Schism - Resposta de um blogger saudita a Geert Wilders
Miguel Esteves Cardoso dizia que qualquer português é benfiquista até prova em contrário. Após alguns anos a conviver com portugueses posso assegurar que nunca conheci nenhum português que não fosse benfiquista. Veja-se o exemplo do jogo de hoje do Vitória de Guimarães. Por essa blogosfera viram-se supostos adeptos do Futebol Clube do Porto a torcer para que a sua equipa perdesse. Na altura de escolher entre a equipa da qual se dizem adeptos e o Benfica não hesitaram: desejaram que a sua equipa perdesse. Apesar de não o admitirem, também eles são benfiquistas. Um outro tipo de benfiquistas, é certo, mas benfiquistas na mesma e tão ferrenhos como todos os outros.
No dia em que o Expresso informava que o Jorge Coelho que vai presidir à Mota-Engil é o mesmo que confiou à construtora contratos de mil milhões de euros enquanto ministro das Obras Públicas, Agostinho Banquinho, porta-voz do PSD para a comunicação social, decidiu denunciar um escandaloso favorecimento do Estado: a contratação da jornalista Fernanda Câncio para assinar uma série de dez programas na RTP2 sobre bairros problemáticos. Estranhamente, Branquinho teve uma branca: nem uma palavra sobre Coelho. Uma pessoa com maus pensamentos associaria o lapso aos saltos despudorados entre governos PS e PSD e empresas (Jorge Coelho + Mota-Engil = Ferreira do Amaral + Lusoponte, não sei se estão a ver), mas eu não sou uma pessoa com maus pensamentos. Por isso, prefiro analisar a brilhante argumentação do sr. Branquinho no “caso Câncio” - afinal, é gente que ambiciona ser governo, devemos levá-los a sério.Argumento 1, segundo Branquinho: “Torna-se incompreensível que a RTP contratualize com entidades externas a feitura de programas para a sua grelha.” Tendo em conta que não deve haver um único canal, em todo o mundo civilizado, que não “contratualize com entidades externas”, é caso para perguntar quem colocou Branquinho à frente da pasta da comunicação social. Enquanto militante n.º 1 do PSD, Pinto Balsemão já podia ter tido a caridade de convidar o deputado para um almoço, explicando-lhe, com palavras simples, o que é a televisão. É que, tendo em conta o seu Argumento 2 - “A estupefacção é maior quando se contratualiza com alguém que não tem experiência televisiva” -, Branquinho pode ter problemas com as palavras complicadas: Fernanda Câncio tem vários anos de experiência televisiva, em jornalismo de investigação. E, por fim, o Argumento 3: uma contratação dessas só se justifica “quando acrescenta valor acrescentado” (sic). Aqui, podíamos aconselhar a Agostinho Branquinho a leitura dos livros de reportagem de Fernanda Câncio, não fosse ele ter manifestas dificuldades com o português.
O que Agostinho Branquinho não disse à Lusa, porque preferiu a insinuação cobardolas - mas eu digo por ele -, é que todo este episódio vergonhoso só existe para sugerir que José Sócrates andou a pressionar a RTP para fazer um favorzinho a Fernanda Câncio. Sócrates, que ainda há poucos anos era homossexual (lembram-se?, foi no tempo do amigo Santana), agora parece que se transformou num heterossexual furioso, empenhado em arranjar tachos à namorada. É este o PSD que temos. E é esta a gente que quer mandar no País. Só duas palavrinhas (muito simples): vade retro.
João Miguel Tavares, no DN
É sabido que existem certas profissões para as quais a beleza é um factor predominante na remuneração. Em profissões como modelo, assistente de bordo, alguns empregos na área da restauração, é certo que a beleza é um factor que traz valor acrescentado ao negócio e é, sem dúvida, tida em conta na altura do recrutamento e progressão na carreira. Mas o que se passa com os restantes empregos em que a beleza não é um factor determinante? Serão os contabilistas bonitos mais bem pagos? Valerá a pena um académico passar duas horas por dia no ginário. Um estudo publicado numa edição passada da Economist dizia que sim: mesmo em profissões nas quais a beleza não traz qualquer valor acrescentado ao trabalho, as pessoas consideradas bonitas tendem a ser mais bem pagas.
Mas não fiquem demasiado satisfeitas as leitoras deste blog (nem muito consternados os meus caros companheiros de blog), que nem tudo é como parece. De facto, bastará existir uma profissão que privilegie as pessoas bonitas para que todo um sistema baseado no mérito se desequilibre, e pareça que as pessoas bonitas são beneficiadas. São as vantagens comparativas em acção. Senão vejamos:
Vamos supôr uma população em que as pessoas se dividem igualmente em quatro tipos: pessoas bonitas e inteligentes, bonitas e estúpidas, feias e inteligentes e feias e estúpidas. Num primeiro momento todas essas pessoas podem ter apenas uma profissão, professor universitário, em que a inteligência é o único factor que conta para a remuneração: independentemente da sua beleza, as pessoas inteligentes seriam as mais bem pagas. Estatisticamente não haveria qualquer diferenciação entre a remuneração das pessoas bonitas e feias. Agora imaginemos que, na mesma população, abre uma agência de modelos que apenas contrata pessoas bonitas, oferecendo o mesmo nível salarial que as pessoas inteligentes recebem como professores universitários. De imediato todas as pessoas correspondendo à descrição “bonitas e estúpidas” preferirão mudar de profissão. Entre as pessoas bonitas, apenas as inteligentes se manterão como académicos. Como apenas as pessoas inteligentes se mantêm na profissão, em média receberão mais que as pessoas feias (entre as quais se mantêm algumas pessoas estúpidas).
Em resumo, basta a existência de algumas profissões em que a beleza é um factor a ter em conta, para que em média as pesssoas bonitas em todas em profissões recebam mais. Este facto só seria equilibrado se houvesse um contrapeso, ou seja, um número igual de cargos em profissões em que a falta de beleza fosse vantagem competitiva. Mas como não existem saltimbancos e colunistas do Expresso suficientes para contrabalançar todas as profissões em que a beleza é vantagem competitiva, as pessoas bonitas continuarão a receber mais, em média, em todas as profissões, mesmo aquelas em que a beleza não é tida em conta. E com todo o mérito.
Um magnífico texto do Pedro Arroja sobre a importância de algumas crenças religiosas para a vida em sociedade:
(…)Suppose we knew the truth about afterlife and that such truth is that there is no afterlife at all. Most people who lived throughout history have done so under extremely difficult conditions of poverty, illness and oppression. What would keep these people alive if they knew beforehand that there was no reward expecting them for enduring such suffering? The truth that there is no afterlife would have led most people who ever lived to rationally put an earlier end to their lives. Obviously, a society where a lot of people, rationally balancing costs and benefits, were led to put an earlier end to their own lives would also be a society where people would feel much more at ease to put an early end to other peoples’ lives.
