Teoria da Conspiração 

Eu se fosse de teorias da conspiração esquerdolas (“direita dos interesses” e outros mimos do ataque pessoal) questionava porque raio os mesmos que travam o controlo parlamentar sobre a Caixa e aplaudem a sua transformação num banco privado de facto (infelizmente pagando nós a factura na mesma) são os mesmos que querem o Novo Banco público. 
Mas, enfim, sou só um fixola. 

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Is Democracy Logic? – Dia 30 de Março na UCP

Na próxima Quinta-feira, dia 30 de Março, será tempo de recordar os contributos de Kenneth Arrow. Uma iniciativa conjunta da Católica Lisbon School of Business and Economics e do Instituto de Estudos Políticos, juntamente com os respectivos centros de investigação. Entrada livre.

Chafuen sobre Trump

Uma entrevista muito interessante de Alejandro Chafuen sobre Donald Trump: Alejandro Chafuen: “Trump es Trump y está haciendo lo que prometió”

—Da la sensación de que Trump quiere manejar el gobierno como lo hacía con su grupo empresarial.

—Correcto, y eso es natural en la mayoría de los seres humanos que extrapolan lo que los llevó a ser exitosos. Esa lealtad absoluta que tiende a existir en el mundo empresarial, especialmente en una empresa con un solo dueño, es completamente distinto a lo que existe en las burocracias, sobre todo en los puestos donde uno no puede despedir gente, los puestos más políticos. Trump no es un ideólogo.

—¿Quién es el ideólogo de Trump? ¿Steve Bannon?

—Bannon es una de las personas que más influye. El esposo de su hija Ivanka, Jared Kushner, también. Pero usa a muchos. Es como cuando uno va a construir un edificio. ¿Qué hace? Contrata a los que más saben en cada área. Él sabe delegar, y respeta. Pero es el que toma las decisiones. Parte de los problemas que está teniendo es que nunca ha estado en el gobierno. En economía, lamentablemente, tiene a Peter Navarro (NR: dirige el Consejo Nacional de Comercio), doctor en Harvard, que muchos definen como una persona muy buena, afable, pero con ideas económicas muy peligrosas. Yo creo que el comercio libre lleva al crecimiento y desarrollo de los pueblos de forma sana, y entonces cuando el asesor es malo y Trump lo escucha, estás en problemas.

—¿Trump es liberal o proteccionista? ¿Se lo puede etiquetar en alguna corriente?

—Trump es Trump. Cuando hace un presupuesto con reducción de enormes gastos en muchas áreas, usted dice que es un liberal. Pero después cuando quiere ayudar a la industria interna con tarifas aduaneras, es un proteccionista. Me parece a veces peligroso lo que está pasando en Estados Unidos. Mucha gente que era anti Trump está elaborando ahora la “doctrina Trump”. Uno de ellos es un escritor muy famoso de la derecha en Estados Unidos que se llama Victor Davis Hanson. Todos esperábamos que algo iba a hacer Trump en materia proteccionista, pero todos esperamos que no lleve a un contagio negativo. Hasta las grandes agencias de inversiones están siendo cuasi eufóricas porque piensan que no va a predominar la doctrina de Peter Navarro, que sí es más proteccionista, con una posición muy agresiva contra China desde el punto de vista económico. Si él fuese el único gurú económico de Trump, yo estaría muy preocupado.

Do maravilhoso mundo da regulamentação

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De: “This is what you get when a local law requires one of our breweries to serve food.” (mais exemplos na thread original)

O sucessor de Pinto da Costa

Já há mais de 10 anos que se discute quem será o sucessor de Pinto da Costa. É bastante provável, no entanto, que nos próximos cinco anos a discussão acabe por ser consequente, dada a idade de Pinto da Costa. Entre todos os nomes que vão sendo falados, parece-me que escapa um que está à frente de todos e deveria ser óbvio: Fernando Madureira. É impossível encontrar um candidato melhor à sucesão imediata de Pinto da Costa. O líder dos Super-Dragões conhece o clube melhor do que ninguém. Ao longo do tempo já provou o seu amor desinteressado pelo clube. Ele lidera, com sucesso, há largos anos, aquela que será a organização dentro do FCPorto mais difícil de gerir: os Super-Dragões. Apesar da sua posição, necessariamente dada a alguns exageros, é capaz de assumir posições sérias e diplomáticas, como se exige de um líder de um clube. Veja-se por exemplo a forma como calou a claque no minuto de silêncio a Eusébio ou a forma como coopera com elementos de outros clubes no apoio à selecção. Por outro lado, Fernando Madureira deverá ser hoje a personagem mais popular entre os adeptos do F.C.Porto, mesmo à frente de jogadores, treinadores, dirigentes e até, ironicamente, mais popular que o próprio Pinto da Costa. Finalmente, até na vertente académica, Fernando Madureira está bem preparado. Com um mestrado em Gestão Desportiva, e nota final de 17 valores, Fernando Madureira está melhor qualificado para ser presidente de um clube de futebol do que basicamente todos os presidentes de clubes de futebol no país.

Fernando Madureira tem todas as características necessárias de um bom presidente. Apenas por preconceito em relação às claques de futebol, e aos seus membros, pode Fernando Madureira ser excluido do topo da lista de candidatos à sucessão de Pinto da Costa.

