Um verdadeiro símbolo do socialismo

António Costa e o PS homenagearam no Domingo passado João Cravinho. Um dos ideólogos do esquerdismo socialista e um dos artífices do nosso atraso estrutural e contribuinte directo para as bancarrotas.

A propósito da “obra” de João Cravinho, recordo um post do Luís Rocha no Blasfémias

Se nos pusermos num exercício culpabilizante e quisermos aferir que cabeças deverão rolar por conta dos investimentos faraónicos que nos arruinaram e hipotecaram a próxima geração, a de João Cravinho será a primeira a ir para o cutelo, destacadíssima de todas as restantes.

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O plano B é meter na gaveta o plano A!

“A execução orçamental até Agosto de 2016 das Administrações Públicas (AP) registou um défice de 3.989,5 milhões de euros , inferior em 80,8 milhões de euros ao registado em igual período de 2015.”, na execução orçamental hoje (26/09) publicada pela DGO.

Como tenho vindo a apontar, a razão da descida do défice público, registada até agora, está (cada vez mais) na compressão da despesa de capital das administrações públicas (onde se inclui o investimento público), que até Agosto contraiu -8,7%, contrariamente à previsão de crescimento de +18,1% estabelecida no Orçamento do Estado para 2016. Esta compressão do investimento (observado em todos os domínios da administração pública, é de notar), a par de alguma contenção dos consumos intermédios (uma contenção que, no entanto, tem vindo a atenuar-se) e dos subsídios na despesa corrente, têm permitido até ao momento a redução do défice público. Mas o caminho está a estreitar-se. Por um lado, a despesa com pessoal e com juros mantém-se acima do esperado. E, por outro, a receita do Estado está muito, mas muito mesmo, abaixo da estimativa implícita ao OE2016. Assim, neste momento os dados conhecidos até ao final de Agosto indicariam (tudo o resto constante) um défice em contabilidade pública de aproximadamente 6.000 milhões de euros no final do ano, ou em contabilidade nacional (o que vale para Bruxelas) um défice de 4.700 milhões (2,7% do PIB).

Ora, como escrevi antes, a receita efectiva do (sub-sector) Estado não está a crescer nem de perto os 5,5% que o OE2016 antecipava. Na realidade, à data de Agosto, a receita efectiva está…a decrescer 0,1%! Ainda que a cobrança de IRS possa estar penalizada por notas de cobrança que derraparam nos prazos e que apenas se traduzirão em acréscimo de receita em Setembro, a verdade é que o IVA não descola (+0,3% vs previsão de +3,2%) e até mesmo o ISP está abaixo do esperado (+43,6% vs +62,2%) não obstante o aumento extraordinário de que este imposto foi alvo este ano (o que também não é surpresa tendo em conta que o consumo de gasolina continua a diminuir). Os dados parecem confirmar que até mesmo a mais conservadora estimativa oficial de crescimento económico para Portugal (a do FMI, que é de 1,0% em 2016) pode ter de ser revista em baixa. Eu continuo a trabalhar com um cenário de 0,8% a 1,0%, mas não há como fugir-lhe: a evolução das receitas do Estado está a surpreender pela negativa, e não é por falta de apetite das Finanças!

Agora, sabe-se que há no OE2016 despesa corrente no valor de 0,2% do PIB que pode ser cativada. A pergunta que eu faço é se as Finanças não o estão já a fazer? Se de facto já o estão a fazer, e portanto sem cativações adicionais para fazer sobre a despesa corrente, não se chegará à meta de 2,5% do PIB estipulada pela Comissão Europeia (nem muito menos aos 2,2% previstos no OE2016). E assim, com as pressões que se vão sentindo do lado da receita, restará apenas a compressão adicional do investimento público para dar a pancada final rumo às exigências da CE em 2016. Porém, e porque estas habilidades têm sempre vida curta, o seu adiamento não fará com que deixe de contar para as regras às quais Portugal aderiu no contexto da zona euro, em particular quanto ao défice estrutural em 2017 (como, aliás, o Conselho de Finanças Públicas e a própria CE vão alertando). De resto, não deixa de ser sintomático que, de acordo com o Expresso do último fim de semana, o défice nominal que o Governo pretende propor para 2017 seja de 1,8% a 2,2% do PIB, quando ainda há poucos meses se comprometeu (no Programa de Estabilidade 2016-2020) com 1,4%. A diferença (de 0,4% a 0,8% do PIB) provavelmente reside na despesa de capital que este ano poderá acabar por ser adiada. E daqui se poderá extrapolar qual teria sido o verdadeiro défice (nominal) em 2016.

