2016 EYC Freedom Summit – Porto

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A quinta edição da EYC Freedom Summit começa hoje no Porto e serei um dos oradores convidados num painel que terá lugar amanhã de tarde e onde se discutirá a relação entre conservadorismo e liberalismo.

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Mortágua e o regresso ao ódio de classes

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José Manuel Moreira regressa à escrita regular em periódicos, desta feita no novo Jornal Económico: Inveja e democracia

Já quase tudo se disse sobre o “Temos de perder a vergonha e ir buscar a quem está a acumular dinheiro”, os aplausos e o repto de Mariana: “Cabe ao PS, se quer pensar as desigualdades, dizer o que acha deste sistema capitalista e encontrar alternativa”. Apelo que ganhou vida nova com a definição marxista de Costa de uma sociedade decente.

Mas, mais que o regresso ao ódio de classes e aos tempos de vivência leninista na casa paterna, importa ir além das justificações para o assalto ao património dos mais ricos ou à devassa de contas bancárias do cidadão comum.

Eventualmente, pá

Manuel Heitor, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e um espécime representativo da geringonça

“Não há cursos a mais, há eventualmente estudantes a menos”

O pântano

Não há outro plano que não seja uma estagnação pantanosa que evite a catástrofe de outra bancarrota. O meu artigo no Jornal Económico.

O pântano

Com o Orçamento de Estado, o Governo ultrapassa mais um obstáculo à espera que alterações políticas na Alemanha e em França tornem impossível um outro resgate e se salve a face do primeiro-ministro. É isto, não é Dr. Costa?

Porque se não é esta a sua intenção, o seu Governo não passa disso. Que outro futuro pode pretender quando, sem poupança, nem confiança para gastar ou investir, o senhor apostou no consumo como motor económico? Eu digo, já que o senhor não se descose: indo atrás de quem ainda tem alguma coisa. O senhor e a extrema-esquerda que o apoia falam de ricos, mas aqui entre nós sabemos bem que os ricos ou já se acautelaram ou vão embora. Resta dividir os portugueses entre os que pagam e os que recebem.

Para se cumprir o défice inferior a 3% do PIB, uma meta boa há 20 anos mas hoje insuficiente, o senhor ataca as poupanças. Por muito que diga que a execução orçamental vai bem, algo corre mal quando a receita cai e o PIB não cresce como se esperou na apresentação do OE para 2016. As suas contas feitas a martelo visam tirar credibilidade à liderança do PSD, governar sem essa pedra no sapato e pôr o país a pagar os interesses do seu eleitorado. Não há outro plano que não seja uma estagnação pantanosa que evite a catástrofe de outra bancarrota.

Mário Centeno já disse que a sua prioridade é evitar um segundo resgate. A economia não cresce o suficiente para baixar o défice e, mesmo que o fizesse, a acumulação de dívida, mais tarde ou mais cedo, travaria esse crescimento momentâneo. Como o seu Governo não optou por reduzir a despesa pública, e a receita não aumenta na proporção que o senhor precisa, os défices continuarão a rondar os 3% do PIB. Com uns ajustes até podem ficar ligeiramente abaixo e o seu Governo lá vai dizendo que cumpre a meta há muito ultrapassada.

António Guterres largou o pântano para cuja existência nenhum comentador, na altura, teve a coragem de alertar. Como agora. Porque, consigo, ou o Estado entra em bancarrota, ou daqui a uns dez anos estamos na mesma e este artigo ainda será atual. Se considerarmos que o objetivo do seu Governo é sobreviver, então terá conseguido. Parabéns! Só que o que para si é imenso, para o país não é nada. Dependente do BCE e da agência de notação financeira DBRS, a parede contra a qual vamos embater está aí mesmo à nossa frente. Mas o senhor tudo fará para sobreviver. Veremos se, principalmente sem resgate, o país aguenta. É isto, não é Dr. Costa? Pois, se é, deixe-me que lhe diga que é muito pouco.

