No iPhone do Ricardo…(2) Star Wars Ultimate Medley, Sonya Belousova

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Descentralização e subsidiariedade: Desafios paras as autonomias locais – é já esta terça-feira

É já esta terça-feira o grande debate sobre descentralização na Universidade Lusófona. Do Porto, como não podia deixar de ser. Para além de 4 presidentes de câmara e do presidente da AMP, contará com a presença do nosso Rui Albuquerque e do Director da Faculdade de Ciências Económicas, Sociais e da Empresa: José Manuel Moreira.

“Compreender para Mudar o Estado a que chegámos” – Dia 2 no Porto

No próximo dia 2 de Maio, Terça-feira, pelas 9:30 da manhã, estarei na Universidade Lusófona do Porto para, conjuntamente com Emídio Sousa, Presidente da Câmara de Santa Maria da Feira e do Conselho Metropolitano do Porto, apresentar o mais recente livro de José Manuel Moreira: Compreender para Mudar o Estado a que chegámos.

O Impacto do Digital nas Pessoas e nas Organizações

Na próxima 4ª feira dia 3/05 estarei em Lisboa (no Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, a partir das 9h15) para uma conferência dedicada ao tema supra. Os leitores d’O Insurgente serão naturalmente muito bem-vindos.

Submissão ou Venezuela

Se você não leu Submissão, de Michel Houellebecq, vem aí um spoiler: no livro, a França se islamiza basicamente porque os muçulmanos compram tudo e oferecem esposas adolescentes. O islã pode triunfar como identidade, mas ele vem mais para garantir e reforçar o hedonismo flácido dos personagens franceses.

No romance, o islã se apresenta como alternativa de esquerda ao Front National. Vem na categoria “tudo menos o Front National”. Curioso é que as diferenças entre a “extrema” esquerda de Mélenchon e a “extrema” direita de Le Pen as diferenças são mais superficiais e cosméticas do que substanciais. Lição: não subestimemos o poder da cosmética, do tribalismo ideológico.

Contudo, suponhamos que o véu se rasgasse e Le Pen e Mélenchon dessem as mãos numa firme aliança contra o maldito globalismo capitalista. Em duas décadas, talvez pudéssemos andar por Paris e pensar: “O que faltava a Caracas era a Champs Elysées!”.

Diante de uma perspectiva como essa — e juntos, Le Pen e Mélenchon têm 40% dos votos; será que nesses 40% estão os mais jovens? —, vale a pena perguntar: o hedonismo flácido bancado pelo islamismo imperialista de Submissão é uma alternativa tão terrível?

Salazar e Le Pen: a luta continua

Daqui se conclui com relativa evidência: tivesse Salazar tido a “lucidez” de chamar União Nacional Trabalhista ao seu partido único e de chamar às colónias “territórios de resistência ao imperalismo” teria podido contar com Cunhal como seu fiel ministro – tudo o resto seria o Estado Novo como o conhecemos: prisão de opositores (banal desde Lenine), censura prévia na imprensa (nada mais comum no Pacto de Varsóvia) e colonialismo (URSS, alguém?).

 

Isto e mais no Expresso online.

Revolução Automóvel

Em Portugal anda muita gente distraída com a Revolução a acontecer no sector automóvel, liderada por empresas como Tesla, Waymo (Google), Apple, Foxconn, Uber, Lyft e o sector automóvel tradicional. Para quem não tem acompanhado, aqui fica um resumo das principais componentes da revolução… Continue reading “Revolução Automóvel”

Filipe Marques

O Filipe Marques é um visual artist de Vila do Conde que tive a sorte de conhecer há pouco tempo. Não sei porquê ao longo da vida tem-me caído do céu gente extraordinária (a maioria nem sabe que o é). O Filipe dá-me sempre lições de cultura, bondade e humildade. E faz coisas destas, não são fotos, são desenhos a grafite. Ó rais parta isto.

 

 

 

 

 

Será Alfredo Cunha o Howard Roark português?

Há muito que me interesso, por várias razões, pelo tema dos direitos de autor de criadores artísticos, em especial, por aquilo que é a proteção da integridade da criação como direito autónomo, que extravassa o próprio direito de propriedade. A questão aqui é saber em que medida os direitos de criação são limitadores da ideia de propriedade plena. Este é aliás o mote de uma das minhas obras preferidas, o The Fountainhead, de Ayn Rand, que inspirou um filme épico (que já várias vezes revisitei aqui), realizado por King Vidor, onde Gary Cooper, no papel do arquiteto Howard Roark, defende a integridade da sua obra ao ponto de a implodir por ter sido desvirtuada sem o seu consentimento ou intervenção.

