O Insurgente

Agosto 25, 2010

A experiência de Mark Boyle e o capitalismo

Filed under: Double standards,Economia,Media,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 14:35

Capitalismo à prova. Por Elisa Lucena Martins.

Em seu ensaio “Eu, o lápis: minha árvore genealógica”, Leonard Read ilustra como indivíduos que nem mesmo se conhecem e que moram a enormes distâncias ao redor do mundo são capazes de produzir bens da maneira mais eficiente. A ideia de Boyle é planejar e controlar o que produz e consome. Mas planejamento algum pode substituir a eficiência gerada pelo dinamismo do capitalismo.

A busca da autossuficiência é ineficiente. Boyle quer voltar à natureza: produzir o que come e construir o que usa. Mas, embora proporcione maior satisfação a ele, a experiência mostra como produzir ineficiência e desperdício — exatamente o oposto do que ele se propôs a provar.

12 Comentários »

  1. Já desde Adam Smith e David Ricardo que se fala das vantagens na especialização. Aliás, uma das grandes vantagens do sistema capitalista é que é um sistema eficiente de produção. Sei que estes autores têm uma agenda ideológica por trás, mas pronto, não podendo objectivamente dizer que existe um sistema de produção mais eficiente que o capitalista, dizem subjectivamente que são mais felizes assim…

    Comentário por Nuno — Agosto 25, 2010 @ 18:14

  2. É lamentável confundir capitalismo com divisão social do trabalho que, já agora, o socialismo e, em menor escala, o anarquismo também advogam.

    Comentário por Fernando — Agosto 25, 2010 @ 18:47

  3. Já agora, o comunismo, traduzido por exemplo em cidades inteiras que se dedicavam à produção de tractores (o caso da Ucrânia), reuniam as várias unidades necessárias à sua produção nas redondezas. Essa planificação – claro que era em grande medida autoritária – traduzia-se numa eficiência (possivelmente) superior ao mercado livre. Daí que para advogar “eficiência”, tem de se ter cuidado com o que quer dizer (i.e. não reduzir tudo a uma função custo, o que torna a China no país mais eficiente da actualidade, modelo que certamente os liberais não querem seguir).

    Comentário por Fernando — Agosto 25, 2010 @ 18:55

  4. Há um artigo do Gene Callahan muito bom à volta desse tem “The Nation That Lost Its Jobs (but got them back)”

    Comentário por Helder — Agosto 25, 2010 @ 20:34

  5. [...] A experiência de Mark Boyle e o capitalismo [...]

    Pingback por A experiência de Mark Boyle e o capitalismo II « O Insurgente — Agosto 25, 2010 @ 20:41

  6. Não entendo porque não vejo os meus comentários publicados.

    Comentário por Fernando — Agosto 25, 2010 @ 21:34

  7. Quando tenta publicar várias vezes o mesmo comentário o askimet classifica-o automaticamente como spam. Tenha mais calma.

    Comentário por Miguel — Agosto 25, 2010 @ 23:01

  8. Caro Fernando

    os exemplos que menciona são pertinentes.

    Foi Mark Boyle que tentou provar que os princípios que regem o capitalismo estão errados, vivendo por um ano sem dinheiro, logo, tendo que ser auto-suficiente. Assim, é o autor que confunde divisão de trabalho e até sistema de trocas com capitalismo. Para um economista, não está nada mal.

    E, sendo verdade que também o comunismo advoga a divisão do trabalho, a “forma de o dividir”, traduzido na questão “o que produzir” é que tem respostas diferentes nos dois sistemas: no comunismo, através do planeamento central; no capitalismo, através da “mão invisível”. E aí, como a Elisa Lucena Martins o diz e é demonstrado pela História, “planejamento algum pode substituir a eficiência gerada pelo dinamismo do capitalismo”.

    Em relação à China, não sei onde foi buscar essa ideia. Embora o seu PIB a coloque como a 2º, o seu PIB per capita permanece muito baixo, estando apenas na 96ª posição (tudo dados do Banco Mundial respeitantes a 2008). Ou seja, a China é de facto muito grande, mas também ainda é muito ineficiente na sua globalidade. E o milagre chinês, se a alguma coisa se deve, foi à gradual abertura à “mão invisível”, iniciada em 1978 com o fim da colectivização da agricultura, à permissão de abertura de pequenos negócios privados e à entrada de capital estrangeiro e, no início dos anos 90, a um conjunto de privatizações e desregulamentações que permitiram que, em já em 2005, o sector privado chinês já fosse responsável por 70% do PIB (isto segundo o National Economic Research Institute da da própia China)

    Comentário por Nuno — Agosto 26, 2010 @ 00:35

  9. Elisa Lucena Martins teria de ter em conta que nunca houve um país comunista com condições industriais tão avançadas como os rivais capitalistas contemporâneos, pelo que dizer que a História o demonstra é simplesmente absurdo. E já que falo nisso, a Rússia pós-revolucionária desenvolveu-se, sem margem para dúvidas, mais rapidamente (ou com maior eficiência, como preferir) que o Portugal daquela época.

    Depois, o próprio conceito de “desenvolvimento” tem muito que se lhe diga. A quantidade de pessoas que existem no mercado da publicidade é, nada menos, que desperdício de mão-de-obra, alocada pelo mercado e que o ajuda de facto a trabalhar, daí a percepção de ser um trabalho útil. Assim como a quantidade de pessoas que existem na distribuição de bens (mais uma vez e enaltecendo a divisão do trabalho: numa grande cadeia de supermercados o rácio material vendido / trabalhador é superior a um pequeno supermercado).

    Comentário por Fernando — Agosto 26, 2010 @ 11:33

  10. Só me referi à China e a Singapura para mostrar que certas formas autoritárias de capitalismo podem ser mais eficientes que outras. De resto, não é de esperar que uma China consiga crescer tanto quanto uns EUA imperialistas, apostados em sugar os recursos naturais de países menos desenvolvidos desde que são nação.

    Comentário por Fernando — Agosto 26, 2010 @ 12:14

  11. com q entao a china nao tenta saquear os recursos d paises d 3o mundo?
    Em angola, uma boa parte das empreitadas publicas feitas por empresas chinesas usa mao d obra chinesa nao renumerada(presidiários).. Capitalismo autoritário?
    Such beautiful name ..

    Comentário por andrecruzzz — Agosto 26, 2010 @ 16:48

  12. #10 e #11

    e as obras públicas em Angola feitas por empresas chinesas são pagas em petróleo a um preço contratado. Muito abaixo do preço de mercado como tinha que ser

    Comentário por Helder — Agosto 26, 2010 @ 17:22


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