Deveremos temer a deflação?

Tem havido nas últimas semanas muitas notícias e comentários preocupados com a “onda de deflação” que assola a Europa. Intuitivamente, parece deslocada da realidade preocupar-se que os preços dos bens de consumo desçam. Mas obviamente, há outros factores a ter em conta. Para entendermos se nos devemos preocupar com a inflação é preciso primeiro entender que existem três fontes principais de deflação com implicações diferentes:

1. Deflação por aumento de produtividade

A deflação por aumento de produtividade ocorre quando os preços baixam porque as empresas conseguem produzir mais ou melhor do mesmo produto ao mesmo custo. Em termos simples, os preços baixam porque as empresas conseguem produzir mais, recorrendo aos mesmos trabalhadores. Esta é a melhor fonte de deflação: a deflação que resulta do crescimento económico, que resulta do facto de um país produzir mais.
Para os empresários esta não é uma situação negativa. Os preços baixam, mas as receitas mantêm-se iguais ou superiores porque a quantidade produzida e vendida aumenta.
O argumento de que os consumidores irão adiar consumo, assumindo que os preços continuarão a descer também não se aplica aqui. Em primeiro lugar porque boa parte do consumo não pode ser adiado indefinidamente. Ninguém pára de comer durante um mês apenas porque a comida ficará mais barata no mês seguinte. em segundo lugar, o facto de os preços terem descido hoje devido a aumentos de produtividade não implica que venham a descer amanhã pelo mesmo motivo. Em terceiro lugar, é preciso notar que quando os preços baixam, os consumidores assalariados vêem o seu rendimento real aumentar. Aumentos de salário são incentivo a consumir mais, não menos. Finalmente, porque se o consumo diminuísse efectivamente, então as receitas das empresas baixariam o que incentivaria a uma redução da produção, fazendo regressar os preços ao valor inicial.

2. Deflação via descida de custos de matérias primas

Esta segunda fonte de deflação é muito similar à primeira. Aqui não há um ganho de produtividade no sentido em que cada trabalhador produz mais do mesmo produtos. No entanto, tal como no primeiro caso, também aqui a descida dos preços dos bens finais está ligado a uma descida no custo de os produzir. A queda das receitas das empresas está directamente ligada à sua queda de custos, não afectando portanto os lucros ou a capacidade para pagar salários. Este é o caso da deflação por via da queda do preço do petróleo. Quando a deflação tem esta origem, não há nenhum efeito económico negativo visível.

3. Deflação de origem monetária

A terceira grande fonte de deflação é a deflação de origem monetária. Isto ocorre quando os preços baixam não porque as empresas produzem mais ou porque as matérias primas estão mais baratas mas por haver menos moeda a circular. Esta é a única fonte de deflação que pode efectivamente afectar negativamente a actividade económica.
As empresas vêem os seus preços baixar sem o respectivo aumento de vendas ou diminuição de custos. Ou seja, ao contrário dos dois casos anteriores, as empresas verão os seus lucros baixarem, assim como a sua capacidade para pagar salários. Isto é particularmente importante no caso dos sectores mais dependentes de mão-de-obra. Sem a possibilidade, por lei, de baixar salários ou reduzir as suas contribuições para o rendimento de pensionistas e funcionários públicos, o lucro das empresas irá diminuir. Essa diminuição retirará incentivos ao investimento e à criação de emprego. A redução do investimento limitará futuros aumentos de produtividade que, por si, limitarão o crescimento económico.
Uma boa forma de entender os efeitos negativos deste tipo de deflação é pensar que quando ocorre deflação por via monetária, aqueles que têm rendimentos fixos (assalariados com contratos sem termo, funcionários públicos ou reformados, por exemplo) ganham poder de compra. Ou seja, numa economia que produz exactamente o mesmo, há um conjunto de indivíduos que podem consumir mais. Se a produção se mantém constante e uns podem consumir mais, isto implica necessariamente que outros irão consumir menos. Esta transferência de poder de compra ocorre sem que exista qualquer alteração relativa dos níveis de produtividade. Ou seja, existe uma realocação de recursos de um sector da sociedade para outro, sem qualquer fundamento económico que poderá causar abrandamento económico.

36 pensamentos sobre “Deveremos temer a deflação?

