A grande mentira

Hoje no i. O brasileiro Rubem Fonseca escreveu, e muito bem, sobre a grande arte. Eu, sem a mesma mestria, sobre a grande mentira.

A grande mentira

O governo aprovou o Plano de Estabilidade 2018-2022. Nele prevê a redução do défice já este ano para 0.7% do PIB e um excedente em 2020. Isto, claro, relativamente ao PIB, que cresce devido ao turismo, que beneficia de uma lei das rendas que a esquerda critica, mas não altera.

A grande pergunta que se devia colocar à esquerda é a seguinte: onde está a espiral recessiva que a austeridade ia provocar? Nunca ouviremos a resposta porque não interessa. Há assuntos demasiado delicados para que se possa falar deles. A dívida pública é outro; não a dívida face ao défice, mas em números. Já o referi neste jornal, mas volto a repeti-lo: o que se passa com a dívida pública que em 2015 era de 231 mil milhões de euros e em fevereiro de 2018 atingiu os 246 mil milhões, mais 2,4 mil milhões que em janeiro deste ano?

Mas isto não interessa. O que temos de ouvir, a narrativa aprovada pela extrema-esquerda, é que a dívida pública vai descer (face ao PIB, que cresce sem o governo perceber como) e que como nós, verdadeiros campeões europeus, povo único à semelhança do tempo da outra senhora, só a Bélgica.

A Bélgica. O PS já nos quis transformar na Suécia, depois na Finlândia, agora na Bélgica. Ora, o que se passou na Bélgica? Em 1993, o país do Tintim tinha uma dívida pública de 303.816 mil milhões de euros, 138,14% do PIB. Em 2005, uma dívida de 366.891 mil milhões de euros, 94,7% do PIB. A dívida desceu? Não. O problema estrutural da dívida foi resolvido? Não. E tal não foi que , em 2015, a dívida totalizou os 482.519 mil milhões de euros, 106% do PIB. A Bélgica reduziu a dívida face ao PIB quando os ventos corriam de feição, mas tudo ficou na mesma quando estes mudaram de sentido.

Já vimos este filme tantas vezes que até enjoa. Compara o que os belgas fizeram com o que nós queremos fazer; o feito com a intenção, a realidade com o sonho e, nesse devaneio, discutem-se aumentos dos salários na função pública, mais dinheiro para a cultura (porquê apenas 1% e não 1,1% do PIB – o que interessa é parecer culto, não honesto) e descida nos impostos, como se os erros do passado não aguardem que o crescimento abrande para que os seus custos se sintam outra vez.

O país vive tão anestesiado com a política monetária do BCE e com o turismo que parece que está tudo bem. A grande mentira é esta. É a mentira que explica por que motivo o Bloco e o PCP criticam o Plano de Estabilidade, mas não o submetem a votação no parlamento sob pena de terem de votar a favor. O silêncio da esquerda perante o que se passa nos hospitais está aqui.

Há um livro de Rubem Fonseca chamado “A Grande Arte”. Neste, a arte era o manejamento da faca, a forma de melhor a utilizar para matar. Vivemos em Portugal, a grande mentira, a forma como melhor se saca do Estado sem se assacarem responsabilidades. A primeira é uma obra de ficção; a segunda, a nossa realidade.

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TAP no fundo da tabela da pontualidade…

TAP caiu 66 posições no “ranking” da pontualidade

Em três meses, a companhia aérea cancelou quase 600 voos.

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Síria: a verdade luminosa e a verdade embriagada

Fonte fidedigna (como nenhuma outra, sublinhe-se) assegura-me e aos povos que ontem, na Síria “as luzes da noite foram os 93% de mísseis derrubados”. Os crentes dariam graças, com a ajuda da força das orações. O pragmático detentor da verdade, ao som de um hino pimba nacionalista em louvor a Assad, Putin e aos teólogos iranianos, revela que quem ” espalhou o caos entre os enxames de mísseis violadores do Direito Internacional e do sono dos povos” foi um tal de “anjo da guarda das nações pobres” o  Pantsir-S1, a arma de defesa anti-aérea russa.
Graças a Eles, o “ataque americano (foi) reduzido ao ridículo pela defesa anti-aérea russa e síria. Acabou o tempo dos bombardeamentos impunes. O povo sírio de parabéns.”
Falta mesmo pouco para o regresso eminente da paz que teima em fazer-nos esperar por dias gloriosos e ordeiros, já lá vão sete anos.

