O Insurgente

Fevereiro 25, 2012

A correcção do défice externo português: um tema tabu na comunicação social portuguesa

Filed under: Comentário,Economia,Media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:58

Uma análise muito pertinente ainda que porventura demasiado optimista, já que em termos de carga fiscal e despesa pública a evolução etm sido bem menos positiva e que no diz respeito à remoção de bloqueios ao crescimento há ainda muito que urge fazer: Revolução na economia confirma-se…mas é quase TABU… Por Tavares Moreira.

1.Em 28 de Janeiro último editei o Post “Revolução na economia: balança de BENS e de SERVIÇOS a caminho do equilíbrio? “, no qual mencionei – com base em dados estatísticos da Balança de Pagamentos com o exterior até Novembro/2011 e em previsões do BdeP divulgadas no Boletim Económico de Inverno – a possibilidade de estarmos a assistir a uma mudança radical no comportamento da economia portuguesa, corrigindo desequilíbrios acumulados ao longo dos últimos 15 anos.

(mais…)

A estocada final a Keynes

Filed under: Economia,Livros,Política,Política Fiscal,Política Monetária,Teoria — André Azevedo Alves @ 09:30

La estocada final a Keynes. Por Ángel Martín Oro.

Fevereiro 22, 2012

Mais um passo na direcção da ditadura fiscal (2)

Filed under: Justiça,Política Fiscal,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 17:17

Fui informado que a injustificável ministra Paula Teixeira da Cruz conseguiu levar adiante a sua missão justiceira e que a maioria PSD/CDS chegou a acordo para aprovar a invenção de um novo crime de enriquecimento ilícito. Parece que apenas o PS se opôs a esta subversão do estado de direito; e vejo que o ex-ministro Pedro Silva Pereira, lembrança simbólica da era Sócrates, tal a semelhança física e de estilo oratório com o ex-líder de má memória, foi capaz de escrever sobre o assunto com a lucidez que faltou à grande maioria dos apoiantes deste governo, que fecham os olhos a esta monumental perversão. Confortavelmente iludidos atrás da cortina do «quem não deve não teme», continuam na sua passividade a assistir ao lento – mas imparável – caminho na direcção de uma tirania gentil, que a todos oprime sem que a ilusão de que são livres seja quebrada. No fundo, como diria Tocqueville, na direcção de uma nação reduzida a um rebanho de animais tímidos e trabalhadores, dos quais o governo é um pastor.

Leitura complementar: Mais um passo na direcção da ditadura fiscal.

Fevereiro 21, 2012

Parlamento ensina a arte de Enganar Controles de Custos

Parlamento rejeita beber água da torneira porque sai 30 vezes mais cara.

Como se consegue isto?

 Num documento enviado aos deputados, o Conselho de Administração do Parlamento sustenta que a água engarrafada servida nas reuniões da comissão custa 259,20 euros por mês. Para a água da torneira, o valor a que se chegou foi muito maior. O cálculo incluiu os custos de pessoal “para o enchimento, limpeza, colocação e arrumo dos vasilhames” e chegou à cifra de 2730 euros – cerca de dez vezes o valor para a água mineral. O Conselho de Administração também considerou o custo dos jarros em si, avaliados em 4680 euros – o equivalente a 18 meses de água mineral.

Ou seja: basta na água engarrafada não considerar custo nenhum a não ser a garrafa e na água da torneira considerar os custos com o pessoal (10x o preço das garafinhas) e dos jarros em si (18x o custo das garrafinhas, TODOS OS MESES).

Face a isto:

“Face aos encargos evidenciados, o Conselho de Administração pronunciou-se favoravelmente à utilização de água engarrafada, considerando que o respectivo uso, enquanto recurso geológico nacional distribuído por empresas portuguesas, assegura as melhores condições aos utilizadores internos e aos convidados da Assembleia da República, a um custo sem significado financeiro”, conclui o documento.

Os Senhores Deputados da Comissão de Ambiente elevam a arte de forjar Controles de Custos a uma Arte!

Pormenor de classe: Nunca garrafas médias ou grandes, mas sempre das pequeninas. Sempre em duplicado. Assim se poupa dinheiro em São Bento.

Fevereiro 20, 2012

Keynesian arguments: from naivety to sophistry

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Política Monetária,Teoria — André Azevedo Alves @ 23:59

Sobre alguns dos principais argumentos keynesianos que têm estado na ordem do dia: From naivety to sophistry – Keynesian arguments on both sides of the Atlantic. Por Philip Booth.

Auditando a auditoria

Filed under: Diversos,Política,Política Fiscal,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 05:28

Passei por estes dias pelo site da Auditoria Cidadã à Dívida Pública. Os organizadores andaram, e ainda andam, a recolher dinheiro para realizar uma auditoria às origens da dívida. Em Dezembro passado, alguns dos autores apresentaram finalmente o resultado do seu trabalho: uma auditoria às PPP e outra aos “transportes públicos”.

Vão ver, vale a pena. Fica-se sem saber se os documentos são realmente os resultados de uma auditoria séria e independente ou o trabalho final de um curso das Novas Oportunidades. Diz que alguns dos autores são professores universitários.

Fevereiro 17, 2012

Sobre as Causas de Portugal ter pedido o Resgate Europeu

Discussão gravíssima com Soares levou Sócrates a pedir ajuda externa, diz Soares no Público.
Obrigado Soares!

Afinal, não há evidência estatística suficiente para se poder relacionar esse pedido e a gestão ruinosa dos dinheiros públicos dos 6 anos anteriores!

