José Soeiro, indocumentado crónico

O indocumentado a indocumentar. A foto é de Paulete Matos, propriedade do Esquerda.net.

Bela resposta de Javier Martin, correspondente do El País, à ignorância e má-fé do bloquista sobre a Catalunha.

“ A rejeição e a anulação do estatuto de autonomia da Catalunha, aprovado pelo povo catalão e negociado com Madrid em 2006, foi um poderoso carburante para o sentimento nacionalista ”

Falso. O Estatuto de Autonomia está vigente, não foi anulado. O Tribunal Constitucional anulou alguns artigos que iam contra a Constituição, como acontece em Portugal ou em qualquer país com uma Constituição. Ao contrário, foi a maioria do Parlamento de Catalunha que nos dias 6 e 8 de setembro aprovou leis contra o seu próprio Estatuto.

“ Até ver, o seu gesto autoritário [do governo do PP], que na prática impõe um estado de exceção e suspende direitos fundamentais como a liberdade de expressão e o direito de reunião na Catalunha, só pode atiçar ainda mais o incêndio.”

Pergunto, está o senhor Soeiro em Barcelona ou lê as notícias na internet? Tenho todas as dúvidas. Se o senhor Soeiro for a Barcelona poderá acampar e dormir nos jardins públicos, frente ao Ministério das Finanças ou dos Tribunais de Justiça; também poderá ler jornais independentistas, ouvir rádios independentistas e ver televisões independentistas; e também poderá levar cartazes para dizer qualquer borrada, pode também fazer chichi dentro dos carros da Guardia Civil, como fizeram os manifestantes, e nada aconteceu. Nem uma detenção.

“… o governo de Madrid lançou uma vaga de repressão política, com aintimidação de altos funcionários catalães (acusados dos crimes de desobediência, prevaricação e desvio de fundos, por estarem a organizar um referendo “não autorizado”), a interdição da atividade pública de líderes eleitos e, agora, a apreensão de mais de 10 milhões de boletins de voto, o confisco das urnas e a prisão de altos dirigentes.”

Falso, não foi o Governo, foi um juiz (catalão, aliás). (…)

Não é um tema de votar, como bem sabe o senhor Soeiro. Votam muito em Cuba e em Venezuela. O voto não é garante de democracia e a votação do referendo do dia 1 não é uma votação nem democrática, nem livre, nem legal. (…)

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“Na América, está em curso um vigoroso renascimento conservador-liberal”

Carta da América. Por João Carlos Espada.

Na América, está em curso um vigoroso renascimento conservador-liberal. Conseguirá a vaga conservadora em gestação na Europa acompanhar a linguagem liberal e anti-estatista da sua congénere americana?

Nas últimas duas semanas, fiz uma pitoresca viagem americana, com início na jovial Universidade de Anchorage, no Alasca, e término na vetusta Universidade de Harvard, em Cambridge, MA. Por um lado, nada de novo: a cada passo, encontrei a vibrante sociedade civil e empresarial que sempre distinguiu a América. Por outro lado, algo de muito novo: emerge dessa sociedade civil uma profunda reacção conservadora-liberal contra a engenharia social politicamente correcta.

Esta reacção apresenta traços que também se vislumbram na Europa: reafirmação do patriotismo, oposição à imigração descontrolada, reafirmação das diferenças entre os sexos, recusa do abaixamento de padrões culturais e morais. Por outro lado, estes traços, que poderiam ser designados como conservadores, surgem profundamente associados à reafirmação das tradições liberais americanas: redução da área de intervenção do estado, liberdade de expressão e de religião, prioridade às instituições espontâneas da sociedade civil, forte crítica às organizações burocráticas e ao despotismo das suas regulamentações inovadoras.

Continue reading ““Na América, está em curso um vigoroso renascimento conservador-liberal””

Filme: “Entre uma paragem e outra” (2017)

O dia em que Merkel voltou a ganhar mas a política alemã mudou

Caso se confirmem as exit polls, com a AfD a ascender a terceiro partido na Alemanha e com mais de metade da votação do histórico SPD, o sistema partidário alemão mudou hoje de forma significativa e essa mudança dificilmente deixará de ter impacto na política (interna e externa) da Alemanha: German elections 2017 live: Exit poll predicts victory for Angela Merkel and major gains for AfD

Angela Merkel secured a decisive election victory on Sunday, according to exit polls, while the far-right AfD made major gains in a significant shake-up of the German political establishment.