Portugal, 2018, pós-austeridade: a quimioterapia pediátrica no Hospital de S. João

Crianças fazem quimioterapia num corredor do S. João

Pais queixam-se das condições em que os filhos recebem tratamentos no Hospital S. João e no Joãozinho. Unidade garante que tem feito melhorias.

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A corrupção e a inquestionável superioridade moral da esquerda

Sobre a corrupção — e a inquestionável superioridade moral da esquerda. Por Luís Rosa.

A corrupção não é de esquerda nem de direita, não é católica nem protestante, não é branca nem preta e não é do norte nem do sul. A corrupção atinge todos os países, partidos e grupos sociais.

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Uma boa pergunta sobre Lula, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra…

Bernardo Lapa, homem da “Cultura”

A história de Bernardo Lapa, homem da “Cultura” Por Alberto Gonçalves.

Um ano depois, a companhia Cabaça dos Mafarricos, que Bernardo Lapa fundara com um amigo e cinco bonecos, adquirira largo prestígio no eixo Príncipe Real-Campo de Ourique. Restava um problema: estava-se em 2012 e a austeridade “neoliberal” restringia selvaticamente os subsídios à “Cultura”. Por motivos óbvios, a sra. Merkel e Pedro Passos Coelho não queriam expôr o povo ao exacto tipo de conhecimento patente nas obras da Cabaça dos Mafarricos. A peça inaugural, “Presos Por um Fio”, descrevia justamente (nos dois sentidos) a angústia de um licenciado em malabarismo – Tomás – que, por intervenção de um poder maligno e avesso à criatividade, se vê forçado a descer a trabalhos típicos da ralé. No derradeiro acto, desesperado pela falta de apoios, Tomás lança-se de um rés-do-chão e magoa-se um bocadinho. Na estreia, os seis espectadores aplaudiram de pé.

Nessa época, a contestação de Bernardo Lapa não se limitou aos fantoches. Politizado, marchou quase diariamente contra Israel, as touradas, a destituição daquela senhora brasileira, o exílio do cançonetista Tordo, o consumo de bacalhau, o aquecimento global, o arrefecimento global, o sr. Trump, a proibição das drogas, o boicote ao Haiti, perdão, a Cuba (ele confundia-os), o Belenenses e, claro, cantou a “Grândola” nas imediações de cada ministro da “direita”. Afinal, Bernardo Lapa era um homem da “Cultura”.

A esquerda “anti-fascista” e o fascismo

A esquerda “anti-fascista” tem muito em comum com os fascistas originais. Por Antony Muller.

No final, comunismo, socialismo, nazismo e fascismo são rótulos que se unem sob o estandarte do anti-capitalismo e do anti-liberalismo. São contra o indivíduo, contra a propriedade privada, e contra a liberdade empreendedorial.

O sexo e as quotas

Mudança de sexo, quotas e igualdade de género. Por Nuno Lobo.

É precisamente este contexto revolucionário e de duvidosa boa fé que os deputados à Assembleia da República devem ter em conta nas suas ponderações relativamente a duas propostas de lei do Governo, aparentemente distintas mas intimamente ligadas e mutuamente contraditórias, que vão por estes dias a votos: a possibilidade de as pessoas mudarem de sexo e nome no Cartão do Cidadão, agora com a alteração de não se exigir qualquer relatório médico que a justifique; e o aprofundamento da lei da paridade na composição das listas eleitorais dos partidos, que passarão a ter de incluir pelo menos 40% de mulheres (ou de homens).

Desde logo, a aprovação das duas propostas resulta na situação caricata de, por um lado, termos os partidos obrigados a compor as suas listas com pelo menos 40 mulheres e 60 homens (ou o inverso) por cada 100 candidatos, ao mesmo tempo que, pelo outro lado, poderão recorrer ao expediente de compor as listas com um sexo apenas desde que pelo menos 40% se dirijam ao registo civil e peçam para o mudar no Cartão do Cidadão. Todavia, por mais caricata que a situação possa parecer, as novas circunstâncias que decorrem da aprovação das duas iniciativas legislativas do Governo adquirem uma redundância ainda mais absoluta se forem olhadas através da lente com que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género olha a educação dos nossos filhos e tenta dirigir o futuro das suas vidas.

Não há sobrecarga turística em Chelas

Não somos todos marxistas

Não somos todos marxistas. Por João Carlos Espada.

