Leituras recomendadas

Foto de Julian Andrews/Telgraph

Foto de Julian Andrews/Telegraph

Politicamente correcto ao serviço do abuso de crianças.  Aconselho vivamente a leitura no Telegraph do depoimento de Sarah Wilson. A tragédia vivida por Sarah Wilson não foi caso único. Repetiu-se. No período compreendido entre 1997 e 2013, pelo menos, 1400 crianças foram violadas e exploradas por gangs de origem paquistanesa em Rotherham.

Artigos complementares: Crimes políticos; Vergonha em tons multiculturais;  Vergonha em tons multiculturais IIVergonha em tons multiculturais III e Rotherham, socialismo e multiculturalismo

Grécia em incumprimento

FMI: Grécia entrou em incumprimento

“Confirmo que o reembolso de 1.5 mil milhões que a Grécia deve ao FMI não foi recebido hoje. Informamos o nosso Quadro Executivo que a Grécia está agora em incumprimento e só pode receber o financiamento do FMI quando o atraso for compensado”, lê-se no comunicado que o FMI enviou para as redações, citando Gerry Rice, director de comunicação do FMI.

“Posso ainda confirmar que o FMI recebeu hoje um pedido das autoridades gregas para uma extensão do cumprimento do reembolso grego que venceu hoje, que segue agora para o Quadro Executivo do FMI em curso”, diz ainda o documento.

A Grécia é assim a primeira economia avançada a entrar em incumprimento com o FMI. Mais: é o maior pagamento em falta na história do Fundo Monetário Internacional.

When ‪‎‪Tsipras‬ was saying that a ‪‎referendum‬ equals ‎Grexit

When ‪‎Greek‬ Prime Minister Alexis ‪Tsipras‬ was saying that a ‪‎Referendum‬ Equals ‎Grexit

Grécia: revisão da matéria dada – O resgate e o ajustamento

Escrevi ontem aqui sobre os anos anteriores à crise da dívida soberana na Europa. Nos 7 anos anteriores à crise, a economia grega tinha crescido bastante acima dos seus pares europeus graças a uma injecção brutal de dívida. Chegados a 2007, uma boa parte da economia grega estava dependente da capacidade do governo continuar a acumular dívida indefinidamente. Mesmo sem a crise de 2008, este acumular de dívida algum dia teria que parar. Algum dia a economia teria que ajustar, e a parte da economia que sobrevivia apenas à custa da dívida pública teria que desaparecer. Esse momento foi despoletado com a crise de 2008.

O lento resgate

Muitos comentadores, mesmo alguns mais moderados, afirmam que o nível de austeridade imposto à Grécia foi demasiado severo e rápido. Se a austeridade fosse mais suave a aplicada lentamente, afirmam os comentadores, teria tido um efeito menos devastador e o país teria recuperado mais rápido. Mas será mesmo assim? Para testarmos esta hipótese, poderemos olhar para o que aconteceu em 4 outros países que atravessaram uma crise semelhante, mas fora do Euro: os 3 países bálticos e a Islândia. Em baixo, podemos ver a evolução do consumo das famílias (um bom indicador do padrão de vida) nos 5 países.

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Como podemos ver no gráfico, todos os países ajustaram brutalmente logo em 2009. Enquanto o consumo na Grécia caía um pouco mais de 1% em 2009, na Islândia caiu 10% e nos países Bálticos mais de 15%. Mesmo nos anos seguintes, nunca a Grécia teve um ano de ajustamento tão forte. O máximo que o consumo caíria num ano seria 11% em 2011. Terá isto causado danos irreversíveis nas economias dos países bálticos e na Islândia? O gráfico demonstra o contrário: depois de terem sofrido um nível de austeridade mais forte e rápido, estes países recuperaram rapidamente. Um ajustamento rápido e violento permitiu que a economia eliminasse a distorção acumulada sem levar a economia saudável atrás. Já a Grécia demoraria 5 anos a voltar a crescer. O problema do ajustamento lento versus “front-loading” é sentido particularmente na questão do desemprego. No gráfico em baixo, pode-se ver a evolução da taxa de desemprego nos anos de crise.