José António Saraiva e São José Almeida: descubra as diferenças

Os homosexuais fassistas não têm direito à privacidade do túmulo…

Guterres e Durão Barroso

Se Guterres vier a ser SG da ONU, vai ser engraçado assistir às explicações sobre a relevância de ter um português nesse cargo de prestígio por parte daqueles que, durante anos, insistiram na irrelevância de ter um português na presidência da Comissão Europeia.

– Alexandre Homem-Cristo, via Facebook.

Mais um aviso

Desta vez da UBS: Portuguese bonds: still not worth the risk

Credit analysts at UBS have taken a decidedly cool verdict on the former eurozone bailout nation which has found itself in the midst of a bond sell-off in recent weeks.

“Portuguese bonds don’t offer compelling risk-reward” says Lefteris Farmakis at the Swiss bank, noting the country’s deteriorating economic fundamentals provide a considerable downside for investors, despite the relatively juicy yield of over 3 per cent on its 10-year bonds.

A manipulação do Orçamento do Estado

“Na opinião de Sócrates, (…) ‘o que o país precisa é de investimento público, não de mexer aqui ou ali nos impostos. O que me espanta é que veja pela primeira vez esta situação absolutamente curiosa de ver um Governo socialista atacado pela direita com a direita a dizer devíamos fazer mais investimento público”, (via Dinheiro Digital)

Da execução orçamental conhecida até agora sabem-se algumas coisas: a) que a receita do Estado está a crescer pouco mais de metade do esperado, b) que a despesa corrente do Estado está controlada, ainda que comecem a surgir alguns pontos de stress (na despesa com pessoal e sobretudo nos juros); c) que os pagamentos em atraso inverteram uma tendência plurianual de queda e têm estado este ano em crescendo, e; d) que a despesa de capital, incluindo aqui o investimento público, está sob forte compressão (e em forte contracção) contrariamente à estimativa de crescimento para 2016. É o que nos dizem os dados conhecidos até agora e que hoje à tarde serão actualizados com nova publicação da execução orçamental (a final de Agosto) por parte da DGO. Sabemos ainda, cortesia do IGCP, que a dívida pública aumentou quase nove mil milhões no primeiro semestre de 2016, um aumento nominal (de 4%) superior ao crescimento nominal do PIB. Isto é o que sabemos.

Voltando à introdução deste texto, e às palavras do ex Primeiro-Ministro sobre o investimento público, o que verdadeiramente (me) espanta é a complacência com que os partidos que suportam a actual governação têm fechado os olhos à sua evolução. Bem sei que para os partidos é tudo política. E bem sei que há sempre alguma justificação para “contextualizar” os atrasos. Mas também me espanta que a direita invocada pelo ex-PM comece a deixar-se levar pela armadilha ideológica e retórica apontada. Porque a dicotomia entre a acção legislativa (a lei do Orçamento do Estado de 2016) e a acção executiva (a não execução das rubricas que constam da mesma lei) levanta importantes questões filosóficas (e políticas) relacionadas não com o mérito dos meios, mas sim com os propósitos e fins da própria lei. Por exemplo, perderá a lei do OE a sua razão de ser se na prática se traduzir em lei morta? Como deverão lidar os cidadãos perante a sua perda de relevância enquanto mapa de acção e responsabilização políticas? Como deverão reagir os contribuintes perante o abuso de lhes serem subtraídos recursos (pela via coerciva, convém sempre recordar) que afinal não são utilizados conforme previsto?

