Liberdade de educação e desenvolvimento

Na educação como em outros sectores o desafio mais difícil é conseguir minimizar as distorções e os danos causados pelo Estado e pelas burocracias regulatórias no que o mercado e a sociedade civil fornecem em liberdade: For-profit education: The $1-a-week school

Private schools are booming in poor countries. Governments should either help them or get out of their way

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O interrail dos refugiados

Quem visitar Budapeste estes dias verá um cenário inesperado. As estações de caminho de ferro transformaram-se em centros de campismo. Centenas de refugiados, maioritariamente homens entre os 15 e os 30 anos, mas também algumas mulheres na mesma faixa etária e crianças, ocupam todos os cantos das duas principais estações de Budapeste: Keleti (Este, em húngaro) e Nyugati (Oeste). São maioritariamente oriundos da Síria, Iraque e Kosovo. A ocupação é absolutamente pacífica. Todos querem chegar à Europa ocidental para trabalhar. Nenhum se arrisca a ficar preso na Hungria. À hora certa, fazem filas ordeiras para receber água e a refeição dos voluntários.

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Refugiados na estação de Keleti (Associated Press)

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Refugiados esperam por comida e água (Associated Press)

A maioria passou os últimos dias num acampamento temporário em Szeged, junto à fronteira com a Sérvia. Apesar de ser o principal ponto de entrada para imigrantes clandestinos, Szeged não tem nenhum centro de refugiados, apenas um centro de recepção. Os imigrantes são recebidos ali e encaminhados para a estação de comboio, onde podem seguir caminho para Györ, via Budapeste. Györ fica no lado oposto do país, convenientemente localizado perto da fronteira com a Áustria. Os imigrantes recebem o seu bilhete gratuito para Györ, mas muitos não chegam ao centro de refugiados ou passam l]a pouco tempo. Continuam o percurso, às vezes no mesmo comboio, até à fronteira com a Áustria. O papel da Hungria no jogo do empurra fica assim completo.

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Na imagem marcado a vermelho o ponto de chegada, szeged, e a azul a localização do centro de refugiados, Györ, para onde a Hungria envia os refugiados

Mas esta é apenas a última etapa antes de chegar à Europa Ocidental. Para os imigrantes oriundos da Síria e Iraque, a viagem começou muito antes com a travessia da fronteira para a Turquia. Da fronteira sul, dirigem-se a ocidente. A rota habitual consistia em atravessar a fronteira terrestre da Turquia para a Bulgaria. Com o influxo de imigrantes, a Bulgaria construiu um muro na sua fronteira. Desenhou-se então uma rota alternativa, via Grécia. Da Turquia à ilha grega de Lesbos são apenas alguns quilómetros de barco. Tal como na Hungria, também as autoridades gregas fecham os olhos aos imigrantes que saem dos campos de refugiados em Lesbos em direcção a Atenas e daí partem para a Macedónia. A fronteira entre a Grécia e a Macedónia é porosa. As autoridades da Macedónia também não barram o caminho aos imigrantes que se dirigem à fronteira norte com a Sérvia.

Um grupo de imigrantes caminha ao lado de uma linha de caminho de ferro na Macedónia (Fonte: AFP)

Na Sérvia, os imigrantes fazem um pedido de asilo. Com este pedido de asilo recebem uma autorização de permanência temporária e um horário dos comboios. Nenhum espera pela resposta ao seu pedido de asilo. Preferem a viagem de comboio que os leva a Subotica, na fronteira com a Hungria. Os revisores não insistem que eles paguem o bilhete, nem os expulsam do comboio. Pelo caminho, juntam-se aos refugiados oriundos do Kosovo.

Entre Subotica e a fronteira com a Hungria são apenas alguns quilómetros a pé. Alguns têm sorte e conseguem boleia até à fronteira de habitantes locais. É uma zona rural, com bastantes tractores e pouca polícia. Os locais ajudam tanto por caridade como pela vontade de ver os imigrantes sair dali rapidamente. As autoridades sérvias não intervêm.

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Grupo de imigrantes kosovares faz o percurso entre Subotica e a fronteira com a Hungria

Na fronteira, basta encontrar um ponto sem polícias húngaros. Na Hungria dizem que alguns guardas do lado sérvio dão indicações aos imigrantes sobre onde atravessar e a que horas. A fronteira é porosa. Desde a guerra civil na Jugoslávia que todos sabem os pontos onde é mais fácil passar.