Suppose now that the truth about afterlife is in accordance with Christian belief: there is indeed an afterlife and people are rewarded there for all good works and suffering of their earthly life. A society based on this truth would be as cruel as the one described above, if not more so. Each man would now try to do his best to meet as fast as possible the conditions that would entitle him to a life on heaven which is better than the one he has on this earth. Once those conditions were met the rational decision for him to take was to kill himself. Sooner or later the conditions for people to be entitled to a better afterlife than their earthly life would be made explicit by law and would apply to all, so that the moment you met those conditions you would be rationally shot and dispatched to heaven.
It is the uncertainty regarding afterlife, not the truth about it - whatever such truth is -, that keeps people moving on doing good works and enduring suffering. The mistery regarding afterlife is a rational, sophisticated creation of religion, not science. In my view, the Christian belief in afterlife, and other such unproven beliefs, have done more - actually, much more - to promote human life and make human societies possible than all the achievements of science put together with their demonstrable laws and unquestionable proven facts.
O resultado da democracia nas escolas.
Mais um dia negro nas bolsas. Em breve chegaremos aos mínimos de 2005 no PSI.
Os investidores precisam de indicações sobre o que fazer. Mas a Kika, uma investidora solitária que vai conseguindo bater os analistas do BPI, continua silenciosa. Até quando?
Comentário do Euroliberal ao post abaixo:
Interessante debate. Devo acrescentar, enquanto o Carlos não nos brinda com uma análise política dos estados do Golfo, que tendo visitado os Emirados (os 7) e o Sultanato de Oman, não fiquei com a impressão de ter visitado ditaduras, como são quase todos os países árabes com governos fantoches pró-US (perdão, “moderados” em linguagem p.c.). Não tive ecos de movimentos populares de descontentamento, de presos políticos, de omnipresença policial. São uma Babel de raças, incluindo dezenas de milhares de ocidentais, onde se têm a impressão de estar num Mónaco gigante. E, no entanto, as estruturas políticas são, pelos nossos padrões, claramente feudais. Mas, pude observar, de um particular feudalismo, qu eu definiria como paternalista e consensual. E que funciona muito bem. A mentalidade local valoriza acima de tudo o consenso (os partidos são o contrário disso…)obtido através de múltiplas reuniões aos vários níveis onde os cidadãos podem expor livre e directamente aos dirigentes (sultões e principes incluídos) as suas reclamações e fazer pedidos de intervenção. O que retira o poder a sua rigidez burocrática e lhe dá proximidade, familiaridade mesmo. O soberano é visto como o chefe da tribo, o Pai de todos, algém da família. Eu diria que esses estados são materialmente democráticos, mais democráticos do que muitos que o são apenas formalmente. Não digo que seja um modelo completamente transponível para outras paragens, dadas as especificidades culturais, embora muitas ideias se possam aproveitar. O progresso, sobretudo, que é de ficar de boca aberta para o mais viajado e que ridiculariza o habitual cliché obscurantista e atrasado do mundo árabe… O Golfo será nos próximos tempos o centro do mundo, a placa giratória entre o velho ocidente e o “rising” oriente, onde todos os recordes do Guiness são batidos (maiores arranha-céus, marinas, aeroportos, ilhas artificiais, melhores hotéis e palácios, etc.
O EAU têm uma política de imigração relativamente simples que se pode resumir numa frase: todos os estrangeiros com emprego podem residir no país. Não há direitos sociais mas também não há impostos sobre o rendimento. Os imigrantes e a família directa podem permanecer indefinidamente no país desde que tenham emprego ou se possuírem casa. Absolutamente nenhum estrangeiro obtém nacionalidade, nem mesmo imigrantes de 2ª e 3ª geração. Sem limite mínimo para salários, nem protecção no desemprego, todos os contratos de trabalho são precários – podendo ser terminados com um mês de pré-aviso. Em resumo, os EAU têm uma lei de imigração que chocaria tanto a direita (pela política de portas abertas) com a esquerda (pela ausência de direitos) europeias.Qual o resultado desta política? Ficam todos a ganhar. A percentagem de imigrantes no total da população supera os 80%. Com uma população de 4.5 milhões de habitantes, os EAU têm mais imigrantes indianos do que toda a UE ou os EUA. As remessas de emigrantes com salários de 200/300 euros alimentam milhões, repito, milhões, de famílias na Índia. Por seu lado, os Emiratis ganham acesso a mão de obra barata que lhes alimenta estilos de vida luxuoso e uma economia em expansão. Por exemplo, é pouco comum haver famílias Emiratis sem empregada doméstica full-time (inclusivamente quase todas as casas com mais de dois quartos já incluem “maid’s room”). Uma nota importante aqui: os Emiratis não têm uma política de porta aberta por caridade, têm-na porque sabem que é melhor para eles.
Os Emiratis são, no seu próprio país, uma minoria étnica (cerca de 19% da população total), a sua língua é a terceira mais falada (a seguir ao hindu e ao inglês) e já nem a religião, na qual a constituição é baseada, é maioritária no país. No entanto os EAU estão longe de ser um Kosovo. Ninguém se preocupa se o Ramadão fere as sensibilidades das comunidades imigrantes, e os restaurantes fecham mesmo durante o dia por um mês inteiro. Apesar de haver liberdade religiosa, o espaço público só pode ser usado para manifestações religiosas islâmicas.
No Ocidente tudo é diferente. Os imigrantes têm direito a benefícios socias e são protegidos pelas leis do salário mínimo. No Ocidente preocupamo-nos com os imigrantes, por isso só deixamos entrar aqueles que podemos sustentar. Claro está, isto para aqueles que têm a sorte de conseguir entrar, os restantes ficam à deriva (por vezes literalmente). Isto porque dar um contrário precário sem direitos sociais, um salário de 200/300 euros (o suficiente para alimentar uma família de 4 pessoas em 80% do Mundo) e uma cama a um imigrante africano ou indiano é demais para as nossas consciências. Melhor mesmo é deixá-los a morrer à fome no seu país. Longe da vista,…

1. A mobilidade chegou ao Médio Oriente bem antes de ter chegado à União Europeia. Ainda Schengen não passava de uma vila perdida no centro da Europa e já os países do Golfo tinham dado liberdade de movimentos a trabalhadores e turistas oriundos dos países da Cooperação. Estando a trabalhar há mais de meio ano no Médio Oriente tive já a oportunidade de conversar com pessoas de muitas nacionalidades, incluindo muitos Palestinianos, aqui da região. Inevitavelmente o assunto acaba por ir sempre parar à política. O cidadão médio (aquilo que se chamará o islão moderado) tem o mesmo apreço pelos EUA que o cidadão médio europeu, ou seja, muito pouco. Ainda menos apreço tem por Israel. Mas há uma diferença profunda entre ambas as situações: para o cidadão médio, moderado, dos países árabes, há diferenças entre os EUA e o seu governo, e os americanos. Mas para a mesma pessoa não há qualquer diferença entre Israel e os Israelitas. Todos os cidadãos de Israel, por terem vindo para a Palestina de livre vontade, conhecendo a situação que os esperava, são invasores. Isto vindo do cidadão médio faz entender melhor como pensarão os terroristas (ou militares Palestinianos se assim os quisermos chamar). Para o militar Palestiniano não existe diferença entre militares e civis. São poucos os ataques Palestinianos a Israel que demonstram algum outro objectivo que não o de matar civis. Pelo contrário, as mortes civis nos ataques de Israel à Palestina não são objectivos primários, são resultado do facto de a força militar Palestiniana não se distinguir da sua população e do desleixo e desprezo pela vida dos Palestinianos que os militares Israelitas foram desenvolvendo. Desleixo obviamente condenável mas que nem por isso esconde a profunda diferença de motivos e intenções dos ataques militares de ambos os lados: Israel ataca, mata, isola para reduzir a força militar (terrorista) do adversário, os Palestinianos apenas querem matar israelitas. Extraordinário o facto de esta posição dos palestinianos se estender a muitos europeus, nomeadamente quando noticiam as acções militares de ambos os lados. Quando há um ataque à Palestina faz-se questão de referenciar as vítimas inocentes, civis e crianças, mas isso raramente acontece na contagem de mortos Israelitas. É como se para os europeus também não houvesse israelitas inocentes.
