No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje ‘i’.

A defesa da Europa

Foi há poucos dias, e perante a Comissão Europeia, que Manuel Valls apelou a que os 28 países da União Europeia (UE) se unissem e comparticipassem no custo da luta contra o terrorismo. Perante o esforço que o governo francês para fazer frente a esta ameaça, o primeiro–ministro francês chegou mesmo a dizer que “l’armée européenne existe, c’est la France”.

Quem diria. Quem diria há 15 anos que ouviríamos a França falar deste modo, chamando atenção para a necessidade de a Europa financiar a sua defesa. Na verdade, não é só o terrorismo que a ameaça. Os EUA têm outros desafios na Ásia e no Pacífico e a Rússia está novamente a levantar um muro que a separa do velho continente.

Sem esquecermos a Grécia, que, saindo do euro, cairá num limbo para o qual arrastará aquela zona do Mediterrâneo e afastará a Turquia do Ocidente. Não é por acaso que Obama se preocupa com a situação grega e apela a que a UE reconsidere  a cobrança da dívida daquele país.

Aquilo que os europeus estão a começar a perceber é que o guarda-chuva norte-americano já não é suficiente. A Europa precisa de fazer por si. O que cria um desafio militar acrescido, pois implica um aumento da despesa pública, precisamente quando a maioria dos estados europeus estão fortemente endividados. Como é que países com já tão pouca margem de manobra vão financiar o tão necessário armamento, aumentando o orçamento no sector da defesa? Como é que uma Europa atulhada em despesa investe na defesa?

Primavera persa, parte enésima

Youness Asakeree

Youness Asakeree

Iranian vendor dies after setting himself on fire

Youness Asakere, an Iranian fruit vendor who set himself on fire in front of the Khoramshahr municipality in protest after his fruit stand was confiscated by authorities, died March 22. His death, and the lack of broader attention by Iranian society, has stirred many questions among activists and analysts on social media.

O critério de representatividade de Marine Le Pen

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A propósito de uma entrevista de Marine Le Pen. Por João Carlos Espada.

Em entrevista ao semanário Expresso do último sábado, Marine Le Pen classificou Durão Barroso como “o chefe dos guardas prisionais. Foi o chefe da prisão, foi o grande general da prisão dos povos, que é o que na realidade é a União Europeia.” Quanto a Angela Merkel, ficámos a saber que “é a directora da prisão”.

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Resultados das eleições em França e na Andaluzia

Assim vai a Europa…

Eleições departamentais em França: Sarkozy em primeiro, Le Pen em segundo
Andaluzia: PSOE ganha eleições, Podemos em terceiro

A bestialidade de xiitas & sunitas

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Na última Sexta-feira, um grupo de idiotas carniceiros decidiu celebrar o dia santo do Islão, assassinando o maior número de pessoas. Os bombistas suicidas escolheram como alvo duas mesquitas xiitas. Morreram 142 pessoas. Há mais sírias para além da Síria.

Yemen is a battlefield for Saudi Arabia and Iran

The latest atrocity in Yemen, which claimed nearly 150 lives on Friday, appears part of a proxy war between the Middle East’s two superpowers

 

Leitura complementar: Aviso de 2004, do Rei Abdullah da Jordânia.

“Esquerda Caviar” em Portugal

Está disponível hoje nas principais livrarias de Portugal o livro “Esquerda Caviar” (Alêtheia Editores), do economista e blogger brasileiro Rodrigo Constantino.

Em seu blog no site da revista Veja, Constantino publicou uma breve apresentação do livro que escrevi para os leitores portugueses.

Ainda há margem para piorar

O copy/paste a que temos direito.

“(…) O jornal israelita Haaretz aponta as grandes surpresas das eleições em Israel. A primeira é (…)
Como segunda surpresa apontada pelo diário Haaretz (…)
Outra das surpresas apontadas pelo diário israelita foi (…)
De acordo com o diário Haaretz (…)
O fracasso total das sondagens é a outra das surpresas apontadas pelo diário Haaretz (…)”

O socialismo volta a funcionar

Maduro

E bem, na Venezuela.

