O Insurgente

Maio 28, 2012

Dois mil milhões de euros para a cultura…

Filed under: Política,Política Fiscal — Carlos Guimarães Pinto @ 08:22

…ou o dobro do que irá ser poupado com o corte do subsídio de Natal e de férias aos funcionários públicos em 2012, é o que anda a pedir a esquerda bem pensante para subsídios à cultura anualmente. O mais extraordinário disto tudo é que há uns anos atrás provavelmente teriam sucesso nas suas pretensões.

A tremenda falta de noção de prioridades, e uma arrogância intelectual aliada a um raciocínio básico (se és contra os subsídios, és contra a cultura e, portanto és um ignorante), começam a ser desesperantes.

Maio 27, 2012

Socialistas descobrem que impostos causam desemprego

Filed under: Política,Política Fiscal — Carlos Guimarães Pinto @ 13:40

PS com projecto para repor taxa mínima na restauração

“No último trimestre foram destruídos cerca de 15.900 empregos líquidos no sector de alojamento e restauração face ao último trimestre do anos passado, tendo sido destruídos 33.000 no espaço de um ano. No último trimestre foram destruídos cerca de 15.900 empregos líquidos no sector de alojamento e restauração face ao último trimestre do anos passado, tendo sido destruídos 33.000 no espaço de um ano”, lê-se no projecto de resolução socialista.

O projecto que pede ao Governo para voltar a colocar a taxa do IVA nos 13% na restauração foi entregue na sexta-feira no Parlamento e sublinha que o Orçamento do Estado para este ano previa um aumento das receitas daquele imposto de 13,6%, valor que foi revisto para 11,6% no orçamento rectificativo.

“Ora, no fim do primeiro quadrimestre do ano, a receita de IVA está abaixo 3,5% do montante colectado em período homólogo de 2011″, lê-se no texto do projecto a que a Lusa teve acesso.

Ventos e Tempestades

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — Ricardo Lima @ 12:39

Pedro Marques Lopes, no DN :

Tenho muita dificuldade em imaginar o que um cidadão desempregado, com filhos para sustentar, casa para pagar, que já enviou centenas de currículos e não obteve qualquer resposta, que ou já perdeu o direito ao subsídio de desemprego ou vê esse dia a aproximar-se, pensou quando ouviu o primeiro-ministro a recomendar-lhe que visse a sua situação como uma oportunidade.

Se esse cidadão foi um dos portugueses que votou no partido de Passos Coelho, é provável que tenha pensado que tivesse sido uma gaffe, mais uma das inúmeras declarações pouco pensadas do primeiro-ministro. Afinal, uma das razões que levara o cidadão a votar no PSD teria sido o facto de se identificar com a figura do seu líder: um homem comum, trabalhador por conta de outrem, morador num bairro dos subúrbios de Lisboa, com filhos, com uma vida sem luxos, conhecedor das dificuldades normais duma família de classe média. Alguém como ele.

O que mais choca nas declarações de Passos Coelho, que anteciparam a divulgação dos números do desemprego que revelam que existem mais de um milhão de pessoas sem emprego ou em situação de subemprego, não é a evidente insensibilidade ou a falta de pudor na abordagem deste flagelo, é o flagrante desconhecimento da situação real do País. Naquele em que nós vivemos não há empresa que esteja a contratar quem quer que seja e os bancos não emprestam um tostão para novos projectos. Os mais jovens ainda têm a hipótese de emigrar… mas de que tipo de “oportunidades” estaria Passos Coelho a falar para as pessoas da idade dele? Estaria a aconselhar a emigração para estes também? A um homem ou mulher de 50 anos com filhos? Em que tipo de bolha vive o nosso primeiro-ministro que não lhe permite conhecer o drama dum cidadão de meia-idade sem dinheiro, nem perspectivas de o ter? Será que ignora o que representa para alguém enfrentar a família e admitir que não consegue providenciar o sustento, a sensação de inutilidade, o desespero, a angústia?

O Bruno Alves já aqui tinha abordado a falta de vergonha do Primeiro-Ministro:

A propósito de “oportunidade”, Passos Coelho perdeu uma de estar calado

Défice Oficial e Défice Contabilístico na América

Filed under: Economia,Internacional,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal — Ricardo Campelo de Magalhães @ 08:23
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Já se sabia que o Défice Oficial Americano em 2011 foi de 1.3 Triliões (Americanos) de Dólares.

O que foi nestes dias divulgado foi o Défice Contabilístico de 2011
(assumindo as práticas da Contabilidade, ou seja, contando como défice também os “Entitlement Programs”).
E o valor do défice de 2011 foi de 5 Triliões (Americanos).

Ou seja, só em 2011 a Dívida Estatal Americana aumentou em 5.000.000.000.000 (ou 5 x 1012 ou 5 x 1.0004).

A notícia tem um detalhe engraçado. Tem a versão de um funcionário sobre porque o Défice Oficial é diferente do Défice Contabilístico:

Jim Horney, a former Senate budget staff expert now at the liberal Center on Budget and Policy Priorities, says retirement programs should not count as part of the deficit because, unlike a business, Congress can change what it owes by cutting benefits or lifting taxes.

“It’s not easy, but it can be done. Retirement programs are not legal obligations,” he says.

É um prazer ouvir uma pessoa que, tal como eu, gosta de dizer a verdade por mais dura que seja.
Só não gosto muito desta verdade. Mas já há algum tempo que ela é evidente…

Maio 26, 2012

Occupy Marketing! (in the Olympics)

Filed under: Desporto,Economia,Internacional,Política,Política Fiscal — André Azevedo Alves @ 17:00

Advertising in the Olympic Corporate State

Everyone knows the Olympics are an advertising bonanza for the event’s corporate sponsors. That’s been true since the 1984 games in Los Angeles. What isn’t as well known is that the urban authorities today do not merely promote the Olympics’ officially approved commercial speech; they suppress commercial speech that does not have the games’ approval.

