A patranha de António Costa

A minha crónica hoje no i.

A patranha de António Costa

A crónica de hoje tem demasiados números. É chato, mas seria importante que o leitor perdesse algum tempo com ela porque, no fim de contas, é quem vai pagar a conta. Algo de que pode não gostar, mas que não pode mudar. E o que tem sido difícil mudar em Portugal é a trajectória da dívida pública. Vejamos bem: em 2011, o ano de intervenção da troika, a dívida pública era de 183,3 mil milhões de euros, 107,2% do PIB, mais 22 mil milhões que em 2010. Em 2012 atingiu o valor de 203,4 mil milhões de euros, uma subida de 20 mil milhões, representando 122,5% do PIB. Foi com enorme esforço que subiu “apenas” para 213 mil milhões em 2013, ou seja, uns meros 10 mil milhões de euros. Em 2014 chegou aos 224 mil milhões, 128,7% do PIB, subindo em 2015 “apenas” 7 mil milhões, para os 231 mil milhões de euros.

Depois veio a geringonça: 241 mil milhões em 2016 (subida de 10 mil milhões) e 249 mil milhões em Julho de 2017 (mais 8 mil milhões em seis meses). Dizem-nos: mas o défice desceu. Certo. Mas desceu o défice face ao PIB, que subiu. O aumento da dívida pública é tão grave que, mesmo com o crescimento económico de 2017 – o maior do século, e o pior da Europa quando comparado o segundo com o primeiro trimestre deste ano –, a dívida pública em percentagem do PIB traduziu-se, em 2016, num rácio de mais de 130%.

António Costa veio agora, durante a campanha eleitoral, dizer que a partir de outubro, depois das eleições, o governo vai reduzir a dívida pública. Como, não diz. E não diz porque a redução a que se refere é a da percentagem da dívida face ao PIB e não do seu montante absoluto, que continuará a subir. Ou seja, não será a dívida que diminui, mas o PIB que cresce. O que significa que, apesar de tudo, vamos dever mais, que cada vez mais viveremos o hoje com o que vamos ganhar amanhã.

A ideia de Costa é que o PIB cresça a qualquer custo, fazendo de conta que está tudo bem. Mas quando a economia tropeçar devido a uma calamidade natural, a uma guerra, a uma recessão num país próximo de Portugal, ou até porque quem compra a nossa dívida ache que é demais, o crescimento abranda, a recessão instala-se, mas a dívida pública lá continua. Já não serão 250 mil milhões de euros, mas 260, 270, e com a queda, nessa altura inevitável, do PIB, não 130%, mas 140% ou 150%. António Costa anda contente, mas as causas da sua alegria são o esforço que todos fizemos e que não deveríamos permitir que alguém pudesse desbaratar para mero prestígio pessoal. O nosso amor-próprio devia reclamar que exigíssemos mais. Porque quem vai pagar isto é o leitor, não eles.

 

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100 Anos De Comunismo, 100 Milhões De Mortos

A propósito do centenário da revolução socialista russa de Outubro de 1917 que se assinala brevemente, um título muito apropriado para a ocasião será: 100 Anos, 100 Milhões de Mortos, como no cartaz abaixo exposto em Times Square em Nova Iorque.

Quem preferir a versão lírica do PCP, pode encontrá-la aqui.

Direitos dos animais

Cabras aguardam, com alguma impaciência, pelos donos antes de entrarem no restaurante.

Proponho que os animais sejam obrigatórios nas cozinhas e casas de banho dos restaurantes frequentados pelas criaturas do PAN.

Trump e Guterres na ONU

Trump critica funcionamento da ONU mas elogia Guterres

Caixa negra

Apesar de ser o banco português que mais custos impôs ao contribuinte, foi contra a vontade do governo e dos partidos que o apoiam que se iniciou a Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Iniciada a comissão, os partidos da Geringonça fizeram os possíveis para limitar o período e o âmbito da análise. Um dos elementos fundamentais da Comissão Parlamentar de inquérito teria sido perceber onde é que a Caixa perdeu os tais 5 mil milhões de Euros que agora serão suportados pelos contribuintes. Importava saber a quem tinha sido emprestado este dinheiro no período anterior a 2011 e porquê que foi emprestado. No mínimo estaríamos perante incompetência e falta de cuidado. No máximo, perante um enorme esquema de corrupção que desviou dinheiro da Caixa para empresas amigas do regime.