Apesar da simpatia que tenho pela causa que defende, tenho as maiores dúvidas que Alfredo Cunha possa vir a ser o Howard Roark português. Para quem esteja mais distraído, o foto-jornalista Alfredo Cunha  manifestou indignação por uma fotografia por si executada enquanto jornalista d’O Século, a 25 de Abril de 1974, ter sido utilizada pela Juventude Popular num cartaz divulgado nas redes sociais.

Afirma Alfredo Cunha, e cito, que o cartaz “tem todos os ingredientes para me deixar furioso. Primeiro, a fotografia é roubada, depois é manipulada. Como tal, irei partir para tribunal para tratar do assunto“.

Sem prejuízo daquilo que venha a ser a posição tomada pelas nossas instâncias judiciais, tenho as maiores dúvidas que a pretensão de Alfredo Cunha venha a ser bem sucedida.

Na terminologia comum roubo corresponde à ilegítima apropriação de coisa alheia, o que significa que Alfredo Cunha assume ser o legítimo proprietário da dita fotografia. E esse é o primeiro ponto que o tempo nos ajudará a clarificar. Tanto quanto é público, à data de 1974, Afredo Cunha, com cerca de 20 anos de idade, terá feito a cobertura da Revolução ao abrigo de um contrato de trabalho que mantinha com o jornal O Século. Sendo esse o caso, diz a nossa lei que os direitos exclusivos de reprodução, difusão e venda de fotografia que for efectuada em execução de um contrato de trabalho, se presume pertencerem à entidade patronal (artigo 165.º do Código dos Direitos de Autor). O jornal O Século terá encerrado portas em 1979, tendo o seu espólio sido transferido em várias fases (incluindo o fotográfico) para a Torre do Tombo.

Convém ter presente que a propriedade de uma fotografia analógica, na sua versão original, é definido pela detenção legítima do respetivo negativo, sendo este o suporte que incorpora a transmissibilidade dos respetivos direitos, e o referencial para a determinação dos eventuais direitos de autor (cf. artigo 166.º do CPA). Sendo o CPA um diploma de 1985, e não contando sequer com eventuais usucapiões, uma retenção dos negativos que tenha ocorrido antes dessa data, mesmo sem consentimento expresso do jornal O Século, não será seguramente ilegítima. Visto o problema a partir de 2017, a questão da propriedade será por isso simples de dirimir; basta saber quem tem na sua posse os negativos (e não tanto impressões ou reproduções da fotografia).

Face ao exposto, a pretensão de Alfredo Cunha em sede de direito de propriedade parece-me ser pouco viável, a menos que este demonstre ser o titular legítimo do respetivo negativo, algo que não parece plausível, já que, face ao que nos é dado a conhecer, as fotografias em causa deverão ser património público, por pertencerem com elevada probabilidade ao espólio do Jornal O Século.

Num outro nível, Alfredo Cunha contesta a manipulação feita pelo cartaz da JP, e a sua desvirtuação. Neste contexto a contestação de Alfredo Cunha poderá ser mais viável, mas só se este conseguir demonstrar que tem direitos de autor sobre a fotografia em causa.

Para que uma dada fotografia possa merecer proteção em sede de direitos de autor, é necessário que pela escolha do seu objeto ou pelas condições da sua execução possa considerar-se como criação artística pessoal do seu autor (cf. n.º 1 do artigo 164.º do CPA).  Não há dúvida que as fotografias em questão ganharam enorme notoriedade e estão claramente associadas ao trabalho pessoal de Alfredo Cunha, mas não estou certo que o foto-jornalismo possa ser considerado, no plano jurídico, “criação artística pessoal do seu autor“. Não estou com isso a desvalorizar o trabalho de Alfredo Cunha, e até a  importância da sua obra enquanto registo histórico, mas o que questiono é se o objeto e as condições da sua execução nos remetem para aquilo que se define (na lei, entenda-se) ser Arte. Noto que esta conclusão não a faço por opinião pessoal, mas porque a nossa jurisprudência e doutrina neste campo têm assumido uma linha muito restritiva na qualificação das fotografias enquanto criação artística, ou seja, enquanto elementos passíveis de merecer proteção em sede de direitos de autor. O que mais fragiliza a pretensão de Alfredo Cunha reside no facto de, no momento em que a fotografia foi obtida, a sua intenção não era a de proceder a uma criação artística, mas a um registo fotojornalístico (algo que o próprio reconhece em entrevista dada ao Observador), sendo o seu valor atual, ainda hoje, associado ao de ícone histórico.

