Arquivo da Categoria: Internacional
Notícias de um ex-Estado de Direito

No mesmo dia em que que o responsável da NSA se presta ao raro incómodo de ser ouvido na comissão permanente de inteligência da Casa dos Representantes, onde consta tem lançado algumas supostas lentilhas para tentar convencer a opinião pública americana de que o preço pelo qual venderam a sua privacidade e muitas das suas liberdades foi uma pechincha, é simultaneamente divulgada a lista dos 46 presos em Guantanamo que o governo americano diz não ter suficientes provas para condenar em tribunal, mas que pretende manter indefinidamente presos, porque são homens muito maus.
O argumento é que essa prova é insuficiente, ou que a que existe se encontra irremediavelmente comprometida por ter sido adquirida como resultado do abuso ou da coerção dos presos. Presos estes dos quais 44 se encontram em greve de fome e a ser alimentados contra a sua vontade por intermédio de sondas naso-gástricas.
É a este ponto que chegámos, em pleno Séc. XXI, e na suposta vanguarda do mundo ocidentalizado. A assistir à principal máquina de violação de privacidade por um estado a nível mundial assumir a coerção e abuso de prisioneiros a seu cargo, prisioneiros esses afastados de qualquer réstia de due process, e simultaneamente a afirmar não ter conseguido destes facínoras e homens para além de qualquer redenção um qualquer fragmento de prova que baste para provar essa maldade e culpa, e que consiga a sua condenação num tribunal.
Na suposta guerra entre o “terrorismo” e os “valores ocidentais”, não é muito difícil perceber, com tudo isto, quem é que venceu de forma retumbante.
Impulsos keynesianos à parte (Brasil)
Sem tirar nem pôr o que também se poderia concluir do EURO 2004 em Portugal, e demais obras públicas e ajudas a empresas campeãs nacionais: a soberania nacional consiste, acima de tudo, nos cidadãos de um país terem trabalho e viverem com dignidade. E já agora sem dívida pública para pagar.
Primavera tropical (3)
Brincando de Revolução. Por Rodrigo Constantino.
Ao contrário de muitos, eu não vejo nada de “lindo” em cem mil pessoas se aglomerando nas ruas. Tal imagem me remete aos delicados anos 60, que foram resumidos por Roberto Campos da seguinte forma: “É sumamente melancólico – porém não irrealista – admitir-se que no albor dos anos 60 este grande país não tinha senão duas miseráveis opções: ‘anos de chumbo’ ou ‘rios de sangue’…”
Brasil – Um caso sem Futuro ?
Saúdo o optimismo do Mário em relação ao Brasil, país em que vivi e que adoro, mas não o consigo partilhar. A história brasileira, quer em democracia, quer em ditadura, andou sempre de mãos dadas com o estatismo – e por consequência com o ISI. O socialismo fascizante de Vargas, a megalomania de Kubitschek, o namoro de Jango com Brizola, o keynesianismo dos generais, a fanfarra inflaccionária do período democrático e o socialismo proteccionista do PT são faces de uma mentalidade que abrange sectores da esquerda radical até à direita conservadora. Bem distintas, mas unidas na sua crença no estado como motor de desenvolvimento. Mesmo os governos de Jânio Quadros e do General Castelo Branco, empenhados no equilibrio das contas públicas, falharam e foram acompanhados de restrições às liberdades civis.
No Brasil a economia estagnou, asfixiada por regulações, impostos e tarifas, abafada pela crescente economia paralela, fortemente condicionada por um Estado constantemente envolvido em escândalos de corrupção. O modelo seguido pelo PT não é mais que uma hipérbole do nosso. Uma carga fiscal elevada acompanhada do esbanjamento de dinheiros públicos. O que se faz na Copa, não difere muito do que por cá se fez no Euro, mas à escala brasileira. Com tudo isto, a inflacção bate à porta e o tomate ameaça fazer companhia ao Ovo Kinder na secção de bens de luxo.
Primavera tropical (2)
a economia não mente. Por Rui A.
Apesar das juras da “presidenta” de que a economia do seu país vai bem e recomenda-se, obrigado, as pessoas já perceberam que a promessa de anos e anos de festa e de prosperidade sem fim não passou disso mesmo, de vãs promessas de políticos.
Primavera tropical
Que insurgência é esta no Brasil? Por um lado, incêndios e vandalismo pelo aumento de 20 centavos de real no preço dos transportes públicos, um aumento inferior a 7%. Denunciaria uma posição da extrema-esquerda, geralmente incapaz de reconhecer que não existem almoços gratuitos. Por outro, uma salutar e saudável oposição à obra pública megalómana, reacção legítima aos milhões empregues no emprego de reproduzir betão. Reflexão que, refira-se, faltou em Portugal.
No final do dia, não interessa o que a motivou, mas tanto o que dela emanará. A inspiração de muitos dos proponentes da Revolução Francesa eram as ideias liberais de John Locke e de Montesquieu, mas no final foram os ideais jacobinos da esquerda republicana e a repressão de Robespierre que se sobrepuseram.
