As perguntas de Fernanda Câncio numa “entrevista” no DN

A entrevistada, uma governante do PS, não tem, presumivelmente, culpa, mas é sintomático que nos dias que correm isto passe por ser uma “entrevista” no DN:

Anúncios

day by day and minute by minute (2)

Parece uma piada de mau gosto mas não é: Toppling statues? Here’s why Nelson’s column should be next

“Every record has been destroyed or falsified, every book rewritten, every picture has been repainted, every statue and street building has been renamed, every date has been altered. And the process is continuing day by day and minute by minute. History has stopped. Nothing exists except an endless present in which the Party is always right.”
– George Orwell

Dia Europeu da Memória das Vítimas do Estalinismo e do Nazismo

Assinala-se hoje, dia 23 de Agosto, o Dia Europeu da Memória das Vítimas do Estalinismo e do Nazismo (também conhecido com “Black Ribbon Day” em alguns países) em que se recordam os milhões de vítimas de regimes totalitários, especialmente os regimes nazistas e comunistas.

Incapazes indignadas

A Rita Ferro Rodrigues lançou mais uma vibrante campanha contra uns livros de actividades “para menino” e “para menina” da Porto Editora, em que só compra quem quer. Temo que existam questões um tudo nada mais fracturantes importantes que afectam as mulheres como a mutilação genital feminina, uma tragédia normalmente esquecida pelas progressistas de pacotilha a que temos direito.

Leitura recomendada às capazes:80% OF WOMEN IN MUSLIM SECT IN DETROIT CASE HAD FGMWomen in small Muslim sect say they have had FGM in CanadaMUTILATING LITTLE GIRLS IN MICHIGAN’S LITTLE PALESTINE A female genital mutilation horror in the Midwest.

day by day and minute by minute

“Every record has been destroyed or falsified, every book rewritten, every picture has been repainted, every statue and street building has been renamed, every date has been altered. And the process is continuing day by day and minute by minute. History has stopped. Nothing exists except an endless present in which the Party is always right.”
– George Orwell

Vamos ao que interessa?

A Secretária de Estado da Modernização Administrativa assumiu publicamente ser homossexual numa entrevista ao Diário de Notícias.
De imediato surgiram os de sempre acusando a direita de não aceitar tal coisa. Ora, eu sou de direita e sobre este assunto tenho algo muito simples a dizer: a orientação sexual da senhora não me interessa como não me interessa a orientação sexual de quem quer que seja. O que é privado não tem de ser tornado público.
Que exista uma Secretaria de Estado da Modernização Administrativa, isso sim, incomoda-me e muito.

Trumpices

Os media mainstream não dão descanso ao flip-flop que habita a Casa Branca.

Sabem o que é Racista? O Eclipse Solar

Relata-se na revista Atlantic:

It has been dubbed the Great American Eclipse, and along most of its path, there live almost no black people.

Presumably, this is not explained by the implicit bias of the solar system. It is a matter of population density, and more specifically geographic variations in population density by race, for which the sun and the moon cannot be held responsible. Still, an eclipse chaser is always tempted to believe that the skies are relaying a message. At a moment of deep disagreement about the nation’s best path forward, here comes a giant round shadow, drawing a line either to cut the country in two or to unite it as one. Ancient peoples watched total eclipses with awe and often dread, seeing in the darkness omens of doom. The Great American Eclipse may or may not tell us anything about our future, but its peculiar path could remind us of something about our past—what it was we meant to be doing, and what we actually did along the way. And if it seems we need no reminding, consider this: We tend to backlight our history, and so run the risk of trying to recover a glory that never existed. When the light in August changes, watch carefully.

Anexo ainda uma imagem de revolta publicada por estes dias na internet por outro meio de comunicação “respeitável”:

20987635_10159148910810361_902390709_n

Admiro-me como ainda há pessoas como seguem os Legacy Media americanos…

Lenin must go (!)

Sim, Lenine também não está a salvo.

Apesar de:

  1. Ser em Seattle, uma das cidades mais à esquerda na América
  2. Estar em propriedade privada (!)
  3. Ser propriedade privada
  4. A manifestação de apoiastes de Trump ter sido ridiculamente pequena
    (o vídeo da mini manif acaba por ser engraçado)

Mesmo assim, o Mayor de Seattle afirma que a estátua tem mesmo de sair.