Ao contrário do que costuma ser dito sobre Marx, o que é distintivo da sua doutrina não é o impulso moral de indignação perante a pobreza das classes trabalhadoras. Esse impulso moral existiu em vastos movimentos sociais não marxistas e anti-marxistas, vários aliás de forte inspiração cristã. (…) O que foi distintivo do marxismo foi a atribuição de um carácter alegadamente científico à teoria da luta de classes. Marx reclamou ter descoberto as leis do desenvolvimento histórico, à semelhança das leis do desenvolvimento da natureza orgânica conjecturadas por Darwin. O marxismo seria por isso uma “doutrina científica” que explicava toda a história da humanidade com base em leis inexoráveis. Daí decorria que o socialismo e o comunismo sucederiam inexoravelmente ao capitalismo, da mesma forma que este sucedera inexoravelmente ao feudalismo, como este sucedera ao regime esclavagista e este, por sua vez, sucedera ao “comunismo primitivo”.

Jornalista agredido por segurança de Lula

Clima político no Brasil está, infelizmente, a ficar cada vez mais de alto risco: Repórter do GLOBO é agredido por segurança de Lula: Agressão ocorreu quando jornalista gravava homens batendo em manifestantes anti-PT

O repórter do GLOBO Sérgio Roxo foi agredido por um segurança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início da tarde desta segunda-feira, enquanto fazia a cobertura de uma manifestação contrária ao petista em Francisco Beltrão, no interior do Paraná. A agressão ocorreu na área externa do aeroporto da cidade, logo depois de Lula embarcar rumo a Foz do do Iguaçu, onde está programado um novo ato.

As Crises Económica e Política à Luz da Escola Austríaca de Economia – 4 de Abril no Porto

Para quem esteja pelo Porto no próximo dia 4 de Abril, uma oportunidade a não perder para ouvir o Professor Ubiratan Iorio, Professor da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e Diretor Académico do Instituto Mises Brasil.

Mais informações aqui.

O memorando da troika e o Tribunal Constitucional

Uma linha de argumentação discutível, mas interessante: Um erro histórico? Por Francisco Pereira Coutinho e Teresa Violante.

Se o memorando da troika é direito da União Europeia vinculativo – como o próprio Tribunal Constitucional assumiu –, então este não podia decidir sobre a constitucionalidade das medidas nele previstas

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A atracção por ditadores

Portugal e Rússia: a “geringonça” tem as costas largas, por João Miguel Tavares. A atracção do PS por ditadores e cleptomaníacos – uma tradição que vem de Sócrates.

O Governo virou as costas aos aliados. É uma vergonha que nos sairá cara, por José Manuel Fernandes.   A diplomacia portuguesa de mãos dadas com o regime de oligarcas.

Fake news. Putin, O porteiro do Kremlin adorado por liberais variados, socialistas e integralistas lusitanos perdidos de amor por super-líderes, oferece estátuas de ditadores socialistas? A culpa é dos ingleses.

Dois erros clamorosos

Quando, há um ano e pico, tomava café com um dos membros-fundadores do que seria mais tarde o partido Iniciativa Liberal, recordo-me de fazer dois prognósticos (ainda o jogo nem havia começado): 1) que nunca seriam um partido liberal, até porque há uma contradição insanável nos termos; 2) que muito provavelmente o partido iria ser canibalizado por progressistas, à semelhança do que aconteceu com o Movimento Liberal Social, transformando-se em mais um trampolim da esquerda. Disse, porém, que para terem o meu singelo apoio, pelo menos em espírito, bastava-me que fossem menos socialistas do que os outros. Desejei-lhe boa sorte e seguimos viagem.

Hoje, vendo em retrospectiva, temo que alguns destes prognósticos se estejam lentamente a materializar. Vejo na estratégia actual dois erros que me parecem ser absolutamente contra-producentes para os objectivos que serão — diria eu — os de um partido liberal. Um é um erro meramente comunicacional (sei bem que estão especialistas no assunto a definir o marketing político, mas ouso, ainda assim, dizê-lo). O outro é um erro de posicionamento ideológico.

O primeiro é a luta estéril pelo fim da destrinça esquerda/direita. Sabemos bem que a origem destes termos remonta à Constituinte da Revolução Francesa, que está desactualizado, que não reflecte as múltiplas dimensões políticas, etc e tal. Ainda assim, é espúrio um partido perder-se no diz e desdiz que não é de esquerda nem de direita. Os de esquerda dirão que afinal é um partido de direita com medo de o assumir; os de direita dirão que é um partido de esquerda encapotado. No meio ficam três ou quatro que votam de forma «pragmática», sem olhar a «ideologias», e que oscilariam entre BE e CDS só para garantirem a «rotação do poder».