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A deliciosa vida política de Pedro Sánchez, o grande líder do PSOE.

 

Quão miserável é Corbyn

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O fim de um partido? por Paulo Tunhas, n’ Observador.

(…) Corbyn representa, como se sabe, a “esquerda dura” do trabalhismo, no seguimento do seu mentor Tony Benn, que, de resto, começou na ala direita do partido. As tradições são o que são, e a “esquerda dura” trabalhista tem uma longa tradição e sempre foi mais ou menos activa. Mas esta nova encarnação vegetariana, abstémia e pacifista oferece um radicalismo que não parece ter tido antes uma tão plena oportunidade de se manifestar na chefia partidária. E Corbyn anda bem acompanhado, como por exemplo por um seu importante e muito próximo ministro-sombra, John McDonnell, que recentemente se recusou a pedir desculpa por ter apelado ao linchamento da deputada conservadora Esther McVey. McDonnell tem de resto uma longa história no capítulo: em 2003 elogiou, lembra a Economist, “as bombas, as balas e o sacrifício” do IRA.

O velho radicalismo da “esquerda dura” trabalhista – nacionalizações extensas, desarmamento nuclear unilateral, eliminação das bases americanas, anti-europeísmo manifesto ou mais ou menos disfarçado, etc. – encontra-se devidamente complementado em Corbyn por outras posições próprias ao presente. Tal como o antigo mayor de Londres, Ken Livingstone, Corbyn elegeu Israel como o seu ódio de estimação. Defendeu, por exemplo, os autores do atentado bombista de 1994 à embaixada israelita em Londres. E, naturalmente, é dotado de uma vasta complacência para com o islamismo radical. Corbyn, de resto, e só superficialmente há incoerência nisto (é unicamente Israel que se quer atacar), não vê grande diferença entre Israel e o Estado Islâmico.

A propósito de violações da privacidade

“Quem não deve não teme? Snowden discorda” de Graça Canto Moniz (i)

Quando se defende a privacidade, o que se visa proteger é o direito que cada um tem de construir o seu próprio ser, em diálogo consigo mesmo, assente na faculdade – mas não na obrigatoriedade – de partilhar com o mundo quem é, como é e como quer ser, para que o mundo compreenda, exclusivamente através e a partir de si, quem se quer ser ou quem já se é. Prima facie, esta é uma escolha exclusiva que compete a cada um definir: o que partilha, o que diz, o que mostra, como se dá a conhecer aos outros, sem que daí se deva concluir pela ilegitimidade da ação ou omissão. Podemos admitir não ser este um valor absoluto, como não são em sociedade todos os restantes valores estruturantes da pessoa humana, como a liberdade ou a propriedade.

As suas limitações, porém, devem ser excecionais e bem justificadas, em função e à luz dos princípios da proporcionalidade e da necessidade. A privacidade traduz-se também no direito que temos de controlar a nossa imagem, a forma como a projetamos no mundo, e a nossa identidade. É esse controlo que nos permite escolher as relações que temos com os outros, de amor, de amizade, de partilha de sonhos, dúvidas, inseguranças, pensamentos e ideias. É isso que nos permite ter controlo sobre a construção da nossa personalidade.

A nova mentira

O meu artigo no ‘i’ é sobre a arte dos novos mentirosos.

A nova mentira

A “Economist” tinha há dias um artigo sobre a nova arte da mentira na política. Se, até agora, um político mentia falsificando a verdade, actualmente o que sucede é que a verdade se tornou secundária. Um político que mente já não quer convencer os outros da existência de um mundo paralelo, mas realçar os sentimentos das pessoas em detrimento dos factos.

