A Covid-19 e a “gripezinha”

Desde o início da pandemia de Covid-19, várias pessoas afirmaram que esta não era pior que a gripe sazonal. No seguimento de uma declaração do presidente do Brasil em que este afirmou que se contraísse a doença ela não seria mais grave que uma “gripezinha”, dado o seu estado de saúde de “atleta”, parte do mundo que fala português passou a incorporar a expressão “gripezinha” no seu discurso. Especialmente na defesa do argumento de que a Covid-19 é mais grave que a dita “gripezinha”.

Prima facie, a gripe não é brincadeira. A expressão “gripezinha” é por isso muito pouco aconselhável. A pandemia da chamada gripe espanhola provocada pelo vírus H1N1 infectou uns estimados 500 milhões de pessoas, cerca de um terço da população mundial na altura, tendo provocado a morte entre 17 e 50 milhões de pessoas. Uma taxa de fatalidade de 3,4% a 10%, objectivamente superior a qualquer das estimativas actuais de fatalidade para a Covid-19. Além disso, ainda hoje em dia, um século depois, estima-se que a gripe sazonal (incluindo outras estirpes além do H1N1) mate entre 300 mil e 600 mil pessoas por ano.

A pandemia de Covid-19 terá causado a morte a cerca de 1,1 milhão de pessoas (à data de hoje). A taxa de fatalidade implícita acumulada, tendo em conta o número de casos confirmados, é ligeiramente superior a 2,5%. Contudo, tendo em conta as estimativas da OMS de que 10% da população mundial já foi infectada, essa taxa de fatalidade poderá ser tão baixa como 0,15%. Temos por isso dois factos em confronto: Por um lado, a Covid-19 está a matar mais pessoas que a gripe sazonal. Se a mesma proporção de pessoas, relativamente à pandemia da gripe espanhola, for infectada, um terço, podemos ter cerca de 3,75 milhões de vítimas. Por outro lado, historicamente, a gripe foi muito mais mortal.

O confronto de factos acima referido tem várias explicações. Primeiro, os cuidados de saúde actuais são muito superiores aos de há um século. Muito provavelmente, se a humanidade estivesse a enfrentar o virus H1N1 agora pela primeira vez, a taxa de fatalidade seria muito inferior. Possivelmente ao mesmo nível da taxa que temos na Covid-19. Segundo, enquanto no caso da gripe a humanidade já teve tempo de criar respostas imunológicas, naturais ou por vacinação, que tornam a doença menos grave em quem a contrai, para o virus SARS-CoV-2 (que causa a Covid-19) ainda não. Finalmente, há estimativas que indicam que a susceptibilidade da população actual a consequências graves de Covid-19, necessitando de internamento, está limitada a cerca de 4% do total, enquanto as condições gerais há 100 anos tornavam vulenrável uma maior proporção da população.

Infelizmente, sabemos ainda pouco sobre a evolução real da pandemia de Covid-19. A diferença entre a estimativa da OMS e os números oficiais é gritante. O gráfico abaixo indica a mortalidade com Covid-19 para casos identificados 14 ou 21 dias antes em todo o mundo. Dada a variação que pode ocorrer de dia para dia por questões de tratamento de dados, bem como o facto do periodo entre infecção e morte variar, é usada uma média móvel de 7 dias tanto para mortes como para casos. Os dados foram obtidos junto do site Our World In Data (OWID).

A taxa de fatalidade “oficial” parece estar relativamente estável ligeiramente abaixo de 2%. A nível regional há zonas do mundo onde a taxa ronda 1% e outras onde ronda 3%. Tipicamente, os países onde a taxa de fatalidade é mais alta tendem a ser países onde a informação sobre o número de casos é menos fiável. No entanto, aceitando como válidas as estimativas da OMS, a taxa verdadeira (0,15%) é 13 vezes menor.

Sabemos que a tarefa de saber o denominador necessário para o cálculo da taxa de fatalidade é difícil. A maioria esmagadora das mortes resultantes de Covid-19 pertecem a grupos de risco, de idade avançada ou com uma ou mais condições susceptíveis de causar a morte que são agravadas pela conjugação de doenças. Mas o denominador alcança a quase totalidade da população, a maior parte da qual não chega nunca a mostrar sintomas.

