O Insurgente

Maio 28, 2012

A socialização dos prejuízos da má gestão bancária

Resgate do Bankia vai ser feito com recurso a dívida pública espanhola

O depauperado sistema das cajas de ahorro espanholas é uma explosiva mistura de interferência públicas com má gestão privada. No concubinato entre políticos e banqueiros são invariavelmente os contribuintes que pagam a conta. Mas nem pensar em modificar o actual sistema. É demasidao perigoso, especialmente para os interesses instalados.

Maio 24, 2012

Prémio para Artigo sobre Economia

Aproveito para divulgar esta iniciativa que se destina a alunos finalistas de cursos acreditados pela OE – Ordem dos Economistas e a todos os alunos de cursos de especialização (Pós-graduações, MBA’s, Mestrados) que já possuam licenciaturas reconhecidas pela Ordem.

A data limite para entrega dos artigos é 31 de Maio e até agora o nº de propostas entregues é reduzido, pelo que há uma hipótese bastante razoável de um bom texto vencer o prémio de 700 Euros. Como eu não posso concorrer (já terminei o Mestrado), divulgo e espero que algum leitor do blog que estude Economia participe. Era bom ter textos Austríacos na categoria Política Económica.

Ordem dos Economistas, através da sua Delegação Regional Norte, incentiva a divulgação do conhecimento científico na área económica junto da sociedade em geral. Nesse sentido, reedita pelo oitavo ano consecutivo a actividade Ciclo de Temas de Economia.

O Ciclo de Temas de Economia destina-se a alunos finalistas de cursos acreditados pela Ordem dos Economistas e a todos os alunos de cursos de especialização (Pós-graduações, MBA’s, Mestrados) que já possuam licenciaturas reconhecidas pela Ordem. A actividade resulta na selecção de um trabalho referente a cada um dos 5 temas propostos:
1. Política Económica
2. Contabilidade
3. Finanças Empresariais
4. Marketing
5. Economia Portuguesa

Os artigos deverão respeitar um limite máximo de 5000 caracteres e ser redigidos tendo em linha de conta o interesse do seu conteúdo para a sociedade em geral.

 A cada um dos artigos seleccionados será atribuído um prémio no valor de 700 Euros, dos quais 500 Euros em prémio pecuniário e 200 Euros em vale de compras na livraria Vida Económica.

Para concorrer visitem a página oficial do Evento.

Maio 23, 2012

Debate Murphy – Krugman

Filed under: Economia,Eleições EUA 2012,Internacional,Política Monetária,Teoria,Videos — Ricardo Campelo de Magalhães @ 18:01
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Robert Murphy faz hoje anos. Assim, nada melhor do que relembrar a ideia do Debate Murphy – Krugman. Basicamente, quem quiser pode comprometer-se a pagar uma pequena importância para uma instituição de caridade que só será descontada quando Krugman aceitar a proposta de debate de Robert Murphy.

Site da PropostaSite do Compromisso de CaridadeLançamento da CampanhaVídeos. Vídeo Principal:

   

(mais…)

Maio 22, 2012

O Ultra-Neo-Anarco-Liberalismo do FMI

Dizem os “fáxistas” sobre o Reino Unido:

The Government should consider cutting VAT or National Insurance and increasing state investment in infrastructure to boost growth if the economic situation worsens, the International Monetary Fund (IMF) said.

Officials also said that the Bank of England should act now to inject some vigour into a “flat” economy by printing money in a new round of quantitative easing or even cutting the 0.5% base interest rate below its current historic low.


A Insustentável Leveza do Ser Libertário

Ser um Libertário não implica a concordância com tudo que de estúpido e imbecil as pessoas fazem a si próprias e entre si, voluntariamente. É aceitá-lo, mesmo não respeitando e admitir tais actos como consequências necessárias, ainda que por vezes desagradáveis, da existência de um mundo de homens livres, com prazeres, saberes e ambições que diferem. E ainda bem que diferem. Aos olhos de tantos, a igualdade não é mais que a estandardização do comportamento humano, condicionado, na preferência destes, segundo padrões tradicionais ou científicos, segundo livros sagrados ou estudos académicos. O libertário não é um extremista, do meu ponto de vista. Extremismo é a censura inquisitorial, provinciana, ignorante e feia, muito feia, com que muitos encaram a crença aparentemente radical, quase terrorista de que o Homem, essa complexa criatura antecessora de toda e qualquer forma de proto-organização política, nasce livre. E a gravidade adensa-se quanto na admissão de que o Homem nasce efectivamente livre, se considera que o Estado, construído por ele para assegurar, através das forças de segurança que o protegem do seu vizinho, através do exército que o protege da nação vizinha e através do tribunal que julga as suas disputas,  a sua liberdade, pode ser ele próprio o condicionador da mesma. É o futuro distópico em que o Homem, tendo construído a máquina para o servir, vê essa mesma máquina ganhar força, inteligência própria e é, no final da história, escravizado por ela. É surpreendente que a intolerancia, essa assassina de sonhos e vontades ao longo da história – e quase sempre no sentido literal da palavra – não só tenha sobrevivido à Era do Conhecimento, como se tenha expandido, alargado, adaptado aos meios coercivos que o futuro lhe foi deixando à disposição. E no centro do tabuleiro, o libertário, essa vil criatura amante de uns quantos filósofos defuntos que, diga-se de passagem, lançaram as bases para o mundo moderno onde hoje grassam, sem repressão, os que fazem da intolerância, da extorsão e da propaganda o seu programa político. O mundo deve mais ao pensamento libertário do que realmente imagina. Já o libertário, este não exige nada do mundo, não deve nada ao mundo e não guarda em relação ao mundo que o rodeia nada mais que um simples e incompreendido desejo: que este o deixe em paz.

Maio 20, 2012

Um Plano Quinquenal para a mesa do canto, se faz favor…

“Estou ? Krugman ?”

Jorge Moreira da Silva, primeiro Vice-Presidente do PSD diz:

“Precisamos de um Plano Marshall para a Europa. Temos de encontrar na Europa um Plano Marshall que responda ao desemprego, que responda à recessão, e isso é algo que também é importante para Portugal”

“Se a Europa fizer aquilo que deve no estímulo à economia, na consolidação orçamental, na maior harmonização do mercado interno, na mobilidade de pessoas e de bens, se for capaz de fomentar a política industrial, a economia verde, o conhecimento, se for capaz de fazer destas alavancas verdadeiras alavancas do crescimento, isso não apenas ajudará a responder à crise europeia, mas fará com que a crise em Portugal possa ser respondida também de uma forma mais solidária da Europa em relação a Portugal”

E diz-nos, sobre isto, o grande Roberto Campos:

A política industrial que nos convém se reduz a umas poucas regras de bom senso. A primeira é que o mais importante incentivo ao progresso é assegurar-se liberdade empresarial, pela abolição de monopólios estatais e reservas de mercado. A segunda é aumentar a previsibilidade econômica, pela estabilização de preços. A terceira é que, antes da concessão de incentivos, é necessário remover obstáculos, pois que, isso feito, na maioria das vezes o mercado cuidará de si mesmo.”