2. A criação de um estado Judeu foi a forma mais idiota que os Europeus tiveram para arrumar o seu anti-semitismo para debaixo do tapete. Esqueceram-se que já alguém lá estava debaixo do tapete. A minha opinião é de que Israel nunca deveria ter existido e foi constituído de forma ilegítima. Mas, como muitos outros estados, até diria a maioria dos estados, ganhou legitimidade com o tempo. Como parece defender o Daniel Oliveira, idealmente a solução para o conflito israelo-árabe passaria pelo regresso às fronteiras de 1967, ou outro qualquer acordo que implicasse a aceitação do direito à existência de uns e outros. Pragmaticamente, tal não será possível, porque o objectivo último (porventura com algum fundo de legitimidade) dos países árabes é a extinção do estado de Israel. Em todos os países árabes, Israel não consta nos mapas, os cidadãos israelitas estão proibidos de entrar e até a própria palavra “Israel” surge sempre entre aspas. Ninguém, por mais pacifista ou idealista que seja, acredita que se Israel abandonasse os ataques e recuasse para as fronteiras de 1967, os Palestianos passassem a conviver pacificamente com a existência de Israel. Pragmaticamene teremos que admitir que se Israel levantasse o bloqueio a Gaza, se permitisse a livre entrada e saída de pessoas entre os dois territórios, o número de atentados em Israel subiria. Poupar centenas de vidas palestinianas custaria algumas dezenas de vidas israelitas. Mas quando falamos da defesa da vida dos mais próximos, a aritmética não conta. Se a solução me agrada? Obviamente que não. Sempre lamentarei as mortes inocentes de ambos os lados. Mas também aceito que há menos imoralidade em lutar pelo direito a existir do que lutar pela extinção do outro, independentemente da aritmética da guerra. Mas, claro, como afirma o João Galâncio do topo do seu pedestal moral, eu devo é ser um fanático da guerra.
O blog Arrastão vai-nos mantendo a par do que acontece no Médio Oriente:
29 de Fevereiro - Israel matou 4 crianças
2 de Março - Israel matou 54 pessoas. Metade não eram terroristas. 4 eram crianças
6 de Março - Um atentado provocou 8 mortos, mas (a expressão utilizada é “entretanto”) um relatório de ONGs garante que a situação humanitária em Gaza é a pior desde 1967.
Do acompanhamento feito por Daniel Oliveira conclui-se que Israel mata Palestinianos. Mas os Israelitas não são assassinados: a morte é-lhes provocada. Provocada por quem? Pelos atentados.
As notícias de mortes palestinianas são dadas seguidas de grandes discursos morais. Atentados em Israel são seguidos de “mas”. Assim se define a posição da esquerda em relação ao conflito e também uma certa forma de fazer jornalismo.
Jewish pupils boycott exam in Shylock protest
Nine students at the single-sex Yesodey Hatorah Senior Girls’ School in Hackney, east London, took their stance as part of a protest against the portrayal of Shylock in The Merchant of Venice.
As a result, they were stripped of their marks for the English national curriculum test for 14-year-olds – and their school plummeted from top of the league tables to 274th.
The girls, supported by their parents, refused to answer any questions on Shakespeare or even write their names on the top of the paper, even though the play they were studying was The Tempest – not The Merchant of Venice
Ex-refém das Farc diz que vários seqüestrados perderam a sanidade
O político, que havia sido seqüestrado há seis anos, acrescentou que os reféns enfrentam doenças devastadoras como leishmaniose e malária, além de permanecer presos dia e noite.
“A malária provoca febres altíssimas e calafrios que os fazem delirar, e com a leishmaniose o tecido da pele vai se deteriorando, vai caindo, aparecem chagas enormes”, disse Beltrán.
“Acrescenta-se a isto o fato de se estar amarrado a uma árvore de dia e uma cama de noite, é uma situação horrível, é para deixar qualquer um louco”, afirmou.
(via Folha Online)
Os seus esforços começam a dar resultados.
Over the past year, anecdotal evidence for a cooling planet has exploded. China has its coldest winter in 100 years. Baghdad sees its first snow in all recorded history. North America has the most snowcover in 50 years, with places like Wisconsin the highest since record-keeping began. Record levels of Antarctic sea ice, record cold in Minnesota, Texas, Florida, Mexico, Australia, Iran, Greece, South Africa, Greenland, Argentina, Chile — the list goes on and on.
No more than anecdotal evidence, to be sure. But now, that evidence has been supplanted by hard scientific fact. All four major global temperature tracking outlets (Hadley, NASA’s GISS, UAH, RSS) have released updated data. All show that over the past year, global temperatures have dropped precipitously.
Via dailytech
Hoje é dia de São Valentim, mas não será celebrado na Arábia Saudita. As celebrações foram proibidas pelas autoridades porque, aperentemente, o dia de São Valentim incentiva as relações extra-matrimoniais. Ontem no centro comercial Al Faysalia em pleno centro de Ríade, a sinistra polícia da promoção da virtude passava a pente fino os vendedores de flores para garantir que nestes dias não se vendiam rosas vermelhas.
Não confundir Arábia Saudita com mundo Árabe. No Dubai, o dia de São Valentim, assim como o nascimento de Jesus Cristo há dois meses atrás, é massivamente celebrado com programas e pacotes especiais. Há poucos minutos ouvi na rádio que o ditador do Dubai Sheikh Mohammed Bin Rashid Al Maktoum - um líder tão genial que dificilmente poderia ter brotado de uma democracia - estava ele próprio a preparar a sua noite de hoje.