É difícil tomar medidas políticas informadas neste contexto. Mas salta à vista que se os factos acima fossem conhecidos em março, dificilmente os governos teriam tomado as medidas que tomaram. Infelizmente, uma vez que entraram no caminho de confinamentos e restrições draconianas, a caminho de volta à normalidade fica muito mais difícil. A população está amedrontada pela impressão inicial da doença, que foi acompanhada de um quase pânico das autoridades face à falta de informação. Este medo condiciona os decisores políticos, que não querem ficar responsáveis por quaisquer más notícias que surjam no imediato. O inevitável aumento de “casos”, independentemente de na sua maioria não terem relavância para a saúde pública, mantém a tensão social num nível permanentemente alto. Como avisaram algumas pessoas no início do confinamento: O problema de seguir este caminho é que não é claro como sair dele.

Falsos Positivos no testes Covid-19 (2)

Como referi no último post, a precisão dos testes PCR à Covid-19 em contexto de baixa prevalência da doença é baixa. Uma grande proporção dos testes positivos são provavelmente falsos positivos. No entanto, este facto não nos permite concluir muito sobre a extensão da pandemia: Tendo em conta o ciclo normal da doença de 7 ou 14 dias, é possível, mesmo com taxas de prevalência baixas, que uma fracção muito significativa da população seja cumulativamente infectada.

Admitamos por hipótese que o número total de pessoas que está ou já esteve infectada em Portugal é 10 vezes o número oficial de 106000. Teríamos 1 milhão de pessoas infectadas desde março. Imaginemos, por hipótese que no mês mais infeccioso teríamos 3 vezes a média do periodo total. Nesse mês teríamos tido 300000 novos infectados, 10000 por dia. Tendo em conta o ciclo normal, nos dias em que a prevalência tivesse sido maior teríamos entre 70000 e 140000 infectados. De acordo com a curva azul do último post, nesse dia ainda teríamos uma probabilidade de um teste positivo ser falso que variaria entre 15% e 30%.

Por outro lado, a teoria por trás destes cálculos probabilísticos assume que a amostragem para realização de testes é aleatória. Isto tem impacto na quantidade de falsos positivos. Por exemplo, no início da pandemia apenas se faziam testes a pessoas que tinham sintomas ou que comprovadamente teriam estado em contacto com casos confirmados. Essa seleção de amostra implica uma quantidade de falsos positivos muito menor. Por isso, quando pessoas que trabalham em hospitais dizem que há pouco falsos positivos estão certas se estiverem a considerar a amostragem de testes feitos em hospitais. Nesse caso, como só se testam pessoas que têm sintomas ou que estiveram em contacto com casos comprovados, a amostra é tudo menos aleatória e provavelmente o número de falsos positivos estará muito mais próximo do valor teórico implícito na taxa de especificidade. Quando se fazem testes à entrada de uma fábrica, escola ou universidade, a amostra estará muito mais perto de ser aleatória, e abundarão falsos positivos.

A conclusão que se tira do exposto acima não é que os testes não servem para nada ou que o número de infectados é menor do que parece. É preciso separar os contextos dos testes para fazer o julgamento e definir o seu papel. Testar pessoas com sintomas num hospital é importante para confirmar infectados sintomáticos e identificar pessoas que pensamos estarem doentes mas que na verdade não estão. Ou, com um pouco menos de eficácia, saber se uma pessoa que esteve em contacto com um doente comprovado está infectada ou não. Já testar pessoas em contextos quase aleatórios não é eficaz para identificar infectados. Mas isso não quer dizer que não se devem fazer esses testes. Eles servem para observar a tendência de evolução. Mesmo com uma elevada proporção de falsos positivos, o aumento (ou diminuição) da taxa de testes positivos face ao total de testes efectuados mostra que a prevalência real da doença está a aumentar (ou diminuir). Essa informação também é importante. Não o nível de positivos, mas a sua proporção no total.

O que decididamente é má ideia é tomar medidas exageradas sobre pessoas cujos testes deram positivo no tal contexto aleatório, ou sobre as entidades que lhe estão ligadas. Sabendo o que sabemos sobre os erros desses testes, estamos a mandar para uma espécie de prisão domiciliária por 2 semanas uma enorme quantidade de gente perfeitamente saudável. O que também não quer dizer que uma pessoa com um teste positivo, mesmo que possivelmente falso, sem sintomas, não deve tomar cuidados acrescidos no contacto com outros, nomeadamente usar uma máscara e evitar proximidade de pessoas em grupos de risco. De igual modo, encerrar uma empresa onde houve alguns testes positivos resultantes de uma amostra aleatória é uma medida excessiva cujo resultado poder ser muito gravoso.

