Os empregos criados por Costa

FullSizeRender

No Jornal de Notícias de hoje aparece o título da foto. É incrível como os jornais compram esta conversa aldrabona de que os governos criam empregos. Pior: Neste caso os empregos são “criados por Costa”. Que se saiba os únicos empregos criados pelo actual PM, durante toda a sua vida, foram os tachos para os correligionários e para o amigo mega-consultor.

E a adorável ironia de que os empregos são criados por ele e destruídos pelo Covid? É que apesar de tudo, a relação entre as decisões do governo relativas ao confinamento que causaram esta destruição de emprego é mais directa do que a suposta relação entre políticas públicas e a criação de emprego. Mas enfim. É para isto que servem os milhões dos contribuintes que subsidiam os media.

Niall Ferguson e Yascha Mounk sobre as Ameaças à Democracia Liberal

O primeira debate/conversa do novo projeto de Yascha Mounk, Persuasion, foi com o brilhante historiador Niall Ferguson. Embora considere a análise de Mounk geralmente equivocada (tanto por confundir conceitos como por aplicar análises semalhantes a contextos distintos), não devemos subestimar muitos dos seus avisos. Existe, efetivamente, um perigo no “populismo” que se Mounk se refere (o perigo está exatamente no referente de “populismo”, pois não creio que o sentido da palavra seja claro, pelo menos na forma como Mounk a utiliza). Ferguson não discorda de Mounk em praticamente nenhum ponto. Porém, o historiador britânico deixa claro que a perceção de relevância de Mounk (e de grande da media “liberal”) é completamente equivocada. O grande perigo iliberal vem não do “populismo” mas, antes, de muitos auto-proclamados liberais que, numa tentativa desenfreada de expiar os pecados da civilização ocidental, minam as suas instituições e práticas. Na verdade, o próprio populismo que Mounk denuncia pode ser lido, seguindo as lentes de Ferguson em The Great Degeneration (ou O Declínio do Ocidente, publicado pela D. Quixote), como um subproduto da podridão generalizada das instituições liberais clássicas. Deste modo, Ferguson defende que a grande ameaça à Democracia Liberal vem de uma esquerda crescentemente iliberal, anti-democrática, que vê nas instituições ocidentais a razão dos seus pecados (e não aquilo que os amenizou) e que, dada a sua visão de mundo, não consegue sequer contemplar ideias que nos parecem tão basilares como a liberdade de expressão.

 

A Ciência e o Lobo

No Observador:

O problema grave nestas situações é a instrumentalização da ciência para fins políticos, que resulta numa relativização da própria ciência. Factos e teorias científicas não devem ser escolhidos “a la carte” para sustentar opiniões políticas e tentar desqualificar as posições contrárias, sob pena de se quebrar a relação de confiança que permite a aplicação prática do conhecimento científico.

The Plot Against America?

Na National Review: The Strategies of Dementia Politics.

Democrats also knew that they would lose with an Elizabeth Warren, Kamala Harris, or Bernie Sanders as their masthead. The primaries, even heavily loaded to the left-wing base, taught them that well enough. The hard-left agenda of winter 2020 went nowhere, and it will go less than nowhere in the fall after months of televised arson, looting, and gratuitous violence.

In contrast, even a cardboard-cutout version of Biden offers them the veneer of the “moderation.” A Bill Clinton–style Biden phantom, if elected, can allow a passageway for a leftist surrogate into the presidency, the same way that Harry Truman, a centrist, was put on the ticket in 1944 to save the country from Vice President Henry Wallace’s Communism.

 

O Ambientalista Apologético

O artigo de Michael Schellenberger censurado pela Forbes, republicado no Quillette, sobre o seu livro «Apocalypse Never: Why Environmental Alarmism Hurts Us All»:

On behalf of environmentalists everywhere, I would like to formally apologize for the climate scare we created over the last 30 years. Climate change is happening. It’s just not the end of the world. It’s not even our most serious environmental problem. I may seem like a strange person to be saying all of this. I have been a climate activist for 20 years and an environmentalist for 30.

Automutilação

No Reino Unido, a média móvel do número de mortos por dia de Covid-19 era de cerca de 260 no início de Junho. Felizmente, nas pouco mais de três semanas desde então, o número baixou para cerca de 130. Metade. No mesmo periodo, os números correspondentes relativos a Portugal são 14 e 3, respectivamente. No início de Junho, morriam no Reino Unido por dia dezoito vezes mais pessoas que em Portugal, sendo que a população britânica não chega a ser sete vezes maior. Neste momento, lamentavelmente, ainda morrem por dia no Reino Unido 43 vezes mais pessoas que em Portugal.

