O Estado Português está longe das pessoas

“A proximidade é a grande vantagem da descentralização. Permite uma despesa pública mais eficiente através de uma melhor e mais célere adequação dos serviços públicos às preferências locais.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre o debate que em Portugal está ainda por fazer na questão da descentralização administrativa e orçamental.

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Cassie Jaye – The Red Pill Movie

CassieJayeCassie Jaye era uma feminista. Agora deixou de ser, como podem comprovar neste vídeo memorável. Agora dá entrevistas a Stefan Molyneux e ao Rubin Report. O que aconteceu? Simplesmente foi procurar MRA (men right activists) para provar a existência da patriarquia e odiadores de mulheres… e acabou a fazer um documentário muito interessante sobre o enviesamento da sociedade em favor das mulheres, que recomendo fortemente.
The Red Pill Movie (SITEwiki, imdb, YT) pode ser visto na net. Aqui fica o trailer alargado:

PS: Nem comento todos os protestos e cancelamentos forçados de exibição, sobretudo na Austrália. Lamentáveis.
O super-Feminismo vigente, que nem sequer aceita discussões, começa a perder o seu monopólio no espaço público.

Miley Cyrus – Sinais dos tempos

Durante a Presidência Obama e a ascensão de Hillary, o cool era ser “Rebelde”. Há muitas imagens na internet da evolução de Miley Cyrus. Vejamos algumas:

Continue reading “Miley Cyrus – Sinais dos tempos”

Projecto Veritas – Produtor CNN diz que a narrativa Russa é treta

Em Portugal, os correspondentes em Washington estão sempre a falar na ligação Russa (muito me ri quando ligaram a demissão de Comey a 2 factores, ambos ligados à Russia). Fico agora à espera do que vão dizer sobre o descalabro da narrativa russa.

Ah, e já agora, pedia o favor de colocarem nos comentários todos os artigos escritos em Portugal sobre a demissão destes 3 jornalistas.

Imposto É Roubo

Por muitos argumentos e justificações que se apresentem (“é o preço a pagar uma sociedade civilizada”, “é o modelo de sociedade que temos”, “a maioria concorda”, “a constituição assim o diz”, “se discordas, muda de país”, “mas sem o estado, quem construiria as estradas?”), há que reconhecer e denunciar os impostos por aquilo que são: a apropriação de forma coerciva e ilegítima por parte estado de uma parcela da propriedade dos cidadãos.

É hoje geralmente aceite que todo o nosso rendimento pertence ao estado e que o estado é magnânimo ao ponto de nos deixar ficar com uma parte. Nem gera grande sobressalto que o trabalhor português em média trabalhe quase metade do ano apenas para cumprir com as suas obrigações fiscais.

Assim, recomendo a visualização deste vídeo da audição de Toine Manders , fundador do partido libertário holandês, sobre evasão fiscal.

Os Truques D’Os Truques Da Imprensa Portuguesa

Caros leitores deste blogue: existe uma conta paródia no Twitter d’Os Truques Da Imprensa com o endereço https://twitter.com/ostruques 

Não se deixem enganar! A conta verdadeira é esta: https://twitter.com/0struques Apenas esta conta continuará a denunciar de forma absolutamente imparcial e completamente anónima o enviseamento para a direita da comunicação social portuguesa. Apenas esta conta contém elementos que não fizeram ou não fazem parte de juventudes ou partidos políticos. Apenas esta conta se rege pela procura incansável e inabalável pela verdade doa a quem doer.

O Insurgente apela ao seguimento da conta verdadeira https://twitter.com/0struques.

Quanto à conta paródia, O Insurgente defende a liberdade de expressão e como tal pede explicitamente que não bloqueiem nem denunciem a conta https://twitter.com/ostruques

Até o SIRESP fez o máximo que podia

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

O relatório do SIRESP é um insulto às vítimas dos incêndios e mais uma prova do processo de venezuelização em curso. Afinal a vida tem de continuar, excepto para todos aqueles  que a perderam, por responsabilidade do estado.

“É lógico que houve falhas” no SIRESP em Pedrógão Grande, diz comandante de Castanheira de Pera

Caixa negra da Proteção Civil revela pedidos de ajuda sem resposta por falha do SIRESP

O campo inclinado

Campo inclinadoMorreram 64 pessoas (talvez mais), num fogo misterioso (trovoada seca? fogo posto?), em que o SIRESP contatado pelo PM quando era MAI falhou redondamente (como já se falava na TVI em 2014), a ministra da área provou não ter capacidades para lidar com a situação  e a ilibação das culpas por Marcelo começou antes ainda de se saber coisa alguma.