Nota: achei mais humorística a alternativa ucraniana, cuja fotografia adiciono:
lenin-monument-darth-vader-wifi-odessa-alexander-milov-4

Sabem quem era Racista? Ghandi

Estes artigos já são de 2016, mas mostra bem quem está a salvo (i.e., ninguém) desta onda de remoção de estátuas.

  1. Petition calls for Gandhi statue to be removed from Ghana University.
  2. ‘Racist’ Gandhi statue banished from Ghana university campus.

Aqui fica uma foto da estátua ofensiva:

Ghandi statue in Ghana Gana

Skin In The Game

Um dos grandes problemas dos dias de hoje é que a classe política tem o poder de tomar decisões que têm grande risco e impacto na vida dos cidadãos, sem que o risco e o resultado dessas decisões tenham um impacto da mesma forma nessa mesma classe política. Isto é, a classe política não tem “skin in the game“.

A expressão “skin in the game” tem sido popularizada por Nassim Taleb e é o título do seu próximo livro. A propósito deste livro, deixo um extracto de uma entrevista recente com o autor:

Nassim Nicholas Taleb: Okay, but let me tell you one thing here. If you think that there should be a minimum wage, then you should pay–people who think there should be minimum wages should voluntarily pay everybody around them the difference between whatever they are getting and that minimum wage. And, when you go to McDonald’s, you should leave a $3 tip or $4 tip to the person. If that’s really what they want to do, they should do it themselves. I’ve discussed in a book that the [?] behavior on the part of people who always have ideas of how things should be but in fact don’t pay for it themselves. Like, they argue about privilege, class privilege, but they themselves privileged; and they don’t pass their wealth to others. They want higher taxes on others but not–they don’t want to give more to charity.

Russ Roberts: I think their defense would be–I don’t find it, I’m not sure I find it compelling, but they’ll argue, ‘Well, I’m willing to chip in as long as other people are forced to, and then I’ll be happy doing it.’ So, that would be their claim.

Nassim Nicholas Taleb: Yeah, but that’s a weird argument. Virtue should be unconditional. It should not be conditional. In other words, ‘I’m going to save people from drowning only if other people save people from drowning.’ That’s not an argument that can stand on [?]. I don’t know any ethical system that is based on something like that.

Ainda a propósito do conceito de “skin in the game“, termino este post com uma citação de Thomas Sowell.

No iPhone do Ricardo…(18) Get Lucky, Daft Punk


(Sim, a imagem mexe-se no fim, não foi alucinação)

Falácias de um debate em movimento

Algures numa longíqua cidade perdida dos EUA, Charlottesville, o City Council decidiu remover uma estátua que imortaliza o polémico General Lee, personagem histórica com importante papel na Guerra da Secessão, lider das tropas de North Virginia e famoso defensor das causas da Confederação. A estátua terá sido erigida em 1924, havendo nos últimos anos grupos locais que, em linha com outros movimentos de erradicação de símbolos de suporte à Confederação, conseguiram em Fevereiro deste ano obter do City Council uma decisão de remoção da estátua. Os grupos que se opõem à remoção da estátua alegam que a cidade não tinha, segundo as leis estaduais, autoridade para retirar a estátua do parque.

Desde então, a localidade de Charlottesville e o Estado da Virgínia têm assistido a uma escalada do debate, em particular desde que um famoso líder “supremacista branco” local, Richard Spencer, assumiu protagonismo no debate. Facilmente se percebe, lendo esta reportagem do insuspeito NYT, que toda a contenda está altamente polaridada, entre o radicalismo da extrema-esquerda, que luta pela remoção de símbolos históricos, e o radicalismo da extrema-direita, que aproveita a questão para ganhar palco a reboque da defesa dos mesmos.

Como aliás referiu no mesmo NYT o colunista Erick-Woods Erickson:

As a conservative, I see both the social justice warrior alt-left and the white supremacist alt-right as two sides of the same coin. Both would punish others for wrongthink. Both see the other side not as opponents, but as evil that can justifiably be silenced. Both have risen in recent years as a response to the crumbling of Western civilization’s certainties.

Aquilo que era inicialmente uma questão política local foi, com a entrada de Spencer na arena, motivo de exploração mediática, com o objetivo de justificar a narrativa sempre conveniente, de que há um ressurgir do “White Power” na América pela mão de Donald Trump. Ao dar palco a um grupo marginal da sociedade americana, sem expressão, como forma de procurar promover, pelo medo, agendas políticas, alguns media americanos, em vez de informar, tornam-se veículos de propaganda, e em certa medida, cúmplices dos atos tresloucados que, é sabido, são altamente potenciados pela atenção mediática. Não é assim de estranhar que, infelizmente, mais uma vez, um louco, agarrado a um automóvel, tenha cavalgado na polarização do debate, tornando-se um assassino.