“Admitir o ‘liberalismo explícito’, num país de cultura dirigista, é coisa tão esquisita como praticar sexo explícito em público. Não dá cadeia, mas gera patrulhamento ideológico. A etiqueta de ‘socialista’ ou ‘centro-esquerda’ dá um ar de respeitabilidade a qualquer patife ou imbecil, animais abundantes na praça…”

“A pior coisa que pode acontecer a duas motivações válidas – o indigenismo e a ecologia – é serem levadas ao exagero. O excesso de zelo é uma forma de fanatismo. E os fanáticos costumam redobrar os esforços quando perdem de vista os objetivos.”

José Sócrates, António José Seguro, Hollande, Zapatero, Lula, Dilma, entre outrasdestacadas figuras da área política do Partido Social Democrata, não diriam melhor. O modelo económico defendido nesta passagem é um modelo falhado, ele próprio causador da crise das dívidas públicas e que muitos ainda insistem em tomar como o correcto para a sua solução. Esta fé perversa e infantil, adequada a adolescentes românticos no início do seu aprofundamento intelectual, torna-se perigosa quando aplicada a pessoas com responsabilidades na condução da política dos Estados. Por sua vez, o federalismo, possivelmente aceitável – não para todos – num outro contexto, é totalmente descabido quando tendo em conta o monstro centralizador, progressista e regulador em que a União Europeia se vem tornando, com directivas que se empenham em controlar todos os aspectos do quotidiano dos seus cidadãos e da iniciativa política dos Estados que a compõem. Esta combinação doentia de federalismo e keynesianismo adulterado que se apoderou do Bloco Central por esta Europa fora será, a ser levada a sério, não a salvação que estes aguardam, mas o golpe final por que há muito qualquer espectador com bom senso espera.

E para terminar, um artigo sobre Friedman. Nesta passagem fica a sua opinião sobre o Plano Marshall:

Friedman contended that “Europe would have recovered with or without the Marshall Plan,” and opposed the Plan at the time and in retrospect (Friedman, 1982a, pp. 32-33). He argued that the “Marshall Plan and similar programs” of the U.S. government had “been harmful to the rest of the world” because government-to-government economic aid strengthened the government sector at the expense of the private sector.

Repito, portanto, o que venho dizendo há um tempo considerável. O que é uma Toranja ? É algo que é laranja por fora e vermelho por dentro.

Maio 18, 2012

Abram alas para o crescimento, versão Obama-Hollande…

Filed under: Economia,Internacional,Política,Política Fiscal,Política Monetária — André Azevedo Alves @ 23:57

Obama e Hollande defendem crescimento na Cimeira do G8
Obama anuncia financiamento de 3000 milhões para segurança alimentar em África
Turbulência europeia domina cimeira do G8

Maio 16, 2012

O futuro chega já amanhã

é só esperar. Por Rui A.

Entretanto, políticos miserabilistas e masoquistas, dos que gostam de perder votos e eleições a impor sacrifícios aos eleitores, transformaram-nos a vida num inferno desnecessário, quando lhes bastaria ter ouvido os sábios conselhos de Paul Krugman. Agora, com Passos vaiado sempre que põe o pé fora de casa, a Sra. Merkel a perder eleições sucessivas, o estoiro previsível da Grécia e a descida à terra do novo messias gaulês, tudo leva a crer que esses tempos nefastos acabaram e novos tempos se aproximam. É só esperar…

Maio 15, 2012

Sempre simpatizei com Luís Amado

“Há expectativa a mais à volta de Hollande” :

Claramente, há expectativa a mais face ao que é a margem de manobra do Presidente eleito, relativamente à situação de França. A França tem um desequilíbrio macro-económico muito acentuado, tem uma dívida que ronda os 90% e uma despesa pública acima de 55% em relação ao PIB. Portanto, a margem de manobra é muito limitada.

E é preciso ter muito cuidado relativamente à gestão de expectativas, não só da sociedade francesa, mas também dos mercados, que financiam a dívida pública francesa: são necessários 500 milhões de euros todos os dias para garantir o financiamento do nível de bem-estar da França! E o Presidente eleito sabe disso.

A França vai ter que ajustar, através de um programa de austeridade, alguns dos desequilíbrios que conhece. Mas sem dúvida que a eleição de Hollande acelerou o calendário para a governação económica da zona euro, para um processo de federalismo fiscal e orçamental que garanta a estabilidade e coesão de toda a zona euro.

(…)

É provável que a França tenha que fazer um ajustamento interno na casa dos 15 a 20%, no mínimo, mas é óbvio que ninguém seria eleito se fizesse a campanha prometendo ao seu eleitorado: «Elejam-me porque eu vou cortar o vosso ordenado em 20%».

A democracia hoje vive essa situação de paradoxo: ter que gerir expectativas positivas dos eleitores e expectativas negativas dos mercados que as financiam. E esse equilíbrio, nas democracias dependentes e em situação de grandes níveis de endividamento, é hoje o alfa e o ómega da crise democrática na Europa, em particular na periferia europeia. Porque depois das promessas eleitorais frustram-se as expectativas dos eleitores, para não se frustrar as expectativas dos credores.

Maio 14, 2012

No Fio da Navalha

O meu artigo para o jornal i deste sábado.

Sem Alemanha não há Europa

A alternativa à austeridade é a redução do peso do Estado ou um empobrecimento suave conseguido com a inflação. Estará Hollande disposto a tanto?

