O aristocrata republicano em grande forma

soares

O Che Che nacional continua sem amigos e família que o estimem e cuidem.

Foi em outubro de 2013 que li o livro de Stephen Emmott, professor ilustre da Universidade de Cambridge, Dez Mil Milhões – Enfrentando o Nosso Futuro.

Apercebi-me então do que seria a dramática situação do planeta se a ganância da globalização dos mercados continuasse, sem regras, em busca do petróleo, furando a terra e provocando trágicas consequências nos oceanos, a que infelizmente temos vindo a assistir nos últimos anos.

Daí, seguramente, a razão por que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, um político de uma inteligência e visão extraordinárias, fez baixar o preço do petróleo por toda a parte, tentando ao mesmo tempo limitar a fúria dos oceanos e a consequente formação de gelo que este ano, excecional, atingiu as duas costas dos Estados Unidos e outros continentes.

No ano passado, o mar, em Portugal, destruiu grande parte das nossas praias. Mas se este ano isso se repetisse – e não gostaria que isso acontecesse – ficaríamos sem praias e sem turismo.

Daí que seja necessário que os cientistas que ainda nos restam e que se interessam por esta área se imponham e responsabilizem o governo pela prevenção dos impactos negativos das alterações climáticas, que tendem a agravar-se.

Intervenção da PSP durante homenagem a Sócrates

Felizmente, tudo acabou sem problemas de maior: PSP impede agressões durante homenagem a Sócrates

Os ânimos estiveram exaltados e obrigaram mesmo à intervenção da PSP, que impediu agressões entre um humorista e apoiantes de Sócrates.

Compreender o putinismo XIII

Foto: AP

Foto: AP

Na Rússia, a fome voltou a ser patriótica.

Russian Deputy Prime Minister Igor Shuvalov, speaking at the World Economic Forum in Davos, on Friday warned the West against trying to topple President Vladimir Putin and said that Russians are ready to sacrifice their wealth in Putin’s support.

Russia has for the past year been sliding into recession amid a slump in its energy export prices as well as Western sanctions against Moscow’s role in the conflict in Ukraine that has claimed more than 5,000 lives. Questions have been raised in Russia and abroad whether the price that ordinary Russians are having to pay for the annexation of Crimea is too high.

Shuvalov, who is believed to be one of the richest men in the government, said that what he considers the West’s attempts to oust Putin will only unite the nation further.

“When a Russian feels any foreign pressure, he will never give up his leader,” Shuvalov said. “Never. We will survive any hardship in the country — eat less food, use less electricity.”

Shuvalov’s comments triggered pithy remarks on Russia social media including an opposition activist who posted photos of Shuvalov’s Moscow, London and Austria homes to illustrate where the deputy prime minister would experience the hardships he described.

Críticos da Sétima Arte em alta

AE

Apesar da confusão do crítico oriundo da Coreia do Norte, a crítica ao filme “A Entrevista” não pode deixar de ser clara.

O filme A Entrevista já rendeu muita dor de cabeça à Sony, por provocar a ira do regime norte-coreano e de hackers que invadiram o sistema de segurança da empresa em novembro passado. Agora, o longa é responsável por tirar o sono dos organizadores do Festival de Cinema de Berlim, já que o governo de Kim Jong-un acredita que o filme terá sua estreia em Berlim durante o festival, porque ambos acontecem no mesmo dia, 5 de fevereiro. “Esse filme claramente instiga o terrorismo“, diz um trecho do comunicado em tom de ameaça emitido pela emissora estatal norte-coreana, que também afirma que se A Entrevista for para a Berlinale, a Alemanha será vista como uma aliada dos Estados Unidos. Entretanto, o evento já divulgou a sua lista de filmes, e A Entrevista não está entre eles.

Um pavão egocêntrico

pav_o_coloridoUma coisa que tem piada nesta fabricada indignação com algo que o Secretário de Estado do Turismo não disse é que nos dá a oportunidade de ver o egocentrismo de um pavão a funcionar. Juntamente com a sua sarcástica gargalhada facebookiana, Rui Moreira coloca quatro recortes de jornal onde supostamente aparece a promover a cidade do Porto. Os artigos sucedâneos que têm surgido mencionam esse facto, como prova inequívoca do mérito do presidente da CMP na promoção da cidade.