Há décadas que os EUA vivem a tensão da sua herança histórica, e não serei eu a dissertar por aqui neste contexto aquilo que são as complexidades das lutas pelos direitos civís na América, embora provavelmente as conheça bem melhor que a grande maioria dos proto-especialistas que um pouco por aí peroram teses sobre um país e uma realidade que seguramente desconhecem.

O meu ponto de hoje é de outra latitude.

Sempre que estes epifenómenos ocorrem, em vez de os avaliarmos naquilo que é a sua essência, com o necessário distanciamento que os EUA nos deveriam merecer, o que assistimos é a uma simplificação e uma condução do debate para um ponto, em geral, deslocado daquilo que a realidade nos apresenta. No proto-caso do momento, o que a imprensa nos vende é que estamos perante um ressurgimento relevante do “white power” e do nazismo, com o objetivo de sempre: não o de informar, mas autojustificar uma esquerda sem sustentação ideológica, a reboque do mediatismo que nos EUA se dá ao ataque a Trump.

Em boa verdade, há muito que não sabemos bem o que é que certa esquerda quer para a sociedade. A esquerda sempre soube legitimar-se muito mais por oposição a epifenómenos sobrevalorizados, na propagação de medos, que colam à direita, e na defesa de uma série de clichês vagos, do que propriamente pela afirmação de um ideário próprio. Algo agravado pelo facto de, há muito, as correntes de esquerda não terem uma visão clara, programática, para a economia, para a sociedade, ou para o homem, alimentando-se já, quase só, da apologia de um certo sentido estético e de suposto contra, que não obriga à afirmação de nada. A dislexia que existe em Portugal aliás, entre o discurso do PCP e do Bloco, e até do Partido Socialista, e a prática governativa da Geringonça, é disso um bom exemplo. Não é à toa que em democracias liberais mais informadas e com sociedades civis fortes, o socialismo está em acelerada desagregação. No discurso, a esquerda é contra a massificação do turismo, o G20, o G7, o aquecimento global, a precarização, a globalização, o capitalismo, ou o racismo, contra algo vagamente conveniente e o seu contrário, num contexto onde não há espaço para a coerência porque, em bom rigor, não há escrutínio nem se exige a estas forças políticas que nos digam, então, afinal, ao que vêm. Desta forma agressiva e por condicionamento comunicacional e cultural, grupos minoritários com pouca expressão eleitoral conseguem condicionar aquilo que são as políticas públicas aplicadas por forças partidárias catch all e sem grandes referenciais que não os meramente tecnocráticos.

De pouco adianta recordar que a maioria da direita e dos eleitores moderados é a favor da racional exploração das cidades, da preservação ambiental, da melhoria das condições de trabalho, de um comércio global que crie mais riqueza e melhores condições para os cidadãos (sendo essa a essência da troca e do comércio), ou da igualdade de todos independentemente da sua cor de pele, e que é no capitalismo e nas democracias liberais que se constroem soluções energéticas limpas, as cidades mais apelativas, os empregos mais valiosos e cobiçados, e persistem as mais evoluídas sociedades interraciais.

No caso de Charlottesville, de nada adianta afirmar algo que nem deveria ser necessário dizer – que a direita em Portugal não subscreve as lógicas de grupos “supremacistas”, nem apoia ideologias “nazis”. Este disclaimer, que deveria ser desnecessário e até ridículo, acaba por fazer sentido quando o líder do principal partido da oposição e mais votado nas últimas eleições é rotulado de “xenófobo” e, pouco falta, de “nazi” – tudo porque proferiu declarações bem mais brandas do que aquelas que ouvimos de bocas consideradas salvíficas pela esquerda, como Obama ou Clinton, a propósito da imigração.

Epifenómenos como Charlottesville, quando capturados pela imprensa de causas ao serviço da esquerda, rapidamente perdem a sua raíz e contexto, para se tornarem em armas de arremesso ao serviço da auto-justificação ideológica. Assim, já pouco importa se em Charlottesville a comunidade, nos seus órgãos próprios, estava a discutir um tema localmente fracturante, com raízes históricas profundas no debate americano, mas que há vários anos seguia aquilo que é normal num estado de direito democrático, até à sua mediatização anti-Trump.