A vitória de François Hollande no último fim-de-semana está a ser analisada como um chumbo da França à política de austeridade de Angela Merkel. De acordo com os socialistas franceses e seus congéneres portugueses, a austeridade não chega e deve ser substituída por uma política de incentivo ao crescimento económico. Infelizmente, tal só se consegue de duas formas: ou reduzimos a despesa do Estado e descemos os impostos ao mesmo tempo que pagamos a dívida, ou carregamos no investimento público e o Estado volta a contratar pessoas e a pagar ordenados por inteiro. Ora se Hollande prefere a segunda solução como é que vai investir na economia se os estados estão endividados e o dinheiro lhes é emprestado a taxas de juros incomportáveis? Só há uma maneira: através da inflação e desvalorizando a moeda, pondo o BCE a emprestar dinheiro directamente aos estados, a um preço muito inferior ao praticado no mercado livre. No fundo, é levar à prática o que Paul Krugman anda a dizer há anos. Com esta solução, não só a dívida se reduz, porque vale menos, como os produtos ficam mais baratos e a inflação, num nível inicial, nos obriga a consumir. Com mais moeda a circular, achamos que temos mais dinheiro, que estamos melhor, apesar de mais pobres. É a receita do empobrecimento indolor que foi aplicada em Portugal, com o Bloco Central, em 1983. A receita que permitirá ao Estado continuar a gastar sem que os governos tenham de encetar as conhecidas reformas estruturais na lei laboral, na política fiscal e na redução do peso do Estado na economia. As medidas impopulares que tanto medo metem a quem está na política, mas que são as únicas capazes de levar ao crescimento da economia sem que se aplique, em cima de nós, um imposto disfarçado de correcção monetária e de inflação. Se o BCE emprestar dinheiro aos estados, o cidadão comum continua a não escapar à austeridade. Perde na mesma o seu dinheiro, com a diferença de que não sente. E porque não sente, os governos estão certos de que o convencem do quer que seja.

Não é difícil perceber por que motivo a solução de Hollande não agrada à Alemanha, que não precisa de desvalorizar a sua moeda para vender mais. Aquando da criação do euro, o governo e os sindicatos alemães acordaram, ao contrário do que sucedeu nos países do Sul da Europa, não subir os salários para níveis superiores ao da inflação. O custo do trabalho manteve-se baixo e a produção alta. Por isso os alemães não querem agora pagar a nossa dívida, que resulta de salários muito acima do valor que produzimos. Para piorar as coisas, a divisão entre a Alemanha e os países do Sul não se reduz a uma diferente perspectiva do problema. O grande dilema é o quanto a economia alemã se afastou da europeia. Conforme a BBC noticiou o mês passado, as exportações germânicas cresceram 3,4% em Janeiro e 1,6% em Fevereiro deste ano. Só em 2011, as vendas de produtos alemães ao estrangeiro aumentaram 13,2%, naquele que foi o melhor ano de sempre da indústria germânica, que vende cada vez mais para fora do mercado europeu. Números que contrariam quem diz que a Alemanha precisa da Europa para vender os seus produtos e que a austeridade serve apenas para manter o domínio alemão sobre o Velho Continente.

A maneira como Hollande vai lidar com este afastamento alemão é a grande incógnita dos próximos meses. Se o novo presidente francês quiser a dita solução do empobrecimento sem dor, esta será de uma injustiça comparável à da imposição à Alemanha da Paz de Versalhes, em 1919. Sucede que, ao contrário de então, os alemães não têm agora razões para ficar mais pobres. Da mesma forma que o projecto europeu surgiu para integrar a Alemanha na Europa, a penalização deste país pode ditar o fim da mesma Europa. Aquilo com que os políticos europeus se vão confrontar é saber se é possível salvar o Estado social europeu à custa da Alemanha, quando os dois estão intimamente ligados.

Maio 11, 2012

Syriza ao Poder?

A partir do Zero Hedge:

Now that the first parliamentary election vote is meaningless, with no party able to form a coalition government, everyone is focusing on the outcome of the next election, which will take place some time in mid-June. Minutes ago Marc and Alpha (via Reuters) released the results of a poll conducted on Tuesday but just published, and which, if sustained means major trouble for the EMU, because the results show that Anti-bailout Syriza is alone going to have almost as much represented as its two main pro-bailout opponents combined, and confirms that all the other parties are losing voters which instead are going toward the one party that seeks above all, to sever the terms of the Memorandum.

  • Syriza: 23.8%, up from 16.8% in the election
  • New Democracy: 17.4%, down from 18.9%
  • Pasok: 10.8%, down from 13.2%
  • Independent Greeks: 8.7%, down from 10.6%
  • KKE: 6.0%, down from 8.48%
  • Golden Dawn: 4.9%, down from 7%
  • Dimar: 4.0%, down from 6.11%

Or visually:

In other words, more and more Greeks are aligning with the anti-bailout Syriza. If we were Europe we would be worried. Very, very worried.

Como dizia o Adolfo Mesquita Nunes no DN, naquele caso sobre o Hollande: Ainda bem. Assim sempre vamos saber ao certo o que eles vão propor. Agora que a Esquerda radical deverá ganhar as próximas eleições vai ser só crescimento!

“A melhor política de crescimento é a ausência de qualquer política de crescimento. “

No Estado Sentido, o Samuel de Paiva Pires fala simples, curto e claro. Seguro e os partidos da maioria deveriam ler isto:

A melhor política de crescimento é a ausência de qualquer política de crescimento. O crescimento económico só é real se for feito pelo mercado livre, pelos privados. E basta pensar no passado recente para ver no que resultaram as políticas de crescimento socráticas. Diminuir os impostos e o tamanho do estado, começando por desmantelar o ministério da economia, era o melhor que se podia fazer para deixar o mercado funcionar e a economia crescer.

Maio 9, 2012

“You can’t always get what you want”

É extraordinário como ainda há quem seja capaz de ter entusiasmos destes. Um político francês ganha umas eleições (alguém tinha de as ganhar), e por esse mundo fora não falta quem pareça acreditar que chegámos a uma espécie de Terra Prometida. No domingo, essa totémica figura intelectual que dá pelo nome de Marcelo Rebelo de Sousa dizia que a partir de agora, “a Europa vai ter de olhar para o crescimento”. E nas páginas do New York Times, Paul Krugman anunciou que a chegada de Hollande ao poder aumenta as hipóteses de sobrevivência do Euro e do “projecto europeu”. Já com Obama abundaram arrebatamentos deste género, mas o homem era dado a proclamações salvíficas e possuía uma retórica suficientemente vaga para que ninguém pensasse muito sobre o que ele dizia. Hollande, no entanto, não consegue dizer três palavras sem se adormecer a si próprio, e faz promessas que deixam bem claro que ou não tem consciência da realidade ou mente de forma descarada. Nenhuma delas uma característica particularmente redentora.