O excesso de “agendas para o crescimento” faz mal à saúde do país (2)

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo,União Europeia — André Azevedo Alves @ 15:20

Estou farto da conversa inconsequente sobre “crescimento e emprego”. Por José Manuel Fernandes.

Às vezes não sei se os políticos gostam de se enganar a eles mesmos ou se só pretendem enganar os cidadãos. Ou iludi-los, para ser mais gentil. É que não sei que pensar quando assisto, incrédulo, à viragem retórica a favor de “políticas de crescimento de emprego” sem que se explique, minimamente, como se poderá chegar a esse crescimento e emprego. Isto é válido para Portugal, é válido para a Europa e é válido para a cimeira do G8.

É compreensível que os dirigentes políticos, tendo de enfrentar eleitorados descontentes – quando não furiosos -, procurem retóricas novas. Admito até que seja necessário falar mais da luz ao fundo do túnel e menos do túnel. Mas não se devem vender ilusões: no estado em que está Portugal, no estado em que está boa parte da Europa, supor que é possível regressar a curto prazo ao “crescimento e emprego” ou abandonar as chamadas políticas de austeridade não tem suporte na realidade. Aliás convém ter presente que, apesar de toda esta dita austeridade, os gastos públicos no conjunto da zona euro cresceram sete por cento (excluindo a inflação) entre 2008 e 2011.

(mais…)

AKB48

Filed under: Internacional,Política,Política Fiscal,Videos — André Azevedo Alves @ 13:00

O mais recente desenvolvimento na agenda para o crescimento, neste caso no Japão…

AKB48 Heavy Rotation

Japanese Girl-Band Wants You (To Buy Japanese Government Bonds)

The debt campaign will see AKB48 – comprising about 90 performers, ranging in age from early teens to mid-20s – joined by sumo wrestling’s champion Hakuho and female football star Homare Sawa, Japan’s Jiji press agency reported. The group’s bubblegum pop and synchronized dancing has proved a huge hit with young girls. Perhaps more disturbingly (and why Japan chose them maybe?) – running the gamut from girl-next-door to sultry temptress, the band also has a substantial male following – many of whom are older – who support a vast merchandising industry. Japan has the industrialized world’s worst public debt, amounting to more than twice its gross domestic product – topping hard-hit eurozone countries including Greece, which have drawn fire from foreign investors over their fiscal management. On the bright side, AKB48 have also promoted the government’s suicide prevention program and appeared in a farm ministry rice campaign.

Fascismo euro-centralista

Filed under: Política,Política Fiscal,União Europeia — Carlos Guimarães Pinto @ 10:09

(…) o Parlamento Europeu aprovou, por larga maioria, a criação de uma TTF – uma Taxa sobre as Transações Financeiras, susceptível de gerar rendimentos adicionais para os cofres nacionais e comunitários da ordem dos 100 mil milhões/ano(…)A bola fica do lado dos governos. Só nove em 27 apoiam a TTF(…) é fundamental que a outra instituição com poder de decisão na matéria, o ECOFIN (conselho de ministros das finanças da UE), faça o que lhe compete para o pôr em prática. O que inclui exercer toda a pressão sobre o campo dos renitentes, liderado por Reino Unido e Holanda. Ou marimbar-se para eles, seguindo em frente com a introdução da taxa. Que, de todo o modo, os vai afectar, ai não!….

(Ana Gomes, uma fascizóide eurocrata, na Causa Nossa)

Maio 25, 2012

PPP’s: uma questão de opções políticas do Estado parte e do Estado legislador

Filed under: Double standards,Economia,Justiça,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 21:30

O Estado é pessoa de bem (mas só às vezes). Por Carlos Loureiro.

Ninguém aceitaria que uma parte de um qualquer contrato tivesse o poder de o modificar unilateral e arbitrariamente (isto é, fora das circunstâncias em que o próprio contrato o permitisse).

Mas é precisamente isso que o Estado pode fazer e efectivamente fez e faz noutros casos, de que o exemplo mais recente foi o corte dos subsídios de férias e de natal dos trabalhadores do Estado: o Estado legislador alterou as regras que o Estado parte tinha acordado (ainda que tacitamente) com os trabalhadores.

Se, em abstracto, o respeito pela palavra dada por parte do Estado parece fazer dele a pessoa de bem que deveria ser em permanência, na prática é justificável a perplexidade perante tal actuação que, em vez de regra, se tornou excepção.

Leitura complementar: PPP’s (2): a opção política de não tocar em interesses instalados; Dívida pública, bailouts e asfixia fiscal; Os custos do sistema eléctrico nacional e outras rendas insustentáveis para o país; Os modestos cortes nas rendas do sector energético.

O excesso de “agendas para o crescimento” faz mal à saúde do país

Filed under: Double standards,Economia,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — André Azevedo Alves @ 20:00

Perguntar não ofende. Por Helena Matos.

O que me causa enorme espanto é porque durante os vários anos de governo o PS não aplicou a tal agenda para o crescimento e o emprego que agora garante ser a receita infalível para o país? Custaria muito perguntar ao PS se essa agenda para o crescimento e para o emprego não foi precisamente a receita socialista que nos trouxe aqui?

There’s a Tax for That

Com os devidos agradecimentos ao Fausto Amaral por ter divulgado o vídeo.

Maio 24, 2012

Renegociação das PPP’s acaba mesmo antes de começar ?

Filed under: Double standards,Economia,Justiça,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:32

Ainda e sempre, em estado de negação. Por Samuel de Paiva Pires.

Um ano depois e continuamos nisto: com a falência ao virar da esquina. Por muito bem intencionado que Álvaro Santos Pereira seja – e acredito que é – não há vontade política para anular os contratos das PPPs porque os interesses instalados continuam a acreditar lunaticamente nas promessas de Guterres e de Sócrates, e recusam-se a acordar para a realidade. E assim, continua a não haver vontade política para mudar de um rumo que levará o país ao desastre final.