(…)3. Os tablóides, jornalistas e “especialistas” que participaram no linchamento público dos pais devem se identificados pelos seus próprios leitores/ouvintes/telespectadores para que a partir de agora sejam lidos, ouvidos e vistos com a enorme reserva que merecem. Não é o primeiro nem o segundo caso em que cumprem este triste papel: o de inventar quando não sabem o que dizer. E não será o último. São um cancro na comunicação social e na democracia. Só leitores informados, que se recusem a dar crédito a quem não o merece, os podem neutralizar.(…)
Daniel Oliveira, no Arrastão
Ainda sobre o “abuso”, a “ilegalidade”, dos donos dos ginásios ao não baixarem os preços com a diminuição do IVA, convém relembrar esta notícia de 2006:
Subida do IVA incorporada por empresas
A variação intra-anual mostra que os preços das categorias de bens e serviços teve um comportamento diferente nos vários trimestres. A prova de que a subida do imposto não se terá reflectido totalmente junto do consumidor reside no facto de o preço de alguns bens ter registado uma descida (quando comparada com igual trimestre do ano anterior) ou uma subida moderada. Foi o caso dos bens alimentares e industriais não energéticos. (no JN)
Na altura não me lembro de ouvir ninguém falar em ilegalidade ou a louvar a atitude da maioria dos empresários.
A bem da boa forma dos portugueses, o governo decidiu baixar o IVA para os health-clubs e para os bilhetes dos jogos de futebol. O IVA aplicado na compra de tacos de golfe continua nos 21%.

Num país com 750 kms de norte a sul, haverá 3 aeroportos concentrados em 300 kms: Alcochete, Beja e Faro. O sul do país fica bem servido de aeroportos. Para os Lisboetas um aeroporto em Alcochete também será sempre melhor do que na Ota. O litoral alentejano também terá um grande impulso como destino turístico.
Mas provavelmente os maiores vencedores com esta decisão terão sido os empresários e a população em geral do norte do país. Com a deslocação do aeroporto para Alcochete a linha de indiferença para o utilizador ter-se-à deslocado uns 60kms para sul (algures para Fátima). O aeroporto do Porto ganhará importância, indo servir cerca de metade do território continental e da população. Mais pessoas terão que passar pelo Porto para viajarem de e para Portugal. Mais vôos e mais destinos terão que ser criados para alimentar um aumento da procura. O norte, e em especial o Porto, ficam a ganhar com esta alteração. A bem da coerência seria interessante que aqueles que se queixam tantas vezes, quase sempre com razão, de serem prejudicados nas decisões tomadas ao nível central se manifestem desta vez.
A região centro, como em tantas outras vezes, fica a perder.
O Arrastão lançou uma votação para escolher o melhor blog de 2007. O Insurgente encontra-se no terceiro lugar a contar do fim com uns míseros 8 votos.
Fássistas de todo o mundo, uni-vos!
1. O Daniel Oliveira critica o facto de apenas 300 mil pessoas, num estado com 3 milhões de eleitores, terem votado nas primárias dos dois principais partidos nos EUA (já agora, quantas pessoas participaram nas primárias do bloco de esquerda para as últimas presidenciais?). A mim importa-me pouco como partidos numa democracia escolhem os seus candidatos. Se quiserem escolher o candidato mais competente, mais alto ou o que jogue melhor matraquilhos é uma questão interna de cada partido. Uma democracia funcionará desde que para a eleição final possam concorrer todos os partidos em igualdade de circunstâncias e o resultado final siga o princípio da igualdade da importância de votos e proporcionalidade. É assim na democracia e no mercado: importa pouco como as empresas são geridas, se se recusam a contratar chineses, se proíbem que se fume no seu estabelecimento, desde que cada um possa criar a sua empresa livremente e tentar cativar a preferência dos consumidores.
Os verdadeiros problemas de uma democracia estão em não atribuír a mesma importância a cada voto (como nos EUA) e não respeitar um sistema de proporcionalidde (como em Portugal), não na forma como cada partido decide os seus candidatos.
2. Ainda irá chegar o tempo em que os apoiantes de Ron Paul poderão reivindicar derrotas. Para já não podem, caro Adolfo. Nestas primárias, Ron Paul só terá vitórias. Daqui a 4 anos falaremos.
3. Gostava que Ron Paul tivesse 30 anos.
4. É muito complicado apoiar o candidato que vencerá. Mais tarde ou mais cedo, ele irá cometer erros como presidente, e a cada crítica lá estará o dedo a apontar quem o apoiou. Nevertheless, entre os candidatos elegíveis, apoio Obama. Acima de tudo pelo que representa: a superioridade do modelo americano, com todos os seus defeitos. Se o pai de Obama tivesse casado com uma mulher francesa em vez de americana, Obama estaria por esta altura a incendiar automóveis nos subúrbios de Paris. Não está e será presidente se tudo correr normalmente.
5.
Obama, you’re the Man.
Ninguém vai parar o homem. Ninguém. E e mui racista América vai ter um presidente negro, enquanto que nas mui tolerantes nações europeias nem sequer há deputados negros.
A importância de Obama é tremenda. Pode representar uma América “post racial issues”. Ele não é o típico político negro que fala só para negros, ainda dentro da lógica escravatura/civil rights. Ele fala para toda a gente. “There is no white ou black america; there is the United States of America”. Não quer separar negros de brancos. Quer que todos sejam iguais perante a lei. Não por acaso, Obama já criticou muitas das medidas multiculturalistas (quotas para negros aqui e a ali, independentemente do seu mérito).
Henrique Raposo, no blog da Revista Atlântico
O Migas tem razão. Este ímpeto patrulheiro na Europa não é novidade, tem raízes bem profundas. Não me preocupo muito, porém, com esta lei anti-tabaco. É muito provável que o povo português (em especial o do norte, a região mais livre do país) responda da mesma maneira que o faz com outras leis: desobediência civíl. E para os aspirantes a pidecos que já se perfilam para bufos do regime, tenho a convicção que os espera o mesmo destino que os seus antecessores do Estado Novo quando eram descobertos pelos seus vizinhos nas aldeias do norte do país:
O primeiro post de Carlos Novais, no Vento Sueste
(…)Mas o direito de secessão será o único mecanismo prático pelo qual se pode inferir legitimidade de uma dada forma de governo estabelecido numa comunidade. Assim esteja estabelecida uma forma prática de exercer o direito de secessão e todas as formas de regime podem ser legítimas. Sejam regimes sociais-democratas, como monarquias abstolutas ou até comunismo, ou ainda pequenas comunidades comunitárias.
Da mesma forma, a um dado regime de maioria (ex: democrático constitucional), pode ser inferida ilegitimidade se esse direito de secessão está completamente ausente.
O Daniel Oliveira assume no seu blogue que o peso do Estado na economia é tão grande que os seus tentáculos já chegam ao maior banco “privado” português. Teremos um convertido, como Tony Blair? Ou será que o Daniel descobriu que o Pai-Natal é um capitalista pago pela Coca-Cola e está apenas a tentar fazer-lhe uns favores de última hora?
Seja como for, bem haja caro Daniel e um feliz Natal!

