Varoufakis contra o mundo (cruel)

Varoufakis cita Roosevelt. “Eles odeiam-me. E dou as boas vindas ao seu ódio”

A citação de FDR, que data de 1936, pode traduzir-se da seguinte forma: “Eles são unânimes no seu ódio em relação a mim; e eu dou as boas vindas a esse ódio“. Yanis Varoufakis acrescenta um comentário em que diz que esta é uma citação “muito próxima do meu coração (e da realidade) por estes dias“.

UBS diz que saída da Grécia é gerível e sem grandes perdas para o banco

Axel Weber, que foi governador do banco central alemão entre 2004 e 2011, explicou que a tranquilidade face ao impacto da eventual saída da Grécia da zona euro é baseada no facto de o banco ter cortado os riscos de incumprimento da Grécia “há muito tempo”.

A entrevista de Weber surge numa altura em que cada vez mais se fala da possibilidade de a Grécia entrar em incumprimento financeiro e escolher sair da zona euro, perante o arrastar das negociações entre Atenas e os seus parceiros com vista à resolução do problema financeiro grego.

Leitura complementar: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis; Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

PS desiste das “varoufakisses” ? (2)

O Miguel já aqui recomendou a entrevista de Vieira da Silva ao Observador, mas creio que vale a pena reforçar essa recomendação para compreender a situação actual do PS: Vieira da Silva: “Os custos de qualquer rutura com a UE são inaceitáveis”

“Do ponto de vista do debate político, há um período antes do programa eleitoral e um processo depois dele”.

Leitura complementar: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis.

Um plano B para a Grécia

Países de leste pedem plano B em caso de falta de acordo com a Grécia

Eslovénia levantou a questão no Eurogrupo e a Grécia não gostou, mas a Eslováquia e a Lituânia também querem discutir plano de contingência. França e Letónia também foram muito críticas da Grécia.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

Compreender o putinismo XXIII

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O mais importante papel de Vladimir Putin. No entanto, desconfio que a criatura do Kremlin desconhece o poder que o Steven Seagal tem nos canais televisivos nacionais.

O Partido Comunista Chinês e os multimilionários

China “precisa de mais multimilionários”, defende Partido Comunista Chinês

Um jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) defendeu esta quinta-feira que “a China precisa de ter mais multimilionários”, argumentando que “a acumulação privada de riqueza não é incompatível com a justiça social” preconizada pelo sistema socialista.

“Se um dia metade dos mais ricos do mundo forem chineses, isso evidenciará os enormes sucessos alcançados pela China no seu processo de desenvolvimento económico e social”, disse o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo do Diário do Povo, o órgão central do PCC.

Hillary’s Russian connection

O “cash” dos Clinton. Dinheiro russo na Fundação?

A candidata presidencial norte-americana Hillary Clinton está a ser acusada de ter facilitado a compra, por parte da agência atómica da Rússia, de uma empresa de capitais canadianos que controla um quinto do urânio dos EUA. A empresa em causa, chamada Uranium One, foi vendida no início de 2013, um negócio que teve de ser aprovado pelo governo dos EUA, dadas as questões de segurança associadas a este recurso natural estratégico. Muitos dos homens que criaram, fizeram crescer e, em 2013, venderam a Uranium One aos russos têm feito donativos generosos à Fundação Clinton, uma história que é contada num livro polémico que sai na próxima semana.

A crise de dívida soberana.. do México

Screen Shot 2015-04-22 at 11.39.52Um interessante artigo científico da autoria de Cantú, C., Park, K., Tornell, A., aqui sintetizado, que compara a crise de dívida soberana na Grécia e no México. Com diferentes causas — o México sofreu a crise fruto da queda abrupta no preço do petróleo —, mas efeitos similares — um aumento drástico nas taxas de juro dos títulos de dívida soberana —, é interessante contrastar as políticas e a resposta, e o impacto que estas tiveram na recuperação de ambos os países.

They foolishly keep digging…

Vitor Constâncio diz que eventual incumprimento da Grécia não significa saída imediata do euro

The first law of holes: if you find yourself in a hole, stop digging.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

Bem vindo à Europa

24Existem dois perigosos mitos que importa erradicar: 1) que a tecnologia destrói emprego; 2) que os imigrantes roubam postos de trabalho. O discurso nacionalista e identitário tem sido recuperado tanto pelo UKIP como pela FN. Se me debato tanto contra a extrema-esquerda, não poderia deixar a extrema-direita incólume. Sobre isto versa a minha crónica no Observador.

