Sobre uma espécie de obituário delirante que ALC comete no Público

Sim, o Público chegou a ser importante. Sim, o Público entrou numa degenerescência sem fim à vista e, sim, a Alexandra Lucas Coelho, com o seu jornalismo de causas, ou melhor, da sua causa, foi uma das principais razões para eu deixar de comprar e ler o Público, que se tornou num produto manhoso, sem mais. A causa da Alexandra Lucas Coelho, a causa a que me refiro, foi a que a tornou conhecida: a difamação permanente de Israel, que no caso dela parece confundir-se com um ódio profundo, uma coisa irracional. Há limites para tudo, só não há, parece, para a manipulação jornalística a que o Público parece ter-se consagrado em exclusivo e a Alexandra Lucas Coelho praticou anos a fio com tanto enlevo. Mas isso pertence ao passado, como ao passado parece pertencer o Público.

 
Ainda li alguns parágrafos desta lengalenga. Não achei que valesse a pena continuar, quando cheguei a esta passagem: «Projectos como este jornal podem, devem, actualizar a publicidade para o digital, mas por mais cortes que façam, sacrificando trabalhadores, diversidade e profundidade, têm pouca hipótese de sobreviver com vendas e publicidade. A mudança histórica, então, seria deixarem de ser pensados como um negócio — propício ao prejuízo, a cada ano decepcionante para accionistas e desestabilizador para trabalhadores que vão perdendo condições — e serem tomados como responsabilidade social. Colectivos decisivos para a democracia, para uma sociedade mais complexa, livre e justa…».

 
Mas quem será ao certo este social? Responsabilidade de quem, em nome de quem e de quê e perante quem? Porque haveria alguém de subsidiar eternamente um jornal que os leitores não querem, porque se quisessem compravam-no? É este desvario, esta megalomania, esta pesporrência, esta mania de ter direito a parasitar alguém para poder fazer qualquer coisa cuja justificação está acima do consentimento das pessoas comuns expresso no ato simples, honesto, inequívoco e livre de pagar para a poderem ter, é este espírito de mandarinato, de casta sacerdotal que em boa medida explica o fim anunciado e previsível do Público. Só há a lamentar que alguém tenha alimentado esta cagança por tanto tempo. Se a tivessem cortado mais cedo, talvez as Lucas Coelho que vivem daquilo se tivessem posto ao caminho, à procura dos seus leitores, e, quem sabe, talvez o jornal não tivesse o fim que se anuncia.

12 pensamentos sobre “Sobre uma espécie de obituário delirante que ALC comete no Público

  1. lucklucky

    Não há jornalismo de causas porque a esquerda marxista só tem uma causa: Poder
    Uma causa implica algo com um mínimo de coerência. Isso não acontece.

    A Esquerda está-se nas tintas para as mulheres, veja-se o que acontece no mundo árabe.
    Está-se nas tintas para o racismo -veja-se o que acontece aos asiáticos onde a esquerda domina, ao apartheid que a esquerda institui nos EUA, como penaliza os pretos ao coloca-los num gueto de vitimização.
    O ambiente veja-se o que acontece quando a poluição é feita por um dos deles ou pelo estado.
    Os palestinianos veja-se como se esquece deles se não estiverem a combater Israel.
    Os judeus veja-se como se esquece deles se não tiverem a sofrer às mãos dos os nazis.

    Está-se nas tintas para o tudo excepto o Poder.

    A Esquerda não tem causas tem aproveitamentos e exploração.

  2. Anticapitalista

    Se a estupidez e má fé fossem música, cd efe uma sinfonia autêntica a proclamar o capitalismo.
    Mas, melhor será uma introspeção, pois esse hediondo sistema, agora globalizado, mais se parece com o Titanic, só que, ao contrário do enorme barco, o capitalismo navega sem botes de salvação. Será imã questão de tempo…

  3. Já você Anticapitalista se por cada idiotice que escreve lhe caísse um dedo já nem tinha conseguido teclar o 2º comentário que fez…