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A Grécia, poupada a uma austeridade tão brutal como a da Islândia e países bálticos não teve um aumento tão rápido do desemprego no início da crise. O resultado disso foi um crescimento constante do desemprego durante 5 anos. Quem perdeu o emprego nos primeiros dois anos tem grandes probabilidades de estar ainda desempregado 3 anos depois. Quando os trabalhadores ficam desempregados por mais de 3-4 anos, não perdem apenas o emprego, perdem a profissão. Não é grave que uma economia tenha temporariamente taxas de desemprego de 25%-30%, se puder rapidamente baixá-las para 10%. É bem mais grave para os indivíduos afectados pelo desemprego que uma economia tenha de forma permanente taxas de desemprego nos 15-20%. Uma economia com taxas de desemprego altas e estáveis condena os seus desempregados à incapacidade profissional.

O problema da Troika não foi ter imposto demasiada austeridade, mas sim não ter imposto uma austeridade mais violenta logo no início do ajustamento, que resolvesse o problema da economia mais rapidamente, de uma vez por todas, e que permitisse que o crescimento viesse mais cedo.

O ajustamento

O ajustamento demorou, mas em 2014 tinha sido atingido em boa parte. Depois de 5 longos anos de recessão, a Grécia começou a crescer de forma ténue. Com boa parte do ajustamento já feito, o crescimento da economia saudável já permitia compensar o pouco ajustamento que ainda havia a fazer. Foi isso que aconteceu em 2014 quando a Grécia apresentou um ténue crescimento económico. Apesar de ténue, este crescimento era sustentável. Ao contrário da fase de crescimento entre 2001-07, este crescimento era feito sem aumentar défices públicos e acumular dívida externa.

Mas afinal, onde é que o ajustamento levou a Grécia? O gráfico abaixo, com a evolução do PIB grego em democracia, ajuda-nos a ter alguma perspectiva sobre a evolução da economia grega:

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A austeridade trouxe a economia grega de volta ao ponto onde estaria se tivesse seguido a sua tendência de crescimento de longo prazo. O ponto onde estaria uma economia com grandes deficiências estruturais (como admitem economistas de esquerda e de direita) se nunca tivesse tido acesso fácil à dívida.

Foi com a economia a crescer, sem défices primário e externo, e com boa parte do ajustamento já feito que o Syriza assumiu o poder. Veremos o que faz com ele.

Logo à noite, no Prós e Contras

Logo à noite, no Prós e Contras, o insurgente Mário Amorim Lopes estará a debater o futuro de Portugal juntamente com Francisco Mendes da Silva, Ricardo Paes Mamede e Margarida Vieira da Silva.

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Leitura complementar: A vida difícil de António Costa.

A Grécia e nós (3)

Confiança de consumidores e empresas melhora em Portugal

Indicador de sentimento económico do Eurostat caiu ligeiramente na zona euro e na União Europeia em junho, face a maio, enquanto em Portugal aumentou.

Leitura complementar: A vida difícil de António Costa.

Put your money where your mouth is

Uma oportuna sugestão do LA-C face à preocupação manifestada por Obama: E telefonar ao Tsipras, não?

E telefonar ao Tsipras a dizer que os EUA emprestam à Grécia o dinheiro necessário para pagar o empréstimo do FMI que vence amanhã, não seria uma excelente forma de demonstrar solidariedade? Put your money where your mouth is.

A Grécia e nós

Um domingo em Atenas, ou o que nos podia ter acontecido. Por José Manuel Fernandes.

Nestes dias em que regressamos a casa sem novos sobressaltos e, ao abrir a televisão, vemos o que se passa em Atenas ou Salónica, é bom recordar que nos podia ter acontecido o mesmo. Que até esteve quase a acontecer-nos o mesmo na crise do verão de 2013. Há por aí muita falta de memória, mas há coisas que não podem nem devem ser esquecidas.

Leitura complementar: A vida difícil de António Costa.

Conquistas do syrizismo

Bancos gregos fechados até ao dia do referendo

Esta segunda-feira os bancos já não abrem e podem ficar fechados até 5 de julho, dia do referendo. O controlo de capitais também vai avançar. Governo grego convocou reunião de emergência.

Syriza: um governo de medricas (qual governo que faz frente à Europa toda, qual carapuça)

filas grecia atm(o sucesso do Syriza, segundo os critérios da esquerda lunática nacional)

Estou como a Helena Matos (que bom texto), um tanto irritada por perder tempo com estes pantomineiros gregos (e as sucursais nacionais), e estou apertada com prazos para escrever outras coisas, mas tem de ser. Ora vamos lá.