Tudo normal e o Bloco apenas pede chuva.

Passos Coelho deu uma informação errada pois confiou num terceiro.

Cai o Carmo e a Trindade.

*suspiro*

Laci Green – A ex-líder Feminista

Laci Green1Laci Green já foi uma das mais famosas e seguidas feministas do planeta. Nesta lista por exemplo, aparece em 2º lugar atrás da inesquecível Anita Sarkeesian. Era presença frequente em seminários, legacy media (inc MTV), e todo tipo de grupos económicos com interesse em virtue signalling.

Mas não mais. Este ano já debateu com Blaire White (transgênero anti-feminista), mas depois de uma pausa lançou este vídeo e aí sim começou o descalabro, aqui comentado pela própria.

Laci Green Sargon of Akkad

Resultado? Há todaumasériedeartigos de abusos que ela tem recebido de ex-amigos, todos muito aceitantes e compreensivos de todas as opiniões anteriores dela, mas que agora a atacam ferozmente de forma vil e persecutória – no fundo terminando o processo de “Red pilling” começado no carregamento do vídeo inicial.

A foto ao lado é com Sargon of Akkad. Sargon of Akkad. Um dos maiores anti-SJW e anti-feministas. O mesmo a quem Anita Sarkeesian esta semana na VidCom 2017 chamou de Garbage Human sem ele ter sequer dito nada (Sargon, Tim Pool, outro, mais outro)

Tudo isto é muito bom sinal. Há aqui uma abertura a uma discussão aberta, franca, e sem atribuição a priori de rótulos que quase me faz acreditar num futuro melhor. Porque todos temos os nossos momentos misóginos, misándricos e até sexistas (para um lado ou outro), mas tudo seria melhor se argumentássemos calmamente antes de partir para a rotulagem.

O amor acontece

 

Distrital do PS pede demissão.

Quotas, Quotas e Mais Quotas

Por entre tanto socialismo, é cada vez mais difícil distinguir os partidos portugueses.

Que o estado queira impor quotas de género nas administrações das empresas públicas – como cidadão e contribuinte, acho mal. Os únicos critérios que me parecem apropriados no caso do estado são exclusivamente a competência e o mérito.

Algumas pessoas poderão pensar que propositadamente um género é discriminado em relação a outro. O género é apenas um critério – facilmente observável é um facto – mas existe do mesmo modo uma inúmera outra quantiade de critérios mais ou menos observáveis subjacentes a cada pessoa.

Que se queira à força da lei, impor qualquer composição por quotas das administrações das empresas públicas já é mau. Que o estado, que não é prima pela gestão das suas empresas e administrações, pretenda também por força da lei se intrometer na liberdade da gestão das empresas privadas é algo que como libertário acho profundamente repugnante e por si só uma razão forte o suficiente para mudar a sede de uma empresa deste país. Amanhã, o estado terá legitimidade para impor quotas por raças, etnias, faixas etárias, orientações sexuais, religiões ou outra coisa arbitrária que um grupo de interesse qualquer consiga trazer para a agenda do dia.

Algumas questões que podem ser colocadas sobre esta lei:

  • Porquê apenas quotas de género? Porque não quotas para outro tipo de característica pessoal (raça, etnia, faixa etária, religião, orientação sexual)?
  • De onde vem o número mágico de 33,3% – e não 32% ou 34%? Existe algum estudo que este é o número mínimo ideal de composição mínima para elementos do sexo feminino em empresas de todas as indústrias (por exemplo construção civil) e de todas as actividades económicas?
  • Se uma empresa tiver uma gestão composta na sua grande maioria por pessoas do sexo feminino, terão estas também que preencher quotas de 33,3% de pessoas do sexo masculino?
  • Porquê quotas de género apenas nas administrações de topo? Porque não na gestão intermédia ou até em todos os níveis?
  • Porquê quotas de género apenas em empresas cotadas em bolsa? Porque não em todas as empresas?
  • E finalmente, que direito fundamental está a ser violado, que exige a intromissão do estado, reduzindo a liberdade da gestão das empresas privadas?