Venezuela Is On the Brink of Collapse por Tom Rogan.

(…)The problem is that Chávez, Maduro, and company have only ever wanted personal power. They see themselves as reincarnations of Simón Bolívar. But where Bolívar opposed the tyranny of the Spanish empire, Maduro opposes the “tyranny” of free enterprise.

The Chávistas have always been crackpots, but, until recently, high oil prices enabled them to paper over their failings. No longer. Plummeting oil prices have eviscerated government budgets. In response, Maduro is doubling down on insanity. Contemplate the comrade’s magnificent crisis plan: Rather than accepting that shortages in goods are caused by his price controls and collapsed currency, Maduro blames hoarders and foreign conspirators (a favorite regime scapegoat), while he restricts shopping days. Rather than recognizing that his neglect means that medical professionals can’t replace their tools, Maduro blames greed. Rather than admitting that Mad Max criminality contributes to police corruption and low morale, Maduro rants about the ills of “individualism” and “consumerism.” Rather than tolerating scrutiny, Maduro attacks freedom of the press. Rather than pursuing dialogue with the political opponents, Maduro imprisons them and cuddles North Korea.

As I say, Chávezville is an asylum. (…)

O bom exemplo da Estónia

taavi-roivas-peaministri-kandidaat-sotsiaalminister-68441387Passou algo despercebido, mas há 18 dias atrás o Reform Party ganhou as eleições legislativas na Estónia, formando governo em coligação com os sociais-democratas. Taavi Rõivas, 34 anos, líder do Reform Party, assume assim o cargo de primeiro-ministro da Estónia.

Isto é particularmente interessante porque o Reform Party não é o tradicional partido socialista, social-democrata, conservador ou democrata-cristão, pejado de senis senadores e de figuras do regime do tempo da outra senhora, ou de repetidos vultos que obstinadamente teimam em não desaparecer. Nem é um partido dos ex-apparatchiks agora hipsters na New Left. É um partido reformista de cariz assumidamente liberal, cheio de gente jovem e dinâmica. “A primazia da liberdade individual”, “um dono privado é melhor mestre que o Estado”, “uma sociedade aberta”, ou a ideia que “para uma sociedade funcionar, indivíduos, empresas e sindicatos podem resolver muitos dos seus problemas sem a intervenção do Estado” são alguns dos mantras políticos publicamente assumidos pelo partido, que contrastam com a cansativa e estéril ladainha do bem comum, chavão máximo da ética republicana.

Talvez porque a Estónia tenha de facto sentido na pele — literalmente — o comunismo sob a égide da União Soviética; talvez porque preza a liberdade, após tantos anos de privação; talvez porque os seus cidadãos saibam, por experiência própria, o que é a opressão do Estado; talvez por isso nem sequer existam partidos comunistas na Estónia; ou simplesmente porque acreditam na liberdade individual, os estónios transmitem uma importante mensagem aos restantes países europeus: existe vida para além do nacionalismo da Frente Nacional, ou do insano disparate do Syriza.

O Insurgente goes to Mais Mulher (again)

Só agora reparei que ainda não coloquei aqui o link do vídeo da participação da Daniela Silva e minha no Mais Mulher da SIC Mulher. Aqui vai. Falámos da Grécia – novela que ainda persiste. E brevemente vai haver mais.

A Grécia e o erro de Merkel (3)

Via Facebook, mais uma leitura complementar na sequência do meu artigo de ontem no Observador (A Grécia e o erro de Merkel), desta vez um post de 2011 de Vera Gouveia Barros: O Buraco e o Bicho da Madeira.

