É fácil ser bloquista em Portugal

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A insustentável leveza de Catarina. Por José Manuel Fernandes.

É fácil ser Catarina Martins, e não é por causa dos arrependimentos. É fácil porque não é preciso ter um discurso coerente, apenas seguir os ventos que sopram e repetir os lugares comuns mais na moda.

(…) Neste seu país de conto de fadas não custa a Catarina despejar frases sonantes mas sem grande sentido – tudo porque no país real que somos ninguém lhe faz a pergunta que era importante fazer: mas quem é que cria a riqueza para pagar mais Estado e mais consumo? Nós ou os alemães? E quererão eles pagar – democraticamente – os nossos défices?

Por isso ainda bem que há entrevistas “fofinhas” para percebermos a insustentável leveza de alguns dos nossos heróis políticos.

Paulo Trigo Pereira e o Cenário Macroeconómico do PS

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Uma boa análise crítica de uma posição muito difícil de sustentar: A dialética socialista do Incumprimento. Por Vasco Mina.

Ontem, o economista e deputado do PS, Paulo Trigo Pereira, também ele um dos subscritores do citado Cenário Macroeconómico, apresenta a sua abordagem da situação económica e financeira do País. Começa humildemente por reconhecer o seguinte: “O crescimento económico é fraco há década e meia, não sendo por isso imputável nem a este nem ao anterior governo”. Assim sendo, por que subscreveu a tese de um crescimento de 2,4%? Ou seja, quando se é oposição (era o caso em 2015) então crescer é fácil e demonstrável num documento; quando se passa à governação, então o problema é do passado e resulta de uma observação estatística.

Leitura complementar: O plano macroeconómico do PS e a realidade.

José Vítor Malheiros, 2016: um caso de estudo (2)

A conspiração neoliberal na imprensa portuguesa e o Público. por Sebastião Bugalho.

Ao contrário do que hoje publicou, o medo de Vítor Malheiros não é a “hegemonia do pensamento conservador”. O seu medo, na realidade, é a existência do pensamento conservador em democracia. É verdade. Ele existe, está cá e chateia. Especialmente aqueles que lidam mal com diversidade.

José Vítor Malheiros, 2016: um caso de estudo

O jornalista vazado. Por CCC.

Não há ali sombra de argumentos. Não há, por ali, uma molécula que seja do tipo de decência intelectual de que nos falava Karl Popper. Nem sequer uma partícula subatómica de lógica ou de racionalidade. É um simples caso de vacuidade que o sr. Malheiros «jornalista» entendeu preencher com uma estrondosa bagunçada de absurdidades, num tom ora paranóico, ora persecutório. A visão estreita do que é a liberdade jornalística, o gosto pela distopia e a ampla assunção da sua ignorância em matéria de concepções políticas, são a prova de que a parlapatice não preenche vazios: amplifica-os.

Mais 5 mil milhões para a CGD…

Reforço de capitais da Caixa chega a 5.160 milhões. Estado mete capital, privados investem em dívida

Processo da Caixa é “espécie de manual do que não se deve fazer num Estado democrático”

O efeito “geringonça” no mercado de trabalho

A história de uma rosa do deserto

Foto: WAEL HMEDAN / REUTERS
Foto: WAEL HMEDAN / REUTERS

Sabe Deus as razões pelas quais o exercício de relações públicas a entrevista  à Primeira Dama síria, Asma al-Assad que saíu na Vogue desapareceu mas vale a pena ler o artigo de Joan Juliet Buck, My notorious interview with Mrs. Assad, the first lady of hell que revela detalhes preciosos.

Progress

Why can’t we see that we’re living in a golden age? Por Johan Norberg.

Karl Marx thought that capitalism inevitably made the rich richer and the poor poorer. By the time Marx died, however, the average Englishman was three times richer than at the time of his birth 65 years earlier — never before had the population experienced anything like it.

Fast forward to 1981. Then, almost nine in ten Chinese lived in extreme poverty; now just one in ten do. Then, just half of the world’s population had access to safe water. Now, 91 per cent do. On average, that means that 285,000 more people have gained access to safe water every day for the past 25 years.