Faz-me lembrar uma piada sobre a Falácia “Post Hoc, Propter Hoc (“Depois disto, portanto por causa disto”):

Um cavaleiro judeu mais velho casa-se com uma moça e os dois estão muito apaixonados. Porém, por mais que se esforce sexualmente, a mulher nunca atinge o clímax. Como a esposa judia tem direito ao prazer, eles decidem falar com o rabino. O rabino ouve a história, alisa a barba, e faz a seguinte sugestão:
- Contratem um rapaz forte e sadio. Enquanto vocês estiverem a fazer amor, mandem o rapaz abanar uma toalha em cima de vocês dois. Isso vai ajudar a sua mulher a ter fantasias e a fazê-la provocar um orgasmo.
Eles voltam para casa e seguem o conselho do Rabino: contratam um lindo rapaz e ele fica sacudindo uma toalha em cima deles enquanto fazem amor. Não dá certo e ela continua insatisfeita. Perplexos, voltam ao Rabino:
- Tudo bem – diz o rabino ao marido – vamos tentar ao contrário: o rapaz faz amor com a sua mulher e você fica abanando a toalha em cima deles.
Mais uma vez, eles seguem o conselho do Rabino: o rapaz vai para a cama com a esposa e o marido abana a toalha. O rapaz logo se põe a trabalhar com grande entusiasmo e a esposa em pouco tempo tem um enorme, trepidante e ruidoso orgasmo. O marido sorri, olha para o rapaz, e diz triunfante:
- Idiota. É assim que se sacode uma toalha!

Procurar as verdadeiras causas do pedido de ajuda é como procurar o relógio na história seguinte…

Um homem está à procura de algo debaixo de um candeeiro. Passa um amigo e pergunta:
- O que é que estás à procura?
- Do meu relógio?
- E perdeste-o aqui, debaixo deste candeeiro?
- Não, perdi-o no fundo da rua. Mas aqui a luz é mais forte e portanto é mais fácil procurar.

… em que o relógio é o pedido e o candeeiro é tudo o relacionado com o Soares: é certo que vem tudo na Comunicação Social e portanto a luz é boa… mas não foi aqui a fonte do problema. Gotcha?

Referências: Piadas Filosóficas – Correntes, Piadas Filosóficas – Leis, Paradoxos e Falácias.

Fevereiro 11, 2012

Krugman Vs The World

Um artigo da Business Week sobre o “insult comic” Paul Krugman.

Hipocrisia Repulsiva de Obama

Repulsive progressive hypocrisy.

Excerto do último parágrafo:

I’ve often made the case that one of the most consequential aspects of the Obama legacy is that he has transformed what was once known as “right-wing shredding of the Constitution” into bipartisan consensus, and this is exactly what I mean. When one of the two major parties supports a certain policy and the other party pretends to oppose it — as happened with these radical War on Terror policies during the Bush years — then public opinion is divisive on the question, sharply split. But once the policy becomes the hallmark of both political parties, then public opinion becomes robust in support of it. That’s because people assume that if both political parties support a certain policy that it must be wise, and because policies that enjoy the status of bipartisan consensus are removed from the realm of mainstream challenge. That’s what Barack Obama has done to these Bush/Cheney policies: he has, asJack Goldsmith predicted he would back in 2009, shielded and entrenched them as standard U.S. policy for at least a generation, and (by leading his supporters to embrace these policies as their own) has done so with far more success than any GOP President ever could have dreamed of achieving.

Eu nunca gostei do Bush II. Infelizmente, Obama é mais e mais Bush III.

Fevereiro 9, 2012

Uma bosta, eh o que eh

Filed under: Política Fiscal,Portugal — Helder Ferreira @ 23:14


Ha dois dias tive uma reunião que se não servisse de mais nada, servia para vos mostrar porque eh que isto a que chamam pais não permite futuro nenhum a ninguém e quem se for embora ja vai tarde..
Sendo certo que ha problemas na Justiça e noutras frentes, nada bate a burrocracia. Imaginem que têm uma empresa que vai acumulando stocks ao longo dos anos. Pode ser têxtil, farmacêutica ou metalomecânica ou outra merda qualquer. Somos obrigados a fazer contagem física do inventario pelo menos uma vez por ano (eventualmente quatro vezes) e declara-lo por referência. Mas ao mesmo tempo temos que relacionar essa referência com a factura do fornecimento. Por exemplo: recebemos a mesma referência em vários fornecimentos e em varias facturas. Recebemos, conferimos, armazenamos e despachamos. Ah medida que vamos recebendo, vamos juntando. Pois como havemos de relacionar a referência com a factura? Sei la se as 352 t-shirts, os 58.267 comprimidos genéricos ou os 23.324 parafusos que existem em stock são relativos a esta ou aquela factura? Não que tenha qualquer importância para o fisco, serve apenas para fazer com que toda e qualquer empresa cometa ilegalidades e possa, consequentemente, ser multada. Não serve para mais merda nenhuma.

Depois (porque isto eh so um exemplo) diz-se que somos pouco produtivos por culpa da gestão. Porque os trabalhadores portugueses no Luxemburgo ou na Alemanha são produtivos. Pois são. Todos os que se vão embora deste contexto merdoso a que chamam pais o são, sejam operarios, gestores, fieis de armazem, taxista ou engenheiros. Isto eh que não presta mesmo para nada, de todo.

Nota: estou sem alguns acentos no teclado

A economia privada dá o exemplo

Filed under: Double standards,Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:32

Bons exemplos. Por LR.

Em 2011, o défice da nossa Balança Comercial reduziu-se em 25%, qualquer coisa como 5 mil milhões (números disponíveis aqui). (…) Ou seja, tal como nas anteriores intervenções do FMI, os privados arregaçam as mangas e dão o seu melhor contributo para a correcção do défice externo. Se mantivermos o ritmo – o que será difícil – podemos chegar ao final deste ano com a Balança de Transacções Correntes equilibrada. Do outro desequilíbro estrutural, o défice público, não se vêem, para já, sinais de melhoria significativa que não passem por artifícios contabilísticos. Será pedir muito que reduzam o valor do défice em 25%? São “apenas” 4,2 mil milhões…

Fevereiro 7, 2012

Obamacare, a salvação da América pobre e desempregada?

Filed under: Economia,Eleições EUA 2012,Internacional,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Saúde — Ricardo Campelo de Magalhães @ 23:34
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Antes de mais, Quem não tinha seguro nos EUA antes de Obama criar o Obamacare?

Fonte da imagem. Sobre isto, gostaria apenas de fazer os seguintes comentários:

1º: Sem um sistema público (estatal, na verdade) ou um seguro de saúde, as pessoas não morriam na rua: eram levadas para o hospital, salvas, e depois faziam-se as contas.

2º Se tivesse seguro de saúde, este paga. Se não, paga a pessoa. Se esta não tivesse possibilidades, esta tem de contar com a sociedade, nomeadamente com doações, muito comuns antes do Estado tomar conta do sector da saúde e fazer de tudo para o monopolizar.