Leitura complementar: Um Insulto Às Mulheres E Um Atentado Aos Acionistas

Só resta a tristeza

Tudo isto é triste, tudo isto é fado. Bem sei que há Fundos pra isto e praquilo, que não faltam leis a proibir a discriminação (até individual, go figure) de tudo mais um par de botas, que não faltam leis a regular o açúcar nas bebidas, leis a regular a abertura e fecho dos tupperware dos tomates e das alfaces nos restaurantes, o sal no pão, as promoções e saldos no comércio. Que não faltam direitos adquiridos, punição fiscal de uns comportamentos e incentivo de outros, que o Estado até na cozinha e na alcova já nos entrou. Sei isso tudo.
Também sei que na razão primeira que lhe legitima a existência, a protecção das pessoas e da respectiva propriedade, falha todos os dias e, às vezes, de forma trágica como se viu nestes dias. Mas isso não interessa nada pois não?
Isto já nem chateia, só entristece. É triste, demasiado triste, mas enquanto se conseguirem pagar umas migalhas aos velhos e umas mordomias aos funcionários bem pode todos os dias morrer gente por incúria, desleixo e corrupção do Estado. Porque falha exactamente onde não pode falhar e deslegitima-se, mas a maioria de nós há-de continuar a não perceber e não adianta. E não, não é só em catástrofes, é todos os dias. Quem me dera não saber nada nem de nada, já só me resta esta tristeza.

Eu, Sebastião Pereira

Dou a boa-nova que a colega Fernanda Câncio já descobriu quem pagou as contas das férias em Formentera.

A tragédia e a responsabilidade política da geringonça

Morrer entre brutos é triste, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…)  Numa proeza sem grandes precedentes na cronologia do servilismo ocidental, um diário de rever…, perdão, referência, mobilizou todo o corpo de colunistas para atribuir Pedrógão Grande à desdita, à conspiração dos elementos e – segurem-se – ao “fogo que voa”. É um mero, mesmo que particularmente asqueroso, exemplo. Descontadas as excepções, o tom das “notícias” não tem fugido à produção de prosa “poética” e sentimento. Em contrapartida, foge a oito pés na hora de escrutinar o poder. Editoriais espanhóis decretam o fim da carreira do primeiro-ministro, mas ignoram que o repórter português médio permite que o excelentíssimo espécime coloque as perguntas que quer em lugar de responder às que não quer. Mal habituados, jornalistas a sério não concebem que o jornalismo a brincar colabore com estadistas de trazer por casa em sinistras encenações de compaixão. Aliás, o jornalismo a brincar também não concebe o seu oposto: um colunista do “El Mundo”, crítico das nossas desgraças, anda a ser investigado pelos colegas de cá, abismados com o desplante.

Em nações menos exóticas, haveria quem expusesse o talento do dr. Costa, de certos amigos do dr. Costa e de outras personalidades admiráveis no “investimento” de milhões em comunicações que não comunicam e em helicópteros que não descolam. E quem fosse directa ou indirectamente responsabilizado pelas famílias encurraladas e carbonizadas em plena estrada, que se apelida “da morte” para efeito “dramático”. E quem denunciasse as mentiras cometidas por figuras ditas de relevo a partir do ponto em que a quantidade de cadáveres era demasiada para continuar a adiar a divulgação. E quem, acima dos estropícios que entopem a Administração Interna, explicasse em língua de gente a recusa dos bombeiros galegos. E quem lembrasse que é tão fácil quanto inútil ganhar campeonatos de futebol, festivais de cantigas e incumbências na ONU: difícil é ganhar vergonha na cara.

Nações menos infantis não descansariam até varrer os demagogos que celebram glórias imaginárias e fintam as desgraças autênticas. Portugal, não. Portugal respeita os mortos, leia-se espera que os vivos não perturbem a “estabilidade”. Portugal observa prioridades, leia-se deixa arrefecer o assunto. Portugal não cede à baixa política, leia-se permite a impunidade geral. Portugal está unido, leia-se criou-se um ambiente hostil a questões desagradáveis. Portugal, repete-se, é uma nação muito forte, leia-se um recreio de oportunistas, desnorteados ao primeiro assomo da realidade. (…)

Putin, Marcelo e a chuva

Independentemente do que possa achar de Marcelo e Putin, uma coisa é certa: a propaganda política russa é francamente mais impressionante do que a portuguesa.

