Um caso de paixão incondicional

Mesmo sem varoufakisses, Rui Tavares não vacila nas suas convicções: Depois do programa dos economistas, Livre continua de olho no PS

Leitura complementar: “Tempo de avançar” rumo ao PS?; O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis.

J. Pimenta

Morreu o construtor do “Pois, pois Jota Pimenta”. Por Helena Matos.

Morreu João Pimenta ou mais propriamente J. Pimenta. João Gonçalves Pimenta é um dos muitos homens que o país tratou depreciativamente por “patos-bravos” e que proliferaram nos anos 60 e 70.

Originários de famílias muito pobres, começaram a trabalhar na construção civil pouco mais que crianças. O crescimento dos subúrbios da capital é também o da sua ascensão social: em poucos anos os serventes tornavam-se pedreiros e depois empresários da construção civil.

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Podemos em queda

Ondas de choque da evolução da situação grega?

El PP volvería a ganar las elecciones y Podemos cae al cuarto lugar

El Partido Popular sería hoy el partido más votado de celebrarse unas elecciones generales, seguido del PSOE. Como tercera fuerza se situaría Ciudadanos, que mantiene un imparable ascenso y deja en cuarta posición a Podemos. La fuerza de Pablo Iglesias ha retrocedido más de cinco puntos en apenas un mes.

A maçonaria está alertada

Arnaut alerta maçons para SNS em risco

António Arnaut voltou no dia 13 deste mês a falar para mais de 100 maçons na mesma sala do palácio do Grande Oriente Lusitano (GOL), no Bairro Alto, onde há 37 anos apresentou à maçonaria o seu projecto para a criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), antes mesmo de ser aprovado pelo Governo. Durante 40 minutos, o antigo ministro dos Assuntos Sociais alertou os actuais ‘irmãos maçónicos’ para a a iminente destruição desse mesmo SNS.

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Problemas no Montepio…

Começam a suceder-se as declarações e garantias públicas de que o banco “está sólido”: Montepio reforça capital com obrigações e unidades de participação

O presidente do Montepio diz que o banco está sólido mas vai reforçar o capital por duas vias: alterando as condições das emissões obrigacionistas e abrindo o capital a institucionais. Em Angola, a auditoria detetou problemas.

Varoufakis contra o mundo (cruel)

Varoufakis cita Roosevelt. “Eles odeiam-me. E dou as boas vindas ao seu ódio”

A citação de FDR, que data de 1936, pode traduzir-se da seguinte forma: “Eles são unânimes no seu ódio em relação a mim; e eu dou as boas vindas a esse ódio“. Yanis Varoufakis acrescenta um comentário em que diz que esta é uma citação “muito próxima do meu coração (e da realidade) por estes dias“.

UBS diz que saída da Grécia é gerível e sem grandes perdas para o banco

Axel Weber, que foi governador do banco central alemão entre 2004 e 2011, explicou que a tranquilidade face ao impacto da eventual saída da Grécia da zona euro é baseada no facto de o banco ter cortado os riscos de incumprimento da Grécia “há muito tempo”.

A entrevista de Weber surge numa altura em que cada vez mais se fala da possibilidade de a Grécia entrar em incumprimento financeiro e escolher sair da zona euro, perante o arrastar das negociações entre Atenas e os seus parceiros com vista à resolução do problema financeiro grego.

Leitura complementar: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis; Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

PS desiste das “varoufakisses” ? (2)

O Miguel já aqui recomendou a entrevista de Vieira da Silva ao Observador, mas creio que vale a pena reforçar essa recomendação para compreender a situação actual do PS: Vieira da Silva: “Os custos de qualquer rutura com a UE são inaceitáveis”

“Do ponto de vista do debate político, há um período antes do programa eleitoral e um processo depois dele”.

Leitura complementar: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis.

Foi uma festa bonita pá

25A 75. Por Gabriel Silva.

