Um Macron português?

Artigo de Sebastião Bugalho com análises minhas e de Lívia Franco, Nuno Garoupa, Pedro Magalhães e Alexandre Homem Cristo: Quem seria o Macron português?

O SOL falou com académicos e analistas. A equação não é fácil. Num Portugal em que nenhum partido consegue uma maioria absoluta há mais de dez anos, o centro vai-se reinventando, mas a combinação ‘macroniana’ anda longe. Será para sempre?

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O milagre

A minha crónica no ‘i’.

O milagre

De acordo com o INE, a economia portuguesa cresceu 2,8% no 1.o trimestre deste ano. Foi o melhor trimestre desde 2010. Enquanto a esquerda rejubila, a direita vacila. Afinal, António Costa conseguiu. Mas conseguiu o quê? Reduzir a dívida pública? Não: esta continua a aumentar, o que significa que o país está mais pobre. Aplicar o programa de governo que apresentou às eleições de 2015? Não: tirando a distribuição de benesses pelo seu eleitorado tradicional, o PS limita-se a seguir a receita do anterior governo: impostos altos enquanto espera pelas exportações.

Conseguiu António Costa reformar o Estado, o mantra que todos, da esquerda à direita, nos disseram ser indispensável e que de repente esqueceram? Não: este governo não apresentou nenhuma reforma, limitando-se a um exercício de gestão pública. Imaginemos um barco cheio de buracos que, num período de acalmia em pleno mar alto, não faz reparações, convencendo-se de que está tudo bem porque o vento corre de feição.

Bem sei que é aborrecido ser desmancha-prazeres, mas eu gosto de viver de cabeça levantada. Podemos convencer-nos de que, num passe de magia, tudo se resolveu. E sem que se tenha feito nada. É verdade que o Papa foi a Fátima no dia em que o Benfica venceu o tetra e Portugal ganhou a Eurovisão, mas a nossa inteligência, o nosso discernimento ainda consegue impor limites.

A liberdade de consciência, que está em não nos deixarmos levar pela propaganda, é o que nos dá força para servir o país quando os optimistas o abandonarem.

Recordar o Novas Oportunidades

Porque o actual Governo se prepara para recauchutar e recuperar o Novas Oportunidades, um dos maiores embustes na fabricação de notas a gosto, convém recordar alguns dos efeitos colaterais da coisa. Aqui está um.

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O Governo placebo

(artigo publicado hoje no Jornal Económico)

Jorge Bergoglio, o responsável máximo da Igreja Católica mais conhecido pelo seu nome artístico de “Francisco” e expoente máximo da moderna falsa “autenticidade” dos afectados “afectos” e dos afortunados que vêem virtudes na pobreza que não têm de suportar (da qual o nosso Presidente é o maior representante local) veio a Portugal participar num mega-evento televisivo na Cova da Iria, e um pouco por todo o país, os funcionários públicos aproveitaram a ocasião para gozarem um dia de férias extra o mais longe possível das festividades. Tudo porque o Primeiro-Ministro António Costa resolveu aproveitar o pretexto da “excepcionalidade” da visita papal para contentar a referida (e vasta) clientela com um dia de “tolerância de ponto”, revelando o carácter e natureza do seu Governo.

Num artigo recente, intitulado America’s Placebo President? – “O Presidente Placebo da América?” – Tyler Cowen argumentava que o apelo de Donald Trump junto dos seus eleitores se deve não tanto à substância das suas políticas ou aos resultados que delas esperam, mas da forma como o primeiro Presidente laranja dos EUA, com a sua “retórica” e postura mediática, lhes “sinaliza” que está do seu lado nas “guerras culturais” americanas. Por outras palavras, Cowen acha que Trump apela aos seus fãs não porque eles esperem que ele melhore as suas vidas, mas porque os faz sentir melhor, oferecendo-lhes com a sua pessoa “uma voz pública” e “a ilusão de maior controlo sem o controlo propriamente dito”.