Alternative fur Deutschland (Afd) won 13.5 per cent of the vote according to the exit poll, meaning it is the first far-right party to enter the German parliament for more than a half a century.

“Política orçamental: eficácia, sustentabilidade, equidade e controle democrático” – 26 de Setembro

No próximo dia 26 Setembro, a partir das 14:00, terá lugar na Nova School of Business and Economics a conferência “Política orçamental: eficácia, sustentabilidade, equidade e controle democrático”, na qual serão apresentados alguns resultados intermédios da investigação levada a cabo no âmbito do projecto “Orçamento, economia e democracia: uma proposta de arquitectura institucional”, coordenado pelo Professor Abel Mateus e em cuja equipa tenho tido o prazer de participar. Por me encontrar em Londres nesse dia devido a obrigações na St. Mary’s University, a apresentação da parte do projecto na qual trabalhei mais directamente estará a cargo da investigadora Catarina Leão, que colaborou comigo na sua elaboração.

Os restantes oradores da conferência serão Abel Mateus, Pedro Magalhães, José Tavares, Francesco Franco, Rita Calçada Pires, com comentários a cargo de Carlos Farinha Rodrigues, Orlando Caliço, Ricardo Reis, Teodora Cardoso, João Borges de Assunção e Rui Lanceiro.

A entrada é livre mas sujeita a inscrição. Mais informações aqui.

No iPhone do Ricardo…(23) Down by Flow, Micro Audio Waves

Estamos bem entregues

É por estas e por outras que nunca votei nas “autárquicas”, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Uma destas noites, sonhei que levava a Natalie Portman a jantar fora. Guardo os pormenores comigo. Na noite seguinte, sonhei que, por insondáveis processos, assistia a uma reunião do comité central do Bloco de Esquerda, onde um@ dúzi@ de sujeit@s pessimamente lavad@s escolhia a medida mais “fracturante” e demente a impôr ao parlamento, perdão, ao governo, perdão, ao país. Partilho os pormenores convosco.

— E se, dizia um@, criminalizássemos o uso de bikini na praia, por discriminação das muçulmanas que, no usufruto da sua liberdade, desejam banhar-se tapadas até ao cocuruto?
— Acho pouco, dizia outr@. E se, além disso, obrigássemos toda a gente a vestir “burkini”, a fim de prevenir a desigualdade de género?
— Nem pensar, já que essa atitude pressupõe o género apenas binário, claramente um constrangimento fascista.
— Exacto! Temos de inserir a não-binaridade no debate!
— Claro que sim. Até o Facebook, que é americano, logo fascista, inventariou 56 géneros.

— Significa então que precisamos de estipular 56 vestuários de praia?
— E 56 lavabos nos cafés das imediações?
— No mínimo!
— E com multas pesadas para os recalcitrantes!
— O que quer dizer recalcitrantes?
— Depois vês, mas pergunto-me se fará sentido discutir um tema tão pertinente fora da época balnear.
— Pois, é quase Outubro… Mas então vamos discutir o quê?
— Talvez a mudança de sexo das crianças ou assim…
— Isso, isso. Vamos obrigá-las todas a mudar para o oposto!
— E qual é o oposto de cada um dos 56 géneros?
— É pá, não compliques…
— E se algumas crianças não aceitarem mudar coisa nenhuma?
— É porque são vítimas de uma socialização retrógrada.
— E fascista, não te esqueças.
— Desculpem: e fascista.
— Não levem a mal, mas não há hipóteses de as crianças não quererem mudar de sexo?
— Criança não tem querer!
— E se apenas permitíssemos que as crianças decidissem?
— Só permitir não tem piada…
— E se proibíssemos os pais de opinar a propósito?
— Isso sim, é falar!
— E se os pais que discordarem forem processados?
— Pelos próprios filhos? Espectacular!