3º O sistema que existe nos EUA não é o que seria ditado por Liberais e certamente não é o exemplo de um bom sistema privado, dadas todas as intervenções a que é constantemente sujeito. O facto de as seguradoras terem aprendido a usar lobistas e a escrever a sua própria legislação é obviamente uma prática anti-liberal e anti-consumidores indefensável por qualquer pessoa que não os próprios (afinal, “a concorrência é a melhor forma para se organizar qualquer mercado, excepto o meu”).

4º Ninguém segura contra incêndio uma casa que está a arder. Pelo menos até o Obamacare estar em vigor, altura em que se vão segurar contra doenças pessoas doentes…

5º Mas o que eu acho mais curioso é mesmo o seguinte: O Obamacare não veio segurar os que poder-se-iam segurar mas não queriam (compensa pagar multas e só fazer um seguro quando se estiver doente). O Obamacare não veio segurar os jovens que se julgam super-heróis a quem nada ataca (mesmo motivo). O Obamacare não veio segurar os ilegais (afinal, ninguém sabe que eles não estão ali…). O Obamacare não veio segurar os miúdos que usam os seguros dos pais. O Obamacare não veio segurar os pobres que já eram elegíveis para os programas anteriores mas que por algum motivo não os usavam (necessidade de registo…). O Obamacare não veio ajudar muita gente…

6º O Obamacare veio ajudar burocratas (toda aquela papelada…), fiscais (há muita multa para passar), e médicos com mais vontade de preencher papelada do que de ver doentes. Afinal, “The bureaucracy is expanding to meet the needs of the expanding bureaucracy.

A perigosa tentação de seguir o modelo grego de “ajustamento”…

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 14:26

Temo que seja qualquer parte que implique cortar na despesa pública.

Fevereiro 3, 2012

Há quem resista no Parlamento à lei da Cópia Privada

Uma posição que merece ser destacada e elogiada: CDS-PP vai chumbar a revisão da lei da Cópia Privada

Michael Seufert, deputado à Assembleia da Republica pelo CDS-PP, avançou hoje ao SAPO Notícias que o partido que representa não vai apoiar o projeto de Lei da Cópia Privada, do Partido Socialista, em discussão na Assembleia da República, porque a compensação que introduz para os artistas “não é justa”.

PCP & os Lucros da Banca

Filed under: Cartoons,Economia,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Campelo de Magalhães @ 22:46
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O PCP sempre se indignou com os Lucros da Banca, e exigiu que várias taxas fossem colocadas para “restituir o dinheiro ao povo”, contrariando a “exploração”.

Imagino que agora que a Banca teve fortes prejuízos, o PCP se compadeça da Banca e a isente da “Taxa Sócrates”.

Isto, se o PCP for coerente e defender justiça “de dupla via”. Veremos…

(Isto não quer dizer que eu defenda apoio – ou qualquer outra interferência – estatal à Banca, sublinhe-se)

Fevereiro 1, 2012

Código Contributivo dos Trabalhadores Independentes: consequências previsíveis de um desastre anunciado (2)

Filed under: Economia,Justiça,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:59

Os Publicanos. Por José Meireles Graça.

O desprezo pelo contribuinte, a obsessão dos meios de comunicação social pela evasão fiscal, a ignorância em que vive a maior parte das pessoas da forma como funciona a máquina kafkiana, estúpida e predadora que é hoje a Administração Fiscal, a oposição política que se ocupa mais a defender modelos alternativos de sociedade do que a proteger os cidadãos dos abusos do Estado, são o caldo de cultura que faz com que estas coisas não sejam um escândalo.

Para quem ainda não o fez, recomendo a leitura do texto do leitor Ricardo Cerqueira: Código Contributivo dos Trabalhadores Independentes: consequências previsíveis de um desastre anunciado.

Código Contributivo dos Trabalhadores Independentes: consequências previsíveis de um desastre anunciado

Filed under: Economia,Justiça,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 09:30

Reproduzo de seguida um texto enviado pelo leitor Ricardo Cerqueira:

Caros Insurgentes

Sou um entusiástico seguidor do vosso Blogue que considero uma reserva de inteligência, pluralismo e bom-senso. Por isso, em desespero de causa, é natural que me tenha lembrado de vos contactar, para alertar sobre algo que muito me perturba e, por remoto milagre, poderá ser objecto de revisitação mediática.

Espero que não levem a mal esta minha ousadia.

Gostaria de referir algo que esteve em foco há algum tempo atrás, mas conseguiu desaparecer da agenda política e mediática. No entanto, sem pieguices, não é difícil imaginar que a sua aplicação, cheia de contrariedades e injustiças, vai levar à eliminação pura de toda uma classe de trabalhadores em Portugal. Refiro o novo Código Contributivo dos Trabalhadores Independentes e as consequências da sua entrada progressiva em vigor.

Tem sido um processo Kafkiano para quem está do lado dos “recibos verdes”. Uma concertação social onde os independentes foram “representados” por sindicatos que aparentemente pouco compreendiam e respeitavam o trabalho a recibos verdes, parecendo confundir todos com “falsos recibos verdes a integrar nas empresas” e um governo que estaria mais preocupado em resolver o financiamento das actuais reformas e RSI que em criar um documento justo e equilibrado que compreendesse as especificidades e dificuldades do trabalho independente… Todos, em conjunto, levaram à elaboração de um código que em termos práticos é um assassinato profissional e faz tábua rasa do anterior estatuto do Trabalhador Independente e de tudo o que é prática na União Europeia em relação ao “Travalleur Independant”, “Freieberufler”, “Trabajador Autonomo” ou “Self-employed”. (mais…)

Janeiro 30, 2012

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Economia,Insurgentes nos media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:33

O meu artigo para o jornal i deste sábado.

Caro senhor primeiro-ministro

É preciso reduzir depressa a despesa pública, para pôr fim à política de austeridade

Quando venceu as eleições, em Junho passado, as expectativas não eram muito altas, tão grandes eram os desafios. Independentemente disso, acreditei e votei em si. Depois de tanta mentira rebuscada, estava disposto a acreditar em alguém que não escondesse a verdade. E a verdade é dura, como o senhor primeiro-ministro já deve ter percebido. Não me arrependi. E é precisamente por não me ter arrependido que lhe dirijo esta crónica.