O que aconteceu exactamente nunca saberemos. E não saberemos porque quando foi pedida a lista destes devedores, a CGD, o governo e o Banco de Portugal recorreram para os tribunais para a esconder. O tribunal deu razão aos deputados do PSD e CDS e obrigou a CGD a divulgar a lista de devedores. A CGD, o governo e o Banco de Portugal recorreram para o supremo tribunal de forma a ganhar tempo. Correu bem. Antes da decisão do Supremo obrigar a CGD a divulgar a lista de devedores, os partidos da Geringonça trataram de encerrar a Comissão Parlamentar de Inquérito sem sequer ter o relatório final aprovado e antes da decisão do supremo. A decisão do Supremo veio hoje: o processo foi arquivado porque a Comissão parlamentar de inquérito foi encerrada. Jamais saberemos para onde foram os 5 mil milhões de Euros que agora os contribuintes irão pagar. E sabemos a quem podemos agradecer por isso.

Partidas

Este é um blogue de política e economia. Assim, o meu texto sobre outra coisa qualquer que não isso está aqui.

Sobre A Governação Da Geringonça

Aproveitando a subida de rating da dívida portuguesa por parte da Standard & Poor’s – o que não deixa de ser uma boa notícia, serve este post para avaliar o desempenho do governo da geringonça liderado por António Costa não do ponto de vista político (que  para todos os efeitos é um sucesso muito à custa da habilidade política e ao abandono de princípios e coerência por parte dos elementos da geringonça em troca de poder), mas do do ponto de vista económico (que aparenta ser um sucesso). A avaliação justa e correcta de qualquer governo deve sempre passar pela análise de dois pontos fundamentais:

  1. A base de comparação. Quando se elogia o desempenho do governo é por comparação a quê? Por comparação a uma base zero (por exemplo sem qualquer governo, como aconteceu em Espanha que cresceu 3% durante 15 meses sem qualquer governo)? Por comparação com um desempenho de um governo alternativo do PSD-CDS? Alguém duvida que um governo PSD-CDS nesta conjuntura (ver ponto a seguir e o resto deste post) não teria tido um desempenho melhor? Infelizmente não é possível criar um universo paralelo em que se possam criar grupos de controlo para fazer uma comparação factual.
  2. A conjuntura. Não se pode comparar a governação durante um período de recessão ou de execução de um programa de ajustamento (no caso do governo anterior, existia a obrigação de cumprir um programa de ajustamento negociado e acordado pelo partido socialista liderado então por José Sócrates). Alguém acredita que se o partido socialista tivesse vencido as eleições em 2011 a política “austeritária” conduzida teria sido muito diferente? Um país falido e endividado até aos limites tem sempre poucas opções. O governo da geringonça quando tomou posse, Portugal já tinha saído do programa de ajustamento (uma saída “limpa”), reformas importantes (mas insuficientes no meu entender) já tinham sido realizadas, e já se observava uma tendência clara de recuperação económica, quer por via do crescimento económico, quer por via da recuperação de emprego. O governo da geringonça beneficiou ainda de condições favoráveis excepcionais das quais destaco:
    1. o crescimento generalizado das economias europeias, americanas e asiáticas (algo que por si só favorece as exportações e o investimento estrangeiro).
    2. taxas de juro extraordinariamente baixas, devido essencialmente ao programa de quantiative easing do Banco Central Europeu.
    3. o crescimento do turismo, não só pelo aumento da quantidade e qualidade da oferta (para que muito contribuiram as companhias aéreas low cost), mas também pelo aumento da procura resultante do facto de outros destinos tradicionais se terem tornado muito pouco atractivos por motivos de segurança.
    4. a queda do preço do barril de petróleo que reduz o défice da balança comercial e liberta recursos financeiros para serem aplicados em outras actividades económicas.

