O Comissário Moedas

Quando Carlos Moedas foi promovido a Comissário Europeu, algumas pessoas ficaram com dúvidas acerca do que é que, na prática, consistiria o seu pelouro. A crer no seu tempo de antena hoje na RTP, tudo fica mais claro: fazer propaganda à sua própria pessoa, na esperança de num futuro próximo vir a ser líder do PSD.

Socialismo cria novas espécies de animais em Caracas

O zoo Caricuao, em Caracas reduz a ração de carne aos leões, introduzindo na dieta dos carnívoros manga e abóbora. A imagem é de CARLOS JASSO / REUTERS
O zoo Caricuao, em Caracas reduz a ração de carne aos leões, introduzindo na dieta dos carnívoros manga e abóbora. A imagem é de CARLOS JASSO / REUTERS.

Leões tornam-se vegetarianos.

Compreender o putinismo XLII

Na casa dos trolls de Putin, uma curiosa reportagem do The Guardian.

 

Sansão e Dalila

Onde está a Professora Edite Estrela?sansao

As decisões (e o plano b)

THE COUNCIL HAS ADOPTED (…) THIS DECISION:

Article 1

1. Portugal shall put an end to the present excessive deficit situation by 2016.

(Meu comentário: saindo do procedimento por défice excessivo no final de 2016, Portugal terá estado ininterruptamente nessa situação desde 2009.)

2. Portugal shall reduce the general government deficit to 2.5% of GDP in 2016. This target does not include the impact of the direct effect of potential bank support. This improvement in the general government deficit is consistent with an unchanged structural balance with respect to 2015, based on the Commission 2016 spring forecast. Portugal shall also use all windfall gains to accelerate the deficit and debt reduction.

(O défice nominal em 2016, expurgado de eventuais ajudas de Estado à banca, será no máximo de 2,5% do PIB.)

3. In addition to the savings already included in the Commission 2016 spring forecast, Portugal shall adopt and fully implement consolidation measures for the amount of 0.25% of GDP in 2016. In particular, Portugal shall implement fully the consolidation measures incorporated in the 2016 Budget, including the additional expenditure control in the procurement of goods and services highlighted in the Stability Programme. Portugal shall complement those savings with further measures of a structural nature to achieve the recommended structural effort.

(As cativações previstas no OE2016 são para ser activadas e, para além disso, devem ser implementadas medidas adicionais no valor de 0,25% do PIB em 2016. Neste aspecto, é importante ler as conclusões, ponto 5, do relatório de acompanhamento técnico, que acompanha esta declaração política.)

4. Portugal shall stand ready to adopt further measures should risks to the budgetary plans materialise. Fiscal consolidation measures shall secure a lasting improvement in the general government balance in a growth-friendly manner.

(A Comissão Europeia, que agora revê a sua estimativa de crescimento para Portugal de 1,5% para 1,3%, considera que os riscos macro estão enviesados no sentido de uma nova revisão em baixa da estimativa de crescimento.)

5. To ensure a durable improvement of public finances, Portugal shall strictly implement the Budget Framework Law and the Commitment Control Law and further improve revenue collection and expenditure control. Portugal shall present a clear schedule and implement steps to fully clear arrears and improve efficiency in the health care system, to reduce the reliance of the pension system on budget transfers and to ensure fiscal savings in the restructuring of State-owned enterprises.

(A Lei dos Compromissos e Pagamentos em atraso é para se cumprir e os pagamentos em atraso terão de ser totalmente eliminados.)

Article 2 The Council establishes the deadline of 15 October 2016 for Portugal to take effective action and to submit a report to the Council and the Commission on action taken in response to the Council notice. The report shall include the targets for the government expenditure and revenue and specify the discretionary measures on both the expenditure and the revenue side, as well as information on the actions being taken in accordance with Article 1(5).

(A avaliação das medidas tomadas em relação ao OE2016, e do seu efectivo cumprimento, será realizada por altura da negociação e aprovação do OE2017.)

Boom festival e o Anarco-coisismo

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Páre tudo o que está a fazer e vá já ler a informação sobre o preço dos bilhetes do Festival de música Boom em Idanha-a-Nova (apenas disponível em inglês). Se não puder mesmo parar, ficam aqui algumas partes:

We live in a moment in our collective history where rights and duties are forgotten for the sake of human progress aiming materialism, the fragmentation of social classes between those who have and those who don’t (Financial Absolutism)

Eh lá, querem vêr que os bilhetes são à borla? Viva o anarco-comunismo!