PPPs: o fim das renegociações. por Paulo Morais.

O Decreto-Lei n.º 111/2012, de 23 de Maio, que tem por objecto a definição de normas gerais aplicáveis à intervenção do Estado na definição, concepção, preparação, lançamento, adjudicação, alteração, fiscalização e acompanhamento global das parcerias público -privadas determina que “da aplicação do presente diploma não podem resultar alterações aos contratos de parcerias já celebrados, ou derrogações das regras neles estabelecidas, nem modificações a procedimentos de parceria lançados até à data da sua entrada em vigor.”

Prémio para Artigo sobre Economia

Aproveito para divulgar esta iniciativa que se destina a alunos finalistas de cursos acreditados pela OE – Ordem dos Economistas e a todos os alunos de cursos de especialização (Pós-graduações, MBA’s, Mestrados) que já possuam licenciaturas reconhecidas pela Ordem.

A data limite para entrega dos artigos é 31 de Maio e até agora o nº de propostas entregues é reduzido, pelo que há uma hipótese bastante razoável de um bom texto vencer o prémio de 700 Euros. Como eu não posso concorrer (já terminei o Mestrado), divulgo e espero que algum leitor do blog que estude Economia participe. Era bom ter textos Austríacos na categoria Política Económica.

Ordem dos Economistas, através da sua Delegação Regional Norte, incentiva a divulgação do conhecimento científico na área económica junto da sociedade em geral. Nesse sentido, reedita pelo oitavo ano consecutivo a actividade Ciclo de Temas de Economia.

O Ciclo de Temas de Economia destina-se a alunos finalistas de cursos acreditados pela Ordem dos Economistas e a todos os alunos de cursos de especialização (Pós-graduações, MBA’s, Mestrados) que já possuam licenciaturas reconhecidas pela Ordem. A actividade resulta na selecção de um trabalho referente a cada um dos 5 temas propostos:
1. Política Económica
2. Contabilidade
3. Finanças Empresariais
4. Marketing
5. Economia Portuguesa

Os artigos deverão respeitar um limite máximo de 5000 caracteres e ser redigidos tendo em linha de conta o interesse do seu conteúdo para a sociedade em geral.

 A cada um dos artigos seleccionados será atribuído um prémio no valor de 700 Euros, dos quais 500 Euros em prémio pecuniário e 200 Euros em vale de compras na livraria Vida Económica.

Para concorrer visitem a página oficial do Evento.

Maio 23, 2012

Os modestos cortes nas rendas do sector energético

Filed under: Economia,Energia,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 21:30

Sobre os cortes divulgados no passado dia 17 de Maio: Medo do Monstro!

O Governo divulgou hoje uns cortezinhos nos custos do sistema eléctrico. Segundo as notícias, o corte permitirá poupar cerca de 1800 milhões de euros até 2020. Segundo esta outra notícia, a distribuição de cortes, entre 2012 e 2020, será a seguinte:

Cogeração: 700 M€
Garantia de Potência: 335 M€
Mini-hídricas: 300 M€
CMEC e CAE: 280 a 300 M€
Eólicas: 100 a 200 M€

Agora, confronte-se isto com o que a ERSE definiu como Custos de política energética, ambiental ou de interesse económico geral e de sustentabilidade de mercados incluídos nas tarifas para 2012 (pag. 29 e 33), apenas para 2012:

Sobrecusto da PRE: 1295 M€
Sobrecusto das eólicas: 538 M€
Sobrecusto da cogeração “fóssil”: 428 M€
Sobrecusto da cogeração FER: 107 M€
Sobrecusto da PRE fotovoltaica: 59 M€
Sobrecusto da PRE hídrica: 56 M€
CMEC: 296 M€
Sobrecusto CAE: 134 M€
Garantia de Potência: 60 M€

Por aqui facilmente se percebe que isto são apenas cortezinhos! No maior sobrecusto de todos, a eólica, praticamente não se belisca: o corte até 2020 é menos de metade do sobrecusto que vamos ter que pagar apenas este ano! No total, o que eles pensam poupar até 2020 nem dá para pagar 80% das rendas, só deste ano!

PSD Contra o Desemprego

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Portugal,Videos — Ricardo Campelo de Magalhães @ 20:07
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Ainda na lógica de que o Desemprego não pode ser o fim da linha, o PSD insiste com medidas contra o desemprego.

Eu preferiria outras (desburocratização/simplificação administrativa, redução de impostos e subsídios, …), mas louvo a transparência e o esforço de divulgação. Ficam com o que o PSD anda a propor:

 

Um país conta com o desemprego

Filed under: Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — Ricardo Lima @ 19:59

O nome é “Estímulos 2012″. O vídeo é bonito, com cores e desenhos fofinhos. As medidas são fúteis e, para variar, são praticamente todas uma intervenção do Estado no mercado laboral, em parte destas com prejuízo para o contribuínte. “Não deixe que pensem por si”. Isto lembra os fantásticos programas do Governo Sócrates, com nomes sonantes, slogans bem trabalhados, propagandas atraentes e medidas, na sua maioria, que tentam colocar alcatifa sobre tijoleira partida, na esperança que o chão pare de rachar. Fica aqui o vídeo:

Era uma vez a “Florida da Europa”…

Filed under: Comentário,Política,Política Fiscal,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 19:47

Nada melhor para tornar Portugal na “Florida da Europa” do que aplicar aos reformados estrangeiros os mesmos padrões de extorsão fiscal que são aplicados aos nativos…

E assim o país segue na via do agravamento das políticas fiscais relativamente à era Sócrates, anulando inclusivamente algumas das (poucas) medidas positivas que haviam sido tomadas nesse período: Governo começa a cobrar impostos a reformados estrangeiros

Deviam estar isentos, mas a Administração fiscal tem uma interpretação diferente da lei. Reformados estrangeiros passam a pagar imposto

(mais…)

Maio 22, 2012

O Ultra-Neo-Anarco-Liberalismo do FMI

Dizem os “fáxistas” sobre o Reino Unido:

The Government should consider cutting VAT or National Insurance and increasing state investment in infrastructure to boost growth if the economic situation worsens, the International Monetary Fund (IMF) said.

