Ramiel, Arcanjo da Esperança

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Eu no Diário Económico de hoje sobre arcanjos, mafarricos, anjos e nefilim.

O Diabo já passou, diz o suposto primeiro-ministro. Só que o Mafarrico é o mestre da dissimulação e esconde-se nos detalhes. Não, não passou, há-de visitar-nos e não tarda muito.

O resto está aqui

Trump and the “religious right”

Why America’s Christian leaders tolerate Trump: Five influential conservatives talk about Trump’s conversion to Christ, and their conversion to Trump.

The leadership of the religious right once looked like a promising stronghold for the Never Trump movement, a bastion of the GOP deeply at odds with a man who is heretical on many of the political and personal values the country’s most prominent Christian leaders hold dear.

But in an exclusive roundtable conversation with POLITICO, five of America’s most influential religious conservatives said they are committed to supporting the GOP nominee, and some committed to activating their extensive grass-roots networks on his behalf this fall.

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Debbie Wasserman Schultz at DNC

Debbie Wasserman Schultz BOOED At DNC By Florida Delegation

Leitura complementar: CNN/ORC: Trump bounces into the lead.

Don’t underestimate Trump

Kristol to Democrats: Don’t underestimate Trump

Kristol, like most mainstream Republicans, mis-underestimated Trump badly and assumed he would burn off like a bottom-shelf casino hangover and reason would prevail. Kristol’s opponents, especially those who blame him for playing a central role in the early Iraq fiasco, accused him of I-know-better intellectual arrogance. (…) That Kristol has finally reached the fifth, and presumably final, stage of Trump grief — acceptance — is no piddling matter. He was one of the final dead-enders, spending weeks this spring trying to recruit a third-party alternative (his lawyer pal David French, who said no thanks, was the closest he got), and denial was the burning river that ran through the Cleveland of his pre-convention dreams. (…) “I do think the thing he has going for him that I think — and maybe I’m, again, too scarred by ’92, to go back to the Bush-Quayle years — in a change year, being the candidate of change is a huge advantage. Voters will want to overcome their concerns about the change candidate, because they do want change.”

Leitura complementar: CNN/ORC: Trump bounces into the lead.

DNC opens today

Democrats in chaos as convention opens

The Democratic National Convention opens Monday marred by the sudden resignation of its unpopular chairwoman after a series of leaked emails suggested she might have used her office to help Hillary Clinton defeat the insurgent candidacy of Bernie Sanders.

Malik Obama apoia Donald Trump

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Meio-irmão de Barack Obama vai votar em Donald Trump

O meio-irmão do presidente dos EUA, Malik Obama, anunciou que vai votar em Donald Trump nas eleições de novembro.

Malik, de 58 anos, que vive no Quénia — mas vota no estado americano do Maryland –, disse ao New York Post que gosta de Donald Trump “porque ele fala do coração”, e acrescentou que gostaria de o conhecer.

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PSD e CDS devem coligar-se

Sugiro leitura deste artigo do Alexandre Homem Cristo. Em Março, quando ainda a situação não era premente, escrevi para o Diário Económico que PSD e CDS deviam coligar-se o quanto antes e, se possível, fundirem-se, mais tarde, num só partido político que unisse toda a direita.

Isto foi em Março. Agora, em finais de Julho, com Setembro já aí, o entendimento entre os dois partidos, torna-se ainda mais urgente.

CNN/ORC: Trump bounces into the lead

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A convenção republicana correu francamente bem a Trump, mas a campanha de Hillary terá oportunidade de rebater com a convenção democrata e, em qualquer caso, falta ainda muito tempo.

Neste momento, o dado que me parece mais interessante nas sondagens mais recentes são os very high negatives de Hillary Clinton (isto não deve ter ajudado mesmo nada à já profundamente negativa imagem que Hillary tem junto de grande parte do eleitorado), superando inclusivamente os de Trump em muitos segmentos.