Em qualquer caso, se Alfredo Cunha conseguir demonstrar que as obras em questão, mormente não serem (provavelmente) da sua propriedade, merecem proteção em sede de direitos de autor, então poderá com legitimidade tentar convencer as instâncias judiciais que o seu direito foi violado. É que os direitos de autor abrangem (cf. artigo 9.º do CPA) não só direitos de carácter patrimonial como direitos de natureza pessoal, denominados direitos morais, cuja configuração têm latitude suficiente para dar suporte à sua pretensão. Caberá às instâncias judiciais, em qualquer caso, avaliar se (cf. artigo 56.º do CPA) a JP pôs em causa a genuidade e integridade da obra, mutilando-a, deformando-a ou modificando-a, desvirtuando-a de uma forma que possa afectar a honra e reputação do seu autor.

Mentira ou ignorância?

O maior comentador português falou e disse. Por João Miguel Tavares.

Porque é que Pedro Marques Lopes mente, então? Sejamos generosos: talvez não tenha mentido. Ele às vezes simplesmente não sabe.

Continue reading “Mentira ou ignorância?”

Portugal: Um país a caminho da auto-extinção

Número de filhos nascidos de pais que não vivem juntos duplica em seis anos

Portugal continua com um saldo natural negativo. Ou seja, confirmando as tendências dos últimos anos, em 2016 houve mais gente a morrer do que a nascer, fazendo com que a população diminua pelo oitavo ano consecutivo. Do total de 87.126 crianças nascidas, 52,8% são filhos “fora do casamento”, ou seja, de pais que não estão casados. Aumentou a proporção de filhos nascidos de pais que não vivem juntos: quase duplicou em seis anos, passando de 9,2% em 2010 para 17,1% em 2016. No ano passado, 35,7% dos nascidos eram filhos de casais que coabitam.

Self-five insurgente!

Hoje, no Jornal de Negócios:

As equipas de funcionários públicos que consigam poupanças podem ter direito a uma recompensa junto com o vencimento. O bónus salarial será uma percentagem da redução da despesa e terá um tecto máximo. Finanças publicam portaria nas “próximas semanas”.

Wow!!! É admirável ler isto 6,5 anos depois de escrever aqui exactamente(!) o mesmo (pontos 1, 2 e 3). Agora fiquei com a esperança de um dia ver implementados os pontos 4 e 5. 🙂

 

Joana Amaral Dias mostra tudo


Nest post do Facebook, Joana Amaral Dias mostra tudo o que há para mostrar sobre a esquerda portuguesa. Sendo uma desbocada de esquerda que, ao contrário dos outros, não tem nada a perder, verbaliza aquilo que os outros apenas pensam. Vivessem em França e muitos dos eleitores de BE, PCP e PS iriam em surdina votar em Le Pen para ver a UE a arder e a réstima de mercado livre que ainda existe a desaparecer. Macron é um centrista, social-democrata, que defende o sistema nacional de saúde, educação pública, o sindicalismo, entre outras coisas. Mas para a esquerda, isso já não chega. É preciso mais. Quem não defender mais do que isso é apenas neoliberal. Quem não defender taxas de 80% sobre os rendimentos mais altos, ou se atrever a sugerir reformas que ajudem a economia a sustentar o estado social mais 1 ou 2 décadas, não passa de um neoliberal.
Numa bicada ao seu anterior partido, Joana Amaral Dias mostra também toda a hipocrisia da participação da extrema esquerda nesta solução de governo. A troco da manutenção dos tachos sindicais (no caso do PCP) e na criação de tachos institucionais (no caso do BE), a extrema esquerda portuguesa conseguiu fazer as maiores piruetas ideológicas e calar o protesto de rua. Quando se reduziam os salários mais altos da Função Pública (algo que tem uma influência marginal na qualidade dos serviços) queixavam-se que se estava a destruir o serviço público. Quando se corta nos gastos nos serviços e nas horas trabalhadas (algo que efectivamente diminui a qualidade do serviço público), ficam em silêncio.