De salientar que, dada a conjuntura favorável, este seria o momento ideal para realizar todo o género de reformas estruturais. Ao invés de aproveitar esta oportunidade, o governo optou por reverter algumas das reformas do governo anterior e manter o status quo o mais possível, privilegiando sempre uma política de curto prazo (num concurso de popularidade e de compra de votos com o objectivo de se manter no poder) em detrimento do longo prazo, como explicarei neste post. Ao mesmo tempo, a dívida pública este ano atingiu valores recorde em termos absolutos e em proporção do PIB.

Devo notar também que a popularidade da geringonça também se deve ao facto de termos um presidente da república mais interessado na sua popularidade e em evitar conflitos do que em desempenhar a sua função; e a uma comunicação social que de forma muito geral, é acrítica e aceita passivamente todo o tipo de vacuidades produzidas pelo governo; e que objectivamente privilegia e favorece a esquerda. Sobre a parcialidade da comunicação social, basta fazer um exercício mental para imaginar como é que os casos das 65 mortes nos incêndios de Pedrógão Grande; o recorde da àrea ardida pelos incêndios em 2017 ; ou o roubo de Tancos seriam tratados caso estivessemos perante um governo de liderado por Passos Coelho.

No quadro abaixo, tentei resumir o conjunto de medidas relevantes da geringonça, avaliando as de acordo com a sua motivação e o seu impacto que contém uma dimensão temporal. Agradeço aos leitores que me chamem a atenção se faltar qualquer medida relevante ou se discordam da minha avaliação.

Do quadro acima e fazendo um balanço geral, o que posso concluir é que os resultados económicos positivos que se têm observado são mais conjunturais e obtidos “apesar do governo” e não “por causa do governo” cujas preocupações são a popularidade, manutenção do status quo e do poder, como refere este artigo do Financial Times. Mais, estou convicto que se Portugal em vez de ser governado pela geringonça, fosse governado por uma coligação PSD-CDS (pela qual não morro de amores), os resultados económicos seriam melhores, assim como as perspectivas de longo prazo. Finalmente, devo lamentar a perda de uma oportunidade por ventura única, de efectuarmos reformas estruturais nos nossos termos – quando estas forem impostas, serão sempre mais dolorosas. Ainda sobre as reformas estruturais que o país tanto precisa, vale a pena saber o que pensa o primeiro-ministro António Costa: “A expressão ‘reformas estruturais’ arrepia-me. Qualquer cidadão normal fica logo alérgico.” (fonte).

Deixo então a questão aos leitores: está Portugal melhor preparado para enfrentar os desafios e os choques do futuro hoje do que estava antes do governo de António Costa tomar posse no final de 2015?

Grandes títulos dentro do género

Uber’s search for a female CEO has been narrowed down to 3 men

Furacões Fêmea mais mortíferos que Furacões Macho, diz a CNN

Female hurricanes are deadlier than male hurricanes, study says – via CNN.

A study suggests people prepare differently for hurricanes depending on whether the storm has a male or female name.
“Feminine-named hurricanes (vs. masculine-named hurricanes) cause significantly more deaths, apparently because they lead to a lower perceived risk and consequently less preparedness,” a team of researchers wrote in the Proceedings of the National Academy of Sciences.
In other words, a hurricane named “Priscilla” probably wouldn’t be taken as seriously as a hurricane named “Bruno,” which might spark more fear and prompt more people to flee.

Nota: apesar de eu classificar como humor, a citação é real e podem comprovar no link que ainda hoje se encontra on-line.

Devíamos parar de prender mulheres, via Washington Post

We should stop putting women in jail. For anything. – via Washington Post.

It sounds like a radical idea: Stop incarcerating women, and close down women’s prisons. But in Britain, there is a growing movement, sponsored by a peer in the House of Lords, to do just that.

The argument is actually quite straightforward: There are far fewer women in prison than men to start with — women make up just 7 percent of the prison population. This means that these women are disproportionately affected by a system designed for men.

O artigo é um exemplo de “New Speak” muito pior que o Politicamente Correcto. A autora, Patricia O’Brien é uma professora associada no Jane Addams College of Social Work na University of Illinois em Chicago e creio que o artigo captura bem o quão longe da realidade este grupo já se encontra. Que tenha aceitação nos Legacy Media que ainda têm circulação é ainda mais preocupante. Boa leitura.

