Porque eu não consigo ver televisão há 10 anos?

midialatuffAntónio Barreto sumarizou bem o meu pensamento sobre a televisão contemporânea neste artigo no DN:

 

É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática. A preguiça é virtude. O tosco é arte. A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.

Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense. Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.

Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiz a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.

Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.

Pessoalmente, lembro-me sempre da frase “prefiro ver tinta a secar”. Ou formigas a desenvolverem-se (e para não pensarem que estou a brincar: Formigas Pretas Vs Formigas Vermelhas, Formigas apreciam Açúcar, Barata dá à luz ao ser morta por formigas)

 

… e porque é que em Agosto colapsou?

O mesmo especialista analisa agora o mês de Agosto:

O modo como o povo escolhe os seus líderes/opressores é deveras curioso.

Até onde pode ir a interferência do intervencionismo na vida pessoal?

Porque hoje é fim-de-semana, riam com um exemplo de intervencionismo que só agora me foi chamada a atenção: é ilegal ser gordo no Japão!

Um dia, para “baixar os custos de saúde”, que é afinal um “custo para todos”, ainda chegará a moda cá. Por agora, ainda podem rir😉

 

Governo quer criar veículo para Crédito mal parado, para “aliviar pressão sobre sistema financeiro”

O meu artigo de ontem no Diário Económico:

Moral Hazard

Ricardo_campelo_Magalhaes

Em Economia, o ‘Moral Hazard’ – Risco Moral – acontece quando uma entidade toma mais riscos porque outra entidade arca com o custo desses riscos. Numa sociedade em que ser devedor é apoiado pelo Estado (exemplo: bonificação de IRS pelos juros), pelo Banco Central  (taxas Euribor historicamente baixas), e em que quem paga é “criança”, o pior que se pode fazer é retirar o risco de a banca emprestar. Será um pequeno passo para garantir que dentro de alguns anos haverá nova crise de crédito, ainda maior que as do passado.

Mas a banca não é um sector fundamental da economia, que importa salvar a todo o custo? A acreditar nos banqueiros e no Governo socialista, sim. Mas a acreditar na história, não. Basta estudar grandes eventos especulativos para perceber o padrão: o Estado cria uma bolha creditícia, para se resolver o rebentar da bolha cria bolhas maiores, até que o sistema sucumbe e todo o crédito (de valor recorde) é liquidado.

A solução não passa por desresponsabilizar a banca – como os banqueiros e o Governo socialista pretendem –, mas sim por criar um sistema de responsabilização do sector do crédito pelos erros de sobreexposição ao malparado. Como? Deixando bancos falir, garantindo depósitos até cem mil euros, prendendo banqueiros que cometeram erros grosseiros de gestão, e permitindo à economia assente no crédito colapsar rapidamente. O que mais afecta a economia é a incerteza que torna impossível os investimentos. Nesta solução, o desemprego disparava, mas passado alguns meses regressaria ao normal, não gerando um elevado desemprego de longa duração.

Garantindo os erros e impossibilitando os bancos de fazer a actividade A, B e C via regulação, simplesmente garante que eles vão incorrer em grandes riscos nas actividades D e E. Quem não o fizer, apresentará resultados inferiores à concorrência e, ironicamente, não terá as taxas para seduzir os investidores mais conservadores para os seus “excelentes” depósitos a prazo (exemplo: BPN). Sem garantias, garanto-vos que a imaginação para desenhar esquemas de enriquecimento rápido seria menor.

Para lerem os meus artigos anteriores: Autor Ricardo Campelo de Magalhães.

Se quiserem ler o artigo concorrente, de um jovem que ainda acredita na intervenção de ex-bancários que regulam os bancos a partir do estado: Chega de “laissez-faire”.

4ª Tertúlia do Instituto Mises no Porto

Seguindo o compromisso de uma tertúlia por mês, a direção do Instituto Mises está a organizar mais uma tertúlia no Porto, que aconselhamos a todos os nortenhos que possam assistir.

A apresentação é sobre o Liberalismo Clássico e o Liberalismo em Portugal, com o Professor Doutor Rui Albuquerque (autor no Blasfémias e n’O Insurgente), seguido de uma discussão do tema com os participantes. Quinta-feira, às 21:30, em Paranhos – Porto.

Com um tema “provocante” como este, esperamos ver diversos de vocês lá. Eu, Ricardo CM, de certeza que vou. Se quiserem ir também  favor confirmem no evento de Facebook.