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Na imagem, imigrantes atravessam a fronteira entre a Sérvia e a Hungria, num dos vários pontos onde é possível fazê-lo facilmente

Os húngaros planeiam construir um muro para travar o fluxo de imigrantes ilegais, tal como já existe na Bulgária, em Espanha (nos enclaves de Ceuta e Melilla) e na fronteira dos países bálticos com a Bielorrússia. Um país temr o direito de defender as suas fronteiras como entender. Qualquer paralelo entre este muro e o muro de Berlim não faz sentido: um será feito para defender as fronteiras do país, o outro foi feito para aprisionar os seus habitantes. Dois objectivos moral e politicamente diferentes. Mas, apesar da construção desse muro poder resolver o problema da Hungria, os imigrantes certamente encontrarão outras rotas, potencialmente mais perigosas.

Há cerca de dois anos em visita a Tripoli, falei com alguns locais. Um deles contou-me a forma como à noite, junto ao porto onde os imigrantes africanos se juntam, os traficantes convencem-nos de que a luz de uma plataforma petrolífera que avistam no mar é Lampedusa (ilha italiana). O barco não precisa de ser muito grande, dizem, a Europa é já ali.

Migrants are seen in a boat during a rescue operation by Italian navy ship San Marco off the coast to the south of the Italian island of Sicily in this February 5, 2014 picture provided by the Italian Marina Militare. The Italian navy began the emergency sea rescue on Wednesday of an estimated 1,000 migrants from boats close to the island of Lampedusa, the site of a tragic shipwreck that killed hundreds five months ago, in the operation called Mare Nostrum.   REUTERS/Marina Militare/Handout via Reuters (ITALY - Tags: SOCIETY IMMIGRATION MARITIME) ATTENTION EDITORS - THIS IMAGE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY. FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS. THIS PICTURE IS DISTRIBUTED EXACTLY AS RECEIVED BY REUTERS, AS A SERVICE TO CLIENTS

Barco com refugiados em direcção a Lampedusa (Fonte: Reuters)

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal ‘i’.

A diplomacia económica

Com a polémica instalada à volta do ex-presidente brasileiro Lula da Silva, e da eventual utilização da sua influência a favor de certos negócios, voltou-se falar do conceito de diplomacia económica. Este tem sido, nos últimos anos, apresentado como um novo modelo de actuação dos Estados a favor das empresas nacionais. No entanto, nas últimas semanas, embaixadores, políticos, jornalistas e até empresários começaram a questionar se será bem assim.

A ideia de favorecer empresas nacionais parece simpática, mas apresenta alguns problemas. O primeiro, e o mais óbvio, é que o auxílio a certas empresas para fazerem negócios no estrangeiro, para internacionalizarem a sua carteira de clientes, dificulta ou impede outras, sem o mesmo acesso à diplomacia económica do Estado, de entrar nesses mesmos mercados. Naturalmente, e porque nunca vemos os negócios que não foram feitos, mas os fechados, somos forçados a encarar o conceito de diplomacia económica como positivo e sem custos. Mas estes existem, e um olhar mais atento e isento à realidade leva-nos a conclusões diferentes.

A outra questão, de certa forma ligada à primeira e que parece só agora ter agora sido vislumbrada, traduz-se na fronteira muito ténue entre apresentar certas empresas a um outro país e favorecê-las. Quando todos os dias se ouvem críticas à promiscuidade existente entre a política e os negócios, seria interessante encarar-se essa confusão como inerente a mais um conceito de ingerência dos Estados num mundo onde não deviam entrar.

A zona euro precisa de um mecanismo de insolvência e saída ordeira

Para quem como eu anda há anos a ouvir nos mais variados fóruns colegas economistas (incluindo alguns alemães e austríacos) assegurar-me – em tom mais ou menos paternalista – que um mecanismo de saída ordeira seria impossível e “obviamente” arrasaria a credibilidade do euro (assim como da UE, da civilização e porventura também da humanidade) esta notícia é especialmente interessante, mesmo que não tenha nada particularmente inovador: “Sábios” alemães: Saída do euro deve ser possível, como “último recurso”

Um conselho de cinco dos economistas mais destacados da Alemanha defende, num relatório especial publicado esta terça-feira, que é necessário criar um mecanismo para gerir insolvências de países da zona euro e que os países devem poder sair da união monetária, como “último recurso”. Estes “sábios”, que são conselheiros do governo alemão, dizem que a crise grega mostrou como são necessárias reformas urgentes que tornem a zona euro mais estável.