A revista menciona Donald Trump. Neste jornal, dou o exemplo do nosso governo. Porque o que temos presenciado é uma tentativa sistemática de desvalorizar factos realçando intentos, propósitos, com base em impressões. A aposta na susceptibilidade das pessoas, nos seus sentimentos e vontades que, se devidamente alimentados, como que validam dados incorrectos, baralhando a verdade que se desfigura ao ponto de se tornar irreconhecível.

Assistimos a isso todos os dias na forma como o primeiro–ministro deprecia as críticas, de modo a que a jocosidade substitua a verdade como tema da discussão, que se torna rasteira. Vemo-lo quando afirma que a execução orçamental vai bem apesar de o OE 2016 ter sido feito com base num crescimento do PIB superior ao alcançado. E também no debate quinzenal no Parlamento da semana passada. Aqui, Costa apresentou gráficos sobre a economia e as exportações, sem indicação de fontes, de tal forma enviesados que, em vez de se debater o tema em si, se discutiram os gráficos. A verdade remetida para segundo plano. Para que interessa a verdade se baralhamos os dados, lançamos poeira e saímos de fininho?

Gente séria é outra coisa

Que se saiba, a Presidência de República ainda não se pronunciou sobre a promulgação da infame lei que arrasa o sigilo bancário. Pode até já ter dado a conhecer ao PM a sua intenção mas, publicamente, ainda não se pronunciou.

Pois bem. Demonstrando um enorme sentido de estado, a Ministra da Presidência dá admite publicamente que espera o veto do diploma e, pasme-se, exige explicações a Marcelo Rebelo de Sousa

ADENDA: O único aspecto positivo é admissão (contrariamente ao que diziam os propagandistas da geringonça) que a quebra automática do sigilo bancário não resulta de directivas comunitárias mas resulta de uma iniciativa governo.

Lindos e sem make-up

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PCP e Rússia, no Avante.

(…) Na explosiva confrontação em curso, o capitalismo russo não pode prescindir do legado da época soviética. Mas as contradições entre a política interna e externa da Rússia, expressão da complexidade da luta de classes, continuam a pairar perigosamente sobre o futuro do país da Revolução de Outubro no século XXI.

Era uma vez um país

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Era uma vez um país. Esse país geria as suas contas como uma dona de casa. Em tempos de bonança poupava, em tempos de agrura recorria às suas poupanças. Transpondo a coisa para política fiscal, este país tinha excedentes orçamentais quando a economia estava a crescer, e tinha défices orçamentais quando a economia estava em recessão. Seguia uma política fiscal contra-cíclica, deixando o defunto Lord Keynes muito satisfeito. Este país tinha uma dívida pública controlada, com uma trajectória perfeitamente estável. Este país sabia que, gerindo as suas finanças públicas de uma forma responsável, podia aproveitar o efeito expansionista de um défice orçamental, aliviando assim a pressão sobre as famílias e as empresas. Este país sabia também que, como foi prudente nos anos bons, pode dar-se ao luxo de relaxar um pouco nos anos mais complicados.

Mariana Mortágua refere-se a este país quando afirma que, neste momento, um défice de 2.5% prejudica a economia. Ora, este país não é Portugal. Portugal, que tem 41 anos de défices orçamentais e a 7ª dívida pública em % do PIB mais elevada do mundo, logo a seguir ao Japão, Zimbabwe, Grécia, Saint Kitts e Nevis, Itália e às ilhas de Antigua e Barbuda, não tem qualquer margem para défices orçamentais, não tem qualquer margem para se desviar da consolidação orçamental. Não tem qualquer margem para conduzir políticas fiscais expansionistas. E não tem qualquer margem para aturar a indigência económica e financeira de Mariana Mortágua e dos demais estarolas do Bloco de Esquerda.

Índice de competitividade de Portugal

A propósito do ranking de Portugal no índice de competitividade do WEF, o Insurgente teve acesso ao gráfico que António Costa irá usar para exultar a subida para o 46º lugar.

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H/T ao Francisco Miguel Colaço, que deu a ideia num comentário ao outro artigo.