O segundo erro é dedicarem grande parte do seu tempo e das suas energias a rebaterem conservadores, quando deveriam estar a rebater socialistas. Sempre me deixou perplexo o sectarismo que pautava a esquerda, com a troca de remoques — isto quando não escalava às trocas mais físicas — para saberem quem era verdadeiramente o digno mandatário do maoismo, do estalinismo ou de qualquer uma das correntes primogénitas do real socialismo marxista. Deixa-me agora perplexo que a luta se trave à direita (note-se que ainda coloco o IL nesta esfera), e que o IL faça do aborto, um tema que sempre dividiu liberais (Hobbes e Locke diziam que existe um direito inalienável à vida; JS Mill, pese embora o seu flagrante utilitarismo, era opositor declarado do aborto; já Rothbard, por seu lado, achava que o feto é um parasita no corpo da mulher, pelo que a decisão é da mulher), uma bandeira. Este tema, pelas suas implicações morais (e aqui faço a ressalva de que moralidade não implica religiosidade, algo que também parece apoquentar sobremaneira muitos membros do IL) deveria ficar à consciência de cada um, e se todo o partido votasse a seu favor, pois que assim seja, mas não por posição e imposição una do partido. Fazer do tema uma causa do partido é que me parece muito progressista — eis um raro instante em que um progressista, rejeitando a possibilidade de escolhermos a escola dos nossos filhos ou o hospital onde queremos ser tratados, fala de «liberdade de escolha».

Em suma, e espero estar enganado — escrevo isto na esperança de estar mesmo enganado —, o que está a acontecer em Portugal e, muito em particular, à Iniciativa Liberal, parece ser um remake do que aconteceu outrora nos EUA: tendo o socialismo se tornado uma palavra proibida, os progressistas açambarcaram o mais neutro termo liberal, estabelecendo aí a sua plataforma. Pode servir os interesses eleitorais, não serve é os interesses do país. Afinal, já temos partidos socialistas que cheguem.

O CDS Feminista

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Foi ontem anunciado que será aprovada na AR a mudança da funesta Lei da Partidade, com o aumento da percentagem prevista para 40% e o alargamento do critério a todos os órgão politicos electivos. Na minha curta jornada pelo mundo da política já conheci, pessoalmente e pela via literária, uma imensidão de opiniões dentro das próprias ideologias, mesmo dentro das direitas, diversidade essa, em muitas ocasiões, bem fundamentada. Ora eu já conheci pessoas de direita, incluindo bons conservadores, defendendo a legalização das drogas leves ou da prostituição e socialistas que se lhe opunham. Já conheci quem de direita se opusesse à liberalização do porte de arma para defesa pessoal ou fosse um ambientalista fervoroso – como este que vos fala – e socialistas que optassem pelas posições contrárias. Muito se pode escrever acerca destas questões e muito se pode e se tem teorizado sob o seu enquadramento, legítimo ou não, à luz das ideologias relevantes.
O que eu nunca conheci pessoalmente, nunca encontrei nos livros, nem nunca ouvi num podcast foi uma feminista – nos moldes em que actualmente o feminismo se enquadra, na sua terceira via – que fosse de direita. Sendo improvável a existência de um cavalo com asas, nem pelas leis da biologia nem pelas da física, é mais provável eu ter exagerado nos shots de tequila do que estar na presença da mítica criatura. O que me leva a concluir que, dada a diferente natureza entre os fenómenos da própria e os ideológicos, quando me deparo com a primeira pessoa, supostamente à direita, que se diz feminista, é mais provável essa pessoa não ser, de facto, de direita do que estarmos na presença de um cisne negro, terminando eu a indagar acerca do escombro do espectro político em que a Presidente do CDS habita. Dito isto, revivo o debate que se acendeu pelas posições tomadas, na AR, por um deputado do partido, debate esse que gerou páginas de discussão na imprensa, no Facebook, na blogosfera e nas suas caixas de comentários, pois dizia-se ser impensável o partido ser tão complacente a uma suposta violação grave da matriz do partido.

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SATA: lições sobre “serviço público”

Hoje, no “Primeiro Jornal” da SIC, vi reportagem sobre acumulação de dívida na companhia aérea SATA/Azores Airlines. Passou de €5 milhões em 2007 para €250 milhões em 2017.

Francisco César, deputado PS Açores, filho do líder parlamentar do PS Carlos César, admite ter sido uma opção política para “prestar serviço público” em época de crise a fim de “garantir fluxos turísticos à região”.

Só que easyJet e Ryanair conseguiram aumentar tais fluxos com muito menores custos… Ou seja, os contribuintes açoreanos (e do Continente) agora têm de pagar pelos “voos políticos” do Governo de Carlos César.