Tudo está em em aberto: Donald Trump bounces into the lead

Donald Trump comes out of his convention ahead of Hillary Clinton in the race for the White House, topping her 44% to 39% in a four-way matchup including Gary Johnson (9%) and Jill Stein (3%) and by three points in a two-way head-to-head, 48% to 45%. That latter finding represents a 6-point convention bounce for Trump, which are traditionally measured in two-way matchups.

There hasn’t been a significant post-convention bounce in CNN’s polling since 2000. That year Al Gore and George W. Bush both boosted their numbers by an identical 8 points post-convention before ultimately battling all the way to the Supreme Court.

The new findings mark Trump’s best showing in a CNN/ORC Poll against Clinton since September 2015. Trump’s new edge rests largely on increased support among independents, 43% of whom said that Trump’s convention in Cleveland left them more likely to back him, while 41% were dissuaded. Pre-convention, independents split 34% Clinton to 31% Trump, with sizable numbers behind Johnson (22%) and Stein (10%). Now, 46% say they back Trump, 28% Clinton, 15% Johnson and 4% Stein.

A duas semanas do início dos Jogos Olímpicos no Rio (2)

Austrália recusa-se a ocupar aldeia olímpica

A aldeia olímpica do Rio de Janeiro abriu as portas e a delegação australiana já denunciou “vários problemas, como gás, eletricidade e canalização”, recusando-se a ocupar os seus alojamentos.

Bombista suicida na Alemanha

Novo ataque na Alemanha: um morto e 15 feridos.
Atentado na Alemanha: as imagens e o que já se sabe

A duas semanas do início dos Jogos Olímpicos no Rio

Atleta neozelandês de jiu-jitsu relata sequestro no Brasil

Jason Lee, lutador de jiu-jitsu neozelandês, foi revistado por agentes da polícia fardados que depois o sequestraram em troca de cerca de 550 dólares que ele levantou em dois multibancos.

The looming crisis in Portugal

People are starting to get seriously worried about the looming crisis in Portugal

o exemplo vem de cima

Há dias, foram nomeados novos juízes para o Tribunal Constitucional. Óptimo – já podem então rectificar a situação de incumprimento em que se encontra o TC. Porque é sempre encorajador ver o Estado a dar o exemplo!

Leitura dominical

Verão Gelado, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Camiões que atropelam nas esplanadas de Nice. Machados que retalham nos comboios da Baviera. Punhais que esfaqueiam nas estâncias dos Alpes. Metralhadoras que disparam em Munique. Por algum motivo que escapa à análise mais cuidada, toda a sorte de utensílios desatou a atacar, e frequentemente a matar, transeuntes despreocupados.

Se ao menos houvesse um factor comum à revolta dos objectos inanimados, poderíamos identificá-lo e, quem sabe, combatê-lo. Mas não há. Ou melhor: há, mas não se pode dizer. Só um racista e um xenófobo da pior espécie seria capaz de notar que, atrás do volante ou das peças de cutelaria, existem sujeitos de carne, osso e convicções fortemente orientadas por uma religião em particular. Sejamos francos: queremos um mundo fundamentado na desconfiança? É justo discriminar uma crença pacífica apenas porque uma quantidade razoável dos seus praticantes costuma ser vista nas imediações de traquitanas usadas na chacina de inocentes? Vamos confundir o islão com os atentados que animam as notícias e, aos poucos, modificam o nosso quotidiano?

Não contem comigo. Quando me apetece afligir com a intolerância religiosa, aflijo-me com as escolas que penduram crucifixos, com o “In God We Trust” que enfeita as notas de dólar, com as cautelas securitárias do “estado judaico” e com os pares de mórmones que às vezes passeiam na rua ao lado. Isso sim, é grave e susceptível de arrasar um modo de vida. Os muçulmanos encontrados na extremidade de machados e do que calha são uma conversa diferente. E polémica.