Explicando o conceito de produtividade

Frequentemente encontro por aí boas explicações sobre o que significa produtividade. É o caso de um curto vídeo, divulgado no Jornal Económico, da autoria do professor Nadim Habib, da Nova School of Business and Economics. Nesse vídeo o professor Nadim dá três boas dicas para as organizações melhorarem a sua produtividade, todas elas derivadas da mesma ideia: é fundamental descentralizar a decisão para que ela esteja presente em todos os níveis da hierarquia. Todos, na sua esfera de responsabilidade, devem ser capazes de decidir.

A discussão sobre a suposta (não) produtividade dos portugueses ganhou nos últimos dias algum mediatismo, quando uma personalidade da política europeia reduziu aquilo que é a nossa pretensa atitude enquanto povo, a uma versão adulta da fábula da formiga e da cigarra, em versão redlight district, que é como quem diz, por cá a malta gosta é de de copos e gajas.

O problema de vídeos como este – e não é uma crítica, na medida em que tudo o que lá se afirma me parece muito bem dito e explicado -, é que por vezes criam a sensação falsa que a produtividade depende apenas do fator trabalho, e da capacidade de nos organizarmos enquanto empresas dotadas de pessoas. E não estarei longe da verdade se afirmar que, com elevada frequência, na discussão comum, as análises sobre a produtividade no trabalho são motivo de forte incompreensão, porque existe a convicção – certa – que os portugueses investem mais horas a trabalhar que os seus congéneres europeus mais desenvolvidos. Culpam-se patrões, o colega do lado, a função pública, sem contudo se identificar aquela que é a razão que mais contribui para o nosso atraso relativo. E se há, sem dúvida, em alguns setores da nossa economia (em particular, nos serviços), uma má organização do trabalho, uma fraca gestão da empresa (por comparação com outras zonas económicas), ou um peso desmesurado dos gastos públicos face ao PIB, a raíz fundamental da nossa falta de produtividade não resulta, na minha leitura, do fator trabalho, ou do número de horas que a generalidade dos portugueses dedicam à sua profissão (o mesmo já não direi do peso dos gastos públicos, logo, dos impostos, no PIB, que penalizam a acumulação de capital, mas isso fica para outras núpcias).

Se olharmos para os dados da produtividade do trabalho na UE, ficamos espantados quando constatamos que a mais elevada taxa de produtividade se situa no Luxemburgo, país onde residem e trabalham centenas de milhares de portugueses. E a explicação não é, como muitos possam pensar, que o emigrante se esforça mais no estrangeiro do que em Portugal (o que não quer dizer que isso não possa acontecer, mas não explica a diferença colossal de produtividade do trabalho, entre o Luxemburgo e a Alemanha, por exemplo, e Portugal).

A produtividade resulta da adequada combinação de todos os fatores de produção. Na definição de Say, serão fatores de produção a terra (terras aráveis, floresta, minérios), o trabalho (mão-de-obra) e o capital (máquinas, equipamentos, instalações, matérias-primas). A produtividade neste sentido mais simplista pode ser definida, assim, como uma medida de eficiência na combinação dos diversos fatores de produção. O problema está em que para que uma empressa – ou um país – sejam produtivos, devem ser capazes de combinar todos estes fatores da forma relativamente mais eficiente.

Imaginem o seguinte caso. Uma determinada companhia aérea do país A possui três aviões, voando sempre com quatro pilotos, três chefes de cabine e oito funcionários de cabine. Uma empresa concorrente, do país B, para o mesmo número de aviões, viaja apenas com dois pilotos, um chefe de cabine e cinco funcionários de cabine. Em terra, as malas no país A são todas elas descarregadas à mão, demorando em média mais 30 minutos a ser carregadas e descarregadas do que no país B, que dispõe de um moderno aeroporto, construído sem luxos mas bem pensado do ponto de vista logístico. No país A a carga fiscal é 15% superior ao país B, porque é necessário pagar salários a pessoas ocupadas em funções menos eficientes (como carregar malas). Os aviões da companhia do país A, como esta dispõe de pouco capital, são mais antigos, consomem mais combustível, e passam mais tempo na manutenção em virtude da idade, voando assim menos horas (daí os aviões operarem com mais pessoal). O que acaba por acontecer é que a empresa do país B é muito mais produtiva do que a do país A, apesar dos trabalhadores da empresa do país A trabalharem mais horas, não só em pleno voo, mas na manutenção e na logística – para não falar das vezes que o avião avaria, e o pessoal fica preso num país distante, por vezes, durante 24 horas. Se o problema do excesso de pessoal a bordo resulta de má organização do trabalho, já os restantes, associados à logística e à antiguidade das aeronaves, são fruto de uma ineficiência relativa ao nível do capital.