Face à situação financeira da SATA, Governo dos Açores procura um “parceiro estratégico” para adquirir 49% do capital. Estratégico? O termo mais adequado é masoquista.

Socialistas (de todos os quadrantes políticos) justificam sempre prejuízos como a necessidade de oferta de “serviço público”. Numa economia de mercado (capitalismo) as trocas são voluntárias. Só ocorrem quando todas as partes acreditam poder beneficiar da transacção. Quando políticos decidem manipular esse harmonioso equilíbrio, alguém terá de ser involuntariamente prejudicado para que outros possam beneficiar. Não é só em política que tal acontece. Só que a essas outras situações chamamos de roubo!

Como a Esquerda reage quando perde…

Fernando Rosas: “O CDS até tem um dirigente gay! Ai que moderno que ele é!”

Fernando Rosas: “O CDS até tem um dirigente gay! Ai que moderno que ele é!”

Ironia e causas LGBT não é uma combinação habitual nos próximos ao Bloco de Esquerda. O partido, sempre progressista nas ditas questões fraturantes, não costuma juntar a expressividade mais agressiva a tais bandeiras. Fernando Rosas, todavia, não seguiu esse costume na sua mais recente aparição televisiva.

No programa Prova dos Nove, que partilha com Paulo Rangel e Pedro Silva Pereira na TVI24, o fundador do Bloco de Esquerda referiu-se indiretamente ao vice-presidente do CDS Adolfo Mesquita Nunes, que recentemente assumiu a sua homossexualidade numa entrevista de vida ao Expresso.

Disse Fernando Rosas, ex-deputado do Bloco de Esquerda, sobre Mesquita Nunes: “O CDS pode ter esta coisa da modernidade e tal, são muito modernos, até têm um dirigente que diz que é gay… Ai que moderno que ele é!”, ironizou.

O PSD e a armadilha do consenso

A minha crónica de hoje no i.

O PSD e a armadilha do consenso

A grande novidade que Rui Rio trouxe para a política nacional foi o regresso do país aos consensos. Ao que parece, Rio pretende que o partido que ganhou as eleições ajude o que as perdeu a governar. Naturalmente, o PS está disponível. Subjacente a este contra-senso há uma forma de estar na política, uma armadilha e uma vítima. A forma de estar na política é a habitual na maioria; a armadilha é do PS; e a vítima, o PSD.

Desde que me conheço que ouço falar da importância dos consensos. Com a honrosa excepção, e não é a excepção que confirma a regra?, de Sá Carneiro, que exigia unanimidade na luta contra o comunismo, o consenso de que se vai falando é inócuo. Discute-se desde que isso não faça mossa e não prejudique ninguém, não produza o efeito pretendido, seja inofensivo.

Um bom exemplo disso mesmo é a descentralização. Atenção que não digo que a descentralização não seja importante. É. Sucede que, como qualquer reforma digna desse nome, vale a pena se for verdadeira, se implicar uma descentralização da receita dos municípios, a capacidade de as autarquias cobrarem os seus impostos diretamente e não por via do Estado central; se passar por uma descentralização fiscal.

Como não é o caso, mesmo que PSD e PS cheguem a acordo, o resultado será irrelevante para a resolução do problema que é a concentração dos poderes em Lisboa. Porque o que interessa, o verdadeiro objectivo quando se discute consensualmente a descentralização, é que o país se entretenha com um tema tão amplo quanto vazio e se esqueça dos seus verdadeiros desafios. A economia vai enganadoramente bem e o momento é o propício para que percamos tempo com questões inofensivas em vez de se prevenir a próxima crise. Esta é a habitual forma de estar na política.

E é precisamente aqui que o PSD corre um sério risco. Como o PS representa o eleitorado que depende inteiramente do Estado, sejam funcionários ou empresários, os socialistas dificilmente perderão votos se tudo fizerem para que os seus eleitores não sejam prejudicados. Ao invés, do PSD espera-se mais porque neste partido votam muitos dos que vivem na economia real. Eleitores que não compreendem por que motivo um partido como o PSD pactua com uma forma de fazer política que não se coaduna com o estado em que o país se encontra. O PS e a extrema-esquerda têm as mãos sujas e tremem só de pensar num PSD com a superioridade moral dos que resgatam o país pela segunda vez. Cair na armadilha do consenso quando o consenso ilude e engana é um erro que o PSD devia evitar a todo o custo.

Sobre a contratação de Passos Coelho como professor catedrático convidado (2)

Passos académico ou como a espuma foge dos temas que importam. Por Nuno Garoupa.

