O desfalque de 150 milhões

antonio_costa_jose_socratesEm Maio de 2010 a crise financeira internacional já estava a todo o vapor, Cavaco pedia ponderação nos compromissos de investimentos e o governo preparava-se para apresentar o primeiro plano de austeridade no parlamento. Insuficiente, claro, já que o país haveria de chegar perto da bancarrota apenas um ano depois. Foi nesse mês que, numa cerimónia discreta, o PS de José Sócrates assinou um contrato com um consórcio de construtoras, incluindo o Grupo Lena, comprometendo-se com um investimento a rondar os 1300 milhões de euros numa linha de TGV. Onde é que um país falido iria buscar 1300 milhões de Euros para um investimento não-prioritário? Não se sabia. A verdade é que a construção não chegou a arrancar e dois anos depois foi declarada a morte do investimento que todos sabiam que nunca avançaria. As consequências desse acordo assinado à pressa que se saberia não haver dinheiro para cumprir chegaram hoje: 150 milhões de euros que serão atribuídos às construtoras (entre as quais o Grupo Lena do generoso Carlos Santos Silva) sem nunca terem colocado um carril.

Em 2010, no dia da assinatura do acordo, Luis Rocha no Blasfémias já previa o que aí viria:

Neste momento, estará a decorrer a assinatura do contrato de concessão do troço Poceirão – Caia do TGV. Isto depois de Sócrates ter ontem em Bruxelas “virado o bico ao prego” (sabe-se lá se por pressão da Comissão Europeia ou por “chantagem” de Teixeira dos Santos), disponibilizando-se para adiar as grandes obras “com excepção das que já tiverem sido adjudicadas”.

Quer-me parecer que os compromissos se estabelecem com a assinatura de um contrato, pelo que se pode questionar a pressa em contratualizar já a obra do TGV que, à semelhança de outras já em curso, será fatalmente paralisada por falta de financiamento.

Seria de todo o interesse que o contrato hoje assinado fosse tornado público, designadamente as cláusulas de penalização por incumprimento. Um assunto que deveria merecer a atenção do Parlamento, do Tribunal de Contas e da Procuradoria.

28 pensamentos sobre “O desfalque de 150 milhões

  1. FilipeBS

    Recordo-me perfeitamente desse post. Estava na cara que havia gato nessa assinatura relâmpago, em vésperas de resgate ao país… Se isto não é gestão danosa, pergunto-me o que será. Enfim, é demasiado triste…

  2. JP-A

    Tanto o TGV como o Freeport foram tratados na última hora, o que é curioso, porque para a esquerda a tomada de decisões importantes no último ano de uma legislatura de direita com maioria absoluta não se admite.

  3. Ricciardi

    Se ppc tem renogociado o contrato, no tempo e no tipo de carruagens (passageiros ou mercadorias) o encargo de 150 milhões não se verificaria. Como sempre, ppc preferiu prejudicar o país a encontrar soluções para os problemas. Um ano depois de cancelar os contratos que veiculam o estado (ao jeito mui comunista) já estava a pensar num tgv de mercadorias. Como sempre não concretizou coisa alguma.
    .
    Rb

  4. JP-A

    Dizem que certos partidos não queriam uma comissão de inquérito à CGD:

    “A La Seda tinha como vice-presidente Fernando Freire de Sousa (nomeado pelo actual governo do PS para a presidência da Comissão da Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, que gere fundos comunitários para a região), ex-secretário de Estado de António Guterres (e marido da socialista Elisa Ferreira, vice-governadora do Banco de Portugal).”
    (Sábado)

  5. Ricciardi, muito bom!!! O tipo que adjudicou uma obra de 1.3M€ em vésperas de falir o país não tem culpa, a culpa é do que minimizou os danos… Já agora, em quanto é que achas que a renegociação ia baixar o valor do contrato? sendo que os 150M€ já estavam garantidos na assinatura sem montarem um carril…

  6. Luís Lavoura

    Também foi o governo PSD-CDS quem à última da hora e muito à pressa tratou de entregar a gestão do Metro de Lisboa e da STCP a empresas privadas, como se fosse uma coisa de grande urgência que não tivesse podido ser feita nos 3 anos anteriores.
    Depois veio o governo PS e desfez isso e as empresas privadas vão, presumivelmente, ter que ser indemnizadas.
    De quem é a culpa? De quem faz as coisas ou de quem as desfaz depois?