Falsos Positivos nos testes Covid-19

O Tiago Mendes tem feito um excelente esforço no Facebook para explicar a questão da potencial grande proporção de falsos positivos (FP) nos testes realizados sem recorrer demasiado à teoria. O Renato Roque tem também uma explicação da teoria das probabilidades por trás desse potencial. Não é nada intuitivo que testes com reduzidas margens de error possam ter proporções enormes de resultados errados, pelo que a explicação não é fácil. A explicação do Tiago Mendes é longa e apesar de não recorrer à teoria das probabilidades usa alguma matemática. Vou tentar explicar a coisa sem teoria e matemática complicada e com apenas aritmética comum e alguma lógica.

Imaginemos que sabemos com total certeza que 100 pessoas não estão infectadas com Covid-19. Se todas fizerem o teste, tendo em conta a taxa de especificidade do mesmo (97%), teremos 3 resultados positivos (100 menos 97% desses 100). Qual a probabilidade dos resultados positivos serem falsos? Como sabíamos com certeza absoluta que ninguém estava infectado, a probabilidade de serem falsos é de 100%, ou seja, de certeza que são falsos.

Imaginemos agora, em alternativa, que sabemos que as 100 pessoas estão infectadas. Então, saberemos com exatidão que a probabilidade de um resultado positivo ser falso é de 0%, pois todas estão.

Temos assim que, dependendo da quantidade de infectados real, ou seja, quantas das 100 pessoas testadas estão ou não infectadas de facto, que a probalidade de um resultado positivo ser falso varia dos 0% (quando todos estão infectados) aos 100% (quando nenhum está). Como evolui esta probabilidade à medida que são mais os infectados no grupo de 100? Haverá pontos em que é de 5% ou 30% ou 70%. Todos os valores entre 0% e 100%. Para saber a evolução exacta não há como escapar à teoria. A evolução não é linear. Depende do Teorema de Bayes, que permite estimar a probalidade de algo acontecer condicionada a sabermos que outra coisa acontece antes. Isto é, qual a probalidade de um teste positivo ser falso em função de sabermos a prevalência de infectados? Para as taxas de sensibilidade e especificidade dos testes PCR usados em Portugal, temos a curva azul no gráfico abaixo. A curva vermelha seria no caso de ambas as taxas serem de 99%. Conseguimos ver que para prevalências aproximadas a 1% (isto é 100000 pessoas infectadas em Portugal num dado instante) a probabilidade dos positivos serem falsos reduziria para 3,5% face aos quase 80%(!) na curva azul. Mas se os infectados fossem 10000, já teríamos uma probabilidade de 25% de um teste positivo ser falso (nem vale a pena comparar com a curva azul).

Portugal É o Quarto Pior País da OCDE em Termos de Competitividade Fiscal

Como já é habitual, Portugal está sempre do lado errado dos rankings. Por mais páginas de austeridade viradas e maravilhas proclamadas pelos partidos da geringonça, o facto é que Portugal não é de todo competitivo e atractivo num mundo cada vez mais global .

A tabela abaixo, elaborada pela Tax Foundation e publicada a semana passada, coloca Portugal como o quarto pior país da OCDE em termos de competitividade fiscal (fonte), posição essa que se mantem desde 2018 entre 36 países analisados.

Desdobrando os diferentes componentes do índice, Portugal ocupa entre os 36 países analisados:

  • 34ª posição em termos de impostos sobre as empresas
  • 31ª posição em na componente de impostos sobre o rendimento das pessoas
  • 32ª posição em termos de de impostos sobre o consumo
  • 18ª posição em relação aos impostos sobre a propriedade

Avante, partidos da geringonça! O último lugar da tabela está ao vosso alcance.

O Chucha-lismo Continua Em Grande Em Portugal

Bem dizia Frédéric Bastiat há mais de cem anos atrás, que entre trabalhar e viver do seu próprio trabalho; ou viver do trabalho alheio, o homem preferia viver do trabalho alheio. E desde que o homem descobriu que o podia fazer de forma “legal” influenciando as leis, o homem tem se tornado mais sofisticado na apropriação (aka saque) do trabalho do outro, sempre em nome de grandes valores e do bem estar da sociedade geral.