WTF?

Nunca gostei de democratas encartados e cada vez gosto menos. Passam a vida a demonstrar que têm um entendimento muito particular da democracia e que se resume já nem sequer à vontade geral do estropício do Rousseau, mas se limita à vontade deles próprios. Hoje chega-nos mais um exemplo pela boca do pastor do Primeiro Ministro que nos governa.
Na nossa democracia representativa elegemos 230 burros para nos representar. O papel deles é por nós controlarem governo e o poder, é suposto serem um dos poucos checks and balances da acção governativa, um travão aos abusos de um eventual estupor que lá apareça. Hoje, o chamado Primeiro Ministro resolveu que não tem satisfações a dar aos deputados!! Rais parta isto. E nós engolimos, a imprensa e os indignados profissionais do costume estrebucham com os pobres dos cães que mordem crianças. Um coiso que nem eleito foi, decide pacificamente que não tem que dar satisfações a quem é eleito para representar quem lhe paga o salário e que numa democracia com um mínimo de decência é soberano e é o silêncio quase generalizado. Que merda é esta?

Forbidden Knowledge: Sam Harris entrevista Charles Murray

Vale a pena ouvir com atenção: Forbidden Knowledge – A Conversation with Charles Murray

In this episode of the Waking Up podcast, Sam Harris speaks with Charles Murray about the controversy over his book The Bell Curve, the validity and significance of IQ as a measure of intelligence, the problem of social stratification, the rise of Trump, universal basic income, and other topics.

Charles Murray is a political scientist and author. His 1994 New York Times bestseller, The Bell Curve (coauthored with the late Richard J. Herrnstein), sparked heated controversy for its analysis of the role of IQ in shaping America’s class structure. Murray’s other books include What It Means to Be a Libertarian, Human Accomplishment, and In Our Hands. His 2012 book, Coming Apart: The State of White America, 1960-2010 describes an unprecedented divergence in American classes over the last half century.

Produtividade e compra de votos

O governo anunciou que iria dar tolerância de ponto no dia da visita do Papa a Fátima. É bastante curioso que um governo apoiado por uma coligação que junta acérrimos defensores do Estado Laico e radicais anti-religião, dê uma tolerância de ponto devido à visita de um líder religioso. Mais interessante ainda é olhar para o calendário que alguns serviços públicos estão a ter este Abril e Maio.

Entre feriados e tolerâncias de ponto, alguns organismos públicos passarão mais de um mês sem estarem abertos a semana toda. Na semana seguinte à visita do Papa, que começa a 15 de Maio, esses organismos trabalharão uma semana seguida pela primeira vez desde a semana iniciada a 3 de Abril. Isto, claro, se não houver greve.

A geringonça vista de Espanha

Aqui fica um artigo espanhol para o qual contribuí com alguns breves comentários sobre a situação política portuguesa e o funcionamento da geringonça até ao momento: Portugal y Alemania, la gran esperanza de los socialistas europeos.

Le Pen e Macron: sinais

Macron Jeered by Hometown Crowd After Le Pen’s Ambush

Emmanuel Macron was booed and whistled at by striking factory workers in his hometown of Amiens, northern France, after an ambush by his nationalist rival Marine Le Pen forced him into a confrontation with some of her hardcore supporters.

Le Pen made a surprise visit to the Whirlpool Corp. plant on the edge of Amiens while election front-runner Macron was meeting with union leaders from the plant in the center of town. Le Pen told reporters on the picket line that Macron’s decision to meet the workers’ representatives behind closed doors showed his “contempt” for their plight, forcing her rival to change his plans and engage with the demonstrators live on television.

With the black smoke of burning tires whipped up by a cold wind and cries of “Marine! President!” punctuating his remarks, Macron tried to mount a defense of the European trade regime in the factory parking lot as angry demonstrators crowded round.

“When she tells you the solution is to turn back globalization, she’s lying,” Macron told the workers, his comments picked by the microphones of more than 100 reporters witnessing the clash. “We cannot outlaw firing. We must fight to find a buyer.”

(…) Although the 39-year-old rookie in his first political campaign is the strong favorite to win the presidential runoff on May 7, he needs to regain the initiative after stumbling at the start of the week. A survey by Harris Interactive released Wednesday showed 61 percent of voters thought Le Pen had started the final stretch of campaigning well and 52 percent thought Macron had done badly.