It is in this context that Boom Festival 2016 takes place. Pricing for us is a social exercise: on the one hand economic (yes, economics is a social science, with its etymological root in “oikos”, the house – the same root as ecology) and on other hand, social consciousness.

Bolas, que chatice. A economia intromete-se no sonho de um grande festival gratuito.

In economic terms the Boom must be a sustainable festival. It is an independent event without sponsors and based in Portugal, which means we have to deal with very high taxes.

Eh lá, mas afinal o Mises Institute também faz parte da organização?

13% of each ticket goes directly to the Portuguese State. Bars and restaurants revenue is taxed at 23%; a Boom Bus ticket has 6% tax. At the end of the year if there are profits, the State gets 23.5% – the Boom is not based in an offshore as many events throughout the world are. Another mandatory tax is 1% of the total income goes directly to the State. On a monthly basis, per long term worker, the Boom has to pay 24,75% of the wage to the State and 5% for free lancers.

(nota mental: guardar estes números para um futuro post)

Our social consciousness is expressed in many ways: part of the income goes to charity (Boom Karuna Project). The profits are applied in Boomland (and especially in 2016 for its purchase).

Lucros? E então a luta contra o materialismo?

We also want to be an event that honors the human right to culture

E por direito universal à cultura queremos dizer o direito universal a ter aulas de yoga com um drogado enquanto se ouve o DJ do Lux.

Thus, the 2016 Pricing is the result of a careful thinking process about the possibilities for Boomers and the need for being a sustainable and independent festival.

Tradução: “olhamos para os preços dos outros festivais e fizemos igual.”

We don’t increase the highest price of the tickets (which remains at 180 €). We applied an average between the previous 3 ticket phases in 2014 (120€, 140€, 160€)

Lá está. Eu avisei.

Furthermore, tickets for Boom are limited. In spite of the growing popularity and positive perception about Boom, we are focused on keeping a familiar and cozy vibe, with quality and comfort. Boom is not about quantity.

Então e o direito universal à cultura? Como é que eu posso aceder à cultura se os bilhetes são limitados?

By purchasing a Boom ticket, you will help serve the following purposes:

• Renting the Boomland (unfortunately Boom Festival doesn’t own it). It will help us raise funds to buy the Boomland (deadline is September 2016).

Mas querem comprar um terreno para impedir outras pessoas de o utilizar?! Ah, o fedor do materialismo anda no ar.

We also have a Friendly Price for people in countries with a specific economic realities. The list of countries and regions is the following:

> Greece;
> Africa;
> Middle East, Asia and the Pacific, excluding Australia, Israel, Japan, New Zealand, Oman, Qatar and United Arab Emirates;
> Mexico, Caribbean, Central and South America;

Também temos bilhetes para pessoas de países pobres. Primeiro na nossa lista de preocupações: a Grécia (um dos 40 países mais ricos do mundo). Mas logo de seguida preocupamo-nos com África, por isso daremos um desconto de 20 euros a todos os angolanos que pagarem mil euros pela viagem mais 100 euros por noite no hotel mais próximo. Temos consciência social e não deixaremos um africano de fora apenas por não poder pagar mais 20 euros no preço do bilhete. Mas os organizadores dão mais detalhes sobre o porquê de incluirem a Grécia.

About the End of the Social Price: The Social Pricing was a temporary measure established in 2012 and 2014 for European countries that were undergoing the financial speculation of capitalist institutions, rating agencies or the banks such as the IMF.

Ah… pois…

The situation has been changing and the Social Price is no longer applied for countries such as Portugal, Ireland, Cyprus or Spain. The only country that is subject to these programs is Greece, therefore Greece will be included in the Friendly Price Ticket system.

Portugal já não está sujeito à especulação das instituições capitalistas? Os organizadores do Boom Festival concordam com Passos: houve mesmo uma saída limpa (e dar descontos a habitantes do país onde o festival é organizado é capaz de ser mau para as contas).

Pás, pás, pás

É de pequenino que se torce o pepino.

Na Tunísia, a juventude anseia pelas festas que celebram o final dos exames. O senhor com o bigode ridículo é um professor muito querido e afamado.
Na Tunísia, a eterna pátria da Primavera Árabe, a juventude anseia pelas festas que celebram o final dos exames. O senhor com o bigode ridículo é um professor muito querido e afamado, presente em muitas festas locais.