Para muitos, esses muçulmanos não representam as comunidades a que pertencem, tão sossegadas que, para não criar rebuliço, até evitam denunciar os elementos “radicalizados” à polícia ou pendurá-los preventivamente num poste. Para outros – ou para os mesmos, consoante os dias -, esses muçulmanos são de certeza vítimas de deficiências na integração social, fruto do desemprego, do descontentamento face ao T3 de renda técnica e de atrasos no rendimento mínimo. Para um terceiro grupo de pensadores, esses muçulmanos limitam-se a vingar, e bem, a opressão exercida por regimes imperialistas e capitalistas.

Para mim, até estes argumentos sofrem de discriminação enviesada. O islão, religião de paz, nada tem a ver com a violência acidental que assola a Europa. O problema são os islamofóbicos que, aposto, subornam bugigangas diversas para incriminar muçulmanos. Se a ideia é perseguir uma ameaça real, persiga-se islamofóbicos. Ou gambozinos. Ou Pokémons.

Centeno: cordeiro útil?

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Leitura complementar: Não íamos “virar a página da austeridade”?

A “geringonça” e a nova página da austeridade

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O meu artigo desta semana no Observador: Não íamos “virar a página da austeridade”?

À medida que a demagogia dos propagandistas da esquerda radical que impulsionaram a “geringonça” vai colidindo com a realidade, fica cada vez mais claro que o prometido “virar de página da austeridade” acabará por conduzir a um novo capítulo com ainda mais austeridade. Desde Passos Coelho às instituições europeias – sem esquecer os “mercados” – não faltarão bodes expiatórios a quem apontar o dedo no momento do colapso, mas nessa altura importará recordar que foi a “geringonça” quem fracassou estrondosamente no cumprimento das suas promessas.

‘do nada’

costapmAposto que se o terrorista de ontem tivesse sido mesmo de extrema-direita, a culpa das mortes não seria da austeridade, da política externa, do facto de viver numa casa sem ar condicionado (que na Alemanha faz muita falta com tanto calor que por lá se padece), do patrão que promoveu outro em vez do inocente rapaz, do carro de um árabe endinheirado que no último inverno molhou o pobrezinho com a água que estava na estrada, do passarinho que escolheu o jovem desadaptado para fazer as suas necessidades, da alergia ao pólen, do céu cinzento da Alemanha, de uma admiração misguided por Mussolini (afinal são só as hormonas da juventude), nada disso, a culpa seria da ideologia má e da maldade da pessoa que conscientemente a escolhe e se inspira por ela para os seus atos. O nosso ilustre pm (até me escorrega o computador das mãos), determinado em colecionar na sua conta os tuits mais ofensivamente imbecis até ao fim dos tempos, não diria que a morte e a violência vieram ‘do nada‘; diria que vinham do sítio do costume.

(Foto roubada ao João Gonçalves no facebook.)

Mas queremos mesmo isto na Europa?

O meu texto desta semana no Observador. Se tivesse escrito depois de ontem, teria acrescentado os maluquinhos que se esforçam por fazer crer que o terrorismo atual é tão provável vir do islão como da religião/ideologia do lado.

‘É daquelas pessoas que dá palmadinhas compadecidas nas costas do muçulmano que violou a rapariga ocidental de minissaia, afinal veio de uma cultural onde é normal maltratar mulheres, e por cá está desempregado? Acha, como Ana Gomes, que a culpa dos atentados terroristas na Europa é da austeridade? Defende que os pobres diabos, sejam violadores ou terroristas, têm de ser compreendidos, assimilados, receber muito dinheiro dos estados sociais europeus e, sobretudo, desculpados? Considera que os vilões verdadeiros são os que denunciam que os costumes islâmicos são aberrantes, concretamente para a condição feminina, e não podem ser tolerados na Europa? De cada vez que há denúncia de vilanias islâmicas, prefere escrutinar o mensageiro para tentar repudiar a mensagem? Vê como de uma lógica cristalina clamar contra o patriarcado e o heteropatriarcado e, simultaneamente, recusar aceitar que as comunidades islâmicas na Europa têm propensão para violar e brutalizar mulheres, e acumular com defesa de regimes que enforcam ou afogam gays? Repete vinte vezes por dia o mantra ‘o islão é uma religião de paz’?