25 Abril de 2017: 43 anos de défices

Ontem comemorou-se os 43 anos da Revolução dos Cravos, que trouxe, no ano seguinte, a “liberdade” dos portugueses votarem nos políticos que os governam. Usei aspas porque, apesar da democracia ter sido uma importante conquista, o direito de voto livre não nos dá total liberdade. Grande parte da nossa vida ainda é regida pelas classes políticas, mesmo que exista agora a possibilidade destas elites se revezarem através de eleições. Nesse aspecto somos apenas um pouco mais livres…

Para mim, a maior conquista do 25 de Abril de 1974 foi a liberdade de expressão (verdadeiramente garantida somente com a rejeição dos projectos políticos da extrema-esquerda nas eleições para a Assembleia Constituinte em 25 de Abril de 1975 e, depois, no golpe falhado de 25 de Novembro de 1975). Sem liberdade de expressão, este blog nem sequer existiria; sem ela, não poderia hoje aqui escrever que os socialistas (PS, PSD, CDS), comunistas (PCP, PEV) e neo-comunistas (BE) que nos garantiram/garantem liberdade de opinião são os mesmos que nos levaram (e querem continuar a levar) à crescente escravidão perante o Estado.

Como podem discernir pelo título deste post, quando falo de escravidão estou a referir-me à dívida acumulada por sucessivos défices, durante 43 anos de democracia. Para o efeito, o Jornal de Negócios apresentou no mês passado um revelador gráfico:

Muitos portugueses sentem que esses défices (linha vermelha) foram úteis, por terem permitido ao Estado fornecer mais serviços e prestações sociais que nas gerações anteriores. Mas a dívida foi subindo…

Claro que, anos atrás, um ilustre(!) estudante português em França – seu nome José Sócrates – disse:

“pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. As dívidas gerem-se. Foi assim que eu estudei. (…) para um país como Portugal, é essencial financiamento para desenvolver a sua economia”.

A ideia deste e de todos socialistas (comunistas e neo-comunistas incluídos) passa por acreditar que défices públicos estimulam o crescimento económico. É que se este for superior à taxa de crescimento da dívida, o pagamento daquela não é prioritário, dado que o rácio Dívida/PIB tenderia a descer. Simples matemática: se o denominador (PIB) crescer mais que o numerador (Dívida), o rácio diminui. Voltem a olhar para o gráfico acima (linha azul) e digam se assim foi nos últimos 43 anos de democracia.

Sim, em Portugal temos uma qualidade de vida superior aos dos nossos pais e avós. Mas também temos maior factura! E essa é, por via da crescente carga fiscal, a corrente que nos escraviza cada vez mais perante o Estado.

Nota final: endividamento público não resultou e, no entanto, há quem queira voltar à mesma cartilha, mas a partir de patamar mais baixo, recorrendo à reestruturação da dívida (por outras palavras não a pagar, total ou parcialmente). Sobre este tema já aqui escrevi.

Viagem pela memória: Chavez e Hollande esperanças do socialismo

O meu texto de hoje no Observador.

‘Recordemos ainda o affair venezuelano. Neste caso, em boa verdade, a tentativa de assobiar para o lado vem só de PS e BE. O PCP, mais genuíno, continua a defender o regime chavista da Venezuela. Mesmo depois das manifestações massivas, das mortes dos manifestantes, das cargas policiais sobre quem protesta, dos inúmeros atropelos à liberdade e à democracia, da supressão de opositores, da fome e da pobreza a alastrar apesar das reservas petrolíferas, das filas para os supermercados onde escasseiam os bens básicos, da nacionalização das padarias. João Ferreira – o candidato à Câmara de Lisboa pelo PCP – fez a 6 de abril uma intervenção no Parlamento Europeu defendendo os ‘factos reais’ da maravilhosa situação na Venezuela. Que, de resto, só vive sobressaltos graças à ‘ingerência’ dos vilões imperialistas. (E verbalizam tudo isto sem a ajuda de estupefacientes.)