 

A aposta na formação, o passar à prática de conhecimentos milenares que os mais brutos chamariam de islamo-fascistas (ou islamo-nazis) que norteiam o percurso profissional de uma pessoa terrorista, passa pela compreensão de um extenso conjunto de conteúdos e matérias de um curso para a vida.

 

Festa2
Dados às artes, os jovens dão largas à criatividade e representam um bravo do Estado Islâmico que convive, de acordo com as regras de etiqueta e boas maneiras, com duas pessoas que se vestem de cor de laranja e que apresentam curiosas expressões faciais.

Dar o terreno e a outra face

Tem um preço.

The mosque in Saint-Etienne-du-Rouvray was inaugurated in 2000, built on a plot of land that was donated by Saint-Etienne’s sister parish, Saint Theresa’s.

Fazer figas

Se o Tribunal Constitucional concordar que a adjudicação do TGV pelo governo Sócrates foi feita em termos inconstitucionais, safamo-nos de pagar 150 milhões de Euro ao consórcio do amigo.

O pacifismo que mata

Bombista suicida de Ansbach apresentou-se como pacifista ao pedir asilo na Alemanha

O bombista suicida de Ansbach apresentou-se como pacifista quando pediu asilo, ao dizer às autoridades alemãs que tinha saído da Síria porque não queria empunhar armas contra outros seres humanos.

Sanções e bancos no Económico TV

As sanções que Costa pode usar para justificar eleições. E ainda os bancos que se endividaram a financiar um modelo de desenvolvimento socialista que se baseava na compra de casas em vez de na poupança e no investimento. Os meus comentários hoje no Económico TV.

o rato

“Perante os jornalistas, João Galamba identificou “um melhor comportamento” na evolução da despesa do que na receita, numa alusão indirecta ao crescimento da economia. “Não devemos embandeirar em arco, porque este é um exercício orçamental muito difícil. Mas, até agora, com os dados conhecidos, não há razão para duvidar que o Governo não conseguirá atingir as metas orçamentais a que se propôs“, insistiu o porta-voz do PS.”, no Público online. Destaque meu.

A afirmação na forma negativa, defensiva e desresponsabilizadora, faz lembrar os pareceres dos revisores oficiais de contas. Há quem a defenda legítima. Mas é sobretudo uma forma de sacudir a água do capote, de escapar aos riscos latentes. No caso da execução orçamental do Estado português, são riscos que, como o senhor deputado também já reconhece (não devemos embandeirar em arco!), vão sendo tornados evidentes. Tanto no lado das receitas, como no das despesas. Na verdade, os dados ontem divulgados pela Direcção Geral do Orçamento (DGO) apenas vieram confirmar a tese que há um mês eu aqui tinha desenvolvido, e segundo a qual 1) a receita fiscal permitia já então atestar a inverosimilhança das projecções macro do Governo, 2) era a despesa de capital que mais estava a contribuir para a redução global da despesa, e 3) que os pagamentos em atraso iriam continuar a aumentar. Retomarei agora cada um desses pontos, e mais um ou outro que me parecem relevantes até ao final do ano.

Começo com a evolução das receitas. Há várias formas de analisar as receitas públicas em função do universo em análise. Podemos analisá-las tendo em conta todas as administrações públicas (central, regional, local e segurança social) ou por compartimentos. Porém, tendo em conta que a administração central é o compartimento mais relevante, na medida em que é desta que emana boa parte das receitas de todos os outros, e que dentro da administração central (Estado e Serviços e Fundos Autónomos) é o subsector Estado que mais importa, é nas receitas do Estado que devemos focar atenções. E o que é que nos dizem os dados de ontem? Dizem-nos (p.54 do relatório da DGO) que as receitas fiscais do subsector Estado estão a crescer 3,2% quando deveriam estar a crescer 5,4% (variação implícita ao OE2016), e que (adicionando as receitas não correntes) as receitas efectivas estão a crescer somente 2,9% quando previsivelmente seria expectável um crescimento de 5,5%. Quanto ao cenário macro do Governo estamos, portanto, conversados.