Global trade has led to an expansion of wealth on a magnitude which is hard to comprehend. During the 25 years since the end of the Cold War, global economic wealth — or GDP per capita — has increased almost as much as it did during the preceding 25,000 years.

António Costa comenta governação de António Costa

Costa Parvo

Dívida pública volta a aumentar e já está perto dos 132% do PIB

A dívida pública portuguesa voltou a crescer entre Abril e Junho deste ano, fixando-se, na Óptica de Maastricht, nos 131,6% do produto interno bruto (PIB). Um valor que está acima da meta anual do Governo e das instituições internacionais.

Valores da dívida pública são “más notícias”, diz António Costa

António Costa criticou as “más notícias” sobre a evolução financeira do país, apontando o dedo às políticas de “austeridade” do Governo, que afirmou terem “fracassado”.

O líder do PS disse que “só com uma economia sã, teremos finanças públicas sãs”, comentando os números divulgados pelo Banco de Portugal que indica que a dívida das administrações públicas na óptica de Maastricht fixou-se em 128,7% do PIB em 2014, acima do verificado em 2013 e da meta fixada pelo Governo para o ano passado.

Parabéns Wikileaks

FREE ASSANGE

A Wikileaks decidiu revelar ao mundo informações pessoais e financeiras de centenas de bandidos. De entre os expostos contam-se algumas vítimas de abusos sexuais, relatórios médicos  de crianças e adultos e gays.

O caso já seria muito grave e revelador do encanto da organização de Julian Assange mas o detalhe da exposição ter como palco a Arábia Saudita – esse oásis – da democracila liberal e dos direitos humanos -, apimenta a coisa.

A organização informativa está, uma vez mais, de parabéns. Nem imagino o que o jornalismo-cidadão e a polícia religiosa local serão capazes de fazer com tamanha quantidade e qualidade de informação. O mundo respirará melhor quando a liberdade da verdade completar o seu caminho.

Private lives are exposed as WikiLeaks spills its secrets.

WikiLeaks’ global crusade to expose government secrets is causing collateral damage to the privacy of hundreds of innocent people, including survivors of sexual abuse, sick children and the mentally ill, The Associated Press has found.

In the past year alone, the radical transparency group has published medical files belonging to scores of ordinary citizens while many hundreds more have had sensitive family, financial or identity records posted to the web. In two particularly egregious cases, WikiLeaks named teenage rape victims. In a third case, the site published the name of a Saudi citizen arrested for being gay, an extraordinary move given that homosexuality is punishable by death in the ultraconservative Muslim kingdom.

“They published everything: my phone, address, name, details,” said a Saudi man who told AP he was bewildered that WikiLeaks had revealed the details of a paternity dispute with a former partner. “If the family of my wife saw this … Publishing personal stuff like that could destroy people.” (…)

Da série: “Se fossem coerentes, não seriam socialistas”

Notícia de hoje:

Governo quer quotas por sexo no sector público e nas empresas da Bolsa
Dez anos depois da introdução das quotas mínimas nas listas eleitorais, o ministro Adjunto defende o alargamento do princípio ao sector público e à Bolsa. No futuro quer abraçar a paridade pura.

Escolhas do mesmo governo que quer impor quotas a empresas privadas:

Ministros no governo:
13 homens
4 mulheres

Administradores da Caixa Geral de Depósitos (escolhidos pelo governo)
18 homens
1 mulher

Desconstruindo a Agenda Revolucionária Global

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É o título da recensão que escrevi conjuntamente com o meu colega Hugo Chelo, relativa ao livro A Globalização da Revolução Cultural Ocidental: Conceitos-Chave e Mecanismos Operacionais (Principia, 2015) de Marguerite A. Peeters, em boa hora publicado em Portugal pela Principia em parceria com a Fundação A Junção do Bem.

A recensão foi publicada no mais recente número da Gaudium Sciendi, a revista da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa. Aqui ficam os links para os conteúdos do Nº10 da Revista Gaudium Sciendi e para a recensão.