Não obstante terem conseguido a introdução da lei da cópia privada, de terem obrigado as empresas de streaming a incluir no seu catálogo 30% de conteúdo local, como a a chucha-lice não tem fim, eis que conseguiram agora obrigar as empresas de streaming a pagar uma taxa de 1% dos respectivos proveitos, taxa essa que reverterá para os parasitas do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e que servirá para “a financiar a escrita, produção, distribuição e exibição de obras de cinema e televisão em Portugal” – portanto, artistas de grande gabarito cujas obras ninguém pretende sustentar de livre vontade.

Certamente continuarão a tentar enganar o papalvo, dizendo que quem paga a taxa são as empresas e não os clientes – como se as empresas tivessem outra fonte de rendimento.

De realçar que as empresas de streaming são principalmente estrangeiras, e cuja adesão é inteiramente voluntária.

Vai ficar tudo mal: a vertigem do Covid-19

Anunciar a evolução do número de novos casos sem associar o crescimento no número de testes realizados é uma má prática que continuamos a difundir diariamente.

Estranharia que no mundo hoje não estivéssemos a conseguir fazer muito mais testes do que em Abril deste ano. A consequência de se fazerem mais testes é que, necessariamente, há mais casos positivos identificados, por comparação com o pico da crise em Abril. Do mesmo modo, não é líquido que o aumento da testagem a nível mundial não tenha sido acompanhado de uma perda de eficácia, resultante da (má) qualidade de alguns testes, ou até, das suas características (rapidez e simplicidade por vezes implica menos rigor na testagem), com necessário impacto nos chamados “falsos positivos”, ou seja, pessoas que tendo testado positivo, efetivamente não estão com o vírus.

Não me interpretem mal: é importante monitorar a evolução da doença, e rastrear é fundamental; sou totalmente a favor da testagem massiva. Os testes são uma componente essencial da gestão duma pandemia.

Agora, estar diariamente a endeusar estes números e a difundi-los de forma alarmista e até à náusea, sem os interpretar à luz de outros dados bem mais relevantes – como o número de mortos, a sua faixa etária, morbilidade, internados, internados em UCI – é próprio de uma sociedade masoquista dominada pelo pânico.

As melhores frases durante/sobre a crise pandémica


(edição revista e aumentada até 8.10.2020)

“Há baixíssima probabilidade de vírus em Portugal. A OMS está a exagerar um bocadinho.”
Graça Freitas

“Apelo para que visitem os lares: sejam solidários.”
Graça Freitas

“Não usem máscaras. As máscaras dão falsa sensação de segurança.”
Graça Freitas

“Testes? Testes negativos dão falsa sensação de segurança.”
Graça Freitas

“Esta semana chegam 500 ventiladores. Outros tantos após a Páscoa.”
Lacerda Sales

“Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?”
Ferro Rodrigues

“Não é necessário usar máscara. A AR é um edifício grande.”
Graça Freitas

“Admito a possibilidade de celebração do 13 de Maio.”
Marta Temido

“Já tenho um esquema para ir à praia.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“Senhor Presidente, isso não é permitido.”
Elemento da segurança de Marcelo Rebelo de Sousa

“Não vai haver austeridade.”
António Costa

“Tracei as linhas gerais para um plano a 10 anos em 2 dias.”
António Costa e Silva

“Comigo ninguém falou sobre qualquer plano.”
Mário Centeno

“Nos aviões não é necessário distanciamento porque as pessoas só olham para a frente.”
Graça Freitas

“A realização da fase final da Champions em Lisboa é um prémio para os profissionais de saúde.”
António Costa


“O que nós queremos é que venham muitos estrangeiros.”
Graça Freitas

“Que bom que foi poder ver o Algarve sem as filas e as enchentes de sempre.”
António Costa

“A pandemia pode ser uma oportunidade para a agricultura portuguesa.”
Maria do Céu Albuquerque

“Que cada um de nós recorra à horta de um amigo. Não açambarquem.”
Graça Freitas

“Admitimos retaliar contra países que impedem entrada de portugueses.”
Augusto Santos Silva