Hollande ecoa o discurso muito em voga de que é preciso deixar a “aposta” na “austeridade” e “virarmo-nos” para o “crescimento”. Como se houvesse uma opção. Como se a “austeridade” fosse uma escolha. Como se bastasse querer “crescer” para o conseguir. Mas ao contrário do que muitas pessoas parecem pensar, não há ninguém que defenda “políticas de empobrecimento”. A “austeridade” que de facto nos empobrece não é uma escolha, algo a que se possa “pôr fim” por decreto e voluntarismo.

É estranho como as pessoas parecem crer na capacidade de um governo (nenhum em particular, mas a entidade abstracta) para resolver problemas. Na realidade, os governos são um animal dos mais impotentes que existem à face da Terra. Estão limitados pelas acções de outros governos, pelas acções de simples indivíduos cujos resultados não controlam, e acima de tudo pelas circunstâncias. Nenhum governo escreve numa folha em branco. E nas circunstâncias actuais, é impossível acabar com a “austeridade”. Com cortes de impostos ou cortes da despesa, com aumentos de impostos ou aumento do “investimento público”, os europeus em geral e os portugueses em particular vão continuar a empobrecer. Qualquer “aposta” no “crescimento” dificilmente será bem sucedida.

O que Hollande propõe, e que tanta esperança alimenta nos que excitadamente acolheram a sua eleição, é atirar dinheiro para a economia. O problema é que o dinheiro custa dinheiro. Para “investir”, o Estado precisa ou de cobrar mais impostos, que dificultarão a vida à classe média e que mais depressa farão fugir os ricos do que fazê-los pagar mais, ou se endividar. E quem é que emprestará dinheiro a Estados já excessivamente endividados, numa conjuntura como a actual, a não ser com juros quase proibitivos? Basicamente, estar-se-ia a repetir o erro das últimas décadas, alimentando uma falsa prosperidade hipotecando o futuro cada vez mais.

É claro que há um outro sítio ao qual os Estados podiam ir buscar dinheiro. Ao contrário do que a sabedoria popular nos ensina, o dinheiro até cresce nas árvores. Apenas quanto mais se colhe, menos valor ele tem. Se os governos quiserem (e querem sempre) “injectar” dinheiro na economia, basta pedirem aos Bancos Centrais para o imprimirem. É o que Hollande tenciona fazer, e certamente que o BCE terá ouvidos receptivos para o Eliseu. E como que por milagre, haverá mais dinheiro a circular. Mas esse dinheiro valerá menos. O pouco que as pessoas comuns conseguiram poupar valerá menos. Os que ainda vão recebendo um salário irão ver esse salário representar menos poder de compra. Haverá mais dinheiro, mas o empobrecimento será maior.

O melhor que os governos têm a fazer, nestas circunstâncias, é garantir que a “austeridade” não se venha a repetir no futuro. É garantir que políticas como as que nos conduziram até aqui são definitivamente abandonadas. É garantir que no futuro as pessoas não tenham que abdicar de metade do que ganham para alimentar um Estado que nem assim paga tudo o que deve, e que a única coisa que lhes dá em troca é um aumento de impostos de seis em seis meses. Mas para isso, será preciso reformar profundamente os sistemas públicos de Segurança Social, os sistemas públicos de Saúde, os sistemas públicos de Educação. Na prática, isso traduzir-se-á em fazer com que um número significativo de pessoas paguem mais por eles. A longo prazo, será a melhor opção para todos. Mas a curto prazo, significará também o empobrecimento dessas pessoas. É triste, mas é verdade.

Ninguém mais do que eu gostaria que as políticas dos governos, fossem as de Obama, as de Passos Coelho, as de Hollande, as de Merkel ou as de qualquer um outro, fizessem com que eu pudesse olhar para o futuro e ver outra coisa que não a desgraça que todos tememos estar aí à porta. O problema está em que a “austeridade” não foi uma escolha feita em detrimento do “crescimento”, por perfídia de uns senhores de índole duvidosa que ocupam o poder. “Crescimento” todos queremos. Mas infelizmente, como sabiamente dizia o filósofo Jagger, “you can’t always get what you want”.

Maio 8, 2012

Dívida pública, bailouts e asfixia fiscal

Neste post, a esquerda louçaniana demonstra falta de atenção de duas formas.

Primeiro, por ainda não ter percebido que n’O Insurgente há, desde sempre, pluralismo de opiniões sobre os mais diversos assuntos, incluindo as questões relativas à dívida pública e ao futuro (ou falta dele) do euro. Ao contrário do que acontece em alguns sectores da esquerda, na “direita hayekiana” (uma descrição de que alguns insurgentes não gostarão mas que pessoalmente até me parece adequada), a convergência em torno de princípios não implica monolitismo de posições nem ausência de debate de ideias.

Segundo, porque no que diz respeito ao caso específico da dívida pública, muito antes da vitória do, para já bestial, Hollande em França e da progressão eleitoral na Grécia de vários partidos estatistas e anti-troika (como o Syriza e o Chrysi Avgi) que tanto entusiasmou o Sérgio Lavos, já vários insurgentes – em diversas ocasiões e por diversas razões – haviam expresso o seu cepticismo relativamente aos bailouts e aos respectivos pressupostos no que diz respeito ao pagamento integral da dívida pública.

Para não ir mais longe, recordo o que eu próprio escrevi num texto para o Institute of Economic Affairs publicado ainda em… 2010: Euro crisis: the prognosis for Portugal is dire

In this scenario, unless the Portuguese government can provide an internationally credible commitment to wide reaching and immediate cuts in public expenditure – which seems unlikely at this point – the remaining options appear to be a bailout package and/or some form of default on existing debt. If a bailout does materialise, it would be important for creditors to take a substantial haircut on their claims. Assuming Portugal retains fiscal sovereignty (which is not a given under present circumstances in the EU), linking any bailout with a haircut on creditors will be essential to limit moral hazard in the actions of international lenders and also to ensure Portuguese politicians undertake much needed structural reform.

Mantenho o meu cepticismo relativamente aos efeitos dos bailouts e ainda recentemente no debate com Vítor Gaspar na Universidade Católica expressei mais uma vez essa posição salientando que embora compreenda que os bailouts dão maior margem de manobra política e social aos governos, eles têm também o efeito provavelmente inevitável de adiar reformas por as tornar menos urgentes e permitirem a sustentação da despesa pública a níveis mais elevados do que seria desejável. A esse respeito, a situação da Grécia é um excelente exemplo.