Acontece que uma olhadela mais cuidada sobre os quatro artigos em causa mostra que os mesmos nada promovem a cidade. Três são das semanas que se seguiram às eleições autárquicas e noticiam o facto inédito de um independente ter ganho a câmara do Porto. São os do (International) New York Times, do Libération e do El País. O quarto, da revista Monocle, é de Abril de 2014, sendo na essência uma “vanity piece” que nos dá a conhecer o ego de Moreira; e este deve realmente ser bastante grande, pois para apresentar estes artigos como exemplos do seu papel na promoção da cidade, ele terá de achar que a sua eleição é suficiente para trazer turistas a rodos para a cidade. Ou então que os 75 e picos mil leitores da Monocle ficarão tão impressionados com o seu perfil que farão uma incansável campanha word-of-mouth a promover o Porto.

Parabéns, Charlie Hebdo

charliehebdomaome

Mohammed Hussein, o Grande Mufti de Jerusalém, condenou como um insulto o novo cartoon que retrata o Profeta Maomé. na edição recorde do jornal satírico Charlie Hebdo.

“This insult has hurt the feelings of nearly two billion Muslims all over the world. The cartoons and other slander damage relations between the followers of the (Abrahamic) faiths,” he said in a statement.

The mufti, who oversees Jerusalem’s Muslim sites including Islam’s third holiest, the Al-Aqsa mosque compound, slammed the “publishing of cartoons ridiculing the Prophet Mohammed, peace be upon him, and the disregard for the feelings of Muslims.”

Auto-caricatura

No programa da RTP Prós & Contras discute-se o terrorismo que fustigou a França. Dois cartoonistas convidados quando tiveram tempo de antena não perderam a oportunidade para apontar o dedo ao Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons VII

Gaddafi

A paródia do regime sírio tem pernas para andar. De acordo com a agência de notícias síria, o país condena o ataque terrorista ao jornal Charlie Hebdo. Deixando de lado as alucinações e de regresso à realidade, não deixa de ser assinalável o progresso humanista do regime de Assad no que toca ao cartoonista que ousou caricaturar (não o profeta mas) o querido líder. Alguns dos trabalhos de Ali Ferzat podem ser vistos aqui.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons VI

MorgenPost

German paper hit by Hebdo arson attack.

A German tabloid that reprinted cartoons from the French satirical paper Charlie Hebdo lampooning the Prophet Mohammed was targeted in a firebombing on Sunday, police said.

Adenda: O jornal belga Le Soir foi evacuado após uma ameça de bomba. As autoridades marroquinas proibiram a distribuição dos jornais e revistas estrangeiros que tiveram a ousadia de publicarem os cartoons do jornal satírico Charlie Hebdo.

Leituras dominicais

O desrespeito é muito lindo, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Para início de conversa, e por incrível que pareça, convém esclarecer que os acontecimentos de quarta-feira em Paris não decorrem da austeridade, do desemprego, do desenraizamento, da pobreza, da globalização, do individualismo, da falta de “valores”, do mau gosto, da NATO, da FIFA, da guerra no Iraque, do conflito israelo-árabe, das Cruzadas ou do fanatismo religioso em geral.

O massacre na redacção do Charlie Hebdo decorre apenas de sede de sangue que alguns revelam em nome de uma religião particular, o islão, hoje bastante fadada a congregar tarados do género. Quem, por estratégia partidária, convicção ideológica, conivência dissimulada com os assassinos ou pura estupidez, procura causas avulsas para “explicar” o assassínio de 12 pessoas, fora os inocentes que tombaram nos dias seguintes, está pouco consternado com a chacina. Não sei se, no Twitter dela, a Dra. Ana Gomes “legitimou” a chacina com a crise económica por oportunismo ou imbecilidade crónica. Sei que é vergonhoso

a senhora representar Portugal no Parlamento Europeu, tão vergonhoso quanto o PCP, que responsabilizou a “exclusão social” e os EUA pelo atentado, ainda existir.