Officials also said that the Bank of England should act now to inject some vigour into a “flat” economy by printing money in a new round of quantitative easing or even cutting the 0.5% base interest rate below its current historic low.


A Insustentável Leveza do Ser Libertário

Ser um Libertário não implica a concordância com tudo que de estúpido e imbecil as pessoas fazem a si próprias e entre si, voluntariamente. É aceitá-lo, mesmo não respeitando e admitir tais actos como consequências necessárias, ainda que por vezes desagradáveis, da existência de um mundo de homens livres, com prazeres, saberes e ambições que diferem. E ainda bem que diferem. Aos olhos de tantos, a igualdade não é mais que a estandardização do comportamento humano, condicionado, na preferência destes, segundo padrões tradicionais ou científicos, segundo livros sagrados ou estudos académicos. O libertário não é um extremista, do meu ponto de vista. Extremismo é a censura inquisitorial, provinciana, ignorante e feia, muito feia, com que muitos encaram a crença aparentemente radical, quase terrorista de que o Homem, essa complexa criatura antecessora de toda e qualquer forma de proto-organização política, nasce livre. E a gravidade adensa-se quanto na admissão de que o Homem nasce efectivamente livre, se considera que o Estado, construído por ele para assegurar, através das forças de segurança que o protegem do seu vizinho, através do exército que o protege da nação vizinha e através do tribunal que julga as suas disputas,  a sua liberdade, pode ser ele próprio o condicionador da mesma. É o futuro distópico em que o Homem, tendo construído a máquina para o servir, vê essa mesma máquina ganhar força, inteligência própria e é, no final da história, escravizado por ela. É surpreendente que a intolerancia, essa assassina de sonhos e vontades ao longo da história – e quase sempre no sentido literal da palavra – não só tenha sobrevivido à Era do Conhecimento, como se tenha expandido, alargado, adaptado aos meios coercivos que o futuro lhe foi deixando à disposição. E no centro do tabuleiro, o libertário, essa vil criatura amante de uns quantos filósofos defuntos que, diga-se de passagem, lançaram as bases para o mundo moderno onde hoje grassam, sem repressão, os que fazem da intolerância, da extorsão e da propaganda o seu programa político. O mundo deve mais ao pensamento libertário do que realmente imagina. Já o libertário, este não exige nada do mundo, não deve nada ao mundo e não guarda em relação ao mundo que o rodeia nada mais que um simples e incompreendido desejo: que este o deixe em paz.

Até Amanhã, Camaradas

Filed under: Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Lima @ 00:21

CGTP quer taxa na bolsa a financiar subsídio de desemprego:

A CGTP vai apresentar amanhã ao governo uma proposta que visa a atribuição do subsídio social de desemprego a todos os desempregados sem protecção social.

Em conferência de imprensa, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou que existem hoje cerca de 860 mil desempregados sem qualquer prestação social. Seriam estes os abrangidos pela iniciativa, que teria aplicação durante todo o período de crise.

Para financiar esta medida, a intersindical defende “a aplicação de uma taxa de 4% sobre as transacções em bolsa“, explicou Arménio Carlos. De acordo com o responsável, esta taxa teria um impacto de cerca de 4,2 mil milhões de euros. Mais: a CGTP acredita que a extensão do subsídio social também teria impacto no consumo e geraria cerca de 837 milhões de euros por via do IVA.

Maio 21, 2012

Desincentivos fiscais à mobilidade (3)

Filed under: Política Fiscal,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 11:33

O Tiago trabalha em Braga, mas a sua posição deixou de ser necessária. A empresa apresenta-lhe a possibilidade de se mudar para Lisboa, estando até disposta a compensar o sacrifício com um salário mais elevado e ajudas de custo para suportar a diferença de custo de vida. Com o salário extra, o Tiago passaria o escalão superior de IRS, perdendo algumas isenções. Apesar de a empresa estar disposta a cobrir financeiramente o sacrifício do Tiago, não consegue pagar os custos adicionais desta progressividade fiscal. O Tiago em vez de ir para Lisboa, vai para o subsídio de desemprego.

Desincentivos fiscais à mobilidade

Filed under: Política Fiscal,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 10:46

O João tem casa própria no Porto e o António em Lisboa. Se morarem cada um na sua cidade apenas pagam IMI sobre o valor das suas propriedades. Se por motivos profissionais o João mudar-se para Lisboa a arrendar a casa do António, e o António fizer o mesmo com a casa do João, ambos passarão a pagar mais IRS.

Maio 20, 2012

Um Plano Quinquenal para a mesa do canto, se faz favor…

“Estou ? Krugman ?”

Jorge Moreira da Silva, primeiro Vice-Presidente do PSD diz:

“Precisamos de um Plano Marshall para a Europa. Temos de encontrar na Europa um Plano Marshall que responda ao desemprego, que responda à recessão, e isso é algo que também é importante para Portugal”

“Se a Europa fizer aquilo que deve no estímulo à economia, na consolidação orçamental, na maior harmonização do mercado interno, na mobilidade de pessoas e de bens, se for capaz de fomentar a política industrial, a economia verde, o conhecimento, se for capaz de fazer destas alavancas verdadeiras alavancas do crescimento, isso não apenas ajudará a responder à crise europeia, mas fará com que a crise em Portugal possa ser respondida também de uma forma mais solidária da Europa em relação a Portugal”

E diz-nos, sobre isto, o grande Roberto Campos:

A política industrial que nos convém se reduz a umas poucas regras de bom senso. A primeira é que o mais importante incentivo ao progresso é assegurar-se liberdade empresarial, pela abolição de monopólios estatais e reservas de mercado. A segunda é aumentar a previsibilidade econômica, pela estabilização de preços. A terceira é que, antes da concessão de incentivos, é necessário remover obstáculos, pois que, isso feito, na maioria das vezes o mercado cuidará de si mesmo.”