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onde se volta ao empolgante assunto de férias miseráveis com governantes

eu conheço o sebastião pereira. vi-o, jantei com ele, sei onde trabalha. e sei que não é assessor do governo. mas, sendo as coisas e as acusações o que são, este meu affidavit não deve servir de muito ao sebastião pereira. (nem a mim, for that matter). paciência — é a verdade.

SIRESP: uma PPP à portuguesa

A história do SIRESP em números. Por Joaquim Miranda Sarmento.

Do ponto de vista operacional, o contrato não tinha cláusula de fiscalização e acompanhamento da instalação dos equipamentos. Também tem um anexo (anexo nº 29) de penalizações que faz com que o valor a pagar pelo Estado apenas se reduza em casos em que o sistema falhe durante vários dias, o que significa que no caso de Pedrógão Grande, não se afigura que as cláusulas de penalização possam ser acionadas.

Além disso, o contrato tem uma cláusula standard nas PPP que aqui não faz sentido nenhum: a alocação do risco “acts of God” (ou seja, desastres naturais) ficou do lado do Estado. Isso faz sentido numa infraestrutura de transportes ou social, uma vez que o privado constrói a ponte ou a estrada ou outra infraestrutura para ser operada, e não para resistir a um terramoto. Mas no SIRESP essa clausula mostra negligência na elaboração do contrato, dado que o objetivo do sistema é que ele funcione exatamente em caso de calamidade. Esta cláusula iliba qualquer responsabilidade da empresa privada no falhanço que ocorreu no fim-de-semana do incêndio.

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A imprensa espanhola volta a fazer o seu trabalho

UN PAÍS EN LLAMAS

El cártel español del fuego amañó contratos de extinción de incendios en Portugal

El gobierno luso pagó hasta tres veces más de lo que realmente costaba el servicio contratado.

De regresso à realidade e quase uma semana após o mais grave incêndio florestal, quando é que as autoridades poderão dar informações sobre o número de desaparecidos?

Leituras complementares: Descubra as diferenças; Todos à procura do D. Sebastião.

 

Quem são os tolos?

A minha crónica hoje no Jornal Económico.

Quem são os tolos?

A dívida pública aumenta a níveis mais elevados que durante o período de intervenção da troika e, por isso mesmo, apesar do crescimento económico, o país está mais pobre. Com mais dívida, há mais contas para pagar no futuro que é o nosso (ainda não sou velho) e dos nossos filhos (e netos, porque a factura é mesmo elevada).

Impressiona como pouco se aprendeu com os sacrifícios dos últimos anos. Continua a confundir-se crescimento com riqueza, riqueza com azáfama, azáfama com alegria, alegria com tolice. Um círculo vicioso que ridiculariza a crítica pensada para que, quem pensa, não seja escutado. Porque quando não se escuta não há registo, ninguém se lembra, e não há responsáveis, não há culpa, não se tiram ilações. Não se aprende. Não se muda. Insiste-se, e volta-se a insistir, no mesmo erro, nas mesmas fórmulas, nas mesmas pessoas que se escapam porque ninguém é responsável do que quer que seja.

Esta crónica não é sobre a farsa política que vivemos, mas sobre o modo como a aceitamos. Vezes  sem conta me questionei se o nosso presidente, na sua azáfama, e o nosso primeiro-ministro, com o seu sorriso, não seriam uns tolos que nos governam. As viagens juntos, os elogios mútuos, um a segurar o guarda-chuva do outro era mau de mais para ser verdade. Porque sou liberal considero que o poder do Estado deve ser exercido com dignidade. Qual o interesse em assim não ser? E foi pensando nisso que concluí que, talvez, tolos não fossem aqueles dois, mas os portugueses, ou a maioria deles que neles acreditam.

“Só dança quem está na roda”, respondeu Marcelo quando lhe indagaram sobre a nega que levou do presidente do Brasil. A nova versão do “quem não está, estivesse” relativo a um presidente doutro país que pode deixar de estar é uma chamada de atenção para os que não alinham na festa. Quem não está, perde. Isto não é tolice, é mais que isso, é perverso, é vicioso. É tomar o povo por tolo que se intruja com palmadinhas nas costas, selfies e deixem lá isso que isso agora não interessa nada. É grave.