Quem conheça os EUA sabe que o que se passou em Charlottesville é, infelizmente, business as usual – no sentido em que a luta pelos direitos civis na America tem séculos e já fez, infelizmente, milhares de mortos. Nada do que ocorreu é particularmente novo, ou tem uma escala que justifique uma pandemia de medo. Toda esta contenda de Charlottesville tem a minha crítica: desde logo (e respeitando a cronologia), porque assistimos ao reabrir de uma ferida mais uma vez levada a cabo por grupos radicais de estudantes universitários que insistem em querer esconder a história; e, igualmente, por isso permitir que grupos radicais, racistas, encontrem nessas feridas reabertas terreno fértil para recauchutar causas que não deberiam ter espaço nas nossas sociedades de hoje. Mas, por favor, nada disto tem importância suficiente para justificar que se rasguem as vestes neste nosso cantinho à beira mar plantado. O seu aparecimento nas parangonas dos jornais, porém, serve bem uma causa: a de permitir que a esquerda se defina por oposição, colando à direita coisas que nem a direita, por cá, defende ou acredita; e a de nos desviar de coisas bem mais relevantes e importantes que, curiosamente, permanecem impunes e sem a indignação que a sua gravidade merecia.

Cabe à direita portuguesa, sobretudo a mais liberal e cosmopolita, mas também às correntes moderadas ao centro e à esquerda, que não bebem em complexos de extrema-esquerda, não se deixar aprisionar pelas falácias de um debate que em nada pretende ser esclarecedor, mas meramente autojustificativo de ideologias, elas próprias totalitárias e inimigas da liberdade.

Trumpices

Steve Bannon sai da Casa Branca. A conter o riso, é melhor esperar pelas reações dos trumpistas lusitanos.

Thomas Sowell

Thomas Sowell’s Legacy

His retirement is a loss to public discourse and the African-American community.

Austeridade clássica versus Neoausteridade

A austeridade clássica equilibrava as contas cortando no rendimento de trabalhadores do sector privado e funcionários públicos. A neoausteridade corta na qualidade dos serviços públicos.

A austeridade clássica reduziu o salário de professores, mas aumentou a qualidade do ensino de acordo com os ranking internacionais. A neoausteridade repos o salário dos professores, mas fechou algumas das melhores escolas da rede pública.

A austeridade clássica reduziu o salário dos maquinistas do metro. A neoausteridade devolveu o salário aos maquinistas sacrificando a manutenção das carruagens e aumentando os tempos de espera.

A austeridade clássica baixou o salário dos funcionários da protecção civil. A neoausteridade devolveu-lhes o salário, mas reduziu as verbas para combate a incêndios.

A austeridade clássica aumentou o horário de trabalho de médicos e enfermeiros para 40 horas para poder continuar a oferecer o mesmo serviço sem contratar mais. A neoausteridade sacrificou a qualidade do Sistema Nacional de Saúde para devolver as 35 horas a médicos e enfermeiro.

A austeridade clássica usava orçamentos rectificativos para baixar a despesa quando a receita não chegava. A neoausteridade recorre às cativações para fazer logo quatro orçamentos de uma vez para ir podendo aplicar o mais apropriado ao longo do ano.

A austeridade clássica reduziu o investimento público ao patamar mínimo necessário para garantir a manutenção da infraestrutura existente. A neoausteridade conseguiu ir mais longe e baixar o investimento público para baixo desse patamar.

A austeridade clássica cortava nas pessoas para salvar bancos. A neoausteridade também.

A austeridade clássica foi desenhada para que todos sentissem na pele os efeitos da bancarrota. A neoausteridade foi desenhada para agradar a uma maioria de eleitores.

Ironicamente, a neoausteridade veio provar definitivamente que dois dos argumentos mais utilizados por socialistas nos últimos 10 anos estavam errados. O primeiro é de que o investimento público é condição necessária para o crescimento. Como se viu nos últimos trimestres desde 2016, Portugal conseguiu ao mesmo tempo as maiores taxas de crescimento económico desde a crise e os níveis mais baixos de investimento público desde que há dados publicados. Por outro lado, a popularidade das medidas neoausteritárias, em relação às da austeridade clássica, vieram comprovar outra coisa que os socialistas sempre negaram: as pessoas preferem mais rendimento a mais serviços públicos. Sendo verdade que quase todos esses euros acabam por ir para impostos indirectos, a verdade é que a política de devolução de rendimentos à custa de cortes nos serviços públicos foi popular. Se os portugueses aceitam sacrificar a qualidade dos serviços públicos por mais uns euros ao final do mês é porque os liberais sempre tiveram razão: há estado a mais em Portugal.

