Mitos, falácias e verdades sobre o desemprego

O desemprego tem sido um dos assuntos centrais da campanha eleitoral. Com tanta informação e contra-informação, convém olhar para os números disponíveis, sem filtros. Comecemos então por olhar para a evolução do número oficial de desempregados desde 2011:

desemp1

A tendência é clara: houve um aumento do número de desempregados a partir de 2011, mais visível a partir do anúncio do pedido de ajuda à Troika. O desemprego atingiu o seu valor mais alto em Fevereiro de 2013, cerca de 20 meses depois da entrada da Troika. Desde aí caiu de forma quase contínua. Entre Fevereiro de 2013 e Maio de 2015 passou a haver menos 306 mil desempregados. A tendência foi particularmente forte até ao aumento do salário mínimo nacional em Setembro de 2014.

Para efeitos de campanha eleitoral, tem-se comparado os valores de Junho de 2011 com os actuais, para tentar definir as culpas/créditos do actual governo. Apesar do simbolismo, esta comparação é um pouco vazia de sentido. Em primeiro lugar, porque as políticas económicas de um governo demoram alguns meses a ter efeito no desemprego (há excepções como o aumento do salário mínimo nacional, cujo anúncio em si pode ter efeitos imediatos, mesmo antes da implementação). Em segundo lugar porque ninguém com dois dedos de testa esperaria que o desemprego não aumentasse bastante depois de Portugal entrar na situação em que entrou em Maio de 2011. Independentemente da cor partidária do governo, e das políticas escolhidas, o desemprego teria aumentado bastante depois da chamada da Troika. Mesmo assim, por curiosidade, podemos fazer o exercício de olhar para a evolução do desemprego nas 5 últimas legislaturas (Guterres, Durão/Santana, duas de Sócrates e esta).

desemp2

Como se pode ver pelo gráfico, esta foi a primeira vez desde 1999 em que o número de desempregados baixou entre o princípio e o fim de uma legislatura. Mais uma vez, estes dados têm um valor apenas simbólico: nem um governo controla totalmente o nível de desemprego, nem as suas políticas têm impacto imediato.

Quando se fala na queda do desemprego, logo aparecem alguns comentadores a falar no desemprego escondido. O primeiro argumento utilizado é o dos desempregados desencorajados, que por não continuarem a procurar emprego, são considerados inactivos e desaparecem das estatísticas do desemprego. Ou seja, pessoas que se cansaram de procurar emprego e por isso não entram nas estatísticas do desemprego. Adicionando estas pessoas ao gráfico, ficamos com o seguinte:

desemp7

Depois de acrescentar estas pessoas, o perfil da evolução do desemprego continua semelhante: um grande aumento entre meados de 2011 e início de 2013, seguido de uma forte queda. Utilizando este critério para definir desempregado, a queda no desemprego desde 2013 é ainda maior: menos 309 mil desempregados.

A seguir à questão dos desencorajados, fala-se no subemprego: pessoas que estão empregadas a tempo parcial mas que gostariam de ter emprego a tempo inteiro. Dificilmente se poderá considerar pessoas que trabalham a tempo parcial desempregados, mas para efeitos de análise, podemos acrescentá-los ao gráfico anterior.

desemp4

Mais uma vez, a tendência não só não se altera como se assiste a uma queda no “desemprego” ainda maior: menos 310 mil “desempregados” desde Fevereiro de 2013.

Finalmente, há um argumento que faz mais sentido de todos: muitos desempregados não contam como tal porque estão ocupados em programas de emprego e formação profissional. Ou seja, o estado paga a estes desempregados para estarem ocupados. O número de desempregados ocupados foi uma das marcas desta legislatura. Quando adicionamos, estes “ocupados” aos números do desemprego, temos o seguinte:

desemp5

Continua sem haver uma mudança na tendência. No entanto, a queda no número de desempregados desde Fevereiro de 2013 passa de 310 para 237. Mesmo assim é uma queda substancial: nunca houve uma queda tão acentuada no número de desempregados em Portugal desde 1974 (também nunca o ponto de partida foi tão alto).