“Admitir o ‘liberalismo explícito’, num país de cultura dirigista, é coisa tão esquisita como praticar sexo explícito em público. Não dá cadeia, mas gera patrulhamento ideológico. A etiqueta de ‘socialista’ ou ‘centro-esquerda’ dá um ar de respeitabilidade a qualquer patife ou imbecil, animais abundantes na praça…”

“A pior coisa que pode acontecer a duas motivações válidas – o indigenismo e a ecologia – é serem levadas ao exagero. O excesso de zelo é uma forma de fanatismo. E os fanáticos costumam redobrar os esforços quando perdem de vista os objetivos.”

José Sócrates, António José Seguro, Hollande, Zapatero, Lula, Dilma, entre outrasdestacadas figuras da área política do Partido Social Democrata, não diriam melhor. O modelo económico defendido nesta passagem é um modelo falhado, ele próprio causador da crise das dívidas públicas e que muitos ainda insistem em tomar como o correcto para a sua solução. Esta fé perversa e infantil, adequada a adolescentes românticos no início do seu aprofundamento intelectual, torna-se perigosa quando aplicada a pessoas com responsabilidades na condução da política dos Estados. Por sua vez, o federalismo, possivelmente aceitável – não para todos – num outro contexto, é totalmente descabido quando tendo em conta o monstro centralizador, progressista e regulador em que a União Europeia se vem tornando, com directivas que se empenham em controlar todos os aspectos do quotidiano dos seus cidadãos e da iniciativa política dos Estados que a compõem. Esta combinação doentia de federalismo e keynesianismo adulterado que se apoderou do Bloco Central por esta Europa fora será, a ser levada a sério, não a salvação que estes aguardam, mas o golpe final por que há muito qualquer espectador com bom senso espera.

E para terminar, um artigo sobre Friedman. Nesta passagem fica a sua opinião sobre o Plano Marshall:

Friedman contended that “Europe would have recovered with or without the Marshall Plan,” and opposed the Plan at the time and in retrospect (Friedman, 1982a, pp. 32-33). He argued that the “Marshall Plan and similar programs” of the U.S. government had “been harmful to the rest of the world” because government-to-government economic aid strengthened the government sector at the expense of the private sector.

Repito, portanto, o que venho dizendo há um tempo considerável. O que é uma Toranja ? É algo que é laranja por fora e vermelho por dentro.

Maio 19, 2012

Berta Cabral, Ponta de lança do Neo-Liberalismo

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Lima @ 21:21

O PSD tradicional e os seus líderes ainda tinham alguma vergonha na cara e iam-se assumindo apenas como Social Democratas, o que faz sentido visto que até mesmo nas derivas Barrosistas e Passistas o PSD pode encaixar-se numa terceira via Blairista. Ultimamente, são o que se lembram de ser, dependendo do dia e da estação, “abraçando” o liberalismo às segundas e repudiando o mesmo às quintas. Depois de Passos e do seu “sou um Liberal”, temos esta pérola política – que ainda há umas semanas também se assumia como Liberal num entrevista - e que nos diz o seguinte:

“A agricultura tem uma importância na nossa vida económica, social e coletiva. Como medidas imediatas deve-se criar uma entidade reguladora do leite e dos produtos agrícolas, como forma de garantir uma maior transparênciana na formação dos preços”

“É preciso ter em conta que já se esgotaram as verbas para o desenvolvimento rural e é urgente que, em 2013, haja um reforço

É sempre bom saber que ainda temos políticos que lutam pela “equidade de distribuição da riqueza produzida na pecuária”. Fico feliz por saber que, enquanto durmo, alguém vela pelo destino dos agricultores, mesmo que em detrimento do contribuínte. Na impossibilidade do PCP chegar ao poder,  esta, entre outros “camaradas”,  faz-nos a vontade.

Thatcher on public money

Filed under: Double standards,Economia,Política,Política Fiscal,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

Um video recomendado tanto à oposição como – talvez ainda mais – ao governo e à maioria que actualmente o sustenta.

Thatcher: There is no such thing as public money

Leitura complementar: Dívida pública, bailouts e asfixia fiscal.

Maio 18, 2012

Abram alas para o crescimento, versão Obama-Hollande…

Filed under: Economia,Internacional,Política,Política Fiscal,Política Monetária — André Azevedo Alves @ 23:57

Obama e Hollande defendem crescimento na Cimeira do G8
Obama anuncia financiamento de 3000 milhões para segurança alimentar em África
Turbulência europeia domina cimeira do G8

Will Smith sobre o aumento de impostos de Hollande: “God Bless America !”

Filed under: Cultura,Double standards,Economia,Internacional,Media,Política,Política Fiscal,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

Will Smith stupéfié par la taxation de Hollande

Mário Soares, o Arauto do Austeridade

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — Ricardo Lima @ 13:26

Crise: Quando Mário Soares defendia o plano do FMI:

Em Agosto de 1983, o Governo do Bloco Central PS-PSD, assinou um memorando de entendimento com o Fundo Monetário Internacional. Os impostos subiram, os preços dispararam, a moeda desvalorizou, o crédito acabou, o desemprego e os salários em atraso tornaram-se numa chaga social e havia bolsas de fome por todo o país. O primeiro-ministro era Mário Soares. Veja como o homem que hoje quer rasgar o acordo com a troika defendia os sacrifícios pedidos aos portugueses. 

“Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”. DN, 27 de Maio de 1984

“Não se fazem omoletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”. DN, 01 de Maio de 1984

“Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo.” JN, 28 de Abril de 1984

“Quando nos reunimos com os macroeconomistas, todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a política que está a ser seguida é a necessária para Portugal”. Idem

“Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível” RTP, 1 de Junho de 1984. Idem, ibidem

“A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós” RTP, 1 de Junho de 1984

Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”. Idem

“O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”. Idem, ibidem

“[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores (…). O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego”. JN, 28 de Abril de 1984

O que sucede é que uma empresa quando entra em falência… deve pura e simplesmente falir. (…) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade. Idem

“Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”. RTP, 1 de Junho de 1984

“Pedi que com imaginação e capacidade criadora o Ministério das Finanças criasse um novo tipo de receitas, daí surgiram estes novos impostos”. 1ª Página, 6 de Dezembro de 1983

“Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários”. DN, 19 de Fevereiro de 1984

A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar” RTP, 1 de Junho de1984

“A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa.” Der Spiegel, 21 de Abril de 1984

Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes. Uma verdadeira agressão quotidiana que é intolerável que não seja punida na lei. Sê-lo-á”. RTP, 31 de Maio de 1984

A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço” La Republica, 28 de Abril de 1984

“As finanças públicas são como uma manta que, puxada para a cabeça deixa os pés de fora e, puxada para os pés deixa a cabeça descoberta”. Correio da Manhã, 29 de Outubro de 1984

“Não foi, de facto, com alegria no coração que aceitei ser primeiro-ministro. Não é agradável para a imagem de um politico sê-lo nas condições actuais” JN, 28 de Abril de 1984

“Temos pronta a Lei das Rendas, já depois de submetida a discussão pública, devidamente corrigida”. RTP, 1 de Junho de 1984

“Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”. 6 de Junho de 1984

Maio 17, 2012

Grécia: o último a sair que apague a luz…

Greek Lights Out… Literally

Maio 16, 2012

Austeridade?!? Onde, onde?!?

Filed under: Cartoons,Double standards,Economia,Humor,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal — Ricardo Campelo de Magalhães @ 18:53
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Troika obriga Ministério das Finanças a Transparência.

Em Janeiro, a remuneração média mensal nas administrações públicas era de 1401 euros, enquanto o ganho médio – que inclui prémios, subsídios e trabalho extra – chegava aos 1600 euros.

De acordo com a síntese estatística do emprego público hoje divulgada, o salário base sofreu um ligeiro decréscimo, de 0,1%, face a Outubro do ano passado, enquanto o ganho médio teve um aumento de 0,4%.

(…)

No Ministério dos Negócios Estrangeiros é onde este diferencial é mais visível e é também o que se destaca por pagar salários totais mais elevados. Um diplomata tem um salário base de 2320,8 euros, mas se contarmos com os subsídios, o ganho mensal médio chega aos 8145 euros.

Um conjunto de pessoas que ganhava 1.600 Euros o ano passado viu este rendimento subir em 0,4% (tudo em valores médios).

A Austeridade parece afinal só uma palavra dura para Alemão ouvir. Algo tinha de mudar para tudo continuar na mesma…

O Estado está a viver acima das minhas possibilidades

Filed under: Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo — Ricardo Lima @ 14:04

Impostos levaram à subida de 50% dos preços

 O aumento da carga fiscal sobre os portugueses foi o principal responsável pela subida de preços no ano passado. Segundo o Banco de Portugal (BdP), os preços aceleraram 2,2 pontos percentuais (p.p.) em 2011 (face a 2010). Destes, 1,4 p. p. são da responsabilidade do aumento dos impostos indiretos.
(mais…)

O futuro chega já amanhã

é só esperar. Por Rui A.

Entretanto, políticos miserabilistas e masoquistas, dos que gostam de perder votos e eleições a impor sacrifícios aos eleitores, transformaram-nos a vida num inferno desnecessário, quando lhes bastaria ter ouvido os sábios conselhos de Paul Krugman. Agora, com Passos vaiado sempre que põe o pé fora de casa, a Sra. Merkel a perder eleições sucessivas, o estoiro previsível da Grécia e a descida à terra do novo messias gaulês, tudo leva a crer que esses tempos nefastos acabaram e novos tempos se aproximam. É só esperar…

Maio 15, 2012

Sempre simpatizei com Luís Amado

“Há expectativa a mais à volta de Hollande” :

Claramente, há expectativa a mais face ao que é a margem de manobra do Presidente eleito, relativamente à situação de França. A França tem um desequilíbrio macro-económico muito acentuado, tem uma dívida que ronda os 90% e uma despesa pública acima de 55% em relação ao PIB. Portanto, a margem de manobra é muito limitada.

E é preciso ter muito cuidado relativamente à gestão de expectativas, não só da sociedade francesa, mas também dos mercados, que financiam a dívida pública francesa: são necessários 500 milhões de euros todos os dias para garantir o financiamento do nível de bem-estar da França! E o Presidente eleito sabe disso.

A França vai ter que ajustar, através de um programa de austeridade, alguns dos desequilíbrios que conhece. Mas sem dúvida que a eleição de Hollande acelerou o calendário para a governação económica da zona euro, para um processo de federalismo fiscal e orçamental que garanta a estabilidade e coesão de toda a zona euro.

(…)

É provável que a França tenha que fazer um ajustamento interno na casa dos 15 a 20%, no mínimo, mas é óbvio que ninguém seria eleito se fizesse a campanha prometendo ao seu eleitorado: «Elejam-me porque eu vou cortar o vosso ordenado em 20%».

A democracia hoje vive essa situação de paradoxo: ter que gerir expectativas positivas dos eleitores e expectativas negativas dos mercados que as financiam. E esse equilíbrio, nas democracias dependentes e em situação de grandes níveis de endividamento, é hoje o alfa e o ómega da crise democrática na Europa, em particular na periferia europeia. Porque depois das promessas eleitorais frustram-se as expectativas dos eleitores, para não se frustrar as expectativas dos credores.