Nazismo e Comunismo

Deveria ser óbvio mas infelizmente para muita gente não é.

« libertarians aren’t allowed to criticize private entities » – refutação

O alerta de Stefan Zweig

A minha crónica no i.

O alerta de Stefan Zweig

Durante anos fiz orelhas moucas sempre que o meu pai me dizia para ler os livros de Stefan Zweig que estavam lá em casa. Em plena década de 90, numa época de paz, à porta do fim da história, sem que se vislumbrasse o que pusesse termo à prosperidade mundial que se vivia, os livros de Zweig eram de outro tempo.

Como o próprio refere no seu “O Mundo de Ontem – Recordações De Um Europeu”, a sua vida, desde 1881 até 1942, passou por altos e baixos, perdas e conquistas que consideramos inimagináveis. Nascido em Viena quando o Império Austro-Húngaro ainda dominava o centro-sul da Europa e a sua capital era um dos seus centros culturais, Zweig conheceu o Velho Continente do séc. XIX, por onde se viajava sem passaporte e sem que se justificasse para onde se ia, porque se ia e por quanto tempo.

Tudo isso Zweig viu desaparecer com a I Guerra Mundial, a inflação, que veio logo a seguir, e a guerra que irrompeu em 1939 e que ele não viu terminar, em 1945. O mundo pacífico de Zweig, que o próprio pretendia aproveitar para criar arte, tornou–se um tumulto, uma balbúrdia que o obrigou a fugir do seu país e a terminar os seus dias num local onde ele, um cidadão do mundo, não se sentia em casa.

Li nesta primavera “O Mundo de Ontem”, de Zweig. Pareceu-me propícia a altura para que não me esqueça de que nada é garantido. Nascido num mundo seguro semelhante ao nosso, Zweig tornou-se um apátrida sem lugar e sem referências. Escreveu para nos dizer como era e, fazendo-o, avisou-nos dos riscos de como pode voltar a ser.

 

Atentado terrorista em Barcelona

Um morto e 20 feridos. Carrinha atropela dezenas de pessoas em Barcelona

Uma carrinha atropelou dezenas de pessoas nas Ramblas, centro de Barcelona. Haverá pelo menos um morto e 20 feridos. Polícia admite ataque terrorista. Atacantes refugiados em restaurante.

Assessor do governo quer ilegalizar PCTP-MRPP

Um dia, de acordo com os desejos do Mestre Rui Cerdeira Branco, adjunto do gabinete do Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, todos os partidos serão o Partido Socialista.  Aguardo com expectativa a reacção do Camarada Arnaldo Matos face ao desejo de Rui Cerdeira Branco de acabar com o MRPP.

O Grande Irmão, O Partido Socialista e a Polícia do Pensamento fazem o seu caminho.

Leitura recomendada: 1984, de George Orwell. Rápido, antes que seja “extinto” pela nobre vontade dos burocratas em obediência absoluta ao Estado.

Trumpices caseiras

António Costa inspira-se em Trump.

Internet Livre

Com todos os ataques à Liberdade de Expressão (YouTube Heroes (React), Adpocalypse, Restricted Mode, Controversial (!) & Censorship,  Google UK’s Internet Citizens,  Twitter’s Block Lists,  Wikipedia Edit-a-thon,  shadowbanning,  safe spaces,  biased news curating, …), começa a ser importante estar em soluções alternativas. Aqui ficam as sugestões da Prism Break, referidas neste vídeo:

Se começarem a usar alguma destas plataformas(ou já começaram, por favor deixem as vossas impressões nos comentários.

A próxima ronda de ataques a estátuas?

Adenda: Theodore Roosevelt não escapa. Monte Rushmore já não garante nada.

Ben Shapiro Vs Trump?

Uma perspectiva rara e uma crítica racional a Trump. Já agora, uma definição mais restrita de Alt-Right e uma comparação com a Alt-Left que interessa conhecer.
E por fim, uma descrição do que aconteceu em Charlottesville sem filtro dos legacy media.