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Compreender o putinismo XXVII

Putin

Geórgia, a renovada linha da frente da guerra na Ucrânia.

Last week, Russia completed its latest land-grab in Georgia. Having interfered in, and, ultimately, illegally occupied, the province of South Ossetia since the early 1990s, Russia has gradually consolidated its position, erecting barbed-wire fencing and expensive CCTV equipment to supervise its area of control.

The most recent operation has pushed the so-called “Republic of South Ossetia” a further 300 metres (980 feet) into Georgia, splitting farms in half and bringing a kilometre-long portion of BP’s Baku-Supsa pipeline, which carries oil from Azerbaijan to the Black Sea, under Russia’s control.

Georgia’s main east-west highway is now only 950 metres from an area now securitised by the Russian army.

The strategic value to Russia of the country having such a strong hold on energy flows from the Caspian to the Black Sea, as well as holding a key vantage point over Georgia’s east to west traffic flows and troop movements, is clear for all to see.

What’s less clear, however, is why the European Union and the United States have been so muted in recent months.

Russia has not been shy in signposting its intentions. Indeed, their latest territorial incursion follows an agreement signed in March between Vladimir Putin and the breakaway region’s President Leonid Tibilov aimed at further assimilating South Ossetia into the Russian Federation and harmonising defence and economic policy between the two.

With Russia on the verge of orchestrating a Crimea-style annexation of South Ossetia, the expansion of territory makes a lot of sense to Moscow.

Leitura complementar, If Europe is from Venus, then Russia is from Mars.

 

A radicalização dos partidos de esquerda e o eleitorado

A ilusão do radicalismo. Por João Carlos Espada.

Parece estar a ocorrer uma radicalização do discurso da esquerda em vários países europeus. Mas resta saber qual é o alcance dessa radicalização: irão os eleitores acompanhá-la? Ou vão os radicais obter uma supresa semelhante à que o Partido Trabalhista britânico enfrentou nas eleições de Maio passado — quando os Conservadores obtiveram uma confortável vitória, que lhes era peremptoriamente negada pelas sondagens?

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Anthony Hervey

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Black Mississippi Confederate flag supporter dies after rally when ‘car full of jeering African American men forced him off the road’

A black Mississippi man who often dressed in Confederate regalia to support the state flag has died in a one-car accident.

The Highway Patrol says 49-year-old Anthony Hervey was killed Sunday when the 2005 Ford Explorer he was driving left the roadway and overturned on Mississippi Highway 6 in Lafayette County.

A passenger in Harvey’s car, Arlene Barnum, tells The Associated Press that Hervey swerved and crashed after another vehicle carrying four or five young black men pulled up alongside them, yelling and looking angry.

Saí um Nobel para Blatter

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Relações que fazem sentido e que dão frutos.

Russian president Vladimir Putin believes FIFA president Sepp Blatter is worthy of the Nobel Prize.

“I think people like Mr. Blatter or the heads of big international sporting federations, or the Olympic Games, deserve a special recognition.” Putin said on a Swiss television station, according to Reuters. “If there is anyone who deserves the Nobel prize, it’s those people.”

Putin also said he doesn’t believe Blatter is personally guilty of corruption despite a widespread corruption scandal engulfing FIFA.

Estão avisados

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América, o Inverno está a chegar.

North Korea would “leave no Americans alive” should the two countries again meet on the battlefield, the hermit country’s leader, Kim Jong-un, threatened on Monday.

The country is in the midst of celebrating the 62nd anniversary of the armistice agreement that put a decades-long freeze on the Korean War. A peace treaty was never signed and Pyongyang has continued to celebrate the agreement as a victory in the war.

On Monday, after a weekend of pompous speeches by the reclusive country’s leaders, the streets in its capital city were decked with flags and banners as crowds cheered its “victory over U.S. imperialism.”

 

 

Seria este o “Plano B” do Syriza ?

Varoufakis. Tsipras pediu-lhe “Plano B” em dezembro

O plano, explicou Varoufakis, passaria por fazer hacking (intrusão de sistemas informáticos) das informações fiscais dos contribuintes e das empresas, informações essas constantes dos servidores centrais do Fisco.