A minha solução preferida seriam cortes radicais de impostos acompanhados de cortes a sério na despesa pública, um caminho que nem Portugal nem a Grécia seguiram. O actual Governo português aposta tudo no cumprimento do memorando e no regresso aos mercados internacionais de crédito. Desejo-lhe, para bem do país, sorte e faço votos de que o sector privado seja capaz de acomodar os esforços brutais que lhe estão a ser impostos para manter o Estado mas temo que, caso não seja rapidamente invertida a crescente asfixia fiscal e tomadas medidas para a liberalização da economia e para a redução do peso do Estado, os resultados sejam francamente decepcionantes.

Parabéns F. A. Hayek

Hayek nasceu a 8 de Maio de 1899. Parabéns a um dos maiores Economistas de sempre.

Para o celebrar ficam alguns vídeos inspirados nele:

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O buraco que a “direita” cavou para si

Filed under: Economia,Política,Política Monetária,Portugal,União Europeia — Nuno Branco @ 14:37

Como alguns repararam nos últimos tempo o meu número de postas reduziu significativamente. Uma das principais razões que contribuiu para esse facto foi eu estar constantemente a repetir-me, achei que depois de tanto tempo a dizer a mesma coisa não haveria muito a ganhar com continuar a dizê-lo. Ora um dos temas recorrentes nos meus artigos de há 2 ou 3 anos atrás era precisamente a impossibilidade de países como Portugal ou Grécia (ou Espanha, ou Itália, ou …) pagarem as suas dívidas. Isto, para mim, não é um ponto de vista é um facto da vida inerente ao sistema monetário que impera pelo mundo inteiro. Como bem dizia Sócrates sobre este assunto (ironicamente, prontamente crucificado pela “direita” na  única vez em que falou verdade): as dívidas (soberanas) não se pagam, rolam-se.

(mais…)

Maio 7, 2012

Crescimento em França e estabilidade monetária na Grécia (3)

Em França, a “esperança tranquila” apela ao nacionalismo dos franceses. Na Grécia, e face a estes resultados, se calhar o caminho para salvar o sonho europeu começou mesmo hoje, só que é cada vez mais provável que o caminho para essa provável “salvação” tenha de passar pela saída da Grécia da zona euro.

Crescimento em França e estabilidade monetária na Grécia

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Política Monetária,União Europeia — André Azevedo Alves @ 00:00

O futuro é já amanhã: Boas notícias. Por João Miranda.

Em França ganhou o crescimento (começa logo amanhã). Na Grécia o Dracma está à beira da maioria absoluta.

Maio 5, 2012

O debate com Vítor Gaspar na Universidade Católica

O debate com o ministro Vítor Gaspar na Universidade Católica, organizado pelo Instituto de Estudos Políticos e pela Renascença, com moderação de Graça Franco e José Manuel Fernandes e no qual eu e o João Pereira Coutinho participamos como comentadores pode ser ouvido aqui.

Pela minha parte, dei o tempo por bem empregue e fiquei positivamente impressionado com Vítor Gaspar, ainda que mantenha as divergências em relação ao que me parecem ser os crescentes sinais de esgotamento do sector privado para suportar a carga fiscal e regulatória imposta, assim como no que diz respeito ao potencial de realização e sustentabilidade de reformas no sentido de uma maior auto-disciplina orçamental e abertura da economia à concorrência no contexto ideológico vigente em Portugal. Embora seja ainda relativamente cedo para ter posições definitivas a esse respeito, mantenho também o maior cepticismo relativamente à execução orçamental em curso, ainda que compreendendo que a posição pública do Ministro das Finanças dificilmente poderia ser diferente da que foi.

Pela positiva, saliento a resposta de sólida oposição a quaisquer tentações proteccionistas dada por Vítor Gaspar, assim como a sua postura anti-inflacionista, ainda que numa perspectiva neoclássica.

Em relação à política monetária, temo no entanto que Vítor Gaspar tenha uma posição demasiado optimista relativamente à capacidade do BCE para não ser (ainda mais) instrumentalizado ao serviço da despesa pública, colocando em causa a estabilidade monetária.

Globalmente, acho que foi um debate interessante e com saldo final positivo.

Presidente Vaclav Klaus: O que fazer à Europa?

Filed under: Política,Política Fiscal,Política Monetária,União Europeia — Filipe Faria @ 00:14

Ontem tive o privilégio de assistir à conferência do Presidente Vaclav Klaus organizada pelo Grupo Bruges, assim como de o conhecer pessoalmente. Sem dúvida, é um dos últimos políticos com personalidade em grande destaque na Europa. Tal como ele disse no seu discurso, todas estas recomendações anti-federalistas são urgentes para o continente europeu, e, com um sorriso provocador nos lábios, sugeriu que exactamente o mesmo também se aplica aos Estados Unidos.

“Let me suggest the main components of such a change. First, we must get rid of the unproductive and paternalistic social market economy. Second, we should accept that economic adjustment processes take time and that impatient politicians and governments usually make things worse. Third, we should start making comprehensive reductions of government expenditures and forget flirting with solutions based on tax increases.

We should also stop the constantly expanding green legislation. The Greens must be prevented from taking over much of our economy under the banner of such flawed ideas as the global warming doctrine. And we should get rid of the centralisation, harmonisation and standardisation of the European continent and start decentralising, deregulating and desubsidising our society and economy. It should be made possible for countries that are the victims of the European Monetary Union to leave it and return to their own monetary arrangements. And we should forget such plans as a European fiscal union, not to mention anti-democratic ambitions to politically unify Europe. We should return to democracy, which can exist only at the level of nation-states, not at the level of the whole continent.” Vaclav Klaus (03/05/2012)

Maio 3, 2012

A melhor receita para Estados “alcoólicos”?

Filed under: Economia,Política Monetária,Sondagens — BZ @ 12:46

Frente a Frente no Massa Monetária: O BCE deve ser credor de último recurso dos Estados?

NÃO: Adolfo Mesquita Nunes (“A ressaca não passa se continuarmos a beber”)

SIM: João Galamba (“O financiamento monetário dos Estados é uma necessidade sistémica”)

 

Votação no lado direito da página!

Maio 1, 2012

Filosofia Liberal – O Liberalismo definido

Para quem não sabe o bê-a-bá do Liberalismo:

Versões:
Philosophy of Freedom: Flash (PTESFREN), SiteDownload & Youtube (PTESFREN)
Podem ver este e diversos outros recursos interessantes na minha página de links.

Paul vs Paul

Admito que preferia ver o Krugman enfrentar o Peter Schiff, mas de qualquer maneira o Ron Paul desmascara bem as posições de um senhor que está para o Nobel da Economia como Kissinger e o seu homólogo vietnamita estiveram para o Nobel da Paz.

