A democracia sob chantagem

paulo-macedoTem muita razão o André em defender Augusto Santos Silva que, numa conversa privada, usou uma expressão que, no contexto, não tem nada de errado. Escusado será dizer que se tivesse sido um ministro de outro partido a fazê-lo não se pediria menos do que a sua cabeça (porventura, o próprio Augusto Santos Silva estaria a fazê-lo). Também não encontraríamos nenhum comentador de esquerda a escrever um artigo como este do André.

Na mesma linha, o ministro da Saúde tem razão ao afirmar que mortes nas urgências em período de Inverno são normais. É evidente que são. Ninguém vai para as urgências por estar bem de saúde, por isso é normal que morram mais pessoas nas urgências do que no Solinca da Foz. Há dois anos quando afirmámos isto aqui neste blog e nas redes sociais, fomos acusados de insensibilidade. As mortes nessa altura não eram normais, eram o resultado da austeridade. A gritaria e o histerismo eram ensurdecedores.

Isto podem parecer notas sem grande importância, mas são sintomas de uma democracia doente em que diferentes situações despertam diferentes reacções consoante os actores no poder. Chegamos ao ponto em que há eleitores que preferem um governo um pouco pior a troco de paz social. É esse exactamente o objectivo de movimentos sindicais politicamente dominados e orgãos de imprensa ideologicamente enviezados. Isto não é política, é chantagem social. Não vai acabar bem.

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6 thoughts on “A democracia sob chantagem

  1. A.R

    Muito bem! De facto ao assistir a sucessivas reportagens sobre o número de mortes recentes, dizem que do frio e da gripe, lembrei-me que qualquer morte nas urgências antes do golpaças era de falta de pessoal, dos cortes, da desmotivação, da austeridade, de Paulo Macedo, da insensibilidade, etc.

    Vivemos duas versões para uma mesma realidade criadas pelo jornalismo rasteiro que temos: uma se o o governo é de “direita” e outros se de esquerda. A verdade é que na saúde se gastaram mais 68 milhões de euros e os resultados são piores.

  2. A.R

    Por isso vemos as tiragens dos jornais diários em gráfico de barras e alguns jornais quase desaparecem. A tiragem diária de alguns não tem papel para eu limpar o rabo um ano inteiro. Podemos agradecer à classe jornalística que temos este fenómeno.

  3. mariofig

    As duas mensagens, do André e do Carlos, são importantes pontos de reflexão para o novo ano. Acima de tudo pelo apelo que fazem à honestidade intelectual de todos nós. Mas não podemos sair de um estado de crítica desonesta para logo de seguida ignorar o essencial.

    A comparação infeliz de Augusto Santos Silva não pode ser dissociada de quem a proferiu. Ele é o tal que também gosta de “malhar na esquerda”, somando ao longo dos anos, desde pelo menos os tempos de Sócrates, todo o tipo de “infelicidades” que o caracterizam como um político barulhento, de baixo nível e com pouco ou nenhum sentido de estado. Hoje é Ministro dos Negócios Estrangeiros. Se concordo que olhando para o caso da Feira de Gado de forma isolada não existe qualquer matéria para exigir a demissão, não é menos verdade que a sua demissão deveria ser uma questão de principio, independentemente deste acidente, porque não se vislumbra em Augusto Santos Silva qualquer qualidade política ou diplomática para comandar o ministério que comanda. E é nesse contexto que o episódio da Feira do Gado se torna relevante para a sua demissão, uma vez que confirma a sua incapacidade política.

    No caso das mortes em hospitais, também concordo que existe alguma hipocrisia na criticas que se fazem aos recentes incidentes. Mas também não se pode ignorar estes incidentes sem olhar para o desinvestimento público do último ano e para o OE anunciado com toda a pompa e declarações de fim da austeridade. Pelo que a pergunta se estas mortes eram evitáveis é justa e importante. Tanto mais que sabemos que pelo menos um dos falecidos morreu de enfarte após 3 horas ou coisa parecida à espera de ser atendido nas urgências. O que realmente está em causa são as mortes injustificadas dentro de hospitais, que da esquerda à direita, devem ser denunciadas. Não se pode dizer que é “normal devido ao frio”. Se estes acidentes passarem a ser lugares comuns do serviço hospitalar público e tratados como estatísticas, então não mais existirá a pressão natural (essencial) que uma sociedade deve efectuar junto deste tipo de serviços no sentido de os manter sempre em bicos de pés. O conformismo é a melhor forma de passar de 0.5% a 2% enquanto se acha que é sempre normal.

  4. mariofig

    Augusto Santos Silva gosta de “malhar na direita”. Não é na esquerda, como por lapso escrevi acima.

    (Se bem que o dito militante do PS é tão alarve na sua conduta política, que bem vistas as coisas é mesma na esquerda que acaba por malhar pela má imagem que dá)

  5. JP-A

    Não sei porquê, mas de repente deu-me para pensar como seria se o Donald Trump dissesse a mesma coisa a um amigo dentro de um autocarro em movimento.

  6. Correcto e afirmativo.
    Mas ninguém cala as esganiçadas!
    E os jerónimos porque é que fazem tanta gritaria!
    Os arménius já não berram porque berraram tanto entre 2011 e 2015 que perderam o pio.
    Pobrezinhos dos borregos pastoreados pelo SS

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