O governo de Costa, no fundo, serve um propósito semelhante, ajustado à medida do nosso provincianismo e pobreza relativa. Ninguém, no seu perfeito juízo (o que já limita de forma mais ou menos significativa o universo de portugueses a que isto se aplica), acredita mesmo que as políticas que Costa e os seus subalternos têm aplicado vão trazer uma grande prosperidade ao país, conseguir um “crescimento” que se veja ou “modernizar” o que quer que seja. No entanto, a crer nas sondagens, há uma satisfação geral com a governação socialista, ou, no mínimo, uma indiferença generalizada em relação à sua inconsequência. Não seria de espantar que tal se devesse ao facto do Governo, com as suas “devoluções”, “reversões” e proclamações de “virar da página da austeridade”, estar, embora sem nada fazer para realmente resolver qualquer um dos problemas estruturais que nos atormentam e mantendo o “livro” da dita “austeridade” bem aberto (com algumas clientelas poupadas ao esforço), a sinalizar que “os tempos difíceis” já passaram: Costa, os seus validos, e “idiotas úteis” (para usar o termo técnico) como os faladores do BE (o PCP presta-se menos a tais figuras) oferecem aos portugueses uma “voz pública” para o seu cansaço com os vários “apertos de cinto” que têm sofrido nas últimas décadas e com as exigências da “Europa”, e uma “ilusão de maior controlo” sobre o seu futuro económico e financeiro, mesmo que “sem o controlo propriamente dito”. A “tolerância de ponto” não serve apenas para dar um rebuçado aos funcionários públicos: serve para que os portugueses sintam que as coisas já não estão tão complicadas como estavam há uns anos atrás, mesmo que nada tenha realmente mudado.

Diga-se que o Governo anterior não era muito diferente: a sua retórica reformista escondia uma política profundamente imobilista, com a qual aos “cortes” (de salários ou pensões) ou “aumentos” (de impostos) não correspondiam medidas estruturais com efeitos duradouros. Se o governo actual oferece “tolerâncias de ponto”, o anterior “acabava com feriados”, uma medida irrelevante mas que sinalizava, sem afectar qualquer interesse realmente poderoso, que as coisas não podiam continuar como nos tempos da fraude “socrática”, dando uma “voz pública” à necessidade de maior rigor e uma “ilusão de controlo” perante a bancarrota sem que nada fosse feito que prevenisse a sua repetição no futuro.

É esse, aliás, o grande problema dos governos que sucessivamente nos têm pastoreado: todos eles se comportam como um médico que acha que a melhor forma de lidar com uma doença de um paciente é mascarar-lhe os sintomas, em vez de efectivamente a tratar. Durante uns tempos, há mesmo quem acredite que está tudo bem. Mas mais tarde ou mais cedo, acabamos sempre por descobrir que esse está longe de ser o caso, e que pagaremos cara a falta de juízo e honestidade de quem os deveria ter.

A solução final dos trabalhistas

Podia ser uma anedota mas é apenas a realidade. Vai ser animada a campanha dos neo-comunistas britânicos.

A senior aide to Len McCluskey has been installed at Labour HQ to oversee Jeremy Corbyn’s final push in the general election campaign.

Andrew Murray, chief of staff to the Unite general secretary, is heading up the Labour leader’s campaign team under a special secondment from the union, senior sources have confirmed to HuffPost UK.

Murray is a long-standing friend and ally of Corbyn and ex-chair of the Stop the War Coalition which led protests against the Iraq war. (…)

 

Confrontar os impunes

O meu artigo no Jornal Económico.

Confrontar os impunes

É sabido que, tanto Marine Le Pen como Catarina Martins, pretendem que França e Portugal saiam do euro. A líder do Bloco de Esquerda chegou a dizer, em Março, no final da reunião da Mesa Nacional do BE, que “é urgente preparar o país para o cenário de saída do euro ou mesmo do fim do euro”.