Apesar da imposição do totalitário Pacto MFA-Partidos que negava as liberdades e condicionava enormemente a escolha livre do povo, apesar das prisões arbitrárias, apesar dos presos políticos, apesar da proibição de vários partidos, apesar de muitos dos militares que conquistaram o poder considerarem, tal como Salazar, que o povo não estava preparado para a liberdade e para o voto, ainda assim, 91,5% dos eleitores registados foram votar livremente no dia 25 de Abril de 1975. E com esse acto, com essa festa da liberdade, derrotaram todos quantos se opunham à liberdade prometida um ano antes.

Foi uma festa bonita pá.

Michael Seufert: “Para a minha geração, mais dívida é menos liberdade”

PS desiste das “varoufakisses” ?

O meu artigo de hoje no Observador: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis.

A tragédia grega em curso terá ajudado a silenciar as “varoufakisses”, mas é ainda assim cedo para formar uma opinião definitiva. António Costa já veio avisar que o relatório enquadrará mas não determinará o programa do PS e não há razões para acreditar que os entusiasmos syrizistas tenham desaparecido por completo do partido. Em qualquer caso, pelo menos de momento o cenário de radicalização irresponsável do PS parece afastado. É de lamentar (embora não surpreenda) a confirmação de que nenhum dos partidos portugueses apresentará um programa liberal, mas é uma boa notícia que o PS tenha para já desistido de seguir a mesma linha do Syriza.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Um plano B para a Grécia

Países de leste pedem plano B em caso de falta de acordo com a Grécia

Eslovénia levantou a questão no Eurogrupo e a Grécia não gostou, mas a Eslováquia e a Lituânia também querem discutir plano de contingência. França e Letónia também foram muito críticas da Grécia.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

História política não é o forte dos socialistas…

Serviço público de Helena Matos: A AR não dá umas aulas aos deputados sobre a vida parlamentar em Portugal?

A questão do voto das mulheres é um daqueles assuntos em que a realidade não se compadece com a ficção socialisto-maçónica: O reconhecimento do direito de voto às mulheres surge em 1931 através do Decreto com força de lei n.º 19694 (5 de Maio de 1931).

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Lei Medeiros-Amorim-Correia não passa no visto prévio

Parece que a peculiar iniciativa legislativa hoje tornada pública não vai avante. Ainda bem.

Passos Coelho: Propostas socialistas são um “caminho arriscado e perigoso”
Paulo Portas diz que preza “muito a liberdade de imprensa”
Visto prévio: António Costa soube hoje e trava deputada socialista
Constitucionalistas do PS e PSD: visto prévio “é uma ideia altamente perigosa”

Vou explicar devagarinho, a ver se os senhores deputados entendem

Depois de travada a lei, importará tentar garantir, na medida do possível, que os deputados Carlos Abreu Amorim (PSD), Telmo Correia (CDS) e Inês de Medeiros (PS) não reincidam.

Não queremos que os nossos filhos tenham melhor vida?

Paulo_Trigo_PereiraConfesso que quando li as palavras de Paulo Trigo Pereira [PTP] de imediato me veio em mente o seguinte: “será que ele tem filhos?”

Não sou de me meter na vida privada de outros mas o próprio “responde” publicamente… no Público:

As duas filhas que ajudei a criar, Mariana e Catarina, e a minha mulher, Guida, fazem parte da minha identidade.

Sendo assim, e caso PTP leia este post, talvez me possa responder à seguinte pergunta: porque deve o seu consumo no presente ser mais importante que o consumo futuro das suas filhas?

Neo-socialismo

O meu artigo no Diário Económico de hoje.

Neo-socialismo

O PS apresentou esta semana o seu programa económico para a próxima legislatura. Este visa dinamizar a economia através da procura com medidas como a descida do TSU dos trabalhadores e o estímulo dado às actividades que o modelo keynesiano considera de efeito multiplicador mais rápido, como a restauração e a construção. Bem esmiuçadas, as medidas não são novas e a filosofia subjacente é idêntica à seguida pelos últimos governos socialistas.