O FBI e os emails de Hillary

FBI descobre mais 15 mil emails que Hillary Clinton não divulgou

O FBI encontrou mais cerca de 15 mil emails que Hillary Clinton alojou num servidor privado quando era Secretária de Estado. Em 2014, já tinha entregue 30 mil emails e disse que não havia mais.

Continue reading “O FBI e os emails de Hillary”

10 Erros sobre o turismo em Lisboa

Corre por aí a teoria de que o turismo em Lisboa, por muitos efeitos positivos que tenha, está a dar cabo do melhor da cidade. Sim, o turismo é bom e tal, mas os coitados dos lisboetas estão a ser expulsos, a cidade está a ficar dominada por habitantes de curta duração e se não fizermos nada ainda acordamos com uma Lisboa sem lisboetas. Desengane-se quem pensa que esta teoria é apenas defendida por quem manda umas bocas em caixas de comentários ou nas redes sociais. Há quem, do alto de uma cátedra, e procurando credibilizá-la, ande a espalhar a tese.

É o caso de João Seixas (PhD), geógrafo, professor auxiliar da Universidade Nova de Lisboa, coordenador da equipa para a Reforma Administrativa da Cidade de Lisboa, painelista, etc. que escreveu um extenso artigo de opinião no Público intitulado “Dez teses sobre Lisboa“. A tese subjacente a essas dez teses é qualquer coisa como: a cidade de Lisboa estava a recuperar população e vitalidade até que em 2013 chegou o boom do turismo e do investimento estrangeiro e lá se foi essa recuperação e lá se foi a população e lá se foi a vitalidade. É a quinta “tese” desse artigo, sobre o “Acesso à Habitação”, que melhor resume o ponto de João Seixas:

“Desde 2008 que o centro histórico de Lisboa estava finalmente a recuperar da absurda doença a que havia sido sujeito durante décadas. Em população e em empresas. Registava-se mesmo uma recuperação do número de crianças e de jovens em idade escolar – confirmando que muitas famílias (das mais variadas classes sociais) se encontravam a ocupar, de novo, o centro urbano. Era uma recuperação lenta mas cada vez mais segura; e onde as expectativas detinham um papel essencial.

Mas instala-se, entretanto, uma mudança de forças que está a tornar a habitação muito mais cara e pressionada, e muito rapidamente. Desde 2013 que a cidade estará de novo a perder população estável e densidade residencial; a uma média de mais de 3500 eleitores/ano. A população escolar, após subir de 2008 a 2012, tem estado a diminuir de novo, sobretudo no pré-escolar e no primeiro ciclo.”

Uma pessoa lê isto, com números e tudo, e assusta-se. Até porque, como diz João Seixas no texto, “o que se passa é demasiado sério para superficialidades” e “as políticas de cidade devem ser construídas com base em conhecimento”. Querem ver que o turismo tem mesmo este efeito destruidor? Querem ver que havia uma tendência de povoamento de Lisboa desde 2008, no centro/centro histórico/centro urbano, e o turismo deu cabo da coisa?

Uma pessoa assusta-se e adere à tese e vai para as redes sociais bramir contra o turismo e os estrangeiros ricos. Ou então, vai tentar confirmar os números. É aí que se apercebe que nenhum dos factos e certezas e números apresentados por João Seixas é verdadeiro.

Acham que estou a exagerar? Venham comigo, olhar para os números de João Seixas um a um. Demora algum tempo mas ficamos com uma ideia bem precisa sobre a “seriedade” de quem constrói políticas de cidade com base no “conhecimento”.   

Comecemos a nossa aventura pela evolução geral da população de Lisboa (dados do INE):

População LX
Como se pode ver pelo gráfico, desde 1991 que Lisboa perde população todos os anos, sem excepção. Ou seja, ao contrário do que João Seixas diz, não é verdade que Lisboa tivesse recuperado população entre 2008 e 2012. Primeiro tiro na água.

E o “número de crianças e jovens em idade escolar”, assumindo que são representados pela população com idades entre os 0 e os 19 anos, o tal que estaria a crescer entre 2008 e 2013? Cresceu (linha cor de laranja no gráfico) mas, vejam só, desde 2012/2013, precisamente os anos em que João Seixas diz que começou o actual descalabro. Segundo tiro na água.