O post relaciona-se em particular com esta passagem do meu artigo de ontem:

Ainda que o efeito final das transferências seja discutível também para os países que são recebedores líquidos (pense-se por exemplo, na vasta e perniciosa indústria de captura de fundos europeus que se estabeleceu entre nós), será sempre mais fácil convencer gregos, espanhóis e portugueses a receberem fundos europeus do que alemães, holandeses, britânicos e finlandeses a pagarem-nos. Para os leitores portugueses que tenham dificuldade em aceitar esta ideia, um exercício simples poderá ajudar: basta pensar na última vez que ouviram um político português continental a defender o aumento das transferências orçamentais para a Madeira para fazer face à crise orçamental da Região Autónoma.

Um balanço também ele moderado II

State Executions Rise to Two Per Day in Iran.

Executions in Iran have soared under president Rouhani, according to an Oslo-based Iranian human rights group, with an average of two now being carried out every day.

Leituras complementares: Cepticismo imoderadoUm balanço também ele moderado

Varoufakis e a Paris Match

varoufakis_paris_matchVaroufakis faria bem melhor em arrepender-se publicamente das políticas ignorantes e irresponsáveis que defende do que de um exercício de vaidade idiota, mas inofensivo: Varoufakis arrependeu-se da sessão fotográfica do Paris Match

“Gostaria que aquela sessão fotográfica não se tivesse realizado, arrependo-me dela”, disse este domingo Yanis Varoufakis à Alpha TV, citado pelo britânico Guardian. O professor de economia de 53 anos acrescentou ainda que não concordou com a “estética” das imagens divulgadas. Já antes, no decorrer da sessão fotográfica, disse não gostar de atenção mediática: “Eu desprezo o sistema do estrelato”.

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A Grécia e o erro de Merkel (2)

Aqui fica uma leitura complementar sugerida pelo leitor Joaquim Costa em comentário ao meu artigo de ontem no Observador (A Grécia e o erro de Merkel): Endgame: Power Struggle in Brussels and Berlin over Fate of Greece.

Political leaders in Berlin understood Juncker’s words just as he meant them: as a challenge. Merkel too, to be sure, would like to prevent Greece from leaving the euro zone. She is concerned about the chaos that would ensue in Greece — and from a practical perspective, a Grexit would mean that Germany would have to write down the billions it has loaned Athens for good.

Merkel, though, sees Juncker’s categorical promises as undermining efforts to force the Greek government to see reason. Merkel’s advisors in the Chancellery are wondering how it is possible to take a tough negotiating stance with Tsipras when the most severe penalty has been ruled out by the Commission president. But Merkel’s team suspects that Juncker also may be trying to protect his own reputation: Should Greece ultimately be forced out of the euro zone, it would be clear to all that Merkel, rather than Juncker, is to blame.

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Vaticano aprova intervenção militar contra Estado Islâmico

Vaticano aprova ação militar contra Estado Islâmico para parar “genocídio”

O embaixador do Vaticano nas Nações Unidas aprova uma ação militar contra o movimento Estado Islâmico no Iraque e na Síria, uma posição invulgar pois tradicionalmente o Vaticano opõe-se ao uso da força.

Durante uma entrevista ao site católico norte-americanoCrux , Silvano Tomasi disse que os combatentes do Estado Islâmico estão a cometer atrocidades numa escala enorme e que o mundo tem de intervir.

“Temos de parar este tipo de genocídio, de outro modo iremos questionar no futuro porque não fizemos alguma coisa, porque permitimos que acontecesse tal tragédia”, defendeu o arcebispo italiano.

Sinais dos tempos

Quem diria, há 15 ou 20 anos atrás, que a tendência hoje seria esta?

EUA: Há shoppings transformados em igrejas, centros médicos e faculdades

É uma nova vida para os milhares de centros comerciais abandonados nos EUA, cujas infraestruturas começam a ser usadas para outros fins. Ao todo, há mais de 200 projetos para reformular shoppings.

O euro: do dogma à tragédia

O meu artigo de hoje no Observador: A Grécia e o erro de Merkel

O euro não pode ser visto como um dogma de fé europeísta nem como uma varinha mágica para impor boas práticas governativas a povos indisciplinados. Sob pena de acabar como uma tragédia.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Ler+ é possível e promove a saúde e a economia

Momento de enorme felicidade do Autor e amigos.