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Incompreensível

A notícia deve ser falsa. Por que razão haveria alguém de querer fugir de um paraíso socialista?

Metade da equipa de hóquei cubana foge para os Estados Unidos

Metade da equipa masculina de hóquei cubana, que competia nos Jogos Pan Americanos, em Toronto, fugiu para os Estados Unidos, revelou, no sábado, um jogador e fontes próximas da delegação.

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Moçambique: memórias de ‘colonialistas’ e ‘revolucionários’

Mais um interessante artigo de Gabriel Mithá Ribeiro, que tenho muito gosto seja actualmente investigador integrado no Centro de Investigação do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, relacionado com a pesquisa que tem vindo a desenvolver em Moçambique: A Quinta dos Animais à portuguesa.

Entretanto, com a independência de Moçambique, em 1975, os brancos foram embora. Mas Filomena Ribeiro ficou. Continuaram a trabalhar. Segundo o velho pastor, até que num dia de 1980 apareceram na quinta, de repente, uns agentes do governo da Frelimo chefiados pela senhora Lúcia, casada com o senhor Serôdio, ambos brancos dos serviços de veterinária. Cortaram os vários acessos à quinta e só permitiram que a proprietária entrasse e saísse pela estrada da sua habitação. As demais estavam-lhe vedadas.

Sem reagir, o pastor e demais trabalhadores viram o que estava a acontecer. Não percebiam as razões e temiam a Frelimo. A quinta estava a ser expropriada. O gado levado. Só nessa transferência, das oitenta cabeças de gado que então ainda existiam, quarenta terão morrido.

No fundo, interpreto eu, era um assunto entre brancos. O habitual conflito edipiano que, por vezes, ainda ouvimos em Moçambique. Os maiores carrascos dos brancos portugueses ditos ‘colonialistas’ foram outros brancos portugueses ‘revolucionários’. Os últimos contam-se entre os que mais ativamente, à época, alimentaram o ‘anti-portuguesismo’ e a ‘ação de limpeza’ da SNASP (Serviço Nacional de Segurança Popular), a versão pós-colonial africana da PIDE.

(…)

A antiga quinta de Dúlio Ribeiro, estatizada e coletivizada, em pouco tempo deixou de produzir e poucos anos depois acabou por ser desmantelada, como muitas outras empresas.

Toma, embrulha e aprende

As pessoas – principalmente as mulheres ocidentais, com óbvias manias de superioridade  – têm que respetar a diversidade, as especificidades culturais e legais de países como o Irão ou a Arábia Saudita.

As ideias têm consequências

How British universities spread misery around the world

So farewell, Yanis Varoufakis. You used to be Greece’s finance minister. Then you resigned, or were you sacked? You took control of the Greek economy six months ago when it was growing. Yes, honestly! Growth last year ran at 0.8 per cent, with forecasts of 3 per cent this year. The government had a primary budget surplus. Unemployment was falling. Until you came along.

Varoufakis was a product of British universities. He read economics at Essex and mathematical statistics at Birmingham, returning to Essex to do a PhD in economics. With the benefit of his British university education he returned to Greece and, during his short time in office, obliterated the nascent recovery. The economy is now expected to contract by 4 per cent this year — an amazing transformation. Greece’s debt burden has increased by tens of billions and many people have emigrated.

(…)

Returning to Greece, one might think that now Varoufakis has gone, things might improve. Unfortunately his replacement is Euclid Tsakalotos, who studied at Queen’s College, Oxford. He did his doctoral thesis under the supervision of a professorial fellow who had formerly been a Stalinist apparatchik in Poland. The British contribution to human misery may not be over yet.

O plano do Syriza para sair do euro

Governador preso e ajuda russa. O plano do Syriza para sair do euro

Financial Times dá mais detalhes sobre o plano dos membros radicais do Syriza – com a benção de Tsipras – para fazer regressar a Grécia ao dracma.

No paraíso socialista

O Querido continua a tradição de olhar para as coisas na mais bem conseguida democracia popular de que há memória

O Querido continua a tradição de olhar para as coisas na mais bem conseguida democracia popular de que há memória

A idolatria ao serviço do Querido Irmão.

Ending months of speculation, Daily NK has learned that Kim Yo Jong, Kim Jong Un’s younger sister, has been put in charge of idolization projects for the leadership within the Propaganda and Agitation Department [PAD], while the head of the group, Kim Ki Nam, has been relegated to a supportive role therein.