— Ficamos então por aqui: os putos transformam-se na Guida Scarlatty aos 16 anos e os paizinhos calam-se.
— E os outros 54 géneros?
— Agora não chateies, pá… Já viste as horas?
— Desculpem. Fui um bocado fascista.
— Pois foste, mas já passou. Não se esqueçam que para a semana vamos debater a legalização do casamento com moluscos.
— Excelente. Quantos géneros têm os moluscos?
— Vai chatear o Camões… Tenho de me despachar para apanhar o miúdo na escola.
— O miúdo não quer mudar de sexo?
— Levava um estaladão…
— Um fascista, é o que tu és.

Jobs For The Boys & The Girls

Muito bem António Costa a fazer baixar a taxa de desemprego em Portugal criando empregos altamente qualificados e de elevado valor acrescentado (imagem abaixo retirada do Jornal Sol).

Leitura complementar:

O futuro da liderança do PSD passa pelo Porto

Saiu hoje uma sondagem da Universidade Católica que coloca Moreira e Pizarro tecnicamente empatados e Álvaro Almeida em 3º com cerca de metade das intenções de voto dos seus adversário. Nesta onda de más notícias, há apenas uma indicação positiva para Álvaro Almeida: ao contrário do que se pensava, não é impossível derrotar Rui Moreira. Se até um candidato contrariado, como é Pizarro, pode fazê-lo, então qualquer candidatura forte o poderia fazer.

A saída desta sondagem coincidiu com a entrada de Rui Rio na campanha eleitoral de forma activa. Rui Rio está habituado a operar reviravoltas. Fê-lo em 2001 com a sua campanha e novamente em 2013, na sombra, quando apoiou Rui Moreira. O resultado final no Porto revelará se mantém as mesmas capacidades de outrora.

Rui Rio e Pedro Duarte têm agora uma excelente oportunidade de mostrar o que valem em termos eleitorais. Com um ponto de partida baixo, têm pouco a perder. Se conseguirem operar uma inesperada reviravolta, ganhando as eleições, dificilmente alguém lhes tira a liderança do PSD a médio prazo. Mesmo perdendo, um resultado superior ao que Menezes atingiu em 2013 seria um bom sinal dentro do partido, especialmente se Passos Coelho não conseguir fazer o mesmo em Lisboa com Teresa Leal Coelho. Se, pelo contrário, a jogar em casa, Rui Rio e Pedro Duarte obtiverem o pior resultado de sempre do PSD ficará também inequivocamente provado que não servem para liderar de um PSD nacional.

O futuro do PSD passa pelo Porto.

A patranha de António Costa

A minha crónica hoje no i.

A patranha de António Costa

A crónica de hoje tem demasiados números. É chato, mas seria importante que o leitor perdesse algum tempo com ela porque, no fim de contas, é quem vai pagar a conta. Algo de que pode não gostar, mas que não pode mudar. E o que tem sido difícil mudar em Portugal é a trajectória da dívida pública. Vejamos bem: em 2011, o ano de intervenção da troika, a dívida pública era de 183,3 mil milhões de euros, 107,2% do PIB, mais 22 mil milhões que em 2010. Em 2012 atingiu o valor de 203,4 mil milhões de euros, uma subida de 20 mil milhões, representando 122,5% do PIB. Foi com enorme esforço que subiu “apenas” para 213 mil milhões em 2013, ou seja, uns meros 10 mil milhões de euros. Em 2014 chegou aos 224 mil milhões, 128,7% do PIB, subindo em 2015 “apenas” 7 mil milhões, para os 231 mil milhões de euros.

Depois veio a geringonça: 241 mil milhões em 2016 (subida de 10 mil milhões) e 249 mil milhões em Julho de 2017 (mais 8 mil milhões em seis meses). Dizem-nos: mas o défice desceu. Certo. Mas desceu o défice face ao PIB, que subiu. O aumento da dívida pública é tão grave que, mesmo com o crescimento económico de 2017 – o maior do século, e o pior da Europa quando comparado o segundo com o primeiro trimestre deste ano –, a dívida pública em percentagem do PIB traduziu-se, em 2016, num rácio de mais de 130%.