Hoje, amanhã talvez, o Brasil tem oportunidade de definir um novo rumo. Ou continua a deambular no sôfrego e asfixiante progressismo socialista que teima em estancar o verdadeiro potencial do Brasil, ou se reforma para um modelo menos interventivo e mais livre, renegando aos políticos de Brasília o ónus do ditame e entregando esse poder a quem de direito — à sociedade civil. Às pessoas e às empresas que, esses sim, fazem o Brasil progredir.
Adenda: um bom exemplo da esquerda brasileira a tentar monopolizar e privatizar as manifestações, afirmando que a causa é deles, somente deles.
Surveillance State
Surveillance State: Maryland is Listening to You (Reason TV)
Cepticismo imoderado

Hassan Rohani fez parte do círculo intímo do Ayatollah Khomeini. Foi conselheiro da segurança nacional durante os mandatos de Rafsanjani e de Khatami, liderou a equipa local que tem empatado nas negociações internacionais sobre o programa nuclear iraniano. Para um outsider e moderado, não tem um percurso nada sinuoso.
Feita a resumida apresentação de Rohani, choca-se com a realidade imoderada logo no primeiro discurso, quando o novo líder aponta Israel como culpado pelos problemas económicos iranianos. Acredito que tenha uma personalidade diferente da de Ahmadinejad mas não acredito na bondade – ainda que moderada – deste milagre.
A bolha chinesa
Fitch says China credit bubble unprecedented in modern world history
China’s shadow banking system is out of control and under mounting stress as borrowers struggle to roll over short-term debts, Fitch Ratings has warned.
A “Primavera” chegou à Turquia ?
Amy Peikoff interviews Yaron Brook
Muito interessante: Amy Peikoff interviews Yaron Brook and John Bolton
“Primaveras” no Brasil e na Turquia…
Duas horas chegaram para polícia turca expulsar manifestantes de Gezi
Turquia: manifestação no domingo, greve na segunda
235 detidos em protesto contra aumento dos transportes em São Paulo
Protesto no Rio termina em confronto entre manifestantes e a polícia
Ministro da Justiça brasileiro critica actuação da polícia nos protestos em São Paulo
Confrontos se agravam nas ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro
Após confrontos, 23 cidades agendam protestos para próxima semana
Dilma vaiada na abertura da Copa das Confederações
Dilma sendo vaiada na abertura da Copa das Confederações
E o povo negou Dilma três vezes no Mané Garrincha! O que isso quer e não quer dizer. Por Reinaldo Azevedo.
É bobagem supor que o estádio inteiro vaiou Dilma e que não havia lá pessoas que apoiam o governo. É até possível que, fosse aquele o colégio eleitoral, ela ainda se sagrasse vitoriosa. Impossível saber. Uma coisa, no entanto, é certa: os que a reprovam — ou, ao menos, repudiam a exploração política de um evento esportivo — estavam lá em número suficiente para se fazer ouvir. Com certeza absoluta, a porcentagem de eleitores de oposição no Mané Garrincha é bem superior à de oposicionistas no Congresso. Pode-se inferir mais: a porcentagem de eleitores de oposição no Brasil como um todo é certamente maior do que a de parlamentares oposicionistas. Afinal, estamos lidando com um dado da história: pessoas eleitas para se opor acabaram virando casaca.
A sujeira da Baía de Guanabara
Infelizmente, tudo indica que não será apenas a sujeira da Baía de Guanabara que será impossível limpar até 2016 no Brasil: Tempo esgotado
Basta mergulhar nas águas turvas e ver o lixo espalhado pelo fundo do mar para constatar que será impossível entregar a Baía de Guanabara limpa até a Olimpíada
Como o governo Brasileiro encara o ensino da Física?
Com este livro, esperamos que você possa se apropriar do conhecimento físico, e compreender que ele é e foi historicamente e socialmente construído, bem como, perceber as relações desse conhecimento com as estruturas políticas, econômicas, sociais e culturais da sociedade capitalista. Mas, acima de tudo, que perceba sua beleza filosófica e artística revelada nos grandes princípios e nos conceitos científicos.
Fonte (parágrafo inteiro na página 11, negritos meus)
A revolução francesa não foi feita ou liderada por um partido ou movimento organizado, no sentido moderno, nem por homens que estivessem tentando levar a cabo um programa estruturado. Nem mes- mo chegou a ter “líderes” do tipo que as revoluções do séc. XX nos tem apresentado, até o surgimen- to da figura pós-revolucionária de Napoleão. Não obstante, um surpreendente consenso de idéias ge- rais entre um grupo social bastante coerente deu ao movimento revolucionário uma unidade efetiva. O Grupo era a “burguesia”; suas idéias eram o liberalismo clássico, conforme formuladas pelos “filósofos” e “economistas” e difundidas pela maçonaria e associações informais.