O programa do PS parte do princípio que o dinheiro para pagar o Estado e os interesses que à volta deste se reuniram não é do povo. A intervenção da ‘troika’, se teve algo de proveitoso, foi a percepção de que o dinheiro é das pessoas e que o Estado não pode existir à custa da antecipação do rendimento dos cidadãos. Infelizmente, a crise tem tantas variantes que não se resolve com a mera percepção desta realidade.

Que a despesa pública não deve ser superior à receita é algo que finalmente se compreende. É por isso que, apesar do actual nível de impostos, os partidos do governo até podem ganhar as eleições. Na verdade, sendo difícil descer a despesa há quem prefira pagar. É claro que impostos elevados destroem o crescimento. Os impostos são a transferência do dinheiro de uma parte da população para outra e, principalmente quando atinge os níveis actuais, desencoraja quem os paga de produzir e de criar empregos.

Para colmatar esta realidade, e porque não é fácil ganhar eleições com sacrifícios, o PS promete incentivar a procura. Ora, como o Estado não tem dinheiro e as projecções de crescimento são meras manifestações de vontade, a esperança socialista depende do BCE aumentar a base monetária. A ideia é tirar o dinheiro da poupança e gastá-lo. Sucede que, como o problema é a falta de capital, o que não é equivalente a pouco dinheiro, esta política monetária irá apenas aumentar a procura de capital ao mesmo tempo que se reduz a sua oferta, ou seja, a poupança.

Com esta distorção, aumento artificial da procura de capital e redução da sua oferta, a forma de compensar tal falta será através da actividade especulativa. Algo que já aconteceu no passado com os resultados que conhecemos e que irá suceder novamente. É assim que ouvimos incoerências como as daqueles que entendem que o problema da economia é a descapitalização das empresas ao mesmo tempo que defendem políticas conducentes à redução do capital.

E vejamos ainda este aspecto tão interessante: são precisamente os que entendem que é preciso proteger as pessoas, e os Estados, do mundo financeiro que defendem políticas que levam à especulação como forma de se encontrar capital capaz de dar resposta ao incremento da procura que agrada aos grandes grupos económicos. A este fenómeno chama-se neo-socialismo.

Coisas geniais

Como refere o Miguel Noronha aqui em baixo, Paulo Trigo Pereira afirmou, em declarações à Renascença, que

«A proposta que está no [Cenário Macroeconómico apresentado pelo PS] é substituir o consumo presente em relação ao consumo futuro. As pessoas consomem mais no presente e consumirão menos no futuro. A necessidade disto é porque estamos numa situação em que é necessário relançar a procura agregada em Portugal.»

A questão aqui é que fazer isto continuadamente é empurrar o problema com a barriga para a frente. Chega uma altura em que não se tratará de “consumir menos”, será mesmo “não consumir”. O que foi feito até ao início do programa de ajustamento foi isso mesmo: Antecipação de consumo. É essencial entender que a redução de consumo que sofremos é a consequência do excesso de consumo anterior. Tal como que défices presentes (ou passados) implicam mais impostos futuros (ou presentes). Não há, realisticamente no nosso contexto, crescimento da economia que consiga mitigar esta realidade.

O Estado e as heresias secularizadas

Fomentar o mal. Por José Manuel Moreira.

Custa crer como, num tempo em que os voos ‘low cost’ puseram mais a nu o parasitismo de quem destrói empresas e denuncia a sua venda, ainda se faz fé no discurso do Estado como empreendedor e motor da inovação. Dando asas a uma narrativa baseada em promessas de solução para todos os problemas – da pobreza ao crescimento – para ganhar votos. Um populismo que se preocupa pouco se as leis propostas solucionam os problemas ou os piorem. E menos ainda com a infiltração do aparelho de Estado e dos partidos pelo crime organizado.