4ª tertúlia

Rescaldo da noite eleitoral

Algumas notas finais:

  1. Marcelo ganhou. Ganhou a Rui Rio o jogo de bastidores. Ganhou a Passos e a Portas ao impor-se como candidato. Ganhou à Esquerda ao ter maioria à 1ª. Ganhou em todos os distritos. Ganhou em ter votos da Direita, do Centro e necessariamente da Esquerda.
  2. António Costa perdeu. Pela 3ª vez! Perdeu as Regionais da Madeira, perdeu as Legislativas, perdeu as Presidenciais. Inigualável!
  3. Se há um cartoon que pode ser identificado com António Costa melhor que o de andar com uma cadeira colada atrás dele, é o de António Costa apunhalar os que lhe são supostamente próximos. Apunhalou António José Seguro para ser líder do PS, apunhalou o líder do PS Madeira, apunhalou Maria de Belém e apunhalou Sampaio da Nóvoa. Memorável.
  4. O único Socialista que pode comemorar é Vitorino Silva/Tino de Rans. Ficou a apenas 0,6% do PCP e a 0,95% da candidata de António José Seguro. O resto podem colocar a viola no saco e terminar os seus tristes fados longe do palco.
  5. O PCP caiu. Aliás, não caiu, espalhou-se por completo. O PCP apoiar o governo está a ter custos. E eu irei estar atento ao comportamento do PCP em 2016. Pode ser que o apunhalador-mor seja apunhalado…

Fadista

Parabéns São João da Madeira

A história conta-se rápido: tal como nas Legislativas de 2015,o PSD ganhou as Autárquicas de São João da Madeira, sem maioria. A oposição não deitou abaixo o executivo mas bloqueou sucessivamente o funcionamento da câmara. Cansado, o presidente convocou novas eleições, aproveitando as presidenciais para não forçar a população a ir às urnas outro Domingo.

Foi a jogo, arriscou tudo, e ganhou! Com Maioria!

O povo de São João da Madeira rejeitou a maioria negativa nestas eleições. Uma eleição promissora.

São João da Madeira

Marcelo ultrapassou a PAF. Só aos 97% de votos contabilizados

A PAF teve mais de 2 087 000 votos.Asterix PAF

Marcelo só ultrapassou esse número de votos com 97% de votos contabilizados.

Curiosamente ainda ninguém focou isso em nenhum dos canais. É daquelas curiosidades…

Parabéns António Costa…

Votos PS

Parabéns António Costa por ter seguido a estratégia que seguiu. Foi uma estratégia muito frutuosa. Só não o foi para ele e para um determinado companheiro de “coligação”.

Edgar Silva destrói PCP. E agora Jerónimo?

Edgar Silva não impede a maioria de Marcelo, perde para o candidato de António Costa, perde para a candidata do Bloco, e para insulto, poderá perder para Maria de Belém e Tino de Rans.

Edgar Silva

Parece que os eleitores do PCP não gostaram muito da participação do PCP na geringonça.
Será muito curioso acompanhar a evolução do “apoio” do PCP a Costa durante 2016…

Triste Fado

O meu artigo de hoje no Económico:

Como disse António Costa aos chineses em Fevereiro, o país está “numa situação bastante diferente de há 4 anos.”

A dívida desacelerou e caiu desde o pico de 132,8% no 1º Trimestre de 2014 para 128,7%. O PIB ultrapassou o ciclo de queda e sobe há 7 trimestres consecutivos. A taxa de desemprego caiu 5,3 pontos percentuais, havendo hoje menos 30% de desempregados face ao pico de 2013.

Portugal tem hoje a confiança dos mercados (taxa de juro), dos empresários e dos consumidores em valores recorde.

Neste contexto de confiança e de certeza económica, chega a dupla Jerónimo/Martins ao poder.

Assim como o despesismo de Sócrates foi a causa directa do apertar do cinto de 2011-2013, o despesismo desta dupla será a causa do de 2016-2018.

O custo para Portugal, em juros altos, investimento privado perdido pela incerteza, gastos estatais não-reprodutivos, produção perdida daqueles cuja produtividade não paga o novo SMN, e em fuga de depósitos e outros capitais, será elevado. Mas é esse o nosso fado.

Um Governo de Esquerda, de Toda a Esquerda

E agora Cavaco?

Ou melhor: Quais são as exigências que deverá Cavaco fazer a um putativo governo de esquerda?

Para mim, a resposta é óbvia: Ser uma maioria positiva.

Ou seja, Cavaco deve exigir a Costa um governo que mostrasse o apoio de toda a sua maioria parlamentar. Comunas e Berloquistas têm de meter a cabeça no cepo e fazer parte do governo.2015-11-04-antonio-Costa-Catarina-martins-Jeronimo-de-sousa

Ou isso, ou então ficam sempre incólumes para gerir a rua.

Not this time, not this time!

Quem é o Cliente de Catarina Martins neste momento?