Durante uns dias, as redes sociais (logo também a comunicação social) andaram muito comocionadas com o anúncio de que o anterior primeiro-ministro ia dar umas aulas no ISCSP como professor catedrático convidado. Ora, um ex-governante colaborar numa universidade pública nem deveria ser notícia (por exemplo, a colaboração de Paulo Portas com a Nova SBE não ofereceu grande ruído público), muito menos ser objeto de enorme polémica. É absolutamente natural que uma escola na área das políticas públicas queira a colaboração de alguém que foi primeiro-ministro. Quer para os seus conteúdos letivos (uma matéria para reflexão dos órgãos próprios da escola) quer como cabeça-de-cartaz para atrair alunos num mercado de licenciaturas e mestrados cada vez mais competitivo (para mais numa escola com uma forte ambição de afirmação interna e sem uma forte componente internacional). E, sendo um ex-primeiro-ministro (eleito democraticamente), merece evidentemente um lugar condigno. Muitos alimentaram uma enorme confusão entre catedrático (professor doutorado, agregado e concursado) e catedrático convidado (professor convidado com equiparação e salário de catedrático por decisão dos órgãos da escola). Por maldade ou por total desconhecimento, certamente, pois nunca o ex-primeiro-ministro poderia estar na tal famosa “carreira académica” quando não tem habilitações literárias, nem competência científica para tal. Contudo, é um ex-primeiro-ministro, pelo que faz todo o sentido que seja um professor convidado ao nível de catedrático, se os órgãos científicos do ISCSP assim o legitimamente entenderem.

Leitura complementar: Passos Coelho vai ser professor catedrático convidado. E pode?

CDS e PSD em 2018

Artigo no Público para o qual contribuí com alguns comentários: Só um desastre no PSD pode satisfazer a ambição de Cristas

Sobre a contratação de Passos Coelho como professor catedrático convidado

Um artigo que vale a pena ler no Observador, para o qual contribuí (modestamente) com a minha perspectiva sobre este tema e a muito peculiar polémica entretanto gerada em torno desta contratação: Passos Coelho vai ser professor catedrático convidado. E pode?

Os fascistas do futuro

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Dizia Churchill (na verdade foi Ignazio Silone, embora não se saiba bem se Churchill alguma vez terá usado também esta expressão em discurso não registado) que os fascistas do futuro apelidar-se-ão de anti-fascistas. Curiosamente, os Antifa exibem justamente este comportamento fascista, procurando censurar e boicotar eventos dos quais não gostam, e o nome e as acções fazem mesmo jus ao prenúncio.

Seja como for, é muito preocupante que uma universidade, que deve ser um espaço de discussão, de pluralidade e de confronto de ideias, especialmente a KCL, pela sua notoriedade, compactue com coisas como esta, em especial com isto:

“Safe space” marshals are employed by the students’ union to patrol speaker events on campus where there is a potential for audience members to be offended.

Três séculos depois voltamos ao Obscurantismo, com o alto patrocínio das chancelas do regime. Depois admirem-se que os partidos populistas ganhem eleições e conquistem cada vez mais eleitorado.

Delito de Opinião (artigo sobre a SS)

8568937_ymmblAinda sobre o tema da Segurança Social, escrevi por estes dias um artigo para o blog Delito de Opinião que seria interessante lerem.

O artigo encontra-se aqui.

Excerptos:

Imaginemos que todos os meses, no dia 1, colocamos 100€ num mealheiro.
Imaginemos também que todos os meses, no dia 25, retiramos 100€ do mealheiro e deixamos no seu lugar um papel com a mensagem: “Título de Dívida. Valor: 100€.”
Pergunta: Quanto teríamos no mealheiro ao fim de 30 anos?

(…)

Deixe-me sublinhar isto porque é importante: se o leitor neste momento não tem dívidas – ou tem uma dívida muito pequena à banca por conta da casa e, portanto, acredita estar quase no equilíbrio financeiro – tem na verdade uma grande dívida implícita ao seu alter ego futuro e é importante começar logo que possível a poupar para essa dívida.
Falhar em poupar é cair num tipo especial de invalidez, em que a impossibilidade de sair de casa não é por motivos físicos (como na invalidez física), mas por motivos financeiros: a invalidez financeira. E ao contrário da primeira, esta é evitável.

Varoufakis e Centeno

Varoufakis acusa Centeno de insultar a Grécia​

Seria interessante confrontar comunistas, bloquistas e também a ala varoufakista do PS com estas declarações. Pela minha parte, relativamente a Mário Centeno, mantenho o que escrevi em 2015.

