tudo, não sei porque não conta agora os números dessa festa e desse buraco em que as parcerias já não fazem mal à saúde.

    Antes pelo contrário, é sempre a esquerda xuxa a que mais fortunas dá a ganhar a empreiteiros e encostas ao Estado.

  38. O Estatal ficou marado e nem excêntricos o aguentam.

    Aquela malta desocupada, sem poder diferenciar-se em nada dos outros- nem na salinha de profs a vender cházinhos, teve de inventar burocracia para se lixarem uns aos outros.

  39. “Eu fiz-lhe a pergunta do que quer para Portugal.”

    Naquele link, dei parte da resposta (mas admito que a tal parte do “custo marginal” pode ser muito vaga – é o que há dias se anda a discutir, cada qual com a sua teoria); juntemos isso o regresso da “gestão democrática das escolas” à moda antiga, e temos uma ideia geral da minha visão de como poderia funcionar o sistema educativo; e aceito a que além disso acha escolas independentes integralmente pagas pelos seus utentes (alunos ou famílias) – claro que preferia que essas escolas independentes fossem cooperativas autogeridas, mas enquanto a economia estiver globalmente organizado pelo sistema da empresa capitalista com patrão e empregados não me oponho a que também existam na educação (ou seja, isto é uma visão mais ou menos dentro da realidade existente, com Estado e empresas capitalistas, não num mundo hipotético radicalmente diferente).

  40. “Acho que nunca foi porque aquilo sempre teve doutrina do ministério.”

    A minha impressão (de alguém que frequentou a escola pública não-universitária entre 1979 e 1991 – noutras alturas talvez sido diferente) é que cada professor tinha grande poder para dar as aulas à sua maneira (e um indício disso é que diferentes professores tinham métodos diferentes de dar aulas).

    Em termos de métodos “pedagógicos”, creio que (independentemente dos métodos que fossem definidos centralmente) na prática os professores usam os métodos que quisessem; p.ex., na famosa questão “método global vs. método analítico” para aprender a escrever, os professores adeptos do método analítico continuaram sempre a usá-lo, mesmo na altura em que a moda no ministério era o método global; outro exemplo, este involuntário – já depois de ter deixado de dar aulas, pus-me a ler um “guião de instruções” sobre como ensinar as matérias que eu tinha ensinado, e reparei que, num dado ponto, tinha andando a fazer exatamente o contrário do que era recomendado.

    Quanto aos conteúdos, aí provavelmente haveria mais uniformidade (afinal, se são aquelas as matérias a ensinar, são aquelas – e suponho que mesmo as escolas privadas poderão ensinar mais do que o programa oficial, mas têm que ensinar o programa oficial), mas mesmo aí duvido que fizesse parte do meu programa de História do 2º ciclo a versão de que Sá Carneiro teria sido assassinado – ou seja, na prática nada impedia os professores de ensinar coisas que não estavam no programa (além de que, como os programas eram tradicionalmente muito mais extensos do que era possível dar, dá-me a ideia que cada professor tinha grande autonomia para decidir que partes ensinar e que partes deixar de lado por não ter tempo).

    “Nem homens há. Só ginástica ou ceguinho de música.”

    Curioso – o meu professor de música no ciclo realmente era cego, e há pelo menos outro professor de música cego em Portimão; pelo comentário da Zazie, vejo que deve ser panorama geral.

  41. Sejam honestos intelectualmente. Como já aqui foi referido na escola pública há imensos professores com horários zero, horário reduzido por antiguidade etc. Concordo com isto é é algo que deve ser combatido, isto faz com que o número de alunos por professor artificialmente seja baixo. Não me parece que uma escola privada vá constatar professores para lhes dar horário zero. Logo usar estes números da escola pública artificialmente baixos por causas que devem ser combatidas e aplica-las diretamente as escolas privadas e não estar a ser honesto. Obviamente isto vai empolar o valor que se vai obter e o valor obtido vai ser superior ao que é pago atualmente. Eu não ponho em causa a qualidade ser melhor nestas escolas privadas agora o Estado é soberano para decidir que escolas deve financiar e aplicando os cálculos que aqui foram usados a margem de lucro do estabelecimento era precisamente essa: valor recebido- valor prestado e a diferença seriam essas gorduras dos horários zero e horários reduzidos. Ou seja o que devia ser combatido não o era e essa verba seria concentrada na administração em vez de um leque mais alargado de pessoas (os professores). Já nem falo nas verbas que o Estado teria no pagamento de subsídios de desemprego etc. Aqui se prova que esta é a pior solução.

  42. Emanuel

    O problema não está nos funcionários públicos, o problema sempre foi e esteve na gestão pública e nas respectivas tutelas que funcionam por lóbis, grupos de pressão que dominam toda a coisa pública! Os professores não são o problema, são a solução e como funcionários públicos são essenciais! Isto dos funcionários públicos não terem qualidade e são todos maus, é um mito que tem crescido, nos últimos anos, graças ao “eng” Sócrates, que tinha como tática colocar uma classe contra outra, estou certo que nas escolas públicas, encontramos excelentes professores, haverá também os médios e os medíocres, como em todas áreas, mas repito o problema está na gestão, que esquece o mérito em favor de “cunhas” ou militância em determinados partidos, de pessoas medíocres e sem perfil!
    Quanto aos rácios, entre o público e o privado, é óbvio que o público, com toda a má gestão, perde por muito em eficiência. No entanto não é certo nivelar por baixo, terá que haver um equilíbrio e pensar todos os factores que possam melhorar o ensino público, dando-lhe mais eficiência financeira.
    Por último, em relação às escolas privadas, penso que o modelo de financiamento, está errado, deveria haver uma descriminação positiva ao nível dos impostos, ás famílias que optassem pelo ensino privado para os seus filhos, mais um assunto que exige uma discussão pública, sem preconceitos ou ideologias pré definidas!

  43. Média de 8 alunos por professor??? Eheheheh
    Mas professores que dão aulas ou professores no global (que por não terem turmas têm horário zero, contando por isso mesmo para as “médias” de 8 alunos/prof? )…
    Se calhar se houvessem mais turmas essa média descia não?
    Atenção que o ensino privado tem razão de existir, mas daí ao estado pagar para o privado quando têm escolas com professores (a receber) para estarem encostados por falta de turmas não me parece lógico…
    “Ah mas o privado tem melhores condições para os alunos…” Experimentem melhorar as instalações das escolas públicas com o dinheiro que é dado aos privados.
    “Ah mas há muita agressividade entre alunos na escola pública…” Pudera… com duas auxiliares para 500/600 alunos num intervalo é impossível controlar possíveis focos de agressividade!
    Penso que se deve investir num melhor ensino público, pois em última análise é o ensino a que toda a gente consegue aceder, pobres ou menos pobres. Quem achar que é melhor o ensino privado, só tem de pagar por essa “diferença”.

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