Voando sobre um ninho de cucos

No filme, “Voando sobre um Ninho de Cucos”, Milos Forman questiona a forma como uma sociedade monolítica se impõe aos cidadãos, sob os falsos pretextos de democracia e liberdade, que supostamente só são visíveis desde que não sejam questionados. O enredo, esse, desenrola-se num manicómio, onde vários pacientes, resignados, internados voluntariamente, procuram um ambiente protegido e confortável onde se possam sentir seguros, aceitando em troca submeter-se a tratamentos violentos e a comportamentos acríticos e mecânicos, que são impostos como “normais“.

No hospital psiquiátrico de Forman não há espaço para a consciência, vivendo a sociedade em cativeiro.

Em muitos aspetos, o que se assiste em Portugal não está muito afastado das metáforas do filme de Forman. Quem esteja atento ao enredo comunicacional e político, com um minimo de espírito crítico, tem de concluir que Portugal vive hoje aprisionado por uma ausência de consciência, onde (sendo simpáticos) a vontade legítima de atingir a normalidade nos leva a ignorar a realidade e a aceitar narrativas ficcionais. Nesta sociedade delirante os que a questionam são rotulados de loucos, ou de qualquer outro chavão menorizante.

Num país a arder, entregue a si próprio, onde a fronteira entre a salvação e o infortúnio depende dos caprichos da natureza e da direção do vento, políticos comprometidos com toda a nossa história recente desmultiplicam-se em encenações, entrando e saindo do palco em várias cenas, ao estilo chora-a-ministra-chora-o-secretário-beija-aqui-beija-acolá-defende-SIRESP-critica-SIRESP-condena-a-árvore-iliba-a-árvore-alega-downburst-reforma-a-floresta-venha-o-inverno. Nesta encenação, parar é morrer. Quanto mais dramática se desenha a tragédia, mais exagerada se torna a encenação: que o diga D. Dinis, de cognome, O Agricultor, insigne rei da 1.ª dinastia, o homem que mandou plantar o pinhal de Leiria, a quem o nosso ministro Capoulas se comparou, na grandiosidade que reserva para a obra florestal do seu desgoverno. Que o ridículo não tenha dado lugar à chacota, e o homem permaneça de sachola na mão, irresponsável pela plantação nacional, diz muito do estado de adormecimento psiquiátrico instalado.

64 mortos e dois meses depois, continuamos sem saber o que se passou. Continuando as populações entregues ao seu infortúnio.

É tal a desorientação que nem o roubo de Tancos, simbolo máximo do laxismo e do abandono, há muito foi esquecido pela memória coletiva, dada a imensidão de tragédias com que diariamente somos confrontados.

No dia em que os católicos celebram a Assunção de Nossa Senhora, caiu o céu sobre a Madeira, sob a forma de árvore, ceifando 13 vidas e ferindo 5 dezenas. Ouvimos nas notícias já sem estupefação, como se adivinhássemos, que há muito que o perigo vinha sendo anunciado pelos cidadãos. Azar dos azares, ainda não é desta que vamos ter culpados – que não árvores arguidas; queixaram-se afinal os residentes dos plátanos e não dos carvalhos. A brutalidade, essa, entrou nas nossas casas, nas palavras do Presidente da Câmara do Funchal, que já nos foi avisando: não esperem responsabilidades públicas. As árvores “referenciadas” – ou seja, que o cidadão incauto havia reportado – eram plátanos, e não carvalhos, pelo que não venham agora exigir-lhe o que quer que seja. Para a próxima, quando um cidadão ameaçado avisar as autoridades daquilo que é a sua missão – garantir a integridade do espaço público – antes, é bom que desenvolva conhecimentos profundos de botânica, e cumpra com rigor a sua delação arborícola. Que é para isso que os cidadãos pagam impostos os poderes públicos recebem impostos.

Prossegue o delírio, mais uma notícia, mais um devaneio. Na ânsia de anunciar boas novas, a enfermeira Ratched o deputado Galamba, com ar triunfante, deu nota ao país que estamos a crescer como nunca: 2,8% face ao período homólogo. Pouco importa que, na União Europeia, no 2º trimestre de 2017, para os países para os quais existem dados, com excepção da Finlândia Portugal foi o país que menos cresceu em cadeia. E que, mesmo em termos de crescimento homólogo, Portugal tenha apenas o 13.º crescimento na UE, num cenário em que as exportações continuam a diminuir e as importações a aumentar. O bom-senso diria que estamos a desacelerar, havendo risco de estagnação. E que o fruto dos esforços feitos nos últimos anos começam a diluir-se na acomodação intempestiva da distribuição dos rendimentos. Não! Pelas contas, a coisa aguenta mais uns meses. Mesmo que isto estagne, aguenta até ao próximo Orçamento. Pelo que importa manter o optimismo, e continuar a fingir, mesmo que os sinais e o respeito pelos esforços dos portugueses nos exigissem moderação, e até sentido de alerta.