A questão da proibição das touradas, circos e afins sempre me levantou algumas dúvidas. Deverão ter os animais liberdades negativas? Neste caso específico, deverá o direito à vida e à integridade física dos animais ser assegurado através de leis que proíbam as touradas, os circos e os jardins zoológicos? Claro que uma lei desse tipo também deveria proíbir o comércio de qualquer tipo de carne e peixe, e todas as actividades a montante.
A teoria mais coerente que ouço daqueles que defendem a proibição dos espectáculos que envolvem sofrimento e morte de animais mas não a proibição do comércio da sua carne, é a de que matar para comer é uma questão de sobrevivência, e portanto aceitável, enquanto que matar por divertimento não é, portanto inaceitável. Interessante visão que me levanta, no entanto, outras questões: hoje á noite, quando estiver a comer a minha terceira dose de perú, estou a fazê-lo a bem da minha sobrevivência ou estou-me a divertir à custa do pobre peru?
Bem, não importa, o objectivo do post era só mesmo a fotografia. Um Feliz Natal para todos!
À espera do Estado, de Manuel Caldeira Cabral
(…)Em muitas áreas, as instituições sem fins lucrativos desenvolvem um importante papel de assistência social, de apoio ao desenvolvimento ou a actividades culturais. E fazem-no com menores custos e maior qualidade que os serviços prestados pelo Estado neste âmbito. Estas actividades, complementares à acção do Estado, conseguem com poucos meios corrigir algumas das falhas e preencher alguns dos vazios deixados pela intervenção pública. Em Portugal os vazios são muitos e os meios que pomos ao serviço da sociedade civil muito escassos.
A situação portuguesa contrasta claramente com a dos países anglo-saxónicos, em que o nível de contribuições é muito mais elevado, o trabalho voluntário praticado por largas camadas da sociedade e a dependência estatal do sector não lucrativo bastante menor.
(…)No Reino Unido, nos EUA e também na Alemanha ou na Suécia fazer trabalho voluntário ou participar em organizações de apoio ao desenvolvimento faz parte do trajecto académico de uma vasta fatia de estudantes universitários, e preenche os fins do dia, os fins-de-semana ou mesmo uma parte das férias de muitos trabalhadores. São países, onde as empresas estimulam este tipo de esforços e contribuições.(…)
É uma cultura que valoriza a iniciativa da sociedade civil na resolução dos problemas. E que assume a responsabilidade de ter um papel na mudança do que pode ser melhorado, sem estar sempre à espera que seja o Estado trazer uma solução milagrosa. Uma cultura que tem cada vez mais adeptos em Portugal, nas ruas junto aos sem abrigo, nos quartéis de bombeiros, nos teatros, nas prisões, nos hospitais, nos orfanatos, e em tantas outras partes. Mas não tem ainda pessoas ou meios que cheguem.(…)
O Daniel Oliveira veio a público defender o direito do PNR a existir. Aguarda-se a intervenção das brigadas anti-fássistas do costume.
É comum partilhar com a esquerda opiniões sobre assuntos pontuais. Mas é mais raro concordar com a esquerda em pontos estruturais de um ideologia. É com muita satisfação que vejo alguma esquerda a defender a diferença entre serviços públicos e serviços estatais. Parece-me que a exposição à Blogosfera tem feito um tremendo bem ao Daniel Oliveira. Com toda a autoridade que tenho para o fazer (absolutamente nenhuma), e depois de ler isto, gostaria de o convidar a escrever nO Insurgente. Senão vejamos:
Descendo à terra. Há uma diferença entre serviços do Estado e serviços públicos. Nem todos os serviços do Estado são na realidade serviços públicos e nem todos os serviços públicos são do Estado. A esquerda tem de regressar à construção de experiências de serviços comuns, públicos, para lá do Estado. Até porque quase tudo o que é hoje serviço do Estado já tinha passado por experiências comunitárias antes de chegar ao Estado. Ao contrário do João Rodrigues lembro-me de vários exemplos em que o Estado não foi apenas dispensado, foi mesmo à sua revelia que foram construídos. Um exemplo talvez demasiado simples: as mutualistas foram a ante-câmara da segurança social. Eram serviços públicos, não eram serviços do Estado. Há imensas experiências comunitárias feitas sem o Estado. Fazer depender do Estado tudo o que se possa fazer é ficar refém das condições políticas de cada momento.
Ao se entrincheirar no Estado e por isso na Nação o João só pode chegar a uma solução contra a perda de direitos sociais por competição com as economias emergentes: o proteccionismo económico. Além de tal ser inviável seria criminoso. Basicamente, estaríamos a condenar a maior parte do Mundo à miséria, como aliás o estamos a fazer com África. Porque tal solução não está ao alcance dos países mais pobres e o proteccionismo seria sempre assimétrico.
Ao contrário do que o Daniel Oliveira, e muitos outros, pensam, ser liberal não é ser contra algum tipo de acção social ou solidariedade. Ser liberal implica rejeitar que essa solidariedade emane da sociedade de forma coerciva, que haja uma diferenciação entre quem dá e quem distribui, e haja alguém, não carenciado, que tire benefícios dessa acção. Aliás, a acção social voluntária comunitária é um príncipios do liberalismo assente na doutrina católica que tantas vezes é criticado, diria mais, odiado, por alguma esquerda jacobina.
Seria interessante que o Daniel Oliveira tivesse ido mais longe, fugindo aos preconceitos da esquerda, e tivesse incluido no seu post o papel da igreja católica nestes serviços públicos de acção social (possivelmente o melhor exemplo que podia ter dado). Posso dar um exemplo muito próximo desta acção. Na minha frequesia, era comum a igreja fazer a distribuição semanal de alimentos e outros bens a pessoas carenciadas. A contribuição era feita por todos, católicos mais ou menos praticantes e até críticos da própria igreja. Era também comum antigos beneficiários do serviço se tornarem dadores, passadas as dificuldades. Quando se instituiu o rendimento mínimo garantido, o serviço da igreja deixou de fazer sentido. A grande diferença entre o actual sistema e o antigo é que o actual é impessoal. No anterior sistema, as pessoas ajudavam alguém que lhes era próximo, a quem conheciam as dificuldades. A ajuda ia muito para além do básico: em alturas de crise prolongada era comum oferecerem às pessoas mais carenciadas oportunidades de emprego ou de ganhar dinheiro com pequenos serviços domésticos. Obviamente, reconhecendo o esforço da comunidade, era raro haver abusos deste serviço. De certeza que muitos hoje se analisassem a situação da minha freguesia diriam que sem estado, sem rendimento mínimo, sem subsídio de desemprego haveria famílias a viver na miséria. Mas nunca as houve antes.
Para finalizar, as minhas desculpas ao Daniel Oliveira por ter fragilizado a sua posição nesta discussão com este link e respectivos comentários.
Hoje é dia nacional dos EAU, mas o país acordou sobressaltado com o rumor de que o Banco Central deverá aproveitar este dia para revêr a taxa de câmbio contra o dólar. Alguns bancos já não aceitam dólares, outros aceitam dólares a um desconto da taxa oficial que vai até aos 13% (o spread para a rupia indiana é de 1.5%).