Liberdades, por João Pereira Coutinho

Foram horas de comentários inanes. Mas a melhor análise aos dias de terror em França só veio no fim: aconteceu na TVI, pela boca de um sacerdote católico. António Rego, com erudição e serenidade, explicou o que separa o Ocidente (de raiz cristã) do islamismo radical: duas concepções de liberdade. No Ocidente, depois de guerras sangrentas entre os vários poderes espirituais (e entre estes e o poder temporal), a liberdade não é apenas um valor secular relevante. Ela é entendida também como uma condição teológica fundamental: sem liberdade, as criaturas seriam escravas da vontade do Criador. No Islão extremista, ainda não houve essa ‘Reforma’ (nem esse ‘Iluminismo’): a blasfémia é uma heresia – e o lugar dos hereges sempre foi no suplício das chamas. Sim, podemos defender-nos e vigiar-nos, como pediu François Hollande. Mas tudo dependerá da capacidade do Islão em ‘reformar-se’ para sair da sua Idade Média.

Freedom of speech cannot be killed, por  Joe Randazzo (antigo director do The Onion).

(…)Satire must always accompany any free society. It is an absolute necessity. Even in the most repressive medieval kingdoms, they understood the need for the court jester, the one soul allowed to tell the truth through laughter. It is, in many ways, the most powerful form of free speech because it is aimed at those in power, or those whose ideas would spread hate. It is the canary in the coalmine, a cultural thermometer, and it always has to push, push, push the boundaries of society to see how much it’s grown.

Our society is possibly the freest that humankind has yet produced and that freedom is predicated on one central idea: the right to speech. That right is understood as a natural extension of our very existence. In America, free speech is so important that the men who wrote our Bill of Rights put it first, but followed it up with our right to bear arms. To me, that’s always been a pretty strong message: Say what you want and, here, take some guns to make sure no one tries to stop you. But in this state of widespread social change – probably the most profound in centuries – we need to make sure that the ideal of the second. amendment never, ever trumps the power of the first. That brute force never negates ideas. (…)

Antonio Costa, director do Diário Económico na sua página do Facebook.

“Vai uma grande confusão por algumas cabeças mediáticas, ou um grande cinismo e hipocrisia, o que é ainda pior. Ser Charlie não é concordar com os cartoons do Charlie Hebdo, é discordar, é detestar, é estar do outro lado, e mesmo assim defender a sua existência. E pôr de lado as nossas opções políticas e sociais para estar ao lado de quem foi alvo de um crime,. Confundir este princípio absolutamente estruturante da liberdade de expressão com a ideia de que ser Charlie obriga a estar contra a austeridade, ou contra a Alemanha, ou concordar com todos os disparates que se dizem, ou ter a obrigação de dar espaço, por exemplo editorial, a todos os disparates, a todos os humoristas, cartoonistas e afins é outra coisa. É ser anti-Charlie. Não há donos da moralidade, embora pareça que esses querem impor essa moralidade aos outros, e não autorizar que todos sejamos Charlie. Diz muito do que pensam.”

Jeff Jarvis, no El Español, um novo projecto de comunicação a seguir com atenção.

(…) Defender la libertad de expresión no es americano. Es lógico. Si se permitiera a un gobierno controlar -censurar- discursos ofensivos, sólo escucharíamos los que aprobara el gobierno ya que cualquier expresión podría ofender a alguien y todas estarían controladas.

La idea de que la libertad de expresión debe estar controlada para limitar la ofensa es en sí misma ofensiva para los principios de una sociedad libre, abierta y moderna. Esto es lo que nos han enseñado los asesinatos de Charlie Hebdo. (…)

O humor está em alta

Lifenews

De acordo com o canal de progaganda de tv russo LifeNews que conta com um reputado especialista em política externa norte-americana, a  CIA está na origem do bárbaro ataque à redacção do Charlie Hebdo por forma a colocar um travão na guerra com o Estado Islâmico e para que as sanções contra a Rússia sejam mantidas. Confusos? Alexei Martynov, explica.