 

 

Abril 21, 2012

A via argentina para o descalabro

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Política Monetária — André Azevedo Alves @ 11:20

As asneiras que ainda não fizemos. Por João Miranda.

Os contratos das PPP e das enegias renováveis são asneiras que já fizemos. Mas há ainda asneiras que não fizemos e podemos evitar. São as asneiras argentinas, para as quais a tentação é grande:

1. default da dívida externa
2. proteccionismo
3. corralito
4. desvalorização da moeda e destruição da poupança
5. nacionalização dos fundos de pensões
6. impostos especiais sobre empresas exportadoras
7. consumo das reservas do banco central
8. nacionalização de empresas detidas por estrangeiros
9. agravar de conflito territorial com outro país

Abril 19, 2012

Ron Paul na lista dos 100 Mais Influentes da Time

Filed under: Eleições EUA 2012,Internacional,Política,Política Fiscal,Política Monetária — Ricardo Campelo de Magalhães @ 11:33
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E com um bom texto a condizer:

Why does Congressman Ron Paul draw such large and enthusiastic audiences even though he has no chance of winning the Republican nomination? Because people like a politician without marbles in his mouth.

Paul does not censor himself. He comes across as sincere, earnest and independent of his party’s fat cats. In the debates, only he called out the American Empire’s meddling in the business of countless nations around the world. He assails the Pentagon’s bloated budgets and has worked with liberal Democrat Barney Frank to shrink the military-industrial complex. He wants to end our boomeranging wars.

Paul, 76, draws a distinction between libertarian conservatives and those corporatist conservatives entrenching a corporate state in which Big Business merges with Big Government. That’s why he is against bailouts. His defense of privacy and civil liberties and his opposition to the war on drugs endear him to people beyond his libertarian base. They even include some progressives who cannot abide his views against health, safety and economic regulations or his denunciation of the Federal Reserve’s fiat money and social-welfare programs like Medicare.

Abril 16, 2012

Bernanke afirma o Óbvio

Filed under: Economia,Internacional,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Política Monetária — Ricardo Campelo de Magalhães @ 10:37
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Bernanke Admits Borrowing and Spending Are Disastrous for Economy.

Sustained high rates of government borrowing would both drain funds away from private investment and increase our debt to foreigners, with adverse long-run effects on U.S. output, incomes, and standards of living. Moreover, diminishing investor confidence that deficits will be brought under control would ultimately lead to sharply rising interest rates on government debt and, potentially, to broader financial turmoil. In a vicious circle, high and rising interest rates would cause debt-service payments on the federal debt to grow even faster, resulting in further increases in the debt-to-GDP ratio and making fiscal adjustment all the more difficult.

Original: CNBC

Será que corremos o perigo de um dia o Presidente do Fed, em coerência, se demitir?

Abril 13, 2012

The Stateless Man

Dei em 21 de Março uma entrevista à Rádio Overseas Radio Network, e em particular ao Programa The Stateless Man do meu amigo Fergus Hodgson. Podem ver a lista e ouvir todos os arquivos, ou ir directamente ao ficheiro onde me podem ouvir neste MP3.

A ligação (por Skype) estava má e já reparei em pelo menos 2 palavras que desapareceram, mas creio que o essencial ficou dito.

Abril 5, 2012

Duck Tales – Inflation episode

Filed under: Economia,Política,Política Monetária,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

Duck Tales Inflation Lesson

Março 31, 2012

Justiça Inter-Geracional

A geração da minha avó (nascida a 1932) assistiu ao nascimento da Segurança Social e foi a 1ª a beneficiar da Segurança Social nos moldes de hoje (história). Quando ela se reformou, poucos pagavam, muitos recebiam, mas um valor tão baixo que na verdade o sistema era excedentário. Esta geração beneficiou de uma reforma imediatamente. Mesmo pessoas que nunca tinham contribuído começaram a receber de imediato para justificar politicamente o imposto. Esta geração beneficiou do sistema.

A geração da minha mãe (nascida a 1952) beneficiou fortemente da Segurança Social. Pagou uma Segurança Social baixa (a poucos) e recebe um valor muito superior (todos eles). Cálculos por cima baseados na Esperança Média de Vida e nos rendimentos conhecidos e esperados indicam que cada pessoa vai receber 2 a 3 vezes o que pagaram à Segurança Social. Esta geração beneficia fortemente do sistema.

A minha geração (nascida a 1980) paga uma Segurança Social elevada, a muitos, e vai receber um valor reduzido – muito mais reduzido do que a percentagem actualmente escrita na legislação, pois a necessidade vai forçar a novas alterações – pago por uma geração em regressão demográfica.

Resultado? Uma injustiça que já começou a fazer efeitos nas estatísticas, como pode ser visível no gráfico da direita e no artigo em que foi publicado. A “geração mais bem preparada de sempre” trabalha e recebe muito menos… para pagar os direitos da “geração dos direitos adquiridos”, que assim é também a “geração dourada“.
Ou seja, os nossos pais viveram melhor do que nós quando éramos pequenos e essa mesma “geração dourada” vivem agora melhor do que os pais deles viviam com a mesma idade. Deixando uma situação bem pior, sublinhe-se. E pior em 2 sentidos:
1. Pagamos elevadíssimos impostos para pagar direitos como nós não vamos ter
2. Como a cargar é muito elevada, muitos não são suficientemente produtivos para justificarem a sua contratação e ficam no Desemprego
3. Ficamos uma dívida colossal que passaremos a vida a pagar.
4. Devido aos pontos anteriores, não nos deixam neste momento gerar a geração que nos permitiria ter reforma.

Sim, porque o dinheiro que vocês pagam para a reforma não está lá e dependemos sempre da próxima geração. Se calhar é melhor exemplificar como funciona a Segurança Social.
Imaginem o seguinte exemplo:

Todos os meses, eu no dia 1 coloco numa caixa 200 Euros. Mas também todos os meses, no dia 24 eu retiro da caixa os 200 Euros e deixo uma folha na caixa a dizer “Devo a mim próprio 200 Euros”. Ao fim de 20 anos a fazer o mesmo, quanto dinheiro eu tenho guardado no fim?
Zero, claro. E é isso que está no “Fundo da Segurança Social”.
O “fundo” que lá está (uma fracção do devido aos que já contribuíram e têm expectativas de vir a receber reformas do sistema) no fundo contabiliza apenas o dinheiro que o Estado tirou de lá e gastou onde entendeu.