Notícia de hoje no Gulfnews:
Dubai: Anticipating a revaluation of the dirham, money exchanges in the UAE have already revised the rates at which they sell local currency against other currencies.
Some have even stopped accepting the US dollar altogether as the market speculated the UAE Central Bank would revalue the dirham today. A currency dealer at Hadi Exchange said on Friday the exchange was not accepting the US dollar until Sunday. “We think the Central Bank is going to fix the dirham at 3.5 per dollar,” he told Gulf News.
UAE Exchange was offering Dh3.50 for every US dollar. While Thomas Cook was offering Dh3.25 per dollar on Friday, Al Ghurair Exchange was offering just 3.10 per dollar. Wall Street Exchange said it was not accepting the US currency against the dirham.
Staff at Al Ghurair Exchange told Gulf News that they are expecting a revaluation.
Meanwhile, retail giant Carrefour said on Saturday that they have suspended accepting dollars for a day.
Many exchange houses told Gulf News on Saturday that it posed a huge risk for them to buy dollars at the officially pegged rate. “The low demand has forced us to offer lower rates on dollar,” said Sudhir Shetty, General Manager of UAE Exchange Centre.
Meanwhile, UAE central bank governor Sultan Bin Nasser Al Suwaidi warned speculators against betting on the dirham.
“Their speculation will not yield the gains they expect,” Al Suwaidi was quoted as saying by Al Khaleej.
É que se o 25 de Novembro nunca tivesse acontecido, muito provavelmente o 25 de Abril seria hoje visto hoje como uma página negra da nossa história.
A Tagus lançou uma campanha amaricada numa busca desesperada de protagonismo fácil. Quem garantiu esse protagonismo à Tagus? A Tagus da política, o bloco de esquerda, e a Tagus do activismo social, os activistas LGBT. Os activistas LGBT começam a caír no ridículo da homofomania, não deixando escapar qualquer oportunidade de vitimização, nem que para isso humilhem a restante comunidade homossexual.
Sobre este assunto, penso que o veado boss diz tudo, no Renas e Veados:
(…)À partida nada de grave, é só um buzz, passa depressa, como o vento. Mas o movimento gay perde assim uma fantástica oportunidade para estar magnanimamente calado, colhendo os frutos mais tarde. Eu explico, e na verdade é tudo muito simples. Aliás, é tudo muitíssimo complicado, mas na era dos buzz e dos soundbites, é forçosamente simplificado.
Sim, quem já trabalhou e participou no Orgulho Gay e nas suas reivindicações tem motivos para se sentir ofendido com esta campanha. Todo o trabalho, suor, privações e provações para o construir são subitamente caricaturados para vender cerveja. Quem perdeu já horas de vida a explicar que o Orgulho Gay não é o “Orgulho em se ser gay”, mas o orgulho em ser capaz de dar cara, de vencer os obstáculos, de lutar contra a homofobia, que o Orgulho Gay pode ser o orgulho de qualquer hetero que se junte à luta, fica necessariamente furibundo ao ver surgir uma “causa hetero” promovida pela cerveja, que se resume a um site de engates hetero, igual a milhões de outros sites, embora este claramente mais sujeito a ser dominado por rapazes virgens.
É claro que gritar “sou hetero” numa sociedade onde a heterossexualidade é a hegemonia, é chover no molhado. É que “somos todos hetero” até prova em contrário. A Sagres e a Super Bock nunca usaram a palavra “hetero” na sua publicidade porque não precisaram, porque está lá, sem ser preciso estar. Tal como os reality shows de engate, cenas de um casamento, etc, nunca a usaram. Toda a gente pressupõem que seja para heteros, sendo que muita dessa gente desconhece ainda a palavra.
O “hetero” só passa a fazer sentido a partir do momento em que o “gay” começa a fazer-se notar. Nesse sentido este “Orgulho Hetero” é até um sinal positivo, mostra que há uma brecha na hegemonia. Que o gay já se faz notar ao ponto de haver marcas de cerveja que acham que pôr um bando de rapazes a mandar piropos à empregada do bar já não chega para marcarem a sua heterossexualidade.
É tudo tremendamente vazio de conteúdo, e nada explicitamente homofóbico. Exacto, esta campanha não é explicitamente homofóbica. É sobretudo tonta, e claro, só possível num contexto de muita homofobia ainda enraizada, mas não vincula as mensagens que aqui se quer crer que passam. É por isso que me oponho frontalmente contra essa simplificação e presunção. Porque dessa simplificação facilmente nasce outra, “se o orgulho hetero é homofóbico, então o orgulho gay é heterofóbico”. E a maioria das pessoas nunca gastará mais segundos de reflexão sobre o tema que isto.
É óbvio que não existe uma simetria entre uma coisa e outra, entre ser gay e hetero, entre ser discriminado por se ser gay e uma hipotética discriminação por se ser hetero. É por isso que faz sentido um Orgulho Gay e não um Orgulho Hetero. Mas é, ou não, essa simetria o nosso objectivo final? A plena igualdade, o dia em que o Orgulho Gay seja tão desnecessário e tonto quanto este? Ora se esse é o objectivo, não vale a pena criar guerras com uma campanha assente numa falsa simetria, mas falsa apenas porque ainda não real, embora há muito sonhada.
Aquilo que o movimento gay pode e deve exigir à Tagus, é que esta mostre que o seu Orgulho Hetero é tão aberto e inclusivo quanto o nosso Orgulho Gay. Ou seja, a Tagus devia ser convidada a patrocinar e a comparecer nas próximas marchas do Orgulho LGBTA (A de aliados) com o seu carro do Orgulho Hetero. Só depois de recebida a resposta a esse convite, se poderiam tirar, ou não, outras conclusões. Até lá, é tudo na base da precipitação, i.e., do precipício.
Nunca nos esqueçamos. Só as vítimas não gostam de estar no seu papel, mas nunca foi preciso ser vítima para alguém se sentir vitimizado. O Pacheco Pereira chora-se pela “tentativa de silenciamento do seu blog” e chorará sempre, por mais vezes que seja linkado e citado nos jornais. Não ofereçamos à Tagus numa bandeja de prata o papel de “vítima da heterofobia”, please. Há coisas tão mais importantes com que nos ocuparmos. Façamos o humor e não a guerra. É uma campanha para heteros, não é? Pois que sejam os heteros a preocupar-se com ela… e a aguentarem goela abaixo o inenarrável sabor de uma Tagus.
Subscrevo, palavra por palavra.
O Portugal Contemporâneo faz 2 anos. Espero que se mantenha por muitos mais.