Num grupo de jornalistas no FB há quem cite uma teoria questão do David Icke a propósito do polícia assassinado cuja imagem não revela hectolitros de sangue. Ao que parece os reptilianos voltaram para ficar e dominar o que resta do Universo. Não serão precisas explicações

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A investigação jornalística de 2014

Vai direitinha e por aclamação para a iraniana Press TV. Graças ao gigantesco trabalho de investigação e de infografia, revela à humanidade que as ilhas sauditas de Tirana e Sanafir encontram-se há décadas silenciosamente ocupadas por Israel. .

António Costa visita Sócrates na prisão. Aceitam-se apostas!

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Rússia em modo vintage

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Crise, qual crise? Está proibida, a crise.

Authorities in the Central Russia’s Kaluga Region have banned the use of the word ‘crisis’ in public and the measure is already helping to attract investors, according to the local governor.

It is possible that the crisis exists, but we forbid the use of this word,” the Russian News Service (RSN) radio quoted Anatoly Artamonov as saying on Tuesday.

The governor added that the Kaluga Region authorities were not planning a policy response to the current “inconvenient moment,” but instead chose to hold a major internal audit of the investment policy and legislation in order to create a better business environment.

Os cartoons prejudicam a saúde

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Indonesian police accused the top editor of a leading English-language newspaper of blasphemy after the paper published a cartoon depicting the flag of the Islamic State of Iraq and Al-Sham that allegedly insulted Islam.

Por favor não me ajudem, pensará ele

socratesO primeiro autor de um pedido de habeas corpus foi um jurista conhecido por ameaçar imolar-se num sofa regado com gasolina em protesto contra a sua universidade. O segundo apresentou o pedido em fotocópias de jornal. O terceiro é um sucateiro condenado por violência doméstica e envolvido em leilões manhosos com o badalado Manuel Godinho.

Soares continua fixe

soares

O pior tem sido os oceanos, que se expandiram, tanto no Atlântico como no Pacífico, e no seu furor estão a matar as faunas e a destruir as praias.

 

Perante a indiferença familiar e face ao impedimento do detido 44, proponho um programa de opinião do doutor Mário Soares, na RTP, no intervalo dos jogos da Liga dos Campeões.

BE: à meia dúzia é melhor e mais barato

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De acordo com a sua constituição presumidamente revolucionária, o Bloco de Esquerda (BE) “é um movimento de cidadãs e cidadãos” que assume entre outras coisas fundamentais para a modernidade progressista a “forma legal de partido político” mas que também concebe  ser reconhecido como “movimento” que inspira e é inspirado por “contribuição convergentes de cidadãos, forças e movimentos” que se “comprometem com a defesa intransigente da liberdade e com a busca de alternativas ao capitalismo”. Para além dessa tarefa hercúlea de procura e dissimulação envergonhada do comunismo, o BE “pronuncia-se por um mundo ecologicamente  sustentável ” e sonha com a “transformação social, e a perspectiva do socialismo como expressão da luta emancipatória da Humanidade contra a exploração e a opressão”. Honra seja feita ao BE, será  difícil a todas as forças, grupos e ajuntamentos de esquerda inovar tanto nos mesmos desejos, chamando-lhes outros nomes mais ou menos convergentes e com idênticos objectivos. Para a humanidade permanecer a par das novidades, o Observador trata de dar a conhecer O Bando dos seis: quem é quem na nova direção do Bloco de Esquerda.

Momento filosófico

42Muita tinta corre sobre Sócrates e a sua problemática relação com a verdade. O que a maior parte dos comentadores não entende, contudo, é que estamos perante uma alteração de paradigma epistemológico. Insistindo numa visão pré-socrática do conceito de verdade, os comentadores passam ao lado das inovações teleológicas do Mestre de Filosofia da Sciences-Po. A Verdade é o fim de um processo democrático necessariamente condicionado pela Vontade. Quem não percebe isso acaba inevitavelmente enredado da teia do botabaixismo da cabala negra. É uma pena que no aleatório caos da existência não lhe tenha calhado em Évora o número 42.