Desde longa data que o nosso atraso não resulta do facto dos portugueses trabalharem pouco, ou poucas horas – antes pelo contrário – mas de termos pouco capital: o que obriga a desvalorizar o preço do trabalho. Se pensarmos bem, quando dispomos do capital adequado, e fazemos o mix correto entre terra, capital e trabalho, as nossas empresas são competitivas. Pouca maquinaria, má matéria-prima, pouco investimento, perpetuam a baixa produtividade. É por essa razão que muitos criticam as atuais opções governativas, e não estão entusiasmos com aquilo a que se assiste na política económica da geringonçanomics. Num país que precisa de crescer, o governo optou por reduzir o investimento, subindo as pensões e os salários. O cumprimento nominal da meta do défice é positiva, na medida em que onera menos as gerações futuras. Ao privilegiar, de forma radical, porém, a reposição salarial em sacrifício da redução fiscal e do aumento do investimento, estagna-se o crescimento, adiando o país. O mesmo acontece com muitas empresas que, estando hoje exclusivamente preocupadas com a produção atual, estão a conseguir bons resultados, sem contudo acautelarem a sua reestruturação e o investimento. É isso que os obervadores externos nos dizem, há mais de um ano, penalizando violentamente os juros da nossa dívida nas maturidades mais longas. Porque são muitos os que, fora daqui, com uma visão imparcial, estão convictos que a nossa economia, com reduzido investimento em alguns fatores críticos na área do capital, e com uma política apenas focada  na manutenção de direitos e na sobrevivência política do Governo, não vai conseguir crescer o suficiente para dar sustentabilidade à dívida e alimentar, no futuro, o país. E isto devia preocupar os portugueses, sobretudo os mais jovens. Pouco falta para que Portugal seja um país interessante, sim, mas para os que não são portugueses, ou seja, para aqueles que não têm de suportar o ónus da dívida do país, nem as suas profundas desigualdades.

Dar graças pela propaganda ao défice

Eu compreendo que alguns amigos do PSD e do CDS se queixem de que fizeram o esforço quase todo de descida do défice desde os píncaros de 2010 e que sejam agora os do PS a proclamar o défice mais baixo em democracia. Eu compreendo que digam que foram feitos cortes dificilmente sustentáveis, como os cortes em reparação e manutenção de infraestruturas. Compreendo, para quem viveu a era Sócrates (que também reclamou para si, o menor défice em democracia), que suspeite de artimanhas contabilísticas que só descobriremos daqui a uns anos. Compreendo também aqueles que mencionam a injustiça de que durante anos houve queixas sobre o declínio da qualidade dos serviços públicos, quando a única coisa que estava a cair eram os salários da FP, e que em 2016, quando aconteceu o maior declínio dos últimos anos graças às 35 horas e aos cortes de custos intermédios, já ninguém se queixe. Compreendo tudo isso. Mas parece-me que estão a esquecer o ponto essencial: nós temos um governo de socialistas, apoiado por comunistas e bloquistas, que apregoa aos sete ventos que um baixo défice público é sinal de sucesso governativo. É claro que a importância dada pelo PS ao défice é resultado do facto de a população portuguesa também estar hoje mais atenta do que estava há uns anos. Mas este enfoque do PS nos números do défice apenas vem reforçar essa percepção. Quanto mais propaganda o PS fizer ao défice de 2016, maior será a percepção da importância do défice público, mais este passará a ser um indicador de sucesso governativo ao qual nem partidos de “direita” nem de esquerda poderão escapar. Tome o exemplo deste post do deputado socialista Porfírio Silva (um dos ideólogos da esquerda Costista):

Há 2 ou 3 anos era impensável ver um deputado do PS dizer estas coisas evidentes. O défice de 2016 trouxe a esquerda mais à esquerda para o clube dos que acham que um défice baixo é sinal de sucesso. Tudo isto ficará gravado para a história. Em quarenta anos de democracia, esta deve ser a primeira vez que há um consenso em relação aos méritos de ter contas públicas equilibradas. E isto é um enorme avanço para o qual a propaganda socialista está a contribuir bastante. Quando o ciclo político mudar e vierem socialistas queixar-se do excessivo enfoque no défice público, bastará lembrar-lhes das centenas de cartazes como este que cobriram o território nacional, por muito enganadora que a mensagem seja.

Um pouco mais de pudor

Uma discussão interessante: Bloco pede a Rui Tavares “mais rigor na história”

Numa nota ao jornal Público, o Bloco assinala que não aceita que as suas posições “para as quais Miguel Portas contribuiu (neste caso, de forma decisiva) sejam publicamente falseadas”. “Pedimos apenas um pouco mais de rigor. E, já agora, de pudor”, lê-se na missiva.

Rácio de verborreia orçamental

ACREDITE SE QUISER: Rácio de verborreia

Orçamento de Estado português 2017

Despesa total 57 mil milhões de euros
Número total de páginas 270 (Lei 233 + Normas de Execução 37)

Orçamento do Reino Unido 2017

Despesa total 784 mil milhões de libras (900 mil milhões de euros)
Número total de páginas 68

Número de páginas por cada milhão de euros

Portugal 4,7 / Reino Unido 0,076
Rácio de verborreia 1 para 62

#CGD: emissão de dívida subordinada

Aos que pensam ser demasiado alta a taxa de juro de 10,75%, obtida pela Caixa Geral de Depósitos [CGD] na recente emissão de dívida subordinada (€500 milhões agora, outros tantos ainda para vir), considerem a possível notícia no ano de 2020:

“Em 2017 CGD recebeu 1.000 milhões de euros mas só teve de pagar 300 milhões em juros”

Este cenário é possível. Basta que conjuntura económica subjacente ao negócio​ da CGD se degrade e/ou que imparidades (perdas com créditos) sejam muito superiores ao agora estimado. A acontecer, subscritores teriam perdas de 70% do capital investido.