Mas será o povo tolo ao ponto de não saber que está a ser enganado? Ou será que entra na roda não para dançar, mas para sobreviver? Aguentar porque com estas elites não vamos lá e de nada vale fazer doutra forma. Se não os podes vencer junta-te a eles. O povo também sabe da vida, não é só Marcelo. Tolo é, pois, quem não alinha. Quem não entra na roda e não dança. Pode ser, mas e a dignidade? E a dívida que não quero que o meu filho tenha de pagar? Os pais e avós que lêem estas linhas não se importam com o que os seus filhos e netos pensarão deles? Ou será que também eles vão aprender a manha do desenrascanço de quem se aguenta no meio disto?

Todos à procura do D. Sebastião

D Sebastião

O mito do sebastianismo está profundamente erraizado na cultura portuguesa, sendo profundamente irónico que, passados quase cinco séculos sobre Alcácer Quibir, ainda haja quem insista em procurá-lo. Pode ser que um destes dias tenhamos por aí uma bela manhã de nevoeiro. Enquanto o homem não aparece, ataque-se o mensageiro, ignore-se a mensagem, faça-se bullying ao El Mundo, esse pasquim que ataca o Querido Líder, batendo um recorde que antes pertencia à Turquia e à Venezuela (via webpage do Sindicato dos Jornalistas):

Rejeitando dizer há quanto tempo conhecem o referido jornalista, Román aproveitou o facto de estar a ser contactada pelo SJ para se dirigir a todos os jornalistas portugueses: “Parem de me atacar no Twitter! Parem de me enviar emails! Parem de tentar telefonar-me! Em 22 anos nesta secção nunca me aconteceu algo assim, nem nos casos da Venezuela ou da Turquia!”

Quem é Sebastião Pereira?

O único dado que foi possível apurar até agora junto de fonte segura é que, ao contrário do célebre “Miguel Abrantes”, nunca terá jantado com Fernanda Câncio.

Alguém sabe quem é o “Miguel Abrantes” do “El Mundo”?

Não deixa de ser curiosa está súbita preocupação da esquerda com o mensageiro, como forma de descredibilizar a mensagem. Era tão mais fácil quando o anónimo se chamava “Miguel Abrantes“, e fazia marcação pessoal às pessoas à direita. O “El Mundo”, desde longa data o meu jornal favorito, com enorme simpatia, veio ajudar a matar as saudades que todos já tínhamos do Câmara Corporativa e dos seus “métodos infalíveis“, interrompendo a folga e o estado de graça que os “Abrantes” haviam decretado, em 2015, com o nascimento da Geringonça. Pelo caminho, percebemos quão longe estamos dos tempos em que o importante era a mensagem, e não tanto a identidade correta de quem a escrevia. Double standards? NãããQuem se mete com o PS, leva.

Um Estado falhado

O que ninguém sabia quando Marcelo chegou ao local da tragédia e disse que ‘se fez o máximo que se podia ter feito’ é que muitas das vítimas não eram dali. Muitas delas tinham ido apenas passear na região, passar um dia numa praia fluvial e regressar depois a casa. Ora, este pormenor, além de dizer muito da forma como as autoridades valorizam as diferentes vidas humanas, permite-nos concluir que qualquer português podia ter morrido ali. Qualquer um de nós, fosse do Porto, Aveiro, Bragança, uma aldeia do interior ou cidade do litoral, podia ali ter estado e ali ter ficado. O que aconteceu não foi um azar. Não é seguro viver e andar em boa parte do interior de Portugal. Se o Estado não tem condições para proteger a população, uma das suas funções fundamentais, o Estado serve para quê?

Fogos que ardem sem se ver

O Estado não previu, nem preveniu, a possibilidade de um incêndio forte como o de Sábado passado, apesar de tal ser expectável com as altíssimas temperaturas que se faziam sentir. Todos perguntam, porque nada se fez. Mas há outro incêndio de deflagra e que poucos vêem: o fogo da dívida, seja pública ou privada. Também quanto a esta, e apesar da experiência que o país tem na matéria, pouco ou nada se faz. O Eco noticiou em Maio o aviso do BCE: a subidas das taxas de juros por parte do FED são um forte risco para Portugal. É verdade que o PIB está a crescer parecendo dessa forma que a dívida fica controlada, mas isso não é verdade. É uma ilusão, mais uma, que se soma a todas as demais. É por isso muito importante que se inquira, se investigue e se procurem respostas. O país não pode voltar a ser apanhado de surpresa.

Os mortos são um pormenor

O meu texto desta semana no Observador.