A única verdadeira preocupação é que, ao contrário do que foi prometido, o número de assalariados do estado aumentou durante a legislatura. A redução que ocorreu no número de funcionários públicos foi mais do que compensada pelo aumento de desempregados ocupados pelo estado (é verdade que com um nível salarial mais baixo, mas mesmo assim dependentes do estado).

desemp6

Como o PS não hesita em criticar estes “empregos” e o PSD/PP realçam a importância do sector privado no emprego este será, certamente, um assunto para resolver na próxima legislatura, ganhe quem ganhar.

25 pensamentos sobre “Mitos, falácias e verdades sobre o desemprego

  1. blitzkrieg

    Depois de uma análise tão interessante – parabéns! – é de mau tom vir sugerir mais um pouco de trabalho a quem já o faz de borla e por carolice, mas fico com a curiosidade sobre os números do emprego (e não do desemprego) – quanto cresceu o emprego? Se a estatística estiver à mão, claro. É preocupante ver o Estado a criar tanto “ocupado”. Mas ocupam-nos com o quê??!?

  2. FB

    Excelente análise. Só “falhou” um dos “argumentos” usados pelo contra (para mim, são contra, ou do contra, não oposição) para explicar a redução do número de desempregados: a emigração.

  3. Carlos Guimarães Pinto

    FB, eu não toquei no assunto da emigração porque me parece ser o argumento mais deslocado. Adicionar emigrantes empregados (e, provavelmente, com salários superiores à média local) à taxa de desemprego parece-me fazer ainda menos sentido.

    Blitzkrieg, o número total de empregados baixou nos últimos 4 anos, mas também aumentou desde Fevereiro de 2013. A evolução não difere muito do número de desempregados.

  4. T

    Quantos milhares não emigraram nos últimos anos (antes deste governo e durante) que tinham emprego por cá? Wishful thinking é o que é.

  5. Carlos, a categoria «desempregados ocupados» aumentou consideravelmente porque os inscritos no Novas Oportunidades e em estágios profissionais *não eram* contabilizados nas estatísticas de desemprego. Começaram a ser em Setembro de 2011.

  6. Ricardo

    Mário Amorim Lopes,
    Pode facultar informação oficial a mudança na contabilização a partir de Setembro de 2011 que refere?

    O INE mudou de metodologia no 1º trimestre de 2011, estabelecendo uma “quebra de ciclo” e até pedindo que os dados a partir desse semestre não fossem comparados diretamente com os anteriores precisamente por serem métodos diferentes. Esse factor
    até torna incorreto a coluna sobre o governo PS 2009-11.

    Aproveito para partilhar um link dedicado ao “desempregado ocupado” e outro gráfico que é capaz de contestar um dos partilhados pelo CGP (desconheço a credibilidade dos dados da mesma maneira que não sei os desta publicação, mas serão do IEFP): http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/09/camuflar-o-desemprego-i.html

    Partilho um texto de José Simões:
    —«Alteração de critérios estatísticos:
    em 2011, o INE mudou de critério estatístico — “as pessoas a frequentar Planos Ocupacionais de Emprego, promovidos pelo IEFP, não eram consideradas necessariamente empregadas no questionário anterior, mas passaram a ser no questionário atual”, pode ler-se numa nota metodológica do INE.
    Em consequência, desde 2013, com o aumento do número desempregados ocupados em planos ocupacionais, o número de desempregados diminuiu.
    Ou seja, o desemprego foi subavaliado e o emprego sobreavaliado.

    —Emigração:
    a taxa de desemprego é um rácio entre o número de desempregados e a população ativa, isto é, a soma da população empregada com a população desempregada.
    Mas quem acompanha menos estes assuntos desconhece que este rácio pode descer, não porque alguns desempregados encontraram emprego (como seria adequado), mas porque houve desempregados que emigraram.
    Vejamos um exemplo numérico muito simples. No ano A, havia um milhão de desempregados e quatro milhões empregados. A população ativa era de cinco milhões. A taxa de desemprego era de 20%. No ano B, 250 mil desempregados emigraram. A população ativa passou a ser de 4,75 milhões e a taxa de desemprego baixou para 16%.
    Algo semelhante aconteceu precisamente em Portugal.
    De facto, de 2011 a 2013, o número de emigrantes foi sempre em crescendo.
    A taxa de desemprego foi afetada pela emigração.