No entanto, o governo britânico está prestes a anunciar acordo bilaterais com alguns países para permitir que viajantes entre os dois não sejam sujeitos a quarentenas. Tudo indica que Portugal não estará nesses acordos, o que significará uma machadada na ténue esperança que os operadores turísticos portugueses ainda têm relativamente a este ano.

A que se deve esta aparente incongruência (comparando os perfis de risco, etc)? Desconfio que exclusivamente à histeria de parte da população portuguesa, acicatada pelos media que noticiam cada infecção como se fosse uma morte. Conseguiram transformar um pequeno surto perfeitamente controlado, em Lagos, numa notícia internacional que levanta dúvidas sobre uma das regiões menos afectadas e que, num contexto de liderança ao sabor do vento, passou a ser destino a evitar para os seus principais mercados internacionais.

As melhores frases durante/sobre a crise pandémica:

“Há baixíssima probabilidade de vírus em Portugal. A OMS está a exagerar um bocadinho.”
Graça Freitas
 
“A pandemia pode ser uma oportunidade para a agricultura portuguesa.”
Maria do Céu Albuquerque
 
“Que cada um de nós recorra à horta de um amigo. Não açambarquem.”
Graça Freitas
 
“Até agora não faltou nada no SNS e não é previsível que venha a faltar”
António Costa
 
“Apelo para que visitem os lares: sejam solidários.”
Graça Freitas
 
“Não usem máscaras. As máscaras dão falsa sensação de segurança.”
Graça Freitas
 
“Vamos, cada um virado para o seu lado”.
Graça Freitas
 
“Testes? Testes negativos dão falsa sensação de segurança.”
Graça Freitas
 
“Esta semana chegam 500 ventiladores. Outros tantos após a Páscoa.”
Lacerda Sales
 
“Existe, de facto, um produto muito eficaz, um produto que mata todos os micro-organismos e, portanto, bactérias e vírus, e que consegue durante um mês essa mesma segurança. Há uma película que é formada em torno das superfícies onde ele for aplicado.”
Matos Fernandes
 
“Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?”
Ferro Rodrigues
 
“Não é necessário usar máscara. A AR é um edifício grande.”
Graça Freitas
 
“Admito a possibilidade de celebração do 13 de Maio.”
Marta Temido
 
“População menos educada e mais pobre poderá estar a potenciar uma maior incidência da epidemia no norte.”
TVI
 
“Já tenho um esquema para ir à praia.”
Marcelo Rebelo de Sousa
 
“Senhor Presidente, isso não é permitido.”
Elemento da segurança de Marcelo Rebelo de Sousa
 
“Não vai haver austeridade.”
António Costa
 
“É muito difícil fazer previsões quando o mundo mudou em 360 graus em dois meses”
António Costa
 
“Tracei as linhas gerais para um plano a 10 anos em 2 dias.”
António Costa e Silva
 
“Comigo ninguém falou sobre qualquer plano.”
Mário Centeno
 
“Nos aviões não é necessário distanciamento porque as pessoas só olham para a frente.”
Graça Freitas
 
“Que bom que foi poder ver o Algarve sem as filas e as enchentes de sempre.”
António Costa
 
“A realização da fase final da Champions em Lisboa é um prémio para os profissionais de saúde.”
António Costa
 
“O que nós queremos é que venham muitos estrangeiros.”
Graça Freitas
 
“Admitimos retaliar contra países que impedem entrada de portugueses.”
Augusto Santos Silva
 
“Aparecem mais casos porque estamos a testar mais.”
António Costa
 
“A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, como forma de proteger as crianças que regressaram esta segunda-feira ao jardim de infância, criou um dispositivo que ajuda a manter sempre o distanciamento social. A solução surgiu sob a forma de um chapéu com quatro héllices.”
Câmara Municipal Arcos Valdez
 
“A Junta de Freguesia de São Martinho do Porto levou a cabo uma acção de desinfecção do areal da praia com um tractor e uma solução que continha hipoclorito, no início de Maio.”
Junta de Freguesia São Martinho do Porto
 
“Nesta guerra, ninguém mente nem vai mentir a ninguém. Isto vos diz e vos garante o Presidente da República.”
Marcelo Rebelo de Sousa
 