Ainda pensam que emissão foi cara?

Unidade de Missão Impossível

O primeiro-ministro afirmou esta quinta-feira que será lançada uma unidade de missão destinada a incentivar a localização de empresas em Portugal que pretendam continuar sem condicionalismos no espaço europeu após a saída do Reino Unido da União Europeia.

Tenho a propósito desta unidade de missão una proposta para poupar despesa ao estado:

Basta imprimir um único panfleto informativo e escrever: “há iniciativas legislativas dos partidos de governo com vista a limitar salários no sector privado“. Impresso e enviado para todas as empresas-alvo, podem fechar a unidade de missão.

O terrorismo não é uma questão de inserção social

Londres, em 2015.

Londres e a irrealidade, a opinião de Paulo Tunhas no Observador.

(…) É inútil lembrar que “fobia” vem da palavra grega que significa “medo” e que o medo não é propriamente uma emoção disparatada nestes casos. Mas talvez não seja despiciendo recordar que o dever de compaixão pelos refugiados vindos daquelas terras às quais as restrições se aplicam e de algumas outras não nos deve fazer esquecer um facto crucial. Mesmo que a esmagadora maioria dos imigrantes seja insusceptível de se converter ao islamismo radical, algo em que quero crer, que dizer da segunda ou terceira geração? As vozes que se levantam, do fundo de uma piedade universal, contra as políticas restritivas em matéria de imigração apressam-se logo a lembrar que boa parte dos terroristas são nativos dos países (Inglaterra, França, e por aí adiante) onde praticam os atentados. Esquecem-se que esses nativos pertencem geralmente a essas gerações.

Há aqui uma ignorância vasta sobre um fenómeno essencial que os costumes contemporâneos fazem tudo para recalcar. As pessoas transportam sempre consigo a sua cultura, os costumes e as concepções do mundo que as formaram. Nada de mal, é claro, nisso. A diversidade é mesmo um valor a prezar e o que um filósofo chamava a “hospitalidade universal” é um bem. Acontece que, infelizmente, não há, contrariamente ao que pretende a sabedoria mediática, nenhuma harmonia pré-estabelecida entre as várias culturas. E que certos aspectos de uma cultura, como, por exemplo, a igualdade, mesmo que tendencial e imperfeita, de direitos entre as mulheres e os homens, característica da nossa, são rebarbativos ao mais extremo para membros de outras culturas e que isso pode, com uma possibilidade a aproximar-se da certeza, manifestar-se um dia da mais violenta e explosiva das formas. Estou a ser “racista”? Obviamente que não estou nada. Se me é permitido manifestar a extensão dos meus bons sentimentos, o racismo é para mim o pecado humano por excelência. Estou apenas a apontar um facto que tem toda a aparência, as meus olhos, do indisputável, e que é muito conveniente ter em conta.

Infelizmente, isso não será tido em conta nas opiniões esclarecidas que hoje, e nos dias que se seguem, se lerão e ouvirão. Aposto com toda a certeza de ganhar a aposta que o que mais se ouvirá e lerá consistirá na denúncia do facto de este atentado, e dos outros todos, favorecer Marine Le Pen e outra gente assim. Certamente que favorece. No entanto, não simpatizando em nada com Marine Le Pen, lamento ter de dizer que o horror essencial da coisa não reside nisso mas no próprio atentado, naqueles que o antecederam e naqueles que fatalmente virão a seguir. Diz-se que o islamismo radical quer destruir o nosso modo de vida. Em parte é verdade, é claro, mas o que ele quer mais imediatamente é mesmo matar-nos. Marine Le Pen quererá eventualmente mudar o nosso modo de viver, o que é sem dúvida péssimo e se deve combater, mas raia o delirante detectarmos nela as pulsões homicidas do islamismo radical. A simplicidade deste raciocínio ofenderá certamente muita gente. Não é coisa que me incomode muito. E até acrescento que perceber isto, e daí tirar lições para a acção, é provavelmente a melhor maneira de vencer Marine Le Pen e quem faz política como ela.

Mas não creio, mais uma vez, que esta sóbria consideração corra o risco de ser partilhada por muita gente, o que revela o triste estado de infantilidade em que nos encontramos. Em Portugal, por exemplo. E não me refiro ao facto grave de, com infalível regularidade, o Bloco de Esquerda e o PCP, esses indispensáveis pilares do nosso Governo, terem, aquando dos prévios atentados, emitido comunicados em que, denunciando as carnificinas, arranjaram sempre maneira de apontar que, em última análise, somos nós, são as nossas políticas, da política externa ao urbanismo (o próprio António Costa, se bem me lembro, muito se preocupou com este último aspecto), que devemos tomar como responsáveis últimos pelo terror. O terrorismo seria apenas um fenómeno de pura reactividade ao nosso egoísmo e ao nosso desmazelo. Hoje e nos dias seguintes muitas vozes apontarão o dedo a Donald Trump. Mais uma vez: vale uma aposta?