Pois bem, é conveniente reconhecer que as pessoas iluminadas que responderam sim a dez por cento destas questões são cúmplices do caldo culpabilizante das vítimas que propicia os crimes dos islâmicos. Duvido que o à vontade criminal fosse tão grande se não notassem a solidariedade dos iluminados. Se não desconfiassem que a sua origem os vai livrar de investigações ou acusações mal um idiota útil grite xenofobia. Se não percebessem que a sociedade europeia se deixa vitimizar.

Vamos rever a matéria. O mais importante religioso muçulmano de Portugal é acusado pela mulher (que aparece com a cara ensanguentada em fotografias – certamente foi contra uma porta, como é costume) de violência doméstica. O que sucede? Os jornais param rapidamente de falar sobre o assunto e o presidente da república dos afetos escolhe fazer na mesquita do acusado uma cerimónia no início do seu mandato.’

O resto do texto está aqui.

Terrorismo em Munique

Parece que anda por aí muita gente cuja atitude em relação a atentados terroristas varia de acordo com a orientação política de quem os pratica. Não é propriamente novo, mas não é por ser um hábito velho que se torna menos lamentável. Se fossem pessoas decentes, reconheceriam que as únicas coisas que mudam consoante a orientação política dos terroristas são a motivação por detrás dos seus actos e os objectivos políticos que pretendem alcançar, e a forma concreta como se tem de lutar contra eles (porque grupos diferentes com motivações diferentes podem actuar de forma diferente, exigindo estratégias de combate diferentes). O que não muda (ou não devia mudar) é a necessidade de os condenar e contra eles lutar.

Os restantes são Franciscanos do Alasca

A imbecilidade não respeita títulos académicos.

Chumbo

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Um dos meus amigos é um senhor com bem mais de 70 anos que há quase cinquenta tem actividade ligada ao comércio (interno) e à exportação. Já teve indústrias e hoje é dono (embora já se tenha afastado da gestão) de uma cadeia de cerca de 80 lojas em Portugal. Um senhor curioso, hiper-activo e que não desiste de pensar.

Contou-me hoje que em Julho de há um ano fez uma experiência que repetiu na semana passada. Em 2015, numa sexta feira cerca das 17 horas, ficou 15 minutos à porta de uma loja Primark a contar o número de sacos que saíam. Em Julho de 2015 contou 188 sacos cheios em 15 minutos. Ficou mais 15 minutos à porta de outras duas lojas, numa contou 27 sacos, na outra 7 sacos. Na sexta feira da semana passada, mais ou menos exactamente um ano depois, fez o mesmo à porta da Primark. Contou no mesmo período de tempo, 81 sacos meio vazios. 81. Uma quebra de 57%.

Bem sei que isto é uma história de um caso que, por si só, significa muito pouco. Mas para quem, como eu, lida com centenas de clientes deste tipo não é surpresa nenhuma. Bem pode o 2º Ministro sorrir enquanto sua abundantemente, bem pode a amostra de Ministro das Finanças exibir o sorriso idiota que o caracteriza, podem os deputados da geringonça estrebuchar, gritar e ameaçar. Não adianta, quem trabalha e tem que sustentar uma família sabe perfeitamente o caminho por onde nos estão a levar: de regresso à bancarrota e desta vez não será tão fácil como foi em 2011, 2012 e 2013.

Mas enfim, sobra-nos a tristeza, uma tristeza que pesa como chumbo porque não há nada que possamos fazer.