‘1. Em 1958, Mao Zedong lançou o Grande Salto em Frente. Alucinadas políticas agrícolas, industriais e de obras públicas, de conceção inteiramente humana, resultaram, segundo o académico Frank Dikötter, em pelo menos 45 milhões de mortos. Qual foi a desculpa oficial apresentada pelas autoridades chinesas para a fome e os mortos? Ora: houve uma sucessão de calamidades naturais que resultaram em colheitas minúsculas. Este tempo ficou conhecido como os ‘três anos de desastres naturais’.

Francisco da Silva Costa, Miguel Cardina e António Avelino Batista Vieira, em ‘As inundações de 1967 na região de Lisboa, Uma catástrofe com diferentes leituras’, sobre a tragédia das ditas cheias, verificaram que a imprensa amiga do regime focava as notícias no sentimento de fatalidade, no impacto das causas naturais e na generosidade geral que se seguiu. (Reconhecem?)

É próprio de ditaduras culpar desastres naturais por mortes evitáveis. Há que impedir contestação e protestos por incompetências e negligências dos queridos líderes. É neste quadro que devemos ler os argumentos dos jornalistas engajados que nos querem convencer que nada há a fazer porque a floresta arde, o aquecimento global está aí – e fica tudo dito.

É neste contexto também que enquadramos a história tão prontamente cozinhada por todas as autoridades, a do desastre natural incontrolável e das condições climatéricas atípicas (alguma vez se viu neste polo norte onde vivemos altas temperaturas e baixa humidade?). Uma situação imprevisível (a geringonça tinha dado ordem ao clima para só se fazer notar a partir de 1 de julho, e ninguém está a reprovar devidamente esta irreverência climática). Num país onde nada se descobre, em poucas horas encontrou-se a maldosa da árvore que recebeu o raio e matou toda a gente. A culpa é da árvore, do raio e, se há culpa humana, é da aleivosa criatura que ali a plantou há algumas décadas. Ao jornalista Sebastião Bugalho, do i, a gente da zona contou que a trovoada seca ocorreu depois do fogo deflagrar. Devem ter inalado fumo de alguma plantação ilegal de marijuana que ardeu.

2. Foi bom ver as gelatinas que nos governam. Num momento em que precisávamos de gente de cabeça fria e decisão certeira, a pessoa do Palácio de Belém e o secretário de estado deixaram-se fotografar, na noite do desastre, emocionados, abraçados, como se a desabar. A ministra Urbano de Sousa teve a falta de noção de falar dos seus estados emocionais numa entrevista televisiva. O primeiro-ministro, em vez de se mostrar ao comando, tuitou-se a abraçar uma senhora.

Indecorosa utilização das emoções. Quando necessitávamos de confiar que nos protegiam, apresentaram-se como se lhes devêssemos dar um lenço para assoar as lágrimas.’

O resto está aqui.

O dinheiro é do PS: o dador põe, o PS dispõe

Leio  o comunicado do Conselho de ministros e onde diz:

Este fundo, de âmbito social, tem o objetivo de gerir os donativos entregues no âmbito da solidariedade demonstrada dando-lhe um destino coordenado de apoio à revitalização das áreas afetadas, garantindo prioritariamente a reconstrução ou reabilitação de habitações e o seu apetrechamento, designadamente mobiliário, eletrodomésticos e utensílios domésticos. Este apoio complementa o apoio público existente nas áreas da Segurança Social, do Planeamento e Infraestruturas, da Economia, da Agricultura e da Habitação.

O Governo pretende, deste modo, garantir uma maior eficiência, não só na gestão desses recursos, mas também na sua afetação aos que dele necessitam, promovendo um reforço da celeridade em todo o processo, com a participação de representantes das autarquias de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande e do sector social local.

deve ler-se: o tal fundo do governo é criado através do confisco dos donativos particulares e com este dinheiro gerido com a eficiência que se reconhece ao estado – a começar na sua primeira obrigação: a de proteger a vida dos cidadãos, nomeadamente em incêndios florestais.

Distribuídas as verbas com a celeridade devida e de acordo com os interesses políticos do governo, tudo isto configura uma nacionalização e posterior gestão dos donativos.

O brilharete do governo socialista com o dinheiro dos outros está uma vez mais assegurado. Afinal, “o dinheiro é do Estado, é do PS.”  Nunca nos esqueçamos.