As questões levantadas antes encontram-se amplamente estudadas na literatura clássica sobre administração pública. Num dos primeiros ensaios sobre a importância da reforma orçamental do Estado, Willoughby (1918) defendia o orçamento como um instrumento de democracia, uma forma de relacionar a acção legislativa com a acção executiva, uma forma de afectação de recursos à governação e de responsabilização da mesma, um instrumento de eficiência administrativa que a gestão da coisa pública não poderia dispensar, de sinalização à opinião pública das operações passadas, das condições presentes e dos programas futuros. É por isso que, independentemente dos juízos de valor que cada um possa fazer quanto ao mérito de mais ou menos investimento público, o verdadeiro problema nesta discussão resume-se à desvirtuação conceptual do OE na actual governação. Porque das duas uma: ou o Governo deixou de ser representativo do seu eleitorado e programa políticos, deixando de responder à responsabilidade de executar a lei do OE emanada da AR (o verdadeiro órgão de soberania numa democracia representativa); ou o Governo não precisa dos recursos que de forma coerciva subtraiu aos bolsos dos contribuintes (a quem tem de prestar contas), pelo que, independentemente das visões políticas de cada um, a devolução desses recursos deveria ser a consequência política e legal. O pensamento abstracto é na essência teórico, porém, numa época em que valores e princípios estão em crise, em que frequentemente os fins não justificam os meios, a abstracção pode (e deve) ser fonte de persuasão.

Quem perde a vergonha, não tem mais que perder

Artigo de Adolfo Mesquita Nunes na Visão de 22/09/2016

Sim, a classe média está a pagar a agenda das esquerdas. Sim, estamos em 2016 a discutir ideias que nunca resultaram em parte alguma do Mundo. Mas o mais incrível de tudo isto não é que um partido trotskista diga coisas destas. É que o diga arrancando aplausos aos socialistas, é que o diga condicionando o nosso governo, é que o diga porque António Costa escolheu depender do Bloco para governar

Na integra aqui.
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Minimizando o comunismo

Alguém dizia, com elevado acerto, que os socialistas gostam tanto dos pobres que tudo fazem para os aumentar. Para alguns, porém, haver quem se choque por em pleno século XXI continuarmos a ignorar olimpicamente as lições da História e as evidências da economia, é fonte de ironia – como se o risco do socialismo fosse apenas o da overdose; como se o socialismo, tomado em doses moderadas, pudesse ser considerado inócuo ou até virtuoso.

É assim de registar o esforço de tantos colunistas da nossa praça em minimizar os paulatinos passos que o socialismo vai ganhando na sociedade portuguesa. Como se recusassem os valores do comunismo e do socialismo, e aquilo que prescrevem os seus ideólogos. Como se o desafio de procura de uma “alternativa ao capitalismo” fosse algo de inócuo e por eles não desejado. Como se não vivêssemos, hoje, numa sociedade já profundamente asfixiada e limitada por um status quo socialista, galopante.

Rui Tavares chama-lhe paranóia. Hayek chamou-lhe “Caminho para a Servidão”.

O Insurgente foi novamente censurado no Facebook

Desta vez não gostarem que tivéssemos revelado a origem do infame “quem não deve não teme” de António Costa

Porque eu não consigo ver televisão há 10 anos?

midialatuffAntónio Barreto sumarizou bem o meu pensamento sobre a televisão contemporânea neste artigo no DN:

 

É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática. A preguiça é virtude. O tosco é arte. A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.

Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense. Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.

Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiz a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.

Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.

Pessoalmente, lembro-me sempre da frase “prefiro ver tinta a secar”. Ou formigas a desenvolverem-se (e para não pensarem que estou a brincar: Formigas Pretas Vs Formigas Vermelhas, Formigas apreciam Açúcar, Barata dá à luz ao ser morta por formigas)

 

Nova oportunidade para os críticos de cartoons XVI

hattar

Nahed Hattar já não blasfema. Foi assassinado por um imã à porta do tribunal onde iria ser julgado por insultar o Islão, a religião da paz.

A prominent Jordanian writer was shot dead by a suspected Islamist gunman on Sunday outside the courtroom where he was due to stand trial for offending Islam by sharing a cartoon on Facebook.

Nahed Hattar, a 56-year-old intellectual from Jordan’s Christian minority, was gunned down on the steps of a courthouse in Amman in what appeared to be a religiously motivated attack.

The gunman was arrested at the scene and a Jordanian security source identified him as Riyad Ismail Abdullah, a 49-year-old imam who was wearing traditional Islamic robes at the time of the shooting.

The alleged shooter recently returned from making the Hajj pilgrimage to Saudi Arabia, the source said. The gunman is believed to have acted alone rather than as part of an organised group.

The high-profile murder is a fresh blow to Jordan’s image as a bastion of stability amid the sectarian violence that is wracking much of the Middle East and the latest in a long string of killings across the world linked to cartoons about Islam.