O segundo resgate e o mundo que mudou…

A culpa? Fica para o próximo governo de Passos. Por Rui Ramos.

Ontem, constou que Costa estava preocupado. Depois, constou que não estava. Não sei se está ou não. Também não sei se o governo vai conseguir enrolar a Europa. Talvez consiga. Mas o que não vai é tornar Portugal um melhor lugar para trabalhar e investir. E sem isso, tudo se esfumará um dia, quando o BCE acabar com o dinheiro barato. Dir-me-ão: será como em 2011. Passos Coelho terá de vir limpar a casa, e lá ficará outra vez com as culpas. O próprio Passos, no conselho nacional do PSD de quarta-feira, ter-se-ia muito cristãmente conformado com esse destino. Mas acontece que o mundo já não é o mesmo de 2011, a Europa não é a mesma, nem Portugal é o mesmo.

Sanções a pensar no futuro

A política das sanções ou a sanção das políticas. Por Francisco Veloso.

É claro para todos, incluindo para a Comissão Europeia, que as sanções não vão ajudar o país a recuperar a sua situação económica e a resolver o défice. Mas a razão das sanções é penalizar políticas que claramente se desviam dos objetivos do Tratado Orçamental, para que não voltem a acontecer no futuro. E, neste capítulo, tenho muitas dúvidas. Não encontro nos orçamentos dos últimos dois anos uma determinação em resolver o défice de forma permanente. Assim, se (pelo menos a ameaça de) a aplicação de sanções servir para corrigir este comportamento no futuro, elas estão a cumprir o seu propósito. A decisão última não é da Comissão, mas antes do Ecofin, e por isso eminentemente política, um exercício de convencimento sobre o futuro, com base em dados do presente e do passado. Um debate que mistura a política das sanções com a sanção das políticas. Veremos as conclusões!

#EstaleiroMunicipal #Lisboa

As próximas eleições autárquicas serão em Setembro/Outubro de 2017. Em Lisboa já se “trabalha” para as habituais inaugurações, sempre agendadas nos meses anteriores ao acto eleitoral. Que certamente contribuirão para o crescimento do “investimento” público. Até pode ser que consigam ajudar o governo geringonça a chegar mais perto do défice orçamentado de 2,2% do PIB…

Deixo aqui um desafio para o Verão: contribuam (no Twitter, Instagram ou Facebook) com fotografias deste frenesim de obras, usando as tags #EstaleiroMunicipal + #cidade. Aqui fica a minha primeira, na Avenida Fontes Pereira de Melo:

Boas fotos!

Um misto de Kardashian e Putin

donald_trump_gop_debate Tenho passado as últimas noites a destruir os meus já pouco saudáveis padrões de sono, assistindo à Convenção Republicana que coroou o José Sócrates americano (e mais rico), Donald Trump. Embora repelente e deprimente, o “espectáculo” (pois é disso que se trata) é instrutivo acerca do personagem, da forma como faz política, e das tácticas de “comunicação” que hoje se usam. Quem tenha prestado atenção ao que se foi passando em Cleveland e à forma como a comunicação social o transmitia, e viva neste mundo e com o que ele tem de pior, facilmente percebe como Trump é uma mistura de irmã Kardashian com Vladimir Putin, e a sua estratégica mediática uma combinação de “reality TV” com desinformação ao estilo da escola Putinista (na qual aprenderam e trabalharam vários dos seus principais colaboradores e estrategas). Os grandes casos da semana – a cópia de várias frases de um discurso de Michelle Obama por parte da mulher de Trump, a série de intervenções a pedir a prisão de Hillary Clinton, ou a fuga do discurso de aceitação da nomeação de Trump para as mãos de um Democrata que de imediato o lançou à imprensa – são um bom exemplo de como Trump tem, ao longo de toda a campanha, dito e feito coisas que para qualquer outro candidato seriam desastres, mas que no caso dele, e embora a comunicação social os apresente como tal, não parecem causar grande mossa junto da sua base de apoio. Mais: Trump parece criar esses “desastres” de forma propositada, precisamente para atrair a censura da comunicação social e excitar os fãs.