1. O referendo às propostas das ‘instituições’ é algo que faz muito sentido, e não me venham com argumentos ‘a questão é muito técnica, os pobres e vulgares cidadãos gregos não percebem nada’. Tanto percebem que acorreram às caixas multibanco para levantar euros, membros do parlamento grego incluídos. Faz-me todo o sentido perguntar a uma população se quer cortes de despesa e aumentos de impostos para continuar a ter financiamento externo. O que já é evidente chantagem e má-fé do governo grego é marcar o referendo para DEPOIS de a Grécia já ter falhado um pagamento ao FMI, estar em default e falida. E, como é óbvio e diz a adulta Lagarde, quando já nem se mantêm as propostas das ‘instituições’. Se Tsipas e Varoufakis tivessem negociado seriamente nestes cinco meses, em vez de engonharem e escreverem no twitter e apostarem em deixar a decisão para o limite a ver se a UE tremia dos joelhos e ajoelhava perante as imposições gregas – e sim, aqui quem tem feito imposições é a Grécia, que pretende ter o dinheiro dos outros segundo o diktat grego – e, de seguida, levassem a necessária austeridade a referendo, teriam sido políticos sérios (mas, quiçá, a seriedade é um conceito burguês e reacionário). Com este timing, apenas se trata de chantagem, manipulação e desonestidade. (E o BCE, ainda assim, vai continuar a ajudar a Grécia. Se isto não é solidariedade europeia, não sei o que é.)

2. Não dei por tanques prussianos junto às fronteiras terrestres gregas, nem que tivesse sido imposto um bloqueio marítimo na extensa costa grega. Ninguém está a obrigar a Grécia a nada. A Grécia tem toda a soberania para decidir recusar as propostas dos que estão dispostos a financiá-la. Não quer a austeridade imposta pela troika, não tem; como se vê, nenhum país se prepara para invadir a Grécia caso recuse financiamento das ‘instituições’. Não há, portanto, nenhum ataque à soberania grega. Claro que se recusar a austeridade da troika, terá a austeridade do default. E se sair da posição de ‘lacaio de Merkel’ (que pelos vistos tem quem não sofre de pulsões suicidárias) tornar-se-á lacaio de Putin – mas quanto a isso já se percebeu que Tsipras não tem grandes problemas.

3. E a falta de solidariedade europeia, que tanto apoquenta os corações da boa gente da esquerda lunática nacional? Eu, por mim, estou de consciência tranquila. Estive uma semana o ano passado de férias na Grécia, este ano planeio ir lá mais uns dias e não vejo maior solidariedade com um país do que decidir livremente gastar nele o meu dinheiro. A crise humanitária grega até teve a simpatia de se ocultar enquanto eu por lá andei, a ponto de não a ter vislumbrado. E eu sou daquelas pessoas sensíveis a imagens de pobreza, ir à Índia para mim é um tormento (da única vez que lá fui de férias perdi o sono durante alguns meses, e isto não é força de expressão; e das vezes que lá ia em trabalho fazia por estar fechada no hotel o máximo tempo possível), recuso-me a ir à África subsahariana, e não consigo apreciar o pitoresco de hordas de pedintes. Quanto ao resto, era o que faltava qualquer porção do meu dinheiro contribuir para manter gastos militares gregos (onde ‘as instituições’ pedem o dobro das poupanças que pretende o governo grego, ao contrário da notícia que por aí circulou) ou para sustentar a tv pública syrízica de propaganda ou para pagar pensões gregas mais elevadas do que aquela a que eu, um dia, com sorte, terei direito. Não gosto de parasitas nem de predadores.

4. Voltando ao referendo, não entendo por que razão o Syriza – que diz ter um mandato que não lhe permite aceitar as propostas das ‘instituições’ e que afirma ir fazer campanha pelo não – não recusa simplesmente a proposta e vai à sua vida. Tsipras e sus muchachos, além de irresponsáveis e incompetentes, são uns medricas que nem conseguem aceitar o ónus e a responsabilidade da decisão de entrar em default, falir e sair do euro. Até parecem pretender continuar a governar como se nada fosse se perderem o referendo.