Mr Hattar was arrested in August for sharing a cartoon on his Facebook page which showed a jihadist smoking in bed with two women while Allah waits attentively at the window for him.

The jihadist orders Allah to fetch him some wine and take away the dirty plates while demanding the archangel Gabriel get him some cashew nuts.

Mr Hattar said the cartoon was intended to mock jihadists and their twisted interpretation of Islam but Jordan’s government charged him with insulting the faith and “provoking sectarian rifts”.

The writer rejected the charges and planned to fight the case. If convicted, he could have faced up to three years in prison. (…)

Leitura dominical

Mais depressa se apanha o dr. Louçã do que um coxo, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Há oito dias, escrevi aqui sobre o livro Homossexuais no Estado Novo, onde a “jornalista” São José Almeida inventariou, sem o consentimento dos próprios e com alegada legitimidade académica, a orientação sexual de diversas figuras mais ou menos ligadas ao regime anterior. A coisa veio a propósito de um livro recente de José António Saraiva, Eu e os Políticos, nova colectânea de mexericos (a acreditar na imprensa) que deu brado principalmente por causa da anunciada, e entretanto cancelada, apresentação a cargo de Pedro Passos Coelho. No fundo, limitei-me a notar que, excepto pelas inclinações ideológicas dos autores, não compreendia o escândalo provocado pela segunda “obra” face à indiferença ou à exaltação suscitadas pela primeira.

Pois bem. Num blogue que mantém no Expresso (Tudo Menos Economia), Francisco Louçã resolve proclamar que o opúsculo do arq. Saraiva foi “defendido naturalmente por um cavalheiro do mesmo calibre que dá pelo nome de Alberto Gonçalves, no DN, e porventura por ninguém mais”. Na mesma página, em resposta a um leitor que discordava da afirmação, o dr. Louçã acrescenta: “Que bem que lhe fica defender o Gonçalves, que defende o Saraiva como pode e mais não consegue.” Abaixo, em resposta a outro leitor, o Louçã, perdão, o dr. Louçã (não quero intimidades com gente dessa) aconselha: “Leia todo o artigo do Gonçalves para ver como ele banaliza o feito do Saraiva.” Questionado por um terceiro leitor acerca do Homossexuais no Estado Novo, afinal a referência que permitiria determinar a “banalização”, o dr. Louçã esclarece: “Não li.”

Regresso à crónica da semana passada para lembrar a minha “defesa” arrebatada do Eu e os Políticos, da qual sinceramente não fazia ideia. Talvez por não ter existido. Fundamentado nas citações e alusões que saíram nos jornais, chamei-lhe “baldinho de lixo”, e garanti não duvidar de que se tratava de “uma porcaria”. É certo que não cheguei a exigir a lapidação ou o enforcamento do arq. Saraiva, mas isso deve-se apenas à brandura do meu carácter. Em qualquer dos casos, suponho, “lixo” e “porcaria” não são epítetos habitualmente utilizados na defesa seja do que for. Em qualquer dos casos, ou o dr. Louçã é demasiado burgesso até para os padrões do Bloco de Esquerda ou, para recorrer à deprimente retórica parlamentar, o dr. Louçã faltou à verdade. Em português, palpita-me que o dr. Louçã mentiu. E mentiu de maneira tão tosca, no sentido em que a verdade é tão fácil de repor, que o facto só tem uma explicação.

Ao longo da sua curiosa carreira, o dr. Louçã contou sempre com uma plateia de bonequinhos amestrados que levam a sério os incontáveis disparates que regularmente profere. Se a criatura se alivia de uma mentira pequenina, os bonequinhos acreditam. Se a mentira é grande, os bonequinhos acreditam também. Há muito que a criatura percebeu não valer a pena enfeitar as absurdas intrujices que diz, um produto com procura suficiente para, no estado bruto, permitir-lhe ganhar a vida sem preocupações. À semelhança dos correligionários dele, o dr. Louçã é, literalmente, um mentiroso profissional, ofício para cúmulo favorecido pela reverência dos media, a indigência da universidade que o emprega e o enviesado primarismo do nosso “debate” público. E como mentiroso profissional é incansável: se o dr. Louçã dá os bons-dias, é garantido que está a chover.