Despesa de capital. O orçamento previsto no total das administrações públicas para investimentos (públicos) é de 4.880 milhões de euros (p.50). Acontece, porém, que até ao final de Junho apenas foram executados 1.511 milhões, o que corresponde a um grau de execução de apenas 31% (quando a meio do ano seria de esperar um grau de execução em redor de 50%). Evidentemente, a evolução dos investimentos não tem de ser linear; pode ser influenciada pela planificação intra-anual dos mesmos. Ainda assim, e assumindo que um governo de esquerda não cancelará investimento público, são fundos que estão orçamentados, ao que se sabe não cativáveis, e que acrescentarão ao défice real até Junho cerca de 900 milhões de euros (0,5% do PIB, o que corresponde, grosso modo, à diferença globalmente apurada pela DGO no saldo das administrações públicas face ao período homólogo). E, portanto, é caso para perguntar: fará o investimento público parte da estratégia de consolidação orçamental? O senhor secretário de Estado do Orçamento, João Leão, garante que não (edição de hoje 26/07 do Jornal de Negócios, p.14).

Pagamentos em atraso. Há muitos anos que defendo que o Estado tem de ser o primeiro a dar o exemplo. A existência de pagamentos em atraso (há mais de 90 dias) por parte da administração pública constitui uma perversão na ética de comportamentos sem a qual nenhum país pode prosperar. É inaceitável e trata-se de uma forma de desorçamentação das contas públicas. Felizmente, nos últimos anos fez-se um importante esforço no sentido de tornar transparentes as dívidas do sector público aos seus fornecedores. E, mais importante ainda, fez-se um esforço por reduzir as mesmas, bem como reduzir os pagamentos atrasados. Assim (dados da DGO), no final de 2011 a dívida não financeira das administrações públicas em Portugal era de 5.783 milhões de euros, dos quais 5.263 milhões em atrasados (91% do total). Em 2012, o valor em dívida baixou para 5.413 milhões, sendo que os pagamentos em atraso baixaram proporcionalmente mais para 2.992 milhões de euros (55% do total). E deste modo se tem reduzido (todos os anos desde 2011, sem excepção) a dívida aos fornecedores e respectivos atrasados, tendo-se chegado a Dezembro de 2015 com uma dívida não financeira de 2.180 milhões de euros, dos quais apenas 921 milhões atrasados há mais de 90 dias (42% do total). De sublinhar ainda que em 2015 os pagamentos em atraso diminuíram em todos os meses. É por tudo isto que devemos estar preocupados com a evolução deste ano, em que a tendência é precisamente a oposta: os atrasados aumentaram em cinco meses, entre seis possíveis, num montante global de 224 milhões de euros (a acrescentar, portanto, ao défice real).

Uma nova contabilidade pública? Uma das principais debilidades das contas públicas consiste na inércia com que se constroem e, sobretudo, se perpetuam orçamentos. Ao contrário das empresas, na administração pública há rubricas que são mantidas pela inexistência de sistemas de controlo que permitam questionar a necessidade de determinadas despesas e também a necessidade de determinadas entidades. É bem conhecida a forma pela qual se rege a execução orçamental dos organismos públicos: tendencialmente gasta-se até ao limite do orçamentado porque não há incentivos para fazer o contrário; na realidade, quem gasta menos do que o orçamentado corre o risco de ser penalizado no ano seguinte, vendo-se privado de fundos em benefício da quintinha do vizinho que mais gastou. É, por isso, que eu defendo orçamentos de base zero na administração pública, desde que acompanhados de uma redefinição das competências do Estado. O Bloco de Esquerda, curiosamente, acompanha-me na ideia do orçamento de base zero (duvido, contudo, que me acompanhe na redefinição das funções do Estado!) e, portanto, regressando à execução orçamental, dou por mim a questionar se a redução da despesa corrente com aquisição de bens e serviços tem alguma coisa a ver com o BE? (que, não sendo parte do Governo, faz hoje parte do governo de Portugal). Orçamentos de base zero já em prática? A resposta, infelizmente, parece-me negativa. Na realidade, a redução nas compras da administração central (-2,6% vs expectativa implícita ao OE2016 de +1.0%), tal como nas transferências correntes (-0,2% vs +3,0%), tem sobretudo a ver com o perfil intra-anual de pagamentos, e em menor medida com eventuais cativações. Quanto aos subsídios públicos (-13,1% vs -0,6%), outra rubrica em contracção na administração central, tem também a ver com a diminuição de políticas activas de emprego que, como foi público há dias, o Governo suspendeu until further notice. O crescimento da despesa com pessoal (+3,2% vs +2,3%) e com juros (+6,0% vs +4,5%), em ambos os casos acima do esperado, assim vai obrigando.