Mas talvez se olharmos para os alunos matriculados nas escolas do concelho (fonte), para a “população escolar” que João Seixas refere e não para a população residente, cheguemos onde João Seixas nos quer levar.

Alunos Matriculados
Não, ainda não foi desta. Pelos vistos, pelo menos desde 2005 que o número de alunos crescia e foi precisamente em 2008 que esse crescimento parou, contrariando por completo João Seixas. Terceiro tiro na água.

E o aumento expressivo em 2008, perguntam vocês? Vejamos com mais detalhe o que aconteceu entre 2004 e 2014.

Alunos Matriculados Por Ciclo
Como é bem visível, tanto o 3º ciclo como o ensino secundário têm comportamentos algo erráticos, com uma subida abrupta em 2008 seguida de uma queda desde essa altura, em linha com o comportamento do número total de alunos.

Porquê? Porque foi em 2008 que começaram em força as inscrições (de adultos) nos processos de RVCC – Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências e nos cursos CFA – Cursos de Educação e Formação para Adultos, as Novas Oportunidades dos governos José Sócrates. Ou seja, até esta subida abrupta de 2008, ao contrário do que diz João Seixas, não tem origem numa “recuperação do número de crianças e jovens em idade escolar” (que não existiu) mas sim nos mais de 19.000 adultos que se matricularam no 3º ciclo e ensino secundário das escolas de Lisboa. Quarto tiro na água.

E o que aconteceu à densidade populacional que, segundo João Seixas, também teria começado a descer desde 2013? Imaginem: também não se confirma (fonte: INE).

Densidade
Como seria normal, Lisboa perdeu densidade populacional todos os anos desde 2000. Entre 2012 e 2013 a queda foi particularmente acentuada devido ao aumento de área do concelho de Lisboa (de 85 km2 para 100 km2) decorrente da reforma administrativa de 2012 (ver os dados da Carta Administrativa Oficial de Portugal de 2013). Quinto tiro na água.

Terá João Seixas acertado na evolução do número de empresas? Pois, também não.

Empresas
O número de empresas em Lisboa (fonte: INE) crescia até 2008, caiu entre 2008 e 2013, e (até ver) começou a subir desde 2013. O pessoal ao serviço teve evolução idêntica. Mais uma vez João Seixas viu tudo ao contrário. Sexto tiro na água.

Então e se olharmos para o número de eleitores, como nos recomenda João Seixas? A evolução do número de eleitores em Lisboa, segundo os dados do recenseamento eleitoral (fonte) foi esta:

Eleitores
É óbvio que, entre 2001 e 2016, a única tendência existente é uma tendência de queda. Mais um “facto” de João Seixas que não se confirma. Sétimo tiro na água.

Mas há realmente uma subida em 2008. Talvez seja a esta subida anual que João Seixas se refere quando fala num centro histórico/centro urbano que recuperava população “desde 2008”. Mas é espantoso, para não variar, que face a esta evolução, em vez de falar em inversões de tendência inexistentes, João Seixas não se dê ao trabalho de investigar (ou, pelo menos, de explicar aos seus leitores) o que se terá passado em 2008 de tão atípico.

Se o tivesse feito teria descoberto que em 2008 houve um crescimento do número de eleitores em 51 das 53 freguesias de Lisboa enquanto nos anos anteriores isso tinha acontecido, em média, em apenas 3 das 53 freguesias.

Freguesias
Se tivesse continuado a sua investigação teria descoberto que a Lei do Recenseamento Eleitoral foi alterada precisamente em 2008, tendo sido introduzidas “diversas medidas de simplificação, com destaque para a inscrição automática de eleitores no recenseamento”.

Ou seja, entre 2007 e 2008 Lisboa ganhou 18.000 eleitores graças ao recenseamento automático. Em 2011, em pleno período de “repovoamento”, Lisboa já tinha perdido perdido 19.000. Oitavo tiro na água.

Mas bolas, será que ao menos os dados do recenseamento eleitoral mostram que houve um aumento do população nas freguesias do “centro histórico”/centro urbano a partir de 2008? Querem saber que mais? Isso. Adivinharam. Também não.