Admito que nada disto possui particular importância. Simplesmente não gosto que me acusem de proezas que não pratiquei. Por uma vez, convém que as desastradas mentiras do dr. Louçã não fiquem impunes. Por uma vez, uma singela vez, é higiénico avisar que tudo o que sai da cabecinha daquela criatura não passa – vamos lá rever a matéria – de um lixo e de uma porcaria. E agora espero encarecidamente que o dr. Louçã não me acuse de defendê-lo a ele, uma inominável vergonha e uma calúnia ainda maior do que a da defesa do arq. Saraiva.

Do Comunismo, do Nazismo e das inspirações de António Costa

Enquanto que é muito claro que a frase

“De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”

foi popularizada por Karl Marx (curiosamente no Kritik des Gothaer Programms em que criticava o pragmatismo do recém-formado partido trabalhista alemão que mais tarde se transformou no Partido Social-Democrata e sempre combateu e foi combatido pelo Partido Comunista Alemão até à proibição deste nos anos 50 por ser totalitarista) a verdade é que a frase

“Quem não deve não teme”

não se consegue atribuir inequivocamente a Joseph Goebbels apesar de muita gente (na Internet) o fazer (fica para trabalho de casa pensar porque seria tão plausível).

As boas notícias para António Costa, que proferiu as duas frases num espaço de 48 horas, é que enquanto pesquisei isto acumulei uma série de frases igualmente sinistras de cada um destes dois, ideologicamente tão próximos, pensadores (Goebbels foi um dos grandes artífices da aliança Nazi-Comunista em Berlim que culminou com uma bem-sucedida greve de transportes em 1932 apoiada pelos sindicatos vermelhos e pelos castanhos num dos momentos-chave da desestabilização da República de Weimar). Se precisar de mais alguma inspiração é mandar pedir.

Mariana Mortágua e a bloquização do PS

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O meu artigo desta semana no Observador: A bloquização do PS. Por André Azevedo Alves.

O ataque de Mariana Mortágua contra a poupança esconde por isso um outro julgamento: o de que a generalidade da actividade económica no contexto dum sistema capitalista é intrinsecamente ilegítima. Só isso justifica a condenação generalizada da acumulação da riqueza. Juntem-se as declarações de Mortágua à afirmação por parte de Catarina Martins de que comprar casa não é investimento e aos planos para dar acesso ao fisco aos dados de quem tenha contas bancárias que superem os 50 mil euros e ficamos com uma ideia mais clara das intenções e objectivos da “geringonça” neste domínio.

Adenda: Só depois de publicar o post me apercebi que o Miguel Noronha muito gentilmente já o havia aqui linkado. Manterei ainda assim este post por causa da imagem que o ilustra.

A bloquização do PS

André Azevedo Alves no Observador

Em 2016, o primeiro-ministro António Costa já não tem qualquer pudor – Mariana Mortágua certamente terá aplaudido a falta de vergonha – em descrever o seu modelo de sociedade usando deliberadamente terminologia marxista e o PS parece estar num processo de bloquização acelerada. Pelo caminho, o PS atira para o caixote do lixo o seu próprio legado na construção do actual regime democrático contra a mesma extrema-esquerda revolucionária de que passou a depender para se manter no poder. Um caminho que pode arrastar Portugal para um desfecho bem mais grave do que um segundo resgate.

 

Costa Descreve O Seu Ideal De Sociedade Usando Definição Comunista

António Costa, no debate quinzenal que se realizou esta Quinta-Feira, definiu o que para ele é uma “sociedade decente” usando a seguinte frase (fonte – recomenda-se a visualização do vídeo):

É uma sociedade onde cada um contribui para o bem comum de acordo com as suas capacidades, e cada um recebe de acordo com as suas necessidades”.

Comparemos pois a frase de António Costa com a frase de Karl Marx:

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Se dúvidas havia sobre o quão à esquerda se encontra o actual PS, creio que estas ficam dissipadas.

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As razões pelas quais o socialismo fracassa

socialismo

Una guía para principiantes sobre la economía socialista, de Marian L. Tupy.