“Confinamento é para manter diga a Constituição o que diga.”
António Costa
 
“Não é patriótico atacar agora o governo.”
Rui Rio
 
“Se isto é um milagre, o milagre chama-se Portugal.
Marcelo Rebelo de Sousa
 
“Por que é que aquilo só afeta os chineses?”
Cristina Ferreira
 
“Vai ficar tudo bem.”
Sem autor atribuído
 
“Quero felicitar o Senhor Presidente da República neste 4º aniversário da sua tomada de posse, com votos de que o ano que agora se inicia seja assinalado pelo mesmo nível de sucesso, aproveitando para o congratular pelos resultados negativos no teste efetuado.”
António Costa
 
“As Câmaras Municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia informam que a noite de São João se comemora a 23 de junho, ontem.”
CMP/CMVNG
 
“Cerca sanitária no Porto? Neste momento, e provavelmente hoje será tomada uma decisão nesse sentido, a ser equacionada entre a autoridade de saúde regional e nacional e o Ministério da Saúde, obviamente.”
Graça Freitas

Pseudojornalismo

No JN, saiu a notícia sobre um senhor americano que sobreviveu à Covid-19 que esteve internado cerca de dois meses, foi praticamente dado como morto, mas no fim resistiu e curou-se. A notícia não é a sua sobrevivência, no entanto. A notícia é a conta de 1,1 milhões de dólares que recebeu no final.

Até aqui tudo normal. É de facto um número que supreende e um caso “insólito” – como aparece no título dado pelo próprio jornal. Mas este episódio é na verdade um mero fundo decorativo para o exercício de propaganda da notícia, que só no final do texto admite que o senhor não tem de pagar a conta. Escreve o jornalista:

«(…) o bizarro sistema de saúde dos Estados Unidos da América que, ao contrário da Europa e da maioria do mundo civilizado, não possui um Serviço Nacional de Saúde, como existe há décadas em Portugal, que proteja os seus contribuintes, mas está antes orientado em sistemas de seguros privados que não existem para tratar da saúde como um bem universal e um direito primordial, mas para dar lucros abissais numa lógica puramente capitalista que rende milhões às grandes corporações.»

A quantidade de adjectivos torna evidente a ideologia por trás deste parágrafo. Até os cidadãos se vêem reduzidos ao papel de “contribuintes”. Mas o ponto mais grave é o erro factual de dizer que quase todo o mundo civilizado tem algo como o SNS. De uma penada só deixam de existir todos os sistemas de saúde não-beveridgeanos (genericamente onde os cuidados de saúde são prestados indistintamente por hospitais públicos ou privados com o custo sendo coberto maioritariamente por um seguro, que também pode ser público ou privado). Estes sistemas até são mais comuns que os beverigeanos (onde o estado opera e paga os serviços de saúde, financiados puramente com impostos), como o SNS português e o NHS britânico.

A ideia de “lucros abissais” numa “lógica puramente capitalista” para as “grandes corporações” também só serve para acicatar espíritos. A realidade é que dois terços dos hospitais americanos são instituições sem fins lucrativos e os restantes têm margens de lucro medíocres. O número 1,1 milhões deste caso impressiona, mas provavelmente tem a honestidade de reflectir a realidade que a saúde não é grátis. Há que pagar as máquinas, instalações, fármacos e recursos humanos.

Mas a cereja no topo do bolo vem quando o jornalista lá admite que o senhor não tem de pagar a conta. Está coberto pelo Medicare. Medicare é o seguro público que cobre os gastos de saúde de todos os americanos com mais de 65 anos e que o ignorante jornalista, que nem sequer se deu ao trabalho de pesquisar sobre o assunto, atribui a Barack Obama, rematando que é um sistema que «o atual presidente republicano Donald Trump ainda não conseguiu aniquilar.»

Obama será realmente uma pessoa excepcional se conseguiu criar o Medicare aos 5 anos de idade (o sistema foi criado em 1966).

Feliz Dia da Libertação de Impostos 2020!

Celebra-se hoje em Portugal, dia 11 de Junho, o Dia da Libertação de Impostos – um dia que certamente deveria ser feriado todos os anos. O Dia da Libertação de Impostos representa o dia em que em média os trabalhadores deixam de trabalhar para o estado (apenas para pagar impostos e assim cumprir as suas obrigações fiscais) e passam a trabalhar para si. Na prática, somos todos trabalhadores do estado durante cerca de meio ano.

O gráfico abaixo representa a evolução do número de dias de trabalho necessários apenas para o pagamento de impostos desde 2000 (fonte, fonte, fontefontefonte, fonte , fonte, fontefonte, fonte e fonte).

Para terminar este post, deixo aqui dois pensamentos:

Escravidao.png