Quero recordar-lhe os perigos que corremos caso o seu governo falhe. O desastre que será não reduzirmos a despesa do Estado e regressarmos às políticas que nos trouxeram até aqui. As políticas que implicam cobrar impostos altos à população com vista a satisfazer os interesses privados de alguns. De poderosos com fácil acesso ao poder que nos querem convencer serem no nosso proveito os seus projectos privados. Passarem por público um interesse que mais não é que corporativo. Se estes são os riscos do seu falhanço, o que podemos conseguir com o seu sucesso?

Antes de mais nada, um país de cidadãos livres. Onde a liberdade não se reduza a votar, mas se estenda à vida do dia–a-dia. Livres de darem o destino que queiram ao dinheiro que ganham com o seu trabalho. De investir, poupar, gastar, comprar e vender, sem que isso implique um motivo para terceiros, através do poder estatal, se imiscuírem. Um Estado livre das chantagens corporativas. Um país livre do estrangulamento legal que essas chantagens implicam. Um Estado presente em nome de todos e não de alguns. Um país onde as pessoas percam o vício de esperar do Estado aquilo que apenas podem conseguir por elas próprias. Onde a educação seja um direito, mas acima de tudo um dever. Um dever que cada cidadão tem de seguir e assumir. Essa é a única forma de os jovens não serem encaminhados para cursos que tanto jeito dão aos que conseguiram a licença para os ministrar. Um país onde haja menos empresas públicas e menos empresas a viver com o beneplácito do Estado. Empresas que, desvirtuando as regras dos mercados, que são as do cidadão comum, impedem que os produtos se vendam a preços mais baixos e competitivos. Um país onde o sucesso já não seja conseguir um emprego para a vida, mas ter um trabalho que seja uma mais–valia para os outros. Precisamos que o Estado gaste menos e isso implica uma forte redução da sua actividade. Só isso permite que a despesa pública baixe para níveis que possibilitem descer os impostos. Porque apenas a redução dos impostos fará a economia voltar a crescer. Criarmos mais postos de trabalho. Vivermos melhor e não ter de haver tantos a ir embora.

Se não conseguir esta mudança, o senhor falhou. E o senhor não pode falhar, porque, se isso acontecer, a alternativa da oposição é mais despesa pública e mais impostos. Mais pobreza. Porque não pode falhar, o senhor não pode perder mais tempo. Tem de cortar seriamente na despesa do Estado. Tem de fechar departamentos, direcções-gerais e regionais, gabinetes, comissões de estudo e de análise. Tem de pôr um ponto final em muitas das funções do Estado. Vai ter de despedir funcionários públicos, porque em 2013 já não lhes poderá dizer que não paga os subsídios de férias e de Natal. Fazê-lo não seria justo para os muitos que trabalham no sector público e que são precisos. Vai ter de privatizar escolas, para que o Estado possa reabrir as que fechou no Interior. São medidas duras e o senhor terá de ser duro. Não vai ser fácil, mas ninguém lhe pediu que fosse primeiro-ministro. Foi o senhor que quis este trabalho. É o senhor que terá de o levar a cabo. Vai ter de tomar estas medidas, pois, caso contrário, os sacrifícios que os portugueses estão a fazer serão inúteis. Uma mera perda de tempo. E, senhor primeiro-ministro, nós estamos fartos de perder o tempo das nossas vidas à volta desta história da dívida pública.

Janeiro 29, 2012

Lixo tóxico

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 23:40

Sarkozy anuncia “taxa Robin Hood” e levanta o véu sobre recandidatura

Este anúncio foi feito durante uma entrevista transmitida em nove televisões francesas. Sarkzoy diz esperar “criar um choque” com esta taxa Robin Hood, que leve a que a medida seja seguida por outros países – apesar de, por agora, ter uma forte oposição no seio da União Europeia.

(…)

“Sou Presidente do quinto país mais importante do mundo”, justificou-se, para dizer que não pode ser Presidente e candidato – pelo menos durante muito tempo.

Janeiro 27, 2012

Novos preços dos transportes em Lisboa e no Porto

Filed under: Economia,Energia,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:31

Em termos da sustentabilidade económica, de pouco ou nada adiantarão os aumentos se não se avançar rapidamente para a privatização e real abertura à concorrência do sector dos transportes: O que muda no preço dos transportes

Os aumentos foram publicados nesta sexta-feira em Diário da República. A partir de quarta-feira, 1 de Fevereiro, o transporte público encarece em média 5% nos passes e bilhetes. Nos privados o aumento ronda os 4%. Mas há outras alterações. Confira as principais mudanças nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto

Bailout à Madeira em troca do fim da autonomia

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:28

Mais 1500 milhões de euros para pagar em 19 anos, em troca (?) da anulação da autonomia da Madeira e de mais algumas medidas simbólicas.

Em suma, uma “solução” nacional em linha com as práticas da União Europeia. Não augura nada de bom.

Janeiro 26, 2012

Lista de apoiantes do PL118

Filed under: Cultura,Economia,Justiça,Media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:21

Lista de apoiantes da nova lei da Cópia Privada (Projecto de Lei 118): (mais…)

Janeiro 25, 2012

#PL118 em três actos

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 14:53

Em São Bento

A deputada do PS Gabriela Canavilhas depois de ter passado anos no governo como Ministra da Cultura decidiu ao chegar à oposição propôr um aumento de impostos para suportar os autores filiados na SPA. A desculpa utilizada foi uma actualização da lei da cópia privada. Essa lei foi lançada nos anos 80 e tinha como objectivo taxar a compra de cassetes virgens utilizadas para fazer best offs do Dino Meira e Marco Paulo. A ideia genial é pegar nessa taxa sobre as cassetes, que apenas eram utilizadas para fazer cópias de músicas, e expandi-la todos dispositivos de dados, que podem ser utilizados para múltiplas outras finalidades que não cópia de conteúdos de autor.