Nesta caminhada, os que teimem em alinhar com a normalidade, devem ser aniquilados. Digam o que disserem, pouco importa a substância do que se diz. Há que criar rótulos, de dedo em riste, que impeçam o debate e não permitam que o povo, saindo da normalidade, perceba que a peça em cena é a do Rei que vai nu.

Sim, o Rei vai nu. O que falta acontecer para que quem nos governa perceba que desde há muito, quando desfilam, não vemos a sua vaidade, mas a sua nudez inestética, por mais que os seus comparsas lhe elogiem os trajes?

 

Sua Santidade, o Governo

Leitura muito recomendada de Manuel Carvalho, hoje no jornal Público: Sua Santidade, o Governo:

[…] Pedir silêncio quando o Estado falha e o país arde é um absurdo a menos que tenha uma finalidade sub-reptícia: dar argumentos às hostes que defendem com unhas e dentes o Governo. Ou seja, de criar uma narrativa. Já sabemos como isso funciona. É munir os sapadores políticos dos partidos da coligação com uma cartilha: não se pode falar dos erros no combate aos incêndios; não se deve pedir a demissão da ministra; o Governo virou mesmo a “página da austeridade” porque é uma estrela que veio do firmamento para nos salvar da troika; a união de facto entre os partidos da esquerda é uma maravilha da política contemporânea celebrada pelo mundo fora e só rejeitada entre portas por causa da proverbial estupidez e inveja dos indígenas.

[…] Hoje Portugal começa a viver debaixo de uma impiedosa rede de vigilância montada pelos intelectuais do Bloco, pelos apparatchiks do PCP e pela intelligentsia socialista que se investiu da missão de purgar as mentalidades dos perigos desviantes. Só se pode falar do Governo e das suas políticas com perfume de incenso e mãos juntas em jeito de oração. Pouco a pouco, foram sendo criados os códigos, as palavras e as frases que podemos dizer e citadas as questões da actualidade que podemos criticar. Quem não o fizer quebra consensos ou faz fretes a obscuras forças nacionais ou estrangeiras. Ou se é a favor do Governo, ou se é “pafiano” ou “troikiano” ou, como agora, entra no “aproveitamento político de tragédias” que estrafega os “consensos nacionais”.

Como é que o comunismo ainda é popular nos dias de hoje?

Depois de:

  • todas as teorias e previsões de Marx terem sido refutadas e demonstradas como sendo erradas
  • todo o historial de fome, miséria e pobreza generalizada em todos os países que tentaram implementar o comunismo
  • toda a violência, da supressão de todas as liberdades básicas e dos muitos milhões de mortos causados directamente pelos regimes comunistas – regimes esses que tinham que construir muros para impedir que as pessoas fugissem deles (e mesmo assim, com pessoas a arriscar a vida para lhes escapar)

…algo que não consigo compreender é como é possível que o comunismo ainda seja popular nos dias de hoje e que em Portugal os partidos que defendem esta ideologia tenham consistentemente entre 15 a 20% dos votos?

The Rise of the Violent Left

The Rise of the Violent Left. Por Peter Beinart.

Antifa’s activists say they’re battling burgeoning authoritarianism on the American right. Are they fueling it instead?

(…) Antifa believes it is pursuing the opposite of authoritarianism. Many of its activists oppose the very notion of a centralized state. But in the name of protecting the vulnerable, antifascists have granted themselves the authority to decide which Americans may publicly assemble and which may not. That authority rests on no democratic foundation. Unlike the politicians they revile, the men and women of antifa cannot be voted out of office. Generally, they don’t even disclose their names.

Quando o DN vai a banhos

No dia 6 de Agosto deste ano, Paulo Baldaia publicou um editorial no DN dando nota que, apesar de a justiça até à data estar a dar razão a Rui Moreira no famoso “Caso Selminho”, e cito, “(…) a história ainda não chegou ao fim (…)”. Segundo Paulo Baldaia, o processo estará inquinado porque, e cita-se, “(…) Rui decide se Moreira tem razão (…)”: Rui Moreira estaria a fabricar uma decisão em causa própria, uma vez que do Acordo Arbitral constará que cabe a uma comissão “controlada” pelo Presidente da Câmara do Porto decidir o valor da indemnização a atribuir à sociedade da sua família caso na revisão do PDM não venha a ser dada capacidade construtiva ao terreno de sua propriedade.