  7. Luís Lavoura

    Ricciardi tem provavelmente razão. O governo Passos Coelho idealizou a mesma linha Caia – Évora – Poceirão que o governo Sócrates. Só que Sócrates queria fazê-la em TGV para passageiros e Passos que fazê-la para mercadorias. Com um bocadinho de jeito Passos teria podido negociar com as empresas para que elas usassem o mesmo contrato que já tinham mas para fazer uma linha de mercadorias em vez de uma de alta velocidade.

  8. E o Luís Lavoura estava presente nas reuniões que trataram das negociações entre o Governo PSD/CDS e as construtoras envolvidas para saber o que foi ou não proposto e qual a posição de ambas as partes?!?!?

    E se, em vez de andarem sempre a desculpabilizar o Sócrates fossem antes levar no olho do rabo meus esquerdalhos de merda?

  9. JP-A

    São como as cerejas (edifício transparente):

    “O projeto da Porto 2001 esteve ao abandono seis anos, até que ganhou vida, em 2007. Uma vida conturbada, contudo. Hoje, chove lá dentro e a ferrugem é visível. Câmara quer uma solução para o edifício. ”

    É o tal edifício que a câmara socialista mandou fazer a um conhecido arquiteto espanhol e depois no fim não sabiam explicar para o que servia.

    Repita-se: mandaram fazer um prédio cuja finalidade desconheciam! É obra! Chamam-lhes “autarcas”.

  10. Digam aí quem era o administrador financeiro da Elos, na altura em que venceu o concurso para a construção da linha. Comparem, depois, com o nome do governante que o anulou.

  11. Ricciardi,

    A inovação portuguesa no seu melhor: TGV de mercadorias.

    Já vem tarde: o autarca de Portalegre disse que o TGV (ainda Train à Grande Vitesse) era importante para, e cito, escoar os produtos da região. TGV de mercadorias e que para em todas as estações, apeadeiros e cães a dormir na linha.

  12. Previsão errada ou crimonosa ?
    De nada serve especular se foi por incompetência ou se havia intenção criminosa por parte do executivo socratino ao assinar um contracto em 2010, por 1’300 milhões de euros, num projecto de discutível prioridade e interesse, numa altura em que a bancarrota do estado português era iminente e conhecida desse governo. Este deslize custará a bagatela de 150 milhões de euros aos contribuintes, pois foi agora decidido que essa é a indemnização que o grupo contraente receberá do Estado por não ter ido o projecto para diante.
    A pergunta que importa é se o nosso sistema democrático serve para alguma coisa. A resposta só pode ser não: A direcção do estado e do país é refém desde há 40 anos de gente incompetente e imoral, que através do parlamento, dos partidos e dos sindicatos erigiu à volta de interesses pessoais, corporativos, e mafiosos uma fortaleza que os tribunais e os organismos de controle não conseguem desmontar, por estarem eles mesmos doentes de corrupção.
    É por isso que se chegou à dívida pública, bancária e privada que aliena totalmente o destino da Nação, sem que os autores activos e passivos do ataque à moral e ao erário público e privado sejam minimamente inquietados e possam prosseguir o assalto. Assim esta democracia não serve e deverá ser corrida.

  13. Previsão errada ou criminosa ?
    De nada serve especular se foi por incompetência ou se havia intenção criminosa por parte do executivo socratino ao assinar um contracto em 2010, por 1’300 milhões de euros, num projecto de discutível prioridade e interesse, numa altura em que a bancarrota do estado português era iminente e conhecida desse governo. Este deslize custará a bagatela de 150 milhões de euros aos contribuintes, pois foi agora decidido que essa é a indemnização que o grupo contraente receberá do Estado por não ter ido o projecto para diante.
    A pergunta que importa é se o nosso sistema democrático serve para alguma coisa. A resposta só pode ser não: A direcção do estado e do país é refém desde há 40 anos de gente incompetente e imoral, que através do parlamento, dos partidos e dos sindicatos erigiu à volta de interesses pessoais, corporativos, e mafiosos uma fortaleza que os tribunais e os organismos de controle não conseguem desmontar, por estarem eles mesmos doentes de corrupção.
    É por isso que se chegou à dívida pública, bancária e privada que aliena totalmente o destino da Nação, sem que os autores activos e passivos do ataque à moral e ao erário público e privado sejam minimamente inquietados e possam prosseguir o assalto. Assim esta democracia não serve e deverá ser corrida.