No mundo real

Os especialistas do sector prevêm que a manipulação de dados em grande escala será uma das indústrias em crescimento e uma das alavancas de aumento de produtividade para a economia em geral. Os sectores mais beneficiados pelos aumentos de produtividade serão a saúde, as telecomunicações e o retalho. Por outro lado, o aparecimento e a massificação de redes de internet de alta velocidade a crescente necessidade de mobilidade farão com que no curto prazo grande parte do armazenamento de dados residencial (principalmente música, vídeos, etc) passe a ser feito online (nas diversas nuvens que se vão criando). Ou seja, mais dois ou três anos e a lei estará novamente desactualizada.

Futuro próximo

Daqui a quatro ou cinco anos estaremos a discutir uma actualização da lei da cópia privada que contemple uma taxa sobre a utilização da internet. Mas antes disso já os datacenters necessários para suportar as nuvens e a manipulação de dados em massa irão estarão colocados em países onde a capacidade de armazenamento não seja taxada. E com esses datacenters, todos os empregos e a riqueza produzida. Ao lado da notícia sobre a nova alteração da lei, o Google ads colocará um anúncios de emprego para portugueses interessados em trabalhar num datacenter na Irlanda.

 

Quando acaba a mama?

Filed under: Economia,Política Fiscal,Portugal — BZ @ 12:11

Ricardo Arroja, no Diário Económico:

Em Portugal, a despesa pública representa oitenta mil milhões de euros, ou seja, 47% do PIB, em média cerca de oito mil euros a cada português.

Daqueles oitenta mil milhões de despesa, quase metade é originada nos chamados Serviços e Fundos Autónomos. (…) Note-se que, aqui, não me refiro aos gastos do Governo nem dos seus ministérios; refiro-me “apenas” aos institutos, às agências, às comissões, às entidades, às direcções, aos centros, às fundações, às administrações, aos serviços e fundos autónomos que, com estas ou outras designações, fazem parte do chamado Serviço Público.

Imaginem agora como estaria a economia portuguesa se, este ano, não confiscassem a cada português, em média, 4 mil euros… 16 mil euros para um casal com dois filhos!

Janeiro 24, 2012

O que vai acontecer quando acabar o euro

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Política Monetária,Teoria,União Europeia — André Azevedo Alves @ 00:46

Um eventual desmentelamento do euro vai ser mais problemático do que muita gente – mesmo que bem intencionada – pensa: Euro break-up – not so simple. Por Philip Booth.

The euro was deliberately designed so that break-up was next-to-impossible. The politicians wanted this so that the relentless march to ever-closer union would continue at speed. The economists wanted it to maximise credibility and therefore reduce borrowing costs.

To break up the euro requires a change to the treaties. This will require a constitutional process. Even if this is not a long process, it will be sufficiently open to prevent the element of surprise that is necessary when breaking up a monetary union. To by-pass the constitutional process may create huge legal uncertainty.

(mais…)

Janeiro 20, 2012

Socráticos atacam de novo

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 12:46

Neste envio para o tribunal constitucional do OE 2012 por uma associação nada fortuita de deputados do BE com os socráticos indefectíveis do PS, há duas questões que me parecem muito graves. A primeira é simples e evidente: a pandilha socrática do PS continua na sua senda para destruir o que consegue do país.

A segunda é de outra natureza e prende-se com a absoluta incapacidade de aqueles, ou alguns daqueles, deputados desempenharem o cargo que ocupam. Tenho lido e ouvido António Barreto afirmar que os socialistas, apesar de não o reconhecerem publicamente, em surdina sabem o que fizeram ao país. Ora eu desconfio, e lendo por exemplo esta entrevista a Isabel Moreira - do grupo referido no parágrafo acima – fico com a certeza que este espírito crítico e esta clarividência (mesmo se baixinho) referida por Barreto é inexistente. Vejamos: além da admiração desmedida por Sócrates, a senhora considera que este ‘herdou um défice descomunal de uma direita que o criou sem crise internacional’ e que Sócrates  ’Em dois anos reduziu esse défice para valores à volta de 3 por cento’.

E aqui é necessário pararmos e, antes de levantarmos as mãos à cabeça com tanta incredulidade, dar umas lições a Isabel Moreira, que demonstra uma abissal ignorância sobre orçamentos anteriores e défices que a tornam incapaz de participar em qualquer votação sobre contas públicas. É que o ‘défice descomunal’ que Sócrates herdou foi, como todos sabem, uma construção teórica de Constâncio para dar legitimidade às políticas despesistas mascaradas de ajustamento orçamental do governo Sócrates. Esse défice descomunal que refere Moreira não existiu.

E mais, e isto é algo que temos de repetir até à exaustão para desmistificar as ideias falsas que são transmitidas, ou por ignorância ou com má intenção, sobre os méritos orçamentais de Sócrates. Sócrates não reduziu défices coisa nenhuma: Sócrates extorquiu dinheiro aos portugueses em quantidades crescentes que lhe permitiram aumentar a despesa pública em termos absolutos todos os anos mesmo depois de descontada a inflação. Em suma: os contribuintes reduziram o défice; José Sócrates foi um perdulário irresponsável que gastou até o que os contribuintes não tinham.

E a quem não percebe estas realidades não se deve dizer que não deve enviar o OE para o tribunal constitucional, deve-se aconselhar a faltar em todas as votações referentes ao orçamento, uma vez que manifestamente não entende aquilo que estão a votar. Ou, melhor ainda e dada a importância dos dinheiros públicos em qualquer legislação, a renunciar ao cargo.

Janeiro 18, 2012

Socialismo: I´ve got you under my skin

Filed under: Cultura,Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 12:41

Nesta lei anti-pirataria, o que me impressiona é como todos os partidos presentes na AR de imediato aderem a uma qualquer proposta alucinada, de proveniência que deveria merecer todas as cautelas (a ex-ministra Gabriela Canavilhas), desde que essa proposta vise extorquir dinheiro – como bem lhe chama o Nuno Gouveia - aos consumidores para o transferir para essa categoria etérea que são os artistas que, como toda a gente refinada sabe, têm direito a serem sustentados pelos outros, incluindo os outros que não suportam as suas produções artísticas (lembram-se das casas com renda de saldos da Câmara Municipal de Lisboa?). Como é possível que haja adesão imediata a uma proposta absurda como esta?