É a contabilidade “pública”, que diz que as transferências da Segurança Social para o Orçamento são contabilizadas, mas a dívida do Estado para com os investidores no PPR do Estado não entra para as contas (como acontece nos Fundos de Pensões empresariais). E que permitiu um desvio cada vez maior, que fez a 1ª geração beneficiar, a “dourada” beneficiar o máximo e explodir o sistema com cada vez mais direitos e à 3ª apanhar os cacos.

Ler mais em “Liberdade, Igualdade e Fraternidade“.

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Março 26, 2012

Inflação no Reino Unido

Filed under: Comentário,Economia,Internacional,Política,Política Monetária — André Azevedo Alves @ 21:36

Além das comparações da Helena Matos, este caso vem confirmar que os efeitos da inflação se fazem cada vez mais sentir no Reino Unido: 250.000 libras para jantar com David Cameron e George Osborne ?

Março 22, 2012

O caminho para a servidão por via do controlo estatal da moeda

Filed under: Economia,Justiça,Política,Política Fiscal,Política Monetária,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:58

O big brother rapace. Por José Meireles Graça.

Às tantas vieram os cartões de crédito e veio a pressão dos bancos para acabar com os pagamentos em dinheiro: era muito perigoso, era mais cómodo pagar por transferência, era necessário um pré-aviso, os trabalhadores já tinham, pela maior parte, conta bancária, não havia custos nem para a empresa nem para os trabalhadores…

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Gold backed money in Utah

Filed under: Economia,Internacional,Política,Política Monetária,Teoria — André Azevedo Alves @ 15:45

Sinais interessantes, vindos dos EUA: Utah Legalizes Gold, Silver Coins As Currency

Utah legislators want to see the dollar regain its former glory, back to the days when one could literally bank on it being “as good as gold.”

To make that point, they’ve turned it around, and made gold as good as cash. Utah became the first state in the country this month to legalize gold and silver coins as currency. The law also will exempt the sale of the coins from state capital gains taxes.

Craig Franco hopes to cash in on it with his Utah Gold and Silver Depository, and he thinks others will soon follow.

The idea is simple: Store your gold and silver coins in a vault, and Franco issues a debit-like card to make purchases backed by your holdings.

Março 20, 2012

Laundered Money

Artigo original (no site Mises.org, por Joseph Salerno)

Under cover of its multiplicity of fabricated wars on drugs, terror, tax evasion, and organized crime, the US government has long been waging a hidden war on cash. One symptom of the war is that the largest denomination of US currency is the $100 note, whose ever-eroding purchasing power is far below the purchasing power of the €500 note. US currency used to be issued in denominations running up to $10,000 (including also $500; $1,000; $5,000 notes). There was even a $100,000 note issued for transactions among Federal Reserve banks. The United States stopped printing large denomination notes in 1945 and officially discontinued their issuance in 1969, when the Fed began removing them from circulation. Since then the largest currency note available to the general public has a face value of $100. But since 1969, the inflationary monetary policy of the Fed has caused the US dollar to depreciate by over 80 percent, so that a $100 note in 2010 possessed a purchasing power of only $16.83 in 1969 dollars. That is less purchasing power than a $20 bill in 1969!

Despite this enormous depreciation, the Federal Reserve has steadfastly refused to issue notes of larger denomination. This has made large cash transactions extremely inconvenient and has forced the American public to make much greater use than is optimal of electronic-payment methods. Of course, this is precisely the intent of the US government. The purpose of its ongoing breach of long-established laws regarding financial privacy is to make it easier to monitor the economic affairs and abrogate the financial privacy of its citizens, ostensibly to secure their safety from Colombian drug lords, Al Qaeda operatives, and tax cheats and other nefarious white-collar criminals.

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Março 14, 2012

A falência do Reino Unido e o caminho para a desvalorização contínua da libra

Reino Unido prepara emissão de obrigações a 100 anos

O cliente-alvo das “obrigações Osborne” seriam os fundos de pensões, mas o jornal cita fontes do sector, advertindo para o fraco apetite que estes títulos se arriscam a gerar devido às baixas taxas de retorno oferecidas. “Seria óptimo para o Governo e contribuintes britânicos, mas não acredito que queiramos ficar presos por tanto tempo a ‘yields’ tão baixas, e que estão artificialmente baixas por causa do ‘quantitative easing’ do Banco de Inglaterra”.

Falência encapotada. Por LR.

Um rácio de dívida pública a 150% e um défice orçamental de quase 12% do PIB, indicia que as próximas 2 gerações já estão hipotecadas. Pretende-se agora abranger também os bisnetos…

O estado não é pessoa de bem. Habituem-se.

Filed under: Política,Política Fiscal,Política Monetária,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 07:33

Tem razão o João Miranda quando afirma que o Estado português assumiu um compromisso com a EDP em relação a rendas futuras, sem as quais os investimentos em energias intermitentes não teria sido realizados. Tem também razão ao afirmar que esse compromisso foi incentivado por uma certa elite que agora se queixa dos pagamentos resultantes.

Mas não foi esse o único compromisso assumido pelo estado português nos últimos anos. O estado português também assumiu um compromisso com o Zé.  Há 10 anos atrás o Zé tinha um bom salário enquanto canalizador por conta própria, quando lhe surgiu uma oportunidade de emprego na função pública. Ganharia menos e o emprego seria mais longe da sua residência, mas, como toda a gente assumia na altura, um emprego na função pública garante um salário certo com aumentos acima da inflação, e a distância não era um problema porque a auto-estrada era sem custos para o utilizador. Dez anos depois, o Zé já não se lembra do que é ser canalizador, mas os pressupostos que assumiu quando mudou para a função pública alteraram-se. O seu salário caiu em termos nominais o ano passado, depois de já ter caído em termos reais no ano anterior. Para além disso, passou a pagar portagens. Os pressupostos alteraram-se, o compromisso implícito do estado para com os seus trabalhadores não foi cumprido. E isto é injusto para o Zé, embora no longo prazo seja positivo para a economia portuguesa que pessoas como o Zé, sabendo os efectivos riscos de trabalhar para o Estado, optem por empregos no privado.