    —Inativos “desencorajados”, “indisponíveis” e subemprego:
    quem leia, pela primeira vez, estudos sobre as estatísticas de emprego surpreender-se-á com estes critérios.
    Mas na realidade eles são considerados internacionalmente no apuramento do “desemprego em sentido lato”.
    Quem não sabe pode pensar — como se refere na crónica — que “inativos desencorajados” são “aqueles que por opção de vida não querem trabalhar, como Kiki Espírito Santo”.
    Mas na verdade, este conceito decorre de convenções da OIT que procuram dar visibilidade a diversas formas de desemprego oculto.
    Definição do INE para “inativo desencorajado”:
    “Indivíduo com idade mínima de 15 anos que, no período de referência, não tem trabalho remunerado nem qualquer outro, pretende trabalhar, está ou não disponível para trabalhar num trabalho remunerado ou não, mas que não fez diligências no período de referência para encontrar trabalho.”
    Para todos os efeitos, menos o estatístico, um inativo desencorajado é alguém que quer trabalhar e não tem trabalho, é um desempregado.
    Entre 2011 e 2014, o número de pessoas desencorajadas, indisponíveis ou que gostavam de trabalhar mais horas aumentou substancialmente — de 415 mil para 546 mil.

    Pessoas menos conhecedoras poderão ignorar que possa haver desempregados não tidos em conta por força de critérios estatísticos.
    Mas na realidade, desde 2013, o conjunto dos desempregados não considerados nas estatísticas — incluindo os “desempregados ocupados”, os “inativos desencorajados” e parte da emigração — ultrapassou o dos desempregados “oficiais”.
    Tal facto, sem precedentes, suscita sérias dúvidas sobre a adequação da taxa de desemprego como indicador em tempos de crise prolongada.
    Descontadas estas distorções estatísticas, a taxa de desemprego “real” estabilizou em níveis muitos elevados, contrariamente ao que aconteceu com a taxa “oficial.»

  7. Carlos Guimarães Pinto

    Ricardo, assumindo que não houve manipulação das fontes, a única diferença entre esse gráfico e o da imagem é a categoria “activos migrantes”. Como disse antes, é ridículo contar no cálculo dos desempregados com portugueses com emprego fora do país. Aliás, segundo esse gráfico, só começou a haver emigração em 2011. Se os autores tivessem levado o raciocínio mais uns anos atrás, por esta altura teríamos 5 milhões de desempregados. Percebe o absurdo?

  8. Ricardo

    Carlos,
    Então se todos os desempregados emigrassem perpetuamente, então a taxa de desemprego seria sempre 0%. Isso não é ridículo? O objetivo destes indicadores é compreender uma realidade. Se quiser negligenciar a realidade da emigração como resposta ao desemprego, então estará a alienar-se.
    Sim, o gráfico pode dar a entender que a emigração começou em 2011 para alguns, mas isso deve-se ao facto de o INE não ter dados para os anos anteriores até 2003. Mas é possível observar uma mudança muito veloz no crescimento da emigração com a crise e sobretudo o período da Troika, como é natural. É um claro indicativo de resposta ao desemprego, que se deve ter em conta.
    A variável “emigração” nesse gráfico mostra apenas o crescimento da emigração temporária menos a emigração permanente. É útil para avaliar a realidade.
    Deixo o indicador do INE:
    http://www.pordata.pt/Portugal/Emigrantes+total+e+por+tipo-21

  9. rrocha

    Para terem mais informação sobre o emprego aqui vai (Pordata)
    Beneficiários activos da Segurança Social
    2008 – 4.550.924(pico)
    2009 – 4.499.189
    2010 – 4.501.202
    2011 – 4.428.128
    2012 – 4.245.855
    2013 – 4.141.424
    2014 – 4.113.087 (menos 315.041 que 2011 para onde foram?)