Em suma, os dados ontem publicados pela DGO são para Bruxelas ver [that] Portugal is on track for a 2.2%/2.3% deficit e inserem-se na estratégia adoptada pelo Governo no dossier “sanções”. Mas as pressões que se vão sentido do lado das receitas, cujo crescimento está a 60% do esperado, e as pressões previstas do lado da despesa, fazem com que a execução orçamental permaneça claramente em risco, fazendo com que a meta do Governo não seja alcançável sem medidas extraordinárias, e pior, recuperando vícios do passado que apenas prejudicam o funcionamento da economia. No final do ano, estimo que o Governo procurará argumentar politicamente, como de resto já vai fazendo, que o importante é mesmo chegar a um défice inferior a 3% para retirar Portugal do procedimento por défice excessivo. E, a avaliar pelos resultados obtidos até agora e pelo que se afigura até ao final do ano, para atingir um défice de 2,9% do PIB, Costa terá provavelmente de sacrificar o investimento público, o que não deixaria de ser uma ironia do destino. Ao mesmo tempo, o Eurogrupo, apelando às regras do Tratado Orçamental e ao esforço estrutural a fim do objectivo de médio prazo estipulado pela Comissão Europeia para Portugal (saldo orçamental de +0,25% do PIB), vai continuar a pressionar o Governo de Costa quanto ao orçamento de 2017. Note-se, aliás, que, de acordo com as últimas previsões da Comissão Europeia, onde o Governo português vê uma redução de 0,4% do PIB no saldo estrutural em 2017 (Programa de Estabilidade, slide 20) a Comissão vê um aumento de 0,2% no mesmo. Ou seja, a consolidação orçamental está para ficar. Mais: está em vias de ser intensificada. Porque o Governo português, para além da falta de resultados da sua política económica, está a querer jogar à socapa e contra regras europeias que, goste-se ou não, o próprio PS ratificou. Ou as rejeita frontalmente, e para isso contará certamente com o apoio do BE, ou então este jogo do gato e do rato só durará até certo ponto. Como não creio que o gato desista de apanhar o rato, o jogo acabará quando o gato apanhar o rato.

26 de Julho de 2016, França (2)

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Degolações em igreja. “Terroristas dizem ser do Estado Islâmico”, segundo François Hollande

As primeiras informações sobre a identidade dos atacantes estão a ser avançadas pelo Le Figaro.

De acordo com este jornal francês, o atacante que, presumivelmente, teria uma pulseira eletrónica, estava referenciado pelas autoridades como “S”.

O outro atacante estaria referenciado como “A. K.” e tinha tentado, por duas vezes, chegar à Síria. Primeiro, passando por Munique, e, depois, passando por Genebra. Foi nesta cidade suíça que foi detido, tendo passado alguns dias numa prisão, antes de ser extraditado para França. Ia referenciado por conspiração e preparação de atos terroristas.

Estas informações ainda precisam de ser confirmadas pela identificação formal dos atacantes, que as autoridades francesas apontam para esta tarde.

o ranço jacobino, versão 582

Aparentemente, segundo a jornalista impoluta Câncio, noticiar uma degolação de um padre e tentativa de degolação de uma freira e mais uns reféns numa Igreja é fazer a propaganda do Daesh. Compreende-se, todas as vidas são iguais mas umas são mais iguais que outras, e não podemos assumir que um ataque a uns ranhosos de uns religiosos católicos numa igreja tem tanta importância como um ataque a uma discoteca de gays. Há coisas – e vidas e mortes – que não vale nada a pena noticiar.

(Apanhado no twitter do João Pereira da Silva.)

A casa cor-de-rosa

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As linhas exteriores são austeras, se por austeridade entendermos simplicidade e rigor. Rigor arquitectónico, entenda-se. Linhas estritas e escorreitas, o que não será de estranhar — a fachada da Catedral de Pamplona, depois do traço românico original ter sido destruído, depois da reconstrução gótica ter sido desfeita, foi finalmente adaptada às tendências do século XVIII, quando foi reconstruído pela última vez, incorporando, sinal dos tempos, um estilo neoclássico.