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Um caso curioso

Bagão Félix apoia Medina, mas está nas listas… do CDS

António Bagão Félix, antigo ministro das Finanças em governos do PSD e do CDS, aceitou o convite de Fernando Medina para fazer parte da Comissão de Honra da sua recandidatura a presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mas também aceitou o convite para integrar a lista do CDS-PP à Junta de Freguesia das Avenidas Novas.

25 years ago…

O livro de Hillary – 2 versões de 1 Resposta

Há 2 formas de ver a questão:

  1. O livro tem a pergunta e a resposta na capa: O que aconteceu? Aconteceu Hillary Clinton, que era tão fraca tão fraca que perdeu contra o candidato com menos apoio na história.
  2. O livro tem uma pergunta, falta apenas o livro com a resposta… e Trump um dia lançará o seu livro de memórias com o título “I Happened”.

Foi Hillary que perdeu? Foi Trump que mereceu vencer? Eu inclino-me mais para a 1ª opção, mas a história será a melhor juíza.

What happened - I happened

O livro de Hillary na Amazon

No Telegraph: Amazon appears to delete over 900 reviews of Hillary Clinton’s book.

No Qz: Amazon just deleted over 900 reviews of Hillary Clinton’s new book.

No Youtube: Hillary Clinton’s Book Sucks So Bad Amazon Has to Manipulate Reviews.

Na Amazon: Link para o livro (aproveitem -parece ser bom, só tem 5 Estrelas…).

What Happened

No iPhone do Ricardo…(22) Happily Ever After, Gardiner Sisters


(Se gostarem, vejam também as Cimorelli)

III Fórum Economia Social – 20 de Setembro, no Porto

No próximo dia 20 de Setembro serei um dos oradores (com Nuno Ornelas Martins e José António Pereirinha) no painel da manhã do III Fórum Economia Social, que terá lugar no Campus da Foz da Universidade Católica, no Porto. Mais informações e inscrições aqui.

No país do faz de conta

Quatro notas soltas, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) 2. Raquel Varela, uma “historiadora” que após perder um debate contra uma criança de 16 anos foi naturalmente recrutada para o panteão de pensadores da RTP, explicou que, como a Autoeuropa se limita a montar carros, não produz riqueza. Se a senhora tivesse ao menos um amigo, este haveria de explicar-lhe a estonteante genialidade da sentença. Infelizmente, a prof. dra. arq. Varela não dispõe de vida social, ocupadíssima que está a criar gado, drenar solos, plantar legumes, costurar casacos, cimentar tijolo, inventariar o material necessário para construir automóveis e, em suma, tirar o tapete dos pés da ganância capitalista. Mais uns anos, poderá esfregar na cara desses exploradores um cachecol, dois rabanetes e meia pastilha de travão.

3. Em “entrevista” ao “Diário de Notícias”, o ministro da Defesa afirmou que “no limite, pode não ter havido furto” no caso do furto de armas em Tancos. Primeiro, garantiu-se que o roubo não era o maior da História dos Paióis Arrombados. Depois, esclareceu-se que as armas roubadas não eram caras. De seguida, informou-se que as armas roubadas não funcionavam por aí além. Agora, sugere-se que o roubo não existiu. Não tarda, a nação aprenderá que mesmo a base de Tancos é fictícia, que os “estadistas” que por lá desfilam desde o roubo que não houve são imaginários, que Portugal é um país normal e que tudo isto foi um pesadelo de que acordaremos sem mazelas. (…)

Contratando uma SJW

Riam. Ou chorem. Mas sobretudo aprendam a comportar-se (!)

Só não percebi uma coisa: aos 3:58, quando ela diz que não vai ser contratada por ser uma mulher… ela não tinha dito anteriormente que era não-binária e “coronel”? Se não é mulher, como é que é descriminação contra mulheres? Ou não é “Ms.”, mas é mulher? Todas estas micro-agressões estão a tornar conversas com esta malta um jogo de “Damas” (para não dizer xadrez, e usando a ambiguidade da palavra damas).