“Desastres” e “erros” como o plágio de Melania geraram uma enorme atenção mediática que, embora geralmente negativa, deu a Trump e aos seus apoiantes uma oportunidade de usarem a polémica como “prova” de que Hillary Clinton tinha a comunicação social na mão e a estava a usar para “esmagar uma mulher que a ameaça”, precisamente o tipo de coisa que boa parte do eleitorado republicano (e principalmente, a parte que adora Trump) quer ouvir; os incessantes discursos a pedirem a prisão de Clinton, a chamarem-na de assassina ou de admiradora do Diabo (como o inacreditável Ben Carson disse), embora sejam tratados pela comunicação social como “incitadores ao ódio” e reprováveis, permitem – precisamente por causa da forma como são cobertos pela comunicação social – a Trump e à sua base de apoio apresentar a comunicação social como parcial contra Trump, e este como alguém com a “coragem” para dizer “aquilo que os outros não dizem” (como se fosse uma virtude ser louco ou desavergonhado o suficiente para propagar teorias da conspiração ainda mais parvas do que as habituais, como a de que o pai de Ted Cruz esteve envolvido na “conspiração” para matar Kennedy); tal como a fuga e divulgação do discurso lhe pode permitir, por exemplo, fazer um discurso diferente, que mencione o episódio e lhe permita “demonstrar” que “eles dizem que têm o meu discurso e que a minha campanha não funciona, mas eu digo o que penso, não preciso de um guião como a ‘Crooked Hillary’, e por isso é que vocês me adoram”. Trump pode ser um péssimo homem de negócios (com inúmeros investimentos falhados ao longo da sua carreira), e em geral um enorme incompetente que teve a sorte de nascer rico e com isso ter a garantia de que nunca passaria mal, mas se há coisa em que realmente é muito bom é a vender a sua personagem. “Erros” e “casos” como os do plágio, da difamação ou da fuga podem parecer (e ser) orquestrados, pois 1)permitem a Trump surgir como um “vilão” no sentido em que o termo é usado na “reality TV” ou no wrestling, assim apelar aos fãs que o adoram precisamente e exclusivamente por ele ser apresentado como um vilão pela comunicação social de que desconfiam e pelos grupos sociais e políticos que desprezam, e 2) tal como Putin propaga teorias da conspiração e manipula os media para criar um clima de desconfiança em relação a toda a informação (ou a página de desinformação do PS Truques da Imprensa Portuguesa critica e distorce as notícias mais inócuas da comunicação social nacional para criar um clima de desconfiança generalizado que descredibilize indirectamente toda e qualquer notícia negativa sobre o Governo socialista ou José Sócrates), Trump cria, estimula e usa a hostilidade da comunicação social para criar, junto da sua base eleitoral, um clima de desconfiança em relação a toda e qualquer notícia ou opinião negativa sobre ele. E o pior é que funciona. Talvez fosse bom prestar atenção, quanto mais não seja porque mais tarde ou menos, truques destes vão começar a proliferar por cá.

Sucesso a mais, empregos a mais, dinheiro a mais: estão aí as consequências trágicas do liberalismo no turismo

Vale a pena ouvir esta declaração do Adolfo Mesquita Nunes do princípio ao fim. Como é que freguesias com algumas dezenas de pessoas em 2011 ficaram desabitadas após a lei das rendas e do alojamento local (em 2012 e em 2014). Como a criança que abandona o brinquedo semanas a fio mas faz birra porque o irmão decidiu brincar com ele, há um grupo de pessoas que, numa cidade de 100 quilómetros quadrados decidiu há 2/3 anos que queria viver naqueles dois quilómetros quadrados onde nunca ninguém quis viver antes, apenas porque agora está cheio de turistas.