E ainda me impressiono com mais: todos os grupos parlamentares – compostos por esses seres impolutos e altruístas e inteiramente devotados ao bem-comum, por oposição aos mortais menores que apenas tratam das suas ‘vidinhas’ (recordemos as intoleráveis palavras de Assunção Esteves) - não se coíbem de tratar todos os portugueses como potenciais delinquentes, ao assumir que quem vai comprar um meio de guardar informação o vai usar para copiar ficheiros que deveriam pagar direitos de autor. Não haverá nenhuma protecção constitucional contra isto?

Bem, tomemos o sucedido como um devaneio juvenil e esperemos que a maioria parlamentar ganhe juízo e chumbe uma proposta que nem merecia o tempo que se gastou a discuti-la.

Janeiro 17, 2012

“Forget austerity, sovereign debt and the euro. Europe has a much deeper problem”

Artigo do New York Times sobre a crise nos países europeus:

“Europe is undergoing not one but two simultaneous economic crises. The first is a rapid, obvious one — all about sovereign debt, a collapsing currency and austerity measures — that we hear about all the time. The second is insidious but more important. After decades of trying, Europe as a whole still can’t quite figure out how to be flexible enough to compete in the global economy.”

Projecto de Lei 118/XII: uma aberração que urge travar (2)

Filed under: Justiça,Media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:43

Projecto-Lei nº118: a extorsão. Por Gabriel Silva.

Tirou fotografias numa festa de aniversário? Vai ter de pagar direitos de autor a um desconhecido por guardar as fotos numa pen, num cd ou por as imprimir;

Tem uma empresa e precisa de guardar os registos contabilísticos, mapas de vendas, processamento de salários….? Vai ter de pagar direitos de autor a um desconhecido por usar um servidor, um computador, um cd, uma pen e uma impressora;

Para uma excelente recolha do que tem sido escrito na blogosfera sobre a aberrante PL118, ver aqui.

Leitura complementar: Ainda o projecto de lei 118.

Janeiro 16, 2012

Ainda o projecto de lei 118

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 07:58

Aos deputados que se preparam para votar o projecto de lei 118, recomendo que leiam este paper da McKinsey já com alguns meses. Neste documento a McKinsey identifica o potencial de criação de valor para diferentes sectores da economia americana oriundo da captura e manipulação de dados . Os benefícios alargam-se a indústrias tão diferentes como a saúde, as novas tecnologias e o retalho.

As recomendações da McKinsey para os decision makers políticos (que eu não partilho) vão no sentido de incentivar investimentos empresariais na captura e partilha de dados, regulando o seu uso. A McKinsey também identifica um gap de talento na ordem das centenas de milhares de pessoas nos próximos 10 anos apenas nos EUA (empregos que, como as empresas Indianas bem sabem, podem ser exportados).

O crescimento exponencial esperado na quantidade de dados que irão ser guardados e manipulados no futuro tem pouco a vêr com os artistas ou direitos de autor. Se a captura e manipulação de dados se tornarem, como prevê a McKinsey, num dos grandes factores de competitividade internacional das empresas, não será difícil de imaginar o efeito que uma lei como esta (se aplicada ao sector empresarial) poderá ter. Não seria a primeira vez que pequenas asneiras, aparentemente inócuas, têm um impacto significativo no futuro do país (lei das rendas, anyone?).

É muitas vezes repetido por aqui que mais do que subsidiar a inovação e o crescimento, o estado deve é sair da frente das empresas. Os nossos deputados têm aqui uma boa oportunidade para isso.

Leitura adicional: Matem o monstro

Janeiro 14, 2012

Estado Vs Produtores de Leite – Quem é o “Biggest Loser”?

Filed under: Comentário,Economia,Justiça,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Campelo de Magalhães @ 02:35
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Apesar de eu habitualmente não comentar medidas da actualidade, surgiu nestes dias uma notícia que é grave demais para não ser comentada.

Noticiou-se no Público:

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica [ASAE] já apreendeu 240 mil litros de leite, desde que pôs em em marcha, na quinta-feira, uma operação de fiscalização nas grandes superfícies comerciais, para averiguar denúncias dos produtores sobre a prática de dumping (venda abaixo do preço de custo pago aos produtores).

Comentários prévios:

  1. Modus Operandi. Para se averiguar a referida denúncia não era necessário a “apreensão” (é mais destruição, dado o prazo de validade…) do leite. A qualidade do produto não está em causa! Os hipermercados envolvidos só por este motivo, já têm razões para processar o Estado.
  2. Realidade do Desconto. É de referir que o desconto praticado pelo Continente não é sobre o leite apreendido. O cliente paga a totalidade do Preço e, se pretender o desconto, terá de voltar em datas posteriores.
  3. Hábito da prática. Estas são práticas promocionais comuns no mercado. Tratando-se de “marcas brancas” outro objectivo será levar o consumidor à experimentação do leite comercializado com a marca do distribuidor (“cross-selling”). Por vezes, produtores também oferecem produtos com semelhante objectivo e não lhe chamam “dumping”. Mas todos os outros produtores foram mais inteligentes e só os do leite exibiram este comportamento auto-destrutivo.
  4. Orçamento de Promoção da Lactogal. A Lactogal tem gasto bastante em publicidade para convencer consumidores a comprar o seu leite. Agora, como as promoções das “marcas brancas” aparentemente estão a ter melhores resultados (não deve ser leite da Lactogal…), fizeram queixa na ASAE. Maus perdedores! Se pudessem voltar atrás, provavelmente teriam usado grande parte desse orçamento para oferecer leite. É que, por exemplo, a oferta de 240 mil litros custar-lhes-ia apenas 72 mil euros. Quanto é que gastaram em publicidade??!
Mas isto são fait-divers. O que me choca mesmo é a análise a quem ganha e quem perde:
  • Base:
  1. Preço - O Preço pago ao Produtor vai ser agora menor do que o preço recebido do consumidor. Tal pode ser feito ou exigindo mais ao consumidor ou pagando menos aos produtores ou fazendo ambos os movimentos. Possivelmente o ajuste far-se-á mais pelo lado dos consumidores, que vão ter da pagar mais pelo Leite;
    Os consumidores vão pagar mais por um Bem Essencial!
  2. Quantidade - Como o preço ao Consumidor deverá aumentar, a quantidade vendida será consequentemente menor (não muito contudo, dado o carácter de Bem Essencial deste bem – o que tecnicamente se designa por inelasticidade da quantidade transaccionada face ao preço). Decorre necessariamente de aceitarmos a existência de curvas da Oferta e da Procura.
    Os Consumidores vão consumir menos Leite!
  • Quem ganha:
  1. Outros Vendedores de Leite. Devido à sua reduzida dimensão, os poucos que no comércio tradicional ainda vendiam leite não conseguiam vender este ao preço dos grandes distribuidores. Com a subida do preço ao consumidor na grande distribuição, alguns consumidores deixarão de se dirigir às grandes superfícies para comprar o leite. São dos maiores beneficiários com esta polémica e não me consta que sequer se tenham pronunciado.
  2. Publicitários. Como o Continente não pode agora atrair consumidores pela Campanhã dos descontos em cartão (sim, porque num futuro próximo se fizer o mesmo com fruta, pão ou varinhas mágicas, as mesmas acusações surgirão…), terá de pagar mais aos gráficos que desenham a Popota ou aos actores que levam milhares de Euros por cada spot. Pessoas necessitadas, certamente. Lá se vai a “Justiça Social” do Estado.
  3. Produtores de Outros Bens. Como o preço do leite sobe, os consumidores vão consumir outros bens. Geralmente outros líquidos: Sumos, Leite achocolatado, Cerveja, … depende do agregado familiar e do que eles decidem comprar para aquele lugar no frigorífico. E já agora medicação para doenças do ossos, no futuro. Se os produtores de leite não recuarem, pode-se esperar um aumento do custo com a saúde dos Portugueses em algumas áreas.
  • Quem perde:
  1. Consumidores. O Estado Português cobra a cada contribuinte alguns dos impostos mais asfixiantes da Europa (sobre os combustíveis, por exemplo) (sobre o Tabaco) (sobre o rendimento, se considerarmos que um Nórdico paga mais mas sobre um valor muito superior de ordenado) e proporciona dos benefícios dos mais baixos da Europa (veja-se a qualidade de serviços prestados, como a Educação, a Saúde e a Justiça). Agora, vem obrigar o mesmo contribuinte a pagar mais por um bem essencial!
    Ou sendo mais preciso: paga o mesmo pelo leite, mas perde o desconto para levar o que quisesse sem pagar no mês seguinte, até 75% da despesa deste mês em leite. Perde poder de compra no próximo mês, perde incentivo para levar leite hoje, ganha incentivo a levar algo menos saudável (e portanto perde saúde) e perde campanhas que o Continente lançaria no futuro se não fosse este episódio. Ganha o direito a assistir a mais Popota na televisão.
  2. Produtores de Leite. Se o Continente pagava 30 cêntimos e, para atrair consumidores, escolhia esse produto para vender mais barato, então vendia mais leite do que venderia em circunstâncias normais. Agora, os consumidores vão consumir menos leite, o Continente vai comprar menos leite e, dado o seu poder negocial, vai continuar a pagar 30 cêntimos aos produtores.
    Produtores vão continuar a receber 30 cêntimos por MENOS litros de leite.
    Na melhor das hipóteses, pois o Continente pode REDUZIR o preço pago aos produtores para passar a cumprir o que lhe é imposto pela ASAE.
  3. Distribuidores. O Continente tem agora menos opções para atrair consumidores, pois o seu orçamento de marketing deverá agora ir mais para publicidade em vez de ir para descontos mais fortes. Limitado assim na sua liberdade, melhor não fica. Na melhor das hipóteses fica igual, nos produtos em que a decisão seria sempre essa mesmo que pudesse oferecer descontos.
  4. Estado.  O Estado obtém assim o efeito de:
    A) Diminuir o consumo (e a produção) de leite;
    B) Substituir o consumo deste por bens menos saudáveis;
    C) Diminuir o preço pago aos produtores e/ou aumentar o preço cobrado aos consumidores;
    D) Promover a “justiça social” de cobrar mais aos consumidores de leite e canalizar os fundos de marketing da grande distribuição para as classes altas que estão no mercado publicitário;
    E) E tudo isto enquanto se prepara para gastar mais em cuidados de saúde no futuro.
    Parabéns Estado!
Enquanto isto, os produtores de leite, que foi quem desencadeou esta loucura, rejubila.
Talvez por ter sido quem mais perdeu (Preço recebido, Vendas desviadas para outros bens, …) e viver num mundo ao contrário.
Fica a pergunta: Quem perdeu mais, o Estado, os Produtores de Leite ou os Consumidores?
E o mais grave é que a população passa ao lado disto como se isto fosse normal, como se isto fosse Cuba. Ao que chegamos…
Este artigo é baseado num original n’O Insurgente: “Vacas Loucas na ASAE“.

Janeiro 12, 2012

35 anos de socialismo em Portugal

Filed under: Economia,Media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:29

Mais um excelente e corajoso artigo de Camilo Lourenço: O socialismo dos últimos 35 anos. Por Camilo Lourenço.

Basta fazer uma pergunta: qual a política dos últimos 35 anos? Socialismo, puro ou numa versão mitigada (com PSD e CDS no poder). É um absurdo? Parece. Ora veja: a actual lei das rendas mudou pouco desde os anos 70; a orientação da política Educativa é quase igual; a lei laboral é a mesma; a concertação social é igual; a protecção no desemprego é praticamente a mesma, o SNS e a Justiça nem falar

Mas há outro exercício que ajuda a tirar isto a limpo: desde 1977 a despesa do Estado disparou. Naquele ano pesava 28% no PIB, em 1995 chegou a 37% e em 2010 foi de 51,3%. Ou seja, os governos dos últimos 54 anos comungaram do mesmo ideal: a engorda do Estado (por aqui se vê que Soares não tem razão).

É por isso que a retórica anti-reformista impressiona pela negativa. Não mexer naquelas áreas é deixar tudo na mesma; é contribuir para o empobrecimento do país.