O Partido Comunista Chinês e os multimilionários

China “precisa de mais multimilionários”, defende Partido Comunista Chinês

Um jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) defendeu esta quinta-feira que “a China precisa de ter mais multimilionários”, argumentando que “a acumulação privada de riqueza não é incompatível com a justiça social” preconizada pelo sistema socialista.

“Se um dia metade dos mais ricos do mundo forem chineses, isso evidenciará os enormes sucessos alcançados pela China no seu processo de desenvolvimento económico e social”, disse o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo do Diário do Povo, o órgão central do PCC.

Lógica do PS

A: António Costa diz que «Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva são a Troika»

B: Com a proposta para a baixa da TSU, o PS vai além da do Governo

O termo Governo pode ser substituído por «Troika», por indução de A (Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva pertencem/representam o Governo/Estado). Substituindo em B obtemos:

C: PS vai além da Troika.

No Fio da Navalha

O meu artigo no ‘i’.

A TAP

O governo está a tentar novamente vender a TAP. Como seria de esperar são muitos os problemas num processo que dura há anos. Se por um lado estão os trabalhadores, entre eles os pilotos, que querem deter entre 10 % a 20% da companhia, por outro deparamo-nos com os potenciais compradores que, quando se detêm sobre o que se passa na empresa, repensam a sua estratégia e mostram-se reticentes na sua aquisição.

Há dias foi anunciado o fecho das contas de 2014 que se saldaram num prejuízo de mais de 80 milhões de euros. No seu todo o Grupo TAP tem uma dívida de mais de mil milhões de euros. Ora, estes resultados surgem num momento em que o preço do petróleo está baixo e já não explica prejuízos anteriores, como os de 2008 em que o preço do crude atingiu valores recorde.

Quando se compra uma empresa, se herda um bem, ou se recebe o quer que seja, importa ter em conta não só o activo mas também o passivo. E o que se passa com a TAP é que o passivo, que não é apenas a dívida da empresa, mas também as obrigações e limitações a que o interesse político a sujeitou, supera muito o seu activo.

O problema da TAP já não é a mera perda de valor, mas o não valer quase nada. Pode ser chocante para muitos, mas uma empresa não se avalia pela emoção, menos ainda quando aqueles que com ela se comovem não gastariam nela um euro que fosse. É, aliás, por isso que são contra a sua privatização. Querem uma empresa, mas o povo que pague por ela.

para o PS o mundo não pára de mudar

wormHá tanto para criticar no coelho que ontem o PS tirou da cartola que terá de ficar para depois. Mas porventura o que mais me impressionou naquilo tudo foi a indigência ideológica com que os programas (e o tal coelho da cartola prepara-se para ser uma porção importante do programa eleitoral do PS, ainda que não admire mais um flip-flop de Costa nestes assuntos económicos) são feitos nos partidos políticos portugueses que estão habituados a governar. Chamam uma dúzia de ‘especialistas’ para darem os seus contributos, estes têm umas ideias mais ou menos malucas e, preferencialmente, completamente desgarradas da realidade (no melhor dos casos, são ideias inúteis e inócuas) e, tchantchantchan, tornam-se bandeira dos programas de governo como se fossem A solução para o país. Independentemente de serem potenciais criadoras de mais problemas ou, sequer, consistentes com as posições políticas anteriores do partido.

Isto não mostra só como os líderes políticos de PS (e PSD, onde se passam processos iguaizinhos) são uns basbaques que engolem a primeira tolice que ‘os especialistas’ lhes vendem – porque, lá está, são pessoas que além dos meandros traiçoeiros da política de nada percebem -; no fundo são ideologicamente tão consistentes como uma minhoca das couves.

