Douta Ignorância sobre a População Desempregada

A Priscila Rêgo, do blog Douta Ignorância, criticou no seu artigo “Desemprego? Nah…” o meu artigo de ontem População Empregada nos EUA, o que deu depois origem a uma referência no Aventar.

Vou assumir que o artigo da Priscila foi escrito num momento de raiva provocado por se falar em desemprego, o artigo falar em desemprego baixo e em Portugal governar o PSD e não a esquerda radical. Fosse a situação diferente, talvez passasse e até lesse bem o que escrevi, mas assim a vontade de escrever foi mais forte… e saiu asneira.

Vamos lá ver se nos entendemos:

  1. O desemprego encontra-se a um nível elevado. A sério Priscila? Não diga. Que novidade…
    Depois coloca um gráfico como se fosse necessário provar a afirmação…
    Fica aqui o gráfico também, para que não se diga que escondo dados.
  2. A Taxa de actividade feminina tem vindo a aumentar. Outra novidade que ninguém antecipava!
    Mais uma vez, com gráfico. Podia queixar-me que ela não coloca referência, mas como é um dado conhecido, siga.
    Aqui fica também:
  3. Com base nestes 2 dados (a que aliás eu aludo no meu artigo original logo na 1ª linha), eu apresento o gráfico:
  4. Até aqui, tudo bem. Mas engraçado é ver as conclusões:
    Ricardo: População empregada está ao nível dos níveis durante a época dourada Americana (Geração Baby Boomers). Achei curioso que os 2 efeitos (mais activos, mais desemprego) se anulassem e estivéssemos hoje com o mesmo nível de população empregada (58%) que havia durante aquela geração. É estranho dada a diferença de prosperidade nos 2 períodos…
    Priscila: “O Ricardo desvendou uma conspiração da imprensa mundial para ocultar a força do mercado laboral americano.” Conspiração?!? Onde? Quando? Como? Quem? Ridícula a hipótese. A Priscila deve pensar que somos parecidos e que eu também devo procurar conspirações em tudo quando é poder. Desafio-a a me apresentar uma instância – apenas uma – em que eu tenha invocado o tipo de conspiração que agora me tenta colar.
  5. O Mercado Laboral Americano, a correr mal, vai prejudicar o Obama. Não deve ser difícil encontrar informação neste blog que sugira que o Obama talvez não seja o meu político favorito. Então qual é o meu interesse em provar a “força do mercado laboral americano“?!? Está a ver o ridículo da situação?

O desemprego não é um mito. Existe e está ligeiramente acima do dobro do que seria considerado normal.
A frase de que ele é um mito nem é verdade nem foi o que eu disse.

O que eu disse foi: o desemprego existe, mas se combinarmos os dados da outra taxa, a população empregada mantém-se nos 58%. Que curioso. Assim,  apresentei os dados e nem defendi os políticos ou o país, nem ofereci teorias explicativas pois neste momento ainda estou a ler sobre o assunto (e esperava que com a publicação alguém nos comentários ajudasse).
O que eu não esperava era este tipo de “resposta”.

Quanto aos tags, óptimo: assim vou poder ficar ao lado de “mercado labora”. Para quem corrige tanto comete muitos erros, digo eu.

Quanto ao João José do Aventar,
Isto de ir a correr a chamar “analfabeto” a todos pode correr mal. Neste caso, como eu acabei de justificar, a Priscila reagiu a quente e errou completamente na sua análise. Correu-lhe mal. E agora, que eu não sou um “analfabeto”, o que é que o João José é?

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21 pensamentos sobre “Douta Ignorância sobre a População Desempregada

  1. lucklucky

    As pessoas têm muita dificuldade em sair do conforto das ideias feitas…

    Aqui está um artigo recente. Como se vê no gráfico a % população disponível para trabalhar aproxima-se da época em que as mulheres não trabalhavam(fora de casa) tanto.
    http://www.washingtonpost.com/blogs/ezra-klein/post/the-incredible-shrinking-labor-force/2012/05/04/gIQANXAy1T_blog.html

    “If the same percentage of adults were in the workforce today as when Barack Obama took office, the unemployment rate would be 11.1 percent. If the percentage was where it was when George W. Bush took office, the unemployment rate would be 13.1 percent.” – assumindo claro que mais pessoas dispostas a trabalhar não implica mais trabalho.

    Note-se que uma parte também é o envelhecimento da população e a consequente reforma.

    “É estranho dada a diferença de prosperidade nos 2 períodos…”

    Isto não entendo.

  2. Riqueza produzida é muito maior agora que nos anos 60. A ideia de que os anos 60 seriam anos mais prósperos (no sentido em que tudo parecia estar a melhorar rapidamente) deve-se em parte ao facto de ser uma época em que as mulheres deixaram de ser domésticas e entraram no mercado de trabalho, o que aumentou a respectiva produtividade.

  3. neotonto

    “O desemprego não é um mito. Existe e está ligeiramente acima do dobro do que seria considerado normal.
    A frase de que ele é um mito nem é verdade nem foi o que eu disse”.

    E uma verdadeira lástima sim senhor.Pena que o Sr. Ministro de Emprego nao tenha nem um minuto, nem um momento de tempo para perder e deixar de fazer mais e mais desempregados e vir para aquí confirmar que existe-o-desemprego-e-está-ligeiramente-acima-do-dobro-do-que-seria-considerado-normal. Enfim.

  4. vivendipt

    Eu acho que o nome do blog onde essa artista escreve diz tudo. Os americanos nunca estiveram tão endividados e e desindustrializados. Tudo resto são balelas.

  5. Obrigado pelo artigo sortudo.
    No fundo, para a 1ª parte do problema, afirma que não é só que “over 3 million unemployed workers have called it quits due to Obamanomics”, mas que a pirâmide demográfica está a ajudar, com a reforma dos Baby Boomers.
    Para a 2ª parte – porque é que a mesma população empregue é um cenário tão negativo e há tanta pressão para aumentar – não sei se a participação das mulheres explica tanto quanto o João Miranda pretende…

  6. Não Interessa

    Tenho um amigo assim, Ricardo. Quando alguém o apanha numa bacorada, começa logo a alterar vírgulas.. “não, tese!? Que tese!? Onde é que viu uma tese!?” Ridículo. Todo o seu post é uma tese. Faça-se homenzinho e assuma as conclusões que tirou e que pretendia que se tirassem.

  7. Não Interessa

    Leia, leia. O que o Miguel Madeira escreve no Douta ou o que o João José Cardoso escreve hoje. Não esconda a mão depois de atirar a pedra, que isso é coisa de miudos.

  8. Miguel, agora fiquei com inveja de ti pá. Tenho de ir intervir nos teus posts a ver se também recebo elogios destes.
    Se bem que alguém me chamou de fassssista no outro dia o que, como é tão obviamente despropositado, é muito engraçado ouvir.

  9. “O problema da crise actual não é a redução da população empregada.”.
    Hum, muito audaz, sim senhor. Continuam.

  10. Caro Ricardo, não tenho problema nenhum em dizer-lhe onde está a sua tese. A sua tese é “o problema da actual crise não é a falta de empregos”.

    Ou era, antes de lá ter ido alterar o post para reformular a ideia.

  11. Não Interessa

    Tenho QUASE a certeza que publiquei um comentário que levou corte. Mas enfim, era mesmo isso.. “Ah houve quem assumisse isso!? Não, não e a explicação é tão simples que até vou alterar o post para não estar lá o que escrevi originalmente”. Porra, que ridículo..

  12. Pingback: Historiador sobre a População Empregada « O Insurgente

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