Câmara Municipal de Lisboa a inovar

mulher

Na forma como gastar o inesgotável dinheiro dos contribuíntes.

A Câmara de Lisboa apresentou queixa à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género contra uma barbearia lisboeta que proíbe a entrada a mulheres, apesar de o responsável do estabelecimento negar fazer essa restrição.

O vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, disse à Lusa que a apresentação da queixa surgiu na sequência do “descontentamento de muitas pessoas” em relação ao anúncio de impedimento à entrada das mulheres na barbearia lisboeta e foi manifestado durante a 16ª Marcha do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero).

“No exercício diário da sua atividade o referido estabelecimento, conhecido como Figaro’s Barbershop, proíbe exclusivamente a entrada de pessoas do sexo feminino”, lê-se na queixa apresentada na terça-feira pela Câmara de Lisboa à Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, a que a Lusa teve acesso.

“Existe à porta, segundo tivemos conhecimento, um sinal que anuncia que é permitida a entrada a homens e a cães, mas não a mulheres, equiparando estas últimas a animais”, acrescenta.

O responsável pela Figaro’s Barbershop, Fábio Marquês, garantiu à Lusa que “a barbearia não proíbe a entrada a mulheres”, explicando que “o que acontece é que não existem serviços para senhoras”.

Marinando

kafkaEu, hoje no Diário Económico sobre a redução do número de pessoas a receber subsídios de desemprego.

Havendo com certeza alguma relação com o aumento do emprego, essa relação não é proporcional. Isto significa que haverá mais gente a frequentar cursos do IEFP e a fazer o eufemístico “trabalho socialmente necessário” bem como muita gente que, sem trabalho, não dispõe de qualquer apoio público.

O resto pode ser lido aqui

Uma nota: fomos convidadas quatro pessoas ( duas ditas de esquerda, duas ditas de direita) para escrever para o DE sobre este assunto. Fico muito satisfeito com o que escrevi, não porque esteja bem particularmente escrito ou seja uma perspectiva original do assunto. Não está nem é uma coisa nem outra. Estou satisfeito porque dos quatro convidados, dois atacam o Governo, um defende o Governo e o quarto, eu, nem uma coisa nem outra. Estou fartinho de comissários dos Partidos e de politiquice. Sabiam que há ideias, práticas e Mundo além da vossa paroquiazinha Governo/Oposição?

Respeitinho superior

O líder a conferir as perguntas. Imagem Wikipedia.

O líder a conferir as perguntas. Imagem Wikipedia.

Por decreto divino a junta militar que governa a Tailândia vai formar jornalistas. O objectivo da formação é dotar os escribas de capacidade para colocarem questões inofensivas ao deus na terra, o general Prayuth Chan Ocha. A entidade formadora, tem demasiado tempo livre.

La junta militar de Tailandia ‘enseñará’ a los periodistas a no hacer preguntas ofensivas  La junta militar que gobierna Tailandia desde el golpe de estado de mayo de 2014 se reunirá con un grupo de 200 periodistas para enseñarles cómo hacer preguntas que no ofendan al general Prayuth Chan Ocha, la máxima autoridad del país.

Winthai Suvaree, portavoz del autoproclamado Consejo Nacional para la Paz y el Orden, ha afirmado que la reunión tendrá lugar la próxima semana con un grupo de 200 periodistas locales y extranjeros para generar “entendimiento” con ellos y enseñarles cómo hacer preguntas que no incomoden al general, que hace varios meses llegó a amenazar con “ejecutar” a los reporteros que no digan la verdad.

O deus na terra Prayuth Chan-ocha, protagonizou a 22 de Maio de 2014 um golpe de estado que congelou os protestos anti-governamentais. Prometeu reformar o sistema político antes da celebração de novas eleições. A Tailândia vivia desde 2006 uma grave crise política causada pelo antigo Primeiro-Ministro Thaksin Shinawatra, que vive no exílio por forma a evitar cumpir a pena de prisão de dois anos a que foi condenado por crimes de corrupção. Os seus opositores acusaram-no também de dirigir o governo (chefiado pela sua irmã). Naquele período, os sucessivos governos eleitos apostaram na divisão profunda do país e apesar de terem vencido as eleições, sempre contaram com a oposição de parte da população, da elite monárquica e militar.
Pouco depois de tomar o poder político, numa operação de relações públicas, a Junta Militar explicou os motivos do golpe de estado. O destinatário da explicação foi a União Europeia (UE). O Conselho Nacional para a Paz e a Ordem – o nome oficial da Junta Militar – aproveitou uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, na qual foi abordada a situação tailandesa, para justificar a necessidade da sua acção como a única forma de colocar um fim na espiral de violência e de reformar o sistema político da Tailândia e de caminho as perguntas dos jornalistas.