Maio 13, 2012

Iniciativa, empreendedorismo e criação de emprego: retórica governamental vs. realidade

Filed under: Double standards,Economia,Media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 22:09

Um oportuno comentário do leitor Ricardo Cerqueira ao post A propósito de “oportunidade”, Passos Coelho perdeu uma de estar calado:

Eu até compreendo o que quis dizer o nosso PM, Mas as palavras leva-as o vento se nada for feito para acompanhar a teoria. Aqui vejo-me obrigado a voltar à questão do Código Contributivo da Segurança Social que inviabiliza o auto-emprego por via de recibos verdes (aumentos brutais e pagamento de IRS sobre as contribuições majoradas) e que em breve vai também inviabilizar qualquer actividade de quem for empresário em nome individual ou detentor de uma sociedade unipessoal.

Os seja, as hipóteses de um desempregado criar o seu próprio emprego são negadas pela voracidade contributiva imposta pelo anterior governo com o conluio dos sindicatos de esquerda.

Sinceramente, fico chocado com o alheamento revelado nesta proposta, aparentemente optimista, mas que choca no dito código que já deveria ter sido revogado desde que este governo tomou posse. Assim é gozar com a cara de todos aqueles que, não tendo emprego, querem ir à luta ao invés de ficarem pendurados na subsídio-dependência.

E o pior está para vir, quando estiver concluído o período de transição e os Independentes (e os referidos micro-empresários) começarem a ficar sem modo de vida, sacrificados para alimentar uma segurança social que nunca lhes valeu, nem valerá.

É muito mau…

Leitura complementar: Código Contributivo dos Trabalhadores Independentes: consequências previsíveis de um desastre anunciado; O que separa os verdadeiros dos falsos recibos verdes?

A União Europeia deveria deixar de subsidiar o crescimento do Syriza

Desemprego seletivo na Grécia socialistizada. Por António Balbino Caldeira. (via Helena Matos)

Maio 11, 2012

Poucos Passos

Filed under: Diversos,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Portugal — Ricardo Lima @ 13:25

Passos Coelho reconhece “nível de carga fiscal insuportável”. Das duas uma. Ou é mentiroso e está a tentar parecer solidário com um problema que não reconhece. Ou é incompetente e logo não tem capacidade para resolver o problema. Passos Coelho joga um jogo perigoso. Com uma oposição que sem vida se alimenta dos seus erros, com um país que perece a olhos vistos e, sobretudo, com os seus eleitores, que traíu. Talvez seja um conforto para alguns dos seus adversários que a conjuntura até 2015 – pelo menos – será adversa tanto ao país, como ao PM. Isto, se o Governo, cada vez mais apostado na receita que criticou em campanha, não seguir o destino que a sua ausência de sinceridade e a sua incompetência merecem. E  a caír, o CDS será terrivelmente afectado, visto que não só tem feito vista grossa aos devaneios do Governo, como é uma sua Ministra uma das principais responsáveis por esses devaneios em primeiro lugar.

Agradecem-se esclarecimentos

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 13:19

Nuns dias em que socialistas (uns assumidos, outros nem tanto) falam da necessidade de ‘políticas de crescimento’ – sendo ‘políticas de crescimento’, para esta gente, sinónimo de ‘pôr o estado a gastar dinheiro para promover crescimento económico’ – eu gostava que me esclarecessem, se não der muito trabalho, como se pagarão as tais ‘políticas de crescimento’. Dizem-me que nem Hollande descobriu a galinha dos ovos de ouro, pelo que onde se vai buscar o dinheiro? Emite-se dívida pública? Duvido que seja por aqui; os ditos socialistas ainda esperarão mais uns seis meses para propor que o país se endivide mais, com os juros altos nos mercados, o FMI e assim ainda presentes na memória das pessoas. Como não dá para poupar em lado nenhum do estado – este governo vai para um ano e ainda não fez qualquer redução estrutural da despesa pública e está-se mesmo a ver que a tal racionalização dos milhentos institutos públicos, a fazer-se, não será mais do que cosmética – então a solução que estes socialistas pretendem é aumentar a carga fiscal para dar ao estado fundos para gastar em ‘políticas de crescimento’, não é? (Não vou perder tempo aqui discutindo o sucesso retumbante das ‘políticas de crescimento’ que os governo patrocinaram até aqui.)

Seria bom, então, que os proponentes de ‘políticas de crescimento’ fossem cândidos – e corajosos! – e reconhecessem que pretendem empobrecer ainda mais as populações e contrair ainda mais a conjuntura económica para, depois, porem o estado a fazer ‘crescer’ a economia. A bem da clareza e da honestidade intelectual.

Syriza ao Poder?

A partir do Zero Hedge:

Now that the first parliamentary election vote is meaningless, with no party able to form a coalition government, everyone is focusing on the outcome of the next election, which will take place some time in mid-June. Minutes ago Marc and Alpha (via Reuters) released the results of a poll conducted on Tuesday but just published, and which, if sustained means major trouble for the EMU, because the results show that Anti-bailout Syriza is alone going to have almost as much represented as its two main pro-bailout opponents combined, and confirms that all the other parties are losing voters which instead are going toward the one party that seeks above all, to sever the terms of the Memorandum.

  • Syriza: 23.8%, up from 16.8% in the election
  • New Democracy: 17.4%, down from 18.9%
  • Pasok: 10.8%, down from 13.2%
  • Independent Greeks: 8.7%, down from 10.6%
  • KKE: 6.0%, down from 8.48%
  • Golden Dawn: 4.9%, down from 7%
  • Dimar: 4.0%, down from 6.11%

Or visually:

In other words, more and more Greeks are aligning with the anti-bailout Syriza. If we were Europe we would be worried. Very, very worried.

Como dizia o Adolfo Mesquita Nunes no DN, naquele caso sobre o Hollande: Ainda bem. Assim sempre vamos saber ao certo o que eles vão propor. Agora que a Esquerda radical deverá ganhar as próximas eleições vai ser só crescimento!