Nesse dia foi mais longe. Chegou a declarar que Portugal “tem de ter capacidade de defender a capacidade produtiva da sua economia, o seu emprego e o seu Estado Social”, apontando como prioritária a “reestruturação da dívida soberana, o investimento público, e o controlo público da banca e dos sectores estratégicos da economia”. Não, não era Marine Le Pen; era mesmo Catarina Martins. A líder do BE é da extrema-esquerda portuguesa que, na economia e nas políticas sociais, defende o mesmo que a extrema-direita francesa.

Ao mesmo tempo que diz o que diz sobre o euro e a reestruturação da dívida, o BE fecha com o PS um relatório sobre a dívida pública que propõe mais ou menos o mesmo que PSD e CDS advogaram no decorrer da anterior legislatura. O que era uma submissão à Alemanha, é agora perfeitamente aceitável. Alguns jornais registam a diferença, mas ninguém, jornalista ou político, confronta Catarina Martins com a verdade que é a mentira do BE.

Há anos que o BE mente aos portugueses, tal como a Frente Nacional faz aos franceses. Mas se em França, Marine Le Pen é confrontada com as suas incoerências, em Portugal nada se passa. Por cá, a impunidade ideológica grassa. É essa impunidade que permite à extrema-esquerda dizer as maiores atrocidades e de seguida fazer o oposto como se nada fosse.

Desde Novembro de 2015 que vivemos num pântano silencioso. É o regresso do pântano de que Guterres fugiu, exilando-se numa instituição humanitária. O silêncio que pactua com o que está errado, porque é conveniente; por ser inconveniente desafiar as prioridades estabelecidas pelas elites que subsistem num país manso, silencioso, pacato e ordeiro.

O silêncio tem ainda outra consequência nefasta: apaga a verdade. Tal como no Estado Novo sobre o futuro do império, também agora a maioria crê no que lhe mostram e não se questiona. Quando não se pergunta, não se pensa. A Alemanha ganha com o euro porque sim e não porque fez reformas que nós recusámos. Não foi a austeridade, ou melhor, um mais sério controlo dos gastos do Estado que reduziu o desemprego, mas este Governo apoiado pelo PCP e pelo BE.

A maioria acredita porque quer, embora saiba que não é verdade. Quando a verdade não existe, o país vive uma realidade alternativa criada pelos que governam em prol das consciências dos que se deixam ir. Este silêncio só termina quando cada um de nós, em consciência, o recusar e exigir melhor.

Não querer saber é lixado

Constança Cunha e Sá disse ontem na TVI 24 que os indicadores económicos mostram que as coisas correm bem ao governo: há crescimento, há criação de emprego (a maior criação de emprego da Europa, em Março), o défice é o mais baixo da democracia e etc. Há apenas um pormenor que Constança Cunha e Sá esqueceu: é que a dívida pública continua a crescer.

Apesar do que se passou nos últimos anos muitos comentadores ainda não compreenderam que, se com crescimento económico e criação de emprego, a dívida sobe é porque o país não está mais rico, mas mais pobre.

Le Pen, nacionalismo e “globalismo”

Celebrando a derrota de Le Pen… com interrogações europeístas. Por João Carlos Espada.

A primeira grande globalização da era moderna foi iniciada por um Estado-nação — e receio ter de recordar que era já nessa altura bastante antigo e se chamava Portugal. Em seguida, inúmeros estados-nação da Europa seguiram o caminho da globalização — incluindo a Espanha, a Holanda, a Inglaterra e a França, para citar apenas alguns. Depois da derrota da ilusão pós-nacional de Napoleão e depois do Congresso de Viena, em 1815, a Europa e o mundo experimentaram um período sem precedentes de comércio livre baseado em estados descentralizados — que só foi ultrapassado depois da queda do império soviético, em 1989.

Por outras palavras, não vejo qualquer razão empiricamente testável para dizer que o sentimento nacional se opõe necessariamente ao comércio livre e à globalização. Mas há razões para temer essa infeliz dicotomia entre “nacionalismo versus globalismo”: se as pessoas que sentem um legítimo orgulho nacional continuarem a ser confrontadas com essa dicotomia enganadora, podem acabar por escolher o protecionismo — pensando que estão a optar pelo sentimento nacional.