Momento de enorme felicidade do Autor e amigos.

Devemos agradecer ao autor de Tortura em Democracia, actualmente a residir em Évora.

Várias Câmaras Municipais financiaram o livro de José Sócrates que esteve, pelo menos, um mês em primeiro lugar em todas as livrarias. O Sexta às 9 descobriu que, em Lisboa, foram emitidas faturas em nome de autarquias do norte do país que compraram este livro às dezenas, várias vezes.

Compreender o putinismo XXI

Está, Vladimir Putin?

Está, Vladimir Putin?

The Land of Magical Thinking: Inside Putin’s Russia , por P. J. O’Rourke.

(…)Nothing Is True and Everything Is Possible. And sit back and watch the Putin regime rot.

Diz Que É Uma Espécie De Socialismo

“Ed Miliband, o líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, deixou-se filmar com a família numa cozinha humilde e de pequenas dimensões. Até que se descobriu a segunda cozinha da casa de 3 milhões de euros.” (fonte)

EdMiliband

Sadistic tourism in Greece

Greece and tax sadist tourism. Por Alberto Mingardi.

The Greek government apparently announced that it wants to hire part timers as “undercover agents to grab out tax evaders”. Tourists, students and housewives could work armed with wireless devices to catch shopkeepers and service providers who do not issue receipts when they sell goods and services. (…) The application of the concept to tourists potentially opens up a new whole kind of business: sadistic tourism. Syriza regularly portrays Germans as evil people that want to make the poor Greek suffer: why not turning that into a profitable line of activity for the government? Come to Greece. Ouzo, great sea, beautiful landscapes, moussaka, and you’ll have the pleasure to force dirty little shopkeepers to pay their dues to the government!

Como descredibilizar um país

Ministério da Defesa grego quer introduzir capítulo sobre reparações de guerra alemãs nos livros escolares
Embaixada da Grécia em Berlim faz protesto formal contra declarações de Schäuble

Presidente da Comissão Europeia insatisfeito com falta de progressos nas últimas semanas
Presidente do Eurogrupo diz que a Grécia culpa outros pelos seus problemas
Alemanha admite saída ‘acidental’ da Grécia do euro

Nacionalismo: desespero e ideologia

Não é a primeira vez que a extrema-esquerda apela aos sentimentos nacionalistas para distrair as massas e afastá-las do que é importante. No caso do Syriza não se trata apenas de desespero, mas também de ideologia.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons XI

2015-03-11

 

Fonte: Jesus and Mo.

A new low: Charlie Hebdo’s murdered staff receive an ‘Islamophobe of the Year’ award

 

Northeast Asia difficult past

Ontem à noite descobri este bloqueio (chamemos-lhe assim), que é o último de uma série de bloqueios na relação entre a China e o Japão. Os ressentimentos que veem do passado ainda não estão ultrapassados – desde a participação do Japão (ao lado de várias potências europeias) no retalhar da China no final da dinastia Qing à ocupação japonesa nos anos 30 e 40 do século XX, de que a ‘violação de Nanjing’ é o caso mais emblemático – e são exacerbados pelas constantes hostilidades gratuitas japonesas, a que a China responde com outras hostilidades gratuitas. Além das disputas territoriais, há a desculpabilização japonesa das atrocidades que os seus militares cometeram aquando das invasões (os massacres, as violações, as escravas sexuais,…). E a China tem grande apreço pelo nacionalismo e faz questão de recordar as feridas. Nenhum dos países quer abandonar a memória do passado e a possibilidade de coexistência amigável pelos vistos é só wishful thinking de alguma das partes. Enfim, são bloqueios que nem contextualizando se compreendem. Por alguma razão a Ásia é o local do mundo mais instável e que maiores preocupações de segurança traz no mundo atual (por muito que a Europa só pense na Rússia).

O título é surripiado ao Barry Schwartz e o vídeo do filme Flowers of War de Zhang Yimou.