  14. Ricciardi

    O tgv de mercadorias seria um bom investimento. Aproximar as empresas ao centro da europa é fundamental para atrair investimento.
    .
    Em vez dos pafianos se concentrar em nos erros socraticos podiam dedicar-se a aproveitar as oportunidades que passavam, obvimnte, por transformar o tgv passsgeiros em tgv mercadorias sem ter de pagar indeminazação alguma.
    .
    Mas pronto, este pessoal vive para acusar, não vive para transformar.
    .
    Têm limitações partidárias. Não pensem para além dos partidos.
    .
    Qualquer imbecil percebe que os erros devem ser minorados. Se Sócrates errou ao assinar contrato, ppc errou mais em não reverter o contrato para as necessidades das empresas. Preferiu o epíteto de coitadinho e aí Jesus que o Sócrates só fez asneiras e estais a ver como neu sou bom e ele mau, dizia preferiu lamentar-se a agir. Um verdadeiro piegas.
    .

    Rb

  15. RICCIARDI : “transformar o tgv passsgeiros em tgv mercadorias sem ter de pagar indeminazação alguma.”

    O que estava contratualizado era para o TGV de passageiros.
    Uma linha para o transporte de mercadorias é um projecto completamente diferente.
    E os montantes de investimento são muito inferiores.
    O mal estava feito, a “conversão” não era possivel e o pagamento de indemenizações era práticamente inievitável.
    Quanto ao mais, o governo de Passos Coelho até relançou um projecto de uma linha apenas para mercadorias.

    (Continua e amplifica-se a narrativa de que as consequências negativas de tudo o que os governos socialistas fizeram e fazem de mal é culpa do … governo Passos Coelho !!…)

  16. «O tgv de mercadorias seria um bom investimento.»

    Um comboio de mercadorias de grande velocidade é tão necessário e viável como eram a A28 e a A23. Que também se iriam pagar por elas mesmas.

    Porque percebo que não é forte em transportes, a velocidade média assumida de uma composição de mercadorias é uma estonteante quarentena de quilómetros por hora.

  17. André Miguel

    Que país de deficientes mentais!!! Então a culpa do rombo nas contas não é de quem assina um contrato ruinoso, mas quem não o anula?? Ora foda-se! Não admira o estado do país!

  18. André Miguel

    Para criaturas como o Ricciardi a culpa da falência do país não é o Estado gastar mais do que arrecada, mas sim nós não pagarmos mais impostos! Puta que pariu! Desculpem a linguagem, mas a paciência tem limites…

  19. Ricciardi

    A indemnização é devida pelo cancelamento dos contratos.
    .
    O contrato podia e devia ter sido alterado para o tgv mercadorias.
    .
    Da mesma forma que a reversão das concessões transportes que este governo fez, se derem indeminazação é da responsabilidade do PS e não do Paf que assinou os contratos.
    .
    Rb

  20. RICCIARDI,

    Há uma enorme diferença entre (1) ter feito contratos para gastar dinheiro que não tinhamos e que agravaria ainda mais um endividamento já pesado e (2) ter concessionado transportes publicos que custavam e custariam ainda demasiado dinheiro ao Estado !!

    Os primeiros tinham mesmo de ser revertidos (era de resto uma condição para podermos ser financeiramente resgatados) enquanto que os segundos foram revertidos apenas por razões ideológicas e à revelia do interêsse publico.

    Em ambos os casos a responsabilidade politica por eventuais indemenizações é de quem fez asneira !!

  21. Tudo isto é conversa de irresponsàveis. Eu tinha uma solução para toda esta gente que brinca com o dinheiro do povo. Reponha a pena de morte e a toda essa gente que brinca com quem trabalha a ganhar o ordenado mínimo, cortava-lhe o pescoço. Aí sim, queria ver quem eram os verdadeiros políticos.

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