The Global Competitiveness Report 2016-2017

Portugal está, de acordo com o relatório de competitividade global do World Economic Forum, na 46ª posição, atrás de portentos económicos como o Azerbaijão, o Panamá, as Ilhas Maurícias e a Arábia Saudita. Caímos 8 posições relativamente ao relatório de 2015-2016.

Olhando em detalhe para os indicadores encontramos algumas explicações. O inquérito realizado a executivos e empresários, efectuado em 2016, e não referente a 2015, como alguns jornais noticiaram, é contundente:

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  1. Entre os factores que mais prejudicam a competitividade do país, a elevada carga fiscal e a burocracia de um governo anafado e ineficiente continuam a marcar presença;
  2. Face a 2015, a grande surpresa surge no terceiro lugar, na instabilidade das políticas; com efeito, este primeiro ano de PS, coadjuvado por BE e PCP, foi dedicado às reversões, cancelamentos de contratos e criação de novos impostos.

Analisando em mais detalhe alguns dos indicadores-chave, Portugal figura quase no topo da tabela, isto se a invertermos, em matéria de burocracia da máquina do Estado (red tape) e na eficiência judicial para a resolução de conflitos.

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Estamos, portanto, no bom caminho. No bom caminho para alcançarmos países como o Bahrein ou o Ruanda, que estão a meia dúzia de posições de Portugal. A Venezuela é o limite.

Com estes truques, a imprensa está a desaparecer

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O artigo do Expresso intulado “O povo português está a desaparecer” pode ser lido aqui. Os dados têm como fonte a Portada.

Nacionalizado ao Romeu Monteiro.

 

Compreender o putinismo XLIII

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MH17 foi abatido com ajuda da Rússia

 Separatistas apoiados pela Rússia pediram e receberam o sistema de misseis terra-ar utilizado para abater o avião que voava de Amesterdão para o Kuala Lumpur em julho de 2014. Morreram 298 pessoas.

A equipa de investigadores liderada pela Holanda concluiu que o sistema de mísseis terra-ar usado para abater um avião da Malaysia Airlines que viajava de Amesterdão para o Kuala Lumpur há dois anos, matando 298 pessoas, era russo, estava localizado na Rússia e foi enviado para a Ucrânia a pedido de rebeldes separatistas ucranianos apoiados pelo Governo russo, tendo regressado à Rússia na mesma noite, avança o New York Times. (…)

Que enorme cabala. A investigação não culpa a Rússia. Apenas revela que um sistema de mísseis terra-ar, conhecido como “Buk” veio, foi usado para abater o avião e regressou a casa, à Santa Mãe Rússia. Se dúvidas existissem, é sabido que nenhum militar e equipamento bélico russo pisou o solo da Crimeia, Nunca existiram militares e armas russas em Donetsk. O Kremlin é incapaz de fornecer e financiar terroristas.

De regresso ao avião abatido, o então comandante militar rebelde  Igor Strelkov, da proclamada “República Popular de Donestsk”, afirmou nas redes sociais: “acabamos de abater um An-26 perto de Torez. Caíu perto da mina Progress. Avisámos (as forças armadas ucranianas) para não voarem no nosso espaço aéreo. Há um vídeo que confirma que o pássaro caíu.” O crédito do rebelde passou a glória quando o AN-26 passou a ser o avião de passageiros MH17. As redes sociais pro-russas celebraram o feito e difundiram o vídeo do avião abatido a arder. Alguns minutos após a divulgação, surgiram as primeiras notícias que confirmavam que o avião abatido pertencia à companhia aérea Malaysia Airlines, voo MH17 com  quase três centenas de pessoas a bordo. A partir deste ponto, a propaganda ao serviço dos pro-russos começaram a “cortar” as notícias sobre os mísseis terra-ar, o abate do avião de carga ucraniano e a apagar os vídeos. 