  1. jo

    Se as empresas poderem baixar os salários e as contribuições para as pensões por causa da baixa dos preços, resolvem o seu problema momentaneamente, mas os trabalhadores e os pensionistas terão menos poder de compra.
    Como os produtos não se compram a si próprios e a maioria dos consumidores é também trabalhador ou pensionista, a procura vai retrair-se o que provocará uma baixa de preços (a famosa espiral recessiva). Claro que se pode compensar exportando bens mais baratos. O que é, na prática, exportar mais valor por menos pagamento. Mas se todos os países fizerem o mesmo acaba por não haver para onde exportar (vejam-se os crescimentos anémicos da zona Euro apesar da deflação).
    Claro que há uns economistas que dizem que o dinheiro que se poupa vai para investimento, mas não havendo ninguém para comprar não faz sentido investir em produtos novos.
    Os salários em Portugal já descerem, em média, mais de 10% desde 2011 (é o que diz o Banco de Portugal), no entanto houve muito pouco investimento, se retirarmos a compra de empresas já existentes que são desmanteladas a seguir, despedem pessoal e passam a produção para o estrangeiro, ou mantém o nível de produção.
    Deixar os salários descer livremente para compensar problemas de mercados tem também o inconveniente de criar uma casta de empresários parasitas que não inovam nem se adaptam ao mercado, limitam-se a passar o custo da sua ineficiência para os seus trabalhadores. Normalmente este tipo de empresários vai baixando salários até ao limite do possível, quando não pode baixar mais salários tenta proteger-se do mercado, quer o laboral quer o das mercadorias controlando o Estado. Diz que o povo não está preparado para a democracia porque é inculto e preguiçoso e que o mercado tem de ser controlado porque é amoral. Mas este é um filme que passou em Portugal durante muito tempo e que já sabemos que não tem um final feliz.

  2. Carlos Guimarães Pinto

    “Mas o principal risco da deflação não seria o aumento do valor real da dívida?”

    Faltou tocar nesse ponto. Se o motivo da deflação for o primeiro ou o segundo, não existe qualquer diminuição da capacidade de pagar a dívida. Pelo contrário, aumentos de produtividade ou reduções de custo deixam maior rendimento disponível para pagar dívidas. Se o motivo da deflação for o terceiro, aí sim. Tal como no caso dos salários, a rigidez nominal das prestações de dívida tornam-na mais complicada de pagar.

  3. Carlos Guimarães Pinto

    “Se as empresas poderem baixar os salários e as contribuições para as pensões por causa da baixa dos preços, resolvem o seu problema momentaneamente, mas os trabalhadores e os pensionistas terão menos poder de compra.”

    Não, como a redução do salário é a mesma que a redução de preços, o poder de compra mantém-se.

    “Os salários em Portugal já descerem, em média, mais de 10% desde 2011 (é o que diz o Banco de Portugal), no entanto houve muito pouco investimento,”

    Houve redução brutal do défice externo. Ou seja, hoje, ao contrário de 2011, não nos endividamos perante o exterior enquanto país.

    “Normalmente este tipo de empresários vai baixando salários até ao limite do possível, quando não pode baixar mais salários tenta proteger-se do mercado, quer o laboral quer o das mercadorias controlando o Estado”

    A solução é simples: impedir que o estado tenha o poder que os empresários possam utilizar.

  4. “O argumento de que os consumidores irão adiar consumo”

    Só um ponto (que até é capaz de não se aplicar especificamente a este post do CGP, mas talvez se aplique a muito do que é escrito sobre a deflação): essa conversa do “O argumento de que os consumidores irão adiar consumo” não será um pouco um “espantalho”? Isto é, praticamente tal quase só é referido pelos defensores de que a deflação não é má (que dizem que os consumidores não vão adiar o consumo); raramente vejo os que dizem que a deflação é má dizerem que “é má porque os consumuidores vão adiar o consumo” – acho que o argumento principal ser de que aumenta os juros reais, podendo levar a uma situação em que é impossivel chegar-se a uma taxa de juro que equilibre poupança e investimento (p.ex., se a taxa de juro real que faça as intenções de poupança e de investimento equivalerem-se for de 0.3% e houver uma deflação de 0.4%, mesmo que o juro nominal seja de 0,00000000000001% a poupança e o investimento não se equilibram).