 

Socialismo e rigor orçamental

Será o socialismo compatível com o rigor orçamental a que o euro obriga? Os meus comentários ontem na Edição das 12 do Económico TV.

Canhotos e canhotas unidos

É tempo de união no grande bloco das esquerdas

É tempo de avançar na verdadeira união no grande bloco das esquerdas

Jamais serão vencid@s. O João Teixeira Lopes, escreve um notável artigo de opinião em que apela à união na convergência e livre diversidade só possível na esquerda. Sempre contra a demogogia de quem pretende minar o combate das esquerdas. E vice-versa.

O BE, recorde-se, “é um movimento de cidadãs e cidadãos” que assume entre outras coisas fundamentais para a modernidade progressista a “forma legal de partido político” mas que também concebe ser reconhecido como “movimento” que inspira e é inspirado por “contribuição convergentes de cidadãos, forças e movimentos” que se comprometem com a defesa intransigente da liberdade e com a busca de alternativas ao capitalismo”. Para além dessa tarefa hercúlea de procura e dissimulação envergonhada do comunismo, o BE “pronuncia-se por um mundo ecologicamente sustentável ” e sonha com a “transformação social, e a perspectiva do socialismo como expressão da luta emancipatória da Humanidade contra a exploração e a opressão”. Honra seja feita ao BE, será difícil às outras forças de esquerda inovar tanto nos mesmos sonhos húmidos, chamando-lhes outros nomes.

Já o movimento Livre é personificado por Rui Tavares, eleito em 2009 deputado para o Parlamento Europeu como independente integrado na lista do Bloco de Esquerda. Em 2011, só Marx saberá as razões, abandona a delegação do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, acusando o companheiro Francisco Louçã (na altura, coordenador único do BE) de promover uma “caça ao independente” e de ser incapaz de lidar com opiniões contrárias. Talvez por esse motivo, Rui Tavares e associados diversos lançam com sucesso aquilo que será o partido Livre, pois afigura-se urgente a criação de um novo partido, completamente diferente dos outros partidos e movimentos de esquerda. Para os mais desatentos, o Livre transborda novidade, pluralismo e originalidade. Só com o Livre o Povo será livre. Só com o Livre será possível ao Povo ter representantes poderosos que se batem por criar as verdadeiras oportunidades de desenvolvimento económico sustentável e em harmonia com a tragédia grega que dura há meia década só em capas de revistas fascizantes. Para o efeito serão criados infinitos e  abrangentes fóruns de discussão crítica de todos os temas – sem quaisquer medos – e que conduzam a uma nova sociedade que seja realmente diferente e igual de modo a provocar um abanão. Espermos pois  pela resposta unificadora do Partido Livre ao artigo do dirigente bloquista. Só assim é permitido sonhar, convergir e rir de tamanha diversidade unificadora.

Descubra as diferenças no tom de vermelho

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Depois da confissão de Isabel Moreira — qual confissão! um autêntico mise en abyme de Marx em Moreira —, em que esta se assume Marxista, também Tiago Barbosa Ribeiro, recentemente eleito líder da concelhia do PS Porto, cita abundantemente um dos grandes ideólogos da esquerda radical, Karl Marx. E, passe a publicidade, liderará, ainda hoje, e a tempo de uma sardinhada de S. João, uma comitiva do PS Porto que se juntará à CTGP, que, é bom recordar, não é a UGT.

Bem explicado pelo André Azevedo Alves n’O Observador, o PS está fatalmente atraído por ímpetos syrizicos. Não que isto tenha algum mal, muito pelo contrário. Torna é ainda mais penosa, como se já não estivéssemos no limite assimptótico, a tarefa de tentar diferenciar o PS do BE ou do PCP. Por outro lado, torna um entendimento à esquerda efectivamente possível, na medida em que o PS se deixou apoderar pela ala da esquerda-radical.

