Uma parte dos portugueses há de ter lido o Millôr Fernandes na imprensa da Corte ou no livro lançado pelo Independente naquela maravilhosa coleção de capa amarelinha. Pois ontem à noite, aos 88 anos e uma vida de exercício laborioso da genialidade, Millôr se foi. Artista versátil, escreveu e desenhou, gravando na cultura brasileira o seu humor surpreendente.
Frasista de primeira grandeza, afirmou sobre a morte: “O pior não é morrer. É não poder espantar as moscas”.
Outras frases:
“Com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos quarenta anos de vida, aprender a ficar calado.”
”Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você manda em mim.”
”Nada é mais falso do que uma verdade estabelecida.”
”Se é gostoso faz logo, amanhã pode ser ilegal.”
”A diferença fundamental entre Direita e Esquerda é que a Direita acredita cegamente em tudo que lhe ensinaram, e a Esquerda acredita cegamente em tudo que ensina.”
”Toda uma biblioteca de Direito apenas para melhorar quase nada os dez mandamentos.”
”Por mais violento que seja o argumento contrário, por mais bem formulado, eu tenho sempre uma resposta que fecha a boca de qualquer um: ‘Vocês têm toda a razão.’ “
Isto de morrer é muito chato, pá!