A morte anunciada do Partido Socialista em França

Ex-primeiro-ministro Manuel Valls é candidato por Macron

“Este Partido Socialista está morto. Faz parte do passado. Temos de o superar”, afirmou Manuel Valls, que confirma que será candidato em junho pelo movimento de Macron.

França: Le Pen a uma crise económica de ganhar presidência

Se hoje é quase garantido que Marine Le Pen não vencerá as eleições presidenciais em França, o maior receio naquele país deve ser não o resultado de hoje mas a crescente popularidade dos candidatos​ extremistas. E bastará uma crise económica para eleitorados, desiludidos com o falhanço de socialismos moderados e centralistas (de esquerda e direita), moverem-se para os extremos do espectro partidário.

Até pode acontecer algo semelhante à Grécia ou Portugal (em que partidos de extrema-esquerda, quando no Governo, tornaram-se mais pragmáticos). No entanto, há sempre a possibilidade  de candidatos extremistas implementarem o prometido durante a campanha​ eleitoral. 

Durante tempos de dificuldades económicas é evidente o aumento dos “crentes” em soluções ainda mais estatistas e utópicas. Vamos ver como correm próximos 5 anos. Le Pen (ou qualquer outro candidato da Frente Nacional) aguardam a oportunidade. Para o evitar, a aposta deve passar por desmarcarar todas as consequências dos vários socialismos, desde os moderados (de governação) até aos extremos (de esquerda ou direita).

Como derrotar Rui Moreira

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Segundo a imprensa nacional, Rui Moreira trocou as voltas ao PS, o  que é um tremendo exagero. O Presidente da CMP deixou os papagaios que dirigem o partido do governo fazer o que estes de melhor fazem, retirando daí o respectivo casus belli. O PSD, à falta de candidato para as duas principais cidades do país, regozijou-se de imediato. Passos Coelho ergueu-se do mundo dos mortos para onde a insignificância do seu discurso e da sua estratégia política o conduziram para arremessar uma bicada ao Partido Socialista e os seus correlegionários, no Porto, abrem champanhe. Mas aqui colocam-se vários problemas que, a meu ver, ainda não surgiram à massa laranja.

Em primeiro lugar, e apesar das circunstâncias, o PS tem um candidato conhecido da cidade, com obra feita – não estou aqui a avaliar a mesma – neste mandato. Ser-lhe-á complicado atacar Rui Moreira, mas o PSD aqui não fica em melhor figura, pois desta feita tem uma figura de peso que, neste xadrês autárquico, pode e deve apostar, não na derrota de Moreira, mas na derrota do PSD, procurando o segundo lugar.

Ao mesmo tempo, o já aparvalhado e oco discurso do PSD Porto perde fogo – se é que alguma vez o teve. E por isso, com uma amabilidade que não me é característica, elenquei algumas hipóteses, partindo, é claro, do que o PSD já tem demonstrado ser o seu foco: acusar Rui Moreira de coisas.

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O fim do PS

A minha crónica, ontem no ‘i’.

O fim do PS

Esta terça-feira, Manuel Valls, o ex-primeiro-ministro de François Hollande que tentou ser candidato do PS às presidenciais francesas, declarou que o Partido Socialista deve mudar. À pergunta se é o fim do PS, Valls respondeu: “Oui, je l’ai dit.”

O fim do PS. O fim do partido que Mitterrand criou à sua imagem e semelhança para o levar ao Eliseu. O fim do partido que serviu de inspiração ao PS português, fundado por Mário Soares. O fim de uma época em que uma ideologia política viveu do dinheiro fácil que, quando terminou, foi apontando como o fruto pecaminoso do neoliberalismo.

Emmanuel Macron pode vir a ser o novo senhor da França, como De Gaulle e Mitterrand o foram na sua época. Há meses que o seu movimento En Marche! está no terreno a preparar as legislativas de Junho. Macron já abriu as portas a Valls, com a condição de este sair do PS. Já Os Republicanos encaram as legislativas como uma forma de sobreviverem, formando governo. Ainda não tomou posse, mas já tudo gira à volta do homem que renega o socialismo.