A entrevista de Vítor Bento, no Jornal de Negócios
(…)Comparando com o mundo islâmico e com a própria América, a Europa parece ser uma espécie de último reduto do laicismo…
Mas não deixa de ser religiosa, no sentido laico que atrás referi. Veja o fanatismo com que se tratam certos assuntos. A obsessão com o politicamente correcto é um comportamento tipicamente religioso e, o que é mais grave, fundamentalista. Hoje em dia, muitas opiniões, politicamente incorrectas, são tratadas como autênticas blasfémias, sendo mesmo sujeitas a condenações penais, como com qualquer fundamentalismo religioso, não sendo inusitado assistir-se a verdadeiros processos inquisitoriais a quem sai da ortodoxia do pensamento politicamente correcto. Isso não é diferente do comportamento que a religião tinha na Idade Média.Mas a liberdade tem limites. O politicamente correcto é assim tão condenável?
Tem a parte má das religiões, que é o fundamentalismo. Relativamente ao politicamente correcto, há hoje comportamentos de uma duplicidade que não deveriam escapar ao filtro de uma razão atenta. Veja-se, por exemplo, o extremo cuidado em lidar com os símbolos do Islão, ao mesmo tempo que se achincalham publicamente os símbolos do cristianismo, apelidando esse achincalhamento de arte ou liberdade de expressão. Se houvesse bom senso e prevalecesse a razão e a decência, o comportamento normal seria evitar ofender gratuitamente os outros, fossem islâmicos ou cristãos e ambas as ofensas tenderiam a ser repudiadas.
Daniel Oliveira consegue o empate com um grande golo no jogo “Eu sou menos fascista do que tu”.
(…)No mesmo artigo, Vital Moreira manifestou-se contra o cheque-ensino. Vital Moreira alega que o dinheiro gasto pelo Estado por cada aluno não é suficiente para pagar uma mensalidade nos melhores colégios privados e que o custo do cheque-ensino não seria compensado por idêntica poupança no ensino público. Estes argumentos revelam vários equívocos. Em primeiro lugar, o custo da escola pública (cerca de 5500 euros por ano e por aluno do ensino secundário) é semelhante às propinas dos melhores colégios. Em segundo lugar, o cheque-ensino não é uma proposta que visa facilitar a transferência de alunos do ensino público para o privado. Visa melhorar a qualidade das escolas públicas. Este aumento da qualidade tornaria residual a saída de alunos para as escolas privadas. Vital Moreira parte do princípio de que os alunos que se encontram no ensino público quereriam transferir-se para o ensino privado, o que demonstra alguma falta de fé nas escolas públicas. Em terceiro lugar, dado que o cheque-ensino introduz concorrência nas escolas do ensino público, os custos do ensino público tenderiam a baixar e não a aumentar.(…)
João Miranda, A ESCOLA DA FRACÇÃO PROGRESSISTA, no DN
(Intruções de leitura deste post: 1. Abrir este outro post numa nova tab e colocar a correr o último vídeo com o volume alto. 2. Post é para ser lido em voz alta, de forma pausada mas com o vigor de um Francisco Louçã)
We are socialists, we are enemies of today’s capitalistic economic system for the exploitation of the economically weak, with its unfair salaries, with its unseemly evaluation of a human being according to wealth and property instead of responsibility and performance, and we are all determined to destroy this system under all conditions.
Não importa quem o escreveu, nem o que fez. Como diria o Daniel Oliveira, a intenção é que conta!
The bill of exchange is the real god of the Jew. His god is only an illusory bill of exchange.(…)
We recognize in Judaism, therefore, a general anti-social element of the present time, an element which through historical development — to which in this harmful respect the Jews have zealously contributed (…)
Christianity had only in semblance overcome real Judaism. It was too noble-minded, too spiritualistic to eliminate the crudity of practical need in any other way than by elevation to the skies. (…)
it is only in the Christian world that civil society attains perfection (…)
Indeed, in North America, the practical domination of Judaism over the Christian world has achieved as its unambiguous and normal expression that the preaching of the Gospel itself and the Christian ministry have become articles of trade, and the bankrupt trader deals in the Gospel just as the Gospel preacher who has become rich goes in for business deals(…)
Once society has succeeded in abolishing the empirical essence of Judaism — huckstering and its preconditions — the Jew will have become impossible
(…)
Retirado de “On the Jewish Question” de Karl Marx, 1844
This young lady, who instantly overwhelmed me with her kindness, is the ugliest creature I have seen in my entire life, with repulsive Jewish facial features.
Karl Marx, retirado daqui
So we find that behind every tyrant stands a Jew
Karl Marx, retirado daqui
O sentimento por trás do anti-semitismo é a inveja, a repugnância pelo sistema capitalista e pelos mecanismos de mercado. Os mesmos triggers do socialismo. A nossa esquerda apenas esconde o seu anti-semitismo porque a memória do holocausto ainda está bem viva. Um dia que a memória se apague, o sentimento continuará lá e, não tenhamos dúvidas, o anti-semitismo socialista, o mais sangrento da história, regressará.
Nos últimos anos da sua vida, e já afectada por uma grave doença, uma das irmãs da minha avó afirmava constantemente ter visões da Nossa Senhora. Ela via a Nossa Senhora em todos os lugares: na espuma do café, na mancha de humidade na cozinha, nas nuvens, chegava mesmo a manter a agua do banho durante 2 ou 3 dias só para mostrar que, também lá, estava a imagem de nossa senhora. Alguns bloggers relembram-me os últimos dias da minha tia pela forma como conseguem ver marxismo em tudo. Se há alguém que defende convictamente uma opinião, é marxista. Se usa respostas semelhantes para dois problemas diferentes, é marxista. Esses bloggers conseguem ver marxismo em todo o lado. O que fazer em relação a eles? O mesmo que com a minha tia: não contrariar.
P.S.: André, colocar tags é Marxista.
Ter um blogue sem comentários é como ficar fechado em casa e não abrir a porta a vivalma. A não ser que vivalma tenha classe, quero dizer, poder, ou, desculpem, influências, conhecimentos, possibilidade de tachos. Mas, nesse caso, entra pela porta de serviço. Entra à socapa. Fechar as caixas de comentários é uma intolerável recusa a chafurdar na vida, e eu detesto cobardes.
Viver é chato e dá trabalho, mas viver é exactamente isso: chafurdanço. Levar com os outros. Aturá-los. Irritarmo-nos, mandá-los a todas as partes que nos ocorram. Levar porrada. Dar porrada. Arrependermo-nos, ou não. Escolhermos dar confiança a esta e não aquele, ou vice-versa. Detestar os outros. Não conseguir viver sem os outros. Ter dúvidas. Errar com todos os sentidos e, muito de vez em quando, acertar com um ou outro.
O que pode distinguir um blogue de uma ordinária publicação on line é a caixa de comentários. As pessoas gostam de mandar bitaites, e toda a gente tem direito ao seu bitaitezinho diário, até os malucos; sobretudo esses. Contraria-me muito visitar um blogue com textos giros, querer deixar o meu lamiré e não poder. Fico sem vontade de voltar. Que interesse tem um blogue que não se pode comentar? Para isso compro um livro e leio-o, e faço anotações nas margens, ora essa.
(mais…)
A lista publicada no post abaixo tem vindo a ser reduzida desde o anos 90, precisamente o período de maior crescimento económico da Irlanda.