Uma pergunta que raramente fazem quando “analisam” as performances no parlamento é: Quem é o cliente pagante?

Vou começar por afirmar o básico: Vai ser preciso mais dinheiro para pagar todas as promessas  de PS, BE e PCP. Ora, quem vai pagar colocar esse dinheiro na mão da Catarina Martins e do governo de esquerda?
Os 84% dos portugueses que pagam uma pequena parte do IRS? Não parece: poucas medidas são desenhadas para atacar esta classe, que a esquerda ativamente corteja e todo o circo é para supostamente beneficiar estes portugueses. Os 16% que pagam grande parte do IRS? Não me parece: já foram muito esmagados e estão a ponto de retirar os seus fundos do país e entrarem numa fase de baixo investimento devido à incerteza política. Quem paga então?

Os Chineses que poupam nos seus bancos. Os Europeus que poupam e pagam os seus impostos. Os Americanos que confiam nos seus consultores financeiros para manter as poupanças de uma vida. Os próprios consultores que olham com desconfiança para este país estranho da Europa do Sul. Os clientes relevantes, os que vão ter de se chegar à frente para pagar os desvarios da Catarina e Cª, são estes. E os que acham eles deste circo no Parlamento?

Este gráfico aqui referido pelo Mário responde. Perguntas finais:

  1. Você emprestava à Catarina e à sua trupe?
    1. Se tivesse emprestado, estaria preocupado?
  2. Deste ponto de vista, a prestação parlamentar de Catarina é aceitável?
    1. Ou pelo contrário é abjeta e assustadora?

Os investidores são pessoas como nós. Mas há quem se esqueça disso.

Pequeno jogo sobre Diferenças entre Programas PS e PS/BE/PCP

Centeno

Qual dos 4 pares sinal/palavra não faz parte do conjunto?
Nota: + Défice significa Défice maior (ex: -1,4% para -1,5%)
Rª Centeno: Os Impostos não vão descer tanto como eu queria (o Liberal!).
Rª Campelo: A dívida não se vai reduzir para 112% com Centeno.

Fontes: imagem Centeno, os quadros do Excel de Centeno.

Novo Velho

Pergunta final: Se as novas medidas reduziam tanto a dívida e são tão positivas,
porque é que foi preciso o BE e PCP para as proporem?
Por acaso o PS é sado-masoquista?

Pergunta socialista

Numa excelente peça da Renascença, perguntam duas apoiastes socialistas:

“Não percebemos. O que é que aconteceu? Onde estão os reformados que tiveram cortes nas reformas? Onde estão os pais que viram os filhos partir? Onde estão as famílias que foram obrigadas a perder a casa?”

Cristina Vasconcelos e Marlene Collaço, uma funcionária pública e uma professora, estavam atónitas.

Fácil, minhas senhoras.
Parte, com receio da instabilidade de Costa, decidiu votar Passos.
Parte, cansados com a instabilidade de Costa, votou Catarina Martins.
Dar uma cravo e outra na ferradura a cada semana não resulta.
E eu duvido que Costa tenha aprendido a lição, mas veremos.

Presidenciais 2016

As Legislativas terminaram que comecem as Presidenciais.

O Público tem hoje uma sondagem muito interessante sobre as Presidenciais:

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Depois da noite eleitoral de ontem, em que tantos disseram que havia em Portugal uma “maioria de esquerda”, a questão é: Onde está essa maioria?

Os Seguristas têm uma candidata com 17%, os Costistas têm um candidato com 10%, o PS histórico tem pouco mais de 1% e outros (PCP?) tem mais 1%.
A direita tem 2 candidatos, com 49% e 15%.

Em Portugal, muitos votos não têm “dono” e muitos políticos enriqueceriam se fosse possível converter para dinheiro a diferença entre o que valem e o que pensam que valem (ontem a esquerda foi abundante de exemplos, dos maiores aos pequenos).
Que lhes sirva de aviso para esta nova campanha que agora começa.

Infografia do Público

O que é uma infografia? Uma representação visual para ajudar à compreensão?
Nope. Um instrumento para outros fins. Reparem nesta (Público.pt) (referido aqui)

Captura de tela 2015-10-05 12.21.49

Onde estão os deputados insulares do PSD? Na direita não, na esquerda.
Onde estão os deputados da emigração? No centro não, na esquerda.
O que representa a linha a cinzento no meio? Assim, nada.

Curiosidades…

Ouch

A melhor frase de ontem:

“Depois de 3 anos de troika, depois de 480 mil emigrados, 300 mil desempregados, cortes em salarios e pensões e António Costa não ganhou.
Espera ganhar da próxima vez?”

Miguel Sousa Tavares