Mas se PS e BE fingem que nunca se cruzaram com o regime chavista, avive-se a memória. O reincidente Soares, criticando Maduro, elogiou Chavez. Depois, note-se, de Chavez abrir caminho para o estrondoso Maduro, que Soares criticava, e patrocinar referendos manhosos para manutenção do crescente poder presidencial, ou encerrar compulsivamente, em várias levas, rádios e televisões privadas pouco obedientes. Bom, calar órgãos de comunicação social hostis é o sonho de qualquer socialista português. Talvez também por isto Sócrates decretou Chavez um ‘amigo de Portugal’. Em 2016 – repito, em 2016, quando o regime chavista já tinha descambado na catástrofe ditatorial e produtora de miséria – a câmara socialista da Amadora teve a falta de vergonha de inaugurar uma Praça Hugo Chavez. Diz-me quem celebras, dir-te-ei quem és.

E o Bloco? É amigo de coração do regime chavista desde sempre. Lembro-me de ver Louçã (aqui em mais um elogio) na televisão declarando que a vitória de Chavez, em referendo, significava a vitória do socialismo e da população mais pobre. A queda dos preços do petróleo é que minou o sucesso venezuelano – há sempre uma desculpa, não é? Também defendem, quase sem tirar nem por, as políticas económicas que cozinharam a calamidade venezuelana.’

O texto completo está aqui.

Marine Le Pen é de extrema-esquerda

Como? Pois é. Longe vão os tempos em que o pai de Marine Le Pen, Jean-Marie, defendia a redução dos impostos, a eliminação das 35 horas de trabalho semanais, recusava a reforma aos 60 anos de idade e queria uma França desregulamentada, desestatizada e sem muçulmanos. Esta Frente Nacional liderada por Marine Le Pen mudou não apenas porque Marine matou politicamente o pai, mas porque a essência do discurso deste partido extremista passou da direita para a esquerda. Enquanto Jean-Marie era essencialmente racista, Marine é anti-Europa. Uma mudança que está a dar excelentes resultados à senhora Le Pen e que se deve a um homem: Florian Philippot.

Vice-presidente do partido desde 2012, conselheiro próximo de Marine Le Pen, Philippot é o grande responsável pela estratégia da Frente Nacional e também pela sua comunicação. Com ele a FN foi bem sucedida nas municipais de 2014, venceu as europeias desse ano e prepara-se para a presidência que, não espera alcançar agora, mas em 2022. Aí, sim. Nessa altura é que, nas contas de Philippot, serão elas.

Este homem todo poderoso é profundamente contrário às privatizações e fez constar no programa eleitoral de Marine Le Pen propostas como o aumento do salário mínimo nacional, a redução das tarifas de gás e electricidade em 5%, o aumento dos salários da função pública, a reindustrialização da França (muito à semelhança do que o PCP pretende em Portugal), a associação da indústria e do Estado numa cooperação que privilegie a economia real (ou o que quer que isto signifique) e a fixação da idade legal da reforma nos 60 anos, com 40 anos de quotizações.

Há outro aspecto muito importante nesta viragem à esquerda e que a grande maioria não vê: esta FN considera como principal inimiga da França, a União Europeia (UE). É Bruxelas a culpada pelos inúmeros muçulmanos a viver em França, porque foi Bruxelas que abriu as fronteiras e impôs a livre circulação de pessoas dentro da UE. A protecção dos interesses da França, já não se faz apenas, como pretendia Jean-Marie Le Pen, ostracizando as minorias étnicas e religiosas. Para Marine, tal só é possível saindo da Europa. Da mesma forma, o programa económico mencionado em cima só é possível se a França sair do euro. Um discurso muito idêntico ao de Mélenchon, que entretanto ajustou ao tempo presente a posição que tinha em 2012 relativamente aos refugiados, e daí a similitude das propostas, a mesma identidade no caminho a seguir.

Vistas as coisas deste prisma não é difícil compreender por que motivo Jean-Luc Mélenchon não disse, na noite eleitoral, em quem vota na segunda volta. Mélenchon sabe que o seu eleitorado se revê no programa económico de Le Pen e não o quer trair. Mais: o líder da França Insubmissa, aliança política que une vários partidos de extrema-esquerda, entre os quais o partido comunista francês, sabe que uma vitória de Marine Le Pen ditará o fim do euro, do projecto europeu, ou seja, dos alicerces que sustentam o modo de vida do continente. Com Marine virá o caos e é no caos que vingam as ideologias como as que Mélenchon propugna. O melhor para a extrema-esquerda é a vitória de um extremismo disfarçado de direita.

