Apelo a Mário Centeno

Mário Centeno afirma hoje no Diário Económico que o Partido Socialista tem um plano com a contabilização detalhada das suas medidas. Para além do facto de que, apenas 3 meses depois de ser apresentado, o plano macroeconómico já estar desactualizado ao ponto de prevêr uma taxa de desemprego em 2016 superior à actual, há um problema com estas declarações: os cálculos do plano macroeconómico nunca foram disponibilizados ao público.

O que o PS apresentou foi apenas uma tabela com resultados finais. O Partido Socialista e a equipa de Mário Centeno nunca disponibilizou a folha de cálculo com as fórmulas para chegar a esses resultados. Tanto quanto sabemos, até podem ter sido inventados. Não se conhecem pressupostos, mecanismos de cálculo ou fórmulas, apenas resultados finais. Mário Centeno fala em “mecanismos de propagação económica”, mas desconhecem-se os pressupostos que ele assumiu para esses mecanismos. Fica aqui então o meu apelo a Mário Centeno e restante equipa: no âmbito das melhores práticas académicas, disponibilize ao público a folha de cálculo do seu plano macroeconómico. Por cada dia que passe sem que essa folha de cálculo seja disponibilizada publicamente, sentir-me-ei mais à vontade para concluir que os números do plano macroeconómico do PS foram inventados.

14 pensamentos sobre “Apelo a Mário Centeno

  1. vasco

    A Taxa de desemprego desactualizada?!

    EU ACHO QUE NÃO!!

    Acho que as previsões estão certíssimas. Com inferência histórica chegaríamos à mesma conclusão:

    SOCIALISMO = + DESEMPREGO

    Acho sérias e sobretudo realistas essas projecções.

  2. Luis

    Os comentários deste senhor em relação aos contratos a prazo só demonstram o quão perigoso é para a economia. Só quem nunca geriu um negócio e teve responsabilidades no final do mês é que pode defender esta legislação laboral absurda.

    Os empregados são sempre uns coitadinhos, mas na minha família foram sempre bem pagos e o reconhecimento que tiveram foi este: depois do PREC o patrão como era fascista não precisava de tanto dinheiro, então começaram a estragar a produção e a dar prejuízo. Os comunistas que se faziam de esquecidos sabiam que não podiam ser despedidos sem levarem uma brutal indemnização. Como era uma cidade pequena, sabia-se mais tarde que iam para os cafés contar a marosca que faziam nos fornos para estragarem a linha e gozar do patrão. Agora levam com contratos de dois anos, infelizmente é assim e porquê? Os maus hábitos são culturais e estão bem entranhados. Depois de estarem nos quadros cantam outra música… e o comportamento muda radicalmente.

    A minha família tem empregados há mais de 100 anos. Nem tudo se aprende nos bancos da Universidade. Há um saber prático que se adquire ao longo dos anos quando se gere um negócio, há ainda conhecimentos herdados dos nossos familiares quando estão num ramo de negócio. E depois, mais importante ainda, há o conhecimento das particularidades culturais da sociedade portuguesa, onde é comum a inveja, a pequena vingança, a traição.

    Numa sociedade como a nossa as indemnizações deveriam ser banidas, o mercado laboral deveria ser muito, muito mais flexível. As empresas certamente ficariam com os melhores e dificilmente iriam despedi-los.

  3. vasco

    Meu caro Luis, Tenho simpatia pelo seu comentário.

    A minha Familia tb tem empregados, acho que os direitos excessivos reflectem-se e devem se reflectir no salário base.
    A empresa quando contrata deve ter em conta a indemnização por despedimento. Se não o fizer não está a ter uma boa gestão.

    Acredito também que a flexibilização do mercado de trabalho só fará o país e os trabalhadores mais ricos, e menos “escravos” dos patrões,

    Pois vai existir mais empresas a querer contratar pelo facto de não ficarem com obrigações penalizadoras para o negócio.
    Vamos ter menos desemprego e mais rotação nos postos de trabalho. Os empregados ganha poder negocial.

    A rigidez no mercado de trabalho aproveita ao corporativismo (sindical e empresarial), e pouco à economia e aos trabalhadores/população ativa.

  4. Luis

    «A empresa quando contrata deve ter em conta a indemnização por despedimento.»

    E a «compensação» por não renovação de contrato. Sim, um trabalhador cujo contrato a prazo não seja renovado tem direito a uma compensação que incide sobre o número de meses que trabalhou, a saber, 14 meses por ano, e não 12! Ao fim de dois anos é um valor brutal, equivalente a um mais de um mês de salário.

    O nosso tecido empresarial não aguenta estas regras. Assim não é possível poupar para investir e modernizar.

  5. É curioso que na apresentação do tal “cenário macro-económico” (http://www.ps.pt/images/imprensa/20150421_decada.pdf) no slide 6 o PS queira dar a entender que o cenário é transparente e escrutinável, quando de facto, não o é:
    Instrumento analítico
    • Exercício técnico auditável.
    – Escrutínio público de propostas com consequências orçamentais/macroeconómicas.
    – Melhores práticas democráticas: Reino Unido, Holanda e E.U.A.
    • Iniciamos aqui um novo tempo na sociedade portuguesa:
    transparência na quantificação e avaliação das políticas.

  6. gr0uch0marx

    Amigos,
    Penso que não deve haver folha de cálculo para escrutinar, isto são cenarios feitos como se faziam no tempo dele, na broa, sem grandes complicações nem chatices por trás.
    Querem apostar?

  7. k.

    Porque é que este pedido só é apresentado a um dos partidos?

    Afinal, a coligação também tem “contas” no seu programa eleitoral, certo?

  8. Rodolfo

    ‘Luís’ (e ‘vasco’ também)… ficaria aqui o final de tarde toda a ler as vossas experiências sobre como é ser empregador. Parece-me bastante interessante o vosso conhecimento e experiência, e devia haver mais discussões dessas, particularmente entre círculos que se dizem de direita ou liberais. Costuma-se falar muito de políticas governamentais, mas na minha opinião, sabe-se pouco acerca do que os empresários e empregadores têm de passar. Fazem falta essas discussões…

  9. Carlos Guimarães Pinto

    K., certo. Já aqui pedi em tempos que a folha de cálculo do orçamento de estado fosse disponibilizada. Há no entanto uma diferença: o documento de estratégia orçamental apresentado pelo governo foi auditado pela UTAO e pela Comissão Europeia. O plano macroeconómico do PS, que se saiba, ninguém auditou. Daí a importância de mostrarem que os números não são inventados. A melhor forma de o fazerem é disponibilizar publicamente a folha de cálculo. Algo que certamente alguém que confie nos seus cálculos não terá qualquer problema em fazer.

  10. Lufra

    Socialista, sério e competente? não há disso!
    Se é socialista e serio não passa de idiota.
    Se é socialista e competente deve ter falta de escrúpulos.
    Se é sério e competente não pode ser socialista.
    Sei que vai haver por ai muito quem não pensa assim, mas para esses eu tenho um desafio:
    Que me dêem um só exemplo de um país com governo socialista em que o povo viva bem, depois de se ter acabado o dinheiro dos outros!

  11. Pingback: Orçamento De Estado Para 2016 – Recordar É Viver | O Insurgente

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