Finalmente, a questão: o que me leva a fazer isto? Nada, senão o prazer que sinto em compreender coisas que antes não compreendia - o prazer da descoberta.(…)Portanto, eu escrevo para mim e para aqueles que me querem acompanhar nesta viagem fascinante, que é a de tentar descobrir como funcionam as sociedades humanas - e, em primeiro lugar, aquela a que eu pertenço.
Então, e se eu cometer erros de lógica ou de julgamento e chegar a conclusões erradas?Que importa, alguém vai morrer por isso? Certamente que não, a menos que me atribua uma importância que eu próprio não me atribuo a mim mesmo.
Pedro Arroja, no blog mais livre da praça.
Subscrevo, palavra por palavra.
O plano estratégico da Soares da Costa vai ser apresentado ao público dentro de 3 dias e, no entanto, as acções subiram 11% hoje.
1. Vamos supor uma série de experiências em que um dado viciado é lançado n vezes (com um valor de n suficientemente elevado, digamos igual a 100). Da análise das 10 amostras passadas obteve-se a seguinte distribuição:
- 10% das vezes sai 1 no lançamento
- 10% das vezes sai 2
- 10% das vezes sai 3
- 20% das vezes sai 4
- 20% das vezes sai 5
- 30% das vezes sai 6
Concluindo-se que, em média, a soma dos 100 lançamentos de cada amostra é 420.
Suponhamos que uma qualquer pessoa tendo acesso à anterior informação, retira ao acaso um valor da última amostra e verifica que é “2″. Ou seja, num lançamento expecífico da última amostra o valor saído foi 2. Será aquela informação relevante para a constituição de expectativas futuras? Não. O valor esperado de futuras amostras continua a ser 420.
2. Imaginemos que uma semana antes da operação ser tornada pública, uma percentagem suficientemente grande de agentes de um mercado (digamos, 20%) tomam conhecimento de que irá haver uma OPA sobre uma empresa cotada com 100% de probabilidades de sucesso (utilizo 100% só por simplificação, o raciocínio seria válido com qualquer outra expectativa de sucesso; também por simplificação consideremos que a taxa de juro do activo sem risco é 0%) em que o valor proposto pelo oferente é superior ao preço actual.
Qual o valor esperado das acções em t-1, em que t é a data do anúncio público da oferta? Será de esperar que, se os 20% tiverem suficiente liquidez, o valor das acções em t-1 seja igual ao valor da oferta.
Em mercados com altos níveis de liquidez e com graves problemas de inside trading é comum o valor das acções de empresas prestes a ser opadas subir inexplicavelmente antes das ofertas serem tornadas públicas. É a forma de os agentes com informação privilegiada partilhar involuntariamente essa informação com o mercado.
(na imagem, a evolução do valor das acções do BCP desde a tomada de conhecimento do perdão de dívida ao filho de Jardim Gonçalves)
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As administrações dos dois bancos resolveram favorecer alguém em quantias semelhantes, prejudicando os seus accionistas.
Do BCP escolhi há muito não ser accionista. Da CGD jamais tive essa possibilidade.
Desde 2001, a ONU já recebeu três prémios Nobel. Três em sete. Há duas formas de analisar isto:
-Se o comité Nobel for politicamente independente, isto deverá querer dizer que desde 2001 a ONU ganhou imenso peso político e evitou imensos conflitos pela via diplomática.
- Se o comité Nobel não for politicamente independente, isto significará que o comité Nobel anda a querer salvar desesperadamente a imagem duma instituição falida da única forma que pode: atribuindo galardões.
O Daniel Oliveira afirmou em tempos que os liberais (ou conservadores como ele lhes gosta de chamar) não sabiam onde ficava o clitóris. Tenho que admitir que compreendo a confusão. Pelo que vamos lendo de alguns bloggers liberais e de direita sobre outros assuntos, seria de esperar que as respostas à pergunta “Onde fica o clitóris da mulher?” fossem variadas. Por exemplo:
Resposta de um daqueles liberais “muita progressistas-o casamento entre homossexuais é uma prioridade civilizacional”:
Isso de afirmar que só as mulheres é que tem clitóres é profundamente homofóbico. A malta progressista sabemos que o clitóres fica ali mesmo na entrada do ânus.
Resposta de um “liberal-conservador-O Ron Paul é um velho demente”:
Não me falem em clitóris que desde que descobri onde isso ficava que ando a carregar sacos do Lidl e embalagens de Fairy.
Resposta de um “liberal-paternalista-Escola de Oxford”:
Isso depende. Clitóris do tipo A (com C maiúsculo) ou do tipo B (com c minúsculo)?
Resposta de um “liberal-autoritário-Escola de Otawa”:
A minha teoria, que pretendo provar nos proximos 67 posts, é de que o clitóris fica na parte de trás da nuca e é um exclusivo das mulheres protestantes.
Resposta de um liberal puro daqueles que leu todas as obras de Mises, Hayek, Friedman, Arroja,…:
O clitóris localiza-se na parte superior dos pequenos lábios (labia minora), logo acima da uretra. É preenchido internamente por gordura e tecido muscular. Por fora, é revestido por uma epiderme muito fina. O ápice do clitóris é bulboso, chamado de glande (glans clitoridis, em alusão à glande do pênis dos homens), onde se encontram a maior parte dos terminais nervosos responsáveis pela sensação de prazer. Alguém me arranja um?
10-7 e faltam 10 minutos
Adenda: a Roménia marcou e deverá ganhar o jogo. O pessoal do rugby não sabe fazer anti-jogo…
O Tiago Mendes, no Blog da Revista Atlântico, volta a tocar num assunto repetidamente falado nos últimos anos: o emagrecimento da função pública. As ideias apresentadas não variam muito ao longo do tempo: ou se reduz no processo substituição (a estratégia de entrar 1 por cada 2 que saiam) ou se utiliza uma estratégia, mais rápida, de indemnizar ou garantir reformas antecipadas a quem saia. Todas estas estratégias funcionam muito bem até ao momento em que se tenta aplicar os cortes. Na saúde não se pode cortar: os serviços funcionam mal, não há profissionais de saúde para atender as necessidades dos utentes. Na educação também não: o número de alunos por professor é demasiado elevado e assim não se consegue educar as nossas crianças. Administração interna? Nem pensar, demasiada insegurança. Normalmente quem inicia exercícios de optimização de recursos humanos do sector público, acaba sempre por concluir que devem entrar mais recursos, porque os serviços funcionam mal. Com menos pessoas funcionarão pior.
Os serviços públicos funcionam mal por natureza, por falta de incentivos para que funcionem bem. O número de pessoas necessárias para que um serviço público funcione razoavelmente bem será sempre demasiado elevado para o público que serve. A única forma de reduzir a função pública é reduzir as funções públicas. Espero que um dia se chegue finalmente a esta conclusão.
Os comentadores dizem que foi um grande resultado para Portugal, como se tivesse ganho o jogo. Eu acredito.
É impressão minha ou alguns jogadores portugueses estão a jogar com sapatos de vela?