A Generosidade do Estado Social

A geração de Abril, que se reformou no início do século, é a mais beneficiada da história. Vou dar apenas alguns exemplos de grupos que representam no seu total dezenas de biliões de prejuízo em termos actuariais.

  1. Idade da Reforma: Quando a Seg. Social foi criada em 1970, a idade de reforma era de 65, a EMV (Esperança Média de Vida) era de 67,1 anos – um período de reforma de 2,1 anos. Hoje a idade de reforma é de 66,5 anos enquanto a EMV é de 80,6 – um período de reforma de 14,5 anos. Portanto um aumento para quase 7x (!)
  2. Na geração dos meus pais, muitos reformaram-se com 30 anos de serviço, tendo pago 34,75% em cada ano. Por esta contribuição esperam receber 100% ou 90% de reforma durante quase 30 anos (a acreditar na EMV). Quase o triplo!
  3. O triplo não: o sêxtuplo. Sim, pois do valor descontado para a Seg. Social apenas cerca de metade vai para a reforma, indo o restante para todo o tipo de pensões (invalidez e sobrevivência por exemplo), subsídios (doença e desemprego por exemplo), abonos (de família) e rendimentos de coesão.
  4. Esta desproporção é ainda maior em sub-grupos privilegiados, como é o caso de políticos e outros grupos influentes (Banco de Portugal, por exemplo)
  5. No caso de muitos agricultores (e pescadores e domésticas), o desconto foi 0 e portanto todas as reformas pagas saem directamente da dívida. Independentemente da justiça desse apoio, e do baixo valor destas reformas, é mais um grupo a receber, sem qualquer provisão constituída para o efeito.

20911983_kcjr7Estes e outros direitos atribuídos por políticos com horizontes a 4 anos e pouca orientação de longo prazo escavaram desde o 25/Abril um buraco que se calcula actualmente de 70.000 milhões (ou 70 Biliões em numeração americana) no Fundo da Segurança Social.

O que é um enorme roubo às gerações futuras, mostra a tendência para o colapso do sistema, e finalmente que alterações vão ter se ser implementadas para tornar o sistema… “menos generoso”.

E quanto mais cedo, menor será a correção necessária.
É que o sistema não vai terminar…
… mas que vai ter de ser redimensionado, não restem dúvidas.
Por mais laudas se cantem às suas virtudes.

Inferno Demográfico

Relacionado com o post anterior, sobre o peso do Estado Social e a incapacidade de sair de uma situação difícil por parte da juventude que o suporta, vem a questão demográfica.

Disse-me hoje um defensor do Estado Social (“a maior criação do Século XX”…), que não há solução para a Natalidade. Os jovens portugueses têm vontade de ter filhos, mas o número de filhos por casal é de 1,3 – logo bem abaixo dos 2,1 necessários para a substituição geracional. Isto para o defensor do estado social era uma questão irresolúvel para qual não há solução e há qual portanto temos de nos adaptar.

Para mim não é um mistério porque a natalidade é tão baixa. Tendo nascido em 1980, estou na idade perfeita para olhar para as minhas colegas de primária e de faculdade e perceber quais são os problemas. Fruto da minha experiência no terreno, passo a elencar algumas questões que julgo relevantes.

  1. Distribuição inter-geracional – O generosíssimo Estado Social (próximo post) beneficia de sobremaneira a geração dos meus pais, recentemente reformada. Quantos colegas meus (trintões portanto) não têm dificuldade em pagar as contas e recorrem a apoios dos pais – que invariavelmente têm folga financeira para esse apoio. Neste país, nestes tempos, idosos têm orçamento supérfluo e jovens não. Ora como mulheres de 60 não têm filhos porque não têm físico para tal e mulheres de 30 estão em situação financeira instável, não admira que haja poucas crianças. Os impostos altos sobre a juventude e as pensões generosas (em termos relativos) têm destas consequências.
  2. Instabilidade na carreira – Nesta nova economia, a única coisa certa são os impostos. E o pior patrão de todos é o estado. Quantas professoras têm contrato nos primeiros 10 anos de carreira? Quantas enfermeiras têm de fazer n contratos de substituição e uma especialidade antes de serem admitidas? Quantas médicas andam a saltar de terra em terra enquanto fazem os seus estudos superiores? Mesmo que uma mulher tenha estudos superiores e um emprego num dado mês, quantas podem garantir nos anos seguintes i) continuarem a ter trabalho remunerado e ii) no local que escolheram para viver.
  3. Instabilidade familiar – A entrada da mulher na força de trabalho teve um efeito demográfico óbvio. A mesma filosofia que levou ao crescimento do estado social instalou também as mulheres na força de trabalho, aumentando o PIB mas diminuindo a natalidade, pois o tempo não estica e uma mulher com uma carreira afirmada e financeiramente independente certamente que não vai ter o mesmo número de filhos da minha avó (no caso, 10). Se o nexo de causalidade não é claro, pois os dois fenómenos reforçam-se mutuamente, creio que pelo menos a correlação é visível – mas aguardo os vossos comentários sobre este ponto em concreto.
  4. Pensamento Milenial – Num mundo em que tudo é cor-de-rosa e não nos temos de preocupar com nada, a tendência é a desresponsabilização e o aumento dos prazeres (a este propósito, recomendo este vídeo). Assim, o Estado Social é também um sintoma do declínio do ocidente e a queda dos Estoicismo e dos seus valores. Não é difícil assim ver que os jovens privilegiam os prazeres da vida às responsabilidades, e ter filhos é um fardo que muitos não querem suportar.
    O Estado Social é um inimigo do Estoicismo e portanto acentua esta tendência.