António Costa veio agora, durante a campanha eleitoral, dizer que a partir de outubro, depois das eleições, o governo vai reduzir a dívida pública. Como, não diz. E não diz porque a redução a que se refere é a da percentagem da dívida face ao PIB e não do seu montante absoluto, que continuará a subir. Ou seja, não será a dívida que diminui, mas o PIB que cresce. O que significa que, apesar de tudo, vamos dever mais, que cada vez mais viveremos o hoje com o que vamos ganhar amanhã.

A ideia de Costa é que o PIB cresça a qualquer custo, fazendo de conta que está tudo bem. Mas quando a economia tropeçar devido a uma calamidade natural, a uma guerra, a uma recessão num país próximo de Portugal, ou até porque quem compra a nossa dívida ache que é demais, o crescimento abranda, a recessão instala-se, mas a dívida pública lá continua. Já não serão 250 mil milhões de euros, mas 260, 270, e com a queda, nessa altura inevitável, do PIB, não 130%, mas 140% ou 150%. António Costa anda contente, mas as causas da sua alegria são o esforço que todos fizemos e que não deveríamos permitir que alguém pudesse desbaratar para mero prestígio pessoal. O nosso amor-próprio devia reclamar que exigíssemos mais. Porque quem vai pagar isto é o leitor, não eles.

 

100 Anos De Comunismo, 100 Milhões De Mortos

A propósito do centenário da revolução socialista russa de Outubro de 1917 que se assinala brevemente, um título muito apropriado para a ocasião será: 100 Anos, 100 Milhões de Mortos, como no cartaz abaixo exposto em Times Square em Nova Iorque.

Quem preferir a versão lírica do PCP, pode encontrá-la aqui.

Direitos dos animais

Cabras aguardam, com alguma impaciência, pelos donos antes de entrarem no restaurante.

Proponho que os animais sejam obrigatórios nas cozinhas e casas de banho dos restaurantes frequentados pelas criaturas do PAN.

Trump e Guterres na ONU

Trump critica funcionamento da ONU mas elogia Guterres

Caixa negra

Apesar de ser o banco português que mais custos impôs ao contribuinte, foi contra a vontade do governo e dos partidos que o apoiam que se iniciou a Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Iniciada a comissão, os partidos da Geringonça fizeram os possíveis para limitar o período e o âmbito da análise. Um dos elementos fundamentais da Comissão Parlamentar de inquérito teria sido perceber onde é que a Caixa perdeu os tais 5 mil milhões de Euros que agora serão suportados pelos contribuintes. Importava saber a quem tinha sido emprestado este dinheiro no período anterior a 2011 e porquê que foi emprestado. No mínimo estaríamos perante incompetência e falta de cuidado. No máximo, perante um enorme esquema de corrupção que desviou dinheiro da Caixa para empresas amigas do regime.

O que aconteceu exactamente nunca saberemos. E não saberemos porque quando foi pedida a lista destes devedores, a CGD, o governo e o Banco de Portugal recorreram para os tribunais para a esconder. O tribunal deu razão aos deputados do PSD e CDS e obrigou a CGD a divulgar a lista de devedores. A CGD, o governo e o Banco de Portugal recorreram para o supremo tribunal de forma a ganhar tempo. Correu bem. Antes da decisão do Supremo obrigar a CGD a divulgar a lista de devedores, os partidos da Geringonça trataram de encerrar a Comissão Parlamentar de Inquérito sem sequer ter o relatório final aprovado e antes da decisão do supremo. A decisão do Supremo veio hoje: o processo foi arquivado porque a Comissão parlamentar de inquérito foi encerrada. Jamais saberemos para onde foram os 5 mil milhões de Euros que agora os contribuintes irão pagar. E sabemos a quem podemos agradecer por isso.

Partidas

Este é um blogue de política e economia. Assim, o meu texto sobre outra coisa qualquer que não isso está aqui.