    É verdade que se pode argumentar que vai dar ao mesmo, ainda que por um caminho mais tortuoso – que o problema de uma taxa de juro alta ser é reduzir o consumo, mas creio que, pelo menos nos modelos macroeconómicos mais simples, o problema até costuma ser visto mais pelo lado do investimento (isto é, o consumo – para um dado nivel de rendimento – é mais ou menos considerado como um dado, considerando-se que o que é sobretudo afectado por juros demsaido altos é o investimento)

  5. Carlos Guimarães Pinto

    “essa conversa do “O argumento de que os consumidores irão adiar consumo” não será um pouco um “espantalho”?”

    Isto numa pesquisa rápida:

    “A deflação induz a diferir a despesa, dado que se espera que os preços caiam ainda mais, se adiem as decisões de consumo e investiment”

    http://www.esquerda.net/artigo/europa-no-s%C3%A9rio-perigo-de-uma-armadilha-3-d-defla%C3%A7%C3%A3o-d%C3%ADvida-e-desemprego/30935

    “Com os preços a baixar, os consumidores têm tendência em adiar consumo (para um momento futuro no tempo em que os bens estejam mais baratos) e as empresas têm prejuízos, quer por menos vendas, quer pelos preços mais baratos.”
    http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/japatildeo_volta_agrave_deflaccedilatildeo.html

  6. ricardo

    Àqueles que têm medo dos empresários chamo a atenção que quem tem baixado salários e retirado rendimento aos cidadãos tem sido o Estado.
    Se houver verdadeira concorrência os empresários pagam a produtividade que obtêm, enquanto que o Estado pilha a riqueza e o bem estar dos que produzem para benefício dos que se acoitam no quentinho das mordomias e dos previlégios.

  7. Jo,

    «Deixar os salários descer livremente para compensar problemas de mercados tem também o inconveniente de criar uma casta de empresários parasitas que não inovam nem se adaptam ao mercado, limitam-se a passar o custo da sua ineficiência para os seus trabalhadores.»

    E regular os salários significa deixar de haver empresários, mesmo dos que inovam.

  8. k.

    Acrescente que vivemos num mundo global.
    Se temos inflação nos paises emergentes (onde tenho fábricas que produzem coisas) e deflação nos paises ricos (bem, Europa), onde vendo coisas, o que acha que acontece às minhas margens?

  9. A Republica Cadáver

    No terceiro caso, a diminuição da moeda em circulação não levará à sua valorização e, consequentemente, a diminuição em valor nominal dos preços dos produtos não será compensada pelo aumento do valor “real” da moeda em que se expressam os preços?

  10. Mikas

    Se o efeito de deflação fosse real, então a bolsa de valores ao mínimo sinal de queda significaria uma espiral recessiva uma vez que os investidores adiariam a compra sabendo que o preço das acções iria descer no dia seguinte…

  11. Luís Lavoura

    k
    Pois, deve ser por isso que têm tanto medo da deflação. Como as multinacionais têm fábricas nos países emergentes e vendem na Europa, vão ficar com as margens de lucro esmagadas. O que as preocupa, naturalmente. Ora, aquilo que é ventilado nos seminários de economia são sobretudo as preocupações das multinacionais (que dominam os mídia e a opinião política).

  12. k.,

    «Se temos inflação nos paises emergentes (onde tenho fábricas que produzem coisas) e deflação nos paises ricos (bem, Europa), onde vendo coisas, o que acha que acontece às minhas margens?»

    Se o k. tem fábricas no estrangeiro, está tramado. Se o k. tem fábricas na Europa vê os do estrangeiro tramarem-se nos casos 1) e 2) e preciso de mais dados para comentar o caso 3).

  13. Luís Lavoura,

    Media é o plural de medium. Pode também usar meios, que era o que se usava até aos anos 80, quando o neocalão brasileiro-yuppês se começou a instalar e a substituir palavras que já existiam para os mesmos conceitos.

  14. jo

    Não, como a redução do salário é a mesma que a redução de preços, o poder de compra mantém-se.