O Estado está falido, e, como qualquer entidade que está falida, terá que falhar nos compromissos que assumiu antes de entrar nessa situação. Seja com o Zé ou com a EDP. Esta situação não é necessariamente negativa no longo prazo e até pode facilitar a diminuição do peso do estado na economia. O motivo pelo qual até agora tantos recursos privados foram absorvidos pelo estado é a existência desse pressuposto de que o estado cumpre sempre os seus compromissos. Esta crise ensinou-nos que não é assim. No futuro, pessoas que tenham de optar entre empregos no privado e no público, não irão mais assumir que o seu salário no público é certo, o que ajudará a iniciativa privada a atrair mais quadros. A quebra de compromissos nas parcerias público-privadas terá o mesmo efeito: o de desviar recursos futuros do público para o privado.

Quando o próximo governo socialista resolver construir a quarta auto-estrada paralela ligando o Porto ao sul ou investir fortemente na energia das algas, pode ser que não encontre parceiros privados dispostos a correr o risco de o financiar. Ganharemos todos com isso.

Março 13, 2012

Nassim Taleb

Nassim Taleb (Wiki ENWiki PT) é um Professor em Ciências da Incerteza (um dos meus tópicos preferidos) na Universidade de Massachusetts e, tal como eu, um ex-trader.
Libanês Cristão Ortodoxo, vive há muito nos EUA onde conhece os mercados financeiros como poucos.
É autor dos Livros Cisne Negro (Wiki PT) (Wiki EN) e Iludido pelo Acaso (Wiki EN) (livros técnicos) (Site)
Para quem gostar de teoria, aconselho ler a “Distribuição de Taleb” (Wiki EN).

Recentemente falou à CNBC sobre política e as opções de políticas fiscal e monetária possíveis.
Eu já o conhecia e tenho os 2 livros dele e esta entrevista fez-me revisitar os seus vídeos.
Não é perfeito nas políticas a fazer (IMHO), mas percebe a questão do Risco como ninguém!

Sobre Ron Paul, acha que tem a posição certa sobre DéficesReserva FederalMilitarismoEspírito Empreendedor. Aqui fica o vídeo:

Deixo-vos com uma descrição do momento actual:

“Globalization creates interlocking fragility, while reducing volatility and giving the appearance of stability. In other words it creates devastating Black Swans. We have never lived before under the threat of a global collapse. Financial Institutions have been merging into a smaller number of very large banks. Almost all banks are interrelated. So the financial ecology is swelling into gigantic, incestuous, bureaucratic banks – when one fails, they all fall. The increased concentration among banks seems to have the effect of making financial crisis less likely, but when they happen they are more global in scale and hit us very hard. We have moved from a diversified ecology of small banks, with varied lending policies, to a more homogeneous framework of firms that all resemble one another. True, we now have fewer failures, but when they occur ….I shiver at the thought.”

“The government-sponsored institution Fannie Mae, when I look at its risks, seems to be sitting on a barrel of dynamite, vulnerable to the slightest hiccup. But not to worry: their large staff of scientists deem these events “unlikely”.”

- Nassim Taleb, Black Swan (2006)

Vídeos: Nassim apoia Ron PaulNassim sobre a RegulaçãoBen Bernanke endorsa (ao dizer que não o lê)Nassim fala ao Congresso (2ª parte), com Roubini na CNBCsobre Incerteza e as suas consequências na Dívidasobre Bernanke.

Artigos: sobre Ben, Tim & Nobelsobre Soros e Buffetsobre Ron Paul.

Mário Soares e o Humor Negro

Mário Soares escreveu para o DN de hoje uma crónica humorística no estilo mas negra na temática.

Por pura diversão, vou fazer alguns comentários.

1 A ideologia neoliberal desenvolvida pelos Estados Unidos, após o colapso do comunismo,

Na verdade, se se refere a Hayek, o seu desenvolvimento foi anterior. Sei que para alguém da idade dele pode parecer tudo o mesmo, mas…

no final do século passado, teve o seu momento de glória – na América e depois na União Europeia -,

Thatcher e Reagan já sairam do poder há uns anitos. Desde aí o peso do Estado na Economia aumentou imenso, e não o contrário.

mas parece estar a esgotar-se.

Como aliás prova a ascensão recente do Tea Party nos EUA.

(mais…)

Março 4, 2012

O Petróleo sobe, ou as Moedas caem?!?

Talvez sejam o Euro e o Dólar a cairem, já pensaram nisso?

Alguém na Forbes finalmente reparou nos dados e coloca esta hipótese.

Março 1, 2012

Ron Paul vs. Bernanke

Filed under: Economia,Internacional,Política,Política Monetária,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 00:51

Ron Paul vs. Bernanke at Financial Services Hearing – February 29, 2012

Fevereiro 28, 2012

Dívida Externa de Portugal

Dados Oficiais do Banco de Portugal.
Basta escreverem no Google “external debt banco Portugal” (sem aspas), e é o 1º resultado.

Respostas a Perguntas mais Frequentes:

1) Nos 2 últimos trimestres de 2011 os valores da Dívida Externa e da sua sub-componente Estatal desceram! Faz sentido?
Rª: Antes demais, convém recordar que muitas emissões de dívida noticiadas são emissões para pagar dívida a vencer dias depois, pelo que isso não é de modo nenhum indicador que a dívida esteja a aumentar (podem ver as emissões no site do IGCP). Seja como for, estas estatísticas são dificílimas de avaliar, como indiciado pelo facto de mesmo nos picos do Socratismo por vezes a dívida descia. Depende muito da variação de contas correntes, pagamento (ou adiamento) de contratos, trimestres em que o valor a pagar efectivamente é baixo e muitos factores impossíveis de controlar ao tentar fazer uma estatística “isenta” sobre o “consumo de liquidez”. E claro, a Contabilidade é uma forma de Arte =)

2) A descida não está relacionada com a desvalorização dos títulos da dívida pública?
Rª: Eu próprio já tive essa dúvida, mas aparentemente não: esta estatística assume o cenário de que a dívida é para pagar na sua totalidade e portanto é aqui colocada a valor nominal.
Acho que a “arte” ainda não chegou a esse ponto…

3) E as emissões de dívida estatal internas?
Rª: O crédito externo é escasso não só para o Estado como também para a banca. Afinal, era aquele que supostamente garantia esta última.
Combinando este factor com as baixas disponibilidades das famílias e empresas, há assim poucas condições para o Estado se financiar internamente. Assim, não me parece que o que se esteja a passar aqui seja passagem da dívida estatal de externa para interna, até porque o crédito interno também tem estado a contrair.

Referências Adicionais (Inglês): Dados do Banco de PortugalReservas Portuguesas no Banco de PortugalDados do Banco Mundial“Doing Business” do Banco MundialPortugal no FMIPortugal na OCDE.

Referências Adicionais (Português): Censos 2011 (provisórios) no INEDados do INE.

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