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O Estado da Saúde na União Europeia (UE) 2019

É hoje apresentado um relatório OCDE/Comissão Europeia sobre o estado da Saúde na UE. Há alguns dados positivos para Portugal e Catarina “Salvem O SNS Que Está Muito Bem” Martins e João “The Spin Machine” Galamba já abriram o espumante. Mas será caso para tanto?

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Vamos ver. Para começar, é falso que o estudo, ao contrário do que afirma João Galamba, permita concluir que o SNS é melhor a salvar vidas de doentes do que os restantes sistemas. Portugal aparece com melhor resultado do que a média da UE em alguns indicadores. É bom, mas é isso.

E também é falso, ao contrário do que afirma Catarina Martins, que o estudo permita concluir que o SNS é um dos melhores do mundo. Desde logo, porque  analisa apenas sistemas da UE. E, depois, porque lá está: em alguns indicadores estamos melhor do que a média UE, em outros não. Acresce que nem todos os resultados apresentados são consequência do sistema de saúde público embora este tenha, naturalmente, uma grande influência.

Atentemos então em alguns dados. A esperança de vida para começar. A de Portugal é superior à da média da UE. E cresceu praticamente 5 anos num período de 7 anos. É muito bom e percebe-se o entusiasmo de João e Catarina. Mas os dados referem-se a ao período de 2010 a 2017. Isto significa que uma parte relevante do mérito deve ter estado no governo de Passos Coelho.

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Por outro lado, o investimento em saúde per capita continua abaixo da média da UE embora tenha aumentado progressivamente nos últimos anos. Mais uma vez, os dados utilizados no estudo são de 2017. Well done, Passos Coelho.

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Já no que diz respeito aos recursos humanos, Portugal tem aparentemente mais médicos do que a média da UE. Mas, como o próprio estudo indica, é preciso cuidado na interpretação. No caso português, os dados apenas recolhem o nº de profissionais habilitados para o exercício da medicina e não o daqueles que estão efetivamente a exercer. Já no que diz respeito a enfermeiros, estamos bem abaixo da média da UE.

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Por último, vamos aos indicadores de eficácia que são os que levaram ao entusiasmo de João e Catarina. Portugal está melhor que a média UE quer em “Causas Evitáveis de Mortalidade”, quer em “Causas Tratáveis de Mortalidade”, com evolução recente muito positiva.

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Justifica-se então o espumante quanto a estes indicadores? Justifica, sim senhor. Mas, tal como o estudo indica, os dados considerados são de 2016 e a forte evolução ocorreu entre 2011 e 2016. Façamos, portanto, com João e Catarina, um brinde entusiástico a Passos Coelho.

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Concluindo:

  • há indicadores positivos e outros nem tanto
  • nada no estudo permite dizer que o SNS é um dos melhores do mundo ou que é o melhor a salvar vidas
  • a evolução positiva de alguns indicadores ocorreu, em parte relevante, durante o governo de Pedro Passos Coelho.

 

*os dados do estudo podem encontrar-se aqui: https://ec.europa.eu/health/sites/health/files/state/docs/2019_chp_pt_portuguese.pdf

 

A Redenção Trágica

As Viúvas de Cristas

“Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto”, cantava Noel Rosa, do seu leito de morte, a Ceci, sua amante e eterna paixão. A viuvez é um estado de desolação, digno das maiores compaixões, mas pode, nas almas menos virtuosas, ser um martírio de indecências. Que o digam as viúvas da Dra. Cristas, a ministra mais socialista do governo de coligação, cuja morte política foi dos poucos feitos edificantes de uma direita moribunda.

Ainda dava a senhora os últimos suspiros e o silêncio não era de luto, mas de lata. A lata que a uns o manteriam e que em outros se transformaria num recém ganho repúdio à memória da senhora professora. Os que se esgueiravam por qualquer agremiação buscando a selfie com a senhora, se empenhavam em duelos virtuais pela sua honra, batiam fortemente o punho à mesa do almoço de Domingo em defesa à sapiência da dita, prontamente se remeteram a um estado que vacila entre o recato e o repúdio. Esse sonho da mulher do povo – que é o mais próximo do povo que a direita do condomínio fechado consegue estar – que compra um vestido no Colombo na véspera de ir à televisão fazer arroz de atum, essa sede protagonismo que fez o Presidente Marcelo parecer uma pessoa tímida e a nulidade do discurso misturada à futilidade da acção não aparentavam, em vida, incomodar as legiões de defensores da boa nova. As t-shirts com kiwis, as marchas pelo clima ou hashtag usadas pela nossa tia que descobriu ontem as redes sociais não pareceram demover o séquito.

Os burros éramos nós. Uns reaccionários que não entendiam nada de política, da grande estratégia que assessores pagos à peso de ouro haviam delineado para o país. E com a sua arrogância foram apoiando a líder em todos os seus tropeços, mesmo sem propostas, mesmo sem tino nas intervenções, mesmo com as jogadas internas de mafioso, mesmo do número de “a culpa é do Melo”. Entre campanhas inconcebíveis, os amigos do costume e megalomanias avulsas, fez-se às contas do partido o que se prega evitar no país. Os burros éramos nós porque não conseguíamos ver além. Mas do peito feito vieram 4%.