Claro como o vodka: com Vladimir Putin, os velhos usos e tiques soviéticos estão para lavar e durar. Para acompanhar as notícias, aconselho o trabalho do The Telegraph.

Sobre as novas regras de sigilo bancário

Não serei certamente o maior fã de Clara Ferreira Alves mas não posso deixar de subscrever as razões por ela invocadas para rejeitar as novas regras do sigilo bancário.

Lições da crise grega – para quem quiser aprender

Lessons from the Greek crisis (#1): The worst enemy for the Left is the Left in power.

Lessons from the Greek crisis (#2): “Dignity” is a catchy ethnopopulist term to feed the masses. But at some point they’ll need actual food.

Lessons from the Greek crisis (#3): The greater the lies and populist BS that propel you to power, the greater your (inevitable) downfall.

Lessons from the Greek crisis (#4): When you have absolutely no arguments to use, just blame neoliberalism. It’s easy. And it always works.

Lessons from the Greek crisis (#5): Never make an egomaniac fool with a narcissistic personality disorder your Finance Minister. Just, no.

Lessons from the Greek crisis (#6): The starkest anti-establishment critics turn into the fiercest establishment proponents, once in power.

Lessons from the Greek crisis (#7): The political transition from a decades-long two-party status-quo to a multiparty one can be very messy.

Lessons from the Greek crisis (#8): There is no better refuge for an extreme populist with no arguments than a good conspiracy theory.

Lessons from the Greek crisis (#9): When many people distrust media/pollsters/politics, polls often fail to grasp true anti-establishment vote.

Lessons from the Greek crisis (#10): In the age of post-truth politics, facts don’t win elections. Sentiment and perceptions do.

Lessons from the Greek crisis (#11): Old media that depend on vitriolic sensationalism will eventually be confronted w/ sensational vitriol.

Lessons from the Greek crisis (#12): Every half-decent extreme populist politician has an armada of conspiracy-hungry trolls backing him up.

Lessons from the Greek crisis (#13): Overestimating power of status-quo & underestimating width of anti-establishment vote = very dangerous.

Lessons from the Greek crisis (#14): Chronically weak institutions can do very little to counter ideological whims of new populist govts.

Podem ver a sequência aqui.

E nem um manifesto ou uma providência cautelar…

A geringonça prepara-se para concessionar a privados um conjunto de edifícios históricos. Não quero imaginar o rasgar de vestes se isto tivesse sido feito pelo governo anterior. Teriamos já os indignados do costume (alguns dos quais agora no governo) a encher os telejornais e a prometer morrer na batalha contra a prostituição do património histórico e cultural.

Nota: Quanto à intenção de concessionar os edifícios nada contra, não é segredo que o estado não tem capacidade e recursos para gerir património que frequentemente (como é o caso de muito destes que agora se fala) se encontram degradados. Ficarão muito melhor se entregues a privados. Aliás, poderiam inclusivamente ser alienados em definitivo.

a decadência do Estado português

Acaba de ser publicada a mais recente edição do “The Global Competitiveness Report 2016-2017” do World Economic Forum, que coloca Portugal na 46ª posição num conjunto de 138 países.

Várias coisas saltam à vista neste relatório. Primeiro, o facto de Portugal ter perdido oito lugares no ranking mundial face à edição do ano passado. Segundo, o facto de a fiscalidade (elevada e complexa) ser percepcionada como o maior obstáculo à actividade económica. Em particular, a dos impostos que afectam o investimento das empresas e a do imposto em sede de IRS (ver “7th pillar: labour market efficiency”) nos quais Portugal classifica em 113º e 128º lugar, respectivamente. E, por fim, terceiro ponto a sublinhar, que o verdadeiro atraso de Portugal reside na ineficiência e ineficácia institucional e administrativa do Estado, cujos efeitos, segundo se deduz do estudo, se fazem sentir sobretudo numa complexa burocracia pública (109º), na incompetência geral da Justiça (126º) e na desregulação de determinados sectores regulados como a banca (129º). Ao invés, a classificação de Portugal na educação, na inovação e, sim (!), também nas infraestruturas, é bastante boa.

