#somosTaxi? Não!

Em dia de manifestação dos taxistas no centro da cidade de Lisboa, alguns destes motoristas usavam t-shirts com a hashtag (que modernos!) #somosTaxi e praticamente todos carros tinham bandeirinhas com essas duas palavras.

Então porque não investirem esse dinheiro numa app que faça real concorrência à Uber, Cabify, etc? A resposta é simples: isso significaria que tinham de oferecer um serviço de melhor qualidade e sujeitarem-se ao escrutínio dos seus clientes (através de avaliações).
Melhor que concorrer em pé de igualdade, será fazer tudo para “eliminar” a concorrência. A nossa liberdade de escolha não tem qualquer valor para os taxistas. Mas… e para vocês? Mesmo que não usem aquelas plataformas digitais, querem viver num país livre?

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30.000 Postos de Trabalho versus 10.000.000 de Clientes

Os grupos de interesse focam-se sempre nos interesses exclusivamente do grupo (passe a redundância), descurando e desprezando o interesse de toda a população em geral.

Vejamos no caso dos taxistas: os clientes preferem usar um serviço diferente (ou porque é mais conveniente, ou porque é mais barato, ou porque os motoristas são mais simpáticos, etc.); um grupo de interesse não quer que exista concorrência e quer impedir que os clientes possam escolher fornecedores alternativos.

Claro que a concorrência e a inovação irão sempre colocar em risco alguns empregos e algumas empresas, que terão que se adaptar ou então correr o risco de desaparecer – a história está repleta destes casos (e.g.: Nokia, Blackberry, Kodak, Polaroid). No entanto, a concorrência e a inovação são fundamentais para o progresso – para que se possam oferecer bens e serviços novos: mais baratos, mais funcionais, mais convenientes. Os grandes beneficiários desta concorrência e inovação são os clientes, que ficam com mais liberdade de escolha e com acesso a bens e serviços diferenciados pelo preço, pela qualidade, e pela funcionalidade.

Mesmo do ponto de vista socialista que privilegia o colectivo em detrimento do indivíduo, ainda que a Uber/Cabify/etc. acabasse de vez com os táxis (como o automóvel um dia acabou com os coches) – deveriam ser privilegiados os 30.000 taxistas ou os 10.000.000 de clientes? Mais ainda – porque é que os potenciais empregos perdidos do lado dos taxistas devem ser considerados mais importantes que os empregos criados do lado das plataformas electrónicas?

Acresce o facto que os taxistas a qualquer momento podem aderir às plataformas electrónicas de transportes (não existem barreiras à entrada), enquanto que o contrário não é possível.

Ainda sobre a mobilidade e a inovação tecnológica: num futuro não muito distante, os serviços de mobilidade serão prestados por veículos autónomos sem condutor.

A imagem acima foi retirada daqui.

Porque é que não se ensina política na escola?

O Agrupamento de Escolas Henrique Sommer ilustra bem porque é que a política, e por essa via a doutrinação, deve ser mantida fora da escola.

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Patrões, Esses Exploradores – O Estado É Um Benfeitor

Qualquer relação laboral é estabelecida de livre vontade entre a entidade empregadora e o empregado. A única explicação racional para esta relação laboral ser estabelecida é que 1) ambas as partes se sentem beneficiadas com essa relação; e 2) pelo menos naquele momento, o empregado escolheu aquele emprego entre todos os outros possíveis; e a entidade empregadora escolheu aquele empregado dentro dos candidatos disponíveis. Qualquer outra explicação assume que as pessoas são irracionais. Nesse sentido, usar a palavra “exploração” pode ser usada no sentido lírico – como eu posso afirmar que “sou explorado pela empresa X” da qual escolho consumir bens ou serviços. Acresce o facto que, pelo menos do lado do empregado, sempre que este se sentir “explorado”, pode rescindir livremente o contrato laboral, e procurar um outro emprego onde não se sinta “explorado”.

Adiante. Numa empresa com fins lucrativos, um emprego só é criado (ou não destruído) se o empregador conseguir obter (ainda que apenas no médio-longo prazo) uma diferença positiva entre o valor do salário pago e o valor do trabalho produzido para que se possa obter uma margem de lucro. Novamente, outra explicação assume que as pessoas são irracionais.