As freguesias do centro histórico, que ganharam 2.200 eleitores em 2008, perderam 3.500 logo em 2009, anulando o efeito do recenseamento automático. As freguesias que deram o maior contributo para o aumento (automático) do número de eleitores em 2008, simultaneamente em percentagem e em valor absoluto, foram Charneca, Lumiar, Ameixoeira, Marvila, Carnide, Alto do Pina, São Domingos de Benfica. Desde essa altura, apesar da tendência geral de queda do número de eleitores (que se tem vindo a atenuar), são precisamente as freguesias da zona Norte e Oriental de Lisboa que contrariaram minimamente essa tendência. Estão todas fora do centro histórico. Nono tiro na água.

Ainda em relação ao centro histórico, usando estes mesmos dados do recenseamento eleitoral, podemos ver o que se passou com a evolução do número de eleitores tentando comparar o que é comparável (entre 2001 e 2007, sem o recenseamento automático, entre 2008 e 2012, com “repovoamento”, e 2013-2016, com vistos gold e residentes não habituais e nova lei do arrendamento e alojamento local e a morte dos primogénitos dos lisboetas).

Freguesias CH

Aparentemente estes dados dizem-nos que o ritmo médio de perda de eleitores no centro histórico foi sensivelmente idêntico entre 2001-2007 e 2008-2012 e que, a partir de 2013, esse ritmo reduziu-se para metade. Ou seja, não só não houve qualquer melhoria entre 2008 e 2012, como pelos vistos há de facto uma melhoria quando o centro histórico, aos olhos de alguns, começa a ser “destruído”. Mais uma vez, o contrário do que afirma João Seixas. Décimo tiro na água? Pois, parece que sim.

Recapitulando:

  • A tendência de despovoamento de Lisboa nunca foi interrompida.
  • Não havendo uma interrupção da tendência de despovoamento, o turismo (e o investimento) não é uma explicação para esse despovoamento. As suas causas são muito mais profundas e longínquas e, pelos vistos, pouco ou nada foi feito para as anular.
  • Quanto muito, a confirmar-se uma inversão de tendência, esta dá-se a partir de 2012/2013 (ver, por exemplo, esta reportagem da Fernanda Câncio), altura em que a revitalização do centro urbano começa a ser evidente e a atrair residentes e investidores, tanto estrangeiros como portugueses.

Voltando ao texto de João Seixas, podíamos reescrevê-lo da seguinte forma:

“Desde 2008 que o centro histórico de Lisboa estava finalmente a recuperar da absurda doença a que havia sido sujeito durante décadas. Em população e em empresas. Registava-se mesmo uma recuperação do número de crianças e de jovens em idade escolar – confirmando que muitas famílias (das mais variadas classes sociais) se encontravam a ocupar, de novo, o centro urbano. Era uma recuperação lenta mas cada vez mais segura; e onde as expectativas detinham um papel essencial.

Mas instala-se, entretanto, uma mudança de forças que está a tornar a habitação muito mais cara e pressionada, e muito rapidamente. Desde 2013 que a cidade estará de novo a perder população estável e densidade residencial; a uma média de mais de 3500 eleitores/ano. A população escolar, após subir de 2008 a 2012, tem estado a diminuir de novo, sobretudo no pré-escolar e no primeiro ciclo já passaram oito anos.”

Mais uma vez chegamos à conclusão que quem quer encontrar no turismo e no investimento estrangeiro um bode expiatório para os males da cidade apenas tem uma solução à procura de um problema. Seria bom que se começasse a ser mais exigente com quem se propõe, com grande humildade e abnegação, dar-nos “uma ideia de futuro”, especialmente uma “ideia de futuro” que fede a um passado que Lisboa anda a tentar corrigir há décadas.