    Para isso seria necessário que todos os custos fossem salários e descessem da mesma maneira.
    Mas um corte de 10% dos salários numa empresa com 30% de incorporação de mão de obra, retira 10% do poder de compra aos trabalhadores/compradores mas só baixa os preços em 3%.
    Se menos de 30% dos custos são salários, descer os salários para ganhar competitividade é pouco eficiente. Acresce a isso que podendo descer os salários para manter os lucros os patrões não irão ajustar os lucros à deflação, distorcendo ainda mais as contas.
    Se os salários baixos fossem a chave para uma economia saudável Portugal tinha a economia mais saudável da zona Euro há muito tempo.

    “Os salários em Portugal já descerem, em média, mais de 10% desde 2011 (é o que diz o Banco de Portugal), no entanto houve muito pouco investimento,”

    Houve redução brutal do défice externo. Ou seja, hoje, ao contrário de 2011, não nos endividamos perante o exterior enquanto país.

    Houve redução do défice externo (brutal só em sonhos) mas não houve investimento, houve redução do PIB. Estando a produzir cada vez menos temos cada vez menos meios para pagar. Claro que há sempre a solução de tornar a cortar nos salários mas, por este andar só quando as pessoas pagarem para trabalhar o problema estará resolvido.

    Realmente se não houver um limite mínimo de salários haverá mais emprego. Resta saber se é o modelo de sociedade do Bangladesh que nos interessa. Mesmo que os “empresários ” das fábricas de lá ganhem muito dinheiro.

  15. Carlos Guimarães Pinto

    “No terceiro caso, a diminuição da moeda em circulação não levará à sua valorização e, consequentemente, a diminuição em valor nominal dos preços dos produtos não será compensada pelo aumento do valor “real” da moeda em que se expressam os preços?”

    Sem dúvida, e isso não retira uma vírgula ao post. A revalorização aplica-se igualmente a todos: aos preços que descem e aos salários que se mantêm.

  16. Luis

    A deflação faz falta a Portugal.

    Um conjunto de bens e serviços estão muito altos para a nossa realidade económica. Rendas, preços de solos, electricidade, telecomunicações, produtos farmacêuticos, até alimentos ou vestuário. Não se compreende como um simples champô com cetaconazol (Nizoral) chegue a custar 15 euros numa farmácia portuguesa e em Espanha custe apenas 3 euros. Os preços de muitos produtos de venda livre em farmácias espanholas têm diferenças brutais em relação aos preços praticados em Portugal! A carga fiscal portuguesa também não ajuda.

  17. Carlos Guimarães Pinto

    “Se menos de 30% dos custos são salários, descer os salários para ganhar competitividade é pouco eficiente.”

    E os restantes 70% dos custos dependem de quê? Mercadorias e matérias primas compradas. O preço destas, por sua vez, dependerá também da deflação e da queda dos salários nas empresas que as produzem. Mas quem sou eupara explicar isto. O Hazlitt já o fez há umas décadas:

    “…The first is that of looking only at the
    direct labor costs of a particular firm or industry and assuming these
    to represent all the labor costs involved. But this is the elementary
    error of mistaking a part for the whole. Each “industry” represents
    not only just one section of the productive process considered “hor-
    izontally,” but just one section of that process considered “vertically.”
    Thus the
    direct
    labor cost of making automobiles in the automobile
    factories themselves may be less than a third, say, of the total costs;
    and this may lead the incautious to conclude that a 30 percent increase
    in wages would lead to only a 10 percent increase, or less, in automo-
    bile prices. But this would be to overlook the indirect wage costs in
    the raw materials and purchased parts, in transportation charges, in
    new factories or new machine tools, or in the dealers’ markup”

    http://mises.org/sites/default/files/Economics%20in%20One%20Lesson_2.pdf Página 137

  18. Luis

    «Realmente se não houver um limite mínimo de salários haverá mais emprego. Resta saber se é o modelo de sociedade do Bangladesh que nos interessa. Mesmo que os “empresários ” das fábricas de lá ganhem muito dinheiro.»

    Sempre vi as pessoas que trabalham «à hora» em empregos não qualificados conseguirem mais que o salário mínimo. As mulheres a dias ganham 5 a 10 euros à hora, depende da zona do país. A apanhar ou ensacar fruta ganha-se mais de 25 euros por dia. Os pedreiros, antes da crise, ganhavam mais de 50 euros por dia, em algumas regiões.