Que terá um mandato duríssimo sob pena de, daqui a cinco anos, seguir o mesmo rumo de Hollande. O que não acontecerá caso o homem que mudou os partidos franceses imponha as suas políticas, como fez com a sua presença. E não tenhamos dúvidas: o que sucedeu ao PS francês, vitorioso há cinco anos, pode acontecer ao português, agora tão optimista. Quando a realidade muda não há volta a dar, por muitas benesses que dêem. Quem paga, farta-se.
E quem recebe, não havendo mais, muda-se.

O proteccionismo e o socialismo nacionalista de Marine Le Pen

Daniel Hannan, como quase sempre, spot on: Marine Le Pen is winning votes by pushing rhetoric that caused France’s problems

Protectionism inflicts the greatest harm on the least well off – who are often, paradoxically, its supporters.

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Macron arrisca-se a perder

Emmanuel Macron has taken French voters for granted. Now he risks defeat. Por Olivier Tonneau.

In theory Macron should beat Marine Le Pen hands down. But he has little commitment from the electorate

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O socialismo de Cristas strikes again

Mas as pessoas do CDS enlouqueceram?! Fiquei boquiaberta com esta notícia. Agora quer o CDS como bandeira o valor do trabalho – quando devia preocupar-se com condições para aliviar as empresas de custos desnecessários, inúteis, consumidores de recursos e, lá está, inimigos da produtividade e da acumulação de capital, que é o que melhora salários e condições de trabalho?! Terão noção que só perdem votos à direita com esta converseta e não ganham um único voto à esquerda? Farão ideia do que é o eleitorado preferencial de um partido de direita?!

E a ideia da sabática é do mais ridículo e diletante que já li. Devem supor que todos os trabalhadores são gente com possibilidades de ir fazer um mestrado ou uma pós graduação para enriquecer o CV. Quando, na verdade, para a maioria dos trabalhadores – pouco escolarizados e muito indiferenciados – parar de trabalhar por algum tempo é suicidário, sobretudo depois dos quarenta anos. De resto se o CDS se preocupa com os trabalhadores, devia informá-los como prejudica uma futura contratação alguém ter estado todo o tempo do subsídio de desemprego sem trabalhar, nunca incentivá-los a parar por seis meses para um tempinho de enriquecimento pessoal ou – delírio completo ( o país está cheio de gente capaz de se sustentar seis meses sem trabalhar) – lazer. Só falta darem o passo seguinte e proporem que este tempo agradável seja pago pelos contribuintes.

Enfim, Assunção Cristas sempre se gabou de ser pouco de direita e pouco ideológica, mas isto é abuso.

Le Pen e o “sapo” Macron

À esquerda, custa engolir um sapo chamado Emmanuel Macron

Le Pen “rouba” minuto e meio de um discurso de François Fillon

Varoufakis pede voto em Macron, que “quis salvar a Grécia”

Le Pen ganha terreno a Macron a dias das eleições

As coincidências do circunspecto Porfírio

Por um tuit do Miguel Noronha descobri que Porfírio Silva me dedicou na quinta feira passada alguma atenção por causa do meu texto dessa semana no Observador. Quer dizer, Porfírio garante não me prestar atenção nenhuma (é uma pessoa muito importante e com o tempo inteiramente preenchido de afazeres daqueles life changing para 73,8% da população mundial, como se verá), mas é obrigado a isso involuntariamente quando pessoas más das suas redes sociais lhe ferem os sombrios olhos (porque carregados com a missão de salvas o mundo através do socialismo da geringonça, e isso é tarefa que ensombra tudo, como se sabe) com a exibição dos meus malévolos escritos. E assim Porfírio lá tem, contra a sua vontade, de me acusar – num texto em que basicamente elenco posições de apoiantes da geringonça sobre Hollande e Venezuela – de ser intelectualmente desonesta, se não mesmo desonesta e ponto final. Porque sou eu desonesta? Inventei alguma posição ou citação? Porfírio, esse espírito arguto que acusa de desonestidade quem descreve corretamente posições alheias, não explica.