Sobre A Governação Da Geringonça

Aproveitando a subida de rating da dívida portuguesa por parte da Standard & Poor’s – o que não deixa de ser uma boa notícia, serve este post para avaliar o desempenho do governo da geringonça liderado por António Costa não do ponto de vista político (que  para todos os efeitos é um sucesso muito à custa da habilidade política e ao abandono de princípios e coerência por parte dos elementos da geringonça em troca de poder), mas do do ponto de vista económico (que aparenta ser um sucesso). A avaliação justa e correcta de qualquer governo deve sempre passar pela análise de dois pontos fundamentais:

  1. A base de comparação. Quando se elogia o desempenho do governo é por comparação a quê? Por comparação a uma base zero (por exemplo sem qualquer governo, como aconteceu em Espanha que cresceu 3% durante 15 meses sem qualquer governo)? Por comparação com um desempenho de um governo alternativo do PSD-CDS? Alguém duvida que um governo PSD-CDS nesta conjuntura (ver ponto a seguir e o resto deste post) não teria tido um desempenho melhor? Infelizmente não é possível criar um universo paralelo em que se possam criar grupos de controlo para fazer uma comparação factual.
  2. A conjuntura. Não se pode comparar a governação durante um período de recessão ou de execução de um programa de ajustamento (no caso do governo anterior, existia a obrigação de cumprir um programa de ajustamento negociado e acordado pelo partido socialista liderado então por José Sócrates). Alguém acredita que se o partido socialista tivesse vencido as eleições em 2011 a política “austeritária” conduzida teria sido muito diferente? Um país falido e endividado até aos limites tem sempre poucas opções. O governo da geringonça quando tomou posse, Portugal já tinha saído do programa de ajustamento (uma saída “limpa”), reformas importantes (mas insuficientes no meu entender) já tinham sido realizadas, e já se observava uma tendência clara de recuperação económica, quer por via do crescimento económico, quer por via da recuperação de emprego. O governo da geringonça beneficiou ainda de condições favoráveis excepcionais das quais destaco:
    1. o crescimento generalizado das economias europeias, americanas e asiáticas (algo que por si só favorece as exportações e o investimento estrangeiro).
    2. taxas de juro extraordinariamente baixas, devido essencialmente ao programa de quantiative easing do Banco Central Europeu.
    3. o crescimento do turismo, não só pelo aumento da quantidade e qualidade da oferta (para que muito contribuiram as companhias aéreas low cost), mas também pelo aumento da procura resultante do facto de outros destinos tradicionais se terem tornado muito pouco atractivos por motivos de segurança.
    4. a queda do preço do barril de petróleo que reduz o défice da balança comercial e liberta recursos financeiros para serem aplicados em outras actividades económicas.

De salientar que, dada a conjuntura favorável, este seria o momento ideal para realizar todo o género de reformas estruturais. Ao invés de aproveitar esta oportunidade, o governo optou por reverter algumas das reformas do governo anterior e manter o status quo o mais possível, privilegiando sempre uma política de curto prazo (num concurso de popularidade e de compra de votos com o objectivo de se manter no poder) em detrimento do longo prazo, como explicarei neste post. Ao mesmo tempo, a dívida pública este ano atingiu valores recorde em termos absolutos e em proporção do PIB.

Devo notar também que a popularidade da geringonça também se deve ao facto de termos um presidente da república mais interessado na sua popularidade e em evitar conflitos do que em desempenhar a sua função; e a uma comunicação social que de forma muito geral, é acrítica e aceita passivamente todo o tipo de vacuidades produzidas pelo governo; e que objectivamente privilegia e favorece a esquerda. Sobre a parcialidade da comunicação social, basta fazer um exercício mental para imaginar como é que os casos das 65 mortes nos incêndios de Pedrógão Grande; o recorde da àrea ardida pelos incêndios em 2017 ; ou o roubo de Tancos seriam tratados caso estivessemos perante um governo de liderado por Passos Coelho.

No quadro abaixo, tentei resumir o conjunto de medidas relevantes da geringonça, avaliando as de acordo com a sua motivação e o seu impacto que contém uma dimensão temporal. Agradeço aos leitores que me chamem a atenção se faltar qualquer medida relevante ou se discordam da minha avaliação.