Pela desmercadorização de Boaventura Sousa Santos e do Islamismo

O Professor Doutor Boaventura Sousa Santos, académico de renome internacional, anunciado nas tv’s e na grande maioria da acéfala imprensa portuguesa, gere como poucos o seu quintal, também conhecido como Centro de Estudos Sociais. Autor e patrono de  muitos  disparates, o Homem que sonha desmercadorizar o Universo, sabe-se agora que lucra com os inesgotáveis fundos provenientes da Comissão Europeia especialmente dedicados a projectos ímpares como o Islamic Human Rights Commission.

Se é conhecido o apelo do distinto académico a correntes de pensamento e acção que visam, a título meramente exemplificativo, a destruição física de Israel e do Ocidente tal como foi construído e joga todo o seu prestígio na defesa de uma coisa islâmica intitulada  Islamic Human Rights Commission (com sede no Reino Unido, local propício a infelizes incidentes), ainda consigo ser apanhado de surpresa quando é o Centro de Estudos Sociais a não desmercadorizar-se do vil metal, proveniente da ultra-liberal Comissão Europeia.
Perdoem-me a blasfémia mas por Alá, nem o Professor Doutor Boaventura Sousa Santos nem o Centro de Estudos Sociais parecem conseguir erradicar as necessidades e a ânsia de uma acumulação infinita de riqueza, obtida a qualquer preço, parecendo que se esqueceram de aplicar a si mesmos o que defendem para os outros. Em síntese, a Pacha Mama, não fica bem tratada mas o Islamismo fica bem servido. No final das contas e como bem sabe o Boaventura Sousa Santos, tudo se compra e vende.

A via partidária para o liberalismo avança

Nos últimos dias os fundadores da Iniciativa Liberal confirmaram que conseguiram recolher as assinaturas necessárias para formar um novo partido. Amanhã terão um grande evento no Mercado da Ribeira em Lisboa que contará, entre outros, com a presença do Presidente dos Liberais Democratas Europeus (ALDE) e do ex-primeiro-ministro da Estónia, o liberal-democrata Taavi Roivas.
Um pouco mais atrasado no processo de formação de partido, o Partido Libertário, liderado por Fernando Sobrinho, juntou no passado fim-de-semana mais de 30 pessoas em Leiria, incluindo os presidentes dos partidos libertários espanhol e francês.
Independentemente do sucesso eleitoral que venham, ou não, a ter, é um bom sinal que haja pessoas a dedicarem-se a projectos deste tipo num país que há 40 anos equivale intervenção política a socialismo

Descentralização: começar já pelos reguladores

Sempre houve poucas dúvidas fora de Lisboa que o país teria muito a ganhar com a descentralização. Com o advento do turismo, muitos lisboetas também começam a concordar que a cidade beneficiaria se fosse libertada alguma da pressão de ser, ao mesmo tempo, a capital histórica, a capital política e o centro de negócios do país. Sendo a capital histórica, é a cidade com a maior concentração de atractivos turísticos. Por muito esforço que seja feito, é pouco provável que alguém que tenha 3-4 dias para conhecer o país não acabe por os passar em Lisboa. Podemos abdicar do turismo, mas em larga medida não o podemos descentralizar. Embora seja possível atrair empresas para outras zonas do país com regimes fiscais mais favoráveis, é difícil também combater as economias de aglomeração que fazem de Lisboa a capital de negócios. O facto de tantos negócios em Portugal se fazerem com o estado, e de o estado estar centrado em Lisboa, torna ainda mais difícil convencer empresas a deslocalizarem-se dentro do país.

Mas há algo que pode, politicamente, ser feito: a deslocalização de organismos públicos. A deslocalização de organismos públicos pode ser decidida politicamente e teria a vantagem de arrastar consigo empresas privadas que vivem à sua sombra. Para além disso, não há melhor momento para o fazer do que agora no que aos custos diz respeito. O imobiliário em Lisboa está em valores nunca vistos. Pode, claro, vir a subir no futuro, mas a verdade é que aos valores actuais, deslocalizar serviços públicos de Lisboa para outras cidades do país provavelmente acabaria por ser lucrativo ao estado. A diferença nos preços do imobiliário são tão grandes que a venda da sede de um organismo público em Lisboa provavelmente daria para a compra de um edifício semelhante numa cidade do interior e ainda cobriria os custos de realocação. Deslocalizar organismos públicos para Beja, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Vila real ou Viana do Castelo não só libertaria Lisboa de parte da pressão que está a sentir como transferiria oportunidades de emprego tão necessárias noutras partes do país.