Tomem por exemplo a proposta dos ‘especialistas’ do PS para a descida da TSU para empresas e trabalhadores. Por princípio, não tenho nada contra – desde que se assuma que isto implicará, no futuro, pensões muito pequenas. Claro que isto tresanda ao ‘choque fiscal’ que foi o trunfo de Durão Barroso em 2002 – e não é preciso lembrar que não só não houve choque fiscal nenhum como Manuela Ferreira Leite correu a aumentar ‘temporariamente’ o IVA para 19%, pois não? Mas o mais curioso é que esta baixa da TSU aparentemente vai ser proposta pelo partido que há muito poucos anos criou o novo código contributivo, que alargava a base de incidência dos descontos para a SS a tudo e mais alguma coisa que os trabalhadores recebessem, aumentando escandalosamente o montante de contribuições para a segurança social. Implicou mais custos para as empresas e foi uma redução significativa nos ordenados líquidos dos trabalhadores. Para os que trabalham a recibos verdes, foi mesmo um assalto com arma branca (vieram outros a seguir deste governo, sim).

E atenção: este novo código contributivo não se justificou com a necessidade de austeridade que a criatura socrática iniciou; a justificação foi inteiramente a de quererem assegurar a sustentabilidade da segurança social. Foi defendido por Elisa Ferreira, João Galamba, Vieira da Silva e António Costa – os mesmos que agora defendem redução da TSU e redução das pensões.

Que credibilidade se pode atribuir a gente assim?! É que, lamento, mas posições sobre a fórmula da segurança social, se as pensões devem apenas ser um garante contra uma situação de pobreza (eventualmente complementado com produtos privados) ou permitir continuar um nível de vida aproximado ao que se tinha enquanto se trabalhava, que tipos de rendimentos devem ser abrangidos, e por aí adiante, não podem ser posições circunstanciais e conjunturais nem opiniões que mudam com o vento. Num assunto crucial como a Segurança Social, o que o PS disse ontem é que é uma maria vai com as outras, sem espinha dorsal e sem qualquer princípio norteador. O que, em boa verdade, não é novidade.

Perca peso já!

miracle

As medidas e “cenário macroeconómico” que o PS apresentou ontem são piores que aqueles produtos dietéticos que têm uma nota em letra pequena a dizer «obterá melhores resultados se mantiver uma alimentação equilibrada». É que o processo milagroso através do qual surgirão receitas fiscais para colmatar o aumento de despesa nem sequer é semi-claro, como a dita «alimentação equilibrada».

Espremer direitos

O meu texto de hoje no Observador.

‘A indignação das boas almas sensíveis deste fim de semana veio a propósito de notícias (dadas – não fossem as boas almas sensíveis estarem distraídas – em tom de denúncia de grave atentado aos direitos humanos) do pedido a duas enfermeiras do Porto para fazerem prova de amamentação. Notícias que usavam termos mais próprios para a ordenha (havia que sugerir imagens repudiantes) do que para a amamentação: ‘espremer mamas’ e ‘esguichar leite’. Usar o neutro (e correto) ‘tirar leite’ seria demasiado delicado e poético para a intenção das notícias, presume-se.

Aproveito para informar já que as manchetes do próximo fim de semana dos jornais que com tanto enlevo protegeram a amamentação (e tenho um ataque de tosse enquanto escrevo isto) serão do calibre de ‘malévolos polícias impedem assalto a supermercado por pobres orfãos adolescentes desadaptados’.

E as boas almas que logo rasgaram as vestes nas redes sociais (o que permitiu diversão no twitter, que estas indignações tontas têm consequências boas) vão de seguida organizar uma petição para banir dos consultórios dos médicos de família a obrigação de se abrir a boca, estender a língua e dizer ‘aaaah’ para que o médico nos examine a garganta, que isto é figura muito triste que fazem os doentes e não pode ser. E vão também – em defesa da perigada honra feminina – juntar-se às reclamações dos muçulmanos residentes na Europa que exigem que as suas recatadas mulheres sejam examinadas por médicas e enfermeiras nos hospitais públicos. Onde já se viu uma senhora decente ter de mostrar as mamas a um homem que não o marido? – é a pergunta comum dos indignados progressistas portugueses e dos muçulmanos radicais.’