Do quadro acima e fazendo um balanço geral, o que posso concluir é que os resultados económicos positivos que se têm observado são mais conjunturais e obtidos “apesar do governo” e não “por causa do governo” cujas preocupações são a popularidade, manutenção do status quo e do poder, como refere este artigo do Financial Times. Mais, estou convicto que se Portugal em vez de ser governado pela geringonça, fosse governado por uma coligação PSD-CDS (pela qual não morro de amores), os resultados económicos seriam melhores, assim como as perspectivas de longo prazo. Finalmente, devo lamentar a perda de uma oportunidade por ventura única, de efectuarmos reformas estruturais nos nossos termos – quando estas forem impostas, serão sempre mais dolorosas. Ainda sobre as reformas estruturais que o país tanto precisa, vale a pena saber o que pensa o primeiro-ministro António Costa: “A expressão ‘reformas estruturais’ arrepia-me. Qualquer cidadão normal fica logo alérgico.” (fonte).

Deixo então a questão aos leitores: está Portugal melhor preparado para enfrentar os desafios e os choques do futuro hoje do que estava antes do governo de António Costa tomar posse no final de 2015?

Grandes títulos dentro do género

Uber’s search for a female CEO has been narrowed down to 3 men

Furacões Fêmea mais mortíferos que Furacões Macho, diz a CNN

Female hurricanes are deadlier than male hurricanes, study says – via CNN.

A study suggests people prepare differently for hurricanes depending on whether the storm has a male or female name.
“Feminine-named hurricanes (vs. masculine-named hurricanes) cause significantly more deaths, apparently because they lead to a lower perceived risk and consequently less preparedness,” a team of researchers wrote in the Proceedings of the National Academy of Sciences.
In other words, a hurricane named “Priscilla” probably wouldn’t be taken as seriously as a hurricane named “Bruno,” which might spark more fear and prompt more people to flee.

Nota: apesar de eu classificar como humor, a citação é real e podem comprovar no link que ainda hoje se encontra on-line.

Devíamos parar de prender mulheres, via Washington Post

We should stop putting women in jail. For anything. – via Washington Post.

It sounds like a radical idea: Stop incarcerating women, and close down women’s prisons. But in Britain, there is a growing movement, sponsored by a peer in the House of Lords, to do just that.

The argument is actually quite straightforward: There are far fewer women in prison than men to start with — women make up just 7 percent of the prison population. This means that these women are disproportionately affected by a system designed for men.

O artigo é um exemplo de “New Speak” muito pior que o Politicamente Correcto. A autora, Patricia O’Brien é uma professora associada no Jane Addams College of Social Work na University of Illinois em Chicago e creio que o artigo captura bem o quão longe da realidade este grupo já se encontra. Que tenha aceitação nos Legacy Media que ainda têm circulação é ainda mais preocupante. Boa leitura.

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Um caso curioso

Bagão Félix apoia Medina, mas está nas listas… do CDS

António Bagão Félix, antigo ministro das Finanças em governos do PSD e do CDS, aceitou o convite de Fernando Medina para fazer parte da Comissão de Honra da sua recandidatura a presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mas também aceitou o convite para integrar a lista do CDS-PP à Junta de Freguesia das Avenidas Novas.

25 years ago…

O livro de Hillary – 2 versões de 1 Resposta

Há 2 formas de ver a questão:

  1. O livro tem a pergunta e a resposta na capa: O que aconteceu? Aconteceu Hillary Clinton, que era tão fraca tão fraca que perdeu contra o candidato com menos apoio na história.
  2. O livro tem uma pergunta, falta apenas o livro com a resposta… e Trump um dia lançará o seu livro de memórias com o título “I Happened”.

Foi Hillary que perdeu? Foi Trump que mereceu vencer? Eu inclino-me mais para a 1ª opção, mas a história será a melhor juíza.

What happened - I happened

O livro de Hillary na Amazon

No Telegraph: Amazon appears to delete over 900 reviews of Hillary Clinton’s book.

No Qz: Amazon just deleted over 900 reviews of Hillary Clinton’s new book.