Mas sabem o que tem mais piada? Nem é o facto de Porfírio – esse grande ideólogo da geringonça, e uma das pessoas reles que acusou claramente Passos Coelho de usar o cancro da sua mulher para benefício eleitoral – me dar afinal tanta atenção que um dia, não faço ideia quando, porventura depois de eu ter mostrado as suas ideias no Observador, ou lá referido o soez ataque a Passos Coelho, me ter procurado no twitter (porque eu não interagi com ele e nem o seguia) e me ter bloqueado. Afinal Porfírio bloqueia muita gente, todos aqueles que não lhe reconhecem a superioridade ideológica e a genialidade, não devemos valorizar.

Não, o que tem mais piada foi o ataque de Porfírio à minha querida pessoa (porque a desonesta era eu, não o meu texto) ter vindo na quinta-feira, depois da yours truly, na quarta-feira à noite anterior, na assembleia de freguesia a que pertenço, ter dado Porfírio Silva (que não me liga nenhuma) como exemplo de eleito pelo PS que, apesar de deputado à AR, bloqueia quem o escrutina. Mas estou certa que se tratou apenas de uma coincidência, que no PS não se entregam à coscuvilhice do que se passa na assembleia da minha freguesia e que Porfírio não é assim tão thin skinned, uma espécie de Trump em versão filósofo, que não percebe que a sua posição o obriga a estar acima de certas coisas e das respostas pavlovianas. De resto, se não fosse coincidência e fosse mesmo uma resposta, no seu facebook Porfírio provavelmente teria incluído também uma ameaça de bofetadas, qual Ascenso Simões e João Soares, que parece ser a reação por defeito dos socialistas a tudo.

Quanto às acusações que me faz, já se percebeu, aquando do caso de Laura, mulher de Passos Coelho, que Porfírio acusa os outros daquilo que ele próprio é e do que é capaz.

A UE, o sentimento nacional e os populistas

União Europeia: uma perspectiva pluralista. Por João Carlos Espada.

Uma possível explicação — talvez à primeira vista paradoxal — consiste em dizer que esse crescimento do populismo não corresponde necessariamente à radicalização dos eleitorados. O crescimento do populismo pode simplesmente corresponder à exploração pelos populistas de temas não necessariamente populistas que têm sido esquecidos pelos partidos centrais. Refiro-me sobretudo a temas relacionados com o sentimento nacional e a devolução de poderes do centro para as comunidades locais — que, no caso da UE, são basicamente os Parlamentos nacionais.

Deputedo lunático?

Aqui há uns tempos a.g. (Antes da Geringonça) um eminente deputado da ala lunática socialista afirmava que o Estado não faz crowding out do crédito disponível.

Em Fevereiro deste ano, a dívida das empresas não financeiras aumentou em 1,4 mil milhões de euros, destes 1,4 mil milhões as empresas públicas são responsáveis por 1,3 mil milhões e têm nesta altura 43% do stock total de dívida das ditas empresas. Ah! Mas a Carris é nossa! Ora merda pra isto mais os lunáticos.

Le Pen e a humilhação da França

A humilhação da França. Por Vasco Pulido Valente.

O que ficou à França da sua antiga “grandeza”? Como se reconhece o patriota médio, nesse país endividado, fraco, na prática submetido à autoridade financeira da Alemanha e há dezoito meses em Estado de alerta por causa de uma série de atentados terroristas? Não se reconhece; e o “chauvinismo” francês, que continua tão vivo e violento como de costume, abafa de cólera.

A sra. Le Pen não irá provavelmente ganhar. Mas ganhe ou não, a desforra da presente humilhação da França, essa, é mais do que certa.

Braços para trabalhar na Função Pública – em que ficamos: Sobram ou Faltam?