Leitura complementar: Como conciliar turismo e habitação

 

Leopoldo Lopez ameaçado de morte na prisão

Na Venezuela – à semelhança do que habitualmente acontece nos países onde o socialismo se aproxima da sua concretização totalitária – ser oposição implica arriscar a própria visa: Líder de oposição venezuelana foi ameaçado de morte na prisão

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Uma questão de publicidade

Esqueçamos a tirada "não existe má publicidade: apenas publicidade. " Reuters Tv/Reuters.
Esqueçamos a tirada “não existe má publicidade, apenas publicidade. ” Reuters Tv/Reuters.

Iran ends Russian use of air base because of unwanted publicity.

Sei o plano que apresentaste no Verão passado… (2)

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São mais as pessoas que preferem mentiras. Por Alexandre Homem Cristo.

O “Cenário Macroeconómico” do PS surgiu, em Abril de 2015, para satisfazer uma necessidade política concreta: legitimar o discurso de António Costa quanto a alternativas às políticas de austeridade de PSD-CDS e, servindo de apoio ao programa eleitoral socialista, credibilizar medidas como a acelerada reposição de salários da função pública – que, na opinião pública, seria recebida com desconfiança enquanto medida despesista e irresponsável caso não estivesse enquadrada pelo “Cenário Macroeconómico”. Ou seja, o documento teve uma finalidade política, mediática e eleitoral, e não uma utilização prática do ponto de vista económico. Assim, o rigor das contas foi sempre o aspecto secundário da questão – de resto, substituindo-se a transparência das mesmas (o PS nunca divulgou a base de dados com que trabalhou) pela exibição do currículo de Mário Centeno, que deu a cara e a reputação pela fiabilidade das previsões. O objectivo era, portanto, simples: acertar-se na mensagem para levar o PS ao poder, mesmo que, para tal, se tivesse de errar nas contas.

Sim, o PS perdeu as eleições – e, assim, poder-se-ia considerar que também dessa perspectiva o “Cenário Macroeconómico” fracassou. Mas essa leitura seria uma precipitação. Em boa verdade, o “Cenário Macroeconómico” foi um sucesso. É que nele consta a mensagem política – uma alternativa à austeridade sustentada no crescimento económico por via do aumento do consumo – que está na base do entendimento político entre PS e partidos à sua esquerda. Não importa se o documento ficou condenado à prateleira da ficção, nem aflige a “geringonça” que essa estratégia económica esteja a derrocar. O que importa é que foi essa ficção, partilhada por PCP e BE, que permitiu o conciliar da mensagem política do PS com a dos partidos à sua esquerda. No final, o “Cenário Macroeconómico” foi uma peça determinante na estratégia socialista para chegar ao poder – e, portanto, cumpriu o seu papel.

Leitura complementar: O plano macroeconómico do PS e a realidade.

The economic consequences of Brexit

Why economists are hopeless when it comes to Brexit. Por Allister Heath.

So why have economists been so surprised in recent days? Ideology – in the sense of a dislike of Brexit, and a particular interpretation of what it will end up meaning – is probably clouding their judgement. I say that as an ideologue on this matter myself, of course, albeit one who backs Brexit.

The difference is that I readily accept that there will be short-term costs to Brexit – first caused by uncertainty, and then by any measures that reduce economic integration with the EU – though I believe that the long-term benefits will be greater.

My view is that with the right free-market policies, our departure from the EU will eventually be remembered as a great triumph on every front, including economic.

Smaller political units are better managed than larger ones; and competition between these smaller units tends to make countries pursue more fiscally conservative and sensible, pro-growth policies. We’ll eventually find out who’s right.

As opções editoriais sobre crianças II

Rslan ym "fotógrafo" com amigos e passatempos verdadeiramente caridosos.
Rslan um “fotógrafo” com amigos e passatempos verdadeiramente caridosos.

Realidades que os media portugueses não noticiarão e que não se tornarão virais.

Syrie : la face obscure du photographe qui a immortalisé l’enfant blessé

Mahmoud Rslan, dont les images ont fait le tour du monde, ne cache pas sa sympathie pour un groupe rebelle qui a décapité un enfant, en juillet.

Leitura complementar: As opções editoriais sobre crianças.