A triste situação em que vivemos é, no entanto, mais vasta do que isto. E ela reside na grossa irrealidade e infantilidade em que vivemos, na desatenção militante ao que faz o mundo e na preferência pela residência num universo alternativo. Dou um exemplo que, mais uma vez, não cairá sem dúvida bem e que aos olhos de muitos aparecerá como uma amálgama típica da “direita radical” que, ao que se diz, anda malvadamente por aí: as reacções maciças a umas declarações do senhor Dijsselbloem, presidente do “Eurogrupo”, reacções particularmente fortes em Portugal. (…)

Le Pen: a candidata dos jovens, em especial dos portugueses

Dados que dão que pensar: Marine Le Pen tem mais apoio entre os jovens do que entre o eleitorado em geral e, entre os jovens, são os de origem portuguesa quem mais apoia a candidata da Front National.


(via Alexandre Afonso)

A presunção de inocência e os prazos no dia da felicidade

O meu texto de ontem no Observador.

‘Vejam por exemplo os disparates que foram ditos e escritos sobre a presunção de inocência de Sócrates. A presunção de inocência é um conceito jurídico que garante que ninguém é condenado sem que existam provas sólidas de um crime cometido. Ponto final. Ora como qualquer pessoa pensante percebe, o que existe e ocorre no mundo, seja criminoso ou não, não é apenas o que é suscetível de ser provado em tribunal – e provado segundo regras que são elas próprias mutáveis e discutíveis, não desceram dos céus como presente intergaláctico de uma qualquer deusa da justiça do mundo greco-romano.

Alguém ser absolvido em tribunal, ou nem sequer ser acusado, não é selo de garantia de que não cometeu nenhum crime: é reconhecimento de que não há indícios suficientemente fortes para levar à privação de liberdade, ao pagamento de multas e indemnizações, à censura pública em forma de condenação. Desde logo porque muitos crimes são difíceis de provar – os criminosos geralmente aproveitam-se da falta de testemunhas e de registos de imagem e som para cometerem os crimes. Só nas séries televisivas como The Closer é que Kyra Sedgwick convence os meliantes a confessarem tudo. Acresce que a justiça é administrada por humanos, limitados, com a tendência para disparatar que todos temos (mesmo quando com boas intenções), e suscetíveis a preconceitos e estados de alma.

Mas do que se lê por aí os argumentos pela presunção de inocência de Sócrates são ainda mais salazarentos que esta constatação de que a justiça humana é falível. Segundo nos dizem, enquanto não houver uma sentença judicial transitada em julgado, devemos permanecer todos intimamente convencidos que Sócrates é inocente como um rebento de jasmim a aromatizar um chá verde. Quando, e se, houver condenação pelos tribunais, passaremos então, no momento em que lermos ou ouvirmos tal ansiada notícia, a acreditar convictamente (por ordem do tribunal) que Sócrates é culpado dos crimes por que for condenado.

É isto: temos gente que tem espaço em jornais e televisões, numa democracia liberal em 2017, a afirmar que os indivíduos não podem ajuizar por si próprios da culpabilidade de um ex primeiro-ministro. As convicções de cada um não podem ser por si determinadas, nada disso, temos de ficar à espera que um tribunal nos diga como devemos considerar, na nossa consciência, Sócrates – inocente ou culpado. Vade retro conceito demoníaco de formar opinião em regime de livre iniciativa. O estado ensina-lhe generosamente em que acreditar.’

O texto completo está aqui.

As autárquicas não são um plebiscito

O meu artigo no ‘i’. Relativamente às escolhas do PSD para as autárquicas discordo do que o meu amigo Alexandre Homem Cristo escreveu segunda-feira no Observador. O governo quer que as autárquicas substituam as legislativas, legitimando-o e forçando a demissão de Passos Coelho, que venceu as eleições.

O PSD não pode ser usado neste esquema. Nas autárquicas elegem-se autarcas. Os governos são votados nas legislativas.

As autárquicas não são um plebiscito

O mundo político anda numa polvorosa porque o PSD escolheu uma desconhecida do aparelho partidário, Teresa Leal Coelho, como candidata à câmara de Lisboa. De acordo com os analistas esta escolha, a que se junta a do Porto, ditará o fim da carreira política de Passos Coelho.

As eleições autárquicas estão a ser apresentadas como um plebicisto ao governo da Geringonça que não foi sufragado nas legislativas. É verdade que o governo tem sustentação parlamentar, mas também não deixa de ser verdadeiro que tal não foi o proposto aos portugueses quando estes votaram. A esquerda sabe que defraudou a vontade do eleitorado e, com essa ferida que não confessa mas que mói, vê nas autárquicas a oportunidade para legitimar este governo.

A governação da Geringonça teve esta linha de rumo. Sucede que as autárquicas não são um plebiscito e, apesar dos tiques da Geringonça, ainda não vivemos numa democracia populista. Todo o cenário político, desde a política governamental à discrepação presidencial, passando pela forma como Medina – o presidente não eleito de Lisboa – geriu a cidade, está ser preparado para uma vitória que limpe as legislativas.