No Youtube: Hillary Clinton’s Book Sucks So Bad Amazon Has to Manipulate Reviews.

Na Amazon: Link para o livro (aproveitem -parece ser bom, só tem 5 Estrelas…).

What Happened

No iPhone do Ricardo…(22) Happily Ever After, Gardiner Sisters


(Se gostarem, vejam também as Cimorelli)

III Fórum Economia Social – 20 de Setembro, no Porto

No próximo dia 20 de Setembro serei um dos oradores (com Nuno Ornelas Martins e José António Pereirinha) no painel da manhã do III Fórum Economia Social, que terá lugar no Campus da Foz da Universidade Católica, no Porto. Mais informações e inscrições aqui.

No país do faz de conta

Quatro notas soltas, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) 2. Raquel Varela, uma “historiadora” que após perder um debate contra uma criança de 16 anos foi naturalmente recrutada para o panteão de pensadores da RTP, explicou que, como a Autoeuropa se limita a montar carros, não produz riqueza. Se a senhora tivesse ao menos um amigo, este haveria de explicar-lhe a estonteante genialidade da sentença. Infelizmente, a prof. dra. arq. Varela não dispõe de vida social, ocupadíssima que está a criar gado, drenar solos, plantar legumes, costurar casacos, cimentar tijolo, inventariar o material necessário para construir automóveis e, em suma, tirar o tapete dos pés da ganância capitalista. Mais uns anos, poderá esfregar na cara desses exploradores um cachecol, dois rabanetes e meia pastilha de travão.

3. Em “entrevista” ao “Diário de Notícias”, o ministro da Defesa afirmou que “no limite, pode não ter havido furto” no caso do furto de armas em Tancos. Primeiro, garantiu-se que o roubo não era o maior da História dos Paióis Arrombados. Depois, esclareceu-se que as armas roubadas não eram caras. De seguida, informou-se que as armas roubadas não funcionavam por aí além. Agora, sugere-se que o roubo não existiu. Não tarda, a nação aprenderá que mesmo a base de Tancos é fictícia, que os “estadistas” que por lá desfilam desde o roubo que não houve são imaginários, que Portugal é um país normal e que tudo isto foi um pesadelo de que acordaremos sem mazelas. (…)

Contratando uma SJW

Riam. Ou chorem. Mas sobretudo aprendam a comportar-se (!)

Só não percebi uma coisa: aos 3:58, quando ela diz que não vai ser contratada por ser uma mulher… ela não tinha dito anteriormente que era não-binária e “coronel”? Se não é mulher, como é que é descriminação contra mulheres? Ou não é “Ms.”, mas é mulher? Todas estas micro-agressões estão a tornar conversas com esta malta um jogo de “Damas” (para não dizer xadrez, e usando a ambiguidade da palavra damas).

Pela desmercadorização de Boaventura Sousa Santos e do Islamismo

O Professor Doutor Boaventura Sousa Santos, académico de renome internacional, anunciado nas tv’s e na grande maioria da acéfala imprensa portuguesa, gere como poucos o seu quintal, também conhecido como Centro de Estudos Sociais. Autor e patrono de  muitos  disparates, o Homem que sonha desmercadorizar o Universo, sabe-se agora que lucra com os inesgotáveis fundos provenientes da Comissão Europeia especialmente dedicados a projectos ímpares como o Islamic Human Rights Commission.

Se é conhecido o apelo do distinto académico a correntes de pensamento e acção que visam, a título meramente exemplificativo, a destruição física de Israel e do Ocidente tal como foi construído e joga todo o seu prestígio na defesa de uma coisa islâmica intitulada  Islamic Human Rights Commission (com sede no Reino Unido, local propício a infelizes incidentes), ainda consigo ser apanhado de surpresa quando é o Centro de Estudos Sociais a não desmercadorizar-se do vil metal, proveniente da ultra-liberal Comissão Europeia.
Perdoem-me a blasfémia mas por Alá, nem o Professor Doutor Boaventura Sousa Santos nem o Centro de Estudos Sociais parecem conseguir erradicar as necessidades e a ânsia de uma acumulação infinita de riqueza, obtida a qualquer preço, parecendo que se esqueceram de aplicar a si mesmos o que defendem para os outros. Em síntese, a Pacha Mama, não fica bem tratada mas o Islamismo fica bem servido. No final das contas e como bem sabe o Boaventura Sousa Santos, tudo se compra e vende.