Nestas mudanças, o problema é sempre saber onde começar. Mas até aqui parece que a resposta é clara: as agências reguladoras. Um dos problemas frequentemente apontado às agências que regulam os diversos sectores é a excessiva proximidade dos seus membros aos gestores das empresas que regulam. Muitos estabelecem laços de amizade e acabam por ir trabalhar para as empresas que antes regulavam. Por isso, a deslocaliação de agência reguladoras teria um efeito positivo de afastar fisicamente os reguladores dos regulados. Note-se que, com a actual tecnologia de comunicações e partilha de informação, a proximidade física é muito menos relevante para relações profissionais, mas continua a ser importante para relações pessoais próximas. A deslocalização das sedes das agências reguladoras para longe de lisboa não impediria, por isso, a continuação das relações profissionais, mas seria um travão a relação pessoais demasiado próximas.

Fica a sugestão.

Doutores e Engenheiros

Portugal: Podes ser nomeado por ser amigo do PM. Deixar o país a arder sem dar explicações cabais. Mudar de opinião todos os dias sobre a origem das tragédias. Safas-te. Mais ai de ti que não sejas licenciado!

A Alemanha vive a paz perpétua

O radicalismo alemão estava a destruir a Europa. Lembram-se? A minha crónica no i.

A Alemanha vive a paz perpétua

A Alemanha vai a votos no dia 24 e a importância que em Portugal se atribui ao facto está ao nível da relevância que o PSD dá às autárquicas. Durante a crise do euro, muitos esperavam que o radicalismo invadisse a política alemã pondo fim ao reinado de Merkel e, dessa forma, à moeda única.

A expectativa assentava na AfD (Alternative für Deutschland), um partido de extrema-direita que se opõe ao apoio que a Alemanha tem, dentro do quadro da União, concedido aos países em dificuldades, entre os quais Portugal. Como por cá alguns partidos, como o PCP e boa parte do BE, defendem a saída de Portugal do euro, um bom resultado da AfD seria, depois do Brexit e do crescimento do extremismo na Holanda, Áustria e França, o derrube do último pilar seguro da moeda única.

Mas nada disto aconteceu. A Alemanha vai a votos num ambiente tão pacífico que lembra Portugal nos anos 90. O debate entre Merkel e Schulz mostrou à evidência o que os junta, e não o que os separa. Os dois estavam tão de acordo que o sonho europeu lá parece não ter sido esquecido.

A Alemanha hoje é a Europa onde podíamos viver, caso a maioria dos países tivesse encetado as reformas que os alemães levaram a cabo com o socialista Gerhard Schröder. Não deixa de ser interessante que, enquanto o radicalismo cresce em boa parte dos países europeus, seja na Alemanha, depois de tudo o que se disse do extremismo alemão, com tantos a acusá-los de nazismo, que a tão desejada paz perpétua de Kant se tenha propagado.

O que é que o PS pensa da nova União Europeia?

Hoje mesmo Jean-Claude Juncker defendeu que a União Europeia deve passar a ter um ministro europeu das finanças. Acrescentou, ainda, que a UE precisa “de um ministro europeu da Economia e Finanças, alguém que acompanhe as reformas estruturais nos nossos Estados-membros.”

O que Juncker disse hoje no Parlamento Europeu não está longe do que Emmnauel macron tem defendido para a Europa e que referi neste meu artigo no Jornal Económico saído no passado dia 2 de Junho. Macron quer um orçamento comunitário para a zona euro direccionado ao investimento estratégico. Um orçamento que implica, necessariamente, um ministro das finanças europeu que tutele todos os demais ministros das finanças. Este orçamento servirá também para apoiar os países que se encontrem numa situação de emergência financeira, como sucedeu com Portugal. A moeda de troca, ou seja, a condição para que um país da zona euro beneficie dessa ajuda e beneficie dos referidos investimentos estratégicos é a apresentação de reformas estruturais: no Estado e na economia, nomeadamente na lei laboral.