Em suma, sem subestimar a influência que o nosso perfil de especialização tem sobre a nossa competitividade global no comércio internacional, eu diria que o nosso verdadeiro problema, o nosso principal atraso, está na decadência institucional e administrativa do Estado, causada por uma administração pública virada para dentro, frequentemente impotente para tratar dos verdadeiros problemas das populações, altamente politizada e, pior ainda, altamente partidarizada. Isto sim, diria eu, constitui um drama e representa o diabo.

First Presidential Debate – Trump vs. Clinton

FULL Presidential Debate – Donald Trump vs. Hillary Clinton

Trump e Clinton: os candidatos menos estimados de sempre

Trump e Clinton: não podem perder os dois? Por Rui Ramos.

Quais são as suas hipóteses? Trump e Clinton são os candidatos menos estimados de sempre. A esperança de cada um deles é que o rival inspire um pouco mais de repulsa. Desenvolveram, por isso, uma original sociedade de demonização mútua. Para Trump, Clinton é corrupta e mentirosa; para Clinton, Trump é racista e imita Putin. Ambos sabem que, sem o outro, já estariam fora de jogo. Perante um candidato republicano menos afectado por demagogia, Clinton já teria sido vítima da desconfiança que suscita; perante um candidato democrata sem tanta bagagem de escândalos, talvez Trump tivesse parecido demasiado arriscado para subir tão alto.

“the longest military alliance in the history of the world”

I haven’t seen the transcript of the debate, but I’m pretty sure Clinton claimed that NATO was the longest lasting alliance in the history of the world, or some similar phrase.

Which reminded me of an old Churchill speech:

“I have an announcement to make to the House arising out the treaty signed between this country and Portugal in the year 1373 between His Majesty King Edward III and King Ferdinand and Queen Eleanor of Portugal,” declared Winston Churchill in the House of Commons in 1943.

– David Friedman, via Facebook.

Obrigado

Agradeço em nome do Colectivo Insurgente as muito simpáticas palavras de Luís Menezes Leitão, ainda que pessoalmente fique sempre um pouco desconfortável com paralelismos com O Independente (por razões que expus, em parte, aqui). Em qualquer caso, fica o genuínio agradecimento.

Diversão à esquerda

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O cartaz que respeita a tradição de design a que o PCTP/MRPP nos habituou foi colocado na Venda Nova (Amadora), onde habitualmente o partido coloca a propaganda.

As mentiras do Arnaldo.

A título meramente exemplificativo, destaco o post Povo Exige Internamento de Arnaldo Matos, datado de 23 de Setembro e que reza assim:

Durante esta noite, numa grande acção de repudio pelo assalto do ditador Arnaldo ao PCTP/MRPP, foram afixados por todo o País incluindo regiões autónomas, uma série de cartazes.

Recordamos que pela primeira vez na sua história, o PCTP/MRPP não celebrou a sua data de fundação. O povo não deixou passar em claro o golpe do Arnaldo e sua seita.

David Reynolds – “Churchill’s Sense of History”, 12 de Outubro, Cascais

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O Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa organiza no próximo dia 12 de Outubro, pelas 18h30, no Palácio da Cidadela em Cascais, a segunda “Winston Churchill Memorial Lecture and Dinner”.

O orador convidado deste ano será David Reynolds, Professor of International History, Cambridge University, que falará sobre “Churchill’s Sense of History”.

Com a presença de David Reynolds, o IEP-UCP dá seguimento a um longo registo de palestrantes, docentes e investigadores internacionais que não tem paralelo em Portugal nas áreas de Ciência Política e Relações Internacionais, ainda que curiosamente (ou talvez não) o mesmo seja muito pouco reconhecido e valorizado pelas instâncias competentes do “sistema científico nacional”.