    Realmente que idiotice o liberalismo e capitalismo….O mundo, o modelo europeu e a estrutura da sociedade deve tudo a uma doutrina escrita por dois burgueses alemães (na altura Prússia) do século XIX…

    Às vezes dá-me ideia que o paraíso socialista era que tudo falisse por todos os lados e se passassem a usar as trocas de prestação de serviços tal e qual como sucedeu na antiga Jugoslávia e no Zimbabwe… Que sonho…. O sonho socialista da imposição da igualdade e do poder da propaganda…O paraíso orwelliano dos socialistas expresso no Animal Farm e no 1984…

  4. Olho Vivo

    A mim, o que mais me chocou, no escrito da Lucas Coelho, foi a seguinte passagem:
    “No ano passado, o grupo Sonae facturou no total 4974 milhões de euros, e este ano vai facturar mais ainda, apontam os números já disponíveis. Ou seja, os três milhões de prejuízo no PÚBLICO vão representar menos de um milésimo no bolo anual bruto da Sonae. O dinheiro, portanto, existe.”
    Para a Lucas Coelho o volume da facturação corresponde ao “lucro” dos investidores. Para ela não é necessário pagar, nem aos fornecedores, nem aos trabalhadores, muito menos distribuir resultados aos investidores; e, nunca por nunca, apurar prejuízos. É tudo lucro, de onde se podem tirar uns milhões para subsidiar um jornal “inviável”.
    Mas onde é que esta gente tem a cabeça?

  5. tina

    A esquerda é tão intrinsecamente fascista (e burra!) que diz coisas como esta sem perceber como transparece plenamente a fascismo.

  6. Manuel M Lopes Rocha

    Concordo plenamente. Se o jornal tem prejuízo, por alguma razão é. Mas, claro, pessoas como Alexandra Lucas Coelho nunca têm culpa de nada: os responsáveis são sempre os outros, nunca eles.

    Em último caso os culpados são os leitores. Provavelmente não partilham da inteligência de Alexandra Lucas Coelho e não percebem a genialidade de coisas como o P2, nem dão a devida importância às inúmeras viagens desta jornalista ao Rio de Janeiro. Nem sequer têm a decência de comprar o seu livro, sobre o qual, aliás, a jornalista fala como se de uma obra-prima se tratasse. Por que razão é que os leitores não terão a liberdade de não comprar um jornal que, invariavelmente, encharca as suas páginas com artigos puramente panfletários (curiosamente, sempre para o mesmo lado) de autores como São José Almeida, Alfredo Barroso ou Manuel Loff?

    Por outor lado, também mostra uma gritante capacidade de compreensão sobre a realidade que a rodeia. Para ALC, o ideal do jornalismo continua a ser aquele tempo “em que a gente fumava na redacção” (como consta da sua nota biográfica) e em que os jornais podiam dispensar “as vendas e a publicidade” – cenários bem distantes da realidade dos dias de hoje. Que Alexandra goste de viver nesta ilusão, óptimo; que queira obrigar os outros a pagar esta “mudança histórica”, não obrigado.

    Manuel M Lopes Rocha

  7. JPT

    A ALC define (involuntariamente?) aquilo que passa, em Portugal, por ser-se “de esquerda”: é entender que é dever dos outros pagarem aquilo de que o próprio gosta (e que por isso é bom), e quer, e acha que tem direito a ter. É acreditar, piamente, que o dinheiro “aparece”, e que todos, menos o próprio, têm dinheiro para dispensar. É não distinguir “facturação” de “lucro” e dar lições de economia. É viver da esmola de um capitalista e dizer-se mal do capitalismo. É achar-se o portador da chama da civilização, e, por isso, desobrigado de pagar a conta do gás.

  8. antónio

    Transformar um jornal que deveria dar noticias numa madrassa com meia dúzia de madrasseiros/as a escrever só poderia dar asneira. A SONAE e os Azevedos já têm idade para ter juizinho…

  9. António Costa é o Salvador

    A Sra Jornalista pode sempre pedir um patrocínio ao Hamas ou ao regime Venezuelano, os elogios que fez durante anos a esses tiranetes não são recompensados?

  10. Pingback: Subsídios… | O Insurgente

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