«Se é de salutar uma boa dose de eurocepticismo, que contrarie os ímpetos federalistas de uma União Europeia que teima em afastar-se das suas bases, uma zona de livre comércio de bens e de serviços, para convergir para um Leviatã burocrático, anafado, distante do princípio da subsidiariedade, com múltiplas estruturas redundantes e de dúbia utilidade, menos proveitosa é a repetida discussão, promovida pelo UKIP mas também pela Frente Nacional em França, sobre as maleitas da imigração.»

Notícias da democracia na Finlândia…

Coligação pró-austeridade deve incluir os eurocéticos do Partido dos Finlandeses. Ao Observador, um candidato do partido diz que, com eles no governo, “não haverá apoio a nenhum resgate grego”.

Agora, em 2015, o grande ponto de interrogação cai sobre a possibilidade de um terceiro plano de resgate grego. Terho, que é uma das figuras de proa do Partido dos Finlandeses, deixa uma garantia ao Observador quanto a esse assunto: “Connosco no governo não haverá apoio a nenhum resgate grego”. “Não faz sentido estarmos a mandar dinheiro para países que não conseguem pagar as dívidas deles. Eles têm de declarar falência e a partir daí lidar com a situação”, avança. Fora do euro? “Claro.”

A questão grega é uma das que reúne mais consenso dentro da possível coligação entre o Partido do Centro, a Coligação Nacional e o Partido dos Finlandeses. Embora o último seja o mais direto no que diz respeito a este assunto, o Partido do Centro também já deixou provas de não ser favorável a que se envie mais dinheiro para a Grécia.

Um toque de humanidade

Pela borda fora. O motivo não podia estar mais nobremente justificado.

Muslims who were among migrants trying to get from Libya to Italy in a boat this week threw 12 fellow passengers overboard — killing them — because the 12 were Christians, Italian police said Thursday.

Italian authorities have arrested 15 people on suspicion of murdering the Christians at sea, police in Palermo, Sicily, said. The original group of 105 people left Libya on Tuesday in a rubber boat. Sometime during the trip north across the Mediterranean Sea, the alleged assailants — Muslims from the Ivory Coast, Mali and Senegal — threw the 12 overboard, police said.

Other people on the voyage told police that they themselves were spared “because they strongly opposed the drowning attempt and formed a human chain,” Palermo police said. The boat was intercepted by an Italian navy vessel, which transferred the passengers to a Panamanian-flagged ship. That ship docked in Palermo on Wednesday, after which the arrests were made, police said.  The 12 who died were from Nigeria and Ghana, police said.

O fim da linha para a Grécia?

Negociações com Atenas estão a ser “muito complicadas”

Vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, diz que o governo tem tido, por vezes, “uma retórica que não ajuda em nada”. Ultimato dado pelos credores termina no final da semana.

“Chegámos ao fim da linha”, diz fonte grega ao Financial Times

Fonte do governo grego diz ao jornal britânico Financial Times que “se os europeus não desbloquearem dinheiro do resgate, não haverá alternativa” a uma falha de pagamentos, a começar pelo FMI.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

Sobre as manifestações no Brasil

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O mistério brasileiro: vale a pena prestar atenção. Por João Carlos Espada.

No passado dia 15 de Março, as multidões que desceram à rua eram pacíficas e ordeiras. Em vez de confrontarem as forças da polícia, aplaudiam-nas. Vestiam as cores da bandeira do Brasil e cantavam o hino nacional. Entre as principais palavras de ordem, contavam-se “Contra a corrupção” e “Contra o aparelhamento do Estado” (o que basicamente significa contra a captura do Estado por partidos políticos particulares, neste caso sobretudo o PT, mas não só). Não é possível determinar com exactidão o programa político de um movimento descentralizado e tão vasto como este. Mas é possível identificar algumas características mais marcantes que o distinguem e tornam inovador. (…) Algumas das vozes que se fazem ouvir na imprensa e nas redes sociais são, além de bastante jovens, surpreendentemente articuladas e informadas. Uma dessas vozes é a do famoso Rodrigo Constantino, autor de um blogue da revista Veja. O seu livro Esquerda Caviar acaba de ser publicado no Brasil e em Portugal (Aletheia), com prefácio do português João Pereira Coutinho — célebre cronista das terças-feiras na Folha de S. Paulo e, entre nós, do Correio da Manhã. (Ambos estarão no Estoril Political Forum, a 22-24 de Junho próximo, discutindo esse livro com Bruno Garschagen, outro jovem destacado porta-voz destas correntes nas redes sociais).