Se viram o vídeo, este fala nas 6 épocas de uma civilização: Pioneiros, Conquista, Comércio, Afluência, Intelectuais, Decadência. Concentrando-nos nesta última fase, esta tem sempre os mesmos sinais: exército disperso e indisciplinado, demonstração exacerbada de riqueza, disparidades entre ricos e influentes e os outros, um desejo de viver de um estado gordo, desvalorização da moeda, e uma obsessão com comida e sexo.

6 phases

Uma juventude que cresça nesta época, sem padrões anteriores, tende a exacerbar tudo isto. O Estado Social actual (como no Império Romano, no Império Português do Século XV/XVI e noutros, pois isto é obviamente cíclico) ou é controlado ou levará à ruína.
Eu defendo o estoicismo, a meritocracia e o controle do estado social.
Outros defendem o seu crescimento ad infinitum.
Inferno demográfico, venda de património a estrangeiros, economia de bandeja (cf Marcelo Caetano) e crescimento apenas com base em aumento de dívida será o resultado… evitável, mas expectável.

Instabilidades

Ainda relacionado com o post anterior, hoje ouvi também que “o Estado Social” proporciona estabilidade aos membros mais fracos da sociedade.
A isto eu gostava de responder apenas com 2 questões:

  1. Se o Estado passa o tempo a “Roubar a Pedro para Dar a Paulo”, para resolver os problemas de Paulo… isso não cria instabilidade ao Pedro? Os criadores de riqueza, muitos deles empresários, muitos destes infelizmente recibos verdes… merecem que por idealismos de pessoas de rendimento certinho sentados em gabinetes passem o tempo a sofrer mudanças de CIRS, gerando encargos superiores a 50% dos rendimentos mesmo com rendimentos <1000€/ano, muitas vezes gerando multas pois é preciso passar dezenas ou centenas de hora por ano a acompanhar as alterações das obrigações para com o Fisco e os seus múltiplos confiscos variáveis?
  2. Quando o estado social tiver de encolher, e terá certamente de encolher pois nada cresce infinitamente e o peso do estado na economia já vai em cerca de 50%, como ficarão aqueles cujas expectativas de apoio ficarão goradas? Como ficarão os reformados que tenham assumido obrigações e que nada poderão já fazer para aumentar os seus rendimentos? Como ficarão as pessoas verdadeiramente necessitadas quando o estado tiver de cortar cegamente e abruptamente as transferências sociais devido a uma crise cujo choque a economia privada não consiga absorver? O que dirão os defensores do estado social nessa altura?
    Com o peso que o Estado Social já tem na economia, não há capacidade de absorção do próximo choque no tecido empresarial português: quando este chegar, e vai certamente chegar, terão de ser assumidas responsabilidades.

FinançasA capacidade de empatia é uma grande qualidade – e é algo que faz de nós humanos.
Mas o excesso de empatia é perigoso e se decidimos com base em emoções (na premissa subjacente de que não há escassez) a matemática será implacável.

Eu já fui um recibo verde. São temos que lembro com revolta. Discursos bonitos em salas de mármore levam a ataques constantes a jovens que nem sequer têm condições para se levantar levam logo com IRS, SS, por vezes IVA, e multas, muitas multas.

Há neste país um grupo que precisa de estabilidade, sim.
Os dos escravos que mantêm o edifício do estado social.