  19. Luis

    “Se menos de 30% dos custos são salários, descer os salários para ganhar competitividade é pouco eficiente.”

    Quanto custa realmente um empregado?

    – Salário
    – Subsídio de alimentação
    – Medicina no Trabalho
    – Férias e subsídios de Natal e de Férias
    – Formação

    Se um contrato a prazo não é renovado, têm direito a uma compensação que na realidade é uma indemnização encapotada que pode atingir o valor de um salário. Os contratos também têm o seu custo.

    Tudo somado fica muito acima de um salário mínimo. Quem aufere 500 euros pode custar ao patrão mais de 700 euros no fina do mês.

  20. Luís,

    Salários + subsídio de férias e Natal + contribuições – 17,32 salários anualmente.

    Fora equipamentos de proteção individual na indústria, pode imputar 20 salários/ano ao trabalhador e está a nivelar por cima: meio salário em formação anualmente; o subsídio de alimentação pesa mais nos salários mais baixos, mas pode considerar então dois salários por ano, mais ou menos, num salário médio.

    Um trabalhador que ganhe 1000 Euros custará cerca de EUR 20,000/ano à empresa, recebendo este líquidos menos de 11000 Euros. (Ocorre-lhe a si e a mim a palavra ladrões ao pensar no Estado).

    O maior problema nem é a indemnização. É a obrigação de reintegração do trabalhador, que normalmente irá ressabiado, e os custos jurídicos e em tempo associados ao contencioso laboral.

  21. jo

    Está a considerar como custos tudo o que está associado ao posto de trabalho. A proteção individual não é salário, nem a formação. A menos que o trabalhador a use em proveito próprio fora do trabalho. Se um trabalhador faz parafusos também considera o custo do aço que ele gasta como fazendo parte do salário?
    É evidente que contratar pessoas custa dinheiro. Com trabalho escravo é muito mais fácil ter lucro. E a roubar na estrada também.
    Só há obrigação de reintegração do trabalhador em empresas pequenas, o que não é o caso da maioria das empresas portuguesas. O trabalhador recebe líquido proteção social, Serviço Nacional de Saúde, Educação Pública. Claro que se se poder pagar 1€ / dia e acabar com estas coisas as empresas são muito mais lucrativas. É o modelo de desenvolvimento dos nossos liberais. Explorar nacionais para vender barato a alemães.

  22. Luis

    jo,

    só escreve palermices.

    Pergunte aos checos se têm escravatura. O salário mínimo é inferior a 400 euros, e os indicadores económicos e sociais não diferem muito dos nossos.

    Alguma vez teve uma empresa em Portugal?

  23. Luis

    «É evidente que contratar pessoas custa dinheiro.»

    Só que em Portugal custa demasiado dinheiro para a nossa realidade económica. As consequências são o desemprego, a economia paralela e a ausência de investimento e de crescimento das empresas.

    O crescimento dos salários que a Esquerda quer só será possível de forma sustentada com crescimento, e esse crescimento é lento, demora anos.

    Aumentar salários por decreto, por mera opção política é absurdo, é uma aberração.

  24. Luis

    A Esquerda portuguesa é detestável.

    Apresentam-se estudos, números, factos. A Esquerda, sem argumentos, e cega pela ideologia, tenta matar a discussão ridicularizando o adversário, com chavões sem nexo e com acusações fortes que caem bem e são aceites: acenam com o fantasma da escravatura ou do «fássismo».

    Não há na Europa Ocidental Esquerda mais perniciosa, mais nefasta, mais burra que a Esquerda portuguesa e a sua cultura ideológica, herdada do PC e de um certo PS, com os seus vícios de linguagem, mentiras, ilusões.

    São como as seitas religiosas. Têm bons companheiros na América Latina, com os resultados que se conhecem.

  25. CN

    O ponto 3 “por haver menos moeda a circular” ainda pode ter aí umas 3 formas:

    1. A primeira, passageira e não deve causar temor: a quantidade de moeda existente é a mesma, mas dá-se o aumento da preferência por saldos monetários, um efeito one-off que aumenta o poder de compra de todos os saldos monetários existente e que por isso corrige-se a si mesmo (o aumento do poder de compra é um incentivo a ser utilizado, e um novo reequilíbrio se estabelece).