“Aparecem mais casos porque estamos a testar mais.”
António Costa

“A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, como forma de proteger as crianças que regressaram esta segunda-feira ao jardim de infância, criou um dispositivo que ajuda a manter sempre o distanciamento social. A solução surgiu sob a forma de um chapéu com quatro héllices.”
CMAV

“A Junta de Freguesia de São Martinho do Porto levou a cabo uma acção de desinfecção do areal da praia com um tractor e uma solução que continha hipoclorito, no início de Maio.”
JFSMP

“Vá, dentro do elevador cada um virado para o seu lado.”
Graça Freitas

“Até agora não faltou nada no SNS e não é previsível que venha a faltar.”
António Costa

“É muito difícil fazer previsões quando o mundo mudou em 360 graus em dois meses”
António Costa

“População menos educada e mais pobre poderá estar a potenciar uma maior incidência da epidemia no norte.”
TVI

“Existe, de facto, um produto muito eficaz, um produto que mata todos os micro-organismos e, portanto, bactérias e vírus, e que consegue durante um mês essa mesma segurança. Há uma película que é formada em torno das superfícies onde ele for aplicado.”
Matos Fernandes

“Estou aqui sem nenhuma proteção porque tenho a certeza que nem a Cristina nem nenhum dos adjuntos que estão aqui, que aliás são muitos, não representam qualquer tipo de problema para a minha saúde. Sei disso olhando para eles.”
Francisco George

“Por que é que aquilo só afeta os chineses?”
Cristina Ferreira

“Se isto é um milagre, o milagre chama-se Portugal.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“Não é patriótico atacar agora o governo.”
Rui Rio

“Confinamento é para manter diga a Constituição o que diga”
António Costa

“Nesta guerra, ninguém mente nem vai mentir a ninguém. Isto vos diz e vos garante o Presidente da República.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“É menos perigoso do que a gripe”.
Jorge Torgal

“Vai ficar tudo bem.”
Sem autor atribuído

“Quero felicitar o Senhor Presidente da República neste 4º aniversário da sua tomada de posse, com votos de que o ano que agora se inicia seja assinalado pelo mesmo nível de sucesso, aproveitando para o congratular pelos resultados negativos no teste efetuado.”
António Costa

“As Câmaras Municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia informam que a noite de São João se comemora a 23 de junho, ontem.”
CMP/CMVNG

“Cerca sanitária no Porto? Neste momento, e provavelmente hoje será tomada uma decisão nesse sentido, a ser equacionada entre a autoridade de saúde regional e nacional e o Ministério da Saúde, obviamente.”
Graça Freitas

“É mentira, é mentira.”
António Costa

“Se o primeiro-ministro puxou as orelhas à ministra teria certamente razão.”
Marta Temido

“A falsa frágil como as orquídeas que ama.”
Fernanda Câncio

“Existe nas últimas semanas uma ligeira subida numa tendência que é de estabilização da descida.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“No se trata de Lisboa, sino de algunos barrios de municipios vecinos. No existe ninguna relación con el centro de la ciudad de Lisboa donde se celebrará la Champions.”
António Costa
“O antibiótico é para combater o vírus.”
António Costa

“Temos uma enorme dificuldade em pronunciar o nome das pessoas, uma enorme dificuldade em comunicar.”
Rui Portugal

“Ir assim para a rua mamar copos sem máscara sem nada, hum…, não é boa ideia.”
Marta Temido

“As vacas não deixaram de existir e a poluição baixou.”
Maria do Céu Albuquerque

“Um dia será o Reino Unido a precisar de quem agora está em baixo.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“Com maus chefes e pouco exército não conseguimos ganhar esta guerra.”
Fernando Medina

“Ministério da Saúde não se pode deixar capturar pela crítica fácil e pela má-língua.”
Marta Temido

“Pandemia pode ser oportunidade para resolver problemas no acesso à habitação em Lisboa”.
Fernando Medina

“A questão do Estado de Direito não deve ser relacionada com as negociações sobre o plano de recuperação”.
António Costa

“Nós não estamos aqui para festas de anos de ninguém.”
Mark Rutte

“Ponto mais crítico da contração económica já ficou para trás.”
Siza Vieira

“Vamos beber o drink de fim de tarde.”
Graça Fonseca

“A melhor forma de dar a volta a esta crise é o crescimento económico.”
Siza Vieira

“O meu objetivo não é apurar a responsabilidade de surtos nos lares.”
Ana Mendes Godinho