É por este motivo que não embarco nas críticas a Passos Coelho. O PSD não pode ser usado neste jogo próprio de uma democracia populista. Os governos devem sair das legislativas, como o presidente das presidenciais e os autarcas das autárquicas. É tendo em conta este cenário que é perfeitamente legítimo que o PSD reduza as eleições de Setembro àquilo que são.

Um pequeno ensaio sobre a grande estagnação

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O motto foi dado por uma partilha do sempre recomendável Pedro Romano. O link apontava para um artigo do Simon Wren-Lewis, um pós-keynesiano indefectível de Oxford, que, à semelhança de outros economistas como Larry Summers, acham que a grande estagnação económica, particularmente visível no século XXI, se deve a um problema crónico, ou estrutural, de falta de procura agregada.

A posição tem alguns argumentos válidos, embora, em última análise, se trate mais de um problema de método: como os modelos keynesianos dão muito ênfase à procura agregada (basta ver que o modelo IS/LM de Hicks nem inclui oferta agregada; foi necessária uma alteração tardia, que, de forma mal amanhada, resultou no modelo AS/AD), então tudo é um problema de procura agregada. Parece-me — e isto é uma perspectiva pessoal, pois a questão está longe de estar encerrada — que existem outros factores, especialmente do lado da oferta, que poderão explicar este declínio no PIB, ou mesmo na percepção do crescimento do PIB (uma outra teoria é que muitos dos ganhos actuais não são contabilizados no PIB).

Seja como for, escrevi um pouco sobre o assunto. O pouco alongou-se, e de pouco virou um (pequeno) ensaio, que recua ao século XVIII para fazer compêndio para o que temos hoje. Um pequeno ensaio sobre a grande estagnação.

Da Atouguia a Teixoso

“A CGD é um banco público para quê? E as regras europeias condenam os bancos públicos a uma gestão privada? O exemplo da Caixa responde a estas perguntas.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre a CGD e o significado de banco público.

Indiferente, desde que ganhe Lisboa…

Declarações muito interessantes do coordenador autárquico do PSD: Não importa que CDS fique à frente do PSD… desde que ganhe Lisboa

Em entrevista à TSF Carlos Carreiras deseja que as candidatas do PSD e do CDS fiquem em primeiro e em segundo lugar. “A ordem dos fatores é-me indiferente”, diz.

A inveja imprimida

Hoje é destaque de primeira página do Jornal de Notícias [JN] a posição de empresários portugueses no ranking Forbes dos mais ricos. Naquele destaque, é apresentado o seguinte texto:

“Fortuna dos mais ricos dava para pagar juros da dívida pública”

Considerem o contexto subentendido na frase. Claramente, coloca a hipótese do confisco das fortunas acumuladas por aqueles empresários, obtidas ao serviço de milhões de clientes. Equivalente retórica é frequentemente publicada no Avante (jornal oficial do Partido Comunista Português) ou no Esquerda.net (site pertença do Bloco de Esquerda).

Nota: A possibilidade de existirem comunistas “disfarçados” no JN não me preocupa. Aliás, mesmo que não concorde com a linha editorial deste (ou qualquer outro) órgão de comunicação social, tal não significa que seja menos defensor das liberdades de imprensa e de expressão dos seus jornalistas. Condicionar tais liberdades é mais objectivo do “Truques”. A minha real preocupação vai para os leitores. Questiono-me se haverá muitos a partilharem esta crença de que o país estaria melhor sem pessoas com grandes fortunas. É para eles que escrevo este post.

O património de empresários como Américo Amorim, Soares dos Santos ou Belmiro de Azevedo não está guardado dentro de cofres gigantes cheios de notas e moedas (à tio Patinhas), apesar de não haver mal nisso. As fortunas calculadas pela revista Forbes representam o valor (a determinado momento) das participações que aqueles têm numa ou várias empresas.

Ora, o preço de uma acção vai muito além da proporção do valor contabilístico da empresa (que somente mostra a diferença entre activos e passivos). Representa também (e essencialmente) a estimativa de lucros futuros enquanto a empresa existir. Lucros esses obtidos através da produção de bens e serviços que criem valor aos seus clientes. O valor de uma empresa é, por isso, directamente ligado ao valor criado aos clientes.

Vamos então, agora, assumir a hipótese do JN. O Estado confiscar/nacionalizar tais fortunas para pagamento da totalidade dos juros da dívida pública teria de, primeiro, rejeitar qualquer indemnização. Mas, e depois? Se o valor dessas empresas depende mais dos lucros futuros que do pouco dinheiro que tiverem nas contas bancárias, como poderia o Estado obter de imediato os milhares de milhões de euros necessários para pagar juros da dívida? Teria de vender as empresas a alguém interessado. Ou seja, estaria “roubar a Pedro para dar a Paulo”. No entanto, tendo sido aberto o precedente da nacionalização, os potenciais compradores seriam bastante cautelosos no cálculo do valor das empresas, dada a incerteza dos direitos a lucros futuros.

Outra opção, mais do agrado de comunistas, é o Estado assumir permanentemente a propriedade daquelas empresas (novamente sem indemnização). Desta forma os lucros futuros obtidos apenas pagariam, cada ano, uma pequena parte dos juros da dívida pública, ao contrário da “alternativa JN” que dava para pagar todos os juros do primeiro ano mas, nos seguintes, o problema mantinha-se.