  10. rrocha

    E já agora o saldo migratório
    2010 +3800 (os anos anteriores sempre positivos)
    2011 -24300
    2012 -37300
    2013 -36200
    2014 -30100 ( total de 127.900 pessoas que se foram embora )

  11. Carlos Guimarães Pinto

    Ricardo,

    Repito o que disse acima: não faz sentido contar nas estatísticas de desemprego com pessoas empregadas e provavelmente a ganhar acima da média nacional. O segundo pressuposto falacioso de acrescentar emigrantes é o de que todas as pessoas que saíram estavam ou estariam desempregadas. Muitos saem simplesmnete porque têm melhores salários lá fora. Terceiro, e mais importante, há aqui a falácia de que existe um número fixo de empregos. Quem pensa assim, acha que se sairem um milhão de pessoas, Portugal fica em pleno emprego; ou se entrarem 1 milhão de pessoas, o desemprego triplica. Isto é falso. As pessoas são fornecedores de trabalho, mas também clientes. Com a saída de 200 mil pessoas, saíram 200 mil clientes de trabalho. Foram menos 200 mil pessoas a comer, a vestir e a ser servidos nos restaurantes. A emigração pode ter um pequeno impacto imediato no curto prazo, mas dificilmente tem alguma significância no desemprego no longo prazo.

  12. rrocha

    “Muitos saem simplesmente porque têm melhores salários lá fora.”
    não deveria ser “Muitos saem simplesmente porque têm salários lá fora.”?

  13. Ricardo

    Carlos Guimarães Pinto,
    As falácias referidas podem existir no pensamento de algumas pessoas, mas não estão em causa nesta conversa. Eu não estou a dizer que o INE devia incluir o saldo migratório temporário na taxa de desemprego oficial. Estou a dizer que esse dado deve ser incluído no seu discurso para a compreensão do desemprego porque tem real impacto. E ninguém fala aqui da falácia do número fixo de empregos. Mas, como o Carlos admite, o saldo migratório temporário tem uma afectação de curto prazo no mercado de trabalho (e não é assim tão pouca) e isso não é algo que se negligencie. A variação da taxa de desemprego tende a ser algo conjuntural. Portanto, faz todo o sentido referir essa variável na conversa.
    Basta olhar para o gráfico do INE que eu partilhei para ver a mudança no crescimento do saldo migratório temporário com a crise e com a troika. Negar que está relacionado com o mercado de trabalho e que tem impacto na taxa de desemprego é a tal alienação de que falo. Não faça isso. Este blog tem agora a oportunidade de ser uma referência na informação de política e economia no país. É altura de se levarem mais a sério e abandonarem o discurso político enviesado que atrapalha a clarificação que as pessoas tanto precisam. Informação é poder.

  14. Tanto o emprego como o desemprego não são apenas manifestações abstratas de expressão estatística para ensaístas de ocasião. São realidades emergentes dum contexto complexo e muito dinâmico. Se é verdade que os governos não criam empregos também é verdade que tem muito mais facilidade em destruí-los. A prova mais evidente está – para quem tenha alguma memória – no avassalador e destrutivo “primeiro ano” de governação Coelhista, em que, mensagem após mensagem, se disseminou “terror” e consequentes efeitos… Para quem come muito queijo recordo que a própria Sra. Merkel quando visitou o nosso país alertou para o efeito da “psicologia” no clima económico, talvez ela própria surpreendida com a “queda” que então tomava proporções inesperadas.
    Hoje, em clima de “campanha”, fazem-se muitas contas, muitos cálculos, e muitas exposições e explicações… Não obstante, a matriz é a mesma: um país dilacerado por uma crise fortemente empolada por uma conquista de poder enraivecida e alimentada por uma pretensa corrente “liberal”… Porém, na verdade, a prática governativa já provou que o ensejo reformador e liberal, de liberal nada teve e de reformador ainda menos. O país vacila, empobreceu, endividou-se mais, e o estado permanece igualzinho ou pior. Mais “caro” para o contribuinte, mais controlador para o cidadão, ameaçando liberdades e privacidade a cada instante e a cada fatura… Um liberalismo muito estranho, que nas últimas semanas até tem a lata de se armar em “socialista”. Na verdade, este ano tende a ser realmente o ano socialista do Coelhismo, com os resultados expectáveis…
    Neste contexto, a “análise” apresentada, cujo propósito parece pretender dourar a pílula escondendo debaixo do tapete o meio milhão de pessoas que teve a coragem de fugir, pode ser muito interessante enquanto peça de propaganda, mas é pouco clara, nada abrangente na explicação técnica, correndo o risco de ser vista como intelectualmente desonesta… Quando (no final da próxima legislatura…) o Coelhismo for embora, o país poderá estar mais pobre, mais teso e desidratado que nos tempos do 44 (antes da crise internacional e as asneiras lhe terem trocado as contas…). É para esse destino que parece caminhar…

  15. Joao Bettencourt

    A esquerda também opera milagres aritméticos, para alem da multiplicação do PIB:
    Ceteris paribus, a população ativa baixa mas o desemprego não deve baixar!!!