O povo português, o que anda de autocarro, o que está a ponderar que conta deixa este mês por pagar, o que está a recibos verdes, o que viu a fábrica fechar, não esteve para fanfarras e serpentinas. Não percebeu muito bem o porquê da senhora falar de tudo sem falar de nada. Não apanhou muito bem aquela história do IRS porque não ganha para pagar isso. Não gostou de se saber abaixo dos professores. Não foi muito à bola com a direita mansa que não o livra nem da ladroagem de rua nem da de gravata, que tolera discretamente que a sociedade se transforme um experimento de engenharia social ao serviço de quem almeja substituir a luta de classes pela luta de géneros e raças. Ainda hoje está para saber o que era aquela história do Faz Sentido, visto aquilo não ter feito sentido nenhum.

Alguns viúvos da tragédia, ainda com o corpo em câmara ardente, vieram a público como se nada se tivesse passado, como quem, não era nada comigo, não sei de nada, é preciso mudar e refundar e uma série de lugares comuns de vendedor de automóveis. Mas aquilo que os viúvos da senhora não percebem é que a memória não é curta, que nós sabemos quem disse o quê, quem defendeu o quê, quem esteve com quem. E que no dia do julgamento, não o divino, mas o terreno, em congresso, os cúmplices do desastre – de altos dirigentes a membros de claque – não sairão impunes da merda que fizeram. Há, no entanto uma esperança. A esperança de que entretanto o CDS saia do condomínio fechado.

Trump, o Marxista Cultural

Como dar um nó na cabeça de alguma direita portuguesa? Três iniciativas do Presidente Donald Trump (sobre índios e nativos, animais e mulheres):

Chamar marxista cultural a tudo o que não encaixa numa certa cartilha e fazer um policiamento constante é basicamente uma nova versão de politicamente correcto (só que um politicamente correcto da direita).

Tornou-se Trump – o principal símbolo do anti-politicamente correcto – um marxista cultural por estas três iniciativas? Claro que não.

Portugal com o Terceiro Menor Investimento Público Per Capita da União Europeia

Portugal uma vez mais na cauda da Europa, desta vez no que diz respeito ao investimento público. Por comparação, a Irlanda regista um investimento per capita cerca de quatro vezes maior, a Estónia cerca de três vezes maior e a Letónia cerca de duas vezes maior.

Também no investimento público em relação ao PIB, Portugal aparece no fim da lista (imagem retirada daqui).

Este nível de investimento, assinale-se, fica abaixo do nível de investimento do governo liderado por Passos Coelho que teve que cumprir um duro programa de ajustamento (fonte).

Mas não é a esquerda que defende as virtudes do investimento público com o seu efeito multiplicador na economia?

Os Contribuintes TAPam os Prejuízos

Para a esquerda, a TAP é uma empresa “estratégica” e uma empresa “de bandeira“. Não sei bem o que é que estes lirismos significam bem. Ainda que a TAP simplesmente desaparecesse de um dia para o outro, seria uma questão de tempo até outras companhias aéreas preencherem esse espaço. A beleza do capitalismo é que onde existe uma necessidade, o mercado a irá satisfazer. Também há vários países, inclusivé na Europa, onde não existem empresas de aviação públicas e os seus cidadãos não ficam privados de voarem para onde quiserem.

Ora bem, Passos Coelho esteve mal em não privatizar a empresa a 100%, mas António Costa ainda esteve bem pior quando assegurou 50% do capital da empresa aos contribuintes com direito a 50% dos prejuízos mas apenas a 5% dos lucros e sem controlo estratégico da mesma (fonte).

Esta semana saiu a notícia de que entre Janeiro e Setembro deste ano a TAP registou 111 milhões de euros de prejuízos (fonte). É impressionante que uma empresa que está em falência técnica há dez anos continue a operar e a registar prejuízos sucessivamente.

Recorde-se que para a administração da TAP, António Costa nomeou entre outros o seu grande amigalhaço de longa data e homem de mil ofícios, Diogo Lacerda Machado.

Registe-se ainda que em 2018 quando a TAP teve 118 milhões de euros de prejuízos, a empresa decidiu distribuir 1,171 milhões de euros de bónus por 180 pessoas tendo sido a mulher de Fernando Medina comtemplada com um bónis no valor foi de 17.800 euros (fonte).

E é ao menos a TAP uma companhia aérea de excelência? Para quem tem que viajar na TAP, os atrasos sistemáticos são um suplício. De facto, segundo a Bloomberg no início deste ano, a TAP é a companhia de aviação que mais se atrasa no mundo (fonte).

De facto, o que é precisco é que os contribuintes TAPem os olhos e também TAPem os prejuízos. Afinal de contas, o bolso do contribuinte não tem fundo quando se trata de financiar os delírios dos políticos.

Apresentação do livro “Linhas Direitas. Cultura e Política à Direita”

Há convites que aceitamos com reservas. Há convites que aceitamos após ponderação. E há convites que aceitamos de forma imediata e incondicional — o convite do Miguel Morgado para contribuir para o Livro “Linhas Direitas. Cultura e Política à Direita”, coordenado por ele e pelo Rui Ramos, foi um deles. E fi-lo por achar que Portugal é isto, mas que não tem de ser isto. Não tem de ser um país estertorante, atirado para os lugares rasos da Europa dos pequeninos, dos anquilosados, que celebram taxas de crescimento de 1.7% enquanto a Europa do Leste cresce a 4 e 5%. A esquerda pode ser muito eficaz a redistribuir o bolo (e afirmo-o sem qualquer ironia), mas é péssima a fazê-lo crescer. Para isso, só com o contributo e a liderança da direita.

A apresentação em Lisboa foi um sucesso. Hoje, terá lugar a apresentação no Porto. Será na Casa Allen, às 18h30, e estão todos convidados.