“Não o li, mas a Ordem dos Médicos fez-me chegar o relatório e já pedi que o analisassem.”
Ana Mendes Godinho

“É fácil ficar no nosso consultório e passar o dia a falar por videoconferência para as televisões.”
António Costa

“É que o presidente da ARS mandou para lá os médicos fazerem o que lhes competia. E os gajos, cobardes, não fizeram.”
António Costa

“O Senhor Primeiro-ministro não reproduziu integralmente e fielmente aquilo que minutos antes tinha reconhecido à Ordem dos Médicos.”
Ordem dos Médicos

“Diga aos portugueses para votarem noutro Governo.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“Nunca pensei que chegássemos a cinco dias da Festa do Avante sem conhecer as regras do jogo.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“O encerramento das escolas não se devem ao facto de as escolas serem um local de contaminação mas pelo contrário a escola deve-se ao facto de a escola ser um local de contacto ser um local que favorece naturalmente a contaminação.”
António Costa

“A escola, em si, não transmite o vírus.”
António Costa

“O estudo do Instituto de Saúde Pública UPorto concluiu que não existe ligação direta entre as infeções da covid-19 e utilização do transporte ferroviário na Área Metropolitana de Lisboa.”
Pedro Nuno Santos

“É altura de deixarmos de pôr o país nas bocas do mundo, dizendo que a informação não é boa. Isso até nem é patriótico.”
Graça Freitas

“Uma vez que estive na reunião do Conselho de Estado a aplicação STAYAWAY COVID devia-me ter alertado. E não alertou.”
Rui Rio

“De acordo com estudo preliminar, o excesso de mortes em 2020 poderá dever-se à temperatura elevada.”
António Costa

Olof Palme vs. Louçã mentiroso

(…) a distinção entre preferências expressas e preferências reveladas. Traduzindo para português corrente, as expressas são as que dizemos ter quando alguém nos pergunta, ou seja, o que queremos pensar que somos ou o que queremos que outros pensem sobre nós, enquanto as reveladas são o que fazemos na prática, que demonstram o que realmente somos.

O Bloco de Esquerda expressa preocupar-se muito com os rendimentos mais baixos. Mas, quando confrontado com uma proposta que sobe o rendimento disponível de milhões de Portugueses, rejeita-a porque a mesma também beneficia uma minoria ínfima de “ricos”. E revela desta forma a sua real preferência e ambição: não é fazer com que deixem de haver pobres, mas sim que deixem de haver ricos.

Grande texto do Bruno Pinho, entitulado Olof Palme vs. Louçã (e seus discípulos).

Sobre a torção do pepino

No Observador:

Como argumentou C.S. Lewis, o poder de quem define um programa de estudo está não no plantar de teorias concretas nas mentes em formação dos jovens, mas antes na sub-reptícia instalação de pressupostos e axiomas na sua mente. Anos mais tarde, colocados perante uma determinada controvérsia, os jovens bem doutrinados assumirão automaticamente um dos lados do debate sem sequer reconhecerem que se trata de uma controvérsia.

Síndrome de Estocolmo portuguesa

Dois recentes acontecimentos da atualidade portuguesa fizeram eclodir uma ampla discussão que se tem vindo a movimentar por todos os seus refúgios. Desde o teclar furioso, triturador e surdo dos novos microditadores da opinião que habitam as redes sociais (e, quais caudilhos cegos às críticas e divergências, atestam a veracidade das suas opiniões pelo suporte ciberpopular que agregam), até aos espaços mais tradicionalmente mediáticos dos jornais. Uma nota: urge distinguir claramente estes dois espaços de opinião, enquanto a realidade o autoriza, uma vez que o progresso aponta para a vassálica aglutinação do segundo ao primeiro.

Os gatilhos dos corridos e escorridos rios de tinta e pegadas digitais foram, desta feita, o abaixo-assinado pela defesa da objeção de consciência na educação e a aprovação do curso de Medicina da Universidade Católica Portuguesa. Ainda a braços com uma crise sanitária e no prefácio do combate a uma colossal crise social e económica, há quem tome estes tópicos por de somenos, nomeadamente o relacionado com a disciplina de Educação para a Cidadania. Não poderia estar mais em desacordo, na medida em que a reação a ambos não poderia ser mais sintomática da limitadora relação de dependência dos portugueses para com o Estado, e do paternalismo retrógrado verificado no sentido oposto.