O resto está aqui.

José Gomes Ferreira diz que Segurança Social é privada?!

No video inserido no post do Miguel Noronha, o jornalista José Gomes Ferreira diz (a partir do minuto 6:58) [meus destaques]:

“O Governo, esta maioria, vem dizer que também quer baixar a TSU dos patrões para a Segurança Social. Eu vou dizer uma coisa que é pessoal. Acho que devíamos impedir o PS e a maioria de brincar com a Segurança Social dos portugueses. Aquele dinheiro é nosso, não é do Estado. Nós descontámos para as nossas pensões futuras e para ajudar os actuais reformados/pensionistas. Aquele dinheiro é nosso, o Estado gere-o por definição. A lei atribui-lhe a gestão. Não deviam brincar com esta bolsa de riqueza que o país tem.”

Se assim é, então e mudar a lei para atribuir a gestão a cada um de nós?

Ao cêntimo

Dado que as previsões de crescimento do PIB e as metas orçamentais são o core de qualquer cenário macroeconómico, custa-me a compreender, quanto mais a aceitar, que não estejam na ponta da língua de Mário Centeno. De registar, contudo, a evolução face às contínuas declarações de João Galamba de que os défices não interessam para nada. Mas enfim, são claramente modelos distintos para o país.

Heresia de Costa logo no primeiro dia

SolCosta ressalva que cenário macro “não é a Bíblia” (meu destaque)

Logo após a apresentação do cenário macroeconómico pelo grupo de economistas liderado por Mário Centeno, que propõe a eliminação da sobretaxa do IRS, a baixa da TSU e a redução de outros impostos, António Costa fez uma ressalva: “Este é um relatório técnico, não é a Bíblia, nem os senhores economistas são os apóstolos da Bíblia”.

Ou seja, o cenário apresentado ainda vai ser “avaliado e testado” e terá que passar no crivo dos órgãos políticos do partido, antes de ser vertido no programa eleitoral do PS, a apresentar a 6 de Junho.

Por outras palavras, ou os técnicos fizeram mal as contas (incompetentes) ou as propostas terão de ser testadas politicamente para se encontrar, independentemente das probabilidades das previsões macroeconómicas, aquelas que mais votos podem “comprar”. Eu aposto numa mistura dos dois!

Duas visões para Portugal

A proposta do PS marca mesmo a clivagem ideológica entre duas visões para Portugal: o PSD quer reformas do lado da oferta para aproximar Portugal das mais avançadas e competitivas economias europeias, defende um Estado mais pequeno e uma iniciativa privada maior, por muita dificuldade que tenha tido em concretizar esta visão; o PS acha que é necessário voltar ao modelo do mercado interno, estimulando a procura agregada a níveis apenas comportáveis com elevado endividamento externo, e quer manter ou até aumentar o peso do Estado, estratégia que acredita poder capacitar e desenvolver Portugal. No fundo, o modelo do PS é o que sempre esteve em vigor: mais Estado, mais consumo e investimento público, uma iniciativa privada dependente dos trâmites burocráticos e penalizada por uma elevada carga fiscal.

O Paulo Ferreira fez um excelente trabalho a desenvolver esta divergência ideológica. “Os gatos e os ratos”, no Observador.

«Este é um debate ideológico importante que nunca se colocou de forma tão evidente e que já tardava em Portugal. Mais do que as contas da “mercearia” orçamental – que são importantes mas onde não há milagres, como se vê – estamos a falar de liberdade económica, peso e custo do Estado e dos impostos que estamos dispostos a pagar por ele.»

#pensaremgrande II

beja

Não sejamos tímidos. Exijamos um aeroporto de Beja em cada cidade portuguesa. Afinal, há uma mina inesgotável de ouro no Rato.