Janeiro 11, 2012

A ilusão da gratuitidade do SNS terá um custo cada vez mais pesado em sofrimento e vidas humanas

Filed under: Comentário,Double standards,Economia,Política,Política Fiscal,Portugal,Saúde — André Azevedo Alves @ 16:29

Depois de décadas de propaganda em torno do Serviço Nacional de Saúde como uma “conquista” do Estado Social, o confronto com a realidade imposto pela bancarrota do Estado português vai ser um campo fértil para a demagogia: Ferreira Leite defende que doentes com mais de 70 anos paguem hemodiálise

O mais dramático é que, à custa dos efeitos da ideologia e das políticas que impuseram o SNS como dogma de fé da social-democracia portuguesa, há hoje muito menos alternativas voluntárias e do terceiro sector do que as que poderiam existir se o caminho seguido tivesse sido outro.

Em vez de tanto “choque” com as declarações de Manuela Ferreira Leite, seria mais útil desmontar a narrativa ideológica criada em torno do SNS. Enquanto figuras como António Arnaut continuarem a ser apresentados de forma benevolente e não como os principais responsáveis morais pela insustentável situação a que chegamos e pelos custos em sofrimento e vidas humanas que daí decorrem, dificilmente se conseguirá inverter o rumo.

Leitura complementar: O SNS socialista funciona mal; culpe-se o “neoliberalismo”; Estranha noção de fraude.

Ron Paul ou o Fim do Século Americano

Filed under: Economia,Eleições EUA 2012,Internacional,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Videos — Ricardo Campelo de Magalhães @ 09:00
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Este vídeo humorístico (ou não…) trata o tema da dívida Americana: ou a Americana aplica um plano arrojado de um corte de 1 Trilião em 2013, ou o poder vai continuar a gravitar para a Ásia a uma velocidade crescente.

Ron Paul Vs Corte Previsto

Janeiro 10, 2012

Soares dos Santos perdeu por falta de comparência

Filed under: Comentário,Double standards,Economia,Política,Política Fiscal,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 20:00

Independentemente de ter razão na questão de fundo, com a posição adoptada pela Jerónimo Martins na batalha de esclarecimento do público Soares dos Santos está logo à partida derrotado, como bem explicou o Nuno Branco.

É pena porque teria sido uma boa oportunidade para tentar desafiar o consenso estatista vigente em Portugal. E é pena também porque, pelas seus muitos méritos e realizações, Soares dos Santos estaria numa posição privilegiada para travar essa batalha.

Infelizmente, no que diz respeito à guerra das ideias, não bastam as boas intenções nem os bons instintos. Na guerra das ideias, a falta de preparação sai caríssima e a boas intenções são rapidamente consumidas pelas chamas dos interesses instalados e de quem os serve.

A compreensão da gravíssima situação do país passa também por entender fenómenos como este.

#PL118 – Lei da Cópia Privada

Filed under: Economia,Justiça,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:25

Os links da #PL118

Janeiro 9, 2012

Prioridades da despesa pública na Grécia

Greece Spends Bailout Cash On European Military Purchases

As Greek standards of living nose-dive, loans to households and businesses shrink still further, and Troika-imposed PSI discussions continue, there is one segment of the country’s infrastructure that is holding up well. In a story on Zeit Online, the details of the multi-billion Euro new arms contracts are exposed as the European reach-around would be complete with IMF (US) and Europe-provided Greek bailout cash doing a full-circle into American Apache helicopters, French frigates, and German U-Boats. As the unnamed source in the article notes: “If Greece gets paid in March the next tranche of funding (€ 80 billion is expected), there is a real opportunity to conclude new arms contracts.” With the country’s doctors only treating emergencies, bus drivers on strike, and a dire lack of school textbooks and the country teetering on the brink of Drachmatization, perhaps our previous concerns over military coups was not so far-fetched as after the Portuguese (another obviously stressed nation), the Greeks are the largest buyers of German war weapons. It seems debt crisis talks perhaps had more quid pro quo than many expected as Euro Fighter commitments were also discussed and Greek foreign minister Droutsas points out:”Whether we like it or not, Greece is obliged to have a strong military”.

Soares dos Santos não pode ganhar

Filed under: Política Fiscal,Portugal,Teoria — Nuno Branco @ 16:44

Devido à campanha que tem vindo a ser feita contra a Jerónimo Martins e à deslocação para a Holanda esta viu-se obrigada a emitir um comunicado aos seus clientes para esclarecer a situação legal e fiscal em que se encontra. Infelizmente nesta batalha de esclarecimento do público a Jerónimo Martins não pode ganhar, e a culpa nem será dos media que distorcem aquilo que o grupo quer comunicar. A culpa é dos próprios que aceitam a premissa daqueles que os atacam: de que pagar impostos é algo supostamente nobre. A premissa de que sermos saqueados do produto do nosso trabalho é o equivalente a solidariedade.  No fundo a premissa de que aquilo que Soares dos Santos produziu não é dele até que o seu trabalho receba a benção do Estado.

 

É pena porque tenho admiração por aquilo que Soares dos Santos conseguiu construir e acho que deveria defender o que é seu com mais vigor. É pena porque aceitado a premissa como válida não tentará certamente fazer com que os impostos sejam pagos noutro qualquer país com melhores vantagens fiscais. É pena porque sem o fazer o Estado assegura que continuará a ter receita fiscal do grupo. É pena porque se os contribuintes não fugirem para outras paragens o Estado não terá qualquer motivo para reduzir a carga fiscal.

Se não tivesse aceito a premissa como válida podíamos ter ganho todos. Assim é impossível ganhar o argumento, é como jogar poker com um baralho viciado.

#pl118

Filed under: Política,Política Fiscal — Carlos Guimarães Pinto @ 05:25

Na imagem um disco duro de 5MB a ser levantado para um avião de carga, em 1956.

Janeiro 8, 2012

A lei da cópia privada: custos, benefícios e falta de discussão

Filed under: Double standards,Economia,Justiça,Media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:46

#pl118 – O silêncio dos “inocentes”

Compreendo que haja renitência em pegar o boi pelos cornos, e debater o tema a fundo e com honestidade, porque isso faria com que um(?) modelo de negócio de milhões de euros se revelasse obsoleto. Não me refiro à autoria. Refiro-me à exploração da autoria. Quem luta para que esta lei se mantenha, e se agrave, não são os autores, são as eminências pardas das indústrias satélite e parasitas, que nada acrescentam, neste momento, aos autores, mas que querem continuar a enriquecer, à custa dos autores e do povinho.

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