Comédia grega à portuguesa

Corria o ano de 2012. No parlamento preparava-se o Orçamento de Estado de 2013 (o pior que este governo fez). Nas ruas, nunca tinha havido tanto protesto. No parlamento, o Ministro das Finanças Vítor Gaspar era acusado de selvajaria social por João Galamba. Um conjunto de “personalidades” enviava uma carta ao governo, acusando-o de “fanatismo cego”. O termo “espiral recessiva” estava na moda. Havia manifestações a sério, com pedras a cair na polícia e cacetetes nos manifestantes. O motivo da contestação: um orçamento de estado que previa austeridade no valor de 5.338 milhões de euros, quase tudo pelo lado da receita.

Fast Forward para 2015. O Syriza é eleito. A esquerda portuguesa e a imprensa (passe a redundância) anunciam o fim da austeridade. No Partido Socialista constroem um altar a Varoufakis e companhia. Mas com o passar dos dias, os problemas vão-se avolumando. Os depósitos bancários começam a fugir. As promessas eleitorais ficam por cumprir. O PIB, que crescia quando o Syriza subiu ao poder, volta a cair. O desemprego aumenta a contra-ciclo com a Europa. A Grécia fica bastante próxima de sair da Zona Euro. Cinco meses de negociações depois, e com o país de joelhos, o Syriza apresenta uma proposta minimamente séria à Troika. As expectativas estão tão baixas, que o simples facto dessa proposta ser tomada como séria é vista como uma vitória do Syriza. A esquerda portuguesa pula de alegria. O mesmo deputado que tinha acusado o governo português de selvajaria social, diz que o acordo é uma derrota dos governos português e espanhol. O motivo da alegria: uma proposta do Syriza que prevê austeridade de 5.207 milhões de euros para 2016 e 2.692 para o que resta de 2015 (ou seja, cerca de 5.384 milhões de euros anualizado), quase tudo pelo lado da receita.

O PS, a linha do Syriza e o próximo Governo de Portugal (4)

Não foi combinado (ainda que provavelmente vá ser impossíovel convencer disso os habituais teóricos da conspiração), mas verifico que eu e o João Pereira Coutinho começámos os nossos artigos de ontem quase exactamente da mesma forma, ainda que o João prossiga depois no seu estilo bastante mais assertivo: Humilhação.

Em 8 meses, Costa destroçou o PS como alternativa. Porque cometeu três erros: não cortou com o passado socrático, que os portugueses abominam; associou-se às fantasias gregas, que os portugueses temem; e distribuiu promessas sobre promessas, que os portugueses já não compram. Só isso explica que os mesmos que consideram o actual governo ‘mau’ ou ‘muito mau’ sejam aqueles que ainda ponderam dar-lhe a vitória. Haverá maior humilhação para Costa?

Leitura complementar: A atracção fatal do PS pelo Syriza.

A essência do comunismo

Old habits die hard.

Não obstante as várias formas de folclore da extrema-esquerda, importa de vez em quando recordar que a essência das práticas comunistas é, em última instância, isto: silenciar por todos os meios – incluindo ameaças, exercícios de difamação, saneamentos ou o uso directo da volência, dependendo das circunstâncias – todas as perspectivas dissonantes e críticas relativamente ao avanço do socialismo.

Leitura complementar: Em Sesimbra, as águas andam agitadas.

O PS, a linha do Syriza e o próximo Governo de Portugal (3)

Acto final da farsa grega. Por Ricardo Reis.

O mais interessante nos últimos meses, mas também mais assustador, são as comparações que alguns historiadores fazem com a subida do partido nazi ao poder. A Alemanha no início dos anos 30 recuperava de uma crise económica e, apesar de um perdão de dívida em 1929, elegeu um partido que misturava nacionalismo de direita com socialismo de esquerda e que de imediato renegou todos os compromissos internacionais, culpando os europeus por todos os seus problemas, mobilizando o seu povo contra esse inimigo. Todos estes pontos se aplicam à Grécia em 2015.