Mais informações aqui.

Uma história que nos explica a Europa

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Porque estamos num canto da Europa sabemos pouco da Europa. Até podemos saber alguma coisa pelos livros, mas temos pouco contacto com a diversidade cultural deste continente, que se pode agora atenuar com a chegada de estrangeiros. Outro dia um notário contou-me um episódio engraçado que aconteceu no seu cartório.

Um casal de dois homens holandeses de mais de 1m90 ia comprar uma casa a um italiano de metro e meio. Os dois holandeses pouco abriam a boca enquanto o italiano falava por eles. A determinada altura os holandeses, muito fleumaticamente, referiram-se ao cofre que existia na casa. É que esse cofre tinha uma lâmpada com uma pilha que durava 5 anos. Ora, como a casa tinha três anos, a pilha duraria mais dois. Após alguma pesquisa eles souberam que uma pilha como aquela custava 25 euros. Assim, queriam deduzir cerca de 10 euros no preço total de compra que rondava os 200 mil.

Enquanto eles falavam o italiano ia abrindo os olhos de espanto. Levantou-se de repente e começou a barafustar dizendo que aquilo era inaceitável. Para um latino raiava a falta de educação, mas os holandeses, imperturbáveis, mantiveram-se na sua. Como o meu amigo notário tem jeito para contar histórias foi com dificuldade que deixei de rir imaginado o italiano baixinho aos saltos enquanto os outros dois continuavam sentados muito direitos nas cadeiras como se nada fosse com eles.

Mas o que interessa tirar daqui é a diferença cultural. Holandeses e italianos. Séculos de história em comum e se ainda têm surpresas como esta quando assinam um contrato, como não será nas reuniões da UE? A Europa é isto: diversidade, desentendimentos, murros na mesa, gritaria e guerras. Podemos conhecê-la dos livros, mas nada melhor que senti-la na pele para a compreender.

Portugal, um país socialista

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Sai uma notícia a informar que as reservas no Airbnb para a cidade de Lisboa aumentaram 76% neste Verão, tornando Lisboa a 4ª cidade europeia mais procurada na plataforma de alojamento local.

Em qualquer outro local do mundo, com excepção, talvez, da Venezuela, de Portugal e de mais um ou dois portentos económicos, isto seria motivo de regozijo. Afinal, o turismo cresce, através do turismo os centros das cidades estão a ser dinamizados, e esta é uma fonte de receita importante. Recordo, aliás, o que escrevi a propósito do turismo para o Observador.

E como reagimos em Portugal? A secretária de Estado do Turismo desdobra-se em explicações, como se de uma calamidade se tratasse. Antecipa regulamentações para o sector — i.e., estragar —, incluindo seguros de responsabilidade civil, não vá um hóspede derrubar o muro da casa ao lado à cabeçada. O fórum TSF, pois claro, reserva o seu programa diário para falar das enfermidades do turismo. O tom de Manuel Acácio é de pânico — iremos sobreviver ao aumento do turismo?

Enfim, tudo isto revela a nossa postura para com qualquer actividade económica que seja que ainda não esteja pelas ruas da amargura. Quando o turismo perder a pujança, então dedicaremos Prós e Contras e demais colunas de opinião a relatar como o poderemos resgatar. Não aprendemos.

Um verdadeiro símbolo do socialismo

António Costa e o PS homenagearam no Domingo passado João Cravinho. Um dos ideólogos do esquerdismo socialista e um dos artífices do nosso atraso estrutural e contribuinte directo para as bancarrotas.

A propósito da “obra” de João Cravinho, recordo um post do Luís Rocha no Blasfémias

Se nos pusermos num exercício culpabilizante e quisermos aferir que cabeças deverão rolar por conta dos investimentos faraónicos que nos arruinaram e hipotecaram a próxima geração, a de João Cravinho será a primeira a ir para o cutelo, destacadíssima de todas as restantes.

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