A source close to North Korea in Japan told Daily NK on the 20th, “Kim Yo Jong is assisting in consolidating Kim Jong Un’s power, which is what her aunt, Kim Kyong Hui, once did. As vice director of the Propaganda and Agitation Department, Kim Yo Jong is actually in power and leading idolization projects related to Kim Jong Un.”

This news was corroborated by an additional source within North Korea, but for her safety Daily NK cannot release her region.

The source added that Kim Jong Un, currently in his fourth year at the helm of North Korea, directly assigned his sister to the project in order to fortify idolization projects perpetuating the regime’s cult of personality, a cornerstone of the system.

“It is said that Kim Jong Un has the utmost trust and confidence in his sister,” he asserted, speculating that Kim Jong Un saw his sister as the most apt person to undertake the task of promulgating the “Greatest Dignity,” given that she herself shares the legitimating bloodline [Baekdu bloodline] of the North Korean leadership widely and frequently proclaimed by official propaganda outlets.

Her status as his biological sister places her on a pedestal of trust amid the leader’s cycle of purges, which the source described as “indicative of Kim Jong Un’s overall lack of trust among the Party cadres surrounding him.”

# Boicote Hollande

O meu texto de ontem no Observador.

‘Há uns dias soube desta imaginativa campanha que visa convencer os indignados do mundo a boicotar os produtos alemães. Com hashtag no twitter e tudo, como toda a campanha respeitável tem por estes dias.

Tenho a informar que fiquei agradavelmente surpreendida. Também sou dessas pessoas que se recusa a gastar dinheiro no que ofende as minhas convicções. Recuso-me a dar dinheiro a propaganda socialista travestida de jornalismo, por exemplo. Só depois de tortura digna da Gestapo ponderaria gastar o meu dinheiro com o tratado francês de José Sócrates (no que, de resto, estou acompanhada de todos os portugueses, que mostraram grande maturidade literária ao fingir que a magna obra não existia). Ou, já que penso nisso, com as recentes biografias de Passos Coelho e António Costa. Sabendo a quantidade de abortos que a senhora fez, nem por 50€ compraria um quadro de Paula Rego. E por aí fora.

Como me identifico com o espírito da campanha, decidi caridosamente ajudar. Desde logo porque notei que na hashtag tuiteira, que pretendia remeter a Alemanha à pobreza mais cubana pelo boicote mundial das pessoas decentes aos seus produtos, escasseavam afinal os produtos alemães que se deviam boicotar. O mais concreto que por lá vi foi ‘No more German porn #boycottgermany’.

Fiquei com medo que, afinal, a campanha se reduza a um indignado – com banho por tomar há uma semana, barba à moda das zonas tribais do Paquistão, a mesma t-shirt preta justa de marca Boss Orange (tss, tss, alemã) vestida há quatro dias e quatro noites, a mandar um tuite anti-essa-cáfila-germânico-financeira enquanto sentado no banco aquecido do seu Volkswagen. Por isso decidi intervir, que é sempre bom ajudar pessoas a serem algo mais que revolucionários de smartphone. Aqui vão, portanto, vários produtos germânicos a boicotar.’

O resto está aqui.

No Fio da Navalha

O meu artigo no jornal ‘i’ de hoje.

A globalização é tramada

Quando Alexis Tsipras assinou o acordo com os credores, e se percebeu que o Syriza tinha traído o povo grego prometendo-lhe o que não era possível cumprir, foi manifesto o sentimento de revolta. Por cá, como é frequente entre a extrema-esquerda, a rebelião fez-se contra os credores, com a Alemanha à cabeça. Reconhecer o erro seria repensar a vida e isso não é possível entre crentes crédulos. Punir terceiros é mais fácil.

Mas até aqui o tiro falhou o alvo. Entre as várias propostas que ouvi, até por gente dita ilustre, constava o boicote aos produtos alemães: deixemos de comprar BMW, Mercedes e outros bens mais modestos e os alemães vergam-se perante nós. Sucede que há um problema. Aliás, dois.

Primeiro, é difícil obrigar 10 milhões de pessoas a não comprar produtos alemães. Mas, e em segundo, o pior é que estes não existem. Na era em que vivemos há algo que nos protege a todos dos déspotas de sofá: chama-se globalização. Devido a ela, os ditos produtos alemães são fabricados no mundo inteiro; até em Portugal, como se passa na Autoeuropa.