Tentando seguir o fio histórico dos acontecimentos:
1 – Os funcionários do Estado trabalhavam 35 horas semanais e os trabalhadores do sector privado 40. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantiam que isto não significava qualquer entorse ao princípio da igualdade.
2 – O tenebroso governo de Passos Coelho decidiu que os funcionários públicos deviam trabalhar a barbaridade de 40 horas semanais, equiparando o tempo de trabalho ao que é prestado no sector privado.
3 – O governo patriótico de António Costa reverteu a medida, regressando os funcionários públicos a um horário semanal de 35 horas. Os trabalhadores do sector privado continuaram nas 40 horas. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantiram que isto não significava qualquer entorse ao princípio da igualdade. As mesmas pessoas garantiram que a redução do horário de trabalho não implicava quaisquer custos acrescidos para o Estado (e para os contribuintes) e que as horas perdidas de trabalho, em rigor, não eram necessárias.
4 – O governo patriótico de António Costa prepara-se para integrar na função pública dezenas de milhares de precários com os respectivos custos para os contribuintes. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantem que o trabalho destes precários é absolutamente necessário apesar de terem jurado que as 5 horas a menos que os funcionários públicos trabalham agora por semana não eram de todo necessárias.
5 – Ninguém pergunta, ninguém questiona. Ninguém quer saber.

Gostava de ter sido eu a escrever mas não fui. Foi Rui Rocha. E muito bem.
Depois perguntam porque a imprensa está em queda de finanças e de popularidade.

A roleta russa da dívida

Jogar à roleta russa com a dívida pública? Por Joaquim Miranda Sarmento.

Em matéria de Finanças Públicas, o que ressalta em primeiro lugar é a evolução que é apresentada para os próximos 20 anos. O relatório estima um défice orçamental nominal de -0,5% após 2019 (um pouco melhor até 2022 e assumindo -0,5% após 2022). Trata-se de um cenário ambicioso, embora abaixo das previsões apresentadas no Programa de Estabilidade há três semanas atrás (e com um défice orçamental de -0,5% dificilmente se cumpre o objetivo do saldo estrutural). Mas o relevante aqui é que, de facto, já ninguém se atreve a defender défices orçamentais. Pelo contrário, este relatório, ao invés de optar por uma política de rutura, com “reestruturação” e expansionismo orçamental, opta por cumprir as regras orçamentais. É aquilo que dizia há umas semanas: a rendição aos “conservadores orçamentais”. Ainda bem!

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“Compreender para Mudar o Estado a que chegámos” – Dia 2 no Porto

No próximo dia 2 de Maio, Terça-feira, pelas 9:30 da manhã, estarei na Universidade Lusófona do Porto para, conjuntamente com Emídio Sousa, Presidente da Câmara de Santa Maria da Feira e do Conselho Metropolitano do Porto, apresentar o mais recente livro de José Manuel Moreira: Compreender para Mudar o Estado a que chegámos.

Mentira ou ignorância?

O maior comentador português falou e disse. Por João Miguel Tavares.

Porque é que Pedro Marques Lopes mente, então? Sejamos generosos: talvez não tenha mentido. Ele às vezes simplesmente não sabe.

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Portugal: Um país a caminho da auto-extinção

Número de filhos nascidos de pais que não vivem juntos duplica em seis anos

Portugal continua com um saldo natural negativo. Ou seja, confirmando as tendências dos últimos anos, em 2016 houve mais gente a morrer do que a nascer, fazendo com que a população diminua pelo oitavo ano consecutivo. Do total de 87.126 crianças nascidas, 52,8% são filhos “fora do casamento”, ou seja, de pais que não estão casados. Aumentou a proporção de filhos nascidos de pais que não vivem juntos: quase duplicou em seis anos, passando de 9,2% em 2010 para 17,1% em 2016. No ano passado, 35,7% dos nascidos eram filhos de casais que coabitam.

WTF?