    E a nova aritmética socialista, da escola ISCTEgórica.

  16. Ricardo

    João, o objetivo dos indicadores deve ser sempre o do esclarecimento sobre a realidade e não pura e simplesmente dizer se “sobe ou desce”. Como a emigração temporária massificou nos últimos anos, este factor deve ser tido em conta na análise do mercado de trabalho. Não necessariamente da taxa de desemprego oficial, mas do mercado de trabalho…emprego e desemprego. Se uma publicação se denomina “Mitos, falácias e verdades sobre o desemprego”, este factor devia obrigatoriamente ser tido em conta. Não fazê-lo é sinal de falta de profissionalismo e/ou seriedade.

  17. Joao Bettencourt

    “”João, o objetivo dos indicadores deve ser sempre o do esclarecimento sobre a realidade e não pura e simplesmente dizer se “sobe ou desce”.

    Como de costume, o Ricardo não se coíbe de mostrar aos outros o verdadeiro caminho para a Verdade.

    “Como a emigração temporária massificou nos últimos anos, este factor deve ser tido em conta na análise do mercado de trabalho.”

    E e. No computo da população activa que serve de base ao calculo do desemprego.

    “Não necessariamente da taxa de desemprego oficial, mas do mercado de trabalho…emprego e desemprego.

    Se a realidade não se ajusta a ideologia, ajustemos a realidade.

    Se uma publicação se denomina “Mitos, falácias e verdades sobre o desemprego”, este factor devia obrigatoriamente ser tido em conta. Não fazê-lo é sinal de falta de profissionalismo e/ou seriedade.”

    Como um genuíno zelote, e lesto em repreender os que não seguem o caminho.

  18. Caro Carlos,
    bom post bastante informativo.
    “ao contrário do que foi prometido, o número de assalariados do estado aumentou durante a legislatura” isto deve constituir motivo de preocupação.
    Caro Ricardo,
    1.não posso concordar. O gráfico que apresenta, soma dados de naturezas distintas e adicionalmente contém valores duvidosos. Por exemplo, subemprego. Sempre existiu sub emprego. Quantos estudantes passam por emprego temporário/parcial? Qual o acréscimo devido à crise? Este tipo de dados merece uma análise à parte. Claramente que se verificou um aumento do desemprego, mas isso é, pelo menos em (grande) parte, continuação de uma tendência que já se verificava. Os efeitos de um governo não cessam quando este cessa funções.
    2. O gráfico que apresenta não se encontra no endereço que indicou!
    3. Lamento, mas não sei quem é José Simões.

  19. rrocha

    O valor da taxa e um calculo que eu não ponho em questão, mas vamos a números

    1º “Entre Fevereiro de 2013 e Maio de 2015 passou a haver menos 306 mil desempregados.” alguém acredita que foram criados 300 000 empregos ?

    2º “Beneficiários activos da Segurança Social
    2008 – 4.550.924(pico)
    2009 – 4.499.189
    2010 – 4.501.202
    2011 – 4.428.128
    2012 – 4.245.855
    2013 – 4.141.424
    2014 – 4.113.087 (menos 315.041 que 2011 )”
    Há alguma explicação para esta contradição em que o numero de desempregados desce e ao mesmo tempo descem o numero de activos que descontam para a segurança social?

  20. A. R

    “Durante o governo esquerdistas do Sócrates, o desemprego aumentou!
    No mês em que o grande estadista socialista José Sócrates entrou (Março 2005), herdando uma situação catastrófica deixada pelo populista Santana Lopes, a taxa de desemprego estava nos 8,6% e quando saiu, depois de um governo extraordinário onde se deu prioridade às políticas de crescimento e emprego (Junho 2011), a taxa de desemprego estava nos 11,9% (com a tal correcção da sazonalidade, fica em 12,3%).
    E durante esse tempo, Portugal endividou-se face ao exterior em 100 mil milhões de euros.