O editorial de Paulo Baldaia surpreendeu-me pela sua desatualização, uma vez que é tido e sabido, há vários meses, que o dito Tribunal Arbitral – a ser necessário – não será formado por três pessoas, nem as Partes em litígio influenciarão a escolha dos árbitros.

Na verdade, a 29 de Maio de 2017, por iniciativa da Selminho, as Partes celebraram uma Terceira Adenda ao Compromisso Arbitral alterando a sua Cláusula Segunda, a qual passou a ter a seguinte redacção:

Cláusula Segunda

(Designação do Árbitro)

O Tribunal Arbitral será composto por árbitro singular, cabendo a sua designação a entidade terceira independente, concretamente ao Tribunal Central Administrativo do Norte, nos termos previstos no n.º 1 do artigo 10.º da Lei da Arbitragem Voluntária (Lei n.º 63/2011, de 14 de Dezembro).

As razões apresentadas, na própria Terceira Adenda, para a adopção desta solução, prendem-se precisamente com a vontade das Partes de garantir que não subsistem dúvidas quanto à transparência da nomeação dos árbitros que terão de dirimir o conflito, caso ele subsista após a revisão do PDM. No entendimento das Partes, a opção por um árbitro único nomeado por um juiz deveria permitir afastar as últimas réstias de dúvida dos mais cépticos, que não se sentissem confortáveis com a opção por uma comissão tripartida de arbitragem, ainda que vinculada à lei, a deveres reforçados de imparcialidade, e à ratificação da decisão por um juiz.

No dia 7 de Agosto dei nota, na página de FB do Paulo Baldaia, que tinha ideia que a Cláusula Segunda do Compromisso Arbitral teria sido alterada para dar lugar a uma solução de arbitragem singular, por nomeação de um juiz. Uma semana depois, nem o diretor do DN nem o próprio jornal, deram qualquer sinal no sentido de estarem a averiguar a veracidade de tal informação, o que não deixa de ser curioso, uma vez que no editorial manifesta-se, com veemência, o enorme desejo de, e cito, “(…) fazer perguntas (…)”, rematando-se: “(…) nós (leia-se: DN) temos uma ética para cumprir (…)”.

Passados vários dias sobre a publicação do editorial, sou tentado a concluir que a vontade de fazer perguntas foi a banhos e a ética está de férias: só assim se compreende que o DN e o Paulo Baldaia ainda não tenham vindo corrigir o erro em que induziram os seus leitores. O DN não mais se preocupou com o tema, nem procurou esclarecer se, afinal, não estaria a laborar em erro. Na sua página do FB, onde divulgou o editorial, Paulo Baldaia teve espaço e tempo para se vangloriar dos feitos do FêCêPê, mas não encontrou disponibilidade para dar azo às suas ânsias de luta pela reposição da verdade e defesa da ética.

Da minha parte, e porque é sempre um gosto contribuir para a clarificação do debate, aqui deixo uma cópia da Terceira Adenda ao Compromisso Arbitral que, segundo me foi dito por um deputado municipal do PSD-Porto, foi distribuída a todos os deputados municipais e vereadores, e que terá sido objeto de referência na Assembleia Municipal em que o “caso Selminho” foi agendado. Fica assim facilitado o trabalho do DN, que mais não tem do que repor a verdade, coisa que não tenho dúvidas, o fará, a bem da ética a que o seu diretor diz estar vinculado.

 

Post Scriptum: Tendo em atenção que a revisão do PDM está agendada para 2018, uma eventual decisão arbitral só terá lugar após as eleições de 1 de Outubro de 2017. Ao sistematicamente porem em causa a imparcialidade da Comissão Arbitral tripartida, assumindo que Rui decide se Moreira tem razão, os apoiantes do PSD e do PS que subscrevem tal tese e tanto se estusiasmaram com o editorial do Paulo Baldaia, estão a assumir perante o eleitorado que vão perder as eleições. Na verdade, e partindo do (errado) princípio que os árbitros não são parciais, ainda assim só haveria conflito de interesses no momento da eventual decisão arbitral tripartida se, precisamente, Rui Moreira for eleito Presidente da Câmara do Porto nas eleições que se avizinham. Como diria o diácono Remédios, será que havia mesmo necessidade? Fica aqui lançada a questão.