25 de Agosto de 2016, António Costa, em Pedrógão Grande

Declarações feitas durante visita a Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, a 25 de Agosto de 2016 – os negritos são da minha responsabilidade:

António Costa, 25 de Agosto de 2016, no belíssimo DN:

António Costa defende floresta como “grande prioridade” dos próximos anos.

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu hoje a valorização da floresta, considerando que o país deve encarar este património como uma “grande prioridade” nos próximos anos.

“É absolutamente essencial voltar a valorizar a nossa floresta”, afirmou António Costa, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, ao realçar a importância de ordenar e cuidar da floresta para prevenir os incêndios e para criar riqueza.

Na sua opinião, a floresta portuguesa “só voltará a ser protegida se voltar a ser valorizada”, aproveitando as suas riquezas económicas, ambientais e turísticas.

“Se nada for feito”, no presente, como o ordenamento e o cadastro, adiado por sucessivos governos, a floresta “voltará a arder daqui a 10 anos”, alertou o primeiro-ministro.

(…)

Depois da reforma da Proteção Civil e da política de prevenção e combate aos fogos florestais, na década passada, os últimos 10 anos “não foram devidamente aproveitados” no sentido de concretizar o ordenamento florestal.

“Temos hoje de fazer uma reforma da floresta”, preconizou António Costa, realçando que “há um problema de cadastro a norte do Tejo”, no Centro e no Norte, onde predomina a pequena propriedade florestal e agrícola.

A floresta, segundo o líder do Governo, “tem de ser gerida, tratada, ordenada e certificada”, para que seja “uma fonte de riqueza e não uma ameaça” para pessoas, bens e habitações.

Em 2017, um ano depois, António Costa volta a anunciar aquilo que há um ano dizia ser essencial que fosse feito:

António Costa, hoje, 22 de Junho de 2017, no jornal i:

Costa diz que “este é o momento” de se fazer uma “profunda reforma florestal”.

O Carlos Guimarães Pinto já havia recuperado uma belíssima e inflamada intervenção de António Costa, em 2006:

António Costa, 23 de Maio de 2006, à agência Lusa:

O ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, mostrou-se hoje confiante na possibilidade de reduzir de forma significativa “as ignições e a área ardida” resultante dos incêndios florestais em Portugal (…).

“O problema dos incêndios florestais não se resolve em um, dois, três, quatro ou cinco anos. Mas não há desculpas, está ao nosso alcance podermos ultrapassar as melhores médias da União Europeia” em termos de prevenção e combate aos fogos florestais”, disse também o governante (…)

António Costa, Ministro da Administração Interna entre 2005 e 2007, responsável por duas das decisões mais polémicas na incapacidade de combater incêndios – a criação do SIRESP e a compra dos Kamovs – vem dez anos depois criticar, em 2016, e em 2017, o mau trabalho feito nos incêndios, definindo prioridades urgentes.

Costa não teve responsabilidades directas nos governos de Sócrates na área da agricultura, isso não o inibiu de recrutar para o posto Capoulas Santos, o homem que nos últimos anos mais responsabilidades teve, sozinho, no governo das florestas.

Não pondo em causa a boa-vontade do senhor Primeiro-Ministro, e a sua sincera tentativa constante de querer desde 2005 resolver o problema dos incêndios, exibindo ano após ano uma convicção que quase me convence, toda esta confusão faz-me lembrar os filhos cábulas ou com profundas limitações que, chumbo após chumbo, prometem aos pais, pela milionésima vez, que agora é que vai ser. Infelizmente, não estamos perante uma licenciatura, mas vidas humanas, e do sentido de responsabilidade do Governo de Portugal.

Convém recordar que a tragédia de Pedrógão Grande corre o sério risco de vir a ser o mais fatídico incêndio de sempre na Europa, desde 1900, só sendo para já suplantado pelas tragédias de França (1949, 80 mortos), e Grécia (2007, 68 mortos).

Repito: Não ponho em causa a boa-vontade de António Costa, mas é impossível não sentir um arrepio na espinha ao ler o que o nosso Primeiro Ministro disse há um ano, em Pedrógão Grande, ou em 2006, quando nos prometia colocar Portugal longe deste Inferno de Dante que assistimos nos últimos dias. Que politicamente não haja consequências, diz muito da imoralidade a que chegamos. Com que face alguém que esteve tantos anos na gestão direta dos incêndios, que acumulou decisões que na presente data sabemos que foram profundamente erradas, nos pode dizer hoje que vai ser ele a resolver o que até agora não foi feito?