“A melhor política de crescimento é a ausência de qualquer política de crescimento. “

No Estado Sentido, o Samuel de Paiva Pires fala simples, curto e claro. Seguro e os partidos da maioria deveriam ler isto:

A melhor política de crescimento é a ausência de qualquer política de crescimento. O crescimento económico só é real se for feito pelo mercado livre, pelos privados. E basta pensar no passado recente para ver no que resultaram as políticas de crescimento socráticas. Diminuir os impostos e o tamanho do estado, começando por desmantelar o ministério da economia, era o melhor que se podia fazer para deixar o mercado funcionar e a economia crescer.

Maio 9, 2012

“You can’t always get what you want”

É extraordinário como ainda há quem seja capaz de ter entusiasmos destes. Um político francês ganha umas eleições (alguém tinha de as ganhar), e por esse mundo fora não falta quem pareça acreditar que chegámos a uma espécie de Terra Prometida. No domingo, essa totémica figura intelectual que dá pelo nome de Marcelo Rebelo de Sousa dizia que a partir de agora, “a Europa vai ter de olhar para o crescimento”. E nas páginas do New York Times, Paul Krugman anunciou que a chegada de Hollande ao poder aumenta as hipóteses de sobrevivência do Euro e do “projecto europeu”. Já com Obama abundaram arrebatamentos deste género, mas o homem era dado a proclamações salvíficas e possuía uma retórica suficientemente vaga para que ninguém pensasse muito sobre o que ele dizia. Hollande, no entanto, não consegue dizer três palavras sem se adormecer a si próprio, e faz promessas que deixam bem claro que ou não tem consciência da realidade ou mente de forma descarada. Nenhuma delas uma característica particularmente redentora.

Hollande ecoa o discurso muito em voga de que é preciso deixar a “aposta” na “austeridade” e “virarmo-nos” para o “crescimento”. Como se houvesse uma opção. Como se a “austeridade” fosse uma escolha. Como se bastasse querer “crescer” para o conseguir. Mas ao contrário do que muitas pessoas parecem pensar, não há ninguém que defenda “políticas de empobrecimento”. A “austeridade” que de facto nos empobrece não é uma escolha, algo a que se possa “pôr fim” por decreto e voluntarismo.

É estranho como as pessoas parecem crer na capacidade de um governo (nenhum em particular, mas a entidade abstracta) para resolver problemas. Na realidade, os governos são um animal dos mais impotentes que existem à face da Terra. Estão limitados pelas acções de outros governos, pelas acções de simples indivíduos cujos resultados não controlam, e acima de tudo pelas circunstâncias. Nenhum governo escreve numa folha em branco. E nas circunstâncias actuais, é impossível acabar com a “austeridade”. Com cortes de impostos ou cortes da despesa, com aumentos de impostos ou aumento do “investimento público”, os europeus em geral e os portugueses em particular vão continuar a empobrecer. Qualquer “aposta” no “crescimento” dificilmente será bem sucedida.

O que Hollande propõe, e que tanta esperança alimenta nos que excitadamente acolheram a sua eleição, é atirar dinheiro para a economia. O problema é que o dinheiro custa dinheiro. Para “investir”, o Estado precisa ou de cobrar mais impostos, que dificultarão a vida à classe média e que mais depressa farão fugir os ricos do que fazê-los pagar mais, ou se endividar. E quem é que emprestará dinheiro a Estados já excessivamente endividados, numa conjuntura como a actual, a não ser com juros quase proibitivos? Basicamente, estar-se-ia a repetir o erro das últimas décadas, alimentando uma falsa prosperidade hipotecando o futuro cada vez mais.

É claro que há um outro sítio ao qual os Estados podiam ir buscar dinheiro. Ao contrário do que a sabedoria popular nos ensina, o dinheiro até cresce nas árvores. Apenas quanto mais se colhe, menos valor ele tem. Se os governos quiserem (e querem sempre) “injectar” dinheiro na economia, basta pedirem aos Bancos Centrais para o imprimirem. É o que Hollande tenciona fazer, e certamente que o BCE terá ouvidos receptivos para o Eliseu. E como que por milagre, haverá mais dinheiro a circular. Mas esse dinheiro valerá menos. O pouco que as pessoas comuns conseguiram poupar valerá menos. Os que ainda vão recebendo um salário irão ver esse salário representar menos poder de compra. Haverá mais dinheiro, mas o empobrecimento será maior.

O melhor que os governos têm a fazer, nestas circunstâncias, é garantir que a “austeridade” não se venha a repetir no futuro. É garantir que políticas como as que nos conduziram até aqui são definitivamente abandonadas. É garantir que no futuro as pessoas não tenham que abdicar de metade do que ganham para alimentar um Estado que nem assim paga tudo o que deve, e que a única coisa que lhes dá em troca é um aumento de impostos de seis em seis meses. Mas para isso, será preciso reformar profundamente os sistemas públicos de Segurança Social, os sistemas públicos de Saúde, os sistemas públicos de Educação. Na prática, isso traduzir-se-á em fazer com que um número significativo de pessoas paguem mais por eles. A longo prazo, será a melhor opção para todos. Mas a curto prazo, significará também o empobrecimento dessas pessoas. É triste, mas é verdade.

Ninguém mais do que eu gostaria que as políticas dos governos, fossem as de Obama, as de Passos Coelho, as de Hollande, as de Merkel ou as de qualquer um outro, fizessem com que eu pudesse olhar para o futuro e ver outra coisa que não a desgraça que todos tememos estar aí à porta. O problema está em que a “austeridade” não foi uma escolha feita em detrimento do “crescimento”, por perfídia de uns senhores de índole duvidosa que ocupam o poder. “Crescimento” todos queremos. Mas infelizmente, como sabiamente dizia o filósofo Jagger, “you can’t always get what you want”.

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