Os historiadores do futuro vão realçar a culpa dos dois lados. Não se diz suficientemente o óbvio: o Syriza é profundamente incompetente. A figura de Varoufakis é embaraçosa. Vai há meses para reuniões europeias sem apresentar um único numero, ou uma única proposta com detalhes, porque é incapaz de fazer esse trabalho. Vive para a vacuidade do twitter. No final de 2014, a Grécia tinha um excedente primário nas contas públicas, a economia a crescer mais depressa do que Portugal, e a semelhança dos seus problemas com os de outros países europeus dava-lhe peso na zona euro. A Grécia estava a sair da crise, e um governo competente talvez fosse capaz de renegociar a dívida. Mas, em menos de seis meses de um governo Syriza de políticas desastrosas e discursos desavisados, a Grécia está sozinha a viver um cataclismo.

Leitura complementar: A atracção fatal do PS pelo Syriza.

A extrema-esquerda alucinada que quer ir para o Governo com o PS

Importa recordar que este parece ser neste momento o parceiro preferencial do PS para uma coligação (isto caso o partido de Rui Tavares consiga eleger deputados em número suficiente para o efeito, claro): O que querem Ana Drago e Rui Tavares.

Leitura complementar: A atracção fatal do PS pelo Syriza.

O PS, a linha do Syriza e o próximo Governo de Portugal (2)

Nem de propósito, a deputada do PS Isabel Moreira assume-se publicamente como marxista: É BOM PORQUE NÃO É NATURAL.

O lastro de Marx que me marca sem retorno, tão forte que faz de mim uma marxista, é a genialidade como contrapôs o progresso à natureza. A recusa de uma qualquer “ordem natural das coisas” e a defesa acérrima do progresso como antítese que espatifa a selva do acontecer como acontecer, ou do cada um por si, ou da não intervenção humana para mudar as suas condições, foi apresentada por Marx sem complacências.

Leitura complementar: A atracção fatal do PS pelo Syriza.

Lula da Silva preocupado com o risco de ser preso

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Lula está desesperado com o risco de ser preso

“Possesso e tenso na sexta-feira, 19, logo após a prisão dos dois maiores empreiteiros do Brasil, Lula espumava de raiva.

Aos interlocutores, culpou o governo Dilma, qualificado de ‘frouxo’ por ter deixado a situação ter chegado a esse ponto.”

Em outras palavras: Lula culpa Dilma por não ter conseguido boicotar as investigações.

O PS, a linha do Syriza e o próximo Governo de Portugal

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O meu artigo de hoje no Observador: A atracção fatal do PS pelo Syriza.

Desde Janeiro, muito mudou. Os amanhãs cantados para a Grécia sob governação da esquerda radical tardam em concretizar-se, as tropelias da dupla Tsipras-Varoufakis sucedem-se e o Syriza tem vindo, em consequência, gradualmente a perder credibilidade entre muitos que, na esquerda europeia, inicialmente olharam com simpatia para aos resultados eleitorais gregos. (…) Os tradicionais partidos socialistas europeus enfrentam, em geral, uma escolha inevitável e inadiável: ou estão com o radicalismo do Syriza e a ruptura institucional ou se apresentam como alternativa política dentro do quadro estabelecido. Mas essa escolha afigura-se especialmente difícil para o PS, dados os notórios e persistentes sinais de atracção pela via do Syriza. É também por isso importante seguir com atenção o que se passa na Grécia e levar a sério o que sugeriu ainda há poucos meses o candidato a primeiro-ministro António Costa: a linha do Syriza pode muito bem ser o modelo para o próximo Governo de Portugal.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

PDR: um partido à imagem do seu líder

Partido de Marinho e Pinto à zaragata: “Fascista!”; “tresloucado!”

Eurico Figueiredo, ex-deputado do PS, era apoiante desde a primeira hora. Agora, acusa Marinho de “falso profeta” e de criar “partido fascista”. Marinho já respondeu: é “acusação tresloucada”.

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António Costa, até quando?

SeguroECosta

Costa desvaloriza sondagem que dá PSD/CDS à frente

O líder do PS diz que vai continuar a trabalhar para conseguir “maioria absoluta”. Costa diz que “é uma triste sina herdar coisas por reparar”.

Fica por esclarecer se quando António Costa referiu que “é uma triste sina herdar coisas por reparar” tinha em mente a situação actual do Partido Socialista…

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Leitura complementar: O Hollande de Lisboa?; Nuvens no horizonte de António Costa…; O que é que Seguro não tem?