Nunca gostei de democratas encartados e cada vez gosto menos. Passam a vida a demonstrar que têm um entendimento muito particular da democracia e que se resume já nem sequer à vontade geral do estropício do Rousseau, mas se limita à vontade deles próprios. Hoje chega-nos mais um exemplo pela boca do pastor do Primeiro Ministro que nos governa.
Na nossa democracia representativa elegemos 230 burros para nos representar. O papel deles é por nós controlarem governo e o poder, é suposto serem um dos poucos checks and balances da acção governativa, um travão aos abusos de um eventual estupor que lá apareça. Hoje, o chamado Primeiro Ministro resolveu que não tem satisfações a dar aos deputados!! Rais parta isto. E nós engolimos, a imprensa e os indignados profissionais do costume estrebucham com os pobres dos cães que mordem crianças. Um coiso que nem eleito foi, decide pacificamente que não tem que dar satisfações a quem é eleito para representar quem lhe paga o salário e que numa democracia com um mínimo de decência é soberano e é o silêncio quase generalizado. Que merda é esta?

A geringonça vista de Espanha

Aqui fica um artigo espanhol para o qual contribuí com alguns breves comentários sobre a situação política portuguesa e o funcionamento da geringonça até ao momento: Portugal y Alemania, la gran esperanza de los socialistas europeos.

25 Abril de 2017: 43 anos de défices

Ontem comemorou-se os 43 anos da Revolução dos Cravos, que trouxe, no ano seguinte, a “liberdade” dos portugueses votarem nos políticos que os governam. Usei aspas porque, apesar da democracia ter sido uma importante conquista, o direito de voto livre não nos dá total liberdade. Grande parte da nossa vida ainda é regida pelas classes políticas, mesmo que exista agora a possibilidade destas elites se revezarem através de eleições. Nesse aspecto somos apenas um pouco mais livres…

Para mim, a maior conquista do 25 de Abril de 1974 foi a liberdade de expressão (verdadeiramente garantida somente com a rejeição dos projectos políticos da extrema-esquerda nas eleições para a Assembleia Constituinte em 25 de Abril de 1975 e, depois, no golpe falhado de 25 de Novembro de 1975). Sem liberdade de expressão, este blog nem sequer existiria; sem ela, não poderia hoje aqui escrever que os socialistas (PS, PSD, CDS), comunistas (PCP, PEV) e neo-comunistas (BE) que nos garantiram/garantem liberdade de opinião são os mesmos que nos levaram (e querem continuar a levar) à crescente escravidão perante o Estado.

Como podem discernir pelo título deste post, quando falo de escravidão estou a referir-me à dívida acumulada por sucessivos défices, durante 43 anos de democracia. Para o efeito, o Jornal de Negócios apresentou no mês passado um revelador gráfico:

Muitos portugueses sentem que esses défices (linha vermelha) foram úteis, por terem permitido ao Estado fornecer mais serviços e prestações sociais que nas gerações anteriores. Mas a dívida foi subindo…

Claro que, anos atrás, um ilustre(!) estudante português em França – seu nome José Sócrates – disse:

“pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. As dívidas gerem-se. Foi assim que eu estudei. (…) para um país como Portugal, é essencial financiamento para desenvolver a sua economia”.

A ideia deste e de todos socialistas (comunistas e neo-comunistas incluídos) passa por acreditar que défices públicos estimulam o crescimento económico. É que se este for superior à taxa de crescimento da dívida, o pagamento daquela não é prioritário, dado que o rácio Dívida/PIB tenderia a descer. Simples matemática: se o denominador (PIB) crescer mais que o numerador (Dívida), o rácio diminui. Voltem a olhar para o gráfico acima (linha azul) e digam se assim foi nos últimos 43 anos de democracia.

Sim, em Portugal temos uma qualidade de vida superior aos dos nossos pais e avós. Mas também temos maior factura! E essa é, por via da crescente carga fiscal, a corrente que nos escraviza cada vez mais perante o Estado.

Nota final: endividamento público não resultou e, no entanto, há quem queira voltar à mesma cartilha, mas a partir de patamar mais baixo, recorrendo à reestruturação da dívida (por outras palavras não a pagar, total ou parcialmente). Sobre este tema já aqui escrevi.