Porque dentro de vinte anos as pessoas perguntarão umas às outras: onde estavas quando foi apresentado o Manual Modernista para a Modernidade?

manual-modernistaÉ amanhã o aguardado lançamento do livro Manual Modernista para a Modernidade, de Vítor Cunha. Bel’miró fará também uma aparição surpresa. Não temam: os serviços secretos de quinze países protegem este evento das ameaças terroristas repetidas nos últimos dias pelo Grupo de Amigos de Sócrates das Zonas Tribais do Paquistão. A apresentação contará com a minha intervenção – estava para ser Angelina Jolie (declarada admiradora do Vítor Cunha), mas ocorrências pessoais determinaram que não pudesse deslocar-se a Portugal, e evidentemente eu fui a substituição óbvia – mas não devem levar a mal ao livro e à sua apresentação por isso.

Apareçam.

20.000

Apenas alguns dias depois de chegar à marca das 19.000, eis que a Comunidade Insurgente no Facebook ultrapassou as 20.000 pessoas, com um reach semanal actual de cerca de meio milhão de pessoas.

Desta vez graças em boa parte a um impulso deste video de Bel’Miró.

Obrigado a todos pela preferência.

Mau sinal

Governo acima da meta europeia com défice de 2,8% no primeiro semestre

Recordo que o orçamento só entrou em vigo no 2º trimestre tendo nos primeiros 3 meses vigorado o regime de duodécimos que atrasou a política de “reversões” deste governo.  Recordo ainda que o limite do governo permanece inalterado nos 2.2% e que a “linha vermelha” da CE são os 2.5%

Não será por falta de avisos

FMI admite novo resgate a Portugal (RTP)
FMI avisa que já é tarde para corrigir défice deste ano (Observador)
FMI: economia “está a perder impulso” e meta de défice só com plano B (Expresso)
FMI reitera que são precisas medidas adicionais para cumprir défice (TSF)
FMI pede corte de 900 milhões em salários e pensões (DN)
FMI quer redução mais rápida do número de funcionários públicos (Público)
FMI aconselha Governo a ter cuidado com gastos em pensões e salários (TVI24)
FMI reforça cerco às contas de Costa (Jornal de Negócios)

A Direita não é fixe

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A direita, em Portugal, é aquela garota socialmente inadequada que se tenta adaptar para ser fixe, mas como nunca resulta, acaba por sofrer bullying de todos. Uns dias, quer ser moderna e xpto como a esquerda – aquela amiga tree hugger que apelida os omníveros de assassinos, que lança impropérios revolucionários no Iphone 6 e acha Marx um equivalente ao Pai Natal, mas mais simpático. Lá faz uns vídeos catitas, lança cartazes que parecem saídos dum concerto do mais novo dos Carreira, carrega no povo nos discursos, bate nos ricos, arranja lá umas propostas fracturantes manhosas em que ninguém acredita mas que julga capazes de comprar uns votos, elogia Mário Soares, torna-se feminista. Faz figura de parva, acaba gozada.
No dia seguinte percebe que ser bloquista não é fixe e passa a olhar os intelectuais como exemplo. Cita livros que não leu, refere músicas que não existem, fala do teatro com amor, ainda que só lá tenha ido para ver o La Féria, afirma que aquele filme dirigido pela Rita Blanca com João Canijo a protagonista é muito bom. Quando é entrevistada deixa cair mais nomes de conhecidos que um puto barrado à porta de uma discoteca, ainda que, como este, seja visível a dificuldade em articular duas frases em português correcto. Pior que tudo, elogia Mário Soares. E isso, claro, percebe-se à distância e, mais uma vez, termina em gozo a brincadeira.
Mas a direita não desiste e, na manhã seguinte, vem vestida de direita. Mas a direita antiga, tráz os modos dos pais e a roupa dos irmãos mais velhos, refina o sotaque, faz-se adulta, aparentemente. E esta coisa da liberdade de expressão passa a ser uma malcriadisse dos jovens, os valores cristãos andam pelas ruas da amargura, metam-se os pretos, os ganzados e os maricas em alto mar e “lá vai torpedo”, os chineses estão a rebentar com o comércio e vamos lá andar atentos que estes espanhóis não são de confiança – é fechar as portas e meter os D.A.M.A. a tocar na fronteira, que, desse modo, ninguém entra. Insulta Mário Soares – pelo menos isso – , mas considera que a saída das mulheres da cozinha nos colocou às portas de um holocausto demográfico.
E aí entorna o caldo, já não há paciência e a carga de porrada que leva é de tal calibre que falta a semana toda à escola. Um dia, a direita vai perceber que não é fixe tentar ser igual aos outros meninos e reconhecer que só lhe resta ser ela mesma para ser feliz – desde que, sendo ela mesma, fuja de Mário Soares como quem foge da malária.
Só que, caros(as) amigos(as), no que toca a pessoas, o bullying é uma coisa horrenda, mas no que toca à direita portuguesa é uma lambarice.

