Vazio

MPMaduro

O recente artigo de Miguel Poiares Maduro, no Publico, será o melhor que o PSD tem
para oferecer. A mim sabe-me a pouco. Demasiado pouco.

O texto está formalmente bem escrito, como seria de esperar. É um texto escrito por alguém que sabe pensar e que, neste preciso momento, quer marcar a sua posição no xadrez interno do partido. Mais a mais, o texto não só percorre todas as capelinhas sagradas do laranjal como apresenta os melhores pergaminhos: não será por acaso que, no mesmo parágrafo, junta Bernstein, Sá Carneiro e o seu Pai, que identifica como um dos primeiros presidentes de câmara eleitos em democracia.

O enquadramento referencial está perfeito, o que só aumenta ainda mais a expectativa para o verdadeiro enquadramento que procuramos e que titula o artigo: “a matriz ideológica do PSD”.

Foi esse, aliás, o desafio que eu comprei:

 

 

“Chamem-nos o que quiserem, mas compreendam aquilo que defendemos.”

Pois bem, eu bem tentei e continuo a tentar, mas não consigo. Terei certamente as minhas limitações, mas o que fui encontrando foram referências demasiado vagas, que dificilmente poderão não ser partilhadas por qualquer partido político no âmbito da vigente Constituição da República Portuguesa.

Fica, portanto, a afirmação de fé no PSD: “é a sua matriz ideológica aberta e moderada que está em condições de oferecer o melhor e mais claro projeto político ao país.”

Tudo muito bonito, sem dúvida, mas se fosse António Costa a dizê-lo num comício do PS, por certo que receberia a aclamação o seu partido com uma salva de palmas monumental.

Todos diferentes, todos iguais. E, por isso, desisto. Resignado. Não há nada a fazer. Resignado, sim, mas indignado também. Esta pequena passagem resume o ponto:

“O interesse público pode facilmente ser capturado pelo interesse do governo. (…) o modelo de intervenção do Estado deve separar o interesse público da sua gestão pelo governo (como fizemos com o serviço público de televisão).”

Se bem me recordo, Miguel Poiares Maduro teve responsabilidades directas sobre a RTP há não muito tempo. Na altura eu acreditei que ele seria capaz, se não de derrotar, pelo menos de enfraquecer o monstro. Enganei-me: o monstro continuou a crescer. Como continua a crescer o vazio do PSD.

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13 thoughts on “Vazio

  1. Não sejam cruéis.

    É óbvio que o homem é um neoliberal, mas é óbvio que, por isso mesmo, não pode dizer ao que vai.

    Queriam que fizesse o quê ? Dissesse a verdade ?

    Se ele chegasse ali e disseste a verdade, que quer empobrecer a maioria da população para decuplicar os ganhos dos gestores e dos capitalistas, a maioria dos totós que votam nele, por mais burros que sejam, começava a pensar duas vezes se isso seria mesmo boa ideia.

    Assim vai de fininho, só diz inanidades e vai endrominando de mansinho a totózada.

    Mas descansem que está a trabalhar para vocês.

    É assim que o neoliberalismo funciona.

  2. Caro LUCKLUCKY.

    Dar a minha opinião é ter problemas com a,liberdade dos outros ?

    Estou a ver porque gostam tanto do Pinochet… Esse grande liberal…

  3. Euro2cent

    Eh pah … um tipo com um penteado unicórnio daqueles … não inspira muita confiança que também tenha as ideias em ordem … quer dizer, chamando ideias áquilo que se gasta lá na casa …

    (No adhomo, como dizem nas internetes)

  4. lucklucky

    Ork Ragnaroc

    “Dar a minha opinião é ter problemas com a,liberdade dos outros ?”

    Quando a sua opinião implica acabar com a liberdade dos outros é. É você que quer acabar com as associações voluntárias e acordos voluntários entre pessoas.

  5. jorgemmc

    Ó Ork, explica lá o que é um neoliberal e em que é que se distingue de um liberal. Se puderes nomear um economista neoliberal, agradeço.

  6. JorgeMMC,

    Um neoliberal está para um liberal assim como uma banana está para uma ponte suspensa. Esta era a resposta do Técnico Ontológico de Liberalidade Aferida (TOLA), cujo os comunistas têm todos de tirar antes de começar a aborrecer os sítios que não são comunista.

    Os TOLA têm certezas de tudo aquilo que de não sabem fazer as perguntas. Assim, o Pinochet foi uma chatice para a economia chilena, mas nunca leram os elogios do perigoso direitista Gabriel García Marquez aos resultados política económica de Pinochet, publicados no livro em que visita o Chile disfarçado e se faz filmar no palácio de La Moneda, em que García Marquez se espanta com a evolução da capital Chilena após Pinochet tomar o poder e dinamizar a economia.

    O mundo da esquerda está cheio de TOLA. Sem tola.

  7. Caro Jorge.

    Brincando ás escondidas ?

    No fim do dia, quando o único argumento de uma ideologia é fingir que não existe está tudo dito quanto ao seu valor.

    Simplesmente uma vergonha.

  8. Caro Francisco.

    Vocês são tão fake que nem sabem que o livro o Marquez é sobre outra pessoa, não foi ele que visitou o Chile escondido.

    E não li o livro, mas não sei porquê, desconfio que não descreverá o regime de Pinochet como a maravilha que você diz.

    Por falar nisso não sou esquerdista, apenas não sou totó para ir na vossa banha da cobra neoliberal.

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