Chegando aqui, alguns (espero que muito poucos!) ainda podem pensar que a estatização de empresas privadas é boa solução. Como contraponto basta-me lembrar a pobreza produzida por muitos exemplos de regimes comunistas. Tentem vocês calcular os “lucros futuros” dessa triste realidade, tarefa que não desejo a um único leitor do Jornal de Notícias.

A ambição de todos os portugueses não devia passar pela inveja da fortuna de outros mas por querer que mais pessoas consigam alcançar semelhante sucesso. E isso só é possível numa sociedade verdadeiramente livre.

PdVeC* de vento em popa

Depois do insuportável peso do estado e da interferência deste na vida de pessoas e empresas, agradeçamos ao governo da geringonça o *Processo de Venezuelização em Curso. Graças ao bizarro governo, a república portuguesa tem uma página na internet que marca o dia internacional da felicidade e que, imagine-se dá pelo nome de “FELICIDADE” – assim mesmo, a gritar.

Aos poucos mas de forma consistente, enganam-se todos aqueles que julgam que Portugal ainda possuí uma cultura democrática ligeiramente acima da Venezuela.

Adenda: Como bem assinala a leitora c3lia na caixa de comentários, o Presidente venezuelano criou o vice-ministério para a suprema felicidade do povo, com os resultados conhecidos.

(in)segurança na CGD?

Já pensaram na razão da CGD eventualmente pagar a investidores internacionais taxa de juro de 10% por dívida subordinada enquanto remunera portugueses com depósitos a prazo em 1-2%?

Certamente os nossos leitores rapidamente chegam à resposta: o risco é diferente.

É admissão (implícita) do governo do Estado accionista que existe probabilidade da CGD não cumprir o pagamento desses títulos. Sendo assim, é compreensível que a emissão seja realizada além-fronteiras. Não só permite a investidores menor carga fiscal, como também evita futuros”lesados da Caixa” portugueses. É que, por cá, há muita iliteracia financeira. Veja-se, por exemplo, o recente regozijo com os números da execução orçamental de 2016…

Sobre fugas de informação e outras coisas

Imagine o leitor que era um juiz ou um procurador a investigar alguém muito poderoso. Possivelmente, uma das pessoas que mais poder e influência acumulou em 40 anos de democracia. Essa pessoa tem uma rede de contactos que se estende do mundo empresarial à imprensa, passando, claro está, pelo poder político. O leitor sabia que, mais tarde ou mais cedo, essa rede de contactos iria começar a funcionar no sentido de impedir a sua investigação. Sabia também que quando os amigos do investigado voltassem ao poder, haveria muitas pressões no sentido de acabar com a investigação. O que fariam nessa situação se quisessem blindar o caso? Simples: patrocinariam fugas de informação para que a opinião pública entendesse a gravidade da situação, tornando assim muito mais difícil que o caso viesse a ser arquivado por pressões externas. Tendo que optar entre a justiça e o segredo de justiça, qual deve ser a escolha?

S@m@s Pedro Marques Lopes & Co.

O comentador de “direita”: uma profissão de futuro, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) 8. O comentador de “direita” não se limita a abominar a direita a que diz pertencer: quase tão má é a extrema-direita, cujas sombras, repete ele, ameaçam a Europa e os EUA. Misteriosamente, o apreço do comentador de “direita” pela moderação política termina no momento em que a coerência recomendaria a condenação de todos os imoderados. Vinte deputados “fascistas” na Holanda (ou o “populismo”) tiram-lhe alegadamente o sono. Quarenta deputados leninistas em Portugal (ou a “representatividade”) embalam-no como os anjos.

9. O comentador de “direita” alinha sempre com as “causas” do momento. Dos movimentos “gay” ao apoio a refugiados que linchariam “gays” mal pudessem, da liberalização das drogas “leves” à proibição dos refrigerantes, do aborto à eutanásia, o comentador de “direita” não perde tempo a ponderar a complexidade dos assuntos e assume imediata e histericamente a posição que lhe parece mais “progressista” e lhe assegura a bancada dos “progressistas” em futuros “Prós e Contras”, a consagração televisiva da ortodoxia. Passar por retrógrado assusta-o mais do que acordar em cuecas no Rossio.

10. O comentador de “direita” é o proverbial idiota útil. Útil para a esquerda no poder, que assim finge velar pela liberdade de expressão. Útil para os “media” avençados, que assim fingem “pluralismo”. Útil para ele, que assim ganha a vida mas não vergonha na cara. E útil para nós: o comentador de “direita” é consequência de um país triste, mas, se o contemplarmos na perspectiva que merece, é causa de muitas gargalhadas.