Da Turquia, com rancor

Turkey outrage after Pope Francis describes Armenian mass killing by Ottoman soldiers as ‘genocide’

Pronto, para desanuviar tensões imperialistas e evitar mais uma cruzada não podia o Papa Francisco, retirar a palvra “genocídio” e substituí-la como uma “vontade em exterminar de forma sistemática os arménios”?

Compreender o putinismo XXII

Brejnev

Não se aguenta tanto totalitarismo.

“Kiev used truly totalitarian methods, attacking freedom of the press, opinion or conscience,” the Russian foreign ministry said in a statement, also accusing Ukraine of “rewriting history”. Ukraine’s parliament voted on Thursday to ban communist-era and Nazi symbols in a bid to break with the country’s past.

Grexit: será desta? (2)

The Wall Street Journal defende que Grécia deve sair do euro

Jornal norte-americano toma uma posição clara: o contágio da saída da Grécia do euro seria limitado. “A maior ameaça de contágio” seria mais um resgate – sem condições – a um governo que “não é sério”

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Grexit: será desta?

Ultimato: Europa dá seis dias à Grécia para apresentar reformas
Tsipras: Se não houver acordo é pior para a UE
Grexit? Finlândia tem memorando a preparar saída da Grécia da zona euro

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’.

O dólar

O “Público” noticiou no sábado passado que a retoma dos EUA e a subida do dólar geravam riscos para as economias emergentes. Horas depois, o “Los Angeles Times” informava que a subida da moeda norte-americana podia adiar a decisão da Reserva Federal dos EUA (FED), vulgo banco central, de subir as taxas de juro, o que a acontecer poria em causa a subida do dólar.

O erro na análise do “Público” parte de uma premissa que a maioria está a ignorar: a economia norte-americana não está a recuperar; está apenas a viver os efeitos de uma bolha que a administração Obama e o FED criaram. Se antes medidas idênticas originavam taxas de crescimento avassaladoras e agora meramente ridículas, é algo que a maioria não quer ver, porque prefere o conforto de sentir que tudo está bem e resolvido.

Mas não está. A crise veio para ficar e não é passageira, porque assenta num crescimento económico conseguido durante anos à custa do endividamento. Enquanto o endividamento não terminar, ou for fortemente reduzido, a crise continua e qualquer pequeno sinal em sentido contrário será uma ilusão criada por ilusionistas.

Foi por este motivo que o dólar subiu e, ao contrário do que seria de esperar, caso a sua subida assentasse na saúde da economia norte-americana, o FED não sobe as taxas de juros. Não sobe porque não pode; não pode porque se o fizer a ilusão criada desvanece-se. Dito de outra forma: a economia deixa de criar empregos porque os que cria se baseiam na desvalorização da moeda, não na criação de riqueza.

Couto Mixto

Couto_MixtoVia Carlos Novais, um interessante exemplo histórico que desconhecia e que fiquei com vontade de estudar melhor, em especial na vertente de governação e organização política (assim consiga arranjar tempo para o efeito…):

O Couto Misto foi um microestado independente de facto encravado entre Espanha e Portugal, com existência entre o século X e 1868. Embora se desconheça a origem de sua instituição, ligada desde a Baixa Idade Média ao Castelo da Piconha, posteriormente vinculado à poderosa Casa de Bragança, constituía-se numa pequena área fronteiriça de cerca de 27 km² com organização própria, que não estava ligada nem à Coroa de Portugal e nem à da Espanha.

Entre os direitos e privilégios deste pequeno território encontravam-se o de asilo para os foragidos da justiça portuguesa ou espanhola, o de não dar soldados nem para um reino nem para o outro, o de isenção de impostos, o de liberdade de comércio (como o sal, objeto de estanco até 1868), a liberdade de cultivos como o do tabaco, e outros. Até à assinatura e entrada em vigor do Tratado de Lisboa (1864), em 1868, cada habitante do Couto elegia livremente a nacionalidade espanhola ou portuguesa.

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O socialismo real e as mulheres na Coreia do Norte

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Kim Jong-un ressuscita a “Trupe do Prazer”, jovens mulheres que entretêm as elites

A “Trupe do Prazer” foi introduzida por Kim Il-sung, o avô de Kim Jon-un e fundador da Coreia do Norte. Os oficiais do governo norte-coreano iam procurar as jovens mulheres mais bonitas, que eram então selecionadas para dançar e cantar em privado. Enquanto as mais bonitas iam servir as elites, as outras tornavam-se domésticas.