Do amadorismo

O Primeiro-Ministro mostrou hoje vários gráficos, todos dignos de nota. No fundo é um compêndio do livro “How to Lie with Statistics”.

No primeiro, pega na variação absoluta do PIB, a preços constantes, e trunca o eixo dos yy para parecer que a coisa está fantástica. Crescemos tanto.

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Julgo que foram bastante humildes. Se aproximarem as colunas a coisa parece ainda mais favorável. Algo assim:

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E, caso não chegue, afinem um pouco mais:

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Uma tendência explosiva.

O segundo gráfico também é maravilhoso. Sugiro que coloquem no eixo dos YY uma precisão decimal de 5 casas, para reforçar ainda mais o efeito.

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Enfim, a única nota positiva é que o PS coloca tanto rigor nos gráficos quanto coloca nas contas do Estado e nas finanças públicas. É coerente.

O totalitarismo do “quem não deve não teme”

Francisco Mendes da Silva no Jornal de Negócios

O que mais intriga na vontade do Governo de dar ao Fisco acesso automático a todos os saldos bancários dos cidadãos portugueses (pelo menos a partir de um certo valor) é que nem sequer se conhece o aspecto mais importante da ideia: a sua própria razão de ser.(…)

Foi talvez pela ausência de utilidade democrática da medida que, no mesmo Fórum TSF, Mariana Mortágua confessou defender o acesso livre da burocracia estatal às contas bancárias, sem necessidade de qualquer suspeita, com base na ideia de que “quem não deve não teme”. Assim mesmo, “ipsis verbis”, a deputada-estrela do BE a invocar a grande fonte de legitimidade narrativa dos fascismos e demais regimes totalitários. Se “quem não deve não teme”, por que razão não há-de o Estado ter um corpo de inspectores com liberdade para nos revistar a casa sempre que quiser, em busca de desvios domésticos à cartilha revolucionária? Se “quem não deve não teme”, que reduto de liberdade e privacidade poderá estar a salvo de uma qualquer curiosidade sinistra do Estado?

As declarações de Mariana Mortágua mostram que a questão, mais do que jurídica, é política. A legislação proposta não tem outro objectivo que não o de afirmar a ideologia totalitária de quem a defende, anunciando que a privacidade é um desvio e a propriedade, um roubo. Estamos avisados.

A justiça fiscal segundo Mariana Mortágua

Faz vida de rico e serás taxado como pobre; faz vida de pobre e serás taxado como rico.

Poupar é ser livre

Poupar tornou-se um acto de resistência. O meu artigo no ‘i’.

Poupar é ser livre

Mariana Mortágua acha que “temos de perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular”. Refere-se às poupanças dos portugueses. A deputada do BE acrescentou que uma sociedade estável não pode aceitar que se acumule dinheiro. A esquerda não gosta que se poupe. Ou porque vê no consumismo a salvação do Estado, o que não deixa de ter piada, ou porque quem poupa planeia a sua vida, e isso é inaceitável para quem o pretende fazer por via governamental.

Quem poupa pode escolher; quem poupa depende menos do poder político, dos altos e baixos da economia. É mais livre, menos sujeito ao poder discricionário de quem governa e de pessoas como Mariana Mortágua.

Se uma sociedade estável é aquela que não aceita que se acumule dinheiro, então a União Soviética era estável. Tão estável que não evoluía. Tão estável que ninguém decidia o seu futuro, planeado que estava pelos decisores políticos. Porque a estabilidade é uma faca de dois gumes afiada quando se limita a liberdade das pessoas.

A extrema-esquerda, e este PS que lhe dá palco, não gosta de quem poupa porque quem o faz não precisa dela. É independente, livre de escolher outro caminho. A sociedade ideal, a sociedade estável, é aquela em que se trabalha no Estado ou em empresas que estejam debaixo do olho do governo. Se somarmos a isso o não termos qualquer poupança que nos valha nos tempos de aflição, não passamos de ovelhas de costas viradas para os lobos. Poupar tornou-se um acto de resistência.