O panorama político português em perspectiva

Os leitores mais atentos terão notado a alegria de alguns membros do Partido Socialista pelo fraco resultado do Partido Trabalhista nas eleições holandesas. Alguns acharão estranho que responsáveis políticos do Partido Socialista regozigem com a derrota de um partido que pertence à mesma organização política europeia: o Partido Socialista Europeu. Na realidade, sendo teoricamente da mesma força política europeia, estão longe de representar a mesma ideologia. O panorama político português inclinado à esquerda faz com que um partido teoricamente de centro-esquerda em Portugal seja, no contexto europeu, um partido mais próximo da esquerda dura. E no contexto mundial, um partido bem próximo da extrema esquerda. No gráfico abaixo podem ver uma representação do panorama político de 6 países: Portugal, 4 outros países europeus e os EUA. À esquerda os partidos mais socialistas e á direita os mais amigos da economia de mercado. Esta análise só considera a política económica. Excluí da análise os partidos nacionalistas por, normalmente, não se focarem demasiado nas questões económicas e variarem bastante as suas posições nesses temas. No caso da França, da da a sua situação específica, optei por colocar os candidatos presidenciais em vez dos respectivos partidos (da esquerda para a direita: Melenchon, Hamon, Hollande, Macron e Fillon. A linha preta representa o que é visto como centro em cada um desses países.

O campo ideológico inclinado em Portugal faz com que aquilo que é visto como o centro seja na verdade algo que noutros países europeus seria evidentemente de esquerda. O Partido Socialista Europeu junto os partidos de centro-esquerda de cada país, mas ser de centro-esquerda em Portugal é muito diferente de ser de centro esquerda na Alemanha ou na Holanda. Se juntarmos os EUA à equação (e aqui não quis juntar outras zonas desenvolvidas como a Oceania ou o Sudeste Asiático para que o gráfico não se alargasse demasiado à direita), então o centro-esquerda em Portugal torna-se indiferenciado da extrema esquerda no panorama internacional. No gráfico abaixo destaco aquelas que são as verdadeiras famílias ideológicas de cada partido:

Visto desta forma, é mais fácil de entender o entusiasmo do PS local pelo Syriza e o desdém pelo Partido Trabalhista Holandês ou pelo parceiro de coligação de Merkel, que também é da sua família política. Já o PSD e o CDS têm mais em comum tanto com o SPD alemão ou com o Partido Trabalhista Holandês do que o PS. Estando mais próximos ideologicamente do partido de Merkel, do VVD ou dos democratas americanos, estão ainda assim à sua esquerda. Não é também surpreendente olhando para a área destacada a azul que haja pessoas dentro do PSD que admirem Bernie Sanders. Destacado a verde está o espaço tido como centro político nos EUA: uma área política apenas a espaços preenchida na Europa e inexistente em Portugal.

Offshores e a Caixa Geral de Depósitos

De acordo com a notícia do Expresso, as obrigações subordinadas que fazem parte do plano do governo para aumento de capital da Caixa Geral de Depósitos, e que andam a ser vendidas a investidores pelo Professor Rebelo de Sousa, serão colocadas no Luxemburgo por forma a fugir aos impostos e despesas de colocação em Portugal. Serão ainda utilizadas duas participadas nas ilhas Caimão, tal como aconteceu em colocações anteriores. Isto não será título no Acção Socialista Jornal Público amanhã, mas serão largos milhões que, por escolha dos gestores do Banco Público, passarão por offshores nos próximos meses. E uns milhares de impostos que ficarão por pagar em Portugal. Estamos a falar do banco público, com uma administração escolhida directamente pelo governo apoiado pelo BE e PCP. Como diz o ditado: offshores no bancu dos outros é refresco.

Portugal, o país onde não podemos escrever livros

O meu texto de ontem no Observador.

‘Ontem quando escrevia este texto o país estava calmo, mas aposto que hoje existem, pelo menos, três bairros barricados em Lisboa. Nem imagino o atroz sofrimento da esquerda nacional por tão hedionda traição. Caso a PSP não tenha pensado atempadamente (o que é imperdoável e justifica por si só uma chamada da ministra Urbano ao parlamento) em vedar o acesso ao Tejo ao longo de toda a zona ribeirinha lisboeta, que o faça a correr, que eu temo um colapso na vontade de viver dos militantes da esquerda nacional e tentativas de suicídio em massa. Há que evitar um auto genocídio, senhores guardas.

Falo de quê? Bem, caro leitor, olhe à sua volta. Vai sair uma biografia de Jorge Sampaio nos anos da sua presidência, com colaboração do ex Presidente. Estou certa que as muito numerosas alminhas sensíveis que gritaram pela falta de elegância de Cavaco Silva por escrever as suas memórias do seu tempo de coabitação com Sócrates, pelo inimaginável atentado à privacidade (risos abundantes) das conversas entre um PR e um pm, essas alminhas sensíveis, digo eu, que andaram a fazer figuras tristes nas televisões, rádios e jornais, estão em agonias pela traição de Jorge Sampaio. E neste momento ou correm para as zonas ribeirinhas das cidades portuguesas para se desgraçarem ou estão em casa debaixo dos cobertores e encharcados em antidepressivos.

É que, pelo que leio, Jorge Sampaio conta conversas efetivamente privadas, sobre assuntos da sua candidatura, com o líder do partido por que queria ser apoiado. Estou à espera do pior dos paladinos da defesa do direito à privacidade – é como quem diz, dos maluquinhos que argumentam que os contactos entre um ministro e um particular, versando uma empresa pública e a futura relação da empresa com o dito particular, são privados e, como tal, fora do escrutínio democrático dos media e dos representantes dos eleitores. (Não são.)’

O resto está aqui.