Comprar marcas alemãs é comprar produtos feitos em Portugal e noutros sítios. Donde, não os comprar será punir, não só os alemães, mas os portugueses e todos os outros que fabricam esses produtos. É destruir, nesses países, postos de trabalho, salários, modos de vida que existem porque os alemães, esses exploradores que poupam e investem, criaram empregos. A esquerda odeia impossíveis. Acontece que os encontramos quando não existe aquilo de que se fala.

Sobre a crise orçamental e económica do Brasil

Leitura recomendada para melhor enquadramento do meu artigo desta semana no Observador: O ‘paper’ sobre economia que está chocando quem o lê (via Michelle Fransan)

Até 2030 — ou seja, antes que um brasileiro nascendo este ano possa votar — o gasto anual do Estado brasileiro terá subido 300 bilhões de reais, uma aumento de 20 bilhões de reais por ano.

Para neutralizar este aumento de despesas, será preciso criar um imposto equivalente a uma nova CPMF a cada mandato presidencial de quatro anos (entre este ano e 2030). Para ficar claro: não se trata de renovar a CPMF a cada quatro anos, e sim de cobrar uma nova CPMF em cima da anterior, sucessivamente, a cada novo governo.

Este aumento de 300 bilhões é a soma apenas dos aumentos nos gastos com previdência, educação e saúde já contratados por conta da legislação vigente.

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O caso Lava Jato, o PT e a crise no Brasil (4)

Palavras muito fortes do candidato derrotado por Dilma Roussef: Aécio Neves. Brasil tem uma “Presidente sitiada” e PT é “organização criminosa”

Leitura complementar: “O Brasil à beira do abismo”.

“visitar Cuba antes que Fidel Castro morra”

Bryan Jones @flickr.com (edited)

Bryan Jones @flickr.com (edited)

Não sei se são das pessoas com quem convivo, mas ouço com frequência a expressão citada no título deste post. É daquelas frases em que, geralmente, o interlocutor (a grande maioria é socialista; sim, tenho amigos socialistas!) nem sequer percebe estar a transmitir uma das maiores criticas ao socialismo.

Cuba está parada no tempo. E turistas apreciam esta característica pobreza resultante do regime comunista de Fidel Castro. Porém, até o mais acérrimo socialista tem noção (mesmo que inconsciente) que apenas um sistema capitalista de troca livre e voluntária pode mudar aquele país.

A ver se há luz ao fundo do túnel: “EUA e Cuba reabrem hoje embaixadas”

O caso Lava Jato, o PT e a crise no Brasil (3)

Lula da Silva pede suspensão de inquérito sobre tráfico de influência
PGR confirma que recebeu pedido sobre investigação a Lula da Silva

Leitura complementar: “O Brasil à beira do abismo”.

Black police officer helping white supremacist at KKK rally – South Carolina

Viral Photo Shows Black Police Officer Helping White Supremacist At Ku Klux Klan Rally

The powerful photo, captured by Twitter user Rob Godfrey, shows police officer Leroy Smith helping the unidentified KKK supporter out of the sun. The older man, pictured wearing a National Socialist Movement t-shirt, is said to have been struggling in the scorching Columbia heat when Smith went to his aid.

The photo has gone viral this weekend as netizens praise the officer’s extraordinary show of professionalism and grace under such trying circumstances.

Guardiola candidato pró-independência da Catalunha

Guardiola é candidato a deputado na Catalunha

Treinador da equipa alemã Bayern de Munique, e histórico ex-jogador e ex-treinador do Barcelona, assume último lugar da lista dos movimentos independentistas.

Lula não vê diferença entre Sócrates e Passos…

… e por isso deu-se mal.

Ainda sobre o caso aqui referido pelo André, convém recordar que Lula sempre foi um amigo próximo de Sócrates. Agora, foi ter com Passos e falou-lhe de mais uma negociata. Lula falouPassos ouviu mas não deu o seguimento habitual e a privatização acabou por ser feita com a suma (notícia oficial). Tudo isto, vindo do operário que prometia por travão à corrupção, lutando pelo povo que jura amar.

Alguém imagina como teria sido decidido isto entre o grupo do amigo Carlos Silva e o do amigo Lula da Silva, fosse Sócrates ainda 1º Ministro?Soares Lula Sócrates