A pergunta que então coloquei nesse meu artigo, volto a repetir agora: Como é que o PS, o PCP e o BE vão lidar com este projecto europeu? Considerarão que um orçamento europeu e um ministro das Finanças da zona euro ferem a soberania nacional, ou aceitam os fundos daí provenientes em troca de reformas, como a liberalização do Código Laboral que sempre recusaram?

Rendas controladas, outra vez!?

“As rendas controladas estarão a ser discutidas à Esquerda, no âmbito do Orçamento do Estado para 2018. A utopia colectivista e o miserabilismo andam de mãos dadas.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre o modelo fracassado do controlo de preços.

9/11

Assim se vê a força do pêcê

A salvação dos “media” parece-se imenso com um velório, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Escandalizou muita gente o facto de os alimentos à venda na Festa do “Avante!” não pagarem IVA. Extraordinário. O PCP anda há quase 100 anos a legitimar, a defender e, nos momentos de entusiasmo, a tentar reproduzir alguns dos maiores crimes da História. Mas verdadeiramente indecoroso é o partido fintar um imposto qualquer. É – e a Reductio ad Hitlerum por uma vez vem a propósito – como detestar o nazismo porque as chefias da Gestapo estavam isentas de multas de estacionamento. Imagino a indignação nos cafés ou lá onde é que o povo hoje se enfurece: “É isto que me enerva, pá. Que os gajos aplaudam a chacina de milhões aqui e ali ainda vá. Mas venderem bifanas sem os 13% é de um tipo ir aos arames…” O problema não é o PCP não ter IVA: é não ter vergonha. Nem, já agora, escrutínio.

No iPhone do Ricardo…(21) Skyfall, Mariangeli

Guerra às crianças

O meu texto de ontem no Observador.

‘Eu sei, eu sei: os milhões doados para alívio das vítimas de Pedrógão, de que o PS apressadamente se apoderou para distribuir como se fosse a generosa origem do dinheiro, estão em parte incerta; o relatório sobre Pedrógão foi atrasado para depois das eleições autárquicas, que o PS não brinca em serviço nem deixa que 66 mortos lhe atrapalhem pretensões eleitorais; a ministra da Administração Interna pede relatórios atrás de relatórios sobre o que corre mal – no caso, as refeições próprias de alturas de más colheitas na África subsaariana dadas aos bombeiros – como se não lhe coubesse antecipadamente garantir que uma ou outra coisa, pelo menos, corresse bem. E um quilométrico etc.

Mas deixem-me voltar ao caso dos cadernos de atividades que foram retirados por coação do ministro Eduardo-‘frígida’-Cabrita e a sua Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Porque, com a recomendação da CIG, iniciou-se a tentativa de institucionalização daquilo que as crianças do sexo feminino não podem fazer.

Em 1917 as meninas tinham de ser prendadas, não podiam correr como os rapazes nem subir às árvores, tinham de saber bordar e tocar piano, usavam roupas que lhes tolhiam os movimentos, desporto só, com sorte, ténis. Em 2017, as meninas não podem vestir cor de rosa (atenção, um menino transgénero pode vestir cor de rosa para se afirmar menina, mas as miúdas têm de escolher azul ou uma cor neutra), as princesas foram guilhotinadas e joguem futebol feminino faz favor.

Os espartilhos colocados às meninas mudam mas permanecem afiados. Jamais deixar a meninada escolher cores e atividades e brinquedos, com toda a liberdade conforme os gostos, desde o karaté à ginástica rítmica. Melhor negar o direito às miúdas de usufruírem de qualquer divertimento associado ao universo feminino. (Horror! Repitam mantras satânicos para vos proteger desse pavor que são TODOS os comportamentos femininos.)’

O resto está aqui.

Aos verdadeiros empresários (2)

As revelações sobre as viagens pagas pela Microsoft a autarcas portugueses (bem como as de outras empresas a diversos políticos com excelentes, e sempre produtivas, relações com ‘empresários’) obrigam-me a trazer de volta o meu artigo no Jornal Económico de 4 de Agosto último.

Aos verdadeiros empresários.