    Do blog Economico-Financeiro:

    No mês em que o grande estadista socialista José Sócrates entrou (Março 2005), herdando uma situação catastrófica deixada pelo populista Santana Lopes, a taxa de desemprego estava nos 8,6% e quando saiu, depois de um governo extraordinário onde se deu prioridade às políticas de crescimento e emprego (Junho 2011), a taxa de desemprego estava nos 11,9% (com a tal correcção da sazonalidade, fica em 12,3%).
    E durante esse tempo, Portugal endividou-se face ao exterior em 100 mil milhões de euros.
    Durante o governo neo-liberal do PSD+PP, o desemprego diminuiu.
    No mês em que os Passos Coelho + Porta tomaram posse, a taxa de desemprego herdada do Sócrates era de 11,9%. Em Junho está nos 12,0% e, prevejo, em Outubro de 2015 estará nos 11,8%.
    Daqui até Outubro o desemprego vai diminuir pouco por causa do efeito do fim do Verão.
    Não pode ser!
    Não pode ser mas é mesmo assim, no tempo do grande estadista socialista José Sócrates o desemprego aumentou e no tempo do Passos, o destruidor da economia, o desemprego diminuiu.
    O Sócrates e as suas políticas expansionistas (que o António Costa quer fazer retornar) causaram um aumento do desemprego em 3,3 pontos percentuais e um massivo endividamento.
    O Passos Coelho, com a sua austeridade, a destruição da economia e a política neo-liberal, vai chegar a Outubro com uma taxa de desemprego inferior à que existia no mês em que tomou posse (Junho 2011) e sem endividamento.
    É notável ver que, desde Janeiro de 2013, o desemprego está a cair 1,8 pontos percentuais por ano enquanto que nos governos do Sócrates aumentou 0,3 pp por ano..

  21. Ricardo

    asam,
    O gráfico que apresento tem dados de naturezas distintas porque o objetivo é compreender a realidade do desemprego. O indicador “taxa de desemprego” muda de critérios regularmente. Mudou no 1º trimestre de 2011, em benefício dos governos desde então (pode ler sobre isso num comentário meu anterior).
    O subemprego não inclui empregos parciais de estudantes, mas sim de situações de trabalho indesejadas por falta de horas. Exemplo é um emprego a 4 horas por dia simplesmente porque não consegue arranjar um de 8 horas. Não é um conceito revolucionário e é bastante usado para a compreensão da realidade do mercado de trabalho.

    Agradeço que reconheça que claramente se verificou um aumento do desemprego. É claramente aí onde quero chegar. Não estou a procurar atacar ou defender um governo/partido em particular. Estou a apontar para a verdade. Quem a contesta estará certamente a servir interesses e não a razão.

    Comigo, o link funciona. Não sei explicar porque não dá consigo.

    José Simões é um blogger.

  22. Caro Ricardo,
    o endereço existe mas não para o gráfico que nos mostrou acima.
    Não me parece ser possível apresentar com tanta segurança um valor para o subemprego. O que refere são intenções: quer 8h mas só obtém 4h. Conheço estudantes, com trabalho devidamente regularizado, que estão na situação que descreve, de quererem mais, mas não obterem. Na realidade, se tivessem 0h nunca deveriam ser considerados desempregados reais, mas são-no. O que quero dizer é que o argumento que apresenta é uma mistura de especulação misturada com dados (oficiais).
    Notar também que soma inactivos (outra vez especulação) a desempregados.
    Finalmente, os gráficos no endereço que indica (já antigos) são distintos do que apresenta e estão incluídos num post repleto de opiniões que tentam passar por factos.
    O que eu disse (quis dizer e parece-me claro pelo restante da minha frase) foi que houve uma aumento do desemprego após a entrada deste governo. Mas, atenção, não disse que esse aumento continuou até ao presente, nem podia. Aliás, mesmo do gráfico que mostra e do endereço que indicou nota-se uma tendência de decréscimo.

  23. Pingback: Sobre o emprego e emigração | O Insurgente

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.