E a humanidade evoluiu, e consigo evoluiu a Catedral de Pamplona. A visita pela Catedral percorre os diversos períodos: da Antiguidade, e da confluência entre as influências pagãs e a fé Cristã; da Idade Média, caracterizada pelas incessantes lutas entre povos e civilizações; da Idade Moderna, com a expansão do Ocidente, dos valores ocidentais e da secularização das instituições; e o período da Contemporaneidade, quando os valores ocidentais são desafiados por uma corrente relativista, que faz tábua-rasa a esses valores e promove, usando sempre a mesma bitola, tudo a belo. E eis a casa cor-de-rosa.

A casa cor-de-rosa é o ponto final da visita guiada pela Catedral. A casa cor-de-rosa é rosa, tem cadeiras rosa e cheira bem. A casa rosa é uma provocação, é uma reflexão. Reflecte, antes de mais, o contraste com os valores ocidentais sobre os quais erguemos a civilização moderna. E estes são, ou eram, valores absolutos. São os nossos valores supremos — a Verdade, a Liberdade, a Beleza e o Bem. A tradição ocidental, ainda que tardiamente com o Renascimento, foi a da busca incessante por estes valores. Valores. Com letra grande e importância ainda maior. À luz destes valores, a casa cor-de-rosa é uma aberração, uma anomalia contemporânea no tempo, mas extemporânea nos valores. Omite, deturpa e ofusca a realidade e o que esta representa.

A casa cor-de-rosa, o relativismo, o estruturalismo, o construtivismo social, o pós-modernismo, todas estas correntes disputam os valores sobre os quais a civilização ocidental se ergueu. Perdeu-se o referencial. Tudo é belo. Todos somos bons. Tudo é tudo, nada é melhor, nada é pior, são apenas culturas. Tudo se justifica, nada prevalece.

A casa cor-de-rosa é um sinal de aviso. É o ponto de inflexão. É o momento em que nós, enquanto civilização, recuperamos os nossos valores. E que a casa cor-de-rosa sirva de lição também para a Europa, enquanto civilização. Não tenhamos medo de dizer: que venham todos por bem, mas estes são os nossos valores, e deles não abdicaremos.

26 de Julho de 2016, França

Assalto a igreja em França. Padre foi degolado, assaltantes já foram abatidos

Dois homens armados com facas fizeram esta manhã cinco reféns numa igreja, perto de Rouen, na Normandia, no norte de França. Os dois homens terão entrado na igreja de Saint-Etienne de Rouvray, durante uma missa, por volta das 10h, e mantiveram reféns durante 40 minutos. O presidente francês, François Hollande, já se encontra no local.

O padre da igreja assaltada foi degolado pelos assaltantes. Um dos reféns, de acordo com um porta-voz do ministro do Interior, está “entre a vida e a morte”. Este refém é uma mulher idosa, possivelmente, de uma freira, avançam fontes policiais.

26 de Julho de 2016, Somália

Explosões e bombista suicida fazem mais de 20 mortos na capital da Somália

Um bombista suicida fez explodir um carro fora das instalações das Nações Unidas na capital da Somália, Mogadishu. Segundo fontes da polícia local morreram dez pessoas, incluindo sete guardas das Nações Unidas. O balanço ainda é provisório.

Também esta terça-feira, foram ouvidas duas explosões perto do aeroporto da Somália, que terão provocado a morte a pelo menos 13 pessoas. Este ataque também foi efetuado com carros explosivos que foram detonados perto das instalações da União Africana na Somália, que fica nas imediações do aeroporto de Mogadishu. Esta organização está a apoiar a luta contra os militantes do grupo de islamistas al-Shabaab.

Bem lembrado por Catarina Martins

Ramiel, Arcanjo da Esperança

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Eu no Diário Económico de hoje sobre arcanjos, mafarricos, anjos e nefilim.

O Diabo já passou, diz o suposto primeiro-ministro. Só que o Mafarrico é o mestre da dissimulação e esconde-se nos detalhes. Não, não passou, há-de visitar-nos e não tarda muito.

O resto está aqui

Trump and the “religious right”

Why America’s Christian leaders tolerate Trump: Five influential conservatives talk about Trump’s conversion to Christ, and their conversion to Trump.

The leadership of the religious right once looked like a promising stronghold for the Never Trump movement, a bastion of the GOP deeply at odds with a man who is heretical on many of the political and personal values the country’s most prominent Christian leaders hold dear.

But in an exclusive roundtable conversation with POLITICO, five of America’s most influential religious conservatives said they are committed to supporting the GOP nominee, and some committed to activating their extensive grass-roots networks on his behalf this fall.

