Quem governa o governo?

“A percepção de que o primeiro-ministro é “um artista” não é necessariamente um activo. Mas, num país de artistas, sempre é melhor do que ser olhado como um nabo.”, Bruno Faria Lopes, no Negócios (10/05)

“Presidente de câmara do PS nomeou marido como chefe de gabinete. “É mais barato”, justifica”, no Observador (9/05).

Os textos anteriores reflectem bem a actuação política de muitos em Portugal. Não há coerência. Não há rectidão. Apenas manha, aldrabice e muita falta de vergonha. Mais do que novos poderes, faltam em Portugal novos contra-poderes que limitem e contrariem aqueles que usurpam a democracia desta maneira. Que disciplinem aqueles para quem literalmente vale tudo. Caso contrário, a “filosofia” instalada levará a que sejam uns atrás dos outros, cada qual à espera da sua oportunidade para sacar e aldrabar. A mudança faz-se, não com a substituição de uns por outros iguais ou piores, mas com a eliminação do espaço que conduz à sacanice. Isto passa por recolocar o Estado no seu devido lugar: torná-lo um meio ao serviço das pessoas – a tal linha vertical de que tenho falado e que coloca as pessoas no topo – e não um fim em si mesmo. Passa por restituir a liberdade de escolha das pessoas, valorizando não os grupos, mas sim cada indivíduo.

Disse um dia Nietzche que “Madness is rare in individuals but in groups, parties, nations and ages it is the rule”. Ora, o que a perspectiva liberal enaltece, ao contrário do socialismo (nas suas diferentes formas), é precisamente a valorização das pessoas, quer na pessoalidade e na individualidade de cada pessoa, quer na liberdade de associação entre várias pessoas com propósitos comuns. Se o foco estiver nas pessoas será possível construir um futuro de soma positiva e criar a esperança. Um futuro verdadeiramente inclusivo. Pelo contrário, se o foco estiver nos grupos e na usurpação de poder, então, será um jogo de soma nula com muita desesperança e revolta à mistura. É, por isso, por paradoxal que pareça, que a valorização pessoal é o melhor caminho para a coesão social. Quem votar na Iniciativa Liberal, não estará necessariamente a votar em mim nem no partido. Estarão a votar nas ideias que eu defendo. Estarão a votar em mim um poder que eu tenciono devolver a si.

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4 pensamentos sobre “Quem governa o governo?

  1. Rão Arques

    QUEM GOVERNA O GOVERNO? ORA, A FAMILIA
    Marcelo fala quando não deve e fica a dever quando devia falar.
    Nem parece que esteja vivo nas cenas das suas aparições celestes.
    Para Costa fica o desafio de estabelecer a diferença entre o argumento que utiliza para se queixar dos que agora o afrontam porque alegadamente tomaram uma posição não previamente anunciada.
    Então faça favor o sr. doutor de nos esclarecer, quando até parece que já se esqueceu, que quando derrotado em eleições engendrou uma golpada de assalto ao poder ao patrocinar uma geringonça nunca anunciada em tempo próprio e decente, e que acabou por enganar os portugueses desconhecedores dessa solução mafiosa e escondida em que não votaram.
    Fico-me por aqui para não gastar muita saliva sobre o histórico errante e contraditório deste personagem resgatado de escombros poeirentos.
    O jornalismo vergado a esta plástica majestade que vá à procura do seu percurso labiríntico e contraditório se quiser fazer o pleno desta alinhavada figura , mas parece que sua excelência deixa toda a gente acagaçada com a sua assustadora e implacável presença.

  2. Disse um dia Nietzche que “Madness is rare in individuals but in groups, parties, nations and ages it is the rule”.

    Que eu saiba, Nietzsche era alemão e exprimia-se em alemão, não em inglês.

    Ou bem que se escreve a frase de Nietzsche no original alemão, ou bem que se traduz para português.

  3. “Ou bem que se escreve a frase de Nietzsche no original alemão, ou bem que se traduz para português.”

    Caro Luís Lavoura, desta feita, tem razão. Escrevi em inglês porque foi em inglês que li a obra de Nietzsche. Mas para a próxima traduzirei para português independentemente da minha fonte.

  4. «Ou bem que se escreve a frase de Nietzsche no original alemão, ou bem que se traduz para português.»

    Incorrendo na duplicidade de sentidos de uma dupla tradução?

    Mais vale manter-se em inglês. É assumido que todos por aqui acabam por o falar.

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