Direitos Humanos, Igualdade de Género, Desenvolvimento Sustentável: tudo domínios constituintes, entre outros, da disciplina em causa, e cuja apresentação a jovens portugueses considero positiva. Como motor de debate (nunca de doutrinação), pode até trilhar caminho para uma análise saudável de quais deverão ser os valores comuns para uma sociedade democrática e vibrante, uma sociedade em que se possa discutir sem acusações extremistas, por exemplo, se a própria obrigatoriedade desta disciplina se justifica. É, também e no entanto, um jogo perigoso, porquanto manuseia construções ideológicas mais ou menos contemporâneas, e, por isso, sensíveis a forças desestabilizadoras que podem manipular, ou até vir a dominar, essa contemporaneidade. Demais, a ténue linha entre doutrinação e fórum de debate está dependente de quem a leciona. A maior parte de nós concordará que deverá existir igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, de forma a materializarem o seu rumo enfrentando o mesmo grau de obstáculos. E se for ensinado que um agressivo sistema de quotas é o meio ideal para atingir esse fim? A concordância não será tão universal neste caso, pois que o meio poderá rasteirar a meritocracia, já tão maltratada em Portugal. Não me choca a existência da referida matéria, como de igual modo não me espanta, minimamente, a objeção de consciência levantada, colocando a disciplina num plano opcional. De resto, por todas as suas especificidades, assim o deveria ser, não fazendo qualquer sentido que quem não a frequente se veja atrasado no seu percurso académico. Nem no seu percurso como cidadão.

O que mais admira nesta história é a vozearia que emergiu contra a objeção de consciência e o abaixo-assinado. Vozearia, em grande parte, de timbre autoritário, que vê como ultrajante um movimento em tudo natural de um pai para com os filhos, removendo do Estado o derradeiro papel de educador e transmissor de virtude. Mas só assim o entendem porque nele veem, desde 2015, uma plataforma para a veiculação dos seus valores, imutavelmente bons e melhores. Apregoam, de olhar fixo, o seu conceito de liberdade, mas assustam-se quando o pressentem em choque com o que tentam edificar. Ora, confundem tremendamente educação com escolaridade, e talvez devessem frequentar a disciplina que por estas semanas têm defendido, de forma a vislumbrar o quão triste seria uma sociedade que de uma disciplina dependesse para ser cívica.

Viajando, agora, para o segundo tema. Foi com grande satisfação que me cruzei com a notícia que dava conta da aprovação do curso de Medicina da UCP, uma verdadeira pedrada no charco num dos domínios que mais tabus encerra à sua volta em Portugal: a educação. Logo se fez ouvir o puritanismo de que só o ensino público poderia ministrar tal curso. Porquê? Grande parte, por tribalismo futebolístico, pelo que avancemos. Outra, antevendo uma resultante má qualidade profissional. Justo, a qualidade a quem confiamos a nossa saúde é algo que nos deve apaixonar.

Apaixonar, mas não toldar a visão. Não é, obviamente, por ser uma universidade privada que o ensino será pior. Demais, dado o contexto atual, atrevo-me a dizer que as provas apresentadas pela UCP certamente terão sido cabalmente positivas, pois facilmente se adivinharia o tumulto e escrutínio que se seguiria, e seguirá, a esta estreia. Claro que a qualidade poder-se-á vir a verificar má, e, se assim o for, que o mercado trate de curar, ou adormecer, o curso.

É, então, salutar que os portugueses demonstrem esta desconfiança vivaz para com assuntos que os apaixonem. Certo é que a nossa saúde nesse quadro se insere. Seria contudo ótimo que essa desconfiança não tivesse como força motriz o inflexível dogma ideológico, antes uma verdadeira ânsia de melhoria. Uma ânsia que levasse os portugueses a ser tão desconfiados, também, para com o governo e a máquina pública do Estado, que tanto impacto tem na nossa saúde. Temos, agora, cerca de 50 mil milhões de razões que viajarão de Bruxelas que fundamentam esse grau de exigência para com uma Administração Pública que tantas provas miseravelmente negativas tem dado. Concluo com um repto para que esses, os que mais gritam por liberdade enquanto de censória caneta na mão a impedem, prossigam com a exigência. Que combatam também a dependência melosa para com o Estado, para que a vida possa prosperar com e além dele.

José Campos Costa