Continue reading “Trump and the “religious right””

Debbie Wasserman Schultz at DNC

Debbie Wasserman Schultz BOOED At DNC By Florida Delegation

Leitura complementar: CNN/ORC: Trump bounces into the lead.

Don’t underestimate Trump

Kristol to Democrats: Don’t underestimate Trump

Kristol, like most mainstream Republicans, mis-underestimated Trump badly and assumed he would burn off like a bottom-shelf casino hangover and reason would prevail. Kristol’s opponents, especially those who blame him for playing a central role in the early Iraq fiasco, accused him of I-know-better intellectual arrogance. (…) That Kristol has finally reached the fifth, and presumably final, stage of Trump grief — acceptance — is no piddling matter. He was one of the final dead-enders, spending weeks this spring trying to recruit a third-party alternative (his lawyer pal David French, who said no thanks, was the closest he got), and denial was the burning river that ran through the Cleveland of his pre-convention dreams. (…) “I do think the thing he has going for him that I think — and maybe I’m, again, too scarred by ’92, to go back to the Bush-Quayle years — in a change year, being the candidate of change is a huge advantage. Voters will want to overcome their concerns about the change candidate, because they do want change.”

Leitura complementar: CNN/ORC: Trump bounces into the lead.

DNC opens today

Democrats in chaos as convention opens

The Democratic National Convention opens Monday marred by the sudden resignation of its unpopular chairwoman after a series of leaked emails suggested she might have used her office to help Hillary Clinton defeat the insurgent candidacy of Bernie Sanders.

Malik Obama apoia Donald Trump

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Meio-irmão de Barack Obama vai votar em Donald Trump

O meio-irmão do presidente dos EUA, Malik Obama, anunciou que vai votar em Donald Trump nas eleições de novembro.

Malik, de 58 anos, que vive no Quénia — mas vota no estado americano do Maryland –, disse ao New York Post que gosta de Donald Trump “porque ele fala do coração”, e acrescentou que gostaria de o conhecer.

Continue reading “Malik Obama apoia Donald Trump”

PSD e CDS devem coligar-se

Sugiro leitura deste artigo do Alexandre Homem Cristo. Em Março, quando ainda a situação não era premente, escrevi para o Diário Económico que PSD e CDS deviam coligar-se o quanto antes e, se possível, fundirem-se, mais tarde, num só partido político que unisse toda a direita.

Isto foi em Março. Agora, em finais de Julho, com Setembro já aí, o entendimento entre os dois partidos, torna-se ainda mais urgente.

CNN/ORC: Trump bounces into the lead

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A convenção republicana correu francamente bem a Trump, mas a campanha de Hillary terá oportunidade de rebater com a convenção democrata e, em qualquer caso, falta ainda muito tempo.

Neste momento, o dado que me parece mais interessante nas sondagens mais recentes são os very high negatives de Hillary Clinton (isto não deve ter ajudado mesmo nada à já profundamente negativa imagem que Hillary tem junto de grande parte do eleitorado), superando inclusivamente os de Trump em muitos segmentos.

Tudo está em em aberto: Donald Trump bounces into the lead

Donald Trump comes out of his convention ahead of Hillary Clinton in the race for the White House, topping her 44% to 39% in a four-way matchup including Gary Johnson (9%) and Jill Stein (3%) and by three points in a two-way head-to-head, 48% to 45%. That latter finding represents a 6-point convention bounce for Trump, which are traditionally measured in two-way matchups.

There hasn’t been a significant post-convention bounce in CNN’s polling since 2000. That year Al Gore and George W. Bush both boosted their numbers by an identical 8 points post-convention before ultimately battling all the way to the Supreme Court.

The new findings mark Trump’s best showing in a CNN/ORC Poll against Clinton since September 2015. Trump’s new edge rests largely on increased support among independents, 43% of whom said that Trump’s convention in Cleveland left them more likely to back him, while 41% were dissuaded. Pre-convention, independents split 34% Clinton to 31% Trump, with sizable numbers behind Johnson (22%) and Stein (10%). Now, 46% say they back Trump, 28% Clinton, 15% Johnson and 4% Stein.

A duas semanas do início dos Jogos Olímpicos no Rio (2)

Austrália recusa-se a ocupar aldeia olímpica

A aldeia olímpica do Rio de Janeiro abriu as portas e a delegação australiana já denunciou “vários problemas, como gás, eletricidade e canalização”, recusando-se a ocupar os seus alojamentos.