Um último ponto a salientar é que esta mudança na Frente Nacional não é pacífica dentro do próprio movimento. Marion Maréchal-Le Pen, sobrinha de Marine, neta de Jean-Marie, tem a mesma perspectiva do avô. Não que seja europeísta, mas porque entende que a principal ameaça à França reside, não no modelo económico seguido até agora, mas no excesso de imigrantes que, não se integrando na cultura francesa, ferem de morte a identidade da França que é necessário proteger. Ou seja, uma derrota de Marine Le Pen a 7 de Maio será, à semelhança do que está a suceder no PS e entre os Republicanos, um motivo para um ajuste de contas, que aqui será não apenas partidário, mas também familiar. Se Florian Philippot resiste e convence a FN que o seu objectivo é para daqui a 5 anos, as próximas semanas o dirão.

A burocratização do país

“O PNR revela uma visão estatizante da sociedade, o Estado é o motor da economia e os outros vão a reboque. E fomenta uma administração pública cada vez maior e cada vez mais inimputável.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre a visão estatizante que documentos como o Programa Nacional de Reformas promovem.

Uma perspectiva optimista sobre o Brexit

Brexit is not nationalism. It is not extremism. It is our defence against both those things. Por Tim Stanley.

Last Sunday, England celebrated its national saint’s day with face paints and bell ringing. Meanwhile, France went to the polls and gave nearly half its vote to a fascist and a communist. The contrast between the politics of our two countries is stark, and it’s one of the reasons why Britain voted for Brexit last year – to inoculate ourselves against European extremism.

Jean-Marie Le Pen elogia decisão de Mélenchon

Jean-Marie Le Pen juge «très digne» l’absence de consigne de vote de Mélenchon

“Espaço Orçamental no Espaço Europeu”, amanhã no ISCTE

Amanhã a partir das 14:30 participarei na quarta edição do Economics Day do ISCTE-IUL, num debate sobre “Espaço Orçamental no Espaço Europeu”, juntamente com João César das Neves, da CLSBE, João Duque, do ISEG, Nuno Teles, do CES-UCoimbra e Rui Martinho, Bastonário da Ordem dos Economistas. A moderação estará a cargo de Rui Peres Jorge, do Jornal de Negócios.

O melhor discurso na AR sobre o 25 de Abril

Foi em 2015 pelo Michael Seufert que, infelizmente, não se encontra neste momento na Assembleia da República.

Deverá um liberal festejar o “25 de Abril”?

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Retomando uma tradição insurgente por esta altura do ano, recomendo um texto clássico: Deverá um liberal festejar o “25 de Abril”? Por Luís Aguiar Santos.

Ano após ano, as comemorações do “25 de Abril” estão enredadas numa série de equívocos que seria pueril esperar que políticos ou jornalistas desfizessem. Supostamente, festejamos nessa data a “democracia”. Mas qual “democracia”? A que estava pressuposta no abraço frentista entre Álvaro Cunhal e Mário Soares dias depois do golpe de estado (que não seria muito diferente da dos oficiais da Coordenadora do M.F.A.)? Ou a que estava pressuposta na acção do general Spínola (e que, doa a quem doer, é aquela que hoje temos e quase todos defendem)?

Ao contrário do que possam pensar alguns distraídos, os liberais identificam-se com muito pouco no regime derrubado em 1974: não gostam de um figurino “constitucional” que limitara bastante as liberdades individuais instauradas no século XIX (e não na I República, como os mesmos distraídos pensam); não gostam da arbitrariedade com que o poder executivo se permitia violar as liberdades restantes; não gostam do monopólio político e sindical que o Estado patrocinava (União Nacional e estrutura corporativa); não gostam do regime económico profundamente regulado e proteccionista que fôra herdado do passado, mas que Salazar aperfeiçoara, sistematizara e tornara ainda mais pesado; não gostam da férrea regulação da educação e das actividades culturais que a burocracia e a polícia impunham.

Talvez tenham alguma simpatia pela geral ordem financeira em que o Estado vivia e pela política do “escudo forte”; mas, convenhamos, é pouco quando tanto estava tão mal. No que os liberais divergem dos “democratas de Abril” é no pouco entusiasmo com que olham para a cultura política que surgiu em 1974 como alternativa ao Estado Novo.

Continue reading “Deverá um liberal festejar o “25 de Abril”?”

Foi o livre comércio e a globalização que nos permitiu escapar da pobreza, não a política

(Fonte do gráfico original é este artigo académico do Pedro Lains)