    2. A diminuição do crédito por desalavancagem que em princípio conduz também à diminuição da quantidade de depósitos, não deve ser visto como maligno em si mesmo. uma vez que o stock de crédito também diminuiu.

    3. A forma verdadeira/ maligna (ainda que…): diminuição de quantidade de moeda por falência de bancos e assim, desaparecimento de moeda na forma de depósitos.

    But… diga-se que se tal é assim, é porque previamente existiu uma bolha que inflacionou o crédito, os depósitos, e os preços praticados na economia real, em especial activos reais e financeiros. E possivelmente assim foi por causa da mentalidade anti-deflação prevalecente.

    E isso inclui o objectivo de inflação de 2 ou 3% pelos Bancos Centrais. Porque se outras formas de deflação não-malignas expostas anteriormente operarem uma descida de preços de 3%, o facto do BC estar a procurar obter uma infação de 2%, implica estar a inflacionar em termos reais 5% (embora este conceito de “real” seja difuso), e se o é assim em termos de preços nos consumidores, quer dizer que a inflação não medida no consumidor, como activos reais e financeiros, a inflação poderá ser muito superior, acabando a produzir a bolha cujo fim põe em curso a deflação temida, com crises bancárias certas, a precisar da resolução de bail out ou bail in ou liquidação.

    Em conclusão: continuaremos a sofrer e possivelmente ainda mais do que em 2008, de crises económicas e bancárias de tempos a tempos, devido ao medo irracional da deflação…de resto, isto dura desde que existe banca e poucos se opõem à mentalidade inflacionista prevalecente.

  26. ssantos

    Mas por onde é que anda a deflação? Digam-me, que eu quero fazer as compras nesse lugar. Desde o inicio da crise, os preços subiram bastante e a qualidade e quantidade dos produtos baixou.(a shrinkflation de que o Peter Schiff costuma falar)

  27. Joaquim Amado Lopes

    Não percebo por que razão “os consumidores diferirem consumo” será um problema. Afinal, o consumo essencial (comida, transportes, saúde, educação, …) não podem ser diferidos, o que significa que só o consumo acessório/dispensável será diferido. E, no meu ponto de vista, isso só tráz vantagens.

    Aumenta a poupança, o que leva a mais capital disponível para investir e maior capacidade para resistir a crises futuras.
    Alguns argumentam que, como o consumo baixa, não há incentivo para investir em mais produção. Mas Portugal não é uma economia fechada e nem todos os países se comportam da mesma forma ao mesmo tempo. Haverá sempre incentivo para investir para exportar e em inovação.

    Reduzindo o consumo acessório/dispensável também se reduz o desperdício. Consumem-se menos recursos naturais (maior sustentabilidade), os recursos disponíveis são usados melhor e o ambiente “agredece”.

  28. CN

    Em relação a este ponto:

    “Mas o principal risco da deflação não seria o aumento do valor real da dívida?” Faltou tocar nesse ponto. Se o motivo da deflação for o primeiro ou o segundo, não existe qualquer diminuição da capacidade de pagar a dívida. Pelo contrário, aumentos de produtividade ou reduções de custo deixam maior rendimento disponível para pagar dívidas. Se o motivo da deflação for o terceiro, aí sim. Tal como no caso dos salários, a rigidez nominal das prestações de dívida tornam-na mais complicada de pagar.”

    Tudo isto é verdade, mas também é verdade que os credores podem estar abertos a baixar nominalmente a dívida (haircut voluntário) se mantiverem a expectativa inicial de poder de compra nominal +juro, como alternativa a ter de enfrentar um default total, ou custos de litígio, etc.

  29. Exportação portuguesa significa incorporação de mão de obra e de trabalho português em produtos pagos pelo exterior. Se os produtos vão para o exterior, o dinheiro fica em Portugal, o que entra e que é pago em salários, rendas, juros, lucros e impostos e taxas e multas e luvas e entradas na Festa do Avante.

    Mas não podemos pensar que uma historiadora escarralhada seja capaz de pensar nisso. O fusível é apenas de ampère e meio e salta sempre antes de lá poder chegar.

  30. Pingback: A Deflação Maligna e Unicórnios | O Insurgente

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