Torna-se então importante compreender os custos para para o empregador, uma vez que o empregado terá que produzir trabalho num valor superior a esses custos para que o emprego seja criado (ou não destruído). Comecemos a análise com um emprego cujo salário mensal é de 1000 euros. Na realidade, em Portugal, os trabalhadores recebem 14 salários por ano correspondentes a 11 meses de trabalho (subtraindo um mês de férias anual). Considerando o custo da segurança social suportado pelo empregador que é de 23,75%, se conclui que o custo mensal para o empregador por mês efectivamente trabalhado é na realidade de 1000€ x (1 + 23,75%) x 14 / 11 que dá 1575€ por cada mês trabalhado – e isto excluindo todos os outros custos, como por exemplo, o seguro contra acidentes de trabalho.  Neste cenário, o rendimento mensal ajustado para o empregado é de 1000€ x 14 / 12 = 1167€.

O facto do empregador ter que pagar 23,75% do salário bruto em segurança social é um artifício contabilístico. O leitor mais atento, já se terá apercebido que este valor é pago na realidade pelo trabalhador. Isto é, se o empregado não produzir um valor mensal superior a 1575€ por mês trabalhado, o empregador não consegue suportar um salário bruto mensal de 1000€. Artifícios contabilísticos à parte, é completamente indiferente para entidade patronal se a parcela da segurança social for definida como toda paga pelo empregado ou como toda paga pelo empregador – o valor de caixa que sai da empresa no final do mês seria exactamente o mesmo, e é sempre retirado do valor produzido pelo trabalhador. A única razão que eu vejo para este artifício contabilístico é que o estado não quer que os trabalhadores se sintam “explorados” em impostos.

Portanto, sendo a segurança social paga toda através do trabalho do empregado, podemos concluir que o salário bruto para um empregado que ganha 1000€ por mês corresponde na realidade a um rendimento mensal (ajustado 14/12 meses) de  1000€ x (1 + 23,75%) x 14 / 12 = 1444€.

A próxima questão relevante é, deste salário mensal ajustado de 1444€ auferido pelo trabalhador (e de reforçar que para o emprego existir, o trabalhador por mês trabalhado terá que produzir um valor superior a 1575€), que parcela fica para o empregado e que parcela vai para o estado. Usando as tabelas de IRS para 2018 (não casado e sem dependentes), para um salário mensal de 1000€, a retenção na fonte é de 11,90%. Portanto, para o estado por mês vão 1000€ x 11,90% x 14/12 = 139€ em IRS, e 1000€ x (11%+23,75%) x 14/12 = 405€ em Segurança Social. Isto é, de um salário mensal bruto de 1000€ a que corresponde um salário mensal ajustado de 1444€ euros, o estado recebe 544€ ou 38%, e o empregado recebe o restante, ou seja 900€ ou 62%.

Podemos fazer o mesmo exercício para quem tenha um salário mensal bruto de 2000€ cuja retenção na fonte é de 22,90% (efeitos da maravilha do IRS progressivo). Neste caso, os 2000€ mensais correspondem a um salário mensal ajustado de 2888€, tem um custo mensal para o empregador de 3150€ por mês trabalhado; e dos 2888€ de salário mensal ajustado, 1345€ ou 47% vão para o estado e 1543€ ou 53% vão para o trabalhador.

O exercício completo para os não casados sem dependentes estão na tabela e gráfico abaixo, sendo importante destacar que a partir de salários brutos mensais de 2758€, o estado passa a receber mensalmente mais do que o próprio trabahador – e isto sem contar com os outros impostos pago pelo trabalhador contribuinte, designadamente o IVA, o IMI e o ISP entre outros.

Para quem quiser analisar melhor os números, disponibilizo o Excel utilizado nesta análise aqui.

Conclusão: quem explora quem?

Celebrar a Santa Cruz

seis anos de idiotice útil

Foi no dia 15 de Setembro, há seis anos, que milhares de pessoas sairam à rua, por esse Portugal fora, para desfilar ordeiros ao ritmo do bombo da extrema-esquerda. Os manifestantes protestavam contra o ‘neoliberalismo’ da Troika, a favor da preservação da sociedade clientelar do Estado, e porque estava um belo dia de fim de Verão. Ali ensaiou-se uma magnífica geringonça social, que viria a dar frutos eleitorais três anos volvidos.

Google e a sua interferência nas eleições