Leitura dominical

Os malucos, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…)Os filhos do embaixador do Iraque que, em Ponte de Sor, espancaram um rapaz quase até à morte não possuem apenas imunidade diplomática: aparentemente possuem também imunidade noticiosa. Houve pelo menos um canal televisivo que tratou o caso sem sequer referir a origem dos agressores. Se a ideia era evitar críticas preconceituosas, acho bem. Acolher os representantes oficiais de nações amigas é compreender os respectivos costumes. Alguém condenaria os filhos do embaixador americano por organizarem uma partida de softball com colegas? Ou os filhos do embaixador cabo-verdiano por participarem numa sessão de mornas? Cada um diverte-se como sabe e pode. São as diferenças culturais que fazem do mundo um lugar lindo. E o respeito pelas diferenças torna-o ainda mais bonito.

Até onde pode ir a interferência do intervencionismo na vida pessoal?

Porque hoje é fim-de-semana, riam com um exemplo de intervencionismo que só agora me foi chamada a atenção: é ilegal ser gordo no Japão!

Um dia, para “baixar os custos de saúde”, que é afinal um “custo para todos”, ainda chegará a moda cá. Por agora, ainda podem rir😉

 

O plano de Paulo Portas

Paulo Portas, em reacção às críticas de Manuel Monteiro: Paulo Portas em Luanda demarca-se de polémica interna no CDS-PP

“Nunca dei troco a polémicas de natureza interna, muito menos a pessoas que até já fizeram partidos contra o CDS ou saíram até do CDS. Sendo muito breve, o meu plano é sempre o das relações do Estado português”, disse Paulo Portas, em declarações à imprensa.

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Sei o plano que apresentaste no Verão passado…

Na realidade, foi na Primavera passada mas o Verão é uma boa altura para fazer o necessário balanço: O plano macroeconómico do PS e a realidade

Independentemente do final que o filme que estamos a viver venha a ter, há no entanto uma coisa que é certa: o plano macroeconómico do PS chocou de frente com a realidade.

Estrasburgo, 19 de Agosto de 2016

Judeu esfaqueado em Estrasburgo por homem que gritou “Allahu Akbar”

Os truques do Público (2)

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Jornalismo lixo no Público. Por josé.

Este jornalismo é lixo porque não é jornalismo mas propaganda política pura. E com custos ocultos.

Ditadura fiscal não poupa ninguém

Fisco ataca casa de padres e pobres

As cartas das Finanças começaram a chegar no mês passado e dizem respeito a residências paroquiais, salas de catequese, conventos e largos existentes em frente às igrejas. Em Paço de Sousa, Penafiel, até as casas mandadas construir pelo padre Américo, fundador da Casa do Gaiato, para alojar pessoas em extrema dificuldade financeira vão, pela primeira vez em 66 anos, pagar imposto. E, em Braga, 20 padres já se dirigiram à diocese para contestar o pagamento de IMI em prédios com fins sociais e pastorais, isentos pela Concordata. Aveiro, Bragança, Leiria e Setúbal são outras dioceses em que o pagamento do imposto foi solicitado.

Leitura complementar: Quando a ditadura fiscal nos bate à porta; Da ditadura fiscal à miséria moral.

Make Trump Great Again!

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Se eu acreditasse nesse tipo de conspirações (em regra, não acredito), pensaria que, sendo Hillary Clinton uma candidata com profundas fragilidades a vários níveis e muito dificilmente elegível, a campanha de Trump até ao momento poderia ser um exercício cuidadosamente projectado para a tornar POTUS não obstante essas mesmas fragilidades: Trump campaign chairman Paul Manafort resigns

The resignation comes as the campaign seeks to correct course after weeks of damaging controversies and self-inflicted wounds, effectively evaporating Trump’s steady footing against Clinton in the polls and his post-convention bump. Trump is now trailing Clinton in every major poll.

Continue reading “Make Trump Great Again!”

Os truques do Público

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Um extraordinário critério “jornalístico” do Público para o destaque na primeira página (que é o que mais interessa, já que poucas pessoas lêem os artigos do jornal): interessam mais os 475.000 euros que a coligação PaF gastou num contrato publicitário do que o militante do PS que decorou salas pela módica quantia de 751.000 euros…