A via partidária para o liberalismo avança

Nos últimos dias os fundadores da Iniciativa Liberal confirmaram que conseguiram recolher as assinaturas necessárias para formar um novo partido. Amanhã terão um grande evento no Mercado da Ribeira em Lisboa que contará, entre outros, com a presença do Presidente dos Liberais Democratas Europeus (ALDE) e do ex-primeiro-ministro da Estónia, o liberal-democrata Taavi Roivas.
Um pouco mais atrasado no processo de formação de partido, o Partido Libertário, liderado por Fernando Sobrinho, juntou no passado fim-de-semana mais de 30 pessoas em Leiria, incluindo os presidentes dos partidos libertários espanhol e francês.
Independentemente do sucesso eleitoral que venham, ou não, a ter, é um bom sinal que haja pessoas a dedicarem-se a projectos deste tipo num país que há 40 anos equivale intervenção política a socialismo

Descentralização: começar já pelos reguladores

Sempre houve poucas dúvidas fora de Lisboa que o país teria muito a ganhar com a descentralização. Com o advento do turismo, muitos lisboetas também começam a concordar que a cidade beneficiaria se fosse libertada alguma da pressão de ser, ao mesmo tempo, a capital histórica, a capital política e o centro de negócios do país. Sendo a capital histórica, é a cidade com a maior concentração de atractivos turísticos. Por muito esforço que seja feito, é pouco provável que alguém que tenha 3-4 dias para conhecer o país não acabe por os passar em Lisboa. Podemos abdicar do turismo, mas em larga medida não o podemos descentralizar. Embora seja possível atrair empresas para outras zonas do país com regimes fiscais mais favoráveis, é difícil também combater as economias de aglomeração que fazem de Lisboa a capital de negócios. O facto de tantos negócios em Portugal se fazerem com o estado, e de o estado estar centrado em Lisboa, torna ainda mais difícil convencer empresas a deslocalizarem-se dentro do país.

Mas há algo que pode, politicamente, ser feito: a deslocalização de organismos públicos. A deslocalização de organismos públicos pode ser decidida politicamente e teria a vantagem de arrastar consigo empresas privadas que vivem à sua sombra. Para além disso, não há melhor momento para o fazer do que agora no que aos custos diz respeito. O imobiliário em Lisboa está em valores nunca vistos. Pode, claro, vir a subir no futuro, mas a verdade é que aos valores actuais, deslocalizar serviços públicos de Lisboa para outras cidades do país provavelmente acabaria por ser lucrativo ao estado. A diferença nos preços do imobiliário são tão grandes que a venda da sede de um organismo público em Lisboa provavelmente daria para a compra de um edifício semelhante numa cidade do interior e ainda cobriria os custos de realocação. Deslocalizar organismos públicos para Beja, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Vila real ou Viana do Castelo não só libertaria Lisboa de parte da pressão que está a sentir como transferiria oportunidades de emprego tão necessárias noutras partes do país.

Nestas mudanças, o problema é sempre saber onde começar. Mas até aqui parece que a resposta é clara: as agências reguladoras. Um dos problemas frequentemente apontado às agências que regulam os diversos sectores é a excessiva proximidade dos seus membros aos gestores das empresas que regulam. Muitos estabelecem laços de amizade e acabam por ir trabalhar para as empresas que antes regulavam. Por isso, a deslocaliação de agência reguladoras teria um efeito positivo de afastar fisicamente os reguladores dos regulados. Note-se que, com a actual tecnologia de comunicações e partilha de informação, a proximidade física é muito menos relevante para relações profissionais, mas continua a ser importante para relações pessoais próximas. A deslocalização das sedes das agências reguladoras para longe de lisboa não impediria, por isso, a continuação das relações profissionais, mas seria um travão a relação pessoais demasiado próximas.

Fica a sugestão.