Mais especificamente, as exigências do burguês foram delineadas na famosa Declaração dos Di- reitos do Homem e Cidadão, de 1789. Este documento é um manifesto contra a sociedade hierár- quica de privilégios nobres, mas não a favor de uma sociedade democrática e igualitária. Os homens eram iguais perante a lei e as profissões estavam igualmente abertas ao talento; mas se a corrida co- meçasse sem handicaps, era igualmente entendido como fato consumado que os corredores não terminariam juntos. (HOBSBAWM, 2005, p.90-91) Continuar a ler
Harmonização cultural
Eleições no Irão
Uma boa notícia: Hassan Rohani, um moderado, vence presidenciais no Irão
Apresentou-se ao escrutínio com algumas propostas de ruptura com a linha oficial. Promete uma carta de direitos cívicos, uma recuperação da economia através de uma política fiscal correcta, o melhoramento das relações diplomáticas e comerciais com o Ocidente. Bagher Ghalibaf acusou-o de cedência ao Ocidente, e houve mesmo rumores de que a sua candidatura poderia ser reavaliada e o seu nome retiado da lista poucos dias antes da votação, o que não veio a acontecer.
Rafael Correa teve um sonho
As árvores do twitter na Turquia
Duas semanas depois do início dos confrontos na Turquia (parque Gezi), está encontrado o culpado. Enganam (-se) todos aqueles que lamentam a violência, a perda de liberdade acompanhada pelo fim da secularização do país.
(…)
“Twitter doesn’t have a legal basis in Turkey. They take ads but they do not pay tax in Turkey. It should establish a company compliant with the Turkish Commercial Code, like Facebook and YouTube,” the ministry officials told daily Hürriyet.
Leitura complementar: Turquia: a arte de colocar árvores na fervura.
But who would help the homeless?
Man charging homeless people hugs for haircuts gets kicked out of park (Fonte)
Mais uma vez o Estado elimina a concorrência no apoio aos mais necessitados.
Para depois perguntar: Mas e se não existisse Estado, quem apoiaria os necessitados? É apenas mais um exemplo…
Yes We Scan
Imagem
Roadmap para o incumprimento
Relatório do FMI fala de cortes de 4700 milhões até 2014
Barroso critica agências de rating por não melhorarem classificação de Portugal
FMI diz que choques adversos “plausíveis” podem levar dívida pública aos 140% do PIB
FMI admite deixar cair TSU sobre pensões em troca de medidas equivalentes
FMI alerta para consenso político e social “significativamente mais fraco”
Leitura complementar: Inevitável.
UN climate delegates and global warming
UN climate delegates unaware global warming stopped 16 years ago
Mais dinheiro, mais vícios
Troika para drogados. Por Vitor Cunha.
Sobre matéria relacionada, recordo o meu artigo publicado ontem no Diário Económico: Inevitável.
Desporto escolar
Crianças palestinas num campo militar de Verão promovido por uma Jihad islâmica a sul da Faixa de Gaza. Milhares de crianças entre os 6 e os 16 participam no campo de Verão onde recebem treino militar e religioso. Fotografia tirada a 12 de Junho de 2013. (Fonte: SAID KHATIB/AFP/Getty Images/Newscom).
Tudo normal, portanto.
Ubiratan Jorge Iorio
Inevitável
Para memória futura, aqui fica o texto integral do meu artigo publicado ontem no Diário Económico: Inevitável Continuar a ler
O que é um Dux?
Durante anos pensei que não havia equivalente em Inglês. Mas ao ler sobre Forstall descobri que há: Valedictorian. Como é escolhido e o que faz – nos EUA e aqui – diz muito sobre as respectivas culturas…
Novas oportunidades

Via Luciano.
Na União Soviética eles também não existiam!
O parlamento russo, ou a dúbia entidade proto-democrática que se assemelha a um parlamento na Rússia, votou massivamente (434-0) a favor de uma lei da autoria de Vladimir Putin que torna ilegal dizer às crianças que existem homossexuais ou tão simplesmente dizer que eles são idênticos, em matéria de direitos, aos heterossexuais. As consequências para tamanha desfaçatez serão coimas, prisão ou mesmo deportação da terra mãe. Nada que se compare, contudo, ao vil vitupério de uma sexualidade diferente.
Tal notícia só causará espanto aos mais incautos. É já uma tradição secular russa, bem executada durante a União Soviética, a de dar sumiço aos homossexuais. Como se torna difícil albergá-los a todos, opta-se pelo sumiço virtual. Orwell está mesmo em voga.
Será também curioso observar a reação (ou ausência dela) do PCP a esta notícia.
Perante uma montanha de má dívida, lançar dinheiro fresco para o problema não é uma boa solução
Hoje, no Diário Económico, um artigo meu sobre o FMI, a Grécia, Portugal e as perspectivas de incumprimento: Inevitável.
A propósito, recomendo a leitura (ou releitura) de um texto que escrevi em Maio de 2012: Greece and the eurozone: staying in may be riskier than exiting.
Obama e Orwell
A Constituição E A Retórica Não Pagam Contas
E se a Alemanha sair do euro ?
German court case could force euro exit, warns key judge
Crucial hearings on the eurozone’s bail-out policies at Germany’s top court this week could set in motion events that force Germany’s withdrawal from the euro, a leading judge has warned.






